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terça-feira, 2 de agosto de 2016 Novo Mundo, Rosé, Tintos | 08:01

Crios: um vinho argentino conectado com o público mais jovem

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Um exemplo de um novo rótulo do Crios, convivendo ainda com o desenho tradicional nas prateleiras de um conhecido supermercado de São Paulo

Um exemplo de um novo rótulo do Crios, convivendo ainda com o desenho antigo nas prateleiras de um conhecido supermercado de São Paulo

A linha Crios, o cartão de visitas da Susana Balbo Wines, é um sucesso de crítica e de público. O rótulo, manjado entre os bebedores de tintos e brancos argentinos, mostra o contorno de uma grande mão espalmada que acolhe outras duas, menores. Este símbolo familiar traduz o nome e a história do vinho desde seu lançamento. A mão maior é da enóloga Susana Balbo, a criadora dos caldos, a menor dos filhos, então crianças. O nome do vinho e sua iconografia resumem o conceito desta delicada relação: a criação do vinho e dos filhos. Uma narrativa que faz todo sentido. E, além de tudo, fácil de reconhecer nas prateleiras.

Mas a empresa – que tem mais de 50% de seu mercado nos Estados Unidos – queria se conectar com um público mais jovem. O que eles fizeram? Renovaram. Saíram da zona de conforto. Mudaram um rótulo conhecido e bem-sucedido. Os nove vinhos da linha Crios – Malbec, Torrontés, Rosé de Malbec, Cabernet Sauvignon, Red Blend, Pinot Noir, Chardonnay, Syrah-Bonarda, Limited Edition – estão, desde o ano passado, com nova roupagem. A mudança começou em 2015, nos Estados Unidos, e depois de alguns meses foi chegando a outros países, incluindo o Brasil.

Todos os novos rótulos, cada um com sua característica: fáceis de indentificar

Todos os novos rótulos, cada um com sua característica: fáceis de identificar

Ana Lovaglio Balbo, filha e diretora de marketing da Susana Balbo Wines, conta como foi o processo. Foram realizados alguns “focus group” com clientes classificados como “Mature Millennials”, entre 26 e 34 anos, nos estados da Califórnia, Texas e Chicago. O objetivo das pesquisas era entender a relação deste público com o consumo de vinho.  O vinho, conclui a pesquisa, está inserido em um novo estilo de vida, que se caracteriza pela independência, o espírito de aventura e uma conexão com mundo intermediada pelas redes sociais. Os rótulos buscam traduzir valores que identificam esta geração que age diferente, consome baseado em outros critérios e quer entender as características de cada variedade sem muita complicação. A mensagem atribuída a cada vinho da linha Crios e a estratégia de marketing e comunicação tem uma pegada mais informal. No vídeo de divulgação da campanha, o vinho deixa de ser protagonista e se torna parte da vida de jovens que praticam skate, tocam música, se relacionam com os amigos e bebem vinho, por prazer, no parque, na cozinha, em qualquer lugar. É o vinho estilo #VemPraRua!

O design, mais limpo, conhecido como all type (privilegia o texto), foi batizado como “vintage-moderno” (bom, gente, as agências estão aí para isso mesmo, justificar seu pacote de ideias e respectiva remuneração). O mesmo símbolo familiar das mãos que tornou o vinho conhecido está preservado na parte superior do rótulo, mas reduzido à forma de um ícone – a lógica da renovação inteligente, afinal, não é se desfazer da tradição, mas transformá-la. O nome do vinho, Crios, a assinatura da enóloga e a variedade da uva ou tipo do vinho ganham destaque. A maior novidade, porém, é a uma breve descrição da característica daquele vinho na cara do gol, no rótulo principal, resultado também das pesquisas: “As pessoas não costumam ler os contrarrótulos”, afirma Ana.

Manuel Luz, o filósofo do vinho uma taça de Nosotros na mão e várias ideias na cabeça

Manuel Luz, o filósofo do vinho com uma taça de Nosotros na mão e várias ideias na cabeça

 

Mas vamos combinar que não basta mudar a forma e a mensagem se o conteúdo é ruim. Isso vale para tudo nesta vida. A linha Crios é aquele tipo de vinho que você indica sem erro para qualquer pessoa que deseja conhecer um bom Malbec (com aqueles toques de cereja e floral) ou um Torrontés agradável – ou seja, vinhos que traduzem o solo argentino com qualidade e consistência. Segundo Manuel Luz, descrito nos releases como sommelier e consultor de Wine Intelligence da Cantu Importadora, mas na verdade um filósofo e polemista do vinho, o Crios já é o quarto vinho argentino mais vendido no Brasil. O Manuel sabe das coisas…

Leia também: 50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer. Parte 1 – Salta e Patagônia

Crios Malbec (R$ 61,00) leva a descrição “Frutado com notas picantes” no rótulo, como comunicação  a frase “perigosamente fácil de beber” e carrega o slogan “Seja Valente”, remetendo ao desafio de Susana Balbo ao criar um Malbec que colocou a Argentina no mapa do vinho. O Crios Torrontés (R$ 57,00) leva no rótulo as definições “Seco, crocante e aromático” e na campanha é vendido com um vinho fácil de harmonizar e desafia o consumidor a “Quebrar Regras”, assim como a enóloga fez ao criar um Torrontés com notas elegantes de flores e frutas brancas, mais seco e menos doce que os produzidos até então. Por fim, talvez aquele vinho que tenha a maior conexão com o público-alvo é o Crios Red Blend (R$ 61,00), que instiga o consumidor a “Explorar Coisas Novas”, pois é uma combinação de várias uvas tintas.

Pioneira e exigente

Susana Balbo é um ícone da enologia Argentina, a primeira mulher graduada na Escola de Enologia Don Bosco, em Mendoza, trabalhou em grandes vinícolas como Catena e Michel Torino, em Salta, e foi responsável por colocar a uva branca Torrontés no mapa do mundo do vinho de qualidade. Foi presidente da Wines of Argentina e em 1999 criou sua própria empresa onde a linha Crios se notabilizou por vinhos frescos, frutados e com uma boa relação de qualidade e preço. O resto é história.

Susana Balbo, a criadoro do Crios, apresenta suas novas criações. O espumante rosé (ao fundo) é sensacional

Susana Balbo, a criadora do Crios, apresenta suas novas criações. O espumante rosé (ao fundo) é uma boa surpresa.

Corre entre os argentinos que a profissional Susana Balbo é uma pessoa exigente e difícil de lidar. O que não demonstra em público. Não sei se a informação procede. Mas sabendo desta fama, perguntei a sua filha Ana como foi convencer sua mãe a mudar o rótulo do Crios e toda comunicação em torno da campanha do vinho. Ela respondeu: “Minha mãe topa qualquer mudança, ela deu toda força”, e completou “Mais difícil foi convencer o pessoal do comercial”. Susana pode até ser exigente e difícil, mas não é nada boba e sabe que o mundo está mudando. O vinho precisa oxigenar, não só na taça, mas sua mensagem, sua abordagem. Esta é uma experiência a se acompanhar. O processo de troca de rótulo é um processo longo, explica Ana Balbo: “É uma mudança muito recente, que leva tempo para mostrar os resultados. E vem acompanhada de um plano de marketing que estamos adotando com o vídeo, os eventos ao ar livre e ações de engajamento nas redes sociais”.

Vinhos premium

Uma boa vinícola é aquela que faz tanto um vinho de entrada bom, consistente, como o Crios, quanto caldos mais elaborados, exclusivos. Susana Balbo, claro, tem sua linha  premium e superpremium e trouxe alguns destes rótulos a São Paulo em recente exibição a convite de sua importadora, a Cantu, da qual este blogueiro participou. Dos muito caros e premiados (a linha Nosostros, a 690 reais a garrafa, entra naquela categoria que tem quase a obrigação de agradar mas afugenta pelo preço e não acho que cabe neste espaço) à nova linha Tradícion, estes são meus destaques.

Susana Balbo Signature Rosé
Região: Mendoza/Valle de Uco
Um expressivo, delicado, aromático espumante rosé, elaborado com 60% de Malbec e 40% de Pinot Noir. Um sucesso nos Estados Unidas, o maior mercado dos rótulos da Susana Balbo Wines. Me surpreendeu. É fresco, intenso e com muita fruta. Uma boa alternativa de espumante, apesar de preço não muito convidativo (R$ 189,00). “Acho que havia um espaço para um rosado de qualidade na Argentina”, ressaltou Suzana Balbo. Chega ao mercado brasileiro no final do ano.

Susana Balbo Tradícion Malbec 2012
Região: Mendoza/Agrelo – Luján de Cuyo
Especialmente desenhado para o paladar brasileiro – só vai existir por aqui e desconfio que vai agradar o gosto tupiniqim –, este Tradícion é um malbec puro sangue, sem misturas de outras uvas, com 14 meses de estágio em carvalho francês, que dá potência, fruta madura, um tanino mais presente, uma bebida mais nervosa para quem aprecia caldos mais quentes. Vai custar cerca de 89 reais para o consumidor final.

BenMarco Expressivo 2011
Região: Mendoza/Gualtallary (Valle de Uco)
Não se trata de um marca nova, mas é um vinho muito expressivo (será que fui influenciado pelo nome, produção?), fruto do trabalho do viticultor Edy del Pópolo em vinhedos de altura. Quando a gente fala que o vinho é algo vivo, não é apenas um chavão. A primeira garrafa servido deste vinhaço estava bouchonné (o vinho estava contaminado e deu “um perdido”). Cheira aqui, ali, constatado o problema, todas as taças foram trocadas. Aí, sim, ele revelou todo seu potencial. Na falta de melhor definição o BenMarco é um vinho suculento, que começa com fruta evidente e aparece um chocolate mais para o final. Macio, maduro, traz nuances e camadas de seu blend (anote a composição: 65% Malbec, 30% Cabernet Franc, 5% Cabernet Sauvignon). Vale o investimento de R$ 270,00.  Já dá para abrir já e se deliciar. Pode guardar e provavelmente outros sabores virão.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012 Blog do vinho | 10:37

A CPI do Cheval Blanc de Demóstenes

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Anton Ego: Cheval Blanc 1947 virtual

O que têm em comum o crítico gastronômico Anton Ego, personagem do desenho animado Ratatouille, e o senador sem partido por Goiás Demóstenes Torres? Ambos têm, além de gosto apurado por vinhos finos, uma certa queda pelo Château Cheval Blanc 1947, um dos melhores Bordeaux produzidos no planeta. O primeiro saboreou sua garrafa no restaurante Gusteau’s, cenário da animação da Pixar, e achou perfeita a combinação com a carne. O segundo não se sabe se chegou a desarrolhar suas garrafas do nobre tinto, mas quando o fizer com certeza deve fruir uma cachoeira de sensações. Isso se o caldo de St. Emilion não estiver bouchonné quando for aberto…

Os vinhos finos, raros e caros são um fetiche dos poderosos – mais ainda daqueles recém-alçados a esta posição. Por ser um símbolo de status de reconhecimento fácil, são também um fetiche da mídia quando acompanham personagens suspeitos do mundo dos negócios e das negociatas. É sopa no mel.

A estrela da vez é o Cheval Blanc 1947 encomendado pelo senador Demóstenes Torres ao contraventor e muy amigo Carlinhos Cachoeira.  Áudios da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, revelam que em agosto de 2011 o senador goiano encomendou ao assessor de Cachoeira,  Gleyb Ferreira da Cruz, cinco garrafas da preciosidade da região de St. Emilion: “Mete o pau aí. Para muitos é o melhor vinho do mundo, de todos os tempos. Passa o cartão do nosso amigo aí (Cachoeira), depois a gente vê”. Indignação, revolta,  o vinho entrou para o banco dos réus.

Demóstenes sabe das coisas. Para o critico Robert Parker a safra faz parte da “esplêndida trilogia de 1949, 1948, e 1947” dos rótulos produzidos pelo château de Bordeaux.  A barganha, realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos, saiu por 14.000 dólares. Uma rápida pesquisa no diretório de buscas Wine-Searcher aponta garrafas do Cheval Blanc 1947 desde 3.000 até 25.000 dólares!  Uma pechincha perto de uma garrafa de 6 litros, também chamada de imperial, de um Château Cheval Blanc 1947 encontrado em uma adega secreta de um grande colecionador, que foi leiloada por US$ 304.375 em 2010.

Políticos e vinhos

Vinho, política e poder caminham juntos desde sempre. Desde a Grécia antiga, passando pelo Império Romano até as recepções oficiais da ONU, da Casa Branca e do Itamaraty. Mas também frequentam os gabinetes de lobistas e dão uma mão de verniz nos brindes das negociatas de sempre. É famosíssima, por exemplo, a adega do deputado Paulo Maluf, com sua vasta coleção dos borgonhas da Domaine Romanée-Conti. Aubert De Villaine, seu produtor, declarou em entrevista a este blog sua surpresa após uma visita ao ex-prefeito de São Paulo, em 1995: “Maluf tinha algumas safras antigas que nem nós temos mais na nossa adega, na Domaine.” E perguntou: “O que aconteceu com o senhor Maluf? Ele foi preso, não?” Maluf foi preso e solto mas ainda permanece na lista dos mais procurados da Interpool por suposto desvio de US$ 11,6 milhões.  O vinho mais caro vendido na história, de alguma forma, também está ligado a um político. Uma garrafa de Lafitte (hoje conhecido como Château Lafite Rothschild), da safra de 1787 e pertencente à coleção do presidente americano Thomas Jefferson, foi arrematada por US$ 160 mil em 1985 pelo milionário Malcolm Forbes.

Demóstenes Torres: Cheval Blanc 47 de verdade

O senador Demóstenes e Carlinhos Cachoeira, revelam as escutas agora, eram bastante próximos e seus encontros eram regados a um bom tinto. O senador tem uma adega repleta de rótulos raros e exclusivos – é um apreciador da bebida, hábito que geralmente exige uma certa quilometragem de rótulos provados. A única vez que pude observar o senador de perto, em um restaurante de Brasília, ele saboreava um tinto italiano de bom pedigree que descansava em um decanter em sua mesa.

Demóstenes, o original grego, foi um politico de Atenas que se destacou pela oratória. Foi  condenado ao ser corrompido por um ministro de Alexandre e foi preso. Conseguiu escapar. Demóstenes, o homônimo goiano, também brilhou na tribuna do Congresso em Brasília e seu “discurso ético” encantou uma parcela da nação que se viu preplexa com as revelações dos áudios da Polícia Federal. O vinho caro, adquirido de maneira ilícita, foi a cereja no bolo. O problema, claro, não foi o vinho. É ético, e não etílico. E o Cheval Blanc entrou na dança.

CPI do Cheval Blanc

No intuito de colaborar com a CPI mista de Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o Blog do Vinho traz a ficha corrida do Cheval Blanc  1947 e algumas declarações de personalidades que mantiveram alguma intimidade com a garrafa.

Ficha

Nome: Château Cheval Blanc

Classificação: Premier Grand Cru Classé A

Proprietários: Bernard Arnault e Albert Fère

Endereço: Châteu Cheval Blanc, 33330, St.-Emilion, França

Telefone: 33 05 57 55 55 55

Email: contact@chateau-chevalblanc.com

Site oficial: www.chateau-chevalblanc-com

Vinhedos

Área: 91,4 acres

Uvas: 58% cabernet franc e 42% merlot

Média de idade das vinhas: 45 anos

Densidade da plantação: 8.000 vinhas por hectare

Vinificação

21 a 28 dias de fermentação e maceração em temperatura controlada em “barricas” de concreto e tanques de alumínio. Após a fermentação malolática, passa 18 meses de envelhecimento em barris novos. O afinamento é feito com claras de ovos e não passa por filtração

Produção

Produção anual: 100.000 garrafas

Preço médio, entre 125 e 500 dólares

Safras excepcionais recentes

2000 (100 pontos Parker), 1990 (100 pontos Parker)

REGIÃO – O Château Cheval Blanc está localizado na apelação de Saint-Émilion, em Bordeaux, França, na margem direita do rio Gironde. Saint-Émilion é conhecida como a pátria da uva merlot, mas na composição do Cheval Blanc é caracterizada por uma alta percentagem da  cabernet franc. A combinação de partes quase iguais das duas cepas tornam o vinho um experiência única.

CARACTERÍSTICAS – De cor rubi escuro, em suas melhores safras é opulento e frutado, corpo intenso, volumoso, e fácil de beber quando jovem. O bouquet é especial. Nas suas melhores safras o Cheval Blanc é ainda mais aromático que outros Médoc, como Chateau Margaux. Traços minerais, mentol, tabaco, especiarias exóticas, intenso, muita extração e frutas negras são características do vinho.

O que esperar da safra de 1947

(mesmo que você jamais chegue próxima de uma em sua vida)

O Château Cheval Blanc descreve a safra de 47 como um “feliz acidente da natureza. Seus extraordinários sabores são tão ricos e generosos que faltam palavras para descrever sua degustação. Frequentemente comparado a um Porto Vintage, é certamente um vinho poderoso. Sugestões da fruta cristalizada, geléia, café e as especiarias. Os taninos são incrivelmente suaves e o final é quase infinito.”

Para o britânico Michael Broadbent, Master of Wine e ex-responsável pelo departamento de vinho da casa de leilões Christie’s, o Cheval Blanc 1947 pode ser descrito pelo seu estilo que lembra um porto em sua concentração e doçura.

O critico Americano Robert Parker, que pontuou a safra de 1947 com a nota máxima de 100 pontos, descreve assim esta raridade: “O que eu posso dizer sobre este vinho que parece mais um Porto que um vinho seco de mesa? O Cheval Blanc 1947 mostra uma textura tão densa quanto um óleo de motor. O intenso nariz de bolo de frutas, chocolate, couro, café e especiarias asiáticas são inacreditáveis. A textura untuosa e a riqueza de frutas doces são incríveis… Perfeito, ou próximo da perfeição, toda vez que tive a oportunidade de prová-lo.

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 | 17:40

ABC do Baco

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ABC do Baco

Vinhos de A a Z

Os termos e jargões mais usados organizados em ordem alfabética


A
  • ACIDIFICAÇÃO
    Adição de ácidos químicos ao mosto para compensar a falta de eventual acidez natural das uvas.
  • ACIDEZ
    Componente natural do vinho, confere vivacidade e frescor à bebida. É formada pelos ácidos presentes no vinho, de origem fermentativa ou da própria uva. A sensação de acidez é sentida nas partes laterais da língua.
  • ÁCIDO TARTÁRICO
    Ácido natural do vinho. É inofensivo, são aqueles cristais encontrados na garrafa ou na rolha, principalmente em vinhos brancos mantidos à baixa temperatura.
  • ADISTRINGÊNCIA
    É a sensação de secura na boca. Ela é provocada pelos taninos, que têm uma ação coagulante sobre a saliva.
  • ÁLCOOL
    No vinho, é composto pelo etanol ou álcool etílico. É o resultado do contato da levedura com o açúcar natural da polpa da uva durante a fermentação. Quanto mais maduras as uvas, mais açúcar natural contêm, e mais elevado será o teor do álcool.
  • ÁLCOOL POR VOLUME
    Porcentagem numérica que indica o nível de álcool num vinho. O teor alcoólico de um vinho pode variar de 7% vol. a mais de 15% vol. em função do teor dos açúcares do mosto e do açúcar adicionado (chaptalização). Acima de 15% vol. tratam-se, em geral, de vinhos fortificados.
  • ANTOCIANOS
    Pigmentos vermelhos da uva que conferem sua cor aos vinhos tintos.
  • AROMA
    Conjunto de sensações percebidas diretamente por via nasal ou retronasal (através da boca).

    Há mais de 200 compostos aromáticos identificados. Eles são divididos em três grupos:

    • Primário (ou varietal): vem da própria uva e lembra frutas frescas e maduras, flores, vegeatais e minerais.
    • Secundário: resultado do processo de fermentação, não são originários da uva, são aromas de madeira, leveduras.
    • Terciário (ou bouquet): é a sensação olfativa que o vinho desenvolve depois de engarrafado e envelhecido por vários anos.

    Classificação dos aromas

    • Frutados: Cassis, cerejas, ameixas, goiaba, framboesa, groselha (vermelhas, nos vinhos tintos); pêssegos, abacaxi, maracujá, melão, pêssego (brancas e amarelas, nos vinhos brancos).
    • Florais: Rosas, violetas, jasmins, acácias, etc.
    • Especiarias e Herbáceos: Pimenta, cravo, canela, alcaçuz, nós-moscada, etc.
    • Minerais: Petróleo, terra, pedra de isqueiro, etc.
    • Químicos: Fermento de pão, enxofre, removedor de unha, etc.
    • Queimados (ou empireumáticos): Alcatrão, tostado, defumado, caramelo, café torrado, piche, etc.
    • Amadeirados: Carvalho, baunilha, cedro, eucalipto, etc.
    • Assemblage: Mistura de uvas diferentes em um mesmo vinho, também chamado de CORTE.
    • Atesto: Operação de preenchimento dos barris após a evaporação de parte do conteúdo.
    • Autóctone (Uva): Vem do grego (autókhton). Termo usado para designar a uva originária de um determinado país ou região.
    • Aveludado: Vinho extremamente macio, lembrando a textura do veludo.
    • Avinagrado: Bebida que apresenta excesso de ácido acético; vinho próximo de se tornar vinagre.

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B
  • BARRICA OU BARRIL
    Tonel de carvalho usado em várias etapas da vinificação, mais comumente usado no envelhecimento da bebida. Confere ao vinho notas de baunilha, coco queimado, tostados etc. Em Bordeaux o padrão do barril é de 225 litros.
  • BÂTONNAGE
    Mistura de borras com o vinho ainda nos barris.
  • BIODINÂMICA
    Método de vinicultura orgânica que além de não usar defensivos e adubos químicos segue a teoria do austríaco Rudolf Steiner, baseada  em observação das fases da lua, das marés e outros influências naturais e esotéricas no vinhedo.
  • BLANC DE BLANCS
    Termo usado em champanhes franceses para designar a bebida feita exclusivamente com uva branca, no caso a chardonnay.
  • BODEGA
    Equivalente espanhol para vinícola.
  • BORRAS (Lie na França)
    Sobra de leveduras, sementes e outros sedimentos que se depositam no vinho após a fermentação. Nos champanhes o contato prolongado com as borras conferem caráter ao vinho.
  • BOTRYTIS CINEREA
    Um fungo benéfico e até desejável que ataca as uvas sob certas condições climáticas. Elas perdem a água e concentram açúcar e ácidos. Uvas botritizadas produzem vinhos licorosos, como o Sauternes, da França, ou o Tokay, da Hungria.
  • BOUCHONNÉ (ou gosto de rolha)
    Trata-se de um vinho que tem um forte cheiro de rolha (em francês bouchon). Esse fenômeno se deve a um desequilíbrio de certos mofos específicos da cortiça. O vinho perde o sabor da fruta e o gosto vai se tornando amargo e piora muito depois de aberto.
  • BRUT
    Termo reservado para espumantes, significando seco.
  • BUQUÊ
    Conjunto de aromas complexo e agradável que exala de um vinho e é percebido pelo nariz; é o somatório dos aromas primários, secundários e terciários.

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C
  • CANTINA
    Como é chamada a vinícola na Itália.
  • CAVA
    Termo genérico que se aplica aos vinhos espanhóis elaborados segundo o método champanhês.
  • CEPA
    Variedade de uva do gênero Vitis vinífera.
  • CHAPTALIZAÇÃO
    Criado pelo químico francês Chaptel, trata-se da adição de açúcar de cana ou beterraba ao mosto a fim de elevar o teor alcoólico do vinho.
  • CHARMAT
    Método de elaboração de vinhos espumantes em cuba por adição de açúcar e leveduras.
  • CHÂTEAU
    Designação de um vinho proveniente de uma propriedade particular na França.
  • CLOS
    Vinhedo que é (ou foi) cercado por muro. Também um termo francês.
  • CLONE
    Planta obtida a partir de um único pé por multiplicação assexuada (estaca ou enxerto).
  • COMUM
    Designação de um vinho produzido com uvas híbridas ou americanas no Brasil.
  • CORPO
    Um vinho pouco encorpado está para outro mais encorpado assim com o peso do leite integral está para o leite desnatado.
  • CRU
    Vinhedo específico ou zona delimitada com aptidão para produzir um vinho de características particulares e originais na França.
  • CUVÉE
    Designa um lote de vinhos cuja identidade deve ser diferenciada e precisa, geralmente usado para vinhos de qualidade excepcional na França.

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D
  • DECANTAÇÃO
    Passagem lenta do vinho da garrafa para um outro recipiente chamado decanter. Serve para separar eventuais sedimentos do vinho ou para aeração.
  • DESARMÔNICO
    Vinho que, pela carência ou excesso de um ou mais componentes, resulta desequilibrado do ponto de vista gustativo.

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E
  • ÉLEVÉ EM FUTS DE CHÊNE
    Registro nos rótulos franceses para indicar que o vinho foi envelhecido em barris de carvalho.
  • ENVELHECIMENTO
    Período de amadurecimento do vinho que tem por objetivo torná-lo mais macio e complexo. Os vinhos são primeiro envelhecidos em barris de carvalho (francês ou americano) e depois nas próprias garrafas.
  • EQUILIBRADO
    Vinho em que todos os componentes estão na proporção correta, principalmente o álcool e os ácidos. Nenhum deles é dominante. Quanto maior a harmonia entre o açúcar, a acidez, o tanino e o álcool melhor será o vinho.
  • ENÓLOGO
    Aquele que vinifica o vinho.

    ENÓFILO
    Aquele que aprecia e estuda o vinho. Não é uma profissão.

  • ESTRUTURADO
    Vinho com boa presença de álcool, ácidos e taninos.

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F
  • FECHADO
    Vinho que não mostra muito aroma e sabor; não está pronto para beber.
  • FERMENTAÇÃO ALCOÓLICA
    Etapa decisiva na elaboração do vinho, quando os açúcares contidos no mosto se transformam em álcool, gás carbônico e em calor sob influência de leveduras e o suco de uva se transforma em vinho.
  • FERMENTAÇÃO MALOLÁTICA
    Fermentação secundária que se segue à fermentação alcoólica e que ocorre com a maioria dos vinhos, convertendo ácido málico (mais ríspido) em lático (mais macio) para reduzir a acidez total.
  • FINO
    Diz de um vinho brasileiro produzido com uvas viníferas (vitis viníferas). Na Espanha é sinônimo de um tipo de Jerez mais leve.
  • FRISANTE
    Vinho ligeiramente efervescente, porém com menos gás carbônico que os espumantes.
  • FRUTADO
    Diz-se de um vinho com aroma e gosto de frutas frescas. Características dos vinhos jovens.

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G
  • GARRAFEIRA
    Em Portugal indica um vinho de qualidade elevada. Também significa adega e um tipo de vinho do Porto raro.

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L
  • LÁGRIMAS (ou pernas)
    O líquido que escorre na parede dos copos depois de beber resulta da diferença da velocidade de evaporação entre a água e o álcool. Elas lembram lágrimas e indicam teor alcoólico do vinho. Quanto mais numerosas e finas forem, indicam um vinho com teor alcoólico mais elevado.
  • LATE HARVEST (colheita tardia)
    Essa expressão no rótulo indica um vinho feito com uvas colhidas tardiamente, com alto teor de açúcar. Normalmente um vinho de sobremesa.
  • LEVEDURAS
    Microorganismos que existem naturalmente no solo dos vinhedos, agarram-se às uvas quando estas crescem e estão presentes no ar das adegas e produzem enzimas responsáveis pela fermentação, convertendo o açúcar em álcool.

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M
  • MACERAÇÃO
    Processo em que o contato das cascas e sólidos com o vinho, durante a fermentação, faz com que o álcool funcione como um solvente para extrair a cor, taninos e aroma das cascas.
  • MACERAÇÃO CARBÔNICA
    Fermentação das uvas tintas inteiras, não prensadas, numa atmosfera de dióxido de carbono (exemplo: Beaujolais Nouveau).
  • MAGNUM
    Garrafa de 1,5 litro, o mesmo que duas garrafas tradiocionais de 750 ml. Estas garrafas maiores são as preferidas dos especialistas pois o vinho amadurece melhor.
  • MÉTODO CHAMPENOISE (ou traditionnelle)
    Processo no qual o vinho base sofre a segunda fermentação na própria garrafa para formar as borbulhas. É o único método utilizado em Champagne.
  • MÉTODO CHARMAT
    Processo de produzir vinhos espumantes com a segunda fermentação feita em tanques pressurizados.
  • MISEN BOUTEILLE AU CHATEAU/DOMAINE/À LA PROPRIETÉ
    Vinho francês engarrafado na propriedade – indicativo de qualidade e individualidade.
  • MOSTO
    É o suco da uva; líquido denso e muito doce, obtido do esmagamento ou prensagem da uva fresca, e que ainda não sofreu fermentação.

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O
  • ORGÂNICO
    Vinhos produzidos de vinhedos que dispensam uso de fertilizantes e pesticidas químicos.
  • OXIDADO
    Vinho alterado em suas características visuais, olfativas e gustativas pelo contato com o ar. A cor fica mais escura que o normal e a acidez tem uma queda acentuada. Ocorre com vinho aberto há muito tempo.

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P
  • PERSISTÊNCIA
    Característica de um vinho de qualidade superior percebida pela duração das sensações das suas qualidades gustativas na boca e pelo retrogosto.
  • PHYLLOXERA
    Um pulgão que ataca as raízes das videiras. Causou a devastação mundial das vinhas no final do século 19.
  • POLIFENÓIS
    Conjunto de compostos cuja combinação determina o aroma do vinho, sua cor e estrutura.

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Q
  • QUINTA
    Propriedade produtora de vinhos em Portugal.

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R
  • REDONDO
    Vinho rico em glicerina, álcoois e açúcares residuais, quase sempre junto a uma moderada acidez e escasso teor de taninos, que tornam a bebida extremamente macia.

    RESERVA
    Na região de Rioja, na Espanha, é o nome dado no rótulo ao vinho que envelhece pelo menos 1 ano no barril e 2 anos na garrafa. Em outras regiões, como Chile, Argentina e mesmo no Brasil não têm relação direta com a qualidade da bebida. Os produtores usam o termo no rótulo quando desejam. É preciso conhecer a vinícola.

  • RETROGOSTO
    Identifica o aroma e sabor deixado pelo vinho na boca após ser engolido. Grandes vinhos têm retrogosto rico, complexo e prolongado.
  • ROBUSTO
    Termo usado para descrever um vinho muito encorpado, com elevado teor de álcool.

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S
  • SAFRA
    Ano em que as uvas são colhidas
  • SOMMELIER
    Profissional de restaurante que recomenda o vinho que melhor harmoniza com a comida e administra a adega.

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T
  • TANINO
    Substância natural encontrada no vinho, essencial para a estrutura dos tintos. É derivado principalmente das cascas, sementes e engaços. Tem um sabor adstringente e conferem aromas e sabores ao vinho, assim como aptidão ao envelhecimento. O tanino também é um conservante natural que permite o vinho envelhecer por mais tempo. A percepção do tanino muda ao longo do tempo. Quando há excesso de tanino, o vinho é rotulado como TÂNICO.
  • TENUTA
    Propriedade rural na Itália.
  • TERROIR
    Conjunto de solos, subsolos, clima e exposição ao sol de terrenos com características próprias para produzir vinhos originais e de qualidade. O terroir é determinante para o caráter e indivudualidade do vinho. Constitui um dos fundamentos dos sistemas de denominação de origem francês.
  • TERROSO
    Vinho cujo sabor ou aroma lembra terra ou sabores a ela ligados: musgo, trufas, etc

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U
  • UNTUOSO
    Vinho muito encorpado e muito frutado.

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V
  • VARIETAL OU VARIETAIS
    Ver vinho varietal
  • VINHO DE MESA
    Nos paÌses da europa onde existem uma regulamentação de origem controlada, são os vinhos mais comuns, do dia-a-dia. No Brasil, são aqueles elaborados com variedade americanas e híbridas, que produzem vinhos de baixa qualidade.
  • VINHO FORTIFICADO
    Indica um vinho que teve seu teor alcoólico aumentado pela adição de aguardente vínica (exemplos: Vinho do Porto, Jerez, Madeira, VDN).
  • VINHO FINO
    Diz de um vinho brasileiro produzido com uvas viníferas (vitis vinífera).
  • VINHO DO PORTO
    O vinho fortificado mais renomado do mundo. Produzido nos estilos Ruby, Tawny (básico, com idade e colheita), LBV, Vintage Character e Vintage.
  • VITIS VINIFERA
    Espécie botânica de uvas destinadas à produção de vinhos de qualidade. É o nome científico das vinhas européias.
  • VINTAGE
    Vinho de um determinado ano. Pode também significar colheita.
  • VINHO VARIETAL
    Vinho com predominância de uma uva, identificada no rótulo (exemplo: Cabernet SauvigNon, Merlot etc.). É preciso que exista um mínimo dessa uva, normalmente 75% na maioria dos países. No Brasil no mínimo 60% de uva declarada no rótulo.

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