Publicidade

Arquivo de setembro, 2008

terça-feira, 30 de setembro de 2008 Blog do vinho | 16:56

Vinhos raros, e caros, por uma boa causa

Compartilhe: Twitter

São Paulo entrou no circuito dos leilões beneficentes de vinhos raros. A Childhood Brasil, ONG que combate a exploração sexual infantil criada pela rainha Silvia, da Suécia, promove nesta quinta-feira (2) o seu na Casa Fasano. São 140 vinhos, distribuídos em 61 lotes – totalizando 270.000 reais –, apresentados pelo sommelier Gianni Tartari em um catálogo repleto de informações e ilustrado com belíssimas fotos das garrafas. 

O portfólio, dominado por rótulos de Bordeaux, impressiona. Só de safras do Château Haut-Brion, um primier grand cru classé da sempre citada classificação de 1855, são oito: 1966, 71, 75, 88,  93, 94,  98 e 2000. Esta última, a mais cara, com lance mínimo de R$ 4.480,00, merece os seguintes comentários de Gianni Tartari: “Elegância, densidade e profundidade de aromas frutados como ameixas, frutas negras, cerejas, grafites e sutis toques de carvalho revelam um vinho puro e extraordinário”.

Desfilam ainda entre os lotes preciosidades como Château Cheval Blanc, Château Margaux, Château d’Yquem, três safras do Châteaux Petrus, entre outros, além de clássicos italianos e espanhóis. Curiosamente, o rótulo com o lance mínimo mais alto (R$ 4.900,00) é um italiano de alma bordalesa. Trata-se do Sassicaia 1985, considerado por Gianni “um dos melhores vinhos do mundo!” e também uma raridade.

As garrafas foram doadas de coleções particulares. Uma página de agradecimentos especiais no final do catálogo dá uma pista de quem foram o beneméritos. Gente de grana, claro. Serão arrematadas por enófilos com o mesmo, ou maior, poder aquisitivo. Ou seja, os vinhos pagam uma espécie de pedágio para voltar para as mãos dos mesmos colecionadores endinheirados, mas com RG diferente. Mas é por uma boa causa.

Aí o leitor deste blog pode se perguntar? Mas o que eu tenho a ver com este mundo inacessível? Muito, eu arriscaria. Estes vinhos, praticamente inatingíveis, funcionam como um fetiche para o apreciador de tintos e brancos. Assim como um fanático por automóveis é capaz de descrever cada curva da carroceria de uma Ferrari, sua capacidade de torque e outros detalhes técnicos – e jamais sequer entrará em uma máquina dessas -, o amante de vinhos sabe tudo sobre a história, os terrenos, as uvas e as safras mais importantes dos grandes vinhos. Mesmo que jamais consiga prová-los.

Claro que a probabilidade de alguns destes raros caldos passar pelo seu nariz e descer gloriosamente pela sua garganta é bastante ínfima. Diria que há poucas chances. A não ser que:

1 . Você ser rico (não me parece que muitos leitores se encaixam nesta categoria)

2. Você ter uma amigo rico (de preferência uma amigo rico em sua confraria)

3. Você trabalhar com isso (aí se enquadram os sommeliers, especialistas, críticos e até alguns jornalistas)

4. Você participe de uma degustação de vinhos top de linha (você acaba desembolsando o equivalente a uma fração da garrafa e pode bater no peito e dizer entre os amigos: eu já provei um Pétrus! E até desdenhar  -difícil, mas possível: “Não achei nada demais…”)

Então, quem dá mais?

Autor: Tags:

quinta-feira, 25 de setembro de 2008 Novo Mundo, Velho Mundo | 17:35

O investidor que virou vinho

Compartilhe: Twitter


Em 2004, quando o espanhol José Manuel Ortega Gil-Fournier (foto) largou  a vice-presidência do Banco Santander para se dedicar aos vinhedos, seus amigos do mercado financeiro o chamaram de maluco. Neste dias, em que os bancos de investimento estão derretendo e o mercado trinca os dentes, Ortega Gil-Fournier saboreia o retrogosto da vitória: “Hoje em dia, quem me chamava de louco, me cumprimenta pela decisão”.

A conversão deste alto executivo do mundo das finanças para o mundo dos vinhos começou pelo bolso, mas acabou tomando conta da cabeça. Quando trabalhava com o Goldman Sachs, em Londres, investiu 25 mil euros na aquisição de 2000 garrafas de rótulos espanhóis com forte apelo de investimento: topos de linha como Pesquera, Vega Sicilia, etc

A garimpagem pelas melhores safras aproximou Fournier do assunto. Em 1999, quando era responsável por investimentos do Santander na América do Sul, enxergou o potencial dos vinhedos argentinos e adquiriu terras em Mendoza. O negócio começou a tomar forma com a irmã e um cunhado. Passados oito anos, a O. Fournier tem vinícolas estabelecidas na Argentina, no Chile e na Espanha, na região de Ribera del Duero. São projetos autônomos, mas com afinidades de objetivos (vinhos de alta qualidade) e de características: os três estão localizados em terrenos de altitudes mais elevadas (cerca de 2.400 metros), trabalham na recuperação de vinhedos  antigos e adotam um regime de baixa produção por planta (que geralmente resulta em caldos de maior complexidade e refinamento, e preços idem).

Resultado: rótulos como A Crux (Argentina) e Spiga (Espanha) acumulam prêmios e críticas favoráveis ao redor do planeta. O argentino O. Fournier Syrah 2004 (U$ 159,50) é um dos rótulos mais prestigiados de um linha de excelências da vinícola. Mas de todos que provei fico com outras escolhas, listadas no post seguinte. “Não queremos produzir vinhos muito caros, nem para os top de linha”, argumenta Ortega Gil-Fournier. Não, isso não quer dizer que são produtos baratos, mas comparados a preços de vinhos do mesmo nível, o argumento é válido.

Ortega Gil-Fournier ainda toca num ponto controverso: a capacidade de envelhecimento dos rótulos abaixo do Equador. Contrariando o senso comum, que alega que envelhecimento é prerrogativa dos vinhos europeus, ele aposta na capacidade dos caldos do novo mundo. “Vinhos chilenos e argentinos podem evoluir, sim”, pontifica. “Fizemos uma degustação onde havia um tannat 1944, da Norton, que estava vivíssimo e um Trapiche 64 que evoluiu muito bem”, relata. É beber para crer.

Quanto à adega de safras antigas de seu investimento inicial, Ortega Gil-Fournier não parece muito preocupado. Seu foco, agora, é outro – ampliar seu raio de ação. Os próximos alvos são as regiões do Douro, em Portugal, e de Napa Valley, na Califórnia. Algumas garrafas da coleção foram abertas, claro, mas o restante continua ali, evoluindo seus aromas, afinando seus taninos e aumentando seu preço – o vinho transformou a vida do ex-vice-presidente de banco, mas nem por isso o homem rasga dinheiro, não é mesmo?

Autor: Tags: , , ,

Brancos, Novo Mundo, Tintos, Velho Mundo | 17:24

Três goles de três vinhos de três países…

Compartilhe: Twitter

…de um mesmo produtor: O. Fournier. Algumas impressões:

O Centauri Sauvignon Blanc 2007 (Chile, Vale de Leyda, San Antonio, U$38,50) vem da primeira safra do projeto do O. Fournier no Chile. Tem ótimo frescor e aquele nariz meio cítrico e de ataque que se espera de um sauvignon blanc do novo mundo.

O tinto Alfa Crux Blend 2002 (Argentina, Mendoza, La consulta, U$ 75,50), como revela o nome, é uma mistura de três uvas: tempranillo (60%), malbec (35%) e merlot (5%). Se tiver de optar, eu costumo preferir os cortes. O produtor Ortega Gil-Forunier também. Neste tipo de vinho o trabalho do enólogo é mais exigido, pois ele pode extrair o melhor de cada uva e reunir num único rótulo. Vinho delicioso, pronto e macio na boca, aromas de frutas mais maduras e flores, tudo isso prolongado por um final longo.

Alfa Spiga 2003 (Espanha, Ribera del Duero 2004, U$ 129,50). Trata-se de um puro-sangue: 100% tempranillo (tinta del país, como é conhecida a uva na região). Ortega Gil-Fournier aposta, e torce, na vocação da tempranillo como uma uva internacional, e cita experiências na Austrália e nos Estados Unidos. E, só para contrariar minha predileção por misturas, mencionada acima, este vinho conquistou de primeira, mas exige um investimento mais alto. O Alfa Spiga, antes de virar garrafa, hiberna 20 meses em barricas novas de carvalho, que dá aquele tempero ibérico e um caldo potente, de cor intensa e fruta madura. Que a tempranillo se espalhe pelo mundo, então.

Site oficial: O. Fournier
Onde encontrar: Importadora Vinci (preços com cotação do dólar do dia)

Autor: Tags: , , , , , ,

sábado, 20 de setembro de 2008 Blog do vinho | 00:34

56 bons lugares para comprar vinho

Compartilhe: Twitter

Onde começa a aventura pelo vinho? Na hora da compra, não parece lógico? E qual loja?  Pois bem, a edição do Guia Comer e Beber 2008/2009, que saiu nas bancas e está disponível no Portal Veja São Paulo, vem para resolver este problema, pelo menos dos paulistanos (bom, tem ali uma lista bem boa de importadores que atuam em todo o Brasil). Trata-se da bíblia com o melhor do mundo gastronômico da cidade. São 525 restaurantes, 280 lugares com comidinhas, 250 bares e 56 indicações de lojas de vinho. Este blogueiro foi o autor da lista de tintos e brancos da Vejinha nos dois anos anteriores. A safra de 2008 coube ao editor de gastronomia da Veja São Paulo, Arnaldo Lorençato. Ou seja, o leitor só tem a ganhar. Entre os 56 endereços coletados por Lorençato, o destaque fica para a belíssima loja inaugurada pela importadora Decanter na cidade.

Da prateleira da enoteca, Lorençato  indica dois tintos argentinos de Luigi Bosca, o Reserva Malbec 2004 (R$ 52,90) e o Premium Icono (R$ 517,50), um corte de cabernet sauvignon e malbec de vinhedos quase centenários. Da França, recomenda um Alain Brumont Gros Manseng Cotes de Gascone 2005 (R$ 40,30) e da Itália, um Primitivo di Manduria Archidamo, também 2005 (R$ 65,00). Eu boto minha colher e incluo mais duas pequenas contribuições, ambas italianas: o espumante da região de Trentino, Ferrari Maximum Brut (R$ 99,50) e o tinto Nicodemi Montepulciano d’Abruzzo 2005 (R$ 61,00)

 O vídeo abaixo mostra por que Lorençato destacou a Enoteca Decanter, com sua carta de 700 rótulos à venda. Cinqüenta deles podem ser provados no wine bar.

Video

Autor: Tags:

terça-feira, 16 de setembro de 2008 Cursos, Degustação | 21:03

Cursos, livros e links: aprendendo a beber, parte I

Compartilhe: Twitter

Ninguém resiste a um teste, não é mesmo? O último post deste blog, um questionário de 20 perguntas para checar o conhecimento sobre vinho, mostrou isso. Muitos dos comentários sugeriram que eu repetisse a dose; outros, pediram dicas de onde se  informar sobre o tema. Teremos mais testes no futuro, prometo. Mas acho que dá para tentar resolver primeiro  a demanda de onde encontrar mais informações.

Há várias maneiras de fazer isso. A ferramenta mais barata é, obviamente, esta que você está usando agora. São inúmeros sites sobre o tema, dá uma “gugada” e verá.  Aqui mesmo nesta página (está aí do lado, ó!) há informações gerais  sobre os países no Mapa do Vinho, uma lista das uvas tintas e brancas mais conhecidas e, ainda, um glossário que tenta traduzir o dialeto do vinho.  Outras alternativas exigem mais recursos, como cursos e livros. Nesta primeira parte, vou listar uma seleção de cursos bacanas, que conheço ou tenho referência. Não se pretende aqui esgotar o asssunto. É apenas uma lista inicial. Quem tiver sugestões, acrescente, no final desta nota, no campo de comentários.

ENTIDADES
No Fla X Flu do mundo dos enófilos tupiniquins – principalmente paulistano – duas associações se destacam na formação de alunos e promoção de degustações:

Associação Brasileira dos Sommeliers
A ABS São Paulo mantém um cronograma de cursos básicos e avançados e oferece boa infra-estrutura para  degustações. São oito aulas (grupos de terças e quintas) para quem pretende se iniciar no mundo do vinho (R$ 800,00).
Informações: ABS

A ABS também mantém afiliadas com agenda de cursos e degustações  em Brasília, Campinas e Rio de Janeiro.

Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho
Na Sbav, a mais antiga das associações de vinho do país, o curso básico é de 4 aulas, sempre às quartas-feiras (R$ 360,00).
Informações: Sbav

A Sbav possui grupos com agenda de cursos e degustações em Minas GeraisRio Grande do Sul.

PARTICULARES
Profissionais também juntam interessados no mundo de Baco em escolas e aulas avulsas

Ciclo das vinhas
A sommelière e blogueira do Portal Veja São Paulo, Alexandra Corvo, mantém um simpático e acolhedor espaço para cursos e degustações temáticas. Alexandra é craque em passar a informação de forma simples e descontraída.
Informações: Ciclo das Vinhas

Degustadores Sem Fronteiras
O consultor, autor de livros e diretor da Sbav-SP, Aguinaldo Záckia Albert, organiza viagens, degustações e palestras para quem deseja expandir seu conhecimento.
Informações: Degustadores Sem Fronteiras

Escola Mar de Vinho
O crítico e editor da revista Adega, Marcello Copello, dá cursos, em sua escola no Rio de Janeiro, e palestras temáticas, como “Degustando com Sinatra”, e outros temas.
Informações: Escola Mar de Vinho

EM VINÍCOLAS
Grandes e pequenas vinícolas se aproveitam do interesse no assunto e do enoturismo para organizar seus cursos

Escola do Vinho Miolo
A vinícola Miolo, com sede em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, tem uma agenda variada de cursos que também são realizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Porto Alegre.
Informações: Miolo

Curso de Degustação Salton
Outra grande vinícola nacional que oferece cursos em seu auditório, no distrito de Tuiuty, em Bento Gonçalves.
Informações: Salton

Lojas de vinho e importadoras também costumam organizar  cursos e degustações que podem enriquecer sua experiência com tintos e brancos. E, claro, aumentar o consumo de garrafas, já que, até onde se saiba, não são exatamente ONGs com preocupações educativas.

No próximo post da série, sugestões de livros e guias  para ler sem moderação. Até lá.

Autor: Tags: ,

sexta-feira, 12 de setembro de 2008 Teste | 22:07

Você entende de vinho, ou só faz pose?

Compartilhe: Twitter

Faça o teste e descubra
[QUIZZIN 6]

Autor: Tags: ,

terça-feira, 9 de setembro de 2008 Espumantes, Velho Mundo | 21:23

Dom Pérignon para poucos

Compartilhe: Twitter

Champagne está em festa. E a celebração vai ser aqui, no nosso quintal. Mas é para poucos. O lançamento da safra de 2000 do Dom Pérignon –  a primeira do século XXI -, acontece pela primeira vez na América Latina, em São Paulo, no restaurante D.O.M., do badalado chef Alex Atala. Atala esteve em Epernay, na França, para uma visita à sede da maison Dom Pérignon e lá encontrou Richard Geoffroy, o chef de caves (ou chefe de adega), que orquestrou todo o evento. Ele enviou diretamente da França três baús recheados de ingredientes e louças que serão utilizados na cerimônia batizada de 7 Sensualidades. Atala teve ainda de importar, e até produzir, ingredientes no mínimo curiosos, como o chá chinês Pu Er, o azeite siciliano de Constanzo Hyblon, que é servido gelado, sal de bambu verde, açúcar de palmito, o raro óleo de Argan, mel marroquino, “smen”, manteiga clareada do norte da África, e o “ras el hanout”, uma mistura de especiarias do norte da África e do Oriente Médio.

Nesta quinta, dia 11 de setembro, poucos e bons estão convocados para a boca-livre que dá o ponta-pé inicial da degustação deste delicado e intenso champanhe, um assemblage da tinta pinot noir e da branca chardonnay. Entre eles, o casal Malu Mader e Tony Belotto (colunista de VEJA.com) e as jornalistas Marília Gabriela e Lilian Pacce. O cardápio, com os sete elementos que traduzem o jeito de ser do champanhe, tem direito até a charuto no final (sim, charuto, dizem os entendidos, harmoniza também com champanhe; eu não sei, não fumo). São eles:

1. Puro
Ice plant e azeite de oliva Hyblon gelado
Salada de rambutan e manga verde
Carpaccio de vieiras

2. Tátil
Robalo, suco de trufas e pêssego

3. Ardente
Berinjela com mel e especiarias

4. Carnal
Tagine marroquino

5. Fusões
Caviar, óleo de argan e sorvete de açafrão

6. Etéreo
Pudim de cinzas de coco

7. Complexo
Charuto El Rey del Mundo petit corona

Tudo isso pode ser seu por uma noite, entre os dias 15 de setembro a 31 de outubro. Basta desembolsar 800 reais por cabeça. A cerimônia é limitada a 6 pessoas por noite, mediante reserva. Alguém se habilita?

Autor: Tags: ,

Tintos, Velho Mundo | 14:37

Bordeaux em três rótulos

Compartilhe: Twitter

Os melhores perfumes podem até estar nos menores frascos. Mas os melhores vinhos, certamente não. Um Château Pichon-Lalande 2004 (R$ 597,00), um Bordeaux da subregião de Pauillac, em garrafa tradicional de 750 ml, já é um luxo. O mesmo rótulo numa magnun (1,5 litro), e um pouco mais envelhecido, da safra de 2001, é uma benção numa segunda-feira nublada. Foram essas garrafas que o francês Gildas d’Ollone, diretor-geral do Château Pichon-Longueville Comtesse de Lalande, ofereceu para um pequeno grupo em um almoço recente em São Paulo.

Na intrincada classificação do Médoc, de 1885 (é, lá as coisas duram), cabe ao Pichon-Lalande a categoria de Deuxièmes Crus Classé, algo como o segundo time entre os seis superfantásticos. Mas mesmo entre os segundos, ele se distancia, pela qualidade e consistência de suas safras, dos vinhos da mesma categoria. Daí inventaram a designação de “supersegundo”. Para Robert Parker, as safras posteriores aos anos 80 podem “rivalizar facilmente com os três famosos Premiers Crus Classé da comuna: Lafite-Rotschild, Latour, Margaux. A propósito, o übercrítico deu 100 pontos para a safra 1982, que ele jura ter provado pelo menos meia-dúzia de vezes em 2002 e que classifica como “tanto de reflexão como hedonista”.

Reserve de La Comtesse
Os “segundos” também têm seus segundos vinhos. No caso, o Réserve de La Comtesse (R$ 239,00), um sucesso de vendas em sua categoria; só na importadora World Wine são 5.000 garrafas ao ano (os rótulos do Pichon-Lalande, como de costume em Bordeaux, não têm representação exclusiva de importadores no Brasil). Este ano chegarão ao mercado vasilhames fora do padrão usual, de 500 ml, ou seja, nem é uma meia garrafa nem uma garrafa inteira. Uma boa solução para restaurantes e para quem tem nessa medida seu consumo e não quer arriscar de guardar o vinho depois de desarrolhado. “O Réserve mantém o mesmo estilo do Lalande”, garante Gildas. “Mas como menos concentração.” O que os difere é o resultado obtido após a segunda fermentação de cada uva que entra na composição – cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc e petit verdot -, realizada em barricas separadas. “Após a prova de cada barrica, selecionamos quais vão para cada rótulo”, explica Gildas.

Château Bernadotte
Mas quem disse também que os rótulos mais caros são os que mais surpreendem? No caso, secondo me, brilhou forte a estrela de um rótulo que começa a ser mais trabalhado agora no Brasil e é uma opção muito mais interessante de sabor, maciez e aromas – e sempre com aquele teor alcoólico mais baixo de Bordeaux que convida para mais um gole. Trata-se do Château Bernadotte 2004 (59 % cabernet sauvignon, 36 % merlot, 3% cabernet franc, 2 % petit verdot), localizado na subregião do Haut-Médoc, praticamente vizinho ao Lalande – só alguns quilômetros separam os dois vinhedos. Por 115 reais, você ganha em prazer e sabor, uma boa amostra do que um bom Bordeaux pode oferecer. Tem bastante rótulo do novo mundo mais pobre de espírito e elegância com preço muito mais elevado. Bordeaux não precisa ser, necessariamente, uma bebida para milionários. Faz assim, junta a grana de dois argentino médios e faça um investimento no velho mundo. Depois me diga se não vale a pena variar.

Autor: Tags: , , , , ,

domingo, 7 de setembro de 2008 Novo Mundo, Velho Mundo | 02:21

O chileno que derrotou os franceses

Compartilhe: Twitter


O produtor de vinhos chileno Eduardo Chadwick é alpinista. Seus vinhos  também são. 2004 foi o ano que eles atingiram o topo da montanha. Chadwick arriscou todas as suas fichas na já famosa Cata de Berlim, a degustação que colocou, lado a lado, seus rótulos e ícones franceses como Château Lafite-Rothschild, Château Margaux e Château Latour, e italianos como Sassicaia e Ornelaia. O resultado da prova: deu Chadwick 2000 na cabeça e Seña 2001em segundo. Ele compara o desafio de escalar o Aconcágua e a disputa de uma degustação às cegas, contra pesos-pesados, em Berlim: “Nos dois casos, é preciso perder o medo”, define. “A primeira tentativa de subir o Aconcágua enfrentei uma tempestade de neve e tive de voltar, foi frustrante”, relembra. “Na prova de Berlim, eu não arrisquei nada, nossos vinhos não eram conhecidos, não tinha nada a perder.”
A partir daí, Eduardo Chadwick se firmou como uma estrela ascendente do mundo do vinho. Foi eleito pela revista inglesa Decanter como uma das 50 personalidades mais influentes do mercado e viu sua produção, e os preços de seus vinhos, crescer como cotação de barril de petróleo, com a vantagem adicional de não sofrer oscilações para baixo. “O objetivo desta prova foi mostrar que nossos vinhos são de classe mundial”, recorda Chadwick. “Fiquei surpreso, não achava que íamos ganhar”, explica com um sorriso de quem venceu. Depois desta, ele repetiu a prova diversas vezes, em mercados distintos, como São Paulo (2005, meninos e meninas, eu estava lá!), Tokyo (2006), Toronto (2006), Copenhagen e Pequim (2008). Em todas elas seus vinhos ficaram bem posicionados. Em São Paulo, perdeu para o Château Margaux 2001, mas ficou com honrosos segundo (Chadwick 2000) e terceiro lugares (Seña 2001). Não dá para falar aqui da batalha do tostão contra o milhão, pois se tratam de garrafas que custam respectivamente R$ 480,00 (Chadwick) e R$  3.055,00 (Margaux 2001)!!!. “Meu objetivo não é ganhar sempre, mas mostrar que podemos estar entre os primeiros”, fundamenta. “Isso demonstra uma consistência tremenda de nosso vinhos.” As avaliações, uma espécie de franquia que crítico inglês Steven Spurrier que estreou o modelo em Paris, em 1976, e repetiu a dose com o produtor chileno, se tornou o My Way do repertório de Chadwick. Assim como Sinatra sempre tinha de incluir esta canção em suas apresentações, Chadwick retorna ao modelo sempre que quer ampliar seu mercado. É um maneira fácil de criar notícia, e mostrar ao mundo a qualidade de suas etiquetas. Chadwick conta que aprendeu com Robert Mondavi, recém-falecido produtor americano, que o marketing é tão importante quanto a produção. O produtor chileno aprendeu direitinho e virou um craque nas duas frentes. Em março do ano que vem, pretende realizar em Nova York uma prova em solo americano, desta vez incluindo dois rótulos consagrados da Califórnia, o Stag’s Leap e o Opus One. O Stag’s Leap, vale lembrar, foi o vinho que derrubou os franceces na citada prova de Paris, derrocando em solo gaulês os melhores Bordeaux e Borgonhas. Foi um choque. A história é contada em um livro delicioso: O Julgamento de Paris: Califórnia x França 1976 – A Histórica Degustação que Revolucionou o Mundo, de George M. Taber, único jornalista que cobriu o evento, que fez uma reportagem  para a revista TIME (leia texto original). A versão em filme, com Jude Law, Hugh Grant e Keanu Reeves no elenco, estreou em agosto nos EUA com o sugestivo título Bottles Shock (veja site oficial).

Autor: Tags: ,

Novo Mundo, Tintos | 02:11

Um sonho engarrafado

Compartilhe: Twitter


Eduardo Chadwick vem com uma certa regularidade ao Brasil para apresentar novas safras, fazer seu marketing e, claro, aparecer na mídia. Dá certo, esta nota é um exemplo. Na sexta-feira, 5 de setembro, ele desarolhou o Seña 2005 e aproveitou para compará-lo às safras de 2003 e 2004, todas elas a 348 reais a garrafa. O Seña 2005 sai pronto da garrafa, com uma complexidade e intensidade que qualquer mortal com pupilas gustativas e um nariz capaz de distinguir aromas é capaz de perceber. Na receita  do enólogo misturaram-se 57% de cabernet sauvignon, 25% de merlot, 9% de carmenère, 6% de cabernet franc e 3% de petit verdot: mais bordalês impossível! É o Chile derrotando a França com as mesmas armas dos gauleses! Aromas de frutas e tabaco, um bom corpo na boca, e um delicioso chocolate no final, sempre intenso. Chadwick comentou que os taninos ainda podem amaciar, eu juro que não sinto necessidade. O 2005 é muito semelhante ao perfil do 2003, com a diferença dos dois anos que o separam. Mas creio que o 2005 tem uma pegada mais sedutora. Os incríveis 14,5% de álcool registrados na etiqueta passam  ao largo. Muita gente reclama dos vinhos muito alcoólico, que se tornam pesados e enjoativos. No Seña, o equilíbrio de seus elementos encobrem este álcool todo. Além da minivertical de Seña, um bônus track: um Chadwick (R$ 480,00, um dos rótulos mais caros do Chile) da difícil safra de 2004. A linha Chadwick é de estilo mais clássico, um pouco mais velho mundo do que o Seña – não tem tanta doçura e a acidez é mais preponderante. Por essas e outras que Eduardo monta, junto com Steven Spurrier seu show às cegas com tops de Bordeaux. O estilo é o mesmo, e, já se disse aquí, degustação às cegas é a prova dos noves. Sempre. Para finalizar, foi servido um refrescante  Arboleda Chardonnay 2005 (R$ 85,00).
Por que um branco no final? Foi aí que começaram a ser servidos os pratos. À medida que o almoço foi avançando tivemos a difícil tarefa de retomar aos tintos cima, agora acompanhados de comida, por ironia ou provocação, francesa. Ficou sensacional. Seña é o vinho de todos os dias do importador Otávio Piva de Albuquerque. Ok, ele pode. Mas também pode ser aquele vinho para você em um momento especial. Não tem erro. Seña, a propósito, não significa sonho, e sim “rasgo de distinción” ou “firma personal”, mas bem que poderia.

Autor: Tags: , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última