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Arquivo de janeiro, 2009

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009 Saúde | 12:46

Vinho pode prevenir impotência masculina

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Cá entre nós, poucos dos que acompanham esta coluna, e têm o hábito de derrubar algumas taças de vinho por semana, o fazem por recomendação médica. Estudos sobre os benefícios do vinho para a saúde é o que não falta. O colunista de VEJA.com, o endocrinologista Geraldo Medeiros, já abordou o tema com muito propriedade em seus artigos (Vinho emagrece e Qualidades medicinais do vinho ). Mas não é isso que impulsiona seu gosto pela bebida, é?

Vinho X impotência
Se ainda faltava algum argumento “médico” para justificar sua dose diária de vinho seus problemas se acabaram! Pesquisa realizada pela University West Australia, e divulgada pelo site da revista inglesa Decanter, encontrou uma relação entre o consumo moderado e continuado de vinho e baixas taxas da disfunção erétil. 1700 australianos participaram da amostragem e o acompanhamento destas alegres cobaias mostraram que as ocorrências de disfunção erétil prolongadas foram reduzidas de 25% a 35% em consumidores regulares de vinho – uma a 20 taças por semana – quando comparados àqueles pobres infelizes que não tem o hábito de beber.

Vinho + longevidade
Em reportagem de VEJA de 7 de janeirode 2009, sobre longevidade, um quadro mostrava que o consumo moderado de vinho podia acrescentar mais 3 anos de vida. O que dizia a matéria:

O consumo moderado de vinho aumenta as taxas sanguíneas de HDL, o colesterol bom, evitando a formação de trombos que podem levar ao entupimento arterial e, consequentemente, a infartos e derrames. A bebida é rica em flavenóides, substâncias antioxidantes que ajudam no combate aos radicais livres, preservando as células das lesões típicas do envelhecimento.

Vinho & responsabilidade
Mais um vez, não custa lembrar, a chave do sucesso se traduz no binômio moderação e continuidade – a recomendação médica é de duas taças diárias para os homens e uma para as mulheres.

Convencido? Quem disse que coisa boa sempre faz mal? Os benefícios que o vinho proporciona, então: 3 anos a mais no calendário e uma vida sexual mais ativa de bônus.

Na próxima vez que alguém reclamar de seu vinho, pode responder categórico:

“Estou tomando meu remedinho…”

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 Blog do vinho | 22:08

Garrafa cheia eu não quero ver sobrar…

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Crise, que crise? A economia mundial pode até estar indo ladeira abaixo, mas o mundo do vinho parece que marcha em posição contrária. Estudo realizado pela empresa de consultoria International Wine and Spirit Record para a Vinexpo – megafeira anual de Bordeaux para profissionais do ramo –  prevê que o mercado mundial de produção de vinho vai crescer 3,8% entre  2008 e 2012. Já o consumo global terá acréscimo de 6% nos próximos quatro anos.

Os números revelaram algumas curiosidades e mostraram uma tendência de maior participação do novo mundo tanto na produção quanto na beberagem. Rússia e China são os países onde o consumo aumenta mais rapidamente, o que garante o ritmo de crescimento dos últimos – e dos próximos – anos. Os chineses, também grandes produtores, estão caindo de boca nas garrafas de todo o mundo, como o pessoal da foto acima que ilustra esta nota.

O tamanho da sede, no entanto, alterou um pouco o gráfico de consumo de vinho tranquilo no planeta que, até 2012, estima-se, será em torno de 2,8 bilhões de caixas. (Os espumantes não são considerados nesta conta. Mas a previsão das borbulhas é espantosa: um aumento de 12%!).

Em 2007, a Itália tomou o posto da França como maior consumidora, com 299 milhões de caixas negociadas. Já os Estados Unidos se tornarão o número 1 em consumo de tintos e brancos em 2012 – um crescimento de 12%.

Os americanos já são hoje em dia o povo que mais enfia a mão na carteira para comprar vinho, algo próximo a 22 bilhões de dólares. Alguém ainda duvida do poder e da influência de Robert Parker no mercado?

Enquanto isso, no Brasil…

Aqui a crise pegou em cheio o vinho importado. O mercado que nadava de braçada há cinco anos com crescimentos anuais em torno de 27% registrou em 2008 um aumento de apenas 5,81%. Os vilões foram as mudanças tributárias que começaram a incidir sobre a bebida no ano passado e principalmente a crise cambial que chegou a valorizar o dólar em até 45%!

O quadro abaixo mostra o ranking dos países mais importados, sob o critério de volume. A novidade é a ascensão da Itália para o terceiro posto e o consequente rebaixamento de Portugal para a quarta posição. O Chile, como vem se repetindo desde 2001, ocupa o lugar mais alto do pódio, seguido da Argentina.

1º  Chile  34,38%
2º  Argentina  26,54%
3º  Itália  17,91%
4º  Portugal  11,24%
5º  França  4,54%
6º  Espanha  1,82%
7º  Uruguai  1,70%
8º  África do sul 0,58%
9º  Alemanha  0,54%
10º Austrália  0,40%
11º EUA  0,12%
12º Nova Zelândia 0,11%

(Fonte: Adão Augusto A Morellato, International Consulting)


Bem, falando em importados, janeiro é tempo de liquidações nas grandes lojas e importadoras. Vale a pena? Quais os cuidados? E as melhores ofertas? O próximo post será sobre este tema. Preparem os saca-rolhas!

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009 Blog do vinho | 20:02

Luzes, câmera e vinhos

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Ninguém resiste a uma lista – de vinhos baratos, dos melhores espumantes, de livros. No limite, um teste não deixa de ser uma lista, só que de perguntas. Dois leitores, José Eduardo de Souza e Ramón, sugerem que eu enriqueça a coleção de listas deste blog com uma relação de filmes em que o vinho é protagonista, ou pelo menos faça diferença no enredo. Atendendo a pedidos, então, aí vai:

A Festa de Babette (1987)
Surpresas do Coração (1995)
Sideways – Entre Umas e Outras (2004) site oficial
Mondovino (2004) site oficial
Um Bom Ano (2006) site oficial
Ratatouille (2007) site oficial
Estômago (2008) site oficial
Bottle Sock (2008 – ainda não lançado no Brasil) site oficial

Onde está o vinho
Festa de Babette é o filme-fetiche dos amantes da gastronomia. Uma ex-chef de um renomado restaurante francês, que trabalha como faxineira e cozinheira em uma vila na Dinamarca, ganha uma fortuna na loteria  e resolve gastá-la preparando um autêntico jantar francês à comunidade simples onde vive. O ápice da história é o banquete, claro – aliás, aconselha-se a não assistir ao filme de estômago vazio. Desfilam, entre os caprichados  pratos, um Champagne Veuve-Cliquot 1860 e um Clos Vougeot 1845, um especialíssimo tinto da Borgonha. Produção dinamarquesa, levou o Oscar de filme estrangeiro de 1987.

Surpresas do Coração, do diretor americano Lawrence Kasdan, é um romance botritizado, ou seja, com alto teor de açúcar. Mas é uma deliciosa história de encontros e desencontros de um ladrão amante de vinhos (Kevin Kline) e uma americana (Meg Ryan) que é iniciada no  tema por ele. A cena em que Kevin Kline faz um teste com Meg Ryan com um desses estojos que simulam aromas de frutas vermelhas, flores, madeira etc, é uma das mais cativantes do longa-metragem.

Um Bom Ano, de Ridley Scott, foi muito criticado em seu lançamento. Aqueles que pretendiam assistir um filme sobre vinho ficaram decepcionados, os fãs do diretor de Blade Runner, que esperavam mais um filme-cabeça se viram diante de um romance onde o vinho é agente transformador do personagem principal, interpretado por Russell Crowe. Ele é um típico representante do mundo das finanças que é conquistado pelo modo de vida na região de Provence, na França. É um filme descompromissado, leve e frutado, para ser degustado como um rosé da Provence.

No site oficial do filme há um link para um jogo interativo que simula a produção de um vinho em seu próprio vinhedo virtual na França. O resultado é um rótulo com seu nome, algo como Château Gerosa, Cabernet Sauvignon 2000, que pode ser enviado por e-mail para amigos. Divertido…

Ratatouille é aquele desenho mesmo, onde um ratinho (Remy) é o verdadeiro chef, que conduz a caçarolas do ajudante de limpeza Linguini, quando este é promovido a cozinheiro. Faz parte desta lista de filmes & vinhos pela excelência de sua trama, que amplia um tema adulto, da gastronomia, para todas as faixas etárias com uma animação de qualidade e uma ótima história. O vinho entra no enredo com o que a França tem de melhor. Dos  grandes tintos não passam desapercebidos aos olhos e ouvidos dos enófilos: o Château Latour e o Château Cheval Blanc O Latour, um premier cru do Médoc, em Bordeaux, é usado pelo proprietário do restaurante para embebedar o aprendiz de cozinheiro e dele retirar confissões. Linguini, no entanto, fica é chapado pelo vinho. A propósito, a Disney ameaçou lançar um Chardonnay 2004 da Borgonha com Remy no rótulo, mas desistiu da ideia.

Em Estômago, um produção nacional de 2008, os pratos são protagonistas, assim como em Festa de Babette e Ratatouille, mas o vinho é um coadjuvante importante nesta divertida e bem conduzida comédia estrelada pelo ator baiano João Miguel (o presidiário Alecrim). A história se passa em dois tempos: o do aprendizado de Alecrim como cozinheiro – onde ele recebe também as primeiras noções sobre vinho – e do encarceramento do presonagem principal em um presídio, onde ele usa suas habilidades culinárias para sobreviver na cela. Ótima a cena em que Alecrim organiza um banquete para os chefões que mandam na cadeia. Ele inicia os trabalhos abrindo um tinto italiano,  explica para uma plateia impaciente como ele é feito, e ainda tenta convencê-los de sua qualidade, ensinando que o vinho bom pode ter até cheiro de cachorro molhado. E aí quase é linchado (veja trecho abaixo)

Bottle Sock não foi lançado no mercado nacional mas  recebeu péssimas críticas nos Estados Unidos, como a do colunista de vinhos do New York Times, Eric Asimov (leia aqui). Lançado no festival independente de Sundance, é baseado no célebre Julgamento de Paris (leia nota sobre o livro), aquela degustação que contrapôs franceses e americanos, com a vitória destes últimos. Outro filme estava em processo de produção nos EUA, no ano passado, e parece que será mais fiel à obra.

Outra produção que promete atiçar a curiosidade do enófilo cinéfilo é a adaptação do livro O Vinho Mais Caro da História (leia na seção de livros), um thriler por excelência onde vinhos raros e antigos, falsificações e vaidades se misturam a gente famosa e muito dinheiro.

Sideways e Mondovino são os dois filmes da lista em que realmente o vinho é a estrela principal. Sideways levou o Oscar de melhor roteiro adaptado em 2005 e fez explodir as vendas da pinot noir nos Estados Unidos. Mondovino é, por excelência, um documentário sobre vinhos, vinhedos e seus produtores. Polêmico, tendencioso, mas muito instrutivo deve constar na dvteca de todo enófilo.

Sobre estes dois filmes, em especial, escrevi tempos atrás dois textos que reproduzo – com algumas adaptações – nos próximos posts. Acho que continuam válidos e trazem informações que interessam aos leitores desta coluna.

Apaguem a luz, encham a taça e apertem o play: o filme vai começar.!

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Blog do vinho | 20:01

Sideways: a rota e os vinhos

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Entre Umas e Outras é uma viagem pelos vinhedos de Santa Bárbara, na Califórnia, onde os personagens se encontram, se amam e exorcizam seus fracassos em torno de uma garrafa de vinho.

Sideways, Entre Umas e Outras, do diretor Alexander Payne, é uma comédia dramática sobre dois amigos (Miles e Jack) de meia-idade que resolvem passar sete dias percorrendo as vinícolas do Condado de Santa Bárbara, na Califórnia, uma semana antes do casamento de Jack. Ali, entre um gole e outro, como sugere a tradução do título em português, encontram duas mulheres (Maya e Stephanie) que vão alterar os rumos da viagem e mexer com a vida um tanto fracassada dos personagens

O filme usou como locação diversas adegas da região de Santa Bárbara: Foxen, Kalyra, Fess Parker, Firestone e Sanford, esta a primeira parada da dupla (veja lista completa abaixo). O condado de Santa Bárbara ocupa uma longa faixa de terra, nas encostas do Pacífico, entre as cidades de São Francisco e Los Angeles, e é uma região vinícola dos Estados Unidos menos conhecida do que a de Napa Valley ou Sonoma, onde se encontram os rótulos americanos mais consagrados.

Além de conquistar quatro Globos de Ouro e o Oscar de roteiro adaptado, o sucesso de Sideways provocou um crescimento das vendas de pinot noir nos Estados Unidos e um maior interesse dos enoturistas pelo roteiro percorrido pelos personagens.

Os vinhos consumidos na tela, em sua maioria, são produtos desta região, mas há espaço reservado também para fermentados de outros lugares, com destaque para os franceses. Aliás, um dos prazeres que a fita proporciona para os aficionados é o reconhecimento dos rótulos que se sucedem cena a cena. É possível contar pelo menos vinte garrafas sendo esvaziadas ao longo da fita, nem todas identificadas. Das mais conhecidas, como um Cheval-Blanc 1961 e um Richebourg da Domaine de la Romanée-Conti, aos bons exemplares de Santa Bárbara e Sonoma, como Sea Smoke Pinot Noir e o Kistler Pinot Noir, a exibição das garrafas é uma festa para olhos

Em torno do vinho, os personagens se encontram, se amam, exorcizam seus fracassos e exibem seus conhecimentos, como no diálogo travado entre Miles (Paul Giamatti) e Maya (Virginia Madsen) sobre a preferência deste pela variedade pinot noir: "É um tipo de uva difícil de cultivar. Tem a casca fina, é temperamental. Não é resistente como a cabernet, que pode crescer em qualquer lugar, até florescer onde não a cuidam. A pinot precisa de atenção e cuidado constantes". De certa forma, ele recorre às uvas para descrever a si mesmo e à mulher que ouve atentamente seus argumentos.

Pinot noir
Em outro momento, mais descontraído, Miles tenta conquistar Jack para o ritual da degustação com uma detalhada explicação sobre aromas e sabores exibidos em uma garrafa de Pinot Noir Vin Gris. O amigo, ansioso, aguarda o fim da cantilena e vira a taça de uma tacada só, e com uma bala de goma na boca, para decepção do enófilo Miles.

De todas as sequências, porém, a cena que talvez melhor traduza a paixão que certas pessoas dedicam ao vinho é aquela em que Maya racionaliza o prazer que a bebida lhe proporciona. Diz ela: "Eu amo como o vinho continua a evoluir. Como cada vez que eu abro uma garrafa o gosto é diferente daquela que eu tinha aberto outro dia. Porque uma garrafa de vinho é algo realmente vivo — está constantemente evoluindo e ganhando complexidade. É assim, até atingir o auge e começar seu inevitável declínio. E o gosto, acima de tudo, é bom demais". Aos espectadores que comungam esta visão resta alcançar a adega mais próxima após o letreiros finais.

Sideways, Entre Umas e Outras
De Alexander Payne
(Sideways, EUA, 2004)


Os vinhos de Sideways
Confira os rótulos degustados ou apenas citados durante o filme. A seleção dos vinhos seguiu o critério pessoal do diretor Alexander Payne, que escolheu as marcas que mais aprecia beber.

Cheval-Blanc 1961
Château Cheval Blanc, Saint-Émilion, Bordeaux, produzido com uva cabernet franc.  A garrafa é mencionada várias vezes e finalmente bebida no final do filme, em local inusitado (uma lanchonete).
Saiba mais

Tenuta San Guido Sassicaia 1988
Um supertoscano composto de 85% de cabernet sauvignon e 15% de cabernet franc. Citado por Maya como o vinho que a fez despertar o gosto pela bebida.
Saiba mais

Richebourg
Domaine de la Romanée-Conti
Um especialíssimo vinho da Borgonha. Esta garrafa é apenas mostrada, trata-se do rótulo mais caro da adega de Stephanie (um Richbourg 2004 sai por R$ 3.000,00 no Brasil)
Leia entrevista com o produtor Aubert de Villaine

Dominique Laurent Pommard 1998
Outro bom exemplar da Borgonha. Servido durante o jantar no restaurante Los Olivos Caffe

Gaston Huet’s Vouvray
Vinho branco da região do Loire produzido com a uva chenin blanc.
Não é bebido no filme, apenas citado numa discussão de Jack com um Miles embriagado.

Opus One 1995
Premiado vinho californiano, do Napa Valley, associação entre dois monstros sagrados do vinicultura: Robert Mondavi e Rothschild.
É o vinho que Miles relembra ter bebido com a ex-mulher num vinhedo de Santa Bárbara.
Site oficial

Byron Santa Maria Valley Brut Reserve 1992
Espumante feito de 100% pinot noir na região de Byron, em Santa Bárbara. Primeira garrafa aberta no filme. Jack estoura o espumante, ainda quente, durante a viagem no carro.
Site oficial

Highliner Pinot Noir 2001
The Hitching Post, Santa Bárbara.
Degustado no balcão do restaurante de mesmo nome.
Site oficial

Andrew Murray Syrah 2002
Andrew Murray Vineyards, Santa Bárbara.
Maya bebe um gole deste vinho na casa de Stephanie e acusa excesso de álcool, que estaria encobrindo a fruta.
Site oficial

Sea Smoke Pinot Noir 2002
Sea Smoke Cellar, Santa Rita.
Servido durante o jantar no restaurante Los Olivos Caffe
Site oficial

Kistler Pinot Noir 2001
Kistler, Sonoma Valley.
Servido no jantar no restaurante Los Olivos Caffe.
Site oficial

Fiddlehead Sauvignon Blanc 2001
Fiddlehead Cellars, Santa Barbara.
Vinho degustado pela personagem Stephanie.
Site oficial

Melville Vineyards Pinot Noir 2002
Melville Vineyards, Santa Barbara.
Um dos exemplares degustados por Miles e Jack durante o circuito.
Site oficial

Talley Pinot Noir Estate 2002
Talley Vineyards, Santa Bárbara.
Outro vinho provado pela dupla.
Site oficial

Pinot Noir Vin Gris, Pinot Noir e Chardonnay 2001
Sanford Winery, Santa Bárbara.
Primeira parada da dupla, onde Miles tenta ensinar ao  amigo Jack as técnicas de degustação.
Site oficial

Cabernet Franc Kalyra
Kalyra Wi
nes, Santa Bárbara.
Miles critica o vinho, numa degustação desta adega, onde é servido por Stephanie, que concorda com sua avaliação.
Site oficial


As vinícolas que aparecem no filme
(Clique nos nomes para acessar o site oficial)

Byron 
Hicthin Post
Sea Smoke

Fidellereas
Foxen Winery
Andrey Murrey
Sanford
Firestone
Kalyra Winery

Fess Parker Winery

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Blog do vinho | 20:00

Mondocane

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Em Mondovino o diretor Jonathan Nossiter traça um painel onde os grandes produtores são mostrados como vilões e os defensores do terroir tratados como heróis de um mundo cão: o dos negócios do vinho.

Para o diretor Jonathan Nossiter, o documentário Mondovino, disponível em DVD, é uma declaração de amor ao vinho. Enólogo formado em Nova York, o diretor americano, que cresceu entre a França, a Itália e a Índia, entende do assunto e montou um extenso painel onde o personagem principal quase não aparece. Curioso. Fala-se muito de vinho nos longos 131 minutos de fita principal, bebe-se pouco, porém, durante o filme.

Nossiter rodou três continentes entrevistando vinicultores, enólogos, críticos e negociantes tendo como pano de fundo a tentativa da poderosa e tradicional família Mondavi (um dos vilões do filme), dos Estados Unidos, adquirir terras do vinicultor Aimé Guibert (um dos heróis), na região de Languedoc, na França. É assim, basicamente que o filme é montado. Alternando depoimentos de personagens da grande indústria com o de vinicultores que defendem um método mais tradicional e puro de vinificação e produção desta bebida ancestral — os chamados defensores do vinho de terroir.

E o recado é claro. A globalização está uniformizando o gosto da bebida ao padrão americano de consumo. E assim como os gauleses da história em quadrinhos não permitiram se dominar pelo império romano, vinicultores tradicionais, não por acaso franceses, resistem a esta padronização que estaria matando a diversidade e a tipicidade deste suco de uva fermentado. O mundo do vinho — como todo grande negócio — é um mundo cão. Nossiter, com sua câmera trêmula, assume então o papel de Asterix na defesa rótulos de produtor e usa a montagem como artilharia nessa guerra. A edição, um tanto maniqueísta, reduz a abordagem e a discussão do tema. De um lado estão os bons; do outro, os maus. Não há meio termo. É tudo tinto ou branco, não há espaço para o rosé.

Batalha dos vinhedos
Os produtores que encaram o vinho como um negócio — o que inegavelmente é — são mostrados como os responsáveis por uma tragédia nas vinhas. Aqueles que pregam um respeito ao terroir, ao tempo que o vinho necessita para revelar seu potencial e outras regras que não atendem o imediatismo de consumo atual, são os defensores da pureza. "A Borgonha é o campo de batalha com a resistência de um lado e os colaboracionistas de outro", comenta um personagem do filme comparando a II Guerra a uma virtual "Batalha dos Vinhedos".

Nossiter sabe como ninguém arrancar de seus entrevistados frases reveladoras. A família Frescobaldi tem saudades dos tempos do Mussolini. Os Etchart, produtores do Yacochuya, são preconceituosos com os descendentes de índios argentinos ("são preguiçosos"). Roberto Mondavi (morto em 2008) é arrogante a ponto de declarar que "Daqui a dez, quinze gerações, seria ótimo ver nossos herdeiros produzindo vinho em outros planetas." E, por fim, o consultor de mais de 100 vinícolas ao redor do mundo, Michel Rolland, ri sem parar nas entrevistas e receita a toda adega que presta consultoria um único conselho: "Tem de micro-oxigenar o vinho". Os personagens falam por si. Não era necessário apresentar os grandes produtores — responsáveis aliás pela popularização e elevação da qualidade do vinho ao redor do mundo — como vilões em enquadramentos mais duros, closes que deformam as imagens e cenas de assessores de imprensa servis, ambientes suntuosos com grades barrando a entrada da reportagem. Visivelmente há uma forma de filmar o establishment do vinho e outra, mais suave, ensolarada, para registrar a imagem do pequenos ou tradicionais vinicultores da Borgonha, da Sardenha ou mesmo no Vale do Rio São Francisco, no Brasil.

Diálogo revelador
Um pena que seja assim. Em um dos melhores momentos do documentário, Hubert De Montille, proprietário de vinhedos em Volnay e Pommard, na Borgonha, e sua filha, Alix, que na ocasião trabalhava como vinicultora na casa Ropiteau, subsidiária do gigante da Borgonha Jean-Charles Boisset, travam um diálogo que sintetiza as ideias defendidas pela edição do documentário, mas sem maniqueísmo. Dispensando o recurso de confrontar dois universos opostos, o que aflora é um conflito familiar que se desenrola diante do espectador até o ponto de a filha admitir que os valores que ela acredita não são respeitados e que vai deixar a empresa:

Alix: "Os vinhos corrompidos nos iludem."
Hubert: "São vinhos traiçoeiros."
Alix: "São vinhos que iludem."
Hubert: "Eles nos iludem. E logo nos deixam na mão."
Alix: "A verdade é que são vinhos ‘traidores’."
Hubert: "Mas o mundo moderno está habituado a isso. Este mundo gosta de ser enganado."

Se a intenção do documentário era provocar a discussão entre a parcela da plateia que entende do que se trata aquela conversa toda, o objetivo é cumprido. Mondovino ficará para a história como um filme mais comentado do que visto, principalmente entre os enófilos, e em espaços como este, dedicados ao vinho. Um espectador menos avisado, porém, corre o risco de sair da sala de cinema com a impressão de que um Rothschild, um Mondavi, ou qualquer vinho elaborado pelo consultor Michel Rolland ou indicado pelo crítico Robert Parker deva ser evitado. Aí mora o perigo. O filme mirar um alvo e acertar outro.

Mondovino
Direção: Jonathan Nossiter
(Mondovino, Argentina/Itália/França/EUA, 2004).



FRASES

Nossiter tem um dom inquestionável, seus personagens revelam o que têm de melhor — e de pior — frente às câmeras. Aqui uma seleção de boas tiradas de Mondovino:

“Queremos iniciar uma dinastia. Daqui a dez, quinze gerações, seria ótimo ver nossos herdeiros produzindo vinho em outros planetas. Seria divertido: ‘Scott, teletransporte um vinho de Marte para mim.’”
Michel Mondavi, Robert Mondavi (Napa, Califórnia, EUA)

“O vinho morreu. Sejamos claros, o vinho está morto.”
“Hoje em dia temos os enólogos no lugar dos poetas”
Aimé Guibert, Daumas Gussac, Languedoc

“Borgonha é o campo de batalha com a resistência de um lado e os colaboracionistas de outro”
Hubert De Montille, Volnay, Borgonha

“Neste sistema de vinhos divido em castas estratificadas, dominadas por elites e reacionários, Robert Parker trouxe a mentalidade americana, um ponto de vista democrático.”
Robert Parker, crítico de vinhos

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009 Blog do vinho | 01:10

Para de procurar pelo em pera!

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Os dicionários acordaram diferentes neste primeiro de janeiro. Pelo menos é o que estabelece o novo acordo ortográfico firmado entre os países de língua portuguesa. Os corretores ortográficos do Word, no entanto, insistem em colocar acento nas minhas ideias. Aí eu tenho de retornar o cursor e num gesto heroico eliminar o sinal gráfico do palavra e também da minha memória. Nem sempre a tecnologia acompanha a velocidade das leis ou a adequação das regras gramaticais. Muito menos nossa autoestima está preparada para mudanças de hábito, ou pior, de regras.

E o que a falta do trema, a sublimação de uma acento agudo e a alteração do hífen têm (este circunflexo aqui permanece) a ver com o tema desta coluna? No campo das ideias, a guilhotina que ceifa  um acento pode ser comparada às mudanças registradas nas vinícolas e regiões produtoras. A reação e o mal-estar podem ser semelhantes.

Qual a consequência?
No mundo do vinho as legislações e conceitos sofrem constantes mudanças, sempre sob severas críticas. Olha lá a região de Champgne alargando fronteiras para atender mercado consumidor, a denominação de Chianti querendo quebrar a rigidez quanto ao uso de uvas autócnes, e mesmo novos produtores de Bordeaux tentando oxigenar a pesada herança histórica que legisla sobre seus caldos e rótulos, só para ficar em alguns casos.

Já os gramáticos, também eles, creem que a reforma dos acentos tônicos e agudos podem intensificar a integração dos povos lusófonos, a melhorar a qualidade da escrita, enfim a cumprir o papel de evolução que é próprio das línguas falada e escrita.

Não se discute a razão, mas o processo: os vinhos, assim como a língua, são elementos vivos, sua evolução é natural e necessária para o seu desenvolvimento, crescimento e mesmo permanência.

E qual a consequência das mudanças, afinal? Nós que brindamos e elegemos safras atuais não nos damos conta das alterações que alguns vinhos sofreram em sua linha do tempo, e provavelmente estranharíamos seu paladar se os vinhos não mudassem com o passar dos anos. Como se sabe, os espumantes eram mais doces, os tintos mais ralos, e por aí vai. Da mesma maneira, não percebemos, nem lamentamos, o fim do “ph” de pharmácia.

Noves fora, não adianta procurar pelo em pera!
Não se convenceu, certo? Você é contrário a qualquer mudança? Daquele tipo antissocial mal-humorado que blasfema contra as inovações da vida? Fique tranquilo. A espinha dorsal é  preservada, tanto no mundo dos fermentados de uva, onde a tradição é guardiã da identidade de uma região ou tipo de vinho, como no da língua portuguesa. O novo modifica o velho, mas sem alterar seu DNA.

E não adianta se rebelar, os novos estilos de vinho vão surgir, a língua sofrerá outra modificação em algum período de sua vida e, querendo ou não, a partir de hoje você é um sujeito antissocial com dois esses e um mal-humorado com hífen! Relaxe e para (do verbo) de procurar pelo em pera! (o ditado é pelo em ovo, mas, para o propósito deste texto, não é uma solução. Ovo já perdeu o circunflexo em canetada anterior…)

> Leia maisReforma ortográfica: as novas regras e um teste para você ver se está preparado

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