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terça-feira, 25 de maio de 2010 Livros | 12:28

Os melhores vinhos do Chile, da Argentina e do Brasil

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Edição 2010

Descorchados 2010
Guia de Vinhos de Argentina, Brasil e Chile
Patricio Tapia
Degustadores: Jorge Lucki, Fabrício Portelli e Hector Riquelme
Editora Planeta
RS 120,00/R$ 150,00

Responda rápido: qual o melhor vinho do Chile, da Argentina e do Brasil? Difícil? Pois  quatro mosqueteiros da degustação – profissionais das taças meio cheio e meio vazias – levaram ao pé da letra o titulo do guia que editam  (Descorchados) e chegaram nesta resposta. Para isso desarrolharam mais de 2.000 amostras de vinhos sul-americanos e após uma peneira de 1.387  garrafas selecionadas montaram um painel de 50 rótulos e enfim chegaram a um vencedor: o argentino Catena Zapata DV Catena Nicasia Vineyard Malbec 2003. Os onze primeiros lugares e as surpresas brasileiras da lista você confere no final deste post.

Descorchados: enfim, um guia de vinhos para o mercado nacional

Guia de vinhos tem aos montes. Aqui mesmo neste blog, na seção de livros, é possível encontrar alguns dos títulos disponíveis nas livrarias. A maioria, no entanto, tem uma visão americana ou europeia. Mas o que adianta um guia recheado de indicações francesas, italianas e americanas que raramente você vai encontrar nas prateleiras e na carta de vinhos dos restaurantes e, pior ainda, dificilmente terá dinheiro para comprar?

O Guia Descorchados vem suprir esta lacuna. Comandado pelo reconhecido critico chileno Patricio Tapia, o guia é uma seleção que reúne os melhores vinhos do Chile, da Argentina e do Brasil – aqueles que você encontra nas prateleiras dos supermercados e nas boas importadoras. São exatos 1.387 rótulos recomendados e comentados e uma boa novidade: pela primeira vez é realizada uma avaliação de 86 vinhos nacionais, entre tintos, brancos e espumantes.

Didático e fácil de consultar, o guia organiza os produtores dos três países por cores: azul para a Argentina; verde para o Brasil e bordô para o Chile. Cada produtor é introduzido por um pequeno texto e os vinhos selecionados são empilhados pelo critério de pontuação, com símbolos que indicam seu tipo (branco,  tinto, espumante, rosé ou doce), preço médio e até indicação de boas barganhas. A parte inicial – uma descrição dos vales e vinhedos de cada país e uma descrição das principais varietais e sua melhor combinação com comida – é pura informação, mas o leitor só vai se ater a este conteúdo após folhear as páginas de rankings . Além da já citada lista dos top 50, há outros rankings organizados por variedade de uva e de país. Afinal, concordando ou não, quem resiste a uma lista? O melhor malbec argentino? Noemía; o melhor cabernet sauvignon chileno? Manso de Velasco; o melhor espumante brasileiro?  Chandon Excellence, e por aí vai…

O que a esquerda utópica do final da década de 70 tentou na ideologia Tapia e seus colaboradores conseguiram em um guia, a tal unidade da América Latina, pelo menos no mundo do vinho. Publicado no Chile há treze anos, desde 2008 incluiu no time de degustadores os craques Fabrício Portelli (Argentina) e Jorge Lucki (Brasil). Em um primeiro passo ampliou o leque de opções com garrafas argentinas. Este ano incorporou os produtores brasileiros e o próximo candidato lógico, e anunciado, são os vizinhos uruguaios, que serão incluídos numa próxima edição.

Entre os 50 melhores, 4 brasileiros

DV Catena Zapata

A prova coordenada por Jorge Lucki é feita às cegas – isto é, o rótulo não é mostrado para os degustadores, explica ele no início do guia. Um julgamento desses tem sempre um lado pessoal, mas as listas foram ordenadas seguindo o conhecido critério de pontuação (até 100 pontos), critério este que o próprio Tapia não considera ideal: “As pontuações, muito no fundo, escondem é essa mania ocidental de acreditar que a perfeição existe”, escreve no prefácio, para logo adiante tentar se explicar sobre o  “método Parker” aplicado. “Mas é a única maneira que eu conheço de mostrar a vocês de que vinhos gosto mais, qual prefiro, de até onde vai minha subjetividade neste assunto.” Vamos então ao gosto de Tapia & Cia, extraindo do Descorchados 2010 uma amostra dos onze primeiros colocados. Por que onze? Para registrar o maravilhoso branco chileno Sol de Sol, que tanto aprecio….

1º – Catena Zapata DV Catena Nicasia Vineyard Malbec 2003 – Argentina – importadora Mistral

2º – Caliboro Erasmo Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc 2006 (Maule) – Chile – importadora Casa do Porto

3º – Maycas del Limarí Reserva Especial Syrah 2007 (Limarí) – Chile –Importadora Enoteca Fasano

4º – Ribera del Lago Cabernet-Sauvignon, Merlot 2007 (Colbún) – Chile – Importadora Casa do Porto

5º – Catena Zapata, Nicolas Catena Zapata Malbec 2006 – Argentina – Importadora Mistral.

6º – Casa Marin, Cipreses Vineyard Sauvignon Blanc 2009 (Lo Abarca)– Chile – Importadora Vinea

7º – Concha y Toro, Carmín de Peumo Carmenère 2007 (Peumo) – Chile –  Importadora  VCT

8º – Villard Tanagra Syrah 2007 (Casablanca) – Chile –  Importadora Decanter

9º – Finca La Anita Malbec 2006 – Argentina – Importadora Bodegas de los Andes

10– Morandé, House of Morandé Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc 2006 (Maipo) – Chile– Importadora Carvalhido

11º- Aquitania, Sol de Sol Chardonnay 2007 (Traiguén) – Chile– Importadora Zahil

O jogo é equilibrado. Se entre os primeiros onze colocados o Chile fez mais bonito (8 x 3), na batalha geral dos Andes a Argentina levou 24 posições contra 22 do Chile, restando 4 honrosos lugares ao Brasil.

Pode ser que o bebedor mais requintado sinta falta de ícones chilenos como Almaviva, Chadwick ou Dom Melchor nesta lista. Eles também foram avaliados, fazem parte do guia, claro, mas não chegaram lá… não estão entre os top 50.  Outro ponto que chama a atenção é que a uva syrah está mostrando seu valor em vinhedos chilenos. Isso é muito bom.

Vila Francioni Sauvignon Blanc

Grata surpresa, no entanto, é encontrar quatro produtores nacionais entre os top 50. Surpresa maior é que o rótulo brasileiro melhor colocado no ranking (37º posição) não é um espumante, muito menos um tinto, e sim a branca sauvignon blanc 2009 da Vinícola Villa Francioni, da região de  São Joaquim, em Santa Catarina. Os outros brasileiros classificados sao tintos: 43º Casa Valduga Storia Merlot 2005;  45º Salton Talento 2005; 47º Miolo RAR 2005. Bacana, não?

O melhor das indicações deste guia, porém, é que você vai encontrar tanto os pesos-pesados nas páginas de seus respectivos produtores como muitos dos rótulos do dia a dia que você depara nos supermercados e lojas de vinho – todos devidamente descritos e  pontuados. Enfim um guia pragmático e mais próximo das nossas taças.

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58 comentários | Comentar

  1. 8 Vergilio 25/05/2010 19:41

    Meu paladar pede demi sec. Onde posso encontrar indicações apropriadas? Alguem pode me ajudar?

    Responder
  2. 7 Alceu Zandoná 25/05/2010 18:37

    Sempre devemos beber vinhos velhos com mulheres novas,
    nunca vinhos novos com mulheres velhas.
    Valeu!

    Responder
    • Leandro 13/06/2014 19:53

      Comentário prá lá de estupido !!!

  3. 6 miguel angel serdinkoff 25/05/2010 18:31

    faltaram varios vinhos no top dos 50,mas tambem o vinho e una questão de espiritu, gostei mesmo do primeiro lugar esse catena e maravilhoso.

    Responder
  4. 5 Rafael Vendramine 25/05/2010 17:35

    Alma viva e dom melchor não estão nem entre os 50? só falta dizer que o clos apalta tb nao…. fui!

    Responder
    • Beto Gerosa 25/05/2010 23:57

      Rafael, tenho uma má notícia para você. Clos Apalta também não aparece na lista. O que é sinal de renovacão da qualidade dos rótulos chilenos, não pode ser?
      abraços

  5. 4 Werton 25/05/2010 15:40

    Excelente escolha, pena que os Brasil ainda não tenha atingido o nível de excelencia desejado para pontuar entre os top. Nossos vinícolas estão melhorando a cada dia. parabéns.

    Responder
  6. 3 Joel 25/05/2010 15:36

    Seria ótimo se também publicassem os valores médios dos vinhos degustados e sugeridos. Mera sugestão, afinal, custa tão pouco fazê-lo.

    Responder
  7. 2 JOÃO MARCUS 25/05/2010 15:32

    A matéria foi muito bem confeccionada.

    Gostaria de verificar uma matéria sobre vinhos tintos chilenos, cabernet

    Responder
  8. 1 Tweets that mention Os melhores vinhos do Chile, da Argentina e do Brasil | Blog do Vinho -- Topsy.com 25/05/2010 13:42

    [...] This post was mentioned on Twitter by Jônatas Costa and Beto Gerosa, Otto Herok Netto. Otto Herok Netto said: RT @blogdovinho: Descorchados 2010: Os melhores vinhos do Chile, da Argentina e do Brasil http://bit.ly/97OBSz [...]

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