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Arquivo de junho, 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010 Vídeo | 12:50

O saca-rolhas sumiu! Como abrir sua garrafa de vinho

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As águas vão rolar,
garrafa cheia eu não quero ver sobrar,
eu passo a mão na saca, saca, saca-rolha

Imagine o seguinte cenário: um jantar à luz de velas com sua amada (ou seu amado). O risoto ficou no ponto, o carré de cordeiro está macio, o molho tem consistência e sabor. Talheres de prata, louça impecável e taças alinhadas, mas ainda vazias. Você seleciona o vinho tinto da melhor safra de sua adega climatizada. O rótulo escolhido harmoniza perfeitamente com o prato: encorpado, com taninos firmes, de longa persistência na boca e aromas de frutas maduras e madeira bem integrada. A expectativa se forma em torno da garrafa. Chegou o momento de desarrolhá-la. Faltou o saca-rolhas. Você vai buscá-lo.

O saca-rolhas não está no lugar de sempre!  Caminha até a cozinha e revira as gavetas. Nada. Sai em disparada até o buffet da sala e abre todas as portas. Nem sinal. Princípio de pânico.  Sua (seu) convidada(o) percebe que algo saiu do planejado, acompanha a movimentação com os olhos e sorri compreensiva diante de uma comida que começa a esfriar. O copo permanece vazio. Deus do céu, o saca-rolhas sumiu! O que você faz?

Seus problemas se acabaram-se!

Cioso das rasteiras que a vida nos dá e atento aos pequenos detalhes que podem transformar um evento em uma tragédia pessoal, o Blog do Vinho propõe as alternativas mostradas nos vídeos abaixo, conhecidos de quem navega pelo Youtube. Tratam-se de algumas soluções para liberar o precioso fermentado da garrafa nos momentos em que o saca-rolhas se desmaterializa. Aprenda, então, alguns métodos para abrir seu vinho sem a ferramenta apropriada: o saca-rolhas. E sem quebrar o gargalo, claro!

Método assaltando a caixa de ferramentas do papai

Método um pano e uma árvore

Método só no sapatinho

Rolhas antigas, todo cuidado é pouco

Já que o tema são as rolhas – e como retirá-las -, outro perigo que ameaça o prazer dos enófilos é o vinho de guarda, que muitas vezes apresenta uma cortiça de textura fragilizada, com risco de esfarelar, quebrar ou teimar em não se mover do gargalo. Aqui é necessário aliar a destreza com uma ferramenta apropriada: um saca-rolhas de lâminas paralelas. Na sequência abaixo, já exibida neste Blog (Leia o post Bons Vinhos, baixa gastronomia e grandes amigos), um confrade retira com maestria a rolha de um rioja da safra de 1986.

Passo a passo com um saca-rolhas tradicional

Ok, você tem o equipamento adequado! O vídeo abaixo mostra os cuidados para abrir da maneira correta sua garrafa de vinho.

Leia também:

Cortiça, sintética, vidro, alumínio. Várias maneiras de tampar um vinho

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terça-feira, 22 de junho de 2010 Entrevista, Novo Mundo | 12:07

África do Sul: o vinho do país da vuvuzela

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“A África do Sul não é só pinotage”,
John Platter, critico de vinhos
e autor do guia John Platter’s South African Wines

A Copa do Mundo na África revelou ao mundo um estádio belíssimo, o Soccer City, popularizou uma traquitana ensurdecedora e irritante, a vuvuzela, e mostrou ao mundo que no extremo sul do continente africano faz frio. Muito frio, como lembram os cronistas esportivos a todo instante. Nossos enviados parecem surpresos com esta obviedade climática, afinal as terras que ficam abaixo do paralelo 30 esfriam mesmo no inverno. E é neste trecho da África, na mesma faixa onde crescem as parreiras da Argentina e da Austrália, que são cultivadas as parreiras sul-africanas. Os vinhedos próximos à Cidade do Cabo registram temperaturas semelhantes ao do Napa Valley, na Califórina.  No país da vuvuzela, o vinho também faz barulho!

O país não é exatamente um iniciante na produção de vinhos. A história vitivinícola sul-africana pode ser simplificada em três fases distintas.

Início. Um Novo Velho Mundo – As primeiras vinhas foram plantadas em meados do século XVII, na região de Constantia, perto do Cabo da Boa Esperança. Os holandeses lá instalados tiveram uma mãozinha de refugiados franceses conhecedores da viticultura. Os vinhos brancos de sobremesa de Constantia, elaborados com a uva moscatel, chegaram a ser objeto de desejo das cortes europeias neste período. Este início precoce torna a África do Sul uma contradição em termos: trata-se de uma região do Novo Mundo com mais de 350 anos! A decadência do setor veio com o ataque da filoxera (sempre ela), a praga que dizimou, em 1886, boa parte das videiras ao redor do mundo. O replantio priorizou a produção em grandes quantidades, mas o volume bateu na parede da recessão inglesa, os maiores importadores do vinho sul-africano daquele tempo.

Nos tempos das cooperativas e do apartheid – O início do século XX foi marcado, assim, pela quantidades de uva por cacho e não pela qualidade da fruta. Numerosos fazendeiros vendiam suas colheitas para cooperativas e atravessadores poderosos que controlavam os preços. Em 1918 esses fazendeiros, com ajuda do governo, criaram uma cooperativa própria, a Ko-operative Wijnbouwers Vereniging (KWV), que durante anos regulamentou e controlou preços e tinha plenos poderes sobre a indústria do vinho na África do Sul. Hoje a KWV se tornou uma empresa privada, com rótulos próprios. Esta situação, agravada pelo boicote aos produtos do país em represália ao apartheid vigente, tornou o vinho sul-africano desconhecido fora do país.

O renascimento do vinho de qualidade – O cenário começa a mudar em 1994, com o fim do regime do apartheid. Uma política agressiva de inovação e investimento em tecnologia, a aposta em  diferentes terroirs para uvas internacionais, além do charme de uma uva nativa (a pinotage) tornou o país em um grande produtor de vinhos de qualidade em poucos anos. Atualmente são mais de 500 vinícolas privadas em funcionamento, o dobro do início do século.

Apesar de a pinotage ser uva emblemática as tintas mais produzidas são cabernet sauvignon, shiraz, merlot, seguida da pinotage. (A pinotage é uma variedade africana originária do cruzamento das uvas francesas pinot noir e cinsault, conhecida no país como hermitage.) As brancas dominam 55% da área cultivada (dados de 2006), as mais plantadas são: chenin blanc, colombard (para brandys), chardonnay e sauvignon blanc.

John Platter: o Robert Parker da África do Sul

Em 2004, o jornalista John Platter – o crítico de vinhos mais influente da África do Sul – deu uma entrevista a este redator. Ele á autor do guia John Platter’s South African Wines, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos (conheça outros guias na seção Biblioteca). Lançado em 1980, o guia é uma referência no mercado e aceito como verdade pela crítica internacional. Ter um rótulo bem cotado no guia de Platter é um carimbo no passaporte internacional de uma vinícola.

Ninguém melhor para introduzir o leitor deste blog no mundo do vinho sul-africano do que seu crítico mais bem informado. Mesmo passados seis anos da entrevista, sua visão sobre a produção, as tendências e características do vinho da África do Sul continuam atuais. Abaixo os principais trechos:.

Como o senhor define o estilo do vinho sul-africano?

Nós fazemos vinhos há 350 anos. Mas de uma maneira mais séria somente há 10 ou 15 anos. O estilo sul-africano está entre o moderno vinho do novo mundo, como o australiano, gratificante e imediato, e o clássico vinho do velho mundo europeu, mais austero, complexo, com capacidade de envelhecimento na garrafa.

Como são julgados os vinhos em seu guia?
São 10.000 vinhos analisados por ano, durante sete meses. Mas é um trabalho de equipe, não faço isso sozinho (Nota: na edição de 2008 são quinze colaboradores). São degustados vinhos do ano e de safras passadas, para saber como a qualidade está evoluindo. Eles são classificados numa escala que vai de zero a cinco estrelas e somente 17 vinhos recebem a cotação máxima .

O vinho sul-africano evoluiu muito desde o lançamento da primeira edição de seu guia, em 1980?
A mudança desde 1980 é tremenda. Todo ano se verificam melhorias. Os aperfeiçoamentos tecnológicos foram imensos. Um dos exemplos de como a tecnologia tem ajudado nesta evolução é o uso de fotos aéreas infravermelhas tiradas das plantações durante a colheita, o que permite monitorar quais as uvas certas para colher no meio do vinhedo. São refinamentos que vieram com o tempo. Mas não aprendemos rápido o suficiente. A mudança tem de ser feita primeiro nos vinhedos, para produzir frutas melhores, mais limpas, maduras e puras. A qualidade do vinho é obtida primeiro nos vinhedos, antes da vinificação.

A pinotage é a principal uva do país?
A pinotage é reconhecida como a uva que só nós temos. É uma questão de orgulho nacional. Mas se podemos dizer que a Argentina é malbec, a África do Sul não é pinotage. É apenas uma entre as muitas variedades que produzimos, e uma variedade muito controversa, que gera uvas de má qualidade se não forem bem cuidadas, pois têm uma certa rusticidade. Por isso, temos produtores apaixonados e outros que odeiam esta cepa. Quando misturada a outras uvas, o que chamamos de Cape Blend, funciona melhor. Nós trabalhamos muito bem com outras uvas; fazemos shiraz brilhantes – temos um clima muito similar (ensolarado, quente) ao Vale do Rhone, na França, onde a fruta se dá melhor -, muito bons pinot noir, cabernet sauvignon, sauvignon blanc e chardonnay. O problema é que todo mundo tem shiraz e cabernet sauvignon e acaba-se produzindo vinhos muito parecidos.

Como se diferenciar e se destacar neste mercado?
Nós estamos trabalhando para produzir vinhos com tipicidade, que sejam originais, relevantes, com reconhecimento de seu terroir, que são as características de solo e clima de uma microregião que dão uma especificidade única a um vinho. Nós temos de passar por este estágio e evoluir. Se África do Sul não produzir um vinho com o seu terroir não vai conseguir se distinguir em relação a outros países, caso contrário vai acabar produzindo uma espécie de “coca-cola”.

Dê um exemplo de um produto onde o terroir faça a diferença.
Temos um sauvignon blanc produzido pela Steenberg, em Constantia Valley, em que os vinhedos estão localizados numa região de ventos muito fortes e onde há uma seleção natural que diminui o número de cachos na parreira. As frutas que resistem são mais maduras, melhores e produzem um vinho que tem uma característica única, conferida à sua casca por este mesmo vento. E a casca, vale lembrar, é o elemento da uva de onde vêem os principais aromas do vinho. Isso ninguém pode copiar. É um bom exemplo do que se pode extrair de um terroir.

Como era trabalhar na África do Sul no período do apartheid?
Muito difícil. Era terrível sentir que todo o mundo era contra você. Mais ou menos o que os americanos devem estar sentindo agora (a entrevista foi realizada na era Bush). Não havia competição. Com o fim do regime do apartheid e a entrada da África do Sul no mercado de exportação, mudaram as regras de produção e começaram as melhorias nos vinhedos e vinícolas do país. Mas no aspecto social ainda temos um sério desafio pela frente: só 1% da indústria está nas mãos da população negra e o governo, acertadamente, identificou que esta situação é insustentável por muito tempo. Eu trabalho num órgão do governo (South African Wine Trust ) que tem a missão criar condições para mudar esta realidade. (Último relatório da South African Wine Trust indicam que esta questão andou de lado e continua no mesmo patamar with less than 1% of the land under wine grapes under black ownership, management or control.)

Antes de ser colunista de vinhos, o senhor trabalhou na United Press como correspondente de guerra e testemunhou vários conflitos. O que o levou a mudar de área?
Fiz este tipo de jornalismo por 15 anos. A Guerra da Biafra, por exemplo, foi muito sofrida, ver pessoas com fome, matando-se umas às outras. Eu achei que eu não seria forte o suficiente para continuar o resto da minha vida nesta função. Cobrir uma guerra é uma experiência fisicamente muito intensa. Eu sempre gostei da idéia de ser um fazendeiro e trabalhar com vinho. Provar e escrever sobre vinho é muito criativo também, é tão criativo como tentar criar histórias dramáticas sobre a guerra.

O que é mais difícil escrever: uma coluna de vinho ou um artigo sobre a guerra?
Os dois são difíceis. São ambas experiências subjetivas. Você tem elementos objetivos para lidar na guerra e no vinho também. Mas o que você coloca no papel é o seu ponto de vista. E é muito difícil expressar sua verdade, especialmente no vinho, pois muita coisa sem sentido é escrita sobre o assunto. E muitos termos nada significam para a maioria das pessoas.

Além de crítico o senhor também é produtor de vinho. O que começou primeiro?
Minha carreira de crítico começou antes, só depois fui aprender a fazer vinho. Eu produzo uma pequena quantidade para consumo próprio. E comecei este trabalho para saber como é fazer vinho. Assim entendo melhor a bebida. Também aprendi uma coisa: é mais fácil ser crítico do que produtor.

Por quê?
Você passa a entender as dificuldades de um produtor. São milhões de detalhes que devem ser observados, no vinhedo e na vinificação. Escrever um livro também é difícil mas não é tão mágico e complicado como fazer um vinho e lidar com a natureza.

O que é mais gratificante: vender 1 milhão de exemplares de seu guia ou criar um vinho brilhante, com reconhecimento mundial?
Atualmente estou aposentado, e apesar de estar envolvido no guia faço outras coisas também. Mas se você me fizesse esta pergunta quando ainda estava completamente envolvido na edição, eu diria que eu preferiria produzir um vinho brilhante, que pudesse merecer as cinco estrelas do meu guia.

Nem chenin blanc, nem pinotage

Quem sou eu para discordar de John Platter? Mas a realidade das taças provaram até agora que, pelo menos dos exemplares que chegam ao Brasil, o melhor da África do Sul são mesmo os tintos de shiraz ou o cape blend e os brancos refrescantes e de grande personalidade  das uvas sauvignon blanc e chardonnay. Onde encontrar estas belezinhas? Nos links abaixo você chega direto nas páginas das importadoras dos rótulos sul-africanos.

Mistral

Expand

Zahil

Grand Cru

Decanter

World Wine

Vinci

Casa Flora

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segunda-feira, 14 de junho de 2010 Teste | 11:47

Você conhece vinho chileno?

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Você conhece os vinhos desses vinhedos?

O consumidor mais atento percebe em uma rápida visita pelas lojas e superemercados qual é a maior oferta de rótulos importados no Brasil: são dos nossos vizinhos Chile e Argentina. O Chile, no entanto, se mantém na pole-position dos vinhos mais vendidos no país. Em 2009,  22,516,176 litros de tintos e brancos chilenos  invadiram nossas prateleiras e encheram nossas taças: um crescimento de 20% em relação ao ano anterior (dados consolidados pela Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho). Ou seja, volta e meia você desarrolha uma garrafa chilena, certo? Então  Responda mais este teste do Blog do Vinho e confira seus conhecimentos dos vinhos do lado de lá da Cordilheira dos Andes.

No final deste quiz você encontra outros cinco testes do Blog do Vinho

[QUIZZIN 8]

Faça os outros testes

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domingo, 6 de junho de 2010 Degustação | 22:51

A Babel de Baco – a feira de vinhos da Mistral

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Vinho para todos os gostos: oitenta produtores de quinze países

Os homens que cospem vinho têm outra oportunidade de exercer sua habilidade de provar rótulos das mais variadas procedências sem de fato bebê-los de verdade. O chato é dispensar a bebida na frente do pai da criança. Explico: a importadora Mistral realiza, a partir desta segunda-feira, 7 de junho, sua quinta bienal do vinho, o Encontro Mistral 2010, com a presença de mais de oitenta produtores e enólogos de quinze países, numa verdadeira Babel de Baco. O complicado é que a qualidade é tão extraordinária que mesmo os homens que estão acostumados a cuspir vinho em eventos com inúmeros rótulos à disposição, acabam sorvendo talagadas explícitas diante das oportunidades oferecidas.

Ao contrario de uma grande feira de negócios, como a ExpoVinis, o consumidor final divide a atenção de enólogos e produtores com especialistas e profissionais do ramo no mesmo espaço e horário. Os ingressos são sempre muito disputados, e limitados a 200 lugares por dia, e só podem ser adquiridos com antecedência – não são vendidos na entrada do salão, nem com reza braba. Os ingressos estão esgotados, mas há uma lista de espera para quem ainda tem esperança e alguma sorte…

Quermesse do vinho

São inúmeras mesas espalhadas em um amplo salão. Funciona como uma espécie de quermesse do vinho. As vinícolas são identificadas pelo nome e por um mapa com indicação da região e do país de origem Em cima das toalhas perfilam inúmeras garrafas abertas para aplacar a sede dos visitantes. Imagine que cada produtor traz vários rótulos de sua linha de produção: brancos, tintos, rosés, espumantes, doces e fortificados. Multiplique o números de rótulos disponíveis por oitenta e dá para ter noção do tamanho da oferta. A diversidade e a diversão são garantidas.

Servindo a bebida, explicando as principais características de seus vinhedos, detalhes de vinificação, ou mesmo fazendo só marketing estão os enólogos estrelados, produtores conhecidos e diretores de vinícolas. Nesta edição do Encontro Mistral 2010 são mais de oitenta destes personagens do mundo do vinho a dispor dos visitantes. Gente do padrão do argentino Nicolas Catena (Catena), o português Luis Pato (da vinícola homônima), Jean-Guillaume Prats (enólogo da Cos d’Estournel), as espanholas Olga Fernandez e Maria Cruz Fernandez, proprietárias da Pesquera, Marc Kent (proprietário da sul-africana Boekenhoutskloof), o grego Leon Karatsalos (da surpreendente e premiada vinícola grega Gaía) ou o sempre simpático e atencioso francês Jean Louis Despagne, proprietário do Château Tour de Mirambeau.

Diante desta turma, nada de se intimidar. Basta chegar, esticar a taça, provar e cuspir… se for capaz.

SERVIÇO
Encontro Mistral 2010
São Paulo – Dias 7, 8 e 9 de junho – Grand Hyatt (Av. das Nações Unidas, 13301)
Rio de Janeiro – Dia 10 de junho – Sheraton Rio Hotel & Resort (Av.  Niemeyer, 121)
Horário: das 17h às 21h30
Preço: R$ 290,00 por dia
Reservas: (11) 3372 3400. Os ingressos estão todos vendidos, mas há uma lista de espera
Ingressos limitados a 200 por dia
Não há venda de ingressos no local

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sexta-feira, 4 de junho de 2010 Nacionais | 14:56

Bons, básicos, baratos e brasileiros

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Os vinhos de grande volume das principais vinícolas são a base da pirâmide do consumo. Uma espécie de “Caminho Suave” dos tintos e brancos, uma cartilha por onde o iniciante começa a experimentar e gostar de vinho, o reincidente tem a opção do dia-a-dia e aqueles felizardos que são recomendados pelos médicos a tomar uma dose diária de um tinto têm uma alternativa segura.

Vinhos de linhas mas simples de empresas como Almadén, Aurora e Salton fazem parte de um segmento que poderia muito bem ser chamado de BBB do vinho nacional: bons, básicos e baratos. Sim, eles existem, são simples e descomplicados. E o crescimento do mercado de vinho fino nacional (veja abaixo) está produzindo boas novidades no setor: investimentos, qualificação da bebida e até modernização visual dos rótulos.

Agora, em nova embalagem

E se além de bons e baratos estes vinhos mais básicos fossem também bonitos? Almadén e Aurora apostaram em mudanças visuais em seus rótulos. Eles ficaram mais limpos e fáceis de identificar nas prateleiras de supermercado, em ambos os casos cada uva tem uma cor. A Salton mantém seu rótulo mais escuro para a linha Classic, mas também adota a diferenciação de uvas pela cor.

Almadén

Não é à toa que a Miolo Wine Group adquiriu a Almadén em outubro de 2009, e  mexeu com a fórmula dos vinhos produzidos na região de Livramento em um investimento de 2 milhões de reais em melhorias nos processos de vinificação. O resultado foi apresentado oficialmente na última ExpoVinis – feira internacional de vinhos de São Paulo. Primeira boa novidade: diminuiu-se o teor de açúcar. Todos os varietais (vinho de uma única uva) da Almadén estão mais leves, frutados e refrescantes e sem aquele docinho enjoativo que caracterizava a linha. Confesso que fui provar a bebida com um pé atrás, pois a memória gustativa eram daquela bebida demi-sec, acrescida de açúcar. Não era discurso, mudou-se a fórmula. Provei toda a linha: os brancos chardonnay, sauvignon blanc e riesling (safra 2010), o rosé cabernet sauvignon (2010) e os tintos cabernet sauvignon, merlot e tannat (safra 2009). A bela surpresa, para este blog, foram o branco chardonnay, sem madeira, bastante refrescante, boa fruta e características da varietal evidentes e o tinto merlot, macio na entrada, também com fruta fresca e fácil de beber. Preço médio: R$ 15,00.

Aurora

A linha varietal da Aurora é composta de sete rótulos. Os tintos cabernet sauvignon, merlot, pinot noir e carmenère; os brancos chardonnay e gewurztraminer e ainda um rosé de merlot. O cabernet sauvignon, envelhecido em barris de carvalho e um pouco mais encorpado, é o meu preferido: tem um bom corpo e creta presença na boca. Preço médio: R$ 17,00.

Salton

Na lista de bons e baratos já elaborada por este blog em outubro de 2008 o Salton Classic Tannat já merecia destaque. Correto, bem vinificado. Seu preço é imbatível (volta e meia está em ofertas em grandes lojas e supermercados), seus taninos  melhoram se acompanhados de um churrasquinho informal no clube. Em recente viagem à vinícola, a prova dos varietais merlot, cabernet sauvigon e tannat (ainda são comercializadas as brancas riesling e chardonnay) ratificou a preferência por esta uva emblemática do uruguai – de longe o mais prazeroso rótulo da linha. Preço médio: R$ 13,00

O que é bom para o Chile é bom para o Brasil

A aposta na qualificação destes vinhos básicos é importante e necessária para a indústria e para o incremento do consumo do vinho nacional. As gigantes chilenas Concha y Toro, Santa Rita e Santa Helena, por exemplo, têm no seu portfólio desde vinhos para grande massa até premiadíssimos rótulos badalados pela critica e disputados entre os especialistas. Da base para o topo, a qualificação é a melhor propaganda. Até por que, vamos combinar, elaborar vinho caro e bom é até uma obrigação. Prova dos noves é manter qualidade em larga escala e ainda tascar o nome no rótulo…

Crescimento em vendas

No Brasil, o mercado interno de vinho finos – aquele feito de uvas viníferas – vem ganhando musculatura e reagindo ao fraco desempenho dos dois últimos anos. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) apontam para uma retomada da indústria vitivinícola, com um crescimento de 26% no primeiro trimestre de 2010, ou seja não precisava da obrigação do selo fiscal, né? Só no Rio Grande do Sul –  cerca de 90% da produção nacional – foram comercializados 2,32 milhões de litros, o maior volume desde 2007.  Fica claro que é da base da pirâmide que virá esta alavancagem no consumo. Tanto melhor se a qualidade do que se bebe for melhor. Até por que, quem foi fisgado pelo mundo do vinho sabe muito bem, qualidade é um caminho sem volta, tanto para o consumidor como para a indústria.

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