Publicidade

Arquivo de novembro, 2010

domingo, 28 de novembro de 2010 Degustação | 23:54

Vinho com Coca-Cola. Ou como estragar um refrigerante e humilhar um tinto

Compartilhe: Twitter

Vinho chileno e Coca-Cola: parceria desastrosa

Sabe como degustar vinho ao estilo chinês novo-rico e sem tradição na bebida? Despeje em uma taça, em partes iguais, um tanto de vinho tinto e outro bocado de Coca-Cola. Balance o copo a fim de mesclar bem os dois líquidos. Pronto, a desgraça está feita. O problema agora é beber a coisa… O Blog do Vinho fez a experiência: o relato está no final deste post.

Para ser justo, é bom avisar que não se trata de uma invenção (ou inversão) chinesa. A mistura com vinho mais barato é até comum ao redor do mundo – no sul do Brasil é conhecido como Pé Sujo e Porta Aberta e consumido entre a garotada – a que tudo se perdoa pela inexperiência. No vizinho Chile é chamado de Jote. Em Moçambique é chamado de Catemba. Na Espanha a bebida ganha o nome de Calimocho ou Rioja Libre (adaptação de Cuba Libre) e em países do leste europeu de Bambu.

Mas uma coisa é mesclar tinto de garrafão ou de qualidade duvidosa com refrigerante. O objetivo é obter uma bebida alcoólica barata, bem doce e um pouco refrescante. E que nada lembra a sofisticação ou a finesse de um vinho. Já conspurcar um vinho como um Mouton Rotschild, Margoux, Petrus e similares com Coca-Cola muda um pouco o cenário. A celebrada crítica inglesa Jancis Robinson em entrevista à CNN comentou o hábito deste novo consumidor novo-rico quando esteve na China: “Soube que pessoas de muito dinheiro aqui compram rótulos franceses muito caros, mas não gostam do sabor da bebida, então eles misturam  um pouco de Coca-Cola ou Sprite. Esta não é a maneira mais adequada de se apreciar um vinho”, lamentou.

O empresário José Manuel Rodrigues Berardo, um dos dez homens mais ricos de Portugal e proprietário da vinícola Quinta da Bacalhôa, em recente visita ao Brasil contou a mesma história a este Blog. A China é hoje o principal mercado para os vinhos produzidos por Berardo. O Brasil já foi seu primeiro mercado, perdido primeiro por Moçambique a agora ultrapassado pela China. Mas parte dos tintos que comercializa lá é consumido em uma rede de karaokês com Coca-Cola, para consternação de Berardo. Outro lusitano produtor de caldos finos de sucesso entre público e critica, Luis Pato, também já havia feito relatos sobre a mescla de refrigerante e parte de seus rótulos negociados no oriente.

Aqui vale um parênteses. É claro que há um mercado sofisticado na China que sabe apreciar um bom tinto, branco e espumante. Enormes feiras de vinho acontecem no pais, como a VinExpo China. A China é o oitavo maior consumidor de vinho do mundo e deve saltar para a sétima posição em 2013 quando se espera que sejam abertas a bagatela de 1,26 bilhão de garrafas de vinho. Mas o tamanho do mercado e a volúpia do novo dinheiro gera este tipo de excentricidade. O consumidor chinês que ainda está se educando na bebida tem o fetiche pelo rótulo sofisticado, mas o paladar ainda é infantil e doce. Parte-se para a solução mais prática: e dá-lhe Coca-Cola na taça!

Bebendo vinho e coca: uma experiência desagradável

Este Blog, na sua incansável missão de poupar o leitor das agruras deste mundo, resolveu conferir o que acontece quando se juntam em medidas iguais vinho tinto e refrigerante. A experiência foi registrada por uma câmara amadora, como prova de autenticidade (veja o vídeo abaixo). O resultado poderia ser resumido em uma frase: não façam isso em casa! Trata-se da maneira mais rápida de estragar um refrigerante e humilhar um vinho. A cor é de aperitivo do tipo Cynar, o aroma lembra de um bitter de quinta categoria ou de um chá com prazo de validade vencido, a boca confirma o desastre da alquimia dos inocentes (ou indecentes): uma bebida ligeiramente frisante, com a doçura exagerada do refrigerante em conflito com um amargor final que surge do confronto das duas bebidas, aquele chá velho vem para a boca também. Os aromas e sabores do vinho original – no caso um blend de cabernet sauvignon e carmenère da produtora chilena Viña Montes – são diluídos até o limite do extermínio. Não é vinho. Não é Coca-Cola. É um crime contra a dignidade das duas bebidas.

Leia mais

Vinho chinês, você ainda vai beber um

Os bons vinhos e o bom papo do português Luis Pato

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 25 de novembro de 2010 Sem categoria | 14:48

Vinho do dia: Aurora Cabernet Sauvignon Reserva 2012

Compartilhe: Twitter

Em poucas palavras: bom, barato e correto

Por que beber: é um cabernet sauvignon de volume de Bento Gonçalves com boa expressão de fruta, madeira na medida e com uma ótima relação custo-benefício.

Quando beber: nas refeições do dia-a-dia, também funciona bem no churrasco no clube. Sua baixa gradação alcóolica permite combinações mais ligeiras. Por que não com um sanduba?

Nariz&boca: você talvez percceba aromas de

pera

Pera

mel

mel

pêssego

péssego

 

Seu Vinho Vine

Ficha

Aurora Reserva Merlot

Aurora Reserva Cabernet Sauvignon

Produtor: Vinícola Aurora (link)

País: Brasil

Região: Bento Gonçalves

Uva: cabernet sauvignon (100%)

Preço: R$ 32,00

ViG 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 (vinho indicado pelo Gerosa)

 

 

 

Autor: Tags:

quarta-feira, 24 de novembro de 2010 Degustação | 11:15

Primum Familiae Vini: uma degustação para guardar na memória

Compartilhe: Twitter

A caixa com onze joias liquidas da Primum Familae Vini. Sonho de uma tarde de primavera

Um vinho premium não é obra cartesiana, muito menos é um acaso da natureza: é o resultado da relação do homem com a agricultura e de sua capacidade de extrair das parreiras a melhor uva que ela pode produzir em um determinado terreno, sob um clima específico. A pinot noir na Borgonha, a riesling na Alsácia, a tempranillo na Ribera Del Duero, o trio cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc em Bordeaux são apenas alguns exemplos de uvas que encontraram o seu habitat após séculos de experimentação, observação e refinamento no processo de vinificação.

A tradição foi passada de pai para filho ao longo de séculos e grandes vinícolas ainda em atividade são consequência direta desta curadoria de famílias que dedicaram sua vida a esta atividade. O grupo Primum Familae Vini (PFV), formado oficialmente em 1993, é um resgate destes valores familiares em um mundo em que os negócios do vinho estão cada vez mais globalizados e concentrados nas mãos de grandes investidores. São onze famílias proprietárias de vinícolas consagradas internacionalmente, que ao mesmo tempo que promovem seus rótulos prestigiados pela crítica e adulados pelos conhecedores, levantam a bandeira da manutenção do controle familiar das empresas para as próximas gerações. Leia entrevista de Dominic Symington ao colunista de iG Luxo Mauro Marcelo, onde ele explica como funciona a PFV.

O time do momento teve os seguintes representantes: Hubert de Billy (Champagne Pol Roger); Laurent Drouphin (Maison Joseph Drouphin); Erienne Hugel  (Hugel & Fils, Perrin & Fils); François Perrin (Perrin & Fils,  Château Beaucastel); Albiera Antinori (Marchesi Antinori); Sebastiano Rosa (Tenuta San Guido);  Miguel Torres (Torres); Pablo Alvarez (Vega-Sicilia);  Philippe de Rothschild (Château Mouton Rotschild); Valeska Müller (Egon Muller-Scharzhof) e Dominic Symington (Symington Family States).  É o velho mundo em sua melhor composição – a família Robert Mondavi, responsável pela transformação do vinho americano, foi fundadora do grupo mas deixou a associação após ser vendida. “Nós somos os guardiões da tradição”, resume o italiano Sebastiano Rosa, presidente da PFV na gestão 2009/2010.

Este grupo de nobres representantes das vinhas se reúne anualmente para degustações ao redor do mundo onde juntam especialistas, jornalistas, enófilos e endinheirados em encontros que mesclam doses de hedonismo e benemerência. São Paulo foi escolhida para ser sede do encontro da PFV em 2010. O Blog do Vinho estava lá.

Meninos, eu vi! E bebi…

22 taças de puro hedonismo. Ao fundo Dominic Symington fala de seu Porto no evento da PFV

Um encontro desta magnitude – que reúne pilares como família e tradição – suscita tanto questões mais delicadas, como a discussão sobre a idade ideal em que as crianças devem começar a ter contato com o vinho (ver reportagem Do primeiro gole ao primeiro porre, de Luciano Suassuna), como também é capaz de demonstrar na prática a beleza da evolução dos vinhos de guarda, do leve peso dos anos na construção da complexidade de caldos brancos, tintos, doces e fortificados. Sim! Brancos também criam pérolas líquidas com a idade! Além das 11 amostras representativas de suas vinícolas – que estão distantes do nosso dia-a-dia – os produtores desfilaram sua tropa de elite aos pares, com safras mais recentes escoltadas por outras mais antigas. Era um dia para se acreditar na felicidade!

Se uma champagne Vintage (ou seja, safrada) Pol Roger 2000 já enchia a boca e preenchia a taça de aromas, a safra de 1990 abusava de finesse e toques de panificação. Um Beaune Clos dês Mouches Blanc 2002, de Joseph Drouphin, expunha ao vivo o poder dos grandes brancos de evoluir na garrafa e envolver o paladar em uma doçura branca untada de mel. Da Alsácia, a mineralidade e delicadeza do Riesling Jubilee 2007 contrastava com a leveza da safra 1998, muito fresca. O chateauneuf de Pape do Château de Beaucastel 2004 tinha um aroma animal e de terra característico de sua mescla de 13 diferentes tipos de uva.  O tinto da toscana Solaia 2001 era pura exuberância, já seu colega de Bolgheri, o Sassicaia  2000, era sedutor e tinha um curioso aroma tropical de caju e carambola.

Pausa para um gole de água

Os espanhóis mais antigos representados pela Torres Mas La Plana 2001 (talvez uns dos únicos vinhos mais viáveis de comprar e ter em casa) e Vega-Sicilia Único 1982 (este sem dúvida alguma fora de questão) eram profundos, densos e longos, principalmente o Vega com 18 anos de história na garrafa. Um Mouton Rothschild 2001 (me desculpem, mas neste post listar preços é um deserviço, vamos evitar…) ladeado por outro 1986 é um privilégio que permite comparar  aromas e sabores e comprovar a alquimia que ocorre dentro da garrafa nos grandes bordeaux com o passar dos anos. Fechando o ciclo, um doce e um fortificado. Um riesling de nome impronunciável, como de costume: Scharzhifberger Auselese Goldkpsel 1990, da Muller Scharzhof (Goldkpsel significa o melhor de cada ano…), uma estupenda cor dourada, uma concentração de açúcar apoiada por uma acidez persistente. E por fim um porto Graham’s 1980 Vintage com uma explosão de frutas maduras e concentradas, infinito – a tradução da excelência da ação do tempo no vinho!

Sobre o sublime e o que se tenta descrever

Um vinho premium não é obra cartesiana, muito menos é um acaso da natureza, como já se disse, mas em alguns casos guarda mais semelhanças com uma obra de arte do que com uma mercadoria produzida em série – o que de fato é. Assim como uma pintura ele pode suscitar diferentes interpretações, diversas sensações e atingir emocionalmente um indivíduo de muitas maneiras, Grandes vinhos são capazes ainda de atingir outras áreas sensoriais, olfativas e gustativas, que acionam o gatilho da memória e do prazer e podem marcar para sempre o simples ato de beber um tinto ou um branco. É como aquele ponto de um filme que te joga para dentro da história, aquele acorde que parece abduzir o espectador de um show de música para outra dimensão, o trecho do romance que te engole para dentro das páginas. Por isso o vinho é tão verborrágico entre aqueles que se emocionam com a bebida. Não basta senti-lo, é preciso traduzi-lo e compartilhar as impressões. E aí cada um tem seu repertório descritivo. Como definiu, em inglês, no encontro da PFV, o representante da Mouton Rothschild, Philippe de Rothschild, “Wine is about sharing emotions”.

Leia também

Unidos para fazer o melhor vinho
Como descrever um vinho?

Degustação Mas la Plana
Família Vega-Sicilia

Autor: Tags: , , , , ,

quinta-feira, 4 de novembro de 2010 Degustação | 19:50

Vinho do Porto Colheita 1937: bebendo história

Compartilhe: Twitter

Douro: patrimônio da humanidade em cenário de sonhos

Beber vinho do Porto é saborear um pouco de sua história. A região montanhosa do Douro, em Portugal, onde parreiras são cultivadas em jardins suspensos esculpidos pela mão do homem, foi a primeira região vinícola demarcada no planeta, em 1756, pelo futuro Marquês de Pombal. A região foi declarada pela Unesco patrimônio da humanidade em 2001. A casa mais antiga do Porto, que sempre sofreu influência direta dos ingleses, a Warre & CO, foi fundada em  1670. A tradição está presente em toda garrafa de vinho fortificado aberta.

Colheita 1937

Provar uma safra recente de um Tawny (uma das classificações do Porto), portanto, já é uma experiência que carrega esta rica herança em cada gole. Ter a oportunidade de degustar um Porto Colheita da safra de 1937 (da Casa Burmester), então, é mais que uma oportunidade rara. É um momento sublime para os amantes dos caldos do Douro: é o encontro do trabalho de uma geração do início do século com a elegância revelada na taça décadas depois. Trata-se de uma epifania vinífera. Um Porto desta idade revela cores de matizes acobreadas, aromas oníricos e evoluídos. O doce, e o álcool, na boca é dionísico e a acidez presente confere a vivacidade que mantém o conjunto harmônico e a complexidade exuberante. O vinho não é doce à toa. O acréscimo de aguardente vínica corta o processo de fermentação preservando parte do açúcar residual e garantindo longevidade ao fortificado.

Os descritivos de um Porto desta idade são todos superlativos: aromas infinitos de frutas secas, creme brulê e mel que chegam em ondas e volatizam na taça mesmo depois de esvaziadas – e fica aquela cena bizarra de narizes enfiados em copos sem vinho, mas com um Porto virtual suspenso no ar. A intensidade de boca e de fim de boca são longuíssimos – recomendam evitar a escovação dos dentes pelo menos até a próxima refeição.

Porto e filosofia

O Porto é um vinho contemplativo, como um romance de Machado de Assis, que envolve pelas camadas narrativas. Os Portos mais antigos têm a densidade da filosofia. Aliás, vinho do Porto, com sua doçura e viscosidade, na modesta opinião deste colunista, é um vinho que harmoniza com a leitura, com o pensar e o diálogo.

Há uma aposta audaciosa em produzir um vinho para o futuro, que vai envelhecer por muitos anos. O  potencial de evolução de um vinho é um projeto que pode até ser desenhado na prancheta de uma vinícola, estar na cabeça de um enólogo, e até ser prevista pelos críticos mais doutos, mas só pode ser colocado à prova pelas gerações que estão por vir  – geralmente sem o testemunho de seus criadores. É como planejar uma catedral: os projetistas desenham o edifício e lançam os alicerces, mas as derradeiras torres furam as nuvens sem a presença destes. No entanto, a beleza da obra está presente para ser admirada pelas gerações futuras.

Safras antigas e frascos pequenos

Garrafa de 50 ml

O Colheita 1937 foi desarrolhado na presença de um dos atuais enólogos da Casa Burmester, o engenheiro Pedro Sá,  que desafiou os presentes a identificar o tipo de vinho numa primeira prova às cegas (aquela que é feita sem ver o rótulo). A mim me pareceu um madeira envelhecido.  Pedro Sá não estranhou minha associação, pois é parte da proposta da Burmester privilegiar a acidez de seus caldos a fim de manter um estilo fresco e irreverente, o que aproxima de fato o Colheita provado de alguns Madeiras excepcionais. A joia da coroa tem preço de joia mesmo: 3.100,00 reais e serão embarcadas apenas doze garrafas no Brasil pela Importadora Adega Alentejana. Chegam acompanhadas das safras do Colheita de 1944 (R$ 2.133,00) e de 1955 (R$ 1.750,00). Se você tem uma dívida de eterna gratidão com alguém que seja um apreciador de vinho – e dinheiro para isso -, está aqui o presente dos sonhos de Natal. Ou então faça uma vaquinha na sua confraria e dê um presente a si mesmo.

Antes que me acusem de leviandade, por tratar neste espaço de um rótulo tão inacessível, vale o parêntese:  um vinho de exceção só vem comprovar a qualidade  de uma casa produtora de Porto, no caso a J. W. Burmester. A Burmester é uma dessas vinícolas com história. São 250 anos de tradição – foi fundada em 1750. A casa produz portos de vários estilos: Tawny, Ruby, LBV, Vintages de 10 a 40 anos e brancos – sim, para quem não sabe existem portos brancos (conheça aqui todos os estilos do Porto). Outra curiosidade da Casa são as garrafas de 50 ml, para momentos em que uma taça é a medida ideal de sua sede.  Há pequenos frascos de todos os estilos: Burmester Ruby (R$ 6,80), Burmester Tawny (R$ 6,80), Burmester LBV (R$ 8,20), Burmester 10 anos (R$ 11,10), Burmester 20 anos (R$ 20,40) e Burmester 40 anos (R$ 52,40).

LEIA TAMBÉM

Teste: Você conhece Vinho do Porto?

Guia: Conheça os vários tipos e estilos de Vinho do Porto

Harmonização: Porto e comida, por Carlos Cabral

Autor: Tags: , , , , , , ,

Velho Mundo | 19:49

Os vários tipos e estilo de Vinho do Porto

Compartilhe: Twitter

Apesar de 80% da produção de Vinho do Porto ser dos tipos Ruby e Tawny – os mais comuns e baratos -, há uma variedade de estilos que são engendrados pelo tempo. Você sabe reconhecê-los? O guia abaixo mostra a diferença entre cada tipo e estilo de fortificado.

PORTO BRANCO

Elaborado a partir de uvas brancas (malvasia fina, viosinho, donzelinho, gouveio, codega e rabigato), pode variar conforme o grau de açúcar. Os muito doces são conhecidos como Lágrima, em seguida, há os Doces, Meio Secos, Secos e os Extra Secos.

PORTO TINTO

Entre as castas usadas na sua produção destacam-se: tinta amarela, tinta barroca, tinta roriz, touriga francesa, touriga nacional, souzão e tinto cão. O Douro é uma região de assemblage, está implícito na fórmula de seus vinhos de mesa e Porto a mistura destas uvas.

Dependendo da safra e do tipo de envelhecimento, os Porto tintos são divididos em sete grupos

– RUBY: obtido por lotação – mistura de vinhos de diversas safras (até uma quinzena de vinhos de qualidades diferentes). Passa por estágio em grandes barris de madeira (chamado em Portugal de balseiros), adquirindo um bouquet especial. Depois de engarrafado, está pronto para ser apreciado, já que não evolui na garrafa. Este vinho mostra-se ruby na cor, como diz o nome, é jovem, encorpado e frutado.

Depois de aberto: Beber em até 10 dias

– VINTAGE CHARACTER: é um tipo de Ruby melhorado, mais complexo, encorpado e intenso, já que sua lotação inclui Vinhos do Porto de qualidade superior – com uma média de idade entre três e quatro anos.

Depois de aberto: Beber em até 10 dias

– TAWNY: o nome vem da cor alourada. Por causa do envelhecimento prolongado em cascos de carvalho de menor tamanho (525 litros), esse vinhofoi perdendo os tons avermelhados e adquirindo tonalidades alaranjadas. Como o Ruby, o Tawny é fruto de lotação de vinhos de diferentes safras. Quando é denominado apenas Tawny (sem indicação de idade) resulta de uvas com idade média de 3 anos. É um vinho elegante e delicado.

Depois de aberto: beber em até 4 semanas.

– TAWNY COM INDICAÇÃO DE IDADE: resulta da lotação de vinhos de diferentes safras no resultado final da garrafa, cuja idade média é a indicada no rótulo: 10, 20, 30 e mais de 40 anos. A data de engarrafamento costuma aparecer no rótulo ou no contra-rótulo. O longo envelhecimento em madeira permite o desenvolvimento de aromas complexos e persistentes, além da perda de pigmentos. Um bom exercício é comparar os Tawny de diferentes idades, tanto na cor, como no aroma. Todos, sem dúvida, muito especiais.

Depois de aberto: beber entre 1 a 4 meses (quanto mais antigo mais tempo mantém suas características).

– VINTAGE: quando um vinho é considerado de qualidade excepcional – o que é feito com a aprovação do Instituto do Vinho do Porto –, ele segue sozinho (sem lotação) para um estágio de dois anos em madeira. Depois, continua o seu envelhecimento em garrafa  desenvolvendo o seu bouquet, longe do ar e da luz. O Vintage pode ser degustado logo a seguir ao engarrafamento. Nesse momento, tem cor retinta intensa e aromas complexos, muito frutados e florais. Na boca, sentem-se os taninos e certa adstringência, tudo com muita estrutura e persistência. Quem preferir guardar o vinho por alguns anos – uns dez anos — não se arrependerá. Com o tempo, ele adquire complexidade. O rótulo, além de mostrar a data da safra, deve indicar também a do engarrafamento.

Depois de aberto: beber em 1 a 2 dias.

– LBV (Late Bottled Vintage): a data estampada na garrafa indica o verdadeiro ano da safra. Esse vinho passa de quatro a seis anos em madeira, antes de ser engarrafado. De grande qualidade, tem coloração intense, frutas vermelhas maduras e presença de taninos.

Depois de aberto: beber em até 10 dias.

– COLHEITA: é um vinho de uma safra só, indicada no rótulo. Envelhece em madeira (525 litros) por, no mínimo, sete anos, seguindo para o engarrafamento apenas quando se deseja colocá-lo no mercado. De cor alourada, remete a aroma de frutos secos e especiarias. Não evoluem na garrafa. Na boca é suave e complexo ao mesmo tempo.

Depois de aberto: beber entre 1 a 4 meses  (quanto mais antigo mais tempo mantém suas características)

Temperaturas de serviço
Ao contrário do que possa parecer, o Porto também deve ser degustado em temperaturas adequadas, que realçam sua fruta e aromas. Evite tomá-lo mais quente, pois a percepção do álcool, que já é elevado, vai subir ainda mais:

Porto Branco: 6-10ºC
Porto estilo Ruby: 12-16ºC
Porto estilo Tawny: 10-14ºC

LEIA TAMBÉM

Degustação: Vinho do Porto Colheita 1937: bebendo história

Teste: Você conhece Vinho do Porto?

Harmonização: Porto e comida, por Carlos Cabral

Autor: Tags: , , , , ,

Harmonização | 19:47

Porto e comida, por Carlos Cabral

Compartilhe: Twitter

Como comentei no post Vinho do Porto Colheita 1937: bebendo história, na minha opinião o Porto é um vinho à capela. Harmoniza mais com a leitura, com o pensar e o diálogo do que necessariamente com comida. Para quem aprecia, um charuto também é um bom companheiro. Mas na verdade o Porto é uma bebida versátil que permite várias combinações. Assim como existe uma carne para cada tipo de churrasco, existe um Porto para cada ocasião. Há alguns anos, o maior especialista em Vinho do Porto no Brasil, Carlos Cabral, autor de uma obra fundamental sobre o tema, Porto Um Vinho e Sua imagem e consultor de vinhos, propôs harmonizações com vários estilos de Porto. Republico aqui para os leitores do Blog do Vinho, estas dicas de um mestre no tema.

– VINHO DO PORTO BRANCO SECO (ou mais conhecido como Porto White)

Há 20 anos foi criado um drinque à base de Porto White, trata-se do Porto de Verão ou Portonic: uma dose de Porto Branco em um copo de Long Drink, 3 pedras de gelo, uma rodela de limão e completa-se com água tônica.

Harmonização: refrescante, combina bem com os acepipes, ou aperitivos de entradas, salgadinhos, canapés e presunto cru.

Vinho recomendado: Porto Comenda White.

Profiteroles com Porto: tem coisa melhor?

VINHO DO PORTO RUBY (jovem) ou Ruby mais robusto ( PORTO LBV)

Estes Portos têm aromas e sabores pronunciados de frutas vermelhas maduras, como framboesas, amoras e ameixas.

Harmonização: aqui os chocolates reinam. Desde os trufados, até os meio amargos, todos ganham destaque quando saboreados com estes Portos, pois a untuosidade destes tipos de Porto casam-se bem com as gorduras do chocolate.

Vinho recomendado: Vinho do Porto Ferreira Ruby

– PORTO COM DENOMINAÇÃO DE IDADE, 10, 20, 30 ou 40 anos.

Estes vinhos passam uma vida em tonéis de carvalho, oxidando e absorvendo os aromas de baunilha das pipas de carvalho. Seus aromas lembram caramelo e madeira defumada.

Harmonização: a companhia destes vinhos são as frutas secas como nozes, ameixas, damascos, avelãs, noz pecã, castanhas de caju, e principalmente amêndoas. Os marzipans e as tortas de frutas secas, regadas com estes vinhos, são de um sabor sublime.

Vinho recomendado: Vinho do Porto J.W. Burmester 10 anos

– PORTO COLHEITA

Vinhos que passam de 7 anos em diante envelhecendo em tonéis de carvalho. São de uma só colheita e não são resultado de blends entre outros vinhos. Têm todas as características de seus anos de colheita preservados. Geralmente existem no mercado vinhos dos últimos 7 anos e alguns até mais velhos, com décadas de idade.

Harmonização: estes vinhos acompanham bem as tradicionais sobremesas portuguesas à base de ovos e amêndoas. O Pudim do Abade de Priscos, os Pastéis de Belém, os Pastéis de Santa Clara, os Fios de Ovos são a pedida.

Vinho recomendado: Porto Weise Krohn Colheita 1991

– VINHO DO PORTO LBV

Com uma concentração de aromas de frutas vermelhas maduras, este tipo de Porto é um dos mais apreciados nos dias de hoje. De cor tinta escura, bem concentrada, o LBV tem particularidades de um caldo de framboesa.

Harmonização: os queijos azuis, como o gorgonzola, o roquefort ou o stilton ( inglês) harmonizam-se soberbamente com este vinho.

Vinho recomendado: Graham’s LBV 1995

– VINHO DO PORTO VINTAGE

O Porto Vintage “é uma seleção apertada de uma colheita excepcional”. É o que a natureza pode dar de melhor ao homem em termos de vinho. A quem os prefira jovem, para obter o melhor proveito de suas frutas maduras e sua pujança nervosa, e os que o preferem mais velhos, onde o tempo afina seus aromas e sabores.

Harmonização: em ambos os casos aqui impõe-se o queijo da serra da estrela, a grande jóia da gastronomia lusitana, um queijo de ovelha, rico em aromas e paladar único em todo o mundo.

Vinho recomendado: Vinho do Porto Vintage Quinta do Crasto 1997.

LEIA TAMBÉM

iG Comida: Sobremesas com vinho

Degustação: Vinho do Porto Colheita 1937: bebendo história

TesteVocê conhece Vinho do Porto?

Guia: Os vários tipos de vinho do Porto

Autor: Tags: , , ,