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Arquivo de maio, 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011 Livros | 19:12

Dicionário do vinho, o abc de Baco

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Dicionário do Vinho: 17.000 verbetes

Você abre um site, um livro ou revista especializada em vinho e topa com termos como chaptalização, fermentação malolática, perlage, brettanomyces. Hein? Estamos falando mesmo de vinho?

É, meus amigos, o vinho tem seu vocabulário próprio, um dialeto para entendidos, jargões usados entre enólogos, sommeliers, viticultores e profissionais do setor e que podem dificultar a vida de quem está se iniciando nesta área.

Quer desvendar este dialeto? Seus problemas se acabaram-se.  Um dicionário de verdade, com todos os vocábulos do mundo do vinho, acaba de ser lançado pela Companhia Editora Nacional. Trata-se do Dicionário do Vinho, 572 páginas, R$ 120,00, compilado pelos jornalistas Rogério Campos e  Mauricio Tagliari, que também é produtor musical, enófilo e colunista de vinhos.

De aatchkik (uva cultivada na Geórgia e na Ucrânia, empregada na elaboração de vinhos rosés) até zypern (equivalente em alemão de Chipre) são mais de 17.000  termos listados e definidos com precisão, fruto de um trabalho de fôlego e de pesquisa que se torna obrigatório na estante de qualquer enófilo (apreciador e/ou estudioso de vinho) que se preze e também é muito útil para a turma dos “homens que cospem vinho”. Há definições de regiões, tipos de uva, termos químicos, aromas, técnicas e descritivos do vinho.

Um dicionário é uma forma organizada de transmitir conhecimento, normatizar regras e colocar ordem nas coisas. Esta compilação tem uma capilaridade maior, inclui termos equivalentes em outras línguas – o que facilita na leitura do seu Robert Parker preferido – e até aqueles tecnicamente menos corretos, pois o objetivo, segundo os autores, é “ajudar o nosso leitor a entender o que o mundo do vinho fala, mesmo que este fale com a gramática supostamente incorreta”.

Também muito útil para os apreciadores dos fermentados são as variações de nome para um mesmo tipo de uva. São mais de 2.000 uvas descritas no dicionário. Por exemplo, o nome mais conhecido da uva tinta é tempranillo, mas ela também atende se chamada de  aragonês (ou aragonez) no Alentejo, cencibel (centro e sul da Espanha), tinta aragonês, roriz (Douro), ull de llebre (Catalunha), tinta de toro, tinto de toro, tinta del pais, tinto del pais, ramont, tinta roseira, gotim bru e tinto fino. Mesmo as uvas mais internacionais, como a merlot, também têm variações: sémillon rouge, crabulet, médoc noir, merlau, bigney rouge, vitraille, sème de La Canau, merlô, petit merle, bégney e vitraille.

Para quem adora descrever os caldos o dicionário, além das definições, dá uma mão nos sinônimos. Um vinho aveludado (macio, suave, com textura agradável e baixa acidez) é o mesmo que um vinho redondo, e um tinto equilibrado (que mostra harmonia entre seus componentes organolépticos – acidez, taninos e álcool -, aromas, sabores, peso, força, ataque, corpo e persistência) também é descrito como afinado, balanceado e estruturado.

Sem querer comparar a extensão e os objetivos do trabalho, os leitores deste Blog do Vinho também têm um glossário para consultar nos momentos de dúvidas, trata-se da seção ABC de Baco.

A propósito, para quem não entendeu os termos que iniciam este texto, aqui vão as definições do Dicionário do Vinho:

Chaptalização – vinicultura. Prática de acrescentar Açúcar ao mosto, antes ou durante a fermentação, com o objetivo de aumentar o grau alcoólico do vinho.

Fermentação malolática – vinicultura. Transformação do ácido málico em ácido lático, com a liberação do geas carbônico, realizado por bactérias láticas. Tem a função de suavizar o paladar do vinho, já que o ácido lático é mais suave que o málico, e alem disso traz aromas de manteiga e iogurte. Porém, alguns argumentam que  os tintos que passam por esta fermentação perdem em cor e aromas varietais.

Perlage – característica do vinho. Conjunto de bolhas que se formam no vinho espumante

Brettanomyces – microorganismo. Levedura que produz certas substâncias que podem, em baixas quantidades, dar complexidade ao vinho, mas que em geral causam defeitos.

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