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sexta-feira, 5 de julho de 2013 Degustação, Novo Mundo, Velho Mundo | 14:00

Chadwick: o chileno que desafia (e ganha) dos franceses

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Saiba como foi o confronto de sete tintos chilenos do produtor Eduardo Chadwick (no centro) e cinco famosos (e caros) rótulos da França e da Itália em mais uma degustação histórica

Responda rápido. Qual o melhor vinho: um Premier Grand Cru Classé de Bordeaux, na França, ou um top Chileno dos Vales do Maipo e Aconcágua? Qual o vinho mais sofisticado e que mais agrada o paladar: Velho Mundo ou Novo Mundo?

Difícil é até ter a oportunidade de provar estes vinhos. Para responder esta questão, imagine a seguinte cena:

No palco: doze vinhos extraordinários – sete tintos chilenos da Errazuriz  e cinco famosos (e caros) rótulos da França e da Itália.

Na plateia: 64 especialistas entre importadores, sommeliers, jornalistas, enófilos e blogueiros, além da mesa principal composta pelo produtor chileno Eduardo Chadwick e os jornalistas e críticos Jorge Lucki e Marcelo Copello.

Tarefa: escolher os três melhores vinhos do painel em uma degustação às cegas.

Local/data: Hotel Unique, 4 de julho de 2013, em São Paulo

Resultado: revelamos alguns parágrafos adiante

Onde tudo começou: Berlin Tasting 2004

O produtor de vinhos chileno Eduardo Chadwick é alpinista. Seus vinhos  também são. 2004 foi o ano que eles atingiram o topo da montanha. Chadwick arriscou todas as suas fichas na já famosa Cata de Berlim ou Berlin tastting, a degustação que colocou, lado a lado, seus rótulos e ícones franceses de 100 pontos no Robert Parker, como  Château Lafite-Rothschild 2000 (R$ 17.400,00!!!), Château Margaux 2000 (R$ 4.760,00) e 2001(R$ 3.588,00) e outros laureados como Château Latour 2000 (R$ 6.120,00) e 2001 (R$ 4.788,00) e o supertoscano italiano Solaia. O resultado da prova: deu Chadwick 2000 (R$ 880,00 a safra 2009) na cabeça e Seña 2001 (R$ 498,00 as safras 2007 e 2009) em segundo. Veja a tabela abaixo.

Para Chadwick, o desafio de escalar o Aconcágua e a primeira disputa contra pesos-pesados em Berlim guarda semelhanças: “Nos dois casos, é preciso perder o medo”, define. “A primeira tentativa de subir o Aconcágua enfrentei uma tempestade de neve e tive de voltar, foi frustrante”, relembra. “Na prova de Berlim, eu não arrisquei nada, nossos vinhos não eram conhecidos, não tinha nada a perder.”
A partir daí, Eduardo Chadwick se firmou como uma estrela ascendente do mundo do vinho. Foi eleito pela revista inglesa Decanter como uma das 50 personalidades mais influentes do mercado várias vezes, incluindo nesta edição de 2013, e viu sua produção, e os preços de seus vinhos, crescer como cotação de barril de petróleo, com a vantagem adicional de não sofrer oscilações para baixo.

Berlin Tasting – São Paulo 2005

No dia 7 de novembro de 2005 foi a vez de São Paulo ser palco de uma segunda versão deste desafio. Foi montada uma réplica da degustação de 2004. Um grupo de quarenta jornalistas (meninos e meninas, eu estava lá) e enófilos se reuniu no Empório Santa Maria para apontar, entre os dez vinhos servidos, quais eram os três melhores. A experiência aqui, no entanto, teve resultados diversos. Em primeiro lugar ficou um francês: o Château Margaux 2001(R$ 3.588,00*), em segundo, o Viñedo Chadwick 2000 (R$ 880,00 a safra 2009), o vencedor em Berlim e, em terceiro, o Seña 2001 (R$ 498,00 as safras 2007 e 2009). Nada mal também. Cabe observar que os dois vinhos chilenos ficaram acima de verdadeiras jóias da viticultura, como o Château Lafite 2000 (R$ 17.400,00!!!, 100 pontos no Robert Parker e 9º lugar no ranking) e o Château Latour 2001 (R$ 4.788,00) . “Sabíamos que o Chile tinha condições de produzir vinhos de classe internacional. Nossa intenção era mostrar ao mundo que nossos produtos estavam entre os melhores”, disse Eduardo Chadwick em palestra em São Paulo na época.

“O objetivo desta prova é mostrar que nossos vinhos são de classe mundial”, pontifica Chadwick. “Fiquei surpreso, não achava que íamos ganhar”, contou em 2005 com um sorriso de quem venceu. Chadwick gostou da brincadeira. Depois destas duas experiências realizou mais 15 eventos em mercados distintos, como, Tokyo (2006), Toronto (2006), Copenhagen e Pequim (2008), Londres (2009), Nova York (2010), Moscou (2012), Dubai (2013) sempre com resultados surpreendentes na comparação dos superchilenos com tintos de Bordeuax, Toscana e até da Califórnia, na prova dos Estados Unidos. Veja todas as provas aqui

Berlin Tasting – São Paulo 2013

São Paulo, 4 de julho de 2013. Ó nóis aqui traveis! Comparada à degustação histórica de 2005, duas grandes diferenças chamaram a atenção nesta segunda edição, também histórica. O número muito maior de participantes (64 contra 40), mostrando como o mundo do vinho cresceu – e se sofisticou – no Brasil e uma maior variedade de vinhos chilenos, o que de alguma forma desiquilibrou o painel a favor do Chile. O critério foi idêntico, escolher, entre todos os vinhos provados às cegas, quais eram os três melhores. Pessoalmente cada avaliador pode dar suas notas, anotar suas considerações e comparar com o resultado final. São Paulo, por algum motivo, manteve a coerência e repetiu o vencedor de 2005: Châteaux Margaux 2001 (R$ 3.588,00). Uma explicação razoável para esta diferença é que os brasileiros reconhecem com maior facilidade os chilenos. No entanto, o segundo e terceiro lugares foram conquistados pelo Seña 2007 (R$ 498,00, delicioso e já biodinâmico) e Don Maximiano 2009 (R$ 450,00). O nível, no entanto, é altíssimo. É difícil escolher três amostras sem achar que está penalizando a quarta e quintas seguintes. As anotações são todas superlativas em relação à finesse,  aos tostados, aos aromas de frutas em camadas, e evolução do paladar em boca, o final longo o prazer que permanece minutos após ser bebido. É o vinho em estado de arte. Os meus preferidos foram os seguintes

1 – Seña 2010
2 – Chateau Latour 2009
3 – Seña 2007
4 – Château Margaux 2000

Já o resultado oficial está na lista abaixo.

1 – Château Margaux 2001 – Premier Grand Cru Classé, Margaux

2 – Seña 2007 – Viña Errazuriz, Aconcágua

3 – Don Maximinano 2009 – Viña Errazuriz, Aconcágua

4 – Château Mouton 1995 – Premier Grand Cru Classé

5 – Château Latour 2007 – Premier Grand Cru Classé Paulliac

6 – Seña 2010 – Viña Errazuriz, Aconcágua

7 – Viñedo Chadwick 2000 – Viña Errazuriz, Maipo

8 – Don Maximiano 1995 – Viña Errazuriz, Aconcágua

9- Don Maximiano 2005 – Viña Errazuriz, Aconcágua

10 – Sassicaia 2000

11 – Seña 2000 – Viña Errazuriz, Aconcágua

12 – Tiagnanello 2009

Jorge Lucki, Eduardo Chadwick, Marcelo Copello e e alguns mil reais de vinhos à sua frente

Jorge Lucki, Eduardo Chadwick, Marcelo Copello e as garrafas degustadas

I did it my way

O modelo do Berlin Tasting – como ficou batizada a prova, onde quer que se realize -, é baseado na histórica degustação realizada em 1976 pelo crítico inglês Steven Spurrier, conhecida como Julgamento de Paris. Foram degustados às cegas, por um seleto grupo de especialistas franceses, os melhores Bordeaux e Borgonhas da Franca ao lado de tintos e brancos californianos. E os americanos levaram os primeiros lugares.  Foi um choque. A história é contada em um livro delicioso: O Julgamento de Paris: Califórnia x França 1976 – A Histórica Degustação que Revolucionou o Mundo, de George M. Taber, único jornalista que cobriu o evento, que fez uma reportagem  para a revista TIME (leia texto original).

O formato virou uma espécie de franquia que Steven Spurrier repetiu várias vezes com o produtor chileno, e se tornou o My Way do repertório de Chadwick. Assim como Sinatra sempre tinha de incluir esta canção em suas apresentações, Chadwick retorna ao modelo sempre que quer ampliar seu mercado. É um maneira fácil de criar notícia (funciona: olha eu aqui escrevendo sobre o tema), e mostrar ao mundo a qualidade de seus rótulos. Chadwick contou na apresentação que aprendeu com Robert Mondavi, falecido produtor americano e sócio de Chadwick no início do projeto Seña, que o marketing é tão importante quanto a produção. O produtor chileno aprendeu direitinho e virou um craque nas duas frentes.

Não dá para estabelecer aqui a batalha do tostão contra o milhão, pois se tratam de garrafas que custam respectivamente R$ 498,00 (Seña 2007) e R$  R$ 3.588,00 (Margaux 2001)!!!. “Meu objetivo não é ganhar sempre, mas mostrar que podemos estar entre os primeiros”, fundamenta. “Isso demonstra uma consistência de nosso vinhos.”

Para Chadwick, todas estas experiências deixam claro que o Novo Mundo pode alcançar níveis altíssimos e de qualidade internacional. “Já chegamos a grandes alturas, provamos nossa qualidade, já escalamos o Aconcágua”, conta Chadwick, mostrando a foto de um Dom Maximiniano que levou consigo na escalada da maior montanha das Américas, localizada no Vale do Aconcágua, região onde são produzidos seus vinhos Seña e Don Maximiano. Para ele o objetivo não é provar que seus vinhos são iguais ou melhores que os de Bordeaux ou da Toscana, mas são na realidade resultado de sua terra, de seu clima, de sua história, enfim, de seu terroir. Como um vinho tem de ser.

Site oficial: www.errazuriz.com

Veja todas as provas Berlim Tasting

Um papo com Chadwick (entrevista de 2008)

Os vinhos Chadwick e Don Maximiano são vendidos na importadora Vinci

O vinho Seña é vendido na Expand

* os preços dos vinhos franceses Premier Grand Cru Classé foram coletados no site Vinhos Millesime; os preços dos vinhos chilenos foram consultados nos sites e catálogos das importadoras. Valores de julho de 2013

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1 comentário | Comentar

  1. 11 Milciades Calasans 07/07/2013 1:27

    FICO ESPECIALMENTE MARAVILHADO E ORGULHOSO, EM TER VINHOS CHILENOS, COMPARADOS E SUPERANDO EM ALGUNS MOMENTOS OS EXCELENTES VINHOS FRANCESES. TENHO ESTADO NO CHILE, FAZENDO CONTACTO COM A FAMILIA ” DEL TOQUI “, ONDE É PRODUZIDO UM EXCELENTE – PÍNOT NOIR – 100% – 6 (SEIS) EM BARRICA. MAS A ALEGRIA DE TER UM ESPETACULAR VINHO PRODUZIDO NA AMERICA DO SUL, SE OMBREANDO COM OS MELHORES DA FRANÇA, É MUITO GRANDE. PARABENS EDUARDO CHADWICK, PELO BRINHANTE TRABALHO E PELA ADMIRAÇAO QUE TENHO POR TANTO DENODO, QUE PRECISA TER UM GRANDE ENOLOGO.
    calasans – 55 21 99816345

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