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Arquivo de agosto, 2013

quinta-feira, 15 de agosto de 2013 Blog do vinho, Degustação | 09:30

Como preservar o vinho que sobra na garrafa. Inovação: beba vinho sem tirar a rolha!

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Um dos maiores desafios para os consumidores, desde a invenção da vasilhame e da rolha, é o que fazer para manter as características de um vinho depois de aberta a garrafa – se a alternativa não for entornar todo seu conteúdo, claro. O que nem sempre é um problema, vamos combinar.

Vinho é um produto vivo. E como tal se modifica com o tempo e em determinadas condições. Um vinho exposto ao sol, ao calor ou em contato por longo tempo com o oxigênio sofre alterações em suas características visuais, olfativas e gustativas. No limite vira um vinagrão mesmo, pois oxigênio por longo tempo oxida o vinho. Colocar a rolha de volta – seja de cortiça, sintética ou de rosca – e armazenar na porta da geladeira resolve o problema em parte e por um curto período. Você evita o calor, a mudança de temperatura e poupa o fermentado de contato excessivo com o ar. Mas o ar que ficou entre o vinho e a tampa permanece ali, agindo contra a qualidade do vinho. E cada vez que a garrafa é aberta mais troca de ar é feita.

Leia também: Cortiça, sintética, vidro, alumínio. Várias maneiras de tampar um vinho

Para resolver – ou mitigar – este problema há várias alternativas disponíveis, das mais caras e profissionais às mais acessíveis. Cada uma com um resultado e uma duração diferentes. Uma das soluções mais inovadoras até o momento no entanto, está revolucionando o conceito da preservação atacando diretamente o problema: não é preciso retirar a rolha para beber o vinho, portanto ele não é aberto. Não é magia, é tecnologia. Conheça alguma destas engenhocas e veja como funcionam.

Enomatic – para profissionais

Traquitanas caras e profissionais destinadas a lojas e wine-bars já resolviam em parte a questão do vinho em taça. O equipamento mais conhecido – e instalado em alguns estabelecimentos – é o italiano Enomatic. Trata-se de um investimento caro, restrito a ambientes profissionais, que preserva e mantém pelo uso do nitrogênio as principais características de uma determinada garrafa de vinho por até 21 dias.

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Vacu Vin – fácil de usar e acessível

Uma solução caseira – bem mais acessível – e utilizada também em alguns restaurantes e wine bars é o Vacuum Wine Server, mais conhecido pela marca Vacu Vin. Trata-se de uma bomba de vácuo que puxa o ar de dentro da garrafa aberta através de uma espécie de rolha de borracha própria para a função. A retirada do oxigênio evita a oxidação e prolonga as características da bebida.

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Leia também: O saca-rolhas sumiu! Como abrir sua garrafa de vinho

Winesave – o gás é a solução

Uma nova tendência para manter o vinho é por meio de adição de um gás inerte presente na atmosfera mas que é 2 vezes e meia mais pesado que o oxigênio. Trata-se do argônio, que vem acondicionado em um recipiente com uma válvula e uma pequena mangueira. Ao ser colocado na garrafa aberta, por ser mais pesado o argônio afunda e forma uma barreira entre o vinho e ar impedindo o contato com o oxigênio – o vilão da conservação do vinho – e evitando a oxidação e a perda das características da bebida.

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Coravin – inovador, permite beber o vinho sem abrir a garrafa

Lançado em julho nos Estados Unidos, o sistema Coravin, promete – e aparentemente cumpre – beber pequenas quantidades de uma garrafa preservando o restante do vinho intacto. O sistema invade a garrafa sem danificar nem a rolha e nem a cápsula e extrai a quantidade de vinho desejada, mantendo o líquido em seu interior inalterado e com o mesmo potencial de envelhecimento. É o sonho do vinho em taça em domicílio! Você pode abrir vários rótulos de sua adega, por exemplo. O truque? Não há contato algum de oxigênio com o vinho e a garrafa nem é de fato aberta. Como é possível? Funciona assim

1. O Sistema Coravin é colocado no gargalo da garrafa e enfia um fina agulha oca através da rolha para extrair o vinho, é uma espécie de cateterismo da  garrafa. A espessura do furo é tão discreta que não é necessário retirar a cápsula muito menos a rolha.

2. O interior da garrafa então é pressurizado com gás argônio (o mesmo princípio usado pelo winesave, a diferença é que a garrafa não é aberta). A pressurização da garrafa pelo argônio empurra o vinho para o interior oco da agulha que expele o líquido para a taça

3. Após retirar a quantidade de vinho desejada, o sistema e a agulha são retirados. A rolha se recupera naturalmente. O vinho que resta na garrafa permanece intacto e inalterado, como se jamais tivesse sido aberto, pois não teve contato com o oxigênio em nenhum momento. A operação pode ser repetida quantas vezes for necessário e o vinho preservado por longo tempo.

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Wine Access Technology from Coravin on Vimeo.

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quinta-feira, 8 de agosto de 2013 Blog do vinho | 12:10

O vinho que o papa Francisco bebeu no Brasil foi italiano

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Religião, papa argentino, Jornada Mundial da Juventude e vinho: eis uma mistura que para a turma dos enófilos suscitou uma curiosidade profana. Qual foi o vinho do papa no Brasil?

Os vinhos nacionais, claro, aproveitaram a oportunidade para colocar seus rótulos à disposição do papa Franciso e sua comitiva durante a visita. O Salton Talento 2007, uma mistrura de cabernet sauvignon (60%), merlot (30%) e tannat (10%), da Serra Gaúcha, foi declarado o vinho oficial do papa no Brasil. Um vinho que eu gosto desde sempre, aliás. A Miolo também colocou seus rótulos Lote 43 e RAR Viognier (um belíssimo branco floral e cremoso) para a passagem do sumo pontífice por Aparecida. Até uma vinícola de Jundiaí, Pedro Maziero, teve seus 5 minutos de fama ao ser selecionada como vinho de missa no interior de São Paulo e para uma refeição papal. Como Francisco é argentino comentou-se também que o Angelica Zapata Cabernet Franc estaria entre suas preferências e seria servido. Com tanto vinho assim parece que o papa Francisco não fez outra coisa. Talvez seja até o segredo de sua disposição para enfrentar a maratona da Jornada. Mas o vinho que o atual morador mais famoso do Vaticano bebeu, com certeza, durante sua estada no Rio de Janeiro, foi italiano.

O chef do papa

Toda a estrutura de alimentação, bebidas e serviço ficou sob a responsabilidade da equipe do tradicional restaurante paulistano Terraço Itália. O chef do restaurante, Pasquale Mancini, foi escolhido para preparar as refeições do Papa Francisco e de sua comitiva durante a Jornada Mundial da Juventude. Pasquale teve como orientação a elaboração de cardápios mais tradiconais e sem muita sofisticação, e seguindo a tradição italiana de sequências à mesa: primo piatto, secondo piatto e dolce.

E os vinhos? Segundo os organizadores, os tintos que acompanharam as refeições do papa Francisco foram fornecidos pelo próprio restaurante. Eram os italianíssimos Santa Cristina e o Villa Antinori, ambos produzidos pela tradicional vinícola Antinori, da região da Toscana.

Leia também: O vinho do papa é (ou deveria ser) um bonarda

Conheça os vinhos

São dois clássicos da Toscana e da Antinori, vinhos de preço médio (não é preciso pegar empréstimo no Banco do Vaticano), boa qualidade e sem ostentação. Encontram-se à venda em lojas especilizadas, supermercados e no site da importadora. Enfim, são vinhos acessíveis e prazerosos, com o jeitão da mensagem do papa Francisco, ideal para compartilhar durante uma refeição junto aos amigos

Santa Cristina Rosso 2011

País: Itália, região da Toscana

Produtor: Santa Cristina/Antinori

Uvas: 90% sangiovese, 10% merlot

Importador: Winebrands – R$ 56,00

Como sabem os conhecedores de vinho italiano, seus caldos clamam pela companhia de uma comida, principalmente este clássico Santa Cristina. A acidez da predominante sangiovese  combina muito bem com pratos com molhos, risotos e algumas carnes. É um tinto simples, básico, com aquela fruta leve e presente e um toque sutil da madeira, corpo médio e uma doçura que torna o vinho fácil de beber.

Villa Antinori 2009

País: Itália, região da Toscana Central

Produtor: Antinori

Uvas: 55% sangiovese, 25% cabernet sauvignon, 15% merlot e 5% syrah.

Importador: WineBrands – R$ 111,00

Trata-se de um outro estilo de vinho, um degrau acima, mais moderno e adaptado ao gosto do consumidor. A italianíssima sangiovese divide o palco com uvas internacionais, o que dá um perfil mais global ao vinho, os aromas são mais frutados e a boca mais macia. Os 12 meses que passa em barricas de carvalho francês, americano e húngaro e mais os 8 meses em garrafa  dão a este toscano campeão de vendas um perfil mais amadeirado, um toque de baunilha nos aromas e uma fruta mais madura na boca. Os taninos, aquele palavrão que indica a sensação de adstringência do tinto, são mais suaves e o caldo é mais encorpado.

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013 Novo Mundo, Tintos, Velho Mundo | 10:56

7 sugestões de vinhos tintos de 7 países diferentes para enfrentar uma falta de assunto

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Quando falta inspiração aos cronistas, o tema de suas colunas acaba sendo a própria falta de assunto. “A felicidade é uma suave falta de assunto”, exaltou Rubem Braga, um dos nossos maiores cronistas, no texto A boa manhã, em que narra o fragmento de uma manhã plena. “Chupo uma laranja, e isto me dá prazer. Estou contente. Estou contente da maneira mais simples – porque tomei banho e me sinto limpo, porque meus braços e pernas e pulmões funcionam bem; porque estou começando a ficar com fome e tenho comida quente para comer, água fresca para beber.” (leia a crônica na íntegra aqui).

Um colunista de vinhos quando está sem um tema preciso recorre às garrafas que tomou, afinal é parte de seu dia-a-dia, como o cotidiano descrito por Rubem Braga. Foi esta a ideia que me passou pela cabeça enquanto divagava sobre o que escrever e corria aleatoriamente com os dedos as fotos digitais do celular, e vi passando os rótulos que havia consumido recentemente. Fiquei surpreso com a quantidade de países que iam aparecendo na telinha. Esta é uma vantagem que temos no Brasil. É, o vinho é caro, tem os impostos e tudo mais. Mas ao contrário de grandes produtores de vinho, como Chile, França e Itália, onde a oferta é geralmente limitada ao vinho da região, no Brasil a globalização se manifesta na variedade de garrafas de todo o mundo disponíveis.

Um passeio por um corredor de bebidas de supermercado é uma espécie de ONU do vinho. Os catálogos das grandes importadoras é organizado por países para comportar a enorme variedade de regiões e rótulos de língua estrangeira. Os bancos de dados virtuais, as páginas web de vinho e as redes sociais sobre o tema são uma Babel dos fermentados. É a variedade de terrenos, climas, uvas e produtores que fazem a beleza do vinho e a multiplicidade de estilos. Tem gente que acha complicado – e é. Tem gente que se apaixona pela bebida exatamente pelo leque de opções disponível. As duas constatações são verdadeiras, mas não são excludentes.

Por isso mesmo, voltando ao parágrafo inicial, impulsionado pelos instantâneos dos rótulos arquivados no meu celular revolvi fazer uma seleção globalizada de sete vinhos de sete países diferentes como tema da coluna. E para comprovar a tese da variedade, cada qual tem sua pegada, estilo e preço. Afinal, o mundo do vinho é vinho de todo o mundo. Talvez algum te agrade – ou desperte a curiosidade em prová-lo. Talvez te desagrade, e o campo de comentários é o espaço para criticar a escolha, e propor a sua própria lista. Como diria Rubem Braga “Nenhuma tristeza do mundo nem de meu passado me pega neste momento”.

7 vinhos de 7 países

Brasil – Tuiity

Salton Intenso Merlot

Produtor: Salton

R$ 31,00

A recém-lançada linha Salton Intenso (Malbec/Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Merlot/Tannat, Sauvignon Blanc/Viognier) veio substituir nas gôndolas, para o consumidor final, a Linha Volpi – aquela das bandeirinhas. Na minha opinião, a troca foi para melhor. O Volpi, correto na sua faixa de preço, tinha uma certa atração excessiva pela madeira, que encobria a fruta. A mudança deve ter suas razões mercadológicas e industriais, mas o importante para nós é que trouxe um frescor adicional à linha da Salton. O merlot da linha Intenso é o meu destaque entre seus pares. Macio, uma boa fruta, agradável, fácil de beber. E acessível. Como dizem os brasileiros um “best buy”.

Leia mais: Como escolher o vinho certo para o seu pai

Argentina – Mendoza

Terrazas Reserva Malbec 2011

Produtor: Terrazas de los Andes

R$ 65,00 – Importador: Moët Hennessy do Brasil

É sempre bom retornar a um mesmo vinho várias vezes e confirmar sua constância. O Terrazas está presente nos supermercados, cartas de restaurantes e lojas de vinho. Um blockbuster, mas nem por isso sem qualidades. Quem costuma beber vinho já provou. Este malbec de altitude (1100 metros sobre o nível do mar) é elaborado há 22 anos em terrenos selecionados para extrair o melhor desta uva que virou símbolo de vinho argentino. 2011 foi um ano quente e gerou este malbec de cor escura, aromas iniciais de flores e depois um pouco de coco e um cafezinho se esquecido na taça bastante tempo. Concentrado, bem estruturado, maduro, carnudo com um fruto negro. É um clássico argentino, daqueles que “não tem erro”. Provei outro dia com um steak tartar e mandou bem.

Chile

Antiguas Reservas Cabernet Sauvignon 2010

Produtor: Cousiño Macul

R$ 50,00 – Importador: Santar

Uma vinícola que pertence à mesma família desde 1856 é um espanto. É tão próxima de Santiago que é possível chegar lá de metrô. A Cousiño Macul está na sua sexta geração no comando dos tintos e brancos e mantém uma certa tradição no estilo. O Brasil é seu mercado número 1 de exportação. Tenho de confessar que tenho uma ligação emocional com a vinícola. Foi servido um vinho da Cousiño Macul no meu casamento, que assim como os bons fermentados só melhora com o tempo (leu essa, meu amor?). O Antiguas Reservas existe há mais de 80 anos, sempre de uma seleção dos melhores vinhedos da Cousiño. O que me agrada neste vinho de preço muito razoável é seu estilo clássico, uma mistura de europeu com novo mundo, sem exibicionismos ou madeira excessiva, na medida para revelar sua fruta, os aromas de cerejas e aquele sutil toque de especiarias. Carlos Cousiño, um dos irmãos que toca o negócio, tem formação de filósofo, atua na área da educação, e defende a manutenção do estilo de seus vinhos. Bom papo, além dos bons vinhos me apresentou um clássico poeta chileno: Vicente Huidobro.

Leia mais: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

EUA – Napa Valley

Robert Mondavi Private Selection Cabernet Sauvignon 2001

Produtor: Robert Mondavi/Constellation Brands

R$ 69,00 – Importador: Interfood

A influência de Robert Parker, dos pontos da Wine Spectator e outras czares do vinho criou em certo ambiente refratário ao paladar americano, que estaria mais próximo de um vinho muito alcóolico, doce e potente, com muita madeira. É uma generalização tola. Os Estados Unidos são um mercado enorme, e produzem vinhos finos, elegantes, da mesma maneira que cometem aqueles caldos para quem aprecia mastigar uma madeira e mascar um chiclete em forma de vinho. Robert Mondavi tem uma importância seminal para a vinicultura americana, com ramificações em outras partes do mundo. Hoje em dia a empresa não é mais da família, mas mantém vivo o espírito do autor. Este Private Selection Cabernet Sauvignon é uma linha intermediária, muito correta. O caldo é fermentado tanto em toneis de inox como barricas de carvalho e matura mais 17 meses em carvalho francês (curioso, não?), apenas 15% novos. Além do cabernet sauvignon, entram na mistura 12% de merlot, 4% de cabernet franc e 1% de syrah (não me perguntem a diferença que faz este 1% de syrah…). É um vinho macio, com boa fruta, amplo, gostoso de beber, um toque herbáceo e o tostado da barrica aparece como virtude e não como defeito. Para quem tem curiosidade de provar um Zinfandel, na mesma linha e preço há um Private Selection bastante agradável, frutado e fácil de beber.

Portugal – Alentejo

Chaminé Tinto 2011

Produtor: Cortes de Cima

R$ 70,00 – Importador: Adega Alentejana

O que acontece quando se juntam um dinamarquês, uma americana e um vinhedo no Alentejo? Um bom vinho com uma boa história, ora pois. A adega Cortes de Cima, do casal Hans Kristian Jorgensen (enólogo e viticultor) e Carrie Jorgensen (relações públicas e marketing), produz vinhos de primeira linha no Alentejo, sendo que o topo de linha entrega a origem do enólogo, chama-se Hans Christian Andersen, um 100% syrah. Mas o vinho em foco aqui é outro, é de sua linha mais básica, mas nem por isso menos suculento e perfumado. Trata-se do Chaminé, uma mistura de 50% aragonez, 23% de syrah, 19% de touriga nacional, 4% de alicante bouschet, 2% de cabernet sauvignon e 2% de petit verdot, uma assemblage mezo uvas nativas/mezo internacionais da sempre quente região do Alentejo. O aroma de frutas vermelhas é muito perceptível e agradável, a boca é macia e também frutada. É um vinho jovem, com espírito idem e para ser bebido logo. Agrada fácil e costuma aparecer por aí em ofertas de supermercados.

Leia mais Quinze sugestões para aproveitar melhor o vinho

África do Sul – Stellenbosch & Elgin

Pinot Noir 2011 Reserve

Produtor: The Winery of Good Hope

R$ 78,00 – Importador: Qual Vinho?

O crítico de vinhos John Platter, autor de um guia de vinhos da África do Sul com seu nome (Platter’s South Africn Wines), já me disse em uma entrevista há muitos anos que a pinotage –a uva nativa de lá – não é o melhor daquele país, se bem que me garantem que houve uma bela evolução. Ele indicava outras tintas, como syrah, merlot e a pinot noir. Aqui temos um bom exemplo de um vinho de preço interessante e bastante tipicidade. The Winery of Good Hope atua há 15 anos na região montanhosa de Stellenbosch, e foca sua produção na branca chenin blanc e na tinta pinot noir. São adeptos de uma viticultura mais natural e de mínima interferência na vinificação. Foi a primeira vez que provei o vinho e me conquistou pela pureza, leveza e frutado gostoso, um toque terroso sutil. Li no site da empresa que é elaborado com uvas da variedade pinot noir de dois terrenos diversos: uma região mais quente de montanha e outra próxima de influências de brisas marítimas. Daí deve vir o frescor e a mineralidade que fazem deste vinho novo (é de 2011) uma agradável descoberta.

França – Borgonha

Gevrey-Chambertin 1er Cru Les Cazetiers 2009

Produtor: Louis Jadot

R$ 754,00 (U$ 238,50) – Importador: Mistral

Se você engasgou no preço e pensou “tá de brincadeira, né?” deixa-me explicar. Trata-se de uma joia rara da vinicultura. São apenas 5 barris produzidos por ano. A Borgonha não é para iniciantes, muito menos para quem procura custo benefício. A Borgonha é para quem procura pérolas nos vinhedos, e busca mais que um vinho, uma espécie de elixir da elegância. Este exemplar de Loius Jadot – que tem uma ampla linha de borgonhas, dos mais básicos aos mais inebriantes – vem de vinhedos da própria Domaine (outros rótulos da casa são de uvas compradas). A filosofia de Louis Jadot é deixar o vinho se revelar naturalmente; o estilo é sempre o resultado do lugar. Trata-se de um Pinot Noir em caixa alta e baixa. Um vinho para se conectar com a terra. Rico em aromas de frutas maduras, fino no aroma de rosas, elegante na boca, profundo no final. Os goles provocam uma ampla salivação, que revela a acidez presente. É uma experiência espetacular. Mais uns anos na garrafa deve trazer outros prazeres.

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