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Arquivo de janeiro, 2014

terça-feira, 28 de janeiro de 2014 Brancos, Espumantes, Rosé | 12:19

Beber vinho com este calor? Sim: espumantes, brancos, rosés e tintos leves

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Este é o cenário ideal: vai um vinho para acompanhar?

Este é o cenário ideal: vai um vinho para acompanhar?

 Vamos combinar, com esta canícula que estava fazendo lá fora, um calor de rachar mamona, o vinho não é a primeira idéia de bebida alcoólica que vem à cabeça. É a cerveja estupidamente gelada, a caipirinha de frutas. Não é comum se ouvir por aí: “Estou louco para sair do escritório e bebericar um sauvignon blanc”, ou “meu sonho agora é estar na praia secando uma garrafa de espumante” e nem o delírio mais gay pressupõe uma vontade louca de “me acabar com várias taças de um rosé gelado”.

Mas que saber? Todas as opções acima são pra lá de válidas. E cabe até um tinto nesta lista. São bebidas que cumprem a função de refrescar o dia, provocar acidez na boca, dar uma sensação de fruta ampla e leve, e principalmente acompanhar uma refeição com leveza e elegância ou um bate-papo descontraído com uma bebida idem.

Espumantes, brancos, rosés, tintos: opções é o que não faltam

Espumantes, brancos, rosés, tintos: opções é o que não faltam

Todo verão que estou na praia um hábito que sempre provoca pescoços torcidos e um toque de curiosidade é quando carrego para a areia um baldinho de gelo com uma bela garrafa de espumante nacional. Taças de plástico coloridas no formato correto dão um ar alegre e preservam a espuma. Está preparada a festa! O estampido seco da rolha sendo liberada e aquela espuma que sobe ao ser despejada da garrafa causam uma certa inveja. Alguns olham com muxoxo para sua lata de cerveja de sempre, outros cutucam o parceiro(a) para novidade. Não passa despercebido.

Uma deliciosa lembrança de um período de férias passado em Arraial da Ajuda, no sul da Bahia. Caminhada pela praia, o calor que se imagina. Resolvemos estacionar o esqueleto escaldado em um bar de hotel que oferecia um quiosque coberto e avançando sobre a praia. Pedimos um Chandon que veio triscando, na temperatura certa e conservado em um balde de gelo. Uma porção de iscas de peixe acompanhava a bebida. A felicidade estava repleta de borbulhas e nenhum outra bebida traria maior prazer. O espumante, com certeza, é a opção número 1, 2 e 3 para o verão.

Um belo sauvignon blanc lentamente apreciado, acompanhando o passar do dia, ou como parceiro de um peixe grelhado já é uma boa pedida no mundo dos brancos. Delicado e elegante se for um exemplar do Loire, cítrico e com toque de maracujá, se o rótulo for do Mercosul, ou com um toque de grama, da longínqua Nova Zelândia. Um alvarinho ou albarinho, com sua acidez cortante enfrentando os calores dos trópicos também vai bem. A vignoier, cultivada na frança e no novo mundo, faz uma presença mais floral. Há quem se restabeleça com a torrontés argentina,  indicada para paladares mais doces. No cair da tarde um chardonnay mais mineral da região de chablis, na França, ou orgânicos da região de Casablanca, no Chile, ou mesmo os bons exemplares de Santa Catarina. Para aqueles que preferem um chardonnay mais potente, com notas de frutas tropicais doces, mel, baunilha e toque de madeira, alguns rótulos de Mendoza, na Argentina, dos Estados Unidos, Austrália, de outras regiões do Chile ou da Sicília, na Itália. Os portugueses contribuem com outro branco com mais textura, ideal para peixes mais gordurosos, como o antao vaz.

Os rosés ocupam um lugar de destaque no verão. É refrescante até de olhar. Como já foi escrito aqui, o rosé é o vinho com a cor do por-do-sol. Não precisa dizer mais nada. Gastronômico por definição e charmoso pela coloração é o vinho ideal para aperitivos, almoço na praia, para descontrair o cardápio executivo da cidade que derrete no aslfalto. As opções óbvias da Provence, elegantes e de cor mais discreta, lembrando uma casca de cebola, da região do Rhone, ainda na França, do Chile, um pouco ais frutados e potentes, da Argentina com a mesma pegada. Algumas boas opções nacionais e outras do Alentejo, Portugal, são rosés de climas quentes.

Para finalizar, tintos mais leves, por que não? Conservados em uma temperatura mais elevada – mantenha resfriado num balde com água fresca – cumprem o seu papel. Menos alcoólicos, mais ligeiros, frutados, podem ajudar e enfrentar os dias de sol. O Beaujolais, elaborado coma uva gamay, é a indicação com menor possibilidade de erro. No Brasil o Beaujolais Noveau chega com um preço meio proibitivo, uma pena. Mas alguns Beaujolais Village, da região do Rhone, são possíveis. Duas das grandes produtoras nacionais, a Miolo e a Salton têm em sua linha gamays bem-feitos e honestos. Da Itália, os barberas, com boa acidez, pouca poténcia e muita fruta são indicados também. E por que não abrir um espaço para um excitante pinot noir, que deve ser servido mais fresco, mas não gelado! De cor mais clara e maior elegância é uma uva de diferentes matizes de acordo com sua região. Para o verão, os pinot genéricos da Borgonha, que não assaltam seu bolso, os corretos pinot do Chile, de Casablanca e San Antonio, que estão ficando cada vez mais elegantes, bons exemplares da Patagônia, na Argentina, excelentes exemplares da Nova Zelândia e da África do Sul que também chegam com um preço mais competitivo.

Pensando bem, opção é o que não falta. Não acho que os personagens fictícios do primeiro parágrafo vão trocar a cerveja e a caipirinha pelas alternativas de vinho sugeridas, mas aqueles que sabem experimentar e variar não enfrentarão dificuldades.

E aí, vai um vinho para refrescar neste calor?

 

 

 

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014 Blog do vinho | 13:11

Lojas e sites promovem liquidação de vinhos. Quer pagar quanto?

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É sempre bom pagar mais barato, mas preste atenção na hora de comprar seu vinho na liquidação: há boas ofertas e algumas armadilhas

É sempre bom pagar mais barato, mas preste atenção na hora de comprar seu vinho na liquidação: há boas ofertas e algumas armadilhas

O que você considera um bom desconto em uma liquidação de vinho? 20%, 30% ou só vale a partir de 50%: tudo pela metade do preço! Bom, é tempo de avaliar seus princípios, pois está aberta a temporada de caça ao rótulo com algum desconto.

Se o ano na economia só começa pra valer depois do Carnaval, esta realidade não vale para quem deseja renovar e ampliar sua adega. Tradicionalmente neste período, que vai da primeira quinzena de janeiro até algum momento de fevereiro, as lojas – virtuais e de prateleira – e importadoras baixam os preços de parte de seu catálogo para renovar o estoque, ou até mesmo para se livrar de algum rótulo que será descontinuado. Há de tudo, rótulos especiais, safras menos badaladas, produtores que não encontraram seu público, bons vinhos e até algumas raridades. Quem gosta de vinho fica de olho, pesquisa e acaba encontrando barbadas, oportunidades de adquirir um rótulo diferenciado, ou mesmo comprar em quantidade um vinho do dia-a-dia. Mas fique atento, promoção de um rótulo ou outro toda loja faz o ano inteiro, liquidação, bota-fora ou qualquer coisa semelhante é um conjunto de ofertas mais amplo.

As liquidações:

Abaixo, alguns dos endereços que promovem corte nos preços de seu catálogo. As lojas são na sua maioria em São Paulo, mas boa parte delas oferece vendas online ou por televendas

World Wine – são mais de 250 rótulos com ofertas de até 70% nesta nona edição de seu WorldWineOff. Boa seleção de italianos, portugueses e rótulos de vinhos naturais e biodinâmicos. A França é contemplada este ano com uma seleção especial de 120 rótulos, com destaque para as regiões de Borgonha, Bordeaux, Champagne e Rhône. Nos últimos anos tem se mostrado, de longe, uma das melhores liquidações de vinho em qualidade, variedade e preço. Na loja da Padre João Manoel a promoção fica meio espalhada o que dificulta a escolha. E não se enxergam tantos rótulos em promoção como anunciados. Em cinco lojas (São Paulo Ribeirão Preto e Rio de Janeiro). Até 22 de fevereiro.

Grand Cru – os descontos  vão de 25% a 60% organizados por preço nas páginas do site – é bom salientar que a maioria dos descontos é de 25% e 30%. Há uma seleção variada de vinhos franceses muito caros que ficam apenas caros (mas de tremenda qualidade, o que é sempre um opção de vinho de guarda),  junto a chilenos e argentinos mais acessíveis de boa qualidade. Uma boa dica são os vinhos das produtoras Santa Rita (Chile) e Doña Paula (Argentina) que não serão mais importados pela Grand Cru e estão todos com descontos de 30%. A Grand Cru tem uma rede de afiliadas espalhada por quase todo o país, são mais de 30 endereços de lojas físícas. Todas as lojas fazem parte da promoção. Até 8 de fevereiro.

Vinos & Vinos – no Bota-Fora da importadora, que também tem uma loja física em São Paulo, são mais de 50 rótulos do Chile, França e Itália em oferta. Até dia 7 de fevereiro.

 Expand –ofertas de 20% a 50%. A variedade não é mais tão grande como no passado glorioso, por conta da redução do catálogo da importadora. Talvez a grande vedete aqui sejam os vinhos do mestre chileno Morandé.

MercoVino – São 40 rótulos com descontos. Maior ofertas de italianos, espanhóis e portugueses. Alguns bem pontuados nos guias mais consagrados. Até dia 1 de fevereiro

Vinea – a loja, que tem filiais em São Paulo e Alphaville, promete descontos em mais de 150 rótulos de até 65%. Até dia 15 de fevereiro.

Decanter – Parte da boa seleção da Decanter estará em liquidação na próxima semana na loja de São Paulo. Serão em torno de 200 rótulos, com descontos de 20% a 50%. No site também há descontos de algumas marcas de 40%, 50% e 60%, mas sem relação com o bota-fora. De 28 de janeiro a 1 de fevereiro

Bacco’s – são 100 rótulos de diversos países com descontos que vão de 20% a 40%. Importante: os vinhos em promoção da loja física, em Higienópolis, São Paulo,  não são os mesmos exibidos na página de promoção do site.

Kylix – a pequena e simpática loja que ocupa um casarão na Avenida Angélica, em São Paulo, também promove nos meses de janeiro e fevereiro vinhos com até 40% de desconto, como o bom argentino Crios, da Susana Balbo. Até o final do estoque.

QualVinho? – a importadora dedicada aos vinhos de qualidade da África do Sul também aproveita a onda de liquidações e coloca alguns de seus premiados rótulos com bons descontos, como a linha Oak Valley (o Pinot Noir e o Chardonnay, ambos 2011) e a linha Mullineux Family Wine (Syrah)

Liquidações relâmpago online

Este modelo de liquidação de início de ano ainda faz parte de um, digamos, modelo antigo de negócios. Hoje os sites de ecommerce propiciam uma outra relação com os consumidores onde os descontos podem surgir de várias maneiras: de acordo com o volume adquirido, vinculado ao perfil do cliente, adequado à estação do ano, por meio de compras coletivas, baseado em sua geolocalização e principalmente por um modelo que vem ganhando força que é da oferta relâmpago, onde o produto é exposto com um desconto com um prazo de validade decrescente. Nos Estados Unidos este é um mercado anual de 100 milhões de dólares, que abocanhou mais de 25% da venda online segundo a consultoria da indústria do vinho Vin Tank. O site de ecommerce nacional Epicerie tem este modelo de descontos com prazo de validade decrescente, mas exige o cadastro para conhecer os preços. Alguns sites de importadoras também adotam esta estratégia. O site Sonoma, que procura criar um catálogo mais diferenciado, sempre oferece descontos, mas também é restrito aos associados. O gigante virtual Wine  ainda mantém no ar um saldão de fim de ano e é outro ecommerce de vinhos que trabalha muito bem volume e também busca um modelo de relacionamento com os clientes que barateia o custo dos vinhos para os associados: o clube de vinho. São sites de ecommerce no modelo clube de vinhos também a FastVinhos, Sociedade da Mesa  e Dionísio  entre outros.

Liquidações relâmpago nas lojas físicas

O comprador de vinhos habitual sempre recorre a outro método muito eficaz: a olhadinha. Sempre que estou em um supermercado, loja de vinho ou site de vendas online percorro os olhos atrás de ofertas tentadoras. Alguns supermercados como o Pão de Açúcar fazem ofertas relâmpago de um ou dois dias em unidades diferentes com descontos que às vezes chegam a até 30% do valor da etiqueta. A dica aqui é ficar amigo do responsável pela seção de vinhos do supermercado e ser avisado com alguma antecedência do dia da promoção. O St. Marché também promove corte nos preços dos vinhos de sua importação com alguma frequência. Outras importadoras e lojas sempre oferecem algum produtor ou marca com alguma redução de custos. É sempre bom nunca perder de vista que, por mais rica que seja a história e o sabor de um vinho, trata-se de uma mercadoria, e mercadoria tem de girar e o consumidor tem de buscar sempre a melhor preço.

Sete dicas para se dar bem nas compras

Se você é um desses compradores de liquidação, eu repito aqui (como faço todo ano) seis regras de ouro que podem ajudar a se prevenir de alguma roubada – e ainda acrescento uma sétima dica.

Claro que  parte das dicas exige o contato visual com a garrafa, o que inviabiliza a compra 100% segura online, mas aqui, como em qualquer relação comercial, vale a confiança na loja, no produtor ou no ecommerce de vinho escolhido.

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento. Consequência: o vinho provavelmente estará em processo de oxidação.

2. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada, outro indicativo de problemas na qualidade da bebida.

3. Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos das safras mais antigas – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema. Se a safra do tinto for mais antiga – e principalmente se for um vinho de guarda – é sinal de evolução. Aí depende de seu apreço por vinhos envelhecidos.

4. Fique atento às safras. Tintos mais básicos, e principalmente os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos (há sempre muita desova de rosés nestas promoções…)

5. Não compre por impulso (este conselho devo repetir a mim mesmo). Como a maior parte das ofertas são de safras mais antigas, pergunte ao lojista se trata de um vinho com potencial de guarda (geralmente mais caros), se não for, planeje a compra para consumo rápido, principalmente os brancos.

6. Encontrou um preço de um vinho que é uma barbada, e que pode resolver sua vida no dia-a-dia e vale investir numa caixa? Experimente antes. Se a loja não tiver uma amostra, compre uma garrafa, prove em casa e decida sobre a compra de um maior volume de rótulos com segurança, ou você pode ter 12 garrafas de vinagre muito caro para temperar a salada por todo o ano. Eu fiz isso este ano e me preveni de um desastre.

7. Importante checar com a loja a política de troca dos vinhos em liquidação. Algumas lojas deixam por conta e risco do cliente, outras realizam trocas quando a bebida está pra lá de Marrakesh. Aqui vale a regra de ouro: o que é combinado não é caro.

Bora lá comprar umas garrafas?

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014 Nacionais | 11:10

Espumantes e tintos. Conheça os “vinhos do sertão” de Amores Roubados

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Antonia é um personagem. Isis Valverde é de verdade.Viera Braga é ficção, os vinhos do sertão são reais

Antonia é um personagem. Isis Valverde é de verdade.Viera Braga é ficção, os vinhos do sertão são reais

Ok, todo mundo sabe diferenciar ficção de realidade. Ou não? A Vinícola Vieira Braga não existe, muito menos um sommelier tão intenso quando o personagem de Cauê Reymond. Mas como este Blog do Vinho já havia mostrado no último post, os vinhedos e vinícolas do Vale do Rio São Francisco são de verdade.

A minissérie Amores Roubados criou uma expectativa inicial no mundo do vinho (críticos, produtores, blogueiros e amantes da bebida) que se transformou rapidamente numa visão crítica do roteiro, apontando falhas aqui e ali na descrição dos tintos e espumantes (é divertido entre o pequeno mundinho, mas fora do círculo perde a graça). O vinho, e principalmente a região, é apenas um pano de fundo, e as informações e diálogos têm de servir à história, ajudar na construção dos personagens, e não se intrometer na minissérie como um telecurso de vinho. Trata-se de uma história de amor e traição. O vinho é uma moldura.

 Leia também: Conheça os vinhedos onde foi gravada a minissérie Amores Roubados

Mas mesmo assim, a força que a TV aberta (leia-se Globo) ainda tem no Brasil trouxe à tona os vinhedos e principalmente os vinhos do sertão. “Independentemente da história, a minissérie mostra que no Vale do São Francisco, em pleno sertão, é possível produzir coisas maravilhosas”, defende Ricardo Henriques, enólogo da Vitivinícola Santa Maria, a ViniBrasil, onde foi gravada a série. “Muita gente ainda não faz nem ideia de que aqui se faz vinho”. “Além disso, coloca em destaque o vinho, auxiliando na desmistificação da bebida.”, acrescenta Gabriela Zenatto Jornada, Supervisora de Marketing Institucional e Comunicação da Miolo Wine Group, proprietária da Fazenda Ouro Verde, que produz o Terranova.

 Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos e acessíveis

 Entenda as duas safras por ano do Vale do São Francisco

Muitos entendidos e profissionais estranham um pouco esta história de um vinhedo produzir mais de uma safra ao ano. Quem já frequentou algum curso de vinho ou por curiosidade leu mais a fundo sobre o assunto sabe que existe algo chamado ciclo das vinhas, divido em três fases. No Brasil, e hemisfério sul, funciona assim: há um período de repouso, ou hibernação, que ocorre de abril e julho, quando a planta perde as folhas; de agosto a dezembro a planta começa a crescer e florescer e por fim há a colheita, entre dezembro e março, quando as frutas amadurecem. No hemisfério norte as datas são evidentemente opostas: repouso: dezembro a março; crescimento: abril a julho; elaboração e colheita: agosto a novembro. Mas é uma safra só.

  Leia também: Primeira Estrada: conheça oo vinho fino de Minas Gerais

Mas no Vale do São Francisco a história é outra. O enólogo Ricardo Henriques, que é português (o grupo ViniBrasil é português), explica: “Isto deve-se em grande parte à particularidade do clima do Vale do São Francisco, que se resume de forma genérica às seguintes características: 300 dias de sol por ano, temperatura média alta durante todo o ano (o que permite o contínuo desenvolvimento da planta), pluviosidade muito baixa e água para irrigação abundante graças ao “Velho Chico” (Rio São Francisco) . Todos estes fatores combinados permitem que a planta se desenvolva durante todo o ano, não estando condicionada à sazonalidade como em outras regiões tradicionais no mundo. Quem comanda o ciclo da planta é o homem, através da irrigação e nutrição da parreiras; o que acontece é que como não temos o inverno e suas temperaturas baixas que fazem com que a planta sofra o processo de hibernação, podemos controlar o seu ciclo de repouso – através de estudos sabemos que a videira precisa de repousar apenas cerca de 60 dias para acumular energia que lhe permita efetuar um novo ciclo de produção – sendo que o seu ciclo de desenvolvimento varia de 120 a 150 dias dependendo das castas. O seu ciclo de desenvolvimento tem a mesma duração que têm as videiras em outras regiões produtoras quentes, como é no Alentejo (Portugal), Mendoza (Argentina), Maipo (Chile), Toscana (Itália).”. Resumindo, o truque está na diminuição do tempo de repouso.

Em se plantando, tudo dá

E quais as uvas que melhor se adaptaram a este terroir tropical? Para Ricardo Henrique são: touriga nacional, alicante bouschet, cabernet sauvignon, syrah, aragonês (tintas), viognier, arinto, moscato canelli e fernão pires (brancas). “Elas estão bem preparadas para o clima árido e seco do vale e ao mesmo tempo não perdem a sua frescura durante a maturação, o que resulta em vinhos equilibrados e com bastante potencial”, avalia. Já Gabriela Jornada aposta mais no potencial das uvas brancas: “Constantemente fazemos testes com novas variedades tanto para vinhos quanto para espumantes. Podemos dizer que a família das Moscatéis, uvas brancas aromáticas, se adaptaram muito bem a região

 Leia também: Os 100 primeiros anos da Vinícola Salton

E você, já bebeu um vinho do sertão?

Certo, você já foi convencido que vinhedos no sertão não são uma miragem e até enfrentou um parágrafo para entender como é possível obter mais de uma safra por ano e outro para conhecer as principais uvas. Mas e os vinhos? Afinal, o que distingue os tintos e espumantes do sertão daqueles elaborados em outras regiões do Brasil, em especial no Sul ? Para Gabriela Zenatto Jornada, da Miolo Wine Group, os vinhos da linha Terranova “são mais jovens, frescos e frutados, se comparados aos vinhos mais tradicionais da região sul do Brasil.” Um exemplo desta categoria é o Almadén Syrah. Da linha Rio Sol, da ViniBrasil, os representantes desta ala são os tintos varietais, como o Rio Sol Tempranillo, Syrah e Cabernet Sauvignon.

Ricardo Henriques concorda e acrescenta: “Os espumantes são leves e bastante aromáticos, fugindo do padrão utilizado no sul que se assemelha mais às cavas e champagnes. Os nossos espumantes pretendem ser diferentes, para beber sem complicações”. É o caso do Rio Brut Rosé. O Terranova Moscatel (um espumante de sobremesa de baixo teor alcoólico, elaborado pelo método Asti) é líder de mercado na sua categoria “É a cara do Vale do São Francisco, leve, fresco, frutado e delicadamente doce”, explica Gabriela Jornada.

Mas a região também almeja voos mais altos e mostra todo o seu potencial em ícones tintos, como o Testardi Syrah, eleito o melhor tinto do ano no concurso Top Ten da ExpoVinis 2012, o Paralelo 8 Premium (alicante bouschet, aragonez, cabernet sauvignon, syrah, touriga nacional) e o Vinha Maria Reserva Selecionada (cabernet sauvignon e touriga nacional). São tintos mais potentes, encorpados, resultado de uma maturação da uva mais avançada. Os vinhos passam por estágio em madeira – e deixam isso bem claro no aroma e na boca – e mais um tempo de guarda na garrafa, revelando caldos com bom aroma e boa estrutura.

 Leia também: O merlot brasileiro é o melhor do mundo?

 Os vinhos e os preços*

  • Miolo/Terranova – Fazenda Ouro Verde

Almadén Shiraz: R$ 14,50

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Terranova Brut/ Brut Rosé / Moscatel: R$ 25,00

Testardi

Testardi Syrah: R$ 81,00

  • ViniBrasil/Rio Sol – Vinícola Santa Maria

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Linha Rio Sol Varietais (cabernet sauvignon e syrah, tempranillo, syrah, cabernet sauvignon): R$ 20,00

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Linha espumantes Rio Sol: R$ 25,00

Linha Rio Sol Reserva – R$ 35,00

Linha Rio Sol Winemaker’s Selection (touriga nacional, alicante bouschet, cabernet sauvignon): R$ 45,00

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Linha Vinha Maria Reserva Selecionada: R$ 70,00

Paralelo 8 Premium: R$ 90,00

 * preços praticados na venda online nos sites da empresa em janeiro de 2014

Leia também: Vinho de garrafão ou de mesa. Você já tomou? 

Quer conhecer?

O enoturismo é uma fonte de receita importante para as duas vinícolas e uma oportunidade de divulgação do vinho da região. E também um choque para a maioria dos visitantes, surpresos com uma estrutura de adega e vinhedos em pleno sertão. A ViniBrasil recebe cerca de 500 visitantes por mês, 6.000 ao ano. O maior público é composto de brasileiros de outros estados. A Terranova recebe mais de 20.000 visitantes ao ano.

Ficha

  • Terra Nova/Miolo/Fazenda Ouro Verde

Onde: Fazenda Ouro Verde, BR 235 km 40, Santana do Sobrado s/n Vale do São Francisco. CEP 43700-000. Casa Nova, Bahia

Desde: 2000

Área cultivada: 200 hectares

Produção: 2 milhões de garrafas por ano

Rótulo mais vendido: Terranova Moscatel

Vinho mais bem avaliado pela crítica: Testardi Syrah

Onde encontrar: lojas e supermercados em todo o Brasil

Vendas on-line: site da Miolo 

Enoturismo: página de enoturismo do site

  • Vitivinícola Santa Maria/ViniBrasil/Rio Sol

Onde: Fazenda Planaltino, S/N, Zonal Rural 56395-000. Lagoa Grande, Pernambuco

Desde: 2002

Área cultivada: 200 hectares

Produção: 1,5 milhão de garrafas por ano

Rótulos mais vendidos: Rio Sol Brut Rosé e o vinho tinto Rio Sol Cabernet Sauvignon-Syrah.

Vinho mais bem avaliado pela crítica: Vinho Tinto Vinha Maria Reserva Selecionada

Onde encontrar: lojas e supermercados do Brasil (exceção da Região Norte, onde só existe distribuição no Pará)

Vendas on-line: site da e página oficial do Rio Sol no Facebook 

Enoturismo: Vitivinícola Santa Maria (clique em Enoturismo no menu principal)

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terça-feira, 7 de janeiro de 2014 Nacionais | 21:46

Conheça os vinhedos onde foi gravada a minissérie Amores Roubados

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Isis Valverde (Antonia) e Murilo Benício (Jaime) passeiam pelas vinhas da ficítica Vieira Braga. Ela existe, e fica do Vale do Rio São Francisco

Isis Valverde (Antonia) e Murilo Benício (Jaime) passeiam pelas vinhas da ficítica Vieira Braga. Ela existe, chama-se ViniBrasil e fica do Vale do Rio São Francisco

Uma minissérie nacional da Globo gravada no Nordeste não chega a ser uma novidade. Aquele sotaque mezzo carioca mezzo bainês, sempre motivo de hashtags nas redes sociais, também não é surpresa. Novo é o núcleo da trama girar em torno de uma vinícola encravada no Vale do São Francisco.

Logo no primeiro capítulo parreiras, adegas e vinhos em profusão serviram de cenário para a história que tem como protagonistas Cauã Reymond (Leandro) e Isis Valverde (Antônia). Cauã faz o papel de um sommelier pegador e de raiz; Isis Valverde protagoniza a herdeira da vinícola que foi estudar o tema na Itália. O resto dos personagens gravita em torno do ambiente do vinho e do casal principal e as primeiras cenas e anúncios da TV dão a entender que a maioria do elenco feminino vai degustar o galã principal em algum momento da história.

Pode ser surpresa para muita gente uma vinícola em pleno Nordeste, às margens do Rio São Francisco. Mas este “terroir” especialíssimo do vinho brasileiro, localizado no paralelo 8,5 – completamente fora da zona onde o resto do mundo cultiva vinhedos, também chamado de nova latitude – já tem história. Em 1984 a Vinícola do Vale do São Francisco, que produz os rótulos Botticelli, iniciou a plantação de seus vinhedos no local e apostou no vinho regional. Juntaram-se a ela, anos mais tarde, o grupo Miolo (no ano 2000), que produz espumante Terra Nova, na Fazenda Ouro Verde e a ViniBrasil, que tem no Rio Sol seu maior porta-estandarte do Vale do São Francisco.

Os vinhedos da ViniBrasil: semi-árido, muito sol e irrigacão com as águas do Rio São Francisco. Duas safras por ano.

Os vinhedos da ViniBrasil: semi-árido, muito sol e irrigacão com as águas do Rio São Francisco.

A Globo escolheu como cenário para a fictícia vinícola Vieira Braga a Fazenda Santa Maria, onde o grupo português Global Wines/Dão Sul trabalha a marca ViniBrasil desde 2002 (assim o logo VB que por vezes aparece no fundo da cena não cria um problema de edição). O Rio Sol começou como uma parceria do proprietário da importadora Expand, Otávio Piva de Albuquerque, e este grupo português que é responsável por rótulos consagrados do lado de lá do Atlântico como Quinta do Cabriz, Casa do Santar, Herdade Monte de Cal. Em 2008, Piva saiu do negócio e os portugueses se tornaram os únicos donos da marca.

Localizada às margens do rio São Francisco e com mais de 200 hectares de vinhas onde são plantadas as uvas das castas internacionais como cabernet sauvignon e syrah, e as tipicamente portuguesas como touriga nacional, tinta roriz, tinto cão e vinhão, a ViniBrasil é uma vinícola com características que fazem enólogos e entendidos de todo o mundo reverem seus conceitos. Ali são elaboradas até duas safras e meia por ano, graças à maneira de irrigar os vinhedos (por gotejamento) e ao clima quente e seco e com muitas horas de exposição ao sol.

Seus espumantes são mais leves e fáceis que os concorrentes do sul do país, muitas vezes mais doces também, o mesmo pode-se dizer dos tintos, feitos para consumo rápido e com orientação para o mercado exportador. Mas a região também produz vinhos de mais alta gama, desafiando ainda mais o gosto dos entendidos que têm preconceito pelos vinhos da região.

O Rio Sol Cabernet Sauvignon e Syrah (ViniBrasil) e o Testardi Syrah (Miolo) já foram premiados pelo concurso Top Ten da Expovinis – a megafeira de vinhos anual de São Paulo – como melhores tintos nacionais, respectivamente nos anos de 2008 e 2012. Ou seja, submetidos a júri de especialistas atropelaram concorrentes de maior prestígio e preço.

Degustaçãoi às cegas literal da minissérie Amores Roubados. Agora toda mulherada quer participar de uma... com o Cauã Raymond, é claro

Degustação às cegas (literal) da minissérie Amores Roubados. Agora toda mulherada quer participar de uma… com o Cauã Reymond de sommelier, é claro

Se as cenas dos vinhedos causou alvoroço no mundo do vinho que viu na oportunidade uma maneira de valorização da bebida no país da cerveja os telespectadores talvez estejam mais tentados a experimentar uma degustação às cegas à la Amores Roubados, que deu o que falar.

No primeiro capítulo a degustação às cegas promovida pelo sommelier-pegador foi um tanto literal. Além de esconder o rótulo das garrafas (é só isso a degustação às cegas, ok?) os próprios participantes estavam vendados enquanto eram estimulados a descrever as sensações que o vinho proporcionava. O que abriu espaço para o personagem vivido por Cauã Reymond exercitar seus conhecimentos de textura com a fogosa personagem vivida pela atriz Dira Paes.

Enquanto os especialistas de vinho comemoravam o destaque dado ao tema na minissérie da Globo nas redes sociais, o público feminino preferia salientar em seus comentários as qualidades gustativas de Cauã e começavam a imaginar na rede degustações às cegas com a mesma pegada.

Eu, que participo há anos de degustações às cegas, agora tenho de explicar em casa que não é assim que acontece. Por mais que a minissérie ajude a imagem dos nossos tintos, brancos e espumantes, o vinho na ficção tem sempre um retrogosto diferente, né não?

 

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