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Arquivo de fevereiro, 2014

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 Novo Mundo | 12:48

Você conhece vinho argentino? Um passeio pelas regiões vinícolas da Argentina

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Finca Cruz del Alto

Vinhedos da Finca Cruz del Alto, da Bodega Trivento: malbec legendada e cordilheira ao fundo

 Você toma vinho argentino, não? Deve tomar. 20,21% do vinho importado que entra no Brasil vem do nosso vizinho mais ao sul da América de mesma latitude. No copo, pelo menos, nos entendemos. Mas será que você conhece mesmo o vinho argentino? Você já ouviu falar das regiões de Cafayate, Salta, Patagônia, Vale de Uco, Luján de Cuyo, San Juan ou apenas ouviu falar de Mendoza. Ou nem isso?

A maioria das garrafas que chegam ao Brasil são provenientes da região de Mendoza e San Juan, responsáveis por 90% da produção do país (201,441 hectares de vinhedos, para ser mais preciso). Mas há duas outras regiões que produzem tintos e brancos que merecem ser conhecidas: a distante Patagônia, mais ao sul, e a quase boliviana Salta/Cafayate (pronúncia-se Cafajate), localizada mais ao norte. E você pode se perguntar. E qual a importância deste momento Wikipedia para eu continuar desfrutando meu vinhozinho argentino?

Leia também Qual o melhor vinho argentino? Concurso escolhe os melhores rótulos em diferentes faixas de preço

Bom, conhecimento não ocupa espaço, como dizia minha mãe, e o pai dela. E conhecimento alarga nossa visão das coisas e nos amplia a possibilidade de conhecer novos vinhos da Argentina e talvez entender os já conhecidos. Há uma geração de apreciadores de vinho que se iniciou com tintos argentinos e chilenos, e muitos consumidores que apenas bebem vinhos importados destes países. As razões são conhecidas. O  principal argumento é o preço, obtido graças ao acordo tarifário do Mercosul que dá uma livrada na cara da montanha de impostos que incidem sobre a bebida importada. O outro argumento é que o vinho argentino caiu no gosto do brasileiro.

Sebastian Zuccardi e quinze tipos diferentes de malbecs: "É preciso comunicar o lugar"

Sebastián Zuccardi entre quinze tipos diferentes de malbec: “É preciso comunicar o lugar”

Eu achei que conhecia bastante vinho argentino, afinal sou de uma geração que se iniciou com os mesmos tintos argentinos e chilenos que o resto dos brasileiros apreciam. Mas a visita que fiz recentemente à Argentina mostrou na prática o que parece óbvio. As diversas regiões têm características diferentes que agregam sabores específicos para os vinhos produzidos. Afinal, são quilômetros que separam os terrenos, as diferentes altitudes, os climas e as diversas composições do solo. E mesmo dentro das regiões há estilos diferentes. O jovem enólogo Sebastián Zuccardi é um defensor do terroir argentino e de como ele influencia o sabor de um vinho. Para ele, mais importante que a varietal (tipo de uva) é a zona em que ele é cultivado. “A Argentina precisa comunicar o lugar”, defende. Mas nós costumamos uniformizar: é um malbec argentino. Esta é uma lição da viagem na taça. São diferentes.

Leia também: A Argentina não é só malbec. Mas é malbec também

Isso não significa que todo vinho argentino é bom, que alguns vícios do passado estejam totalmente ultrapassados (como vinhos carregados de madeira, desiquilibrados ou mesmo maquiados para atender expectativas do mercado internacional) ou que não existam verdadeiras zurrapas de preço baixo que são empurradas para o mercado brasileiro. Por isso mesmo um pouco mais de conhecimento ajuda na escolha da garrafa. A visita mostrou um cenário de constante evolução e profissionalismo da indústria, a riqueza das diversas regiões e uma boa estrutura ao enoturismo. Contra as ideias preconcebidas – devido ao sucesso de vendas o tinto argentino merece com frequência um ar de desdém por parte dos especialistas e crítica –  nada melhor que o conhecimento.

Argentina, um raio-X

A Argentina tem um consumo per capita de 25 litros por ano, já foi de 90 litros, imagine só. Para efeito de comparação, no Brasil são 2,0 litros per capita. O país consome cerca de 70% de sua produção e exporta entre 25 a 30%. É o oitavo maior produtor do mundo e também o oitavo país em superfície cultivada (mais de 217.750 hectares). Algumas características comuns influenciam e diferenciam a qualidade dos vinhos:

– altitude elevada dos vinhedos

– baixa fertilidade do solo

– baixo índice pluviométrico

– clima continental (sem influência do mar, do contrário do Chile, por exemplo)

– pureza da água (abastecida pela Cordilheira dos Andes)

– e até uma cultuta interna do vinho, que mantém um mercado interno aquecido.

Leia também: O vinho do papa Francisco é ou deveria ser Bonarda

As variedades tintas representam 52,31% da produção e as brancas 20,89%. São 1301 bodegas fermentando uva e engarrafando vinhos.

Principais uvas por volume de cultivo:

Tintas

Malbec 31,71%

Bonarda 17,42%

CabernetSauvignon 15,15%

Syrah 12,12%

Merlot 5,82%

Tempranillo 5,85%

Sangiovese 1,83%

Pinot Noir 1,76%

Outras 6,53%

 

Brancas

Pedro Gimenez  28,04%

Torrontés Riojano 18, 36%

Chardonnay 15,16%

Chenin 5, 68%

Torrontés Sanjuanino 4,78%

Sauvigon Blanc 5,39%

Semillon 1,97%

Vioginer 0,9%

Outras 18,70%

Vinhedos da Lagarde em XX, Mendoza

Terraço dn casa da Bodega Lagarde, em Luján de Cuyo: vista para as cordilheiras e para os vinhedos

Regiões – Mendoza

Mendoza é uma região que vive da fama de seus vinhedos. Diga lá que cidade do mundo tem vinhedos plantados no estacionamento do aeroporto? O município é tomado por ruas largas e arborizadas e grandes praças. 80% da produção de vinhos da Argentina está concentrada em seus vales, limítrofes à Cordilheira dos Andes. Toda a região que produz vinho é donominada de Cuyo, – engloba Mendoza, San Juan e La Rioja. Cuyo significa, no idioma Huarpe Mikayac. país dos desertos (eu tenho uma tese, estas línguas indígenas tanto na Argentina como no Chile só servem para nomear regiões e rótulos de vinho, dando uma pegada de origem e mistério na coisa toda). E a terra é árida mesmo, o que é bom para o vinhedo, irrigado pela água que desce das geleiras, que é fortemente controlada pelo governo. A propósito, o ideal para a planta, segundo nos explicou Carlos Tizio, gerente geral do Clos de Los Siete, não é o estresse pela escassez de água, mas pelo déficit. Traduzindo, não dê 100% da água que a planta precisa, mas uns 50 a 60%, assim ela busca os demais nutrientes no solo, equilibra seu crescimento e mantém a qualidade das uvas produzidas. Os vinhedos estão em altitudes médias de 1.000 metros acima do nível do mar.

Quase todas as variedades de uva são plantadas aqui. Mendoza ainda se divide em cinco zonas: Norte, Leste, Centro, Sul e Vale de Uco. Luján de Cuyo, localizada no Centro,  é conhecida como a “La Tierra del Malbec” e junto com Maipú é a região vitivinícola mais tradicional de Mendoza. São tintos mais estruturados, com frutas bem maduras, floral, com bom volume em boca e taninos macios. Mas também há produção de bons bonardas e de cabernets sauvignon muito interessantes. O corte bordalês costuma ser usado nos rótulos top de gama. Curioso. Mesmo as vinícolas com grande expressão em malbec quando vão elaborar o seu vinho ícone costumam preferir vinhos de corte. Perguntei a razão para um enólogo que preferiu responder sem ser identificado: “O vinho de corte é um trabalho do enólogo, que pode escolher as melhores variedades produzidas naquele ano em seu vinhedo”. Até aí nenhuma novidade. Mas por que não a malbec 100%, insisti? “Talvez por que  por que a malbec não seja ‘a melhor uva’ argentina, mas sim a que melhor representa o país”. Claro que há rótulos de altíssima gama apenas da varietal malbec, e com exclentes resultados, mas é mais comum encontrar os ícones com a malbec acompanhada de cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc…

As vinícolas mais conhecidas, aquelas que você esbarra no supermercado e na carta dos restaurantes, estão espalhadas pela região. Nomes como Achaval Ferrer, Terrazas, Finca Flichman, Luigi Bosca, Pascual Toso, Lagarde, Salentein, Catena Zapata, Alta Vista, Alto Las Hormigas, Septima, Argento, Escoruhiela Gastón, Clos de los 7, Doña Paula, Dominio del Plata, La Celia, Kaiken, Chamiza, Rutinni, Nieto Senetiner, Navarro Correas, Norton, O Fornier, Pulenta, Ruca Malen, Trapiche, Trivento, Zuccardi. Além desses as menos conhecidas, mas de excelente qualidade,  como DiamAndes, Ricitteli, Casarena, Finca El Origen, Funckenhausen, Bodega Vistalba, Otaviano, Renacer, Serrera Wines, Durigutti e Hacienda del Plata, algumas sem importador no Brasil.

Cuyo é a maior região vitivinícola da América do Sul. Apenas para ilustrar o gigantismo da operação: a Santa Ana, pertencente ao grupo PeñaFlor, conta com mais de 50 enólogos em sua equipe, 1500 rótulos diferentes e produz mais de 150 milhões de litros de vinho por ano – 6 milhões de caixas apenas do rótulo Santa Ana. Um assombro. Aqui etambém stão concentrados grandes investimentos internacionais – é onde Michel Rolland tem seus vinhedos junto com outros seis proprietários franceses, no projeto Clos de los 7.

Quebrada das Conchas

Marte? Velho Oeste ? Não, Quebrada de las Conchas, na Ruta 68, que liga Salta a Cafayate: a força da natureza

Regiões – Salta/Cafayate

Para chegar até a região de Cafayate, onde está concentrada 70% da producão local de vinhos (pouco mais de 2.500 hectares), o viajante pega a sinuosa Ruta 68, passando pela deslumbrante Reserva Natural de Quebrada de las Conchas. É nada mais do que lindo! A natureza esculpiu lentamente, em milhões de anos, formas que lembram bichos, catedrais, castelos e barcos entre as montanhas de rochas que dominam o cenário. As diferentes formações geológicas tingem de verde, marrom, vermelho, branco e suas nuances multicoloridas as montanhas de pedras. É uma prova inquestionável de que o tempo da terra é diferente do tempo dos homens.

150 anos

Planta de 152 anos e ainda produzindo: raridade

Este cenário antecede a visita aos vinhedos de altitude da região de Cafayate. As parreiras estão localizadas entre 1.500 e 3.000 metros sobre o nível do mar (a região vitivinícola mais alta do mundo). A chuva é rara, 200 milímetros por ano. A colheita na região é realizada uma semana antes do que em Mendoza. Os vinhos têm uma ótima acidez e são mais amigáveis. A branca torrontés produz vinhos mais sutis e menos exibidos na região. Os tintos são mais intensos pois o sol, mais próximo pela altitude, faz com que as frutas engrossem as cascas para proteger as sementes, e como se sabe é nas cascas que se concentram aromas, cor e outros elementos dos tintos. Além do malbec vale conhecer seus cabernet sauvignon e cabernet franc. Uma curiosidade para enófilos de carterinha: na Finca de La Merced, na Bodega Etchart, parreiras de 150 anos ainda produzem uvas da variedade criolla e torrontés. Principais bodegas: Colomé, El Esteco, Amalaya, El Porvenir, Etchart, Michel Torino, Tukma, San Pedro de Yacochuya.

 

 

Regiões – Patagônia

É inacreditável imaginar que no meio daquele deserto cresçam plantas que resultem vinhos tão elegantes. Se Salta possui os vinhedos mais altos do mundo, a Patagônia exibe os vinhedos mais ao sul do planeta, no paralelo 39. Ao contrário das regiões de Salta e Mendoza, seus vinhedos estão entre 300 e 500 metros do nível do mar, proporcionando uma maturação mais prolongada das uvas. Em termos quantitativos, é quase um dedal de vinho comparado às outras regiões. A Patagônia é responsável apenas por 1,69% da area vitivinícola da Argentina.

 

Bodega del Desierto: não é apenas uma força de expressão

Bodega del Desierto: deserto não é apenas uma força de expressão

Por conta de suas condicões climáticas, dos ventos frequentes, baixa umidade e ampla diferença térmica entre dia e noite (algo como 20 graus) na época da maturação das uvas, o nível de acidez que se obtém é alto, com permite um bom potencial de guarda. O baixo rendimento dos cachos de uva impõe a produção de vinhos de qualidade. Inicialmente a região ficou marcada pelos pinot noir especiais, muito elegantes, de ótimo final de boca (o exemplo mais conhecido é o Chacra) e por um sauvignon blanc delicado. Mas há um enorme potencial também para um malbec mais fino, sem tanta extração, mais sutil nos aromas e paladar e com uma fruta que enche a boca.  As principais vinícolas são Bodega del Desierto, Familia Schroeder, Humberto Canale, Bodega del Fin del Mundo, NQN, Noemia, Bodegas Chacra

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzidos neste post sobre os vinhos argentinos.

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 Velho Mundo | 19:28

Galvão Bueno também torce para a Itália! Pode isso, Arnaldo?

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Roberto Cipresso e Galvão Bueno no lançamento do Brunello di Montalcino: bem amigos.

Roberto Cipresso e Galvão Bueno no lançamento do Brunello di Montalcino da dupla: bem amigos.

É isso mesmo o que você leu no título. O jornalista e locutor esportivo da TV Globo Galvão Bueno também torce para a Itália! Pelo menos quando o assunto é o vinho… Sua faceta de produtor de vinho nacional já era conhecida. É sócio do Grupo Miolo e proprietário (também com a Miolo) da Bueno Wines, com vinhedos na região do Seival, na Campanha Gaúcha, onde produz os rótulos Bueno Paralelo 31, o Bueno Couvée Prestige, e os Bueno Bellavista Pinot Noir e Sauvigon Blanc.

Nesta terça, dia 25 de fevereiro, uma nova parceria foi apresentada ao mercado, agora com o italiano Roberto Cipresso, que elabora Brunellos di Montalcino na região de mesmo nome na Toscana com o rótulo Bueno-Cipresso. “Eu sempre fui um vendedor. Já vendi de tudo, até enciclopédias. Há 40 anos vendo a emoção no esporte. Agora eu também vendo a paixão pelo vinho”. É o estilo Galvão de ser. E pode apostar que está realizado com o empreendimento.

Leia também: Bem, amigos, agora Galvão Bueno também é vinho

Leia também #enche a taça Galvão 

Roberto Cipresso é proprietário da empresa WineMaking, um estudioso e consultor em vinícolas na Itália e no exterior. Ele é palpiteiro da prestigiada bodega argentina Achaval Ferrer, por exemplo, e em mais sete países. Agora Cipresso incorpora na sua lista de clientes também o cargo de diretor técnico da Bueno Bellavista Estate, no Brasil. “É um projeto de um grande vinho que reúne grandes pessoas”, anunciou Adriano Miolo, diretor da Miolo Wine Group e sócio de Galvão.

Adriano Miolo: sócio de Galvão Bueno no mundo do vinho

Adriano Miolo, sócio de Galvão Bueno, prova o Brunello di Montalcino 2005

Premiadíssimo e reconhecido como um craque de Brunello, Cipresso também produz seus caldos na vinícola Poggio al Sole e La Fiorita, e agora estes rótulos da Bueno-Cipresso. “Sou uma pessoa de sorte. Faço aquilo que eu gosto”, enfatizou com uma taça do seu Riserva nas mãos. “A sangiovese é um ator extraordinário. Espero poder contribuir para sua expressão no vinho”

Um Brunello di Montalcino não é um vinho fácil. É um tinto longevo, de guarda. Obedece regras estritas da sua DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) de envelhecimento e tempo de garrafa antes de ser lançado ao mercado. São dois anos de barrica e dois de garrafa antes de o produtor começar a ver a cor do dinheiro. A uva é a sangiovese grosso e tem no DNA a alma do vinho italiano que é sua acidez natural (que junto do tanino é a fórmula para a longa vida na garrafa). A linha Riserva exige 3 anos de barrica e 3 de garrafa antes de ser lançada no mercado.

Além disso, é um vinho de terroir, o que na concepção de Cipresso obriga que as safras sejam diferentes a cada ano e que o homem, no caso o enólogo (ele próprio), respeite a fruta que a natureza gestou na elaboração do caldo.

É um vinho que não segue muito a tendência internacional de consumo imediato: exige mais tempo ainda de garrafa na adega. Aí sim ele desenvolve e entrega sua melhores notas terrosas, de frutas maduras e aromas balsâmicos e os taninos vão se afinando e amaciando. “São vinhos que estou fazendo para deixar para o meu filho mais novo, o Luca, e para os meus netos”, explicou  Galvão Bueno.

Os vinhos

IMG_2592Neste momento estão sendo lançados três rótulos no mercado. São produzidas 15.000 garrafas ao ano. Destas 5.000 chegaram ao Brasil. Quatro mil dos brunellos das safras 2007 e 2005 e 1.000 da linha riserva. Mais que qualquer avaliação que se possa fazer destes vinhos – são expressivos, bem-feitos e com aquele preço de altíssima gama – existe uma bandeira que é a de uma personalidade como Galvão Bueno atuando como embaixador de um mercado difícil no Brasil que é do vinho. Tanto no vinho nacional como do importado.

  • Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2007

2 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 3 anos de garrafa)

Preço: R$ 350,00

Ainda é bem novo, mais duro, melhor se ficar boiando um pouco na taça. A acidez é mais pronunciada, toque leve balsâmico. Melhor segurar  na adega.

  •  Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2005

2 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 6 anos de garrafa)

Preço: R$ 350,00

Já está mais crescidinho, já é quase um hominho, os taninos mais macios, tem umas ervas pronunciadas, a fruta madura vai evoluindo na taça, tem um toque terroso que sempre me agrada nestes vinhos.

  • Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino Riserva 2004

3 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 6 anos de garrafa)

Preço: não está definido ainda, mas deve girar em torno de R$ 500,00

O Riserva não é produzido em toda safra. Vinho de um ano quente, mostra muitas ervas no nariz, uma fruta madura fina, a acidez está lá bem ampla mas com uma estrutura bem equilibrada. Vai crescendo na taça. Vinho para poucos e para ocasiões raras.

 

 

 

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014 Degustação, Novo Mundo, ViG | 12:50

Qual o melhor vinho argentino? Concurso escolhe os melhores rótulos em diferentes faixas de preços

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18 jurados provaram 650 vinhos e usaram este ficha para escolher os melhores rótulos da Argentina

18 jurados provaram 650 vinhos e usaram este ficha para escolher os melhores rótulos da Argentina

Qual o melhor vinho argentino? Para tentar responder esta questão a Wines of Argentina, entidade que promove o vinho no país, realiza há 8 anos o concurso Argentina Wine Awards (AWA), que distribui medalhas de ouro, prata e bronze e trofeus dos melhores rótulos em várias categorias. É a premiação mais importante dos vinhos da Argentina, comemorada como um Oscar pelos produtores e uma baita ferramenta de marketing e qualificação do vinho – e claro uma oportunidade para vender mais garrafas e destacar os rótulos em outros concursos internacionais, publicações especializadas e incrementar a discussão nas redes sociais. Parafraseando a  vitoriosa campanha de Bill Clinton à presidência dos Estados Unidos: “É a divulgação, estúpido”!

Todos os anos são convidados jurados internacionais de alguma categoria ligada ao mundo do vinho. Isso dá musculatura, credibilidade e repercussão ao evento. Já fizeram parte desta comissão de notáveis, sommeliers, produtores e especialistas. Em 2014 foram os jornalistas especializados de 9 países que beberam e cuspiram mais de 650 amostras para definir as melhores do ano. O slogan explicitava o espírito da coisa, eram os “Heavyweight journalists in the ring”, algo como os jornalistas peso-pesados no ringue. Entre o time dos jurados destaques para o inglês Steven Spurrier (que a propósito não deve mais aguentar concursos, mas leva uma boa grana para abrilhantá-los com sua experiência), o chileno Patricio Tapia, o americano Bruce Schoenfeld, o especialista de Cingapura Tommy Lam, o sommelier sueco Andreas Larson e o chinês Demei Li. O Brasil, importante mercado para os vinhos argentinos, estava representado pelos jornalistas Jorge Lucki, do Valor Econômico, e Suzana Barelli, da revista Menu. Jornalistas e colunistas de vinho de vários países também são convidados para acompanhar a premiação e o seminário que antecede a entrega das medalhas (entre eles este colunista que vos escreve, ver declaração abaixo). Não são bobos estes argentinos…

Leia também: A Argentina não é só malbec. Mas é malbec também

Como funciona o concurso

São doze jurados internacionais e 6 nativos, divididos em seis grupos de três componentes, sempre composto de dois convidados internacionais e um representante argentino. Importante ressaltar que este elemento fã do Maradona e do Messi nunca degusta rótulos que tenha alguma ligação comercial ou tenha sido feito em sua bodega, pois seria fácil reconhecer seu vinho e dar uma forcinha na premiação. São 20 categorias por variedade de uva, e cinco diferentes faixas de preço (em dólar), e finalmente região. É uma divisão importante, pois compara laranja com laranja (no caso uva com uva), pois o maior problema de alguns concursos é colocar no mesmo cesto vinhos de 15 dólares e de mais de 50 dólares e julgar tudo junto. Mas atenção, este não é o preço no Brasil!

Para definir os prêmios mais importantes, chamados de Trophy, os doze jurados se reúnem para experimentar mais uma vez os vinhos condecorados previamente com o ouro e assim definem o campeão dos campeões em cada categoria.

Leia também: O vinho do papa Francisco é ou deveria ser Bonarda

A lista de premiados não é pequena (não são bobos estes argentinos…) Das mais de 650 amostras apenas 50 rótulos não mereceram medalhas. A distribuição de prêmios foi a seguinte: 58 ouros, 256 prata, 276 bronze e finalmente os 12 trophies e os destaques de quatro regiões produtoras (Norte, Mendoza, San Juan e Patagônia). A Argentina trabalha fortemente na divulgação das diferentes regiões vinícolas, algo importante, pois assim como não existe vinho francês, mas de alguma região da França, não existe um vinho argentino, mas uma diversidade de regiões – um tema para desenvolver em um próximo post.

The winer is…

Entre os escolhidos há representantes de várias tendências, dos vinhos orgânicos às marcas tradicionais; dos tintos de muita extração e musculatura às experiências de jovens enólogos que privilegiam a fruta e a inovação. Abaixo, estão os vinhos que levaram um Trophy para chamar de seu e grudar o selo na garrafa. Este colunista teve o privilégio de provar vários destes rótulos no dia seguinte à divulgação dos vencedores e mesmo sem a menor competência para julgar o que já foi julgado por gente muito mais qualificada, escolho as minhas preferências com o ViG (Vinho indicado pelo Gerosa).

Trophies – os melhores vinhos da Argentina segundo a AWA 2014

Espumantes – método tradicional

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Zuccardi Blanc de Blancs 2007- Familia Zuccardi

Importado pela Ravin

Torrontés

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Colomé Torrontés 2013- Bodega Colomé

Importado pela Decanter

 Cabernet franc

selo-vinnho-betofaixa de preço  entre 20.00 e 29.99 dólares

Numina Cabernet Franc 2011- Bodegas Salentein SA

Importado pela Zahil

acima de 50.00 dólares

Andeluna Pasionado Cabernet Franc 2010- Andeluna Cellars Srl

Importado pela World Wine

Cabernet sauvignon

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Bramare Lujan de Cuyo Cabernet Sauvignon 2011-Viña Cobos SA

Importado pela Grand Cru

Malbec

selo-vinnho-beto faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Es Vino Reserve Malbec 2012- Es Vino Wines

Ainda sem importadora no Brasil

faixa de preço entre 20.00  e 29.99 dólares

Alta Vista Terroir Selection Malbec 2011- La Casa del Rey SA- Alta Vista

Importado pela Épice

selo-vinnho-betofaixa de preço entre 30.00  e 49.99 dólares

Vineyard Selection Malbec 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

selo-vinnho-betofaixa de preço acima de 50.00 dólares

Republica del Malbec – Blend de Terroirs 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

Blends de tintos

faixa de preço entre 13.00  e 19.99 dólares

Paz Blend 2012- Finca Las Moras

Importado pela Decanter

 

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Field Blend 2011- Zorzal Wines

Importado pela Grand Cru

selo-vinnho-beto acima de 50.00 dólares

Decero Amano, Remolinos Vineyard 2011- Finca Decero

 

 

Medalhas por região

Mendoza

Lindaflor Malbec 2009, Monteviejo

Norte

selo-vinnho-betoSerie Fincas Notables Malbec 2011, Bodega El Esteco

Importado pela Bruck

 

 

San Juan

Paz Blend 2012, Finca Las Moras

Importado pela Decanter

Patagônia

selo-vinnho-beto Fin Single Vineyard Cabernet Franc 2010, Bodega del Fin Del Mundo

Importado pela Mr Man

 

 

O que dizem os jurados sobre vinho argentino e seu mercado

A AWA convida jurados de vários países também por outros motivos: está ávida por informação dos mercados internacionais e por uma avaliação de seus vinhos de gente que bebe tintos, brancos e espumantes de todas as regiões do mundo. Na Argentina, como em todo país produtor, praticamente só se bebe vinho local (e por um preço de dar inveja a nós brasileiros). Um painel com este time trouxe informações valiosas.

• o chinês Demi Li, enólogo e professor, alertou para a complexidade do mercado de seu país de proporções continentais, com números que sempre iniciam na casa do bilhão de qualquer coisa. Com gente saindo pelo ladrão, e um potencial imenso, recomendou a simplificação da imagem para o consumidor chinês. Por exemplo, recomendou evitar muitos descritivos do vinho. Disse que o conceito de harmonização é algo que passa longe da realidade do consumidor chinês (e de praticamente todo habitante deste planeta, com execeção, talvez,  de você que me lê e dos homens que cospem vinho). Para exemplificar sua tese mostrou um slide com a imagem de uma refeição típica de uma das regiões do país com inúmeros pratos  diferentes e desafiou” “Vocês conseguem propor alguma hormonização com isso”? Outro dado curioso, que desmente a imagem do consumidor que mistura vinho com coca-cola: o chinês não gosta de vinho doce, e aprecia o branco.

• O americano Bruce Schoenfeld, editor de Travel+Leisure,  e colaborador de  publicações, como Wine Spectator, serviu à plateia um chardonnay de Washignton, EUA, e comentou: “Este vinho é ótimo, mas não copiem, nós já temos isso nos Estados Unidos. O melhor vinho não vem do marketing, mas de sua identidade”.

• O brasileiro Jorge Lucki deu um banho de realidade sobre a  atual situação do mercado brasileiro de consumo de vinho apresentando duas visões, o copo meio cheio, que é o potencial de consumo a ser explorado – o consumo per capita de vinho no Brasil ainda é baixo, de 2 litros per capita por ano, contra 25 da Argentina, por exemplo-, o conhecimento de uma pequena elite sobre os vinhos do topo da pirâmide (cada vez mais adiquiridos em viagens ao exterior); e o copo meio vazio, mostrando uma tabela com a carga tributária imensa que eleva o preço do vinho naquele patamar que todos conhecemos bem, ou seja sete vezes mais caro que o valor que ele sai do país de origem, a queda de consumo em restaurantes, e a enorme concorrência com rótulos de todo o mundo. E fez um alerta aos produtores presentes: “Não fechem negócio com importadoras novas e sem experiência”. É, o Brasil não é para amadores!

leia também: Chile e Argentina dominam o mercado de importação de vinhos no Brasil

• O sommelier Andreas Larsson, que além de ostentar o título de melhor sommelier da Europa também colabora para publicações especializadas, pôs o dedo na ferida e condenou a estratégia de apostar somente na varietal malbec como a identidade argentina. “Sem querer tirar o mérito da malbec, provei blends muito mais ricos e importantes”.

• Steven Spurrier nadou contra a corrente dos críticos que reclamam muito dos vinhos alcoólicos. Para ele assim como na Califórnia, o álcool elevado é uma característica do vinho argentino: “Não me preocupo com o álcool. O equilíbrio do vinho é que é o fundamental”

• Na explanação mais midiiatica e animadinha do dia, o representante de Cingapura Tommy Lam, que combina um coque beatnik no cabelo com um terno e gravata formal, levantou a bola da branca nativa torrontés como o vinho ideal para a comida asiática e com um identidade que deveria ser melhor trabalhada  pelos produtores assim como faz a riesling alemã.

Cabernet Franc

Uma unanimidade entre os paladares dos jurados ali reunidos: a uva cabernet franc surpreendeu por sua qualidade. Patricio Tapia, editor do importante guia Descorchados de vinhos do Chile e Argentina foi mais explícito: “Prestem atenção. Algo se passa com a cabernet franc da Argentina!” Esta variedade recebeu a medalha virtual “aposta do futuro”, se existisse esta categoria, Opinião que este vos escreve assina  embaixo (escreverei um post sobre o assunto em breve, comentando os cabernet franc degustados. Não morram de catapora de ansiedade!).

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzidos neste post sobre os vinhos argentinos.

 

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