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Arquivo de agosto, 2014

segunda-feira, 4 de agosto de 2014 Velho Mundo | 11:56

Parente é serpente: a briga em família pelo Vega-Sicilia

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O Vega-Sicilia, mítico tinto da Ribera del Duero, está mais para Sicília do que para Vega. A família se encontra em litígio. E por conta de um problema de sucessão familiar na empresa até o evento que comemorou os 150 anos da Bodega ficou um tanto eclipsado. A história, que tem todos os ingredientes que alimentam as fofocas na imprensa coloca em lados opostos o patriarca da holding, David Alvarez, de 87 anos, que controla os negócios da família, e cinco dos sete filhos. Entre eles Pablo Alvarez, um senhor com cara de poucos amigos que batalha com o pai pelo controle do Vega Sicilia. A disputa, diz a imprensa espanhola, foi deflagrada após o terceiro casamento – o segundo com uma secretaria da empresa – do patriarca. Da série parente é serpente, Pablo sugere que o pai esteja sofrendo as instabilidades da idade: “Acredito que este é um processo que ocorre com muitos idosos, que depois de deixar seu papel executivo retornam a ele”.

Pablo Alvarez e o ator da família Soprano:

Pablo Alvarez e o ator da família Soprano:

(abre parênteses)

Quando esteve no Brasil, em julho de 2008, Pablo Alvarez me chamou atenção por uma semelhança com o ator já falecido James Gandolfine, que interpreta Tony Soprano, o chefe mafioso em crise da série de TV Família Soprano. A vida imita a arte? Na época escrevi:

Pablo Alvarez é um empresário calado e tímido, é o antimarketing em pessoa. Ao contrário da maioria dos produtores e enólogos, que pousam por aqui munidos de apresentações em power point, catálogos caprichados e discursos irritantemente didáticos (e não há mais quem aguente o batido discurso de que “não se faz bom vinho com uva ruim”), Don Pablo parece implorar para não ser instado a falar. Inundado de perguntas, suas respostas são curtas e diretas. Uma definição para o Vega-Sicília Único? Elegância. Qual o melhor dos seus vinhos? O melhor ainda está para ser feito.

(fecha parênteses)

Um dos homens mais ricos da Espanha, David Alvarez adquiriu a Bodega Vega-Sicilia em 1982 (a vinícola foi fundada em 1864) e colocou Pablo para cuidar do negócio. Ele mesmo declara em entrevista ao jornal The New York Times: “Meu pai comprou a Vega-Sicilia por que era a vinícola mais prestigiosa que havia na Espanha. Não fosse isso eu jamais teria entrado no mundo do vinho”. O profissionalismo que a família impôs à empresa é responsável por seu sucesso comercial ao redor do mundo. Um produto especial com uma estratégia comercial exemplar, mesmo com preços pouco amigáveis – o mais barato sai por 419 doletas, ver abaixo. A empresa exporta mais da metade de sua produção para mais de 11o países, entre eles o Brasil.

O Vega-Sicilia – um vinho para poucos – tem uma legião de seguidores no mundo, como os atores Kurt Russel e a atriz Goldie Hawn. O mais famoso aqui no Brasil é o Rei Roberto Carlos. É unanimidade entre os críticos. Para o inglês Michael Broadbent trata-se do “Lafite da Espanha”, Parker deu 99 pontos para as safras 1991, 1994 e 1998 do Vega-Sicilia Reserva Especial.

Vega Sicilia02

O Vega-Sicilia é uma instituição, um vinho de muita expressão, potência, elegância e longevidade. Seus disputados rótulos, no centro da discórdia, são os seguintes:

  • Vega-Sicilia Valbuena 5º Año Reserva 2006 (180.000 garrafas/ano – U$ 415);
  • Vega-Sicilia Único Gran Reserva 2003 (80 a 110.000 garrafas/ano – U$ 989),
  • Vega Sicilia e Único Reserva Especial (U$ 1066)

Todos os vinhos fazem parte do catálogo da Mistral (preço em dólar do dia).

Site oficial: http://www.vega-sicilia.com/

 

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sexta-feira, 1 de agosto de 2014 Blog do vinho | 00:20

10 motivos para tomar vinho no inverno – e 10 vinhos para tornar o inverno mais quente

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vinho-lareira

 E o frio chegou com tudo! Quem resiste a um vinhozinho com um tempo desses? Se você é do tipo  que precisa de alguma desculpa para isso, este blog  dá um empurrãozinho e lista 10 motivos para tomar vinho no inverno – acompanhado de dez dicas de rótulos:

1. O inverno é uma ótima ocasião para beber sem culpa aqueles vinhos potentes, escuros, complexos, com boa passagem na madeira, quase mastigáveis,  com aquela fruta em compota, intenso e longo. E sem ter de se justificar para aquele amigo esnobe que só aprecia tintos leves e orgânicos do velho mundo e torce o nariz para o topo de linha do novo mundo.

 

  • Cousino Macul – Lota Reserva Especial 2007 – para iniciar as dicas de inverno um peso-pesado (até o peso de sua garrafa é excessivo) da vinicultura chilena. Da tradicional família Cousino (150 anos de vinhos), um tintão que reúne potência e complexidade, frutas negras, e aquele não sei o quê de baunilha -16 meses descansando em barricas de carvalho e 18 meses na garrafa. Vinhão de respeito. Para arrebentar neste inverno. E namorar o fundo da taça. Importador: Santar

Leia também: Seis safras de três décadasa de um supervinho chileno: Don Melchor

2. Apreciar seu tinto na temperatura mais adequada. Você nem precisa ter uma adega climatizada em casa. Basta se livrar da cápsula, retirar a rolha e despejar o néctar na taça. Se precisar de um choque rápido de temperatura, deixe a garrafa do lado de fora da janela.

 

  • Finca las Moras – Gran Shiraz 3 Valleys 2009 – este encantador shiraz de três diferentes vales de uma região menos conhecida da Argentina, San Juan, é poderoso, longo, com uma fruta envolvente e especiarias. Para quem acha que Argentina só produz bons malbecs, este shiraz pode ser uma bela experiência invernal. Importador: Decanter

Leia também: 50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer

 3. Chamar os amigos em casa para tomar uma garrafa de vinho e brindar a amizade – cada um traz a sua e todos compartilham a bebida.

 

  • Vallontano – Masi – Oriundi 2011 –  uma amizade também uniu a Itália e o Brasil nesta experiência de um vinho elaborado na Serra Gaúcha com a técnica do Vêneto, na Itália, de apassimento das uvas, a mesma usada nos amarones. As uvas são secas em caixas abertas e só depois passam para a fermentação. Este exemplar de terroir brasileiro e alma italiana é feito com as uvas tannat (70%), teroldego (15%), e vinhas velhas de corvina, recantina e turqueta (10%) e ancelotta (5%) – algumas delas bem desconhecidas e redescobertas nos vinhedos gaúchos. Se o vinho brilha na sua execução correta e num sabor que encanta, peca na pretensão do marketing, ao disputar o título de melhor vinho brasileiro. Pra quê, né? Basta ser bom e agradar. E agrada. Importador: Mistral

Leia também: Angelo Gaja, o porta-voz do vinho italiano de qualidade

4. Apreciar comidas pesadas, molhos densos e pratos elaborados, parceiros ideais para vinhos mais potentes. Clássico da harmonização, a compatibilidade por peso pode ser colocada à prova: pratos pesados pedem vinhos idem.

 

  •  Casa Ferreirinha- Vinha Grande 2010 – um clássico do Douro (Portugal), de uma vinícola clássica, elaborado só em safras excepcionais. Tradicional na seleção das uvas nos brinda com porções de touriga nacional, touriga francesa, tinta barroca e tinta Roriz. No nariz tem aquelas frutas maduras, a madeira está bem integrada ao caldo, e um final bem legal completam suas qualidades. Um vinho que cresce muito com o passar dos anos. Numa prova horizontal, de várias safras, de 1996 a 2010, os melhores rótulos foram os dos anos 2000 e 2007; de características diferentes, mostraram como o tempo beneficia os mais antigos e na entrada reforça a exuberância da fruta dos mais novos. Importador: Zahil

Leia também: 50 grandes vinhos de Portugal e algumas escolhas pessoais

5. Carne & vinho & lenha & brasa. Quer combinação mais adequada para uma noite ideal de inverno? Cenário de revista de decoração, foto que ilustra este poat. Não é à toa. Existe harmonização de ambiente também e o vinho é o toque de classe.

 

  • Dal Pizzol – Dal Pizzol 40 Anos –para celebrar seus quarenta anos a vinícola brasileira Dal Pizzol produziu 3.520 garrafas de um lote único de um assemblage de quatro variedades da safra de 2012: merlot (40%), cabernet sauvignon (30%), tannat (15%) e nebbiolo (15%). A Dal Pizzol tem uma identidade no sabor e nos aromas de seus vinhos, uma espécie de impressão digital de seus caldos que revelam a autoria. Neste exemplar premium e comemorativo, a mescla das uvas rende um vinho potente, com boas frutas, um toque de couro, terroso e uma carga boa de concentração tânica. Vinícola: Dal Pizzol

Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos  e acessíveis 

 6. Viver – ou reviver – uma noite romântica. Ninguém nega: o vinho é uma bebida sedutora. Abra uma bela garrafa em casa e a vida se transforma. Já as chances de um convite para um vinho no inverno ser aceita é proporcionalmente maior do que no verão. E melhor, não soa falso, afinal… inverno, um vinhozinho, quem resiste?

 

  • Bueno-Cipresso – Brunello de Montalcino 2007 – um tinto maduro e com taninos bem acentuados. Um clássico com 100% da uva sangiovese grosso, sob a batuta do enólogo Roberto Cipresso, em parceria com ele mesmo, Galvão Bueno, que é sócio desta produção da região de Montalcino, na Toscana. E se é para seduzir, nada com um vinho italiano. E se no Oriundi (acima)  temos um italiano em terras gaúchas aqui temos a assinatura de um brasileiro em terras da Toscana. Importadora: Bueno Wines

Leia também: Galvão Bueno também torce para a Itália, pode isso Arnaldo?

7. Vinhos fortificados e doces são ótimas companhias de entrada e de saída nas refeições no inverno. E companhia da noite inteira do bom papo. E para quem aprecia, do charuto.

 

  •  Nederburg Winemaster’s Reserve Noble Late Harvest 2011. Um porto,  um  Twany, com aqueles aromas evoluídos, e untuosidade, classudo, talvez seja a sugestão mais óbvia. Mas um colheita tardia (que é a traducão de Late Harvest) da África do Sul tem lá o seu charme. É um vinho de sobremesa bastante doce (220 gramas por litro), mas com uma acidez que segura este melaço todo. As uvas brancas chenin blanc (60%), weisser riesling (27%) e muscat (13%) são colhidas tardiamente, próximo do estado de uva passa, ou seja com maior concentração de açúcar natural. Linda cor dourada, muito aromático, flores, abacaxi em compota, mel. Importador: Casa Flora.

Leia também: Conheça os vários tipos de vinhos do Porto

 8. É tempo de aproveitar as ofertas da estação. O inverno é o Natal do comércio de vinhos. As vendas aumentam, as ofertas pipocam para todo lado e os supermercados atraem seus clientes com ofertas de vinhos do dia a dia e de preço médio. Afinal, vinho todo dia requer planejamento financeiro, para completar o mês.

 

  • Luis Felipe Edwards – Family Selection Gran Reserva Carmenère 2012 –  alguns dos tintos indicados aqui são para ocasiões especiais e carteiras mais forradas. Tradução, não são muito baratos. Mas há aquelas que são chamados de boa relação custo-qualidade. Este Luis Felipe Edwards Gran Reserve – encontrado exclusivamente na rede Pão de Açúcar – é um tinto correto, com passagem de 12 meses em barricas (dá para notar), com corpo médio, muita fruta na boca e no nariz e especiarias. Fácil de gostar e bem feito como toda linha Luis Felipe.

Leia também: O dia em que a carmenère avinagrou a tempranillo

 9. Aproveitar a hora do almoço para tomar uma tacinha. Taí sua chance, e não é algo que cause espanto!  Principalmente nestes tediosos tempos politicamente corretos – onde os sucos naturais ganham as mesas nos almoços executivos (argh!). Nem o seu chefe vai fazer cara de reprovação.

 

  •  Bodega Septima – Septima Gran Reserva 2009 – ok, vamos nos render também à malbec argentina, mas tanto melhor se vier misturada a pitadas de outras variedades. Este tinto perfumado, encorpado, com frutas em compota deliciosas, vai melhorando na taça e chega até um chocolate e café no fundo da taça. A malbec (55%) vem das regiões de Altamira e Luján de Cuyo, e a cabernet sauvignon (35%) e tannat (10%) de Luján de Cuyo. Ótima companhia para um grelhado. Importador: Interfood

Leia também: Você conhece vinho argentino? Um passeio pelas regiões vinícolas da Argentina 

 10. Mandar a dieta paras as favas. Por que vamos combinar que fazer dieta no inverno é a treva, e o vinho vira um parceiro infalível e sem culpa de ser feliz.

 

  •  Solera 1847 Jerez Oloroso – como o inverno dá mais oportunidades ter um vinho como companhia, por que não sair do lugar comum e provar rótulos diferenciados e pouco comuns, como um Jerez? Há várias estilos de Jerez, do seco e salgado ao doce. Este se encaixa neste último estilo, um Jerez fortificado (tem adição de aguardente vínica) elaborado com as uvas palomino fino (70%) e pedro ximénez (25%). Ideal para acompanhar doces e chocolates, é um vinho doce, denso, caudaloso e com bom final. E que se dane o regine. Importador: Inovinni

Leia também: Bacalhau e vinho: tinto ou branco?

Fala a verdade, você precisa mesmo de dez motivos para desarolhar um vinho neste – e em outros – invernos? Se sim, e nenhum das razões listadas acima te convence, invente a sua desculpa.

 

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