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quinta-feira, 23 de outubro de 2014 Brancos, Novo Mundo, Tintos | 12:53

O novo vinho chileno da De Martino: mais gastronômico, mais leve, mais natural

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Vinhedos orgânicos da De Martino no Maule. "Os vinhedos são lindos, mas o que importa é o solo", diz o enólogo Marcelo Retamar

Vinhedos orgânicos da De Martino no Maule. “Os vinhedos são lindos, mas o que importa é o solo”, diz o enólogo Marcelo Retamal

Um espectro ronda o Chile, o espectro da reinvenção do vinho chileno. Aquele tinto amadeirado, carnudo, alcoólico e com uma geleia doce que eleva qualquer curva glicêmica tem seus dias contados. Pelo menos na visão da De Martino, uma bodega familiar que completa 80 anos com disposição de mudança de um adolescente. “Definimos a partir de 2010 produzir vinhos mais gastronômicos, com maior acidez, que deem prazer de beber”, pontifica o enólogo Marcelo Retamal. “E que expressem os nossos vinhedos”.

Saem de cena as barricas de primeiro uso, o tostado excessivo, as leveduras de prateleiras, os aditivos químicos, ou seja, todos os componentes artificiais que deixam todos os vinhos parecidos.

Entram no jogo os princípios da agricultura orgânica, uso de leveduras indígenas (naturais do lugar), as barricas usadas e maiores. “A madeira não é ruim , mas não pode ser norma. Tem de saber manejá-la”, explica. “Tonéis de 5 mil e 2,5 mil litros são 22 vezes maior que um barril pequeno e impacta 22 vezes menos o vinho.” Resultado: vinhos frescos, nervosos, mais fáceis de beber, com maior expressão da fruta e “diferentes”. “Este é o estilo que queremos”, aponta Retamal. Antes, explica ele, o vinho era construído do nariz para a boca, ou seja dava-se muito importância aos aromas. “Hoje, quero saber como fazer a boca, afinal o vinho é feito para beber, o nariz é uma consequência.”

Os vinhedos da De Martino são orgânicos desde 1988 e o trabalho é feito de forma sustentável, a vinícola exibe todos os certificados de agricultura orgânica e redução de emissão de carbono. Sorte ou não, a partir da decisão de um estilo com menor intervenção, mais pureza e uma busca às origens, veio a safra de 2011, considerada excepcional no Chile. Os oito rótulos que são uma espécie porta-bandeiras desta proposta são de vinhedos únicos (single vineyard) espalhados em seis diferentes vales chilenos e com características próprias. “Os vinhedos são todos lindos, mas tem de olhar para baixo, é o solo, e sua composição que determina qual a uva mais apropriada e as características que vai aportar qualidades ao vinho”

Os vinhos que representam os single vineyards são: Quebrada Seca, Chardonnay (Limari), Parcela 5 Sauvignon Blanc (Casablanca) – vinhos da Costa, com influência marítima; Carmenère Alto de Piedras e Las Águilas Cabernet Sauvigon (Maipo); Las Cruces (Cachapoal), Limávida (Maule); Vigno Carignan (Maule) – vinhedos antigos; e Alto Los Toros (Elqui) – vinhos de altura

Três vinhos que valem a pena conhecer

quebradaseca

Quebrada Seca Chardonnay 2011
Limarí
100% chardonnay
R$ 131,00
Importador: Decanter

Cansado daqueles chardonnays superuntuosos, com tanta manteiga que dá para passar no pão? Seus problemas se acabaram-se! Este exemplar do novo estilo da De Martino de solos vulcânicos e distante 25 quilômetros do oceano Pacífico, com muitos componentes calcários, prima pela frescura, pela mineralidade, uma doçura leve e um longo final de boca, que também revela um toque salgado.

limavida

Limávida 2011
Maule
85% malbec, 15% carmenère e cabernet sauvignon
R$ 131,00
Importador: Decanter

O meu vinho preferido entre os oito apresentados. Os vinhedos, plantados em 1945, mantêm a característica de uma época em que as uvas eram cultivadas juntas e misturadas. Boa entrada, fruta fresca, boca bastante delicada e limpa, boa acidez, taninos macios. Tem madeira sim, fica dois anos em barricas francesas, mas usadas, que faz seu trabalho sem atravessar o vinho.

vigno

Vigno Carignan 2011
Maule
85% carignan, 15% malbec e cinsault
R$ 131,00
Importador: Decanter

Também de vinhas velhas, estas de 1955, este é um vinho que busca recuperar o prestígio da carignan, ligado à Associação dos Produtores de Carignan do Maule, que mostra ótimos resultados no Chile. É o estilo de vinho que os especialistas costumam rotular de mediterrâneo, com uma acidez cortante, fresco e com notas bacanas de especiarias. Acho que é um ótimo exemplo da pegada gastronômica do novo estilo da De Martino. Foi o vinho chileno com maior pontuação do Guia Parker, 95 pontos.

Falando nisso, se a minha opinião não tem lá muito peso, vamos aos peso-pesados. A crítica especializada tirou o chapéu para os vinhos. Todos os seis rótulos receberam pontuação acima de 94 pontos do mais importante Guia de Vinhos do Chile e Argentina, o Descorchados, merecendo o título de “Marca Revelação do Ano”. Também mereceram notas acima de 90 pontos do Guia de Robert Parker. “Uma revolução está acontecendo na De Martino, desde a safra 2011”, alerta o colaborador de Parker, Luis Gutierrez. É, companheiros. Tudo que é sólido se desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado.

E o consumidor? “O consumidor também está mudando e se voltando a este estilo de vinho e não apenas aquele alcoólico, com madeira excessiva”, aposta Retamar, afinal há que se vender as garrafas. Para finalizar, contextualiza seu papel nesta mudança: “O estilo é o que é importante, é o que fica. Os enólogos são passageiros, assim como na Fórmula 1.  Os pilotos mudam, uma hora é o Schumacher, outra o Alonso. O que importa é a Ferrari”.

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1 comentário | Comentar

  1. 11 Danley Freitas 29/10/2014 9:26

    Bom dia Srs, tudo bem?

    Primeiro gostaria de parabenizar a todos pela sessão de vinhos, é simplesmente sensacional!

    Gostaria de saber o e-mail do Sr Beto Gerosa,

    Onde posso consegui-lo?

    Muito obrigado

    Responder
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