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Arquivo de agosto, 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016 Blog do vinho, Brancos, Tintos | 00:01

Como escolher o vinho certo para o seu pai

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Família feliz de pais que curtem vinho…

Presentear os pais em seu dia é uma tarefa um pouco mais complicada do que, por exemplo, escolher um agrado para as mães. Quando o segundo domingo de agosto se aproxima sempre surge a dúvida: o que dar para o meu pai? Camisa, gravata, pijama? Socorro! Que tal um vinho? Uma garrafa de vinho é o presente curinga. É um produto com algum toque de sofisticação, um objeto de desejo em alguns casos, um desejo de consumo em outros e no geral causa uma boa impressão tanto em quem sabe a diferença entre um cabernet sauvignon e um merlot como naqueles que se aproximam de uma garrafa do fermentado apenas em ocasiões especiais.

Decidido o presente, vem o segundo passo. Qual vinho comprar para o progenitor em seu dia? Aí a rolha torce o gargalo. São centenas de rótulos, variedades e preços. Como acertar no vinho? Gosto é um sentido muito particular, é resultado do meio que se vive, de experiências gastronômicas, de conhecimento, e de um elemento mais subjetivo ainda, aquela associação entre o paladar e a memória. A escolha de um presente vem acompanhada também de um problema que afeta todos nós neste momento de crise financeira: a grana disponível para gastar no mimo.

Se você conhece o gosto do seu pai, a escolha é fácil, basta escolher a garrafa  na sua loja de confiança ou site preferido. Se não conhece seu gosto, você pode optar por uma solução diferente: escolher o vinho pelo tipo de experiência que seu pai tem com a bebida, ou mesmo baseado no momento atual de sua vida. O Blog do Vinho selecionou alguns perfis de pais possíveis e vai tentar te ajudar nesta tarefa: agradar seu velho.

Para o pai que raramente bebe vinho

Aqui o elemento surpresa e de introdução ao vinho é o diferencial. Ele pode até estranhar a escolha (“Não tinha uísque onde você comprou esta garrafa?”, ele pode pensar). Mas o objetivo é este mesmo, introduzi-lo ao universo dos tintos e brancos. Portanto, não vale a pena gastar muito dinheiro em um rótulo bacana, pois o seu pai não vai perceber a diferença entre um vinho premiado e outro do dia-a-dia. Talvez até prefira o segundo ao primeiro. A dica é escolher mais de um rótulo de até 40 reais de vinícolas nacionais, chilenas, argentinas, portuguesas  fáceis de encontrar em supermercados e em sites de compras. A propósito, com esta crise muitos rótulos entram em oferta próxima a estas datas e vale a pena ficar de olho. Vá de cabernet sauvignon chileno, malbec argentino, merlot nacional. Nestas condições você entrega no mínimo duas, três garrafas de presente. Se ele gostar da brincadeira e o vinho se tornar um hábito, no ano que vem você terá de consultar a sugestão seguinte…

Para o pai que é um bebedor eventual

Seu pai já curte uma garrafa aos domingos, ou com os amigos, mas sempre com aquele argumento de que gosta, mas não entende de vinhos. Aqui vale subir um pouco a régua de valor e qualidade, os mesmos brasileiros, chilenos, argentinos e portugueses (os rótulos mais consumidos no país). É fácil reconhecer, no geral eles têm um selo de reserva, informam no contra-rótulo um estágio em barricas. E o preço médio fica entre 60 e 80 reais. Se possível, tente descobrir algum rótulo que ele já provou e tem boas lembranças, para firmar um hábito.

Para o  pai que está começando a se interessar por vinhos

Seu pai já não é mais um principiante, lê revistas e livros sobre vinho e quem sabe é até leitor deste blog. Pode estar no limite entre o esnobismo (do tipo eu sei tudo) e o amadorismo (gira até copo de água), mas está evoluindo na percepção do gosto e descobrindo novidades Este é o presente que ele espera do seu filho, até como reconhecimento desta sua nova habilidade. Se o seu pai já tem uma adega, consulte os rótulos armazenados, eles podem dar uma dica de suas preferências. Outra saída é procurar algo diversificado, que aumente sua qualificação de  degustador de vinhos, como por exemplo um rótulo do Líbano, uma região menos conhecida da Espanha, como o Priorato, um branco na Eslovênia, ou um vinho laranja, que virou uma certa “modinha” entre os conhecedores nos últimos tempos. Outra opção é escolher um vinho de uma região menos óbvia de um país mais conhecido, como Salta e Patagônia, na Argentina.  Não é difícil achar estes rótulos nos sites e lojas de boas importadoras como Mistral, Decanter, WordWine, Inovini, Grand Cru, Vinci

Para o pai que é especialista

Aqui temos um problema. Todo mundo tem sempre a mesma ideia, afinal papai é um enófilo juramentado, capaz de distinguir um vinho pelo aroma, que reconhece a região pelo rótulo e é capaz de recitar de cor as principais cepas de cada país. Ou seja, para o resto da família papai é um enochato e presentear com uma garrafa pode significar se arriscar em terreno minado. Se você tem dinheiro disponível, a solução é fácil, vá até uma boa loja multimarcas ou sites de importadoras e procure aqueles rótulos com boa pontuação de Robert Parker, Wine Spectator, Gambero Rosso, Decanter etc e aí não tem muito erro (a não ser que ele seja daquele tipo off Broadway, que detesta os críticos de vinho famosões). Se a grana está curta, um conselho, esqueça o vinho e parta para um produto relacionado, por exemplo um bom livro sobre o tema. A chance de você receber um sorriso amarelo diante de um rótulo mais ou menos é muito grande para arriscar seu rico dinheirinho. Outra opção são as acessórios de vinho, uma espécie de brinquedo do enófilo de carteirinha

Para o pai que defende causas verdes

Há vinho para todo estilo de gente. Pais verdes, militantes do planeta e que nem por isso abdicam de uma boa taça de vinho têm uma forte relação com produtos orgânicos e biodinâmicos. Estes tipos de vinho são certificados e seguem algumas regras mínimas: como buscam um vinho mais natural, não usam defensivos agrícolas – apelam para recursos naturais para controle de pestes -, evitam aquelas garrafas muito pesadas, são contra uso de leveduras de laboratório e outros artifícios químicos para correção das safras. Como conceito, o vinho é um produto da natureza e qualquer interferência é condenada. Já os biodinâmicos têm uma relação mais etérea com o cosmo, as estrelas, as fases da Lua e o ciclo da terra. Pode até parecer papo alternativo mas é uma tendência que vem crescendo na indústria do vinho e o resultado de fato surpreende no sabor e aromas menos fabricados e mais instigantes. Para pai verde, um vinho odara! É fácil reconhecê-los, no geral eles alardeiam seu diferencial orgânico ou bio no próprio rótulo.

Para o pai que é estrangeiro ou morou no exterior

Se existe a escolha do vinho por tipo de consumidor, também existe a decisão por afinidades. Pais nascidos em outro país ou que viveram um período fora do Brasil provavelmente vão ter uma afinidade afetiva com caldos de sua origem – ou que remetam a um passado estrangeiro. Pais italianos, portugueses, espanhóis, franceses, chilenos e argentinos estão bem servidos de rótulos no país, e mesmo aqueles libaneses, austríacos, alemães também podem ser contemplados. O Brasil importa vinhos de mais de 25 países. É fácil encontrar um que combine com as origens de seu pai. Em geral eles estão organizados por país nas prateleiras das lojas e nos sites de vinho. É uma maneira bacana de reforçar os laços que envolvem suas raízes. E uma boa desculpa para abrir um vinho com o velho, em memória dos bons tempos… Já se seu pai é japonês, chinês ou russo melhor desistir desta alternativa.

 

Se o seu pai é separado de sua mãe

Se a separação é recente, aposte num tinto encorpado, meio alcoólico, um vinho meio cowboy, quase mastigável, com forte presença de aromas tostados de barrica, daqueles que sua mãe certamente iria odiar. Serão dois prazeres em uma só garrafa. Geralmente são aquelas garrafas pesadonas, malbecs argentinos, tempranilos da Rioja, tannat uruguaios. Tanto melhor se forrem desarolhados junto a um suculento naco de picanha sangrando… Um momento ogro das vinhas.

Para o pai que resolveu assumir que é gay – ou que é gay

Se eventualmente seu pai resolveu sair da adega, então por que não brindar esta opção corajosa do velho com uma garrafa de vinho? Ou mesmo se o seu(s) pai(s) são gays. A ordem do dia é a diversidade de gêneros. Um pai gay merece um espumante rosé nacional – são ótimos -, ou mesmo um champagne, que é a bebida da celebração. Claro que não se trata de uma bebida exclusiva para gays, mas é uma maneira bem-humorada de presenteá-lo e curtir sua opção sexual com um brinde animado.

Para aproximar a relação com seu pai que está estremecida

Pais e filhos são humanos, demasiadamente humanos, e nem sempre a relação é boa. Se o vinho aproxima as pessoas, ele pode também resgatar uma relação familiar que o tempo, por alguma razão, arranhou. Um porto envelhecido, do tipo Tawny, ou de safras exclusivas, do tipo Vintage, são a dica. São fortificados intensos, chamados vinho de meditação, que acompanham bem um charuto e são o elixir da boa conversa. Pode ser um bom empurrão para uma aproximação entre vocês, um momento em que as fraquezas e fortalezas desta relação podem ser aplainadas. Afinal é um consenso entre os bebedores que vinho é para ser compartilhado. E você e seu pai merecem este tempo mais esticado para passar a vida  a limpo, entre um gole ou outro de um Porto.

O melhor vinho que tomei com meu pai

Meu pai (91), eu (52) e um brinde de um Marques de Casa Concha (40)

Meu pai (91), eu (52) e um brinde de um Marques de Casa Concha (40)

O prazer do vinho também está associado à companhia, ao momento, ao entorno. Neste dia dos pais, e em todos que puder, tome um vinho com o seu. E aqui vai minha experiência. O rótulo chileno Marques de Casa Concha, da vinícola Concha y Toro,  comemora 40 anos este ano – foi lançado em 1976. Em vez de simplesmente reunir críticos em uma degustação tradicional convidou alguns clientes, especialistas e amigos para compartilhar algumas garrafas da marca em um jantar no Terraço Itália, tradicional restaurante paulistano,  na companhia de seus pais. Foram servidas três variedades: chardonnay, carmenère e cabernet sauvignon (meu favorito e mais tradicional). Depoimento sincero. Olha, eu já tomei o Marques de Casa Concha em diversas ocasiões: na companhia do seu enólogo principal, Marcelo Papa, que há dez anos elabora os tintos e brancos desta clássica linha; na própria vinícola, próxima de Santiago, no Chile; em almoços em casa e jantares de lançamentos de safras em restaurantes. Mas não tem igual, brindar com meu pai foi outra experiência. Foi o melhor Marques da minha vida, aquele que brindei com meu velho e outros filhos e filhas, acompanhados dos seus. Você não vai perder a chance de brindar com o seu, vai?

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terça-feira, 2 de agosto de 2016 Novo Mundo, Rosé, Tintos | 08:01

Crios: um vinho argentino conectado com o público mais jovem

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Um exemplo de um novo rótulo do Crios, convivendo ainda com o desenho tradicional nas prateleiras de um conhecido supermercado de São Paulo

Um exemplo de um novo rótulo do Crios, convivendo ainda com o desenho antigo nas prateleiras de um conhecido supermercado de São Paulo

A linha Crios, o cartão de visitas da Susana Balbo Wines, é um sucesso de crítica e de público. O rótulo, manjado entre os bebedores de tintos e brancos argentinos, mostra o contorno de uma grande mão espalmada que acolhe outras duas, menores. Este símbolo familiar traduz o nome e a história do vinho desde seu lançamento. A mão maior é da enóloga Susana Balbo, a criadora dos caldos, a menor dos filhos, então crianças. O nome do vinho e sua iconografia resumem o conceito desta delicada relação: a criação do vinho e dos filhos. Uma narrativa que faz todo sentido. E, além de tudo, fácil de reconhecer nas prateleiras.

Mas a empresa – que tem mais de 50% de seu mercado nos Estados Unidos – queria se conectar com um público mais jovem. O que eles fizeram? Renovaram. Saíram da zona de conforto. Mudaram um rótulo conhecido e bem-sucedido. Os nove vinhos da linha Crios – Malbec, Torrontés, Rosé de Malbec, Cabernet Sauvignon, Red Blend, Pinot Noir, Chardonnay, Syrah-Bonarda, Limited Edition – estão, desde o ano passado, com nova roupagem. A mudança começou em 2015, nos Estados Unidos, e depois de alguns meses foi chegando a outros países, incluindo o Brasil.

Todos os novos rótulos, cada um com sua característica: fáceis de indentificar

Todos os novos rótulos, cada um com sua característica: fáceis de identificar

Ana Lovaglio Balbo, filha e diretora de marketing da Susana Balbo Wines, conta como foi o processo. Foram realizados alguns “focus group” com clientes classificados como “Mature Millennials”, entre 26 e 34 anos, nos estados da Califórnia, Texas e Chicago. O objetivo das pesquisas era entender a relação deste público com o consumo de vinho.  O vinho, conclui a pesquisa, está inserido em um novo estilo de vida, que se caracteriza pela independência, o espírito de aventura e uma conexão com mundo intermediada pelas redes sociais. Os rótulos buscam traduzir valores que identificam esta geração que age diferente, consome baseado em outros critérios e quer entender as características de cada variedade sem muita complicação. A mensagem atribuída a cada vinho da linha Crios e a estratégia de marketing e comunicação tem uma pegada mais informal. No vídeo de divulgação da campanha, o vinho deixa de ser protagonista e se torna parte da vida de jovens que praticam skate, tocam música, se relacionam com os amigos e bebem vinho, por prazer, no parque, na cozinha, em qualquer lugar. É o vinho estilo #VemPraRua!

O design, mais limpo, conhecido como all type (privilegia o texto), foi batizado como “vintage-moderno” (bom, gente, as agências estão aí para isso mesmo, justificar seu pacote de ideias e respectiva remuneração). O mesmo símbolo familiar das mãos que tornou o vinho conhecido está preservado na parte superior do rótulo, mas reduzido à forma de um ícone – a lógica da renovação inteligente, afinal, não é se desfazer da tradição, mas transformá-la. O nome do vinho, Crios, a assinatura da enóloga e a variedade da uva ou tipo do vinho ganham destaque. A maior novidade, porém, é a uma breve descrição da característica daquele vinho na cara do gol, no rótulo principal, resultado também das pesquisas: “As pessoas não costumam ler os contrarrótulos”, afirma Ana.

Manuel Luz, o filósofo do vinho uma taça de Nosotros na mão e várias ideias na cabeça

Manuel Luz, o filósofo do vinho com uma taça de Nosotros na mão e várias ideias na cabeça

 

Mas vamos combinar que não basta mudar a forma e a mensagem se o conteúdo é ruim. Isso vale para tudo nesta vida. A linha Crios é aquele tipo de vinho que você indica sem erro para qualquer pessoa que deseja conhecer um bom Malbec (com aqueles toques de cereja e floral) ou um Torrontés agradável – ou seja, vinhos que traduzem o solo argentino com qualidade e consistência. Segundo Manuel Luz, descrito nos releases como sommelier e consultor de Wine Intelligence da Cantu Importadora, mas na verdade um filósofo e polemista do vinho, o Crios já é o quarto vinho argentino mais vendido no Brasil. O Manuel sabe das coisas…

Leia também: 50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer. Parte 1 – Salta e Patagônia

Crios Malbec (R$ 61,00) leva a descrição “Frutado com notas picantes” no rótulo, como comunicação  a frase “perigosamente fácil de beber” e carrega o slogan “Seja Valente”, remetendo ao desafio de Susana Balbo ao criar um Malbec que colocou a Argentina no mapa do vinho. O Crios Torrontés (R$ 57,00) leva no rótulo as definições “Seco, crocante e aromático” e na campanha é vendido com um vinho fácil de harmonizar e desafia o consumidor a “Quebrar Regras”, assim como a enóloga fez ao criar um Torrontés com notas elegantes de flores e frutas brancas, mais seco e menos doce que os produzidos até então. Por fim, talvez aquele vinho que tenha a maior conexão com o público-alvo é o Crios Red Blend (R$ 61,00), que instiga o consumidor a “Explorar Coisas Novas”, pois é uma combinação de várias uvas tintas.

Pioneira e exigente

Susana Balbo é um ícone da enologia Argentina, a primeira mulher graduada na Escola de Enologia Don Bosco, em Mendoza, trabalhou em grandes vinícolas como Catena e Michel Torino, em Salta, e foi responsável por colocar a uva branca Torrontés no mapa do mundo do vinho de qualidade. Foi presidente da Wines of Argentina e em 1999 criou sua própria empresa onde a linha Crios se notabilizou por vinhos frescos, frutados e com uma boa relação de qualidade e preço. O resto é história.

Susana Balbo, a criadoro do Crios, apresenta suas novas criações. O espumante rosé (ao fundo) é sensacional

Susana Balbo, a criadora do Crios, apresenta suas novas criações. O espumante rosé (ao fundo) é uma boa surpresa.

Corre entre os argentinos que a profissional Susana Balbo é uma pessoa exigente e difícil de lidar. O que não demonstra em público. Não sei se a informação procede. Mas sabendo desta fama, perguntei a sua filha Ana como foi convencer sua mãe a mudar o rótulo do Crios e toda comunicação em torno da campanha do vinho. Ela respondeu: “Minha mãe topa qualquer mudança, ela deu toda força”, e completou “Mais difícil foi convencer o pessoal do comercial”. Susana pode até ser exigente e difícil, mas não é nada boba e sabe que o mundo está mudando. O vinho precisa oxigenar, não só na taça, mas sua mensagem, sua abordagem. Esta é uma experiência a se acompanhar. O processo de troca de rótulo é um processo longo, explica Ana Balbo: “É uma mudança muito recente, que leva tempo para mostrar os resultados. E vem acompanhada de um plano de marketing que estamos adotando com o vídeo, os eventos ao ar livre e ações de engajamento nas redes sociais”.

Vinhos premium

Uma boa vinícola é aquela que faz tanto um vinho de entrada bom, consistente, como o Crios, quanto caldos mais elaborados, exclusivos. Susana Balbo, claro, tem sua linha  premium e superpremium e trouxe alguns destes rótulos a São Paulo em recente exibição a convite de sua importadora, a Cantu, da qual este blogueiro participou. Dos muito caros e premiados (a linha Nosostros, a 690 reais a garrafa, entra naquela categoria que tem quase a obrigação de agradar mas afugenta pelo preço e não acho que cabe neste espaço) à nova linha Tradícion, estes são meus destaques.

Susana Balbo Signature Rosé
Região: Mendoza/Valle de Uco
Um expressivo, delicado, aromático espumante rosé, elaborado com 60% de Malbec e 40% de Pinot Noir. Um sucesso nos Estados Unidas, o maior mercado dos rótulos da Susana Balbo Wines. Me surpreendeu. É fresco, intenso e com muita fruta. Uma boa alternativa de espumante, apesar de preço não muito convidativo (R$ 189,00). “Acho que havia um espaço para um rosado de qualidade na Argentina”, ressaltou Suzana Balbo. Chega ao mercado brasileiro no final do ano.

Susana Balbo Tradícion Malbec 2012
Região: Mendoza/Agrelo – Luján de Cuyo
Especialmente desenhado para o paladar brasileiro – só vai existir por aqui e desconfio que vai agradar o gosto tupiniqim –, este Tradícion é um malbec puro sangue, sem misturas de outras uvas, com 14 meses de estágio em carvalho francês, que dá potência, fruta madura, um tanino mais presente, uma bebida mais nervosa para quem aprecia caldos mais quentes. Vai custar cerca de 89 reais para o consumidor final.

BenMarco Expressivo 2011
Região: Mendoza/Gualtallary (Valle de Uco)
Não se trata de um marca nova, mas é um vinho muito expressivo (será que fui influenciado pelo nome, produção?), fruto do trabalho do viticultor Edy del Pópolo em vinhedos de altura. Quando a gente fala que o vinho é algo vivo, não é apenas um chavão. A primeira garrafa servido deste vinhaço estava bouchonné (o vinho estava contaminado e deu “um perdido”). Cheira aqui, ali, constatado o problema, todas as taças foram trocadas. Aí, sim, ele revelou todo seu potencial. Na falta de melhor definição o BenMarco é um vinho suculento, que começa com fruta evidente e aparece um chocolate mais para o final. Macio, maduro, traz nuances e camadas de seu blend (anote a composição: 65% Malbec, 30% Cabernet Franc, 5% Cabernet Sauvignon). Vale o investimento de R$ 270,00.  Já dá para abrir já e se deliciar. Pode guardar e provavelmente outros sabores virão.

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