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segunda-feira, 10 de outubro de 2016 Brancos, Nacionais, Tintos | 19:17

O vinho brasileiro ganha espaço em restaurantes, em loja exclusiva e na sua casa

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Vinhedos da Guaspari: nova fronteira do vinho, em Espírito Santo do Pinhal, no estado de São Paulo

Vinhedos da Guaspari: nova fronteira do vinho, em Espírito Santo do Pinhal, no estado de São Paulo

Algumas pessoas, as mal informadas, se espantam quando eu digo que tomo vinho nacional – e com alguma frequência. Esboçam aquele sorriso incrédulo seguido de um “ah, vá” e, diante da minha insistência, recorrem ao segundo argumento mais utilizado diante da possibilidade de desarrolhar um rótulo verde-amarelo: “Ok, até tem alguns bons, mas o preço…”.

Sabe nada, inocente!

Vamos lá. Sim, há vinhos nacionais bons e muito bons – e os ruins ou bem meia-boca, alguns têm um preço maluco, outros compatíveis com o mercado e há também os achados.

O mesmo fenômeno ocorre no universo dos vinhos importados – tanto em preço como na qualidade. A combinação de preço e volume faz parte da construção de marca que rege a indústria desta bebida – de toda indústria, a propósito. Vale sempre lembrar que o vinho nacional paga também uma alta carga de impostos: 54,73% do preço da garrafa vai para o governo na forma dos mais variados tributos, o que contribui na formação do preço. No importado a mordida é de 74,73%

Mas se ainda existe este comportamento preconceituoso entre alguns consumidores de vinho, sinais opostos e positivos mostram que o  vinho brasileiro, das mais diversas regiões e estilos, vem conquistando um espaço maior na taça. E se é verdade que o melhor do vinho  é a diversidade, o Brasil hoje faz parte desta equação.

E quais são estes sinais?

Muitos restaurantes, pelo menos em São Paulo, estão aumentando a oferta de rótulos nacionais em suas cartas, além dos obrigatórios espumantes.

Os vinhos antes restritos ao sul do país agora exploram novas fronteiras. Tanto no Nordeste, um projeto mais antigo, quanto nos improváveis estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo (benza deus, São Paulo, quem diria?) e Goiás, e consolidando a vocação da Campanha Gaúcha, nas franjas do Uruguai.

Pequenos produtores de vinhos orgânicos ou biodinâmicos brasileiros também estão encontrando seu público e espaço para comercializar seus rótulos.

As lojas também abrem mais espaço para o vinho nacional. No exemplo mais radical, uma loja e bar em um bairro boêmio em São Paulo vende exclusivamente rótulos brasileiros.

E como temos mesmo este complexo de vira-latas, nada como o endosso de uma publicação internacional de prestígio para consolidar esta tendência. A prestigiosa revista inglesa Decanter publicou em sua edição de outubro uma reportagem de 4 páginas com o título “Golden era for Brazil“, enfatizando que 2016 é um ano histórico para os produtores de vinho brasileiros. No texto, o autor elogia a qualidade e a diversidade (olha só) do vinho nacional, além de destacar as três primeira medalhas de ouro conquistados pelo Brasil no concurso que a revista promove (Decanter World Wine Award) entre rótulos de todo mund. Foram agraciados dois rótulos da Casa Valduga (Casa Valduga Terroir Leopoldina Merlot e o Gran Leopoldina Chardonnay D.O) e outro da jovem Vinícola Guaspari. (Vista do Chá Syrah 2012) (leia mais sobre a Guaspari mais abaixo).

Blog do Vinho bebeu

Nas últimas semanas tenho bebido rótulos brasileiros em restaurantes, bares e em casa. E não foram apenas espumantes. É apenas mais um reflexo do que escrevi acima. Aos vinhos, pois:

Pinot Noir: simples, descontraído, saboroso

paradoxo1Nos restaurantes Modi e no Lambe-Lambe, uma rede que une qualidade e preço e entrega uma culinária saborosa com ingredientes mais simples, o vinho em taça é o fresco e gostoso Paradoxo Pinot Noir da Salton. Uma ótima sugestão do consultor Luis Felipe Campos, responsável pela carta dos restaurantes. Com uvas da região da Campanha Gaúcha, baixo teor alcoólico e fruta delicada,  acompanha bem entradas, pratos mais leves, frango. Agrada também em carreira solo.

Varietal-Pinot-Noir-2012Outro exemplo de Pinot Noir nacional bacana é o Varietal Pinot Noir da Aurora, de Bento Gonçalves, uma delícia de vinho jovem, frutado e que a gente mata uma garrafa num bate papo sem perceber. Fácil de encontrar em supermercados, é uma boa pedida para levar para casa e beber sempre jovem. Agrada também os Tio Patinhas do Baco, com um preço bem acessível (algo como 25 reais)

Menos álcool, mais frescor

vinheticaAinda no universo dos brasileiros conquistando espaço nas cartas dos restaurantes, este rótulo da foto ao lado, da Campanha Gaúcha, foi provado no simpático Allez, Allez!, um bistrô na Vila Madalena.  O Vinhetica – Terroir de Rouge é um achado. Em primeiro lugar, trata-se de um tinto com 12,5 de álcool, que só por isso merece todas nossas mesuras. Supergastronômico, com frutas frescas e acidez bem marcante, mostra um aroma balsâmico. A maceração é do tipo carbônica, como fazem os Beaujolais Nouveau da vida, ou seja, a fermentação acontece dentro da fruta, o que preserva o frescor que se destaca na bebida. O Vinhetica Terroir de Rouge é o resultado da leveza da uva arinarnoa (que desconhecia) com a robusta cabernet sauvignon, um experimento do viticultor francês Gaspar Desurmont que se apaixonou pelo solo brasileiro e por aqui montou seu empreendimento. Já havia provado em um evento, mas na companhia da comida, deu uma valorizada.

Vinho paulista

Os chamados vinhos de inverno, nos quais se incluem os vinhos produzidos em solo dos Bandeirantes, são fruto de uma técnica de cultivo adaptado ao clima da região sudeste/centro-oeste conhecido como poda invertida. Técnica esperta, ela engana o ciclo vegetativo da parreira e gera frutos em julho, agosto, época de menos chuva e clima mais temperado. Minha primeira experiência foi o tinto Primeira Estrada, lá em 2013. Esta técnica, desenvolvida por Murilo Albuquerque, da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), possibilitou a aventura de outros empreendedores que tinham “um vinho na cabeça e uma uva na mão”. Entre este grupo se encontram malucos/empreendedores de Minas Gerais, Goiás e São Paulo, em geral com origem na zona cafeeira destes estados. A Guaspari e a Casa Verrone são dois exemplos.

 Guaspari, agora numa versão mais econômica

Desde que colocou no mercado seus três primeiros rótulos, um aprazível sauvignon blanc e dois syrah (Vista da Serra e Vista do Chá), a Guaspari surpreendeu os céticos, mereceu boas críticas da imprensa especializada e elogios entre os consumidores. Arrasou conquistando o prêmio máximo da Decanter – como contamos acima. Um baita efeito “uau!” para um iniciativa pioneira e iniciante. Mas de bobos eles não têm nada e os louros não vieram por acaso. A Guaspari criou uma estrutura profissional para chegar nisso. Com vinhedos plantados em uma fazenda cafeeira na região de Espírito Santo do Pinhal, no Estado de São Paulo, a Guaspari chegou chegando com um trabalho ousado que contou com a consultoria do enólogo americano Gustavo González – que tem no currículo a vinícola americana Robert Mondavi – e com um marketing imbatível: um vinho de qualidade produzido em São Paulo. Pronto, ganhou as manchetes! E se posicionou com preço de gente grande (cerca de 150 reais a garrafa).

O que leva a uma reflexão sobre preço e vinho nacional: se o vinho é de qualidade, que diferença faz a nacionalidade na hora de colocar a mão no bolso? valedapedra

Este ano a Guaspari lançou uma segunda linha de vinho, um pouco mais acessível, nem por isso na bacia das almas (78 reais): o Vale da Pedra tinto 2015 (também da tinta syrah, que parece ser a uva que mais se adaptou a estes novos territórios do vinho) e o Vale da Pedra branco 2015 (sauvignon blanc, a branca que também se deu melhor). Curiosamente, ao contrário do padrão dos vinhos nacionais, se você procurar a uva na parte principal do rótulo não encontrará. Este novo vinho vem atender esta tendência de vinhos mais jovens, leves e com maior potencial de consumo. A madeira – quando existe – é apenas coadjuvante. É o caso deste syrah com um estilo “chocolate com pimenta”, que tem esta pegada bem marcante no final de boca. As especiarias típicas da uva estão lá, a acidez dá prazer e a parceria com a comida é mais fácil.  Os vinhos são encontrados em sua loja virtual e na rede de supermercados Saint Marche, em São Paulo.

 Casa Verrone, de Itobi para o mundo

caa-verroneVocê sabe onde fica Itobi e Divinolândia? Eu até sei, pois já fui a Itobi, mas garanto que não foi por conta de vinho, que nem sabia que existia. Mas um produtor – a Casa Verrone – arranca do solo destes municípios no interior do Estado de São Paulo, na região da Serra da Mantiqueira, as uvas que maceradas dão os caldos de seus vinhos. E, para surpresa geral da nação, o seu Chardonnay Speciale Casa Verrone 2015 levou o prêmio na sua categoria na Grande Prova de Vinhos do Brasil 2016. Este eu provei em casa, mas comprei na RedButeco, descrito logo abaixo. É um chardonnay de estilo mais amadeirado, amanteigado, que lembra um pouco os brancos dos anos 2000 produzidos no Chile e Argentina, mais gordo que fresco. Um estilo com vários defensores.

 

Vinho de Food Truck

losmendozitos
Quem já passou por eventos e feiras ou deu um rolê pelos FoodTrucks que explodiram em 2015, e estão se adaptando à realidade de  2016, já deparou com a marca Los Mendozitos, que segundo definição dos fundadores trata-se de uma “rede de Wine Bars itinerantes do Brasil especializados em vinhos de produções familiares”. Por itinerante entenda-se trailers e até bicicletas que comercializam vinhos. Uma ideia que apostou na simplicidade, no preço e no vinho em taça.  E deu certo. Agora os Mendozitos resolveram ocupar um espaço fixo no FoodTruck do Vila Butantã – que é formado por trailers tradicionais de comida e algumas lojas fixas ocupadas em cointainers que formam um mini shopping ao livre em frente à sede da Odebrecht, em São Paulo. Ao contrário do modelo de negócio dos trailers, que é de venda de vinho em taça, na loja fixa o consumo maior é de garrafas. A nota curiosa é que, apesar do nome, os vinhos nacionais também têm vez nas prateleiras como os espumantes do Don Giovani e tintos e brancos nacionais. O rótulo que leva o nome da loja, Los Mendozitos, a propósito, é um cabernet sauvignon produzido pela Guatambu, de Don Predito, no Rio Grande do Sul. Eu imaginava que seria um Malbec de Mendoza… Sem grandes pretensões, correto, com bons taninos, é outro exemplo de vinho nacional ocupando os espaços que ampliam o consumo dos nossos rótulos e atingem um público diversificado.

Um tinto de outro mundo

alma_penada

O mundo do produtor independente Eduardo Zenker é o vinho de garagem. Não é uma força de expressão. Literalmente ele faz suas alquimias em uma garagem em Garibaldi – da mãe. Foi ali que um casal de amigos provou e trouxe esta garrafa de um Ancellota de 2013 que foi batizado como o sugestivo nome de Alma Penada, já que é um caldo  condenado à extinção. Explicando: as parreiras de onde vieram as uvas foram cortadas pelo fornecedor e este vinho não se repetirá. Este eu provei na casa desses amigos.  Vinhos como os de Zenker fazem parte do movimento de vinhos natureba, que aqui em São Paulo tem como maior divulgadora a Enoteca Saint Vin Saint da Lis Cereja. E só o fato de este tipo de vinho diferentão, que defende a interferência mínima do homem no vinhedo e na vinificação, ter um espaço conquistado, já mostra que há vinhos brasileiros em todos os estilos disponíveis. E público para isso – e até uma feira anual pra lá de concorrida que reúne vários produtores. O Alma Penada é bem escurão, estava muito floral, tinha uma espécie de gosto de terra. Na proposta orgânica, o sabor da uva parece mais natural, mas surgem algumas arestas, algo parece meio desequilibrado, o que os defensores classificam como qualidade intrínseca do processo. Definitivamente é um caldo controverso, mas que vale ser conhecido. Ainda citando a tal reportagem da Decanter, um dos rótulos indicados pelo autor é o Era dos Ventos, Peverella, 2013, do casal Luis Henrique e Talise Zanini em parceria com o proprietário do restaurantes Aprazível, Pedro Hermeto uma espécie de vinho laranja tupiniquim e o Atelier Tormentas, Vermelho Cabernet Franc 2015, do polêmico vinhateiro Marco Danielle, do qual escrevi em 2009 e nunca mais cruzei. Este eu preciso provar.

Red: um buteco de vinhos verde-amarelos

red

Por fim, fui conhecer um projeto que parecia pra lá de original e ousado: o Red Buteco. Trata-se de um bar e loja exclusivos de rótulos brasileiros. Voltado para o público jovem e encravado também na Vila Madalena, onde a cerveja, o chopp e a caipirinha reinam incontestes, parecia um suicídio comercial. E aparentemente está dando certo. O público escolhe o vinho nas prateleiras, os atendentes são jovens sommeliers que conhecem os rótulos e tudo é servido em um ambiente moderno e descontraído. Não há muito ritual, bebe-se pelo prazer, pela companhia, no buteco. Para acompanhar a bebida, há um cardápio restrito de aperitivos (gostei da coxinha. Pode coxinha e vinho? Pode!) e pratos rápidos (menos bons). Os rótulos disponíveis variam desde alguns produtores conhecidos do Sul, como Lidio Carraro, Pizzato, Dal Pizzol, Cave Geisse até rótulos de regiões experimentais e pouco conhecidas, do Paraná (espumante Poty), Minas Gerais (Luis Porto) e evidentemente São Paulo (Guaspari e Casa Verrone, foi lá que comprei o meu).

Os proprietários são três jovens com carreira em outra atividade – economista/sommelier, arquiteto/urbanista e advogado/Dj, respectivamente. O público é alegre, predominantemente feminino. Um consumidor novo, com menos vontade de encontrar frutas do bosque no vinho e mais vontade de ter prazer com a bebida e sua companhia.  Acho que não podia ter notícia melhor para o vinho brasileiro.

Serviço:
Red Buteco de Vinhos Brasileiros
Rua Mourato Coelho, 1.160, Vila Madalena, São Paulo, SP

 

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016 Blog do vinho, Brancos, Tintos | 00:01

Como escolher o vinho certo para o seu pai

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Família feliz de pais que curtem vinho…

Presentear os pais em seu dia é uma tarefa um pouco mais complicada do que, por exemplo, escolher um agrado para as mães. Quando o segundo domingo de agosto se aproxima sempre surge a dúvida: o que dar para o meu pai? Camisa, gravata, pijama? Socorro! Que tal um vinho? Uma garrafa de vinho é o presente curinga. É um produto com algum toque de sofisticação, um objeto de desejo em alguns casos, um desejo de consumo em outros e no geral causa uma boa impressão tanto em quem sabe a diferença entre um cabernet sauvignon e um merlot como naqueles que se aproximam de uma garrafa do fermentado apenas em ocasiões especiais.

Decidido o presente, vem o segundo passo. Qual vinho comprar para o progenitor em seu dia? Aí a rolha torce o gargalo. São centenas de rótulos, variedades e preços. Como acertar no vinho? Gosto é um sentido muito particular, é resultado do meio que se vive, de experiências gastronômicas, de conhecimento, e de um elemento mais subjetivo ainda, aquela associação entre o paladar e a memória. A escolha de um presente vem acompanhada também de um problema que afeta todos nós neste momento de crise financeira: a grana disponível para gastar no mimo.

Se você conhece o gosto do seu pai, a escolha é fácil, basta escolher a garrafa  na sua loja de confiança ou site preferido. Se não conhece seu gosto, você pode optar por uma solução diferente: escolher o vinho pelo tipo de experiência que seu pai tem com a bebida, ou mesmo baseado no momento atual de sua vida. O Blog do Vinho selecionou alguns perfis de pais possíveis e vai tentar te ajudar nesta tarefa: agradar seu velho.

Para o pai que raramente bebe vinho

Aqui o elemento surpresa e de introdução ao vinho é o diferencial. Ele pode até estranhar a escolha (“Não tinha uísque onde você comprou esta garrafa?”, ele pode pensar). Mas o objetivo é este mesmo, introduzi-lo ao universo dos tintos e brancos. Portanto, não vale a pena gastar muito dinheiro em um rótulo bacana, pois o seu pai não vai perceber a diferença entre um vinho premiado e outro do dia-a-dia. Talvez até prefira o segundo ao primeiro. A dica é escolher mais de um rótulo de até 40 reais de vinícolas nacionais, chilenas, argentinas, portuguesas  fáceis de encontrar em supermercados e em sites de compras. A propósito, com esta crise muitos rótulos entram em oferta próxima a estas datas e vale a pena ficar de olho. Vá de cabernet sauvignon chileno, malbec argentino, merlot nacional. Nestas condições você entrega no mínimo duas, três garrafas de presente. Se ele gostar da brincadeira e o vinho se tornar um hábito, no ano que vem você terá de consultar a sugestão seguinte…

Para o pai que é um bebedor eventual

Seu pai já curte uma garrafa aos domingos, ou com os amigos, mas sempre com aquele argumento de que gosta, mas não entende de vinhos. Aqui vale subir um pouco a régua de valor e qualidade, os mesmos brasileiros, chilenos, argentinos e portugueses (os rótulos mais consumidos no país). É fácil reconhecer, no geral eles têm um selo de reserva, informam no contra-rótulo um estágio em barricas. E o preço médio fica entre 60 e 80 reais. Se possível, tente descobrir algum rótulo que ele já provou e tem boas lembranças, para firmar um hábito.

Para o  pai que está começando a se interessar por vinhos

Seu pai já não é mais um principiante, lê revistas e livros sobre vinho e quem sabe é até leitor deste blog. Pode estar no limite entre o esnobismo (do tipo eu sei tudo) e o amadorismo (gira até copo de água), mas está evoluindo na percepção do gosto e descobrindo novidades Este é o presente que ele espera do seu filho, até como reconhecimento desta sua nova habilidade. Se o seu pai já tem uma adega, consulte os rótulos armazenados, eles podem dar uma dica de suas preferências. Outra saída é procurar algo diversificado, que aumente sua qualificação de  degustador de vinhos, como por exemplo um rótulo do Líbano, uma região menos conhecida da Espanha, como o Priorato, um branco na Eslovênia, ou um vinho laranja, que virou uma certa “modinha” entre os conhecedores nos últimos tempos. Outra opção é escolher um vinho de uma região menos óbvia de um país mais conhecido, como Salta e Patagônia, na Argentina.  Não é difícil achar estes rótulos nos sites e lojas de boas importadoras como Mistral, Decanter, WordWine, Inovini, Grand Cru, Vinci

Para o pai que é especialista

Aqui temos um problema. Todo mundo tem sempre a mesma ideia, afinal papai é um enófilo juramentado, capaz de distinguir um vinho pelo aroma, que reconhece a região pelo rótulo e é capaz de recitar de cor as principais cepas de cada país. Ou seja, para o resto da família papai é um enochato e presentear com uma garrafa pode significar se arriscar em terreno minado. Se você tem dinheiro disponível, a solução é fácil, vá até uma boa loja multimarcas ou sites de importadoras e procure aqueles rótulos com boa pontuação de Robert Parker, Wine Spectator, Gambero Rosso, Decanter etc e aí não tem muito erro (a não ser que ele seja daquele tipo off Broadway, que detesta os críticos de vinho famosões). Se a grana está curta, um conselho, esqueça o vinho e parta para um produto relacionado, por exemplo um bom livro sobre o tema. A chance de você receber um sorriso amarelo diante de um rótulo mais ou menos é muito grande para arriscar seu rico dinheirinho. Outra opção são as acessórios de vinho, uma espécie de brinquedo do enófilo de carteirinha

Para o pai que defende causas verdes

Há vinho para todo estilo de gente. Pais verdes, militantes do planeta e que nem por isso abdicam de uma boa taça de vinho têm uma forte relação com produtos orgânicos e biodinâmicos. Estes tipos de vinho são certificados e seguem algumas regras mínimas: como buscam um vinho mais natural, não usam defensivos agrícolas – apelam para recursos naturais para controle de pestes -, evitam aquelas garrafas muito pesadas, são contra uso de leveduras de laboratório e outros artifícios químicos para correção das safras. Como conceito, o vinho é um produto da natureza e qualquer interferência é condenada. Já os biodinâmicos têm uma relação mais etérea com o cosmo, as estrelas, as fases da Lua e o ciclo da terra. Pode até parecer papo alternativo mas é uma tendência que vem crescendo na indústria do vinho e o resultado de fato surpreende no sabor e aromas menos fabricados e mais instigantes. Para pai verde, um vinho odara! É fácil reconhecê-los, no geral eles alardeiam seu diferencial orgânico ou bio no próprio rótulo.

Para o pai que é estrangeiro ou morou no exterior

Se existe a escolha do vinho por tipo de consumidor, também existe a decisão por afinidades. Pais nascidos em outro país ou que viveram um período fora do Brasil provavelmente vão ter uma afinidade afetiva com caldos de sua origem – ou que remetam a um passado estrangeiro. Pais italianos, portugueses, espanhóis, franceses, chilenos e argentinos estão bem servidos de rótulos no país, e mesmo aqueles libaneses, austríacos, alemães também podem ser contemplados. O Brasil importa vinhos de mais de 25 países. É fácil encontrar um que combine com as origens de seu pai. Em geral eles estão organizados por país nas prateleiras das lojas e nos sites de vinho. É uma maneira bacana de reforçar os laços que envolvem suas raízes. E uma boa desculpa para abrir um vinho com o velho, em memória dos bons tempos… Já se seu pai é japonês, chinês ou russo melhor desistir desta alternativa.

 

Se o seu pai é separado de sua mãe

Se a separação é recente, aposte num tinto encorpado, meio alcoólico, um vinho meio cowboy, quase mastigável, com forte presença de aromas tostados de barrica, daqueles que sua mãe certamente iria odiar. Serão dois prazeres em uma só garrafa. Geralmente são aquelas garrafas pesadonas, malbecs argentinos, tempranilos da Rioja, tannat uruguaios. Tanto melhor se forrem desarolhados junto a um suculento naco de picanha sangrando… Um momento ogro das vinhas.

Para o pai que resolveu assumir que é gay – ou que é gay

Se eventualmente seu pai resolveu sair da adega, então por que não brindar esta opção corajosa do velho com uma garrafa de vinho? Ou mesmo se o seu(s) pai(s) são gays. A ordem do dia é a diversidade de gêneros. Um pai gay merece um espumante rosé nacional – são ótimos -, ou mesmo um champagne, que é a bebida da celebração. Claro que não se trata de uma bebida exclusiva para gays, mas é uma maneira bem-humorada de presenteá-lo e curtir sua opção sexual com um brinde animado.

Para aproximar a relação com seu pai que está estremecida

Pais e filhos são humanos, demasiadamente humanos, e nem sempre a relação é boa. Se o vinho aproxima as pessoas, ele pode também resgatar uma relação familiar que o tempo, por alguma razão, arranhou. Um porto envelhecido, do tipo Tawny, ou de safras exclusivas, do tipo Vintage, são a dica. São fortificados intensos, chamados vinho de meditação, que acompanham bem um charuto e são o elixir da boa conversa. Pode ser um bom empurrão para uma aproximação entre vocês, um momento em que as fraquezas e fortalezas desta relação podem ser aplainadas. Afinal é um consenso entre os bebedores que vinho é para ser compartilhado. E você e seu pai merecem este tempo mais esticado para passar a vida  a limpo, entre um gole ou outro de um Porto.

O melhor vinho que tomei com meu pai

Meu pai (91), eu (52) e um brinde de um Marques de Casa Concha (40)

Meu pai (91), eu (52) e um brinde de um Marques de Casa Concha (40)

O prazer do vinho também está associado à companhia, ao momento, ao entorno. Neste dia dos pais, e em todos que puder, tome um vinho com o seu. E aqui vai minha experiência. O rótulo chileno Marques de Casa Concha, da vinícola Concha y Toro,  comemora 40 anos este ano – foi lançado em 1976. Em vez de simplesmente reunir críticos em uma degustação tradicional convidou alguns clientes, especialistas e amigos para compartilhar algumas garrafas da marca em um jantar no Terraço Itália, tradicional restaurante paulistano,  na companhia de seus pais. Foram servidas três variedades: chardonnay, carmenère e cabernet sauvignon (meu favorito e mais tradicional). Depoimento sincero. Olha, eu já tomei o Marques de Casa Concha em diversas ocasiões: na companhia do seu enólogo principal, Marcelo Papa, que há dez anos elabora os tintos e brancos desta clássica linha; na própria vinícola, próxima de Santiago, no Chile; em almoços em casa e jantares de lançamentos de safras em restaurantes. Mas não tem igual, brindar com meu pai foi outra experiência. Foi o melhor Marques da minha vida, aquele que brindei com meu velho e outros filhos e filhas, acompanhados dos seus. Você não vai perder a chance de brindar com o seu, vai?

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quarta-feira, 23 de março de 2016 Brancos, Velho Mundo | 10:39

Vinho verde e bacalhau

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bacalhau

Bacalhau à Brás & Alvarinho: afinados como uma dupla sertaneja

Vinho e bacalhau é a parceria ideal. E na sexta-feira Santa aumenta o interesse pelo tema. Há os que preferem os tintos (os portugueses, por exemplo), e aqueles que privilegiam os brancos (no caso este que vos escreve). O post de maior consulta neste blog é justamente aquele que coloca esta preferência em questão: Vinho e bacalhau: tinto ou branco?  Como uma dupla sertaneja, o peixe (bacalhau é peixe?) e o vinho se complementam: o primeiro assume a voz principal e o segundo faz a segunda voz, apoiando o prato. Um não vive sem o outro.

Para testar o papel do vinho nesta combinação de tons agudos e graves, este blog aceitou o desafio proposto pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) e testou na prática a harmonização de três rótulos de vinho verde, da uva alvarinho, com um prato de bacalhau. Para este colunista trata-se de levar a experiência para o leitor em busca de alternativas. Para a CVRVV, que trabalha numa campanha de marketing que associa os vinhos verdes a “Um mundo mais refrescante”, mais leve e mais espontâneo, a aposta é no consumo de mais vinhos da região, claro. Cada um no seu quadrado. Ao eventual leitor cabe a decisão se a proposta funciona ou não.

Vinho verde tem cor verde?

Meu filho mais novo outro dia topou com uma caixa de vinhos verdes em casa e fez aquela observação comum àqueles que depararam com o termo pela primeira vez: “Pai, vinho tinto, branco e até rosé eu conheço, mas existe vinho verde também?”. Existe, mas claro que não é verde.

O Minho, localizado no noroeste de Portugal, é o cenário da região conhecida como do vinho verde. Respondendo à dúvida do meu filho – e talvez de alguns leitores -, o verde apenas dá nome à região e não descreve a cor da bebida (pode até pintar um vinho branco com reflexos esverdeados, mas acho que seria bastante estranho um vinho cor verde-abacate, por exemplo). A explicação do nome é até bem sem graça. O elevado índice de chuvas (em média 1200 mm.) proporciona uma vegetação exuberante e verdejante, e daí o nome verde. Outra versão, que carece de precisão, diz que as uvas eram colhidas ainda verdes por conta das chuvas o que daria o nome à região. Há ainda aqueles que contrapõem um vinho jovem, característico da região  (chamado de verde em Portugal) àquele que é mais maduro.

Seja o que for, a produção de vinhos na região é predominantemente de brancos – mas também se encontram rosés, espumantes e até tintos (na boa, são bem difíceis estes últimos). Vamos ao que interessa: a despeito das outras variedades, os vinhos que fazem a fama do lugar, e são reconhecidos no mundo, são os brancos.

O que se pode esperar de um vinho verde? Eles são frescos, aromáticos, de baixo índice alcóolico (média de 12,5%), produzidos com uvas nativas e na sua grande maioria feitos para beber ainda jovens. Naqueles mais populares e fáceis de beber é percebida uma agulha, um tanto de gás que proporciona aquela sensação de uma bebida frisante e um toque mais doce de açúcar residual.

Para aqueles que sempre questionam o consumo do vinho branco no Brasil, que de fato é pequeno, o vinho verde mostra musculatura na ex-colônia. São exportados para o Brasil mais de 2 milhões de garrafas por ano. O crescimento entre 2004 e 2014 foi de 300%! Nada mal.

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Os três rótulos à prova: frescor na taça

Três alvarinhos e um bacalhau

Alvarinho é a principal casta do vinho verde e a mais expressiva. Se caracteriza por acidez marcante, aromas de frutas brancas como pera, maça, algo cítrico e muita flor. Produz rótulos de extremo frescor, secos e aromáticos, para serem bebidos logo.O alvarinho também é a espinha dorsal de brancos que, com algum tempo de garrafa, apresentam uma bela evolução, com maior persistência em boca e boa estrutura.

Os três vinhos verdes provados revelaram perfis variados da alvarinho: frescor, persistência e mineralidade.

Importante, um vinho verde deve ser servido numa temperatura mais fresca, em torno de 10 a 12ºC.

Os pratos, na sequência foram:

 

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Quinta da Lixa – Alvarinho -2013
Vinho Regional Minho
Produtor: Quinta da Lixa
12,5% de álcool
Importador: Pão de Açúcar
R$ 60,00

Esta edição da Quinta da Lixa é um rótulo exclusivo do grupo Pão de Açúcar. Eu gosto de vinhos de supermercados, têm uma ampla distribuição e são mais fáceis de encontrar. É um alvarinho seco, de acidez presente – traz aquela salivação gostosa -, refrescante, fresco, jovem (como tem de ser) e com uma maçã verde e um citrino no aroma que se confirmam na boca. É um vinho verde por excelência. Delicioso, fácil de gostar. Perfeito para começar a brincadeira, uma segunda voz adequada para a salada, talvez para uma brandade, mas apanhou das postas do bacalhau à bras e do creme que o envolvia o prato.

Outros vinhos verdes mais populares, e de menor preço, como os onipresentes Casal Garcia e Calamares, também me parecem se enquadrar neste perfil, mesmo que num patamar abaixo. Nestes dois campeões de venda o toque frisante é bem acentuado, o açúcar residual também. Entregam jovialidade e frescor e ficam melhor para iniciar os trabalhos, mas podem ser abafados pela voz superior do bacalhau.

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Morgadio da Torre – Alvarinho – 2014
Denominação de Origem Controlada – Sub Região de Monção e Melgaço
Produtor: Sogrape
12,5% de álcool
Importador: Zahil
R$ 200,00

Um alvarinho mais imponente, de maior estrutura e que faz parte do batalhão de elite dos vinhos verdes. A subregião de Monção e Melgaço apontam para uma qualificação da bebida. Alia a acidez típica da casta a uma untuosidade que envolve a boca e traz aromas de frutas brancas e com um longo final. Sua persistência e volume combinaram com perfeição à cremosidade do molho e das postas de bacalhau. A dupla perfeita, cada qual no seu tom. O preço não é o mais acessível, mas o prazer compensa o investimento. Com a salada atravessa o prato.

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Via Latina – Alvarinho – 2013
Denominação de Origem Controlada
Sub-região de Monção e Melgaço
Produtor: Vercoope
12,5% de álcool
Importador: Orion Vinhos
R$ 65,00

A safra mais antiga entre os rótulos do Alvarinho provados. Na taça a cor já apontava para uns toques de evolução que se confirmaram na boca, aromas cítricos discretos e um toque mais mineral. Outro rótulo da subregião de Monção e Melgaço. A casta alvarinho em alguns momentos me lembra o perfil de um riesling mais fresco. Foi o caso desta Via Latina 2013, com seu final delicado, um toque mais doce. E quanto ao bacalhau? A parceria funcionou bem, sem se sobrepor ao seu sabor, acompanhando o seu ritmo, talvez com um compasso atrás. Um belo custo-benefício.

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016 Brancos, Tintos, Velho Mundo | 00:59

Vinhos portugueses: o Dão, o Douro e a dor de dente (parte 2)

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Os 50 tons do Douro e seus vinhos importantes

Na primeira parte deste post “Vinhos portugueses: o Dão, o Douro e a dor de dente (parte 1)”, o relato chegou até a região do Dão e contou a prova de tintos, brancos e um rosé realizada no Solar do Vinho do Dão. Não leu? Clica ali em cima e dá uma olhada. Na abertura da primeira parte, tentei resumir a viagem a Portugal numa frase que cabe em  um Twitter: “Os vinhos do Dão são elegantes, os do Douro, importantes, e dor de dente… ah isso ninguém merece.” Nesta segunda parte, voltamos ao giro pelos vinhedos e vinhateiros portugueses, mas agora a bússola está apontada para a região do Douro – um lugar que reúne história, diversidade, beleza e vinhos deliciosos. E a dor de dente? Eu esclareço no final.

 Os 50 tons do Douro

Numa escala de 0 a 100, como medem os críticos em suas pontuações de vinhos, a paisagem do Douro alcança fácil a nota máxima. Se o conceito de terroir é junção da geologia, da geografia, do clima e da ação do homem no vinhedo, o Douro é uma confirmação de sua existência. As colinas se sobrepõem em camadas, numa cadeia de elevações e declives que  lambem as margens do Rio Douro. As videiras são plantadas em terraços esculpidos no solo xistoso e talhados pela mão do homem durante séculos a fim de domar as características do terreno e evitar a erosão do solo. O sol atinge de maneira diversa as uvas de acordo com a posição em que são plantadas as videiras neste terreno sinuoso e ao mesmo tempo deslumbrante. Para os visitantes motorizados, o conselho “se dirigir não beba” é quase um redundante apelo à sobrevivência, pois mesmo sóbrio, as curvas, descidas e subidas são um desafio até para o motorista mais atento. Arrume, pois, um motorista, contrate um táxi, pois é impossível não beber no Douro. O Douro é importante, é imponente e produz vinhos espetaculares.

O Douro em 10 destaques

marco-pombalino1. O Douro é a primeira região demarcada de vinho do Mundo. Foi criada em 1756, por iniciativa do Marques de Pombal, que visava equilibrar o déficit do Estado com a venda do vinho do Porto, que já conquistara um mercado global importante no período. Entre 1757 e 1761 marcos de granito – conhecidos como marcos pombalinos (veja foto) – foram colocados nos terrenos do Douro para delimitar geograficamente a região.

2. É no Douro que estão os vinhedos dos vinhos do Porto, mas é em Vila Nova de Gaia, cidade vizinha ao Porto, onde se encontram os grandes armazéns que envelhecem os Portos de marcas mais conhecidas como Taylor’s, Graham’s, Down’s, Warre’s, Symington, Adriano Ramos Pinto, Croft, Kopke, Niepoort, Sanderman, Offley, etc. A razão é histórica e cartorial: até 1982 só era permitido comercializar o vinho do Porto através do entreposto de Gaia, o que obrigava os pequenos produtores a vender sua produção às grandes empresas. A partir de 1986 foi autorizada a exportação do vinho do Porto diretamente da Região Demarcada do Douro (RDD), permitindo que novos players entrassem neste mercado. Mesmo assim Gaia concentra a grande produção, leva a fama e está preparada para receber os turistas. Estando no Porto, é obrigatório visitar uma das grandes casas produtoras e fazer uma degustação dos vinhos.

3. A principal ligação da cidade de Gaia à do Porto é uma ponte de ferro – confesso que tenho uma certa vertigem de atravessá-la a pé – construída por ninguém menos que Gustave Eiffel, aquele que espetou a torre que levou seu nome em Paris e que virou símbolo da cidade.

4. A produção de vinhos no Douro guarda muitas tradições. Ainda é comum a pisa das uvas ser realizada com pés descalços em grandes tanques de pedra (conhecidos como lagares). Parece pouco higiênico, mas na verdade é um instrumento perfeito para esmagar as uvas e extrair das cascas todo seu valor fenólico, já que a pisa pé não tritura as sementes, o que resultaria em amargor para o vinho. Trata-se de um trabalho hercúleo que já é substituído em alguns casos por pisadores hidráulicos que simulam a pisada humana.

5. São vários os tipos de vinhos do Porto. Desde o Branco até os tintos que variam de potência e idade: Tawny (declaro desde já que são os meu prediletos), Ruby, Vintage (engarrafado apenas nos melhores anos), Colheita (produzidos em um único ano).

6. Desde 2001 o Alto Douro é reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade. Demorou, eu diria.

7. A região é dividida em três áreas: Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.

8. Se Portugal se caracteriza pela variedade e pela mistura de suas uvas nativas, é no Douro que a expressão “tudo junto e misturado” é a mais verdadeira. Muitos dos vinhedos são tão mesclados que os proprietários não se dão ao trabalho de identificar cada espécie plantada. Outros fazem um amplo trabalho de pesquisa e classificação de cada videira e as substituem por seus pares para manter a mesma mescla todos os anos.

9. Se o vinho fortificado do Porto é uma exclusividade do Douro, os tintos de mesa ganham cada vez mais adeptos. A história começa com o Barca Velha, criado em 1952, na Casa Ferreirinha. Mas a projeção dos vinhos de mesa – mais tintos do que brancos – ganha dimensão e pompa com o advento dos Douro Boys. Ali pela década de 90 um talentoso grupo de enólogos e proprietários se uniu e usou o marketing para mostrar os caldos de excelência que produziam na região. Deu muito certo. E hoje alguns de seus rótulos são premiadíssimos – e caríssimos.

10. Falar de Douro é falar de xisto, o tipo de granito que predomina no solo dos melhores vinhedos e que absorve e posteriormente irradia o calor e dá um caráter único aos vinhos da região.

 As vinhas, a chuva e os vinhos

Os vinhos do Douro fizeram parte da viagem desde o início até seu final, tanto em restaurantes de Lisboa como em outras provas, mas bebê-lo em seu berço é aquela experiência que explica o produto sem necessidade de bula. A chuva que nos castigou no Dão não nos abandonou no Douro. A dor de dente (ahá!) que estava tímida até então, e que não mereceu entrar na narrativa até agora, começou a mostrar (literalmente) suas garras – mas esta história eu detalho mais abaixo para não avinagrar o vinho que vem a seguir.

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Este colunista e o companheiro de viagem Water Tommasi, do Blog Tomassi no Vinho,  na piscina de fundo infinito da Quinta do Crasto: a foto inevitável

Crasto e a Quinta dos Avidagos

A Quinta do Crasto – que muito gente insiste de chamar do Castro, o que não é de todo errado pois está na origem do nome latino “castrum”, que significa “forte romano” -, tem um visual deslumbrante. Mesmo que seu interesse por vinho seja baixo (duvido, se não não estaria aqui), a visita à vinícola é um colírio para os olhos. É um chavão, mas é um cenário de cinema. A propósito, uma novela portuguesa estava sendo gravada ali. A adega e casa principal ficam no cocuruto do Cima Corgo com vista para as colinas recortadas pelos terraços de vinhedos e divididas ao meio pelo majestoso Rio Douro. No ponto mais alto da propriedade, uma piscina com fundo pra lá de infinito foi projetada criando a ilusão de que suas águas escorrem pelas montanhas de encontro ao rio. Uma foto ali é quase uma obrigação. A Quinta do Crasto mistura tradição e tecnologia. Faz uma espécie de BigData de suas videiras, com uma rastreabilidade total dos vinhedos (70 hectares), com registros de quem colheu, quando, quanto, em que período etc. A Vinha Maria Tereza, onde são cultivadas as uvas para o vinho de mesmo nome, por exemplo, reúne cerca de 49 variedades de uvas no seu terreno que são classificadas e identificadas. Conhecidíssimos no Brasil (a família Roquete, proprietário do Crasto, já morou no Rio de Janeiro e tem uma importadora exclusiva, a Qualimpor, que cuida de seus rótulos e dos alentejanos da Herdade do Esporão), têm uma legião de seguidores e consegue emplacar tanto tintos do dia-a-dia como joias da coroa com preços idem. De uma degustação dos seus rótulos mais vendidos, realizada junto ao enólogo Manuel Lobo de Vasconcellos, destaco duas ampolas abaixo

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Crasto Superior Branco 2014
Uvas: Verdelho e Viosinho

O Crasto Superior tinto é belo vinho que acompanha bem as refeições. Há pouco tempo ganhou sua versão de uvas brancas. Manuel Lobo Vasconcellos queria um branco que mesmo passando pelo processo de “Battonage”, que mantém o caldo em contato com as borras, se caracterizasse pelos aromas florais e cítricos. E na boca se revelasse um frescor gastronômico. Boa alternativa de um Douro branco mais acessível.

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Quinta do Castro Reserva Vinhas Velhas 2013
Uvas: São de 25 a 30 uvas nativas do Douro de vinhas de mais de 70 anos de idade

Concentração e complexidade aromática definem este que para mim é uma das melhores expressões do Douro, e em especial da Quinta do Castro. Tem nariz, boca e profundidade. Macio e longo. Boa integração com a barrica. Se tiver oportunidade de provar safras mais antigas vai constatar o potencial de envelhecimento. Um Douro que define a região. Em 2012 recebeu 92 pontos do site de  Robert Parker.

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Rui Nunes Matos na sala de grandes toneis da Quinta dos Avidagos

 Já a Quinta dos Avidagos, fica mais abaixo, próxima ao Rio Corgo, vizinha à belíssima Quinta do Vallado, onde tive a oportunidade de me hospedar em uma viagem anterior com minha mulher. É uma vinícola também familiar mas com uma estrutura menos tecnológica. São quatro quintas distribuídas num raio de 5 quilômetros. Rui Nunes de Matos está à frente da gestão do negócio. Ele e sua esposa não mediram esforços para nos receber e abriram sua sala de jantar e casa para nossa prova e estadia. Se fosse jurado numa escola de samba dava 10 para o requisito simpatia e generosidade para o casal. Foram fornecedores de uvas para outros produtores até 1996, quando lançaram seu primeiro rótulo. A linha mais básica tem um viés claro para agradar o mercado internacional – o sobrinho Pedro estava na China comercializando um grande lote de vinhos durante nossa visita. Será que os chineses vão consumir todo o vinho do mundo? Da gama dos rótulos provados há uma aposta em vinhos um pouco mais carregados nas tintas e na potência, ao gosto do novo freguês. Mas um rótulo especial se diferenciou e a mim, pelo menos, mostrou melhor o potencial do Douro, e da quinta. É deste que falo abaixo:

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Quinta dos Avidagos – Quinta do Além Tanha Grande Reserva 2008
Uvas: Touriga Nacional, Tinta Amarela, Tinta Roriz, Tinta Cão e Sousão

Provenientes de vinhas com mais de 60 anos de idade, é um típico representante do Douro: bem estruturado, integrado com madeira (14 meses), taninos bem macios e uma boa fruta madura em boca. Um vinho mais quente. A fruta se sobressai. A  mescla contribui para uma maior variedade de aromas e sabores.

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Todas as cores do Douro nos vinhedos de Alves Souza

Domingos Alves de Souza – Quinta da Gaivosa

Perfilar Domingos Alves de Souza é criar correlações entre o homem, sua terra e sua obra. Este engenheiro que virou vinho – e sua bela família – é de uma cordialidade, simplicidade e dedicação aos vinhos do Douro que cativa. A beleza de seus vinhedos, sua visão empresarial e a qualidade de seus brancos, tintos e fortificados fascina. Domingos Alves de Souza é um personagem. Eleito produtor do ano em 1999 e 2006, nos recebe pessoalmente. Domingos exibe cabelos e bigodes brancos, e veste um casaco pesado que protege da chuva e do vento frio – esta que nos acompanha todos os dias. Com muita energia e disposição nos guia em sua SUV percorrendo – com alguma ousadia – parte dos 134 hectares de vinhedos que foram herdados do avô e do pai e posteriormente aumentadas com novas aquisições. Uma montanha-russa de subidas e descidas íngremes que ele enfrenta sem parar de falar um minuto, um olho nos convidados e outro na estrada. O cenário é um espetáculo de cores – as folhagens das parreiras exibem aquela transição das estações, criando uma aquarela de tons amarelos claros e escuros, avermelhados e verdes, como da foto acima. De volta ao ponto inicial fazemos uma visita às modernas instalações da adega. Tudo ali é projetado em benefício da vinificação: condução por gravidade, espaços com iluminação natural e uma espécie de torre de controle onde os enólogos e técnicos podem observar toda a cadeia de produção, da chegada e seleção das uvas à fermentação e guarda em barricas. O próprio Domingos Alves Souza nos serve os goles dos vinhos, uma seleção de primeira que destaco os seguintes rótulos.

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Vale da Raposa Reserva 2011
Uvas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca

Esta quinta foi adquirida de um vizinho após muita negociação e trouxe o benefício de um caldo mais acessível. Tem aromas bem marcantes, frescor das uvas do Douro e muita tipicidade. O belo tinto para começar a amar o Douro.

 Personal

Alves de Sousa – Pessoal 2006
Uvas: são 10 castas autóctones (nativas) brancas.

Um dos grandes brancos provados nesta viagem. O vinho foi lançado apenas em 2015, 9 anos após ser produzido. Quem já bebeu o chamado “vinho laranja” vai identificar seu DNA nesta garrafa. As tais castas nativas estão sendo classificadas, mas são provenientes de vinhas velhas e por um processo oxidativo em que a vinificação é feita com as cascas das uvas. O resultado, óbvio, é de aromas mais puxados para um oxidativo que dá profundidade e longevidade ao caldo. Toques de mel e doce de frutas brancas.  Maravilhoso, onírico.

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Quinta da Gaivosa 2009
Uvas: Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca e Touriga Nacional

É uma das estrelas da casa. Resultado de provas cegas feitas na adega de mais de 20 vinhas que definem a mescla. Segundo Domingos, expressa a identidade de seus vinhos e do Douro “Nossa cara está aqui”. Mantém ainda juventude e frescor, muito macio em boca, com um belo potencial de fruta, especiarias e longo final.

 Loredo

Quinta da Gaivosa – Vinha do Lordelo 2011
Uvas: Tinta Amarela, Sousão e outras uvas

Lordelo é um vinhedo exclusivo de Alves de Sousa recuperado em 2003. Este caldo potente, concentrado, tem muita fruta madura, persistência longa, um aroma profundo das frutas negras e boa presença da madeira. Vinho de macho, que prima pela potência mas com estrutura, acidez, e fruta negra madura bem saborosa, e não excessiva, o que é muito importante. Complexidade dada pelo solo de xisto, e muita persistência no final. Um vinho de contemplação, até por que não é nem um pouco barato (mais de 600 reais no Brasil).

Importador no Brasil: Decanter

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Domingos Alves de Sousa e sua mulher Lucinda: recepção calorosa e ambiente familiar

Após a prova dos vinhos, uma refeição, preparada por sua amável esposa, Lucinda, foi servida na sala de jantar da casa onde mora a família Alves de Sousa.  Ali continuamos a beber seus vinhos, acompanhado de uma comida caseira e deliciosa. Acolhidos, juntos à família, jogamos conversa fora. E vinho para dentro. Uma foto de todos reunidos na varanda da casa finalizou a visita. A viagem tinha de continuar.

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Essas uvas um dia estarão engarrafadas em um Porto

Quinta Santa Eufêmia

A história é uma narrativa que nem sempre se vivencia. Deparar com um marco pombalino, o de número 27 de 1756, delimitando a região do Douro, é testemunhar a história de alguma forma. Perscrutar a capela que funcionava como um farol para o Rio Douro na época que suas correntes eram mais selvagens, deparar com a primeira nota de venda de vinho do Porto de 1864 e fotografar um lagar de granito com mais de 100 anos e ainda em uso é respeitar e compreender o conceito de tradição. A Santa Eufêmia é um negócio que está na família há quatro gerações. São 45 hectares de vinha, às margens Sul do Rio Douro, onde também são cultivados legumes e frutas. As oliveiras plantadas, além do seu uso mais óbvio, delimitam o terreno com os vizinhos. Apesar de ter vinhos de mesa em seu catálogo o forte são os Portos. Quem nos guia por esta volta ao passado é uma senhora da família, mas que há pouco tempo se dedica inteiramente ao negócio. Falha deste repórter, não anotei seu nome.

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Lagar de granito de mais de 100 anos

Primeira impressão é que seríamos prejudicados pela ausência do responsável pelo marketing tratado para nos receber. Mas simplicidade não significa desconhecimento. Recebemos uma aula sobre o lugar, sua história, sobre as características dos vinhedos e do processo de produção dos vinhos. “Na adega só trabalham mulheres, elas são mais detalhistas”, comenta para depois entregar um motivo mais prático “e também são mais cuidadosas no manuseio das máquinas. Isso é importante. Estamos no fim do mundo, uma avaria numa máquina leva muito tempo para ser reparada”, conclui. Aliás a presença das mulheres é uma constante aqui. A enóloga-chefe, Alzira Viseu de Carvalho, começou a produzir vinhos aos 7 anos de idade, num tempo em que o politicamente correto não exercia função de polícia dos costumes. É servida uma sequência de tintos de mesa, seguidos de fortificados, mas ela não prova nenhum deles. O motivo é comovente. Ela não consegue provar e cuspir o vinho tamanha adoração que tem pelos caldos, em especial os fortificados; não vê sentido, apesar de compreender que uma prova de vários rótulos por especialistas seja seguida pela devolução do líquido e não a absorção de todo álcool. Tendo a concordar um pouco com ela. Os Tawnys e o Colheita 2004 eu acabei tomando tudo, não devolvendo nada para o baldinho em cima da mesa.

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Quinta Sta Eufêmia – Tawny Branco 30 Years Old White
Uvas: Vinhas velhas com Malvasia Fina, Rabigato, Gouveio e uma parcela de vinha com mais de 50 anos de moscatel Galego.

Numa degustação às cegas os Portos brancos de 20, 30 anos lembram muito os Porto Tawny tinto, tanto na cor dourada característica desta bebida com o passar dos anos como até nos sabores e aromas de frutas secas, amêndoas, mel. Eles vão ganhando uma mesma pegada de complexidade. Talvez para conhecedores mais apurados, o Tawny branco tenha uma delicadeza maior no palato e um nariz mais persistente. Confesso que sempre me confundi. E aprendi a apreciar sua magistral evolução. Espetacular

 

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 Quinta Sta Eufêmia 20 Years Old Twany
Uvas: Tinta da Barca, Mourisco Tinto, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Francesa.

O Tawny com idade declarada é uma seleção de portos diferentes com uma média de idade igual ou superior a 20 anos que confere seus estilo. O Tawny me fascina tanto pela cor castanho, como pelos aromas delicados de frutas secas, tâmara e mel. E principalmente pelo fim de taça. Aquelas aromas que ficam flutuando no fim do copo que mostram o potencial do bichão. O envelhecimento é feito lentamente em barricas com mais de 50 anos, que confere maior complexidade ao caldo. Uma joia.

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Sta Eufêmia – Colheita 2004
Uvas: tradicionais do Douro, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Amarela, Mourisco Tinto, Touriga Franca, Bastardo. Vinhas Velhas com mais de 50 anos

É um vinho uma só colheita cuja comercialização é permitida apenas a partir do 7º ano. O que me atrai no estilo colheita é que ele é mais próximo do Tawny, na complexidade dos sabores, aromas e no persistência. Dourado escuro, para mim apareceram mais aromas de casca de laranja, damascos, as inevitáveis frutas secas.

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Dor de dente

Conforme prometido, aqui vai a o relato da dor. Só nos lembramos de nossos dentes quando vamos escová-los. Ou quando eles começam a incomodar. Eu me lembrarei dos meus para sempre quando recordar esta viagem para Portugal. Alguém com maior talento já deve ter descrito melhor uma dor de dente, mas defini-la como a antessala do inferno não é de todo impreciso.

Aconteceu de sentir um pequeno incômodo logo no segundo dia de viagem, à noite. Tomei uma aspirina. Tolinho. Daí em diante a dor vinha e voltava com graus variados de tensão. O vilão foi o incisivo lateral superior da direita, aquele dente que fica entre o incisivo central e o canino, que começou a latejar sem dó ou piedade. Sônia Vieira, nosso anjo da guarda da ViniPortugal, sugeriu um antiinflamatório. Resolvia. Por algumas horas. Mas claro que de madrugada a dor voltava, avisando que o lado negro da força estava sempre ameaçando meu sossego. Tomava outro comprimido e depois de um tempo parecia que alguém tirava a dor com a mão.

“E por que você não foi a um dentista?”, você pode se perguntar. Por que estava numa viagem recheada de compromissos, que passava por cidades pequenas e eu tentava pesar os prós e contras de me arriscar em um consultório desconhecido. Me iludi com os períodos de calmaria camuflados pelo medicamento. Algumas provas de vinho foram prejudicadas pela dor que ia invadindo meu raciocínio e minha noção de tempo; outras provas tinham efeito anestésico: amenizavam a dor. Mas aos poucos aquele arpão invisível voltava a espetar o interior do meu dente e alcançar a gengiva com seu ferrão.

Ao sair do Porto, após me deliciar com vintages e tawnies, o destino era a região dos vinhos verdes (tema do próximo post). O caminho até a Quinta da Lixa era um misto de pequenas estradas vicinais e finalmente uma autoestrada. Foi naquele momento que a dor atingiu o limite máximo do suportável, expalhou para todos os dentes de trás. Toda bancada da arcada dentária se revoltou e entrou com um pedido de impeachment do dente causador da tragédia bucal. Sofri calado, com galhardia, suando frio. O sertanejo é antes de tudo um forte! Quando notei que íamos passar por um cidade maior, Amarante, vislumbrei que a necessária e urgente ida ao dentista tinha mais chances de dar certo. A bem da verdade nesta altura do campeonato me consultaria até com um veterinário (sem piadas, por favor) na vila mais tristonha de Portugal.

Ao chegar ao hotel Monverde, no início da noite, o enólogo chefe da Quinta da Lixa, Carlos Teixeira, nos aguardava e eu baixei a guarda e clamei pela indicação de um profissional. Acho que meu rosto estava transtornado, meio bouchonée, e ele conseguiu agendar uma consulta para a manhã seguinte na própria vila que nos encontrávamos.

Doutor Luis Filipe, da Clínica Médica Jardim da Lixa, diagnosticou o problema: um canal mal resolvido tinha inflamado, bactérias invadiram os espaços ocos e tomaram conta da região num ataque terrorista que tirou a paz daquele território. Uma dor que iniciou tímida na Bairrada, ficou mais atrevida no Dão e rasgou a fantasia no Douro encontrou finalmente o exército da salvação na região do Minho, do Vinho Verde. Acho que agora está explicado o título deste post e a frase inicial: Os vinhos do Dão são elegantes, os do Douro, importantes, mas dor de dente… ah isso ninguém merece. Não podia deixar de registrar!

No próximo post: Vinhos de Portugal: Verde que te quero Ver-te.

Nota: a viagem a Portugal foi patrocinada pela ViniPortugal, organização que representa o setor vitivinícola português e promove os vinhos de Portugal.

 

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terça-feira, 22 de dezembro de 2015 Brancos, Tintos, Velho Mundo | 01:28

Vinhos de Portugal: o Dão, o Douro e a dor de dente (parte 1)

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Solar do Vinho do Dão: guardião dos vinhos da região

Solar do Vinho do Dão: guardião dos vinhos da região

O pior dos crimes é produzir vinho mau, engarrafá-lo e servi-lo aos amigos
Aquilino Ribeiro, in “Aldeia: terra, gente e bichos”
Inscrição pintada no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, Portugal

Portugal é uma experiência rica para os apreciadores dos vinhos brancos, tintos e os fabulosos fortificados do Porto. E prática. Trata-se de um país de distâncias municipais, tendo como referência o mapa brasileiro. É possível percorrer as regiões, os vinhedos e os produtores em poucos dias. O Dão e o Douro são vizinhos, assim como a região dos Vinhos Verdes e da Bairrada. O mapa vitivinícola ajuda, apesar de as estradas sinuosas do Douro complicarem um pouco a vida do motorista. E a experiência, e o cenário, se modificam em poucos quilômetros. Ah, e o preço dos vinhos, mesmo em tempos dilma desvalorização cambial, ainda são uma pechincha diante de nossas etiquetas.

É muito difícil escolher entre tantos tintos e brancos provados aqueles que mais agradam, ou entre várias vinícolas e produtores visitados os que mais impressionam e merecem um comentário e um espaço neste blog. Talvez mais fácil concentrar a seleção em algumas regiões. Se eu precisasse resumir minha viagem a Portugal em um post de Twitter, em poucos caracteres, seria mais ou menos assim: “Os vinhos do Dão são elegantes, os do Douro, importantes, e dor de dente… ah isso ninguém merece.” Como posso ultrapassar os 144 caracteres, e dividir este post em dois, explico a seguir o que quis dizer com esta frase. Comecemos pelo Dão.

O Dão é “bão”

Se você não é useiro e vezeiro de vinhos portugueses, talvez nunca tenha ouvido falar do Dão, ou melhor, prestado atenção à região no rótulos das garrafas que estão por aí. Em rápidas pinceladas podemos nos socorrer aos jargões (eles estão aí para isso mesmo) e definir os caldos desta região pelos seguintes destaques:

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O Dão está marcado em vermelho no mapa de Portugal

  • A região do Dão foi demarcada em 1908, em 1947 a Denominação de Origem é registrada
  • O Dão é considerado a Borgonha portuguesa por manter algumas semelhanças com esta região francesa, expressão máxima da pinot noir (para as tintas) e da chardonnay (para as brancas):; pequenas propriedades (algumas muradas), volumes menores, vinhos mais elegantes, maior equilíbrio entre corpo e acidez.
  • A região seria o berço da tinta Touriga Nacional (não há comprovação científica, a paternidade é dividida com o Douro); a uva dominava o Dão antes da Filoxera, isso lá é verdade.
  • A Touriga Nacional é predominante nos vinhos tintos do Dão, e produz caldos de maior elegância, aveludados, com  capacidade de desenvolver aromas e sabores delicados e persistentes após um tempo emcapsulado na garrafa.
  • Os melhores brancos da região são aqueles produzidos a partir da uva Encruzado, uma “quase” exclusividade do Dão. Seus aromas e corpo são potencializados pelo tempo em barrica e pela temporada em  garrafa (vale aguardar um pouco a evolução), proporcionando uma experiência sensorial onde acidez e persistência dão (ops) prazer.
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Osvaldo Amado: enólogo do ano

O Solar do Vinho do Dão, Antigo Paço Episcopal do Fontelo (de verão) e também usado por um tempo como prisão, fica localizado na cidade de Viseu. O edifício, reformado e inaugurado em 2004, é sede da Comissão Vitivinícola Regional do Dão. Chegamos ali após pernoitar no Hotel do Buçaco, um local que mistura história, tradição e uma certa aura dos vinhos exclusivos feitos para o Hotel. A ideia era concentrar vários produtores representativos do estilo do Dão e suas criações numa espécie de feira exclusiva para os dois jornalistas de vinho brasileiros que faziam a visita. Foram nove casas, cada qual com direito a expor três rótulos. Total de garrafas desarrolhadas: 32 (algumas roubaram na conta, é fato, mas não vou deletar).

Eram 11 horas da manhã e tínhamos uma hora e meia para provar os vinhos, conversar com os produtores, tirar fotos e fazer algumas anotações. É quase uma minimaratona de Baco, onde a tática para se chegar ao final exige uma rodada inicial de brancos, seguida de outra volta olímpica com os tintos e de preferência cuspindo a bebida na degustação (ok, eu sei; esta parte meio nojenta da coisa causa certo asco no público pouco acostumado, mas é superbem aceita no meio. Juro que não ofendi nenhum produtor devolvendo para o balde seu vinho. Trata-se de um método para manter a sobriedade da análise. E aroma se percebe pelo olfato, sabor pelas papilas gustativas, engolir não é determinante em provas. Mas confesso que vez ou outra um gole mais aprazível vai para dentro). Já disse em outro texto, o Dão me surpreendeu, sua elegância me conquistou – um conceito meio fluido mas perceptível – e tornei seu fã. Às escolhas, pois:

Os brancos e os tintos do Dão e um rosé de contrabando

BRANCOS

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Titular Colheita Branco 2014
Uvas: Encruzado, Malvasia Fina e Bical
Caminhos Cruzados
Site oficial

Trata-se de um vinícola recente (2012) e já com alguns prêmios de crítica para exibir. Muito aromático, fresco, um toque de abacaxi. Vinho para se beber jovem. Teor alcóolico namedida para um branco. Muito subjetivo isso, mas adorei a simplicidade do rótulo, apenas com texto, aparentemente da fonte “currier”. remetendo à tipologia da máquina de escrever. Bateu um banzo. Fácil de identificar na prateleira, de guardar na memória.

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Quinta do Perdigão Encruzado 2014
Uva: Encruzado
Quinta do Perdigão
Site Oficial

O vinho passa por um processo de bâtonnage (xiii lá vem o cara complicar…) de 4 a 6 meses. Explico, a batonagem (em português mesmo) é um processo comum no processo de alguns vinhos brancos que consiste em agitar as borras que ficam depositadas no fundo da barrica (no caso, carvalho francês) durante a fermentação para submergi-las à superfície. Isso potencializa os aromas e dá mais estrutura. É um branco potente (ui!), encorpado (afe!) e que revela o potencial da uva. Curiosidade: não adianta gravar o vinho pela imagem do rótulo, eles mudam todos os anos, obra da mulher do enólogo, Vanessa Chrystie.

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Quinta da Ponte da Pedrinha 2014
Uvas: Encruzado e Malvasia
Quinta do Ponte da Pedrinha

Há histórias que só mesmo o velho mundo conta. A propriedade está com a família desde o século 18. Um branco de perfil jovem e fresco, fruta gostosa, bastante cítrico e mineral. A malvasia dá uma quebrada na potencialidade do encruzado. Não passa por carvalho, fermentação em tanques de inox. Para beber ontem.

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Quinta Falorca Encruzado 2012
Uvas: Encruzado (90%) e malvasia (10%)
Quinta da Faloca

A família está à frente da vinícola há 5 gerações. Há uma mistura de vinhas novas e velhas, um branco mais concentrado, com sabores de frutas brancas mais maduras. É untuoso, cremoso, estagia três meses em madeira e também passa por processo de batonagem. Tem uma persistência gostosa e uma acidez que completa o cenário. Um dos grandes brancos do Dão que provei.

 

ROSÉ

Mendes-Pererira_Rosé

Quinta Mendes Pereira Touriga Nacional Reserva 2011
Uva: Touriga Nacional
Quinta Mendes Pereira

Ok, eu sei. Um rosé do Dão não será sua primeira escolha. Para mim, no entanto, foi uma agradável surpresa. Uma cor linda de rosé, vibrante, luminosa: o prazer também se dá pelo visual. No nariz frutas vermelhas frescas como morango e framboesa. Um toque doce na boca, que dá um volume extra, e a fruta detectada nos aromas se repete de forma importante. Uma prova do potencial da Touriga Nacional como matriz de vinhos variados.

 

TINTOS

Quinta_das_Camelias_tinto

Quinta das Camélias Touriga Nacional 2010
Uva: Touriga Nacional
Quinta das Camélias
Site Oficial:

Olha o Touriga Nacional aí gente! Este é o topo de linha da Quinta das Camélias. Passa 10 meses em carvalho francês antes de vir ao mundo. Um touriga muito floral com uma violeta exibida mas elegante. Aveludado na boca, delicado, boa extensão. Apenas 6.600 garrafas produzidas. Um fidalgo perfumado engarrafado!

 Carvalhao_Torto_2005

Quinta do  Carvalhão Torto 2005
Uvas: Jaen e Alfrocheiro
Quinta do Carvalhão Torto
Site oficial

Entre todos os vinhos do Solar, o Quinta do Carvalhão Torto 2005 mostrou uma pegada didática que aponta como o tempo de garrafa age (para melhor) no sabor de um vinho. Um vinho com contraprova: comprei uma garrafa para dividir a experiência com minha mulher aqui no Brasil e a impressão de qualidade e sabor permaneceu em ambientes diversos. As uvas têm excelência de maturação nos 7 hectares de vinha. As 30.000 garrafas deste vinho só são lançadas após envelhecimento por no mínimo cinco anos. Tem um aroma delicado e intenso de terra molhada, húmus. É classudo, com boa estrutura em boca e taninos suaves e macios. 12,5% de álcool completam a elegância e a frescura que combinada com acidez amplia a vivacidade do vinho. Um vinho que não teve pressa de chegar ao mercado; não precisa de rapidez em bebê-lo.

 Quinta dos Carvalhais_Encruzado

Quinta dos Carvalhais Colheita 2011
Uvas: Touriga Nacional (93%), Tinta Roriz (5%) e Alfrocheiro (2%)
Sogrape – Quinta dos Carvalhais

Uma mescla elegante onde a fruta mais escura predomina e o floral mais tímido marca presença nos aromas e no sabor. As uvas são fermentadas em tanques de inox separadamente e depois passam uma temporada em barricas francesas de primeiro e segundo uso. Um Dão de potência, que me pareceu ter menos acidez que seus colegas, mas boa estrutura e longa persistência. Um Dão de bigodes.

 Estremuas_tinto

Quinta das Estrémuas Reserva 2008
Uva: Touriga Nacional
Vinícola de Nelas

Uma Touriga Nacional à capela com muita exuberância de fruta madura, muito macio na boca e ótimo final. Mais fruta e menos flor. Passa por um estágio em madeira francesa por 11 meses antes de ir para a garrafa. Um belo exemplar do potencial do Dão com uma pegada mais estruturada e com suculência marcante.

 Cabriz_Reserva_tinto

Cabriz Reserva 2012
Uvas: Touriga Nacional (40%), Tinta Roriz (30%) e Alfrocheiro (30%)
Wine Soul/Dão Sul – Cabriz
Site oficial

A Dão Sul é um blockbuster do Dão, seus vinhos são facilmente encontrados nos supermercados brasileiros. Produz grande quantidade com qualidade e preço. O enólogo Osvaldo Amado foi eleito o enólogo do ano em 2015. Para conhecer um Dão mais básico experimente o Cabriz Colheita Selecionada. Esta garrafa aqui está posicionada um degrau acima. A linha Reserva passa 9 meses em barrica francesa de tosta fraca (não marca muito o vinho). Destaque para sua boca aveludada, de bons taninos combinados com algum floral. Osvado Amado apenas mostrou na feira a garrafa de um vinho impressionante, 25 Cabriz, uma edição comemorativa às bodas de prata da casa.  No almoço tivemos o prazer de dividir com todos os produtores. Impressionou.

 FAta

Quinta da Fata Touriga Nacional 2010
Uva: Touriga Nacional
Quinta da Fata

Pequena propriedade de apenas 6,5 hectares (oferece hospedagem também), produziu apenas 3.500 garrafas deste Touriga Nacional puro sangue. A propriedade é familiar há algumas gerações, mas as vinhas têm cerca de 15 anos. Segue a tradição de pisa a pé, fermentação em lagares de pedra. Passa seis meses em madeira nova e outros seis em madeira de segundo uso americanas e francesas. Tem um leve toque defumado, macio e com fruta madura intensa.

 Tnac-Tinto

Tnac 2010 by Falorca
Uva: Touriga Nacional
Quinta da Falorca

Outro rótulo moderno que chama a atenção para a descrição da variedade: Tnac = Touriga Nacional. Um tinto vibrante sem passagem por barricas de carvalho. Resultado: um caldo menos afetado aos humores da madeira. Foi um dos últimos vinhos provados e sua jovialidade e proposta foram um refresco para tintos mais compleixos que exibiam mais medalhas. Às vezes menos é mais.

 Perdigão_ALfrocheiro

Quinta do Perdigão Alfrocheiro 2009
Uva: Alfrocheiro
Quinta do Perdigão
Site oficial 

A Quinta da Falorca é um exemplo de produção familiar e cuidado de vinificação que são típicas do Dão. Produtor e enólogo, o próprio José Perdigão escreve os contrarrótulos com uma vocabulário que mistura informação e paixão. É ele também que me serve as garrafas,  comenta sobre a reforma do Solar, o desenho das etiquetas e principalmente do vinho que expõe – e aparentemente bebe com extremo prazer e satisfação. Tem muito disso em Portugal, a simpatia do produtor ajuda o vinho. Como Luis Pato, da Bairrada, tratado em outro post. Ah, o vinho! O Alfrocheiro é outra casta importante do Dão, aqui em carreira-solo. As uvas são colhidas em apenas 1 hectare de vinhedo “amigo do meio ambiente”, como descreve José Perdigão. Um vinho de estrutura firme, um toque defumado gostoso, uma goiabada em compota no nariz e auditada na boca. Frutas negras presentes. Também tem um toque de caixa de tabaco (parece estranho mas aparece), resultado do tempo de garrafa. Complexo, elegante; chega em várias camadas e demora a ir embora. Um Dão bão para fechar.

À mesa com o Dão

Finda prova nos reunimos todos para o almoço, desta vez com todas as garrafas da minifeira abertas e à disposição de todos para acompanhar a refeição. No cardápio a variada gastronomia portuguesa: bacalhau, leitão, embutidos, queijos. À mesa ninguém cuspiu o vinho, ele foi parceiro e ampliou os prazeres da comida. Como tem de ser.

No próximo post  –  Vinhos de Portugal: o Dão, o Douro e a dor de dente (parte 2) – eu conto um pouco sobre a parte da viagem ao Douro, seus vinhos importantes e também sobre a dor dente.

Nota: a viagem a Portugal foi patrocinada pela ViniPortugal, organização que representa o setor vitivinícola português e promove os vinhos de Portugal.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015 Brancos, Tintos, Velho Mundo | 01:25

Vinhos de Portugal: um Pato aqui, um Pato acolá.

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Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há
(O Pato, música infantil de Vinícius de Moraes)

 

pato

Luis Pato em foto oficial do site: um pato aqui (o bicho), outro acolá (o vinho)

Um Pato aqui

O vinho português é o que é por conta da diversidade de suas uvas nativas e das características que elas adquirem em cada uma de suas regiões vinícolas. A Bairrada é uma das 28 DOCs (Denominação de Origem Controlada) de Portugal. E foi para lá que partimos de Lisboa para iniciar nossa viagem aos vinhedos e vinhateiros da terrinha.  A região tem nos espumantes seu principal produto – 65% das borbulhas portugueses são da Bairrada -, mas são os tintos elaborados a partir da casta baga que fazem a fama do lugar pra quem se interessa por vinho.

A baga não é para amadores. Pode gerar  vinhos muito adstringentes e herbáceos – aqueles taninos que travam a língua -, mas nas mãos de hábeis vinhateiros é capaz de produzir caldos expressivos, com grande capacidade de guarda e complexidade. Um dos mais conhecidos magos da baga é o  brilhante enólogo Luis Pato, o domador da uva. Um iconoclasta que colocou a baga em outro patamar.

Os vinhos que levam estampados no rótulo o seu nome são para todos os públicos e bolsos. O mais básico – que leva um contorno de um pato vazado no rótulo – é figura carimbada em cartas de restaurantes brasileiros. Na comissão de frente dos rótulos se destacam as joias da coroa: o Vinhas Velhas (branco e tinto), o Vinha Pan e a experiência única do Pé Franco. O Pé Franco, como indica o nome, não usa aqueles enxertos que evitam a praga das parreiras, a filoxera, o que se traduz num tinto de uma pureza inigualável. Com seu bigode de português de almanaque e bom humor inconfundíveis,  Luis Pato é  presença garantida em feiras e degustações patrocinadas por seu importador no Brasil, a Mistral. Após algumas oportunidades de encontrar o criador, apareceu a oportunidade de conhecer as origens da criatura: sua terra e seus  vinhedos.

Leia também: Os bons vinhos e o bom papo de Luis Pato

Um Pato Acolá

Chegamos à vinícola no meio de uma manhã de tempo nublado e chuvoso. Logo na entrada do prédio que abriga a adega uma simpática senhora  descia os degraus de uma pequena escada que leva ao edifício principal. Era a mãe de Luis Pato. Ela nos cumprimentou e indicou o caminho da entrada. O criador, Luis Pato, não se materializaria neste dia – fazia uma viagem de negócios -, mas sua presença em fotos, pôsteres e nos rótulos dos vinhos não deixavam dúvidas de que aquele era seu domínio. Quem nos recebeu, no entanto, foi outra representante da família Pato, Maria João, demonstração evidente de que estamos diante de uma empresa familiar, algo que no mundo do vinho às vezes faz a diferença.

Quinta do Ribeirinho

Maria João tem os olhos muito azuis, um sorriso fácil e uma maneira de falar recheada de graça e ironia. Enquanto dirige o jipe levando os visitantes por um passeio por parte dos 60 hectares de vinhedos da família, vai apontando onde estão plantadas as uvas responsáveis por pérolas do catálogo Luis Pato: “Aqui estão os vinhedos da casta Maria Gomes, que produz nossos espumantes”. Mais adiante paramos em frente às fileiras de plantas que geram os frutos responsáveis pela Vinha Barrosa, Vinha Pan ou as exclusivas (e caríssimas, R$ 1.500,00 a garrafa no Brasil) parreiras da Quinta do Ribeirinho Pé Franco, cercadas de eucaliptos. “O Pé franco cheira a Eucalipto”, informa. Conta histórias da família. “Os clones da uva cercealinho foram plantados por meu avô (João Pato)”, passa pela antiga casa que foi morada de seus antepassados, logo após a pequena torre que, à maneira de Bordeaux, delimita as franjas da propriedade da Quinta do Ribeirinho (foto ao lado). Apresenta versões para a origem do nome Bairrada “vem do solo de barro” ou então do latim, “significa conjunto de bairros”. A chuva às vezes dá uma trégua e descemos do carro e nos aproximamos dos vinhedos, checamos o solo arenoso, o barro que pode ser origem da região, observamos o ciclo das vinhas “as plantas com as folhas mais vermelhas costumam ser de uvas tintas e as mais claras de uvas brancas”, indica Maria João, identificando algumas espécies. Ali, no meio do vinhedo, com os pés no barro, ouvindo sobre o manejo das uvas, me ocorre um sentimento de inadequação entre a simplicidade e a verdade das pessoas que lidam com a produção do vinho e  a solenidade que a crítica e os especialistas impõem à bebida. É bom conhecer de perto a origem de um vinho para entender a mensagem que vem da garrafa.

Maria João é filha menos famosa de Luis Pato. Felipa Pato, a outra irmã, tem um empreendimento na região e já tem uma grife de vinhos com certo reconhecimento. Produz rótulos bastante interessantes e saborosos, em especial, para mim, os da linha Local e seus espumantes. Maria João, no entanto, discorre sobre os vinhos e as vinhas (“2014 foi um ano difícil na Bairrada”) com conhecimento e intimidade. As vinhas estão plantadas em terrenos de solo calcário e argiloso e o clima sofre forte influência do Oceano Atlântico. A proximidade do mar, “mais próximo que em Bordeaux”, explica, potencializa a precipitação de chuvas, dificultando em algumas safras a maturação das uvas. Aí entra o talento da família em dominar este processo.

Maria João na adega com um rótulo antigo

Maria João na adega com um rótulo antigo

Voltamos ao prédio onde começamos a visita. Luis Pato é uma vinícola de médio porte, as instalações são modernas e eficientes, mas não grandiosas; não vendem arquitetura, mas qualidade do que vai dentro da garrafa. Passeamos na sala onde estão armazenados garrafas novas e antigas. Maria João embala alguns rótulos mais antigos e conta sua história, uma aula visual proporcionada pelas alterações das etiquetas, desde a  assinatura de Luis Pato – sempre presente – até a evolução do design. Ao mostrar a linha de mais alta gama, Maria João expressa o desejo de aumentar as vendas dos rótulos de maior valor agregado, ou seja, os mais caros. “Acho que  não é uma tarefa fácil”, argumento, tentando contextualizar o momento econômico. Mesmo viajando, o Brasil nunca sai de dentro de nós… Os maiores mercados de Luis Pato são: Estados Unidos, China (Macau), Noruega e por fim o Brasil. Estamos bem, mesmo assim.

ov.josmolespgDali partimos para um almoço regado a vinhos. Carrego uma caixa pesada, onde estão os rótulos que iremos provar. “Começamos bem!”, penso antecipando o prazer da prova. O restaurante era o reconhecido O Reis dos Leitões, em Mealhada. O prato principal, como não poderia deixar de ser, foi o Leitão da Bairrada. Iniciamos a refeição com entradas típicas, como uma espécie de empada recheada de carne de porco, presuntos e cremosíssimo queijo do Azeitão e finalizamos com uma sobremesa típica: ovos moles de Aveiro – pequenas porções doces de gema de ovo cozidos em xarope e envoltos em hóstias (foto ao lado). A carta de vinhos, premiada como uma das três mais importantes de Portugal – uma bíblia cheio de rótulos portugueses de todas as regiões –, também contempla alguns rótulos importados, em especial uma bela seleção de champagnes.

O que é que há: os vinhos

Cinco vinhos bebidos no Rei dos Leitões, e um aqui em casa (enquanto escrevo este texto)

mariagomes

Maria Gomes sparkling – método antigo

100% Maria Gomes

O método antigo é chamado por Luis Pato de antichampagne, pois só tem uma fermentação, ao contrário das tradicionais duas fermentações do método clássico. Para isso a uva tem de ter alto teor de açúcar, já que não há adição de mais açúcar, comum no método champenoise. “Champagne é o açúcar mais caro do mundo”, costuma ironizar Luis Pato. Aromático (característico da Maria Gomes) e com bela acidez tem aromas de fermentação presentes, resultado do método. Um belo e diferente espumante que vale experimentar.

bairrada95

Vinhas Velhas Luis Pato Bairrada Vinho Branco 1995

Uvas: Bical, Maria Gomes e Cercial

Vá lá, é um vinho para impressionar visitante, para mostrar o potencial histórico. Bingo! No contrarrótulo, o texto sugere que o vinho pode ser guardado por tempo superior a 10 anos. Eu sempre duvido destas previsões. Mas em 2015, passados os 10 anos, se revelou um branco soberbo. Com uma linda cor dourada, mel em profusão, um doce de figo em compota no nariz e na boca, untuoso e longo. Pra quem acha que só vinho tinto ganha com o tempo, uma lição de paladar evoluído.

Vinhas.Velhas.pg

Vinhas velhas tinto 2011

Uva: Baga

Um vinho que sempre me agrada. Um clássico que representa Luis Pato e sua baga de resultados. Potência, um toque de fumê, que é dado pelo solo – segundo Maria João -, e com uma menta muito perceptível no final de boca. Quer se iniciar nos vinhos de Luis Pato? Comece pelo mais básico, vai dar uma ideia. Quer provar o potencial da um bom baga? Eis aqui uma experiência que retrata o trabalho do enólogo.

VinhaPAn

Vinha Pan 2011 – Bairrada DOC

Uva: Baga

Aqui o capricho se dá desde a seleção, são apenas três cachos por cepa nos Vinhedos de Panasqueira (daí o nome Pan), com solo de argila-calcário (você encontra vestígios de amonites – conchas de origem marítima). Bom de aroma e de boca, com um baita potencial de guarda, mas já se revela grande na safra 2011.

VinhaBarrosa

Vinha Barrosa 2012 – Monopólio – Bairrada DOC

Uva: Baga

A vinha Barrosa é a vinha mais velha (quase 90 anos) da propriedade, todo o trabalho é manual. Situada numa espécie de concha, está rodeada de pinheiros. 2012 foi um ano mais quente, é um vinho redondo, macio, de boa estrutura e complexidade. Isso tudo para dizer que é um vinhaço, com aromas mais presentes, que vai mudando na taça e mantém uma sensação gostosa ao passar dos goles. Vai envelhecer com galhardia e pompa. Então, se você foi contaminado pelo paladar da linhagem Pato aqui o namoro vira casamento.

FernãoPires

Fernão Pires 2012

Uvas: Fernão Pires 96% e Baga 4%

Você já provou um vinho tinto elaborado primordialmente por uma uva branca? Tá aqui uma oportunidade. Luis Pato juntou 6% da tinta baga e pintou a branca Fernão Pires. Uma homenagem ao neto Fernão.O rótulo mostra a mão de uma criança e de um adulto se tocando pelos dedos, numa referência ao afresco da Capela Sistina.  É um tinto delicado, 12º de álcool, perfumado, uma fruta vermelha silvestre, uma boa acidez, que se bebe com prazer e sem grandes pretensões. Um vinho de curtição e não de elucubração, que embalou a finalização este texto. Nada melhor para embalar um texto que o vinho sobre o tema, né não?

Lá vem o Pato..

selvagem

Enquanto passeávamos pelas estradas entre os vinhedos da propriedade, Maria João revelou, um pouco intimidada, que tem em barrica um primeiro vinho em gestação: por enquanto chamado de “Selvagem”, ainda uma experiência sem pretensões comerciais. Não está pronto, ainda está em processo de apuração. Mas já revela uma pegada mais natural, a formação de um estilo de vinho sem intervenções. A propósito, não é apenas o vinho que está em gestação. Maria João está grávida. Uma nova geração Pato vem aí, para ver o que que há neste mundo.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2015 Brancos, Novo Mundo, Tintos | 23:13

Viña Carmen, uma vinícola chilena “especialista em carmenère”

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Sebatian Sabbe e a linha Premiere e Gran Resevra: de roupa nova

O enólogo Sebastian Labbe e a linha Premier e Gran Reserva: de roupa nova

A uva carmenère é responsável por um vinho assim meio Paulo Coelho. Os consumidores adoram, incluindo os brasileiros, e os especialistas torcem o nariz. É justo. E é injusto – com a carmenère, não com o Paulo Coelho. E esta implicância tem lá sua razão de ser. “Redescoberta” em 1994 no Chile (era confundida com a merlot), precisou passar por um aprendizado para encontrar seu lugar no mundo do vinho. Os primeiros exemplares – e curiosamente os que fizeram seu sucesso e marketing – tinham um sabor exageradamente vegetal, verde, pois ainda não se conhecia o tempo correto de maturação, mas já tinha como característica um toque mais macio que o da cabernet sauvignon. Mesmo assim ganhou o carimbo de uva porta-estandarte do Chile. Com o tempo, foi encontrando o solo mais adequado, tempo correto de colheita e um perfil mais refinado – além de ser usada com sucesso para cortes (misturas com outras uvas).

A Viña Carmen é parte importante desta historia. Foi em suas terras que se deu o reconhecimento da varietal carmenère em 1994 após a desconfiança do ampelógrafo francês Jean-Michel Boursiquot de que algumas uvas consideradas como merlot não maturavam no tempo correto. Comprovada sua teste em exames laboratoriais, a certidão de “renascimento” da carmenère foi lavrada e a notícia ganhou o mundo. Originária da França, da região de Bordeaux, como a maioria das uvas blockbusters internacionais, é raridade em sua terra natal. Esta história, repetida “ad nauseam” por todo produtor e enólogo chileno que vem ao Brasil, confere uma certa paternidade da carmenère à Viña Carmen. “Como fomos os pioneiros, temos a obrigação de ser especialistas em carmenère”, diz o enólogo-chefe da Carmen, Sebastian Labbe, que começou na empresa em 2005 limpando cubas.

De cara nova

A Viña Carmen não é uma novidade nas taças dos brasileiros, um volume razoável é consumido por aqui, o bastante para colocar o Brasil como o terceiro mercado mais importante para a vinícola, atrás da Irlanda e do Canadá, A Viña Carmen, tão pouco, é uma estreante no ramo. Terceiro maior grupo vinícola do Chile, também ostenta o título de a mais antiga vinícola do país  ainda em atuação (foi fundada em 1850), além de ser a primeira considerada orgânica.

Estes eram os rótulos que você encontrava nas prateleiiras das lojas e na importadora

Estes eram os rótulos que você encontrava nas prateleiras das lojas

Atenta ao tamanho que as vendas no Brasil representam em seu balanço financeiro, a empresa trouxe em primeira mão o novo figurino de suas garrafas. Os rótulos de fundo branco, “meio apagados e sem destaque nas prateleiras de lojas e supermercados”, segundo o diretor de exportações Luis Carlos Andrade, ganharam texturas mais escuras (azul escuro, vinho) e molduras que transmitem mais nobreza e os distinguem entre outros rótulos. A repaginada também reclassificou o antigo Reserva que agora atende pelo nome de  Premier.

É assim que você vai encontrá-los nas lojas agora

É assim que você vai encontrá-los agora nas lojas


Carmenère

Mas e aquela desconfiança dos especialistas com a carmenère? Preciso confessar que estou naquele time que se tiver de escolher um rótulo chileno não será da uva carmenère. Mas é preciso dar a mão à palmatória: os vinhos vêm evoluindo e, às vezes, surpreendendo. Como ensina Sebastian Labbe, houve um aprendizado. O tipo do solo, por exemplo, é importante. “Pedra não é bom para carmenère”, ensina. “Regra número 1: solo bom para cabernet sauvignon não é bom para carmenère.” E por aí vai.

Um bom exemplar desta prova nos noves é o Carmen Gran Reserva Carmenère 2012 (R$ 128,00), com uvas da região de Apalta, no Vale de Colchagua. Em uma frase: é um caramenère com acidez, frescor e boa fruta madura no nariz e no final da boca. Totalmente varietal? Quase, uma pitada de 5% de carignan na receita “dá uma levantada no final de boca evidenciando o frescor”, revela Sebastian Labbe, que costuma decidir o ponto ideal da colheita das frutas pela velha e boa prova da boca (prática que o enólogo Felipe Toso,  da linha Grey da Ventisquero, também adota. (Leia em Felipe Toso, o “cozinheiro” dos vinhos chilenos Grey, comemora dez safras, explora novos terrenos e lança rótulos).

Um ou dois degraus abaixo o Carmen Premier Carmenère 2014 (R$ 90,00), também de Colchagua, suaviza o vegetal da carmenère mas mantém seus traços um pouco mais exibidos. A nova linha Premier inova no rótulo, mas não abandonou o estilo típico do carmenère que atendia  pelo nome de Reserva  e que você provou por aí. Corpo médio, é correto, mas não empolga. Os 40 reais que os separam fazem diferença.

Cabernet Sauvignon e Chardonnay

Mas nem só de carmenère vive a Viña Carmen. Seu Cabernet Sauvignon Gold Reserve 2009 já ganhou destaque no Guia Descorchados – a referencia dos vinhos chilenos e argentinos – e a chardonnay levou 90 pontos do Robert Parker (que na realidade não quer dizer nada, mas também quer dizer alguma coisa, depende da sua visão do mundo do vinho).

Carmen Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2012 (R$ 128,00). Com uvas de vinhedos próprios da região do Alto Maipo, berço nobre da cabernet sauvignon no Chile, este tinto tem um perfil de boa tipicidade da varietal, carnudo e uma acidez que é resultado da diferença da temperatura entre o dia e a noite. “Nem sempre uma grande amplitude térmica é algo bom. Como à noite a temperatura baixa muito, a cabernet sauvignon precisa ter um maior teor alcóolico”, observa Labbe, que acredita que “a cabernet sauvignon precisa se reposicionar no Chile”. Aqui a concentração e a estrutura dão as mãos para acidez e resultam num caldo que aponta um direcionamento  mais marcado para a expressão da fruta

Pra finalizar um vinho que costuma iniciar os trabalhos, um branco. O Carmen Gran Reserva Chardonnay 2013 (R$128,00), da região certa para as uvas brancas, Casablanca, vem de vinhedos de mais de 22 anos. Passa por uma fermentação em barricas francesas de 25% do seu caldo e 9 meses em contato com as leveduras. Resultado: notas amanteigadas e tostadas na medida (tem que não goste, me agrada na medida certa), toques frutados de pêssegos maduros e fechando o conjunto uma acidez equilibrada.

Os vinhos da Viña Carmen são importados pela Mistral.

 

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quarta-feira, 22 de abril de 2015 Blog do vinho, Brancos, Degustação, Espumantes, Nacionais, Novo Mundo, Porto, Rosé, Tintos, Velho Mundo | 14:00

Conheça os melhores vinhos do concurso Top Ten 2015 da ExpoVinis

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Como acontece todos anos  os homens que cospem vinho se juntaram mais uma vez para realizar o concurso Top Ten, versão 2015 (que bem poderia chamar Os 10 Mais), da 19º edição da Expovinis, a maior feira de vinhos da América Latina. O concurso reuniu profissionais, especialistas, jornalistas e um palpiteiro (este que vos escreve que participa pelo oitavo ano consecutivo) para provar vinhos às cegas de vários países e estilos e eleger os 10 melhores. Quem acompanha este blog sabe da lisura deste concurso e de como ele funciona. Para quem chega aqui pela primeira um rápida explicação (ou clique nos links distribuídos pelo texto). A tabela está logo abaixo, seguida das fichas dos vinhos

Top Ten como funciona

Os vinhos que concorrem na degustação do Top Ten da ExpoVinis são aqueles enviados pelos expositores/produtores. Não são exatamente os melhores vinhos da feira, nem é esta a pretensão. Concorre quem quer. Eles são divididos em uma dezena de tópicos. Em 2015 foram 125 amostras distribuídas entre as seguintes categorias: espumantes nacionais (16), espumantes importados (8), brancos importados (15), brancos nacionais (12), rosados (10), tintos nacionais (18), tintos novo mundo (13), tintos velho mundo I – Portugal e Espanha (11), tintos velho mundo II – França e Itália(15), fortificados e doces (7). As garrafas são cobertas, numeradas e avaliadas. As notas são registradas no sistema (é distribuído um iPad para cada jurado com usuário e senha), somadas e os melhores em cada categoria levam a medalha no peito e saem anunciando por aí. Justo ou não, trata-se de um julgamento coletivo, que é mais preciso que a nota de um só critico. Os jurados só conhecem os rótulos provados no momento da divulgação do resultado. Confesso que é até meio frustrante, a gente passa dois dias provando vinhos e sai de lá sem saber os rótulos que bebeu e quais foram os eleitos. Mas é a forma correta de fazer isso.

TOP TEN 2015 – Resultado  Final

1. ESPUMANTES NACIONAIS – Vencedor: Aracuri Brut Chardonnay 2014

2. ESPUMANTES IMPORTADOS  – Vencedor: Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie N/V

3.  BRANCOS NACIONAIS – Vencedor: Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2014

4. BRANCOS IMPORTADOS  – Vencedor: Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

5. ROSADOS – Vencedor:  Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

6. TINTOS NACIONAIS  – Vencedor:  Valmarino Ano Xviii Cabernet Franc 2012

7. TINTOS NOVO MUNDO – Vencedor:  Renacer Malbec 2011

8. TINTOS VELHO MUNDO I (Espanha e Portugal) – Vencedor:  Pêra Grave Reserva Tinto 2011

9. TINTOS VELHO MUNDO II (Itália e França) – Vencedor:  Sangervasio A Sirio 2007

10. FORTIFICADOS E DOCES  – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

PRÊMIO JOSÉ IVAN DOS SANTOS (vinho com a maior média, 93.5) – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

ESPUMANTES NACIONAIS

Aracuri Brut Chardonnay 2014

País: Brasil

Região: Campos de Cima da Serra – Rio Grande do Sul

Uva: chardonnay

Produtor: Aracuri Vinhos Finos

Site: www.aracuri.com.br

Elaborado pelo método charmat (segunda fermentação em tanques de inox), usa apenas uva chardonnay. Na minha avaliação era aquele que apresentava maior toque de evolução entre os representantes das borbulhas nacionais.  Não é assim que o site da empresa define o vinho: “espumante elegante e refrescante de perlage fina e abundante. No aroma destacam-se as notas de damasco, raspas de limão e pão fresco. O paladar é envolvente e cremoso com acidez cativante.”. Mas é um bom sinal a  eleição de um blanc de blanc (espumante feito apenas com chardonnay) verde-amarelo.

espumantes

ESPUMANTES IMPORTADOS

Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie

País: França

Região: Champagne

Uvas: chardonnay (70%), pinot noir (15%), pinot meunier (15%)

Empresa: Sas Prat Champagne Georges De La Chapelle

Site: www.georgesdelachapelle.com

Existe uma clara tendência dos jurados eleger um espumante importado que mais chegue perto das características de um champagne tradicional, e não deu outra. Para começar pelo tradicional corte, com as uvas tradicionais da região. Bateu nas anotações dos jurados: cor dourada, aromas de frutas secas, um toque oxidativo e boa perlage. Este exemplar vem de vinhedos com mais de 40 anos e de uma mistura (cuvee) das safras de 2004, 2006 e 2008. Um belo champagne, sem dúvida. Afinal, não há espumante como um champagne…

BRANCOS NACIONAIS

Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2012

País: Brasil

Região: Altitude Catarinense – Santa Catarina

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Vinícola Pericó Ltda

Site: www.vinicolaperico.com.br

E um vinho de altitude, de Santa Catarina, elevou o sauvignon blanc nacional para o topo da categoria dos brancos nacionais. Elegante, sem exagero de aromas, lembra frutas tropicais no nariz e na boca, no site oficial são descritos “melão, mamão papaia, casca de grapefruit e uma nota discreta de maracujá e de folha de tomate”  Eu não percebi tudo isso, mas um frescor marcante, com bela acidez e boa estrutura.

 BRANCO

BRANCOS IMPORTADOS

Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

País: Chile

Região: Vale Leyda

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Casas del Toqui

Site: www.casasdeltoqui.cl/cdt.html

Importador: Bodegas De Los Andes Comercio De Vinhos Ltda

Site: WWW.BODEGAS.COM.BR

O sommelier Hector Riquelme, sem saber quem era o vencedor, declarou que um “perfumista” havia vencido a categoria dos brancos importados. De fato, este sauvignon blanc é muito típico, e se destacam aromas de aspargos, arruda, herbáceo, na boca uma certa salinidade, boa estrutura e um final mais longo, acentuado pela mineralidade e ótima acidez. O  perfumista me conquistou.

ROSADOS

Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

País: França

Região: Provence

Uvas: grenache, cinsault, syrah, carignan, mourvedre, tibouren

Produtor: Cellier Saint Sidoine

Site: www.coste-brulade.fr

A cor em um rosé é elemento importante, ela seduz – ou não – de cara. Aqui um rosa pálido com reflexos de salmão davam pinta da região de Provence, confirmada no nariz mais cítrico, no frescor em boca provocado pela bela acidez que prolongava o prazer em boca. Ao contrário ao ano anterior, onde o painel dos rosados era bem fraco, este ano vários vinhos competiram em pé de igualdade pelo primeiro lugar. Prova de qualidade dos rosés, nem sempre reconhecida.

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TINTOS NACIONAIS

Valmarino Ano XVIII Cabernet Franc 2014

País: Brasil

Região: Pinto Bandeira, Rio Grande do Sul

Uva: cabernet franc

Produtor: Vinícola Valmarino

Site: www.valmarino.com.br

Oba! Um cabernet franc 100% levou o melhor nacional tinto, recuperando o prestígio desta uva que já foi mais importante no Brasil (outro cabernet franc estava na disputa final). Tem a presença forte de madeira no nariz, e em seguida aparecem frutas negras, couro e chocolate. Na boca um tanino macio, uma boa fruta presente, com a madeira integrada, um final de qualidade. Este foi um vinho que foi melhorando na taça e que foi surpreendendo ao longo da prova e crescendo na pontuação (na minha, pelo menos).

TINTO NOVO MUNDO I – ARGENTINA E CHILE

Renacer Malbec 2011

País: Argentina

Região: Lujan de Cuyo, Mendoza

Uva: malbec

Produtor: Bodega Y Viñedos Renacer

Site: www.bodegarenacer.com.ar

A Argentina papou o prêmio do Novo Mundo com sua uva símbolo, a malbec. Os 24 meses em barricas francesas de primeiro uso e os seis meses de garrafa trouxeram aromas mais evoluídos de bala toffee e frutas negras. Não tem aquele floral exuberante, de violeta, que em excesso incomoda. De vinhedos de mais de 90 anos de idade, este malbec conquistou pela fruta em boca, tanino doce e suave e final mais longo. Infelizmente a categoria se  limitou a garrafas do Chile e da Argentina, o que limita um pouco o painel. Seriam bem-vindos tintos da Austrália, África do Sul, Estados Unidos…

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TINTO VELHO MUNDO II – ITÁLIA E FRANÇA

Sangervasio A Sirio 2007 IGT

País: Itália

Região: Toscana

Uvas: 95% sangiovese, 5% cabernet sauvignon

Produtor: Sangervasio

Site: www.sangervasio.com

Importador: Zahil

Site: www.zahil.com.br

O melhor tinto velho mundo é um velho conhecido dos apreciadores de tintos italianos. Há anos importado pela Zahil, já tem seu público cativo e me causou certa surpresa sua presença no Top Ten. A Sangervasio se define como um vinhedo biológico da Toscana. Este A Sirio IGT tem pinta de supertoscano e passa 14 meses em barricas (50% novas) e 2 anos em garrafas antes de encher sua taça. Isso provoca uma textura macia na predominante sangiovese, com um bom impacto de frutas, especiarias e corpo médio. Não se notam seus 8 anos de vida. Vai longe. Avanti Itália!

 

TINTO VELHO MUNDO – PORTUGAL E ESPANHA

Pêra Grave Reserva Tinto 2011

País: Portugal

Região: Alentejo, Évora

Uvas: syrah, touriga nacional e alicante bouchet

Produtora: Pêra Grave, Quinta de São José de Peramanca

Site: www.peragrave.pt

Representante: Luxury Drinks Portugal

Site: www.luxury-drinks.pt

Aprendo no site oficial da vinícola que ele é produzido na antiga quinta de Pêra Manca do séc. XIII até ao séc. XIX. Trata-se de um caldo potente, típico desta região mais quente de Portugal. Muita fruta negra no nariz e um toque floral da touriga nacional. Na boca a potência se confirma com as frutas mais maduras e com a passagem pelas barricas. Boa persistência final. Vinhão para quem curte caldos mais concentrados.

doces

DOCES E FORTIFICADOS

José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

País: Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: 100% moscatel de Setúbal

Produtor: José Maria da Fonseca

Site: www.jmf.pt

Importador: Decanter Vinhos Finos

Site: www.decanter.com.br

Uauau!  Não é muito profissional começar uma descrição assim, mas eu repito: uauau!!! A cor âmbar com alguns reflexos esverdeados já dá a dica de coisa boa, os aromas em camadas longas e persistentes de nozes, caramelo, avelã, frutas cristalizadas aumentam a tensão, na boca a confirmação destes aromas acompanhada de uma belíssima acidez que quebra seu doce e mantém o prazer da bebida por minutos. José Maria da Fonseca (aquele do Periquita) é o mais antigo produto de Moscatel de Setúbal, um Denominação de Origem Controlada (D.O.C.), reconhecida desde 1907.Este Moscatel de Setúbal 20 anos é resultado de um lote de 19 colheitas em que a colheita mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga perto de 80 anos, O resultado é complexidade, elegância, longo final e um paladar de tirar o rolha.

O nomes dos culpados pela eleição dos onze vinhos acima

 O time dos homens que cospem vinho do Top Ten tem uma certa consistência. Os doze homens são divididos em dois grupos, cada qual com um presidente a quem compete resolver qualquer impasse. Fica a crítica da ausência de juradas mulheres, que hoje são parte importante da crítica de vinhos no Brasil e no mundo.

 Presidentes de mesa

Hector Riquelme – sommelier chileno

Mario Telles Jr –  ABS-SP

Jurados (em ordem alfabética)

Beto Gerosa – Blog do Vinho

Celito  Guerra – Embrapa

Jorge Carrara – Prazeres da Mesa

José Luis Borges – ABS São Paulo

José Maria Santana – jornalista e crítico de vinhos revista Gosto

José Luiz Paligliari – Senac

Manoel Beato – sommelier grupo Fasano

Marcio Pinto – consultor e ABS-MG

Ricardo Farias – Sbav Rio de Janeiro

Tiago Locatelli – sommellier Varanda

José Ivan dos Santos, o gentleman do vinho

José Ivan dos Santos: homenagem

José Ivan dos Santos: homenagem

Este ano o concurso Top Ten teve um trago amargo. A ausência de José Ivan dos Santos na coordenação do evento, sempre em dueto com o crítico e consultor Jorge Lucki. José Ivan, ou Zé Ivan, era um gentleman do vinho, um conhecedor que não botava banca, um aglutinador de pessoas e de uma simpatia contagiante.  Zé faleceu, repentinamente, há pouco mais de dois meses, com um livro pronto para ser lançado. Em homenagem ao Zé, este ano foi instituído um 11º prêmio no Top Ten, o Prêmio José Ivan dos Santos para o vinho com a melhor pontuação em todas as categorias. O prêmio especial será entregue ao inebriante José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos. Uma justa homenagem que o concurso presta ao amigo Zé – que tenho certeza ficaria feliz de se ver representado com este elegante caldo.

 

SERVIÇO

  • ExpoVinis Brasil 2015 | 19º Salão Internacional do Vinho
  • 22 a 24 de abril de 2015
  • Expo Center Norte – Pavilhão Azul – Vila Guilherme – São Paulo
  • Informações, credenciamento visitantes e novidades: www.expovinis.com.br
  • Facebook: ExpoVinis Brasil | Twitter: @expovinis | Instagram: @expovinisbrasil
  • E-mail: visitante.fev@informa.com | Telefone: (11) 3598-780

O primeiro dia do evento será reservado exclusivamente para profissionais do setor.

  • Horário: das 13 às 21 horas para profissionais do setor nos dias 22 e 23 de abril, e das 13 às 20 horas no dia 24 de abril. Aberto ao consumidor final das 17 às 21 horas no dia 23 e das 17 às 20 horas no dia 24 de abril.
  • Shuttle Service/Transfer gratuito no trajeto Expo Center Norte-Estação Portuguesa/Tietê e estação Portuguesa/Tietê-Expo Center Norte estará disponível todos os dias do evento.
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quinta-feira, 5 de março de 2015 Brancos, Doce, Tintos, Velho Mundo | 10:40

Planeta: vinhos italianos da Sicília aos pés do vulcão Etna

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Vinhedos da Planeta: aos pés do vulcão Etna, na Sicília

Vinhedos da Planeta: ao fundo o vulcão Etna

Em 1994 a vinícola Planeta, um empreendimento familiar da ilha de Sicília, na Itália,  lançou um vinho branco da uva chardonnay que é sucesso até hoje. De um perfil moderno,  de coloração dourada, cremoso, com boa presença em boca e um toque de barrica e de baunilha bem perceptível ganhou o mercado e tornou conhecida a marca, que também se notabilizou pelo syrah e pela merlot. Uvas internacionais, rótulos modernos e fáceis de lembrar, mas legítimos representantes do solo italiano, apesar de perder um pouco aquele sentido de vinhos originais da Bota.

O projeto – Planeta é o nome de família – começou com uma vinícola e 50 hectares fruto de pesquisas de Diego Planeta, e hoje ampliou sua presença na ilha e possui seis cantinas em diferentes pontos da Sicília que juntos somam 390 hectares. São elas: Ulmo/Sambuca di Sicilia (de onde vem o chardonnay famosão); Dispensa/Menfi; Dorilli/Vittoria; Etna/Feudo di Mezzo; Buonivini/Noto e La Baronia/Capo Milazzo. Os campeões de venda no Brasil são os rótulos La Segreta. No mapa as cantinas  permitem um tour em volta da ilha, o que não é má ideia.

A cantina onde os vinhos são produzidos

A cantina de Vittoria/Etna onde os caldos são vinificados

Esta diversidade de solos e territórios entrega uma variedade de estilos de vinho (espumantes, brancos, tintos, doces) com diferentes tipos de uva (as internacionais chardonnay, syrah, merlot e as nativas, carricante, moscato bianco, nero d’avola, frappato, nerello mascalese) que enriquecem a experiência do vinho da Sicília e quebra este carimbo global que marcou o início da Planeta. Um bom exemplo é linha Etna, recém-lançada no Brasil, produzida em um vinícola que fica aos pés do vulcão de mesmo nome, o maior símbolo da ilha. São rótulos onde a  tipicidade da Itália se torna mais presente e os vinhos mais gastronômicos e instigantes, secondo me (termo roubado do meu amigo Didu Russo).

Blog do Vinho provou e palpita:

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Planeta Etna Bianco 2013

Região: Castiglione di Sicilia (Etna)
Uva: carricante
R$ 126,00

Um branco menos exibido que seu primo mais famoso, o citado chardonnay Planeta. A carricante é uma uva nativa da região. Mais fresco, com boa acidez, mineral e nota lá no fundo de madeira. Um branco que tem como principal virtude a vivacidade em boca.

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Planeta Etna Rosso 2013

Região: Castiglione di Sicilia (Etna)
Uva: nerello mascalese
R$ 126,00

Agora um tinto representante legítimo do solo vulcânico do Etna. Algumas fotos impressionantes mostram as lavas fazendo fronteira com os vinhedos. A coloração é mais leve,  corpo médio, tem um aroma gostoso de frutas vermelhas, macio, e boa acidez. Um tinto que pede um prato de comida.

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Dorilli Cerasuolo Di Vittoria Classico DOCG

Região: Dorilli (Vittoria)
Uvas: 70% nero d’avola e 30% frappato
R$: 163,00

Um clássico da Planeta, com aquele rótulo em formato de redemoinho mais famoso. Único vinho DOCG (denominazione di origine controllata e garantita) da Sicília. O nome do vinho já dá a dica: Cerasuolo significa solo de cereja. E não é que o bichão exala aromas marcantes de cereja madura, framboesa, frutas vermelhas em geral? A percepção em boca é mais doce (passa 10 meses em barricas de 500 litros de segundo uso, que não marca tanto o vinho), desce macio, gostoso. Bom final de boca, com mais corpo também. Gastronômico, mas pede um prato mais forte de carne, um molho mais potente.

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Passito di Noto – DOC Noto

Região: Noto (Buonovini)
Uva: moscato bianco
R$ 213,00

Vinho de sobremesa branco italiano. Só por isso é um risco que se deve correr. O processo de vinificação lembra o do amarone, de apassimento (as uvas são deixadas em esteiras por quatro ou cinco meses em vez de serem esmagadas, com isso os frutos perdem peso e ganham açúcar, álcool e aromas). A cor é bem amarela, e a primeira e segunda impressão no nariz é de mexerica (tangerina) doce, um toque de mel. Doce e untuoso como tem de ser, corta o melaço com uma acidez presente. Deve ser o bicho com pastiera di grano

Os rótulos Planeta são importados no Brasil pela Interfood

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 Blog do vinho, Brancos, Degustação, Tintos | 15:39

Listas dos melhores vinhos de 2014

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São Paulo Tasting 2013: 11 garrafas e nenhum segredo

Listas, rankings, concursos: as escolhas dos melhores vinhos de 2014

Quais os melhores vinhos de 2014? Difícil responder. Melhor vinho de onde, para quê, para quem e a qual preço? Mesmo assim ao longo do ano vários concursos e rankings são realizados e, principalmente no final do ano, as principais publicações e guia de vinhos lançam as suas listas de top 100, elegendo os melhores do ano.

Todo mundo adora listas de melhores do ano. Todo mundo critica. Mas todos – os que gostam e os que odeiam – consultam estas listas. Para se guiar, falar mal delas ou mesmo para comparar com o seu próprio critério de escolha.

Um personagem emblemático desta mania é o de Rob Gordon, do romance Alta Fidelidade, do inglês Nick Horben. Proprietário de uma falida loja de vinil e com problemas de relacionamentos crônicos, ele vive criando listas dos 5 melhores ou piores coisas de sua vida, em especial de músicas para cada ocasião. É assim que ele dá sentido à sua vida. O romance virou um filme de mesmo nome interpretado por John Cusack.

Para alegria de muitos e desagravo de outros tantos, este blog reuniu numa mesma página algumas das listas de melhores vinhos publicadas em 2014 pelas mais famosas e badaladas revistas especializadas e o resultado de  concursos internacionais. Em seu momento Rob Gordon, este cronista dos fermentados, também enumera 10 vinhos inesquecíveis provados em 2014, sem qualquer rigor científico: aplausos e apupos e na caixa de comentários, please.

  • BLOG DO VINHO – 10 vinhos inesquecíveis do Chile e Argentina de 2014

Este ano, por conta de algumas viagens, degustações e mesmo vinhos provados em restaurantes o volume de vinhos do Chile e Argentina provados por este colunista superou – e muito – de outros países. Por isso a lista do Blog do Vinho precisava ser coerente com a experiência pessoal do autor e lista 5 vinhos de capa país. A lista aqui não está em ordem preferência. São apenas vinhos que me encantaram por variados motivos, todos aqueles que estão em torno da bebida: prazer, gosto, companhia, ambiente. Afinal, vinho não é planilha.

 toknar

CHILE

Toknar– Petit Verdot  2010 – Viña Von Siebenthal – Aconcagua

Don Melchor 2010 –  Concha y Toro – Maipo

Manso de Velasco 2011 – Viña Torres – Valle do Curicó

Limávida Old Wines Field Blends 2011 – De Martino – Maule

Tralca Bisquertt Family Vineyards 2010 – Bisquertt – Colchagua

 

republica

ARGENTINA

Casas de Weinert – Gran Vino– Bodegas y Cavas de Weinert

– Mendoza

La Espera Reserva Syrah 2007 – Funckenhausen Vineyards –  San Rafael, Mendoza

Chacra Cinquenta y Cinco 2012 – Bodegas Chacra – Patagônia

Republica del Malbec Blend de Terroir 2012 – Riccitelli Wines – Mendoza

Pequenas Producciones Cabernet Franc  2010-  Escorihuela Gascón, Mendoza

 REVISTAS ESPECIALIZADAS

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  • WINE SPECTATOR – 10 primeiros vinhos do TOP 100

Destaque para os rótulos região do Douro, de Portugal, classificados  em 1º, 3º e 4º lugares.

1     Dow Vintage Port

2     Mollydooker Shiraz McLaren Vale Carnival of Love

3     Prats & Symington Douro Chryseia

4     Quinta do Vale Meão Douro

5     Leeuwin Chardonnay Margaret River Art Series

6     Castello di Ama Chianti Classico San Lorenzo Gran Selezione

7     Clos des Papes Châteauneuf-du-Pape

8     Brewer-Clifton Pinot Noir Sta. Rita Hills

9     Concha y Toro Cabernet Sauvignon Puente Alto Don Melchor

10 Château Léoville Las Cases St.-Julien

Lista completa: http://2014.top100.winespectator.com/lists/

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  • WINE ENTHUSIAST – 10 primeiros vinhos da Top 100

A revista americana, claro, privilegia alguns rótulos da terra, pouco conhecidos por aqui.

1     Ken Wright 2012 Abbott Claim Vineyard Pinot Noir (Yamhill-Carlton District)

2     Pieropan 2011 La Rocca Garganega (Soave Classico)

3     José Maria da Fonseca 2011 José de Sousa Red (Alentejano)

4     SonVida 2012 Malbec (Mendoza)

5     Domaine Marcel Deiss 2011 White (Alsace)

6     Guido Porro 2010 V. S. Caterina Nebbiolo (Barolo)

7     Sparkman 2013 Birdie Riesling (Columbia Valley (WA))

8     Gruber Röschitz 2012 Hundspoint Grüner Veltliner (Weinviertel)

9     Luis Duarte 2011 Rubrica Red (Alentejano)

10 Iron Horse 2010 Wedding Cuvée Sparkling (Green Valley)

Lista completa: http://buyingguide.winemag.com/toplists/2014/wines/10-1

Assobio2011

  • WINE ENTHUSIAST – 10 primeiros vinhos Best Buy (melhor compra)

 Nos Estados Unidos os vinhos listados abaixo custam entre 7 a 14 dólares. Novamente Portugal se dá bem em 2014.

1     Aveleda 2013 Quinta da Aveleda Estate Bottled Loureiro-Alvarinho White (Minho)

2     Barnard Griffin 2012 Fumé Blanc Sauvignon Blanc (Columbia Valley (WA))

3     Bogle 2012 Essential Red (California)

4     Herdade do Esporão 2011 Quinta dos Murças Assobio Red (Douro)

5     Mano A Mano 2011 Tempranillo (Vino de la Tierra de Castilla)

6     Chateau Ste. Michelle 2013 Dry Riesling (Columbia Valley (WA))

7     Château Vincens 2011 Prestige Malbec-Merlot (Cahors)

8     DFJ Vinhos 2011 Portada Winemaker’s Selection Tinto Red (Lisboa)

9     Hugl-Wimmer 2013 Wimmer Grüner Veltliner (Niederösterreich)

10 Blue Fish 2012 Sweet Riesling (Pfalz)

Lista completa: http://www.winemag.com/November-2014/Top-100-Best-Buys-2014/

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  • DECANTER top 50 Wines of The Year

Esta é uma seleção anual que a mais respeitada revista de vinhos do planeta, a inglesa Decanter, publica toda edição de dezembro. Dos 4.800 vinhos provados durante o ano os especialistas selecionam os 50 melhores. Não há um primeiro lugar, mas vinhos bem pontuados e de boa relação qualidade e preço.  Bem, tem até um espumante da Grã-Bretanha…  e nenhum dos EUA. A classificação é por país, portanto vai a lista completa.

Argentina

Atamisque, Serbal Assemblage, Gualtary & Tupungato, Mendoza 2012

Chacra, barda Pinot Noir, Patagonia 2011

Zorzal, Pintao Pintao, Gualtary & Tupungato, Mendoza 2011

 

Austrália

Heemskerk, Chardonnay, Tasmania 2012

Tolpuddle, Chardonnay, Coal River Valley, Tasmania 2012

Adelina, Grenache, Clare Valley, South Australia 2012

Ben Glaetzer, Bishop Shiraz, Barossa Valley 2012

John Duval, Entity Shiraz, Barossa Valley, South Australia 2012

Leeuwin Estate, Art Series, Cabernet Sauvignon, Margaret River 2010

Shaw & Smith, Shiraz, Adelaide Hills, South Australia 2012

 

Áustria

Schiefer, Eisenberg Blaufränkish, Burgenland 2009

 

Chile

Casa Marin, Syrah, Miramar Vineyard, Lo Abarca, San Antonio 2010

Casas del Bosque Gran Reserva Syrah, Casablanca 2011

 

França – Bordeaux

Château Gruaud-Larose, St-Julien 2CC 2010

Château Haut-Batailley, Pauillac 5CC 2010

Château Prieuré-Lichine, Margaux 4CC 2010

Château de Rayne-Vigneu, Sauternes 2009

 

França – Loire

Domaine Jean Teiller, Menetou-Salon 2012

 

França – Provence

Le Grand Cros, L’Esprit de Provence, Côtes de Provence 2013

 

França – Rhône

Bosquet des Papes, Chante le Merle Vielles Vignes, Châteauneuf-du-Pape 2012

Domaine Les Grands Bois, Cuvée Maximilien, Cairanne 2012

 

Alemanha

Kloster Eberbach, Hessesche Staatsweingüter, Rüdesheimer Berg Schlossberg, Grosses Gewächs, Rheingau 2012

 

Itália – Regional

Paltrinieri, Solco, Lambrusco dell’Emilia-Romagna 2012

Villa Medoro, Rosso del Duca, Montepulciano d’Abruzzo 2010

 

Itália – Sul

Pietracupa, Greco di Tufo 2012

 

Itália – Toscana

Il Molino di Grace, Il Margone, Chianti Classico Gran Selezione 2010

Melini, Vigneti La Selvanella, Chianti Classico Riserva 2010

Pian dell’Orino, Brunello di Montalcino 2008

 

Itália – Vêneto

Cà dei Frati, Brolettino, Lugana 2011

Cà Lojera, Lugana 2012

Selva Capuzza, Selva, Lugana 2012

Viviani, Amarone dela Valpolicella Classico 2008

 

Nova Zelândia

Greywacke, Pinot Noir, Marlborough 2012

Kusuda, Riseling, MartinBorough 2013

Ata Rangi, Pinot Noir, MartinBorough 2011

Felton Road, Calvert, Pinot Noir, Bannockburn, Central Otago 2012

Fromm, Clayvin Vineyard. Pinot Noir, Marlborough 2011

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Portugal

Felipa Pato, Nossa Calcário Branco, Bairrada 2011

 

África do Sul

Boekenhoutskloof, Semillon, Franschhoek 2010

Chamonix, Chardonnay Reserve, Franschhoek 2012

 

Espanha

Gramona, Brut Nature Gran Reserva, Cava 2008

Contino Blanco Rioja 2010

Bastión de la Luna, Tintos de Mar, Rias Baixas 2011

Bodegas Artazu, Santa Cruz de Artazu, Navarra 2009

Domaines Lupier, LA Dama Garnacha, Navara 2009

Dominio do Bibei, Lalama, Ribeira Sacra 2010

La Calandria, Pura Garnacha, Cientruenos, Navarra 2011

La Rioja Alta, 890, Rioja Gran Reserva 1998

Bodegas Hidalgo Napoleon, Manzanilla Amontillada

 

Grã-Bretanha

Sugrue Pierre, South Downs, England 2010

  • CHAMPA  DECANTER – World Wine Awards (DWWA) 2014

15.000 vinhos passam pela degustação às cegas de 225 jurados internacionais que distribuíram, após quatro meses, 454 medalhas de ouro,  158 troféus regionais e 33 troféus internacional. São provas exclusivas para este concurso, diferente da escolha dos 50 vinhos analisados pela Decanter ao longo do ano. Abaixo a lista dos 33 troféus internacionais

 

International Trophy

 Seco aromático abaixo de 15 libras

Lawson’s Dry Hills, Gewürztraminer, Marlborough, New Zealnd 2012

 

 Espumante abaixo de 15 libras

Cruzat, Cuvée Réserve Rosé Extra Brut, Argentina (sem safra)

 Espumante acima de 15 libras

Charles Heidsieck, Blanc des Millénaires Brut, Champagne, France

 

 Riesling seco abaixo de 15 libras

Marks  Spencer, Eclipse Riesling, Bío-Bío Valley, Chile 2012

 

 Riesling seco acima de 15 libras

Pewsey Vale, The Contours Museum Reserve Riseling, Eden Valley, South Australia 2008

 

 Sauvignon Blanc abaixo de 15 libras

Paul Cluver, Estate Sauvignon Blanc, Elgin, South Africa 2013

 

 Sauvignon Blanc acima de 15 libras

Jean-Paul Balland, Grand Cuvée, Sancerre, Loire, France 2012

 

 Chardonnay abaixo de 15 libras

Albert Bichot, Secret de Famille Chardonnay, Bourgogne, France, 2012

 

 Chardonnay acima de 15 libras

Jordan, Chardonnay, Stellenbosh, South AFrica 2013

 

 Branco varietal abaixo de 15 libras

McGuigan, The Shortlist Semillon, Hunter Valley, New South Wales, Australia 2007

 

 Branco varietal acima de 15 libras

St-Jodern Kellerei, Heida Barrique, Valais, Switzerland 2012

 

Branco blend abaixo de 15 libras

Domaine de la Voiugeraie, Monopole le Clos Blanc de Vougeot 1er Cru, Burgundy, France 2011

 

 Branco blend acima de 15 libras

Domaine Zinck, Portrait Pinot Gris, Alsace, France 2012

 

 Pinot Noir abaixo de 15 libras

Falernia, Pinot Noir Reserva, Elqui Valley, Chile 2013

 

 Pinot Noir acima de 15 libras

Greystone, The Brother’s Reserve Pinot Noir, Waipara, Canterbury, New Zeland 2012

 

 Tinto varietais bordalesas  abaixo de 15 libras

Hartenberg, Cabernet Sauvignon, Stellenbosch, South Africa 2010

 

 Tinto varietais bordalesas  acima de 15 libras

L’Ecole Nº41, Ferguson, Walla Walla Valley, Washington State, USA 2011

 

Tinto varietais do Rhône abaixo de 15 libras

Spier, Creative Block 3, Coastal Region, South Africa 2011

 

 Tinto varietais do Rhône acima de 15 libras

Château Cesseras, Minervois La Livinière, Languedoc-Roussillon, France 2011

 

 Tinto varietais espanhóis abaixo de 15 libras

Olarra, Erudito, Rioja Reserva, Spain 2009

 

Tinto varietais espanhóis acima de 15 libras

Mustiguillo, Pago el Rerrerazo, Spain 2011

 

 Tinto varietais italianas abaixo de 15 libras

Costarossa, Surani, Primitivo di Manduria, Puglia, Italy 2012

 

Tinto varietais italianas acima de 15 libras

Pianpolvere Soprano, Bussia 7 Anni, Barolo Riserva, Piedmont, Italy 2007

 

 Tinto varietal abaixo de 15 libras

Fabre Montmyou, HJ Fabre Barrel Selection Malbec, Patagonia, Argentina 2013

 

Tinto varietal acima de 15 libras

El Esteco, Don David Reserve Tannat, Salta, Argentina 2012

 

Tinto blend abaixo de 15 libras

Morrison’s, Signature, Valpolicella Ripasso, Veneto, Italy 2012

 

 Tinto blend abaixo de 15 libras

Zenato, Ripassa, Valpolicella Rispasso Superiore, Veneto, Italy 2010

 

 Rosé acima de 15 libras

Domaine de Rimauresq, R, Côtes de Provence, France 2013

 

 Doce Fortificado acima de 15 libras

Blandy’s, Malmsey, Madeira, Portugal 1988

 

 Doce abaixo de 15 libras

KWV, The Mentors Noble Late Harvest, Walker Bay, South Africa 2012

 

 Doce abaixo de 15 libras

Innislillin, Vidal Icewine, Niagra Peninsula, Ontario, Canadá 2012

 

 Fortificado seco abaixo de 15 libras

La Ina, Fino, Sherry, Spain, NV

 

Fortificado seco acima de 15 libras

Lustau, 30 years Old VORS, Amontillado, Sherry, Spain, NV

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  • DECANTER – 6 melhores vinhos nacionais

Seleção do renomado crítico inglês Steven Spurrier (publicada na revista Decanter em setembro de 2013, mas acho que vale incluir aqui como referência do gosto internacional dos rótulos nacionais)

1     Cave Geisse 1998 Brut (magnum) – Pinto Bandeira (18,5 / 95 pts)

2     Lídio Carraro Grande Vindima Merlot 2005 – Encruzilhada do Sul (18 / 93 pts)

3     Pizzato DNA99 2008 – Vale dos Vinhedos (18 / 93 pts)

4     Lídio Carraro Dádivas Pinot Noir 2012 – Encruzilhada do Sul (17,5 / 91 pts)

5     Miolo Sesmarias 2008 – Campanha Gaúcha (17,5 / 91 pts)

6     Casa Valduga Raízes Cabernet Franc 2010 – Campanha Gaúcha (16,5 / 88 pts)

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  • TRE BICCHERI – prêmio especial os melhores vinhos da Itália

O tradicional Guia Tre Biccheri é a referência dos vinhos da Itália. A classificação é feita por região e são muitas. Há entretanto um crème de la crème que elege os melhores de toda a Itália. São eles:

 

Rosso dell’Anno (tinto do ano)

Barolo Villero Ris. ’07 – Vietti

 

Bianco dell’Anno (branco do ano)

Trebbiano d’Abruzzo Vigne di Capestrano ’12  – Valle Reale

 

Bollicine dell’Anno (espumante do ano)

Brut Classico Nature – Monsupello

 

Dolce dell’Anno (doce do ano)

Vin Santo di Carmignano Ris. ’07 – Tenuta di Capezzana

 

Rapporto Qualità/Prezzo (qualidade /preço)

Custoza Sup. Ca’ del Magro ’12 – Monte del Frà

 

Cantina dell’Anno (Cantina do ano)

Tenuta Sette Ponti

Lista completa do Tre Biccheri: http://www.gamberorosso.it/component/k2/item/1020615-vini-d-italia-2015-del-gambero-rosso-ecco-i-risultati

GRANLEGADO

 CONCURSOS E AVALIAÇÕES

  • TOP 10 Expovinis 2014

Este colunista faz parte do júri que escolhe anualmente os melhores vinhos em 10 categorias da maior Feira de Vinhos da América Latina. Este foi o resultado de 2014

 Espumante Nacional

 Grand Legado Brut Champenoise, da vinícola Gran Legado, região de Garibaldi/RS

 

Espumante Importado:

Champagne Lanson Brut, do produtor Lanson, França

 

Branco Nacional

Pericó Vigneto Sauvignon Blanc, da Vinícola Pericó, Santa Catarina

 

Branco Importado

Boschendal Elgin Chardonnay, do produtor Boschendal, da África do Sul

 

Rosado:

Remy Pannier Rose D’Anjou, do produtor Ackerman, Vale do Loire, França

 

Tinto Nacional:

Guatambu Rastros do Pampa Tannat, do produtor Guatambu Estância do Vinho, região da Campanha Gaúcha

 

Tinto Novo Mundo

Casillero del Diablo Devil’s Collection, da Viña Concha y Toro, Vale do Rapel, Chile

 

Tinto Velho Mundo/Itália/França, entre outros

Le Vigne Di Sammarco Solemnis Primitivo Salento IGP, do produtor Le Vigne di Sammarco, região da Puglia, Itália

 

Tinto Velho Mundo/Península Ibérica:

Scala Coeli, da Adega Alentejana, região do Alentejo, Portugal

 

Fortificados e Doces

Andresen Porto White 10 Years, do produtor Andresen, região do Douro, Portugal

 

  • 22º AVALIAÇÃO dos vinhos nacionais safra de 2014

A Associação Brasileira de Enologia promove uma avaliação dos vinhos brasileiros da safra do ano que ainda vai entrar no mercado, uma seleção de 16 vinhos das 290 amostras degustadas de 58 vinícolas

 

Categoria vinho base para espumante

Domno do Brasil – vinho base espumante (Chardonnay
Chandon do Brasil – vinho base espumante (Chardonnay/Pinot Noir/Riesling Itálico)
Vinícola Geisse – vinho base espumante (Chardonnay/Pinot Noir


C
ategoria branco fino seco não aromático
Vinícola Salton – Riesling itálico
Vinícola Fazenda Santa Rita – Chardonnay
Vinícola Góes & Venturini Ltda – Chardonnay.
Cooperativa Vinícola Nova Aliança Ltda – Chardonnay

 

Categoria branco fino seco aromático
Vinícola Giacomin – Moscato giallo

Categoria tinto fino seco jovem
Giacomin Ind. De Bebidas – Vinhos Hortência – Cabernet sauvignon

Categoria tinto fino seco
Vinícola Góes – Cabernet franc

Leia também: O merlot brasileiro é o melhor do mundo?

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  • WINES OF CHILE – Melhores vinhos de 2014 eleitos pelo júri da 12º Wines of Chile Awards (AWoCA)

A décima segunda edição deste concurso foi realizado pela primeira vez no Brasil, e pesou o paladar brasileiro na distribuição dos prêmios. Aqui não se trata de uma lista por ordem de classificação, mas do melhor vinho por categoria. Um syrah, da Casas del Bosque, foi eleito o melhor entre todos os vinhos degustados e premiados.

Best in the Show

Syrah Gran Reserva 2012/Viña Casas del Bosque

 

Premium Red

Armida 2009/De Martino

 

Premium White

Amelia 2013/Concha y Toro

 

Other Reds

Tama Vineyard Selection Carignan 2013/Viña Anakena

 

Other Withes

Single Vineyard Neblina Riesling 2011/Leyda

 

Blends

5 Cepas 2013/Casa Silva

 

Rosé

Gallardía del Itata Cinsault 2014/De Martino

 

Sparkling Wine

Brut Nature/Viña Morandé

 

Late Harvest

Erasmo Late Harvest Torontel 2009/Erasmo

 

Cabernet Sauvignon

Gran Terroir de los Andes – Los Lingues Cabernet Sauvignon 2012/Casa Silva

 

Carmenere

Carmenere Reserva 2013 Pedriscal Vineyard/Falernia

 

Pinot Noir

Pinot Noir Reserva 2013/Falernia

 

Syrah

Syrah Gran Reserva 2012/Viña Casas del Bosque

 

Chardonnay

Tarapacá Gran Reserva Chardonnay/Viña Tarapacá

 

Sauvignon Blanc

Specialties Sauvignon Blanc O

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  • CHILE – GUIA DESCORCHADOS 2015

O Guia Descorchados tornou-se uma referência dos vinhos Chilenos. Abaixo a lista dos destaques da degustação em suas respectivas categorias:

 

Melhor tinto

Cousiño Macul Lota Cabernet 2009 – 97 Pontos

 

Melhor branco

De Martino Viejas Tinajas Muscat 2013 – 96 pontos

 

Branco revelação

Sierras de Bellavista Riesling 2013 – 92 pontos

 

Tintos revelação

Tabalí Roca Madre Malbec 2014 – 93 pontos

Santa Carolina Specialties tinto de Montaña Malbec 2013 – 94 pontos

Concha y Toro Marques de Casa Concha País Cinsault 2014 – 93 pontos

J.A Jofré Vinos Fríos del Año Carignan Tempranillo Carmenére 2014 – 93 pontos

 

Marca revelação

Sol de Sol, Aquitania

 

Bodega revelação

House Casa del Vino e El Viejo Almacén de Souzal

 

Melhor Cabernet Franc

Maquis Franco 2011 – 96 pontos

 

Melhor Cabernet Sauvignon

Cono Sur Silencio 2010 – 96 pontos

Santa Rita Casa Real Reserva Especial 2011

 

Melhor Carignan

Bodegas RE Re Nace Cariñena 2013 – 95 pontos

 

Melhor Carmenére

Concha y Toro Terrunyo Lote 1 2013 – 95

 

Melhor Chardonnay

Aquitania Sol de Sol 2011 – 96 pontos

 

Melhor Cinsault

De Martino Viejas Tinajas 2014 – 94 pontos

 

Melhor espumante

Bodegas RE Re Noir Nature Virgen Pinot Noir – 94 pontos

Morandé Nature Chardonnay/Pinot Noir – 94 pontos

 

Melhor Malbec

House Casa del Vino 2013 – 93 pontos

Viu Manet Viu 1 2011 – 93 pontos

 

Melhor Merlot

Tres Palacios cholqui 2011 – 93 pontos

 

Melhor mescla branca

Apaltagua Coleccíon Blanc 2014 – 93 pontos

Ramirana Gran Reserva 2014 – 93 pontos

William Févre 2012 – 93 pontos

 

Melhor mescla tinta

Cousino Macul Lota Cabernet 2009 – 97 pontos

 

Melhor moscatel

De Martino Viejas Tinajas Muscat 2013 – 96 pontos

 

Melhor outras cepas brancas

Casa Marin Casona Vineyard Gewurztraminer 2014 – 94 pontos

 

Melhor outras cepas tintas

Lapostolle Collection Monastrel 2013 – 93 pontos

Pérez Cruz Chaski Petit Verdot 2012 – 93 pontos

 

Melhor País

Concha y Toro Marques de Casa Concha Limited Edicion 2014 – 93 pontos

 

Melhor Pinor Noir

Maycas de Limarí San Julián 2013 – 93 pontos

Montsecano 2013 – 93 pontos

Tabalí Talinay 2013 – 93 pontos

 

Melhor Riesling

Sierras Bellavistya 2014 – 94 pontos

 

Melhor Rosado

Bodegas RE Pinotel Pinot Noir Moscatel 2014 – 92 pontos

 

Melhor Sauvignon Blanc

Labirinto 2014 – 96 pontos

Leyda Lot 4 2014 – 96 pontos

 

Melhor Syrah

Errázuriz Costa 2013 – 95 pontos

Leyda Lot 8 2012 – 95 pontos

Undurraga TH 2012 – 95 pontos

 

Super preço extremo branco

Cono Sur Bicicleta Gewurztraminer 2014 – 89 pontos

 

Super preço extremo tinto

Santa Rita 120 Reserva Especial Cabernet Sauvignon 2013 – 89 pontos

 

Super preço branco

Leyda Garuma Vineyard Sauvignon Blanc 2014 – 94 pontos

 

Super preço tinto

Cacique Maravilla 2014 – 92 pontos

Maycas de Limarí Sumaq Pinor Noir 2013 – 92 pontos

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  • WINES OF ARGENTINA – Melhores vinhos Concurso Wines of Argentina Awards (WAA) 2014

O prestigiado concurso do WAA é uma referência entre os produtores da Argentina. Este colunista acompanhou a premiação deste ano. Abaixo os resultados.

Espumantes – método tradicional

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Zuccardi Blanc de Blancs 2007- Familia Zuccardi

Importado pela Ravin

 

Torrontés

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Colomé Torrontés 2013- Bodega Colomé

Importado pela Decanter

 

 Cabernet franc

faixa de preço  entre 20.00 e 29.99 dólares

Numina Cabernet Franc 2011- Bodegas Salentein SA

Importado pela Zahil

 

acima de 50.00 dólares

Andeluna Pasionado Cabernet Franc 2010- Andeluna Cellars Srl

Importado pela World Wine

 

Cabernet sauvignon

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Bramare Lujan de Cuyo Cabernet Sauvignon 2011-Viña Cobos SA

Importado pela Grand Cru

 

Malbec

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Es Vino Reserve Malbec 2012- Es Vino Wines

Ainda sem importadora no Brasil

 

faixa de preço entre 20.00  e 29.99 dólares

Alta Vista Terroir Selection Malbec 2011- La Casa del Rey SA- Alta Vista

Importado pela Épice

 

faixa de preço entre 30.00  e 49.99 dólares

Vineyard Selection Malbec 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

faixa de preço acima de 50.00 dólares

Republica del Malbec – Blend de Terroirs 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

Blends de tintos

faixa de preço entre 13.00  e 19.99 dólares

Paz Blend 2012- Finca Las Moras

Importado pela Decanter

 

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Field Blend 2011- Zorzal Wines

Importado pela Grand Cru

 

acima de 50.00 dólares

Decero Amano, Remolinos Vineyard 2011- Finca Decero

 

Medalhas por região

Mendoza

Lindaflor Malbec 2009, Monteviejo

 

Norte

Serie Fincas Notables Malbec 2011, Bodega El Esteco

Importado pela Bruck

 

San Juan

Paz Blend 2012, Finca Las Moras

Importado pela Decanter

 

Patagônia

 Fin Single Vineyard Cabernet Franc 2010, Bodega del Fin Del Mundo

Importado pela Mr Man

  • PORTUGAL –  50 melhores vinhos de Portugal

O único master of wines do Brasil, Dirceu Vianna Júnior, que mora e trabalha em Londres. teve a árdua missão de selecionar entre 500 rótulos portugueses os 50 mais representativos do país. Esta é a sua lista, apresentada em um evento em São Paulo:

 BRANCOS

1. Covela Escolha Branco, 2012

Produtor: Lima Smith

Região: Vinho Verde

Uvas: avesso e chardonnay

Importador: Magnum Importadora

2. Quinta da Levada, 2012

Produtor: Quinta da Levada Sociedade Agrícola

Região: Vinho Verde

Uva: azal

Sem importador

3. Soalheiro, 2012

Produtor: Quinta do Soalheiro

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Mistral

4. Quinta de Gomariz Grande Escolha, 2012

Produtor: Quinta de Gomariz

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho, loureiro e trajadura

Importador: Decanter

5. Casa da Senra, 2012

Produtor: Abrigueiros – Produções Agrícolas e Turismo

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Sem importador

6. Tapada dos Monges, 2012

Produtor: Manoel da Costa Carvalho Lima & Filhos

Região: Vinho Verde

Uvas: loureiro, arinto e trajadura

Importadores: Garrafeira Real e Fadaleal Supermercados

7. Muros Antigos, 2012

Produtor: Alselmo Mendes Vinhos

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Importador: Decanter

8. Portal do Fidalgo, 2011

Produtor: Provam

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Casa Flora Ltda

9. Muros de Melgaço, 2011

Produtor: Anselmo Mendes Vinhos

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Decanter

10. Royal Palmeira, 2009

Produtor: Ideal Drinks

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Importador: Idealdrinks & Gourmet

11. Quinta da Fonte do Ouro Encruzado, 2011

Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas

Região: Dão

Uva: encruzado

Importador: Adega dos 3

12. Morgado de Santa Catherina, 2010

Produtor: Companhia das Quintas Vinhos

Região: Lisboa

Uva: arinto

Importador: Wine .com

13. Redoma Reserva, 2011

Produtor: Niepoort (vinhos)

Região: Douro

Uva: rabigatto, codega, donzelinho e arinto

Importador: Mistral

14. Conceito Branco, 2010

Produtor: Conceito Vinhos

Região: Douro

Uva: (mistura de vinhas velhas)

Importador: Épice

vallado

TINTOS

15. Cortes de Cima Trincadeira, 2011

Produtor: Cortes de Cima

Região: Alentejo

Uva: trincadeira

Importador: Adega Alentejana

16. Terra D’Alter Touriga Nacional, 2010

Produtor: Terra D’Alter Companhia de Vinhos

Região: Alentejo

Uva: touriga nacional

Importador: Obra Prima Importadora

17. Herdade da Pimenta Grande Escolha, 2010

Produtor: Logowines

Região: Alentejo

Uvas: syrah, touriga nacional e touriga franca

Importador: RJU Comércio e Beneficiamento de Frutas e Verduras

18. Tinto da Talha Grande Escolha, 2009

Produtor: Roquevale

Região: Alentejo

Uva: syrah, alicante bouschet e touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

19. Canto X, 2009

Produtor: Herdade da Madeira Velha

Região: Alentejo

Uvas: alicante bouschet e touriga nacional

Sem importador

20. Cartuxa, 2009

Produtor: Cartuxa – Fundacão Eugénio de Almeida

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, trincadeira e alicante bouschet

Importador: Adega Alentejana

21. Cortes de Cima Reserva, 2009

Produtor: Cortes de Cima

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, syrah, petit verdot e touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

22. Dona Maria Reserva, 2008

Produtor: Julio Bastos – Dona Maria

Região: Alentejo

Uvas:, alicante bouschet, petit verdot e syrah

Importador: Decanter Vinhos

23. Conde D’Ervideira Private Selection Tinto, 2008

Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, trincadeira e Alicante bouschet

Importador: Intercom Comércio Internacional

24. Aliança Bairrada Reserva, 2011

Produtor: Aliança Vinhos de Portugal

Região: Bairrada

Uvas: touriga nacional, baga e tinta roriz

Sem importador

25. Vinha Pan, 2009

Produtor: Luís Pato

Região: Bairrada

Uva: baga

Importador: Mistral

26. Marquesa de Alorna Reserva, 2009

Produtor: Quinta da Alorna Vinhos

Região: Tejo

Uvas (não divulgado)

Importador: Adega Alentejana

27. Julia Kemper, 2009

Produtor: Cesce Agrícola

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, tinta roriz, alfrocheiro e jaen

Importador: Gracciano Com. Imp. Exp. Bebidas

28. Quinta Fonte do Ouro Touriga Nacional, 2009

Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas

Região: Dão

Uva: toruiga nacional

Importador: Adega dos 3

29. Casa da Passarela Vinhas Velhas, 2009

Produtor: O Abrigo da Passarela

Região: Dão

Uvas: castas autóctones

Importador: Vinica

30. Quinta do Serrado Reserva, 2009

Produtor: Sociedade Agrícola Castro Pena Alba – FTP Vinhos

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, alfrocheiro e jaen

Sem importador

31. Quinta do Perdigão Touriga-Nacional, 2008

Produtor: Quinta do Perdigão

Região: Dão

Uva: touriga nacional

Importador: Mistral

32. Quinta da Bica Reserva, 2005

Produtor: Quinta da Bica Sociedade Agrícola

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, alfrocheiro, tinta roriz e jaen

Importador: Gianno Import

33. Quinta do Vallado Reserva Field Blend Douro Tinto, 2011

Produtor; Quinta do Vallado Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas de 100 anos e touriga nacional

Importador: Cantu

34. Quinta da Casa Amarela Grande Reserva, 2011

Produtor: Laura Valente Regueiro

Região: Douro

Uvas: touriga franca, tinta roriz e touriga nacional

Importador: Winemundi

35. Casa Ferreirinha Callabriga, 2010

Produtor: Sogrape Vinhos

Região: Douro

Uvas: toruiga franca, touriga nacional e tinta roriz

Importador: Zahil

36. Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas, 2010

Produtor: Quinta do Crasto

Região: Douro

Uvas: 25 a 30 uvas diferentes de vinhas velhas

Importador: Qualimpor

37. Pintas, 2010

Produtor: Wine & Soul

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas

Importador: Adega Alentejana

38. Poeira, 2010

Produtor: Jorge Moreira Produção e Comercialização de Vinhos

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas

Importador: Mistral

39. Batuta, 2010

Produtor: Nieepoort (Vinhos)

Região: Douro

Uvas: touriga franca, tinta roriz, rufete, malvazia entre outras

Importador: Mistral

40. Passadouro Touriga Nacional, 2010

Produtor: Quinta do Passadouro Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uva: touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

41. Quinta do Pessegueiro, 2010

Produtor: Quinta do Pessegueiro Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca, vinhas velhas e roriz

Importador: World Wine

42. CV-Curriculum Vitae, 2010

Produtor: Lemos & Van Zeller

Região: Douro

Uvas: variadas

Importador: World Wine

43. Quinta de la Rosa Reserva, 2009

Produtor: Quinta da Rosa Vinhos

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca e tinta roriz

Importador: Ravin

44. Chryseia, 2009

Produtor: Symington Family Estates Vinhos

Região: Douro

Uvas: touriga nacional e touriga franca

Importador: Mistral

45. Quinta do Noval Touriga Nacional, 2009

Produtor: Quinta do Noval

Região: Douro

Uvas: touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

46. Quinta do Portal Auru, 2009

Produtor: Quinta do Portal

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca e tinta roriz

Importador: Wine & Roses / Chaves & Oliveira

 

FORTIFICADOS

47. Bacalhôa Moscatel Roxo, 2001

Produtor: Bacalhôa Vinhos de Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: muscatel roxo

Importador: Portus Cale Exp. Imp.

48. Justino’s Madeira Colheita, 1995

Produtor: Justino’s Madeira Wines

Região: Madeira

Uva: tinta negra

Importador: Porto a Porto / Casa Flora

49. Graham’s Tawny 30 anos

Produtor: Symigton Family Estates

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca, tinta barroca, tinta roriz e tinta cão

Importador: Mistral

50. Burmester Porto Colheita, 1963

Produtor: Sogevinus Fine Wines

Região: Douro

Uvas: tradicionais do Douro

Importador: Adega Alentejana

Outras listas

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