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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016 Espumantes, Nacionais | 00:33

Com este calor, só um espumante salva!

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Verão, calor, sol, praia. O que falta nesta foto? Uma garrafa de espumante!

Verão, calor, sol, praia. O que falta nesta foto? Uma garrafa de espumante!

A despeito dos conselhos dos manuais de estilo das redações – quando ainda existiam manual, estilo e redações, não necessariamente nesta ordem –, eu repito o título neste início de texto: com este calor, só um espumante salva!

O verão resolveu castigar aqueles que estão trabalhando (alguém?) e presentear o povo das areias, rios e piscinas com uma bola de fogo que deixa rastros de suor até a madrugada. Resumindo: está um calor dos diabos. E se a bebida é um vinho, o espumante é a melhor opção.

O espumante é um vinho com explosão, de alegria, de comemoração. Se existe método na elaboração, há pouco rigor no consumo. Não é à toa que hoje existe uma certa moda de um tipo de espumante mais doce que pede, melhor implora, dois ou três cubos de gelo na taça. Ninguém bebe espumante e suas variações (champagne, prosecco, lambrusco) analisando muito a qualidade do fermentado.  Não que seja desimportante. Há borbulhas horrorosas, simples, boas e espetaculares. Mas no geral o momento de celebração é mais relevante que a degustação. Tanto melhor então se qualidade e momento caminham juntos. E quantidade também, por que não? Uma taça sem um refil é triste e solitária como um número primo, dividido apenas por ele.

Per brindare un incontro

Espumante é fácil e delicioso de beber. Me ocorre uma associação meio maluca com a ginástica para explicar isso. Beber um espumante é como fazer polichinelo, aquele exercício leve, que inicia os treinos do colégio e que não humilha ninguém. Os movimentos são fáceis e não exigem maiores esforços na sua execução. Todos cumprem a tarefa. Seu oposto na academia dos vinhedos é um Bordeaux mais austero, um tinto encorpado do Chile, que exibem muque e potência, e degustá-los equivale a uma sequência de flexão de braços. Trata-se daquele exercício que que os saradões exibem seus tônus muscular com precisão e os garotos mais franzinos falham vergonhosamente: mal conseguem manter o corpo ereto quando se aproximam do chão, no geral protagonizando um balé destrambelhado de ancas baixas e ombros inclinados sustentados por músculos frágeis e trôpegos.

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Bebe-se espumante “per brindare un incontro” (Não é mesmo, Pepino di Capri?), para comemorar uma data, um negócio fechado ou apenas para curtir a vida mesmo. É o vinho do réveillon, por supuesto! Acompanha desde um petisco até uma refeição completa, ou ajuda a suportar aquela vernissage inadiável. Pode ser servido com pompa em um salão nobre, mas há um prazer incomparável de tomar um espumante na praia, com aquele marzão à frente. A garrafa suando no balde de gelo, a taça se enchendo de espuma e aquele primeiro gole rasgando o palato, com as bolinhas provocando pequenas explosões na boca.

Borá lá então romper a gaiola e provocar aquele estampido seco que libera as borbulhas e seu frescor quando expulsamos a rolha da garrafa! Abaixo alguns rótulos que não faltam na minha adega ou provei recentemente. Ah, não há nenhum exemplo dos tais espumantes para tomar com gelo. Pelo simples fato que não experimentei. Nem tenho muita vontade.

espumante-chandon reserve

Chandon Réserve Brut – é o espumante de qualidade e segurança do Brasil. Nunca falta na minha lista. Sempre bom revisitar. Mantém um padrão constante de excelência.  Borbulhas na medida, frescor, equilibrado e sem excessos. Lembra um pouco frutas brancas. Às vezes parece onipresente. Está em inúmeros supermercados, lojas, restaurantes em todo o país. Chandon na praia? Tem, sim senhor! Tem uma baita distribuição e um marketing esperto e boas ações (no geral compro aquele pack de fim de ano com seis garrafas e uma garrafona de 1.5 litro de bônus). É elaborado pelo método charmat. Traduzindo: a segunda fermentação, ou seja, a incorporação do gás carbônico na bebida (as bolinhas), é realizada em grandes cubas de aço inox fechadas, projetadas para aguentar a pressão do gás carbônico liberado na fermentação, que pode chegar a 5 atmosferas. Na teoria é um método usado para produtos de larga escala, mais barato, e não para bebidas mais refinadas. Para o enólogo francês Philippe Mével, diretor da Chandon Brasil, trata-se de uma avaliação equivocada. “Não é o método que determina a qualidade do espumante e sim a qualidade da uva, a vinificação adequada e o trabalho do blend que conferem seu sabor”, diz.

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Lírica Crua – a vinícola Hermann, em Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul é propriedade dos donos da importadora Decanter. O que poderia ser um passo arriscado para um conhecedor de vinhos e vendedor de rótulos consagrados mundo afora se revelou uma grata surpresa que só se fortalece com o tempo. Adolar Hermann trouxe como consultor o enólogo Anselmo Mendes, conhecido entre no meio como o “rei do Alvarinho”, uva branca típica da região do Minho. Decisão acertada. Da linha de espumantes como Bossa Nova e Lírica se destaca esta garrafa da versão Crua. Lançada no final de 2015, começa surpreendendo pela tampa metálica, igual de uma garrafa de cerveja, e intriga pelo visual turvo e conquista pelo sabor marcante. Mais uma vez entender o método ajuda decifrar a bebida. A Lírica Crua é elaborada pelo processo champenoise ou tradicional, ou seja, a segunda fermentação é feita na garrafa e deixa o vinho-base que irá se transformar no espumante mais tempo em contato com as leveduras. Aqui começa a diferença, no esquema normal estas leveduras são retiradas da garrafa no final do processo (por isso as garrafas giram em torno do seu eixo para empurrar as leveduras para o gargalo). O Lírica Crua dispensa esta etapa, conhecida como “degougerment”. So what? Os sedimentos (leveduras) ficam lá, dando esta cor turva (não se assuste), uma textura cremosa e aumentando a percepção dos aromas de panificação e das frutas cítricas. Palmas para a inovação, sempre bem-vinda ao mundo do vinho.

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Cave Geisse Nature
– às vezes, muitas vezes, eu me repito. Mas eu tenho uma atração por este rótulo da Cave Geisse – e felizmente tenho a companhia da minha mulher nesta opção. O enólogo é um craque com história para contar. Nascido no Chile foi responsável por anos pelos negócios da Chandon do Brasil. Em carreira-solo investiu na região de Pinto Bandeira, um belo polo de espumantes no Rio Grande do Sul. Elaborado pelo método tradicional, o Nature fica 180 dias fermentando e dois anos amadurecendo, em contato com as leveduras. Bastante seco, com zero grau de açúcar, privilegia a acidez, a sensação de frescor e tem uma pegada tostada. A uva Chardonnay predomina (70%), deixando o restante da composição para a Pinot Noir.

Espumante-Aurora-Pinto-Bandeira-Extra-BrutAurora Pinto Bandeira Método Tradicional Extra Brut – a cooperativa Aurora já tem espumantes clássicos consagrados e premiados (não dou muita bola para estas medalhas de concursos que pululam por aí, mas é uma evidência de qualificação). O Chardonnay da Aurora é um dos meus favoritos. Este aqui é uma tentativa de explorar o terreno de Pinto Bandeira, a mesma região do Cave Geisse, e elaborar pelo método tradicional um espumante mais classudo, extra brut, que dorme longos 24 meses em contato com as leveduras para dar maior complexidade de aromas e sabores. Eu acho que conseguiu. Tem personalidade e pegada, sem exageros nos tostados e delicadeza na boca. É uma boa aposta da Aurora que tem uma extensa linha para todos os bolsos e paladares.

 Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos e acessíveis

reserva_ouro_novo_rotuloSalton Reserva Ouro – tem sempre aquela pergunta. Me indica um espumante bom e barato? Bom e barato são definições imprecisas, mas no geral entendo que o consumidor quer tomar uma bebida prazerosa, com o perfil que identifica o produto e com um preço com um bom custo benefício. Aí eu indico o Salton Reserva Ouro (em torno de 45 reais, isso é barato para você? Well…), que sofisticou na apresentação e no formato da garrafa – é mais bonita, mas um transtorno para aqueles que têm adega climatizada em casa para armazenar nas prateleiras. Cítrico na entrada, tem um leve toque de pão torrado (resultado dos seis meses de contato com as leveduras). Frescor correto. O Reserva Ouro, além de tudo, me traz na lembrança a marcante figura de Angelo Salton, servindo seus vinhos nas feiras e eventos. E vinho também é feito de momentos assim.

mateus

Mateus Spakling, rosé português

Sparkling Mateus Rosé – tem tudo para gerar um nariz empinado dos esnobes de plantão. Eu também olhei com desconfiança, confesso. Um espumante com o legado do Mateus Rosé, da gigante Sogrape, e de um preço não muito competitivo (em torno de 90 reais)? E para completar vem com esta  presepada de “Sparkling” no rótulo? Mas agradou de verdade. Tem aquela cor dos espumantes rosés que é uma delícia por natureza. Borbulhas no ponto, boa acidez. É um blend das uvas Shiraz e Baga, um tanto curioso, não pela Baga, responsável pelos bons espumantes da Bairrada, mas pela parceria com o Shiraz. No nariz, confirmando na boca, as frutas vermelhas silvestres esperadas de um rosé (morango fresco por exemplo), com um final mais doce. Um descritivo que me ocorreu apenas na terceira taça (jamais uma taça apenas de espumante, lembra?) foi a sensação da mordida de uma maçã, a acidez que provoca e o sabor e salivação que irradia.

Leia também: É um vinho português, com certeza

Piper

Champa francesa e meu cachorro

Piper Heidsieck – clássico, né? Aqui é o Champanhe com “gn”, da região do mesmo nome, que detém a exclusividade do uso do termo Champagne. Exclusivo, mas nem tanto, vai. Assim como os gauleses da revista em quadrinhos Asterix protegiam sua aldeia dos Romanos no norte da França, aqui no Brasil a situação se inverte. A Peterlongo se defende dos franceses e mantém o direito de exibir o nome champagne em seus rótulos, garantido pelo Supremo Tribunal Federal e não se fala mais nisso. Justo. É a produtora do espumante mais antigo registrado no Brasil, de 1913, e nos últimos anos vem se renovando com rótulos de alta qualidade. Voltando aos franceses… A casa, fundada em 1785, apresenta suas armas: boa espuma, cor palha, frutas secas antes e depois do gole e acidez correta. A Pinot Noir é maior destaque do blend (50%) que ainda tem 25% de Pinot Meunier e 20% de Chardonnay.

 

Jansz

“Comprei uma caixa”, disse meu amigo

Jansz Tasmania – um amigo recente, mas não menos importante, me apresentou esta belezinha no apagar das luzes de 2017. “Você conhece este espumante?, ele me perguntou enviando a foto pelo celular. Não conhecia, apesar de ser importado pela KMM, conhecida casa especializada em vinhos da Austrália e que recentemente expandiu seu catálogo para outros países. Gentilmente, ele comprou um caixa e me convidou para provar. Da Tasmânia, para ser sincero, minha única referência era do demônio da Tasmânia e o Taz, o desenho animado que representa o bicho. A proposta, desde 1975, foi de elaborar um espumante de alta qualidade. Serviço feito! O método – olha ele outra vez – foi batizado de “tasmenoise”, uma corruptela de champenoise. A empresa chegou a se associar com o consagrado produtor de Reims, em Champagne, Louis Roederer. O Chardonnay e o Pinot Noir dominam a mescla. Às cegas parece um champagne mesmo. Perlage (as bolinhas), finas e elegantes. Boa cremosidade, as frutas secas e panificação como colchão gustativo, e um final persistente e elegante. Abrimos uma garrafa, abrimos duas… Adorei este espumante do Taz!

 

E um bar de espumantes?

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Um wine bar de espumantes brasileiros no “miolo” dos Jardins

Não é má ideia, não? Foi outra experiência ligada ao mundo das borbulhas que experimentei recentemente. Foi inaugurada em São Paulo, no pedaço com o maior consumo per capita de vinho da cidade, na região dos Jardins. Trata-se  da Champanharia Natalício by Miolo. Fica na Haddock Lobo, 1327. Proposta testada em Porto Alegre, os vinhos são nacionais. O nome já entrega. Os espumantes – e outros rótulos — são exclusivos da Miolo. O wine bar abre às 11h da manhã e fecha só à meia-noite. Tá ali de bobeira às 11h30, antes da reunião? Uma taça de Miolo Cuvée Tradition Brut é uma possibilidade (20 reais). Saiu mais cedo? Happy hour com um Miolo Millésime Brut é uma escolha refrescante e mais refinada. O lugar ainda oferece tapas, tábuas de salames especiais e queijos, sandubas em um cardápio que promove harmonização com as borbulhas. Descontraído, o wine bar valoriza o vinho brasileiro sem discurso, nem nacionalismo barato. Oferece qualidade, variedade e quem sabe abre caminho para outras experiências parecidas na cidade.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016 Brancos, Nacionais, Tintos | 19:17

O vinho brasileiro ganha espaço em restaurantes, em loja exclusiva e na sua casa

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Vinhedos da Guaspari: nova fronteira do vinho, em Espírito Santo do Pinhal, no estado de São Paulo

Vinhedos da Guaspari: nova fronteira do vinho, em Espírito Santo do Pinhal, no estado de São Paulo

Algumas pessoas, as mal informadas, se espantam quando eu digo que tomo vinho nacional – e com alguma frequência. Esboçam aquele sorriso incrédulo seguido de um “ah, vá” e, diante da minha insistência, recorrem ao segundo argumento mais utilizado diante da possibilidade de desarrolhar um rótulo verde-amarelo: “Ok, até tem alguns bons, mas o preço…”.

Sabe nada, inocente!

Vamos lá. Sim, há vinhos nacionais bons e muito bons – e os ruins ou bem meia-boca, alguns têm um preço maluco, outros compatíveis com o mercado e há também os achados.

O mesmo fenômeno ocorre no universo dos vinhos importados – tanto em preço como na qualidade. A combinação de preço e volume faz parte da construção de marca que rege a indústria desta bebida – de toda indústria, a propósito. Vale sempre lembrar que o vinho nacional paga também uma alta carga de impostos: 54,73% do preço da garrafa vai para o governo na forma dos mais variados tributos, o que contribui na formação do preço. No importado a mordida é de 74,73%

Mas se ainda existe este comportamento preconceituoso entre alguns consumidores de vinho, sinais opostos e positivos mostram que o  vinho brasileiro, das mais diversas regiões e estilos, vem conquistando um espaço maior na taça. E se é verdade que o melhor do vinho  é a diversidade, o Brasil hoje faz parte desta equação.

E quais são estes sinais?

Muitos restaurantes, pelo menos em São Paulo, estão aumentando a oferta de rótulos nacionais em suas cartas, além dos obrigatórios espumantes.

Os vinhos antes restritos ao sul do país agora exploram novas fronteiras. Tanto no Nordeste, um projeto mais antigo, quanto nos improváveis estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo (benza deus, São Paulo, quem diria?) e Goiás, e consolidando a vocação da Campanha Gaúcha, nas franjas do Uruguai.

Pequenos produtores de vinhos orgânicos ou biodinâmicos brasileiros também estão encontrando seu público e espaço para comercializar seus rótulos.

As lojas também abrem mais espaço para o vinho nacional. No exemplo mais radical, uma loja e bar em um bairro boêmio em São Paulo vende exclusivamente rótulos brasileiros.

E como temos mesmo este complexo de vira-latas, nada como o endosso de uma publicação internacional de prestígio para consolidar esta tendência. A prestigiosa revista inglesa Decanter publicou em sua edição de outubro uma reportagem de 4 páginas com o título “Golden era for Brazil“, enfatizando que 2016 é um ano histórico para os produtores de vinho brasileiros. No texto, o autor elogia a qualidade e a diversidade (olha só) do vinho nacional, além de destacar as três primeira medalhas de ouro conquistados pelo Brasil no concurso que a revista promove (Decanter World Wine Award) entre rótulos de todo mund. Foram agraciados dois rótulos da Casa Valduga (Casa Valduga Terroir Leopoldina Merlot e o Gran Leopoldina Chardonnay D.O) e outro da jovem Vinícola Guaspari. (Vista do Chá Syrah 2012) (leia mais sobre a Guaspari mais abaixo).

Blog do Vinho bebeu

Nas últimas semanas tenho bebido rótulos brasileiros em restaurantes, bares e em casa. E não foram apenas espumantes. É apenas mais um reflexo do que escrevi acima. Aos vinhos, pois:

Pinot Noir: simples, descontraído, saboroso

paradoxo1Nos restaurantes Modi e no Lambe-Lambe, uma rede que une qualidade e preço e entrega uma culinária saborosa com ingredientes mais simples, o vinho em taça é o fresco e gostoso Paradoxo Pinot Noir da Salton. Uma ótima sugestão do consultor Luis Felipe Campos, responsável pela carta dos restaurantes. Com uvas da região da Campanha Gaúcha, baixo teor alcoólico e fruta delicada,  acompanha bem entradas, pratos mais leves, frango. Agrada também em carreira solo.

Varietal-Pinot-Noir-2012Outro exemplo de Pinot Noir nacional bacana é o Varietal Pinot Noir da Aurora, de Bento Gonçalves, uma delícia de vinho jovem, frutado e que a gente mata uma garrafa num bate papo sem perceber. Fácil de encontrar em supermercados, é uma boa pedida para levar para casa e beber sempre jovem. Agrada também os Tio Patinhas do Baco, com um preço bem acessível (algo como 25 reais)

Menos álcool, mais frescor

vinheticaAinda no universo dos brasileiros conquistando espaço nas cartas dos restaurantes, este rótulo da foto ao lado, da Campanha Gaúcha, foi provado no simpático Allez, Allez!, um bistrô na Vila Madalena.  O Vinhetica – Terroir de Rouge é um achado. Em primeiro lugar, trata-se de um tinto com 12,5 de álcool, que só por isso merece todas nossas mesuras. Supergastronômico, com frutas frescas e acidez bem marcante, mostra um aroma balsâmico. A maceração é do tipo carbônica, como fazem os Beaujolais Nouveau da vida, ou seja, a fermentação acontece dentro da fruta, o que preserva o frescor que se destaca na bebida. O Vinhetica Terroir de Rouge é o resultado da leveza da uva arinarnoa (que desconhecia) com a robusta cabernet sauvignon, um experimento do viticultor francês Gaspar Desurmont que se apaixonou pelo solo brasileiro e por aqui montou seu empreendimento. Já havia provado em um evento, mas na companhia da comida, deu uma valorizada.

Vinho paulista

Os chamados vinhos de inverno, nos quais se incluem os vinhos produzidos em solo dos Bandeirantes, são fruto de uma técnica de cultivo adaptado ao clima da região sudeste/centro-oeste conhecido como poda invertida. Técnica esperta, ela engana o ciclo vegetativo da parreira e gera frutos em julho, agosto, época de menos chuva e clima mais temperado. Minha primeira experiência foi o tinto Primeira Estrada, lá em 2013. Esta técnica, desenvolvida por Murilo Albuquerque, da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), possibilitou a aventura de outros empreendedores que tinham “um vinho na cabeça e uma uva na mão”. Entre este grupo se encontram malucos/empreendedores de Minas Gerais, Goiás e São Paulo, em geral com origem na zona cafeeira destes estados. A Guaspari e a Casa Verrone são dois exemplos.

 Guaspari, agora numa versão mais econômica

Desde que colocou no mercado seus três primeiros rótulos, um aprazível sauvignon blanc e dois syrah (Vista da Serra e Vista do Chá), a Guaspari surpreendeu os céticos, mereceu boas críticas da imprensa especializada e elogios entre os consumidores. Arrasou conquistando o prêmio máximo da Decanter – como contamos acima. Um baita efeito “uau!” para um iniciativa pioneira e iniciante. Mas de bobos eles não têm nada e os louros não vieram por acaso. A Guaspari criou uma estrutura profissional para chegar nisso. Com vinhedos plantados em uma fazenda cafeeira na região de Espírito Santo do Pinhal, no Estado de São Paulo, a Guaspari chegou chegando com um trabalho ousado que contou com a consultoria do enólogo americano Gustavo González – que tem no currículo a vinícola americana Robert Mondavi – e com um marketing imbatível: um vinho de qualidade produzido em São Paulo. Pronto, ganhou as manchetes! E se posicionou com preço de gente grande (cerca de 150 reais a garrafa).

O que leva a uma reflexão sobre preço e vinho nacional: se o vinho é de qualidade, que diferença faz a nacionalidade na hora de colocar a mão no bolso? valedapedra

Este ano a Guaspari lançou uma segunda linha de vinho, um pouco mais acessível, nem por isso na bacia das almas (78 reais): o Vale da Pedra tinto 2015 (também da tinta syrah, que parece ser a uva que mais se adaptou a estes novos territórios do vinho) e o Vale da Pedra branco 2015 (sauvignon blanc, a branca que também se deu melhor). Curiosamente, ao contrário do padrão dos vinhos nacionais, se você procurar a uva na parte principal do rótulo não encontrará. Este novo vinho vem atender esta tendência de vinhos mais jovens, leves e com maior potencial de consumo. A madeira – quando existe – é apenas coadjuvante. É o caso deste syrah com um estilo “chocolate com pimenta”, que tem esta pegada bem marcante no final de boca. As especiarias típicas da uva estão lá, a acidez dá prazer e a parceria com a comida é mais fácil.  Os vinhos são encontrados em sua loja virtual e na rede de supermercados Saint Marche, em São Paulo.

 Casa Verrone, de Itobi para o mundo

caa-verroneVocê sabe onde fica Itobi e Divinolândia? Eu até sei, pois já fui a Itobi, mas garanto que não foi por conta de vinho, que nem sabia que existia. Mas um produtor – a Casa Verrone – arranca do solo destes municípios no interior do Estado de São Paulo, na região da Serra da Mantiqueira, as uvas que maceradas dão os caldos de seus vinhos. E, para surpresa geral da nação, o seu Chardonnay Speciale Casa Verrone 2015 levou o prêmio na sua categoria na Grande Prova de Vinhos do Brasil 2016. Este eu provei em casa, mas comprei na RedButeco, descrito logo abaixo. É um chardonnay de estilo mais amadeirado, amanteigado, que lembra um pouco os brancos dos anos 2000 produzidos no Chile e Argentina, mais gordo que fresco. Um estilo com vários defensores.

 

Vinho de Food Truck

losmendozitos
Quem já passou por eventos e feiras ou deu um rolê pelos FoodTrucks que explodiram em 2015, e estão se adaptando à realidade de  2016, já deparou com a marca Los Mendozitos, que segundo definição dos fundadores trata-se de uma “rede de Wine Bars itinerantes do Brasil especializados em vinhos de produções familiares”. Por itinerante entenda-se trailers e até bicicletas que comercializam vinhos. Uma ideia que apostou na simplicidade, no preço e no vinho em taça.  E deu certo. Agora os Mendozitos resolveram ocupar um espaço fixo no FoodTruck do Vila Butantã – que é formado por trailers tradicionais de comida e algumas lojas fixas ocupadas em cointainers que formam um mini shopping ao livre em frente à sede da Odebrecht, em São Paulo. Ao contrário do modelo de negócio dos trailers, que é de venda de vinho em taça, na loja fixa o consumo maior é de garrafas. A nota curiosa é que, apesar do nome, os vinhos nacionais também têm vez nas prateleiras como os espumantes do Don Giovani e tintos e brancos nacionais. O rótulo que leva o nome da loja, Los Mendozitos, a propósito, é um cabernet sauvignon produzido pela Guatambu, de Don Predito, no Rio Grande do Sul. Eu imaginava que seria um Malbec de Mendoza… Sem grandes pretensões, correto, com bons taninos, é outro exemplo de vinho nacional ocupando os espaços que ampliam o consumo dos nossos rótulos e atingem um público diversificado.

Um tinto de outro mundo

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O mundo do produtor independente Eduardo Zenker é o vinho de garagem. Não é uma força de expressão. Literalmente ele faz suas alquimias em uma garagem em Garibaldi – da mãe. Foi ali que um casal de amigos provou e trouxe esta garrafa de um Ancellota de 2013 que foi batizado como o sugestivo nome de Alma Penada, já que é um caldo  condenado à extinção. Explicando: as parreiras de onde vieram as uvas foram cortadas pelo fornecedor e este vinho não se repetirá. Este eu provei na casa desses amigos.  Vinhos como os de Zenker fazem parte do movimento de vinhos natureba, que aqui em São Paulo tem como maior divulgadora a Enoteca Saint Vin Saint da Lis Cereja. E só o fato de este tipo de vinho diferentão, que defende a interferência mínima do homem no vinhedo e na vinificação, ter um espaço conquistado, já mostra que há vinhos brasileiros em todos os estilos disponíveis. E público para isso – e até uma feira anual pra lá de concorrida que reúne vários produtores. O Alma Penada é bem escurão, estava muito floral, tinha uma espécie de gosto de terra. Na proposta orgânica, o sabor da uva parece mais natural, mas surgem algumas arestas, algo parece meio desequilibrado, o que os defensores classificam como qualidade intrínseca do processo. Definitivamente é um caldo controverso, mas que vale ser conhecido. Ainda citando a tal reportagem da Decanter, um dos rótulos indicados pelo autor é o Era dos Ventos, Peverella, 2013, do casal Luis Henrique e Talise Zanini em parceria com o proprietário do restaurantes Aprazível, Pedro Hermeto uma espécie de vinho laranja tupiniquim e o Atelier Tormentas, Vermelho Cabernet Franc 2015, do polêmico vinhateiro Marco Danielle, do qual escrevi em 2009 e nunca mais cruzei. Este eu preciso provar.

Red: um buteco de vinhos verde-amarelos

red

Por fim, fui conhecer um projeto que parecia pra lá de original e ousado: o Red Buteco. Trata-se de um bar e loja exclusivos de rótulos brasileiros. Voltado para o público jovem e encravado também na Vila Madalena, onde a cerveja, o chopp e a caipirinha reinam incontestes, parecia um suicídio comercial. E aparentemente está dando certo. O público escolhe o vinho nas prateleiras, os atendentes são jovens sommeliers que conhecem os rótulos e tudo é servido em um ambiente moderno e descontraído. Não há muito ritual, bebe-se pelo prazer, pela companhia, no buteco. Para acompanhar a bebida, há um cardápio restrito de aperitivos (gostei da coxinha. Pode coxinha e vinho? Pode!) e pratos rápidos (menos bons). Os rótulos disponíveis variam desde alguns produtores conhecidos do Sul, como Lidio Carraro, Pizzato, Dal Pizzol, Cave Geisse até rótulos de regiões experimentais e pouco conhecidas, do Paraná (espumante Poty), Minas Gerais (Luis Porto) e evidentemente São Paulo (Guaspari e Casa Verrone, foi lá que comprei o meu).

Os proprietários são três jovens com carreira em outra atividade – economista/sommelier, arquiteto/urbanista e advogado/Dj, respectivamente. O público é alegre, predominantemente feminino. Um consumidor novo, com menos vontade de encontrar frutas do bosque no vinho e mais vontade de ter prazer com a bebida e sua companhia.  Acho que não podia ter notícia melhor para o vinho brasileiro.

Serviço:
Red Buteco de Vinhos Brasileiros
Rua Mourato Coelho, 1.160, Vila Madalena, São Paulo, SP

 

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quarta-feira, 22 de abril de 2015 Blog do vinho, Brancos, Degustação, Espumantes, Nacionais, Novo Mundo, Porto, Rosé, Tintos, Velho Mundo | 14:00

Conheça os melhores vinhos do concurso Top Ten 2015 da ExpoVinis

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Como acontece todos anos  os homens que cospem vinho se juntaram mais uma vez para realizar o concurso Top Ten, versão 2015 (que bem poderia chamar Os 10 Mais), da 19º edição da Expovinis, a maior feira de vinhos da América Latina. O concurso reuniu profissionais, especialistas, jornalistas e um palpiteiro (este que vos escreve que participa pelo oitavo ano consecutivo) para provar vinhos às cegas de vários países e estilos e eleger os 10 melhores. Quem acompanha este blog sabe da lisura deste concurso e de como ele funciona. Para quem chega aqui pela primeira um rápida explicação (ou clique nos links distribuídos pelo texto). A tabela está logo abaixo, seguida das fichas dos vinhos

Top Ten como funciona

Os vinhos que concorrem na degustação do Top Ten da ExpoVinis são aqueles enviados pelos expositores/produtores. Não são exatamente os melhores vinhos da feira, nem é esta a pretensão. Concorre quem quer. Eles são divididos em uma dezena de tópicos. Em 2015 foram 125 amostras distribuídas entre as seguintes categorias: espumantes nacionais (16), espumantes importados (8), brancos importados (15), brancos nacionais (12), rosados (10), tintos nacionais (18), tintos novo mundo (13), tintos velho mundo I – Portugal e Espanha (11), tintos velho mundo II – França e Itália(15), fortificados e doces (7). As garrafas são cobertas, numeradas e avaliadas. As notas são registradas no sistema (é distribuído um iPad para cada jurado com usuário e senha), somadas e os melhores em cada categoria levam a medalha no peito e saem anunciando por aí. Justo ou não, trata-se de um julgamento coletivo, que é mais preciso que a nota de um só critico. Os jurados só conhecem os rótulos provados no momento da divulgação do resultado. Confesso que é até meio frustrante, a gente passa dois dias provando vinhos e sai de lá sem saber os rótulos que bebeu e quais foram os eleitos. Mas é a forma correta de fazer isso.

TOP TEN 2015 – Resultado  Final

1. ESPUMANTES NACIONAIS – Vencedor: Aracuri Brut Chardonnay 2014

2. ESPUMANTES IMPORTADOS  – Vencedor: Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie N/V

3.  BRANCOS NACIONAIS – Vencedor: Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2014

4. BRANCOS IMPORTADOS  – Vencedor: Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

5. ROSADOS – Vencedor:  Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

6. TINTOS NACIONAIS  – Vencedor:  Valmarino Ano Xviii Cabernet Franc 2012

7. TINTOS NOVO MUNDO – Vencedor:  Renacer Malbec 2011

8. TINTOS VELHO MUNDO I (Espanha e Portugal) – Vencedor:  Pêra Grave Reserva Tinto 2011

9. TINTOS VELHO MUNDO II (Itália e França) – Vencedor:  Sangervasio A Sirio 2007

10. FORTIFICADOS E DOCES  – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

PRÊMIO JOSÉ IVAN DOS SANTOS (vinho com a maior média, 93.5) – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

ESPUMANTES NACIONAIS

Aracuri Brut Chardonnay 2014

País: Brasil

Região: Campos de Cima da Serra – Rio Grande do Sul

Uva: chardonnay

Produtor: Aracuri Vinhos Finos

Site: www.aracuri.com.br

Elaborado pelo método charmat (segunda fermentação em tanques de inox), usa apenas uva chardonnay. Na minha avaliação era aquele que apresentava maior toque de evolução entre os representantes das borbulhas nacionais.  Não é assim que o site da empresa define o vinho: “espumante elegante e refrescante de perlage fina e abundante. No aroma destacam-se as notas de damasco, raspas de limão e pão fresco. O paladar é envolvente e cremoso com acidez cativante.”. Mas é um bom sinal a  eleição de um blanc de blanc (espumante feito apenas com chardonnay) verde-amarelo.

espumantes

ESPUMANTES IMPORTADOS

Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie

País: França

Região: Champagne

Uvas: chardonnay (70%), pinot noir (15%), pinot meunier (15%)

Empresa: Sas Prat Champagne Georges De La Chapelle

Site: www.georgesdelachapelle.com

Existe uma clara tendência dos jurados eleger um espumante importado que mais chegue perto das características de um champagne tradicional, e não deu outra. Para começar pelo tradicional corte, com as uvas tradicionais da região. Bateu nas anotações dos jurados: cor dourada, aromas de frutas secas, um toque oxidativo e boa perlage. Este exemplar vem de vinhedos com mais de 40 anos e de uma mistura (cuvee) das safras de 2004, 2006 e 2008. Um belo champagne, sem dúvida. Afinal, não há espumante como um champagne…

BRANCOS NACIONAIS

Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2012

País: Brasil

Região: Altitude Catarinense – Santa Catarina

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Vinícola Pericó Ltda

Site: www.vinicolaperico.com.br

E um vinho de altitude, de Santa Catarina, elevou o sauvignon blanc nacional para o topo da categoria dos brancos nacionais. Elegante, sem exagero de aromas, lembra frutas tropicais no nariz e na boca, no site oficial são descritos “melão, mamão papaia, casca de grapefruit e uma nota discreta de maracujá e de folha de tomate”  Eu não percebi tudo isso, mas um frescor marcante, com bela acidez e boa estrutura.

 BRANCO

BRANCOS IMPORTADOS

Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

País: Chile

Região: Vale Leyda

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Casas del Toqui

Site: www.casasdeltoqui.cl/cdt.html

Importador: Bodegas De Los Andes Comercio De Vinhos Ltda

Site: WWW.BODEGAS.COM.BR

O sommelier Hector Riquelme, sem saber quem era o vencedor, declarou que um “perfumista” havia vencido a categoria dos brancos importados. De fato, este sauvignon blanc é muito típico, e se destacam aromas de aspargos, arruda, herbáceo, na boca uma certa salinidade, boa estrutura e um final mais longo, acentuado pela mineralidade e ótima acidez. O  perfumista me conquistou.

ROSADOS

Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

País: França

Região: Provence

Uvas: grenache, cinsault, syrah, carignan, mourvedre, tibouren

Produtor: Cellier Saint Sidoine

Site: www.coste-brulade.fr

A cor em um rosé é elemento importante, ela seduz – ou não – de cara. Aqui um rosa pálido com reflexos de salmão davam pinta da região de Provence, confirmada no nariz mais cítrico, no frescor em boca provocado pela bela acidez que prolongava o prazer em boca. Ao contrário ao ano anterior, onde o painel dos rosados era bem fraco, este ano vários vinhos competiram em pé de igualdade pelo primeiro lugar. Prova de qualidade dos rosés, nem sempre reconhecida.

tintos

TINTOS NACIONAIS

Valmarino Ano XVIII Cabernet Franc 2014

País: Brasil

Região: Pinto Bandeira, Rio Grande do Sul

Uva: cabernet franc

Produtor: Vinícola Valmarino

Site: www.valmarino.com.br

Oba! Um cabernet franc 100% levou o melhor nacional tinto, recuperando o prestígio desta uva que já foi mais importante no Brasil (outro cabernet franc estava na disputa final). Tem a presença forte de madeira no nariz, e em seguida aparecem frutas negras, couro e chocolate. Na boca um tanino macio, uma boa fruta presente, com a madeira integrada, um final de qualidade. Este foi um vinho que foi melhorando na taça e que foi surpreendendo ao longo da prova e crescendo na pontuação (na minha, pelo menos).

TINTO NOVO MUNDO I – ARGENTINA E CHILE

Renacer Malbec 2011

País: Argentina

Região: Lujan de Cuyo, Mendoza

Uva: malbec

Produtor: Bodega Y Viñedos Renacer

Site: www.bodegarenacer.com.ar

A Argentina papou o prêmio do Novo Mundo com sua uva símbolo, a malbec. Os 24 meses em barricas francesas de primeiro uso e os seis meses de garrafa trouxeram aromas mais evoluídos de bala toffee e frutas negras. Não tem aquele floral exuberante, de violeta, que em excesso incomoda. De vinhedos de mais de 90 anos de idade, este malbec conquistou pela fruta em boca, tanino doce e suave e final mais longo. Infelizmente a categoria se  limitou a garrafas do Chile e da Argentina, o que limita um pouco o painel. Seriam bem-vindos tintos da Austrália, África do Sul, Estados Unidos…

tintosdecima

TINTO VELHO MUNDO II – ITÁLIA E FRANÇA

Sangervasio A Sirio 2007 IGT

País: Itália

Região: Toscana

Uvas: 95% sangiovese, 5% cabernet sauvignon

Produtor: Sangervasio

Site: www.sangervasio.com

Importador: Zahil

Site: www.zahil.com.br

O melhor tinto velho mundo é um velho conhecido dos apreciadores de tintos italianos. Há anos importado pela Zahil, já tem seu público cativo e me causou certa surpresa sua presença no Top Ten. A Sangervasio se define como um vinhedo biológico da Toscana. Este A Sirio IGT tem pinta de supertoscano e passa 14 meses em barricas (50% novas) e 2 anos em garrafas antes de encher sua taça. Isso provoca uma textura macia na predominante sangiovese, com um bom impacto de frutas, especiarias e corpo médio. Não se notam seus 8 anos de vida. Vai longe. Avanti Itália!

 

TINTO VELHO MUNDO – PORTUGAL E ESPANHA

Pêra Grave Reserva Tinto 2011

País: Portugal

Região: Alentejo, Évora

Uvas: syrah, touriga nacional e alicante bouchet

Produtora: Pêra Grave, Quinta de São José de Peramanca

Site: www.peragrave.pt

Representante: Luxury Drinks Portugal

Site: www.luxury-drinks.pt

Aprendo no site oficial da vinícola que ele é produzido na antiga quinta de Pêra Manca do séc. XIII até ao séc. XIX. Trata-se de um caldo potente, típico desta região mais quente de Portugal. Muita fruta negra no nariz e um toque floral da touriga nacional. Na boca a potência se confirma com as frutas mais maduras e com a passagem pelas barricas. Boa persistência final. Vinhão para quem curte caldos mais concentrados.

doces

DOCES E FORTIFICADOS

José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

País: Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: 100% moscatel de Setúbal

Produtor: José Maria da Fonseca

Site: www.jmf.pt

Importador: Decanter Vinhos Finos

Site: www.decanter.com.br

Uauau!  Não é muito profissional começar uma descrição assim, mas eu repito: uauau!!! A cor âmbar com alguns reflexos esverdeados já dá a dica de coisa boa, os aromas em camadas longas e persistentes de nozes, caramelo, avelã, frutas cristalizadas aumentam a tensão, na boca a confirmação destes aromas acompanhada de uma belíssima acidez que quebra seu doce e mantém o prazer da bebida por minutos. José Maria da Fonseca (aquele do Periquita) é o mais antigo produto de Moscatel de Setúbal, um Denominação de Origem Controlada (D.O.C.), reconhecida desde 1907.Este Moscatel de Setúbal 20 anos é resultado de um lote de 19 colheitas em que a colheita mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga perto de 80 anos, O resultado é complexidade, elegância, longo final e um paladar de tirar o rolha.

O nomes dos culpados pela eleição dos onze vinhos acima

 O time dos homens que cospem vinho do Top Ten tem uma certa consistência. Os doze homens são divididos em dois grupos, cada qual com um presidente a quem compete resolver qualquer impasse. Fica a crítica da ausência de juradas mulheres, que hoje são parte importante da crítica de vinhos no Brasil e no mundo.

 Presidentes de mesa

Hector Riquelme – sommelier chileno

Mario Telles Jr –  ABS-SP

Jurados (em ordem alfabética)

Beto Gerosa – Blog do Vinho

Celito  Guerra – Embrapa

Jorge Carrara – Prazeres da Mesa

José Luis Borges – ABS São Paulo

José Maria Santana – jornalista e crítico de vinhos revista Gosto

José Luiz Paligliari – Senac

Manoel Beato – sommelier grupo Fasano

Marcio Pinto – consultor e ABS-MG

Ricardo Farias – Sbav Rio de Janeiro

Tiago Locatelli – sommellier Varanda

José Ivan dos Santos, o gentleman do vinho

José Ivan dos Santos: homenagem

José Ivan dos Santos: homenagem

Este ano o concurso Top Ten teve um trago amargo. A ausência de José Ivan dos Santos na coordenação do evento, sempre em dueto com o crítico e consultor Jorge Lucki. José Ivan, ou Zé Ivan, era um gentleman do vinho, um conhecedor que não botava banca, um aglutinador de pessoas e de uma simpatia contagiante.  Zé faleceu, repentinamente, há pouco mais de dois meses, com um livro pronto para ser lançado. Em homenagem ao Zé, este ano foi instituído um 11º prêmio no Top Ten, o Prêmio José Ivan dos Santos para o vinho com a melhor pontuação em todas as categorias. O prêmio especial será entregue ao inebriante José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos. Uma justa homenagem que o concurso presta ao amigo Zé – que tenho certeza ficaria feliz de se ver representado com este elegante caldo.

 

SERVIÇO

  • ExpoVinis Brasil 2015 | 19º Salão Internacional do Vinho
  • 22 a 24 de abril de 2015
  • Expo Center Norte – Pavilhão Azul – Vila Guilherme – São Paulo
  • Informações, credenciamento visitantes e novidades: www.expovinis.com.br
  • Facebook: ExpoVinis Brasil | Twitter: @expovinis | Instagram: @expovinisbrasil
  • E-mail: visitante.fev@informa.com | Telefone: (11) 3598-780

O primeiro dia do evento será reservado exclusivamente para profissionais do setor.

  • Horário: das 13 às 21 horas para profissionais do setor nos dias 22 e 23 de abril, e das 13 às 20 horas no dia 24 de abril. Aberto ao consumidor final das 17 às 21 horas no dia 23 e das 17 às 20 horas no dia 24 de abril.
  • Shuttle Service/Transfer gratuito no trajeto Expo Center Norte-Estação Portuguesa/Tietê e estação Portuguesa/Tietê-Expo Center Norte estará disponível todos os dias do evento.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014 Espumantes, Nacionais, Rosé, ViG | 10:56

Espumantes brasileiros: preferência nacional e consumo no final do ano

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 “Vocês não precisam de Champagne. O Brasil tem seus próprios espumantes para beber”,
Steven Spurrier, crítico de vinhos, durante evento sobre espumantes do hemisfério Sul em abril de 2014

espumante

Todo final de ano tem peru no Natal, show de Roberto Carlos na TV Globo, retrospectiva das principais notícias do ano nos sites, jornais e revistas e… dicas de espumantes no Blog do Vinho. Eu sempre aposto nos espumantes nacionais. São bons, têm qualidade reconhecida, são fáceis de encontrar em lojas, supermercados e lojas virtuais das vinícolas. Para aqueles que precisam de um argumento de fora para se convencer – o nosso eterno complexo de vira-latas – a opinião do escritor de vinhos e crítico da revista inglesa Decanter, Steven Spurrier reproduzida acima, talvez reforce o conceito.

O consumidor brasileiro, a propósito, nem precisa de um inglês para convencê-lo disso. Em 2002, o consumo de espumante nacional era de 4,2 milhões de litros, em 2012 esse número saltou para 14,7 milhões de litros. Segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) 76,7% do espumante consumido no país é brasileiro. Se no universo dos tintos e brancos a concorrência esmaga o produto nacional, no mundo das borbulhas a liderança é inequívoca.

Ok, tem tudo são flores, ou borbulhas. O sucesso do espumante nacional e o crescimento da produção também causou algum estrago, e  já faz uns dois anos que se nota uma certa queda de qualidade em alguns produtos, uma diluição que foi mais facilmente percebida nas degustações que participo há alguns anos como jurado do TOP Ten da Expovinis, onde os espumantes nacionais participantes alcançaram  uma média menor que dos anos anteriores.

 Dicas de espumantes (preços atualizados em dezembro de 2014)

Para entender um pouco a importância deste mercado, o seu tamanho e os rótulos mais vendidos, o Blog do Vinho consultou alguns dos principais produtores, aqueles que todo consumidor encontra com facilidade nos corredores dos supermercados e está mais familiarizado com os rótulos. São elas Aurora, Casa Valduga, Chandon e Salton.

As conclusões deste modesto levantamento entre as vinícolas é o seguinte:

1. Muitas empresas cresceram os olhos para este mercado e aumentaram sua produção na linha das borbulhas.

2. O crescimento anual deve ficar entre 7 e 20% de 2013 para 2014

3. Apesar de todos os esforços de consumo durante o ano os espumantes têm sua venda concentrada no último trimestre do ano, na média 40% da produção é escoada neste período.

4. As vendas são concentradas no Sul e Sudeste, mas o mercado do Nordeste vem crescendo fortemente e é onde existe um potencial a ser explorado.

5. Apesar das nuvens negras que pairam sobre a economia de 2015, todas as empresas estão otimistas e apostam em um crescimento do mercado de vinho no Brasil.

De quebra abrimos espaço para estas empresas convencerem o leitor a escolher a sua marca para brindar o ano-novo, afinal, entre tantos rótulos, por que escolher esta ou aquela? Este colunista faz a sua parte e indica também um vinho de sua escolha de cada empresa consultada para o brinde de fim de ano (além das dicas de 2013 que continuam válidas e tiveram seus preços atualizados para 2014). Confira abaixo

AURORA

Produção de espumantes
Estima fechar 2014 com a comercialização de 4 milhões de garrafas de espumantes das linhas Aurora, Conde de Foucauld, Marcus James e Saint Germain.

Crescimento
Aumento de 14% (em espumantes) em relação a 2013.

Participação das vendas no final do ano
No último quadrimestre do ano, as vendas da empresa representam 40% do total do ano.

Regiões
A região Sul, seguida da Sudeste, são as que apresentam melhor desempenho. Mas distribuição é por todo o Brasil.

 Rótulos mais vendidos
As linhas de espumantes Aurora e Conde de Foucauld são as mais vendidas da empresa.

 Principais produtos e média de preços no Brasil
Espumantes Aurora
Prosecco, Moscatel Branco, Moscatel Rosé, Brut Branco (novo) e Demi-sec (novo): 
R$ 25,00
Linha TOP – Brut Pinot Noir 100%, Brut Chardonnay e Brut Rosé: 
R$ 42,00

Espumantes Marcus James
Brut Branco e Demi-sec Branco: R$ 24,00

Espumantes Conde Foucauld
Brut Branco, Demi-sec Branco, Brut Rosé e Demi-sec Rosé:
R$ 18,00

Espumantes Saint Germain
Brut Branco e Demi-sec Branco: R$ 14,00

 Por que beber um espumante da Aurora
“Convidamos os consumidores brasileiros a brindar 2015 com o Espumante Aurora Moscatel, que é top 100 do mundo. O Aurora Moscatel é o espumante que tem a melhor colocação do ranking TOP 100 do mundo, levantamento feito pela associação internacional de jornalistas e escritores de vinho, wawwj.com. Além disso, o Aurora Moscatel é o espumante que mais exportamos, é apreciado em países de 4 continentes, nos principais mercados do vinho brasileiro, como Reino Unido.”

 Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos e acessíveis

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

Espumante Brut chardonnay

Aurora Chardonnay
Uva: 100% chardonnay
Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço Médio: R$ 42,00

Entra ano e sai ano eu sempre elego este o mais inteerssante espumante elaborado pela Aurora. Este espumante usa como matéria-prima apenas a uva branca chardonnay – na França este estilo de espumante é chamado de blanc-de-blanc. Longo na boca, tem um toque tostado (o vinho-base passa 3 meses em cavalho francês antes da segunda fermentação) tem boa acidez, cremosidade em boca, tornando-lhe agradável e gastronômico. Tem um bom preço também.

Cenário para 2015
‘Embora o cenário previsto para 2015 seja de “aperto”, por termos produtos que atendem diferentes gostos e bolsos, com uma ampla gama de vinhos, espumantes, sucos e cooler – nossos Keep Cooler linhas Classic e Black e nosso Keep Ice com vodca de uvas-, para todas as camadas de consumo, acreditamos que 2015 será um bom ano, de muito trabalho, sim, mas também de conquistas.”

CASA VALDUGA

Produção de espumantes
Em 1990 os espumantes representavam de 10% a 20% das vendas. Atualmente, representam mais de 60%. O grupo venderá 1,8 milhão de garrafas de espumantes em 2014.

Crescimento
A produção cresceu 20% em 2014 e a perspectiva é de crescer o mesmo em 2015.

Participação das vendas no final do ano
O último trimestre do ano, período de compras para as festas, representa 40% das vendas.

Regiões
Maiores mercados estão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porém as regiões Norte e Nordeste têm demonstrado um potencial de consumo crescente, devido ao clima e à difusão da cultura de consumo de espumantes.

Rótulos mais vendidos
Na Casa Valduga destaca-se o ‘130 Brut’, um espumante que transmite nosso conceito de marca. A vinícola tem apostado em rótulos para o mercado de luxo, como o espumante ícone ‘Maria Valduga’ e a linha ‘Reserva’, que são produtos com mais complexidade.

Na Domno (outra marca da Valduga), o ‘.Nero Rose’ apresenta um desempenho expressivo. Seguindo a tendência de atender o mercado de luxo, temos o ‘.Nero Blanc de Blancs’.

Principais produtos e média preços no Brasil
.Nero e a linha Arte: R$ 38,00.
130: R$ 80,00
.Nero Blanc de Blancs: R$130,00
Maria Valduga R$ 150,00.

 Por que beber um espumante da Casa Valduga
“As festas tradicionais de Reveillon pedem o glamour e elegância do 130. Se você estiver em um ambiente mais descontraído, mais leve, a indicação são os produtos da linha .Nero. Para as sobremesas aposte no Moscatel.”

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

130 Valduga2

130 Valduga Brut
Uvas: chardonnay e pinot noir
Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 80,00

Aqui há uma coincidência entre a recomendação da empresa e deste palpiteiro. O 130 Valduga é elaborado com as uvas chardonnay e pinot noir pelo método champenoise (ou tradicional), aquele que a segunda fermentação acontece na garrafa. E daí? Daí que o vinho entrega maior elegância, cremosidade, borbulhas mais finas e consistentes e aquele aroma meio de pão torrado, de frutas secas e uma acidez que enche a boca. Um espumante verde-amarelo de classe. Um dos melhores que temos no país na sua faixa de preço. Foi eleito pela revista Decanter  (olha eles aí de novo) este ano como o único espumante brasileiro na categoria Best Buys (melhores compras) da América do Sul. Ah, e a garrafa é muito charmosa.

Cenário para 2015
“Estamos apostando no crescimento de consumo. Para isso estamos investindo na formação do consumidor por meio de eventos regionais, além oferecer uma imersão no mundo do vinho para os visitantes do complexo enoturístico da Casa Valduga.”

CHANDON

Produção
Mais de 3 milhões de garrafas.

Crescimento
Crescimento de mais de 10% em relação a 2013.

Participação das vendas no final do ano
As festas de final de ano concentram a maior parte das vendas, 60%. Isso porque existe uma cultura muito forte no Brasil de consumir bebidas nessas ocasiões.

Regiões
A maior parte das vendas está concentrada estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e na cidade de Brasília, porém, atualmente a região nordeste é a que registra maior crescimento.

 Rótulos mais vendidos
Chandon Réserve Brut e Chandon Rosé.

 Principais produtos e preço médio no Brasil
Chandon Réserve Brut: R$ 65,00
Chandon Brut Rosé: R$ 69,00
Chandon Riche Demi-Sec: R$ 65,00
Chandon Passion: R$ 65,00
Excellence par Chandon: R$ 120,00
Excellence Rosé par Chandon: R$ 130,00

 Por que beber um espumante da Chandon
“O consumidor deve escolher o Chandon Passion Edição Passion com dois cubos de gelo para comemorar o fim de ano para ou por que ele tem a cara do verão. A bebida é ideal para países que registram altas temperaturas como o Brasil pois mantém o espumante mais refrescante ainda. “

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

rose-chandon
Excellence Rosé Chandon
Uvas: pinot noir e chardonnay
Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 105,00

A subsidiária brasileira da Maison Moêt & Chandon fincou raízes em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, em 1973. De lá para cá tornou-se sinônimo de espumante fino e de volume. Todos seus rótulos são elaborados pelo método charmat – segunda fermentação em toneis de alumínio -, pois a filosofia do grupo está mais baseada na qualidade do vinho-base. O Excellence Brut exibia até 2010 o troféu solitário de top de linha da empresa. O rosé da linha Excellence quebrou esta hegemonia (a primeira leva teve apenas 5.000 garrafas produzidas) e hoje em dia está entre os espumantes rosés mais apurados, elegantes, complexos e saborosos no mercado (coloco no mesmo nível o Terroir Rosé Cave Geisse Brut e o Adolfo Lorna Rosé).  A pinot noir predomina (74%), mas a chardonnay (26%) também participa da festa. Fino e gastronômico. Tem uma cor rosada de boa intensidade, boa perlage e na boca a confirmacão dos aromas de frutas vermelhas, panificação e frutas secas aliado a uma acidez ampla. Um expressão de excelência da Chandon, com o charme do rosé.

Cenário 2015
“Estamos esperando um ano muito bom, já que a safra de 2015 promete ser uma das melhores que já tivemos.”

 Leia também: O merlot brasileiro é o melhor do mundo?

 SALTON

Produção
A Salton lidera o mercado nacional de espumantes desde 2004, atualmente é responsável por 40% das vendas com uma produção de 8,5 milhões de garrafas!

Crescimento
Em relação ao ano anterior, a comercialização da Salton teve um aumento de 7%.

Participação das vendas no final do ano
Os últimos três meses do ano representam 40% das vendas.

Regiões
O Sudeste continua liderando em volume de vendas e o Sul em consumo per capita. A Salton pesquisa sobre o mercado de vinhos e espumantes no Brasil e sabe do potencial de crescimento do norte e Nordeste, por isso está presente em festas, eventos e supermercados das regiões.

 Rótulos mais vendidos
Para as festas de fim de ano, os rótulos mais vendidos são: Salton Prosecco, Reserva Ouro, Salton Moscatel, Salton Brut, Salton Demi-Sec e Salton Poética.

Principais produtos e preço médio no Brasil
Salton Prosecco: R$ 30,00
Salton Poética: R$ 35,00
Reserva Ouro: R$ 40,00
Salton Moscatel: R$ 25,00
Salton Brut: R$ 25,00
Salton Demi-Sec: R$ 25,00
Salton Évidence: R$ 65,00

Por que beber um espumante da Salton
“O consumidor deve escolher um dos rótulos da Salton para comemorar o fim de ano pois terá o melhor espumante com melhor custo benefício. Nosso negócio é garantir a satisfação do cliente.”

Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

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Salton Reserva Ouro
Uvas: Chardonnay, Riesling e 20% Pinot Noir
Região: Tuiuty/Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 40,00

Este colunista chamava Angelo Salton (1952- 2009) de “O senhor das borbulhas”. Não é à toa. Em 2004 a Salton dominou o mercado neste segmento e permanece no topo. Na minha opinião, na relação preço qualidade o Reserva Ouro é imbatível. Cítrico na entrada, tem um leve toque de pão torrado gostoso (são seis meses de contato com as leveduras), e uma boa base de acidez, que dá uma sensação de frescor. É a cara do espumante de boa qualidade nacional. Em 2014 trocou de roupa: ganhou nova garrafa, mais elegante, e um rótulo mais moderno.

Leia também: Os 100 primeiros anos da Vinícola Salton

 Cenário 2015
“A Salton busca sempre apresentar novidades ao consumidor mantendo a qualidade dos seus produtos e a liderança em espumantes. A vinícola está investindo continuamente em tecnologia e novas áreas de produção, como na região de Santana do Livramento (RS), voltada ao cultivo de uvas para vinhos e espumantes finos em um projeto baseado nos princípios da agricultura de precisão; também na ampliação de caves para produção de espumantes no método champenoise na unidade de Tuiuty (Bento Gonçalves/RS). Além disso, a Salton está com uma nova unidade em Jarinu (SP) e nesta unidade, a empresa pretende desenvolver novas categorias, visando no futuro ampliar o portfólio de destilados com malt whisky e vodka e também implementar a categoria de soft drinks; além de seguir produzindo o conhaque Presidente.”

➢  Este Blog deseja um Feliz Natal e um 2015 estupendo para todos.

SEKT

 

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domingo, 1 de junho de 2014 Nacionais, Tintos, Velho Mundo | 21:28

Vinho nacional pode ser caro?

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Dez entre dez especialistas de vinho reconhecem que a qualidade dos vinhos brasileiros vem aumentando e – principalmente – se diversificando. Hoje temos experiências em diferentes regiões do país, e o mapa de produção inclui latitudes inimagináveis tempos atrás como Minas Gerais, Goiás e Pernambuco.  Santa Catarina, com seus vinhos de altitude, mostram caldos de valor, além é claro do Rio Grande do Sul, avançando cada vez mais para os terrenos mais próximos da fronteira com o Uruguai. Também há experiências com diferentes variedades de uvas, métodos, cultivos orgânicos, biodinâmicos, pequenas parcelas, produtores experimentais e diferentes concepções de espumantes.

Leia também:  Primeira Estrada: vinho fino de Minas Gerais abre caminho para rótulos do Sudeste do Brasil

Leia também: Conheça os vinhos do sertão de Amores Roubados

Dez entre dez especialistas também são unânimes em bater na mesma tecla. O preço. O vinho nacional é muito caro, dizem, e muitas vezes também digo. Seguido do preconceituoso axioma “Para um vinho nacional até que é bom”, junta-se o “Por este preço eu tomava um bom vinho italiano ou argentino”, por exemplo. Será que esta máxima é sempre válida? Então vou contar uma historinha recente.

Leia também: O Merlot brasileiro é o melhor do mundo?

Prova às cegas: nove homens e nove sangioveses

Prova às cegas: nove homens e nove sangioveses

Um grupo de degustação do mais alto gabarito do qual tenho a honra de participar promoveu recentemente uma prova às cegas – para quem é novo aqui eu explico, trata-se de uma degustação na qual os rótulos são revelados apenas no final, para não influenciar a avaliação – cujo tema era a uva italiana sangiovese. A sangiovese é a uva-símbolo da Toscana, responsável pelo vinho Chianti, Chianti Riserva, Chianti Classico, o Brunello di Montalcino e também parte da receita de alguns supertoscanos, onde a sangioveses é misturada às internacionais cabernet sauvignon ou merlot. A sangiovese é, enfim, uma  uva que fala italiano, e tem sotaque dos habitantes da Toscana!

Leia também: Galvão Bueno também torce pela Itália, pode isso Arnaldo?

Nove participantes marcaram presença e a mesa do restaurante escolhido exibia nove taças dos tintos na frente de cada degustador, para espanto dos demais clientes do estabelecimento que contornavam a mesa de olhos arregalados. O nível dos goles estava excepcional. Alguns caldos se destacavam dos demais,  eclipsando seus concorrentes, pois apresentavam maior talento para desenvolver aromas e sabores deliciosos, sempre escoltados por uma acidez característica. Alguns incautos arriscavam um palpite, este aqui trata-se de um Chianti, aquele tem uma pegada mais concentrada, pode ser um Brunello. E por aí vai. É um grupo que reveza comentários mundanos com pitacos sobre a bebida. Rodada de goles completa, anotações feitas, pontuação finalizada, os rótulos começam a ser revelados, dos menos apreciados aos mais votados.

Vale destacar que entre os bebedores sempre há um provocador que resolve levar um curinga, que geralmente é um vinho que obedece o critério do tema e/ou país e região mas é uma surpresa pelo preço, pelo produtor, pela região ou mesmo pela uva. Nosso grupo não foge à regra e um doutor renomado cumpre este papel. Dito isso, voltemos ao rótulos. O grande vencedor (as notas não foram todas compiladas) foi um Ceparello, Isole e Olena do ano 2000, um toscano mais evoluído, com grande expressão em boca e aromas muito elegantes.  A lista completa está abaixo.

  • Col D’Orcia, Brunello di Montalcino, 1991
  • Fontalloro, 2008, Toscana
  • Le Potazzine, Gorelli 2011, Rosso di Montalcino
  • Fonterutoli, Mazzei, 2009, Chianti Classico
  • Berandenga, 2008, Fèlsina, Chianti Classico
  • Badia a Passignano, 2008, Antinori, Chianti Classico
  • Cepparello 2009, Isole e Olena, IGT
  • Michelli, 2003, Villa Francioni, Brasil
  • Cepparello 2000, Isole e Olena, IGT
As garrafas devidamente esvaziadas. Oito italianos e um infiltrado brasileiro

As garrafas devidamente esvaziadas. Oito italianos e um infiltrado brasileiro

Leia também: Sob o sol da Toscana, uma visita à nova vinícola de Antinori

Se você leu a lista com atencão, já reparou uma intromissão. Pois é,  a grande surpresa, um dos vinhos que ficou entre o segundo e terceiro rótulos mais apreciados pelo coletivo, ombreado por outros sangiovese importados da Itália, foi o Michelli, da Villa Francioni, que apesar do nome é um tinto verde-amarelo de Santa Catarina. Surpresa na mesa (para ser honesto um dos integrantes da mesa não gostou do vinho). Confesso que foi meu segundo melhor vinho, entre as tais nove garrafas. Bom salientar que ele é 80% sangiovese, o restante cabernet sauvignon e merlot. Belo vinho, equilibrado, muito saboroso. Sangiovese brasileiro, mas com sotaque italiano. Bom pra caramba, belo!

Você pagaria mais de 250 reis por este vinho nacional?

Você pagaria  250 reis por este vinho nacional?

E 450 reais por este italiano?

E 450 reais por este vinho italiano da mesma uva sangiovese?

Diante da incredulidade de alguns veio a questão do preço: “mas quanto custa?” É um vinho de mais de 250 reais. O quêêêêê?!?! Um vinho nacional custando mais de 250 reais?!?!?! Pois é, mas às cegas foi elogiado por todos, bebido com rigor e prazer. O que nos  permite uma reflexão, que é mais uma provocação e nos remete ao título deste post: vinho nacional pode ser caro? Por que não? O que vale não é o teste da taça? Se é um vinho bom, de produção limitada, ótima qualidade, qual o problema de ser caro? Apenas por que é brasileiro? Se fosse italiano, de mesmo preço, portanto caro, não seria bom seguindo apenas um critério gustativo? Alguém iria reclamar do preço se o Michelli fosse um rótulo do Antinori? Basta comparar que o mesmo Cepparello Isole e Olena, este da safra de 2009, estava à mesa, custa 450 reais, e ficou atrás do Michelli…

Leia também: Angelo Gaja, o porta-voz do vinho de qualidade

Leia também: Espumantes e tintos – conheça os vinhos do sertão de Amores Roubados

Esta mesma discussão vale para vários bons exemplares nacionais de baixa produção, excepcional qualidade, que podem vir de pequenos e audaciosos  produtores como Marco Danielle, Era dos Ventos, Domínio Vicari ou mesmo grandes vinícolas, em safras excepcionais ou selos comemorativos. Não se trata de defender preços altos, nem de ter uma postura ingênua. Eu duvido que desembolsaria 250 reais pelo Michelli se não conhecesse, como raramente desembolso 250 reais por uma garrafa de vinho qualquer.  Há vinhos realmente muito caros pelo que oferecem: nacionais e importados. A questão é mais de poscionamento. Quando é bom e é importado então vale pagar caro? É bom, mas é nacional, então não vale? Qual a régua para medir a relação preço e qualidade: a bandeira ou o vinho? Fica aqui a provocação. Atire a primeira garrafa quem nunca parou para refletir sobre o assunto…

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014 Nacionais | 11:10

Espumantes e tintos. Conheça os “vinhos do sertão” de Amores Roubados

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Antonia é um personagem. Isis Valverde é de verdade.Viera Braga é ficção, os vinhos do sertão são reais

Antonia é um personagem. Isis Valverde é de verdade.Viera Braga é ficção, os vinhos do sertão são reais

Ok, todo mundo sabe diferenciar ficção de realidade. Ou não? A Vinícola Vieira Braga não existe, muito menos um sommelier tão intenso quando o personagem de Cauê Reymond. Mas como este Blog do Vinho já havia mostrado no último post, os vinhedos e vinícolas do Vale do Rio São Francisco são de verdade.

A minissérie Amores Roubados criou uma expectativa inicial no mundo do vinho (críticos, produtores, blogueiros e amantes da bebida) que se transformou rapidamente numa visão crítica do roteiro, apontando falhas aqui e ali na descrição dos tintos e espumantes (é divertido entre o pequeno mundinho, mas fora do círculo perde a graça). O vinho, e principalmente a região, é apenas um pano de fundo, e as informações e diálogos têm de servir à história, ajudar na construção dos personagens, e não se intrometer na minissérie como um telecurso de vinho. Trata-se de uma história de amor e traição. O vinho é uma moldura.

 Leia também: Conheça os vinhedos onde foi gravada a minissérie Amores Roubados

Mas mesmo assim, a força que a TV aberta (leia-se Globo) ainda tem no Brasil trouxe à tona os vinhedos e principalmente os vinhos do sertão. “Independentemente da história, a minissérie mostra que no Vale do São Francisco, em pleno sertão, é possível produzir coisas maravilhosas”, defende Ricardo Henriques, enólogo da Vitivinícola Santa Maria, a ViniBrasil, onde foi gravada a série. “Muita gente ainda não faz nem ideia de que aqui se faz vinho”. “Além disso, coloca em destaque o vinho, auxiliando na desmistificação da bebida.”, acrescenta Gabriela Zenatto Jornada, Supervisora de Marketing Institucional e Comunicação da Miolo Wine Group, proprietária da Fazenda Ouro Verde, que produz o Terranova.

 Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos e acessíveis

 Entenda as duas safras por ano do Vale do São Francisco

Muitos entendidos e profissionais estranham um pouco esta história de um vinhedo produzir mais de uma safra ao ano. Quem já frequentou algum curso de vinho ou por curiosidade leu mais a fundo sobre o assunto sabe que existe algo chamado ciclo das vinhas, divido em três fases. No Brasil, e hemisfério sul, funciona assim: há um período de repouso, ou hibernação, que ocorre de abril e julho, quando a planta perde as folhas; de agosto a dezembro a planta começa a crescer e florescer e por fim há a colheita, entre dezembro e março, quando as frutas amadurecem. No hemisfério norte as datas são evidentemente opostas: repouso: dezembro a março; crescimento: abril a julho; elaboração e colheita: agosto a novembro. Mas é uma safra só.

  Leia também: Primeira Estrada: conheça oo vinho fino de Minas Gerais

Mas no Vale do São Francisco a história é outra. O enólogo Ricardo Henriques, que é português (o grupo ViniBrasil é português), explica: “Isto deve-se em grande parte à particularidade do clima do Vale do São Francisco, que se resume de forma genérica às seguintes características: 300 dias de sol por ano, temperatura média alta durante todo o ano (o que permite o contínuo desenvolvimento da planta), pluviosidade muito baixa e água para irrigação abundante graças ao “Velho Chico” (Rio São Francisco) . Todos estes fatores combinados permitem que a planta se desenvolva durante todo o ano, não estando condicionada à sazonalidade como em outras regiões tradicionais no mundo. Quem comanda o ciclo da planta é o homem, através da irrigação e nutrição da parreiras; o que acontece é que como não temos o inverno e suas temperaturas baixas que fazem com que a planta sofra o processo de hibernação, podemos controlar o seu ciclo de repouso – através de estudos sabemos que a videira precisa de repousar apenas cerca de 60 dias para acumular energia que lhe permita efetuar um novo ciclo de produção – sendo que o seu ciclo de desenvolvimento varia de 120 a 150 dias dependendo das castas. O seu ciclo de desenvolvimento tem a mesma duração que têm as videiras em outras regiões produtoras quentes, como é no Alentejo (Portugal), Mendoza (Argentina), Maipo (Chile), Toscana (Itália).”. Resumindo, o truque está na diminuição do tempo de repouso.

Em se plantando, tudo dá

E quais as uvas que melhor se adaptaram a este terroir tropical? Para Ricardo Henrique são: touriga nacional, alicante bouschet, cabernet sauvignon, syrah, aragonês (tintas), viognier, arinto, moscato canelli e fernão pires (brancas). “Elas estão bem preparadas para o clima árido e seco do vale e ao mesmo tempo não perdem a sua frescura durante a maturação, o que resulta em vinhos equilibrados e com bastante potencial”, avalia. Já Gabriela Jornada aposta mais no potencial das uvas brancas: “Constantemente fazemos testes com novas variedades tanto para vinhos quanto para espumantes. Podemos dizer que a família das Moscatéis, uvas brancas aromáticas, se adaptaram muito bem a região

 Leia também: Os 100 primeiros anos da Vinícola Salton

E você, já bebeu um vinho do sertão?

Certo, você já foi convencido que vinhedos no sertão não são uma miragem e até enfrentou um parágrafo para entender como é possível obter mais de uma safra por ano e outro para conhecer as principais uvas. Mas e os vinhos? Afinal, o que distingue os tintos e espumantes do sertão daqueles elaborados em outras regiões do Brasil, em especial no Sul ? Para Gabriela Zenatto Jornada, da Miolo Wine Group, os vinhos da linha Terranova “são mais jovens, frescos e frutados, se comparados aos vinhos mais tradicionais da região sul do Brasil.” Um exemplo desta categoria é o Almadén Syrah. Da linha Rio Sol, da ViniBrasil, os representantes desta ala são os tintos varietais, como o Rio Sol Tempranillo, Syrah e Cabernet Sauvignon.

Ricardo Henriques concorda e acrescenta: “Os espumantes são leves e bastante aromáticos, fugindo do padrão utilizado no sul que se assemelha mais às cavas e champagnes. Os nossos espumantes pretendem ser diferentes, para beber sem complicações”. É o caso do Rio Brut Rosé. O Terranova Moscatel (um espumante de sobremesa de baixo teor alcoólico, elaborado pelo método Asti) é líder de mercado na sua categoria “É a cara do Vale do São Francisco, leve, fresco, frutado e delicadamente doce”, explica Gabriela Jornada.

Mas a região também almeja voos mais altos e mostra todo o seu potencial em ícones tintos, como o Testardi Syrah, eleito o melhor tinto do ano no concurso Top Ten da ExpoVinis 2012, o Paralelo 8 Premium (alicante bouschet, aragonez, cabernet sauvignon, syrah, touriga nacional) e o Vinha Maria Reserva Selecionada (cabernet sauvignon e touriga nacional). São tintos mais potentes, encorpados, resultado de uma maturação da uva mais avançada. Os vinhos passam por estágio em madeira – e deixam isso bem claro no aroma e na boca – e mais um tempo de guarda na garrafa, revelando caldos com bom aroma e boa estrutura.

 Leia também: O merlot brasileiro é o melhor do mundo?

 Os vinhos e os preços*

  • Miolo/Terranova – Fazenda Ouro Verde

Almadén Shiraz: R$ 14,50

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Terranova Brut/ Brut Rosé / Moscatel: R$ 25,00

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Testardi Syrah: R$ 81,00

  • ViniBrasil/Rio Sol – Vinícola Santa Maria

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Linha Rio Sol Varietais (cabernet sauvignon e syrah, tempranillo, syrah, cabernet sauvignon): R$ 20,00

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Linha espumantes Rio Sol: R$ 25,00

Linha Rio Sol Reserva – R$ 35,00

Linha Rio Sol Winemaker’s Selection (touriga nacional, alicante bouschet, cabernet sauvignon): R$ 45,00

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Linha Vinha Maria Reserva Selecionada: R$ 70,00

Paralelo 8 Premium: R$ 90,00

 * preços praticados na venda online nos sites da empresa em janeiro de 2014

Leia também: Vinho de garrafão ou de mesa. Você já tomou? 

Quer conhecer?

O enoturismo é uma fonte de receita importante para as duas vinícolas e uma oportunidade de divulgação do vinho da região. E também um choque para a maioria dos visitantes, surpresos com uma estrutura de adega e vinhedos em pleno sertão. A ViniBrasil recebe cerca de 500 visitantes por mês, 6.000 ao ano. O maior público é composto de brasileiros de outros estados. A Terranova recebe mais de 20.000 visitantes ao ano.

Ficha

  • Terra Nova/Miolo/Fazenda Ouro Verde

Onde: Fazenda Ouro Verde, BR 235 km 40, Santana do Sobrado s/n Vale do São Francisco. CEP 43700-000. Casa Nova, Bahia

Desde: 2000

Área cultivada: 200 hectares

Produção: 2 milhões de garrafas por ano

Rótulo mais vendido: Terranova Moscatel

Vinho mais bem avaliado pela crítica: Testardi Syrah

Onde encontrar: lojas e supermercados em todo o Brasil

Vendas on-line: site da Miolo 

Enoturismo: página de enoturismo do site

  • Vitivinícola Santa Maria/ViniBrasil/Rio Sol

Onde: Fazenda Planaltino, S/N, Zonal Rural 56395-000. Lagoa Grande, Pernambuco

Desde: 2002

Área cultivada: 200 hectares

Produção: 1,5 milhão de garrafas por ano

Rótulos mais vendidos: Rio Sol Brut Rosé e o vinho tinto Rio Sol Cabernet Sauvignon-Syrah.

Vinho mais bem avaliado pela crítica: Vinho Tinto Vinha Maria Reserva Selecionada

Onde encontrar: lojas e supermercados do Brasil (exceção da Região Norte, onde só existe distribuição no Pará)

Vendas on-line: site da e página oficial do Rio Sol no Facebook 

Enoturismo: Vitivinícola Santa Maria (clique em Enoturismo no menu principal)

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terça-feira, 7 de janeiro de 2014 Nacionais | 21:46

Conheça os vinhedos onde foi gravada a minissérie Amores Roubados

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Isis Valverde (Antonia) e Murilo Benício (Jaime) passeiam pelas vinhas da ficítica Vieira Braga. Ela existe, e fica do Vale do Rio São Francisco

Isis Valverde (Antonia) e Murilo Benício (Jaime) passeiam pelas vinhas da ficítica Vieira Braga. Ela existe, chama-se ViniBrasil e fica do Vale do Rio São Francisco

Uma minissérie nacional da Globo gravada no Nordeste não chega a ser uma novidade. Aquele sotaque mezzo carioca mezzo bainês, sempre motivo de hashtags nas redes sociais, também não é surpresa. Novo é o núcleo da trama girar em torno de uma vinícola encravada no Vale do São Francisco.

Logo no primeiro capítulo parreiras, adegas e vinhos em profusão serviram de cenário para a história que tem como protagonistas Cauã Reymond (Leandro) e Isis Valverde (Antônia). Cauã faz o papel de um sommelier pegador e de raiz; Isis Valverde protagoniza a herdeira da vinícola que foi estudar o tema na Itália. O resto dos personagens gravita em torno do ambiente do vinho e do casal principal e as primeiras cenas e anúncios da TV dão a entender que a maioria do elenco feminino vai degustar o galã principal em algum momento da história.

Pode ser surpresa para muita gente uma vinícola em pleno Nordeste, às margens do Rio São Francisco. Mas este “terroir” especialíssimo do vinho brasileiro, localizado no paralelo 8,5 – completamente fora da zona onde o resto do mundo cultiva vinhedos, também chamado de nova latitude – já tem história. Em 1984 a Vinícola do Vale do São Francisco, que produz os rótulos Botticelli, iniciou a plantação de seus vinhedos no local e apostou no vinho regional. Juntaram-se a ela, anos mais tarde, o grupo Miolo (no ano 2000), que produz espumante Terra Nova, na Fazenda Ouro Verde e a ViniBrasil, que tem no Rio Sol seu maior porta-estandarte do Vale do São Francisco.

Os vinhedos da ViniBrasil: semi-árido, muito sol e irrigacão com as águas do Rio São Francisco. Duas safras por ano.

Os vinhedos da ViniBrasil: semi-árido, muito sol e irrigacão com as águas do Rio São Francisco.

A Globo escolheu como cenário para a fictícia vinícola Vieira Braga a Fazenda Santa Maria, onde o grupo português Global Wines/Dão Sul trabalha a marca ViniBrasil desde 2002 (assim o logo VB que por vezes aparece no fundo da cena não cria um problema de edição). O Rio Sol começou como uma parceria do proprietário da importadora Expand, Otávio Piva de Albuquerque, e este grupo português que é responsável por rótulos consagrados do lado de lá do Atlântico como Quinta do Cabriz, Casa do Santar, Herdade Monte de Cal. Em 2008, Piva saiu do negócio e os portugueses se tornaram os únicos donos da marca.

Localizada às margens do rio São Francisco e com mais de 200 hectares de vinhas onde são plantadas as uvas das castas internacionais como cabernet sauvignon e syrah, e as tipicamente portuguesas como touriga nacional, tinta roriz, tinto cão e vinhão, a ViniBrasil é uma vinícola com características que fazem enólogos e entendidos de todo o mundo reverem seus conceitos. Ali são elaboradas até duas safras e meia por ano, graças à maneira de irrigar os vinhedos (por gotejamento) e ao clima quente e seco e com muitas horas de exposição ao sol.

Seus espumantes são mais leves e fáceis que os concorrentes do sul do país, muitas vezes mais doces também, o mesmo pode-se dizer dos tintos, feitos para consumo rápido e com orientação para o mercado exportador. Mas a região também produz vinhos de mais alta gama, desafiando ainda mais o gosto dos entendidos que têm preconceito pelos vinhos da região.

O Rio Sol Cabernet Sauvignon e Syrah (ViniBrasil) e o Testardi Syrah (Miolo) já foram premiados pelo concurso Top Ten da Expovinis – a megafeira de vinhos anual de São Paulo – como melhores tintos nacionais, respectivamente nos anos de 2008 e 2012. Ou seja, submetidos a júri de especialistas atropelaram concorrentes de maior prestígio e preço.

Degustaçãoi às cegas literal da minissérie Amores Roubados. Agora toda mulherada quer participar de uma... com o Cauã Raymond, é claro

Degustação às cegas (literal) da minissérie Amores Roubados. Agora toda mulherada quer participar de uma… com o Cauã Reymond de sommelier, é claro

Se as cenas dos vinhedos causou alvoroço no mundo do vinho que viu na oportunidade uma maneira de valorização da bebida no país da cerveja os telespectadores talvez estejam mais tentados a experimentar uma degustação às cegas à la Amores Roubados, que deu o que falar.

No primeiro capítulo a degustação às cegas promovida pelo sommelier-pegador foi um tanto literal. Além de esconder o rótulo das garrafas (é só isso a degustação às cegas, ok?) os próprios participantes estavam vendados enquanto eram estimulados a descrever as sensações que o vinho proporcionava. O que abriu espaço para o personagem vivido por Cauã Reymond exercitar seus conhecimentos de textura com a fogosa personagem vivida pela atriz Dira Paes.

Enquanto os especialistas de vinho comemoravam o destaque dado ao tema na minissérie da Globo nas redes sociais, o público feminino preferia salientar em seus comentários as qualidades gustativas de Cauã e começavam a imaginar na rede degustações às cegas com a mesma pegada.

Eu, que participo há anos de degustações às cegas, agora tenho de explicar em casa que não é assim que acontece. Por mais que a minissérie ajude a imagem dos nossos tintos, brancos e espumantes, o vinho na ficção tem sempre um retrogosto diferente, né não?

 

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, Rosé, ViG | 12:50

Espumantes nacionais para comemorar o fim do ano – rosé

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Quem resiste a um brinde colorido no final do ano?

Quem resiste a um brinde colorido no final do ano?

Se espumante é sinônimo de festa, o espumante rosé é uma festa bem mais colorida. É uma festa para os olhos, uma provocação para os sentidos. Experimente abrir uma garrafa numa reunião de amigos pouco habituados a um espumante rosé. Depois das piadinhas preconceituosas habituais “espumante gay, o vinho do Félix!”, o paladar frutado do rosé, sua persistência em boca e a impactante cor costumam agradar em cheio e o que era prevenção se transforma em opção de espumante.

Obviamente, nos espumantes rosés predomina a uva tinta, no geral a pinot-noir. Há duas maneiras de se obter o rosé com borbulhas: com a mistura de vinhos brancos e tintos ou pela maceração de uvas tintas (com ou sem a chardonnay) até se obter a cor desejada.

 Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

As principais características são os aromas frutados de morango, cereja, ameixa que se confirmam na boca e podem apresentar os toques de frutas secas e panificação dependendo do método como é elaborado, o tempo de garrafa e de contato com as leveduras.

Nesta lista de espumantes rosés nacionais há tanto vinhos que alcançaram sua cota de gás carbônico pelo método charmat como pelo método tradicional ou champenoise.

O espumante rosé, na opinião deste colunista, alia o frescor, a vivacidade, o efeito inebriante das bolhinhas ao potencial gastronômico. Tem potencial de acompanhar vários tipos de pratos e um paladar muito característico. É um vinho curinga que pode surpreender os incréus.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes rosés

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  • Excellence Rose Couvée Prestige (método charmat)

Uvas: 74% pinot noir e 26% chardonnay

Produtor: Chandon do Brasil

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 130,00

Site da vinícola: loja.chandon.com.br

Uma joia da Chandon. Um espumante fino, elegante e gastronômico de alta gama revelando a qualidade das uvas e o potencial que a vinificação em charmat pode obter. Tem uma cor rosada de boa intensidade, boa perlage e o melhor vem na boca, que confirma os aromas de frutas vermelhas, panificação e frutas secas aliado a uma acidez ampla. É um espumante para estalar a língua no final e esticar a taça pedindo mais uma dose. Tudo tem seu preço nesta vida, e o valor não é um passeio, mas se o objetivo é qualidade e não quantidade, vale a aposta.

Curiosidade: o champanhe deve muito a Barbe-Nicole Ponsardin, conhecida como Madame Clicquot ou pelo nome do rótulo que deixou de legado, Veuve Clicquot. Além de impulsionar um negócio que quase desapareceu no século 19, ela foi a responsável pela criação do champanhe rosé.

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  • Adolfo Lona Brut Rosé (método charmat)

Uvas: 60% pinot noir e 40% chardonnay

Produtor: Adolfo Lona

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 41,00

Site vinícola: www.adolfolona.com.br

O brut rosé do Adolfo Lona é, na minha modesta opinião, o melhor rótulo da casa. E também elaborado pelo método charmat. Na cor lembra um pouco casca de cebola. Tem uma elegância e uma leveza que encantam. No nariz, aromas marcantes de frutas vermelhas, com uma acidez vibrante e uma persistência gostosa na boca. Dividiu com o Salton Gerações (brut branco, completamente diferente) o primeiro lugar na degustação de espumantes promovida no final de 2013 pela Sbav (Sociedade Brasileira de Amigos do Vinho).

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  • Miolo Espumante Cuveé Tradition Brut Rosé

Uva: pinot noir e chardonnay

Produtor: Miolo

Região: Garibaldi, Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 46,00

Site vinícola: www.miolo.com.br

A descrição dos espumantes rosés costuma girar em torno de espuma, borbulhas, frescor, acidez e frutas vermelhas. Mas não tem muito invencionice mesmo. Se um belo rosé traz tudo isso, além de uma cor encantadora e algum bônus de torrefação e permanência é o que basta para torná-lo desejável. Este Miolo de alta gama é muito bem equilibrado e gastronômico e reúne todos os predicados acima.

 Curiosidade: a pinot noir, ao contrário da chardonnay, é uma uva mais difícil e menos consistente – há muita variação ano a ano. Mas é fundamental para elaborações dos espumantes rosés. O enólogo Violane Cafarelli, em entrevista à revista inglesa Decanter, diz que quanto ao estilo do rosé “é preciso escolher a mesma cor ou o mesmo sabor como perfil do espumante”. Há anos que a uva pinot noir está mais madura e com uma extração de cor maior, outras é mais rala. Aí é necessário escolher um maior ou menor volume de uva tinta na mistura ou na maceração do espumante. Uma alternativa vai privilegiar a cor, a outra os aromas.

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  • Pizzato Brut Rosé – (método champenoise/tradicional)

Uvas: pinot noir e chardonnay

Produtor: Pizzato

Região: Bento Gonçalves, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 48,00

Site vinícola: www.pizzato.net

Um rosé bastante persistente e saboroso. Uma cor rosada de boa intensidade. Bom ataque de acidez e de aromas de frutas vermelhas mais frescas. Encantou seu sabor e refrescância. Tem um preço competitivo que o torna uma boa alternativa de espumante rosé para as festas de fim de ano.

Curiosidade: a uva pinot noir produz refinados e saborosos tintos, como os vinhos da Borgonha, na França. Mas a uva, junto com a branca chardonnay, é muito utilizada na mistura de todos os tipos de espumantes. Há inclusive um tipo de espumante, que apesar de ser produzido apenas com a uva pinot noir, é vinificado em branco, o chamado blanc de noir. O resultado é curioso, pois os aromas e sabores de frutas vermelhas são perceptíveis em um espumante branco.

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  • Rosé Cave Geisse Brut (método champenoise/tradicional)

Uvas: 100% pinot noir

Produtor: Vinícola Geisse

Região: Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 78,00

Site vinícola: www.cavegeisse.com.br

A Cave Geisse é a queridinha dos críticos, recebeu elogios até da dama do vinho inglês, Jancis Robinson. Seu enólogo e mentor, o chileno Mario Geisse, tem um currículo de serviços prestados ao vinho na América do Sul. De cor salmão, este espumante é feito apenas com a uva pinot noir e passou dois anos sendo elaborado e envelhecido na garrafa. Muita fruta vermelha, um toque floral e uma espuma espessa e um sabor que enche a boca e permanece no palato. Elegante e estruturado. Uma delicia. Em um nível maior de complexidade e preço (R$ 130,00) a Cave Geisse oferece o Terroir Rosé Cave Geisse Brut.

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  • Villaggio Grando Brut Rosé (charmat)

Uvas: pinot noir e merlot

Produtor: Villaggio Grando

Região: Campos de Herciliópolis – Água Doce – SC

R$ 45,00

Alguns diferenciais chamam a atenção deste rosé. Primeiro, é um vinho de altitude (1.300 metros), depois, o corte acrescenta a uva merlot ao tradicional pinot noir. . E está aí uma mistura interessante que agrega um toque diferente nos aromas frutados. Tem uma boa cremosidade em boca. Os homens que cospem vinho do júri da ExpoVinis 2013 (incluindo este que vos escreve) elegeram como o melhor espumante nacional da feira. Tanta gente não pode estar errada ao mesmo tempo. E tem um preço interessante para a qualidade que apresenta.

RESERVA BLUSH 2011

  • Reserva Blush 2012

Uvas: 50% pinot noir, 50% chardonnay

Produtor; Casa Valduga

Região: Vale dos Vinhedos – Rio Grande do Sul

R$ 45,00

A linha reserva da Casa Valduga é elaborada em safras consideradas excelentes. Este rosé de 2012 está bem franco, de uma cor mais para casca de cebola, e bastante fresco e com alguma cremosidade, fruto dos 24 meses em contato com as leveduras. É um rosé mais elegante e menos exibido, e bastante gastronômico.

 

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014

 

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, ViG | 12:39

Espumantes nacionais para comemorar o fim de ano – parte II (método champenoise)

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Na segunda série sobre os espumantes nacionais para festejar o fim do ano, o Blog do Vinho destaca aqueles espumantes elaborados como os champanhes franceses. No primeiro post desta série, os destaques foram os espumantes nacionais elaborados pelo método charmat. Nesta coluna,  são os espumantes brasileiros elaborados pelo método tradicional, clássico ou champenoise – a segunda fermentação, aquela responsável pela mágica de produzir o gás carbônico, é realizada dentro da garrafa. A propósito, quer irritar um francês é só usar o termo champenoise para denominar o método em que a segunda fermentação dos espumantes é realizada na garrafa. Irritamos os franceses com o primeiro parágrafo, portanto. Como se sabe, o termo champagne é de uso exclusivo dos espumantes de excelente qualidade produzidos na região demarcada da França de mesmo nome.

Qual a diferença, afinal? Não é tudo vinho com borbulha? O bebedor ocasional de espumantes não está muito interessado em saber o processo de produção de um espumante, e sim em beber um bom vinho. Mas a diferença do método determina o estilo do espumante – muitas vezes seu preço e a qualidade. Se no charmat a segunda fermentação é feita em grandes cubas de aço inox, no método champenoise/tradicional a segunda fermentação é feita na própria garrafa, o que determina um maior e mais longo contato do vinho-base (a mistura original das uvas maceradas antes de ganhar o gás carbônico) com as leveduras e que confere, em geral, um vinho com borbulhas mais finas, uma espuma mais consistente e aromas de panificação, frutas secas e maior persistência em boca. Quanto maior o tempo de contato com as leveduras, mais complexidade e cremoso o espumante.

É um processo mais caro e manual que no final exige uma ginástica para a retirada das leveduras mortas. As garrafas são colocadas em cavaletes e giradas manualmente alguns graus por semana até chegar uma posição de 90 graus. O objetivo é concentrar o sedimento deixado pelas leveduras no gargalo para serem eliminadas antes de a garrafa ganhar a rolha definitiva e aprisionar os gás carbônico em seu interior. Este processo, conhecido pelo pomposo nome de remuage, pode soar algo bastante rudimentar, mas foi uma solução encontrada pela viúva Clicquot Ponsardin para aumentar a produtividade de seu champanhe em 1818 e que se mantém até hoje (em algumas vinícolas uma geringonça chamada gyropalletes faz esta movimentação automaticamente e num espaço de tempo menor).

O crítico inglês Hugh Johnson, em seu livro autobiográfico “A Life Uncorked”, algo como “Uma vida Desarrolhada” define o paladar de um bom champanhe  “como uma torta de maçã”. (O que em alguma medida também por ser aplicado ao espumante elaborado pelo método champenoise/tradicional). Johnson explica: “O doce aroma e o sabor das maçãs podem ser encontrados nos espumantes mais jovens, a parte da torta remete à segunda fermentação na garrafa, quando as leveduras acrescentam notas de panificação, ou pâtisseries, nas bebidas mais evoluídas – quanto mais evoluído o champanhe mais pâtisserie é encontrado”

(Nem tudo que borbulha é espumante. Entenda a diferença entre os vários tipos de vinho com bolinhas. Clique no link abaixo, está tudo explicadinho.)

Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

Muitas vinícolas verde-amarelas reservam suas melhores uvas, e consequentemente o melhor vinho-base, para os rótulos elaborados pelo método tradicional. São garrafas de linha ou até produzidas apenas em edições especiais. Também custam mais caro que os espumantes elaborados pelo método charmat. Em alguns casos alcançam resultados muito bons, em outros tentam ser mais do que são e perdem em autenticidade e tipicidade para seus “primos-pobres”, que trazem maior frescor e vivacidade. Como já foi comentado na coluna sobre espumantes charmat, também é uma questão de estilo do produtor.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes champenoise/tradicional

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  • Cave Geisse Nature

Uvas: 70% chardonnay, 30% pinot noir

Produtor: Vinícola Geisse

Região: Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 78,00

Site vinícola: www.cavegeisse.com.br

Você gosta de espumante seco, quase a ponto de trincar os dentes? Então você vai amar este Cave Geisse Nature, que é um espumante sem adição de açúcar (leia definição de classificação de açúcar em Curiosidade). Não é uma bebida fácil de ser produzida, mas aqui encontra o nível de excelência. Perlage intenso com bolhas pequenas e persistentes. Aromas tostados e frutas secas. Acidez equilibrada, para não deixar dúvida, bastante seco, o que amplia a harmonização com a comida. A Cave Geisse elabora grandes espumantes, no geral não tem erro. Basta escolher pelo estilo preferido e encher a taça.

 

Curiosidade: os espumantes podem ser classificados pelo teor de açúcar em

Nature (zero dosage): até 3 gramas por litro

Extrabrut: até 6 gramas por litro

Brut: menos de 15 gramas por litro

Sec: entre 17 e 35 gramas por litro

Demi-sec: entre 33 e 50 gramas por litro

Doux: acima de 50 gramas por litro

Sec, ao contrário do que parece, não é seco, mas levemente adocicado. Mais comum encontrar a expressão demi-sec. Doux dispensa explicações.

espumante-lona

  • Brut Adolfo Lona

Uvas: chardonnay e pinot noir

Produtor: Adolfo Lona

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.adolfolona.com.br

Este espumante da pequena adega artesanal comandada pelo argentino Adolfo Lona ficou mais de um ano em contato com as leveduras. O que lhe confere aqueles aromas e sabores mais intensos. Mais que isso, tem uma boca ampla. Um espumante tratado com respeito.

Dal Pizzol Quarenta Anos Nature

  • Dal Pizzol 40 anos

Uvas: chardonnay 25% e pinot noir 75%

Produtor: Dal Pizzol

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

Preço médio: R$ 130,00

Site vinícola: http://www.dalpizzol.com.br/

Para celebrar os 40 anos da vinícola familiar o enólogo Dirceu Scottá elaborou este Nature (sem dosagem de açúcar) de apenas 3.541 garrafas numeradas. Tem uma boa estrutura, e um tostado evidente, além de uma cremosidade resultado do seu tempo em contato com as leveduras (36 meses), que possibilitou também a dispensa do licor que acrescenta as várias dosagens de teor de açucar em um espumante (nature, brut, demi-sec, sec etc). Borbulhas finas e um frutado interessante e um rótulo bem estiloso completam a festa.

Espumante-Pizzato-Brut-Branco-Tradicional–DOVV

  •  Pizzato Brut Branco

Uvas: 85% chardonnay e 15% pinot noir

Produtor: Pizzato

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.pizzato.net

Os espumantes da Pizzato estão de rótulo novo. Amplo na boca, boa acidez, bom corpo, uma certa cremosidade, permanece em contato com as leveduras por 12 meses. Tem um final refrescante. Se você gosta do estilo Nature, também pode provar o zero dosagem de açúcar da Pizzato. Uma opção mais barata mas também com bastante frescor é o Fasuto Brut Branco.

elegance-champenoise-brut

 

  • Elegance Champenoise Brut

Uvas: chardonnay e pinot noir

Produtor: Peterlongo

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.peterlongo.com.br/pt/

A Vinícola Peterlongo não é a maior nem a mais conhecida produtora de espumantes hoje em dia no Brasil, mas tem alguns marcos importantes em sua história: produziu o primeiro espumante  no Brasil (1915) e tem judicialmente o direito a usar o termo champagne em seus rótulos (taí outro que gosta de irritar os franceses). Acumula vários prêmios e esteve bem colocada em concursos como ExpoVinis 2011 e Concurso Playboy. Este espumante, ou champanhe brasileiro, se destaca pela coloração mais dourada e borbulhas finas e persistentes. Gostoso na boca.

Curiosidade: no século 19 o champagne era uma bebida com um teor de açúcar muito mais alto do que atualmente estamos acostumados. Era mais próximo de um licor com espuma, 250 a 300 gramas por litro! (um espumante demi-sec tem no máximo 50 gramas por litro). A responsável pela criação do espumante brut, mais seco, com menos açúcar, que estamos acostumados a beber, também é uma mulher: Madame Pommery, em 1874.

 

espumante-Miolo Millesime 2004 06 08

  • Miolo Millésime

Uvas: 50% pinot noir e 50% chardonnay

Produtor: Miolo

Região: Garibaldi, Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 81,00

Site vinícola: www.miolo.com.br

Está um espetáculo este Miolo Millésime. Há muito não provava este top espumante e me surpreendeu. Longo, cremoso, persistente, grande qualidade em boca, um tostado instigante. Desde a safra de 2009 é um espumante com a certificação de origem, com o selo de  produto da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos.

Espumante-Casa-de-Valduga-Reserva-Brut-750ml

  • Casa Valduga Reserva Espumante Brut

Uvas: 70% chardonnay, 30% pinot noir

Produtor: Casa Valduga

Região: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul

R$ 63,00

Site vinícola: www.espumantesvalduga.com.br

A Casa Valguda só elabora espumantes pelo método champenoise/tradicional. Atualmente são dez rótulos. Desde o ícone da Casa, Maria Valduga, com 48 meses de contato com as leveduras, passando pelo excelente – e já recomendado neste blog -130 Brut, até a linha Arte. Este Casa Valduga Reserva só é elaborado em safras excelentes. Apresenta um agradável frescor em boca, uma boa persistência e aromas interessantes, com um toque picante. Apesar da excelência de linhas superiores, provei recentemente este Reserva e acho que é muito adequado para brindes de fim de ano e traz uma boa relação custo/qualidade.

 Curiosidade: os espumantes mais apreciados em festas, casamentos e confraternizações é o demi-sec. Agrada tanto os iniciantes no vinho, que sempre preferem uma bebida mais fácil e doce como aquele que já têm alguma experiência com espumantes. Mas no geral espantam os apreciadores de espumantes mais refinados e secos. Como o leitor pode reparar, não há qualquer indicação de espumante demi-sec nesta lista de dicas, o que revela o gosto do autor.

 

espumante-dunamis-brutnovo

  • Dunamis Brut

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Dunamis

Região: Catiporã, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 56,00

Site vinícola: www.dunamisvinhos.com.br

Novidade do mundo dos espumantes. A garrafa é linda, o rótulo um show. Mas você não bebe a garrafa, não é? Mas uma boa apresentação é parte da diversão. Um dos objetivos do enólogo, Thiago Salvadori Peterle, era de produzir um espumante champenoise mais delicado e jovial. Está no caminho. Tem uma cor amarelo palha. Bela persistência de bolhinhas finas, aromas de maçã verde, e um bom final de boca, com bastante frescor e paladar cítrico que provoca um sorriso no gole final.

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  •  Don Giovanni Espumante Série ouro

Uvas: 60% chardonnay e 40% pinot noir

Produtor: Don Giovanni

Região: Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul.

R$ 90,00

Site vinícola: www.dongiovanni.com.br/inicial

A pequena produtora Don Giovani pode ser desconhecida para aqueles que vivem fora do eixo vitivinícola do Rio Grande Sul, mas tem uma tradição de mais de 40 anos – originalmente a empresa pertenceu à Dreher. Em visita à adega alguns anos atrás pude provar toda sua linha de espumantes. E todos têm uma expressão de grande volume em boca, uma preocupação com a cremosidade e a acidez e uma complexidade no paladar que tornam o vinho bastante gastronômico. Uma bela surpresa para quem tiver acesso a uma garrafa.

espumante-lirica

  • Lírica

Uvas: 75% chardonnay e 25% gouveio

Produtor: Vinícola Hermann

Região: Pinheiro Machado, Rio Grande do Sul

R$ 66,00

Site vinícola: www.vinicolahermann.com.br

Adolar Hermann é mais conhecido por sua importadora de vinhos, a Decanter. Mas mesmo tendo à disposição rótulos do mundo inteiro decidiu ter um vinho para chamar de seu. Tem uma linha de espumantes mais focado no mercado externo a Bossa (charmat), que tem um paladar mais ligeiro. O Lírica é uma boa estreia de Adolar no mundo das borbulhas. É um espumante que privilegia a fruta, a acidez e o equilíbrio.

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, ViG | 11:53

Espumantes nacionais para comemorar o fim de ano, e o ano inteiro – parte I

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E vai rolar a festa, vai rolar!

E vai rolar a festa, vai rolar!

O espumante é uma bebida com um marketing imbatível: o da alegria. Sempre que uma boa notícia chega – profissional, particular, amorosa – alguém sugere: vamos abrir um champanhe para comemorar? O que vale é o ritual. O estampido seco da rolha sendo lançada, seguido da visão – e do som – da espuma sendo liberada na taça. E por fim aquele gole que produz um sorriso no final. Nenhuma bebida é assim. Um conjunto de símbolos que podem ser resumidos em uma palavra: celebração.

Mas para nós, que gostamos de vinho, além do ritual, está o prazer do espumante, do frescor, das sensações que ele nos provoca no paladar. O espumante é talvez o único vinho brasileiro que tem na excelência uma unanimidade. Até o mais ranzinza dos enófilos reconhece que esta é uma das vocações da vitivinicultura nacional.

O Blog do Vinho traz uma lista de dicas espumantes nacionais para você curtir as festas do fim de ano e, por que não, o ano inteiro. E por que apenas espumantes nacionais? Simples. Eles são bons, têm qualidade reconhecida no Brasil e no exterior, são fáceis de encontrar em lojas, supermercados e encomendados nas próprias lojas virtuais das vinícolas. E são mais acessíveis no preço do que bons espumantes do resto do mundo.

As dicas estão divididas em três partes. Para começar, neste post, aqueles produzidos pelo método charmat (segunda fermentação feita em cubas de inox), na segunda parte as dicas são dos espumantes brasileiros feitos pelo método tradicional, ou champenoise (a segunda fermentação é realizada na própria garrafa), na última etapa verde-amarela, espumantes rosés, que além de refrescantes encantam pela cor e por seu sabor único.

(Nem tudo que borbulha é espumante. Entenda a diferença entre os vários tipos de vinho com bolinhas. Clique no link abaixo, está tudo explicadinho.)

Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

Primeira parte – Espumantes Nacionais – método charmat

O Brasil produz espumantes frescos, leves, aromáticos com uma bela acidez. As uvas normalmente utilizadas são a chardonnay, a pinot noir e a riesling itálico – em raros casos é introduzida a terceira uva clássica de Champagne, a pinot meunier. Estas variedades encontram condições apropriadas de terreno e clima – úmido e chuvoso – na região da Serra Gaúcha, mais especificamente no Vale dos Vinhedos, em Garibaldi, em Pinto Bandeira. Mas há boas experiências em outras regiões, como Santa Catarina e no sul do Rio Grande do Sul.

Nos espumantes elaborados pelo método charmat, a segunda fermentação, ou seja, a incorporação do gás carbônico na bebida (as bolinhas, as bolinhas!), é realizada em grandes cubas de aço inox fechadas projetadas para aguentar a pressão do gás carbônico liberado na fermentação, que pode chegar a 5 atmosferas. Estas cubas são mantidas em temperaturas baixas nesta segunda fermentação para gerar bolhas mais finas e persistentes – um dos símbolos mais evidentes da qualidades de um bom espumante.

O processo é mais rápido e de menor custo que o tradicional, o que se reflete no preço do vinho. Isso não significa, no entanto, que se trata de um espumante de menor qualidade, e sim traduz um estilo de bebida mais fresca e leve, com aromas de frutas como maçã, cítricos, abacaxi e uma abundante salivação devido a boa acidez. É uma opção do enólogo.

A Chandon do Brasil, por exemplo, mesmo na sua linha mais sofisticada, como a festejada Couvée Prestige, só elabora espumantes pelo método charmat. Para o diretor de produção da Chandon do Brasil, enólogo francês Philippe Mével, não é o método que determina a qualidade do espumante e sim a qualidade da uva, a vinificação adequada e o trabalho do blend que conferem seu sabor.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes charmat

espumante-chandon reserve

  • Chandon Réserve Brut

Uvas: chardonnay, pinot noir e riesling itálico

Produtor: Chandon do Brasil

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 65,00

Site da Vinícola: http://loja.chandon.com.br/

O rótulo dourado identifica à distância uma garrafa de Chandon. Um dos melhores espumantes produzidos no país na sua faixa de preço, com uma consistência que é sua marca registrada. Ele traz todas aquelas qualidades de um bom espumante nacional: acidez, frescor, aromas sutis de maçã verde, cítricos e um equilíbrio final de boca. Fácil de encontrar em lojas, supermercados, restaurantes, costuma fazer promoções de final de ano. A linha superior, Excellence Cuvée Prestige, não desmente o nome, é elaborado apenas com as uvas chardonnay e pinot noir e tem um refinamento e complexidade maior de aromas de frutas secas, panificação e uma espuma e perlage (as bolhinhas, as bolinhas) mais finas e abundantes, mas pesa mais no bolso (R$ 120,00 )

Curiosidade: na França os espumantes elaborados pelo método charmat são chamados de Vin Mousseaux, na Alemanha o charmat é o método usado na elaboração do Sekts, de grande produção no país (você pode beber uma tacinha enquanto faz a feira, pois é comum as barracas de frutas e verduras dividirem espaço com quiosques de pequenos produtores). Ele também é usado na elaboração de Proseccos, na Itália.

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  •  Salton Reserva Ouro 

Uvas: 60% Chardonnay, 20% Riesling e 20% Pinot Noir

Produtor: Salton

Região: Tuiuty/Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 40,00

Site da Vinícola: www.salton.com.br

A Salton é, desde 2004, a líder de produção de espumantes do país. Este colunista chegou a denominar o grande impulsionador da empresa, Angelo Salton (1952- 2009), como “O senhor das borbulhas” em uma reportagem na Veja S, Paulo. Há uma linha bastante extensa de rótulos com borbulhas na Salton, dos mais caros aos mais simples e baratos. Na minha opinião, na relação preço qualidade o Reserva Ouro é imbatível. Tem um leve toque de pão torrado gostoso (são seis meses de contato com as leveduras), e uma boa base de acidez com uma espuma que como diria uma admiradora da coluna, de um uma maneira menos ortodoxa, “faz flufli-flufli na boca”.

Espumante Brut chardonnay

  • Aurora Chardonnay

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Aurora

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 42,00

Site da vinícola: http://www.vinicolaaurora.com.br/linha-produtos/aurora

Este espumante usa como matéria-prima apenas a uva branca chardonnay – na França este estilo de espumante é chamado de blanc-de-blanc. Se você acompanha este blog viu uma recomendação sobre este espumante dois posts atrás. Para manter a coerência, aparece aqui nesta lista. Longo na boca, tem um toque tostado (o vinho-base passa 3 meses em cavalho francês antes da segunda fermentação) tem boa acidez e é gastronômico. Tem um bom preço também

 Curiosidade: você sabia que a pressão interna dentro de uma garrafa de espumante é maior do que a de um pneu de carro? Portanto é prudente abrir a rolha sem mirar em ninguém e logo após romper a gaiola de arame que protege a rolha. Ela não está lá à toa. Depois de rompida a gaiola, a rolha pode se soltar sozinha e o desastre está feito.

espumante-doncandido

  • Dom Candido Brut

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Don Cândido

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 42,00* (preço não atualizado em 2014)

Em 2008 um rótulo surpreendeu os jurados (entre eles este signatário) no concurso de espumantes promovido pela revista Playboy e levou o primeiro lugar. Era este Dom Cândido Brut charmat. Desconhecido, talvez, para a maioria dos jurados presentes, a vinícola tem tradição desde 1875 e produz vinhos de qualidade. Trata-se de um espumante de cor mais amarelo-palha, com aromas mais evoluídos além de um leve toque de amêndoa torrada, panificação, mais comuns em espumantes elaborados pelo método tradicional, mas também obtido pela adocão do charmat longo Leia entrevista de 2008 com Cândido Valduga, patriarca da vinícola explicando o estilo de seu vinho ). Estilo este que chamou atenção – e o conquistou o paladar dos jurados.

Espumante-DalPizzol

  • Espumante Brut Dal Pizzol (charmat longo)

Uvas: pinot noir, riesling Iitálico e chardonnay

Produtor: Dal Pizzol

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 45,00

Site da vinícola: http://www.dalpizzol.com.br/

Correto, refrescante na boca e bem equilibrado. Na minha opinião mais expressivo no seu estilo que o Espumante Brut elaborado pelo método tradicional. O processo é chamado de charmat longo pois o vinho permanece mais tempo sobre as leveduras (neste espumante foram 90 dias) em uma temperatura entre 12º e 15º. E daí? Daí que este contato mais longo também fornece mais qualidade e refinamento de aromas à bebida.

Curiosidade: o método charmat leva o nome do engenheiro francês Eugène Charmat, que patenteou e aprimorou a ideia em 1907. Antes disso, em 1895, o piemontês Federico Martinotti teria encontrado a solução de realizar a segunda fermentação em tanques fechados. Para os mais puristas o método é chamado de Charmat-Martinotti.

espumante-Villagio

  • Villaggio Grando Espumante Brut

Uvas: pinot noir, pinot meunier e chardonnay

Produtor: Villagio Grando

Região: Campos de Herciliópolis, Água Doce, Santa Catarina

R$ 45,00

Site da Vinícola: http://www.villaggiogrando.com.br/

Esta pequena vinícola de Santa Catarina já exibe alguns importantes prêmios em seu portfólio. Em 2010 lançou sua linha brut, elaborado pelo método charmat, que tem como maior qualidade a leveza de aromas e o frescor (os vinhedos ficam a 1300 metros de altura). O rótulo também chama atenção pela simplicidade e pela solução gráfica de manter e evidência o tipo do vinho: brut. Uma bela garrafa para um belo vinho .

DADIVAS-ESPUMANTES-BRUT

  • Dádivas Brut

Uvas:  90% chardonnay e 10% pinot noir

Produtor: Lidio Carraro

Região: Encruzilhada do Sul, Rio Grande do Sul

R$: 56,00

Site da Vinícola: http://www.lidiocarraro.com/

Para fechar esta pequena seleção de espumantes de qualidade pelo método charmat, um rótulo da Lídio Carraro em  que a chardonnay predomina (90%) e que traz uma proposta de leveza, aromas frescos e toques de frutas cítricas com a perlage firme e gostosa. É o perfil de um bom espumante nacional: fresco, leve, aromático com uma bela acidez

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