Publicidade

Arquivo da Categoria Sem categoria

sexta-feira, 2 de junho de 2017 Novo Mundo, Sem categoria, Velho Mundo | 10:13

Exclusivo: Portugal passa a Argentina e é o segundo colocado no ranking de vinhos importados

Compartilhe: Twitter

bandeiras.001

Portugal redescobriu o Brasil. Ou melhor, os consumidores brasileiros redescobriram o vinho português. Talvez seja mais correto dizer, os importadores passaram a lotar seus contêineres com vinhos portugueses. O fato é que o relatório preparado pela Consultoria Ideal, obtido com exclusividade pelo Blog do Vinho, registra uma mudança e uma tendência nos números da importação de vinhos no Brasil: Portugal passou – e bem – a Argentina em volume e valor no ranking das importações no primeiro trimestre de 2017, comparado ao mesmo período de 2016.

A virada

Portugal passou de 12% em volume e 10,8% em valor (janeiro-março 2016) para 17,3% em volume e 15,4% em valor no primeiro trimestre de 2017. Já nossos vizinhos argentinos, que tinham ligeira vantagem de 12,7% em volume e 14,8% em valor, estacionaram em 13,3% em volume e 14,1% em valor (veja tabela abaixo). Muito número, né? Vamos ficar apenas com o mais impactante: Portugal 17,3% X Argentina 13,3%. Para os fanáticos por futebol, uma analogia e uma simplificação: Cristiano Ronaldo 17 x Lionel Messi 13!

Para quem acompanha o mercado, ou mesmo as ofertas nas prateleiras de supermercados, os números são espantosos. Há alguns anos Argentina disputava com o Chile a pole position no ranking das importações (chegou a ter 30% da fatia do bolo). Hoje começa a competir com Itália pelo terceiro e quarto lugares. Ok, trata-se de uma auditoria do primeiro trimestre, mas é uma curva consistente e a gangorra está pendendo para nossos colonizadores portugueses, com certeza.

Brasil na mira de Portugal

A razão desta mudança? Algumas hipóteses. O vinho, apesar de toda poesia, é um negócio. E é regido pelas leis do mercado, de câmbio, influenciado por ações de marketing e até pela diversificação e inovação do produto.  Um aspecto da economia atual no Brasil é um euro mais atrativo que o dólar. Isso influenciou certamente o resultado. Quanto à estratégia global, Portugal tem enfrentado uma perda de clientes entres as ex-colônias na África, que baixaram a bola no consumo dos vinhos de seus antigos algozes (Angola ainda é importante). Portugal então apontou sua artilharia para Brasil para recuperar parte do mercado de exportação. Com isso, estamos assistindo a um acréscimo visível dos investimentos de produtores, associações e institutos lusitanos ligados ao vinho no Brasil (veja lista de eventos de junho no final deste post). Viramos um alvo.

Segundo relatório do Euromunitor International Research Reports, o Brasil ocupa o 9º entre os principais mercados para o vinho português. O principal mercado é o interno, e pela ordem seguem Grã-Bretanha, Angola, Estados Unidos, Alemanha, Países Nórdicos, Canadá, China e finalmente o Brasil. O crescimento diagnosticado pelo Euromunitor indica, no entanto, um potencial avanço de duas posições neste ranking, com o Brasil ultrapassando China e Canadá no grid de exportação. O objetivo, nada modesto dos exportadores portugueses, é crescer 25% em valor no Brasil nos próximos três anos. A se checar a confirmação da tendência, nos resultados dos próximos trimestres.

países.001

 

Chile ainda lidera

E o Chile? Bom, o Chile continua dando um banho, com 42,6% das importações em volume e 42,9% em valor, sempre segundo o relatório da Consultoria Ideal. A soma dos três países que estão em 2º, 3º e 4º lugares (Portugal, Argentina e Itália) não ultrapassa o total dos chilenos. Mas… mesmo assim, o Chile perdeu um naco da sua presença neste primeiro trimestre no rateio total, caiu de 53% em volume para 42,6%. Isso não quer dizer que a invasão chilena de tintos e brancos arrefeceu. Em ordem de grandeza, o volume importado é maior até: 810.914,3 para 914.844,2. E aqui vem outra informação importante do relatório. Mesmo com toda crise, com toda lama, toda façanha, o vinho importado vai levando. Um crescimento de incríveis 40% em volume importado entre o primeiro trimestre de 2016 e o de 2017. De 1.525.368,1 para para 2.145.695,2. Estranhou estes números de volume? Cabe uma legenda: o volume é medido em caixas de 9 litros (no geral correspondente e 12 garrafas de 750 ml).

Mas atenção: não fique animado com o crescimento do volume  para abrir amanhã sua importadora ou e-commerce de vinho. Há um efeito da crise aí. Apesar dos índices de crescimento, o valor FOB diminuiu de 28,7 para 25,9 (em dólar). Não é à toa que os rótulos mais baratos dos grandes produtores inundam as prateleiras. Outra explicação chata e necessária: FOB (free on board) é  o preço que o importador negocia para o vinho ser embarcado para o Brasil pelo produtor contratado, o resto é por conta dele (taxas, impostos, frete, etc).

Para Manuel Luz, consultor de vinhos da importadora Cantu, diretor de produtos da Sonoma e grande conhecedor do mercado, esta dança das cadeiras tem uma explicação: “Portugal comeu o mercado da Itália, do Chile e a Argentina estagnou no Malbec”. Luz, reconhecido sommelier — aquela gente que identifica groselha e trufas no tinto quando você só encontra vinho –, se especializou em traduzir números em tendências, e com isso ganha a vida gerando negócios para as empresas do ramo. E continua encontrando uma groselha aqui e uma trufa ali, por que esta brincadeira também é legal.

Mudança também dos importadores

Outro dado bastante interessante que este levantamento da Ideal identifica é a mudança do perfil do share das empresas que trazem o vinho: os caçadores de cabernet sauvignon do mundo. Em 2013 as importadoras tradicionais eram responsáveis por 78,7% do total de garrafas de vinho. Os supermercados enchiam as prateleiras com 13,3% do total. Os .com (as vendas online), ainda uma novidade, engatinhavam com 2,6% do mercado. O cenário 2017 é outro: as importadoras encolheram para 51,7%, os supermercados mordem 25,8% e as iniciativas .com deram um salto para 13,5%.

tabela1.001

 

Importante. O resto que faltou nesta conta (se é que você teve a curiosidade de somar o total) fica com a VCT, indicada na tabela, também conhecida como a importadora da Concha y Toro, a gigante chilena, que sozinha detém 9% deste mercado.

A tabela é clara: o e-commerce cresceu. Mas redobro o conselho, não saia correndo abrindo seu site de vendas online de vinhos na galega. A Wine.com e a Evino dominam este jogo, que não é para amadores.

Portugal se vende

Portugal foi para a guerra e não acovardou-se: tem feito várias ações de marketing por aqui, através de representantes das regiões vinícolas, importadoras, feiras, etc. O motivo é transparente como um alvarinho jovem: para vender um produto como o vinho é necessário antes de mais nada vender experiência, principalmente em um país sem a tradição de consumo de fermentados  como o Brasil. Por isso assistimos a um aumento de feiras, degustações e eventos de vinhos portugueses no Brasil.

Veja abaixo algumas destes eventos programados para o mês de maio/junho:

Dias 31 de maio (RJ), 06 e 08 de junho, Brasília e São Paulo, a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS) apresenta seus vinhos e produtores, entre eles o mais famoso, José Maria da Fonseca, o homem do Periquita;
De 23 a 27 de maio a importadora Qualimpor promoveu um tour com seus rótulos portugueses do Douro (Quinta do Crasto), Minho (Quinta do Ameal) e Alentejo (Esporão) e Porto (Taylor’s) no Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Jundiaí e Campinas;
2, 3 e 4 de junho, evento Vinhos de Portugal, no CasaShopping, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com 70 produtores e 500 rótulos. O pessoal do Alentejo vem com uma tropa grande, apoiado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA)  com degustações comentadas por Pedro Mello e Souza, Alexandra Prado Coelho, Dirceu Viana Júnior e Rui Falcão; Mais informações em  www.vinhosdeportugalnorio.com.br. Os restaurantes do Shopping vão franquear a rolha do primeiro vinho para os visitantes que estiverem com pulseira do evento

Leia também: Vinhos de Portugal, um Pato aqui, um Pato acolá

6 junho, Prova Anual dos Vinhos do Porto e do Douro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.  Evento com mais de 30 vinícolas e 200 vinhos para provas no Hilton Garden In
6 a 8 de junho, Portugal marca presença na 20a edição da ExpoVinis, a maior feira de vinhos da América Latina. A Importadora Adega Alentejana marca presença com stand próprio; Mais informações em https://www.expovinis.com.br/pt/home.html
8 de junho, Importadora Zahil lança a linha Sossego, com a presença de Luís Cabral de Almeira, enólogo da Herdade do Peso, da região do Alentejo;
9 e 11 de junho no Shopping JK Iguatemi acontece a versão de Vinhos de Portugal em São Paulo, com a presença do conceituado pelo jornalista e crítico de vinhos Luís Lopes; Mais informações em  www.vinhosdeportugalnorio.com.br
10 de junho, em Minas Gerais, o projeto Aproxima – Vinhos do Alentejo, festa de rua que acontece Casa Fiat da Cultura. A partir das 10 h com palestras e degustações com produtores;
No dia 10 de junho, AEP (Associação Empresarial de Portugal), em organização com o Grupo Opal, organiza em Vitória (Espírito Santo) a Vinhos e Sabores de Portugal, uma prova de vinhos e produtos gastronómicos portugueses com a presença de importadores / distribuidores / imprensa e o público brasileiro.

Autor: Tags: , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 17 de setembro de 2015 Sem categoria | 18:03

Vinho nacional de qualidade e acessível é um paradoxo? A aposta da Salton

Compartilhe: Twitter
Luciana e Stella Salton com garrafas de Paradoxo nas mãos: "Queremos que as pessoas falem mais da Salton"

Luciana e Stella Salton com garrafas de Paradoxo nas mãos: “Queremos  as pessoas falando mais da Salton”

Se você é bebedor de vinho, é provável que já tenha tomado um rótulo da Salton. Se espumante é sua praia, as chances são maiores, afinal a vinícola com sede em Tuiuty, Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, é a maior produtora de vinhos com borbulhas do Brasil. Agora, se você é daqueles que não tem preconceito e curte vinho nacional – como eu –, certamente já desarrolhou uma garrafa desta empresa que completou incríveis 105 anos em agosto deste ano. Se você se enquadra em uma das três alternativas anteriores, e assim como todos os brasileiros e brasileiras está com o orçamento mais apertado, acho que este post pode interessar. Vamos falar sobre um vinho nacional bom e barato, e  se trata de um “Paradoxo”.

Paradoxo, segundo o Dicionário Aurélio, é uma contradição, pelo menos na aparência. Um conceito que é ou parece contrário ao comum; um contra-senso, absurdo, disparate. Vinho nacional de qualidade, para muita gente de nariz empinado, entra nesta categoria. Bom e por um preço acessível então, pertence ao campo do improvável. A Salton, no entanto, acredita em paradoxos. E lançou para o mercado de restaurantes a linha de tintos, brancos e um espumante da região da Campanha Gaúcha que, não por acaso, nomeou de Paradoxo. A ideia é fornecer alternativas que podem entrar na carta dos restaurantes a preços mais atraentes. “Nosso objetivo é fazer o brasileiro consumir mais vinho brasileiro”, defende Luciana Salton, diretora-executiva da vinícola. tanto melhor que seja o que ela produz, claro. O consumidor final também pode comprar as garrafas no site da empresa – a caixa com seis volumes sai por R$ 26,50 a garrafa mais valor de frete,  dependendo da região de envio.  Paradoxo, vale reforçar, também é definido no dicionário como “uma afirmação aparentemente contraditória que, no entanto, é verdadeira”.

Pinot Noir e Gewürztraminer

E já que a pegada é tratar de paradoxos, em vez dos varietais (vinhos elaborados apenas de uma uva) mais comuns como merlot, cabernet sauvignon e chardonnay, que fazem parte da linha Paradoxo, meus destaques são a pinot noir e a gewürztraminer.

Paradoxo Pinot Noir

O Paradoxo Pinot Noir 2014 é novidade no mercado, recém-lançado em agosto deste ano, foi fermentado em barricas e ficou por lá mais um ano. De cor mais escura que um pinot noir do velho mundo tem um toque tostado da madeira e as sempre presentes frutas vermelhas, aqui mais frescas. Um pinot muito saboroso, menos pesadão, fácil e prazeroso de tomar. Um bom vinho de primavera/verão que deve ser consumido um pouco mais resfriado (mas não gelado, não é para ele pegar uma gripe!).

Paradoxo Gerwuztraminer

O Paradoxo Gewürztraminer, com este nome que mais parece um trava-língua e que o Google sempre costuma corrigir a grafia na busca com aquela opção “você quis dizer…”, é uma uva branca mais comum na região da Alsácia, na França, e na Alemanha e que no geral me incomoda quando excessivamente floral. Não é o caso deste exemplar da Campanha Gaúcha, que tem um floral na medida e cumpre seu papel de refrescar o paladar com boa acidez, que amplia sua percepção na boca, um cítrico e um abacaxi no aroma e no paladar e que combinou muito bem com um risoto de limão. Um vinho parceiro de pratos mais leves.

 A Salton volta a falar

A Salton sempre mandou bem no marketing; soube como ninguém comunicar seus feitos, alardear seus vinhos e aproveitar ondas como do prosecco, nos anos 2000, dos espumantes nos anos seguintes, conquistando a liderança no mercado (mais de 40%),  e ainda se qualificando com vinhos de alta gama contando com a consultoria de um enólogo internacional (o argentino Angel Mendoza, da Trapiche em parceria com o enólogo-chefe Lucindo Copat) quando não se falava nisso, na elaboração das primeiras safras do tinto Talento. À frente desta estratégia “Velho Guerreiro” do “quem não se comunica se trumbica” estava Angelo Salton, presidente da empresa até fevereiro de 2009 quando um enfarte fulminante o retirou precocemente do cenário do mundo do vinho.

Angelo era um comunicador nato, com enorme magnetismo pessoal. Ele fez bem ao vinho de sua empresa, e por tabela ao vinho nacional. Para ele todo bebedor de vinho era um cliente em potencial. No estande da empresa nas feiras de vinho recebia qualquer pessoa que passasse por perto com um enorme sorriso e, oferecia uma taça de vinho: “Este é um espumante da mais alta qualidade, brasileiro, é da Salton. Você vai provar, gostar e comprar mais no supermercado”, dizia, confiante, com seu vozeirão.

“Quando meu pai morreu ficamos no limbo”, comenta Luciana Salton. Quase sete anos se passaram. Neste meio tempo Luciana e Stella – responsável pela área de comunicação -, filhas de Angelo, se casaram e ficaram grávidas praticamente no mesmo período e se afastaram um pouco do dia-a-dia da empresa. Agora elas voltam com força total. Com novos produtos e uma certeza “Precisamos comunicar melhor. Queremos voltar a fazer a Salton ser o que era, que as pessoas falem mais dos nossos vinhos”, reforça  Luciana. Entre os objetivos das meninas da Salton, como carinhosamente são conhecidas, um dos mais importantes é crescer no mercado com opções de vinhos brasileiros bons e acessíveis. “A Salton é uma marca de credibilidade. E, se necessário, temos estoque para o crescimento e atender as grandes redes”, diz Luciana. Um paradoxo? Não, um desafio.

Autor: Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 Blog do vinho, Novo Mundo, Sem categoria, Velho Mundo | 13:34

Chile domina de vez o mercado de vinhos importados no Brasil. Conheça o ranking.

Compartilhe: Twitter

Sabe aquela história de crise no mercado de vinhos que a gente escuta todos os anos? Pois é, no mundo do espumantes nacionais todas as maiores empresas revelaram crescimento em 2014 (ver post Espumantes brasileiros: preferência nacional e consumo no final do ano). O mundo dos importados, “mesmo com todo o emblema, todo o problema, todo o sistema”, vai levando os números para cima. O crescimento em relação a 2013 foi de 12,5%. É isso que mostram os números consolidados de importação de vinhos de 2014 preparado semestralmente pelo consultor Adão Morellatto.

Em um país com déficit de dados, este levantamento realizado por Morellatto é um trabalho importante que mostra como está o mercado de vinhos importados no Brasil.  Morellato explica: “Em valor estamos próximo de um montante de USD 325.000.000,00 e algo como 9.000 conteiners de 1.000 CX/12; somente por estes números dá-se para imaginar o tamanho, complexidade, versatilidade, dinâmica e valores que envolve este setor. Levantando os dados de 2007 x 2014, a performance foi 93,45% ou uma média ponderada de 13,35% anual. Poucos e segmentados produtos cresceram nesta proporção. E ainda há o fator cambial, que em 2014 aumentou em quase 15%.”  Resultado nada mal em um país que teve um crescimento perto de zero em 2014. 

Para o consumidor, estes números apenas planilham uma constatação que pode ser verificada nas prateleiras dos supermercados, nos sites de e-commerce e cartas de vinho dos restaurantes. A maioria de rótulos é de vinhos chilenos, argentinos, portugueses, franceses e italianos. Além dos brasileiros que não entram, evidentemente, nesta análise de importados.

O Chile está perto de abranger 50% do mercado de vinho fino.

Abaixo um resumo das principais informações e dados consolidados pela análise de Adão Morellato

1º. CHILE:  Existe uma grande possibilidade de o Chile em breve dominar 50% do mercado brasileiro de vinhos finos. Se considerar somente o tipo vinho fino, ele representa quase 46,40% em valor, porém no consolidado, retrai-se um pouco para 35,30% em valor e 44,39% em volume. Seu preço médio está 25% mais econômico que os vinhos argentinos.  O crescimento em 2014 foi de 25,59% alavancado principalmente pela estratégica das grandes empresas chilenas em priorizar os 5 mercados chaves: USA, Reino Unido, China, Japão e Brasil

2º. ARGENTINA: Contrariando os prognósticos locais, apresentou um crescimento de 9,52% e sua participação caiu um pouco, hoje estabelece-se nos patamares de 17% de volume e valor. (para se ter uma ideia em julho de 2013 os vinhos argentinos detinham 21,09% em valor e de 20,21% em volume). As razões? As políticas econômicas do atual governo. Enquanto Chile manteve seu preço médio em USD 3,20 p/ litro, na Argentina houve um aumento de 3,08%, chegando a USD 4,01 p/ litro

3º. FRANÇA: A França apresenta-se em terceiro lugar neste ranking devido ao valor de seus produtos atingirem quase 15% de participação, mesmo com um índice em volume de apenas 5,85%. Isso se explica pelo preço médio de USD 10,30 p/ litro, influenciado pelo alto valor agregado do champagne, que sozinho representa 37,82% de toda exportação francesa.

4º. PORTUGAL: Por uma pequena diferença com a França, Portugal passa para a quarta posição. Participa com quase 12% de Share, com crescimento de 4,50% e preços médio de USD 3,88 p/ litro

5º. ITÁLIA: Em 2014 cresceu 3,97%, com participação bem próxima de Portugal, exatos 11,13% em valor e de 11,68% em volume. Já não há tanta influência do vinho tipo Lambrusco que chegou a representar quase 50% de todo o volume de vinhos deste país há alguns anos. O Vinho Prosecco representa 12,34% de market share no seu montante total.

 

6º. ESPANHA: De 2007 há 2014 a Espanha vinha apresentando um crescimento a uma média de 31% ao ano. Em 2014, contrariando os anos anteriores, apresentou uma ligeira queda de quase -1%, só não caiu mais devido ao vinho (CAVA) ter crescido sua participação em 16,06%, representando 26,17% na totalidade.

7º. DEMAIS PAÍSES: Apresentam menos de 5% de participação, com destaque evolutivo para os países: Alemanha = 16,72%  / Africa do Sul =54,95% / USA = 47,90%, queda abrupta da Austrália em 69% e Uruguay que patina nos números idênticos ao ano de 2007.

Leia também: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Dados extraídos do Análise de Mercado de 2014 da análise de

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

Autor: Tags: , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 Brancos, Novo Mundo, Sem categoria, Tintos | 09:36

Vinhos e vinícolas do Chile: anotações de uma viagem. Vale de Colchagua

Compartilhe: Twitter
Vale de Colchagua, Chile: uma viagem pelos rótulos conhecidos

Vale de Colchagua, Chile: uma viagem pelos rótulos conhecidos

Viajar pelo Chile, mais especificamente em suas “rutas del viño”, é quase como passear pelos corredores dos supermercados e prateleiras de lojas de vinho: o nome das vinícolas, iguais aos rótulos mais conhecidos dos consumidores, vão se sucedendo em forma de placas, edifícios e vinícolas. Há rotas nas diversas regiões vinícolas do país, algumas praticamente dentro de Santiago, como Vale do Maipo. Outras mais afastadas, mas a poucas horas da capital. Todas oferecem restaurantes, visitas guiadas e às vezes até hospedagem dentro dos vinhedos.

Não é à toa que o viajante reconheça as vinícolas pelo nome. O Chile foi responsável por mais de 40% de volume de vinho exportado no Brasil no primeiro semestre de 2014 segundo estudo realizado semestralmente pelo consultor Adão Morellato. Em segundo lugar vem a Argentina com uma diferença de 25,22%. O Chile é também o 8º maior produtor de vinhos do mundo – são 600 vinícolas, 300 empresas -,  e o 5º país que mais exporta tintos e brancos, são 60 as principais exportadoras.

A divisão das regiões por vale estabelece os limites das zonas vinícolas no Chile, mas alguns nomes têm o poder de confundir os menos atentos: Colchagua, Aconcagua, Cachapoal viram uma salada de fruta na cabeça do incauto viajante que depois de um tempo já não se lembra mais onde está ou por onde passou. Por sua vez, Concha y Toro, Cusiño Macul, Viña Montes, Casa Silva, Santa Rita, Viu Manent, Santa Helena, Ventisquero, Miguel Torres, Morandé entre outros tantos soa familiar aos olhos e ouvidos dos brasileiros. É o efeito prateleira de supermercado que dá conforto e bússola ao viajante-enófilo verde-amarelo.

Conhecer de perto onde é produzido o seu vinho preferido, aquele que está à mão, ou aproveitar e provar rótulos de outras variedades é uma experiência bacana. Acompanhado de uma boa refeição nos restaurantes preparados para receber turistas, às vezes aos pés da Cordilheira dos Andes, às vezes em torno de vinhedos, também é parte do roteiro. Assim como é parte da experiência arriscar uma garrafa de um rótulo de qualidade superior. Afinal o preço dos vinhos é de matar de inveja qualquer consumidor que paga o que paga pelas garrafas no Brasil, fruto de uma carga tributária extorsiva, margens de lucro nem sempre razoáveis – e agora um dólar em disparada.

O Chile é abençoado pela localização geográfica e pela natureza para produzir vinhos. Tem o Oceano Pacífico de um lado e a Cordilheira dos Andes do outro, formando um corredor de proteção sanitária para os vinhedos e criando todas as condições climáticas para produzir qualidade e variedade: seco e quente de dia – cheguei a pegar mais de 34 graus no meio do dia -, frio ou fresco à noite, motivado pelos ventos que descem as cordilheiras e lambem as plantas.

Um pequeno giro recente pelo Chile mostrou esta capacidade de produzir rótulos de todas as linhas. A conversa com enólogos e produtores apontou a profissionalização cada vez maior desta indústria, sua inserção tecnológica, e atenção com as mudanças no gosto do consumidor, que aparentemente está pedindo vinhos mais leves, frescos, bebíveis, com menos potência e menos influência da madeira.

Também está presente, pelo menos no discurso de todas as empresas visitadas, uma preocupação com o meio ambiente, com o processo de produção e com uma agricultura mais sustentável, quando não orgânica e mais voltada para princípios naturais

Para mim não ficou claro todavia se esta mudança de perfil dos vinhos se dá desde a linha mais básica e ficou uma dúvida sobre o que aconteceu de repente com aquele consumidor da base da pirâmide que amava o vinho amadeirado, aquela doçura em boca e com alguns aromas, mesmo artificiais, que davam reconhecimento aos vinhos consumidos. Foram abduzidos? Aliás o mesmo discurso e dúvida valem para os vinhos argentinos.

 

Visita ao Vale de Colchagua

Trecho do Vale do Cachapoal, no Chile

Vinhedos do Vale de Colchagua: daqui para sua adega

Colchagua – este vale chileno reúne a grande maioria das vinícolas, entre as grandes estão: Bisquertt, Casa Silva, Cono Sur, Lapostolle, Los Vascos, Luis Felipe Edwards, Montes, Montgras, Santa Cruz, Santa Helena, Siegel, Ventisquero e Viu Manent. O vale de Colchagua corta o país no meio, começando nas Cordilheiras dos Andes, passando pela Cordilheira da Costa e terminando no Oceano Pacífico. Como ensina o enólogo chileno da Casa Silva Mario Geisse: “Esta característica lhe confere uma diversidade de condições microclimáticas para variedades diferentes com características marcantes”. O rio principal que vai influenciar a região é o Tinguiririca. A uva cabernet sauvignon domina a área plantada: são 12 mil hectares contra 3,4 da carmenère, 3,2 da merlot e 2,2 da syrah. Entre as brancas predominam chardonnay e a sauvignon blanc. Por aqui a visita se limitou a duas representativas vinícolas da região, Viña Montes e Viu Manent. Os enólogos, como de costume, nos apresentaram seus rótulos mais significativos, nem sempre os mais baratos, mas que demonstram o potencial e o estilo de cada empresa.

A ponte, a água, os vinhedos ao fundo: feng chui e vinhos especiais

Viña Montes: a ponte leva à adega, os vinhedos ao fundo: feng chui e vinhos especiais

Viña Montes – A Viña Montes é velha conhecida dos amantes dos tintos e brancos chilenos no Brasil. Tem bons vinhos na sua base e cultuados tintos no topo da pirâmide, como o Montes Alpha M, o Purple Angel e o Folly. A arquitetura da Bodega é uma viagem dentro da viagem, com linhas arrojadas e integração com a natureza adota o conceito feng shui assim explicado no site da empresa: “Na entrada da vinícola há uma ponte de acesso de madeira sobre uma pequena lagoa, cuja água flui em direção ao prédio, seguindo o princípio fundamental do feng shui, que diz que a prosperidade apenas chegará se a água, representando energia, fluir em direção ao centro do prédio, não o contrário, para longe dele. No centro da vinícola há uma fonte, logo abaixo de uma claraboia em formato de lírio, representando o sol e a lua: o ponto a partir do qual a energia é distribuída, conectando o prédio ao universo externo.” Na sala de degustações, o visitante fica diante de barricas de carvalho que repousam sob uma iluminação controlada e som de música clássica e cantos gregorianos. Se isso influencia ou não o vinho eu não sei, mas é sempre uma boa história para contar e torna toda visita mais agradável.

Da série a vida vale a pena num lugar assim: área externa do restaurante da Viña Montes

Da série a vida vale a pena num lugar assim: área externa do restaurante da Viña Montes

O restaurante, próximo à ponte e à lagoa, completam a visita juntando a comida ao vinho, ambos de excelente qualidade.

Quatro vinhos da Viña Montes

Outer Limits – esta é uma linha mais recente da Montes que explora vinhedos “além das fronteiras”, como indica o nome. São vinhedos em três regiões diferentes (Aconcagua, Colchagua e Itata), cada um com características próprias: próximo do mar, grande declive do terreno e vinhedos centenários e históricos.

Technical Data Sauvignon Blanc 2014
Outer Limits Sauvignon Blanc 2014
– o Guia Descorchados, de Patricio Tapias, uma referência para vinhos do Chile e da Argentina, deu 94 pontos e elegeu o melhor sauvignon do Chile. É um sauvignon blanc mais macho, intensa acidez, provoca uma boa salivação, cítrico, muito mineral e com um toque salgado. Este vem da Costa de Zappalar, no Vale de Aconcagua, a uma distância bem próxima do oceano pacífico: 7 quilômetros. R$ 120,00

Bottle Cinsault 2014

Outer Limits, Old Roots, Cinsault 2014 – este é um vinho para aqueles que querem provar algo diferente e com mais pegada. Um Cinsault que passa por maceração carbônica (a fermentação e feita dentro da uva e não há esmagamento da fruta), não passa por barrica, tem um corpo leve, um sabor que lembra morangos frescos, o finalzinho terroso. Pra comprar e beber logo, de preferência mais resfriado, como um beaujolais. A primeira safra é de 2013, uma novidade que não consta do catálogo do importador no Brasil, mas se chegar vale provar.

 

mon tesalpha

Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2012 – quem é consumidor de vinho e nunca tomou um Montes Alpha numa churrascaria em São Paulo levanta a mão! São três tintos: malbec, cabernet sauvignon, carmenère. O cabernet sauvignon foi, já em sua primeira safra, de 1987, reconhecido internacionalmente como um vinho premium. O que mais chama atenção é a consistência ano a ano, a boa fruta, o uso integrado da madeira (passa 12 meses na barrica), o final intenso e taninos prontos para beber. As uvas, cabernet sauvignon (90%) e merlot (10%) são representantes do Vale de Colchagua, em Apalta e Marchigüe. R$ 112,00

MontesAlphaM11Montes Alpha M 2011 – talvez a grande estrela da Viña Montes, apesar de não ser o mais caro, este corte tem como protagonista a cabernet sauvignon (80%) e a colaboração das também uvas bordalesas cabernet franc (10%), merlot (5%) e petit verdot (5%). A belezinha passa 18 meses em barricas 100% francesas e tem todos aqueles descritores clássicos de um bom vinho deste nível: muita fruta vermelha mais madura, cassis, os aromas chegam num primeiro ataque de frutas e evoluem para cheiros de terra, trufas, bosque, tabaco. Taninos doces e belo final. Tá tudo lá. Uma decantada abre mais as percepções, vale a pena pela grana que você vai investir no bichão (em torno de 450 reais). E se alguém te oferecer uma safra 2002, recuse, é falsificado. Não teve Montes Alpha M 2002, ok? A safra de 2006, provada em uma degustação promovida pela associação “Viños de Colchagua” em São Paulo, mostrou o potencial de evolução do caldo, com integração das frutas e uma estupenda concentração e cor. Entre 12 tintos provados foi um dos meus preferidos. Detalhe, seguindo a filosofia natural e holística da vinícola o Montes Alpha M é etiquetado a mão para manter a energia da bebida. Ah, tá!

Os vinhos da Viña Montes são importador pela: Mistral

Fachada da Viu Manent: não deixe de conhecer o restaurante

Viu Manent: não deixe de conhecer o restaurante  Rayuela Wine & Grill

Viu Manent – propriedade familiar, é tocada pela família Viu Bottini desde 1935. A Viu Manent é uma vinícola de tamanho médio e se tem uma marca resgistrada é da excelência dos malbecs chilenos, que junto a outras variedades são plantados nos três vinhedos em Colchagua: San Carlos (o mais antigo), El Capilla e El Olivar. O enólogo-chefe, Patricio Celedon, explica que desde 2010 uma série de estudos foram realizados nos vinhedos para conhecer melhor o terreno e o solo. O conceito anterior de blocos foi substituído por setores, limitados não apenas pelas características do solo (mais pedra, menos pedra, areia, argila etc), mas também pela condutividade eletromagnética do solo que determina uma maturação ótima para as frutas de cada trecho do vinhedo. Ou seja, a colheita das uvas é feita de forma pontual, por parreira. Para o visitante além do tradicional tour e degustação é imperdível uma parada no restaurante Rayuela Wine & Grill, claro que acompanhado de um dos rótulos da casa.

Quatro vinhos de Viu Manent

VIU- SuavigonBOT SESB14

Secreto Sauvignon Blanc 2014 – a linha Secreto tem três características que a definem: o frescor do estilo, pois são vinhos mais joviais e fáceis de beber; o rótulo, que é uma criação da artista chilena Catalina Aboot que desenhou seis interpretações marcantes para cada varietal (sauvignon blanc, viognier, pinot noir, malbec, carmenère e syrah) e o marketing, pois cada varietal é mesclado com uma pequena porcentagem de outra uva que não é revelada, é o “segredo” que batiza o vinho. Este sauvignon blanc de vinhedos de Casablanca, a 11 quilômetros do mar, de solo granítico e com quartzo, traz a seguinte sensação ao vinho: salinidade e mineralidade. Com ótima acidez tem um curioso cítrico salgado, limão com sal, manja? R$ 75,00

Viu-SyrahBOT SVSYOA13

El Olivar Syrah 2013 – um Viu Manent Single Vineyard, também conhecido como um vinho de um único vinhedo. A safra 2013 ainda não chegou às prateleiras, mas quando se materializar, vale provar. Um vinho que dá muito prazer e mostra o potencial da syrah do Chile (em dezembro de 2014 um vinho da uva syrah, o Syrah Gran Reserva 2012, da Viña Casas del Bosque, foi eleito o melhor vinho chileno pela concurso Wines of Chile realizado no Brasil pela primeira vez). Bom aromas de pimenta, especiarias, mas com uma fruta fresca. Fino e elegante na boca, profundo com ótima acidez natural. R$ 150,00

Viu-BOT EICA10

 El Incidente Carménère 2010 – carmenère, não? Afinal estamos no Chile!!! Mas não é voo-solo. Agregam-se à mescla um tanto de petit verdot e outro de malbec. Trata-se de um carmenère com belo potencial de guarda com taninos redondos e doces, macio, uma nota de pimenta negra, bastante concentrado, redondo, amplo na boca com fruta vermelha e evolução de tabaco e café depois de um tempo na taça. Taí, uma carmenère para rever algum eventual preconceito contra a uva. R$ 280,00.

Viu1_BOT VIU11

Viu 1 2011 – o chamado vinho ícone da casa, não podia deixar de ser, é um malbec 100% das tais parreiras centenárias, de edição limitada e garrafas numeradas. Também agraciado como o melhor malbec pelo Guia Descorchados. Homenageia o fundador da empresa, Don Miguel Viu Manent. As uvas sempre vieram de um mesmo setor, o de número 4. E sempre que a decisão é contestada pelos enólogos a degustação às cegas prova que algo ali naquele pedaço de terra, de excelente drenagem, gera uma qualidade inigualável para o malbec da Viu Manent. E o vinho? Floral intenso no nariz, fruta negra, boa estrutura, espalha a bebida tirando-a do centro boca, um vinho largo que proporciona um final bastante longo. Este mesmo caldo, da safra de 2007, provado em São Paulo, mostrou sua evolução com a mesma estrutura parruda, potência, fruta madura e uma alta acidez, que vem do petit verdot e do vento fresco da cordilheira. R$ 600,00.

Os vinhos da Viu Manent são importados por: Hannover

enologo

Enólogo e equilibrista: Patricio Celedon tira uma amostra de um vinho de barrica

Outras três grandes vinhos de Colchagua

Como já foi dito, a associação “Viñas de Colchagua”, que junta 13 importantes vinícolas da região, promoveu em São Paulo no mês de outubro uma grande degustação, coordenada pelo craque Mario Geisse. O evento contou com a participação de 12 enólogos-chefes que apresentaram seus rótulos mais representativos das melhores safras. Além dos dois tintos comentados acima, destaco outros três grandes que impressionaram na comparação com seus pares.

botPANGEAreal_sombra

Ventisquero Pangea 2009 – a Ventisquero produz vinhos em todas as linhas, sendo o Grey, um tinto de preço mais acessível, um dos meus favoritos (leia mais aqui). O Pangea faz parte do escalão de cima dos títulos da empresa, denominados ultrapremium. Mais uma vez a syrah brilha no Vale de Colchagua. O vinho permanece 20 meses em barricas de carvalho francês (50% novas) e ainda descansa mais 18 meses na garrafa. Estiloso na boca, muita fruta vermelha e negra e mineral (os enólogos costumam citar o grafite para vinhos “minerais” de Colchagua, já que o solo é de granito e com minerais como ferro e quartzo). Taninos macios e doces, baita estrutura. Melhor decantar, até por que não é filtrado e podem sobrar um resíduos na garrafa. R$ 260,00

Importado por: Cantu

tralca

Bisquertt Family Vineyards Tralca 2010 – um vinho do ano do grande último terremoto no Chile. Trata-se de um blend de cabernet sauvignon (65%), carmenère (31%) e syrah (4%). Outro ícone que  faz um tributo aos fundadores da vinícola familiar que existe desde 1978. Eu não conhecia e foi uma grata surpresa. Bom volume em boca, arredondado e aveludado. Também tem seus quase dois anos de barricas novas francesas. (lembra aquela história de usar menos barrica? Bom, nestas safras mais antigas não me parece que gerou algum problema.) O que define este vinho é a fruta elegante, madura, de excelente paladar em boca. Ou como define o enólogo da casa: “Como enólogos precisamos de uma palheta de cores variadas (as frutas) para produzir um bom vinho”. Acho que ele tem razão. R$ 280,00

Importado por World Wine 

Carmenere_Microterroir9833254

Casa Silva Microterroir de los Lingues Carmenère 2007 – a carmenère do Chile tem um história conhecida entre os entendidos. Era confundida com a merlot e colhida e vinificada junto. Depois de descoberta – e transformada como uva símbolo pelo Chile, apesar de não ser a melhor – houve um período de aprendizado que resultou em bons caldos como este excepcional carmenère elaborado pela Casa Silva. Diz Mario Geisse: “Existia um preconceito de que a carmenère seria um vinho de vida curta. O Microterroir mostra o contrário”. São produzidas 20.000 garrafas por ano deste tinto elegante com aromas de ameixa preta, especiarias, frutas vermelhas e uma bala toffe depois de um tempo. Tem taninos sedosos (desce maneiro, entende?), boa estrutura, final longo e na boca confirmam as frutas (eu percebi uma goiaba em compota) e a especiarias (pimenta preta). R$ 250,00

Importado por: Vinhos do Mundo 

 

Autor: Tags: , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 Blog do vinho, Sem categoria | 12:48

Liquidações de vinho: dicas para se dar bem agora e o ano inteiro

Compartilhe: Twitter

Quem resiste a uma promoção? Janeiro é o mês em que as importadoras começam suas liquidações, que geralmente se estendem até fevereiro. Todo ano é assim. Algumas remarcações anunciadas atiçam o saca-rolha virtual que todo enófilo esconde em seu bolso. Afinal de contas, trata-se de uma troca comercial: a vontade de comprar – por um precinho melhor – versus a urgência de o lojista se desfazer dos estoques, por uma margem menor.

Intervenção importante

Voz da consciência digital: alto lá, este texto é repetido. Foi publicado em 18 de janeiro de 2012! Olha o link: Liquidações de vinho: é hora de comprar!

Autor (um tanto embaraçado): é, tem razão, mas todo ano, nesta época, tem queima de estoque nas lojas e importadoras de vinho. E as recomendações são sempre as mesmas. Como o texto estava pronto, achei que ninguém ia notar…

Voz da consciência digital: todo ano tem Natal, Carnaval e nem por isso se publicam os mesmos textos. Neste o caso é preciso dar uma outra visão sobre o assunto. Outra perspectiva…

Autor (se justificando): mas os leitores estão interessados nas dicas de como escolher as garrafas e no serviço das importadoras atualizado…

Voz da consciência digital: neste caso, faça os dois: repita as dicas do ano passado e ofereça um reflexão inédita, mas nunca engane o leitor *&@#!

Fim da intervenção

As queimas de catálogo das lojas de prateleira ou virtuais estão aí. Por isso mesmo, antes de ir às compras, vale a pena observar algumas regras para evitar futuras, e literais, ressacas. O Blog do Vinho traz, em primeiro lugar, seis dicas para aproveitar melhor as compras; em seguida a lista das importadoras e lojas em promoção e ainda os links para os catálogos virtuais em oferta (as lojas físicas são em sua maioria em São Paulo).

Na segunda parte do post – seguindo orientações  – propõe uma reflexão sobre a validade de entrar de cabeça nestas liquidações e quais alternativas para comprar mais e pagar menos o ano inteiro.

Dicas na hora da compra

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento. Consequência: o vinho provavelmente estará em processo de oxidação.

2. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada, outro indicativo de problemas na qualidade da bebida.

3.
Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos das safras mais antigas – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema. Se a safra do tinto for mais antiga – e principalmente se for um vinho de guarda – é sinal de evolução. Aí depende de seu apreço por vinhos envelhecidos.

4.
Fique atento às safras. Tintos mais básicos, e principalmente os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos (há sempre muita desova de rosés nestas promoções…)

5. Evite a compra por impulso (este conselho devo repetir a mim mesmo). Como a maior parte das ofertas são de safras mais antigas, pergunte ao lojista se se trata de um vinho com potencial de guarda (geralmente mais caros), se não for, planeje a compra para consumo rápido, principalmente os brancos.

6. Encontrou um preço de um vinho que é uma barbada, e que pode resolver sua vida no dia-a-dia e vale investir numa caixa? Experimente antes. Se a loja não tiver uma amostra, compre uma garrafa, prove em casa e decida sobre a compra de um maior volume de rótulos com segurança, ou você pode ter 12 garrafas de vinagre muito caro para temperar a salada por todo o ano.

Serviço: quem está liquidando (por ordem alfabética)


Expand
Sale! Descontos de até 50% em vinhos de vários países
Catálogo virtual
Quando: até 1 de fevereiro ou fim dos estoques

Grand Cru
Descontos até 50%, para mais de 130 vinhos, de países como Itália, França, Chile e Argentina.
Catálogo virtual
Quando: até 18 de fevereiro ou fim dos estoques

Mercovino
Mais de 30 rótulos com descontos
Catálogo virtual
Quando: até 31 de janeiro ou fim dos estoques

Vinea
Ponta de estoque de rótulos da Itália (a maioria), Chile, Argentina, França, Portugal e
Espanha
Catálogo virtual
Quando: até 22 de fevereiro ou fim dos estoques

Vinos & Vinos
Bota-fora com rótulos do Chile, EUA, França, Itália e Hungria
Catálogo virtual
Quando: até 9 de fevereiro ou  fim dos estoques

World Wine
Bota-fora com mais de 100 vinhos com descontos até 70%. Talvez a maior variedade e quantidade de rótulos de desconto neste saldão anual de garrafas.
Catálogo virtual
Quando: até 31 de janeiro ou fim dos estoques

Leve dois e pague um!

Casa de ferreiro, espeto de pau. Fisgado pela oferta, numa dessas liquidações levei duas garrafas pelo preço de uma de um cabernet argentino de 2007. Vinho para consumo do dia-a-dia. Se aprovado na taça, voltava e buscava uma caixa. Também aproveitei a barganha e catei dois rótulos do Douro de 2005. Dupla decepção. O Douro tinha traços medicinais, de iodo no nariz e absolutamente zerado na boca. O argentino não tinha aguentado os cinco anos, perdeu aromas e ganhou um gosto ruim, que me deixou na dúvida se originalmente ele já era ruim mesmo ou potencializou sua baixa qualidade. Conclusão: a economia virou despesa. Foram para o ralo. Esta infelicidade, que até faz parte do risco nestas liquidações, porém me levou a algumas reflexões.

Os chamados vinhos do dia-a-dia, que são conceitualmente produzidos para serem bebidos jovens, não são as melhores escolhas das pontas de estoque. O importador precisa se livrar de safras antigas e joga o preço no chão – e as caixas ficam ali expostas como isca. Não que estejam estragados – esta é outra discussão – mas ficam cansados, em declínio, sem sabor. Melhor evitar. Então a hipótese mais segura para se dar bem nestas megaliquidações de Baco são vinhos de guarda, mais caros, que sofreram redução de preço também para baixar os estoques. Você levará menos garrafas para casa, mas terá a oportunidade de provar rótulos de sabores e texturas mais ricas, evoluídos pelo tempo na garrafa, sem ter de ficar esperando na sua adega. Aí vale a pena se certificar do produtor, e estabelecer uma relação de confiança com o vendedor e importadora. Também é o momento de experimentar regiões pouco conhecidas, uvas diferentes com preço mais acessíveis para um mergulho no escuro.

Ofertas o ano inteiro

Outra alternativa, que pode reduzir o impulso de resolver o estoque de casa do semestre em só momento, é observar as ofertas das lojas e importadoras que pipocam o ano inteiro, principalmente quando há troca de linha dos produtos. Grandes distribuidoras, como Diageo, volta e meia baixam o preço do popular e sempre correto vinho português Periquita, por exemplo, ou mesmo grandes marcas chilenas, argentinas, portuguesas e brasileiras fazem um trabalho de promoção em seus rótulos reduzindo preços. Às vezes surgem também barbadas em prateleiras de supermercados. Um apreciador de vinhos deve sempre passar pelos corredores das bebidas para checar esta possibilidade.

Por fim existe a possibilidade de barganhar o preço na sua importadora e loja preferida comprando em volume. Não precisa ficar com doze garrafas de um mesmo rótulo, mas divida com amigos, numa espécie de clube de descontos particular.

Por último, os clubes de vinhos, lojas 100% virtuais e as importadoras volta e meia oferecem descontos para vinhos de determinados países. Algumas contam com serviço de newsletter que alertam sobre as ofertas. As importadoras que promovem feiras e festival de vinhos também costumam baixar os preços para os rótulos adquiridos durante o evento.

Portanto, checar as ofertas de janeiro e aproveitar oportunidades que harmonizem seu paladar com seu bolso continua válido. Mas não encare como a última oportunidade do ano. Garimpar bons vinhos por bons preços é trabalho – e prazer – para o ano inteiro.

Autor: Tags: , ,

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 Sem categoria, Tintos | 15:49

Vinhos tintos que combinam com o verão

Compartilhe: Twitter

O terceiro círculo do Inferno de Dante Alighieri, do poema épico A Divina Comédia, é destinado aos gulosos. Apesar de não fazer parte da narração imagino que uma boa representação do inferno é uma garrafa de vinho tinto potente argentino, ou americano, bem alcoólico e de preferência quente, em meio a labaredas crepitantes e abundantes. Ou transpondo o cenário para os trópicos: o mesmo rubro bem concentrado, quase mastigável, numa taça de vidro servido embaixo de um guarda-sol na praia sob um calor escaldante do meio-dia. O inferno, aqui, não são os outros, são as escolhas erradas. No popular: tudo tem seu lugar e hora. E a última coisa que passa na cabeça e pela garganta de alguém que curte um vinho é escolher um tinto austero,  e bebê-lo quente num ambiente tórrido. Sauna e vinho tinto não combinam. Mas isso não significa também que vinho tinto e verão são como Joaquim Barbosa e José Dirceu, ou seja, incompatíveis.

O senso comum dos enófilos aponta para as garrafas de vinhos brancos, rosés e espumantes para os dias quentes. Sem dúvida. É a indicação mais óbvia. Mas a proposta aqui é pensar “fora da garrafa”. Uma enquete do iG provocou os leitores do portal a escolher “a bebida do verão”, em múltipla escolha, em tempo real. O vinho branco foi o lanterninha – a água de coco e a cerveja tomaram a dianteira, bem à frente da caipirinha.  A propósito, todo produtor e enólogo estrangeiro que vem ao Brasil – e eles são doidos para entornar todas as caipirinhas possíveis… – me pergunta por que um país tropical bebe tão pouco vinho branco? E eu sempre respondo: por que países quentes preferem bebidas, e comidas, quentes.

O tema aqui, é bom ficar claro, é bem específico: trata-se do desafio de beber vinho tinto na praia, sob o sol, no almoço na casa de campo, no fim de semana com a família rodeado de todos os modelos de ventilador resgatados do armário ou adquiridos às pressas nos grandes magazines ligados no máximo para amenizar o calor. Em ambientes controlados – com ar refrigerado no máximo –  tanto faz estar no Alaska em companhia da Sarah Palin sorvendo um opulento californiano ou em Trancoso com o Bell Marques, do Chiclete com Banana,  compartilhando um alentejano de 15 graus de álcool que o calor lá fora pouco importa (para quem não sabe, Bell é um bom conhecedor de vinhos e casado com a proprietária da importadora de vinhos, Anna Import, da Bahia).

Beaujolais, a grande pedida

Mas existem alternativas de vinhos tintos para o verão? Sim, há clássicos do gênero.  Os tintos elaborados com a uva gamay, os beaujolais da vida (tanto os Nouveau quanto os Villages), são imbatíveis  nesta categoria. São a tradução do frescor na boca e delicadeza de aromas nos tintos. O beaujolais se distingue dos demais caldos pelo processo de elaboração. Ao contrário da maioria dos vinhos, sua vinificação (e fermentação) não se dá pelo esmagamento das uvas, mas sim no interior da fruta. Este processo é conhecido como maceração carbônica. Funciona assim: os cachos das uvas são colocadas inteiros em um tanque sem oxigênio mas saturado de gás carbônico. As uvas da parte inferior do tanque são esmagadas pelas de cima e liberam seu mosto. Este suco inicia a fermentação e gera mais gás carbônico.  A ausência de oxigênio no tanque produz a chamada fermentação intracelular, no interior dos grãos. A fermentação – transformação do açúcar em álcool – é feito portanto pelas enzimas no próprio interior da fruta e não pelas leveduras presentes no ambiente. E daí? Daí que este tipo de maceração carbônica – onde a uva não é prensada – se traduz em vinhos jovens, de cor mais clara e estrutura mais delicada e bastante aromáticos. A gamay desenvolve, principalmente no Beaujolais Noveau, aromas de rosas, frutas frescas e – podem acreditar, sem bufar um “Essa não!” – traços nítidos de banana. É cheirar para crer!

Também produzem caldos refrescantes e indicados para o verão pinot noirs mais simples sem passagem pela madeira, blends de carignan, cinsault, syrah e até cabernets francs de determinadas zonas mais frias. As italianas barbera, dolcetto e alguns vinhos Chianti de boa acidez também são boa solução. Há quem aposte em tempranillo espanhóis do tipo jovem, sem envelhecimento em barricas.

Saem de cena os tintos fechados, potentes, com frutas muito maduras, amadeirados e alcóolicos (14, 14,5, 15 graus!) e entram na ribalta os tintos menos alcoólicos, jovens, leves, frutados e sem estágio em barricas de madeira. Não são caldos que ostentam medalhas, pontuações acima dos 95 pontos e no geral tem preços mais modestos. São vinhos para desfrutar sem compromisso, ou melhor, apenas com o compromisso com o desfrute. Talvez não seja o vinho da sua vida, mas podem ser com certeza os vinhos tintos certos para embalar o seu  o verão.

Sugestões ViG (Vinhos indicados pelo Gerosa) de tintos para o verão

O Blog do Vinho propõe a lista de rótulos abaixo, que no geral entregam frescor, corpo médio, frutas frescas e boa acidez e como tradição aqui neste espaço já passaram pela taça deste escriba.

Beaujolais

País: França/Borgonha

Uva: gammay

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 54,00

Importador: WineBrands

Produtor: Joseph Drouhin 

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 75,00

Importador: Mistral

Produtor: Louis Latour

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 65,00

Importador: Aurora/Inovini

  • Pierre Ponnelle Beaujolais-Villages 2008

Produtor: Pierre Ponnelle

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 35,00

Importador: Santar

Produtor: Louis Jadot

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico:

R$: 76,00

Importador: Mistral

Produtor: Miolo

País: Brasil/ Campanha Gaúcha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 12 graus

R$ 25,00

Vendas: Miolo

Outras uvas

Produtor: Domaines Perrin

País: França/Rhône

Uvas: carignan. cinsault. grenache noir e syrah

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 44,00

Importador: World Wine

Produtor: Domaines François Lurtton

País: França

Uva: pinot noir

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 69,00

Importador: Zahil

Produtor: Domaine du Salvard

País: França/Vale do Loire

Uvas: cabernet franc, gamay e pinot noir

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 70,00

Importador: Decanter

Produtor: Quinta da Neve

País: Brasil/São Joaquim

Uva: pinot noir

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 70,00
Vendas: Decanter

Autor: Tags: , , , ,

quarta-feira, 28 de novembro de 2012 Degustação, Sem categoria | 12:13

Vinhateiros Independentes do Chile: pequenas vinícolas, grandes vinhos

Compartilhe: Twitter

Pequenas quantidades, vinhos produzidos artesanalmente no Chile

Mauro Von Siebenthal é suíco,  proprietário da Viña von Siebenthal e idealizador do tinto Cabrantes. Angela Mochi é brasileira, e produz os vinhos Tunquen. Fernando Atabales é enólogo da Starry Nights Wines. Sergio Avendaño une sua paixão pela bateria e pelo vinho com os tintos da Trabun. Todos são produtores de rótulos chilenos, e provavelmente você nunca ouviu falar deles, nem jamais bebeu um de seus vinhos, mesmo sendo um fã dos tintos e brancos dos Andes.  Eles fazem parte do Movi, o Movimento dos Vinhateiros Independentes do Chile.

Não, não se trata de mais um grupo revolucionário da América Latina que resolveu pegar em armas e combater as gigantes da indústria vinícola chilena propondo um boicote aos seus rótulos com piquetes nas lojas ou adulterando suas barricas na calada da noite. A proposta do grupo é mostrar que existe vinho além dos gigantes Concha y Toro, Santa Rita, Santa Helena e San Pedro, que preenchem as prateleiras dos supermercados e catálogos online da importadores. E vinhos de qualidade, que tentam refletir a identidade do local em que foram produzidos e traduzem a interpretação do enólogo do seu vinhedo, seja lá o que isso signifique na prática para os consumidores.

Nada contra os blockbuster dos fermentados. Desde os rótulos de base até seus ícones são no geral vinhos bem feitos, de alta tecnologia, que buscam a excelência em cada linha de atuação. Minha geração, com certeza, se iniciou nos caldos bebendo vinhos destes produtores, sempre confiáveis. Eu, particularmente fico muito feliz com uma taça de Dom Melchor (Concha y Toro), Don (Santa Helena), Casa Real (Santa Rita) ou Cabo de Hornos (San Pedro), na mão, ou mesmo seus primos mais pobres, a linha do dia a dia.

Barrica alada: símbolo do Movi

O Movi só existe, diga-se de passagem, pois está inserido em uma indústria madura, de alta capacitação técnica, muita pesquisa e presente no mercado internacional. Parte dos membros do Movi fizeram carreira nas grandes empresas vinícolas do Chile, outros são diletantes que se aventuraram pelos vinhedos com uma ideia de vinho na cabeça e uma taça vazia na mão. O objetivo é esvaziar a cabeça e encher a taça. Criada em 2009 por 12 sócios fundadores, atuamente conta com 21 membros. São eles: Armidita, Bravado Wines, Bustamante, Clos Andino, Flaherty, Garage Wine Co., Gillmore, I-Wines, Lafken, Lagar de Bezana, Meli, Peumayen, Polkura, Reserva de Caliboro, Rukumilla, Starry Night, Trabun, Tremonte, Tunquen Wines, Villard e Von Siebenthal.

O símbolo do Movi já é uma bela sacada que define um pouco seu caráter iconoclasta e diferenciado: um barril alado. No catálogo que apresenta cada vinícola os enólogos-idealizadores mostram suas criações em fotos descontraídas, o vinho tratado como um objeto alegre e hedonista, feito para dar prazer, e não um ícone  embalado em uma caixa de veludo exibido em um gabinete inglês. Nas fichas técnicas, algumas harmonizações fazem fronteira com a poesia. O Trabun, por exemplo, combina bem com… uma “boa música”, segundo seu enólogo.

O movimento, por ter uma proposta artesanal, independente e de respeito à natureza também tem as suas idiossincrasias. E tome nomes de línguas nativas como mapuche (Rukumilla, significa “seios de ouro”; Polkura, “pedra amarela”; Peumayen “lugar sonhado”) e mapundungun (Lafken, significa “terraço”; Trabun, “lugar de encontro”). Sei não, a despeito de todo simbolismo, me parece que estas línguas nativas só servem para dar um toque de raiz nos rótulos dos vinhos chilenos. Além de exótico para o mercado externo fica bacana no material de apresentação, né não? Trata-se do movimento inverso ao das importadoras que insistem batizar suas empresas com  nome em inglês no Brasil.

Os 21 produtores do Movi juntos engarrafam 40.000 caixas por ano, na média são 2.000 por vinícola, mas há aquelas, mais artesanais, que não passam de 200 caixas. Independência, identidade, vincultura orgânica e conceito de origem, no entanto, tem seu preço: os  rótulos vendidos no Brasil (os que têm representantes) estão na casa dos 100 reais. Ou mais. Não são ampolas para iniciantes, talvez mais indicado para aquele tipo de consumidor que procura o novo, a diversidade, e está em constante busca de sabores diferenciados.

Vinhos Indicado pelo Gerosa (ViG)

O Movi, apesar de independente, está longe de rasgar dinheiro – e rótulos. O marketing da diferenciação é muito eficaz. E  funciona, olha eu aqui escrevendo sobre o grupo e seus vinhos. Como parte da proposta de divulgação é realizado um road-show para apresentar os vinhos aos críticos, especialistas, virtuais importadores, enfim para os homens que cospem vinho – e depois escrevem sobre eles. Na última rodada promovida pela Movi em novembro de 2012 em São Paulo, foram provados 21 rótulos, com uma forte predominância da uva syrah (eram 12 deles, sendo que 4 100% da varietal). Os vinhos indicados pelo Gerosa (ViG) deste painel foram os seguintes:

Vinos Bustamante, Bustamante Mantum 2007 – um assemblage (mistura de várias uvas) com predominância de cabernet sauvignon (65%), carmenère (22%) e com pitadas de syrah (8%) e merlot (5%). Me encantou o bom entrosamento das uvas, de vinhedos centenárias, com um final persistente e elegante, com taninos firmes, um belo estilo Bordeaux chileno, com o auxílio da carmenère, uma uva que na minha opinião é melhor aproveitada em cortes do que em vôo-solo.

Importador: La Charbonnade

Garage Wine Co, Carignan Lot #27 2010 – de vinhedos antigos de mais de 70 anos de idade, esta deliciosa carignan, com 11% de grenache, desce macia, se amplia na boca e tem um ótimo final. Duas curiosidades, o Lot # 27 é uma homenagem à resistência do lavrador do Maule, já que as uvas foram colhidas logo em seguida ao terremoto que devastou o solo chileno. E os cascos são de garrafas recicladas de champanhe.

Importador: Premium

Starry Night, Starry Night 2010 – um puro sangue, 100% syrah. Uma baita cor violeta, toques florais, frutas vermelhas, desce macio e tem na boca uma fruta excepcional com um fundinho herbácio elegante. Talvez o mais surpreendente vinho do painel.

Pena, não tem importador no Brasil. Alguém se habilita?

Patricio Bustamante, Derek Moosman, Villard, Fernando Atabales e Mauro Von Siebenthal e suas criações

Villard, Tanagra 2009 – outro 100% syrah do Valle do Maipo, uma fruta madura e elegantes notas de especiarias. São produzidas apenas 2820 garrafas desta belezura daquela que é considerada a primeira vinícola-boutique do Chile, fundada em 1989.

Importador: Decanter

Von Siebenthal, Cabrantes 2009 – 85% de syrah, escoltada por 10% de cabernet sauvignon e 5% de petit verdot. Tem uma pegada intensa mas com finesse, uma tipicidade chilena com um amentolado sutil. Seus vinhedos ficam colados ao mais conhecido e comercializado Errazuriz e o cultivo é orgânico.

Importador: Terramater

Três curiosidades

Angela Mochi e Marcos Attilio, brasileiros no Movi

O Movi, apesar de defender a autenticidade do solo chileno, não é uma república nacionalista, pelo contrário, é uma espécie de ONU dos vinhateiros no Chile. Há representantes dos Estados Unidos, Suíca, França, Italianos e até mesmo um casal de brasileiros, Angela Mochi e Marcos Attilio, da Tunquen Wines. Até onde eu saiba os únicos brasileiros que se aventuraram a produzir vinho nos Andes. Para completar o ineditismo, arriscaram na uva e apresentaram um malbec chileno do Vale de Casablanca, variedade pouco comum na região. Trata-se do Tuquen 2011 Malbec (sem importador no Brasil). Quem está acostumado aos densos, doces e maduros malbecs pode se surpreender. Aqui a pegada é outra. Por estar numa região mais fria a potência dá lugar a notas mais frescas. Sim, tem aquela violeta característica dos malbecs, mas é mais fresca e sutil. E um toque mineral que mesmo para quem não sabe do que se trata se traduz numa leveza na degustação do vinho. Vale provar, e comparar com um exemplar argentino.

Um dos tintos exibidos é mais conhecido no mercado. E faturou em 2012 o prêmio  do Guia Descorchados, uma das publicações mais conceituadas da América Latina. O Erasmo 2007 (importado pela Franco Suissaa) é um corte bordeaux por excelência e que sempre me agradou ao paladar. Continuou agradando, é classudo, com uma boa madeira integrada à fruta, mas… comparado aos seus colegas de Movi, deixou o encanto um pouco de lado na prova. O que demonstra que a degustação é um exercício que comprova a qualidade – ou não – daquela garrafa e não necessariamente de um determinado vinho.

Foram apresentados neste painel apenas dois exemplares brancos, o Armidita (sem importador no Brasil), um moscatel de caráter mais doce, uma espécie de vinho-arqueologia, pois recupera o branco conhecido como “pajarete”, cultivado pelos monges jesuítas como vinho de misssa. É produzido no Deserto do Atacama, 100% da uva moscatel colhidas e selecionadas a mão. O outro vinho branco, um chardonnay com toques de baunilha e dez meses de barrica francesa (alada?) da I-Wines traz no rótulo um nome que deve trazer alguma dificuldade na indicação nas lojas e restaurantes: Qu Chardonnay 2011 (Berenguer Imports). É inevitável imaginar a ginástica do sommelier na indicação do vinho…

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 13 de outubro de 2011 Sem categoria | 21:45

O último passeio do meu cão

Compartilhe: Twitter

Este não é um texto sobre vinho, mas sobre uma espécie de amizade, de companheirismo – aquele que une um homem e um cão – que de alguma forma se aproxima do tema deste blog que é da relação do homem com o vinho. Peço licença para desviar um pouco o tema, portanto.

Hoje eu levei meu cachorro para seu último passeio. Como sempre fez, agarrou a guia com a boca – mas logo largou pois agora este hábito de anos causava dor e desconforto –, abanou o rabo e aguardou ansioso o movimento de pegar o elevador, descer até a garagem e finalmente sair.

Era seu último passeio pois em seguida caminharíamos, juntos, até a veterinária que lhe aplicaria uma injeção letal para aplacar sua dor. Pupy, este era seu nome, estava com um tumor na boca que tomava todo o lado direito, que comprometia sua mordedura e consequentemente sua alimentação. Ele começava a sofrer com o inchaço, com a dor e a limitação na alimentação.

Eu sabia que era o último passeio, mas obviamente que ele não percebeu isso. Eu até podia fantasiar aqui que de alguma forma ele pressentia que estes eram nossos últimos minutos juntos, mas faltaria com a verdade. Não é assim na vida real. Subimos as escadas da clínica e ele me olhava daquele jeito que olham os cães ao seu dono, de modo cúmplice e de eterno companheirismo. Aquele olhar que nos recebe em casa com uma alegria desmedida, pouco importando se a ausência foi de algumas horas ou de alguns dias.  Aquele olhar que sempre busca uma  recompensa na forma de um passeio pela rua, um alimento, uma bolinha jogada ao longe ou um afago. Pupy me olhava, portanto, como olham todos os cães aos seus donos, aguardando algo de bom de minha parte, sem ter consciência de que em breve daria seu último suspiro.

Pupy era um sobrevivente – e um sedutor. Ele nos escolheu, e não o contrário como geralmente ocorre nesta relação de homens e cães. Morava numa casa que as grades eras largas o suficiente para a passagem de filhotes e a porta de vidro deixava ver sombras do outro lado. Ele estava ali, desprotegido, um pouco maltratado, encostado na porta, procurando abrigo e proteção. Demos água, um carinho e deixamos descansar ali. Permaneceu lá no dia seguinte, fomos deixando e assim nos adotou.

Como tinha sua origem na rua andava sem coleira, ficava solto. Como os cães de rua sabia atravessar e desviar dos carros. Achávamos graça. Até o dia em um automóvel pegou em cheio no meio da rua perto de casa. Com o impacto ele tombou e derramou seu sangue no asfalto. Socorrido pelo motorista que o atropelou e pela minha mulher foi desfalecido para o veterinário. Sobreviveu ao primeiro baque e depois de uns dias voltou para casa. Ganhou sua primeira guia a partir de então.

Sedutor, quando mais jovem pulava alto como um cabrito quando recebia algumas pessoas de quem  gostava, deixava-se acariciar pelas crianças que estudavam em uma escola maternal perto de casa, mas para não negar o folclore tinha alguma cisma com carteiros. Quando eu estava deitado no sofá subia com as duas patas dianteiras no meu corpo, encostava a cabeça no meu colo e às vezes dormia neste posição improvável até que as pernas se desiquilibravam. Companheiro, me seguia onde quer que eu fosse. Por dezesseis anos

Em outro endereço foi atropelado pela segunda vez em frente de casa, quando escapou da garagem e saiu correndo e ninguém conseguiu alcançar. Ficou sumido uns dois, três dias. Procuramos por todo canto e nada. Descobrimos instalado numa casa numa rua próxima. Sobrevivente e sedutor já tinha bacia de água e guarida em seu lar provisório.

Teve outros cães como companheiro mas já idoso deu uma remoçada quando compramos um Boston Terrier para meu filho mais novo. Os cães domésticos como não têm de lutar pela sobrevivência ficam meio infantilizados até quase o fim da vida e Pupy passou a brincar com o filhote como se tivesse a metade da idade. No último ano de vida a idade começou a pesar, passou por cirurgias complicadas mas sempre com uma surpreendente recuperação. Parecia que viveria para sempre. Mas a nova doença chegou.

Eu e o Pupy, os dois de barba: companheiros por 16 anos

O tempo que os cães passam com a gente cria laços e sentimentos que às vezes humanizam um pouco a relação. Sofremos por seus problemas, doenças e principalmente por sua finitude. Aos cães é permitido a decisão da eutanásia, uma solução que por mais dolorida que seja é sempre pensando no bem estar do animal. Egoismo é manter o bichinho vivo, sob medicamento pesado, cirurgias doloridas e qualidade de vida comprometida. A decisão é dura, mas tomamos junto com a veterinária e hoje era o dia. Dei o último passeio e fomos para a clínica

Decidimos ficar ao seu lado até o seu final. Ele estava impaciente, não gostava daquele ambiente que lembrava injeções, caminhava alegre pela sala, abanando o rabo, enquanto aguardávamos a veterinária. Pupy me olhava então com aquele olhos de absoluta confiança, esperando sempre algo de bom de minha parte. E por mais sofrido que fosse esta solução eu tinha certeza que este era o melhor que eu podia fazer por ele: propiciar uma boa morte, um fim sem dor.

A veterinária primeiro aplicou um sedativo. Pupy sentiu os efeitos logo e foi se espalhando pelo chão. Seus olhos ficaram abertos, mas o corpo não obedecia mais seus comandos. Ainda respirava profundo. Foi colocado deitado na mesa de consulta. Um soro foi injetado e em seguida a veterinária anunciou que iria aplicar a injeção. Nos aproximamos, minha mulher e eu, demos um último afago, seus olhos já estavam perdendo o brilho. A agulha atingiu seu corpo. E o Pupy se foi. Foi nosso último gesto de gratidão ao meu companheiro de dezesseis anos.

Autor: Tags:

quinta-feira, 25 de novembro de 2010 Sem categoria | 14:48

Vinho do dia: Aurora Cabernet Sauvignon Reserva 2012

Compartilhe: Twitter

Em poucas palavras: bom, barato e correto

Por que beber: é um cabernet sauvignon de volume de Bento Gonçalves com boa expressão de fruta, madeira na medida e com uma ótima relação custo-benefício.

Quando beber: nas refeições do dia-a-dia, também funciona bem no churrasco no clube. Sua baixa gradação alcóolica permite combinações mais ligeiras. Por que não com um sanduba?

Nariz&boca: você talvez percceba aromas de

pera

Pera

mel

mel

pêssego

péssego

 

Seu Vinho Vine

Ficha

Aurora Reserva Merlot

Aurora Reserva Cabernet Sauvignon

Produtor: Vinícola Aurora (link)

País: Brasil

Região: Bento Gonçalves

Uva: cabernet sauvignon (100%)

Preço: R$ 32,00

ViG 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 (vinho indicado pelo Gerosa)

 

 

 

Autor: Tags: