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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 Entrevista, Espumantes, Nacionais | 10:15

Angelo Salton 1952 – 2009

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O mundo do vinho acordou mais triste nesta terça-feira, dia 10 de fevereiro. Faleceu, a 1 hora desta madrugada, vítima de um infarto agudo, o presidente da Vinícola Salton, Ângelo Salton. Segundo assessoria de imprensa da empresa, há 15 dias o empresário havia feito um check-up geral e nada havia sido constatado. O corpo está sendo velado no cemitério do Araçá e às 16 horas segue para o crematório de Vila Alpina. Ângelo tinha 56 anos e deixa a mulher, Fátima, e quatro filhos.

No último encontro que tive com Ângelo, em um restaurante em São Paulo no final do ano passado, ele esbanjava otimismo e bom humor – uma característica marcante de sua personalidade – e estava cheio de planos para o aniversário de 100 da Salton, que será comemorado em 2010. Seus planos, certamente, terão continuidade na empresa.

Reproduzo abaixo o último texto que publiquei sobre Ângelo e o sucesso dos espumantes Salton na edição de dezembro de Veja São Paulo. Esta é a modesta homenagem deste blog a este guerreiro do vinho nacional.

O senhor das borbulhas

De cada três espumantes abertos no Brasil, dois
são nacionais. E 40% da produção brasileira é
do paulistano Ângelo Salton Neto

Por Roberto Gerosa 19.12.2007

Uma visita ao restaurante Fasano, em 2000, mudou a vida do empresário paulistano Ângelo Salton Neto. Enquanto tentava incluir um de seus rótulos na refinada carta de vinhos da casa, notou que a maioria das mulheres bebia um prosecco italiano durante a refeição. Imediatamente, ligou para o enólogo da Salton, em Bento Goncalves, no Rio Grande do Sul: “Aqui, só se bebe isso. Precisamos fazer o nosso”. Estava com sorte. Em suas propriedades havia 77 hectares cultivados com a uva prosecco, que era usada em outro tipo de vinho. Em três meses, lançou 6 000 garrafas. Um sucesso de público e crítica. De lá para cá, investiu pesado em sua linha de espumantes e, há três anos, chegou à liderança do setor, ultrapassando a Chandon, sua maior concorrente. De cada 100 garrafas de espumantes finos produzidas no Brasil, quarenta saem dos tanques de aço da Vinícola Salton, encravada na região de Tuiuti, vizinha a Bento Gonçalves.”E eu nem sabia que prosecco era o nome da uva”, conta Ângelo.

O bisavô de Ângelo veio para o Brasil em 1878. Saiu da comuna italiana de Cison di Valmarino, na região do Vêneto, próximo a Valdobbiadene, o berço dos melhores proseccos do mundo. Instalou-se na colônia italiana de Dona Isabel, atual Bento Gonçalves. Seus sete filhos fundaram, em 1910, a vinícola que foi batizada com o sobrenome da família. Na década de 40, o pai de Ângelo se mudou para São Paulo. O filho nascido aqui há 55 anos foi criado no prédio da Zona Norte onde atualmente funciona outra empresa do grupo, a Conhaque Presidente (20 milhões de litros vendidos ao ano). “Passei a infância no meio daquelas garrafas”, lembra. Engenheiro mecânico formado pelo Mackenzie, Ângelo largou a carreira para ingressar na companhia em 1976. Desde 1986, está na presidência do grupo, que tem um faturamento previsto de 39 milhões de reais para este ano, só com a linha de espumantes. “As mulheres e as festas são as grandes responsáveis por esse sucesso”, diz.

Ângelo, que cultiva a barba desde os tempos de faculdade, tem um jeito bonachão e um vozeirão que fazem lembrar um pouco o ator Orson Welles em seus últimos filmes. É um vendedor nato. Nas feiras de vinho, serve pessoalmente clientes e curiosos. “Defendo a qualidade do vinho nacional, e peço para comprar o meu, claro.” Atualmente, é respeitado pela crítica especializada e está sempre na mídia – pode ser visto com freqüência no Programa Amaury Jr., da Rede TV!. Até chegar a esse ponto, no entanto, teve de quebrar resistências. Certa vez, para chamar a atenção do jornalista e colunista de vinho da rádio CBN Renato Machado, abriu com estardalhaço um espumante. “Ele reclamou da maneira como a garrafa foi aberta, mas experimentou e aprovou a bebida”, afirma. “Não me lembro desse encontro e não tenho conhecimento dos espumantes da Salton para fazer qualquer comentário”, diz Machado. De olho na renovação dos consumidores, Ângelo aposta no lançamento, em fevereiro do ano que vem, do Prosecco Night, em garrafas de 375 e 750 mililitros. “Quando eu tinha 19 anos, só bebia uísque. Hoje, os jovens gostam de espumante”, afirma ele, que só foi trocar o malte escocês pelas borbulhas depois dos 40.

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009 Saúde | 12:46

Vinho pode prevenir impotência masculina

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Cá entre nós, poucos dos que acompanham esta coluna, e têm o hábito de derrubar algumas taças de vinho por semana, o fazem por recomendação médica. Estudos sobre os benefícios do vinho para a saúde é o que não falta. O colunista de VEJA.com, o endocrinologista Geraldo Medeiros, já abordou o tema com muito propriedade em seus artigos (Vinho emagrece e Qualidades medicinais do vinho ). Mas não é isso que impulsiona seu gosto pela bebida, é?

Vinho X impotência
Se ainda faltava algum argumento “médico” para justificar sua dose diária de vinho seus problemas se acabaram! Pesquisa realizada pela University West Australia, e divulgada pelo site da revista inglesa Decanter, encontrou uma relação entre o consumo moderado e continuado de vinho e baixas taxas da disfunção erétil. 1700 australianos participaram da amostragem e o acompanhamento destas alegres cobaias mostraram que as ocorrências de disfunção erétil prolongadas foram reduzidas de 25% a 35% em consumidores regulares de vinho – uma a 20 taças por semana – quando comparados àqueles pobres infelizes que não tem o hábito de beber.

Vinho + longevidade
Em reportagem de VEJA de 7 de janeirode 2009, sobre longevidade, um quadro mostrava que o consumo moderado de vinho podia acrescentar mais 3 anos de vida. O que dizia a matéria:

O consumo moderado de vinho aumenta as taxas sanguíneas de HDL, o colesterol bom, evitando a formação de trombos que podem levar ao entupimento arterial e, consequentemente, a infartos e derrames. A bebida é rica em flavenóides, substâncias antioxidantes que ajudam no combate aos radicais livres, preservando as células das lesões típicas do envelhecimento.

Vinho & responsabilidade
Mais um vez, não custa lembrar, a chave do sucesso se traduz no binômio moderação e continuidade – a recomendação médica é de duas taças diárias para os homens e uma para as mulheres.

Convencido? Quem disse que coisa boa sempre faz mal? Os benefícios que o vinho proporciona, então: 3 anos a mais no calendário e uma vida sexual mais ativa de bônus.

Na próxima vez que alguém reclamar de seu vinho, pode responder categórico:

“Estou tomando meu remedinho…”

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 Blog do vinho | 22:08

Garrafa cheia eu não quero ver sobrar…

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Crise, que crise? A economia mundial pode até estar indo ladeira abaixo, mas o mundo do vinho parece que marcha em posição contrária. Estudo realizado pela empresa de consultoria International Wine and Spirit Record para a Vinexpo – megafeira anual de Bordeaux para profissionais do ramo –  prevê que o mercado mundial de produção de vinho vai crescer 3,8% entre  2008 e 2012. Já o consumo global terá acréscimo de 6% nos próximos quatro anos.

Os números revelaram algumas curiosidades e mostraram uma tendência de maior participação do novo mundo tanto na produção quanto na beberagem. Rússia e China são os países onde o consumo aumenta mais rapidamente, o que garante o ritmo de crescimento dos últimos – e dos próximos – anos. Os chineses, também grandes produtores, estão caindo de boca nas garrafas de todo o mundo, como o pessoal da foto acima que ilustra esta nota.

O tamanho da sede, no entanto, alterou um pouco o gráfico de consumo de vinho tranquilo no planeta que, até 2012, estima-se, será em torno de 2,8 bilhões de caixas. (Os espumantes não são considerados nesta conta. Mas a previsão das borbulhas é espantosa: um aumento de 12%!).

Em 2007, a Itália tomou o posto da França como maior consumidora, com 299 milhões de caixas negociadas. Já os Estados Unidos se tornarão o número 1 em consumo de tintos e brancos em 2012 – um crescimento de 12%.

Os americanos já são hoje em dia o povo que mais enfia a mão na carteira para comprar vinho, algo próximo a 22 bilhões de dólares. Alguém ainda duvida do poder e da influência de Robert Parker no mercado?

Enquanto isso, no Brasil…

Aqui a crise pegou em cheio o vinho importado. O mercado que nadava de braçada há cinco anos com crescimentos anuais em torno de 27% registrou em 2008 um aumento de apenas 5,81%. Os vilões foram as mudanças tributárias que começaram a incidir sobre a bebida no ano passado e principalmente a crise cambial que chegou a valorizar o dólar em até 45%!

O quadro abaixo mostra o ranking dos países mais importados, sob o critério de volume. A novidade é a ascensão da Itália para o terceiro posto e o consequente rebaixamento de Portugal para a quarta posição. O Chile, como vem se repetindo desde 2001, ocupa o lugar mais alto do pódio, seguido da Argentina.

1º  Chile  34,38%
2º  Argentina  26,54%
3º  Itália  17,91%
4º  Portugal  11,24%
5º  França  4,54%
6º  Espanha  1,82%
7º  Uruguai  1,70%
8º  África do sul 0,58%
9º  Alemanha  0,54%
10º Austrália  0,40%
11º EUA  0,12%
12º Nova Zelândia 0,11%

(Fonte: Adão Augusto A Morellato, International Consulting)


Bem, falando em importados, janeiro é tempo de liquidações nas grandes lojas e importadoras. Vale a pena? Quais os cuidados? E as melhores ofertas? O próximo post será sobre este tema. Preparem os saca-rolhas!

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009 Blog do vinho | 20:02

Luzes, câmera e vinhos

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Ninguém resiste a uma lista – de vinhos baratos, dos melhores espumantes, de livros. No limite, um teste não deixa de ser uma lista, só que de perguntas. Dois leitores, José Eduardo de Souza e Ramón, sugerem que eu enriqueça a coleção de listas deste blog com uma relação de filmes em que o vinho é protagonista, ou pelo menos faça diferença no enredo. Atendendo a pedidos, então, aí vai:

A Festa de Babette (1987)
Surpresas do Coração (1995)
Sideways – Entre Umas e Outras (2004) site oficial
Mondovino (2004) site oficial
Um Bom Ano (2006) site oficial
Ratatouille (2007) site oficial
Estômago (2008) site oficial
Bottle Sock (2008 – ainda não lançado no Brasil) site oficial

Onde está o vinho
Festa de Babette é o filme-fetiche dos amantes da gastronomia. Uma ex-chef de um renomado restaurante francês, que trabalha como faxineira e cozinheira em uma vila na Dinamarca, ganha uma fortuna na loteria  e resolve gastá-la preparando um autêntico jantar francês à comunidade simples onde vive. O ápice da história é o banquete, claro – aliás, aconselha-se a não assistir ao filme de estômago vazio. Desfilam, entre os caprichados  pratos, um Champagne Veuve-Cliquot 1860 e um Clos Vougeot 1845, um especialíssimo tinto da Borgonha. Produção dinamarquesa, levou o Oscar de filme estrangeiro de 1987.

Surpresas do Coração, do diretor americano Lawrence Kasdan, é um romance botritizado, ou seja, com alto teor de açúcar. Mas é uma deliciosa história de encontros e desencontros de um ladrão amante de vinhos (Kevin Kline) e uma americana (Meg Ryan) que é iniciada no  tema por ele. A cena em que Kevin Kline faz um teste com Meg Ryan com um desses estojos que simulam aromas de frutas vermelhas, flores, madeira etc, é uma das mais cativantes do longa-metragem.

Um Bom Ano, de Ridley Scott, foi muito criticado em seu lançamento. Aqueles que pretendiam assistir um filme sobre vinho ficaram decepcionados, os fãs do diretor de Blade Runner, que esperavam mais um filme-cabeça se viram diante de um romance onde o vinho é agente transformador do personagem principal, interpretado por Russell Crowe. Ele é um típico representante do mundo das finanças que é conquistado pelo modo de vida na região de Provence, na França. É um filme descompromissado, leve e frutado, para ser degustado como um rosé da Provence.

No site oficial do filme há um link para um jogo interativo que simula a produção de um vinho em seu próprio vinhedo virtual na França. O resultado é um rótulo com seu nome, algo como Château Gerosa, Cabernet Sauvignon 2000, que pode ser enviado por e-mail para amigos. Divertido…

Ratatouille é aquele desenho mesmo, onde um ratinho (Remy) é o verdadeiro chef, que conduz a caçarolas do ajudante de limpeza Linguini, quando este é promovido a cozinheiro. Faz parte desta lista de filmes & vinhos pela excelência de sua trama, que amplia um tema adulto, da gastronomia, para todas as faixas etárias com uma animação de qualidade e uma ótima história. O vinho entra no enredo com o que a França tem de melhor. Dos  grandes tintos não passam desapercebidos aos olhos e ouvidos dos enófilos: o Château Latour e o Château Cheval Blanc O Latour, um premier cru do Médoc, em Bordeaux, é usado pelo proprietário do restaurante para embebedar o aprendiz de cozinheiro e dele retirar confissões. Linguini, no entanto, fica é chapado pelo vinho. A propósito, a Disney ameaçou lançar um Chardonnay 2004 da Borgonha com Remy no rótulo, mas desistiu da ideia.

Em Estômago, um produção nacional de 2008, os pratos são protagonistas, assim como em Festa de Babette e Ratatouille, mas o vinho é um coadjuvante importante nesta divertida e bem conduzida comédia estrelada pelo ator baiano João Miguel (o presidiário Alecrim). A história se passa em dois tempos: o do aprendizado de Alecrim como cozinheiro – onde ele recebe também as primeiras noções sobre vinho – e do encarceramento do presonagem principal em um presídio, onde ele usa suas habilidades culinárias para sobreviver na cela. Ótima a cena em que Alecrim organiza um banquete para os chefões que mandam na cadeia. Ele inicia os trabalhos abrindo um tinto italiano,  explica para uma plateia impaciente como ele é feito, e ainda tenta convencê-los de sua qualidade, ensinando que o vinho bom pode ter até cheiro de cachorro molhado. E aí quase é linchado (veja trecho abaixo)

Bottle Sock não foi lançado no mercado nacional mas  recebeu péssimas críticas nos Estados Unidos, como a do colunista de vinhos do New York Times, Eric Asimov (leia aqui). Lançado no festival independente de Sundance, é baseado no célebre Julgamento de Paris (leia nota sobre o livro), aquela degustação que contrapôs franceses e americanos, com a vitória destes últimos. Outro filme estava em processo de produção nos EUA, no ano passado, e parece que será mais fiel à obra.

Outra produção que promete atiçar a curiosidade do enófilo cinéfilo é a adaptação do livro O Vinho Mais Caro da História (leia na seção de livros), um thriler por excelência onde vinhos raros e antigos, falsificações e vaidades se misturam a gente famosa e muito dinheiro.

Sideways e Mondovino são os dois filmes da lista em que realmente o vinho é a estrela principal. Sideways levou o Oscar de melhor roteiro adaptado em 2005 e fez explodir as vendas da pinot noir nos Estados Unidos. Mondovino é, por excelência, um documentário sobre vinhos, vinhedos e seus produtores. Polêmico, tendencioso, mas muito instrutivo deve constar na dvteca de todo enófilo.

Sobre estes dois filmes, em especial, escrevi tempos atrás dois textos que reproduzo – com algumas adaptações – nos próximos posts. Acho que continuam válidos e trazem informações que interessam aos leitores desta coluna.

Apaguem a luz, encham a taça e apertem o play: o filme vai começar.!

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Blog do vinho | 20:01

Sideways: a rota e os vinhos

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Entre Umas e Outras é uma viagem pelos vinhedos de Santa Bárbara, na Califórnia, onde os personagens se encontram, se amam e exorcizam seus fracassos em torno de uma garrafa de vinho.

Sideways, Entre Umas e Outras, do diretor Alexander Payne, é uma comédia dramática sobre dois amigos (Miles e Jack) de meia-idade que resolvem passar sete dias percorrendo as vinícolas do Condado de Santa Bárbara, na Califórnia, uma semana antes do casamento de Jack. Ali, entre um gole e outro, como sugere a tradução do título em português, encontram duas mulheres (Maya e Stephanie) que vão alterar os rumos da viagem e mexer com a vida um tanto fracassada dos personagens

O filme usou como locação diversas adegas da região de Santa Bárbara: Foxen, Kalyra, Fess Parker, Firestone e Sanford, esta a primeira parada da dupla (veja lista completa abaixo). O condado de Santa Bárbara ocupa uma longa faixa de terra, nas encostas do Pacífico, entre as cidades de São Francisco e Los Angeles, e é uma região vinícola dos Estados Unidos menos conhecida do que a de Napa Valley ou Sonoma, onde se encontram os rótulos americanos mais consagrados.

Além de conquistar quatro Globos de Ouro e o Oscar de roteiro adaptado, o sucesso de Sideways provocou um crescimento das vendas de pinot noir nos Estados Unidos e um maior interesse dos enoturistas pelo roteiro percorrido pelos personagens.

Os vinhos consumidos na tela, em sua maioria, são produtos desta região, mas há espaço reservado também para fermentados de outros lugares, com destaque para os franceses. Aliás, um dos prazeres que a fita proporciona para os aficionados é o reconhecimento dos rótulos que se sucedem cena a cena. É possível contar pelo menos vinte garrafas sendo esvaziadas ao longo da fita, nem todas identificadas. Das mais conhecidas, como um Cheval-Blanc 1961 e um Richebourg da Domaine de la Romanée-Conti, aos bons exemplares de Santa Bárbara e Sonoma, como Sea Smoke Pinot Noir e o Kistler Pinot Noir, a exibição das garrafas é uma festa para olhos

Em torno do vinho, os personagens se encontram, se amam, exorcizam seus fracassos e exibem seus conhecimentos, como no diálogo travado entre Miles (Paul Giamatti) e Maya (Virginia Madsen) sobre a preferência deste pela variedade pinot noir: "É um tipo de uva difícil de cultivar. Tem a casca fina, é temperamental. Não é resistente como a cabernet, que pode crescer em qualquer lugar, até florescer onde não a cuidam. A pinot precisa de atenção e cuidado constantes". De certa forma, ele recorre às uvas para descrever a si mesmo e à mulher que ouve atentamente seus argumentos.

Pinot noir
Em outro momento, mais descontraído, Miles tenta conquistar Jack para o ritual da degustação com uma detalhada explicação sobre aromas e sabores exibidos em uma garrafa de Pinot Noir Vin Gris. O amigo, ansioso, aguarda o fim da cantilena e vira a taça de uma tacada só, e com uma bala de goma na boca, para decepção do enófilo Miles.

De todas as sequências, porém, a cena que talvez melhor traduza a paixão que certas pessoas dedicam ao vinho é aquela em que Maya racionaliza o prazer que a bebida lhe proporciona. Diz ela: "Eu amo como o vinho continua a evoluir. Como cada vez que eu abro uma garrafa o gosto é diferente daquela que eu tinha aberto outro dia. Porque uma garrafa de vinho é algo realmente vivo — está constantemente evoluindo e ganhando complexidade. É assim, até atingir o auge e começar seu inevitável declínio. E o gosto, acima de tudo, é bom demais". Aos espectadores que comungam esta visão resta alcançar a adega mais próxima após o letreiros finais.

Sideways, Entre Umas e Outras
De Alexander Payne
(Sideways, EUA, 2004)


Os vinhos de Sideways
Confira os rótulos degustados ou apenas citados durante o filme. A seleção dos vinhos seguiu o critério pessoal do diretor Alexander Payne, que escolheu as marcas que mais aprecia beber.

Cheval-Blanc 1961
Château Cheval Blanc, Saint-Émilion, Bordeaux, produzido com uva cabernet franc.  A garrafa é mencionada várias vezes e finalmente bebida no final do filme, em local inusitado (uma lanchonete).
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Tenuta San Guido Sassicaia 1988
Um supertoscano composto de 85% de cabernet sauvignon e 15% de cabernet franc. Citado por Maya como o vinho que a fez despertar o gosto pela bebida.
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Richebourg
Domaine de la Romanée-Conti
Um especialíssimo vinho da Borgonha. Esta garrafa é apenas mostrada, trata-se do rótulo mais caro da adega de Stephanie (um Richbourg 2004 sai por R$ 3.000,00 no Brasil)
Leia entrevista com o produtor Aubert de Villaine

Dominique Laurent Pommard 1998
Outro bom exemplar da Borgonha. Servido durante o jantar no restaurante Los Olivos Caffe

Gaston Huet’s Vouvray
Vinho branco da região do Loire produzido com a uva chenin blanc.
Não é bebido no filme, apenas citado numa discussão de Jack com um Miles embriagado.

Opus One 1995
Premiado vinho californiano, do Napa Valley, associação entre dois monstros sagrados do vinicultura: Robert Mondavi e Rothschild.
É o vinho que Miles relembra ter bebido com a ex-mulher num vinhedo de Santa Bárbara.
Site oficial

Byron Santa Maria Valley Brut Reserve 1992
Espumante feito de 100% pinot noir na região de Byron, em Santa Bárbara. Primeira garrafa aberta no filme. Jack estoura o espumante, ainda quente, durante a viagem no carro.
Site oficial

Highliner Pinot Noir 2001
The Hitching Post, Santa Bárbara.
Degustado no balcão do restaurante de mesmo nome.
Site oficial

Andrew Murray Syrah 2002
Andrew Murray Vineyards, Santa Bárbara.
Maya bebe um gole deste vinho na casa de Stephanie e acusa excesso de álcool, que estaria encobrindo a fruta.
Site oficial

Sea Smoke Pinot Noir 2002
Sea Smoke Cellar, Santa Rita.
Servido durante o jantar no restaurante Los Olivos Caffe
Site oficial

Kistler Pinot Noir 2001
Kistler, Sonoma Valley.
Servido no jantar no restaurante Los Olivos Caffe.
Site oficial

Fiddlehead Sauvignon Blanc 2001
Fiddlehead Cellars, Santa Barbara.
Vinho degustado pela personagem Stephanie.
Site oficial

Melville Vineyards Pinot Noir 2002
Melville Vineyards, Santa Barbara.
Um dos exemplares degustados por Miles e Jack durante o circuito.
Site oficial

Talley Pinot Noir Estate 2002
Talley Vineyards, Santa Bárbara.
Outro vinho provado pela dupla.
Site oficial

Pinot Noir Vin Gris, Pinot Noir e Chardonnay 2001
Sanford Winery, Santa Bárbara.
Primeira parada da dupla, onde Miles tenta ensinar ao  amigo Jack as técnicas de degustação.
Site oficial

Cabernet Franc Kalyra
Kalyra Wi
nes, Santa Bárbara.
Miles critica o vinho, numa degustação desta adega, onde é servido por Stephanie, que concorda com sua avaliação.
Site oficial


As vinícolas que aparecem no filme
(Clique nos nomes para acessar o site oficial)

Byron 
Hicthin Post
Sea Smoke

Fidellereas
Foxen Winery
Andrey Murrey
Sanford
Firestone
Kalyra Winery

Fess Parker Winery

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Blog do vinho | 20:00

Mondocane

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Em Mondovino o diretor Jonathan Nossiter traça um painel onde os grandes produtores são mostrados como vilões e os defensores do terroir tratados como heróis de um mundo cão: o dos negócios do vinho.

Para o diretor Jonathan Nossiter, o documentário Mondovino, disponível em DVD, é uma declaração de amor ao vinho. Enólogo formado em Nova York, o diretor americano, que cresceu entre a França, a Itália e a Índia, entende do assunto e montou um extenso painel onde o personagem principal quase não aparece. Curioso. Fala-se muito de vinho nos longos 131 minutos de fita principal, bebe-se pouco, porém, durante o filme.

Nossiter rodou três continentes entrevistando vinicultores, enólogos, críticos e negociantes tendo como pano de fundo a tentativa da poderosa e tradicional família Mondavi (um dos vilões do filme), dos Estados Unidos, adquirir terras do vinicultor Aimé Guibert (um dos heróis), na região de Languedoc, na França. É assim, basicamente que o filme é montado. Alternando depoimentos de personagens da grande indústria com o de vinicultores que defendem um método mais tradicional e puro de vinificação e produção desta bebida ancestral — os chamados defensores do vinho de terroir.

E o recado é claro. A globalização está uniformizando o gosto da bebida ao padrão americano de consumo. E assim como os gauleses da história em quadrinhos não permitiram se dominar pelo império romano, vinicultores tradicionais, não por acaso franceses, resistem a esta padronização que estaria matando a diversidade e a tipicidade deste suco de uva fermentado. O mundo do vinho — como todo grande negócio — é um mundo cão. Nossiter, com sua câmera trêmula, assume então o papel de Asterix na defesa rótulos de produtor e usa a montagem como artilharia nessa guerra. A edição, um tanto maniqueísta, reduz a abordagem e a discussão do tema. De um lado estão os bons; do outro, os maus. Não há meio termo. É tudo tinto ou branco, não há espaço para o rosé.

Batalha dos vinhedos
Os produtores que encaram o vinho como um negócio — o que inegavelmente é — são mostrados como os responsáveis por uma tragédia nas vinhas. Aqueles que pregam um respeito ao terroir, ao tempo que o vinho necessita para revelar seu potencial e outras regras que não atendem o imediatismo de consumo atual, são os defensores da pureza. "A Borgonha é o campo de batalha com a resistência de um lado e os colaboracionistas de outro", comenta um personagem do filme comparando a II Guerra a uma virtual "Batalha dos Vinhedos".

Nossiter sabe como ninguém arrancar de seus entrevistados frases reveladoras. A família Frescobaldi tem saudades dos tempos do Mussolini. Os Etchart, produtores do Yacochuya, são preconceituosos com os descendentes de índios argentinos ("são preguiçosos"). Roberto Mondavi (morto em 2008) é arrogante a ponto de declarar que "Daqui a dez, quinze gerações, seria ótimo ver nossos herdeiros produzindo vinho em outros planetas." E, por fim, o consultor de mais de 100 vinícolas ao redor do mundo, Michel Rolland, ri sem parar nas entrevistas e receita a toda adega que presta consultoria um único conselho: "Tem de micro-oxigenar o vinho". Os personagens falam por si. Não era necessário apresentar os grandes produtores — responsáveis aliás pela popularização e elevação da qualidade do vinho ao redor do mundo — como vilões em enquadramentos mais duros, closes que deformam as imagens e cenas de assessores de imprensa servis, ambientes suntuosos com grades barrando a entrada da reportagem. Visivelmente há uma forma de filmar o establishment do vinho e outra, mais suave, ensolarada, para registrar a imagem do pequenos ou tradicionais vinicultores da Borgonha, da Sardenha ou mesmo no Vale do Rio São Francisco, no Brasil.

Diálogo revelador
Um pena que seja assim. Em um dos melhores momentos do documentário, Hubert De Montille, proprietário de vinhedos em Volnay e Pommard, na Borgonha, e sua filha, Alix, que na ocasião trabalhava como vinicultora na casa Ropiteau, subsidiária do gigante da Borgonha Jean-Charles Boisset, travam um diálogo que sintetiza as ideias defendidas pela edição do documentário, mas sem maniqueísmo. Dispensando o recurso de confrontar dois universos opostos, o que aflora é um conflito familiar que se desenrola diante do espectador até o ponto de a filha admitir que os valores que ela acredita não são respeitados e que vai deixar a empresa:

Alix: "Os vinhos corrompidos nos iludem."
Hubert: "São vinhos traiçoeiros."
Alix: "São vinhos que iludem."
Hubert: "Eles nos iludem. E logo nos deixam na mão."
Alix: "A verdade é que são vinhos ‘traidores’."
Hubert: "Mas o mundo moderno está habituado a isso. Este mundo gosta de ser enganado."

Se a intenção do documentário era provocar a discussão entre a parcela da plateia que entende do que se trata aquela conversa toda, o objetivo é cumprido. Mondovino ficará para a história como um filme mais comentado do que visto, principalmente entre os enófilos, e em espaços como este, dedicados ao vinho. Um espectador menos avisado, porém, corre o risco de sair da sala de cinema com a impressão de que um Rothschild, um Mondavi, ou qualquer vinho elaborado pelo consultor Michel Rolland ou indicado pelo crítico Robert Parker deva ser evitado. Aí mora o perigo. O filme mirar um alvo e acertar outro.

Mondovino
Direção: Jonathan Nossiter
(Mondovino, Argentina/Itália/França/EUA, 2004).



FRASES

Nossiter tem um dom inquestionável, seus personagens revelam o que têm de melhor — e de pior — frente às câmeras. Aqui uma seleção de boas tiradas de Mondovino:

“Queremos iniciar uma dinastia. Daqui a dez, quinze gerações, seria ótimo ver nossos herdeiros produzindo vinho em outros planetas. Seria divertido: ‘Scott, teletransporte um vinho de Marte para mim.’”
Michel Mondavi, Robert Mondavi (Napa, Califórnia, EUA)

“O vinho morreu. Sejamos claros, o vinho está morto.”
“Hoje em dia temos os enólogos no lugar dos poetas”
Aimé Guibert, Daumas Gussac, Languedoc

“Borgonha é o campo de batalha com a resistência de um lado e os colaboracionistas de outro”
Hubert De Montille, Volnay, Borgonha

“Neste sistema de vinhos divido em castas estratificadas, dominadas por elites e reacionários, Robert Parker trouxe a mentalidade americana, um ponto de vista democrático.”
Robert Parker, crítico de vinhos

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009 Blog do vinho | 01:10

Para de procurar pelo em pera!

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Os dicionários acordaram diferentes neste primeiro de janeiro. Pelo menos é o que estabelece o novo acordo ortográfico firmado entre os países de língua portuguesa. Os corretores ortográficos do Word, no entanto, insistem em colocar acento nas minhas ideias. Aí eu tenho de retornar o cursor e num gesto heroico eliminar o sinal gráfico do palavra e também da minha memória. Nem sempre a tecnologia acompanha a velocidade das leis ou a adequação das regras gramaticais. Muito menos nossa autoestima está preparada para mudanças de hábito, ou pior, de regras.

E o que a falta do trema, a sublimação de uma acento agudo e a alteração do hífen têm (este circunflexo aqui permanece) a ver com o tema desta coluna? No campo das ideias, a guilhotina que ceifa  um acento pode ser comparada às mudanças registradas nas vinícolas e regiões produtoras. A reação e o mal-estar podem ser semelhantes.

Qual a consequência?
No mundo do vinho as legislações e conceitos sofrem constantes mudanças, sempre sob severas críticas. Olha lá a região de Champgne alargando fronteiras para atender mercado consumidor, a denominação de Chianti querendo quebrar a rigidez quanto ao uso de uvas autócnes, e mesmo novos produtores de Bordeaux tentando oxigenar a pesada herança histórica que legisla sobre seus caldos e rótulos, só para ficar em alguns casos.

Já os gramáticos, também eles, creem que a reforma dos acentos tônicos e agudos podem intensificar a integração dos povos lusófonos, a melhorar a qualidade da escrita, enfim a cumprir o papel de evolução que é próprio das línguas falada e escrita.

Não se discute a razão, mas o processo: os vinhos, assim como a língua, são elementos vivos, sua evolução é natural e necessária para o seu desenvolvimento, crescimento e mesmo permanência.

E qual a consequência das mudanças, afinal? Nós que brindamos e elegemos safras atuais não nos damos conta das alterações que alguns vinhos sofreram em sua linha do tempo, e provavelmente estranharíamos seu paladar se os vinhos não mudassem com o passar dos anos. Como se sabe, os espumantes eram mais doces, os tintos mais ralos, e por aí vai. Da mesma maneira, não percebemos, nem lamentamos, o fim do “ph” de pharmácia.

Noves fora, não adianta procurar pelo em pera!
Não se convenceu, certo? Você é contrário a qualquer mudança? Daquele tipo antissocial mal-humorado que blasfema contra as inovações da vida? Fique tranquilo. A espinha dorsal é  preservada, tanto no mundo dos fermentados de uva, onde a tradição é guardiã da identidade de uma região ou tipo de vinho, como no da língua portuguesa. O novo modifica o velho, mas sem alterar seu DNA.

E não adianta se rebelar, os novos estilos de vinho vão surgir, a língua sofrerá outra modificação em algum período de sua vida e, querendo ou não, a partir de hoje você é um sujeito antissocial com dois esses e um mal-humorado com hífen! Relaxe e para (do verbo) de procurar pelo em pera! (o ditado é pelo em ovo, mas, para o propósito deste texto, não é uma solução. Ovo já perdeu o circunflexo em canetada anterior…)

> Leia maisReforma ortográfica: as novas regras e um teste para você ver se está preparado

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008 Degustação, Espumantes, Nacionais | 21:01

Rankings dos espumantes nacionais. Existe o melhor?

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Festas de fim de ano. Chegou a hora de escolher um espumante para as comemorações. As prateleiras de supermercados e de lojas especializadas se enchem de ofertas que vão do mais exclusivo champanhe francês ao mais ordinário prosecco italiano.

A dica deste blog é ficar no meio do caminho, e optar pelos ótimos espumantes nacionais. O preço é acessível e no quesito qualidade a produção tupiniquim de vinho com borbulhas só perde em número de medalhas em concursos internacionais para os franceses.

O que escolher?
Dois rankings recentes realizados pelas revistas Veja São Paulo e Playboy podem ajudar na escolha. Trata-se de um painel do que há de melhor no mercado, avaliado por gente que entende de uva que vira álcool e concentra espuma. As garrafas foram adquiridas em lojas, e não enviadas pelas vinícolas, o que garante a lisura no processo e torna o resultado um serviço para os leitores. Veja o resultado na tabela abaixo. (Se isso é alguma referência para os leitores, eu mesmo já tratei de comprar umas caixas de uma dessas marcas abaixo para meu réveillon)

Degustadores iguais, resultados diferentes
A avaliação e a classificação diferem no resultado, como pode-se comparar. O curioso desta prova é exatamente esta divergência. São poucas coincidências, como o da marca Chandon, na segunda colocação – Chandon é sempre um clássico e, cá entre nós, mantém um estilo que a maioria dos degustadores conhece e aprova. Também bateu na nona posição do ranking a menos divulgada De Gréville.

A falta de consenso é sinal de fraqueza ou uma virtude? Alguns leitores podem até questionar a validade destas provas, afinal dois dos degustadores participaram de ambas as provas, a sommelière Alexandra Corvo e o  sommelier Manoel Beato. Mas na realidade esta variedade é a prova de que a degustação não é uma ciência exata e que vários fatores influenciam o gosto. Para mim, a cruzinha vai para a opção virtude.

Qual é o melhor, afinal?
Alexandra Corvo dá sua explicação para a divergência das escolhas: “O que existe é cada garrafa”, sintetiza, e humaniza a discussão complementando “nós mesmos temos bem mais variações de humor do que os vinhos”.  Eu acrescentaria que as avaliações não elegem os melhores vinhos disso ou daquilo, mas sim as melhores garrafas disponíveis naquele painel e naquelas condições. Trata-se de um consenso entre vários cidadãos com alguma experiência, conhecimento e boa “litragem” entre tintos, brancos, espumantes e doces. Encare como uma boa referência. O resultado é uma lista que pode, sim, ajudar, mas jamais ser a palavra final sobre uma opção que afinal é definida pelo gosto de cada um.

E você, é  influenciado pelos rankings na escolha de sua bebida?

Leia também: Deu zebra no ranking da Playboy

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008 Espumantes, Nacionais | 18:29

Férias, praia e espumante fresco

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Areia, água salgada, piscinas de variados formatos, sol a pino. No serviço, o pessoal sempre muito disposto da recreação, o inevitável axé, aquele casal que você conheceu há duas horas e já virou amigo de infância. Na seção de comes e bebes, uma oferta infinita de bebidas nacionais e importadas. O garçom sempre disposto a verter álcool em quantidades industriais em seu copo. Sorria, você está na Bahia! Mais precisamente, num desses hotelzões onde a comilança e a beberagem estão incluídas na tarifa.

Para quem gosta realmente de vinho, no entanto, não é lá o melhor programa. A qualidade deixa muito a desejar (os tais vinhos importados prometidos nos folhetos, creio que foram, na verdade, deportados de tão ruins), o tinto, obviamente vem quente, e o espumante em copo americano de plástico. Mas ninguém espera uma carta de vinhos selecionada em um esquema semelhante, num quiosque de praia de luxo, certo? E nem todo programa precisa ter vinho. São férias, afinal… bebe-se sem compromisso.

Vinho combina com praia?

Borbulhas – Sim, principalmente se for um espumante. Taí um trabalho que as vinícolas brasileiras deveriam investir mais esforço, marketing e conquistar um espaço que está aberto. Pela manhã, para abrir os serviços, é muito bom. Já experimentou? Meninos, eu vi! Como estava acessível e na temperatura certa, muita gente trocava – ou mesmo intercalava!!! – uma taça de espumante com uma tulipa de chope. É simples. Basta ter a oferta e, principalmente, quebrar a afetação da bebida para torná-la mais uma opção na praia – e não uma alternativa “chique e diferenciada”. Feito isso, meio caminho está andado.

Brancos – Também, mas os mais leves, ligeiros, frutados, um sauvignon blanc, um viognier, um gerwustraminer. Dos italianos um pinot grigio ou um fiano, o português alvarinho, ou sua versão espanhola albariño, e ainda da península ibérica o macabeo. As opções são várias. Mas me parece que a real vocação da praia é mesmo dos espumantes.

Rosés – Claro, são ok. Leves, frutados, frescos. Não é à toa que são perfeitos com comida mediterrânea. Mas, Houston,  temos problemas. Primeiro: raramente há oferta disponível, mesmo com a recente onda em torno da bebida. Segundo, há muito rosé ruim por aí. Terceiro, tem muito preconceito em torno da bebida. Muito trabalho, não? Mas tendo oportunidade, é uma delícia.

Tintos – Não acho o ideal. Mas tem muita gente que não se importa. Mas creio que, sinceramente, vinho não é para toda ocasião. Na praia, na refeição, um tinto mais ligeiro, num ambiente mais refrigerado, ok. Ou como eu já testemunhei também no Nordeste: com gelo. Maior heresia não existe no planeta vinho, né não?

Vodca (ou chachaça), fruta, açúcar e gelo – De dia, pé na areia ou na beira da piscina, um espumante, de vez em quando, até vai bem. Quem sabe até um branco ou um rosé com os petiscos. Mas não há nada igual a uma caipirinha e uma espreguiçadeira. Sem preconceito, sem restrições. O importante é ser feliz. São férias.

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008 Brancos, Novo Mundo, Velho Mundo | 23:29

Brancos, bons e nem sempre baratos

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Para quem me acompanha aqui, desculpe a demora. Um certo André até resolveu perguntar se o colunista estava vivo. No post anterior (ali embaixo), a idéia era mostrar que as uvas de pele mais clara, quando fermentadas e transformadas em álcool, são capazes de produzir pérolas líquidas. Os leitores deste blog, na sua maioria, concordaram com o autor e até enviaram suas sugestões.

Agora resta cumprir a promessa e sugerir algumas garrafas que merecem ser desarrolhadas – ou desrosqueadas. Explico. Muitos dos vinhos brancos contemporâneos usam tampas de rosca, algo que é perfeitamente normal, seguro e recomendado para bebidas mais frescas, que não têm pretensão de evoluir na garrafa. Acredite, há grandes rótulos com tampas de rosca, isso não deve limitar seu processo de escolha.

Antes das sugestões, uma constatação: a oferta de brancos é infinitamente menor que a de tintos. Entre numa loja de vinhos ou no corredor de bebidas do supermercado e repare: a minoria branca está relegada a um cantinho de menor exposição. Nas cartas dos restaurantes, a lista de brancos costuma ser minimalista, o que empurra o cidadão na escolha de um tinto mesmo. Resultado: pouca variedade resulta em preço nem sempre atraente. O que justifica o “nem sempre” do título. Há brancos de preço bastante acessível, claro, mas é mais fácil achar uma variedade maior de tintos bons e baratos do que dos brancos da mesma categoria de preço.

Para facilitar um pouco a vida, a lista está dividia por tipo de uva, um argumento bastante “novo mundo”, mas de fácil assimilação e organização. Afinal, estamos aonde? Predominam, é claro, os chilenos e argentinos das uvas sauvignon blanc e chardonnay. A relação não tem a pretensão de apontar os melhores brancos do planeta, muito menos disponíveis no mercado. São 30 dicas com um único critério: de já ter passado pela minha taça. Espero que a extensa lista compense a longa espera.

SAUVIGNON BLANC

Viña Errazuriz – Reserva Sauvignon Blanc 2007
Vale de Casablanca, Chile – R$ 47,02
2007 foi uma boa safra na região de Casablanca. O Errazuriz tem uma linha de grande qualidade, este sauvignon blanc é um vinho fresco, com maracujá perceptível até para quem acha que sentir aroma em vinho é uma afetação de enófilo desocupado.

Boekenhoutskloof – Porcupine Ridge Sauvignon Blanc 2006
Franscchhoeck, África do Sul – R$ 42,78
O porco-espinho do rótulo, ainda bem, não solta dardos afiados, mas sim uma lima no nariz que convida um gole, e fecha o ciclo com o cítrico de volta à boca. Muito bem avaliado pela crítica internacional. Um prêmio para quem conseguir soletrar o nome do produtor e da região onde é elaborado depois de derrubar uma garrafa.

William Cole – Alto Vuelo Sauvignon Blanc 2005
Vale de Casablanca, Chile – R$ 49,00
No Vale de Casablanca são produzidos os mais refrescantes e bem-feitos brancos do Chile. A influência das correntes marítimas do Oceano Pacífico e as médias de temperatura mais baixas são ideais para maturação das uvas brancas. É dali que chega este sauvignon blanc que é puro maracujá, de ótima acidez e delicioso de beber. Um dos meus prediletos.

Domaines Barons Rothschild – Los Vascos Sauvignon Blanc 2007
Casablanca, Chile – R$ 55,00
A empresa é controlada por Domaines Barons Rothschild (Lafite) e busca um perfil mais francês em seus rótulos. Há, por exemplo, uma preocupação permanente com o teor alcoólico de seus vinhos. Este aqui tem boa fruta, frescor e persistência média. Um toque cítrico que agrada, cor bem clarinha. Um bom vinho de aperitivo e para pratos mais leves. Anyway, quem não tem Lafite francês, caça com chileno.

Pascal Jolivet – Attitude Sauvignon Blanc 2006
Loire, França – R$ 72,13
A região do Loire é conhecida por produzir ótimos brancos e com preços mais acessíveis (acessível para vinho francês, fique bem entendido). Taí um exemplo para começar explorar este lado menos conhecido da França. Um vinho do velho mundo de estilo mais moderno, 100% sauvignon blanc, intenso e profundo e com um perfume de flores brancas muito atraente.

Sileni Estates – Cellar Selection 2007
Marlbororough, Nova Zelândia – R$ 73,43
Os críticos Hugh Jonson e Jancis Robinson compartilham muitas opiniões sobre o mundo do vinho. Uma delas é a vocação da Nova Zelândia na construção de brancos da uva sauvignon blanc com  caráter e tipicidade. A fruta expressiva, a longa persistência de aromas e o sabor que preenche a boca entregam neste vinho as características que os mestres ingleses identificam na região.

Quartz “Lês Cailloux du Paradis” 2004
Loire, França – R$ 134,00
O hedonista Ed Motta sabe das coisas. Ele me apresentou esta jóia, da linha orgânica – vinhos naturais que dispensam defensivos agrícolas e outros truques tecnológicos. Este pequeno vinhedo do Loire de 13 hectares traz para a garrafa uma bebida de uma mineral idade cortante e, aposto, muito diferente de qualquer sauvignon que você já provou. Muito longo. Como diria o Ed, de chorar

Casa Marin – Cipreses Sauvignon Blanc 2006
San Antonio, Chile – R$ 160,00
Premiadíssimo sauvignon da também elogiadíssima enóloga María Luz Marín. No nariz e na boca é superlativo em frutas tropicais. O final é longo, muito longo. Daqueles vinhos que o prazer aromáticos é tão grande quanto o gustativo. Recebeu a menção como o melhor sauvignon blanc do Chile no guia local Descorchados. Cobra caro pela fama…

CHARDONNAY

Salton – Volpi Chardonnay 2006
Serra Gaúcha, Brasil – R$ 24,00
A série que tem as bandeirinhas de Volpi no rótulo, e dá o nome ao vinho, indica um produto de maior qualidade da gaúcha Salton. É bastante agradável, com alguma tipicidade, fresco e com uma madeira bem integrada. Um ligeiro toque amanteigado no final da boca é percebido. Tomei recentemente, depois de muito tempo sem provar, e me surpreendeu. O preço é um enorme atrativo. A Salton promete retomar a produção de outros brancos da linha Volpi. Recentemente colocou nas gôndolas o sauvignon blanc e pretende relançar o gerwustreminer. Bom que a indústria nacional se volta também para os brancos.

La Roche – Punto Nino
Casablanca, Chile – R$ 44,00
Na Borgonha, La Roche é chamadode o Rei de Chablis. Pois os franceses instalaram-se em Casablanca (olha aí a região de novo) para produzir um chardonnay com o mesmo estilo gaulês, mas com tempero chileno. Se tomados lado a lado, um La Roche francês e outro chileno, as diferenças saltam ao nariz e na boca. O preço salta no bolso: R$ 44,00 X R$ 90,00.  Mas os pilares dos brancos elegantes produzidos em Chablis são preservados: o frescor, a acidez bem dosada, uma certa alegria. O rótulo idêntico reforça esta identidade da marca.

Santa Helena – Selección del Directório Chardonnay
Casablanca, Chile – R$ 44,10
Um chardonnay bem feito da gigante Santa Helena que, preconceitos à parte, têm brancos e tintos de todos os naipes, como este chardonnay de boa estrutura, toques de baunilha e manteiga e envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho.

Rutini – Rutini Chardonay 2006
Mendoza, Argentina – R$ 66,00
Outro chardonnay que passa por madeira – 30% de primeiro ano e 70% de segundo uso -, mas não é dominado por ela. As frutas tropicais estão bem presentes –  tem um abacaxi inconfundível – e a boa acidez se mescla com aquele amanteigado típico da fermentação malolática e da batonagem (explicação irritante: a malolática transforma o ácido málico em lático, a batonagem mantém as leveduras em contato com o suco, ambas acabam desenvolvendo no vinho esta sensação untuosa e amanteigada que a barrica potencializa). Muito técnico? Seguinte, o vinho tem caráter mas não é enjoativo.

Villa Francioni Chardonnay 2006
Bom Retiro, Santa Catarina – R$ 66,00
Este representante verde-amarelo de Santa Catarina tem um espírito mais pugilista, de ataque. É mais indicado para quem gosta de chardonnay opulento, com um tostado que explode no nariz e na boca, um toque de amêndoas, mas com uma acidez adequada. Seu enólogo, Bettú, passa uma mensagem clara. Trata-se de um chardonnay para quem gosta de branco com madeira. Na minha modesta opinião, um dos melhores chardonnay elaborados por aqui.

Albert Bichot Vielles Vignes 2005
Chablis, Borgonha – França – R$ 69,00
Já que se falou aqui de Chablis, um original merece ser degustado. Este é da linha mais básica, 20% do vinho passa por carvalho. Não é exuberante, mas tem uma cremosidade perceptível e ótima acidez e toque cítrico. A somellière Alexandre Corvo, que nos brinda vez ou outra com seus comentários, também já recomendou em seu blog.

Eduardo Chadwick – Arboleda Chardonnay 2005
Vale de Casablanca, Chile – R$ 75,00
Chadwick divide seus vinhedos em 90% de tintos e 9% de brancos. Nem por isso trata mal suas uvas que não são tintas.  O estilo é mais parrudo, amadeirado, com aquela cremosidade um pouco amanteigada na boca, uma característica bem de chardonnay do novo mundo, elaborado por um produtor que prima pela qualidade de seus rótulos.

Maycas del Limari Chardonnay Reserve Especial 2006
Vale del Limari, Chile – R$ 96,00
Marcelo Papa  é um dos craques da enologia chilena, da poderosa e onipresente Concha y Toro. É dele o sempre bom cabernet sauvignon (ops!) Marques da Casa Concha. Aqui a ubervinícola tem um empreendimento com outro nome (Maycas del Limari) e proposta: apostar em vinhos de alta gama e para um público mais conhecedor. A origem é de uma região pouco explorada no Chile, o Vale do Limari. Trata-se de um chardonnay de fato diferente: muito fresco e mineral, aromas de maçã verde presentes. O toque fumê, muito agradável, vem do contato com as borras, já que não passa por madeira.

Catena Zapata – Catena Alta Chardonnay 2005
Mendoza, Argentina –  R$ 103,45
Catena é sempre Catena. O produtor que revolucionou o vinho argentino produz um chardonnay de alta estirpe, mais sério, cremoso, passeia pela boca antes de descer redondo e macio pela garganta. É longo e sedutor e mereceu pontuação acima de 90 pontos do Roberto Parker. Alguém se importa?  Olha, eu juro que nunca é determinante, mas chama a atenção.

Viña Aquitania Sol del Sol  2005
Traiguén, Chile – R$ 147,00
Sempre citado pela crítica como um dos mellhores chardonnay do Chile, trata-se, de fato, de um dos mellhores e mais elegantes chardonnay do Chile. Eu tive o privilégio de provar várias safras (no jargão, dá-se o nome de degustação vertical) deste excepcional vinho e a evolução do bicho é para calar a boca de quem diz que branco não envelhece bem, ainda mais do novo mundo. Mais ainda, a elegância, aquela característica que nasce com o vinhedo – da mesma maneira que nasce com algumas pessoas – faz este Sol brilhar mais forte na taça. Fácil negociar com o bolso alheio, mas vale um investimento maior.

Monteviejo – Lindaflor Chardonnay 2006
Mendoza, Argentina R$ 183,00
Este branco carnudo, encorpado e com fruta explosiva, um abacaxi em calda, cai bem ao gosto do consumidor nacional. O final é bem prolongado, mas não é exatamente pelo lado da elegância, mas da potência. O vinho é parte de projeto Clos de Los Siete, do renomado e controverso Michel Rolland. Precinho assusta um pouco, né não?

Pierre-Andre, Mersault 1Er Cru lês Charmes 2005
Borgonha, França R$ 742,00 (uau!)
Bom, aqui a coisa é de gente grande. O tipo do branco que deve fechar uma refeição, em vez de abri-la. Para ocasiões especialíssimas, aquele jantar apaixonado ou então com o seu amigo rico… enfim. O 1er cru da região de Mersault, localizado a 8 quilômetros de Beaune, é um chardonnay untuoso, encorpado mas extremamente sedoso. Os aromas vão do pêssego às nozes. É pura expressão de seu terroir, de seu solo argiloso. Um mersault com um leitãozinho é o caminho para o paraíso…

CASTAS PORTUGUESAS

Borba Antão Vaz & Arinto 2005
Alentejo, Portugal – R$ 31,00
Também já citei este vinho antes. A mistura dessas duas castas típicas portuguesas resulta num branco de aromas cítricos, boa estrutura e com toques de baunilha. O caldo é fermentado em barricas de carvalho. Há sempre uma boa discussão sobre qual a melhor harmonização com o bacalhau. Eu, por exemplo, prefiro brancos mais estruturados. Em Portugal os tintos têm a preferência. Provei este Borba com um bacalhau grelhado, em meio a tintos muito mais caros e famosos, e este se encaixou melhor no meu radar de harmonização. Quando soube do preço, então, a felicidade foi maior.

Qualimpor – Esporão Reserva
Alentejo, Portugal – R$ 87,50
Este alentejano de corpo e alma é um típico branco de regiões mais quentes. Untuoso, intenso, de pegada mais encorpada, é uma mistura das uvas brancas nativas antão vaz, roupeiro e arinto. Quando penso em bacalhau, é um dos primeiros rótulos que me ocorrem, até por que é fácil de encontrar em lojas. O vinho de cima á mais difícil de encontrar… Foi citado pelo leitor Luiz Garcia como estupendo. Estamos juntos nessa, Garcia! Estágio de seis meses em barricas de carvalho americano. Tem aroma frutado com notas de madeira, ananás, pêssego e baunilha.

FP Ensaios Branco
Beiras, Potugal – R$ 46,20
A genética pode não explicar tudo, mas com certeza deu uma mão aqui. Filipa Pato é filha de Luiz Pato, mas trilha seu caminho com independência e, principalmente, competência. De sua palheta de uvas autóctones (aquelas que são nativas de uma região ou país) Filipa extrai vinhos que são parceiros para a comida. Neste Ensaios 2005, o arinto dá o frescor e o bical é responsável pela cremosidade que envolve a boca.

RIESLING

Cono Sur Bicicleta Riesling 2006
Bio-Bio, Chile – R$ 23,80
Olha a Cono Sur aí de novo, gente! Não há muito como evitar, seus vinhos de base são bem-feitos e o preço é imbatível. Entra sempre na minha lista. A Cono Sur é uma perna do gigante Concha y Toro chileno. Trata-se de um riesling básico, mas já com as características da uva  presentes no nariz e na boca, sempre aquele toque um pouco mineral dizendo “presente”! Na temperatura adequada (de 10 a 12º) vai bem com um peixinho leve.

Selbach-Oster Riesling QbA Troken
2007

Mosel, Alemanha – R$ 79,40
A riesling, como escrevi antes, revela todo seu potencial na Alemanha e na Alsácia (França). As garrafas de gargalo alongado da Selbach-Oster acondicionam brancos de grande acidez, mineralidade à flor da pele e, neste caso aqui, bom preço. Para recuperar a imagem do vinho branco alemão sem gastar muito.

Petaluma Riesling Clare Valley 2005
Clare Valley, Austrália – R$ 118,00
A Austrália também vem fazendo sucesso nos brancos de alta gama. Este aqui tem sabor amplo com as notas minerais típicas dessa cepa notável, concentrado e longo, atraente acidez e longa persistência. É um vinho que equilibra pureza e fruta. Aromas de boa complexidade, em especial o toque de petróleo, querosene, típicos da cepa.

OUTRAS CASTAS

TORRONTÉS
Colomé – Torrontés 2007
Salta, Argentina R$ 38,00
O proprietário da Colomé é um suíço. A torrontés, junto à malbec, é considerada uma casta emblemática da Argentina. A combinação, no entanto, deu certo. As parreiras ficam próximas à Cordilheira dos Andes, neste que é considerado um dos mais altos vinhedos do mundo (entre 2200 e 3015 metros). Assim como a Gewurztraminer (leia abaixo), a torrontés é puro perfume, o caldo denso às vezes tem um perfil até meio doce. Servida na temperatura correta é uma bela maneira de abrir os trabalhos.

GEWURZTRAMINER
Cordilheira de Santanna – Reserva Especial ,Gewurztraminer 2004
Campanha, Brasil – R$ 42,00
Outra dica de leitor, desta vez do Marco Aurélio, que compartilho. A gewurztraminer é uma cepa muito floral, tem aroma de pétalas de rosas mesmo, que não é do agrado de todo mundo. Mas é muito agradável de beber. Esta experiência bem realizada do casal de enólogos Rosana Wagner e Gladistão Omizzolo na região da Campanha rendeu apenas 6.700 garrafas. Uma pode ser sua e aí você avalia se concorda comigo e com o Marco Aurélio.

FURMINT
Oremus – Tokaji Furmint Mandolás 2005
Oremus, Hungria – R$ 79,40
A Hungria não é só vinho branco doce, os famosos tokay. Também produz brancos secos de muito estilo e personalidade. É o caso deste aqui, que uva a uva furmint que é ao mesmo tempo encorpado e cítrico. Vale conhecer, na linha de descobrir novas uvas.

VIOGNIER
Família Zuccardi – Santa Julia Viognier 2006
Mendoza, Argentina – R$ 22,50
Outra alternativa de uva branca mais para o lado da leveza e do frescor, e aquele toque cítrico agradável que merece compartilhar sua taça. A linha Zuccardi sempre tem boas opções em vários níveis de tintos e brancos, este tem a vantagem de um preço mais acessível.

PEVERELLA
Cave Ouvidor – Insólito 2005
Santa Catarina, Brasil (em torno de R$ 100,00, se você achar)
Aqui eu quebro o crit´´erio estabelecido acima e finalizo com um vinho que nunca provei. A produção de apenas 1.000 garrafas torna a procura complicada. Vale pela curiosidade. A uva é a peverella, introduzida no Brasil em 1930. Um vinho na linguagem dos brancos naturais, biodinâmicos do Loire, sem adição de sulfito. O leitor Flavio Henrique Silva recomendou com veemência. Ed Motta, fã das ampolas naturais, também citou várias vezes em sua antiga coluna Boa Vida aqui na VEJA.com. Duas indicações valem mais do que a minha. Reproduzo o texto de Ed Motta: “Quando vi a coloração alaranjada já fiquei empolgado, mas o nariz e boca desse vinho são muito complexos, um elixir de nozes e frutas tropicais, sem dúvida o melhor vinho brasileiro que bebi. É vinho branco que pode ser decantado: durante toda a degustação esse vinho foi ficando cada vez mais importante, notas de mel, ultraincrível.”. Se um dia provar, juro que comento aqui. Mas acho que posso confiar na dica.

PREÇOS: os valores foram coletados em 25/11 em sites de lojas, supermercados, vinícolas e importadoras como Adega Alentejana, Ana Import,  Enoteca Fasano, Expand, Grand Cru, KMM, Mistral, Qualimpor,  Vinci,Vinea Store, World Wine, Zahil.

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