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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009 Blog do vinho | 20:00

Mondocane

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Em Mondovino o diretor Jonathan Nossiter traça um painel onde os grandes produtores são mostrados como vilões e os defensores do terroir tratados como heróis de um mundo cão: o dos negócios do vinho.

Para o diretor Jonathan Nossiter, o documentário Mondovino, disponível em DVD, é uma declaração de amor ao vinho. Enólogo formado em Nova York, o diretor americano, que cresceu entre a França, a Itália e a Índia, entende do assunto e montou um extenso painel onde o personagem principal quase não aparece. Curioso. Fala-se muito de vinho nos longos 131 minutos de fita principal, bebe-se pouco, porém, durante o filme.

Nossiter rodou três continentes entrevistando vinicultores, enólogos, críticos e negociantes tendo como pano de fundo a tentativa da poderosa e tradicional família Mondavi (um dos vilões do filme), dos Estados Unidos, adquirir terras do vinicultor Aimé Guibert (um dos heróis), na região de Languedoc, na França. É assim, basicamente que o filme é montado. Alternando depoimentos de personagens da grande indústria com o de vinicultores que defendem um método mais tradicional e puro de vinificação e produção desta bebida ancestral — os chamados defensores do vinho de terroir.

E o recado é claro. A globalização está uniformizando o gosto da bebida ao padrão americano de consumo. E assim como os gauleses da história em quadrinhos não permitiram se dominar pelo império romano, vinicultores tradicionais, não por acaso franceses, resistem a esta padronização que estaria matando a diversidade e a tipicidade deste suco de uva fermentado. O mundo do vinho — como todo grande negócio — é um mundo cão. Nossiter, com sua câmera trêmula, assume então o papel de Asterix na defesa rótulos de produtor e usa a montagem como artilharia nessa guerra. A edição, um tanto maniqueísta, reduz a abordagem e a discussão do tema. De um lado estão os bons; do outro, os maus. Não há meio termo. É tudo tinto ou branco, não há espaço para o rosé.

Batalha dos vinhedos
Os produtores que encaram o vinho como um negócio — o que inegavelmente é — são mostrados como os responsáveis por uma tragédia nas vinhas. Aqueles que pregam um respeito ao terroir, ao tempo que o vinho necessita para revelar seu potencial e outras regras que não atendem o imediatismo de consumo atual, são os defensores da pureza. "A Borgonha é o campo de batalha com a resistência de um lado e os colaboracionistas de outro", comenta um personagem do filme comparando a II Guerra a uma virtual "Batalha dos Vinhedos".

Nossiter sabe como ninguém arrancar de seus entrevistados frases reveladoras. A família Frescobaldi tem saudades dos tempos do Mussolini. Os Etchart, produtores do Yacochuya, são preconceituosos com os descendentes de índios argentinos ("são preguiçosos"). Roberto Mondavi (morto em 2008) é arrogante a ponto de declarar que "Daqui a dez, quinze gerações, seria ótimo ver nossos herdeiros produzindo vinho em outros planetas." E, por fim, o consultor de mais de 100 vinícolas ao redor do mundo, Michel Rolland, ri sem parar nas entrevistas e receita a toda adega que presta consultoria um único conselho: "Tem de micro-oxigenar o vinho". Os personagens falam por si. Não era necessário apresentar os grandes produtores — responsáveis aliás pela popularização e elevação da qualidade do vinho ao redor do mundo — como vilões em enquadramentos mais duros, closes que deformam as imagens e cenas de assessores de imprensa servis, ambientes suntuosos com grades barrando a entrada da reportagem. Visivelmente há uma forma de filmar o establishment do vinho e outra, mais suave, ensolarada, para registrar a imagem do pequenos ou tradicionais vinicultores da Borgonha, da Sardenha ou mesmo no Vale do Rio São Francisco, no Brasil.

Diálogo revelador
Um pena que seja assim. Em um dos melhores momentos do documentário, Hubert De Montille, proprietário de vinhedos em Volnay e Pommard, na Borgonha, e sua filha, Alix, que na ocasião trabalhava como vinicultora na casa Ropiteau, subsidiária do gigante da Borgonha Jean-Charles Boisset, travam um diálogo que sintetiza as ideias defendidas pela edição do documentário, mas sem maniqueísmo. Dispensando o recurso de confrontar dois universos opostos, o que aflora é um conflito familiar que se desenrola diante do espectador até o ponto de a filha admitir que os valores que ela acredita não são respeitados e que vai deixar a empresa:

Alix: "Os vinhos corrompidos nos iludem."
Hubert: "São vinhos traiçoeiros."
Alix: "São vinhos que iludem."
Hubert: "Eles nos iludem. E logo nos deixam na mão."
Alix: "A verdade é que são vinhos ‘traidores’."
Hubert: "Mas o mundo moderno está habituado a isso. Este mundo gosta de ser enganado."

Se a intenção do documentário era provocar a discussão entre a parcela da plateia que entende do que se trata aquela conversa toda, o objetivo é cumprido. Mondovino ficará para a história como um filme mais comentado do que visto, principalmente entre os enófilos, e em espaços como este, dedicados ao vinho. Um espectador menos avisado, porém, corre o risco de sair da sala de cinema com a impressão de que um Rothschild, um Mondavi, ou qualquer vinho elaborado pelo consultor Michel Rolland ou indicado pelo crítico Robert Parker deva ser evitado. Aí mora o perigo. O filme mirar um alvo e acertar outro.

Mondovino
Direção: Jonathan Nossiter
(Mondovino, Argentina/Itália/França/EUA, 2004).



FRASES

Nossiter tem um dom inquestionável, seus personagens revelam o que têm de melhor — e de pior — frente às câmeras. Aqui uma seleção de boas tiradas de Mondovino:

“Queremos iniciar uma dinastia. Daqui a dez, quinze gerações, seria ótimo ver nossos herdeiros produzindo vinho em outros planetas. Seria divertido: ‘Scott, teletransporte um vinho de Marte para mim.’”
Michel Mondavi, Robert Mondavi (Napa, Califórnia, EUA)

“O vinho morreu. Sejamos claros, o vinho está morto.”
“Hoje em dia temos os enólogos no lugar dos poetas”
Aimé Guibert, Daumas Gussac, Languedoc

“Borgonha é o campo de batalha com a resistência de um lado e os colaboracionistas de outro”
Hubert De Montille, Volnay, Borgonha

“Neste sistema de vinhos divido em castas estratificadas, dominadas por elites e reacionários, Robert Parker trouxe a mentalidade americana, um ponto de vista democrático.”
Robert Parker, crítico de vinhos

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009 Blog do vinho | 01:10

Para de procurar pelo em pera!

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Os dicionários acordaram diferentes neste primeiro de janeiro. Pelo menos é o que estabelece o novo acordo ortográfico firmado entre os países de língua portuguesa. Os corretores ortográficos do Word, no entanto, insistem em colocar acento nas minhas ideias. Aí eu tenho de retornar o cursor e num gesto heroico eliminar o sinal gráfico do palavra e também da minha memória. Nem sempre a tecnologia acompanha a velocidade das leis ou a adequação das regras gramaticais. Muito menos nossa autoestima está preparada para mudanças de hábito, ou pior, de regras.

E o que a falta do trema, a sublimação de uma acento agudo e a alteração do hífen têm (este circunflexo aqui permanece) a ver com o tema desta coluna? No campo das ideias, a guilhotina que ceifa  um acento pode ser comparada às mudanças registradas nas vinícolas e regiões produtoras. A reação e o mal-estar podem ser semelhantes.

Qual a consequência?
No mundo do vinho as legislações e conceitos sofrem constantes mudanças, sempre sob severas críticas. Olha lá a região de Champgne alargando fronteiras para atender mercado consumidor, a denominação de Chianti querendo quebrar a rigidez quanto ao uso de uvas autócnes, e mesmo novos produtores de Bordeaux tentando oxigenar a pesada herança histórica que legisla sobre seus caldos e rótulos, só para ficar em alguns casos.

Já os gramáticos, também eles, creem que a reforma dos acentos tônicos e agudos podem intensificar a integração dos povos lusófonos, a melhorar a qualidade da escrita, enfim a cumprir o papel de evolução que é próprio das línguas falada e escrita.

Não se discute a razão, mas o processo: os vinhos, assim como a língua, são elementos vivos, sua evolução é natural e necessária para o seu desenvolvimento, crescimento e mesmo permanência.

E qual a consequência das mudanças, afinal? Nós que brindamos e elegemos safras atuais não nos damos conta das alterações que alguns vinhos sofreram em sua linha do tempo, e provavelmente estranharíamos seu paladar se os vinhos não mudassem com o passar dos anos. Como se sabe, os espumantes eram mais doces, os tintos mais ralos, e por aí vai. Da mesma maneira, não percebemos, nem lamentamos, o fim do “ph” de pharmácia.

Noves fora, não adianta procurar pelo em pera!
Não se convenceu, certo? Você é contrário a qualquer mudança? Daquele tipo antissocial mal-humorado que blasfema contra as inovações da vida? Fique tranquilo. A espinha dorsal é  preservada, tanto no mundo dos fermentados de uva, onde a tradição é guardiã da identidade de uma região ou tipo de vinho, como no da língua portuguesa. O novo modifica o velho, mas sem alterar seu DNA.

E não adianta se rebelar, os novos estilos de vinho vão surgir, a língua sofrerá outra modificação em algum período de sua vida e, querendo ou não, a partir de hoje você é um sujeito antissocial com dois esses e um mal-humorado com hífen! Relaxe e para (do verbo) de procurar pelo em pera! (o ditado é pelo em ovo, mas, para o propósito deste texto, não é uma solução. Ovo já perdeu o circunflexo em canetada anterior…)

> Leia maisReforma ortográfica: as novas regras e um teste para você ver se está preparado

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008 Degustação, Espumantes, Nacionais | 21:01

Rankings dos espumantes nacionais. Existe o melhor?

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Festas de fim de ano. Chegou a hora de escolher um espumante para as comemorações. As prateleiras de supermercados e de lojas especializadas se enchem de ofertas que vão do mais exclusivo champanhe francês ao mais ordinário prosecco italiano.

A dica deste blog é ficar no meio do caminho, e optar pelos ótimos espumantes nacionais. O preço é acessível e no quesito qualidade a produção tupiniquim de vinho com borbulhas só perde em número de medalhas em concursos internacionais para os franceses.

O que escolher?
Dois rankings recentes realizados pelas revistas Veja São Paulo e Playboy podem ajudar na escolha. Trata-se de um painel do que há de melhor no mercado, avaliado por gente que entende de uva que vira álcool e concentra espuma. As garrafas foram adquiridas em lojas, e não enviadas pelas vinícolas, o que garante a lisura no processo e torna o resultado um serviço para os leitores. Veja o resultado na tabela abaixo. (Se isso é alguma referência para os leitores, eu mesmo já tratei de comprar umas caixas de uma dessas marcas abaixo para meu réveillon)

Degustadores iguais, resultados diferentes
A avaliação e a classificação diferem no resultado, como pode-se comparar. O curioso desta prova é exatamente esta divergência. São poucas coincidências, como o da marca Chandon, na segunda colocação – Chandon é sempre um clássico e, cá entre nós, mantém um estilo que a maioria dos degustadores conhece e aprova. Também bateu na nona posição do ranking a menos divulgada De Gréville.

A falta de consenso é sinal de fraqueza ou uma virtude? Alguns leitores podem até questionar a validade destas provas, afinal dois dos degustadores participaram de ambas as provas, a sommelière Alexandra Corvo e o  sommelier Manoel Beato. Mas na realidade esta variedade é a prova de que a degustação não é uma ciência exata e que vários fatores influenciam o gosto. Para mim, a cruzinha vai para a opção virtude.

Qual é o melhor, afinal?
Alexandra Corvo dá sua explicação para a divergência das escolhas: “O que existe é cada garrafa”, sintetiza, e humaniza a discussão complementando “nós mesmos temos bem mais variações de humor do que os vinhos”.  Eu acrescentaria que as avaliações não elegem os melhores vinhos disso ou daquilo, mas sim as melhores garrafas disponíveis naquele painel e naquelas condições. Trata-se de um consenso entre vários cidadãos com alguma experiência, conhecimento e boa “litragem” entre tintos, brancos, espumantes e doces. Encare como uma boa referência. O resultado é uma lista que pode, sim, ajudar, mas jamais ser a palavra final sobre uma opção que afinal é definida pelo gosto de cada um.

E você, é  influenciado pelos rankings na escolha de sua bebida?

Leia também: Deu zebra no ranking da Playboy

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008 Espumantes, Nacionais | 18:29

Férias, praia e espumante fresco

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Areia, água salgada, piscinas de variados formatos, sol a pino. No serviço, o pessoal sempre muito disposto da recreação, o inevitável axé, aquele casal que você conheceu há duas horas e já virou amigo de infância. Na seção de comes e bebes, uma oferta infinita de bebidas nacionais e importadas. O garçom sempre disposto a verter álcool em quantidades industriais em seu copo. Sorria, você está na Bahia! Mais precisamente, num desses hotelzões onde a comilança e a beberagem estão incluídas na tarifa.

Para quem gosta realmente de vinho, no entanto, não é lá o melhor programa. A qualidade deixa muito a desejar (os tais vinhos importados prometidos nos folhetos, creio que foram, na verdade, deportados de tão ruins), o tinto, obviamente vem quente, e o espumante em copo americano de plástico. Mas ninguém espera uma carta de vinhos selecionada em um esquema semelhante, num quiosque de praia de luxo, certo? E nem todo programa precisa ter vinho. São férias, afinal… bebe-se sem compromisso.

Vinho combina com praia?

Borbulhas – Sim, principalmente se for um espumante. Taí um trabalho que as vinícolas brasileiras deveriam investir mais esforço, marketing e conquistar um espaço que está aberto. Pela manhã, para abrir os serviços, é muito bom. Já experimentou? Meninos, eu vi! Como estava acessível e na temperatura certa, muita gente trocava – ou mesmo intercalava!!! – uma taça de espumante com uma tulipa de chope. É simples. Basta ter a oferta e, principalmente, quebrar a afetação da bebida para torná-la mais uma opção na praia – e não uma alternativa “chique e diferenciada”. Feito isso, meio caminho está andado.

Brancos – Também, mas os mais leves, ligeiros, frutados, um sauvignon blanc, um viognier, um gerwustraminer. Dos italianos um pinot grigio ou um fiano, o português alvarinho, ou sua versão espanhola albariño, e ainda da península ibérica o macabeo. As opções são várias. Mas me parece que a real vocação da praia é mesmo dos espumantes.

Rosés – Claro, são ok. Leves, frutados, frescos. Não é à toa que são perfeitos com comida mediterrânea. Mas, Houston,  temos problemas. Primeiro: raramente há oferta disponível, mesmo com a recente onda em torno da bebida. Segundo, há muito rosé ruim por aí. Terceiro, tem muito preconceito em torno da bebida. Muito trabalho, não? Mas tendo oportunidade, é uma delícia.

Tintos – Não acho o ideal. Mas tem muita gente que não se importa. Mas creio que, sinceramente, vinho não é para toda ocasião. Na praia, na refeição, um tinto mais ligeiro, num ambiente mais refrigerado, ok. Ou como eu já testemunhei também no Nordeste: com gelo. Maior heresia não existe no planeta vinho, né não?

Vodca (ou chachaça), fruta, açúcar e gelo – De dia, pé na areia ou na beira da piscina, um espumante, de vez em quando, até vai bem. Quem sabe até um branco ou um rosé com os petiscos. Mas não há nada igual a uma caipirinha e uma espreguiçadeira. Sem preconceito, sem restrições. O importante é ser feliz. São férias.

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008 Brancos, Novo Mundo, Velho Mundo | 23:29

Brancos, bons e nem sempre baratos

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Para quem me acompanha aqui, desculpe a demora. Um certo André até resolveu perguntar se o colunista estava vivo. No post anterior (ali embaixo), a idéia era mostrar que as uvas de pele mais clara, quando fermentadas e transformadas em álcool, são capazes de produzir pérolas líquidas. Os leitores deste blog, na sua maioria, concordaram com o autor e até enviaram suas sugestões.

Agora resta cumprir a promessa e sugerir algumas garrafas que merecem ser desarrolhadas – ou desrosqueadas. Explico. Muitos dos vinhos brancos contemporâneos usam tampas de rosca, algo que é perfeitamente normal, seguro e recomendado para bebidas mais frescas, que não têm pretensão de evoluir na garrafa. Acredite, há grandes rótulos com tampas de rosca, isso não deve limitar seu processo de escolha.

Antes das sugestões, uma constatação: a oferta de brancos é infinitamente menor que a de tintos. Entre numa loja de vinhos ou no corredor de bebidas do supermercado e repare: a minoria branca está relegada a um cantinho de menor exposição. Nas cartas dos restaurantes, a lista de brancos costuma ser minimalista, o que empurra o cidadão na escolha de um tinto mesmo. Resultado: pouca variedade resulta em preço nem sempre atraente. O que justifica o “nem sempre” do título. Há brancos de preço bastante acessível, claro, mas é mais fácil achar uma variedade maior de tintos bons e baratos do que dos brancos da mesma categoria de preço.

Para facilitar um pouco a vida, a lista está dividia por tipo de uva, um argumento bastante “novo mundo”, mas de fácil assimilação e organização. Afinal, estamos aonde? Predominam, é claro, os chilenos e argentinos das uvas sauvignon blanc e chardonnay. A relação não tem a pretensão de apontar os melhores brancos do planeta, muito menos disponíveis no mercado. São 30 dicas com um único critério: de já ter passado pela minha taça. Espero que a extensa lista compense a longa espera.

SAUVIGNON BLANC

Viña Errazuriz – Reserva Sauvignon Blanc 2007
Vale de Casablanca, Chile – R$ 47,02
2007 foi uma boa safra na região de Casablanca. O Errazuriz tem uma linha de grande qualidade, este sauvignon blanc é um vinho fresco, com maracujá perceptível até para quem acha que sentir aroma em vinho é uma afetação de enófilo desocupado.

Boekenhoutskloof – Porcupine Ridge Sauvignon Blanc 2006
Franscchhoeck, África do Sul – R$ 42,78
O porco-espinho do rótulo, ainda bem, não solta dardos afiados, mas sim uma lima no nariz que convida um gole, e fecha o ciclo com o cítrico de volta à boca. Muito bem avaliado pela crítica internacional. Um prêmio para quem conseguir soletrar o nome do produtor e da região onde é elaborado depois de derrubar uma garrafa.

William Cole – Alto Vuelo Sauvignon Blanc 2005
Vale de Casablanca, Chile – R$ 49,00
No Vale de Casablanca são produzidos os mais refrescantes e bem-feitos brancos do Chile. A influência das correntes marítimas do Oceano Pacífico e as médias de temperatura mais baixas são ideais para maturação das uvas brancas. É dali que chega este sauvignon blanc que é puro maracujá, de ótima acidez e delicioso de beber. Um dos meus prediletos.

Domaines Barons Rothschild – Los Vascos Sauvignon Blanc 2007
Casablanca, Chile – R$ 55,00
A empresa é controlada por Domaines Barons Rothschild (Lafite) e busca um perfil mais francês em seus rótulos. Há, por exemplo, uma preocupação permanente com o teor alcoólico de seus vinhos. Este aqui tem boa fruta, frescor e persistência média. Um toque cítrico que agrada, cor bem clarinha. Um bom vinho de aperitivo e para pratos mais leves. Anyway, quem não tem Lafite francês, caça com chileno.

Pascal Jolivet – Attitude Sauvignon Blanc 2006
Loire, França – R$ 72,13
A região do Loire é conhecida por produzir ótimos brancos e com preços mais acessíveis (acessível para vinho francês, fique bem entendido). Taí um exemplo para começar explorar este lado menos conhecido da França. Um vinho do velho mundo de estilo mais moderno, 100% sauvignon blanc, intenso e profundo e com um perfume de flores brancas muito atraente.

Sileni Estates – Cellar Selection 2007
Marlbororough, Nova Zelândia – R$ 73,43
Os críticos Hugh Jonson e Jancis Robinson compartilham muitas opiniões sobre o mundo do vinho. Uma delas é a vocação da Nova Zelândia na construção de brancos da uva sauvignon blanc com  caráter e tipicidade. A fruta expressiva, a longa persistência de aromas e o sabor que preenche a boca entregam neste vinho as características que os mestres ingleses identificam na região.

Quartz “Lês Cailloux du Paradis” 2004
Loire, França – R$ 134,00
O hedonista Ed Motta sabe das coisas. Ele me apresentou esta jóia, da linha orgânica – vinhos naturais que dispensam defensivos agrícolas e outros truques tecnológicos. Este pequeno vinhedo do Loire de 13 hectares traz para a garrafa uma bebida de uma mineral idade cortante e, aposto, muito diferente de qualquer sauvignon que você já provou. Muito longo. Como diria o Ed, de chorar

Casa Marin – Cipreses Sauvignon Blanc 2006
San Antonio, Chile – R$ 160,00
Premiadíssimo sauvignon da também elogiadíssima enóloga María Luz Marín. No nariz e na boca é superlativo em frutas tropicais. O final é longo, muito longo. Daqueles vinhos que o prazer aromáticos é tão grande quanto o gustativo. Recebeu a menção como o melhor sauvignon blanc do Chile no guia local Descorchados. Cobra caro pela fama…

CHARDONNAY

Salton – Volpi Chardonnay 2006
Serra Gaúcha, Brasil – R$ 24,00
A série que tem as bandeirinhas de Volpi no rótulo, e dá o nome ao vinho, indica um produto de maior qualidade da gaúcha Salton. É bastante agradável, com alguma tipicidade, fresco e com uma madeira bem integrada. Um ligeiro toque amanteigado no final da boca é percebido. Tomei recentemente, depois de muito tempo sem provar, e me surpreendeu. O preço é um enorme atrativo. A Salton promete retomar a produção de outros brancos da linha Volpi. Recentemente colocou nas gôndolas o sauvignon blanc e pretende relançar o gerwustreminer. Bom que a indústria nacional se volta também para os brancos.

La Roche – Punto Nino
Casablanca, Chile – R$ 44,00
Na Borgonha, La Roche é chamadode o Rei de Chablis. Pois os franceses instalaram-se em Casablanca (olha aí a região de novo) para produzir um chardonnay com o mesmo estilo gaulês, mas com tempero chileno. Se tomados lado a lado, um La Roche francês e outro chileno, as diferenças saltam ao nariz e na boca. O preço salta no bolso: R$ 44,00 X R$ 90,00.  Mas os pilares dos brancos elegantes produzidos em Chablis são preservados: o frescor, a acidez bem dosada, uma certa alegria. O rótulo idêntico reforça esta identidade da marca.

Santa Helena – Selección del Directório Chardonnay
Casablanca, Chile – R$ 44,10
Um chardonnay bem feito da gigante Santa Helena que, preconceitos à parte, têm brancos e tintos de todos os naipes, como este chardonnay de boa estrutura, toques de baunilha e manteiga e envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho.

Rutini – Rutini Chardonay 2006
Mendoza, Argentina – R$ 66,00
Outro chardonnay que passa por madeira – 30% de primeiro ano e 70% de segundo uso -, mas não é dominado por ela. As frutas tropicais estão bem presentes –  tem um abacaxi inconfundível – e a boa acidez se mescla com aquele amanteigado típico da fermentação malolática e da batonagem (explicação irritante: a malolática transforma o ácido málico em lático, a batonagem mantém as leveduras em contato com o suco, ambas acabam desenvolvendo no vinho esta sensação untuosa e amanteigada que a barrica potencializa). Muito técnico? Seguinte, o vinho tem caráter mas não é enjoativo.

Villa Francioni Chardonnay 2006
Bom Retiro, Santa Catarina – R$ 66,00
Este representante verde-amarelo de Santa Catarina tem um espírito mais pugilista, de ataque. É mais indicado para quem gosta de chardonnay opulento, com um tostado que explode no nariz e na boca, um toque de amêndoas, mas com uma acidez adequada. Seu enólogo, Bettú, passa uma mensagem clara. Trata-se de um chardonnay para quem gosta de branco com madeira. Na minha modesta opinião, um dos melhores chardonnay elaborados por aqui.

Albert Bichot Vielles Vignes 2005
Chablis, Borgonha – França – R$ 69,00
Já que se falou aqui de Chablis, um original merece ser degustado. Este é da linha mais básica, 20% do vinho passa por carvalho. Não é exuberante, mas tem uma cremosidade perceptível e ótima acidez e toque cítrico. A somellière Alexandre Corvo, que nos brinda vez ou outra com seus comentários, também já recomendou em seu blog.

Eduardo Chadwick – Arboleda Chardonnay 2005
Vale de Casablanca, Chile – R$ 75,00
Chadwick divide seus vinhedos em 90% de tintos e 9% de brancos. Nem por isso trata mal suas uvas que não são tintas.  O estilo é mais parrudo, amadeirado, com aquela cremosidade um pouco amanteigada na boca, uma característica bem de chardonnay do novo mundo, elaborado por um produtor que prima pela qualidade de seus rótulos.

Maycas del Limari Chardonnay Reserve Especial 2006
Vale del Limari, Chile – R$ 96,00
Marcelo Papa  é um dos craques da enologia chilena, da poderosa e onipresente Concha y Toro. É dele o sempre bom cabernet sauvignon (ops!) Marques da Casa Concha. Aqui a ubervinícola tem um empreendimento com outro nome (Maycas del Limari) e proposta: apostar em vinhos de alta gama e para um público mais conhecedor. A origem é de uma região pouco explorada no Chile, o Vale do Limari. Trata-se de um chardonnay de fato diferente: muito fresco e mineral, aromas de maçã verde presentes. O toque fumê, muito agradável, vem do contato com as borras, já que não passa por madeira.

Catena Zapata – Catena Alta Chardonnay 2005
Mendoza, Argentina –  R$ 103,45
Catena é sempre Catena. O produtor que revolucionou o vinho argentino produz um chardonnay de alta estirpe, mais sério, cremoso, passeia pela boca antes de descer redondo e macio pela garganta. É longo e sedutor e mereceu pontuação acima de 90 pontos do Roberto Parker. Alguém se importa?  Olha, eu juro que nunca é determinante, mas chama a atenção.

Viña Aquitania Sol del Sol  2005
Traiguén, Chile – R$ 147,00
Sempre citado pela crítica como um dos mellhores chardonnay do Chile, trata-se, de fato, de um dos mellhores e mais elegantes chardonnay do Chile. Eu tive o privilégio de provar várias safras (no jargão, dá-se o nome de degustação vertical) deste excepcional vinho e a evolução do bicho é para calar a boca de quem diz que branco não envelhece bem, ainda mais do novo mundo. Mais ainda, a elegância, aquela característica que nasce com o vinhedo – da mesma maneira que nasce com algumas pessoas – faz este Sol brilhar mais forte na taça. Fácil negociar com o bolso alheio, mas vale um investimento maior.

Monteviejo – Lindaflor Chardonnay 2006
Mendoza, Argentina R$ 183,00
Este branco carnudo, encorpado e com fruta explosiva, um abacaxi em calda, cai bem ao gosto do consumidor nacional. O final é bem prolongado, mas não é exatamente pelo lado da elegância, mas da potência. O vinho é parte de projeto Clos de Los Siete, do renomado e controverso Michel Rolland. Precinho assusta um pouco, né não?

Pierre-Andre, Mersault 1Er Cru lês Charmes 2005
Borgonha, França R$ 742,00 (uau!)
Bom, aqui a coisa é de gente grande. O tipo do branco que deve fechar uma refeição, em vez de abri-la. Para ocasiões especialíssimas, aquele jantar apaixonado ou então com o seu amigo rico… enfim. O 1er cru da região de Mersault, localizado a 8 quilômetros de Beaune, é um chardonnay untuoso, encorpado mas extremamente sedoso. Os aromas vão do pêssego às nozes. É pura expressão de seu terroir, de seu solo argiloso. Um mersault com um leitãozinho é o caminho para o paraíso…

CASTAS PORTUGUESAS

Borba Antão Vaz & Arinto 2005
Alentejo, Portugal – R$ 31,00
Também já citei este vinho antes. A mistura dessas duas castas típicas portuguesas resulta num branco de aromas cítricos, boa estrutura e com toques de baunilha. O caldo é fermentado em barricas de carvalho. Há sempre uma boa discussão sobre qual a melhor harmonização com o bacalhau. Eu, por exemplo, prefiro brancos mais estruturados. Em Portugal os tintos têm a preferência. Provei este Borba com um bacalhau grelhado, em meio a tintos muito mais caros e famosos, e este se encaixou melhor no meu radar de harmonização. Quando soube do preço, então, a felicidade foi maior.

Qualimpor – Esporão Reserva
Alentejo, Portugal – R$ 87,50
Este alentejano de corpo e alma é um típico branco de regiões mais quentes. Untuoso, intenso, de pegada mais encorpada, é uma mistura das uvas brancas nativas antão vaz, roupeiro e arinto. Quando penso em bacalhau, é um dos primeiros rótulos que me ocorrem, até por que é fácil de encontrar em lojas. O vinho de cima á mais difícil de encontrar… Foi citado pelo leitor Luiz Garcia como estupendo. Estamos juntos nessa, Garcia! Estágio de seis meses em barricas de carvalho americano. Tem aroma frutado com notas de madeira, ananás, pêssego e baunilha.

FP Ensaios Branco
Beiras, Potugal – R$ 46,20
A genética pode não explicar tudo, mas com certeza deu uma mão aqui. Filipa Pato é filha de Luiz Pato, mas trilha seu caminho com independência e, principalmente, competência. De sua palheta de uvas autóctones (aquelas que são nativas de uma região ou país) Filipa extrai vinhos que são parceiros para a comida. Neste Ensaios 2005, o arinto dá o frescor e o bical é responsável pela cremosidade que envolve a boca.

RIESLING

Cono Sur Bicicleta Riesling 2006
Bio-Bio, Chile – R$ 23,80
Olha a Cono Sur aí de novo, gente! Não há muito como evitar, seus vinhos de base são bem-feitos e o preço é imbatível. Entra sempre na minha lista. A Cono Sur é uma perna do gigante Concha y Toro chileno. Trata-se de um riesling básico, mas já com as características da uva  presentes no nariz e na boca, sempre aquele toque um pouco mineral dizendo “presente”! Na temperatura adequada (de 10 a 12º) vai bem com um peixinho leve.

Selbach-Oster Riesling QbA Troken
2007

Mosel, Alemanha – R$ 79,40
A riesling, como escrevi antes, revela todo seu potencial na Alemanha e na Alsácia (França). As garrafas de gargalo alongado da Selbach-Oster acondicionam brancos de grande acidez, mineralidade à flor da pele e, neste caso aqui, bom preço. Para recuperar a imagem do vinho branco alemão sem gastar muito.

Petaluma Riesling Clare Valley 2005
Clare Valley, Austrália – R$ 118,00
A Austrália também vem fazendo sucesso nos brancos de alta gama. Este aqui tem sabor amplo com as notas minerais típicas dessa cepa notável, concentrado e longo, atraente acidez e longa persistência. É um vinho que equilibra pureza e fruta. Aromas de boa complexidade, em especial o toque de petróleo, querosene, típicos da cepa.

OUTRAS CASTAS

TORRONTÉS
Colomé – Torrontés 2007
Salta, Argentina R$ 38,00
O proprietário da Colomé é um suíço. A torrontés, junto à malbec, é considerada uma casta emblemática da Argentina. A combinação, no entanto, deu certo. As parreiras ficam próximas à Cordilheira dos Andes, neste que é considerado um dos mais altos vinhedos do mundo (entre 2200 e 3015 metros). Assim como a Gewurztraminer (leia abaixo), a torrontés é puro perfume, o caldo denso às vezes tem um perfil até meio doce. Servida na temperatura correta é uma bela maneira de abrir os trabalhos.

GEWURZTRAMINER
Cordilheira de Santanna – Reserva Especial ,Gewurztraminer 2004
Campanha, Brasil – R$ 42,00
Outra dica de leitor, desta vez do Marco Aurélio, que compartilho. A gewurztraminer é uma cepa muito floral, tem aroma de pétalas de rosas mesmo, que não é do agrado de todo mundo. Mas é muito agradável de beber. Esta experiência bem realizada do casal de enólogos Rosana Wagner e Gladistão Omizzolo na região da Campanha rendeu apenas 6.700 garrafas. Uma pode ser sua e aí você avalia se concorda comigo e com o Marco Aurélio.

FURMINT
Oremus – Tokaji Furmint Mandolás 2005
Oremus, Hungria – R$ 79,40
A Hungria não é só vinho branco doce, os famosos tokay. Também produz brancos secos de muito estilo e personalidade. É o caso deste aqui, que uva a uva furmint que é ao mesmo tempo encorpado e cítrico. Vale conhecer, na linha de descobrir novas uvas.

VIOGNIER
Família Zuccardi – Santa Julia Viognier 2006
Mendoza, Argentina – R$ 22,50
Outra alternativa de uva branca mais para o lado da leveza e do frescor, e aquele toque cítrico agradável que merece compartilhar sua taça. A linha Zuccardi sempre tem boas opções em vários níveis de tintos e brancos, este tem a vantagem de um preço mais acessível.

PEVERELLA
Cave Ouvidor – Insólito 2005
Santa Catarina, Brasil (em torno de R$ 100,00, se você achar)
Aqui eu quebro o crit´´erio estabelecido acima e finalizo com um vinho que nunca provei. A produção de apenas 1.000 garrafas torna a procura complicada. Vale pela curiosidade. A uva é a peverella, introduzida no Brasil em 1930. Um vinho na linguagem dos brancos naturais, biodinâmicos do Loire, sem adição de sulfito. O leitor Flavio Henrique Silva recomendou com veemência. Ed Motta, fã das ampolas naturais, também citou várias vezes em sua antiga coluna Boa Vida aqui na VEJA.com. Duas indicações valem mais do que a minha. Reproduzo o texto de Ed Motta: “Quando vi a coloração alaranjada já fiquei empolgado, mas o nariz e boca desse vinho são muito complexos, um elixir de nozes e frutas tropicais, sem dúvida o melhor vinho brasileiro que bebi. É vinho branco que pode ser decantado: durante toda a degustação esse vinho foi ficando cada vez mais importante, notas de mel, ultraincrível.”. Se um dia provar, juro que comento aqui. Mas acho que posso confiar na dica.

PREÇOS: os valores foram coletados em 25/11 em sites de lojas, supermercados, vinícolas e importadoras como Adega Alentejana, Ana Import,  Enoteca Fasano, Expand, Grand Cru, KMM, Mistral, Qualimpor,  Vinci,Vinea Store, World Wine, Zahil.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008 Brancos | 12:00

Vinho branco: você ainda vai beber um

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Você conhece aquela da mulher que morreu de vinho branco?
– Ela estava atravessando a rua, veio um carro vermelho,
ela desviou, mas aí vinho branco…

A revista especializada inglesa Decanter de julho de 2006 dedicou sua capa aos vinhos brancos. Da última vez que havia cometido esta ousadia, três anos antes, as vendas em banca despencaram. Seu editor interino, Guy Woodward, praticamente pediu desculpas aos leitores – e ao departamento de circulação – no editorial, e justificou a insistência em bancar um tema impopular com a seguinte provocação: “Are you a wine racist?”. A revista Adega, publicação nacional sobre vinhos, também já arriscou uma capa com vinhos albinos, nos seus três anos recém-completados, com o seguinte argumento: “Dez motivos para gostar dos brancos”.

“The change we need”, Barack Obama
Ou seja, é de se imaginar que esta nota não faça muito sucesso entre os leitores. O tema aqui, é claro, são os rótulos de uvas brancas, o patinho feio das vendas, a garrafa que a maioria dos consumidores nem dá bola na prateleira. Vamos pular aqui a história do vinho branco alemão da garrafa azul, para explicar o preconceito ao vinho branco entre os brasileiros – já cansou –  e passar direto para o ataque.

“Vinho, pra mim, tem de ser tinto”, é uma das frases que mais ouço. Trata-se de uma injustiça. Os brancos são insubstituíveis com determinadas comidas, são refrescantes no verão e podem ser tão intensos, aromáticos e oníricos quanto os festejados tintos de alta qualidade.

Este blog não tem a pretensão de mudar o gosto de ninguém, muito menos educar quem quer que seja – militância até em vinho, que é um prazer, não dá! A idéia aqui é despertar a curiosidade. Se você realmente é um apreciador de vinho, os brancos merecem fazer parte do seu registro sensorial e gustativo. Os grandes rótulos, aliás, ao contrário do que estabelecem as regras, são servidos ao final da refeição, de tão surpreendentes que são. Em sua última visita ao Brasil, o produtor Aubert de Villaine, do superbadalado Romannée-Conti, reservou para o final da refeição um estupendo Montrachet, um chardonnay da região da Borgonha de beber de joelhos – mesma posição que deve ser mantida na frente do gerente do banco para bancar as despesas da garrafa.

Branco, mas não gelado como a neve

Vinho branco já começa errado no nome – a única bebida branca que eu conheço é leite, e não é o nosso business aqui. A cor, na realidade, vai do palha clarinho aos tons dourados, quase ouro. Branco se contrapõe a tinto, só isso.

O serviço deve ser em temperatura entre 8 a 10 graus. Mas se você gelar demais a bebida corre o risco de perder o leque aromático e as características de suas uvas. O gelado excessivo aplaina as papilas gustativas. O resultado é insípido. Preste atenção, então, para não esquecer a garrafa no baldinho de gelo, muito menos dentro do freezer! O inverso, quente demais, também é um desastre, a acidez ferve na boca e ninguém merece vinho branco quente!

Tempo, tempo tempo
No geral, os melhores brancos secos são os de safras mais recentes. Sim, claro, há as exceções. Mas o acerto é maior seguindo este critério de tempo. Vinhos leves e fresos não envelhecem bem. Cuidado então com as liquidações de início de ano com brancos do dia-a-dia de safras antigas.  Se estiverem na bacia das almas, o potencial de problema é enorme…

Frutas brancas, cítrico e mineral
Aroma é um sinal de qualidade. Nos brancos, eles são de frutas brancas (o que facilita muito), como pêra, maçã verde, abacaxi, pêssego, maracujá e cítricos, como limão e lima. Os aromas minerais – petróleo, pedra de isqueiro e que lembram resina (isso é bom, acredite) – também são característicos de brancos mais evoluídos, principalmente nos riesling. O tempo na barrica e o envelhecimento em garrafa resultam aromas mais complexos, como mel, manteiga, um fumê.

O vinho vem da uva… e da vinícola
Os vinhedos para as uvas brancas costumam ser plantados em zonas mais temperadas e frias, ou com alguma influência de brisas marítimas, e costumam se aproveitar bem de solos calcários – aquelas conchinhas deixadas pelos mares de outrora que parecem brotar dos vinhedos de Chablis, na França. No Chile, por exemplo, os melhores brancos vêm da região mais fria de Casablanca. Em países como Alemanha, Áustria e até no Canadá a coisa chega no limite de as uvas serem colhidas congeladas para a produção dos chamados Ice Wine.

Além das uvas brancas, claro, a grande diferença está no processo de vinificação. Ao contrário dos tintos, a casca e a semente não fazem parte do processo de fermentação – aquele momento mágico que o açúcar vira álcool e a festa começa. Portanto, nada de dizer que seu chardonnay está tânico. Quem dá o tanino, e a cor dos tintos, é a casca da uva, que aqui é desprezada.

A fermentação se dá em tanques de aço inoxidável com controle de temperatura. O controle se justifica pelo seguinte, se a temperatura da fermentação for além dos 18 graus a coisa desanda. Para comparar: nos tintos a fermentação se dá entre os 24 e 30 graus, pois a finalidade é a extração da cor; nos brancos, o objetivo é preservar o frescor. No passado, quando esta tecnologia não era dominada, muitos brancos tinham sabor oxidado. Daí uma certa má fama que perdura. Portanto, vamos evitar simplificações: tecnologia não é ruim para o “mundovino” quando bem utilizada, ao contrário do que apregoam alguns xiitas das cantinas.

Depois do tanque, o vinho pode ou não amadurecer em barricas de carvalho, ou na garrafa, depende do estilo que se pretende atingir.  Os chardonnay mais untuosos, mais pesados, geralmente passam pela barrica.

Brancos secos
Os brancos podem ser divididos em algumas categorias: secos, doces, fortificados e até espumantes, que não deixam de ser brancos. O foco aqui é o branco seco, se não este post fica interminável.

Eles podem ser refrescantes, fáceis e leves, quase uma bebida de verão, aquela para começar os trabalhos (exemplo clássico: a sauvignon blanc) ou cremosos, amanteigados, untuosos e de maior corpo (aqui reina a chardonnay), quem vão melhor junto às refeições. Mas só para chatear e evitar a monotonia, a regra não é engessada: há chardonnays refrescantes e ligeiros e sauvignon blancs profundos e de meditação, ok?

A propósito, pode aparecer uva tinta em vinho branco, e algumas uvas brancas entram na composição de alguns tintos, como no Rhone, por exemplo. Um exemplo clássico de tintas em vinho branco é o champagne, que tem a tinta pinot noir na sua composição. Mas esta é só mais uma das pegadinhas do mundo do vinho. Pra impressionar entre os amigos. Vinho branco, na grande maioria das vezes, vem das uvas de pele branca mesmo. (veja lista das uvas aqui)

Agora, se você perguntar a um crítico ou especialista qual a uva branca do coração, ele não vai titubear no veredicto: a riesling. Esta uva da Alsácia, na França, e da Alemanha, produz um líquido mineral, elegante, intenso, pouco alcoólico, coisa fina mesmo.

Branco, blanco, blanc, white, de onde ele vêm
As grandes vedetes dos vinhos brancos no velho mundo são a França (Borgonha, Chablis, Bordeaux, Alsácia, Loire) e a Alemanha. A Itália, Portugal e Espanha também têm suas regiões e principalmente castas nativas que resultam em produtos especialíssimos. A desconhecida Áustria também se destaca neste cenário (olha o riesling aí, gente!). No novo mundo, a Nova Zelândia brilha com a sauvignon blanc e a Austrália e os Estados Unidos com a chardonnay, Chile e África do Sul também têm o seu valor. O Brasil, artilheiro dos espumantes, esteve sempre na segunda divisão desta categoria, mas alguns rótulos interessantes de novas regiões de Santa Catarina e nas franjas do Uruguai começam a surpreender.  (Conheça todas as regiões no mapa do vinho).

Por fim… ou quem sabe o começo

Fica combinado então o seguinte, da próxima vez que estiver em uma festa, numa reunião ou no restaurante e você estiver à procura de um tinto e o garçom vier com o branco, aceite. Não rejeite. Experimente. Ao contrário da piada infame do começo deste texto, ninguém morre de vinho branco.

Notas de rodapé
1. No próximo post, listarei  alguns bons brancos de diferentes países que experimentei, gostei e dá para comprar.
2. Esta nota foi escrita na companhia de um sauvignon blanc da África do Sul, Porcupine  Ridge 2007.
3. Esclarecimento final importante: este texto foi redigido em casa, e não na redação de VEJA.com!

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008 Blog do vinho | 15:41

O rótulo Obama e o vinho Palin

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Na eleição para presidente dos Estados Unidos deste 4 de novembro de 2008, entre uma safra mais antiga, a de 1936 (McCain, ano de lançamento da primeira cuvée Dom Perignon), e outra mais recente, de 1961 (Obama, ano de excelência do Chateau Lafite-Rothschild), o júri popular americano optou pelo frescor da novidade. 

Não tenho informações das preferências líquidas de Obama e McCain, sequer se bebem vinho, mas o blog americano winelabelsproject.com até criou um rótulo virtual do senador de Illinois – agora presidente eleito: Obama: Wine We Can Believe In, com o comentário: It s not about red or white wine, it s about american wine (veja imagem acima). A brincadeira continua na “crítica" ao vinho, recomendado para qualquer comida, em qualquer lugar, com qualquer companhia. 

O mais curioso é que a vice do candidato McCain, Sarah Palin, esta sim tinha um vinho chileno de verdade sendo vendido nas prateleiras com seu nome estampado. Trata-se do Palin Syrah, um tinto vinificado pelo método orgânico, do Vale do Limari, descrito na carta de vinhos de um wine bar em San Francisco com notas de pimenta branca. Com o preço acessível de 13 dólares a garrafa, os consumidores detonaram os estoques das lojas, já a candidata a vice pela chapa republicana encalhou nas urnas.

Candidatos, assim como vinhos, saem das pranchetas dos profissionais de imagem mirando o sucesso. É no governo, assim como na taça, que aparece a verdade: os vinhos/candidatos podem entregar  logo de cara o que prometeram, evoluir com o tempo, ou, em casos ruins, avinagrar e ainda provocar uma baita dor de cabeça.

O mundo aguarda os primeiros passos de Obama para dar sua pontuação.

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terça-feira, 28 de outubro de 2008 Degustação | 22:11

Irritando Fernanda Young

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“Não agüento o convívio com pessoas que acreditam em coisas prontas. Eu não suporto gente que entende de vinho. O sujeito fica entendendo de vinho, cheirando rolha… Não tenho paciência”
Fernanda Young, VEJA (29/10/2008)

“O Inferno são os outros”
Jean-Paul Sartre

Em deliciosa aparição nas páginas amarelas de VEJA (leia a íntegra aqui), a premiada roteirista e elétrica apresentadora de TV, Fernanda Maria Young de Carvalho Machado, destilou sua irritação contra gente como eu e – provavelmente – você, que me lê aqui. A frase está tatuada acima. Como a liturgia do vinho, pelo visto, é material de trabalho da talentosa Fernanda, já nem tão young assim, este blog presta sua colaboração à autora, detalhando etapas de uma degustação de vinho absolutamente irritantes (pelo menos para os outros).

Cheirando a rolha – o garçom rompe a cápsula e deixa aquele pedaço de cortiça sobre a mesa. O que você faz? Cheira a rolha. Tem alguma utilidade? Praticamente nenhuma – a não ser, é claro, de irritar pessoas como a Fernanda Young. Raramente se descobre algum defeito no vinho desta maneira, requer muita prática. Alguns vinhaços, no entanto, já deixam seu carimbo na rolha e passá-la pelo nariz já pode revelar o tesouro que vem pela frente.

Observando a cor – a coloração de um vinho diz muito sobre ele. Nos tintos, a variação do violeta, passando pelo rubi até o alaranjado mostram sua idade, acidez, corpo ou até mesmo se está meio avinagrado. Nos brancos, a mesma coisa: os mais frescos são muito límpidos e aqueles que passaram por barrica, ou apresentam alguns anos de garrafa, vão tomando matizes mais douradas. Quais dicas a cor do vinho podem dar? Por exemplo, você comprou um tinto jovem: se ao desarrolhar jorra um vinho de cor mais envelhecida, cor de tijolo, certamente ele está com problemas; se é um pinot noir mais clarinho, está correto, é uma característica da uva.

Enfiando o nariz pela primeira vez na taça – sem girar a taça, afunde a napa no seu interior. Estão ali os primeiros aromas. Guarde-os na memória. A comparação depois vai ser bacana e instrutiva.

Girando a taça – esta é a parte mais divertida e absurdamente irritável do processo. Depois de algum tempo se torna um vício – e você vai cansar de ver gente girando até copo de água sem qualquer serventia. Mas é preciso cuidado, na empolgação podem sobrar gotas de vinho na roupa do vizinho (aí sim o sujeito pode ficar possesso, principalmente aqueles executivos de camisa branca em almoço de negócios). Para que serve este ritual? Ele faz com que o ar se misture com a bebida, fazendo as substâncias aromáticas (que são químicas) se volatizarem e serem percebidas com maior intensidade. Muitos vinhos melhoram e se modificam depois de um tempo abertos e devidamente chacoalhados na taça, resultado deste processo.

Mergulhando o nariz pela segunda vez na taça – agora compare. Muito provavelmente os aromas mudaram. Se antes só aparecia uma flor, uma frutinha de leve, agora pode ser percebida outras camadas, como frutas mais maduras, café, tostados, chocolate, especiarias, uma sensação meio terrosa, algo mineral… sei lá o vinho que está na taça. Mas que muda, muda. E qual a graça? A graça está exatamente em sentir esta diversidade de aromas, que podem ser tão intensos e agradáveis – quase infinitos – que adiam o momento de levar o vinho à boca. O importante é o seguinte: associe os aromas com coisas que você conhece, que são do seu universo. Muita gente fala em aroma de cassis, por exemplo, sem nunca ter se aproximado da frutinha. Os aromas são parte do prazer e da viagem que o vinho propicia. Você está pagando, e geralmente caro, pela bebida, por que não usufruir todas as variações que ela pode oferecer?

Finalmente, bebendo – degustar é beber com atenção. Passadas as etapas descritas acima, que não podem ser repetidas pela refeição inteira, é claro, vem a prova dos noves. Muitas vezes a cor está adequada, os aromas agradáveis e quando o vinho vem para a boca alguma coisa não funciona. Você sente um amargor (explicação técnica irritante: esta sensação é percebida no final da língua, próximo à garganta); ou a boca fica seca – são os tais dos taninos que não estão bem resolvidos (parecido com aquela sensação de comer banana verde); ou ainda a boca esquenta muito (é o excesso de álcool); a acidez está desequilibrada (outra informação irritante: é percebida nos cantos da boca e pela salivação – quanto maior, mais ácido é o vinho). Até o corpo da bebida pode ser avaliado (se tem um volume de boca leve, médio ou pesado. Muito abstrato? Compare o volume de um leite integral e outro desnatado: é por aí). Mas se o vinho for bom você vai confirmar aqueles aromas na boca, e até descobrir novos perfumes. O vinho está redondo e macio, tem uma boa estrutura (está tudo equilibrado, as sensações de taninos, acidez, álcool), o paladar é agradável e permanece por mais tempo, mesmo depois de engolido (vou evitar termos como retrogosto, por que aí é passar dos limites da irritabilidade, não é não?). Enfim, deu tudo certo. Uma garrafa, talvez, vai ser pouco…

Conclusão? Então é o seguinte, contrariando Fernanda Young, o sujeito não cristaliza idéias prontas ao se tornar um entendido em vinho. Pelo contrário, ele põe à prova cada garrafa que experimenta, exatamente por desconfiar de idéias prontas. Você tem de comparar, formar um arquivo de sensações e de lembranças. E tirar proveito disso. Um mesmo vinho aprovado hoje pode não estar bom na próxima safra. Não é como a cerveja, que a Fernanda Young declarou preferência na entrevista (já foi ler? Vale a pena), que, sendo da mesma marca, é sempre a mesma bebida, lata após lata.

Gente irritante – É claro que está coalhado de gente chata e esnobe – enófilo já é uma palavrinha encrencada – que se diz entendida de vinho após ter feito aquele primeiro cursinho e bebe de nariz empinado. Iniciante geralmente não tem muita noção mesmo. Fica parecendo aquele calouro de psicologia, que analisa até o movimento que você faz para trancar a porta do carro, ou aquele sujeito que faz um curso de cinema e não consegue mais se divertir assistindo um filme.

Para finalizar, vamos combinar uma coisa: há momento para tudo nessa vida. Ninguém vai degustar vinho em uma festa, a não ser que queira parecer ridículo, ou então esteja ao lado da Fernanda Young. Há espaço para todos, sem preconceito. É como diz aquele clássico do cancioneiro popular: “Cada um no seu quadrado”. Assista ao vídeo. Mais irritante, impossível!

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008 Blog do vinho | 23:25

Enonotas: vinho "de merde", que mata e feito por presidiários

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Da França vem o caso mais bizarro de enomarketing já visto – se é que existe isso. Viticultores da região do Languedoc – que têm a (injusta) fama de produzir vinhos ruins – lançaram um rosé e um tinto com um nome no mínimo curioso: Le Vin de Merde. Para caprichar, uma vistosa mosca é exibida no canto do rótulo (foto acima). A repercussão na imprensa foi enorme e todo o estoque do rosé foi vendido. Vá lá, é baratinho: 7 euros. Mas você encarava?

Vinho não é mesmo coisa para amador, muito menos para quem se aventura a produzi-lo em casa. Uma fatalidade acometeu dois amigos da comuna francesa de Roiffieux, no Rhône. Eles pisavam uvas para produzir um vinho artesanal e acabaram envenenados pela inalação do dióxido de carbono produzido durante a fermentação das castas. Por conta do local pouco ventilado onde realizavam a pisa, eles  ficaram inconscientes e não sobreviveram à intoxicação do dióxido de carbono.

De Portugal, uma nota curiosa envolvendo outro lado do vinho: detentos do presídio Pinheiro da Cruz, em Portugal, produzem 30.000 litros de tinto e branco. O rendimento anual, estimado em 270.000 reais, permite o pagamento de um salário aos presos. Confira a história completa no vídeo a seguir.

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008 Harmonização, Livros | 00:37

Vinho e comida: a arte de combinar lé com cré

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O sujeito se esforça, e depois de certo tempo acaba finalmente aprendendo um pouco sobre vinho: conhece as principais uvas, regiões, países, decora alguns rótulos e até adquire certa aptidão para identificar aromas e sabores. Jargões como terroir e tânico começam a fazer parte de seu vocabulário. Todos os mistérios dos tintos, brancos e espumantes estão desvendados, certo?

Infelizmente, não!

Agora é preciso harmonizar – ou seja, desenvolver aquela habilidade de combinar a comida do prato com o vinho na taça.

Frescura? Bom, se você coloca na balança o dinheiro investido na bebida, somado ao da refeição, e o resultado da mistura é ruim para ambos os lados, aí talvez a percepção mude um pouco.

Como tudo que envolve o vinho, este é mais um capítulo cercado de preconceitos. Ninguém condena quem torce o nariz para combinações esdrúxulas como camarão com bisteca de porco, feijoada com macarrão ou então goiabada com presunto, tudo isso regado a licor de menta no copo. Por que então o casamento entre vinho e comida também não pode ter seus princípios e recomendações?

Tudo bem, vamos combinar que não é das tarefas mais fáceis, dificultada pela quantidade enorme de rótulos e receitas. O que torna também a brincadeira mais divertida. Para isso que existem os sommeliers em restaurantes (não é só para te empurrar o vinho mais caro da carta). Mas a experiência mostra que é possível também desenvolver este talento pessoalmente. Há dois caminhos, o empírico e as indicações de especialistas e amigos. Ambos só funcionam, evidente, com sua certificação pessoal. Harmonização boa é aquela que combina, antes de tudo, com o seu gosto.

O livro dos dois “Zés” dá uma mãozinha
Na área da indicação de especialistas, há uma boa novidade nas livrarias. Dois craques do mundo vinho juntaram seus talentos e histórico degustativo para ajudar os incautos nesta tarefa. O resultado é o livro Comida e Vinho, Harmonização Essencial (José Ivan Santos e José Maria Santana, Editora Senac). Os dois “Zés” do vinho têm uma enorme folha de serviços prestados na área, o primeiro especializou-se pela Wine & Spirit Education, de Londres, e é autor de diversos livros sobre o tema, o segundo é jornalista de fino texto e contribui há muitos anos para publicações especializadas. Taí uma harmonização que deu certo!

A grande sacada do livro é facilitar a vida do leitor. Quem quiser se aprofundar um pouco mais, há detalhadas explanações de princípios e métodos de harmonização. Para quem quer ir direto ao ponto, quadros e tabelas resumem o que interessa. Qual vinho combina com que tipo de comida, organizados por tintos, brancos, rosés e espumantes e suas respectivas uvas.

Claro, não existe regra fixa. Dá tranqüilamente para desconectar as coisas. Se o vinho e a comida se estranharem – por exemplo, um linguado com espinafre orgânico e um tinto potente espanhol da Rioja -, basta intercalar um copo de água entre eles e a vida segue feliz. Mas se junto ao Rioja acompanhar um naco de picanha sangrando, ou o linguado for amparado por um fresco Chablis, que é um branco sem madeira da França, com certeza o seu índice de felicidade vai aumentar. E muito. Os vinhos e as receitas estão no mundo, só é preciso aprender.

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