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domingo, 7 de setembro de 2008 Entrevista, Novo Mundo | 01:56

Um bate-papo com Chadwick

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Em sua conversa com o Blog do Vinho, Eduardo Chadwick opinou sobre Robert Parker e a crítica americana, lembrou de Robert Mondavi (de quem foi sócio), explicou a razão da mudança de seus rótulos Errazuriz  de importador (Terroir para Vinci), contou suas aventuras como alpinista e, claro, falou sobre seus vinhos.

Parker e a crítica americana
“Crítico americano é paroquial, eles usam como referência o seu quintal, o Vale do Napa, na Califórnia.”

“O americano médio está acostumado com sabores doces e apimentados. Por isso gostam de vinhos com esta característica que o Parker tanto aprecia, de vinhos potentes que ele pontua com notas altas, numa escala que os americanos compreendem bem, de 0 a 100, igual às notas do colégio”.

“Eu não adapto meu vinho ao gosto do Parker e da revsita Wine Spectator, ao contrário de muitas vinícolas do Chile. Parker, aliás, nunca foi ao Chile.”

“Meus vinhos são bem pontuados por Parker e Wine Spectator, mas o gosto da crítica americana não pode ser o único critério de valor no mundo.”

“Os americanos são mesquinhos na avaliação do Chile, ao contrário do que acontece no Reino Unido, que tem outra cultura de vinho, mais refinada.”

Cata de Berlim
“Um ano antes, em 2003, fizemos uma prova às cegas com nossos vinhos das safras 98 e 99 junto com cinco grand cru. Não era um evento aberto, com divulgação, mas ficamos com o terceiro e quinto lugares. Isso nos deixou mais seguros.”

“Não concordo que os vinhos franceses vão envelhecer melhor do que os chilenos. Vou refazer a Cata de Berlim em 2014, com as mesmas safras, para demonstrar a capacidade de envelhecimento de nossos vinhos.”

Robert Mondavi
“Meus dois maiores mentores foram o meu pai e Robert Mondavi. Ele tinha 80 anos e eu 30 quando nos associamos. Ele me deu uma noção de aprendizado maravilhosa.”

“Em 1995, Bob Mondavi enxergou no Chile o mesmo potencial que viu no Napa Valley nos anos 60.”

“Mondavi me ensinou que o marketing é uma ferramenta tão importante quanto a produção do vinho, pois é preciso torná-lo conhecido.”

“A última vez que estive com Bob Mondavi foi em junho de 2007, ele já estava bastante debilitado, menos lúcido, sofria de Alzheimer. Sua morte não foi uma surpresa, ele sofreu muito no hospital.”

Seña branco
“A idéia inicial era produzir um grande vinho tinto e outro branco com o rótulo Seña. Mas depois de provar os brancos, percebemos que não tinham tipicidade para competir com os grandes da Borgonha, por isso resolvemos apostar só no Seña tinto.”

“Hoje as uvas brancas do Chile melhoraram muito, o sauvignon blanc plantado nas costas tem uma qualidade muito melhor do que há 15 anos. O mesmo acontece com o chardonnay. Produzimos um chardonnay mais fresco e mineral, como menos presença de madeira, como os da linha Arboleda, com bons resultados.”

A troca do Errazuriz da Terroir pela Vinci e a reação de Lopes
“Lopes (Elídio Lopes, proprietário da Terroir) foi bastante injusto nas declarações na imprensa e em seus programas de TV sobre o  fim de nossa parceria, pois ele não fez o trabalho que se comprometeu comigo. Lopes queria nossa marca muito reduzida, elitista, sem um trabalho forte nos restaurantes, que é algo que nos interessa.”

“Por cinco anos trabalhamos com o Lopes na Terroir, depois deste tempo, nos demos conta que era uma missão impossível, não íamos ser bem representados no Brasil, por isso trocamos a Terroir pela Vinci. Nós é que fomos falar com eles.”

Vinhos chilenos
“Eu não acho que um vinho tenha de mostrar taninos rústicos e verdes quando novos. Nossos vinhos nascem com taninos maduros e com capacidade de envelhecer.”

“O paladar mundial está cada vez mais orientado para os vinhos do Chile.”

“Cada marca representa um vale, uma história. O Seña, em Aconcágua,  e o Chadwick, no Vale do Maipo

Alpinismo
“Na primeira tentativa, em 1996, treinamos seis meses, eu e um grupo de três amigos. Mas no último acampamento enfrentamos uma tempestade de neve de três dias, a neve chegou a 1 metro de altura. Ficamos desiludidos e frustrados. A montanha te ensina a humildade, se não é possível enfrentá-la, não se pode.”

“Na segunda vez estava com um grupo de ingleses. Eles desistiram, mas eu fui até o final.”

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008 Espumantes, Velho Mundo | 23:49

Caro, muito caro, mas exclusivo

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Após um década de sigilo, a Maison Krug – uma das mais emblemáticas casas da região de Champagne – desarolhou a mais cara champanhe já lançada no mercado. Trata-se da 1995 Krug Clos d’Ambonnay. Foram produzidas somente 3.000 garrafas desta série, que devem custar entre 3.000 e 7.000 dólares.
A 1995 Krug Clos d’Ambonnay tem origem pra lá de delimitada. Somente meio hectare de um único e  exclusivo vinhedo da vila que dá o nome ao vinho, Ambonnay, onde foram cuidadosamente cultivados os cachos de pinot noir, a única uva que entra na composição desta jóia engarrafada.
Não, não tive o privilégio de provar. Já uma repórter da revista Time, Lydia Itoi, sim – os jornalistas sempre arrumam um boquinha. Lydia, apesar do preço, achou que cada gole vale cada centavo cobrado. Seu relato:
“A colheita do vinho se deu em 1995 e a primeira fermentação foi realizada lentamente em pequenas barricas de carvalho, no lugar dos tradicionais tanques de aço inoxidável. Isso deu uma tremenda intensidade, caráter e notas tostadas de brioche, além de mostrar uma fruta muito fresca e jovem. É simplesmente surpreendente.”
Alguém se habilita?

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terça-feira, 26 de agosto de 2008 Blog do vinho | 12:58

Vai ficar mais caro

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A partir de 1º de outubro o governo vai subir em cerca de 30% as alíquotas do Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) para a maior parte das bebidas alcoólicas destiladas e fermentadas. Ou seja, vem aumento aí na sua garrafa de vinho. Estava tudo muito bom. O setor  nadava de braçada com a cotação favorável do dólar e o aumento do consumo de vinho. Mas aí começaram a surgir várias rolhas no meio da caminho. No começo do ano foi instituído o regime de substituição tributária em São Paulo, que exige o recolhimento antecipado do ICMS  —  aquela lei que ninguém entendeu direito mas que já inflou os preços de algumas importadoras, lojas e restaurantes; em seguida, a promulgação da chamada lei seca (ainda vou falar sobre o tema) atingiu em cheio o consumo em restaurantes e bares (a importadora Aurora, por exemplo, acusou uma queda entre 20 a 25% nos restaurantes, segundo informa seu presidente Alberto Jacobsberg). A  mais recente novidade, que deve repercutir no seu bolso – impostos são sempre repassados ­–, é esta nova alíquota do IPI, que, segundo o consultor de mercado de vinhos Adão Morellato deve acarretar um acréscimo de no mínimo 5% no preço final das garrafas, principalmente naquelas que custam até 70 reais.

O valor da mordida
As alíquotas são classificadas por procedência ou
mesmo tipo de vinho. Veja os exemplos:
TIPO                              DE               PARA            
Letra  J – mercosul          R$ 0,56       R$ 0,73   =  30%
Letra K – Chile                R$ 0,66       R$ 0,88   =  33%
Letra L – outros países     R$ 0,83       R$ 1,08   =  30%
Letra S – espumantes      R$ 3,38       R$ 4,34   =   28%
(Fonte: decreto 6.501)

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sexta-feira, 22 de agosto de 2008 Blog do vinho, Degustação | 19:52

Fisgado pelo vinho

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Uma garrafa de vinho pode ser apenas um coadjuvante em uma refeição ou servir de pretexto para uma conversa entre amigos. Mas pode também se transformar no centro das atenções. Tudo depende da relação que se tem com a bebida. Um determinado dia, um vinho te chama a atenção. Você leva a taça próxima ao nariz e percebe um aroma qualquer —  sua memória olfativa é acionada e identifica uma fruta, uma flor, algo diferente que atiça sua curiosidade. Ou, então, um gole lhe dá uma imensa satisfação e o sabor do vinho permanece por um tempo mais longo. Sem perceber, você mudou de patamar e começou a degustar a bebida. Degustar, afinal, nada mais é do que beber com mais atenção. O resto é pirotecnia.

Hugh Johnson, um dos maiores escritores de vinho do mundo, conta na sua autobiografia A Life Uncorked, ainda sem tradução no Brasil, que foi iniciado na época de estudante em Cambridge, na Grã-Bretanha. Um colega de quarto lhe trouxe uma noite duas taças de vinho tinto e pediu para ele experimentar:

“Apenas prove”, sugeriu o amigo. “Agora diga, qual sua opinião?”

“Muito bom”, disse Johnson, “mas um deles parece que tem mais sabor que o outro.”

“Exatamente”, ele concordou. “E eles vieram do mesmo lugar, são do mesmo ano – a única diferença é que são de diferentes lados de uma estrada.”

O colega de Hugh Johnson tinha trazido  para ele provar dois vinhos da Borgonha, um grand cru e um premiers cru, como são classificados os melhores vinhos desta região da França. Entender como era possível esta diferença entre dois tintos de vinhedos vizinhos e a possibilidade de experimentar outras vezes esta sensação iniciou o jovem Johnson: “Foi a curiosidade que me fez prestar mais atenção ao vinho”, conclui.

Como não somos ingleses, e não temos este repertório à disposição, passamos normalmente por etapas menos refinadas. Uns são iniciados por vinhos mais básicos e, de degrau em degrau, vão subindo o nível da qualidade das garrafas. É um processo educativo mesmo, afinal ninguém desenvolve e aprimora o paladar de uma hora para outra. Há gerações que começam pelo vinho da moda: a minha foi marcada pelo branco alemão da garrafa azul (eu sou do tempo em que vinho bom era aquele que não dava dor de cabeça no dia seguinte), depois veio a moda do prosecco, do carmenère, do malbec, do tinto mais potente e maduro do novo mundo e por aí vai. Depois, cada qual cria seu repertório.

A primeira providência do “neoenófilo” é anotar o nome do rótulo. Em seguida, procura-se mais  informações: o tipo de uva usada, o país de origem, a região onde foi produzido. A razão? Simples. Assim como Johnson, deseja-se voltar a sentir aquela sensação prazerosa outra vez. E,  para isso, nada melhor que entender um pouco sobre o tema. Não tem volta. Você foi definitivamente fisgado pelo chamado “mundo do vinho”. Talvez por isso esteja lendo este texto. Conte aqui, então, como o vinho se aproximou de você ou você do vinho.

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quarta-feira, 20 de agosto de 2008 Blog do vinho | 22:14

Opções chilenas para quem está com os argentinos entalados na garganta

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Vamos combinar que após uma derrota por 3 x 0 na Olimpíada de Pequim, nesta última terça-feira, dia 19, fica difícil engolir um vinho argentino com o mesmo prazer de antes. Pelo menos nos próximos dias. Para curar esta ressaca do fracassado ludopédio nacional, nada melhor que uma doce vingança: trocar tintos e brancos argentinos pelos rótulos chilenos, estes sim campeões de verdade, eles são número 1 no ranking de vinhos importados no Brasil. Em volume, o Chile aparece em primeiro lugar, mordendo 37,3% do mercado, seguido da Argentina, com 25% (dados de janeiro a maio compilados pela Uvibra – União Brasileira de Vitivinicultura. A tabela completa aqui ). Para quem está com os argentinos entalados na garganta, então, aqui vão sugestões de rótulos chilenos para todos os bolsos. Uma modesta contribuição deste Blog do Vinho para a entristecida nação verde-amarelo.

BRANCOS
Cono Sur Bicicleta Riesling 2006

Produtor: Coño Sur
Região: Bio-Bio
Importador: Wine Premium
R$ 23,80
Assim como a importadora Wine Premium é uma perna operacional da Expand, a Coño Sur é uma empresa da gigante Concha y Toro chilena. Trata-se de um riesling básico, mas já com as características da uva  presentes no nariz e na boca, sempre aquele toque um pouco mineral dizendo “presente”! Na temperatura adequada (de 10 a 12º) vai bem com um peixinho leve.

Reserva Sauvignon Blanc 2007
Produtor: Viña Errazuriz
Região: Vale de Casablanca
Importador: Vinci
U$ 22,50 (preço tabelado em dólar)
A sauvignon blanc é a uva que melhor se adaptou nas zonas mais frias do Chile, como Casablanca. 2007 foi uma boa safra na região; é um vinho fresco, com maracujá perceptível até para quem acha que sentir aroma em vinho é uma afetação de enófilo desocupado. 

Arboleda Chardonnay 2005
Produtor:  Eduardo Chadwick
Região: Vale de Casablanca
Importador: Expand
R$ 75,00
Aqui um branco mais parrudo, amadeirado, com aquela cremosidade um pouco amanteigada na boca, uma característica bem de chardonnay do novo mundo de um produtor que prima pela qualidade de seus rótulos.

Sol del Sol  2005
Produtor: Viña Aquitania
Região: Traiguén
Importador: Zahil
R$ 147,00
Sempre citado pela crítica como um dos mellhores chardonnay do Chile, trata-se, de fato,de  um dos mellhores e mais agradáveis chardonnay do Chile. Os vinhedos, de uma região bem ao sul do país, parece que dão um toque especial  neste vinho que passa 12 meses na barrica. Difícil alguém se arriscar num branco desta faixa de preço, certo? Errado, as garrafas,  que chegam em pequenas quantidades,  são disputadas entre a clientela.

Não gosta de vinho branco? Muito menos neste preço? Então pula para as sugestão dos tintos, logo abaixo

TINTOS
Casillero del Diablo Cabernet Sauvignon  2007
Produtor: Concha y Toro
Região: Vale do Rapel, Vale do Maipo e Vale do Maule
Importador: Pernod Ricard
R$ 33,00
Um clássico do custo-qualidade. O enólogo Marcelo Papa consegue retirar de parreiras de três vinhedos diferentes caldos intensos, bem estruturados e, o que mostra sua maior competência, em grande quantidade. Fazer um tinto de baixa produção e com as uvas selecionadas, é até fácil. Difícil é manter a qualidade em grandes volumes. Um cabernet sauvignon do Chile sem medo de ser feliz. 

Armador Cabernet Sauvignon 2005
Produtor: Odfjell
Região: Vale do Maipo
Importador: World Wine
R$ 44,00
Outro cabernet chileno, este um patamar acima, de uma pequena vinícola de um construtor de embarcações norueguês, daí o nome. Correto, equilibrado, frutado e fácil de gostar.

Santa Rita Reserva Carmenère 2006
Viña Santa Rita
Região: Vale do Rapel
Importadora: Grand Cru
R$ 54,00
Não sou grande admirador da carmenère, a tal uva emblemática do Chile. Mas esta linha reserva da Santa Rita tem sempre uma boa fruta, e é muito agradável. Aqui, o prazer de comprar um chileno neste momento de vingança se multiplica: os proprietários da loja e importadora são argentinos…

Montes Alpha Syrah 2005
Produtor: Viña Montes
Região: Vale de Apalta
Importador: Mistral
U$ 34,90 (preço tabelado em dólar)
O Montes Alpha cabernet sauvignon é mais conhecido entre os consumidores, talvez um dos rótulos mais vendidos nas casas de carne mais sofisticadas paulistanas. Mas este syrah merece ser conhecido. A uva vem fazendo bonito no Chile nos últimos anos, parece que todas as vinícolas descobriram e estão testando a potencialidade do syrah local, sempre com um toque mais apimentado, de especiarias. E, na sua maioria, têm mostrado bons resultados.Vale ficar atento ao syrah chileno. 

Cabo de Hornos 2003
Produtor: Viña San Pedro
Região:  Vale de Curicó
Importador: World Wine
R$ 200,00
Para quem tem um pouco mais de grana, o Cabo de Hornos é um vinho de classe, com boa  intensidade de fruta e que mantém a qualidade em todas as safras, as mais recentes estão saindo cada vez mais prontas para beber, mas isso não é um problema, é?

Casa Marin Lo Abarca Hills 2004
Produtor: Casa Marin
Região: San Antonio
Importador: Vinea Store
R$ 279,00
Um pinot noir do Chile? Sim, a sempre difícil pinot noir se deu bem nas regiões de clima mais frio do Chile, como San Antonio, de onde vem este premiado – e caro –  rótulo de Maria Luz Marin, proprietária e enóloga desta jóia engarrafada. Trata-se de um excelente  pinot do Chile, mas não é da Borgonha. Cada um no seu quadrado! Mas tem sim aquela elegância, fineza, personalidade e aromas típicos que se esperam de um pinot noir. Vingança aliada à elegância, já que é mais raro encontrar um pinot de classe argentino.

Almaviva 2005
Produtor: Viña Almaviva
Região: Puente Alto – Maipo
Vários importadores
R$ 360,00
Um pouquinho do espírito de Bordeaux no Chile. Um corte de uvas tintas cuidadosamente selecionadas e vinificadas. Um vinho top de linha, um puro-sangue, com preço de puro-sangue. Mas entrega o que custa, ao contrário de alguns peladeiros da seleção canarinho… Não esqueçam, 3 x 0! É o chamado vinho de guarda, de reflexão, na hora de comprar, inclusive. Agrada aberto agora, mas vai evoluir muito mais se ficar descansando mais tempo na adega, criando mais camadas de aroma e de  sabor. Quem sabe dá para abrir na Copa de  2010, na revanche contra “os amigos argentinos”.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008 Blog do vinho, Degustação | 14:26

Atire a primeira rolha quem nunca…

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O mundo do vinho é cheio de regras, etiquetas e conceitos preestabelecidos. Cometer alguns pecados de Baco faz parte do aprendizado e da vida. Quer ver? Atire a primeira rolha quem nunca…

…comprou vinho básico do dia-a-dia, bem meia-boca, em oferta no supermercado?
…tomou tinto com peixe?
…saiu dirigindo após virar duas (ou mais) taças de vinho, mesmo depois de decretada a lei seca?
…bebeu além da conta?
…foi influenciado pela fama do rótulo na avaliação de um vinho?
…errou completamente o tipo de uva de um vinho num palpite às cegas?
…tentou abrir uma garrafa de screw cap (tampa de rosca) com um saca-rolha sem perceber que bastava girar a tampinha?
…foi influenciado pela pontuação da crítica na hora da compra de um vinho?
Esse chileno recebeu 97 pontos da Wine Spectator!
– Mesmo? Vou levar para experimentar…

…foi influenciado pela descrição de um aroma pelo colega ao lado?
Tá sentindo este limão siciliano no finzinho do nariz?
– Humm… incrível, né?

…tomou o vinho branco alemão da garrafa azul e achava ótimo (válido para maiores de 40 anos)?
…manchou a roupa, a sua e a dos outros, com gotas de tinto ao girar a taça freneticamente?
…tomou tinto gelado demais ou branco meio quente?
…quis beber um vinho de 100 pontos do Robert Parker, mesmo sendo contra o Parker?
…estourou garrafa de espumante ou champanhe lançando a rolha ao espaço e derrubando a bebida pela chão (lembrando que a maneira correta de abrir o espumante é segurando a rolha, para não deixar escapar muito gás carbônico)?
…tomou um vinho bouchounné e não notou até ser alertado por um(a) amigo(a)?
– Este vinho já era, está oxidado…
– Totalmente! Dá para perceber no nariz (isso depois de ter bebido a primeiro taça sem perceber nada)

…deu uma esnobada numa roda de amigos mostrando conhecer mais sobre aquele vinho que todos à sua volta?
– Não, querida, prosecco não é uma região da Itália… é uma uva com a qual este espumante é feito.

…usou nome falso em comentários de blogs, ou para falar bem dos amigos ou espinafrar os desafetos?
– Adorei este Blog do Vinho, os textos são descontraídos, o autor é claro e suas informações sempre úteis. Visitarei todos os dias. Abraços, Palmirinha (apelido da minha mãe…)

(E você? Tem algum pecado de Baco para acrescentar ou relatar?Atire a primeira rolha quem nunca…)

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terça-feira, 12 de agosto de 2008 Blog do vinho | 17:19

Vinho chinês, você ainda vai beber um

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A imagem do dragão que toma de assalto a economia mundial e, quem sabe, vai levar a maioria das medalhas dos Jogos Olímpicos de Pequim, também faz sombra no mundo do vinho. O país, que já é um grande consumidor de vinhos finos, deve se tornar, em 10 anos, no principal mercado de tintos, brancos e espumantes (principalmente champanhe). Segundo um estudo da International Wine and Spirit Record, de Londres, em 2011 o mercado de consumo deve chegar  ao dobro daquele registrado em 2007, com mais de 1 bilhão de garrafas. Cifras chinesas, grandiosas, como tudo naquele país.

Grande na hora de ir às compras, a China também é gigante em volume produzido. Segundo dados de 2006 da IOVW (International Organization of Vine and Wine), o país ocupa a sétima posição na lista dos maiores produtores do planeta, colado na Austrália e na Argentina. Para a empresa britânica de mercado de vinhos Berry Bros & Rudd (BBR) a liderança é uma questão de tempo. O posto de número 1 em produção (atualmente disputado entre Itália e França) deve ser alcançado em 2058.

Em 2000, grandes empresas internacionais entraram no mercado chinês, em sistema de joint-venture, entre elas o grupo francês Castel, a Argentina Norton e as espanholas Torres e Cordoníu. Mais de 100 vinícolas foram abertas desde 1996, entre elas a Great Wall Winery, que produz cerca de 50.000 toneladas de vinho por ano no norte da China. O Great Wall  foi escolhido o rótulo oficial desta Olimpíada.

A qualidade? Nosso correspondente em Pequim, Carlos Maranhão, deu sua opinião no blog Diário Olímpico.: “A bebida não é exatamente ruim e, em páreo com a maioria dos produtos gaúchos à venda nos supermercados brasileiros, até que não daria vexame”. Detalhe: o Great Wall (Grande Muralha) custa inacreditáveis 86 euros no hotel. Alguns especialistas, como o master of wine Jasper Morris, apostam no futuro: “Eu tenho certeza que a China se tornará em um grande produtor de vinhos finos, e no futuro vai rivalizar com os melhores vinhos da França”, declarou à revista inglesa Decanter, em maio deste ano.

95% do vinho produzido na China ainda são consumidos no mercado interno – e pelo que parece não é algo a se lamentar. O tal Great Wall, no entanto, já é exportado para mais de vinte países, incluindo França, Inglaterra, Alemanha e Japão. Não demora muito estará nas prateleiras brasileiras e, desavisado, um dia você vai se ver bebendo vinho chinês numa festa de casamento…

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Blog do vinho | 17:03

Decanter, em mandarim

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De olho neste enorme mercado oriental, a conceituada revista especializada inglesa Decanter publica uma edição em mandarim. Curioso? Clique aqui e…  veja as figuras.

Registro: na nota sobre o ranking Playboy de Espumantes (a revista já está nas bancas), cometi um erro e aqui me retrato. Não se trata do I Ranking promovido pela publicação. Muitos anos atrás, quando ninguém falava no assunto, o jornalista Ricardo Castilho, hoje no comando da revista Prazeres da Mesa, coordenou e conduziu os primeiros rankings da publicação sobre vinhos.

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008 Degustação | 23:07

Uma taça para cada vinho

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Se você se considerava quase um sommelier com dois tipos de taça em casa, uma para os brancos (um pouco mais baixa e com uma boca maior) e outro para os tintos (mais alta e com boca mais estreita), tenho uma má notícia para o seu bolso – e para seu paladar. Assim como até Gisele Bündchen pode realçar seus atributos em uma roupa desenhada especialmente para ela, um cabernet sauvignon de Bordeaux, ou um pinot noir da Borgonha, só para ficar em dois exemplos clássicos, também são capazes de revelar todo o seu potencial em uma taça desenvolvida especialmente para o perfil destas uvas.

O austríaco Georg Riedel, proprietário da Riedel, e décima geração da família que produz taças em cristal desde 1756  —   e dono de outra marca importante, a Spiegelau  —, é capaz de provar esta história em um jogo lúdico. Mr Riedel esteve em São Paulo este ano para montar seu espetáculo de aromas e sabores. Ele começa seu show servindo  —  em um decanter Riedel, é claro  —, um sauvignon blanc em uma taça própria para esta uva e pede para os participantes sentirem os aromas e o sabor da bebida. Aí, com ares de prestidigitador, solicita ao público presente que verta o sauvignon blanc numa taça de chardonnay (um pouco mais bojuda embaixo e mais aberta no topo). Troca de olhares entre os presentes. Ohhhh! O sauvignon blanc, antes de aromas expansivos e acidez correta, se transforma numa bebida desprovida de aromas e de boca chata. Basta voltar o líquido à taça original, e, voilà, está tudo de volta. O processo é repetido com um chardonnay chileno, um pinot noir da Borgonha (este então fica irreconhecível numa taça de bordeaux, perde os aromas, o gosto das frutas e se torna ralinho) e por fim com a célebre cabernet sauvignon. “Não melhoramos o vinho”, insiste Mr Riedel. “Nós evidenciamos seus aromas.”

Mas como ele consegue isso? Aqui a mágica desaparece. Os engenheiros e designers da Riedel encaram as características olfativas e gustativas do vinho como elas são: processos químicos. E trabalham fortemente na valorização dos aromas – a primeira impressão é a que fica, não é? – e na engenharia do formato da taça, planejada para atingir determinadas áreas da língua que identificam o doce, o salgado, a acidez e o amargo. O desenho da taça de um Bordeaux, por exemplo, faz o líquido escorrer para o centro da língua, o ponto que percebe a sensação encorpada do vinho. Há modelos para cada uva e região mais emblemáticas  – não por acaso, Georg é próximo de produtor italiano Angelo Gaja, e era muito amigo do recém-falecido Robert  Mondavi, de quem relembrou  emocionado. Antes de serem lançados no mercado, variações dos modelos são testados junto aos produtores, sommeliers e especialistas, até se chegar no ponto de excelência.

O que isso quer dizer, afinal? Que um amante de vinhos tem de ter toda uma linha de taças possíveis para usufruir a adega cuidadosamente formada em casa? Nem tanto, há taças que acabam cumprindo a função de agradar tintos gregos e brancos troianos, na média. Se o que você mais bebe é um cabernet, adquira uma taça do tipo “bordeaux” e a vida está resolvida. O mesmo com um branco. E assim voltamos ao ponto inicial deste texto. Mas quem realmente pretende extrair todas as nuances e complexidades que um rótulo de primeira linha pode oferecer, e que custa os olhos da cara, uma coleção de taças acaba se transformando em objeto de desejo. Frescura? Preciosismo? Pode ser, mas o mundo do vinho tem dessas coisas. O precinho? Em torno de R$ 85,00 cada exemplar, dependendo do modelo. Bom, dias dos pais taí…

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quarta-feira, 6 de agosto de 2008 Degustação, Entrevista, Espumantes, Nacionais | 17:59

Com a palavra, o campeão

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Um rápido bate-papo com Cândido Valduga, 77 anos, o patriarca da Vinícola Dom Cândido, que produz o espumante campeão do ranking Playboy.

Como o senhor soube que o Dom Cândido Brut havia sido eleito o melhor espumante pelo ranking da revista Playboy?
Foi uma surpresa. Um amigo do meu filho, de Porto Alegre, enviou pela internet o texto do blog. A notícia se espalhou rápido, muita gente ligou para cá querendo comprar o espumante. Também apareceram turistas interessados em conhecer o Dom Cândido Brut.

O que significa este resultado para vocês?
É uma recompensa de toda uma vida dedicada aos vinhedos e aos vinhos.

Hoje a produção está limitada a 12.000 garrafas. Vocês pretendem  aumentar a produção?
Estamos plantando novas videiras. Creio que agora vamos acelerar este processo, mas só depois de 3 anos as uvas podem ser usadas na produção do vinho.

Como é a elaboração do Dom Cândido Brut?
Para começar, a nossa uva é de boa qualidade, com baixo rendimento por hectare, e são colhidas no tempo certo. Nós fazemos um charmat longo, um processo que dá justamente estas características de um espumante elaborado pelo método champenoise (aquele que a segunda fermentação se dá na garrafa). Muita gente, na hora de provar, confunde o Dom Cândido com champanhe.Você não estava enganado quando percebeu estes aromas mais evoluídos, típico dos espumantes feitos pelo método champenoise.

Muitos leitores perguntaram onde podem encontrar seu espumante e qual o preço…
Nós não vendemos para supermercados. Nossa maior venda é direta, para pessoa física (entregamos para todo o Brasil), e para alguns restaurantes e lojas. Aqui na vinícola ele sai por 25 reais, nas lojas deve custar entre 30 e 35 reais. Em São Paulo, eu sei que o Empório Chiapetta (do Mercado Municipal) vende nossos vinhos.

Com a premiação e a repercussão o senhor pretende aumentar o preço do Dom Cândido Brut?
Não. Aqui na vinícola vamos manter o mesmo preço.

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