Publicidade

segunda-feira, 18 de agosto de 2008 Blog do vinho, Degustação | 14:26

Atire a primeira rolha quem nunca…

Compartilhe: Twitter

O mundo do vinho é cheio de regras, etiquetas e conceitos preestabelecidos. Cometer alguns pecados de Baco faz parte do aprendizado e da vida. Quer ver? Atire a primeira rolha quem nunca…

…comprou vinho básico do dia-a-dia, bem meia-boca, em oferta no supermercado?
…tomou tinto com peixe?
…saiu dirigindo após virar duas (ou mais) taças de vinho, mesmo depois de decretada a lei seca?
…bebeu além da conta?
…foi influenciado pela fama do rótulo na avaliação de um vinho?
…errou completamente o tipo de uva de um vinho num palpite às cegas?
…tentou abrir uma garrafa de screw cap (tampa de rosca) com um saca-rolha sem perceber que bastava girar a tampinha?
…foi influenciado pela pontuação da crítica na hora da compra de um vinho?
Esse chileno recebeu 97 pontos da Wine Spectator!
– Mesmo? Vou levar para experimentar…

…foi influenciado pela descrição de um aroma pelo colega ao lado?
Tá sentindo este limão siciliano no finzinho do nariz?
– Humm… incrível, né?

…tomou o vinho branco alemão da garrafa azul e achava ótimo (válido para maiores de 40 anos)?
…manchou a roupa, a sua e a dos outros, com gotas de tinto ao girar a taça freneticamente?
…tomou tinto gelado demais ou branco meio quente?
…quis beber um vinho de 100 pontos do Robert Parker, mesmo sendo contra o Parker?
…estourou garrafa de espumante ou champanhe lançando a rolha ao espaço e derrubando a bebida pela chão (lembrando que a maneira correta de abrir o espumante é segurando a rolha, para não deixar escapar muito gás carbônico)?
…tomou um vinho bouchounné e não notou até ser alertado por um(a) amigo(a)?
– Este vinho já era, está oxidado…
– Totalmente! Dá para perceber no nariz (isso depois de ter bebido a primeiro taça sem perceber nada)

…deu uma esnobada numa roda de amigos mostrando conhecer mais sobre aquele vinho que todos à sua volta?
– Não, querida, prosecco não é uma região da Itália… é uma uva com a qual este espumante é feito.

…usou nome falso em comentários de blogs, ou para falar bem dos amigos ou espinafrar os desafetos?
– Adorei este Blog do Vinho, os textos são descontraídos, o autor é claro e suas informações sempre úteis. Visitarei todos os dias. Abraços, Palmirinha (apelido da minha mãe…)

(E você? Tem algum pecado de Baco para acrescentar ou relatar?Atire a primeira rolha quem nunca…)

Autor: Tags:

terça-feira, 12 de agosto de 2008 Blog do vinho | 17:19

Vinho chinês, você ainda vai beber um

Compartilhe: Twitter


A imagem do dragão que toma de assalto a economia mundial e, quem sabe, vai levar a maioria das medalhas dos Jogos Olímpicos de Pequim, também faz sombra no mundo do vinho. O país, que já é um grande consumidor de vinhos finos, deve se tornar, em 10 anos, no principal mercado de tintos, brancos e espumantes (principalmente champanhe). Segundo um estudo da International Wine and Spirit Record, de Londres, em 2011 o mercado de consumo deve chegar  ao dobro daquele registrado em 2007, com mais de 1 bilhão de garrafas. Cifras chinesas, grandiosas, como tudo naquele país.

Grande na hora de ir às compras, a China também é gigante em volume produzido. Segundo dados de 2006 da IOVW (International Organization of Vine and Wine), o país ocupa a sétima posição na lista dos maiores produtores do planeta, colado na Austrália e na Argentina. Para a empresa britânica de mercado de vinhos Berry Bros & Rudd (BBR) a liderança é uma questão de tempo. O posto de número 1 em produção (atualmente disputado entre Itália e França) deve ser alcançado em 2058.

Em 2000, grandes empresas internacionais entraram no mercado chinês, em sistema de joint-venture, entre elas o grupo francês Castel, a Argentina Norton e as espanholas Torres e Cordoníu. Mais de 100 vinícolas foram abertas desde 1996, entre elas a Great Wall Winery, que produz cerca de 50.000 toneladas de vinho por ano no norte da China. O Great Wall  foi escolhido o rótulo oficial desta Olimpíada.

A qualidade? Nosso correspondente em Pequim, Carlos Maranhão, deu sua opinião no blog Diário Olímpico.: “A bebida não é exatamente ruim e, em páreo com a maioria dos produtos gaúchos à venda nos supermercados brasileiros, até que não daria vexame”. Detalhe: o Great Wall (Grande Muralha) custa inacreditáveis 86 euros no hotel. Alguns especialistas, como o master of wine Jasper Morris, apostam no futuro: “Eu tenho certeza que a China se tornará em um grande produtor de vinhos finos, e no futuro vai rivalizar com os melhores vinhos da França”, declarou à revista inglesa Decanter, em maio deste ano.

95% do vinho produzido na China ainda são consumidos no mercado interno – e pelo que parece não é algo a se lamentar. O tal Great Wall, no entanto, já é exportado para mais de vinte países, incluindo França, Inglaterra, Alemanha e Japão. Não demora muito estará nas prateleiras brasileiras e, desavisado, um dia você vai se ver bebendo vinho chinês numa festa de casamento…

Autor: Tags:

Blog do vinho | 17:03

Decanter, em mandarim

Compartilhe: Twitter

De olho neste enorme mercado oriental, a conceituada revista especializada inglesa Decanter publica uma edição em mandarim. Curioso? Clique aqui e…  veja as figuras.

Registro: na nota sobre o ranking Playboy de Espumantes (a revista já está nas bancas), cometi um erro e aqui me retrato. Não se trata do I Ranking promovido pela publicação. Muitos anos atrás, quando ninguém falava no assunto, o jornalista Ricardo Castilho, hoje no comando da revista Prazeres da Mesa, coordenou e conduziu os primeiros rankings da publicação sobre vinhos.

Autor: Tags:

quinta-feira, 7 de agosto de 2008 Degustação | 23:07

Uma taça para cada vinho

Compartilhe: Twitter


Se você se considerava quase um sommelier com dois tipos de taça em casa, uma para os brancos (um pouco mais baixa e com uma boca maior) e outro para os tintos (mais alta e com boca mais estreita), tenho uma má notícia para o seu bolso – e para seu paladar. Assim como até Gisele Bündchen pode realçar seus atributos em uma roupa desenhada especialmente para ela, um cabernet sauvignon de Bordeaux, ou um pinot noir da Borgonha, só para ficar em dois exemplos clássicos, também são capazes de revelar todo o seu potencial em uma taça desenvolvida especialmente para o perfil destas uvas.

O austríaco Georg Riedel, proprietário da Riedel, e décima geração da família que produz taças em cristal desde 1756  —   e dono de outra marca importante, a Spiegelau  —, é capaz de provar esta história em um jogo lúdico. Mr Riedel esteve em São Paulo este ano para montar seu espetáculo de aromas e sabores. Ele começa seu show servindo  —  em um decanter Riedel, é claro  —, um sauvignon blanc em uma taça própria para esta uva e pede para os participantes sentirem os aromas e o sabor da bebida. Aí, com ares de prestidigitador, solicita ao público presente que verta o sauvignon blanc numa taça de chardonnay (um pouco mais bojuda embaixo e mais aberta no topo). Troca de olhares entre os presentes. Ohhhh! O sauvignon blanc, antes de aromas expansivos e acidez correta, se transforma numa bebida desprovida de aromas e de boca chata. Basta voltar o líquido à taça original, e, voilà, está tudo de volta. O processo é repetido com um chardonnay chileno, um pinot noir da Borgonha (este então fica irreconhecível numa taça de bordeaux, perde os aromas, o gosto das frutas e se torna ralinho) e por fim com a célebre cabernet sauvignon. “Não melhoramos o vinho”, insiste Mr Riedel. “Nós evidenciamos seus aromas.”

Mas como ele consegue isso? Aqui a mágica desaparece. Os engenheiros e designers da Riedel encaram as características olfativas e gustativas do vinho como elas são: processos químicos. E trabalham fortemente na valorização dos aromas – a primeira impressão é a que fica, não é? – e na engenharia do formato da taça, planejada para atingir determinadas áreas da língua que identificam o doce, o salgado, a acidez e o amargo. O desenho da taça de um Bordeaux, por exemplo, faz o líquido escorrer para o centro da língua, o ponto que percebe a sensação encorpada do vinho. Há modelos para cada uva e região mais emblemáticas  – não por acaso, Georg é próximo de produtor italiano Angelo Gaja, e era muito amigo do recém-falecido Robert  Mondavi, de quem relembrou  emocionado. Antes de serem lançados no mercado, variações dos modelos são testados junto aos produtores, sommeliers e especialistas, até se chegar no ponto de excelência.

O que isso quer dizer, afinal? Que um amante de vinhos tem de ter toda uma linha de taças possíveis para usufruir a adega cuidadosamente formada em casa? Nem tanto, há taças que acabam cumprindo a função de agradar tintos gregos e brancos troianos, na média. Se o que você mais bebe é um cabernet, adquira uma taça do tipo “bordeaux” e a vida está resolvida. O mesmo com um branco. E assim voltamos ao ponto inicial deste texto. Mas quem realmente pretende extrair todas as nuances e complexidades que um rótulo de primeira linha pode oferecer, e que custa os olhos da cara, uma coleção de taças acaba se transformando em objeto de desejo. Frescura? Preciosismo? Pode ser, mas o mundo do vinho tem dessas coisas. O precinho? Em torno de R$ 85,00 cada exemplar, dependendo do modelo. Bom, dias dos pais taí…

Autor: Tags: ,

quarta-feira, 6 de agosto de 2008 Degustação, Entrevista, Espumantes, Nacionais | 17:59

Com a palavra, o campeão

Compartilhe: Twitter

Um rápido bate-papo com Cândido Valduga, 77 anos, o patriarca da Vinícola Dom Cândido, que produz o espumante campeão do ranking Playboy.

Como o senhor soube que o Dom Cândido Brut havia sido eleito o melhor espumante pelo ranking da revista Playboy?
Foi uma surpresa. Um amigo do meu filho, de Porto Alegre, enviou pela internet o texto do blog. A notícia se espalhou rápido, muita gente ligou para cá querendo comprar o espumante. Também apareceram turistas interessados em conhecer o Dom Cândido Brut.

O que significa este resultado para vocês?
É uma recompensa de toda uma vida dedicada aos vinhedos e aos vinhos.

Hoje a produção está limitada a 12.000 garrafas. Vocês pretendem  aumentar a produção?
Estamos plantando novas videiras. Creio que agora vamos acelerar este processo, mas só depois de 3 anos as uvas podem ser usadas na produção do vinho.

Como é a elaboração do Dom Cândido Brut?
Para começar, a nossa uva é de boa qualidade, com baixo rendimento por hectare, e são colhidas no tempo certo. Nós fazemos um charmat longo, um processo que dá justamente estas características de um espumante elaborado pelo método champenoise (aquele que a segunda fermentação se dá na garrafa). Muita gente, na hora de provar, confunde o Dom Cândido com champanhe.Você não estava enganado quando percebeu estes aromas mais evoluídos, típico dos espumantes feitos pelo método champenoise.

Muitos leitores perguntaram onde podem encontrar seu espumante e qual o preço…
Nós não vendemos para supermercados. Nossa maior venda é direta, para pessoa física (entregamos para todo o Brasil), e para alguns restaurantes e lojas. Aqui na vinícola ele sai por 25 reais, nas lojas deve custar entre 30 e 35 reais. Em São Paulo, eu sei que o Empório Chiapetta (do Mercado Municipal) vende nossos vinhos.

Com a premiação e a repercussão o senhor pretende aumentar o preço do Dom Cândido Brut?
Não. Aqui na vinícola vamos manter o mesmo preço.

Autor: Tags: ,

terça-feira, 5 de agosto de 2008 Degustação, Espumantes, Nacionais | 20:31

Os outros espumantes do ranking da Playboy

Compartilhe: Twitter

Atendendo a pedidos dos leitores que estavam curiosos em conhecer todos os rótulos que participaram do ranking de espumantes da Playboy, publicamos a seguir a lista dos outros doze participantes. Aí vai. Mas ATENÇÃO! A lista está em ordem alfabética, sem ordem de classificação.

Casa Perini Espumante Brut Champenoise
Casa Valduga Espumante 130 Anos Brut
Castellamare Chardonnay Espumante Brut
Cave Geisse Brut Champenoise
Conde de Foucauld Espumante Brut
Marco Luigi Espumante Brut
Marcus James Brut
Marson Brut
Piagentini Brut
Rio Sol Brut
Salton Évidence
Terranova Blanc de Blancs Brut

Amanhã, neste espaço, uma pequena entrevista com Cândido Valduga, o homem atrás do espumante campeão.

Autor: Tags: , ,

segunda-feira, 4 de agosto de 2008 Degustação, Espumantes, Nacionais | 11:04

Deu zebra no ranking de espumantes da Playboy

Compartilhe: Twitter

O I Ranking de Espumantes Nacionais promovido pela revista Playboy vai dar o que falar…  Este Blog do Vinho antecipa o resultado, que estará na edição de aniversário que circula dia 12 de agosto. Das 22 garrafas avaliadas, o grande vencedor foi o Dom Cândido Brut. Conhece? Provavelmente, não. O Dom Cândido é um espumante pouco conhecido do Rio Grande do Sul, elaborado 100% com a uva chardonnay e vinificado pelo método charmat – aquele em que a segunda fermentação é realizada em grandes tanques de aço. A coisa foi séria. A degustação, coordenada pelo presidente da ABS (Associação Brasileira dos Sommeliers), Gustavo Andrade de Paulo, foi às cegas, sem que ninguém soubesse qual rótulo estava na taça, e as garrafas foram compradas em lojas e supermercados.

O segundo lugar, ao contrário, não teve surpresa, coube a um espumante campeão na lista dos nacionais mais admirados e que sempre agrada, o Excellence Par Chandon. A propósito, a maioria dos jurados acertou o rótulo, mesmo às cegas. Como eu sei? Eu fui um dos oito jurados. O restante da classificação, aliás, vai dar muito pano para a manga, ou para a uva. De qualquer forma, os admiradores do vinho têm este mês uma boa desculpa para comprar a próxima edição de Playboy, veja a lista.

Resultado final

1º lugar
Dom Cândido Brut
Método: charmat

2º lugar
Excellence Par Chandon
Método: charmat longo

3º lugar
Aurora Brut
Método: charmat longo

4º lugar
Dal Pizzol Brut
Método: champenoise

5º lugar
Château Lacave Brut
Método: champenoise

6º lugar
Georges Aubert Reserva Extra Brut
Método: charmat

7º lugar
Almadén Brut
Método: charmat

8º lugar
Peterlongo Brut
Método: champenoise

9º lugar
De Greville Brut
Método: charmat

10º lugar
Miolo Millèsime Brut
Método: champenoise

O que significa este resultado? Que o desconhecido Dom Cândido é o melhor espumante nacional do mercado? Menos. Significa, de fato, que naquele dia aquela garrafa foi a que mais agradou a todos os oito jurados (veja lista abaixo). Em minhas anotações rabisquei que a amostra número 3, a campeã Dom Cândido, tinha um perlage persistente (perlage é como são chamadas as bolhinhas de gás carbônico que brotam do fundo da taça em direção à borda e formam aquela espuma), aromas mais evoluídos, mais comuns em champanhes feitas pelo método tradicional (errei feio, como se vê), além de um leve toque de panificação. Confesso que nunca havia experimentado este espumante antes. E achei muito bem feito, destoando no estilo dos demais.

Outro ponto que chama a atenção na lista dos 10 mais: de três produtores mais badalados de espumantes nacionais – Salton, Miolo e Chandon -, somente esta último está entre os três primeiros da avaliação, sobrando para a Miolo o 10º lugar, atrás de marcas como Peterlongo, Aurora, Dal Pizzol e Georges Aubert.

Moral da história?

Prova às cegas é a prova dos noves, aqui não tem truque, o que vale é a percepção gustativa, a experiência – ou falta de – e avaliação do momento, daquela garrafa. Uma boa maneira, também, de rever uma série de preconceitos. Vou provar novamente o Don Cândido Brut e volto a comentar minhas impressões neste espaço. A propósito, não é fácil encontrá-lo, a produção é limitada a 12.000 garrafas.

Os outros sete jurados do ranking.

Alexandra Corvo: sommelière, proprietária da escola de vinho Ciclo das Vinhas e colunista de vinhos do Portal Veja SP.

André Santos: sommelier do restaurante Fasano Al Maré, no Rio de Janeiro.

Débora Breginsky: sommelière do restaurante Dressing e consultora privada de diversos enófilos.

José Maria Santana: jornalista, colunista da revista Gula, escreve sobre vinhos há 18 anos.

Josimar Melo: crítico de gastronomia do jornal  Folha de S.Paulo e diretor do site Basílico.

Manoel Beato: sommelier do restaurante paulistano Fasano e autor do livro Guia de Vinhos Larousse.

Richy Anson: sommelier e docente de gastronomia na Universidade Anhembi Morumbi.

Dom Cândido: site oficial

Autor: Tags: , , ,

quarta-feira, 30 de julho de 2008 Blog do vinho, Degustação | 23:01

Simples ou complicado?

Compartilhe: Twitter

Este blog acaba de ser desarrolhado. Ele pretende ser um espaço que junte a vontade de beber – com direito a opinar  – com a de se informar. A lei pode ser seca, mas nós temos sede. Aqui, o papo é sobre vinho.

Segundo um artigo da Universidade Daves da Califórnia uma garrafa de vinho é constituída de 85% de água e 12% de álcool. Os 3% restantes —  elementos como ácidos, açúcar, glicerol, polifenóis, minerais e outras substâncias  —, misturados à água e ao álcool, dão a personalidade e o caráter desta que é a bebida mais comentada de todo o mundo. Ou seja,  a discussão gira em torno do que estes 3% são capazes de entregar. Inúmeras páginas na internet, milhares de livros e revistas especializadas são escritas para debater seus aromas, sabores e dissertar sobre sua origem. Por que  isso? Por uma simples razão: vinho é uma bebida cheia de manhas, que tem na diversidade sua maior qualidade e seu maior desafio para quem tenta entendê-la. Escolher um entre tantos rótulos, reconhecer o que vai dentro da taça e ainda por cima saber com qual comida fica melhor é trabalho de muitos anos de convívio com as garrafas e os livros. Vamos combinar, é um mundo maravilhoso, mas é complicado mesmo, se não, por que tanta gente tenta descomplicá-lo?

No Brasil calcula-se que existam  mais de 20.000 rótulos à venda, de diferentes países e regiões que produzem vinhos das mais diversas categorias e estilos (saiba mais acessando o mapa do vinho). Há um universo de uvas que vai além das tradicionais cabernet sauvignon e chardonnay  —  são registradas cerca 24.000 nomes para as mais de 3.000 variedades de uvas viníferas existentes. Destas, cerca de 150 são plantadas comercialmente em quantidades mais significativas (conheça as principais uvas tintas e brancas). Mesmo o mais aplicado dos connoisseurs está sempre se surpreendendo, e aprendendo, com as novidades que encontra engarrafadas.

Uma rápida pesquisa no site de buscas Google, o oráculo do nosso tempo, traz números impressionantes. São 320.000.000 respostas para a palavra wine e 11.400.000 para vinho. Só para efeito de comparação,  uma bebida de apelo mais popular como a cerveja não merece mais do que 202.000.000 registros em inglês e 7.350.000 em português. Não deveria ser o inverso?

A crítica inglesa Jancis Robinson tenta jogar uma luz ao explicar tamanho interesse em entrevista à VEJA.com: “O vinho está na moda, é símbolo de status, cultura e sofisticação”. Esta é uma parte da equação. Uma outra parte, talvez, diz mais respeito à necessidade do ser humano de fazer parte de um grupo  —  neste caso, pertencer àquele núcleo de pessoas que, presume-se, “entendem de vinho”. O vinho propicia este encontro ao confrontar o gosto pessoal ao gosto do outro, o conhecimento de uns à desinformação de muitos. Cada taça provada é um verbete a mais no dicionário particular. A régua da experiência, aqui, é medida em litros e letras —   o apaixonado pela bebida está sempre anotando a safra, o produtor, suas impressões e buscando mais infomações sobre aquilo que acabou de provar. Para estas pessoas, não basta o prazer de beber, é preciso saber o que se está provando.

Os melhores vinhos não são grandes pelo poder que têm de nos subjugar, e sim por sua aparente infinitude. Retornamos a ele diversas vezes, e a cada vez somos iluminados por uma nova sensação.
Matt Kramer, Os Sentidos do Vinho

Autor: Tags:

Brancos, Tintos, Velho Mundo | 22:53

Família Vega-Sicilia

Compartilhe: Twitter

Repare nas imagens acima. Há uma certa semelhança entre os dois retratados, não? O sujeito da direita é o ator James Gandolfine, que interpreta Tony Soprano, o chefe mafioso em crise da série de TV Família Soprano. Na esquerda quem comparece é Pablo Alvarez, proprietário das Bodegas Vega-Sicilia, a mítica vinícola espanhola fincada em Ribera del Duero, na Espanha, que esteve em São Paulo, com o filho e enólogos, para compartilhar com uma série de convidados o seu próprio vinho. Curiosa semelhança entre os dois, não me saía da cabeça durante o encontro. O sujeito sentado no meio de uma grande mesa. Sicília, máfia, família, o mesmo jeitão… muita coincidência. Se ele sacasse, nem que fosse um charuto do bolso, eu caía fora!

Bobagem! Pablo Alvarez é um empresário calado e tímido, é o antimarketing em pessoa. Ao contrário da maioria dos produtores e enólogos, que pousam por aqui munidos de apresentações em power point, catálogos caprichados e discursos irritantemente didáticos (e não há mais quem agüente o batido discurso de que “não se faz bom vinho com uva ruim”), Don Pablo parece implorar para não ser instado a falar. Inundado de perguntas, suas respostas são curtas e diretas. Uma definição para o Vega-Sicília Único? Elegância. Qual o melhor dos seus vinhos? O melhor ainda está para ser feito. A região de Toro, onde tem uma propriedade (dali sai o Pintia), pode um dia alcançar a qualidade de Ribeira del Duero? Não, não tem o mesmo clima e o solo encontrados em Ribera del Duero. Questionado sobre as experiências de um branco com o selo Vega-Sicilia, Don Pablo assumiu seu lado Família Soprano, se fechou em copas e negou com veemência. Seu enólogo, um pouco mais falastrão, anunciou, em particular, o lançamento para 2013, da safra 2010. Depois indagou, dissimulado: “Você não é da imprensa, é?”

Don Pablo, como se vê, não é de teorizar muito sobre seus rótulos. Seus vinhos falam por si. Mito espanhol, o Vega-Sicília Único Gran Reserva só é produzido nos melhores anos. Para se ter uma idéia, a safra que está no mercado é a de 1996. É o primeiro vinho da casa, sem dúvida alguma, mas tenho de confessar que o Vega-Sicilia Valbuena 5º Año Reserva 2002 me agradou mais, estava mais pronto e às cegas eu o teria eleito em primeiro lugar, apesar de ser o segundo vinho da casa  – e que segundo! Clássico, elegante, potente, floral no primeiro ataque e com várias camadas de aromas após um tempo na taça. Foi ótimo com um kobe beef, mas vai bem com tudo, mesmo sozinho. Um Armani dos tintos (inclusive no preço), com pinta de Bordeaux e tempero Espanhol.

As estrelas da noite, pela ordem de entrada, foram:
Tokaji Furmint Mandolás 2005 (um branco seco de boa acidez da Hungria, U$ 39,90); Pintia 2004 (um tinto potente e um pouco alcoólico da região de Toro, U$ 126.50); Alión 2003 (240.000 garrafas produzidas ao ano, um clássico da uva tempranillo, U$ 145,50); Vega-Sicilia Valbuena 5º Año Reserva 2002 (180.000 garrafas/ano, clássico, elegante e pronto para beber, US$ 319,50); Vega-Sicilia Único Gran Reserva 1996 (80 a 110.000 garrafas/ano, caldo intenso, muita fruta, mas ainda vai melhorar na garrafa, U$ 749,50), os três últimos da região de Ribera del Duero. Para finalizar um prazeroso vinho doce de sobremesa da Hungria, Tokaji Aszú 5 Puttonyos 2000, U$ 127,50. Nada aqui é barato. Qualidade e reconhecimento têm preço. Mas o que mata são esses 50 cents no valor de tabela, né não?

Todos os vinhos fazem parte do catálogo da Mistral. Os preços da importadora são tabelados pelo dólar do dia.
Bodegas Vega-Sicilia: site oficial

Autor: Tags: , ,

Blog do vinho, Degustação | 22:44

Salvem os enochatos!

Compartilhe: Twitter


Estou preocupado com a sobrevivência dos enochatos. Baseado na declaração de todos os especialistas, revistas e colunas, os enochatos correm o risco de extinção. Todos são contra esta categoria de cidadão que procura girar sua taça, fungar profundo antes do primeiro gole e tascar uma declaração do tipo “café torrado, fumo de corda”, para incredulidade daqueles que o rodeiam. Tenho pena dos enochatos, ridicularizados, sempre citados como exemplo de como não se deve comportar um apreciador de vinho. Já reparou? Nunca ninguém é um enochato. Enochato são os outros.

Mas cá entre nós, o sujeito se esforça, faz todos os cursinhos da ABS, da Sbav, compra coleções, livros, acompanha as colunas de jornais e blogs (ei, você que está me lendo, se considera um enochato?), aguarda ansioso em casa pelos catálogos das importadoras e não pode nem se bacanear numa rodinha informal com a turma na firma? Imagine a cena. Estão todos ali tomando um Chablis, um vinho branco da Borgonha, que alguém trouxe para comemorar o bônus do final de ano e o enochato doido para demonstrar seu conhecimento. Dada hora, finalmente uma voz palpita: “Tem uma coisa que não consigo identificar aqui… um sabor…”. E nosso amigo prontamente esclarece: “É esta boca mineral, por conta do solo calcário da região de Chablis”. Todos às volta enfiam o nariz na taça, tomam um pequeno gole e a maioria aquiesce com a cabeça. É a glória do enochato. E não fez mal nenhum para ninguém. E teve até seu papel “educativo”. Junte-se a esta corrente do Blog do Vinho, colabore com nossa campanha, preserve  os enochatos!

Autor: Tags:

  1. Primeira
  2. 10
  3. 19
  4. 20
  5. 21
  6. 22
  7. 23
  8. Última