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quarta-feira, 20 de agosto de 2008 Blog do vinho | 22:14

Opções chilenas para quem está com os argentinos entalados na garganta

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Vamos combinar que após uma derrota por 3 x 0 na Olimpíada de Pequim, nesta última terça-feira, dia 19, fica difícil engolir um vinho argentino com o mesmo prazer de antes. Pelo menos nos próximos dias. Para curar esta ressaca do fracassado ludopédio nacional, nada melhor que uma doce vingança: trocar tintos e brancos argentinos pelos rótulos chilenos, estes sim campeões de verdade, eles são número 1 no ranking de vinhos importados no Brasil. Em volume, o Chile aparece em primeiro lugar, mordendo 37,3% do mercado, seguido da Argentina, com 25% (dados de janeiro a maio compilados pela Uvibra – União Brasileira de Vitivinicultura. A tabela completa aqui ). Para quem está com os argentinos entalados na garganta, então, aqui vão sugestões de rótulos chilenos para todos os bolsos. Uma modesta contribuição deste Blog do Vinho para a entristecida nação verde-amarelo.

BRANCOS
Cono Sur Bicicleta Riesling 2006

Produtor: Coño Sur
Região: Bio-Bio
Importador: Wine Premium
R$ 23,80
Assim como a importadora Wine Premium é uma perna operacional da Expand, a Coño Sur é uma empresa da gigante Concha y Toro chilena. Trata-se de um riesling básico, mas já com as características da uva  presentes no nariz e na boca, sempre aquele toque um pouco mineral dizendo “presente”! Na temperatura adequada (de 10 a 12º) vai bem com um peixinho leve.

Reserva Sauvignon Blanc 2007
Produtor: Viña Errazuriz
Região: Vale de Casablanca
Importador: Vinci
U$ 22,50 (preço tabelado em dólar)
A sauvignon blanc é a uva que melhor se adaptou nas zonas mais frias do Chile, como Casablanca. 2007 foi uma boa safra na região; é um vinho fresco, com maracujá perceptível até para quem acha que sentir aroma em vinho é uma afetação de enófilo desocupado. 

Arboleda Chardonnay 2005
Produtor:  Eduardo Chadwick
Região: Vale de Casablanca
Importador: Expand
R$ 75,00
Aqui um branco mais parrudo, amadeirado, com aquela cremosidade um pouco amanteigada na boca, uma característica bem de chardonnay do novo mundo de um produtor que prima pela qualidade de seus rótulos.

Sol del Sol  2005
Produtor: Viña Aquitania
Região: Traiguén
Importador: Zahil
R$ 147,00
Sempre citado pela crítica como um dos mellhores chardonnay do Chile, trata-se, de fato,de  um dos mellhores e mais agradáveis chardonnay do Chile. Os vinhedos, de uma região bem ao sul do país, parece que dão um toque especial  neste vinho que passa 12 meses na barrica. Difícil alguém se arriscar num branco desta faixa de preço, certo? Errado, as garrafas,  que chegam em pequenas quantidades,  são disputadas entre a clientela.

Não gosta de vinho branco? Muito menos neste preço? Então pula para as sugestão dos tintos, logo abaixo

TINTOS
Casillero del Diablo Cabernet Sauvignon  2007
Produtor: Concha y Toro
Região: Vale do Rapel, Vale do Maipo e Vale do Maule
Importador: Pernod Ricard
R$ 33,00
Um clássico do custo-qualidade. O enólogo Marcelo Papa consegue retirar de parreiras de três vinhedos diferentes caldos intensos, bem estruturados e, o que mostra sua maior competência, em grande quantidade. Fazer um tinto de baixa produção e com as uvas selecionadas, é até fácil. Difícil é manter a qualidade em grandes volumes. Um cabernet sauvignon do Chile sem medo de ser feliz. 

Armador Cabernet Sauvignon 2005
Produtor: Odfjell
Região: Vale do Maipo
Importador: World Wine
R$ 44,00
Outro cabernet chileno, este um patamar acima, de uma pequena vinícola de um construtor de embarcações norueguês, daí o nome. Correto, equilibrado, frutado e fácil de gostar.

Santa Rita Reserva Carmenère 2006
Viña Santa Rita
Região: Vale do Rapel
Importadora: Grand Cru
R$ 54,00
Não sou grande admirador da carmenère, a tal uva emblemática do Chile. Mas esta linha reserva da Santa Rita tem sempre uma boa fruta, e é muito agradável. Aqui, o prazer de comprar um chileno neste momento de vingança se multiplica: os proprietários da loja e importadora são argentinos…

Montes Alpha Syrah 2005
Produtor: Viña Montes
Região: Vale de Apalta
Importador: Mistral
U$ 34,90 (preço tabelado em dólar)
O Montes Alpha cabernet sauvignon é mais conhecido entre os consumidores, talvez um dos rótulos mais vendidos nas casas de carne mais sofisticadas paulistanas. Mas este syrah merece ser conhecido. A uva vem fazendo bonito no Chile nos últimos anos, parece que todas as vinícolas descobriram e estão testando a potencialidade do syrah local, sempre com um toque mais apimentado, de especiarias. E, na sua maioria, têm mostrado bons resultados.Vale ficar atento ao syrah chileno. 

Cabo de Hornos 2003
Produtor: Viña San Pedro
Região:  Vale de Curicó
Importador: World Wine
R$ 200,00
Para quem tem um pouco mais de grana, o Cabo de Hornos é um vinho de classe, com boa  intensidade de fruta e que mantém a qualidade em todas as safras, as mais recentes estão saindo cada vez mais prontas para beber, mas isso não é um problema, é?

Casa Marin Lo Abarca Hills 2004
Produtor: Casa Marin
Região: San Antonio
Importador: Vinea Store
R$ 279,00
Um pinot noir do Chile? Sim, a sempre difícil pinot noir se deu bem nas regiões de clima mais frio do Chile, como San Antonio, de onde vem este premiado – e caro –  rótulo de Maria Luz Marin, proprietária e enóloga desta jóia engarrafada. Trata-se de um excelente  pinot do Chile, mas não é da Borgonha. Cada um no seu quadrado! Mas tem sim aquela elegância, fineza, personalidade e aromas típicos que se esperam de um pinot noir. Vingança aliada à elegância, já que é mais raro encontrar um pinot de classe argentino.

Almaviva 2005
Produtor: Viña Almaviva
Região: Puente Alto – Maipo
Vários importadores
R$ 360,00
Um pouquinho do espírito de Bordeaux no Chile. Um corte de uvas tintas cuidadosamente selecionadas e vinificadas. Um vinho top de linha, um puro-sangue, com preço de puro-sangue. Mas entrega o que custa, ao contrário de alguns peladeiros da seleção canarinho… Não esqueçam, 3 x 0! É o chamado vinho de guarda, de reflexão, na hora de comprar, inclusive. Agrada aberto agora, mas vai evoluir muito mais se ficar descansando mais tempo na adega, criando mais camadas de aroma e de  sabor. Quem sabe dá para abrir na Copa de  2010, na revanche contra “os amigos argentinos”.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008 Blog do vinho, Degustação | 14:26

Atire a primeira rolha quem nunca…

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O mundo do vinho é cheio de regras, etiquetas e conceitos preestabelecidos. Cometer alguns pecados de Baco faz parte do aprendizado e da vida. Quer ver? Atire a primeira rolha quem nunca…

…comprou vinho básico do dia-a-dia, bem meia-boca, em oferta no supermercado?
…tomou tinto com peixe?
…saiu dirigindo após virar duas (ou mais) taças de vinho, mesmo depois de decretada a lei seca?
…bebeu além da conta?
…foi influenciado pela fama do rótulo na avaliação de um vinho?
…errou completamente o tipo de uva de um vinho num palpite às cegas?
…tentou abrir uma garrafa de screw cap (tampa de rosca) com um saca-rolha sem perceber que bastava girar a tampinha?
…foi influenciado pela pontuação da crítica na hora da compra de um vinho?
Esse chileno recebeu 97 pontos da Wine Spectator!
– Mesmo? Vou levar para experimentar…

…foi influenciado pela descrição de um aroma pelo colega ao lado?
Tá sentindo este limão siciliano no finzinho do nariz?
– Humm… incrível, né?

…tomou o vinho branco alemão da garrafa azul e achava ótimo (válido para maiores de 40 anos)?
…manchou a roupa, a sua e a dos outros, com gotas de tinto ao girar a taça freneticamente?
…tomou tinto gelado demais ou branco meio quente?
…quis beber um vinho de 100 pontos do Robert Parker, mesmo sendo contra o Parker?
…estourou garrafa de espumante ou champanhe lançando a rolha ao espaço e derrubando a bebida pela chão (lembrando que a maneira correta de abrir o espumante é segurando a rolha, para não deixar escapar muito gás carbônico)?
…tomou um vinho bouchounné e não notou até ser alertado por um(a) amigo(a)?
– Este vinho já era, está oxidado…
– Totalmente! Dá para perceber no nariz (isso depois de ter bebido a primeiro taça sem perceber nada)

…deu uma esnobada numa roda de amigos mostrando conhecer mais sobre aquele vinho que todos à sua volta?
– Não, querida, prosecco não é uma região da Itália… é uma uva com a qual este espumante é feito.

…usou nome falso em comentários de blogs, ou para falar bem dos amigos ou espinafrar os desafetos?
– Adorei este Blog do Vinho, os textos são descontraídos, o autor é claro e suas informações sempre úteis. Visitarei todos os dias. Abraços, Palmirinha (apelido da minha mãe…)

(E você? Tem algum pecado de Baco para acrescentar ou relatar?Atire a primeira rolha quem nunca…)

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terça-feira, 12 de agosto de 2008 Blog do vinho | 17:19

Vinho chinês, você ainda vai beber um

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A imagem do dragão que toma de assalto a economia mundial e, quem sabe, vai levar a maioria das medalhas dos Jogos Olímpicos de Pequim, também faz sombra no mundo do vinho. O país, que já é um grande consumidor de vinhos finos, deve se tornar, em 10 anos, no principal mercado de tintos, brancos e espumantes (principalmente champanhe). Segundo um estudo da International Wine and Spirit Record, de Londres, em 2011 o mercado de consumo deve chegar  ao dobro daquele registrado em 2007, com mais de 1 bilhão de garrafas. Cifras chinesas, grandiosas, como tudo naquele país.

Grande na hora de ir às compras, a China também é gigante em volume produzido. Segundo dados de 2006 da IOVW (International Organization of Vine and Wine), o país ocupa a sétima posição na lista dos maiores produtores do planeta, colado na Austrália e na Argentina. Para a empresa britânica de mercado de vinhos Berry Bros & Rudd (BBR) a liderança é uma questão de tempo. O posto de número 1 em produção (atualmente disputado entre Itália e França) deve ser alcançado em 2058.

Em 2000, grandes empresas internacionais entraram no mercado chinês, em sistema de joint-venture, entre elas o grupo francês Castel, a Argentina Norton e as espanholas Torres e Cordoníu. Mais de 100 vinícolas foram abertas desde 1996, entre elas a Great Wall Winery, que produz cerca de 50.000 toneladas de vinho por ano no norte da China. O Great Wall  foi escolhido o rótulo oficial desta Olimpíada.

A qualidade? Nosso correspondente em Pequim, Carlos Maranhão, deu sua opinião no blog Diário Olímpico.: “A bebida não é exatamente ruim e, em páreo com a maioria dos produtos gaúchos à venda nos supermercados brasileiros, até que não daria vexame”. Detalhe: o Great Wall (Grande Muralha) custa inacreditáveis 86 euros no hotel. Alguns especialistas, como o master of wine Jasper Morris, apostam no futuro: “Eu tenho certeza que a China se tornará em um grande produtor de vinhos finos, e no futuro vai rivalizar com os melhores vinhos da França”, declarou à revista inglesa Decanter, em maio deste ano.

95% do vinho produzido na China ainda são consumidos no mercado interno – e pelo que parece não é algo a se lamentar. O tal Great Wall, no entanto, já é exportado para mais de vinte países, incluindo França, Inglaterra, Alemanha e Japão. Não demora muito estará nas prateleiras brasileiras e, desavisado, um dia você vai se ver bebendo vinho chinês numa festa de casamento…

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Blog do vinho | 17:03

Decanter, em mandarim

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De olho neste enorme mercado oriental, a conceituada revista especializada inglesa Decanter publica uma edição em mandarim. Curioso? Clique aqui e…  veja as figuras.

Registro: na nota sobre o ranking Playboy de Espumantes (a revista já está nas bancas), cometi um erro e aqui me retrato. Não se trata do I Ranking promovido pela publicação. Muitos anos atrás, quando ninguém falava no assunto, o jornalista Ricardo Castilho, hoje no comando da revista Prazeres da Mesa, coordenou e conduziu os primeiros rankings da publicação sobre vinhos.

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008 Degustação | 23:07

Uma taça para cada vinho

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Se você se considerava quase um sommelier com dois tipos de taça em casa, uma para os brancos (um pouco mais baixa e com uma boca maior) e outro para os tintos (mais alta e com boca mais estreita), tenho uma má notícia para o seu bolso – e para seu paladar. Assim como até Gisele Bündchen pode realçar seus atributos em uma roupa desenhada especialmente para ela, um cabernet sauvignon de Bordeaux, ou um pinot noir da Borgonha, só para ficar em dois exemplos clássicos, também são capazes de revelar todo o seu potencial em uma taça desenvolvida especialmente para o perfil destas uvas.

O austríaco Georg Riedel, proprietário da Riedel, e décima geração da família que produz taças em cristal desde 1756  —   e dono de outra marca importante, a Spiegelau  —, é capaz de provar esta história em um jogo lúdico. Mr Riedel esteve em São Paulo este ano para montar seu espetáculo de aromas e sabores. Ele começa seu show servindo  —  em um decanter Riedel, é claro  —, um sauvignon blanc em uma taça própria para esta uva e pede para os participantes sentirem os aromas e o sabor da bebida. Aí, com ares de prestidigitador, solicita ao público presente que verta o sauvignon blanc numa taça de chardonnay (um pouco mais bojuda embaixo e mais aberta no topo). Troca de olhares entre os presentes. Ohhhh! O sauvignon blanc, antes de aromas expansivos e acidez correta, se transforma numa bebida desprovida de aromas e de boca chata. Basta voltar o líquido à taça original, e, voilà, está tudo de volta. O processo é repetido com um chardonnay chileno, um pinot noir da Borgonha (este então fica irreconhecível numa taça de bordeaux, perde os aromas, o gosto das frutas e se torna ralinho) e por fim com a célebre cabernet sauvignon. “Não melhoramos o vinho”, insiste Mr Riedel. “Nós evidenciamos seus aromas.”

Mas como ele consegue isso? Aqui a mágica desaparece. Os engenheiros e designers da Riedel encaram as características olfativas e gustativas do vinho como elas são: processos químicos. E trabalham fortemente na valorização dos aromas – a primeira impressão é a que fica, não é? – e na engenharia do formato da taça, planejada para atingir determinadas áreas da língua que identificam o doce, o salgado, a acidez e o amargo. O desenho da taça de um Bordeaux, por exemplo, faz o líquido escorrer para o centro da língua, o ponto que percebe a sensação encorpada do vinho. Há modelos para cada uva e região mais emblemáticas  – não por acaso, Georg é próximo de produtor italiano Angelo Gaja, e era muito amigo do recém-falecido Robert  Mondavi, de quem relembrou  emocionado. Antes de serem lançados no mercado, variações dos modelos são testados junto aos produtores, sommeliers e especialistas, até se chegar no ponto de excelência.

O que isso quer dizer, afinal? Que um amante de vinhos tem de ter toda uma linha de taças possíveis para usufruir a adega cuidadosamente formada em casa? Nem tanto, há taças que acabam cumprindo a função de agradar tintos gregos e brancos troianos, na média. Se o que você mais bebe é um cabernet, adquira uma taça do tipo “bordeaux” e a vida está resolvida. O mesmo com um branco. E assim voltamos ao ponto inicial deste texto. Mas quem realmente pretende extrair todas as nuances e complexidades que um rótulo de primeira linha pode oferecer, e que custa os olhos da cara, uma coleção de taças acaba se transformando em objeto de desejo. Frescura? Preciosismo? Pode ser, mas o mundo do vinho tem dessas coisas. O precinho? Em torno de R$ 85,00 cada exemplar, dependendo do modelo. Bom, dias dos pais taí…

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quarta-feira, 6 de agosto de 2008 Degustação, Entrevista, Espumantes, Nacionais | 17:59

Com a palavra, o campeão

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Um rápido bate-papo com Cândido Valduga, 77 anos, o patriarca da Vinícola Dom Cândido, que produz o espumante campeão do ranking Playboy.

Como o senhor soube que o Dom Cândido Brut havia sido eleito o melhor espumante pelo ranking da revista Playboy?
Foi uma surpresa. Um amigo do meu filho, de Porto Alegre, enviou pela internet o texto do blog. A notícia se espalhou rápido, muita gente ligou para cá querendo comprar o espumante. Também apareceram turistas interessados em conhecer o Dom Cândido Brut.

O que significa este resultado para vocês?
É uma recompensa de toda uma vida dedicada aos vinhedos e aos vinhos.

Hoje a produção está limitada a 12.000 garrafas. Vocês pretendem  aumentar a produção?
Estamos plantando novas videiras. Creio que agora vamos acelerar este processo, mas só depois de 3 anos as uvas podem ser usadas na produção do vinho.

Como é a elaboração do Dom Cândido Brut?
Para começar, a nossa uva é de boa qualidade, com baixo rendimento por hectare, e são colhidas no tempo certo. Nós fazemos um charmat longo, um processo que dá justamente estas características de um espumante elaborado pelo método champenoise (aquele que a segunda fermentação se dá na garrafa). Muita gente, na hora de provar, confunde o Dom Cândido com champanhe.Você não estava enganado quando percebeu estes aromas mais evoluídos, típico dos espumantes feitos pelo método champenoise.

Muitos leitores perguntaram onde podem encontrar seu espumante e qual o preço…
Nós não vendemos para supermercados. Nossa maior venda é direta, para pessoa física (entregamos para todo o Brasil), e para alguns restaurantes e lojas. Aqui na vinícola ele sai por 25 reais, nas lojas deve custar entre 30 e 35 reais. Em São Paulo, eu sei que o Empório Chiapetta (do Mercado Municipal) vende nossos vinhos.

Com a premiação e a repercussão o senhor pretende aumentar o preço do Dom Cândido Brut?
Não. Aqui na vinícola vamos manter o mesmo preço.

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terça-feira, 5 de agosto de 2008 Degustação, Espumantes, Nacionais | 20:31

Os outros espumantes do ranking da Playboy

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Atendendo a pedidos dos leitores que estavam curiosos em conhecer todos os rótulos que participaram do ranking de espumantes da Playboy, publicamos a seguir a lista dos outros doze participantes. Aí vai. Mas ATENÇÃO! A lista está em ordem alfabética, sem ordem de classificação.

Casa Perini Espumante Brut Champenoise
Casa Valduga Espumante 130 Anos Brut
Castellamare Chardonnay Espumante Brut
Cave Geisse Brut Champenoise
Conde de Foucauld Espumante Brut
Marco Luigi Espumante Brut
Marcus James Brut
Marson Brut
Piagentini Brut
Rio Sol Brut
Salton Évidence
Terranova Blanc de Blancs Brut

Amanhã, neste espaço, uma pequena entrevista com Cândido Valduga, o homem atrás do espumante campeão.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008 Degustação, Espumantes, Nacionais | 11:04

Deu zebra no ranking de espumantes da Playboy

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O I Ranking de Espumantes Nacionais promovido pela revista Playboy vai dar o que falar…  Este Blog do Vinho antecipa o resultado, que estará na edição de aniversário que circula dia 12 de agosto. Das 22 garrafas avaliadas, o grande vencedor foi o Dom Cândido Brut. Conhece? Provavelmente, não. O Dom Cândido é um espumante pouco conhecido do Rio Grande do Sul, elaborado 100% com a uva chardonnay e vinificado pelo método charmat – aquele em que a segunda fermentação é realizada em grandes tanques de aço. A coisa foi séria. A degustação, coordenada pelo presidente da ABS (Associação Brasileira dos Sommeliers), Gustavo Andrade de Paulo, foi às cegas, sem que ninguém soubesse qual rótulo estava na taça, e as garrafas foram compradas em lojas e supermercados.

O segundo lugar, ao contrário, não teve surpresa, coube a um espumante campeão na lista dos nacionais mais admirados e que sempre agrada, o Excellence Par Chandon. A propósito, a maioria dos jurados acertou o rótulo, mesmo às cegas. Como eu sei? Eu fui um dos oito jurados. O restante da classificação, aliás, vai dar muito pano para a manga, ou para a uva. De qualquer forma, os admiradores do vinho têm este mês uma boa desculpa para comprar a próxima edição de Playboy, veja a lista.

Resultado final

1º lugar
Dom Cândido Brut
Método: charmat

2º lugar
Excellence Par Chandon
Método: charmat longo

3º lugar
Aurora Brut
Método: charmat longo

4º lugar
Dal Pizzol Brut
Método: champenoise

5º lugar
Château Lacave Brut
Método: champenoise

6º lugar
Georges Aubert Reserva Extra Brut
Método: charmat

7º lugar
Almadén Brut
Método: charmat

8º lugar
Peterlongo Brut
Método: champenoise

9º lugar
De Greville Brut
Método: charmat

10º lugar
Miolo Millèsime Brut
Método: champenoise

O que significa este resultado? Que o desconhecido Dom Cândido é o melhor espumante nacional do mercado? Menos. Significa, de fato, que naquele dia aquela garrafa foi a que mais agradou a todos os oito jurados (veja lista abaixo). Em minhas anotações rabisquei que a amostra número 3, a campeã Dom Cândido, tinha um perlage persistente (perlage é como são chamadas as bolhinhas de gás carbônico que brotam do fundo da taça em direção à borda e formam aquela espuma), aromas mais evoluídos, mais comuns em champanhes feitas pelo método tradicional (errei feio, como se vê), além de um leve toque de panificação. Confesso que nunca havia experimentado este espumante antes. E achei muito bem feito, destoando no estilo dos demais.

Outro ponto que chama a atenção na lista dos 10 mais: de três produtores mais badalados de espumantes nacionais – Salton, Miolo e Chandon -, somente esta último está entre os três primeiros da avaliação, sobrando para a Miolo o 10º lugar, atrás de marcas como Peterlongo, Aurora, Dal Pizzol e Georges Aubert.

Moral da história?

Prova às cegas é a prova dos noves, aqui não tem truque, o que vale é a percepção gustativa, a experiência – ou falta de – e avaliação do momento, daquela garrafa. Uma boa maneira, também, de rever uma série de preconceitos. Vou provar novamente o Don Cândido Brut e volto a comentar minhas impressões neste espaço. A propósito, não é fácil encontrá-lo, a produção é limitada a 12.000 garrafas.

Os outros sete jurados do ranking.

Alexandra Corvo: sommelière, proprietária da escola de vinho Ciclo das Vinhas e colunista de vinhos do Portal Veja SP.

André Santos: sommelier do restaurante Fasano Al Maré, no Rio de Janeiro.

Débora Breginsky: sommelière do restaurante Dressing e consultora privada de diversos enófilos.

José Maria Santana: jornalista, colunista da revista Gula, escreve sobre vinhos há 18 anos.

Josimar Melo: crítico de gastronomia do jornal  Folha de S.Paulo e diretor do site Basílico.

Manoel Beato: sommelier do restaurante paulistano Fasano e autor do livro Guia de Vinhos Larousse.

Richy Anson: sommelier e docente de gastronomia na Universidade Anhembi Morumbi.

Dom Cândido: site oficial

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quarta-feira, 30 de julho de 2008 Blog do vinho, Degustação | 23:01

Simples ou complicado?

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Este blog acaba de ser desarrolhado. Ele pretende ser um espaço que junte a vontade de beber – com direito a opinar  – com a de se informar. A lei pode ser seca, mas nós temos sede. Aqui, o papo é sobre vinho.

Segundo um artigo da Universidade Daves da Califórnia uma garrafa de vinho é constituída de 85% de água e 12% de álcool. Os 3% restantes —  elementos como ácidos, açúcar, glicerol, polifenóis, minerais e outras substâncias  —, misturados à água e ao álcool, dão a personalidade e o caráter desta que é a bebida mais comentada de todo o mundo. Ou seja,  a discussão gira em torno do que estes 3% são capazes de entregar. Inúmeras páginas na internet, milhares de livros e revistas especializadas são escritas para debater seus aromas, sabores e dissertar sobre sua origem. Por que  isso? Por uma simples razão: vinho é uma bebida cheia de manhas, que tem na diversidade sua maior qualidade e seu maior desafio para quem tenta entendê-la. Escolher um entre tantos rótulos, reconhecer o que vai dentro da taça e ainda por cima saber com qual comida fica melhor é trabalho de muitos anos de convívio com as garrafas e os livros. Vamos combinar, é um mundo maravilhoso, mas é complicado mesmo, se não, por que tanta gente tenta descomplicá-lo?

No Brasil calcula-se que existam  mais de 20.000 rótulos à venda, de diferentes países e regiões que produzem vinhos das mais diversas categorias e estilos (saiba mais acessando o mapa do vinho). Há um universo de uvas que vai além das tradicionais cabernet sauvignon e chardonnay  —  são registradas cerca 24.000 nomes para as mais de 3.000 variedades de uvas viníferas existentes. Destas, cerca de 150 são plantadas comercialmente em quantidades mais significativas (conheça as principais uvas tintas e brancas). Mesmo o mais aplicado dos connoisseurs está sempre se surpreendendo, e aprendendo, com as novidades que encontra engarrafadas.

Uma rápida pesquisa no site de buscas Google, o oráculo do nosso tempo, traz números impressionantes. São 320.000.000 respostas para a palavra wine e 11.400.000 para vinho. Só para efeito de comparação,  uma bebida de apelo mais popular como a cerveja não merece mais do que 202.000.000 registros em inglês e 7.350.000 em português. Não deveria ser o inverso?

A crítica inglesa Jancis Robinson tenta jogar uma luz ao explicar tamanho interesse em entrevista à VEJA.com: “O vinho está na moda, é símbolo de status, cultura e sofisticação”. Esta é uma parte da equação. Uma outra parte, talvez, diz mais respeito à necessidade do ser humano de fazer parte de um grupo  —  neste caso, pertencer àquele núcleo de pessoas que, presume-se, “entendem de vinho”. O vinho propicia este encontro ao confrontar o gosto pessoal ao gosto do outro, o conhecimento de uns à desinformação de muitos. Cada taça provada é um verbete a mais no dicionário particular. A régua da experiência, aqui, é medida em litros e letras —   o apaixonado pela bebida está sempre anotando a safra, o produtor, suas impressões e buscando mais infomações sobre aquilo que acabou de provar. Para estas pessoas, não basta o prazer de beber, é preciso saber o que se está provando.

Os melhores vinhos não são grandes pelo poder que têm de nos subjugar, e sim por sua aparente infinitude. Retornamos a ele diversas vezes, e a cada vez somos iluminados por uma nova sensação.
Matt Kramer, Os Sentidos do Vinho

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Brancos, Tintos, Velho Mundo | 22:53

Família Vega-Sicilia

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Repare nas imagens acima. Há uma certa semelhança entre os dois retratados, não? O sujeito da direita é o ator James Gandolfine, que interpreta Tony Soprano, o chefe mafioso em crise da série de TV Família Soprano. Na esquerda quem comparece é Pablo Alvarez, proprietário das Bodegas Vega-Sicilia, a mítica vinícola espanhola fincada em Ribera del Duero, na Espanha, que esteve em São Paulo, com o filho e enólogos, para compartilhar com uma série de convidados o seu próprio vinho. Curiosa semelhança entre os dois, não me saía da cabeça durante o encontro. O sujeito sentado no meio de uma grande mesa. Sicília, máfia, família, o mesmo jeitão… muita coincidência. Se ele sacasse, nem que fosse um charuto do bolso, eu caía fora!

Bobagem! Pablo Alvarez é um empresário calado e tímido, é o antimarketing em pessoa. Ao contrário da maioria dos produtores e enólogos, que pousam por aqui munidos de apresentações em power point, catálogos caprichados e discursos irritantemente didáticos (e não há mais quem agüente o batido discurso de que “não se faz bom vinho com uva ruim”), Don Pablo parece implorar para não ser instado a falar. Inundado de perguntas, suas respostas são curtas e diretas. Uma definição para o Vega-Sicília Único? Elegância. Qual o melhor dos seus vinhos? O melhor ainda está para ser feito. A região de Toro, onde tem uma propriedade (dali sai o Pintia), pode um dia alcançar a qualidade de Ribeira del Duero? Não, não tem o mesmo clima e o solo encontrados em Ribera del Duero. Questionado sobre as experiências de um branco com o selo Vega-Sicilia, Don Pablo assumiu seu lado Família Soprano, se fechou em copas e negou com veemência. Seu enólogo, um pouco mais falastrão, anunciou, em particular, o lançamento para 2013, da safra 2010. Depois indagou, dissimulado: “Você não é da imprensa, é?”

Don Pablo, como se vê, não é de teorizar muito sobre seus rótulos. Seus vinhos falam por si. Mito espanhol, o Vega-Sicília Único Gran Reserva só é produzido nos melhores anos. Para se ter uma idéia, a safra que está no mercado é a de 1996. É o primeiro vinho da casa, sem dúvida alguma, mas tenho de confessar que o Vega-Sicilia Valbuena 5º Año Reserva 2002 me agradou mais, estava mais pronto e às cegas eu o teria eleito em primeiro lugar, apesar de ser o segundo vinho da casa  – e que segundo! Clássico, elegante, potente, floral no primeiro ataque e com várias camadas de aromas após um tempo na taça. Foi ótimo com um kobe beef, mas vai bem com tudo, mesmo sozinho. Um Armani dos tintos (inclusive no preço), com pinta de Bordeaux e tempero Espanhol.

As estrelas da noite, pela ordem de entrada, foram:
Tokaji Furmint Mandolás 2005 (um branco seco de boa acidez da Hungria, U$ 39,90); Pintia 2004 (um tinto potente e um pouco alcoólico da região de Toro, U$ 126.50); Alión 2003 (240.000 garrafas produzidas ao ano, um clássico da uva tempranillo, U$ 145,50); Vega-Sicilia Valbuena 5º Año Reserva 2002 (180.000 garrafas/ano, clássico, elegante e pronto para beber, US$ 319,50); Vega-Sicilia Único Gran Reserva 1996 (80 a 110.000 garrafas/ano, caldo intenso, muita fruta, mas ainda vai melhorar na garrafa, U$ 749,50), os três últimos da região de Ribera del Duero. Para finalizar um prazeroso vinho doce de sobremesa da Hungria, Tokaji Aszú 5 Puttonyos 2000, U$ 127,50. Nada aqui é barato. Qualidade e reconhecimento têm preço. Mas o que mata são esses 50 cents no valor de tabela, né não?

Todos os vinhos fazem parte do catálogo da Mistral. Os preços da importadora são tabelados pelo dólar do dia.
Bodegas Vega-Sicilia: site oficial

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