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quinta-feira, 30 de abril de 2015 Tintos, Velho Mundo | 11:31

Um vinho francês de bom preço e um sapo arrogante

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Vinhos do Languedos, sul da França: um príncipe entre os sapos!

Vinhos do Languedoc, sul da França: um carignan de vinhas velhas entre os sapos!

Então você quer beber um vinho francês e na hora de escolher um rótulo fica dividido entre deixar de pagar a mensalidade escolar do seu filho e gastar a grana comprando um premiado Bordeaux, um elegante Borgonha, um clássico Champagne ou acaba se arriscando num rótulo genérico de supermercado mais barato e fica com aquela impressão que vinho da terra do Asterix é só para poucos mesmo. Decepção.

Assim como a França vitivinícola não se resume a estas três regiões clássicas, os valores não precisam ser tanto ao céu nem tanto à terra. Há vinhos de boa qualidade e preços médio de várias regiões da França que chegam aqui no Brasil também. E são agradáveis, com alguma tipicidade, mais despretensiosos, nem por isso mal cuidados.

O próprio governo francês trabalha neste sentido. O escritório da embaixada francesa, através da agência Business France, montou um estande na última ExpoVinis cuja estratégia era mostrar ao mercado que grande parte da produção do país é feita para um consumo do dia a dia, sem protocolo, mas mantendo qualidade. E apresentou rótulos de diversas regiões. O lema era: “Vinhos franceses: não precisa complicar. Basta amar!”

Foi nesta pegada que segui para uma degustação de tintos e brancos da Domaines Paul Mas, da região do Languedoc, Sul da França, dia desses. Se você nunca ouviu falar do Paul Mas provavelmente um de seus vinhos já deve ter  chamado sua atenção: Arrogant Frog. Se não pelo vinho, pelo menos pelas simpáticas figuras aí de baixo.

Desprentensioso, divertido, mas arrogante

Despretensioso, divertido e um marketing moderno

E foi mirando o sapo gabola que imaginei que iria conduzir este texto. Mas este negócio de pensar o texto antes dos fatos costuma dar errado. Outro vinho, de preço nada arrogante, no entanto, me chamou mais a atenção.

Paul Mas

Mas antes do vinho, um pedágio: a apresentação da vinícola e seu projeto. A Domaine Paul Mas não é um empreendimento qualquer, não: são nove diferentes vinhedos cobrindo toda a extensa região de Languedoc, 478 hectares de vinhedos próprios (92 biodinâmicos), 1285 hectares de vinhedos de parceiros sob contrato, mais de 30 variedades de uvas plantas, 8 enólogos, 130 empregados, mais de 2 milhões de caixas de vinho produzidas e exportadas para 58 países nos 5 continentes. O conceito: produzir vinhos do Velho Mundo com a Filosofia do Novo Mundo, ou como está descrito no site da empresa “ O segredo da qualidade de nossas uvas e nossos vinhos está no fato de que trabalhamos com o espírito de uma pequena vinícola mas com a operação em escala de uma vinícola do Novo Mundo”.

Ah, uma historinha sobre o rótulo do Arrogant Frog. Como se sabe os franceses não têm a fama de serem as pessoas mais modestas e simpáticas deste planeta. Por conta desta característica que os identifica, seus vizinhos e eternos rivais ingleses costumam tratá-los como batráquios. Juntando o fato de que na época de seu lançamento os Estados Unidos estavam boicotando os produtos franceses já que o país se recusou a aderir à Guerra do Iraque, a ideia de responder com humor a situação revelou-se uma baita ferramenta de marketing. Daí surgiu a linha Arrogant Frog e seu rótulo chamativo, e lá se vão 10 anos.

Paul Mas Carignan Vieilles Vignes 2013.

Então estou eu na tal degustação na esperança de juntar minha ideia de explorar o sapo num texto e recomendá-lo aos leitores. E topei com um vinho muito mais bacana para recomendar: o Paul Mas Carignan Vielles Vignes 2013. É dele que falo abaixo.

Paul Mas Vielle Vignes Carignan: um vinho do seu lugar

Paul Mas Vielile Vignes Carignan: um vinho que representa sua origem

Paul Mas, Carignan Vieilles Vignes 2013

Produtor: Chateau Paul Mas

Região: Languedoc – Vale do Hérault

Uva: 100% carignan

Preço: R$ 79,00(no site da importadora Decanter está em promoção por R$ 67,00)

E voilá! Pelo mesmo preço de um Arrogant Frog acho que tem mais vinho nesta garrafa de 100% carignan de vinhas de mais de 50 anos. O bichão tem boa concentração, um corpo médio, taninos suavizados pelos seis meses de barricas americanas (20% novas). Tem um aroma mais doce, com traços da passagem pela barrica, fruta negra madura e um toque terroso delicioso. Foi bem com o confit de pato, retratado abaixo.

Vai um pato aí?

Vai um pato aí? Um carignan, s’il vous plait!

Ficou curioso pelos sapos topetudos, né? Muita gente já conhece, mas vamos a eles: dos dois Arrogant Frog que provei, o Syrah-Viognier 2013 (91% syrah de vinhas de 20 a 30 anos e 9% viognier – R$ 71,50) e Reserve IGP 2013 (um típico GSM: grenache, 30%, syrah, 45%, e mourvèdre, 25% – R$ 79,00), acho o segundo mais típico de uma região mediterrânea, mais gostoso de tomar e gastronômico, com um toque nítido de especiarias e notas defumadas, cai muito bem com uma comida de bistrô, por exemplo. Há uma linha relativamente grande do Arrogant Frog no mercado brasileiro. Entre eles os  divertidos tutti-frutti, rouge, rosé e branco destinado ao público mais jovem.   Descompromissados, resolvem uma festa, uma refeição sem grandes pretensões, mas pelo mesmo o preço (ou até menor, como a atual oferta), o Paul Mas Carignan Vieilles Vignes dá mais prazer.

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quarta-feira, 22 de abril de 2015 Blog do vinho, Brancos, Degustação, Espumantes, Nacionais, Novo Mundo, Porto, Rosé, Tintos, Velho Mundo | 14:00

Conheça os melhores vinhos do concurso Top Ten 2015 da ExpoVinis

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Como acontece todos anos  os homens que cospem vinho se juntaram mais uma vez para realizar o concurso Top Ten, versão 2015 (que bem poderia chamar Os 10 Mais), da 19º edição da Expovinis, a maior feira de vinhos da América Latina. O concurso reuniu profissionais, especialistas, jornalistas e um palpiteiro (este que vos escreve que participa pelo oitavo ano consecutivo) para provar vinhos às cegas de vários países e estilos e eleger os 10 melhores. Quem acompanha este blog sabe da lisura deste concurso e de como ele funciona. Para quem chega aqui pela primeira um rápida explicação (ou clique nos links distribuídos pelo texto). A tabela está logo abaixo, seguida das fichas dos vinhos

Top Ten como funciona

Os vinhos que concorrem na degustação do Top Ten da ExpoVinis são aqueles enviados pelos expositores/produtores. Não são exatamente os melhores vinhos da feira, nem é esta a pretensão. Concorre quem quer. Eles são divididos em uma dezena de tópicos. Em 2015 foram 125 amostras distribuídas entre as seguintes categorias: espumantes nacionais (16), espumantes importados (8), brancos importados (15), brancos nacionais (12), rosados (10), tintos nacionais (18), tintos novo mundo (13), tintos velho mundo I – Portugal e Espanha (11), tintos velho mundo II – França e Itália(15), fortificados e doces (7). As garrafas são cobertas, numeradas e avaliadas. As notas são registradas no sistema (é distribuído um iPad para cada jurado com usuário e senha), somadas e os melhores em cada categoria levam a medalha no peito e saem anunciando por aí. Justo ou não, trata-se de um julgamento coletivo, que é mais preciso que a nota de um só critico. Os jurados só conhecem os rótulos provados no momento da divulgação do resultado. Confesso que é até meio frustrante, a gente passa dois dias provando vinhos e sai de lá sem saber os rótulos que bebeu e quais foram os eleitos. Mas é a forma correta de fazer isso.

TOP TEN 2015 – Resultado  Final

1. ESPUMANTES NACIONAIS – Vencedor: Aracuri Brut Chardonnay 2014

2. ESPUMANTES IMPORTADOS  – Vencedor: Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie N/V

3.  BRANCOS NACIONAIS – Vencedor: Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2014

4. BRANCOS IMPORTADOS  – Vencedor: Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

5. ROSADOS – Vencedor:  Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

6. TINTOS NACIONAIS  – Vencedor:  Valmarino Ano Xviii Cabernet Franc 2012

7. TINTOS NOVO MUNDO – Vencedor:  Renacer Malbec 2011

8. TINTOS VELHO MUNDO I (Espanha e Portugal) – Vencedor:  Pêra Grave Reserva Tinto 2011

9. TINTOS VELHO MUNDO II (Itália e França) – Vencedor:  Sangervasio A Sirio 2007

10. FORTIFICADOS E DOCES  – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

PRÊMIO JOSÉ IVAN DOS SANTOS (vinho com a maior média, 93.5) – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

ESPUMANTES NACIONAIS

Aracuri Brut Chardonnay 2014

País: Brasil

Região: Campos de Cima da Serra – Rio Grande do Sul

Uva: chardonnay

Produtor: Aracuri Vinhos Finos

Site: www.aracuri.com.br

Elaborado pelo método charmat (segunda fermentação em tanques de inox), usa apenas uva chardonnay. Na minha avaliação era aquele que apresentava maior toque de evolução entre os representantes das borbulhas nacionais.  Não é assim que o site da empresa define o vinho: “espumante elegante e refrescante de perlage fina e abundante. No aroma destacam-se as notas de damasco, raspas de limão e pão fresco. O paladar é envolvente e cremoso com acidez cativante.”. Mas é um bom sinal a  eleição de um blanc de blanc (espumante feito apenas com chardonnay) verde-amarelo.

espumantes

ESPUMANTES IMPORTADOS

Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie

País: França

Região: Champagne

Uvas: chardonnay (70%), pinot noir (15%), pinot meunier (15%)

Empresa: Sas Prat Champagne Georges De La Chapelle

Site: www.georgesdelachapelle.com

Existe uma clara tendência dos jurados eleger um espumante importado que mais chegue perto das características de um champagne tradicional, e não deu outra. Para começar pelo tradicional corte, com as uvas tradicionais da região. Bateu nas anotações dos jurados: cor dourada, aromas de frutas secas, um toque oxidativo e boa perlage. Este exemplar vem de vinhedos com mais de 40 anos e de uma mistura (cuvee) das safras de 2004, 2006 e 2008. Um belo champagne, sem dúvida. Afinal, não há espumante como um champagne…

BRANCOS NACIONAIS

Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2012

País: Brasil

Região: Altitude Catarinense – Santa Catarina

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Vinícola Pericó Ltda

Site: www.vinicolaperico.com.br

E um vinho de altitude, de Santa Catarina, elevou o sauvignon blanc nacional para o topo da categoria dos brancos nacionais. Elegante, sem exagero de aromas, lembra frutas tropicais no nariz e na boca, no site oficial são descritos “melão, mamão papaia, casca de grapefruit e uma nota discreta de maracujá e de folha de tomate”  Eu não percebi tudo isso, mas um frescor marcante, com bela acidez e boa estrutura.

 BRANCO

BRANCOS IMPORTADOS

Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

País: Chile

Região: Vale Leyda

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Casas del Toqui

Site: www.casasdeltoqui.cl/cdt.html

Importador: Bodegas De Los Andes Comercio De Vinhos Ltda

Site: WWW.BODEGAS.COM.BR

O sommelier Hector Riquelme, sem saber quem era o vencedor, declarou que um “perfumista” havia vencido a categoria dos brancos importados. De fato, este sauvignon blanc é muito típico, e se destacam aromas de aspargos, arruda, herbáceo, na boca uma certa salinidade, boa estrutura e um final mais longo, acentuado pela mineralidade e ótima acidez. O  perfumista me conquistou.

ROSADOS

Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

País: França

Região: Provence

Uvas: grenache, cinsault, syrah, carignan, mourvedre, tibouren

Produtor: Cellier Saint Sidoine

Site: www.coste-brulade.fr

A cor em um rosé é elemento importante, ela seduz – ou não – de cara. Aqui um rosa pálido com reflexos de salmão davam pinta da região de Provence, confirmada no nariz mais cítrico, no frescor em boca provocado pela bela acidez que prolongava o prazer em boca. Ao contrário ao ano anterior, onde o painel dos rosados era bem fraco, este ano vários vinhos competiram em pé de igualdade pelo primeiro lugar. Prova de qualidade dos rosés, nem sempre reconhecida.

tintos

TINTOS NACIONAIS

Valmarino Ano XVIII Cabernet Franc 2014

País: Brasil

Região: Pinto Bandeira, Rio Grande do Sul

Uva: cabernet franc

Produtor: Vinícola Valmarino

Site: www.valmarino.com.br

Oba! Um cabernet franc 100% levou o melhor nacional tinto, recuperando o prestígio desta uva que já foi mais importante no Brasil (outro cabernet franc estava na disputa final). Tem a presença forte de madeira no nariz, e em seguida aparecem frutas negras, couro e chocolate. Na boca um tanino macio, uma boa fruta presente, com a madeira integrada, um final de qualidade. Este foi um vinho que foi melhorando na taça e que foi surpreendendo ao longo da prova e crescendo na pontuação (na minha, pelo menos).

TINTO NOVO MUNDO I – ARGENTINA E CHILE

Renacer Malbec 2011

País: Argentina

Região: Lujan de Cuyo, Mendoza

Uva: malbec

Produtor: Bodega Y Viñedos Renacer

Site: www.bodegarenacer.com.ar

A Argentina papou o prêmio do Novo Mundo com sua uva símbolo, a malbec. Os 24 meses em barricas francesas de primeiro uso e os seis meses de garrafa trouxeram aromas mais evoluídos de bala toffee e frutas negras. Não tem aquele floral exuberante, de violeta, que em excesso incomoda. De vinhedos de mais de 90 anos de idade, este malbec conquistou pela fruta em boca, tanino doce e suave e final mais longo. Infelizmente a categoria se  limitou a garrafas do Chile e da Argentina, o que limita um pouco o painel. Seriam bem-vindos tintos da Austrália, África do Sul, Estados Unidos…

tintosdecima

TINTO VELHO MUNDO II – ITÁLIA E FRANÇA

Sangervasio A Sirio 2007 IGT

País: Itália

Região: Toscana

Uvas: 95% sangiovese, 5% cabernet sauvignon

Produtor: Sangervasio

Site: www.sangervasio.com

Importador: Zahil

Site: www.zahil.com.br

O melhor tinto velho mundo é um velho conhecido dos apreciadores de tintos italianos. Há anos importado pela Zahil, já tem seu público cativo e me causou certa surpresa sua presença no Top Ten. A Sangervasio se define como um vinhedo biológico da Toscana. Este A Sirio IGT tem pinta de supertoscano e passa 14 meses em barricas (50% novas) e 2 anos em garrafas antes de encher sua taça. Isso provoca uma textura macia na predominante sangiovese, com um bom impacto de frutas, especiarias e corpo médio. Não se notam seus 8 anos de vida. Vai longe. Avanti Itália!

 

TINTO VELHO MUNDO – PORTUGAL E ESPANHA

Pêra Grave Reserva Tinto 2011

País: Portugal

Região: Alentejo, Évora

Uvas: syrah, touriga nacional e alicante bouchet

Produtora: Pêra Grave, Quinta de São José de Peramanca

Site: www.peragrave.pt

Representante: Luxury Drinks Portugal

Site: www.luxury-drinks.pt

Aprendo no site oficial da vinícola que ele é produzido na antiga quinta de Pêra Manca do séc. XIII até ao séc. XIX. Trata-se de um caldo potente, típico desta região mais quente de Portugal. Muita fruta negra no nariz e um toque floral da touriga nacional. Na boca a potência se confirma com as frutas mais maduras e com a passagem pelas barricas. Boa persistência final. Vinhão para quem curte caldos mais concentrados.

doces

DOCES E FORTIFICADOS

José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

País: Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: 100% moscatel de Setúbal

Produtor: José Maria da Fonseca

Site: www.jmf.pt

Importador: Decanter Vinhos Finos

Site: www.decanter.com.br

Uauau!  Não é muito profissional começar uma descrição assim, mas eu repito: uauau!!! A cor âmbar com alguns reflexos esverdeados já dá a dica de coisa boa, os aromas em camadas longas e persistentes de nozes, caramelo, avelã, frutas cristalizadas aumentam a tensão, na boca a confirmação destes aromas acompanhada de uma belíssima acidez que quebra seu doce e mantém o prazer da bebida por minutos. José Maria da Fonseca (aquele do Periquita) é o mais antigo produto de Moscatel de Setúbal, um Denominação de Origem Controlada (D.O.C.), reconhecida desde 1907.Este Moscatel de Setúbal 20 anos é resultado de um lote de 19 colheitas em que a colheita mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga perto de 80 anos, O resultado é complexidade, elegância, longo final e um paladar de tirar o rolha.

O nomes dos culpados pela eleição dos onze vinhos acima

 O time dos homens que cospem vinho do Top Ten tem uma certa consistência. Os doze homens são divididos em dois grupos, cada qual com um presidente a quem compete resolver qualquer impasse. Fica a crítica da ausência de juradas mulheres, que hoje são parte importante da crítica de vinhos no Brasil e no mundo.

 Presidentes de mesa

Hector Riquelme – sommelier chileno

Mario Telles Jr –  ABS-SP

Jurados (em ordem alfabética)

Beto Gerosa – Blog do Vinho

Celito  Guerra – Embrapa

Jorge Carrara – Prazeres da Mesa

José Luis Borges – ABS São Paulo

José Maria Santana – jornalista e crítico de vinhos revista Gosto

José Luiz Paligliari – Senac

Manoel Beato – sommelier grupo Fasano

Marcio Pinto – consultor e ABS-MG

Ricardo Farias – Sbav Rio de Janeiro

Tiago Locatelli – sommellier Varanda

José Ivan dos Santos, o gentleman do vinho

José Ivan dos Santos: homenagem

José Ivan dos Santos: homenagem

Este ano o concurso Top Ten teve um trago amargo. A ausência de José Ivan dos Santos na coordenação do evento, sempre em dueto com o crítico e consultor Jorge Lucki. José Ivan, ou Zé Ivan, era um gentleman do vinho, um conhecedor que não botava banca, um aglutinador de pessoas e de uma simpatia contagiante.  Zé faleceu, repentinamente, há pouco mais de dois meses, com um livro pronto para ser lançado. Em homenagem ao Zé, este ano foi instituído um 11º prêmio no Top Ten, o Prêmio José Ivan dos Santos para o vinho com a melhor pontuação em todas as categorias. O prêmio especial será entregue ao inebriante José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos. Uma justa homenagem que o concurso presta ao amigo Zé – que tenho certeza ficaria feliz de se ver representado com este elegante caldo.

 

SERVIÇO

  • ExpoVinis Brasil 2015 | 19º Salão Internacional do Vinho
  • 22 a 24 de abril de 2015
  • Expo Center Norte – Pavilhão Azul – Vila Guilherme – São Paulo
  • Informações, credenciamento visitantes e novidades: www.expovinis.com.br
  • Facebook: ExpoVinis Brasil | Twitter: @expovinis | Instagram: @expovinisbrasil
  • E-mail: visitante.fev@informa.com | Telefone: (11) 3598-780

O primeiro dia do evento será reservado exclusivamente para profissionais do setor.

  • Horário: das 13 às 21 horas para profissionais do setor nos dias 22 e 23 de abril, e das 13 às 20 horas no dia 24 de abril. Aberto ao consumidor final das 17 às 21 horas no dia 23 e das 17 às 20 horas no dia 24 de abril.
  • Shuttle Service/Transfer gratuito no trajeto Expo Center Norte-Estação Portuguesa/Tietê e estação Portuguesa/Tietê-Expo Center Norte estará disponível todos os dias do evento.
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segunda-feira, 6 de abril de 2015 Novo Mundo, Tintos | 10:51

Vinho Pipeño: em busca da simplicidade perdida

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Atardecer Pais loncomilla

“Deparamos com este terroir do Valle de Loncomilla e as uvas país e carignan e acreditamos que era possível fazer vinhos com identidade única”, Marcel David, da Viña Maitia

Pablo Picasso dizia que precisou de uma vida inteira para aprender a desenhar como uma criança. Steve Jobs, fundador da Apple, considerava “o simples mais difícil do que o complexo.” O que estes dois homens que transformaram o mundo em que vivemos e a maneira como o interpretamos  deixam como legado é o conceito de que a busca pelo simples passa pelo aprendizado, e superação, do complexo. Uma dica que vale para o vinho também.

O vinho, teoricamente, não deveria ser complicado sob o ponto de vista do consumidor. Basta ser uma bebida alcóolica que agrade, dê prazer e melhore o momento (uma refeição, uma celebração, um bate-papo com amigos, uma noite romântica, a leitura de um livro). Mas não é bem assim que acontece. O vinho se tornou um assunto de especialistas. O que estabeleceu uma espécie de linha imaginária que divide as pessoas em dois tipos: aqueles que “entendem” de vinho e os que “não entendem”. Mas talvez o mundo fosse mais feliz (o menos complicado) se existisse apenas uma categoria de pessoas: aqueles que gostam de vinho.

Este é tipo de consumidor que começa a habitar os corações e mentes de uma geração de enólogos que, passada a onda dos caldos potentes, de grande extração e sem defeitos, busca cada vez mais uma fórmula que parece óbvia, mas na verdade é trabalhosa e exige foco: a simplicidade no vinho. E o que é este produto? Um vinho fiel a suas origens,  fácil de beber, pouco alcóolico, com a fruta em primeiro plano, que vai bem com a comida e tem o prazer do consumo em primeiro plano. Sem desmerecer os vinhos mais sofisticados e de maior complexidade (eu adoro, ok?) é preciso haver um espaço também para o hedonismo sem manual, o beber descontraído.

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“O Pipeño é um vinho que é um patrimônio, feito há muitos anos no Chile”, Marcel David, da Viña Maitia, com o garrafão e a garrafinha que lembra a de cerveja

Aqui se introduz o enólogo David Marcel, um francês da região basca francesa de Iparalde, que desde 2006 mora no Chile, e o seu vinho Pipeño. O Pipeño é um vinho tradicional feito de uvas julgadas até então menos “nobres”, em especial a país, variedade plantada pelos jesuítas na região do Maule desde o século XVI, fermentado em grandes pipas (toneis de madeira), vendido a granel ou em garrafões para consumo dos trabalhadores. “É um vinho que é um patrimônio, feito há muitos anos no Chile”, defende. “Resgatar esta história é muito importante.” Marcel é uma espécie de embaixador do estilo Pipeño, talvez uma das melhores traduções do vinho descomplicado, fácil de beber, e de origem produzido no Chile.

David Marcel, casado com a também enóloga e sócia Loreto Garau, é um homem baixa estatura, rosto redondo, barba cerrada, espanhol fluente, olhos azuis expressivos e opiniões firmes. Em sua primeira passagem pelo Chile foi enólogo da La Postolle, e teve sua experiência com as uvas internacionais mais associados ao vinho chileno de exportação. Ao regressar para França, trabalhou em vinhedos no sul do país e uma nova perspectiva profissional começou a tomar forma: “Este período pela região nos marcou pela diversidade dos vinhos, não necessariamente os mais caros, mas os mais diferentes”. De volta ao Chile, a convivência com pequenos produtores do Maule e sua maneira de vinificação, realizada de maneira tradicional com fermentação em grandes lagares e sem maceração tradicional, apontou outro caminho. “Deparamos com este terroir do Valle de Loncomilla, na região do  Maule, e as uvas país e carignan e acreditamos que era possível fazer vinhos com identidade única”, relembra. Em 2012, o chefe da bodega onde Marcel vinifica os vinhos trouxe para provar um tinto que ele fazia para os trabalhadores e que era servido nas festas locais. Falou que era um Pipeño, feito com uva país, das parreiras mais antigas da propriedade, com idade entre 80 e 150 anos. “No ano seguinte decidi vinificar a partir desta uva e mesclei com um pouco de carignan. Assim nasceu nosso Pipeño Aupa”

A safra de 2013 mereceu 92 pontos no Guia Descorchados e a indicação de vinho inovador do ano. A uva país predomina (70%), mas uma pequena quantidade de carignan (30%) faz parte da receita. Aupa é uma saudação que significa “Viva! Salve!” em basco. O rótulo de linhas simples é também fácil de ser lembrado. “Basta estar escrito Pipeño e a palavra já diz tudo”, explica. Tudo bem, pode até dizer tudo para um chileno, mas para um consumidor brasileiro ajuda uma introdução: “Pipeño é um vinho feito em pipas e do ano, para ser bebido logo”, detalha. Um carimbo imitando um selo de cera escancara o baixo teor alcóolico: 12,5%, um dos grandes méritos do Aupa.

O Aupa é produzido em três versões, na garrafa tradicional de 750 ml, em um garrafão de 1,5 litro, que traduz com mais fidelidade sua origem, e numa simpática garrafinha de 330 ml, que lembra um casco de cerveja, incluindo a tampa de metal. A garrafinha foi para atender uma amiga que queria um vinho fácil de carregar, de levar para fora e que pudesse beber inteiro, em “porção individual”. Não é má ideia para se atingir um consumidor jovem, descontraído e avesso a firulas. Pra beber no gargalo.

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Marcel David oferece um pouco do seu Pipeño: um vinho simples e gostoso de beber

Mas o que se deve esperar do Pipeño Aupa? Aquilo que ele se propõe:  limpo na boca, bem frutado e fresco, sem aquela potência dos tintos caudalosos, com baixo teor alcoólico, cumprindo a proposta-conceito: fácil e gostoso de beber, sem maiores complexidades, mas também gastronômico e de identidade própria.

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Maitia “minha bem amada”: carignan, país e cabernet franc

David Marcel também produz outro tinto, junto com a mulher Loreto, o Maitia, que em basco significa “minha bem amada”. Trata-se de “um vinho de cozinheiro”, como ele define, já que é uma mescla de 60% carignan, 30% cabernet franc e 10 pais, mistura definida pelo enólogo e sua mulher a cada ano. A carignan desta região não tem aquela característica mais verde, mas sim aporta mais fruta, o que contribui para o resultado final do vinho. A maceração carbônica (as frutas não são esmagadas, a transformação do açúcar em álcool se dá dentro de cada fruta) que ele aplica tem um objetivo claro: evitar certas coisas como taninos exibidos ou extração excessiva, e não necessariamente está associado a uma busca por aromas de frutas encontradas em vinhos como o francês Beaujolais, que adota o mesmo tipo de vinificação.  “Nossa produção é limitada: 30.000 garrafas. Mas há outros produtores seguindo este mesmo caminho, preocupados em resgatar a diversidade e a cultura vitivinícola do Chile”, acrescenta.

É o caso de Manuel Moraga Gutiérrez, de Viña Cacique Maravilla, que brilha no guia Descorchados 2015, editado aqui no Brasil pela Editora Inner, e traz como novidade a indicação de espumantes brasileiros na versão nacional. Cacique Maravilha, que tem um nome mais próximo daquelas bebidas de procedência duvidosa, também trabalha com a recuperação da imagem do Pipeño e da uva país. Mas fica aqui só o registro, pois não provei o vinho e não tenho como emitir uma opinião.

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Triculfa, 100% cinsault: “No lo guarde, bébalo!”

Outro enólogo e pequeno produtor faz parte desta turma, e que tive o prazer de provar seu vinho foi Bernardo Troncoso. Bernardo  trabalha na Viña Montes e mantém uma produção artesanal de um tinto autoral que lembra muito a filosofia da Viña Maitia. Trata-se do Trifulca 2014, 100% da uva cinsault, da região conhecida como Secano Interior, também de videiras mais antigas, estas de 79 anos. Artesanal mesmo, são produzidas apenas 1500 garrafas. A coloração é um tanto turva, com uma expressão forte de fruta fresca, uma pequena agulha no meio da língua indicando ainda resquícios de fermentação na garrafa, taninos bem doces e baixo grau alcóolico. No contra-rótulo a recomendação de guarda: “No lo guarde, bébalo!”

Mas estes vinhos de autores são naturais, orgânicos, certificados? David Marcel contrai o semblante. Para ele isso não tem a menor importância. Os vinhos têm um mínimo de sulforoso, as parreiras são tratadas sem agrotóxicos, mas ele se nega a certificar vinhedos ou alardear métodos: “Não sou um método de produção”, explica. Os vinhos destes destemidos enólogos que buscam a pureza perdida trazem um frescor ao mundo de baco, introduzem questões fundamentais de missão e valores e, principalmente, recuperam a tradição dos antepassados. Não negam as inovações enológicas muitos menos pregam o abandono das práticas de higiene adotadas atualmente nas cantinas ou dos estudos do clima e do solo mais adequadas para cada tipo de uva, mas buscam manter com esta filosofia a expressão de origem de um produto.

E antes de colocar o ponto final, um questão se impõe. O leitor é apresentado ao Pipeño Aupa e os vinhos da Viña Maitia. Onde encontrá-los? Os negócios para importação no Brasil estão em fase avançada de negociação, mas ainda não existe um distribuidor. Mas devem pintar por aí. Se for viajar para o Chile, os vinhos podem ser encontrados em Santiago na loja Mundo del Vino, nos restaurantes Borago, Ambrosia, 99, no hotel Hyatt e pelo endereço eletrônico da distribuidora especializada em vinhos de autores Petits Plaisirs, não por acaso um negócio tocado por Loreto

 

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quinta-feira, 5 de março de 2015 Brancos, Doce, Tintos, Velho Mundo | 10:40

Planeta: vinhos italianos da Sicília aos pés do vulcão Etna

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Vinhedos da Planeta: aos pés do vulcão Etna, na Sicília

Vinhedos da Planeta: ao fundo o vulcão Etna

Em 1994 a vinícola Planeta, um empreendimento familiar da ilha de Sicília, na Itália,  lançou um vinho branco da uva chardonnay que é sucesso até hoje. De um perfil moderno,  de coloração dourada, cremoso, com boa presença em boca e um toque de barrica e de baunilha bem perceptível ganhou o mercado e tornou conhecida a marca, que também se notabilizou pelo syrah e pela merlot. Uvas internacionais, rótulos modernos e fáceis de lembrar, mas legítimos representantes do solo italiano, apesar de perder um pouco aquele sentido de vinhos originais da Bota.

O projeto – Planeta é o nome de família – começou com uma vinícola e 50 hectares fruto de pesquisas de Diego Planeta, e hoje ampliou sua presença na ilha e possui seis cantinas em diferentes pontos da Sicília que juntos somam 390 hectares. São elas: Ulmo/Sambuca di Sicilia (de onde vem o chardonnay famosão); Dispensa/Menfi; Dorilli/Vittoria; Etna/Feudo di Mezzo; Buonivini/Noto e La Baronia/Capo Milazzo. Os campeões de venda no Brasil são os rótulos La Segreta. No mapa as cantinas  permitem um tour em volta da ilha, o que não é má ideia.

A cantina onde os vinhos são produzidos

A cantina de Vittoria/Etna onde os caldos são vinificados

Esta diversidade de solos e territórios entrega uma variedade de estilos de vinho (espumantes, brancos, tintos, doces) com diferentes tipos de uva (as internacionais chardonnay, syrah, merlot e as nativas, carricante, moscato bianco, nero d’avola, frappato, nerello mascalese) que enriquecem a experiência do vinho da Sicília e quebra este carimbo global que marcou o início da Planeta. Um bom exemplo é linha Etna, recém-lançada no Brasil, produzida em um vinícola que fica aos pés do vulcão de mesmo nome, o maior símbolo da ilha. São rótulos onde a  tipicidade da Itália se torna mais presente e os vinhos mais gastronômicos e instigantes, secondo me (termo roubado do meu amigo Didu Russo).

Blog do Vinho provou e palpita:

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Planeta Etna Bianco 2013

Região: Castiglione di Sicilia (Etna)
Uva: carricante
R$ 126,00

Um branco menos exibido que seu primo mais famoso, o citado chardonnay Planeta. A carricante é uma uva nativa da região. Mais fresco, com boa acidez, mineral e nota lá no fundo de madeira. Um branco que tem como principal virtude a vivacidade em boca.

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Planeta Etna Rosso 2013

Região: Castiglione di Sicilia (Etna)
Uva: nerello mascalese
R$ 126,00

Agora um tinto representante legítimo do solo vulcânico do Etna. Algumas fotos impressionantes mostram as lavas fazendo fronteira com os vinhedos. A coloração é mais leve,  corpo médio, tem um aroma gostoso de frutas vermelhas, macio, e boa acidez. Um tinto que pede um prato de comida.

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Dorilli Cerasuolo Di Vittoria Classico DOCG

Região: Dorilli (Vittoria)
Uvas: 70% nero d’avola e 30% frappato
R$: 163,00

Um clássico da Planeta, com aquele rótulo em formato de redemoinho mais famoso. Único vinho DOCG (denominazione di origine controllata e garantita) da Sicília. O nome do vinho já dá a dica: Cerasuolo significa solo de cereja. E não é que o bichão exala aromas marcantes de cereja madura, framboesa, frutas vermelhas em geral? A percepção em boca é mais doce (passa 10 meses em barricas de 500 litros de segundo uso, que não marca tanto o vinho), desce macio, gostoso. Bom final de boca, com mais corpo também. Gastronômico, mas pede um prato mais forte de carne, um molho mais potente.

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Passito di Noto – DOC Noto

Região: Noto (Buonovini)
Uva: moscato bianco
R$ 213,00

Vinho de sobremesa branco italiano. Só por isso é um risco que se deve correr. O processo de vinificação lembra o do amarone, de apassimento (as uvas são deixadas em esteiras por quatro ou cinco meses em vez de serem esmagadas, com isso os frutos perdem peso e ganham açúcar, álcool e aromas). A cor é bem amarela, e a primeira e segunda impressão no nariz é de mexerica (tangerina) doce, um toque de mel. Doce e untuoso como tem de ser, corta o melaço com uma acidez presente. Deve ser o bicho com pastiera di grano

Os rótulos Planeta são importados no Brasil pela Interfood

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 Novo Mundo, Tintos | 11:50

Os incríveis (e caros) vinhos chilenos do suíço Mauro von Siebenthal

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Mauro Von Siebenthal: exibe suas crias: "Grandes vinhos têm de ser profundos e persistentes"

Mauro Von Siebenthal: exibe suas crias: “Grandes vinhos têm de ser profundos e persistentes”

Mauro von Siebenthal (pronuncia-se “Fon Zibental”) é um homem do mundo. Advogado suíço, de família de origem italiana, e experiência profissional global, realizou seu projeto de vida produzindo vinhos de personalidade e qualidade no Chile. Mauro é um pequeno grande produtor, pequeno por que adota o conceito de Vinícola Boutique, e grande na ambição de produzir vinhos de  reconhecimento internacional e com “alma”  – mais precisamente em Panquehue, no Vale de Aconcágua, a 100 quilômetros de Santiago

A Von Siebenthal é parte integrante de um dos grupos mais inovadores e instigantes do Chile, o Movi, Movimento dos Vinhateiros Independentes, que reúne produtores de pequeno e médio porte. Independente, mas nada ingênuo. Não desdenha, nem esconde, por exemplo que um de seus rótulos premium, o Tatay 2007, um carmenère de boa estirpe, levou 97 pontos na lista da Wine Advocate, de Robert Parker. Um feito só igualado duas outras vezes por um vinho chileno: as duas pelo Terrunyo Carmin de Peumo, também da uva carmenère, das safras 2003 e 2005, produzidos pela Concha y Toro.

À primeira vista Mauro von Siebenthal lembra um pouco aquele colega nerd da escola, ou um estereótipo de uma personagem suíço: um pouco acima do peso, pele clara, com as bochechas rosadas, um par de óculos grandes que lhe toma o rosto arredondado e diminuem os olhos e uma calvície que alonga a testa. Logo no primeiro contato, porém, o lado italiano expresso no nome Mauro se impõe. Dono de uma personalidade forte, com opiniões firmes sobre vinhos e críticos, tem um discurso afinado com boas frases de efeito, metáforas incomuns na descrição dos seus vinhos e ótimo senso de humor. Também revela-se um extraordinário anfitrião, um cozinheiro de mão cheia e a melhor propaganda de seus rótulos.

Mauro no meio de seus vinhedos: "O lugar tem de te eleger"

Mauro no meio de seus vinhedos: “O lugar tem de te eleger”

Mas como ele veio parar neste pedaço do mundo, trocando a toga pelas botas do campo? “Desde os 16 anos sou apaixonado por vinho”, ele dá a dica. A bem–sucedida carreira de advocacia lhe deu eira e beira, e a oportunidade de provar os melhores tintos, brancos e espumantes da Europa e do mundo, formando sua palheta de sabores e aromas. Mauro alimentava um sonho de ter um vinhedo para chamar de seu e já tinha idealizado seu objetivo: elaborar “vinhos com identidade”. Em 1998 um pintor amigo organizou uma exposição no Chile que ele veio visitar. “Tudo que eu havia idealizado para um excelente vinhedo estava concentrado aqui”, conta se referindo à região de Panquehue, no Vale do Aconcágua, onde a Viña Errazuriz também tem seus vinhedos. “Decidi em 5 minutos”, recorda. A região foi a primeira produtora de vinhos no período colonial do Chile, mas naquele momento o terreno era selvagem, não tinha nada. “Começamos a plantar o vinhedo em 1998”.

“O terreno escolhe você, não é você quem escolhe o terreno. O lugar tem de te eleger”, teoriza, em um estilo limítrofe à autoajuda. Os lugar é mesmo de tirar o fôlego. Mauro costuma levar seus convidados a uma parte mais alta do vinhedo onde pode-se mirar toda a propriedade, as filas de parreiras criando desenhos e a Cordilheira do Andes ao fundo.  “Se você escuta a natureza, ela diz alô, alô”, sustenta Mauro numa pegada prosopopeica. São dois vinhedos nas montanhas e outros dois no plano, como solos graníticos (para cabernet franc, merlot, carmenère) e aluvial (para cabernet sauvignon, petit verdot e carmenère). “Em 1998, comecei a comprar essas terras, com ajuda de amigos investidores, até chegar a 52 hectares.” A adega, de estilo arquitetônico  colonial chileno, não aposta na linha de impacto visual. É eficiente e dotada de tecnologia necessária, e conta uma estrutura adequada para receber pequenos grupos. Mauro se orgulha de manter um mesmo time de onze leais funcionários desde o início, incluindo seu braço-direito Darwin Oyarce, que nos acompanhou na prova de vinhos ainda em barrica, e do enólogo Stefano Gandolini. Em 2003 já estava produzindo os primeiros tintos “já era um Tatay” e seguiu ampliando sua linha de forma controlada (são sete rótulos). Em 2009 mudou-se em definitivo para o Chile e hoje vive na vinícola, junto com sua mulher, Soledad La Torre. Ao contrário do que possa parecer não é um empreendimento para aventureiros, mas para quem tem crédito no banco. Mauro Von Siebenthal lembra que foram 12 anos no vermelho, perdendo dinheiro (mas talvez ganhando em felicidade, como diria com certeza, se é que não disse).

Rio_Mistico

Mauro nos conta sua história na mesa de sua sala de almoço, onde será servido uma refeição preparada pelo próprio, na casa que construiu dentro da vinícola. Estávamos eu, Mauro, sua mulher Soledad, Susana Gonzales, a representante de uma empresa chilena de promoção de vinhos, e o escritor de vinhos do Paladar, da revista Prazeres da Mesa, Marcel Miwa, um dos melhores críticos do momento e um degustador de primeira. Mauro me pergunta se conheço os vinhos. Digo que não. Perplexo ele me questiona: “Mas em que mundo você vive?”, achando que era obrigatório alguém como eu ter um conhecimento mínimo de seus rótulos. Sorri sem graça (na realidade eu já havia provado o Cabrantes e mais tarde mostrei ao Mauro o post neste Blog do Vinho, como foto sua e tudo. Vergonha dupla, pelo esquecimento e por não ter feito a lição de casa). Mauro serve a primeira amostra, uma novidade. Um vinho branco de um produtor reconhecido pelos caldos tintos. Trata-se do Rio Mistico, um viognier impactante e encantador. Diferente da maioria que já provei. Cremoso, potente, untuoso e amanteigado, tem um floral delicado e uma personalidade própria. “Uso muito oxigênio na hora de vinificar”, explica. Ele diz que será sua única incursão no mundo dos brancos. Estimulo a continuar, pois de fato fiquei impressionado. Acho que consigo recuperar um pouco a moral com ele.

 

Montelig_2009

Começamos então uma sequência de tintos (os vinhos não são filtrados): Montelig 2009 (R$ 343,00*), cabernet sauvignon (40%) carmenère (30%) e petit verdot (30%). O vinho passa 24 meses em barricas francesas e 3 a 4 anos na garrafa até ser desarrolhado e entregar uma bebida de taninos muito aveludados, bom corpo, boca envolvente, boa acidez. Tem um primeiro ataque de pimenta branca e em seguida chegam as frutas negras a cereja. Para comparar, abre uma outra garrafa de Montelig, agora da safra de 2006, três anos mais velho. “Tem mais coisas aqui”, analisa enquanto gira a taça. De fato, mais fruta madura, mais notas de couro, boa evolução na garrafa.

Tatay_2010Aponto para uma taça enorme que ele guarda dentro de uma prateleira e o assunto passa a girar em torno dos terremotos e de como perderam copos e vasos durante os tremores, além de vinho na adega, claro. Desafio ele a produzir uma foto com a megataça recomendando beber “uma taça de Von Siebenthal por dia”. Ele prontamente pede para Soledad tirá-la do armário, faz graça e posa para foto. Chega a vez então do aclamado Tatay de Cristóbal da safra 2010 (R$ 1024,00!!!), 90% carmenère e 10% petit verdot. “Nunca pensei em fazer um carmenère usual”, comenta enquanto gira a taça. Complexo. Muito macio, persistência incrível. Aromas de bosque e frutas negras. O final de boca chama a atenção, muito longo, com uma percepção em boca das frutas negras presentes no nariz e bala de café que prolonga no retrogosto (ô palavrinha que não ajuda…). Deve se agigantar com mais paciência e tempo na garrafa. “Grandes vinhos têm de ser profundos e persistentes”, teoriza Mauro. Mais tarde provamos o Tatay 2012, que ficou 26 meses em barrica e só terá suas 3.800 garrafas lançadas  em 2018. Já tinha uma classe e persistência marcantes, com muitos aromas de fruta negras. “A petit verdot dá mais tempo e punch ao vinho”, explica.

Terminada a refeição vamos para a prova na adega: começamos pelo Carabantes Syrah 2013 (R$ 161,00). O syrah não navega sozinho, mas é protagonista (syrah 85%, cabernet. sauvignon 10% e petit verdot 5%). Passa 14 meses em carvalho francês novo. Tem um belo nariz, especiarias delicadas e não exibidas, ervas finas, boca envolvente, doçura final e muita fruta vermelha como framboesa. Sobre a safra 2016, ele vislumbra sua beleza: “Será uma bailarina turca oriental”. Em seguida provamos o Carmenère Gran Reserva (R$ 124,00) – carmenère 85% e cabernet sauvignon 15%, com 10 meses em carvalho americano. Fruta bem desenhada, persistente, boa acidez e já “bebível” para um vinho que será lançado em 2016. Provamos ainda alguns varietais vinificados e amadurecidos em separados que ainda repousam em barricas e farão parte de outros vinhos, como o Parcela #7 (R$ 124,00) – um corte bordalês com 40% de cabernet sauvignon, 35% de merlot, 10% de petit verdot e 15% de cabernet franc) do primeiro vinhedo cultivado na Von Siebenthal. “O Blend perfeito não existe, é uma inspiração”, conta Mauro em um vídeo na sua página no Facebook reproduzido abaixo. “Neste nível de vinho fazer escolhas das uvas é uma questão intelectual”

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Para o final ficam as impressões do Toknar (R$ 410,00), um surpreendente 100% petit verdot. Como diz Mauro, “só se memorizam vinhos extraordinários”. Este grudou na memória. Os 26 meses de barrica e dois de garrafa aportaram um baita aroma (frutas negras, café, eucalipto), um toque de grafite, potente, grande presença em boca, uma cereja inunda no paladar, mineral, acidez marcante, muita expressão da petit verdot que raramente é protagonista e aqui atua num monólogo magnífico. Na minha modesta opinião – já disse mais de uma vez aqui que sou um degustador mais intuitivo e menos técnico – foi o meu tinto inesquecível do dia. “Os vinhos não são iguais todos os anos – são similares, mas não iguais. Usamos as mesmas uvas, dos mesmos vinhedos, mas a natureza muda a cor a cada ano”, compara Mauro Von Siebenthal.

Mauro é adepto de uma taça de vinho por refeição.

Mauro “recomenda uma taça de vinho por refeição”

Depois de alguns goles, Mauro soltou mais sua verve: soltava fogo pelas ventas toda vez que mencionava o Guia Descorchados e seu autor, o crítico Patricio Tapias. Acusava-o de não ter critério, de não entender a qualidade dos rótulos Von Siebenthal e outros ressentimentos de quem não foi bem avaliado no ranking elaborado todos os anos pelo guia (recente reportagem da revista Decanter, com dicas de Tapias com os melhores cabernet sauvignon chilenos, também passa ao largo dos rótulos de Von Siebenthal). Curiosamente foi outro crítico, muito mais enxovalhado pelos produtores e outros especialistas, Robert Parker, que catapultou os tintos Von Siebenthal entre os vinhos de qualidade e exceção do Chile. “Em 1997 tivemos quatro vinhos acima de 90 pontos”, conta desenhando um sorriso no rosto e arregalando os olhos. Além dos 97 pontos do Tatay, receberam boas notas o Toknar (94), Montelig (92) e o Cabrantes (91). São vinhos boutique, de alta gama, e cobram seu preço. Segundo o site de cotação  de vinhos Wine Searcher o Tatay está entre os três vinhos mais caros do Chile e com os preços subindo nos últimos três anos.  Mais uma vez Mauro Von Siebenthal define a situação: “Eu prefiro uma Ferrari a um Fiat 500”.

Assista ao vídeo onde Mauro mostra sua propriedade e conta um pouco de sua história (em inglês)

 Neste outro vídeo, além de Mauro, o enólogo Stefano Gandolini fala um pouco sobre o terroir e os vinhos (em espanhol)

* Os valores dos vinhos no Brasil foram pesquisados em fevereiro de 2015, no site de vendas online Fine Wines  

 

 

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 Blog do vinho, Novo Mundo, Sem categoria, Velho Mundo | 13:34

Chile domina de vez o mercado de vinhos importados no Brasil. Conheça o ranking.

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Sabe aquela história de crise no mercado de vinhos que a gente escuta todos os anos? Pois é, no mundo do espumantes nacionais todas as maiores empresas revelaram crescimento em 2014 (ver post Espumantes brasileiros: preferência nacional e consumo no final do ano). O mundo dos importados, “mesmo com todo o emblema, todo o problema, todo o sistema”, vai levando os números para cima. O crescimento em relação a 2013 foi de 12,5%. É isso que mostram os números consolidados de importação de vinhos de 2014 preparado semestralmente pelo consultor Adão Morellatto.

Em um país com déficit de dados, este levantamento realizado por Morellatto é um trabalho importante que mostra como está o mercado de vinhos importados no Brasil.  Morellato explica: “Em valor estamos próximo de um montante de USD 325.000.000,00 e algo como 9.000 conteiners de 1.000 CX/12; somente por estes números dá-se para imaginar o tamanho, complexidade, versatilidade, dinâmica e valores que envolve este setor. Levantando os dados de 2007 x 2014, a performance foi 93,45% ou uma média ponderada de 13,35% anual. Poucos e segmentados produtos cresceram nesta proporção. E ainda há o fator cambial, que em 2014 aumentou em quase 15%.”  Resultado nada mal em um país que teve um crescimento perto de zero em 2014. 

Para o consumidor, estes números apenas planilham uma constatação que pode ser verificada nas prateleiras dos supermercados, nos sites de e-commerce e cartas de vinho dos restaurantes. A maioria de rótulos é de vinhos chilenos, argentinos, portugueses, franceses e italianos. Além dos brasileiros que não entram, evidentemente, nesta análise de importados.

O Chile está perto de abranger 50% do mercado de vinho fino.

Abaixo um resumo das principais informações e dados consolidados pela análise de Adão Morellato

1º. CHILE:  Existe uma grande possibilidade de o Chile em breve dominar 50% do mercado brasileiro de vinhos finos. Se considerar somente o tipo vinho fino, ele representa quase 46,40% em valor, porém no consolidado, retrai-se um pouco para 35,30% em valor e 44,39% em volume. Seu preço médio está 25% mais econômico que os vinhos argentinos.  O crescimento em 2014 foi de 25,59% alavancado principalmente pela estratégica das grandes empresas chilenas em priorizar os 5 mercados chaves: USA, Reino Unido, China, Japão e Brasil

2º. ARGENTINA: Contrariando os prognósticos locais, apresentou um crescimento de 9,52% e sua participação caiu um pouco, hoje estabelece-se nos patamares de 17% de volume e valor. (para se ter uma ideia em julho de 2013 os vinhos argentinos detinham 21,09% em valor e de 20,21% em volume). As razões? As políticas econômicas do atual governo. Enquanto Chile manteve seu preço médio em USD 3,20 p/ litro, na Argentina houve um aumento de 3,08%, chegando a USD 4,01 p/ litro

3º. FRANÇA: A França apresenta-se em terceiro lugar neste ranking devido ao valor de seus produtos atingirem quase 15% de participação, mesmo com um índice em volume de apenas 5,85%. Isso se explica pelo preço médio de USD 10,30 p/ litro, influenciado pelo alto valor agregado do champagne, que sozinho representa 37,82% de toda exportação francesa.

4º. PORTUGAL: Por uma pequena diferença com a França, Portugal passa para a quarta posição. Participa com quase 12% de Share, com crescimento de 4,50% e preços médio de USD 3,88 p/ litro

5º. ITÁLIA: Em 2014 cresceu 3,97%, com participação bem próxima de Portugal, exatos 11,13% em valor e de 11,68% em volume. Já não há tanta influência do vinho tipo Lambrusco que chegou a representar quase 50% de todo o volume de vinhos deste país há alguns anos. O Vinho Prosecco representa 12,34% de market share no seu montante total.

 

6º. ESPANHA: De 2007 há 2014 a Espanha vinha apresentando um crescimento a uma média de 31% ao ano. Em 2014, contrariando os anos anteriores, apresentou uma ligeira queda de quase -1%, só não caiu mais devido ao vinho (CAVA) ter crescido sua participação em 16,06%, representando 26,17% na totalidade.

7º. DEMAIS PAÍSES: Apresentam menos de 5% de participação, com destaque evolutivo para os países: Alemanha = 16,72%  / Africa do Sul =54,95% / USA = 47,90%, queda abrupta da Austrália em 69% e Uruguay que patina nos números idênticos ao ano de 2007.

Leia também: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Dados extraídos do Análise de Mercado de 2014 da análise de

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 Blog do vinho, Brancos, Degustação, Tintos | 15:39

Listas dos melhores vinhos de 2014

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São Paulo Tasting 2013: 11 garrafas e nenhum segredo

Listas, rankings, concursos: as escolhas dos melhores vinhos de 2014

Quais os melhores vinhos de 2014? Difícil responder. Melhor vinho de onde, para quê, para quem e a qual preço? Mesmo assim ao longo do ano vários concursos e rankings são realizados e, principalmente no final do ano, as principais publicações e guia de vinhos lançam as suas listas de top 100, elegendo os melhores do ano.

Todo mundo adora listas de melhores do ano. Todo mundo critica. Mas todos – os que gostam e os que odeiam – consultam estas listas. Para se guiar, falar mal delas ou mesmo para comparar com o seu próprio critério de escolha.

Um personagem emblemático desta mania é o de Rob Gordon, do romance Alta Fidelidade, do inglês Nick Horben. Proprietário de uma falida loja de vinil e com problemas de relacionamentos crônicos, ele vive criando listas dos 5 melhores ou piores coisas de sua vida, em especial de músicas para cada ocasião. É assim que ele dá sentido à sua vida. O romance virou um filme de mesmo nome interpretado por John Cusack.

Para alegria de muitos e desagravo de outros tantos, este blog reuniu numa mesma página algumas das listas de melhores vinhos publicadas em 2014 pelas mais famosas e badaladas revistas especializadas e o resultado de  concursos internacionais. Em seu momento Rob Gordon, este cronista dos fermentados, também enumera 10 vinhos inesquecíveis provados em 2014, sem qualquer rigor científico: aplausos e apupos e na caixa de comentários, please.

  • BLOG DO VINHO – 10 vinhos inesquecíveis do Chile e Argentina de 2014

Este ano, por conta de algumas viagens, degustações e mesmo vinhos provados em restaurantes o volume de vinhos do Chile e Argentina provados por este colunista superou – e muito – de outros países. Por isso a lista do Blog do Vinho precisava ser coerente com a experiência pessoal do autor e lista 5 vinhos de capa país. A lista aqui não está em ordem preferência. São apenas vinhos que me encantaram por variados motivos, todos aqueles que estão em torno da bebida: prazer, gosto, companhia, ambiente. Afinal, vinho não é planilha.

 toknar

CHILE

Toknar– Petit Verdot  2010 – Viña Von Siebenthal – Aconcagua

Don Melchor 2010 –  Concha y Toro – Maipo

Manso de Velasco 2011 – Viña Torres – Valle do Curicó

Limávida Old Wines Field Blends 2011 – De Martino – Maule

Tralca Bisquertt Family Vineyards 2010 – Bisquertt – Colchagua

 

republica

ARGENTINA

Casas de Weinert – Gran Vino– Bodegas y Cavas de Weinert

– Mendoza

La Espera Reserva Syrah 2007 – Funckenhausen Vineyards –  San Rafael, Mendoza

Chacra Cinquenta y Cinco 2012 – Bodegas Chacra – Patagônia

Republica del Malbec Blend de Terroir 2012 – Riccitelli Wines – Mendoza

Pequenas Producciones Cabernet Franc  2010-  Escorihuela Gascón, Mendoza

 REVISTAS ESPECIALIZADAS

valemeao

  • WINE SPECTATOR – 10 primeiros vinhos do TOP 100

Destaque para os rótulos região do Douro, de Portugal, classificados  em 1º, 3º e 4º lugares.

1     Dow Vintage Port

2     Mollydooker Shiraz McLaren Vale Carnival of Love

3     Prats & Symington Douro Chryseia

4     Quinta do Vale Meão Douro

5     Leeuwin Chardonnay Margaret River Art Series

6     Castello di Ama Chianti Classico San Lorenzo Gran Selezione

7     Clos des Papes Châteauneuf-du-Pape

8     Brewer-Clifton Pinot Noir Sta. Rita Hills

9     Concha y Toro Cabernet Sauvignon Puente Alto Don Melchor

10 Château Léoville Las Cases St.-Julien

Lista completa: http://2014.top100.winespectator.com/lists/

Deiss

  • WINE ENTHUSIAST – 10 primeiros vinhos da Top 100

A revista americana, claro, privilegia alguns rótulos da terra, pouco conhecidos por aqui.

1     Ken Wright 2012 Abbott Claim Vineyard Pinot Noir (Yamhill-Carlton District)

2     Pieropan 2011 La Rocca Garganega (Soave Classico)

3     José Maria da Fonseca 2011 José de Sousa Red (Alentejano)

4     SonVida 2012 Malbec (Mendoza)

5     Domaine Marcel Deiss 2011 White (Alsace)

6     Guido Porro 2010 V. S. Caterina Nebbiolo (Barolo)

7     Sparkman 2013 Birdie Riesling (Columbia Valley (WA))

8     Gruber Röschitz 2012 Hundspoint Grüner Veltliner (Weinviertel)

9     Luis Duarte 2011 Rubrica Red (Alentejano)

10 Iron Horse 2010 Wedding Cuvée Sparkling (Green Valley)

Lista completa: http://buyingguide.winemag.com/toplists/2014/wines/10-1

Assobio2011

  • WINE ENTHUSIAST – 10 primeiros vinhos Best Buy (melhor compra)

 Nos Estados Unidos os vinhos listados abaixo custam entre 7 a 14 dólares. Novamente Portugal se dá bem em 2014.

1     Aveleda 2013 Quinta da Aveleda Estate Bottled Loureiro-Alvarinho White (Minho)

2     Barnard Griffin 2012 Fumé Blanc Sauvignon Blanc (Columbia Valley (WA))

3     Bogle 2012 Essential Red (California)

4     Herdade do Esporão 2011 Quinta dos Murças Assobio Red (Douro)

5     Mano A Mano 2011 Tempranillo (Vino de la Tierra de Castilla)

6     Chateau Ste. Michelle 2013 Dry Riesling (Columbia Valley (WA))

7     Château Vincens 2011 Prestige Malbec-Merlot (Cahors)

8     DFJ Vinhos 2011 Portada Winemaker’s Selection Tinto Red (Lisboa)

9     Hugl-Wimmer 2013 Wimmer Grüner Veltliner (Niederösterreich)

10 Blue Fish 2012 Sweet Riesling (Pfalz)

Lista completa: http://www.winemag.com/November-2014/Top-100-Best-Buys-2014/

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  • DECANTER top 50 Wines of The Year

Esta é uma seleção anual que a mais respeitada revista de vinhos do planeta, a inglesa Decanter, publica toda edição de dezembro. Dos 4.800 vinhos provados durante o ano os especialistas selecionam os 50 melhores. Não há um primeiro lugar, mas vinhos bem pontuados e de boa relação qualidade e preço.  Bem, tem até um espumante da Grã-Bretanha…  e nenhum dos EUA. A classificação é por país, portanto vai a lista completa.

Argentina

Atamisque, Serbal Assemblage, Gualtary & Tupungato, Mendoza 2012

Chacra, barda Pinot Noir, Patagonia 2011

Zorzal, Pintao Pintao, Gualtary & Tupungato, Mendoza 2011

 

Austrália

Heemskerk, Chardonnay, Tasmania 2012

Tolpuddle, Chardonnay, Coal River Valley, Tasmania 2012

Adelina, Grenache, Clare Valley, South Australia 2012

Ben Glaetzer, Bishop Shiraz, Barossa Valley 2012

John Duval, Entity Shiraz, Barossa Valley, South Australia 2012

Leeuwin Estate, Art Series, Cabernet Sauvignon, Margaret River 2010

Shaw & Smith, Shiraz, Adelaide Hills, South Australia 2012

 

Áustria

Schiefer, Eisenberg Blaufränkish, Burgenland 2009

 

Chile

Casa Marin, Syrah, Miramar Vineyard, Lo Abarca, San Antonio 2010

Casas del Bosque Gran Reserva Syrah, Casablanca 2011

 

França – Bordeaux

Château Gruaud-Larose, St-Julien 2CC 2010

Château Haut-Batailley, Pauillac 5CC 2010

Château Prieuré-Lichine, Margaux 4CC 2010

Château de Rayne-Vigneu, Sauternes 2009

 

França – Loire

Domaine Jean Teiller, Menetou-Salon 2012

 

França – Provence

Le Grand Cros, L’Esprit de Provence, Côtes de Provence 2013

 

França – Rhône

Bosquet des Papes, Chante le Merle Vielles Vignes, Châteauneuf-du-Pape 2012

Domaine Les Grands Bois, Cuvée Maximilien, Cairanne 2012

 

Alemanha

Kloster Eberbach, Hessesche Staatsweingüter, Rüdesheimer Berg Schlossberg, Grosses Gewächs, Rheingau 2012

 

Itália – Regional

Paltrinieri, Solco, Lambrusco dell’Emilia-Romagna 2012

Villa Medoro, Rosso del Duca, Montepulciano d’Abruzzo 2010

 

Itália – Sul

Pietracupa, Greco di Tufo 2012

 

Itália – Toscana

Il Molino di Grace, Il Margone, Chianti Classico Gran Selezione 2010

Melini, Vigneti La Selvanella, Chianti Classico Riserva 2010

Pian dell’Orino, Brunello di Montalcino 2008

 

Itália – Vêneto

Cà dei Frati, Brolettino, Lugana 2011

Cà Lojera, Lugana 2012

Selva Capuzza, Selva, Lugana 2012

Viviani, Amarone dela Valpolicella Classico 2008

 

Nova Zelândia

Greywacke, Pinot Noir, Marlborough 2012

Kusuda, Riseling, MartinBorough 2013

Ata Rangi, Pinot Noir, MartinBorough 2011

Felton Road, Calvert, Pinot Noir, Bannockburn, Central Otago 2012

Fromm, Clayvin Vineyard. Pinot Noir, Marlborough 2011

NOSSA_CALCARIO

Portugal

Felipa Pato, Nossa Calcário Branco, Bairrada 2011

 

África do Sul

Boekenhoutskloof, Semillon, Franschhoek 2010

Chamonix, Chardonnay Reserve, Franschhoek 2012

 

Espanha

Gramona, Brut Nature Gran Reserva, Cava 2008

Contino Blanco Rioja 2010

Bastión de la Luna, Tintos de Mar, Rias Baixas 2011

Bodegas Artazu, Santa Cruz de Artazu, Navarra 2009

Domaines Lupier, LA Dama Garnacha, Navara 2009

Dominio do Bibei, Lalama, Ribeira Sacra 2010

La Calandria, Pura Garnacha, Cientruenos, Navarra 2011

La Rioja Alta, 890, Rioja Gran Reserva 1998

Bodegas Hidalgo Napoleon, Manzanilla Amontillada

 

Grã-Bretanha

Sugrue Pierre, South Downs, England 2010

  • CHAMPA  DECANTER – World Wine Awards (DWWA) 2014

15.000 vinhos passam pela degustação às cegas de 225 jurados internacionais que distribuíram, após quatro meses, 454 medalhas de ouro,  158 troféus regionais e 33 troféus internacional. São provas exclusivas para este concurso, diferente da escolha dos 50 vinhos analisados pela Decanter ao longo do ano. Abaixo a lista dos 33 troféus internacionais

 

International Trophy

 Seco aromático abaixo de 15 libras

Lawson’s Dry Hills, Gewürztraminer, Marlborough, New Zealnd 2012

 

 Espumante abaixo de 15 libras

Cruzat, Cuvée Réserve Rosé Extra Brut, Argentina (sem safra)

 Espumante acima de 15 libras

Charles Heidsieck, Blanc des Millénaires Brut, Champagne, France

 

 Riesling seco abaixo de 15 libras

Marks  Spencer, Eclipse Riesling, Bío-Bío Valley, Chile 2012

 

 Riesling seco acima de 15 libras

Pewsey Vale, The Contours Museum Reserve Riseling, Eden Valley, South Australia 2008

 

 Sauvignon Blanc abaixo de 15 libras

Paul Cluver, Estate Sauvignon Blanc, Elgin, South Africa 2013

 

 Sauvignon Blanc acima de 15 libras

Jean-Paul Balland, Grand Cuvée, Sancerre, Loire, France 2012

 

 Chardonnay abaixo de 15 libras

Albert Bichot, Secret de Famille Chardonnay, Bourgogne, France, 2012

 

 Chardonnay acima de 15 libras

Jordan, Chardonnay, Stellenbosh, South AFrica 2013

 

 Branco varietal abaixo de 15 libras

McGuigan, The Shortlist Semillon, Hunter Valley, New South Wales, Australia 2007

 

 Branco varietal acima de 15 libras

St-Jodern Kellerei, Heida Barrique, Valais, Switzerland 2012

 

Branco blend abaixo de 15 libras

Domaine de la Voiugeraie, Monopole le Clos Blanc de Vougeot 1er Cru, Burgundy, France 2011

 

 Branco blend acima de 15 libras

Domaine Zinck, Portrait Pinot Gris, Alsace, France 2012

 

 Pinot Noir abaixo de 15 libras

Falernia, Pinot Noir Reserva, Elqui Valley, Chile 2013

 

 Pinot Noir acima de 15 libras

Greystone, The Brother’s Reserve Pinot Noir, Waipara, Canterbury, New Zeland 2012

 

 Tinto varietais bordalesas  abaixo de 15 libras

Hartenberg, Cabernet Sauvignon, Stellenbosch, South Africa 2010

 

 Tinto varietais bordalesas  acima de 15 libras

L’Ecole Nº41, Ferguson, Walla Walla Valley, Washington State, USA 2011

 

Tinto varietais do Rhône abaixo de 15 libras

Spier, Creative Block 3, Coastal Region, South Africa 2011

 

 Tinto varietais do Rhône acima de 15 libras

Château Cesseras, Minervois La Livinière, Languedoc-Roussillon, France 2011

 

 Tinto varietais espanhóis abaixo de 15 libras

Olarra, Erudito, Rioja Reserva, Spain 2009

 

Tinto varietais espanhóis acima de 15 libras

Mustiguillo, Pago el Rerrerazo, Spain 2011

 

 Tinto varietais italianas abaixo de 15 libras

Costarossa, Surani, Primitivo di Manduria, Puglia, Italy 2012

 

Tinto varietais italianas acima de 15 libras

Pianpolvere Soprano, Bussia 7 Anni, Barolo Riserva, Piedmont, Italy 2007

 

 Tinto varietal abaixo de 15 libras

Fabre Montmyou, HJ Fabre Barrel Selection Malbec, Patagonia, Argentina 2013

 

Tinto varietal acima de 15 libras

El Esteco, Don David Reserve Tannat, Salta, Argentina 2012

 

Tinto blend abaixo de 15 libras

Morrison’s, Signature, Valpolicella Ripasso, Veneto, Italy 2012

 

 Tinto blend abaixo de 15 libras

Zenato, Ripassa, Valpolicella Rispasso Superiore, Veneto, Italy 2010

 

 Rosé acima de 15 libras

Domaine de Rimauresq, R, Côtes de Provence, France 2013

 

 Doce Fortificado acima de 15 libras

Blandy’s, Malmsey, Madeira, Portugal 1988

 

 Doce abaixo de 15 libras

KWV, The Mentors Noble Late Harvest, Walker Bay, South Africa 2012

 

 Doce abaixo de 15 libras

Innislillin, Vidal Icewine, Niagra Peninsula, Ontario, Canadá 2012

 

 Fortificado seco abaixo de 15 libras

La Ina, Fino, Sherry, Spain, NV

 

Fortificado seco acima de 15 libras

Lustau, 30 years Old VORS, Amontillado, Sherry, Spain, NV

LIDIO_MERLOT

  • DECANTER – 6 melhores vinhos nacionais

Seleção do renomado crítico inglês Steven Spurrier (publicada na revista Decanter em setembro de 2013, mas acho que vale incluir aqui como referência do gosto internacional dos rótulos nacionais)

1     Cave Geisse 1998 Brut (magnum) – Pinto Bandeira (18,5 / 95 pts)

2     Lídio Carraro Grande Vindima Merlot 2005 – Encruzilhada do Sul (18 / 93 pts)

3     Pizzato DNA99 2008 – Vale dos Vinhedos (18 / 93 pts)

4     Lídio Carraro Dádivas Pinot Noir 2012 – Encruzilhada do Sul (17,5 / 91 pts)

5     Miolo Sesmarias 2008 – Campanha Gaúcha (17,5 / 91 pts)

6     Casa Valduga Raízes Cabernet Franc 2010 – Campanha Gaúcha (16,5 / 88 pts)

18-vietti-barolo-riserva-villero-2007

  • TRE BICCHERI – prêmio especial os melhores vinhos da Itália

O tradicional Guia Tre Biccheri é a referência dos vinhos da Itália. A classificação é feita por região e são muitas. Há entretanto um crème de la crème que elege os melhores de toda a Itália. São eles:

 

Rosso dell’Anno (tinto do ano)

Barolo Villero Ris. ’07 – Vietti

 

Bianco dell’Anno (branco do ano)

Trebbiano d’Abruzzo Vigne di Capestrano ’12  – Valle Reale

 

Bollicine dell’Anno (espumante do ano)

Brut Classico Nature – Monsupello

 

Dolce dell’Anno (doce do ano)

Vin Santo di Carmignano Ris. ’07 – Tenuta di Capezzana

 

Rapporto Qualità/Prezzo (qualidade /preço)

Custoza Sup. Ca’ del Magro ’12 – Monte del Frà

 

Cantina dell’Anno (Cantina do ano)

Tenuta Sette Ponti

Lista completa do Tre Biccheri: http://www.gamberorosso.it/component/k2/item/1020615-vini-d-italia-2015-del-gambero-rosso-ecco-i-risultati

GRANLEGADO

 CONCURSOS E AVALIAÇÕES

  • TOP 10 Expovinis 2014

Este colunista faz parte do júri que escolhe anualmente os melhores vinhos em 10 categorias da maior Feira de Vinhos da América Latina. Este foi o resultado de 2014

 Espumante Nacional

 Grand Legado Brut Champenoise, da vinícola Gran Legado, região de Garibaldi/RS

 

Espumante Importado:

Champagne Lanson Brut, do produtor Lanson, França

 

Branco Nacional

Pericó Vigneto Sauvignon Blanc, da Vinícola Pericó, Santa Catarina

 

Branco Importado

Boschendal Elgin Chardonnay, do produtor Boschendal, da África do Sul

 

Rosado:

Remy Pannier Rose D’Anjou, do produtor Ackerman, Vale do Loire, França

 

Tinto Nacional:

Guatambu Rastros do Pampa Tannat, do produtor Guatambu Estância do Vinho, região da Campanha Gaúcha

 

Tinto Novo Mundo

Casillero del Diablo Devil’s Collection, da Viña Concha y Toro, Vale do Rapel, Chile

 

Tinto Velho Mundo/Itália/França, entre outros

Le Vigne Di Sammarco Solemnis Primitivo Salento IGP, do produtor Le Vigne di Sammarco, região da Puglia, Itália

 

Tinto Velho Mundo/Península Ibérica:

Scala Coeli, da Adega Alentejana, região do Alentejo, Portugal

 

Fortificados e Doces

Andresen Porto White 10 Years, do produtor Andresen, região do Douro, Portugal

 

  • 22º AVALIAÇÃO dos vinhos nacionais safra de 2014

A Associação Brasileira de Enologia promove uma avaliação dos vinhos brasileiros da safra do ano que ainda vai entrar no mercado, uma seleção de 16 vinhos das 290 amostras degustadas de 58 vinícolas

 

Categoria vinho base para espumante

Domno do Brasil – vinho base espumante (Chardonnay
Chandon do Brasil – vinho base espumante (Chardonnay/Pinot Noir/Riesling Itálico)
Vinícola Geisse – vinho base espumante (Chardonnay/Pinot Noir


C
ategoria branco fino seco não aromático
Vinícola Salton – Riesling itálico
Vinícola Fazenda Santa Rita – Chardonnay
Vinícola Góes & Venturini Ltda – Chardonnay.
Cooperativa Vinícola Nova Aliança Ltda – Chardonnay

 

Categoria branco fino seco aromático
Vinícola Giacomin – Moscato giallo

Categoria tinto fino seco jovem
Giacomin Ind. De Bebidas – Vinhos Hortência – Cabernet sauvignon

Categoria tinto fino seco
Vinícola Góes – Cabernet franc

Leia também: O merlot brasileiro é o melhor do mundo?

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  • WINES OF CHILE – Melhores vinhos de 2014 eleitos pelo júri da 12º Wines of Chile Awards (AWoCA)

A décima segunda edição deste concurso foi realizado pela primeira vez no Brasil, e pesou o paladar brasileiro na distribuição dos prêmios. Aqui não se trata de uma lista por ordem de classificação, mas do melhor vinho por categoria. Um syrah, da Casas del Bosque, foi eleito o melhor entre todos os vinhos degustados e premiados.

Best in the Show

Syrah Gran Reserva 2012/Viña Casas del Bosque

 

Premium Red

Armida 2009/De Martino

 

Premium White

Amelia 2013/Concha y Toro

 

Other Reds

Tama Vineyard Selection Carignan 2013/Viña Anakena

 

Other Withes

Single Vineyard Neblina Riesling 2011/Leyda

 

Blends

5 Cepas 2013/Casa Silva

 

Rosé

Gallardía del Itata Cinsault 2014/De Martino

 

Sparkling Wine

Brut Nature/Viña Morandé

 

Late Harvest

Erasmo Late Harvest Torontel 2009/Erasmo

 

Cabernet Sauvignon

Gran Terroir de los Andes – Los Lingues Cabernet Sauvignon 2012/Casa Silva

 

Carmenere

Carmenere Reserva 2013 Pedriscal Vineyard/Falernia

 

Pinot Noir

Pinot Noir Reserva 2013/Falernia

 

Syrah

Syrah Gran Reserva 2012/Viña Casas del Bosque

 

Chardonnay

Tarapacá Gran Reserva Chardonnay/Viña Tarapacá

 

Sauvignon Blanc

Specialties Sauvignon Blanc O

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  • CHILE – GUIA DESCORCHADOS 2015

O Guia Descorchados tornou-se uma referência dos vinhos Chilenos. Abaixo a lista dos destaques da degustação em suas respectivas categorias:

 

Melhor tinto

Cousiño Macul Lota Cabernet 2009 – 97 Pontos

 

Melhor branco

De Martino Viejas Tinajas Muscat 2013 – 96 pontos

 

Branco revelação

Sierras de Bellavista Riesling 2013 – 92 pontos

 

Tintos revelação

Tabalí Roca Madre Malbec 2014 – 93 pontos

Santa Carolina Specialties tinto de Montaña Malbec 2013 – 94 pontos

Concha y Toro Marques de Casa Concha País Cinsault 2014 – 93 pontos

J.A Jofré Vinos Fríos del Año Carignan Tempranillo Carmenére 2014 – 93 pontos

 

Marca revelação

Sol de Sol, Aquitania

 

Bodega revelação

House Casa del Vino e El Viejo Almacén de Souzal

 

Melhor Cabernet Franc

Maquis Franco 2011 – 96 pontos

 

Melhor Cabernet Sauvignon

Cono Sur Silencio 2010 – 96 pontos

Santa Rita Casa Real Reserva Especial 2011

 

Melhor Carignan

Bodegas RE Re Nace Cariñena 2013 – 95 pontos

 

Melhor Carmenére

Concha y Toro Terrunyo Lote 1 2013 – 95

 

Melhor Chardonnay

Aquitania Sol de Sol 2011 – 96 pontos

 

Melhor Cinsault

De Martino Viejas Tinajas 2014 – 94 pontos

 

Melhor espumante

Bodegas RE Re Noir Nature Virgen Pinot Noir – 94 pontos

Morandé Nature Chardonnay/Pinot Noir – 94 pontos

 

Melhor Malbec

House Casa del Vino 2013 – 93 pontos

Viu Manet Viu 1 2011 – 93 pontos

 

Melhor Merlot

Tres Palacios cholqui 2011 – 93 pontos

 

Melhor mescla branca

Apaltagua Coleccíon Blanc 2014 – 93 pontos

Ramirana Gran Reserva 2014 – 93 pontos

William Févre 2012 – 93 pontos

 

Melhor mescla tinta

Cousino Macul Lota Cabernet 2009 – 97 pontos

 

Melhor moscatel

De Martino Viejas Tinajas Muscat 2013 – 96 pontos

 

Melhor outras cepas brancas

Casa Marin Casona Vineyard Gewurztraminer 2014 – 94 pontos

 

Melhor outras cepas tintas

Lapostolle Collection Monastrel 2013 – 93 pontos

Pérez Cruz Chaski Petit Verdot 2012 – 93 pontos

 

Melhor País

Concha y Toro Marques de Casa Concha Limited Edicion 2014 – 93 pontos

 

Melhor Pinor Noir

Maycas de Limarí San Julián 2013 – 93 pontos

Montsecano 2013 – 93 pontos

Tabalí Talinay 2013 – 93 pontos

 

Melhor Riesling

Sierras Bellavistya 2014 – 94 pontos

 

Melhor Rosado

Bodegas RE Pinotel Pinot Noir Moscatel 2014 – 92 pontos

 

Melhor Sauvignon Blanc

Labirinto 2014 – 96 pontos

Leyda Lot 4 2014 – 96 pontos

 

Melhor Syrah

Errázuriz Costa 2013 – 95 pontos

Leyda Lot 8 2012 – 95 pontos

Undurraga TH 2012 – 95 pontos

 

Super preço extremo branco

Cono Sur Bicicleta Gewurztraminer 2014 – 89 pontos

 

Super preço extremo tinto

Santa Rita 120 Reserva Especial Cabernet Sauvignon 2013 – 89 pontos

 

Super preço branco

Leyda Garuma Vineyard Sauvignon Blanc 2014 – 94 pontos

 

Super preço tinto

Cacique Maravilla 2014 – 92 pontos

Maycas de Limarí Sumaq Pinor Noir 2013 – 92 pontos

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  • WINES OF ARGENTINA – Melhores vinhos Concurso Wines of Argentina Awards (WAA) 2014

O prestigiado concurso do WAA é uma referência entre os produtores da Argentina. Este colunista acompanhou a premiação deste ano. Abaixo os resultados.

Espumantes – método tradicional

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Zuccardi Blanc de Blancs 2007- Familia Zuccardi

Importado pela Ravin

 

Torrontés

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Colomé Torrontés 2013- Bodega Colomé

Importado pela Decanter

 

 Cabernet franc

faixa de preço  entre 20.00 e 29.99 dólares

Numina Cabernet Franc 2011- Bodegas Salentein SA

Importado pela Zahil

 

acima de 50.00 dólares

Andeluna Pasionado Cabernet Franc 2010- Andeluna Cellars Srl

Importado pela World Wine

 

Cabernet sauvignon

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Bramare Lujan de Cuyo Cabernet Sauvignon 2011-Viña Cobos SA

Importado pela Grand Cru

 

Malbec

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Es Vino Reserve Malbec 2012- Es Vino Wines

Ainda sem importadora no Brasil

 

faixa de preço entre 20.00  e 29.99 dólares

Alta Vista Terroir Selection Malbec 2011- La Casa del Rey SA- Alta Vista

Importado pela Épice

 

faixa de preço entre 30.00  e 49.99 dólares

Vineyard Selection Malbec 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

faixa de preço acima de 50.00 dólares

Republica del Malbec – Blend de Terroirs 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

Blends de tintos

faixa de preço entre 13.00  e 19.99 dólares

Paz Blend 2012- Finca Las Moras

Importado pela Decanter

 

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Field Blend 2011- Zorzal Wines

Importado pela Grand Cru

 

acima de 50.00 dólares

Decero Amano, Remolinos Vineyard 2011- Finca Decero

 

Medalhas por região

Mendoza

Lindaflor Malbec 2009, Monteviejo

 

Norte

Serie Fincas Notables Malbec 2011, Bodega El Esteco

Importado pela Bruck

 

San Juan

Paz Blend 2012, Finca Las Moras

Importado pela Decanter

 

Patagônia

 Fin Single Vineyard Cabernet Franc 2010, Bodega del Fin Del Mundo

Importado pela Mr Man

  • PORTUGAL –  50 melhores vinhos de Portugal

O único master of wines do Brasil, Dirceu Vianna Júnior, que mora e trabalha em Londres. teve a árdua missão de selecionar entre 500 rótulos portugueses os 50 mais representativos do país. Esta é a sua lista, apresentada em um evento em São Paulo:

 BRANCOS

1. Covela Escolha Branco, 2012

Produtor: Lima Smith

Região: Vinho Verde

Uvas: avesso e chardonnay

Importador: Magnum Importadora

2. Quinta da Levada, 2012

Produtor: Quinta da Levada Sociedade Agrícola

Região: Vinho Verde

Uva: azal

Sem importador

3. Soalheiro, 2012

Produtor: Quinta do Soalheiro

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Mistral

4. Quinta de Gomariz Grande Escolha, 2012

Produtor: Quinta de Gomariz

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho, loureiro e trajadura

Importador: Decanter

5. Casa da Senra, 2012

Produtor: Abrigueiros – Produções Agrícolas e Turismo

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Sem importador

6. Tapada dos Monges, 2012

Produtor: Manoel da Costa Carvalho Lima & Filhos

Região: Vinho Verde

Uvas: loureiro, arinto e trajadura

Importadores: Garrafeira Real e Fadaleal Supermercados

7. Muros Antigos, 2012

Produtor: Alselmo Mendes Vinhos

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Importador: Decanter

8. Portal do Fidalgo, 2011

Produtor: Provam

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Casa Flora Ltda

9. Muros de Melgaço, 2011

Produtor: Anselmo Mendes Vinhos

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Decanter

10. Royal Palmeira, 2009

Produtor: Ideal Drinks

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Importador: Idealdrinks & Gourmet

11. Quinta da Fonte do Ouro Encruzado, 2011

Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas

Região: Dão

Uva: encruzado

Importador: Adega dos 3

12. Morgado de Santa Catherina, 2010

Produtor: Companhia das Quintas Vinhos

Região: Lisboa

Uva: arinto

Importador: Wine .com

13. Redoma Reserva, 2011

Produtor: Niepoort (vinhos)

Região: Douro

Uva: rabigatto, codega, donzelinho e arinto

Importador: Mistral

14. Conceito Branco, 2010

Produtor: Conceito Vinhos

Região: Douro

Uva: (mistura de vinhas velhas)

Importador: Épice

vallado

TINTOS

15. Cortes de Cima Trincadeira, 2011

Produtor: Cortes de Cima

Região: Alentejo

Uva: trincadeira

Importador: Adega Alentejana

16. Terra D’Alter Touriga Nacional, 2010

Produtor: Terra D’Alter Companhia de Vinhos

Região: Alentejo

Uva: touriga nacional

Importador: Obra Prima Importadora

17. Herdade da Pimenta Grande Escolha, 2010

Produtor: Logowines

Região: Alentejo

Uvas: syrah, touriga nacional e touriga franca

Importador: RJU Comércio e Beneficiamento de Frutas e Verduras

18. Tinto da Talha Grande Escolha, 2009

Produtor: Roquevale

Região: Alentejo

Uva: syrah, alicante bouschet e touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

19. Canto X, 2009

Produtor: Herdade da Madeira Velha

Região: Alentejo

Uvas: alicante bouschet e touriga nacional

Sem importador

20. Cartuxa, 2009

Produtor: Cartuxa – Fundacão Eugénio de Almeida

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, trincadeira e alicante bouschet

Importador: Adega Alentejana

21. Cortes de Cima Reserva, 2009

Produtor: Cortes de Cima

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, syrah, petit verdot e touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

22. Dona Maria Reserva, 2008

Produtor: Julio Bastos – Dona Maria

Região: Alentejo

Uvas:, alicante bouschet, petit verdot e syrah

Importador: Decanter Vinhos

23. Conde D’Ervideira Private Selection Tinto, 2008

Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, trincadeira e Alicante bouschet

Importador: Intercom Comércio Internacional

24. Aliança Bairrada Reserva, 2011

Produtor: Aliança Vinhos de Portugal

Região: Bairrada

Uvas: touriga nacional, baga e tinta roriz

Sem importador

25. Vinha Pan, 2009

Produtor: Luís Pato

Região: Bairrada

Uva: baga

Importador: Mistral

26. Marquesa de Alorna Reserva, 2009

Produtor: Quinta da Alorna Vinhos

Região: Tejo

Uvas (não divulgado)

Importador: Adega Alentejana

27. Julia Kemper, 2009

Produtor: Cesce Agrícola

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, tinta roriz, alfrocheiro e jaen

Importador: Gracciano Com. Imp. Exp. Bebidas

28. Quinta Fonte do Ouro Touriga Nacional, 2009

Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas

Região: Dão

Uva: toruiga nacional

Importador: Adega dos 3

29. Casa da Passarela Vinhas Velhas, 2009

Produtor: O Abrigo da Passarela

Região: Dão

Uvas: castas autóctones

Importador: Vinica

30. Quinta do Serrado Reserva, 2009

Produtor: Sociedade Agrícola Castro Pena Alba – FTP Vinhos

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, alfrocheiro e jaen

Sem importador

31. Quinta do Perdigão Touriga-Nacional, 2008

Produtor: Quinta do Perdigão

Região: Dão

Uva: touriga nacional

Importador: Mistral

32. Quinta da Bica Reserva, 2005

Produtor: Quinta da Bica Sociedade Agrícola

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, alfrocheiro, tinta roriz e jaen

Importador: Gianno Import

33. Quinta do Vallado Reserva Field Blend Douro Tinto, 2011

Produtor; Quinta do Vallado Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas de 100 anos e touriga nacional

Importador: Cantu

34. Quinta da Casa Amarela Grande Reserva, 2011

Produtor: Laura Valente Regueiro

Região: Douro

Uvas: touriga franca, tinta roriz e touriga nacional

Importador: Winemundi

35. Casa Ferreirinha Callabriga, 2010

Produtor: Sogrape Vinhos

Região: Douro

Uvas: toruiga franca, touriga nacional e tinta roriz

Importador: Zahil

36. Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas, 2010

Produtor: Quinta do Crasto

Região: Douro

Uvas: 25 a 30 uvas diferentes de vinhas velhas

Importador: Qualimpor

37. Pintas, 2010

Produtor: Wine & Soul

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas

Importador: Adega Alentejana

38. Poeira, 2010

Produtor: Jorge Moreira Produção e Comercialização de Vinhos

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas

Importador: Mistral

39. Batuta, 2010

Produtor: Nieepoort (Vinhos)

Região: Douro

Uvas: touriga franca, tinta roriz, rufete, malvazia entre outras

Importador: Mistral

40. Passadouro Touriga Nacional, 2010

Produtor: Quinta do Passadouro Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uva: touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

41. Quinta do Pessegueiro, 2010

Produtor: Quinta do Pessegueiro Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca, vinhas velhas e roriz

Importador: World Wine

42. CV-Curriculum Vitae, 2010

Produtor: Lemos & Van Zeller

Região: Douro

Uvas: variadas

Importador: World Wine

43. Quinta de la Rosa Reserva, 2009

Produtor: Quinta da Rosa Vinhos

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca e tinta roriz

Importador: Ravin

44. Chryseia, 2009

Produtor: Symington Family Estates Vinhos

Região: Douro

Uvas: touriga nacional e touriga franca

Importador: Mistral

45. Quinta do Noval Touriga Nacional, 2009

Produtor: Quinta do Noval

Região: Douro

Uvas: touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

46. Quinta do Portal Auru, 2009

Produtor: Quinta do Portal

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca e tinta roriz

Importador: Wine & Roses / Chaves & Oliveira

 

FORTIFICADOS

47. Bacalhôa Moscatel Roxo, 2001

Produtor: Bacalhôa Vinhos de Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: muscatel roxo

Importador: Portus Cale Exp. Imp.

48. Justino’s Madeira Colheita, 1995

Produtor: Justino’s Madeira Wines

Região: Madeira

Uva: tinta negra

Importador: Porto a Porto / Casa Flora

49. Graham’s Tawny 30 anos

Produtor: Symigton Family Estates

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca, tinta barroca, tinta roriz e tinta cão

Importador: Mistral

50. Burmester Porto Colheita, 1963

Produtor: Sogevinus Fine Wines

Região: Douro

Uvas: tradicionais do Douro

Importador: Adega Alentejana

Outras listas

Top 20 white and fortificad wines – Jancis Robinson

Top 20 sparkling wines – Jancis Robinson

 

 

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014 Espumantes, Nacionais, Rosé, ViG | 10:56

Espumantes brasileiros: preferência nacional e consumo no final do ano

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 “Vocês não precisam de Champagne. O Brasil tem seus próprios espumantes para beber”,
Steven Spurrier, crítico de vinhos, durante evento sobre espumantes do hemisfério Sul em abril de 2014

espumante

Todo final de ano tem peru no Natal, show de Roberto Carlos na TV Globo, retrospectiva das principais notícias do ano nos sites, jornais e revistas e… dicas de espumantes no Blog do Vinho. Eu sempre aposto nos espumantes nacionais. São bons, têm qualidade reconhecida, são fáceis de encontrar em lojas, supermercados e lojas virtuais das vinícolas. Para aqueles que precisam de um argumento de fora para se convencer – o nosso eterno complexo de vira-latas – a opinião do escritor de vinhos e crítico da revista inglesa Decanter, Steven Spurrier reproduzida acima, talvez reforce o conceito.

O consumidor brasileiro, a propósito, nem precisa de um inglês para convencê-lo disso. Em 2002, o consumo de espumante nacional era de 4,2 milhões de litros, em 2012 esse número saltou para 14,7 milhões de litros. Segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) 76,7% do espumante consumido no país é brasileiro. Se no universo dos tintos e brancos a concorrência esmaga o produto nacional, no mundo das borbulhas a liderança é inequívoca.

Ok, tem tudo são flores, ou borbulhas. O sucesso do espumante nacional e o crescimento da produção também causou algum estrago, e  já faz uns dois anos que se nota uma certa queda de qualidade em alguns produtos, uma diluição que foi mais facilmente percebida nas degustações que participo há alguns anos como jurado do TOP Ten da Expovinis, onde os espumantes nacionais participantes alcançaram  uma média menor que dos anos anteriores.

 Dicas de espumantes (preços atualizados em dezembro de 2014)

Para entender um pouco a importância deste mercado, o seu tamanho e os rótulos mais vendidos, o Blog do Vinho consultou alguns dos principais produtores, aqueles que todo consumidor encontra com facilidade nos corredores dos supermercados e está mais familiarizado com os rótulos. São elas Aurora, Casa Valduga, Chandon e Salton.

As conclusões deste modesto levantamento entre as vinícolas é o seguinte:

1. Muitas empresas cresceram os olhos para este mercado e aumentaram sua produção na linha das borbulhas.

2. O crescimento anual deve ficar entre 7 e 20% de 2013 para 2014

3. Apesar de todos os esforços de consumo durante o ano os espumantes têm sua venda concentrada no último trimestre do ano, na média 40% da produção é escoada neste período.

4. As vendas são concentradas no Sul e Sudeste, mas o mercado do Nordeste vem crescendo fortemente e é onde existe um potencial a ser explorado.

5. Apesar das nuvens negras que pairam sobre a economia de 2015, todas as empresas estão otimistas e apostam em um crescimento do mercado de vinho no Brasil.

De quebra abrimos espaço para estas empresas convencerem o leitor a escolher a sua marca para brindar o ano-novo, afinal, entre tantos rótulos, por que escolher esta ou aquela? Este colunista faz a sua parte e indica também um vinho de sua escolha de cada empresa consultada para o brinde de fim de ano (além das dicas de 2013 que continuam válidas e tiveram seus preços atualizados para 2014). Confira abaixo

AURORA

Produção de espumantes
Estima fechar 2014 com a comercialização de 4 milhões de garrafas de espumantes das linhas Aurora, Conde de Foucauld, Marcus James e Saint Germain.

Crescimento
Aumento de 14% (em espumantes) em relação a 2013.

Participação das vendas no final do ano
No último quadrimestre do ano, as vendas da empresa representam 40% do total do ano.

Regiões
A região Sul, seguida da Sudeste, são as que apresentam melhor desempenho. Mas distribuição é por todo o Brasil.

 Rótulos mais vendidos
As linhas de espumantes Aurora e Conde de Foucauld são as mais vendidas da empresa.

 Principais produtos e média de preços no Brasil
Espumantes Aurora
Prosecco, Moscatel Branco, Moscatel Rosé, Brut Branco (novo) e Demi-sec (novo): 
R$ 25,00
Linha TOP – Brut Pinot Noir 100%, Brut Chardonnay e Brut Rosé: 
R$ 42,00

Espumantes Marcus James
Brut Branco e Demi-sec Branco: R$ 24,00

Espumantes Conde Foucauld
Brut Branco, Demi-sec Branco, Brut Rosé e Demi-sec Rosé:
R$ 18,00

Espumantes Saint Germain
Brut Branco e Demi-sec Branco: R$ 14,00

 Por que beber um espumante da Aurora
“Convidamos os consumidores brasileiros a brindar 2015 com o Espumante Aurora Moscatel, que é top 100 do mundo. O Aurora Moscatel é o espumante que tem a melhor colocação do ranking TOP 100 do mundo, levantamento feito pela associação internacional de jornalistas e escritores de vinho, wawwj.com. Além disso, o Aurora Moscatel é o espumante que mais exportamos, é apreciado em países de 4 continentes, nos principais mercados do vinho brasileiro, como Reino Unido.”

 Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos e acessíveis

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

Espumante Brut chardonnay

Aurora Chardonnay
Uva: 100% chardonnay
Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço Médio: R$ 42,00

Entra ano e sai ano eu sempre elego este o mais inteerssante espumante elaborado pela Aurora. Este espumante usa como matéria-prima apenas a uva branca chardonnay – na França este estilo de espumante é chamado de blanc-de-blanc. Longo na boca, tem um toque tostado (o vinho-base passa 3 meses em cavalho francês antes da segunda fermentação) tem boa acidez, cremosidade em boca, tornando-lhe agradável e gastronômico. Tem um bom preço também.

Cenário para 2015
‘Embora o cenário previsto para 2015 seja de “aperto”, por termos produtos que atendem diferentes gostos e bolsos, com uma ampla gama de vinhos, espumantes, sucos e cooler – nossos Keep Cooler linhas Classic e Black e nosso Keep Ice com vodca de uvas-, para todas as camadas de consumo, acreditamos que 2015 será um bom ano, de muito trabalho, sim, mas também de conquistas.”

CASA VALDUGA

Produção de espumantes
Em 1990 os espumantes representavam de 10% a 20% das vendas. Atualmente, representam mais de 60%. O grupo venderá 1,8 milhão de garrafas de espumantes em 2014.

Crescimento
A produção cresceu 20% em 2014 e a perspectiva é de crescer o mesmo em 2015.

Participação das vendas no final do ano
O último trimestre do ano, período de compras para as festas, representa 40% das vendas.

Regiões
Maiores mercados estão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porém as regiões Norte e Nordeste têm demonstrado um potencial de consumo crescente, devido ao clima e à difusão da cultura de consumo de espumantes.

Rótulos mais vendidos
Na Casa Valduga destaca-se o ‘130 Brut’, um espumante que transmite nosso conceito de marca. A vinícola tem apostado em rótulos para o mercado de luxo, como o espumante ícone ‘Maria Valduga’ e a linha ‘Reserva’, que são produtos com mais complexidade.

Na Domno (outra marca da Valduga), o ‘.Nero Rose’ apresenta um desempenho expressivo. Seguindo a tendência de atender o mercado de luxo, temos o ‘.Nero Blanc de Blancs’.

Principais produtos e média preços no Brasil
.Nero e a linha Arte: R$ 38,00.
130: R$ 80,00
.Nero Blanc de Blancs: R$130,00
Maria Valduga R$ 150,00.

 Por que beber um espumante da Casa Valduga
“As festas tradicionais de Reveillon pedem o glamour e elegância do 130. Se você estiver em um ambiente mais descontraído, mais leve, a indicação são os produtos da linha .Nero. Para as sobremesas aposte no Moscatel.”

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

130 Valduga2

130 Valduga Brut
Uvas: chardonnay e pinot noir
Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 80,00

Aqui há uma coincidência entre a recomendação da empresa e deste palpiteiro. O 130 Valduga é elaborado com as uvas chardonnay e pinot noir pelo método champenoise (ou tradicional), aquele que a segunda fermentação acontece na garrafa. E daí? Daí que o vinho entrega maior elegância, cremosidade, borbulhas mais finas e consistentes e aquele aroma meio de pão torrado, de frutas secas e uma acidez que enche a boca. Um espumante verde-amarelo de classe. Um dos melhores que temos no país na sua faixa de preço. Foi eleito pela revista Decanter  (olha eles aí de novo) este ano como o único espumante brasileiro na categoria Best Buys (melhores compras) da América do Sul. Ah, e a garrafa é muito charmosa.

Cenário para 2015
“Estamos apostando no crescimento de consumo. Para isso estamos investindo na formação do consumidor por meio de eventos regionais, além oferecer uma imersão no mundo do vinho para os visitantes do complexo enoturístico da Casa Valduga.”

CHANDON

Produção
Mais de 3 milhões de garrafas.

Crescimento
Crescimento de mais de 10% em relação a 2013.

Participação das vendas no final do ano
As festas de final de ano concentram a maior parte das vendas, 60%. Isso porque existe uma cultura muito forte no Brasil de consumir bebidas nessas ocasiões.

Regiões
A maior parte das vendas está concentrada estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e na cidade de Brasília, porém, atualmente a região nordeste é a que registra maior crescimento.

 Rótulos mais vendidos
Chandon Réserve Brut e Chandon Rosé.

 Principais produtos e preço médio no Brasil
Chandon Réserve Brut: R$ 65,00
Chandon Brut Rosé: R$ 69,00
Chandon Riche Demi-Sec: R$ 65,00
Chandon Passion: R$ 65,00
Excellence par Chandon: R$ 120,00
Excellence Rosé par Chandon: R$ 130,00

 Por que beber um espumante da Chandon
“O consumidor deve escolher o Chandon Passion Edição Passion com dois cubos de gelo para comemorar o fim de ano para ou por que ele tem a cara do verão. A bebida é ideal para países que registram altas temperaturas como o Brasil pois mantém o espumante mais refrescante ainda. “

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

rose-chandon
Excellence Rosé Chandon
Uvas: pinot noir e chardonnay
Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 105,00

A subsidiária brasileira da Maison Moêt & Chandon fincou raízes em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, em 1973. De lá para cá tornou-se sinônimo de espumante fino e de volume. Todos seus rótulos são elaborados pelo método charmat – segunda fermentação em toneis de alumínio -, pois a filosofia do grupo está mais baseada na qualidade do vinho-base. O Excellence Brut exibia até 2010 o troféu solitário de top de linha da empresa. O rosé da linha Excellence quebrou esta hegemonia (a primeira leva teve apenas 5.000 garrafas produzidas) e hoje em dia está entre os espumantes rosés mais apurados, elegantes, complexos e saborosos no mercado (coloco no mesmo nível o Terroir Rosé Cave Geisse Brut e o Adolfo Lorna Rosé).  A pinot noir predomina (74%), mas a chardonnay (26%) também participa da festa. Fino e gastronômico. Tem uma cor rosada de boa intensidade, boa perlage e na boca a confirmacão dos aromas de frutas vermelhas, panificação e frutas secas aliado a uma acidez ampla. Um expressão de excelência da Chandon, com o charme do rosé.

Cenário 2015
“Estamos esperando um ano muito bom, já que a safra de 2015 promete ser uma das melhores que já tivemos.”

 Leia também: O merlot brasileiro é o melhor do mundo?

 SALTON

Produção
A Salton lidera o mercado nacional de espumantes desde 2004, atualmente é responsável por 40% das vendas com uma produção de 8,5 milhões de garrafas!

Crescimento
Em relação ao ano anterior, a comercialização da Salton teve um aumento de 7%.

Participação das vendas no final do ano
Os últimos três meses do ano representam 40% das vendas.

Regiões
O Sudeste continua liderando em volume de vendas e o Sul em consumo per capita. A Salton pesquisa sobre o mercado de vinhos e espumantes no Brasil e sabe do potencial de crescimento do norte e Nordeste, por isso está presente em festas, eventos e supermercados das regiões.

 Rótulos mais vendidos
Para as festas de fim de ano, os rótulos mais vendidos são: Salton Prosecco, Reserva Ouro, Salton Moscatel, Salton Brut, Salton Demi-Sec e Salton Poética.

Principais produtos e preço médio no Brasil
Salton Prosecco: R$ 30,00
Salton Poética: R$ 35,00
Reserva Ouro: R$ 40,00
Salton Moscatel: R$ 25,00
Salton Brut: R$ 25,00
Salton Demi-Sec: R$ 25,00
Salton Évidence: R$ 65,00

Por que beber um espumante da Salton
“O consumidor deve escolher um dos rótulos da Salton para comemorar o fim de ano pois terá o melhor espumante com melhor custo benefício. Nosso negócio é garantir a satisfação do cliente.”

Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

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Salton Reserva Ouro
Uvas: Chardonnay, Riesling e 20% Pinot Noir
Região: Tuiuty/Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 40,00

Este colunista chamava Angelo Salton (1952- 2009) de “O senhor das borbulhas”. Não é à toa. Em 2004 a Salton dominou o mercado neste segmento e permanece no topo. Na minha opinião, na relação preço qualidade o Reserva Ouro é imbatível. Cítrico na entrada, tem um leve toque de pão torrado gostoso (são seis meses de contato com as leveduras), e uma boa base de acidez, que dá uma sensação de frescor. É a cara do espumante de boa qualidade nacional. Em 2014 trocou de roupa: ganhou nova garrafa, mais elegante, e um rótulo mais moderno.

Leia também: Os 100 primeiros anos da Vinícola Salton

 Cenário 2015
“A Salton busca sempre apresentar novidades ao consumidor mantendo a qualidade dos seus produtos e a liderança em espumantes. A vinícola está investindo continuamente em tecnologia e novas áreas de produção, como na região de Santana do Livramento (RS), voltada ao cultivo de uvas para vinhos e espumantes finos em um projeto baseado nos princípios da agricultura de precisão; também na ampliação de caves para produção de espumantes no método champenoise na unidade de Tuiuty (Bento Gonçalves/RS). Além disso, a Salton está com uma nova unidade em Jarinu (SP) e nesta unidade, a empresa pretende desenvolver novas categorias, visando no futuro ampliar o portfólio de destilados com malt whisky e vodka e também implementar a categoria de soft drinks; além de seguir produzindo o conhaque Presidente.”

➢  Este Blog deseja um Feliz Natal e um 2015 estupendo para todos.

SEKT

 

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 Brancos, Novo Mundo, Sem categoria, Tintos | 09:36

Vinhos e vinícolas do Chile: anotações de uma viagem. Vale de Colchagua

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Vale de Colchagua, Chile: uma viagem pelos rótulos conhecidos

Vale de Colchagua, Chile: uma viagem pelos rótulos conhecidos

Viajar pelo Chile, mais especificamente em suas “rutas del viño”, é quase como passear pelos corredores dos supermercados e prateleiras de lojas de vinho: o nome das vinícolas, iguais aos rótulos mais conhecidos dos consumidores, vão se sucedendo em forma de placas, edifícios e vinícolas. Há rotas nas diversas regiões vinícolas do país, algumas praticamente dentro de Santiago, como Vale do Maipo. Outras mais afastadas, mas a poucas horas da capital. Todas oferecem restaurantes, visitas guiadas e às vezes até hospedagem dentro dos vinhedos.

Não é à toa que o viajante reconheça as vinícolas pelo nome. O Chile foi responsável por mais de 40% de volume de vinho exportado no Brasil no primeiro semestre de 2014 segundo estudo realizado semestralmente pelo consultor Adão Morellato. Em segundo lugar vem a Argentina com uma diferença de 25,22%. O Chile é também o 8º maior produtor de vinhos do mundo – são 600 vinícolas, 300 empresas -,  e o 5º país que mais exporta tintos e brancos, são 60 as principais exportadoras.

A divisão das regiões por vale estabelece os limites das zonas vinícolas no Chile, mas alguns nomes têm o poder de confundir os menos atentos: Colchagua, Aconcagua, Cachapoal viram uma salada de fruta na cabeça do incauto viajante que depois de um tempo já não se lembra mais onde está ou por onde passou. Por sua vez, Concha y Toro, Cusiño Macul, Viña Montes, Casa Silva, Santa Rita, Viu Manent, Santa Helena, Ventisquero, Miguel Torres, Morandé entre outros tantos soa familiar aos olhos e ouvidos dos brasileiros. É o efeito prateleira de supermercado que dá conforto e bússola ao viajante-enófilo verde-amarelo.

Conhecer de perto onde é produzido o seu vinho preferido, aquele que está à mão, ou aproveitar e provar rótulos de outras variedades é uma experiência bacana. Acompanhado de uma boa refeição nos restaurantes preparados para receber turistas, às vezes aos pés da Cordilheira dos Andes, às vezes em torno de vinhedos, também é parte do roteiro. Assim como é parte da experiência arriscar uma garrafa de um rótulo de qualidade superior. Afinal o preço dos vinhos é de matar de inveja qualquer consumidor que paga o que paga pelas garrafas no Brasil, fruto de uma carga tributária extorsiva, margens de lucro nem sempre razoáveis – e agora um dólar em disparada.

O Chile é abençoado pela localização geográfica e pela natureza para produzir vinhos. Tem o Oceano Pacífico de um lado e a Cordilheira dos Andes do outro, formando um corredor de proteção sanitária para os vinhedos e criando todas as condições climáticas para produzir qualidade e variedade: seco e quente de dia – cheguei a pegar mais de 34 graus no meio do dia -, frio ou fresco à noite, motivado pelos ventos que descem as cordilheiras e lambem as plantas.

Um pequeno giro recente pelo Chile mostrou esta capacidade de produzir rótulos de todas as linhas. A conversa com enólogos e produtores apontou a profissionalização cada vez maior desta indústria, sua inserção tecnológica, e atenção com as mudanças no gosto do consumidor, que aparentemente está pedindo vinhos mais leves, frescos, bebíveis, com menos potência e menos influência da madeira.

Também está presente, pelo menos no discurso de todas as empresas visitadas, uma preocupação com o meio ambiente, com o processo de produção e com uma agricultura mais sustentável, quando não orgânica e mais voltada para princípios naturais

Para mim não ficou claro todavia se esta mudança de perfil dos vinhos se dá desde a linha mais básica e ficou uma dúvida sobre o que aconteceu de repente com aquele consumidor da base da pirâmide que amava o vinho amadeirado, aquela doçura em boca e com alguns aromas, mesmo artificiais, que davam reconhecimento aos vinhos consumidos. Foram abduzidos? Aliás o mesmo discurso e dúvida valem para os vinhos argentinos.

 

Visita ao Vale de Colchagua

Trecho do Vale do Cachapoal, no Chile

Vinhedos do Vale de Colchagua: daqui para sua adega

Colchagua – este vale chileno reúne a grande maioria das vinícolas, entre as grandes estão: Bisquertt, Casa Silva, Cono Sur, Lapostolle, Los Vascos, Luis Felipe Edwards, Montes, Montgras, Santa Cruz, Santa Helena, Siegel, Ventisquero e Viu Manent. O vale de Colchagua corta o país no meio, começando nas Cordilheiras dos Andes, passando pela Cordilheira da Costa e terminando no Oceano Pacífico. Como ensina o enólogo chileno da Casa Silva Mario Geisse: “Esta característica lhe confere uma diversidade de condições microclimáticas para variedades diferentes com características marcantes”. O rio principal que vai influenciar a região é o Tinguiririca. A uva cabernet sauvignon domina a área plantada: são 12 mil hectares contra 3,4 da carmenère, 3,2 da merlot e 2,2 da syrah. Entre as brancas predominam chardonnay e a sauvignon blanc. Por aqui a visita se limitou a duas representativas vinícolas da região, Viña Montes e Viu Manent. Os enólogos, como de costume, nos apresentaram seus rótulos mais significativos, nem sempre os mais baratos, mas que demonstram o potencial e o estilo de cada empresa.

A ponte, a água, os vinhedos ao fundo: feng chui e vinhos especiais

Viña Montes: a ponte leva à adega, os vinhedos ao fundo: feng chui e vinhos especiais

Viña Montes – A Viña Montes é velha conhecida dos amantes dos tintos e brancos chilenos no Brasil. Tem bons vinhos na sua base e cultuados tintos no topo da pirâmide, como o Montes Alpha M, o Purple Angel e o Folly. A arquitetura da Bodega é uma viagem dentro da viagem, com linhas arrojadas e integração com a natureza adota o conceito feng shui assim explicado no site da empresa: “Na entrada da vinícola há uma ponte de acesso de madeira sobre uma pequena lagoa, cuja água flui em direção ao prédio, seguindo o princípio fundamental do feng shui, que diz que a prosperidade apenas chegará se a água, representando energia, fluir em direção ao centro do prédio, não o contrário, para longe dele. No centro da vinícola há uma fonte, logo abaixo de uma claraboia em formato de lírio, representando o sol e a lua: o ponto a partir do qual a energia é distribuída, conectando o prédio ao universo externo.” Na sala de degustações, o visitante fica diante de barricas de carvalho que repousam sob uma iluminação controlada e som de música clássica e cantos gregorianos. Se isso influencia ou não o vinho eu não sei, mas é sempre uma boa história para contar e torna toda visita mais agradável.

Da série a vida vale a pena num lugar assim: área externa do restaurante da Viña Montes

Da série a vida vale a pena num lugar assim: área externa do restaurante da Viña Montes

O restaurante, próximo à ponte e à lagoa, completam a visita juntando a comida ao vinho, ambos de excelente qualidade.

Quatro vinhos da Viña Montes

Outer Limits – esta é uma linha mais recente da Montes que explora vinhedos “além das fronteiras”, como indica o nome. São vinhedos em três regiões diferentes (Aconcagua, Colchagua e Itata), cada um com características próprias: próximo do mar, grande declive do terreno e vinhedos centenários e históricos.

Technical Data Sauvignon Blanc 2014
Outer Limits Sauvignon Blanc 2014
– o Guia Descorchados, de Patricio Tapias, uma referência para vinhos do Chile e da Argentina, deu 94 pontos e elegeu o melhor sauvignon do Chile. É um sauvignon blanc mais macho, intensa acidez, provoca uma boa salivação, cítrico, muito mineral e com um toque salgado. Este vem da Costa de Zappalar, no Vale de Aconcagua, a uma distância bem próxima do oceano pacífico: 7 quilômetros. R$ 120,00

Bottle Cinsault 2014

Outer Limits, Old Roots, Cinsault 2014 – este é um vinho para aqueles que querem provar algo diferente e com mais pegada. Um Cinsault que passa por maceração carbônica (a fermentação e feita dentro da uva e não há esmagamento da fruta), não passa por barrica, tem um corpo leve, um sabor que lembra morangos frescos, o finalzinho terroso. Pra comprar e beber logo, de preferência mais resfriado, como um beaujolais. A primeira safra é de 2013, uma novidade que não consta do catálogo do importador no Brasil, mas se chegar vale provar.

 

mon tesalpha

Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2012 – quem é consumidor de vinho e nunca tomou um Montes Alpha numa churrascaria em São Paulo levanta a mão! São três tintos: malbec, cabernet sauvignon, carmenère. O cabernet sauvignon foi, já em sua primeira safra, de 1987, reconhecido internacionalmente como um vinho premium. O que mais chama atenção é a consistência ano a ano, a boa fruta, o uso integrado da madeira (passa 12 meses na barrica), o final intenso e taninos prontos para beber. As uvas, cabernet sauvignon (90%) e merlot (10%) são representantes do Vale de Colchagua, em Apalta e Marchigüe. R$ 112,00

MontesAlphaM11Montes Alpha M 2011 – talvez a grande estrela da Viña Montes, apesar de não ser o mais caro, este corte tem como protagonista a cabernet sauvignon (80%) e a colaboração das também uvas bordalesas cabernet franc (10%), merlot (5%) e petit verdot (5%). A belezinha passa 18 meses em barricas 100% francesas e tem todos aqueles descritores clássicos de um bom vinho deste nível: muita fruta vermelha mais madura, cassis, os aromas chegam num primeiro ataque de frutas e evoluem para cheiros de terra, trufas, bosque, tabaco. Taninos doces e belo final. Tá tudo lá. Uma decantada abre mais as percepções, vale a pena pela grana que você vai investir no bichão (em torno de 450 reais). E se alguém te oferecer uma safra 2002, recuse, é falsificado. Não teve Montes Alpha M 2002, ok? A safra de 2006, provada em uma degustação promovida pela associação “Viños de Colchagua” em São Paulo, mostrou o potencial de evolução do caldo, com integração das frutas e uma estupenda concentração e cor. Entre 12 tintos provados foi um dos meus preferidos. Detalhe, seguindo a filosofia natural e holística da vinícola o Montes Alpha M é etiquetado a mão para manter a energia da bebida. Ah, tá!

Os vinhos da Viña Montes são importador pela: Mistral

Fachada da Viu Manent: não deixe de conhecer o restaurante

Viu Manent: não deixe de conhecer o restaurante  Rayuela Wine & Grill

Viu Manent – propriedade familiar, é tocada pela família Viu Bottini desde 1935. A Viu Manent é uma vinícola de tamanho médio e se tem uma marca resgistrada é da excelência dos malbecs chilenos, que junto a outras variedades são plantados nos três vinhedos em Colchagua: San Carlos (o mais antigo), El Capilla e El Olivar. O enólogo-chefe, Patricio Celedon, explica que desde 2010 uma série de estudos foram realizados nos vinhedos para conhecer melhor o terreno e o solo. O conceito anterior de blocos foi substituído por setores, limitados não apenas pelas características do solo (mais pedra, menos pedra, areia, argila etc), mas também pela condutividade eletromagnética do solo que determina uma maturação ótima para as frutas de cada trecho do vinhedo. Ou seja, a colheita das uvas é feita de forma pontual, por parreira. Para o visitante além do tradicional tour e degustação é imperdível uma parada no restaurante Rayuela Wine & Grill, claro que acompanhado de um dos rótulos da casa.

Quatro vinhos de Viu Manent

VIU- SuavigonBOT SESB14

Secreto Sauvignon Blanc 2014 – a linha Secreto tem três características que a definem: o frescor do estilo, pois são vinhos mais joviais e fáceis de beber; o rótulo, que é uma criação da artista chilena Catalina Aboot que desenhou seis interpretações marcantes para cada varietal (sauvignon blanc, viognier, pinot noir, malbec, carmenère e syrah) e o marketing, pois cada varietal é mesclado com uma pequena porcentagem de outra uva que não é revelada, é o “segredo” que batiza o vinho. Este sauvignon blanc de vinhedos de Casablanca, a 11 quilômetros do mar, de solo granítico e com quartzo, traz a seguinte sensação ao vinho: salinidade e mineralidade. Com ótima acidez tem um curioso cítrico salgado, limão com sal, manja? R$ 75,00

Viu-SyrahBOT SVSYOA13

El Olivar Syrah 2013 – um Viu Manent Single Vineyard, também conhecido como um vinho de um único vinhedo. A safra 2013 ainda não chegou às prateleiras, mas quando se materializar, vale provar. Um vinho que dá muito prazer e mostra o potencial da syrah do Chile (em dezembro de 2014 um vinho da uva syrah, o Syrah Gran Reserva 2012, da Viña Casas del Bosque, foi eleito o melhor vinho chileno pela concurso Wines of Chile realizado no Brasil pela primeira vez). Bom aromas de pimenta, especiarias, mas com uma fruta fresca. Fino e elegante na boca, profundo com ótima acidez natural. R$ 150,00

Viu-BOT EICA10

 El Incidente Carménère 2010 – carmenère, não? Afinal estamos no Chile!!! Mas não é voo-solo. Agregam-se à mescla um tanto de petit verdot e outro de malbec. Trata-se de um carmenère com belo potencial de guarda com taninos redondos e doces, macio, uma nota de pimenta negra, bastante concentrado, redondo, amplo na boca com fruta vermelha e evolução de tabaco e café depois de um tempo na taça. Taí, uma carmenère para rever algum eventual preconceito contra a uva. R$ 280,00.

Viu1_BOT VIU11

Viu 1 2011 – o chamado vinho ícone da casa, não podia deixar de ser, é um malbec 100% das tais parreiras centenárias, de edição limitada e garrafas numeradas. Também agraciado como o melhor malbec pelo Guia Descorchados. Homenageia o fundador da empresa, Don Miguel Viu Manent. As uvas sempre vieram de um mesmo setor, o de número 4. E sempre que a decisão é contestada pelos enólogos a degustação às cegas prova que algo ali naquele pedaço de terra, de excelente drenagem, gera uma qualidade inigualável para o malbec da Viu Manent. E o vinho? Floral intenso no nariz, fruta negra, boa estrutura, espalha a bebida tirando-a do centro boca, um vinho largo que proporciona um final bastante longo. Este mesmo caldo, da safra de 2007, provado em São Paulo, mostrou sua evolução com a mesma estrutura parruda, potência, fruta madura e uma alta acidez, que vem do petit verdot e do vento fresco da cordilheira. R$ 600,00.

Os vinhos da Viu Manent são importados por: Hannover

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Enólogo e equilibrista: Patricio Celedon tira uma amostra de um vinho de barrica

Outras três grandes vinhos de Colchagua

Como já foi dito, a associação “Viñas de Colchagua”, que junta 13 importantes vinícolas da região, promoveu em São Paulo no mês de outubro uma grande degustação, coordenada pelo craque Mario Geisse. O evento contou com a participação de 12 enólogos-chefes que apresentaram seus rótulos mais representativos das melhores safras. Além dos dois tintos comentados acima, destaco outros três grandes que impressionaram na comparação com seus pares.

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Ventisquero Pangea 2009 – a Ventisquero produz vinhos em todas as linhas, sendo o Grey, um tinto de preço mais acessível, um dos meus favoritos (leia mais aqui). O Pangea faz parte do escalão de cima dos títulos da empresa, denominados ultrapremium. Mais uma vez a syrah brilha no Vale de Colchagua. O vinho permanece 20 meses em barricas de carvalho francês (50% novas) e ainda descansa mais 18 meses na garrafa. Estiloso na boca, muita fruta vermelha e negra e mineral (os enólogos costumam citar o grafite para vinhos “minerais” de Colchagua, já que o solo é de granito e com minerais como ferro e quartzo). Taninos macios e doces, baita estrutura. Melhor decantar, até por que não é filtrado e podem sobrar um resíduos na garrafa. R$ 260,00

Importado por: Cantu

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Bisquertt Family Vineyards Tralca 2010 – um vinho do ano do grande último terremoto no Chile. Trata-se de um blend de cabernet sauvignon (65%), carmenère (31%) e syrah (4%). Outro ícone que  faz um tributo aos fundadores da vinícola familiar que existe desde 1978. Eu não conhecia e foi uma grata surpresa. Bom volume em boca, arredondado e aveludado. Também tem seus quase dois anos de barricas novas francesas. (lembra aquela história de usar menos barrica? Bom, nestas safras mais antigas não me parece que gerou algum problema.) O que define este vinho é a fruta elegante, madura, de excelente paladar em boca. Ou como define o enólogo da casa: “Como enólogos precisamos de uma palheta de cores variadas (as frutas) para produzir um bom vinho”. Acho que ele tem razão. R$ 280,00

Importado por World Wine 

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Casa Silva Microterroir de los Lingues Carmenère 2007 – a carmenère do Chile tem um história conhecida entre os entendidos. Era confundida com a merlot e colhida e vinificada junto. Depois de descoberta – e transformada como uva símbolo pelo Chile, apesar de não ser a melhor – houve um período de aprendizado que resultou em bons caldos como este excepcional carmenère elaborado pela Casa Silva. Diz Mario Geisse: “Existia um preconceito de que a carmenère seria um vinho de vida curta. O Microterroir mostra o contrário”. São produzidas 20.000 garrafas por ano deste tinto elegante com aromas de ameixa preta, especiarias, frutas vermelhas e uma bala toffe depois de um tempo. Tem taninos sedosos (desce maneiro, entende?), boa estrutura, final longo e na boca confirmam as frutas (eu percebi uma goiaba em compota) e a especiarias (pimenta preta). R$ 250,00

Importado por: Vinhos do Mundo 

 

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 Novo Mundo, Tintos | 10:28

Weinert, um vinho argentino para quem gosta de tintos mais envelhecidos

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Cavas de Weinert, em Mendoza, Argentina: um vinho com tempo de garrafa

Cavas de Weinert, em Mendoza, Argentina: um vinho que já nasce com anos de adega

O que têm em comum um brasileiro que montou uma vinícola em Mendoza, um enólogo suíço que atravessou o mundo para fazer vinhos na Argentina, um argentino que prepara as empanadas mais deliciosas da região e um jornalista paulista que teve sua mala inundada por uma garrafa de vinho que espatifou dentro da mala? A Cavas de Weinert.

Parada obrigatório das fotos: barrica de 150 anos e com malbec 2013

Parada obrigatória para fotos: tonel de 130 anos, 44 mil litros, e  malbec 2013

Um brasileiro em Mendoza

A Bodegas y Cavas de Weinert é uma criação do brasileiro Bernardo Weinert, chamado de “Don Bernardo” na Argentina. O empresário de origem alemã e nascido em uma pequena colônia no sul do Brasil resolveu ter um vinho para chamar de seu em meados da década de 70 e após alguma pesquisa escolheu os solos de Luján de Cuyo, em Mendoza, Argentina. Adquiriu uma cantina construída em 1890, fez as reformas necessárias, estabeleceu um estilo para os vinhos (a marca registrada é de envelhecimento por no mínimo dois anos antes de lançar no mercado) e colocou os rótulos à venda a partir de 1976. Em 1995 uma nova reforma adequou os equipamentos as mudanças e avanços tecnológicos. Há dois anos a empresa teve a entrada de novos sócios. Uma visita pela cantina (há vários horários durante a semana) revelam entre seus corredores escuros de pedras gastas pelo tempo grandes tonéis de carvalho e pilhas de garrafas empoeiradas, ainda sem rótulo, apenas com uma placa indicando a safra. Um enorme tonel de 130 anos, adquirido na Itália, é o foco das câmeras dos celulares e ponto alto da visita. O bichão tem capacidade para 44 mil litros, e vale algo como 240 mil euros, está instalado desde 1998 e ainda é utilizado. Nestes tóneis – também conhecidos como foudres – e garrafas repousam o segredo e o diferencial da Weinert: o tempo de maturação dos vinhos que lhe confere um perfil de tinto mais evoluído, do velho mundo. Ou como eles se definem, uma bodega de vinhos de guarda.

Hubert Weber: e a provas dos noves (vinhos)

Hubert Weber: o enólogo que veio da Suíça e a prova dos vinhos (o sem rótulo é de 1978)

Um suíço em Mendoza

O mestre de cerimônias e responsável pela elaboração dos vinhos também não tem um sobrenome muito mendocino. Hubert Weber é suíço. Está na Cavas de Weinert há 18 anos. Um vinho em especial o trouxe para o outro lado do Atlântico. Em 1991 Hubert provou um Cavas de Weinert Gran Vino numa feira em Berna e se apaixonou pela bebida. Sabendo de seu interesse uma amiga conseguiu contato para ele trabalhar na Bodega na Argentina. Hoje em dia Hubert abre com orgulho as garrafas da Weinert para mostrar os caldos onde aplica seus conceitos de enologia. “Não vim aqui para mudar a filosofia da casa, ao contrário, vim por causa dela”, explica. “Fiz poucas mudanças, o principal foi manter e respeitar o estilo do vinho”.

Os vinhos da Cavas de Weinert, de Mendoza

Por estas características todas, os rótulos da Weinert vão agradar aqueles que gostam de tintos mais envelhecidos, maduros, com boa evolução de aromas e diversidade no gosto das frutas, com toques de couro, canela, tabaco, terroso, enfim aqueles aromas do tempo em garrafa e influência de tonéis de carvalho – conhecido no jargão como terciários. O mais legal é que o consumidor não precisa aguardar para curtir estas características, as garrafas são lançadas já com certa evolução. E é possível comprar safras anteriores. Haviam 1500 garrafas do Carrascal 1978 em estoque, por exemplo. E podem ser compradas por 120 dólares.

A linha de entrada, Pedro del Cartillo*, é um bom cartão de apresentação dos tintos da Weinert. O tempranillo da safra 2013, de vinhas de 40 anos, tinha uma boa pegada de fruta e de terra. O cabernet sauvignon 2012 estava mais fechado, um toque de especiaria estava lá, no entanto, os taninos precisam de um pouco mais de tempo para amaciarem. O malbec 2012 vai mais para o lado da fruta fresca, como cerejas, é macio e fácil de beber.

Carrascal 2009: pronto para hoje, amanhã e depois

Carrascal 2009: pronto para hoje, amanhã e depois

A linha seguinte, a Carrascal, vem de vinhedos de 30 a 60 anos de Luján de Cuyo. É uma mescla de malbec (45%), merlot (35%) e cabernet sauvignon (20%). Passa dois anos em tonéis grandes de carvalho. Provamos a safra 2009. O tempo já mostrou seus efeitos de evolução da fruta madura e negra integrada com o carvalho, um licoroso chega junto no final de boa intensidade. No Brasil estará em torno de 60 e 65 reais. Não gosto do termo, mas é um belo custo-benefício.

Zezinho, Huguinho e Luizinho: varietais de malbec, merlot e cabernet sauvignon

Zezinho, Huguinho e Luizinho: varietais de cabernet sauvignon, malbec, merlot de 2006

A linha varietal é mais seletiva e, claro, procura expressar o potencial da carreira-solo de uma variedade. Hubert comenta que é raro ter na mesma safra três rótulos de três variedades no mesmo ano no mercado. Por exemplo, em 2005 não teve merlot. Mas em 2006 estão disponíveis os varietais merlot, malbec e cabernet sauvignon. São todos bons tintos, meus comentários no bloco de notas (um iPad, na verdade) foram superlativos. Para o merlot: velho estilo, de impacto terroso, ótima acidez, corpo médio, umas flores chegaram numa segunda fungada. Para o malbec: baita ataque no nariz, flores, frutas (ameixa madura), final estupendo, couro, canela, sândalo (sândalo? Pois é, pela primeira vez senti isso num vinho). Para o cabernet sauvignon: chocolate, fruta negra, couro, taninos fortes mas evoluídos, vinhaço para beber e namorar os aromas de fim de taça. Os varietais – note bem, da safra 2006, já chegam com 8, 9 anos nas costas – custam entre 100 e 110 reais no país da alta carga tributária. Não precisa falar onde, né?

Cavas de Weinert Gran Vino 2004: não leve na mala...

Cavas de Weinert Gran Vino 2004: beba na origem, não leve na mala…

E para o final o Cavas de Weinert Gran Vino 2004, um ícone, mas que ao contrário de muitos de seus pares não é pesado, feito para tomar com garfo e faca. Aqui a cabernet sauvignon e a malbec disputam a mescla com 40% cada uma, sobrando 20% para a merlot. Passa três anos em barricas. Prima pela elegância, atributo um tanto difícil de explicar mas fácil de entender no copo. Um nariz que até deixa um pouco zonzo, um licor de cereja que começa no aroma e se traduz em boca, tostados finos, muita fruta, um champignon, final longo, persistente. Esta belezinha de 2004, lá se vão 10 anos, chega às prateleiras por volta de 150 e 160 reais.

Diferente da maioria das vinícolas que se orgulham de contar com vinhedos próprios, a Weinert compra todas as uvas. “Compro apenas o que necessito”, ensina Hubert Weber. São uvas das variedades malbec, cabernet sauvignon, merlot (90% do total), complementadas com syrah, bonarda, tempranillo e cabernet franc – esta última com destino certo, a Suíça. A colheita é feita à mão e uma relação antiga com os produtores permite uma pré-seleção dos cachos. Os vinhedos onde Hubert vai às compras são todos antigos, de solo argiloso e de pé franco (ou seja, não tem enxerto na raiz; traduzindo, traz maior autenticidade à uva). E quando não considera a safra com a qualidade ideal, simplesmente não compra e não produz os vinhos naquele ano. É o que aconteceu com a safra de 2014. Mas e aí, como faz?, pergunto eu. “Não faz”, responde ele, “temos uma adega com capacidade para 3 milhões de litros, e atualmente temos 900 mil litros dentro de casa. Esta é a filosofia da Weinert”

Empanadas, empanadas, empanadas, alguém quer empanadas?

Empanadas, empanadas, empanadas, alguém quer empanadas?

Um mendocino (e suas empanadas) em Mendoza

Assim que terminamos a prova dos principais vinhos, foram servidas umas empanadas (na foto quase dá para sentir seu perfume quente) feitas por um mendocino vizinho à bodega. Sugestionado ou não pelo ambiente, pelos vinhos provados e pela surpresa final –  um Carrascal 1978, engarrafado em 1982 e com aromas de tabaco e evolução deliciosa do tempo, mas muito vivo na boca -, elegi como as melhores empanadas da minha vida, e a partir desta data a harmonização perfeita para um Carrascal.

Malbec 2009, esperando seu tempo de ganhar as prateleiras

Malbec 2009, esperando seu tempo de ganhar as prateleiras das lojas

Um brasileiro em Mendoza

O jornalista que teve sua mala alagada por um vinho, meio óbvio, é este que vos escreve, que trouxe em sua bagagem, devidamente protegido em um desses sacos de plástico-bolha uma garrafa do Cavas 2004 Gran Vino. A garrafa era uma lembrança da visita realizada à cantina de “Don Bernardo”, escoltada pela cativante Hubert Weber, onde provei os rótulos da Weinert acompanhados das inesquecíveis empanadas. A ampola, que ia repousar mais um tempo na minha humilde adega, não resistiu ao delicado serviço de bagagens do aeroporto e trincou uma parte do vasilhame. Se tive o azar de perder o precioso líquido que tingiram minhas roupas (literalmente uma camiseta branca ganhou tons de vinho…), a boa notícia é que a partir do primeiro trimestre os rótulos da Weinert voltarão a ser importados ao Brasil, agora pelas mãos da Mercovino. Esqueci de comentar no início, os vinhos da Weinert não estavam sendo importados para o Brasil nos últimos anos, mas encontram-se algumas garrafas em lojas especializadas. Devem estar disponíveis nas prateleiras no primeiro trimestre de 2015. Os preços citados neste texto são os sugeridos pela operação da Weinert no Brasil para o momento, enquanto o dólar se encontra neste patamar de 2,60/2,65. *A linha Pedro del Cartillo ainda está em negociação se entra ou não neste pacote de importação.

 

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