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sexta-feira, 4 de abril de 2014 Novo Mundo, ViG | 01:49

50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer. Parte 3 – vinhos de corte de Mendoza

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Nesta terceira parte da lista de 50 vinhos saborosos da Argentina que vale a pena conhecer, o destaque são os vinhos de corte (blend, ou mistura de várias uvas na elaboração do vinho) de Mendoza.

Atenção, não se trata de uma lista dos melhores vinhos da Argentina, mas uma seleção da rica amostra de tintos e brancos que provei em uma semana em viagem por lá. Trata-se, como só pode ser, de uma seleção pessoal.

Na próxima e última nota desta série, os destaques são os  vinhos varietais (feitos de uma única uva)  de outras variedades  diferentes da malbec da região de Mendoza.

Região de Mendoza – vinhos de corte (blends)

A região de Mendoza também é pródiga em blends ou vinhos de corte do tipo bordalês ou tendo a malbec como protagonista, mas sendo escoltada por outra variedade, aportando mais estrutura, acidez, potência e diversos sabores. No geral, os tintos  top de linha das principais vinícolas são blends de malbec,. Esta escolha pela mistura no principal rótulo já diz  muita coisa sobre este estilo de vinho.

unanimemascota 26 Unânime 2009

Mascota Vineyards/Santa Ana

Região: Vale de Uco

Site official: http://www.bodegas-santa-ana.com.ar/sitio-Por/index.php

Uvas: cabernet sauvignon, malbec, cabernet franc

R$ 78,00

A voz do vinho: para começar uma lista de vinhos de corte, nada melhor que uma unanimidade, pelo menos no rótulo. O vinho ícone da Mascota é um blend espetacular que tem este nome pois na hora de decidir o corte ideal para o rótulo existiu um consenso entre todos os envolvidos. Complexo na boca, entrega as frutas da malbec e a estrutura da cabernet sauvignon. Gostoso na entrada e com bom fim de boca.

Por que escolhi: bom exemplo de blend por um bom preço

 

casarena50527 505 essência Blend 2013

Casarena Bodega y Viñedos

Região: Agrelo, Luján de Cuyo

Site oficial  www.casarena.com

Uvas: malbec 50%, cabernet  sauvignon 30% e merlot  20%

Importador: Magnum

R$ 35,00

A voz do vinho: quem disse que os vinhos de corte precisam ser caros? Boa mescla, belo exemplo de blend macio, fruta franca, vinho correto, redondo, fácil de beber e de gostar.

Por que escolhi: bom blend de entrada

 

amanodecero28. Decero Amano Remolinos Vineyard 2011

Finca Decero

Região: Agrelo

Site oficial: http://www.decero.com/about/remolinos-vineyard/

Uvas: malbec 60%, cabernet sauvignon 30%, tannat 1%, petit verdot 4%

Importador: era da Ana Import

R$ 264,00

A voz do vinho: outro que levou o Trophie de melhor blend acima de 50dólares do AWA  (Argentine Wine Awards) 2104. Muito perfumado, bem malbec no nariz, muita fruta do cabernet sauvignon e taninos e estrutura do tannat e petit verdot, que também dá acidez. Passa 22 meses na barrica amaciando, apurando seus sabores e desenvolvendo seus aromas. Vinho de gente grande

Por que escolhi: paixão ao primeiro gole

 

expressiones29. Expresiones Reserve 2012

Finca Flichman

Região: Mendoza

http://www.flichman.com.ar/home.html

Uvas: malbec 60% e cabernet sauvignon 40%

Importador La Pastina

R$ 60,00

A voz do vinho: esta medida de 60% malbec e 40% cabernet sauvignon com um tempo de passagem pela barrica  parece que dá certo. Aparece em muitos rótulos de Mendoza. As frutas vermelhas e as notas de especiarias aparecem, criam volume em boca e um tanino delicado traz maciez e um final prolongado.

Por que escolhi:  boa “impressão” ao primeiro gole que se confirma com o tempo em taça

 

lagarde-henry-gran-guarda,jpg30 Henry Grand Guarda nº 1 2009

Lagarde

Região: Luján de Cuyo, Mendonza

Site oficial: www.lagarde.com.ar

Uvas: cabernet sauvignon 39%, malbec 35%, petit verdot 13% e cabernet franc 13%

Importador: DeVinum

R$ 210,00

A voz do vinho: o vinho número 1 da Lagarde só é elaborado em safras especiais e passa dois anos em barricas de carvalho de primeiro uso. A palheta de aromas é ampla, com destaques para café, couro, tostado, tabaco do tempo em madeira, pimenta, fruto maduro. O paladar confirma esta impressão, tanto na intensidade como na qualidade dos sabores. Potente, sério, final longo. O corte muda bastante a cada ano, o que sugere a visão do enólogo como resultado do  que a natureza lhe oferece. Já havia provado o 2007, onde a cabernet franc predominava. Este aqui é um senhor mais sério.

Por que escolhi: um corte bordalês de respeito, vinho de decanter, de reflexão

Trivento-AMADA-SUR31 Trivento Amado Sur Malbec 2012

Bodega Trivento

Região: variadas em Mendoza

Site oficial: http://www.trivento.com/triv/site2.php

Uvas: malbec 70%, bonarda 18% e syrah 12%

Importador: VCT

R$ 58,00

A voz do vinho: da série dormindo com o inimigo, a Trivento é um investimento da gigante chilena Concha y Toro na Argentina. O vinho de corte busca um equilíbrio e puxa o que melhor tem cada variedade. Aqui a malbec aportou elegância, a syrah a estrutura e a bonarda ampliou a acidez e completou com frutas vermelhas. Um tinto macio, suave, com uma boa fruta fresca. Sempre na lista dos vinhos smart buys (boas compras) da Argentina.

Por que escolhi: pela suavidade da mescla e preço

 

 

premios_phi-eng32 Phi– Finca el Origen 2009

Finca el Origen

Região: Vale do Uco

Site oficial: http://www.fincaelorigen.com/

Uvas: malbec 79%, cabernet franc 11%, cabernet sauvignon 7% e petit verdot 3%

Importador: Casa Rio Verde BH

R$ 150,00

A voz do vinho: a Finca El Origen também tem suas raízes no Chile, são os mesmos proprietários da Santa Carolina. Vinhaço. Elegante, complexo, com todas as qualidades que um blend aporta a uma garrafa. Tem um estilo bordalês de ser. Passa 18 meses em barricas de carvalho. A malbec torna o vinho macio e floral, a cabernet franc traz especiarias e complexidade ao caldo, a cabernet sauvignon dá envergadura e mais aromas, frutas e aquele tiquinho de petit verdot ajuda na acidez, dando mais longevidade ao vinho. Um vinho de corte por excelência. O nome Phi é letra grega que representa a proporção, o número encontrado na natureza. Muito bom também o Finca el Origen Cabernet Sauvignon, um cabernet de zona fria com 12 meses de barrica, bons taninos, fruta negra.

Por que escolhi: pela complexidade e bom uso da madeira, que não encobre a fruta

 

enamore33 Enamore 2011

Renacer e Allegrini

Região: Luján de Cuyo

Site oficial: http://www.bodegarenacer.com.ar/

Uvas: malbec 45%, cabernet sauvignon 40% e bonarda 10%

Importador Vinhos do Mundo

R$ 165,00

Voz do vinho: o que acontece quando se junta um enólogo da região do Veneto (Paolo Mascanzoni, da Allegrini) com outro da Mendoza  (Alberto Antonini, Renacer)? Um tinto vinificado como um amarone do hemisfério norte mas com uvas do hemisfério sul, ambos representados pelas linhas em forma de novelo desenhadas no topo e na base do rótulo. As uvas ficam expostas ao sol e ao vento para perder cerca de um terço de sua água. Este método tradicional do Amarone se chama apassimento, que acaba concentrando mais o açúcar da fruta. Na boca a fruta vermelha é mais doce, o vinho macio, redondo. Interessante esta transferência de método para as uvas locais.

Por que escolhi: fácil de beber e agradar e, vamos combinar, um belo nome para um vinho

 

Durigutti34 Durigutti Familia 2008

Familia Durigutti

Região: Maipú e La Consulta

Site oficial: www.durigutti.com

Uvas: malbec 85%,  cabernet franc 3%, cabernet sauvignon 3%, syrah, 5% e bonarda 4%

Importador (sem importador no Brasil)

Voz do vinho: destaque para o belo aroma de ameixas,  floral e de especiarias. Na boca mostra um sabor delicioso, equilibrado e com boa persistência de seus frutos. Passou dois anos em barricas francês e foi engarrafado em outubro de 2010. Mostrou boa evolução e vai em frente.

Por que escolhi: tem um paladar encantador

 

diamandes35 DiamAndes de Uco Gran Reserva 2008

DiamAndes

Região: Vale de Uco

Site oficial: www.diamandes.com

Uvas: malbec 70% e cabernet sauvignon 25%

Importador: Magnum

R$ 180,00

A voz do vinho: para não dizer que esqueci de Michel Rolland, aqui uma ótima contribuição de seu expertise no estilo bordalês transportado para as características do hemisfério sul. A vinícola é um empreendimento do casal Alfred-Alexandre e  Michèle Bonnie, proprietário do Château Malartic-Lagravière e do Château Gazin Rocquencourt, em Bordeaux. 15 milhões de dólares de investimento depois eles inauguraram a estonteante Bodega DiamAndes onde elaboram parte das 1 milhão de garradas do vinho-consórcio Clos de los 7. Além desses rótulos também produzem a linha DiamAndes. Um bom viognier de entrada, um malbec e este gran reserva. O vinho passa 24 meses em barricas francesas de primeiro uso, é bem escurão, muito macio na boca, potente. As frutas negras e tostados são expressivas e elegantes. O conceito de viticultura de precisão alcança pontos de maturação mais precisos para as uvas selecionadas.

Por que escolhi: um novo clássico argentino

 

piatelli36  Trinitá Piatelli

Piatelli Vineyards

Regiões: Agrelo, Luján  de Cuyo e Vale do Uco

Site oficial: http://www.piattellivineyards.com/

Uvas: malbec, cabernet sauvignon, merlot

Importador: Vinhos do Mundo

R$ 205,00

A voz do vinho: vinhedos de 30 a 70 anos de cabernet sauvignon, malbec e merlot  fornecem a matéria-prima para esta belezinha. As varietais são afinadas em separado por 12 meses em pequenas barricas de primeiro e segundo uso preservando a fruta na composição do corte. A boca mostra cerejas negras maduras que aparecem antes nos aromas. Potente, de grande volume, vale decantar ou pelo menos deixar um tempo na taça para revelar seus frutos, toques de especiarias e os efeitos da barrica que ampliam o vinho mas não o esconde.

Por que escolhi: por que é delicioso de beber

 

Gonzalezodonnel37 Gongález O’ Donnell

Hacienda del Plata

Região: Luján de Cuyo

Site official http://haciendadelplata.com/

Uvas: malbec 50% e cabernet sauvigon 50%

Importador: Wine to Go

R$ 232,00

A voz do vinho: a hacienda del Plata é um vinícola boutique de uma família de origem irlandesa, daí o nome no rótulo. São apenas 750 garrafas deste rótulo. O caldo passa 36 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso seguidos de mais 18 meses de envelhecimento em garrafa antes de ser comercializado. Elegante no nariz e na boca, combina em parcelas iguais a cabernet sauvignon e a malbec e desta disputa por espaço nasce um tinto de corte que é longo e de bastante impacto. Merece decantar antes de servir.

Por que eu escolhi: pelo privilégio de ter provado uma das 750 garrafas

 

bcrux38 Bcrux 2010 tempranillo

O Fournier

Região: La Consulta

Site oficial: http://www.ofournier.com/web/ar_00_es.html

Uvas: tempranillo, malbec e touriga nacional

Importador: Vinci Vinhos

R$ 114,00

A voz do vinho: o espanhol José Manuel Ortega Gil-Fournier tem uma história curiosa, largou a vice-presidência do Santander para se dedicar aos vinhos. Hoje possui vinícolas no Chile, Argentina e na Espanha natal. Mas montou morada na Mendoza, onde a mulher tem um premiado restaurante na vinícola e deve abrir outro na cidade. Os vinhos de O Fournier se distinguem por uma busca de qualidade sem exagero no preço. A linha BCrux é intermediária, é muito amplo na boca e apetitiso no paladar. O BCrux sempre foi uma mescla em que a tempranillo, não por acaso a uva de expressão da Espanha, foi protagonista, mas as outras uvas  que compõem a mescla  variam. Desde 2009 Gil-Fournier começou a acrescentar a portuguesa touriga nacional, que tem dado bons resultados e acrescentado mais  aroma ao tinto.

 Por que escolhi: os vinhos de Fournier merecem ser conhecidos, a linha Urban, na média de 50 reais, é um bom início

 

PascualTosoMagdalena39 Magdalena Toso 2011

Pascual Toso

Região: Maipu, Mendoza

Site oficial: www.bodegastoso.com.ar

Uva: malbec 60%, cabernet sauvignon 40%

Importador: Vinoteca Dibeal Brasil CIEBA

R$ 370,00

 A voz do vinho: expressão sublime da malbec, mostrando todo o potencial da região de Barrancas, em Maipú, Mendoza, combinado ao cabernet sauvignon. As uvas rigorosamente selecionadas em colheita manual, e depois fermentadas e enriquecidas em barricas de carvalho francês se transformam num vinho estupendo.  Muito intenso nos aromas, vai se abrindo aos poucos e revelando camadas de frutas, compotas, chocolate, a boca é o que mais me impressionou, um veludo, e um final longo e telúrico. A madeira integrada acrescenta e não doma o vinho. Potente e expressivo.

Por que escolhi: em degustações grandes costumo dar estrelas aos vinhos que provo como referência para o futuro. A memória gustativa era boa, a memória escrita marcou  cinco estrelas neste aqui.

Preços coletados em abril de 2014

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzido neste post sobre os vinhos argentinos.

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terça-feira, 1 de abril de 2014 Novo Mundo, ViG | 09:47

50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer. Parte 2 – malbec de Mendoza

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Nesta segunda parte da lista de 50 vinhos saborosos da Argentina que vale a pena conhecer, o destaque são os vinhos elaborados  100% com a uva malbec produzidos na região de Mendoza.

Nas próximas notas exploramos mais dois segmentos da  região de Mendoza – responsável por 80% da produção de vinho no país.

  •  melhores vinhos de corte (blends).
  •  varietais de outras uvas

Atenção, não se trata de uma lista dos melhores vinhos da Argentina, mas uma seleção da rica amostra de tintos e brancos que provei em uma semana em viagem por lá. Trata-se, como só pode ser, de uma seleção pessoal.

 Vinhos de Mendoza – Malbec 100%

Os vinhedos em Mendoza estão plantados em altitudes a 1.000 metros acima do nível do mar. Toda a região que produz vinho é donominada de Cuyo – engloba Mendoza, San Juan e La Rioja. Cuyo significa, no idioma Huarpe Mikayac, “o país dos desertos”. O que é uma realidade, e a água que vem das geleiras controlada pelo governo. Mendoza ainda se divide em cinco zonas: Norte, Leste, Centro, Sul e Vale de Uco. Luján de Cuyo, localizada no Centro, é conhecida como a “La Tierra del Malbec” e junto com Maipú é a região vitivinícola mais tradicional de Mendoza. São tintos mais estruturados, com frutas bem maduras, floral, com bom volume em boca e taninos macios. A região de Mendoza é um paraíso para quem aprecia vinhos. 80% dos vinhos da Argentina são produzidos ali. Nesta primeira etapa dos rótulos de Mendoza, começamos com os tintos de puro malbec. Deliciosos, tradicionais, inovadores. Tem de tudo, abaixo minha modesta seleção.

Riccitelli16 Republica del Malbec Blend de Terroir 2012

Matias Riccitelli

Região: Luján de Cuyo

Site oficial: http://www.matiasriccitelli.com/eng/index.html

Uva: malbec

Importador: (chegará ao Brasil pela Wine Brands)

R$: (na Argentina está classificado entre vinhos por mais de 50 dólares)

 A voz do vinho: uma nova geração, de calças coloridas e ideias idem, busca nada menos que a excelência no vinho argentino e ainda atrair um consumidor mais jovem. Matias Riccitelli faz parte desta geração. Provavelmente sua mamadeira era batizada com vinho.  Matias é  filho do lendário enólogo da gigante Bodega Norton Jorge Riccitelli. Todos os rótulos que já provei deste sujeito são espetaculares, sempre extraindo o melhor da malbec. São vinhos sedosos, intensos e complexos. Aromas de frutas negras, especiarias e muito equilibrado na boca, com vontade de quero mais. Levou o Trophie da AWA (Argentina Wine Awards) 2014. Vale conhecer também o Vineyard Selection Malbec, outro vencedor de medalhas. Este segundo puxa  mais para a elegância, e tem maior capacidade de envelhecimento, mas para tomar agora o Republica del Malbec me agradou mais.

Por que escolhi: talvez o melhor dos malbecs provados e pelo reconhecimento da nova geração

 

esvino 17 Es Vino Reserve Malbec 2009

Es.Vino/Finca Sophenia

Região: Tupungato

Site oficial http://www.sophenia.com/

Uva: malbec

Importador: não achei no Brasil, mas a World Wine importa a linha Finca Sophenia

R$:  (estava na categoria entre 13 e 20 dólares na premiação da AWA)

A voz do vinho: pois é, este tinto também foi premiado com um Trophie no concurso AWA 2014. Fiquei encantado com os aromas florais, sua fruta, a explosão em boca, a maciez e persistência do vinho. Não conhecia. A história da Es.Vino é curiosa. As herdeiras da Finca Sophenia, as gêmeas Eugenia e Sofia (daí o nome), receberam uma vinícola para chamar de sua quando tinham dez anos de idade. Depois de adultas deram vida ao sonho de um vinho moderno, para um público jovem, mas elegante. Eu diria que criaram um malbec sedutor, longo no sabor.

Por que escolhi: me encantei com a fruta deste malbec

 

LuigiBoscaMalbec18. Luigi Bosca Malbec Terroir Los Miradores 2011

Luigi Bosca

Região: Valle de Uco

Site oficial: http://www.luigibosca.com.ar/

Uva: malbec

Importador: Decanter

R$ 114,00

A voz do vinho: um grande malbec elaborado com clones provenientes de três terrenos diferentes da Luigi Bosca e plantada na Finca Los Miradores, no Vale do Uco, a uma altitude de 1.150 metros. Muito intenso, fruta expressiva, bastante longo no final de boca, aquela sensação do vinho que permanece depois de engolido. Boa acidez e ótimo corpo.

Por que escolhi: a mão do homem na seleção das uvas resulta em um belo malbec

 

PascualTosoMalbecreserve

19. Pascual Toso Reserve Malbec 2012

Pascual Toso

Região: Maipú

Site oficial: http://www.pascualtoso.com/

Uva: malbec

Importador: Vinoteca Brasil

R$ 59,00

A voz do vinho: esta é uma bela linha intermediária da Pascual Toso, a vinícola de Pauls Hobbs na Argentina. Tem boa persistência, é gostoso de beber, macio, mostra frutas negras e boa relação de custo-qualidade. Da mesma linha, o Cabernet Sauvignon tem boa estrutura, taninos firmes e boa fruta.

Por que escolhi: bom preço e bom vinho

 

expressiones20.  Trapiche Malbec Single Vineyard  2011

Trapiche

Região: Mendoza

Site oficial: http://trapiche.com.ar/pt

Uva: malbec

Importador: Interfood

R$ 202,00 (safra 2008)

A voz do vinho: delicioso estilo de malbec, a fruta bem integrada, equilibrado, frutas vermelhas e negras, muito macio. Um trabalho do enólogo-chefe da Trapche, Daniel Pi, que separa o melhor malbec de várias regiões e produz este caldo delicioso.

Por que escolhi: exibido, foi destaque entre 16 malbecs de diferentes terroirs que provei em uma degustação de top malbecs.

 

Casarena_Malbec21 Casarena Lauren’s Vineyard 2011

Casarena Bodega y Viñedos

Região: Agrelo

Site oficial: www.casarena.com

Uva: malbec

Importador: Magnum

R$ 130,00

A voz do vinho: o rótulo é uma vista aérea geométrica e estilizada do vinhedo em Agrelo. Uma parcela única  abastece este vinho de floral intenso, a tal da violeta, quase um vidro de perfume em forma de vinho, e de boca ampla e sedutora. Um malbec feminino e sedutor, com ótima fruta e bastante macio. Para aqueles que apreciam a exuberância do primeiro impacto, mas exigem estrutura no paladar. Provei este vinho da safra 2010 e agora veio a confirmação de sua qualidade na safra de 2011. Quase um irmão gêmeo, o Casarena Malbec de Pedriel também merece uma visita. Boa qualidade por um preço compatível. Mais um enólogo da nova geração mostrando serviço: Bernardo Bossi Bonilla.

Por que escolhi: pela consistência, preço e qualidade

 

argento resreva22 Malbec Reserva Argento 2012

Argento

Região: Maipú

Site oficial: http://www.argentowine.com/pt/

Uva: malbec

Importador: Domno

R$ 45 reais

A voz do vinho: A enóloga Silvia Cort, responsável pelos vinhos desde 2004, é uma apaixonada pela malbec. Resultado: um caldo bem extraído, mais encorpado, que passa 9 meses em barricas de carvalho americano e francês e confere notas de chocolate, taninos macios e gosto de frutas negras.

Por que escolhi: tem personalidade e bom preço

 

LAMascota23 La Mascota Malbec 2012

Mascota Vineyards/Santa Ana

Região: Maipú

Site oficial: http://www.bodegas-santa-ana.com.ar/sitio-Por/index.php

Uva: malbec

R$ 60,00

 A voz do vinho: este malbec, da linha de criação especial do enólogo Opi Sadler, é macio, gostoso, passa 15 meses na barrica, traz grande satisfação no paladar e tem uma ótima relação custo-benefício. A Mascota é um projeto de vinhos premium da gigante Santa Ana, a vinícola número 1 em volume da Argentina

Por que escolhi: bom na taça e bom de bolso

 

 

SerreraGranGuarda24 Serrera Gran Guarda 2008

Serra Wines

Região: Valle do Uco

Site official: http://www.serrera.com.ar/

Uva: malbec

Importador: Hannover Vinhos

R$ 160,00

A voz do vinho: um malbec de 2008 que mostra como  evolui bem esta uva quando tratada com respeito. Passa mais de 14 meses nas barricas de  carvalho de primeiro uso e fica quietinho na garrafa mais um ano antes da comercialização. A boca é macia, redonda, potente e lembra aromas de frutas negras, especiarias e chocolate; o final é longo e delicioso. Um carinho no paladar. No Brasil a safra à venda é de 2006, que talvez mostre outras delicias da evolução.

Por que escolhi: pelo potencial de envelhecimento da malbec

 

puntofinal25 Punto final – Reserva Malbec 2011

Renacer

Região: Perdriel, Luján de Cuyo

Site oficial: http://www.bodegarenacer.com.ar/

Uva: malbec

Importador Vinhos do Mundo

R$ 99,00

A voz do vinho: O rótulo deste belo malbec é repleto de termos que descrevem as sensações provocadas pelo vinho. Entre eles, aparecem aromas de frutas vermelhas, notas de especiarias, taninos suaves, final harmonioso. É um vinho com legenda, delicioso e de uma malbec agradável ao paladar.

Por que escolhi: agrada de início e prazeroso de beber.

 

Preços coletados em abril de 2014

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzido neste post sobre os vinhos argentinos.

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segunda-feira, 31 de março de 2014 Novo Mundo, ViG | 16:00

50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer. Parte 1 – Salta e Patagônia

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A felicidade, dizia o modernista Oswald de Andrade, é a prova dos noves. A escolha de um (ou mais) vinho, tentando plagiar, é a prova dos 228. Explico, recentemente tive o privilégio de experimentar exatos 228 rótulos argentinos “in loco”. Foram almoços, degustações, minifeiras e visitas a vinícolas em território Argentino a convite da Wines of Argentina*. Deste mar de vinhos provados selecionei 50 rótulos que traduzem de alguma maneira a atual produção de tintos (mais estes) e brancos de qualidade que se faz hoje no país.

Fui checar minhas anotações, as fotos dos rótulos e buscar na memória gustativa os vinhos que de alguma forma me impressionaram para esta seleção ViG (Vinho indicado pelo Gerosa) Argentina. Atenção, não se trata de uma lista dos melhores vinhos da Argentina, mas uma seleção da rica amostra de tintos e brancos que provei em uma semana em viagem por lá. Trata-se, como só pode ser, de uma seleção pessoal.

Por ser uma lista um pouco extensa, dividi a nota em várias partes, que serão publicadas ao longo da  semana.

Para começar os vinhos de Salta/Cafayate e da Patagônia

Nas próximas notas, os vinhos indicados são da região de Mendoza – responsável por 80% da produção de tintos, brancos e espumantes no país

  •  grandes malbecs
  •  melhores vinhos de corte (blends).
  •  varietais de outras uvas

Vinhos de Salta e Cafayate

As parreiras estão localizadas entre 1.500 e 3.000 metros sobre o nível do mar (a região vitivinícola mais alta do mundo). A chuva é rara, 200 milímetros por ano. A colheita na região é realizada uma semana antes do que em Mendoza. Os vinhos têm uma ótima acidez e são mais amigáveis. A branca torrontés produz caldos mais sutis e menos exibidos na região. Os tintos são mais intensos pois o sol, mais próximo pela altitude, faz com que as frutas engrossem as cascas para proteger as sementes, e como se sabe é nas cascas que se concentram aromas, cor e outros elementos dos tintos. Além do malbec, vale conhecer os cabernet sauvignon e cabernet franc da região.

colomé-torrontes1 Colomé Torrontés 2013

Bodega Colomé

Site oficial: http://www.bodegacolome.com/

Uva: torrontés

Importador: Decanter

R$ 56,00

A voz do vinho: a uva branca porta-estandarte da Argentina encontra aqui um representante à altura de seu marketing. A Bodega Colomé, do suíço Donald Hess, tem vinhedos plantados muito perto do céu. Localizados entre 2.300 e 3.100 metros de altura são considerados os vinhedos mais altos do mundo. Esta torrontés tem uma pegada mais seca, elegante e mostra uma ótima acidez, com bom frescor e frutas tropicais na boca. Levou o prêmio Trophie da AWA (Argentina Wine Awards) 2014.

Por que escolhi: torrontés menos floral e mais seca, mostra o potencial da variedade.

 

cafayatecabsauvignon2. Cafayate Reserve Cabernet Sauvignon – 2012 

Bodegas Etchart

Site oficial: http://www.bodegasetchart.com/

Uva: cabernet sauvignon

Importador: Pernod Ricard

R$: 31,00

A voz do vinho: a Etchart faz parte do grupo de bebidas Pernod Ricard. O vinho não chega a ser uma prioridade numa empresa que produz vodcas, uísques e licores. Mas o vinho é bem tratado aqui. Na região de Cafayate, de maior altitude, os tintos são mais intensos. Este cabernet sauvignon é da linha de entrada e agrada bastante no paladar. Sem complicações mas com uma boa fruta, passa seis meses em barrica, o suficiente para uma amaciada nos taninos e dar uns toques de baunilha. A cabernet sauvignon surpreendeu bastante nos vinhos argentinos. Em uma linha superior, o também Cabernet Sauvignon Gran Linaje é mais complexo e maduro e agradou bastante também.

Por que escolhi: bom vinho para o dia a dia.

 

CiclosMalbec3. Ciclos Malbec 2012

Bodega El Esteco

Site Oficial: http://www.elesteco.com/bodega/

Uva: malbec 100%

Importador: Bruck

R$ 85,00

A voz do vinho: talvez o nome Bodega El Esteco não seja familiar, mas certamente Michel Torino é. Trata-se da mesma vinícola em fase de transição de nome. Dentro da vinícola o Hotel & Spa Patios de Cafayate oferece 32 suítes para quem quer se esbaldar de vinho e sossego. Este malbec de Cafayate passa 12 meses em barricas francesas e americanas. No nariz ele entra um pouco alcoólico, mas revela-se na boca com uma fruta vermelha gostosa, bem macio e com boa intensidade. Provei novamente este vinho em um restaurante em São Paulo e estava fantástico. Medalha de ouro no AWA 2014.

Por que escolhi: malbec de boa extração e fruta saborosa.

 

CiclosIcone4. Ciclos Ícono

Bodega El Esteco

Site Oficial: http://www.elesteco.com/bodega/

Uvas: malbec e merlot

Importador: Bruck

R$ 85,00

A voz do vinho: apesar do nome, não é o tinto ícone da El Esteco. O top de linha leva o nome de Altimus, e é um blend das melhores uvas do ano selecionadas pelo enólogo Alejandro Pepa. O ícono é uma mescla bem realizada de malbec e merlot, macio, longo, com uma fruta ampla. Muito gostoso. Eu sempre sou da opinião que a malbec é sempre beneficiada quando misturada a outras uvas. Aqui está um exemplo. O rótulo, um sol desenhado pelo artista plástico uruguaio Carlos Paez Vilaró, recentemente falecido, se transformou em uma bela homenagem e traduz o clima da região.

Por que escolhi: um vinho ensolarado e feliz na homenagem.

 

LAborum-Tannat5. Laborum Tannat 2012

Bodega El Porvenir de Cafayate

Site oficial: http://www.elporvenirdecafayate.com/

Uva: tannat

Importador: Vinhos do Mundo

R$ 79,00

A voz do vinho: primeiro da série de vinhos com assessoria do consultor Paul Hobbs que vai aparecer nesta lista. Alguns acusam Hobbs de pesar a mão. Discordo, ele tem vinhos de perfis diferentes em cada região. E boas surpresas. Mas aqui a estrela é o jovem e inovador enólogo Mariano Quiroga, que comanda a alquimia sob supervisão do americano. Este tannat é muito persistente no nariz, tem boa acidez natural. Prima mais pela elegância e longevidade. Um tannat oposto daquele estilo agressivo e ao mesmo tempo potente que estamos acostumados a tomar.

Por que escolhi: pela elegância. Este tannat não é agressivo, não luta UFC, pratica ioga.

 

elporvneirtannat-amauta6. Amauta Corte IV Cabernet Franc e Malbec  2013

Bodega El Porvenir de Cafayate

Site oficial: http://www.elporvenirdecafayate.com/

Uvas: cabernet franc e malbec

Importador: Vinhos do Mundo

R$ 79,00

A voz do vinho: o trabalho de Mariano Quiroga merece uma segunda indicação. Este rótulo está ainda para sair no mercado e é aquilo que Mariano define como vinho de autor. A cada ano a composição muda, com a decisão dos enólogos de usar as melhores uvas das melhores parcelas no corte do vinho. Aqui ele combinou o floral do malbec com a potência e o final de boca da cabernet franc e o resultado é espetacular. Belo trabalho de fusão da uva símbolo da argentina (a malbec) com aquele que os especialistas estão apontando como a grande vedete os próximos anos (a cabernet franc)

Por que escolhi: pelo trabalho do enólogo e a escolha das duas variedades de grande expressão na Aregrntina – malbec e cabernet franc

IMG_22397. Cafayate Gran Linaje 2013

Bodegas Etchart

Site oficial: http://www.bodegasetchart.com/

Uva: torrontés

Importador: Pernod Ricard

R$: 55,00

 A voz do vinho: olha o Paul Hobbs aí geeente! a safra 2009 deste vinho levou 92 pontos de Robert Parker, o que é espantoso para um branco sul-americano, ainda mais da uva torrontés. Tem uma pegada mais floral, característica da uva, mas com um belo rastro cítrico e boa acidez

Por que escolhi: um outro exemplo do potencial da torrontés, com bela expressão da uvas

 

Vinhos da Patagônia

Se Salta possui os vinhedos mais altos do mundo, a Patagônia exibe os vinhedos mais ao sul do planeta, no paralelo 39. Ao contrário das regiões de Salta e Mendoza, seus vinhedos estão entre 300 e 500 metros do nível do mar, proporcionando uma maturação mais prolongada das uvas. Por conta de suas condições climáticas, dos ventos frequentes, baixa umidade e ampla diferença térmica entre dia e noite (algo como 20 graus) na época da maturação das uvas, o nível de acidez que se obtém é alto, o que resulta em um bom potencial de guarda. O baixo rendimento dos cachos de uva impõe a produção de vinhos de qualidade. Inicialmente a região ficou marcada pelos pinot noir especiais, muito elegantes, de ótimo final de boca (temos alguns exemplos abaixo). Mas há um enorme potencial também para um malbec mais fino, sem tanta extração, mais sutil nos aromas e paladar e com uma fruta que enche a boca

humbertocanale-riesling8. Humberto Canale Old Vineyard Riesling 2013

Humberto Canale

Site oficial: http://www.bodegahcanale.com/

Uva: riesling

Importador: Grand Cru

R$ 78,00

A voz do vinho: uma uva incomum na Argentina, a riesling, assume na região dominada pelos ventos da Patagônia um caráter untuoso e ao mesmo tempo fresco. Um riesling que não pretende imitar os alemães ou da Alsácia, e por isso mesmo agrada por sua personalidade

Por que escolhi: pela inusitada variedade branca na Argentina

 

Saurus-Familia-Schroeder9. Saurus Barrel Fermented 2012 Pinot Noir/Malbec

Familia Schroeder

Site oficial: http://www.familiaschroeder.com/

Uvas: malbec 50% e pinot noir 50%

Importador: Decanter

R$ 206,00 (safra 2005)

A voz do vinho: interessante mescla com as duas melhores uvas da Patagônia, a malbec e a pinot noir, em porcentagens semelhantes. Difícil identificar nos aromas a uva predominante. Vem um perfume que lembra a malbec, depois outra cafungada e surge um toque terroso e de cereja  da pinot noir. Bem legal. Tem a estrutura da malbec, a cor e a fineza da pinot noir.

Por que escolhi: pela ousadia do blend

 

desierto_pampa10. Desierto Pampa 2009

Bodegas del Desierto

Site oficial: http://www.bodegadeldesierto.com.ar/

Uva: malbec

Importador: sem importador no Brasil

Preço médio: 30 dólares

 A voz do vinho:  outra vinícola com assessoria do consultor Paul Hobbs. São 18 meses de barricas francesas, o que aporta um toque de café e tabaco. Boa fruta fresca, macio, tem um bom frescor e uma fineza do malbec da região. Termina bem na boca. Algum importador se habilita?

Por que escolhi: pelo frescor e novidade

 

IMG_Fin-del-mundo220011. Fin Single Vineyard Cabernet Franc 2009

Bodega del Fin del Mundo

Site oficial: http://www.bodegadelfindelmundo.com/

Uva: cabernet franc

Importador: Mr Mann

R$ 175,00 (safra 2008)

A voz do vinho: a cabernet franc da argentina é uma variedade que merece atenção, vou insistir neste tema e trazer outras alternativas de cabernet franc de Mendoza na próxima lista. Os 18 meses de barrica dão toques de baunilha e coco, uma fruta mais madura no nariz e na boca, bem típica, um perfil de cabernet franc mais internacional, com toques de ervas. Equilibrado e delicioso. Medalha de ouro no AWA 2014.

Por que escolhi: belo exemplo de cabernet franc da Argentina

 

Malma NQN-pinot noir12. Malma – Pinot Noir 2012

Bodega NQN

Site oficial http://www.bodeganqn.com.ar/home.php

Uva: pinot noir

Importador: Vinhos do Mundo

R$ 59,00

A voz do vinho: no terroir da Patagônia a pinot noir se beneficia do clima da região desértica e da altitude menos elevada. A região ficou marcada pelo marketing da pinot noir, mas nem sempre o resultado é assim uma bandeira a ser balançada.  Aqui a pinot noir se revela delicada, fina, com aquela cereja típica da variedade e mostra especiarias no final de boca.

Por que escolhi: é um pinot noir mais acessível da Patagônia e com estilo.

 

vinho-chacra-55-pinot-noir-2011-8261-MLB20002706627_112013-F13. Chacra Cinquenta y Cinco 2012

Bodega Chacra

Site oficial http://www.bodegachacra.com/

Uva: pinot noir

Importador: Ravin

R$ 398,00 (a safra 2010)

A voz do vinho: Vinho fino é outra coisa! Trata-se de um investimento do italiano Piero Incisa dela Roccheta, nada menos que o homem por trás do supertoscano Sassicaia. Tem preço de supertoscanos também. O nome vem do vinhedo antigo, plantado em 1955. Os vinhedos são orgânicos e certificados. O resultado é espetacular e de enorme tipicidade. Apresenta um nariz extraordinário e envolvente, profusão de cerejas na boca, terra molhada, delicadas especiarias. Para ocasiões especiais. Levou medalha de ouro no AWA 2014.

Por que escolhi: para compreender o potencial do pinot noir da Patagônia

 

Noemia

14 Noemía 2011

Bodega Noemía

Site oficial: http://www.bodeganoemia.com/

Uva: malbec

Importador: Vinci

R$ 388,00 (safra 2008)

A voz do vinho: Estes italianos não são bobos. Outro empreendimento europeu na Patagônia, este da Condesa Noemi Marone Cinzano, em parceria com o enólogo Hans Vinding-Diers, o mesmo do Chacra acima, a propósito. Os caldos engarrafados na bodegas Noemía são a prova de que a malbec varia muito de região para região, e aqui a uva se pauta pela finesse, delicadeza, um perfume sedutor, uma intensidade marcante, passeia pelo copo e pelo paladar por um bom tempo. Alia potência e elegância, sempre fino, na busca da excelência do terroir orgânico e biodinâmico.

Por que escolhi: não é barato, mas é um dos melhores malbecs da Argentina, consistente em todas as safras que provei.

 

quimay15. Quimay Manos Negras 2011

Quimay

Site oficial: http://manosnegras.com.ar/

Uva: malbec 100%

Importador: (sem importador)

R$ (em torno de 30 dólares na Argentina)

A voz do vinho: o nome da vinícola– localizada na região de Neuquen -, é uma homenagem aos trabalhadores que botam a mão na terra para dela extrair as uvas que fermentadas se transformam em  uva. Potente, tem aquele licor de cacau exibido no paladar e uma sensação agradável na boca, textura sedosa. Mais um exemplo das possibilidades da malbec da Patagônia. Um belo site apresenta a bodega e a visão dos quatro sócios sobre a missão de seu trabalho.

Por que escolhi: me encantei com o vinho, adorei o site

Preços coletados em abril de 2014

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzidos neste post sobre os vinhos argentinos.

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quinta-feira, 20 de março de 2014 Tintos, Velho Mundo | 12:01

Angelo Gaja, o porta-voz do vinho italiano de qualidade

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Angelo Gaia: "É preciso ter paixão pelas coisas"

Angelo Gaia, o homem do Barbaresco: “Secondo me, sem paixão não se faz nada”

Diz-se que o vinho sempre reflete um pouco a personalidade de seu criador. Não sei se o conceito vale para todo mundo, mas certamente se encaixa perfeitamente na cativante figura do italiano Angelo Gaja. Este piemontês de 74 anos, queixo largo e olhos azuis profundos transmite a mesma elegância e eloquência dos vinhos que produz. São eles, pela vinícola Gaja, no Piemonte (Barbaresco, Sorí San Lorenzo, Sorí Tildin, Costa Russi), os Barolos, em Gromis, na região de La Morra (Sperss e Conteisa); na vinícola Pieve Santa Restituta, em Brunello di Montalcino (Sugarille e Rennina) e em Bolgheri (Ca’Marcanda Promis e Magari), ambos na Toscana.

Leia também: Galvão Bueno também torce para a Itália. Pode isso, Arnaldo?

Angelo Gaja é um dos grandes porta-vozes do vinho de alta qualidade da Itália, daquilo que ele chama de vinhos de artesãos, em que o produtor consegue controlar e definir os níveis de excelência de seu caldo. Nos vinhos de Gaja os principais pilares que definem seu estilo são: a origem do lugar e a elegância. Os vinhos de Gaja falam por si, e Gaja fala pelos cotovelos. Mas ele tem o que falar, e os vinhos têm o que mostrar. Ambos são tagarelas. Uma conversa boa de escutar.

Angelo Gaja, parece feliz ou não?

Angelo Gaja, parece feliz ou não?

E o que fala Angelo Gaja? Ele fala, basicamente, de paixão. Da sua paixão pela viticultura, pela uva nativa nebbiolo, pela história de sua família, por sua própria trajetória, e por fim sua paixão pelo Barbaresco, o rótulo que lhe trouxe fama e reconhecimento de público e crítica.

Sua paixão pela viticultura se exprime no cuidado que um artesão deve ter com o vinhedo, de conhecê-lo, andar por ele, e saber escolher a melhor uva para aquele pedaço de terra e de sempre privilegiar a qualidade em detrimento da quantidade.

Sua paixão pela nebbiolo se traduz na capacidade de esta uva produzir dois clássicos da sofisticação: o Barolo (chamado de rei dos vinhos, com mais estrutura) e o Barbaresco (em oposição, a rainha, com mais elegância).

Sua paixão pela família se volta para o passado e para o futuro. Aos ensinamentos de sua avó, Clotilde Rey, fundamental em sua formação: “Você deve se manter um artesão, como seu pai e seu avô” e de seu pai Giovanni: “Aqueles que sabem beber, sabem viver “ e do exemplos que procura deixar para seus filhos, que são a quinta geração a tomar conta da empresa fundada em 1859.

Sua paixão por sua trajetória é legítima, e ele a relata sempre que surge uma oportunidade, com o mesmo entusiasmo de sempre, em maior ou menor detalhe, dependendo da audiência. Pois seus vinhos têm história e ele viveu grande parte dela, quando revolucionou o vinho de Barbaresco aplicando técnicas que hoje são comuns a outras vinícolas, mas foram transformadoras na década de 1970. São elas: a redução de produção de uvas para obter maior qualidade da fruta e maior teor de açúcar, a higiene na cantina e principalmente o uso de barricas pequenas francesas, junto com as tradicionais barricas grandes da região para amaciar e refinar a uva nebiollo.

Leia também: Sob o sol da Toscana. Uma visitia à nova vinícola Antinori

Sua paixão pelo Barbaresco, é dada pela capacidade que um vinho tem de exprimir toda sua riqueza de sabores, origem, de vencer o tempo e envelhecer com classe. De oferecer um casamento perfeito com a comida, a maior contribuição do vinho italiano à humanidade. O Barbaresco é o vinho ícone de Gaja, sempre presente naquelas listas dos vinhos que você deve provar antes de morrer, ou melhor, dos vinhos que você precisa provar para celebrar a vida! Não é um vinho fácil, muito menos barato. Mas pode proporcionar uma experiência gustativa maravilhosa.

Para Angelo Gaja é simples assim. “Secondo me (secondo me é o fôlego que Gaja toma entre uma ideia e outra), a paixão é fundamental, sem paixão não se faz nada.” Nem tão simples assim, mas verdadeiro.

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Barbaresco

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Ca’marcanda

todos

Sugarille

  • SERVIÇO: Os vinhos de Angelo Gaja são importados no Brasil pela Mistral
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quinta-feira, 13 de março de 2014 Novo Mundo | 19:41

Seis safras de três décadas de um supervinho chileno: Don Melchor

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Don Melchor 1998,1993, 1999, 2001, 2005 e 2007: uau!

Don Melchor 1988,1993, 1999, 2001, 2005 e 2007: uau!

Um vinho com história se conta através da história deste vinho. Parece um pouco óbvio, e é até fácil de demonstrar na teoria. Mas é mais difícil de provar na prática. A gigante chilena Concha y Toro, craque no marketing de seus rótulos, resolveu fazer a prova dos noves com o seu vinho ícone: o Don Melchor, e montou uma edição limitada com uma caixa com a seleção de seis safras representativas do seu tinto top de gama: 1988, 1993 (sob responsabilidade do enólogo Goetz von Gersdorff), 1999, 2001, 2005 e 2007 (sob a batuta de Enrique Tirado). São apenas 50 caixas distribuídas em cinco mercados: França, Estados Unidos, China, Chile e Brasil. Ao Brasil, um dos três principais mercados do Don Melchor, foram reservadas 12 caixas. Degustar história, no entanto, tem seu preço: R$ 5.000,00 cada caixa.

Enrique Tirado: desafio de manter a qualidade da safra

Enrique Tirado: desafio de manter a qualidade da safra

O enólogo Enrique Tirado, responsável desde 1997 por este monstro sagrado do vinho chileno, é o atual embaixador do Don Melchor e veio apresentar e comentar pessoalmente estas safras no Brasil. Mesmo que você nunca tenha provado este rótulo, certamente já ouviu falar. Por aqui o supercabernet andino tem uma legião de admiradores conquistados ao longo dos anos. São consumidores com algum conhecimento de vinho e com uma certa grana para gastar. O preço médio de uma garrafa de um Don Melchor da última safra, a 2009, sai por volta do 410 reais.

Enrique Tirado, além de manter a qualidade dos caldos que elabora, tem outra qualidade rara na fogueira das vaidades dos enólogos que se apresentam por aqui: ele jamais assume sozinho a autoria do vinho. Num mundo do “eu decidi isso, eu fiz aquilo”, Tirado conjuga na terceira pessoa – e produz um vinho de primeira. Segundo o enólogo, o Don Melchor tem uma equipe específica na Concha y Toro para cuidar do vinhedo e da adega. “A cada nova safra é um desafio manter a melhor fruta e manter a qualidade do Don Melchor”, explica Tirado. “O que procuramos sempre é a expressão do terroir, e não alguma técnica nova que possa aportar ao sabor do vinho algo que ele não tenha na sua origem”, completa.

Leia também: Os vinhos chilenos envelhecem bem? E vale apena aguardar esta evolução?

O Don Melchor é uma mescla de cortes da mesma uva cabernet sauvignon, gerado em diferentes parcelas de um mesmo vinhedo de Puente Alto, no Vale do Maipo, ao sul da capital Santiago, aos pés da Cordilheira dos Andes. Cada uma das sete parcelas contribui com algum elemento para o vinho: mais ou menos fruta vermelha, negra, especiarias, acidez taninos macios, suaves, etc. Os127 hectares de vinhedos têm em média 28 anos de idade e além do predomínio da cabernet sauvignon, a espinha dorsal do Don Melchor, também há espaço para uma pequena parcela da cabernet franc e da merlot, que eventualmente participam da composição do Don Melchor, mas em quantidades reduzidas.

Antes de chegar às prateleiras, o Don Melchor fica estagiando de 12 a 14 meses em barricas francesas de primeiro uso (70%) e segundo uso (30%). Depois ainda fica descansando mais um ano e meio na garrafa.

Uma prova vertical, isto é, o mesmo vinho de safras diferentes, é sempre uma experiência sensorial e didática sublime. Ela mostra a evolução do vinho, traduz os efeitos do clima de cada ano no resultado do caldo e a mão do enólogo na condução do resultado final.

Tive o privilégio de provar as seis safras que definem as três décadas do Don Melchor, que teve no total 23 rótulos lançados no mercado até agora. São elas que compõem esta caixa comemorativa. Três décadas não de vinhos, mas vinhos de três décadas diferentes,é bom explicar. Afinal a primeira safra é de 1987, mas como já disse aqui os caras são bons de marketing; o importante é colocar o passado em evidêndia para ajudar a vender o presente, e perpetuar o futuro.

Aqui vão minhas impressões:

Don Melchor 1999: o vinho evolui melhor que o homem,,,

Don Melchor 1999: o vinho evolui melhor que o homem…

A safra de 1988, a mais velhinha de todas, está inteiraça. Uma boa acidez e taninos ainda presentes asseguram sua sobrevivência por mais algum tempo. É precisa apreciar vinhos mais evoluídos, em que aquela fruta ampla é substituída por elementos mais terrosos, um toque de vermute, outro um pouco trufado, aquelas sensações do vinho do porto, um pouco mais contemplativo. Em 1993 a evolução também está presente, misturando os aromas de evolução a uma fruta madura, confitada, que permance no final longo que o vinho proporciona. É complexo e fino, um toque amentolado. Agrada muito, meu segundo preferido. 1999 para mim é a melhor safra da caixa. Enrique Tirado conta que havia uma certa desconfiança da evolução deste ano (apenas ele apostava que se transformaria em um grande vinho), mas a cada ano que passa o caldo se revela mais importante. Ele tem aquilo que os especialistas chamam de aromas terciários (fruto da evolução na garrafa) bem nítidos: couro, caixa de charuto, terra molhada, uma geleia de frutas sensacional e um final que te acompanha por alguns segundos preciosos. Daquele tipo que permite fungadas no vinho quando dele só restou aquele fundinho na taça. Mistura a satisfação de já ter provado o caldo com a permanência dos aromas na taça e uma vontade de repetir a experiência. Fantástica prova da capacidade de evolução de um vinho chileno, da potencialidade da cabernet sauvignon do Chile. Bravo! O enólogo Enrique Tirado enalteceu a elegância da garrafa de 2001, também sua cria, mas foi a que menos me agradou, me pareceu um tinto mais austero, sem as evoluções dos seus colegas veteranos e nem a fruta soberba dos seus parceiros mais novos. Depois de um tempo notas bem reconhecíveis de chocolate invadiram a taça, o que mereceu um novo gole. 2005 é um grande vinho, tem um ataque mais doce, potência, gordo, as frutas em compota, bons taninos, macio, maduro, um vinho pronto e que merece aguardar também para acompanhar sua evolução. Dos mais novos foi meu preferido. Por fim 2007. Aí é preciso uma observação final: se a degustação horizontal permite uma avaliação cronológica do vinho, acaba por vezes prejudicando as safras mais recentes, que se provadas em separado iriam agradar também, até por sua jovialidade, pela fruta bem expressiva, doce, um vinho macio e menos complicado, mas de muita presença na boca. Quando comparadas às safras anteriores perde um pouco o seu brilho, pois não se encontra ali as benesses (quando tudo vai bem) do tempo. Enfim, 2007 é uma delícia de vinho pronto; parece que tem um potencial de guarda que vai deixá-lo mais bacana ainda.

Leia também: Você conhece vinho argentino? Um passeio pelas regiões vinícolas da Argentina

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 Novo Mundo | 12:48

Você conhece vinho argentino? Um passeio pelas regiões vinícolas da Argentina

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Finca Cruz del Alto

Vinhedos da Finca Cruz del Alto, da Bodega Trivento: malbec legendada e cordilheira ao fundo

 Você toma vinho argentino, não? Deve tomar. 20,21% do vinho importado que entra no Brasil vem do nosso vizinho mais ao sul da América de mesma latitude. No copo, pelo menos, nos entendemos. Mas será que você conhece mesmo o vinho argentino? Você já ouviu falar das regiões de Cafayate, Salta, Patagônia, Vale de Uco, Luján de Cuyo, San Juan ou apenas ouviu falar de Mendoza. Ou nem isso?

A maioria das garrafas que chegam ao Brasil são provenientes da região de Mendoza e San Juan, responsáveis por 90% da produção do país (201,441 hectares de vinhedos, para ser mais preciso). Mas há duas outras regiões que produzem tintos e brancos que merecem ser conhecidas: a distante Patagônia, mais ao sul, e a quase boliviana Salta/Cafayate (pronúncia-se Cafajate), localizada mais ao norte. E você pode se perguntar. E qual a importância deste momento Wikipedia para eu continuar desfrutando meu vinhozinho argentino?

Leia também Qual o melhor vinho argentino? Concurso escolhe os melhores rótulos em diferentes faixas de preço

Bom, conhecimento não ocupa espaço, como dizia minha mãe, e o pai dela. E conhecimento alarga nossa visão das coisas e nos amplia a possibilidade de conhecer novos vinhos da Argentina e talvez entender os já conhecidos. Há uma geração de apreciadores de vinho que se iniciou com tintos argentinos e chilenos, e muitos consumidores que apenas bebem vinhos importados destes países. As razões são conhecidas. O  principal argumento é o preço, obtido graças ao acordo tarifário do Mercosul que dá uma livrada na cara da montanha de impostos que incidem sobre a bebida importada. O outro argumento é que o vinho argentino caiu no gosto do brasileiro.

Sebastian Zuccardi e quinze tipos diferentes de malbecs: "É preciso comunicar o lugar"

Sebastián Zuccardi entre quinze tipos diferentes de malbec: “É preciso comunicar o lugar”

Eu achei que conhecia bastante vinho argentino, afinal sou de uma geração que se iniciou com os mesmos tintos argentinos e chilenos que o resto dos brasileiros apreciam. Mas a visita que fiz recentemente à Argentina mostrou na prática o que parece óbvio. As diversas regiões têm características diferentes que agregam sabores específicos para os vinhos produzidos. Afinal, são quilômetros que separam os terrenos, as diferentes altitudes, os climas e as diversas composições do solo. E mesmo dentro das regiões há estilos diferentes. O jovem enólogo Sebastián Zuccardi é um defensor do terroir argentino e de como ele influencia o sabor de um vinho. Para ele, mais importante que a varietal (tipo de uva) é a zona em que ele é cultivado. “A Argentina precisa comunicar o lugar”, defende. Mas nós costumamos uniformizar: é um malbec argentino. Esta é uma lição da viagem na taça. São diferentes.

Leia também: A Argentina não é só malbec. Mas é malbec também

Isso não significa que todo vinho argentino é bom, que alguns vícios do passado estejam totalmente ultrapassados (como vinhos carregados de madeira, desiquilibrados ou mesmo maquiados para atender expectativas do mercado internacional) ou que não existam verdadeiras zurrapas de preço baixo que são empurradas para o mercado brasileiro. Por isso mesmo um pouco mais de conhecimento ajuda na escolha da garrafa. A visita mostrou um cenário de constante evolução e profissionalismo da indústria, a riqueza das diversas regiões e uma boa estrutura ao enoturismo. Contra as ideias preconcebidas – devido ao sucesso de vendas o tinto argentino merece com frequência um ar de desdém por parte dos especialistas e crítica –  nada melhor que o conhecimento.

Argentina, um raio-X

A Argentina tem um consumo per capita de 25 litros por ano, já foi de 90 litros, imagine só. Para efeito de comparação, no Brasil são 2,0 litros per capita. O país consome cerca de 70% de sua produção e exporta entre 25 a 30%. É o oitavo maior produtor do mundo e também o oitavo país em superfície cultivada (mais de 217.750 hectares). Algumas características comuns influenciam e diferenciam a qualidade dos vinhos:

– altitude elevada dos vinhedos

– baixa fertilidade do solo

– baixo índice pluviométrico

– clima continental (sem influência do mar, do contrário do Chile, por exemplo)

– pureza da água (abastecida pela Cordilheira dos Andes)

– e até uma cultuta interna do vinho, que mantém um mercado interno aquecido.

Leia também: O vinho do papa Francisco é ou deveria ser Bonarda

As variedades tintas representam 52,31% da produção e as brancas 20,89%. São 1301 bodegas fermentando uva e engarrafando vinhos.

Principais uvas por volume de cultivo:

Tintas

Malbec 31,71%

Bonarda 17,42%

CabernetSauvignon 15,15%

Syrah 12,12%

Merlot 5,82%

Tempranillo 5,85%

Sangiovese 1,83%

Pinot Noir 1,76%

Outras 6,53%

 

Brancas

Pedro Gimenez  28,04%

Torrontés Riojano 18, 36%

Chardonnay 15,16%

Chenin 5, 68%

Torrontés Sanjuanino 4,78%

Sauvigon Blanc 5,39%

Semillon 1,97%

Vioginer 0,9%

Outras 18,70%

Vinhedos da Lagarde em XX, Mendoza

Terraço dn casa da Bodega Lagarde, em Luján de Cuyo: vista para as cordilheiras e para os vinhedos

Regiões – Mendoza

Mendoza é uma região que vive da fama de seus vinhedos. Diga lá que cidade do mundo tem vinhedos plantados no estacionamento do aeroporto? O município é tomado por ruas largas e arborizadas e grandes praças. 80% da produção de vinhos da Argentina está concentrada em seus vales, limítrofes à Cordilheira dos Andes. Toda a região que produz vinho é donominada de Cuyo, – engloba Mendoza, San Juan e La Rioja. Cuyo significa, no idioma Huarpe Mikayac. país dos desertos (eu tenho uma tese, estas línguas indígenas tanto na Argentina como no Chile só servem para nomear regiões e rótulos de vinho, dando uma pegada de origem e mistério na coisa toda). E a terra é árida mesmo, o que é bom para o vinhedo, irrigado pela água que desce das geleiras, que é fortemente controlada pelo governo. A propósito, o ideal para a planta, segundo nos explicou Carlos Tizio, gerente geral do Clos de Los Siete, não é o estresse pela escassez de água, mas pelo déficit. Traduzindo, não dê 100% da água que a planta precisa, mas uns 50 a 60%, assim ela busca os demais nutrientes no solo, equilibra seu crescimento e mantém a qualidade das uvas produzidas. Os vinhedos estão em altitudes médias de 1.000 metros acima do nível do mar.

Quase todas as variedades de uva são plantadas aqui. Mendoza ainda se divide em cinco zonas: Norte, Leste, Centro, Sul e Vale de Uco. Luján de Cuyo, localizada no Centro,  é conhecida como a “La Tierra del Malbec” e junto com Maipú é a região vitivinícola mais tradicional de Mendoza. São tintos mais estruturados, com frutas bem maduras, floral, com bom volume em boca e taninos macios. Mas também há produção de bons bonardas e de cabernets sauvignon muito interessantes. O corte bordalês costuma ser usado nos rótulos top de gama. Curioso. Mesmo as vinícolas com grande expressão em malbec quando vão elaborar o seu vinho ícone costumam preferir vinhos de corte. Perguntei a razão para um enólogo que preferiu responder sem ser identificado: “O vinho de corte é um trabalho do enólogo, que pode escolher as melhores variedades produzidas naquele ano em seu vinhedo”. Até aí nenhuma novidade. Mas por que não a malbec 100%, insisti? “Talvez por que  por que a malbec não seja ‘a melhor uva’ argentina, mas sim a que melhor representa o país”. Claro que há rótulos de altíssima gama apenas da varietal malbec, e com exclentes resultados, mas é mais comum encontrar os ícones com a malbec acompanhada de cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc…

As vinícolas mais conhecidas, aquelas que você esbarra no supermercado e na carta dos restaurantes, estão espalhadas pela região. Nomes como Achaval Ferrer, Terrazas, Finca Flichman, Luigi Bosca, Pascual Toso, Lagarde, Salentein, Catena Zapata, Alta Vista, Alto Las Hormigas, Septima, Argento, Escoruhiela Gastón, Clos de los 7, Doña Paula, Dominio del Plata, La Celia, Kaiken, Chamiza, Rutinni, Nieto Senetiner, Navarro Correas, Norton, O Fornier, Pulenta, Ruca Malen, Trapiche, Trivento, Zuccardi. Além desses as menos conhecidas, mas de excelente qualidade,  como DiamAndes, Ricitteli, Casarena, Finca El Origen, Funckenhausen, Bodega Vistalba, Otaviano, Renacer, Serrera Wines, Durigutti e Hacienda del Plata, algumas sem importador no Brasil.

Cuyo é a maior região vitivinícola da América do Sul. Apenas para ilustrar o gigantismo da operação: a Santa Ana, pertencente ao grupo PeñaFlor, conta com mais de 50 enólogos em sua equipe, 1500 rótulos diferentes e produz mais de 150 milhões de litros de vinho por ano – 6 milhões de caixas apenas do rótulo Santa Ana. Um assombro. Aqui etambém stão concentrados grandes investimentos internacionais – é onde Michel Rolland tem seus vinhedos junto com outros seis proprietários franceses, no projeto Clos de los 7.

Quebrada das Conchas

Marte? Velho Oeste ? Não, Quebrada de las Conchas, na Ruta 68, que liga Salta a Cafayate: a força da natureza

Regiões – Salta/Cafayate

Para chegar até a região de Cafayate, onde está concentrada 70% da producão local de vinhos (pouco mais de 2.500 hectares), o viajante pega a sinuosa Ruta 68, passando pela deslumbrante Reserva Natural de Quebrada de las Conchas. É nada mais do que lindo! A natureza esculpiu lentamente, em milhões de anos, formas que lembram bichos, catedrais, castelos e barcos entre as montanhas de rochas que dominam o cenário. As diferentes formações geológicas tingem de verde, marrom, vermelho, branco e suas nuances multicoloridas as montanhas de pedras. É uma prova inquestionável de que o tempo da terra é diferente do tempo dos homens.

150 anos

Planta de 152 anos e ainda produzindo: raridade

Este cenário antecede a visita aos vinhedos de altitude da região de Cafayate. As parreiras estão localizadas entre 1.500 e 3.000 metros sobre o nível do mar (a região vitivinícola mais alta do mundo). A chuva é rara, 200 milímetros por ano. A colheita na região é realizada uma semana antes do que em Mendoza. Os vinhos têm uma ótima acidez e são mais amigáveis. A branca torrontés produz vinhos mais sutis e menos exibidos na região. Os tintos são mais intensos pois o sol, mais próximo pela altitude, faz com que as frutas engrossem as cascas para proteger as sementes, e como se sabe é nas cascas que se concentram aromas, cor e outros elementos dos tintos. Além do malbec vale conhecer seus cabernet sauvignon e cabernet franc. Uma curiosidade para enófilos de carterinha: na Finca de La Merced, na Bodega Etchart, parreiras de 150 anos ainda produzem uvas da variedade criolla e torrontés. Principais bodegas: Colomé, El Esteco, Amalaya, El Porvenir, Etchart, Michel Torino, Tukma, San Pedro de Yacochuya.

 

 

Regiões – Patagônia

É inacreditável imaginar que no meio daquele deserto cresçam plantas que resultem vinhos tão elegantes. Se Salta possui os vinhedos mais altos do mundo, a Patagônia exibe os vinhedos mais ao sul do planeta, no paralelo 39. Ao contrário das regiões de Salta e Mendoza, seus vinhedos estão entre 300 e 500 metros do nível do mar, proporcionando uma maturação mais prolongada das uvas. Em termos quantitativos, é quase um dedal de vinho comparado às outras regiões. A Patagônia é responsável apenas por 1,69% da area vitivinícola da Argentina.

 

Bodega del Desierto: não é apenas uma força de expressão

Bodega del Desierto: deserto não é apenas uma força de expressão

Por conta de suas condicões climáticas, dos ventos frequentes, baixa umidade e ampla diferença térmica entre dia e noite (algo como 20 graus) na época da maturação das uvas, o nível de acidez que se obtém é alto, com permite um bom potencial de guarda. O baixo rendimento dos cachos de uva impõe a produção de vinhos de qualidade. Inicialmente a região ficou marcada pelos pinot noir especiais, muito elegantes, de ótimo final de boca (o exemplo mais conhecido é o Chacra) e por um sauvignon blanc delicado. Mas há um enorme potencial também para um malbec mais fino, sem tanta extração, mais sutil nos aromas e paladar e com uma fruta que enche a boca.  As principais vinícolas são Bodega del Desierto, Familia Schroeder, Humberto Canale, Bodega del Fin del Mundo, NQN, Noemia, Bodegas Chacra

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzidos neste post sobre os vinhos argentinos.

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 Velho Mundo | 19:28

Galvão Bueno também torce para a Itália! Pode isso, Arnaldo?

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Roberto Cipresso e Galvão Bueno no lançamento do Brunello di Montalcino: bem amigos.

Roberto Cipresso e Galvão Bueno no lançamento do Brunello di Montalcino da dupla: bem amigos.

É isso mesmo o que você leu no título. O jornalista e locutor esportivo da TV Globo Galvão Bueno também torce para a Itália! Pelo menos quando o assunto é o vinho… Sua faceta de produtor de vinho nacional já era conhecida. É sócio do Grupo Miolo e proprietário (também com a Miolo) da Bueno Wines, com vinhedos na região do Seival, na Campanha Gaúcha, onde produz os rótulos Bueno Paralelo 31, o Bueno Couvée Prestige, e os Bueno Bellavista Pinot Noir e Sauvigon Blanc.

Nesta terça, dia 25 de fevereiro, uma nova parceria foi apresentada ao mercado, agora com o italiano Roberto Cipresso, que elabora Brunellos di Montalcino na região de mesmo nome na Toscana com o rótulo Bueno-Cipresso. “Eu sempre fui um vendedor. Já vendi de tudo, até enciclopédias. Há 40 anos vendo a emoção no esporte. Agora eu também vendo a paixão pelo vinho”. É o estilo Galvão de ser. E pode apostar que está realizado com o empreendimento.

Leia também: Bem, amigos, agora Galvão Bueno também é vinho

Leia também #enche a taça Galvão 

Roberto Cipresso é proprietário da empresa WineMaking, um estudioso e consultor em vinícolas na Itália e no exterior. Ele é palpiteiro da prestigiada bodega argentina Achaval Ferrer, por exemplo, e em mais sete países. Agora Cipresso incorpora na sua lista de clientes também o cargo de diretor técnico da Bueno Bellavista Estate, no Brasil. “É um projeto de um grande vinho que reúne grandes pessoas”, anunciou Adriano Miolo, diretor da Miolo Wine Group e sócio de Galvão.

Adriano Miolo: sócio de Galvão Bueno no mundo do vinho

Adriano Miolo, sócio de Galvão Bueno, prova o Brunello di Montalcino 2005

Premiadíssimo e reconhecido como um craque de Brunello, Cipresso também produz seus caldos na vinícola Poggio al Sole e La Fiorita, e agora estes rótulos da Bueno-Cipresso. “Sou uma pessoa de sorte. Faço aquilo que eu gosto”, enfatizou com uma taça do seu Riserva nas mãos. “A sangiovese é um ator extraordinário. Espero poder contribuir para sua expressão no vinho”

Um Brunello di Montalcino não é um vinho fácil. É um tinto longevo, de guarda. Obedece regras estritas da sua DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) de envelhecimento e tempo de garrafa antes de ser lançado ao mercado. São dois anos de barrica e dois de garrafa antes de o produtor começar a ver a cor do dinheiro. A uva é a sangiovese grosso e tem no DNA a alma do vinho italiano que é sua acidez natural (que junto do tanino é a fórmula para a longa vida na garrafa). A linha Riserva exige 3 anos de barrica e 3 de garrafa antes de ser lançada no mercado.

Além disso, é um vinho de terroir, o que na concepção de Cipresso obriga que as safras sejam diferentes a cada ano e que o homem, no caso o enólogo (ele próprio), respeite a fruta que a natureza gestou na elaboração do caldo.

É um vinho que não segue muito a tendência internacional de consumo imediato: exige mais tempo ainda de garrafa na adega. Aí sim ele desenvolve e entrega sua melhores notas terrosas, de frutas maduras e aromas balsâmicos e os taninos vão se afinando e amaciando. “São vinhos que estou fazendo para deixar para o meu filho mais novo, o Luca, e para os meus netos”, explicou  Galvão Bueno.

Os vinhos

IMG_2592Neste momento estão sendo lançados três rótulos no mercado. São produzidas 15.000 garrafas ao ano. Destas 5.000 chegaram ao Brasil. Quatro mil dos brunellos das safras 2007 e 2005 e 1.000 da linha riserva. Mais que qualquer avaliação que se possa fazer destes vinhos – são expressivos, bem-feitos e com aquele preço de altíssima gama – existe uma bandeira que é a de uma personalidade como Galvão Bueno atuando como embaixador de um mercado difícil no Brasil que é do vinho. Tanto no vinho nacional como do importado.

  • Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2007

2 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 3 anos de garrafa)

Preço: R$ 350,00

Ainda é bem novo, mais duro, melhor se ficar boiando um pouco na taça. A acidez é mais pronunciada, toque leve balsâmico. Melhor segurar  na adega.

  •  Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2005

2 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 6 anos de garrafa)

Preço: R$ 350,00

Já está mais crescidinho, já é quase um hominho, os taninos mais macios, tem umas ervas pronunciadas, a fruta madura vai evoluindo na taça, tem um toque terroso que sempre me agrada nestes vinhos.

  • Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino Riserva 2004

3 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 6 anos de garrafa)

Preço: não está definido ainda, mas deve girar em torno de R$ 500,00

O Riserva não é produzido em toda safra. Vinho de um ano quente, mostra muitas ervas no nariz, uma fruta madura fina, a acidez está lá bem ampla mas com uma estrutura bem equilibrada. Vai crescendo na taça. Vinho para poucos e para ocasiões raras.

 

 

 

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014 Degustação, Novo Mundo, ViG | 12:50

Qual o melhor vinho argentino? Concurso escolhe os melhores rótulos em diferentes faixas de preços

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18 jurados provaram 650 vinhos e usaram este ficha para escolher os melhores rótulos da Argentina

18 jurados provaram 650 vinhos e usaram este ficha para escolher os melhores rótulos da Argentina

Qual o melhor vinho argentino? Para tentar responder esta questão a Wines of Argentina, entidade que promove o vinho no país, realiza há 8 anos o concurso Argentina Wine Awards (AWA), que distribui medalhas de ouro, prata e bronze e trofeus dos melhores rótulos em várias categorias. É a premiação mais importante dos vinhos da Argentina, comemorada como um Oscar pelos produtores e uma baita ferramenta de marketing e qualificação do vinho – e claro uma oportunidade para vender mais garrafas e destacar os rótulos em outros concursos internacionais, publicações especializadas e incrementar a discussão nas redes sociais. Parafraseando a  vitoriosa campanha de Bill Clinton à presidência dos Estados Unidos: “É a divulgação, estúpido”!

Todos os anos são convidados jurados internacionais de alguma categoria ligada ao mundo do vinho. Isso dá musculatura, credibilidade e repercussão ao evento. Já fizeram parte desta comissão de notáveis, sommeliers, produtores e especialistas. Em 2014 foram os jornalistas especializados de 9 países que beberam e cuspiram mais de 650 amostras para definir as melhores do ano. O slogan explicitava o espírito da coisa, eram os “Heavyweight journalists in the ring”, algo como os jornalistas peso-pesados no ringue. Entre o time dos jurados destaques para o inglês Steven Spurrier (que a propósito não deve mais aguentar concursos, mas leva uma boa grana para abrilhantá-los com sua experiência), o chileno Patricio Tapia, o americano Bruce Schoenfeld, o especialista de Cingapura Tommy Lam, o sommelier sueco Andreas Larson e o chinês Demei Li. O Brasil, importante mercado para os vinhos argentinos, estava representado pelos jornalistas Jorge Lucki, do Valor Econômico, e Suzana Barelli, da revista Menu. Jornalistas e colunistas de vinho de vários países também são convidados para acompanhar a premiação e o seminário que antecede a entrega das medalhas (entre eles este colunista que vos escreve, ver declaração abaixo). Não são bobos estes argentinos…

Leia também: A Argentina não é só malbec. Mas é malbec também

Como funciona o concurso

São doze jurados internacionais e 6 nativos, divididos em seis grupos de três componentes, sempre composto de dois convidados internacionais e um representante argentino. Importante ressaltar que este elemento fã do Maradona e do Messi nunca degusta rótulos que tenha alguma ligação comercial ou tenha sido feito em sua bodega, pois seria fácil reconhecer seu vinho e dar uma forcinha na premiação. São 20 categorias por variedade de uva, e cinco diferentes faixas de preço (em dólar), e finalmente região. É uma divisão importante, pois compara laranja com laranja (no caso uva com uva), pois o maior problema de alguns concursos é colocar no mesmo cesto vinhos de 15 dólares e de mais de 50 dólares e julgar tudo junto. Mas atenção, este não é o preço no Brasil!

Para definir os prêmios mais importantes, chamados de Trophy, os doze jurados se reúnem para experimentar mais uma vez os vinhos condecorados previamente com o ouro e assim definem o campeão dos campeões em cada categoria.

Leia também: O vinho do papa Francisco é ou deveria ser Bonarda

A lista de premiados não é pequena (não são bobos estes argentinos…) Das mais de 650 amostras apenas 50 rótulos não mereceram medalhas. A distribuição de prêmios foi a seguinte: 58 ouros, 256 prata, 276 bronze e finalmente os 12 trophies e os destaques de quatro regiões produtoras (Norte, Mendoza, San Juan e Patagônia). A Argentina trabalha fortemente na divulgação das diferentes regiões vinícolas, algo importante, pois assim como não existe vinho francês, mas de alguma região da França, não existe um vinho argentino, mas uma diversidade de regiões – um tema para desenvolver em um próximo post.

The winer is…

Entre os escolhidos há representantes de várias tendências, dos vinhos orgânicos às marcas tradicionais; dos tintos de muita extração e musculatura às experiências de jovens enólogos que privilegiam a fruta e a inovação. Abaixo, estão os vinhos que levaram um Trophy para chamar de seu e grudar o selo na garrafa. Este colunista teve o privilégio de provar vários destes rótulos no dia seguinte à divulgação dos vencedores e mesmo sem a menor competência para julgar o que já foi julgado por gente muito mais qualificada, escolho as minhas preferências com o ViG (Vinho indicado pelo Gerosa).

Trophies – os melhores vinhos da Argentina segundo a AWA 2014

Espumantes – método tradicional

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Zuccardi Blanc de Blancs 2007- Familia Zuccardi

Importado pela Ravin

Torrontés

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Colomé Torrontés 2013- Bodega Colomé

Importado pela Decanter

 Cabernet franc

selo-vinnho-betofaixa de preço  entre 20.00 e 29.99 dólares

Numina Cabernet Franc 2011- Bodegas Salentein SA

Importado pela Zahil

acima de 50.00 dólares

Andeluna Pasionado Cabernet Franc 2010- Andeluna Cellars Srl

Importado pela World Wine

Cabernet sauvignon

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Bramare Lujan de Cuyo Cabernet Sauvignon 2011-Viña Cobos SA

Importado pela Grand Cru

Malbec

selo-vinnho-beto faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Es Vino Reserve Malbec 2012- Es Vino Wines

Ainda sem importadora no Brasil

faixa de preço entre 20.00  e 29.99 dólares

Alta Vista Terroir Selection Malbec 2011- La Casa del Rey SA- Alta Vista

Importado pela Épice

selo-vinnho-betofaixa de preço entre 30.00  e 49.99 dólares

Vineyard Selection Malbec 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

selo-vinnho-betofaixa de preço acima de 50.00 dólares

Republica del Malbec – Blend de Terroirs 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

Blends de tintos

faixa de preço entre 13.00  e 19.99 dólares

Paz Blend 2012- Finca Las Moras

Importado pela Decanter

 

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Field Blend 2011- Zorzal Wines

Importado pela Grand Cru

selo-vinnho-beto acima de 50.00 dólares

Decero Amano, Remolinos Vineyard 2011- Finca Decero

 

 

Medalhas por região

Mendoza

Lindaflor Malbec 2009, Monteviejo

Norte

selo-vinnho-betoSerie Fincas Notables Malbec 2011, Bodega El Esteco

Importado pela Bruck

 

 

San Juan

Paz Blend 2012, Finca Las Moras

Importado pela Decanter

Patagônia

selo-vinnho-beto Fin Single Vineyard Cabernet Franc 2010, Bodega del Fin Del Mundo

Importado pela Mr Man

 

 

O que dizem os jurados sobre vinho argentino e seu mercado

A AWA convida jurados de vários países também por outros motivos: está ávida por informação dos mercados internacionais e por uma avaliação de seus vinhos de gente que bebe tintos, brancos e espumantes de todas as regiões do mundo. Na Argentina, como em todo país produtor, praticamente só se bebe vinho local (e por um preço de dar inveja a nós brasileiros). Um painel com este time trouxe informações valiosas.

• o chinês Demi Li, enólogo e professor, alertou para a complexidade do mercado de seu país de proporções continentais, com números que sempre iniciam na casa do bilhão de qualquer coisa. Com gente saindo pelo ladrão, e um potencial imenso, recomendou a simplificação da imagem para o consumidor chinês. Por exemplo, recomendou evitar muitos descritivos do vinho. Disse que o conceito de harmonização é algo que passa longe da realidade do consumidor chinês (e de praticamente todo habitante deste planeta, com execeção, talvez,  de você que me lê e dos homens que cospem vinho). Para exemplificar sua tese mostrou um slide com a imagem de uma refeição típica de uma das regiões do país com inúmeros pratos  diferentes e desafiou” “Vocês conseguem propor alguma hormonização com isso”? Outro dado curioso, que desmente a imagem do consumidor que mistura vinho com coca-cola: o chinês não gosta de vinho doce, e aprecia o branco.

• O americano Bruce Schoenfeld, editor de Travel+Leisure,  e colaborador de  publicações, como Wine Spectator, serviu à plateia um chardonnay de Washignton, EUA, e comentou: “Este vinho é ótimo, mas não copiem, nós já temos isso nos Estados Unidos. O melhor vinho não vem do marketing, mas de sua identidade”.

• O brasileiro Jorge Lucki deu um banho de realidade sobre a  atual situação do mercado brasileiro de consumo de vinho apresentando duas visões, o copo meio cheio, que é o potencial de consumo a ser explorado – o consumo per capita de vinho no Brasil ainda é baixo, de 2 litros per capita por ano, contra 25 da Argentina, por exemplo-, o conhecimento de uma pequena elite sobre os vinhos do topo da pirâmide (cada vez mais adiquiridos em viagens ao exterior); e o copo meio vazio, mostrando uma tabela com a carga tributária imensa que eleva o preço do vinho naquele patamar que todos conhecemos bem, ou seja sete vezes mais caro que o valor que ele sai do país de origem, a queda de consumo em restaurantes, e a enorme concorrência com rótulos de todo o mundo. E fez um alerta aos produtores presentes: “Não fechem negócio com importadoras novas e sem experiência”. É, o Brasil não é para amadores!

leia também: Chile e Argentina dominam o mercado de importação de vinhos no Brasil

• O sommelier Andreas Larsson, que além de ostentar o título de melhor sommelier da Europa também colabora para publicações especializadas, pôs o dedo na ferida e condenou a estratégia de apostar somente na varietal malbec como a identidade argentina. “Sem querer tirar o mérito da malbec, provei blends muito mais ricos e importantes”.

• Steven Spurrier nadou contra a corrente dos críticos que reclamam muito dos vinhos alcoólicos. Para ele assim como na Califórnia, o álcool elevado é uma característica do vinho argentino: “Não me preocupo com o álcool. O equilíbrio do vinho é que é o fundamental”

• Na explanação mais midiiatica e animadinha do dia, o representante de Cingapura Tommy Lam, que combina um coque beatnik no cabelo com um terno e gravata formal, levantou a bola da branca nativa torrontés como o vinho ideal para a comida asiática e com um identidade que deveria ser melhor trabalhada  pelos produtores assim como faz a riesling alemã.

Cabernet Franc

Uma unanimidade entre os paladares dos jurados ali reunidos: a uva cabernet franc surpreendeu por sua qualidade. Patricio Tapia, editor do importante guia Descorchados de vinhos do Chile e Argentina foi mais explícito: “Prestem atenção. Algo se passa com a cabernet franc da Argentina!” Esta variedade recebeu a medalha virtual “aposta do futuro”, se existisse esta categoria, Opinião que este vos escreve assina  embaixo (escreverei um post sobre o assunto em breve, comentando os cabernet franc degustados. Não morram de catapora de ansiedade!).

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzidos neste post sobre os vinhos argentinos.

 

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terça-feira, 28 de janeiro de 2014 Brancos, Espumantes, Rosé | 12:19

Beber vinho com este calor? Sim: espumantes, brancos, rosés e tintos leves

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Este é o cenário ideal: vai um vinho para acompanhar?

Este é o cenário ideal: vai um vinho para acompanhar?

 Vamos combinar, com esta canícula que estava fazendo lá fora, um calor de rachar mamona, o vinho não é a primeira idéia de bebida alcoólica que vem à cabeça. É a cerveja estupidamente gelada, a caipirinha de frutas. Não é comum se ouvir por aí: “Estou louco para sair do escritório e bebericar um sauvignon blanc”, ou “meu sonho agora é estar na praia secando uma garrafa de espumante” e nem o delírio mais gay pressupõe uma vontade louca de “me acabar com várias taças de um rosé gelado”.

Mas que saber? Todas as opções acima são pra lá de válidas. E cabe até um tinto nesta lista. São bebidas que cumprem a função de refrescar o dia, provocar acidez na boca, dar uma sensação de fruta ampla e leve, e principalmente acompanhar uma refeição com leveza e elegância ou um bate-papo descontraído com uma bebida idem.

Espumantes, brancos, rosés, tintos: opções é o que não faltam

Espumantes, brancos, rosés, tintos: opções é o que não faltam

Todo verão que estou na praia um hábito que sempre provoca pescoços torcidos e um toque de curiosidade é quando carrego para a areia um baldinho de gelo com uma bela garrafa de espumante nacional. Taças de plástico coloridas no formato correto dão um ar alegre e preservam a espuma. Está preparada a festa! O estampido seco da rolha sendo liberada e aquela espuma que sobe ao ser despejada da garrafa causam uma certa inveja. Alguns olham com muxoxo para sua lata de cerveja de sempre, outros cutucam o parceiro(a) para novidade. Não passa despercebido.

Uma deliciosa lembrança de um período de férias passado em Arraial da Ajuda, no sul da Bahia. Caminhada pela praia, o calor que se imagina. Resolvemos estacionar o esqueleto escaldado em um bar de hotel que oferecia um quiosque coberto e avançando sobre a praia. Pedimos um Chandon que veio triscando, na temperatura certa e conservado em um balde de gelo. Uma porção de iscas de peixe acompanhava a bebida. A felicidade estava repleta de borbulhas e nenhum outra bebida traria maior prazer. O espumante, com certeza, é a opção número 1, 2 e 3 para o verão.

Um belo sauvignon blanc lentamente apreciado, acompanhando o passar do dia, ou como parceiro de um peixe grelhado já é uma boa pedida no mundo dos brancos. Delicado e elegante se for um exemplar do Loire, cítrico e com toque de maracujá, se o rótulo for do Mercosul, ou com um toque de grama, da longínqua Nova Zelândia. Um alvarinho ou albarinho, com sua acidez cortante enfrentando os calores dos trópicos também vai bem. A vignoier, cultivada na frança e no novo mundo, faz uma presença mais floral. Há quem se restabeleça com a torrontés argentina,  indicada para paladares mais doces. No cair da tarde um chardonnay mais mineral da região de chablis, na França, ou orgânicos da região de Casablanca, no Chile, ou mesmo os bons exemplares de Santa Catarina. Para aqueles que preferem um chardonnay mais potente, com notas de frutas tropicais doces, mel, baunilha e toque de madeira, alguns rótulos de Mendoza, na Argentina, dos Estados Unidos, Austrália, de outras regiões do Chile ou da Sicília, na Itália. Os portugueses contribuem com outro branco com mais textura, ideal para peixes mais gordurosos, como o antao vaz.

Os rosés ocupam um lugar de destaque no verão. É refrescante até de olhar. Como já foi escrito aqui, o rosé é o vinho com a cor do por-do-sol. Não precisa dizer mais nada. Gastronômico por definição e charmoso pela coloração é o vinho ideal para aperitivos, almoço na praia, para descontrair o cardápio executivo da cidade que derrete no aslfalto. As opções óbvias da Provence, elegantes e de cor mais discreta, lembrando uma casca de cebola, da região do Rhone, ainda na França, do Chile, um pouco ais frutados e potentes, da Argentina com a mesma pegada. Algumas boas opções nacionais e outras do Alentejo, Portugal, são rosés de climas quentes.

Para finalizar, tintos mais leves, por que não? Conservados em uma temperatura mais elevada – mantenha resfriado num balde com água fresca – cumprem o seu papel. Menos alcoólicos, mais ligeiros, frutados, podem ajudar e enfrentar os dias de sol. O Beaujolais, elaborado coma uva gamay, é a indicação com menor possibilidade de erro. No Brasil o Beaujolais Noveau chega com um preço meio proibitivo, uma pena. Mas alguns Beaujolais Village, da região do Rhone, são possíveis. Duas das grandes produtoras nacionais, a Miolo e a Salton têm em sua linha gamays bem-feitos e honestos. Da Itália, os barberas, com boa acidez, pouca poténcia e muita fruta são indicados também. E por que não abrir um espaço para um excitante pinot noir, que deve ser servido mais fresco, mas não gelado! De cor mais clara e maior elegância é uma uva de diferentes matizes de acordo com sua região. Para o verão, os pinot genéricos da Borgonha, que não assaltam seu bolso, os corretos pinot do Chile, de Casablanca e San Antonio, que estão ficando cada vez mais elegantes, bons exemplares da Patagônia, na Argentina, excelentes exemplares da Nova Zelândia e da África do Sul que também chegam com um preço mais competitivo.

Pensando bem, opção é o que não falta. Não acho que os personagens fictícios do primeiro parágrafo vão trocar a cerveja e a caipirinha pelas alternativas de vinho sugeridas, mas aqueles que sabem experimentar e variar não enfrentarão dificuldades.

E aí, vai um vinho para refrescar neste calor?

 

 

 

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014 Blog do vinho | 13:11

Lojas e sites promovem liquidação de vinhos. Quer pagar quanto?

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É sempre bom pagar mais barato, mas preste atenção na hora de comprar seu vinho na liquidação: há boas ofertas e algumas armadilhas

É sempre bom pagar mais barato, mas preste atenção na hora de comprar seu vinho na liquidação: há boas ofertas e algumas armadilhas

O que você considera um bom desconto em uma liquidação de vinho? 20%, 30% ou só vale a partir de 50%: tudo pela metade do preço! Bom, é tempo de avaliar seus princípios, pois está aberta a temporada de caça ao rótulo com algum desconto.

Se o ano na economia só começa pra valer depois do Carnaval, esta realidade não vale para quem deseja renovar e ampliar sua adega. Tradicionalmente neste período, que vai da primeira quinzena de janeiro até algum momento de fevereiro, as lojas – virtuais e de prateleira – e importadoras baixam os preços de parte de seu catálogo para renovar o estoque, ou até mesmo para se livrar de algum rótulo que será descontinuado. Há de tudo, rótulos especiais, safras menos badaladas, produtores que não encontraram seu público, bons vinhos e até algumas raridades. Quem gosta de vinho fica de olho, pesquisa e acaba encontrando barbadas, oportunidades de adquirir um rótulo diferenciado, ou mesmo comprar em quantidade um vinho do dia-a-dia. Mas fique atento, promoção de um rótulo ou outro toda loja faz o ano inteiro, liquidação, bota-fora ou qualquer coisa semelhante é um conjunto de ofertas mais amplo.

As liquidações:

Abaixo, alguns dos endereços que promovem corte nos preços de seu catálogo. As lojas são na sua maioria em São Paulo, mas boa parte delas oferece vendas online ou por televendas

World Wine – são mais de 250 rótulos com ofertas de até 70% nesta nona edição de seu WorldWineOff. Boa seleção de italianos, portugueses e rótulos de vinhos naturais e biodinâmicos. A França é contemplada este ano com uma seleção especial de 120 rótulos, com destaque para as regiões de Borgonha, Bordeaux, Champagne e Rhône. Nos últimos anos tem se mostrado, de longe, uma das melhores liquidações de vinho em qualidade, variedade e preço. Na loja da Padre João Manoel a promoção fica meio espalhada o que dificulta a escolha. E não se enxergam tantos rótulos em promoção como anunciados. Em cinco lojas (São Paulo Ribeirão Preto e Rio de Janeiro). Até 22 de fevereiro.

Grand Cru – os descontos  vão de 25% a 60% organizados por preço nas páginas do site – é bom salientar que a maioria dos descontos é de 25% e 30%. Há uma seleção variada de vinhos franceses muito caros que ficam apenas caros (mas de tremenda qualidade, o que é sempre um opção de vinho de guarda),  junto a chilenos e argentinos mais acessíveis de boa qualidade. Uma boa dica são os vinhos das produtoras Santa Rita (Chile) e Doña Paula (Argentina) que não serão mais importados pela Grand Cru e estão todos com descontos de 30%. A Grand Cru tem uma rede de afiliadas espalhada por quase todo o país, são mais de 30 endereços de lojas físícas. Todas as lojas fazem parte da promoção. Até 8 de fevereiro.

Vinos & Vinos – no Bota-Fora da importadora, que também tem uma loja física em São Paulo, são mais de 50 rótulos do Chile, França e Itália em oferta. Até dia 7 de fevereiro.

 Expand –ofertas de 20% a 50%. A variedade não é mais tão grande como no passado glorioso, por conta da redução do catálogo da importadora. Talvez a grande vedete aqui sejam os vinhos do mestre chileno Morandé.

MercoVino – São 40 rótulos com descontos. Maior ofertas de italianos, espanhóis e portugueses. Alguns bem pontuados nos guias mais consagrados. Até dia 1 de fevereiro

Vinea – a loja, que tem filiais em São Paulo e Alphaville, promete descontos em mais de 150 rótulos de até 65%. Até dia 15 de fevereiro.

Decanter – Parte da boa seleção da Decanter estará em liquidação na próxima semana na loja de São Paulo. Serão em torno de 200 rótulos, com descontos de 20% a 50%. No site também há descontos de algumas marcas de 40%, 50% e 60%, mas sem relação com o bota-fora. De 28 de janeiro a 1 de fevereiro

Bacco’s – são 100 rótulos de diversos países com descontos que vão de 20% a 40%. Importante: os vinhos em promoção da loja física, em Higienópolis, São Paulo,  não são os mesmos exibidos na página de promoção do site.

Kylix – a pequena e simpática loja que ocupa um casarão na Avenida Angélica, em São Paulo, também promove nos meses de janeiro e fevereiro vinhos com até 40% de desconto, como o bom argentino Crios, da Susana Balbo. Até o final do estoque.

QualVinho? – a importadora dedicada aos vinhos de qualidade da África do Sul também aproveita a onda de liquidações e coloca alguns de seus premiados rótulos com bons descontos, como a linha Oak Valley (o Pinot Noir e o Chardonnay, ambos 2011) e a linha Mullineux Family Wine (Syrah)

Liquidações relâmpago online

Este modelo de liquidação de início de ano ainda faz parte de um, digamos, modelo antigo de negócios. Hoje os sites de ecommerce propiciam uma outra relação com os consumidores onde os descontos podem surgir de várias maneiras: de acordo com o volume adquirido, vinculado ao perfil do cliente, adequado à estação do ano, por meio de compras coletivas, baseado em sua geolocalização e principalmente por um modelo que vem ganhando força que é da oferta relâmpago, onde o produto é exposto com um desconto com um prazo de validade decrescente. Nos Estados Unidos este é um mercado anual de 100 milhões de dólares, que abocanhou mais de 25% da venda online segundo a consultoria da indústria do vinho Vin Tank. O site de ecommerce nacional Epicerie tem este modelo de descontos com prazo de validade decrescente, mas exige o cadastro para conhecer os preços. Alguns sites de importadoras também adotam esta estratégia. O site Sonoma, que procura criar um catálogo mais diferenciado, sempre oferece descontos, mas também é restrito aos associados. O gigante virtual Wine  ainda mantém no ar um saldão de fim de ano e é outro ecommerce de vinhos que trabalha muito bem volume e também busca um modelo de relacionamento com os clientes que barateia o custo dos vinhos para os associados: o clube de vinho. São sites de ecommerce no modelo clube de vinhos também a FastVinhos, Sociedade da Mesa  e Dionísio  entre outros.

Liquidações relâmpago nas lojas físicas

O comprador de vinhos habitual sempre recorre a outro método muito eficaz: a olhadinha. Sempre que estou em um supermercado, loja de vinho ou site de vendas online percorro os olhos atrás de ofertas tentadoras. Alguns supermercados como o Pão de Açúcar fazem ofertas relâmpago de um ou dois dias em unidades diferentes com descontos que às vezes chegam a até 30% do valor da etiqueta. A dica aqui é ficar amigo do responsável pela seção de vinhos do supermercado e ser avisado com alguma antecedência do dia da promoção. O St. Marché também promove corte nos preços dos vinhos de sua importação com alguma frequência. Outras importadoras e lojas sempre oferecem algum produtor ou marca com alguma redução de custos. É sempre bom nunca perder de vista que, por mais rica que seja a história e o sabor de um vinho, trata-se de uma mercadoria, e mercadoria tem de girar e o consumidor tem de buscar sempre a melhor preço.

Sete dicas para se dar bem nas compras

Se você é um desses compradores de liquidação, eu repito aqui (como faço todo ano) seis regras de ouro que podem ajudar a se prevenir de alguma roubada – e ainda acrescento uma sétima dica.

Claro que  parte das dicas exige o contato visual com a garrafa, o que inviabiliza a compra 100% segura online, mas aqui, como em qualquer relação comercial, vale a confiança na loja, no produtor ou no ecommerce de vinho escolhido.

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento. Consequência: o vinho provavelmente estará em processo de oxidação.

2. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada, outro indicativo de problemas na qualidade da bebida.

3. Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos das safras mais antigas – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema. Se a safra do tinto for mais antiga – e principalmente se for um vinho de guarda – é sinal de evolução. Aí depende de seu apreço por vinhos envelhecidos.

4. Fique atento às safras. Tintos mais básicos, e principalmente os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos (há sempre muita desova de rosés nestas promoções…)

5. Não compre por impulso (este conselho devo repetir a mim mesmo). Como a maior parte das ofertas são de safras mais antigas, pergunte ao lojista se trata de um vinho com potencial de guarda (geralmente mais caros), se não for, planeje a compra para consumo rápido, principalmente os brancos.

6. Encontrou um preço de um vinho que é uma barbada, e que pode resolver sua vida no dia-a-dia e vale investir numa caixa? Experimente antes. Se a loja não tiver uma amostra, compre uma garrafa, prove em casa e decida sobre a compra de um maior volume de rótulos com segurança, ou você pode ter 12 garrafas de vinagre muito caro para temperar a salada por todo o ano. Eu fiz isso este ano e me preveni de um desastre.

7. Importante checar com a loja a política de troca dos vinhos em liquidação. Algumas lojas deixam por conta e risco do cliente, outras realizam trocas quando a bebida está pra lá de Marrakesh. Aqui vale a regra de ouro: o que é combinado não é caro.

Bora lá comprar umas garrafas?

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