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quinta-feira, 17 de setembro de 2015 Sem categoria | 18:03

Vinho nacional de qualidade e acessível é um paradoxo? A aposta da Salton

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Luciana e Stella Salton com garrafas de Paradoxo nas mãos: "Queremos que as pessoas falem mais da Salton"

Luciana e Stella Salton com garrafas de Paradoxo nas mãos: “Queremos  as pessoas falando mais da Salton”

Se você é bebedor de vinho, é provável que já tenha tomado um rótulo da Salton. Se espumante é sua praia, as chances são maiores, afinal a vinícola com sede em Tuiuty, Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, é a maior produtora de vinhos com borbulhas do Brasil. Agora, se você é daqueles que não tem preconceito e curte vinho nacional – como eu –, certamente já desarrolhou uma garrafa desta empresa que completou incríveis 105 anos em agosto deste ano. Se você se enquadra em uma das três alternativas anteriores, e assim como todos os brasileiros e brasileiras está com o orçamento mais apertado, acho que este post pode interessar. Vamos falar sobre um vinho nacional bom e barato, e  se trata de um “Paradoxo”.

Paradoxo, segundo o Dicionário Aurélio, é uma contradição, pelo menos na aparência. Um conceito que é ou parece contrário ao comum; um contra-senso, absurdo, disparate. Vinho nacional de qualidade, para muita gente de nariz empinado, entra nesta categoria. Bom e por um preço acessível então, pertence ao campo do improvável. A Salton, no entanto, acredita em paradoxos. E lançou para o mercado de restaurantes a linha de tintos, brancos e um espumante da região da Campanha Gaúcha que, não por acaso, nomeou de Paradoxo. A ideia é fornecer alternativas que podem entrar na carta dos restaurantes a preços mais atraentes. “Nosso objetivo é fazer o brasileiro consumir mais vinho brasileiro”, defende Luciana Salton, diretora-executiva da vinícola. tanto melhor que seja o que ela produz, claro. O consumidor final também pode comprar as garrafas no site da empresa – a caixa com seis volumes sai por R$ 26,50 a garrafa mais valor de frete,  dependendo da região de envio.  Paradoxo, vale reforçar, também é definido no dicionário como “uma afirmação aparentemente contraditória que, no entanto, é verdadeira”.

Pinot Noir e Gewürztraminer

E já que a pegada é tratar de paradoxos, em vez dos varietais (vinhos elaborados apenas de uma uva) mais comuns como merlot, cabernet sauvignon e chardonnay, que fazem parte da linha Paradoxo, meus destaques são a pinot noir e a gewürztraminer.

Paradoxo Pinot Noir

O Paradoxo Pinot Noir 2014 é novidade no mercado, recém-lançado em agosto deste ano, foi fermentado em barricas e ficou por lá mais um ano. De cor mais escura que um pinot noir do velho mundo tem um toque tostado da madeira e as sempre presentes frutas vermelhas, aqui mais frescas. Um pinot muito saboroso, menos pesadão, fácil e prazeroso de tomar. Um bom vinho de primavera/verão que deve ser consumido um pouco mais resfriado (mas não gelado, não é para ele pegar uma gripe!).

Paradoxo Gerwuztraminer

O Paradoxo Gewürztraminer, com este nome que mais parece um trava-língua e que o Google sempre costuma corrigir a grafia na busca com aquela opção “você quis dizer…”, é uma uva branca mais comum na região da Alsácia, na França, e na Alemanha e que no geral me incomoda quando excessivamente floral. Não é o caso deste exemplar da Campanha Gaúcha, que tem um floral na medida e cumpre seu papel de refrescar o paladar com boa acidez, que amplia sua percepção na boca, um cítrico e um abacaxi no aroma e no paladar e que combinou muito bem com um risoto de limão. Um vinho parceiro de pratos mais leves.

 A Salton volta a falar

A Salton sempre mandou bem no marketing; soube como ninguém comunicar seus feitos, alardear seus vinhos e aproveitar ondas como do prosecco, nos anos 2000, dos espumantes nos anos seguintes, conquistando a liderança no mercado (mais de 40%),  e ainda se qualificando com vinhos de alta gama contando com a consultoria de um enólogo internacional (o argentino Angel Mendoza, da Trapiche em parceria com o enólogo-chefe Lucindo Copat) quando não se falava nisso, na elaboração das primeiras safras do tinto Talento. À frente desta estratégia “Velho Guerreiro” do “quem não se comunica se trumbica” estava Angelo Salton, presidente da empresa até fevereiro de 2009 quando um enfarte fulminante o retirou precocemente do cenário do mundo do vinho.

Angelo era um comunicador nato, com enorme magnetismo pessoal. Ele fez bem ao vinho de sua empresa, e por tabela ao vinho nacional. Para ele todo bebedor de vinho era um cliente em potencial. No estande da empresa nas feiras de vinho recebia qualquer pessoa que passasse por perto com um enorme sorriso e, oferecia uma taça de vinho: “Este é um espumante da mais alta qualidade, brasileiro, é da Salton. Você vai provar, gostar e comprar mais no supermercado”, dizia, confiante, com seu vozeirão.

“Quando meu pai morreu ficamos no limbo”, comenta Luciana Salton. Quase sete anos se passaram. Neste meio tempo Luciana e Stella – responsável pela área de comunicação -, filhas de Angelo, se casaram e ficaram grávidas praticamente no mesmo período e se afastaram um pouco do dia-a-dia da empresa. Agora elas voltam com força total. Com novos produtos e uma certeza “Precisamos comunicar melhor. Queremos voltar a fazer a Salton ser o que era, que as pessoas falem mais dos nossos vinhos”, reforça  Luciana. Entre os objetivos das meninas da Salton, como carinhosamente são conhecidas, um dos mais importantes é crescer no mercado com opções de vinhos brasileiros bons e acessíveis. “A Salton é uma marca de credibilidade. E, se necessário, temos estoque para o crescimento e atender as grandes redes”, diz Luciana. Um paradoxo? Não, um desafio.

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014 Espumantes, Nacionais, Rosé, ViG | 10:56

Espumantes brasileiros: preferência nacional e consumo no final do ano

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 “Vocês não precisam de Champagne. O Brasil tem seus próprios espumantes para beber”,
Steven Spurrier, crítico de vinhos, durante evento sobre espumantes do hemisfério Sul em abril de 2014

espumante

Todo final de ano tem peru no Natal, show de Roberto Carlos na TV Globo, retrospectiva das principais notícias do ano nos sites, jornais e revistas e… dicas de espumantes no Blog do Vinho. Eu sempre aposto nos espumantes nacionais. São bons, têm qualidade reconhecida, são fáceis de encontrar em lojas, supermercados e lojas virtuais das vinícolas. Para aqueles que precisam de um argumento de fora para se convencer – o nosso eterno complexo de vira-latas – a opinião do escritor de vinhos e crítico da revista inglesa Decanter, Steven Spurrier reproduzida acima, talvez reforce o conceito.

O consumidor brasileiro, a propósito, nem precisa de um inglês para convencê-lo disso. Em 2002, o consumo de espumante nacional era de 4,2 milhões de litros, em 2012 esse número saltou para 14,7 milhões de litros. Segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) 76,7% do espumante consumido no país é brasileiro. Se no universo dos tintos e brancos a concorrência esmaga o produto nacional, no mundo das borbulhas a liderança é inequívoca.

Ok, tem tudo são flores, ou borbulhas. O sucesso do espumante nacional e o crescimento da produção também causou algum estrago, e  já faz uns dois anos que se nota uma certa queda de qualidade em alguns produtos, uma diluição que foi mais facilmente percebida nas degustações que participo há alguns anos como jurado do TOP Ten da Expovinis, onde os espumantes nacionais participantes alcançaram  uma média menor que dos anos anteriores.

 Dicas de espumantes (preços atualizados em dezembro de 2014)

Para entender um pouco a importância deste mercado, o seu tamanho e os rótulos mais vendidos, o Blog do Vinho consultou alguns dos principais produtores, aqueles que todo consumidor encontra com facilidade nos corredores dos supermercados e está mais familiarizado com os rótulos. São elas Aurora, Casa Valduga, Chandon e Salton.

As conclusões deste modesto levantamento entre as vinícolas é o seguinte:

1. Muitas empresas cresceram os olhos para este mercado e aumentaram sua produção na linha das borbulhas.

2. O crescimento anual deve ficar entre 7 e 20% de 2013 para 2014

3. Apesar de todos os esforços de consumo durante o ano os espumantes têm sua venda concentrada no último trimestre do ano, na média 40% da produção é escoada neste período.

4. As vendas são concentradas no Sul e Sudeste, mas o mercado do Nordeste vem crescendo fortemente e é onde existe um potencial a ser explorado.

5. Apesar das nuvens negras que pairam sobre a economia de 2015, todas as empresas estão otimistas e apostam em um crescimento do mercado de vinho no Brasil.

De quebra abrimos espaço para estas empresas convencerem o leitor a escolher a sua marca para brindar o ano-novo, afinal, entre tantos rótulos, por que escolher esta ou aquela? Este colunista faz a sua parte e indica também um vinho de sua escolha de cada empresa consultada para o brinde de fim de ano (além das dicas de 2013 que continuam válidas e tiveram seus preços atualizados para 2014). Confira abaixo

AURORA

Produção de espumantes
Estima fechar 2014 com a comercialização de 4 milhões de garrafas de espumantes das linhas Aurora, Conde de Foucauld, Marcus James e Saint Germain.

Crescimento
Aumento de 14% (em espumantes) em relação a 2013.

Participação das vendas no final do ano
No último quadrimestre do ano, as vendas da empresa representam 40% do total do ano.

Regiões
A região Sul, seguida da Sudeste, são as que apresentam melhor desempenho. Mas distribuição é por todo o Brasil.

 Rótulos mais vendidos
As linhas de espumantes Aurora e Conde de Foucauld são as mais vendidas da empresa.

 Principais produtos e média de preços no Brasil
Espumantes Aurora
Prosecco, Moscatel Branco, Moscatel Rosé, Brut Branco (novo) e Demi-sec (novo): 
R$ 25,00
Linha TOP – Brut Pinot Noir 100%, Brut Chardonnay e Brut Rosé: 
R$ 42,00

Espumantes Marcus James
Brut Branco e Demi-sec Branco: R$ 24,00

Espumantes Conde Foucauld
Brut Branco, Demi-sec Branco, Brut Rosé e Demi-sec Rosé:
R$ 18,00

Espumantes Saint Germain
Brut Branco e Demi-sec Branco: R$ 14,00

 Por que beber um espumante da Aurora
“Convidamos os consumidores brasileiros a brindar 2015 com o Espumante Aurora Moscatel, que é top 100 do mundo. O Aurora Moscatel é o espumante que tem a melhor colocação do ranking TOP 100 do mundo, levantamento feito pela associação internacional de jornalistas e escritores de vinho, wawwj.com. Além disso, o Aurora Moscatel é o espumante que mais exportamos, é apreciado em países de 4 continentes, nos principais mercados do vinho brasileiro, como Reino Unido.”

 Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos e acessíveis

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

Espumante Brut chardonnay

Aurora Chardonnay
Uva: 100% chardonnay
Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço Médio: R$ 42,00

Entra ano e sai ano eu sempre elego este o mais inteerssante espumante elaborado pela Aurora. Este espumante usa como matéria-prima apenas a uva branca chardonnay – na França este estilo de espumante é chamado de blanc-de-blanc. Longo na boca, tem um toque tostado (o vinho-base passa 3 meses em cavalho francês antes da segunda fermentação) tem boa acidez, cremosidade em boca, tornando-lhe agradável e gastronômico. Tem um bom preço também.

Cenário para 2015
‘Embora o cenário previsto para 2015 seja de “aperto”, por termos produtos que atendem diferentes gostos e bolsos, com uma ampla gama de vinhos, espumantes, sucos e cooler – nossos Keep Cooler linhas Classic e Black e nosso Keep Ice com vodca de uvas-, para todas as camadas de consumo, acreditamos que 2015 será um bom ano, de muito trabalho, sim, mas também de conquistas.”

CASA VALDUGA

Produção de espumantes
Em 1990 os espumantes representavam de 10% a 20% das vendas. Atualmente, representam mais de 60%. O grupo venderá 1,8 milhão de garrafas de espumantes em 2014.

Crescimento
A produção cresceu 20% em 2014 e a perspectiva é de crescer o mesmo em 2015.

Participação das vendas no final do ano
O último trimestre do ano, período de compras para as festas, representa 40% das vendas.

Regiões
Maiores mercados estão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porém as regiões Norte e Nordeste têm demonstrado um potencial de consumo crescente, devido ao clima e à difusão da cultura de consumo de espumantes.

Rótulos mais vendidos
Na Casa Valduga destaca-se o ‘130 Brut’, um espumante que transmite nosso conceito de marca. A vinícola tem apostado em rótulos para o mercado de luxo, como o espumante ícone ‘Maria Valduga’ e a linha ‘Reserva’, que são produtos com mais complexidade.

Na Domno (outra marca da Valduga), o ‘.Nero Rose’ apresenta um desempenho expressivo. Seguindo a tendência de atender o mercado de luxo, temos o ‘.Nero Blanc de Blancs’.

Principais produtos e média preços no Brasil
.Nero e a linha Arte: R$ 38,00.
130: R$ 80,00
.Nero Blanc de Blancs: R$130,00
Maria Valduga R$ 150,00.

 Por que beber um espumante da Casa Valduga
“As festas tradicionais de Reveillon pedem o glamour e elegância do 130. Se você estiver em um ambiente mais descontraído, mais leve, a indicação são os produtos da linha .Nero. Para as sobremesas aposte no Moscatel.”

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

130 Valduga2

130 Valduga Brut
Uvas: chardonnay e pinot noir
Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 80,00

Aqui há uma coincidência entre a recomendação da empresa e deste palpiteiro. O 130 Valduga é elaborado com as uvas chardonnay e pinot noir pelo método champenoise (ou tradicional), aquele que a segunda fermentação acontece na garrafa. E daí? Daí que o vinho entrega maior elegância, cremosidade, borbulhas mais finas e consistentes e aquele aroma meio de pão torrado, de frutas secas e uma acidez que enche a boca. Um espumante verde-amarelo de classe. Um dos melhores que temos no país na sua faixa de preço. Foi eleito pela revista Decanter  (olha eles aí de novo) este ano como o único espumante brasileiro na categoria Best Buys (melhores compras) da América do Sul. Ah, e a garrafa é muito charmosa.

Cenário para 2015
“Estamos apostando no crescimento de consumo. Para isso estamos investindo na formação do consumidor por meio de eventos regionais, além oferecer uma imersão no mundo do vinho para os visitantes do complexo enoturístico da Casa Valduga.”

CHANDON

Produção
Mais de 3 milhões de garrafas.

Crescimento
Crescimento de mais de 10% em relação a 2013.

Participação das vendas no final do ano
As festas de final de ano concentram a maior parte das vendas, 60%. Isso porque existe uma cultura muito forte no Brasil de consumir bebidas nessas ocasiões.

Regiões
A maior parte das vendas está concentrada estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e na cidade de Brasília, porém, atualmente a região nordeste é a que registra maior crescimento.

 Rótulos mais vendidos
Chandon Réserve Brut e Chandon Rosé.

 Principais produtos e preço médio no Brasil
Chandon Réserve Brut: R$ 65,00
Chandon Brut Rosé: R$ 69,00
Chandon Riche Demi-Sec: R$ 65,00
Chandon Passion: R$ 65,00
Excellence par Chandon: R$ 120,00
Excellence Rosé par Chandon: R$ 130,00

 Por que beber um espumante da Chandon
“O consumidor deve escolher o Chandon Passion Edição Passion com dois cubos de gelo para comemorar o fim de ano para ou por que ele tem a cara do verão. A bebida é ideal para países que registram altas temperaturas como o Brasil pois mantém o espumante mais refrescante ainda. “

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

rose-chandon
Excellence Rosé Chandon
Uvas: pinot noir e chardonnay
Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 105,00

A subsidiária brasileira da Maison Moêt & Chandon fincou raízes em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, em 1973. De lá para cá tornou-se sinônimo de espumante fino e de volume. Todos seus rótulos são elaborados pelo método charmat – segunda fermentação em toneis de alumínio -, pois a filosofia do grupo está mais baseada na qualidade do vinho-base. O Excellence Brut exibia até 2010 o troféu solitário de top de linha da empresa. O rosé da linha Excellence quebrou esta hegemonia (a primeira leva teve apenas 5.000 garrafas produzidas) e hoje em dia está entre os espumantes rosés mais apurados, elegantes, complexos e saborosos no mercado (coloco no mesmo nível o Terroir Rosé Cave Geisse Brut e o Adolfo Lorna Rosé).  A pinot noir predomina (74%), mas a chardonnay (26%) também participa da festa. Fino e gastronômico. Tem uma cor rosada de boa intensidade, boa perlage e na boca a confirmacão dos aromas de frutas vermelhas, panificação e frutas secas aliado a uma acidez ampla. Um expressão de excelência da Chandon, com o charme do rosé.

Cenário 2015
“Estamos esperando um ano muito bom, já que a safra de 2015 promete ser uma das melhores que já tivemos.”

 Leia também: O merlot brasileiro é o melhor do mundo?

 SALTON

Produção
A Salton lidera o mercado nacional de espumantes desde 2004, atualmente é responsável por 40% das vendas com uma produção de 8,5 milhões de garrafas!

Crescimento
Em relação ao ano anterior, a comercialização da Salton teve um aumento de 7%.

Participação das vendas no final do ano
Os últimos três meses do ano representam 40% das vendas.

Regiões
O Sudeste continua liderando em volume de vendas e o Sul em consumo per capita. A Salton pesquisa sobre o mercado de vinhos e espumantes no Brasil e sabe do potencial de crescimento do norte e Nordeste, por isso está presente em festas, eventos e supermercados das regiões.

 Rótulos mais vendidos
Para as festas de fim de ano, os rótulos mais vendidos são: Salton Prosecco, Reserva Ouro, Salton Moscatel, Salton Brut, Salton Demi-Sec e Salton Poética.

Principais produtos e preço médio no Brasil
Salton Prosecco: R$ 30,00
Salton Poética: R$ 35,00
Reserva Ouro: R$ 40,00
Salton Moscatel: R$ 25,00
Salton Brut: R$ 25,00
Salton Demi-Sec: R$ 25,00
Salton Évidence: R$ 65,00

Por que beber um espumante da Salton
“O consumidor deve escolher um dos rótulos da Salton para comemorar o fim de ano pois terá o melhor espumante com melhor custo benefício. Nosso negócio é garantir a satisfação do cliente.”

Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

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Salton Reserva Ouro
Uvas: Chardonnay, Riesling e 20% Pinot Noir
Região: Tuiuty/Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 40,00

Este colunista chamava Angelo Salton (1952- 2009) de “O senhor das borbulhas”. Não é à toa. Em 2004 a Salton dominou o mercado neste segmento e permanece no topo. Na minha opinião, na relação preço qualidade o Reserva Ouro é imbatível. Cítrico na entrada, tem um leve toque de pão torrado gostoso (são seis meses de contato com as leveduras), e uma boa base de acidez, que dá uma sensação de frescor. É a cara do espumante de boa qualidade nacional. Em 2014 trocou de roupa: ganhou nova garrafa, mais elegante, e um rótulo mais moderno.

Leia também: Os 100 primeiros anos da Vinícola Salton

 Cenário 2015
“A Salton busca sempre apresentar novidades ao consumidor mantendo a qualidade dos seus produtos e a liderança em espumantes. A vinícola está investindo continuamente em tecnologia e novas áreas de produção, como na região de Santana do Livramento (RS), voltada ao cultivo de uvas para vinhos e espumantes finos em um projeto baseado nos princípios da agricultura de precisão; também na ampliação de caves para produção de espumantes no método champenoise na unidade de Tuiuty (Bento Gonçalves/RS). Além disso, a Salton está com uma nova unidade em Jarinu (SP) e nesta unidade, a empresa pretende desenvolver novas categorias, visando no futuro ampliar o portfólio de destilados com malt whisky e vodka e também implementar a categoria de soft drinks; além de seguir produzindo o conhaque Presidente.”

➢  Este Blog deseja um Feliz Natal e um 2015 estupendo para todos.

SEKT

 

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, ViG | 11:53

Espumantes nacionais para comemorar o fim de ano, e o ano inteiro – parte I

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E vai rolar a festa, vai rolar!

E vai rolar a festa, vai rolar!

O espumante é uma bebida com um marketing imbatível: o da alegria. Sempre que uma boa notícia chega – profissional, particular, amorosa – alguém sugere: vamos abrir um champanhe para comemorar? O que vale é o ritual. O estampido seco da rolha sendo lançada, seguido da visão – e do som – da espuma sendo liberada na taça. E por fim aquele gole que produz um sorriso no final. Nenhuma bebida é assim. Um conjunto de símbolos que podem ser resumidos em uma palavra: celebração.

Mas para nós, que gostamos de vinho, além do ritual, está o prazer do espumante, do frescor, das sensações que ele nos provoca no paladar. O espumante é talvez o único vinho brasileiro que tem na excelência uma unanimidade. Até o mais ranzinza dos enófilos reconhece que esta é uma das vocações da vitivinicultura nacional.

O Blog do Vinho traz uma lista de dicas espumantes nacionais para você curtir as festas do fim de ano e, por que não, o ano inteiro. E por que apenas espumantes nacionais? Simples. Eles são bons, têm qualidade reconhecida no Brasil e no exterior, são fáceis de encontrar em lojas, supermercados e encomendados nas próprias lojas virtuais das vinícolas. E são mais acessíveis no preço do que bons espumantes do resto do mundo.

As dicas estão divididas em três partes. Para começar, neste post, aqueles produzidos pelo método charmat (segunda fermentação feita em cubas de inox), na segunda parte as dicas são dos espumantes brasileiros feitos pelo método tradicional, ou champenoise (a segunda fermentação é realizada na própria garrafa), na última etapa verde-amarela, espumantes rosés, que além de refrescantes encantam pela cor e por seu sabor único.

(Nem tudo que borbulha é espumante. Entenda a diferença entre os vários tipos de vinho com bolinhas. Clique no link abaixo, está tudo explicadinho.)

Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

Primeira parte – Espumantes Nacionais – método charmat

O Brasil produz espumantes frescos, leves, aromáticos com uma bela acidez. As uvas normalmente utilizadas são a chardonnay, a pinot noir e a riesling itálico – em raros casos é introduzida a terceira uva clássica de Champagne, a pinot meunier. Estas variedades encontram condições apropriadas de terreno e clima – úmido e chuvoso – na região da Serra Gaúcha, mais especificamente no Vale dos Vinhedos, em Garibaldi, em Pinto Bandeira. Mas há boas experiências em outras regiões, como Santa Catarina e no sul do Rio Grande do Sul.

Nos espumantes elaborados pelo método charmat, a segunda fermentação, ou seja, a incorporação do gás carbônico na bebida (as bolinhas, as bolinhas!), é realizada em grandes cubas de aço inox fechadas projetadas para aguentar a pressão do gás carbônico liberado na fermentação, que pode chegar a 5 atmosferas. Estas cubas são mantidas em temperaturas baixas nesta segunda fermentação para gerar bolhas mais finas e persistentes – um dos símbolos mais evidentes da qualidades de um bom espumante.

O processo é mais rápido e de menor custo que o tradicional, o que se reflete no preço do vinho. Isso não significa, no entanto, que se trata de um espumante de menor qualidade, e sim traduz um estilo de bebida mais fresca e leve, com aromas de frutas como maçã, cítricos, abacaxi e uma abundante salivação devido a boa acidez. É uma opção do enólogo.

A Chandon do Brasil, por exemplo, mesmo na sua linha mais sofisticada, como a festejada Couvée Prestige, só elabora espumantes pelo método charmat. Para o diretor de produção da Chandon do Brasil, enólogo francês Philippe Mével, não é o método que determina a qualidade do espumante e sim a qualidade da uva, a vinificação adequada e o trabalho do blend que conferem seu sabor.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes charmat

espumante-chandon reserve

  • Chandon Réserve Brut

Uvas: chardonnay, pinot noir e riesling itálico

Produtor: Chandon do Brasil

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 65,00

Site da Vinícola: http://loja.chandon.com.br/

O rótulo dourado identifica à distância uma garrafa de Chandon. Um dos melhores espumantes produzidos no país na sua faixa de preço, com uma consistência que é sua marca registrada. Ele traz todas aquelas qualidades de um bom espumante nacional: acidez, frescor, aromas sutis de maçã verde, cítricos e um equilíbrio final de boca. Fácil de encontrar em lojas, supermercados, restaurantes, costuma fazer promoções de final de ano. A linha superior, Excellence Cuvée Prestige, não desmente o nome, é elaborado apenas com as uvas chardonnay e pinot noir e tem um refinamento e complexidade maior de aromas de frutas secas, panificação e uma espuma e perlage (as bolhinhas, as bolinhas) mais finas e abundantes, mas pesa mais no bolso (R$ 120,00 )

Curiosidade: na França os espumantes elaborados pelo método charmat são chamados de Vin Mousseaux, na Alemanha o charmat é o método usado na elaboração do Sekts, de grande produção no país (você pode beber uma tacinha enquanto faz a feira, pois é comum as barracas de frutas e verduras dividirem espaço com quiosques de pequenos produtores). Ele também é usado na elaboração de Proseccos, na Itália.

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  •  Salton Reserva Ouro 

Uvas: 60% Chardonnay, 20% Riesling e 20% Pinot Noir

Produtor: Salton

Região: Tuiuty/Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 40,00

Site da Vinícola: www.salton.com.br

A Salton é, desde 2004, a líder de produção de espumantes do país. Este colunista chegou a denominar o grande impulsionador da empresa, Angelo Salton (1952- 2009), como “O senhor das borbulhas” em uma reportagem na Veja S, Paulo. Há uma linha bastante extensa de rótulos com borbulhas na Salton, dos mais caros aos mais simples e baratos. Na minha opinião, na relação preço qualidade o Reserva Ouro é imbatível. Tem um leve toque de pão torrado gostoso (são seis meses de contato com as leveduras), e uma boa base de acidez com uma espuma que como diria uma admiradora da coluna, de um uma maneira menos ortodoxa, “faz flufli-flufli na boca”.

Espumante Brut chardonnay

  • Aurora Chardonnay

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Aurora

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 42,00

Site da vinícola: http://www.vinicolaaurora.com.br/linha-produtos/aurora

Este espumante usa como matéria-prima apenas a uva branca chardonnay – na França este estilo de espumante é chamado de blanc-de-blanc. Se você acompanha este blog viu uma recomendação sobre este espumante dois posts atrás. Para manter a coerência, aparece aqui nesta lista. Longo na boca, tem um toque tostado (o vinho-base passa 3 meses em cavalho francês antes da segunda fermentação) tem boa acidez e é gastronômico. Tem um bom preço também

 Curiosidade: você sabia que a pressão interna dentro de uma garrafa de espumante é maior do que a de um pneu de carro? Portanto é prudente abrir a rolha sem mirar em ninguém e logo após romper a gaiola de arame que protege a rolha. Ela não está lá à toa. Depois de rompida a gaiola, a rolha pode se soltar sozinha e o desastre está feito.

espumante-doncandido

  • Dom Candido Brut

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Don Cândido

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 42,00* (preço não atualizado em 2014)

Em 2008 um rótulo surpreendeu os jurados (entre eles este signatário) no concurso de espumantes promovido pela revista Playboy e levou o primeiro lugar. Era este Dom Cândido Brut charmat. Desconhecido, talvez, para a maioria dos jurados presentes, a vinícola tem tradição desde 1875 e produz vinhos de qualidade. Trata-se de um espumante de cor mais amarelo-palha, com aromas mais evoluídos além de um leve toque de amêndoa torrada, panificação, mais comuns em espumantes elaborados pelo método tradicional, mas também obtido pela adocão do charmat longo Leia entrevista de 2008 com Cândido Valduga, patriarca da vinícola explicando o estilo de seu vinho ). Estilo este que chamou atenção – e o conquistou o paladar dos jurados.

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  • Espumante Brut Dal Pizzol (charmat longo)

Uvas: pinot noir, riesling Iitálico e chardonnay

Produtor: Dal Pizzol

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 45,00

Site da vinícola: http://www.dalpizzol.com.br/

Correto, refrescante na boca e bem equilibrado. Na minha opinião mais expressivo no seu estilo que o Espumante Brut elaborado pelo método tradicional. O processo é chamado de charmat longo pois o vinho permanece mais tempo sobre as leveduras (neste espumante foram 90 dias) em uma temperatura entre 12º e 15º. E daí? Daí que este contato mais longo também fornece mais qualidade e refinamento de aromas à bebida.

Curiosidade: o método charmat leva o nome do engenheiro francês Eugène Charmat, que patenteou e aprimorou a ideia em 1907. Antes disso, em 1895, o piemontês Federico Martinotti teria encontrado a solução de realizar a segunda fermentação em tanques fechados. Para os mais puristas o método é chamado de Charmat-Martinotti.

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  • Villaggio Grando Espumante Brut

Uvas: pinot noir, pinot meunier e chardonnay

Produtor: Villagio Grando

Região: Campos de Herciliópolis, Água Doce, Santa Catarina

R$ 45,00

Site da Vinícola: http://www.villaggiogrando.com.br/

Esta pequena vinícola de Santa Catarina já exibe alguns importantes prêmios em seu portfólio. Em 2010 lançou sua linha brut, elaborado pelo método charmat, que tem como maior qualidade a leveza de aromas e o frescor (os vinhedos ficam a 1300 metros de altura). O rótulo também chama atenção pela simplicidade e pela solução gráfica de manter e evidência o tipo do vinho: brut. Uma bela garrafa para um belo vinho .

DADIVAS-ESPUMANTES-BRUT

  • Dádivas Brut

Uvas:  90% chardonnay e 10% pinot noir

Produtor: Lidio Carraro

Região: Encruzilhada do Sul, Rio Grande do Sul

R$: 56,00

Site da Vinícola: http://www.lidiocarraro.com/

Para fechar esta pequena seleção de espumantes de qualidade pelo método charmat, um rótulo da Lídio Carraro em  que a chardonnay predomina (90%) e que traz uma proposta de leveza, aromas frescos e toques de frutas cítricas com a perlage firme e gostosa. É o perfil de um bom espumante nacional: fresco, leve, aromático com uma bela acidez

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010 Nacionais | 10:54

Salton completa 100 anos e lança um tinto e um espumante para comemorar

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A Vinícola Salton completa 100 anos no dia 25 de agosto de 2010. Uma empresa brasileira cravar 100 anos de existência já é um ponto fora da curva, uma indústria do vinho em um país sem a tradição na bebida alcançar este feito, então, é um assombro.

Um estudo realizado por uma empresa japonesa, Tokyo Shoko Research, fundada em 1892, pesquisou 1.975,260 cadastros em seu banco de dados e encontrou 21.660 empresas com mais de 100 anos no mundo. Entre elas, há inúmeras vinícolas ainda atuantes, 76 para ser mais exato. Fundada no ano 1000, o Château de Goulaine, localizado no Vale do Loire, é a vinícola mais antiga ainda em funcionamento e a oitava empresa mais antiga da lista. A italiana Ricasoli, de 1141, uma verdadeira dinastia do Chianti na Toscana, é a vigésima da lista. As únicas representantes nacionais são o Banco do Brasil, fundado em 1808, e a distilaria Ypioca, criada em 1846.

A lista pode ser até imprecisa, mas 100 anos, como se vê, merecem festa e pompa. Para comemorar o centenário, dois vinhos foram cuidadosamente elaborados pelo principal enólogo da vinícola, Lucindo Copat. Um tinto e um espumante. O primeiro, o Salton 100 anos, é uma espécie de evolução do Talento, o top de linha da empresa lançado em 2004, um assemblage com 50% de cabernet sauvignon, 40% de merlot e 10% de cabernet franc que permaneceu 16 meses em carvalho novo francês antes de ir para a garrafa. Um tinto intenso, a madeira batendo continência, camadas de frutas, pedindo um decanter ou algum tempo a mais de garrafa. Já o Salton Espumante Nature 100 anos, elaborado pelo método tradicional (champenoise), é composto por 70% de pinot noir e 30% de chardonnay e permaneceu três anos em contato com as leveduras. Resultado: nariz de champanhe, espuma abundante e sabor rico. Top espumante nacional, digno de um selo 100 anos. Se precisasse escolher uma das duas bebidas para brindar, eu ficaria com esta. A 13 mil garrafas dos vinhos, em edição limitada para os padrões da vinícola, estarão à venda a partir de 26 de agosto, um dia após o centenário. O Brandy 100 anos que aparece na foto acima será exclusivo para comemorações da empresa.

Angelo

O vinho Salton consumido hoje guarda poucos laços com 100 anos de tradição. Os produtos atualmente engarrafados na moderna vinícola de Tuiuty, em Bento Gonçalves – as linhas Classic, Volpi, os espumantes Évidence, Reserva Ouro, e os tops Talento, Desejo (tintos) e Virtude (branco) – são fruto de uma revolução dos últimos 10 anos da empresa. Um dos principais engenheiros desta guinada, no entanto, não vai estar presente na festa. Em fevereiro de 2009 o então presidente da empresa, Angelo Salton, em uma dessas trapaças do destino, faleceu, vítima de um infarte fulminante.

Pessoalmente, Angelo lembrava o ator e diretor Orson Welles dos últimos anos. De grande estatura e jeito bonachão, abria um sorriso enorme cada vez que oferecia, com seu vozeirão, uma taça de vinho a quem quer que passasse à sua frente em feiras e degustações: “Este é um espumante da mais alta qualidade, brasileiro, é da Salton. Você vai provar, gostar e comprar mais no supermercado”. Bingo, mais um cliente conquistado. Claro, Angelo não comandava uma ONG, mas uma empresa, e estava comprometido com o crescimento da Salton e a divulgação de seus produtos. Mas fazia isso com um entusiasmo raro.  Em 2006, ele deu uma entrevista a este colunista que revista anos depois traduz o homem e seu projeto. E demonstram uma visão que extrapolou o regionalismo e deu o rumo desses últimos 10 anos da vinícola, que completa 100 anos com boa musculatura. Alguns trechos, abaixo:

Mudança
O foco, a filosofia e a cultura da Salton mudaram nos últimos três anos. O que ajudou muito é que eu mudei muito como presidente da empresa. Eu passei a vivenciar os vinhos junto com enólogos, até hoje faço isso.

A empresa
A Salton tem 94 anos (em 2006). Nós temos uma estrutura de indústria muito forte. O Conhaque Presidente e outros vinhos populares geram um lucro que nos permite investir. É este lucro que bancou a construção da nova adega, em Tuiuty. Você não pode falar em vinhos e espumantes finos devendo no banco.

ABS, Sbav e confrarias
Essas associações estão totalmente ligadas ao mundo do vinho brasileiro. São formadas por especialistas que tomam de 20 a 30 rótulos importados por dia. Eles têm uma boca superior à do enólogo que só toma vinho brasileiro. Por isso eu dizia para o pessoal do Sul: “Respeitem esta turma, vamos aproveitar esta capacidade, esta crítica para nos ajudar.” E foi o que aconteceu nesses anos, com esse tipo de contato.

O choque dos importados
Nós não tínhamos a cobrança de fazer vinhos finos, como o Talento, o mercado não exigia isso. A concorrência do importado fez a indústria se mexer, esta é a verdade. Por que até não ter estes 30 milhões de litros importados, 40 milhões de garrafas, a vinícola brasileira estava meio tranquila.

Vinho popular
A Salton não vai viver só do vinho fino. Ela vai viver também do vinho popular. Mas vamos fazer o melhor popular que tem. Vamos deixar de fazer o Chalise? Vamos cortar as parreiras de uva isabel? Acho que não. Temos um mercado que é o Brasil real. A uva isabel custa 30 centavos e a cabernet sauvignon, 2 reais. O dia que tiver cabernet sauvignon a 30 centavos, a gente corta o resto! Mas vai demorar.

As bandeirinhas
O Volpi nasceu em 2000. Uma idéia que tivemos de trazer um rótulo mais sofisticado. Fizemos um grande lançamento do Salton Volpi Chardonnay, no restaurante D.O.M. A Salton começou ali a engatinhar rumo às coisas mais refinadas.

O caminho para chegar aos restaurantes
Atualmente eu não admito um restaurante em São Paulo que não tenha vinho Salton. O Talento, por exemplo, está na carta de vinhos dos melhores restaurantes da cidade. Mas no começo, há quatro anos, foi um processo lento. Fui visitar o Fasano umas oito vezes até convencer o sommelier da casa, Manoel Beato, que o nosso vinho tinha qualidade para entrar na carta de vinhos do restaurante.

Enochatos
Se o cara começa a descrever cheiro de borracha queimada e aroma de frutas exóticas que ninguém conhece fora do meio dele, pode passar por ridículo. É o risco. De vez em quando eu escuto umas pessoas comentar as características de um vinho, e falo: “Olha, eu não estou sentido nada disso.” Aí tem um pouquinho de marketing de quem faz o show.

Degustação
Eu sei que eu não sou um grande degustador. Mas hoje o meu padrão está com o Salton Talento. Se eu provo um vinho inferior, do dia-a-dia, já noto que falta tipicidade, aroma, intensidade. Estou também virando um chato…

Os 100 anos sem Angelo, mas com seu legado

A ausência de Angelo ao brinde dos 100 anos da Salton provoca um travo amargo. Afinal, a finitude inesperada é uma dessas armadilhas que interrompem uma vida cheia de expectativas. Mas também pode ser encarada com um último recado do empresário que dedicou 28 anos de sua carreira profissional à Salton e que nos últimos anos defendia o crescimento do mercado do vinho nacional pela qualificação do produto – sem perder o olho no mercado de grande volume. Ele não vai estar na festa, uma pena, mas seus vinhos sobreviveram a sua marcante personalidade. Missão cumprida.

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Angelo Salton 1952-2009

Vinho canônico

Bons, básicos, baratos e brasileiros

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 Entrevista, Espumantes, Nacionais | 10:15

Angelo Salton 1952 – 2009

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O mundo do vinho acordou mais triste nesta terça-feira, dia 10 de fevereiro. Faleceu, a 1 hora desta madrugada, vítima de um infarto agudo, o presidente da Vinícola Salton, Ângelo Salton. Segundo assessoria de imprensa da empresa, há 15 dias o empresário havia feito um check-up geral e nada havia sido constatado. O corpo está sendo velado no cemitério do Araçá e às 16 horas segue para o crematório de Vila Alpina. Ângelo tinha 56 anos e deixa a mulher, Fátima, e quatro filhos.

No último encontro que tive com Ângelo, em um restaurante em São Paulo no final do ano passado, ele esbanjava otimismo e bom humor – uma característica marcante de sua personalidade – e estava cheio de planos para o aniversário de 100 da Salton, que será comemorado em 2010. Seus planos, certamente, terão continuidade na empresa.

Reproduzo abaixo o último texto que publiquei sobre Ângelo e o sucesso dos espumantes Salton na edição de dezembro de Veja São Paulo. Esta é a modesta homenagem deste blog a este guerreiro do vinho nacional.

O senhor das borbulhas

De cada três espumantes abertos no Brasil, dois
são nacionais. E 40% da produção brasileira é
do paulistano Ângelo Salton Neto

Por Roberto Gerosa 19.12.2007

Uma visita ao restaurante Fasano, em 2000, mudou a vida do empresário paulistano Ângelo Salton Neto. Enquanto tentava incluir um de seus rótulos na refinada carta de vinhos da casa, notou que a maioria das mulheres bebia um prosecco italiano durante a refeição. Imediatamente, ligou para o enólogo da Salton, em Bento Goncalves, no Rio Grande do Sul: “Aqui, só se bebe isso. Precisamos fazer o nosso”. Estava com sorte. Em suas propriedades havia 77 hectares cultivados com a uva prosecco, que era usada em outro tipo de vinho. Em três meses, lançou 6 000 garrafas. Um sucesso de público e crítica. De lá para cá, investiu pesado em sua linha de espumantes e, há três anos, chegou à liderança do setor, ultrapassando a Chandon, sua maior concorrente. De cada 100 garrafas de espumantes finos produzidas no Brasil, quarenta saem dos tanques de aço da Vinícola Salton, encravada na região de Tuiuti, vizinha a Bento Gonçalves.”E eu nem sabia que prosecco era o nome da uva”, conta Ângelo.

O bisavô de Ângelo veio para o Brasil em 1878. Saiu da comuna italiana de Cison di Valmarino, na região do Vêneto, próximo a Valdobbiadene, o berço dos melhores proseccos do mundo. Instalou-se na colônia italiana de Dona Isabel, atual Bento Gonçalves. Seus sete filhos fundaram, em 1910, a vinícola que foi batizada com o sobrenome da família. Na década de 40, o pai de Ângelo se mudou para São Paulo. O filho nascido aqui há 55 anos foi criado no prédio da Zona Norte onde atualmente funciona outra empresa do grupo, a Conhaque Presidente (20 milhões de litros vendidos ao ano). “Passei a infância no meio daquelas garrafas”, lembra. Engenheiro mecânico formado pelo Mackenzie, Ângelo largou a carreira para ingressar na companhia em 1976. Desde 1986, está na presidência do grupo, que tem um faturamento previsto de 39 milhões de reais para este ano, só com a linha de espumantes. “As mulheres e as festas são as grandes responsáveis por esse sucesso”, diz.

Ângelo, que cultiva a barba desde os tempos de faculdade, tem um jeito bonachão e um vozeirão que fazem lembrar um pouco o ator Orson Welles em seus últimos filmes. É um vendedor nato. Nas feiras de vinho, serve pessoalmente clientes e curiosos. “Defendo a qualidade do vinho nacional, e peço para comprar o meu, claro.” Atualmente, é respeitado pela crítica especializada e está sempre na mídia – pode ser visto com freqüência no Programa Amaury Jr., da Rede TV!. Até chegar a esse ponto, no entanto, teve de quebrar resistências. Certa vez, para chamar a atenção do jornalista e colunista de vinho da rádio CBN Renato Machado, abriu com estardalhaço um espumante. “Ele reclamou da maneira como a garrafa foi aberta, mas experimentou e aprovou a bebida”, afirma. “Não me lembro desse encontro e não tenho conhecimento dos espumantes da Salton para fazer qualquer comentário”, diz Machado. De olho na renovação dos consumidores, Ângelo aposta no lançamento, em fevereiro do ano que vem, do Prosecco Night, em garrafas de 375 e 750 mililitros. “Quando eu tinha 19 anos, só bebia uísque. Hoje, os jovens gostam de espumante”, afirma ele, que só foi trocar o malte escocês pelas borbulhas depois dos 40.

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