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quarta-feira, 23 de março de 2016 Brancos, Velho Mundo | 10:39

Vinho verde e bacalhau

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bacalhau

Bacalhau à Brás & Alvarinho: afinados como uma dupla sertaneja

Vinho e bacalhau é a parceria ideal. E na sexta-feira Santa aumenta o interesse pelo tema. Há os que preferem os tintos (os portugueses, por exemplo), e aqueles que privilegiam os brancos (no caso este que vos escreve). O post de maior consulta neste blog é justamente aquele que coloca esta preferência em questão: Vinho e bacalhau: tinto ou branco?  Como uma dupla sertaneja, o peixe (bacalhau é peixe?) e o vinho se complementam: o primeiro assume a voz principal e o segundo faz a segunda voz, apoiando o prato. Um não vive sem o outro.

Para testar o papel do vinho nesta combinação de tons agudos e graves, este blog aceitou o desafio proposto pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) e testou na prática a harmonização de três rótulos de vinho verde, da uva alvarinho, com um prato de bacalhau. Para este colunista trata-se de levar a experiência para o leitor em busca de alternativas. Para a CVRVV, que trabalha numa campanha de marketing que associa os vinhos verdes a “Um mundo mais refrescante”, mais leve e mais espontâneo, a aposta é no consumo de mais vinhos da região, claro. Cada um no seu quadrado. Ao eventual leitor cabe a decisão se a proposta funciona ou não.

Vinho verde tem cor verde?

Meu filho mais novo outro dia topou com uma caixa de vinhos verdes em casa e fez aquela observação comum àqueles que depararam com o termo pela primeira vez: “Pai, vinho tinto, branco e até rosé eu conheço, mas existe vinho verde também?”. Existe, mas claro que não é verde.

O Minho, localizado no noroeste de Portugal, é o cenário da região conhecida como do vinho verde. Respondendo à dúvida do meu filho – e talvez de alguns leitores -, o verde apenas dá nome à região e não descreve a cor da bebida (pode até pintar um vinho branco com reflexos esverdeados, mas acho que seria bastante estranho um vinho cor verde-abacate, por exemplo). A explicação do nome é até bem sem graça. O elevado índice de chuvas (em média 1200 mm.) proporciona uma vegetação exuberante e verdejante, e daí o nome verde. Outra versão, que carece de precisão, diz que as uvas eram colhidas ainda verdes por conta das chuvas o que daria o nome à região. Há ainda aqueles que contrapõem um vinho jovem, característico da região  (chamado de verde em Portugal) àquele que é mais maduro.

Seja o que for, a produção de vinhos na região é predominantemente de brancos – mas também se encontram rosés, espumantes e até tintos (na boa, são bem difíceis estes últimos). Vamos ao que interessa: a despeito das outras variedades, os vinhos que fazem a fama do lugar, e são reconhecidos no mundo, são os brancos.

O que se pode esperar de um vinho verde? Eles são frescos, aromáticos, de baixo índice alcóolico (média de 12,5%), produzidos com uvas nativas e na sua grande maioria feitos para beber ainda jovens. Naqueles mais populares e fáceis de beber é percebida uma agulha, um tanto de gás que proporciona aquela sensação de uma bebida frisante e um toque mais doce de açúcar residual.

Para aqueles que sempre questionam o consumo do vinho branco no Brasil, que de fato é pequeno, o vinho verde mostra musculatura na ex-colônia. São exportados para o Brasil mais de 2 milhões de garrafas por ano. O crescimento entre 2004 e 2014 foi de 300%! Nada mal.

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Os três rótulos à prova: frescor na taça

Três alvarinhos e um bacalhau

Alvarinho é a principal casta do vinho verde e a mais expressiva. Se caracteriza por acidez marcante, aromas de frutas brancas como pera, maça, algo cítrico e muita flor. Produz rótulos de extremo frescor, secos e aromáticos, para serem bebidos logo.O alvarinho também é a espinha dorsal de brancos que, com algum tempo de garrafa, apresentam uma bela evolução, com maior persistência em boca e boa estrutura.

Os três vinhos verdes provados revelaram perfis variados da alvarinho: frescor, persistência e mineralidade.

Importante, um vinho verde deve ser servido numa temperatura mais fresca, em torno de 10 a 12ºC.

Os pratos, na sequência foram:

 

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Quinta da Lixa – Alvarinho -2013
Vinho Regional Minho
Produtor: Quinta da Lixa
12,5% de álcool
Importador: Pão de Açúcar
R$ 60,00

Esta edição da Quinta da Lixa é um rótulo exclusivo do grupo Pão de Açúcar. Eu gosto de vinhos de supermercados, têm uma ampla distribuição e são mais fáceis de encontrar. É um alvarinho seco, de acidez presente – traz aquela salivação gostosa -, refrescante, fresco, jovem (como tem de ser) e com uma maçã verde e um citrino no aroma que se confirmam na boca. É um vinho verde por excelência. Delicioso, fácil de gostar. Perfeito para começar a brincadeira, uma segunda voz adequada para a salada, talvez para uma brandade, mas apanhou das postas do bacalhau à bras e do creme que o envolvia o prato.

Outros vinhos verdes mais populares, e de menor preço, como os onipresentes Casal Garcia e Calamares, também me parecem se enquadrar neste perfil, mesmo que num patamar abaixo. Nestes dois campeões de venda o toque frisante é bem acentuado, o açúcar residual também. Entregam jovialidade e frescor e ficam melhor para iniciar os trabalhos, mas podem ser abafados pela voz superior do bacalhau.

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Morgadio da Torre – Alvarinho – 2014
Denominação de Origem Controlada – Sub Região de Monção e Melgaço
Produtor: Sogrape
12,5% de álcool
Importador: Zahil
R$ 200,00

Um alvarinho mais imponente, de maior estrutura e que faz parte do batalhão de elite dos vinhos verdes. A subregião de Monção e Melgaço apontam para uma qualificação da bebida. Alia a acidez típica da casta a uma untuosidade que envolve a boca e traz aromas de frutas brancas e com um longo final. Sua persistência e volume combinaram com perfeição à cremosidade do molho e das postas de bacalhau. A dupla perfeita, cada qual no seu tom. O preço não é o mais acessível, mas o prazer compensa o investimento. Com a salada atravessa o prato.

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Via Latina – Alvarinho – 2013
Denominação de Origem Controlada
Sub-região de Monção e Melgaço
Produtor: Vercoope
12,5% de álcool
Importador: Orion Vinhos
R$ 65,00

A safra mais antiga entre os rótulos do Alvarinho provados. Na taça a cor já apontava para uns toques de evolução que se confirmaram na boca, aromas cítricos discretos e um toque mais mineral. Outro rótulo da subregião de Monção e Melgaço. A casta alvarinho em alguns momentos me lembra o perfil de um riesling mais fresco. Foi o caso desta Via Latina 2013, com seu final delicado, um toque mais doce. E quanto ao bacalhau? A parceria funcionou bem, sem se sobrepor ao seu sabor, acompanhando o seu ritmo, talvez com um compasso atrás. Um belo custo-benefício.

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quarta-feira, 27 de março de 2013 Harmonização | 09:10

Bacalhau e vinho: tinto ou branco?

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“Vocês querem bacalhau?”
Bordão do apresentador Abelardo Barbosa, o Chacrinha

Provavelmente você vai encarar um bacalhau nesta sexta-feira santa. E o vinho? Já escolheu? Está em dúvida entre um branco e um tinto?

Saiba que você não está sozinho. Muito gente fica em dúvida sobre qual o vinho que combina com este peixe, que nem parece peixe, pois é um pescado com estrutura mais firme e sabor persistente.

Nem todo bacalhau é igual também. Eles variam de tipo e nível de qualidade: do Cod Gadus Morhua, o mais nobre, ao Gadus macrocephalus, o tipo mais simples. Saiba mais na reportagem “Quinze respostas sobre o bacalhau”

E assim como nunca se vê cabeça de bacalhau, também nunca se chegou a um consenso sobre a combinação ideal entre o pescado e o fruto da videira fermentado.

O escritor português Eça de Queiroz (1845-1900), que entendia da alma lusitana e também se interessava por sua culinária, não tinha dúvidas. “Em Portugal é tradicional acompanhar os pratos de bacalhau com vinho tinto. Este ‘casamento’ feliz explica-se pela ação do tipo de sabores frutados presentes nos vinhos tintos que, dando-nos uma sensação gustativa indireta da doçura, amenizam o gosto ‘oposto’ salgado do bacalhau”, escreve.

De fato, em Portugal é a harmonização mais comum. Os introdutores da bacalhoada na colônia apostam nos tintos com boa estrutura, que dá robustez ao caldo, mas de taninos mais leves e boa acidez para cortar a gordura do azeite, sempre presente nas receitas.

Outros (como eu) preferem brancos mais  encorpados, com passagem em barricas de carvalho, mais maduros, com aquela untuosidade que combina bem com o forte sabor do bacalhau: um não passa em cima do outro. O saudoso critico Saul Galvão era assertivo: “Com um boa posta de bacalhau, preparada com simplicidade para ressaltar o seu sabor, não tenho dúvidas de que um branco encorpado é ótima opção.”

Quem está com a razão? Ambos, eu arriscaria.

Aí está, pois, a boa notícia. Há brancos e tintos que escoltam bem as receitas da bacalhoada, um prato que entrou no cardápio do brasileiro: a semana santa é só uma desculpa a mais para saboreá-lo.

Bacalhau ao forno

Bacalhau ao forno: brancos com madeira e tintos equilibrados

As versões mais consumidas são a clássica ao forno (veja receita), com lascas ou postas grelhadas enriquecidas com tomates, batatas, pimentão, azeitonas, ovos e regado no azeite – aqui não tem erro as escolhas de  brancos encorpados, com estágio em madeira ou tintos de boa fruta e estrutura.

Bacalhau a Bráz

Bacalhau a Bráz, vinhos brancos verdes com madeira

As receitas com consistência mais cremosa, como o bacalhau com natas, bacalhau a Bráz (veja receita), ou brandade de bacalhau pedem um branco mais fresco, como os vinhos verdes da uva alvarinho, de preferência aqueles com passagem em madeira.

Bolinho de bacalhau

Bolinho de bacalhau: para a entrada um espumante vai bem

A versão do bacalhau com broa tostada e uma entrada de bolinho de bacalhau (veja receita) permite uma inovada com espumantes portugueses e espanhois.

Eu costumo iniciar os trabalhos com um belo branco lusitano, das castas arinto e antão vaz, ou ainda com toques de chardonnay –  os brancos amadeirados chilenos, argentinos e nacionais também seguram a onda. Em seguida, desarrolho um tinto também português, agora sem madeira excessiva, mas com muita fruta, equilíbrio e acidez. Evite os tintos muito fortes, que podem passar por cima do prato.

Abaixo, algumas possibilidades  portuguesas e nacionais

Espumantes

Espumante Filipa Pato Bical Arinto 3B 

Espumante Caves São João Bruto

Espumante Vertice

Freixenet Reserva Real

Murganheira Reserva Bruto Branco 1995

 

Brancos (vinhos verdes)

Quinta dos Loridos Alvarinho 2008 

Alvarinho Deu La Deu 2012 

Paço de Teixeiró 2010

Muros de Melgaço 2008  


Brancos

Paulo Laureano Premium Branco 2011

Filipa Pato FP Branco 2009 

Dourum Colheita 

Esporão Reserva Branco 2011

Luis Pato vinhas velhas 2009

Pêra Manca Branco 2010

 

Tintos

Paulo Laureano Clássico Tinto

Marquês de Borba Tinto

Saes tinto 2010 (Quinta da Pellada)

Cabriz Reserva, Dão, 2008 

Quinta do Vallado

Vertente Tinto Niepoort 2009

Quinta dos Murças Reserva 2008

Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2011

 

BRASIL

Brancos

Aurora Pinto Bandeira Chardonnay 2011 – Aurora

Salton Virtude Chardonnay 2011 Salton

Chardonnay Gran Reserva 2011 – Casa Valduga

Villa Francioni Chardonnay – Lote II – Villa Francioni

Da’divas Chardonnay 2012 – Lídio Carraro

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quarta-feira, 8 de abril de 2009 Brancos, Harmonização, Porto, Tintos, Velho Mundo | 23:45

Vinho e bacalhau: um casamento que dá certo

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Para ninguém me acusar de ficar indiferente ao dilema do almoço da sexta-feira Santa ou da Páscoa, aqui vão, de última hora, os meu pitacos para a melhor combinação de vinho com o bacalhau.
Para início de conversa, não existe unanimidade: os portugueses, os artesãos do bacalhau, preferem os tintos. Eu, que só fui apreciar a iguaria há poucos anos e ainda acho a melhor receita a preparada pela minha mulher, prefiro os brancos encorpados, de preferência das uvas chardonnay, arinto ou antão vaz. Mas cai bem também um chardonnay mais untuoso do Chile, da Argentina e mesmo do Brasil

Para satisfazer portugas e brazucas uma lista reduzida de brancos e tintos para acompanhar o baca da Páscoa. Mas só os vinhos da terrinha, até por respeito à sua culinária

Os brancos
Como já disse, minha preferência, de todos os preços.
Esporão Reserva Branco 2007 – Qualimpor

Redoma branco 2007 (Niepoort) – Mistral

Borba Antão Vaz e Arinto Branco 2005 – Adega Alentejana

Paulo Laureano Premium Branco 2006 – Adega Alentejana

Filipa Pato Ensaios Branco – Casa Flora

Luis Pato Vinhas Velhas Branco 2007 – Mistral
(Filipa e Luiz, pai e filha, os dois com brancos bacanas)

Tintos
Mas se você insiste nos tintos para a ocasião, vá de rubros da Bairrada, como os da linha do Luis Pato, elaborados com a uva baga. Duas escolhas:
Luis Pato Baga 2005 – Mistral

Vinhas Velhas tinto 2005 – Mistral

Ou então a coleção de rótulos do Alentejo do enólogo Paulo Laureano:

Casa de Sabicos Reserva Tinto 2005 – Adega Alentejana

Villa Romannu Tinto 2005 – Interfood

Paulo Laureano Clássico Tinto 2006 – Adega Lentejana

E o chocolate?
Quanto ao chocolate, o ovo de Páscoa e outras surpresas do coelhinho, vamos combinar que:

1. ovo de Páscoa e chocolate é coisa de criança, e não convém criança beber vinho;

2. não precisa combinar vinho com tudo. Abre seu celofane, pegue o bombom mais desejado, ou arrebente a casca do ovo, e deixe derreter na boca, à capela, e curta este momento calórico sem culpas;

3. se mesmo assim você quer fazer o tal casamento, vai de Porto Ruby ou Tawny, os mais simples na cadeia alimentar dos fortificados do Douro. Se você tiver muita grana um Tokay Aszu 6 Puttonyos manda muito bem. Mas aí, minha gente, o Tokay sozinho já é a festa completa.

Boa Páscoa a todos.

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