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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015 Brancos, Tintos, Velho Mundo | 01:25

Vinhos de Portugal: um Pato aqui, um Pato acolá.

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Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há
(O Pato, música infantil de Vinícius de Moraes)

 

pato

Luis Pato em foto oficial do site: um pato aqui (o bicho), outro acolá (o vinho)

Um Pato aqui

O vinho português é o que é por conta da diversidade de suas uvas nativas e das características que elas adquirem em cada uma de suas regiões vinícolas. A Bairrada é uma das 28 DOCs (Denominação de Origem Controlada) de Portugal. E foi para lá que partimos de Lisboa para iniciar nossa viagem aos vinhedos e vinhateiros da terrinha.  A região tem nos espumantes seu principal produto – 65% das borbulhas portugueses são da Bairrada -, mas são os tintos elaborados a partir da casta baga que fazem a fama do lugar pra quem se interessa por vinho.

A baga não é para amadores. Pode gerar  vinhos muito adstringentes e herbáceos – aqueles taninos que travam a língua -, mas nas mãos de hábeis vinhateiros é capaz de produzir caldos expressivos, com grande capacidade de guarda e complexidade. Um dos mais conhecidos magos da baga é o  brilhante enólogo Luis Pato, o domador da uva. Um iconoclasta que colocou a baga em outro patamar.

Os vinhos que levam estampados no rótulo o seu nome são para todos os públicos e bolsos. O mais básico – que leva um contorno de um pato vazado no rótulo – é figura carimbada em cartas de restaurantes brasileiros. Na comissão de frente dos rótulos se destacam as joias da coroa: o Vinhas Velhas (branco e tinto), o Vinha Pan e a experiência única do Pé Franco. O Pé Franco, como indica o nome, não usa aqueles enxertos que evitam a praga das parreiras, a filoxera, o que se traduz num tinto de uma pureza inigualável. Com seu bigode de português de almanaque e bom humor inconfundíveis,  Luis Pato é  presença garantida em feiras e degustações patrocinadas por seu importador no Brasil, a Mistral. Após algumas oportunidades de encontrar o criador, apareceu a oportunidade de conhecer as origens da criatura: sua terra e seus  vinhedos.

Leia também: Os bons vinhos e o bom papo de Luis Pato

Um Pato Acolá

Chegamos à vinícola no meio de uma manhã de tempo nublado e chuvoso. Logo na entrada do prédio que abriga a adega uma simpática senhora  descia os degraus de uma pequena escada que leva ao edifício principal. Era a mãe de Luis Pato. Ela nos cumprimentou e indicou o caminho da entrada. O criador, Luis Pato, não se materializaria neste dia – fazia uma viagem de negócios -, mas sua presença em fotos, pôsteres e nos rótulos dos vinhos não deixavam dúvidas de que aquele era seu domínio. Quem nos recebeu, no entanto, foi outra representante da família Pato, Maria João, demonstração evidente de que estamos diante de uma empresa familiar, algo que no mundo do vinho às vezes faz a diferença.

Quinta do Ribeirinho

Maria João tem os olhos muito azuis, um sorriso fácil e uma maneira de falar recheada de graça e ironia. Enquanto dirige o jipe levando os visitantes por um passeio por parte dos 60 hectares de vinhedos da família, vai apontando onde estão plantadas as uvas responsáveis por pérolas do catálogo Luis Pato: “Aqui estão os vinhedos da casta Maria Gomes, que produz nossos espumantes”. Mais adiante paramos em frente às fileiras de plantas que geram os frutos responsáveis pela Vinha Barrosa, Vinha Pan ou as exclusivas (e caríssimas, R$ 1.500,00 a garrafa no Brasil) parreiras da Quinta do Ribeirinho Pé Franco, cercadas de eucaliptos. “O Pé franco cheira a Eucalipto”, informa. Conta histórias da família. “Os clones da uva cercealinho foram plantados por meu avô (João Pato)”, passa pela antiga casa que foi morada de seus antepassados, logo após a pequena torre que, à maneira de Bordeaux, delimita as franjas da propriedade da Quinta do Ribeirinho (foto ao lado). Apresenta versões para a origem do nome Bairrada “vem do solo de barro” ou então do latim, “significa conjunto de bairros”. A chuva às vezes dá uma trégua e descemos do carro e nos aproximamos dos vinhedos, checamos o solo arenoso, o barro que pode ser origem da região, observamos o ciclo das vinhas “as plantas com as folhas mais vermelhas costumam ser de uvas tintas e as mais claras de uvas brancas”, indica Maria João, identificando algumas espécies. Ali, no meio do vinhedo, com os pés no barro, ouvindo sobre o manejo das uvas, me ocorre um sentimento de inadequação entre a simplicidade e a verdade das pessoas que lidam com a produção do vinho e  a solenidade que a crítica e os especialistas impõem à bebida. É bom conhecer de perto a origem de um vinho para entender a mensagem que vem da garrafa.

Maria João é filha menos famosa de Luis Pato. Felipa Pato, a outra irmã, tem um empreendimento na região e já tem uma grife de vinhos com certo reconhecimento. Produz rótulos bastante interessantes e saborosos, em especial, para mim, os da linha Local e seus espumantes. Maria João, no entanto, discorre sobre os vinhos e as vinhas (“2014 foi um ano difícil na Bairrada”) com conhecimento e intimidade. As vinhas estão plantadas em terrenos de solo calcário e argiloso e o clima sofre forte influência do Oceano Atlântico. A proximidade do mar, “mais próximo que em Bordeaux”, explica, potencializa a precipitação de chuvas, dificultando em algumas safras a maturação das uvas. Aí entra o talento da família em dominar este processo.

Maria João na adega com um rótulo antigo

Maria João na adega com um rótulo antigo

Voltamos ao prédio onde começamos a visita. Luis Pato é uma vinícola de médio porte, as instalações são modernas e eficientes, mas não grandiosas; não vendem arquitetura, mas qualidade do que vai dentro da garrafa. Passeamos na sala onde estão armazenados garrafas novas e antigas. Maria João embala alguns rótulos mais antigos e conta sua história, uma aula visual proporcionada pelas alterações das etiquetas, desde a  assinatura de Luis Pato – sempre presente – até a evolução do design. Ao mostrar a linha de mais alta gama, Maria João expressa o desejo de aumentar as vendas dos rótulos de maior valor agregado, ou seja, os mais caros. “Acho que  não é uma tarefa fácil”, argumento, tentando contextualizar o momento econômico. Mesmo viajando, o Brasil nunca sai de dentro de nós… Os maiores mercados de Luis Pato são: Estados Unidos, China (Macau), Noruega e por fim o Brasil. Estamos bem, mesmo assim.

ov.josmolespgDali partimos para um almoço regado a vinhos. Carrego uma caixa pesada, onde estão os rótulos que iremos provar. “Começamos bem!”, penso antecipando o prazer da prova. O restaurante era o reconhecido O Reis dos Leitões, em Mealhada. O prato principal, como não poderia deixar de ser, foi o Leitão da Bairrada. Iniciamos a refeição com entradas típicas, como uma espécie de empada recheada de carne de porco, presuntos e cremosíssimo queijo do Azeitão e finalizamos com uma sobremesa típica: ovos moles de Aveiro – pequenas porções doces de gema de ovo cozidos em xarope e envoltos em hóstias (foto ao lado). A carta de vinhos, premiada como uma das três mais importantes de Portugal – uma bíblia cheio de rótulos portugueses de todas as regiões –, também contempla alguns rótulos importados, em especial uma bela seleção de champagnes.

O que é que há: os vinhos

Cinco vinhos bebidos no Rei dos Leitões, e um aqui em casa (enquanto escrevo este texto)

mariagomes

Maria Gomes sparkling – método antigo

100% Maria Gomes

O método antigo é chamado por Luis Pato de antichampagne, pois só tem uma fermentação, ao contrário das tradicionais duas fermentações do método clássico. Para isso a uva tem de ter alto teor de açúcar, já que não há adição de mais açúcar, comum no método champenoise. “Champagne é o açúcar mais caro do mundo”, costuma ironizar Luis Pato. Aromático (característico da Maria Gomes) e com bela acidez tem aromas de fermentação presentes, resultado do método. Um belo e diferente espumante que vale experimentar.

bairrada95

Vinhas Velhas Luis Pato Bairrada Vinho Branco 1995

Uvas: Bical, Maria Gomes e Cercial

Vá lá, é um vinho para impressionar visitante, para mostrar o potencial histórico. Bingo! No contrarrótulo, o texto sugere que o vinho pode ser guardado por tempo superior a 10 anos. Eu sempre duvido destas previsões. Mas em 2015, passados os 10 anos, se revelou um branco soberbo. Com uma linda cor dourada, mel em profusão, um doce de figo em compota no nariz e na boca, untuoso e longo. Pra quem acha que só vinho tinto ganha com o tempo, uma lição de paladar evoluído.

Vinhas.Velhas.pg

Vinhas velhas tinto 2011

Uva: Baga

Um vinho que sempre me agrada. Um clássico que representa Luis Pato e sua baga de resultados. Potência, um toque de fumê, que é dado pelo solo – segundo Maria João -, e com uma menta muito perceptível no final de boca. Quer se iniciar nos vinhos de Luis Pato? Comece pelo mais básico, vai dar uma ideia. Quer provar o potencial da um bom baga? Eis aqui uma experiência que retrata o trabalho do enólogo.

VinhaPAn

Vinha Pan 2011 – Bairrada DOC

Uva: Baga

Aqui o capricho se dá desde a seleção, são apenas três cachos por cepa nos Vinhedos de Panasqueira (daí o nome Pan), com solo de argila-calcário (você encontra vestígios de amonites – conchas de origem marítima). Bom de aroma e de boca, com um baita potencial de guarda, mas já se revela grande na safra 2011.

VinhaBarrosa

Vinha Barrosa 2012 – Monopólio – Bairrada DOC

Uva: Baga

A vinha Barrosa é a vinha mais velha (quase 90 anos) da propriedade, todo o trabalho é manual. Situada numa espécie de concha, está rodeada de pinheiros. 2012 foi um ano mais quente, é um vinho redondo, macio, de boa estrutura e complexidade. Isso tudo para dizer que é um vinhaço, com aromas mais presentes, que vai mudando na taça e mantém uma sensação gostosa ao passar dos goles. Vai envelhecer com galhardia e pompa. Então, se você foi contaminado pelo paladar da linhagem Pato aqui o namoro vira casamento.

FernãoPires

Fernão Pires 2012

Uvas: Fernão Pires 96% e Baga 4%

Você já provou um vinho tinto elaborado primordialmente por uma uva branca? Tá aqui uma oportunidade. Luis Pato juntou 6% da tinta baga e pintou a branca Fernão Pires. Uma homenagem ao neto Fernão.O rótulo mostra a mão de uma criança e de um adulto se tocando pelos dedos, numa referência ao afresco da Capela Sistina.  É um tinto delicado, 12º de álcool, perfumado, uma fruta vermelha silvestre, uma boa acidez, que se bebe com prazer e sem grandes pretensões. Um vinho de curtição e não de elucubração, que embalou a finalização este texto. Nada melhor para embalar um texto que o vinho sobre o tema, né não?

Lá vem o Pato..

selvagem

Enquanto passeávamos pelas estradas entre os vinhedos da propriedade, Maria João revelou, um pouco intimidada, que tem em barrica um primeiro vinho em gestação: por enquanto chamado de “Selvagem”, ainda uma experiência sem pretensões comerciais. Não está pronto, ainda está em processo de apuração. Mas já revela uma pegada mais natural, a formação de um estilo de vinho sem intervenções. A propósito, não é apenas o vinho que está em gestação. Maria João está grávida. Uma nova geração Pato vem aí, para ver o que que há neste mundo.

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quinta-feira, 25 de março de 2010 Velho Mundo | 21:20

Os bons vinhos e o bom papo do português Luis Pato

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Luis Pato: o criador e a criatura

Há enólogos e produtores que são bons no discurso mas ruins de vinho e existem aqueles que são acanhados no papo mas entregam um belíssimo caldo na garrafa. O enólogo e também produtor português Luis Pato é daquele tipo raro que soma duas virtudes: é sedutor na conversa e produz vinhos saborosos e com estilo.

Bairrada

O estilo Luis Pato está marcado pelo manejo de uma variedade de uva da Bairrada chamada baga. Por muito tempo os vinhos desta região portuguesa eram extremamente rústicos, davam aquela travada na língua e desciam rasgando pela goela. Sem abandonar a uva representativa da região Luis Pato amaciou o que a natureza oferecia em estado bruto e fez história. Quem quiser fazer a prova da garrafa pode começar experimentado sua linha mais básica, Luis Pato Baga 2005 (R$ 50,00), subir um degrau e saborear um Vinhas Velhas Tinto 2005 (R$ 107,00), ou meter mais ainda a mão no bolso e saborear um Vinha Pan 2005 (R$ 177,00). As provas vão falar mais sobre o estilo Luis Pato do que uma descrição barroca e pessoal de seu vinho. Mas o registro está sempre lá, um tinto com sabor local, que pede sempre outra taça cheia e que vai aumentando de complexidade e texturas à medida que se sobe na pirâmide de qualidade de seus rótulos.

Aos que forem abduzidos pela baga, e por seu adestrador, há ainda uma experiência mais rica (e cara, como de costume): o Pé Franco 2005 (R$ 703,00!). São pequenas parcelas de vinhedos que, como o nome indica, não usam aqueles enxertos que evitam a praga das parreiras, a filoxera, o que se traduz num tinto de uma pureza rara e instigante, daquele tipo que provoca um “uau” dos conhecedores (além de alguns segundos de nariz enfiado na taça) e inquietação nos neófitos que percebem algo diferente na taça, mas não conseguem identificar. São aquelas camadas de aromas e sabores mais encontradas em vinhos da Borgonha, na França, ou em Barolos italianos. “A baga tem capacidade de envelhecer de um Barolo”, garante o enólogo. O Pé Franco é o testamento em vida de Luis Pato.

Há ainda o capítulo dos espumantes, o rosado elaborado pela uva touriga nacional é um sucesso de fácil assimilação e muito prazer. O Maria Gomes Brut (R$ 70,00), provado recentemente, tem um frescor de boca que é resultado da antecipação da colheita das uvas “o grande problema dos espumantes portugueses é que eles eram pesados”, explica  Luis Pato. A baga bate continência em 10% da composição (maria gomes é o nome da uva protagonista), e mostra sua presença com um fim de boca mais prolongado. E se você, como eu, gosta de brancos, o Maria Gomes 2008 (R$ 40,00) é um baita aperitivo ou vinho de entrada.

Douro

O rei da Bairrada, também faz das suas no Douro, mais ao norte de Portugal. “Há aqueles que são flying winemakers, eu sou um drive winemaker, pois vou de carro”, ironiza. Nesta região, famosa pelos vinhos do Porto, ele maneja os vinhedos da Quinta da Pôpa. O resultado é sublime. O Quinta da Pôpa Vinhas Velhas 2007 (R$ 213,00), como o nome indica, é de vinhedos mais antigos, de mais de 60 anos.

Vinhas velhas? Isso é bom? É. Explica-se: quanto mais antigas as parreiras mais profundas são suas raízes e a extração de componentes e minerais que ela traz à uva; menor também o rendimento por cacho, o que concentra ainda mais os componentes, que se traduz em sabores mais ricos e aromas mais complexos, daí a razão de os produtores anunciarem nos rótulos a idade das vinhas.

O grande barato do Douro, porém, é a complexidade que o conjunto das uvas proporciona e entrega ao vinho. “O Douro é carne sem osso”, diz Luis Pato. Elas estão lá misturadas na garrafa da Quinta do Popa – touriga nacional, touriga franca, tinta barroca e tinta roriz –, e sem abusar da madeira, outra característica do estilo do enólogo “vender madeira no lugar do vinho custa no bolso do consumidor”, explica. Perfumado, mas sem exageros, tem final longo, como suas raízes – o vinho fica rodando no paladar e na lembrança. “Muitas vezes tiro um pouco de aroma, pois quero enviar meu vinho para avaliação da Jancis Robinson (crítica inglesa que prefere a fineza ao exagero) e não para o Robert Parker (poderoso crítico americano que dá mais valor à extração dos cheiros e do suco da uva fermentado)”, explica. Confesso que pedi mais um gole na taça deste Douro repleto de sabores. Melhor indicador de aprovação, não há.

“Baidouro”

Aqui o lado inovador de Luis Pato mostra seu serviço. Se há uva boa no Douro e na Bairrada, por que não soldar o melhor de uma região com o excelente da outra? O TRePA 2007 (R$ 213,00) é a resposta. 50% de baga dos mesmos vinhedos da Vinha Pan, 50% de tinta roriz do Douro. Aí é tirar as conclusões. Características de um e de outro saltando aqui e ali e um conjunto pra lá de harmônico, fácil de beber e com capacidade de envelhecer na garrafa. Um sonho antigo de Luis Pato: “Um Douro com um toque de Bairrada”, diz.

Futuro

No trato pessoal o estilo Luis Pato se mostra na capacidade de ser didático sem aborrecer, moderno sem desprezar a tradição e marqueteiro sem perder a classe ou a autenticidade. Afinal um homem que carimba o nome e sobrenome no rótulo tem de garantir qualidade e bater tambor, não é? No campo estratégico, ele pretende difundir a touriga nacional como uva símbolo de Portugal. Portugal tem uvas nativas que o mundo, principalmente o mercado americano, não conhece. “Podemos tirar vantagem de um problema”, diz. Para Luis Pato o ciclo do mercado consumidor de vinho agora retoma uma busca pela originalidade, pela diferenciação, atrás de um tinto e um branco mais gastronômicos, que vai melhor com a comida do que numa prova de degustação. Aí que ele aposta as fichas das castas portuguesas.

O enólogo inova também seguindo o conselho dos mais jovens. “Minha filha (Filipa Pato, também enóloga. Tente conhecer a linha de seus vinhos de  belíssimo custo benefício chamada Ensaios) me alertou que eu não estava fazendo vinhos para a geração dela e então eu amaciei um pouco mais os tintos” . Inova também nos vinhedos. “Os acertos muitas vezes são produto do acaso”, confidencia. Por exemplo, ele transformou uma técnica –  quando o enólogo decide descartar alguns cachos de uvas para concentrar sabor em outras – em vantagem produtiva. Ao colher algumas uvas em agosto, quando ainda estão verdes, encontrou o ponto certo para seus espumantes (“em Champagne as uvas são verdes”). De quebra, fortalece os cachos remanescentes que são colhidos um mês depois e usados para vinificar outros tipos de vinho. O resultado é que ele extrai de uma mesma parreira, em duas colheitas (agosto e setembro), uvas que serão usadas para elaborar um espumante rosé, um vinho doce rosado, um tinto seco e um tinto doce. É de dar inveja em qualquer consultor especializado em produtividade.

Futuro? Trabalhar vinhos de pequenas tiragens, testar novas técnicas, conquistar os jovens. Ele tenta isso com seus vinhos moleculares, mais docinhos e menos alcoólicos (Abafado Molecular Branco e Tinto R$ 102,00). Sei não, jovem gosta mesmo é de álcool… Aí se revela o marqueteiro: “O sonho é o que manda na vida”.

Importadora: Mistral

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