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terça-feira, 14 de março de 2017 Blog do vinho | 13:06

O que a escolha do crítico Steven Spurrier como Homem do Ano tem a ver com o papel das comunidades e redes sociais de vinho

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O aclamado crítico e jornalista Steven Spurrier: Homem do Ano da Decanter

O jornalista e critico de vinhos Steven Spurrier levou o título de homem do ano de 2017 da revista inglesa Decanter (leia aqui reportagem – em inglês), a mais prestigiada publicação do setor. Esta honraria joga luzes, desde 1984, sobre uma personalidade importante do mundo do vinho e já elegeu produtores, críticos e enólogos. A divulgação é garantida: o cidadão eleito – e aquilo que ele representa – ganha repercussão mundial neste mercado.

E o que Spurrier representa? Uma trajetória vencedora e uma história de vida dedicada ao vinho, fato. Mas também é um porta-voz de uma mídia em busca de um bote salva-vida: a revista impressa especializada (leia mais sobre o crítico nos parágrafos abaixo). Sua escolha suscitou uma questão na rede: trata-se de uma justa homenagem ou autopromoção da publicação e o que ela representa? Afinal o jornalista é editor da Decanter há 20 anos. Não cabe aqui questionar a lisura ou legitimidade do prêmio. A escolha é ratificada por personalidades do meio consultadas pela revista. E, convenhamos, é uma decisão editorial da Decanter. Ela só vale aqui para provocar alguns pontos de discussão, o que vem logo abaixo.

O velho e o novo

Esta premiação ocorre no momento em que as publicações especializadas e a opinião dos velhos influenciadores estão sendo colocadas em cheque pelas redes sociais e comunidades de avaliação de vinhos. A dicotomia nem é a da mídia impressa X mídia digital, pois a curadoria e a relevância dos palpiteiros digitais (no qual me incluo) também está em discussão. Todo o velho modelo, ou nem tão velho assim, enfrenta a concorrência da comunidade digital e seus aplicativos sempre à mão – leia-se Vivino, Cellar Tracker, e os onipresentes Facebook, Twitter e Instagram da vida. Hoje eles também são protagonistas.

Será que um dia a Decanter terá coragem de outorgar o prêmio de “homem do ano” ao consumidor que dá sua opinião nas redes sociais, ou em uma comunidade/ferramenta agregadora de dados e reconhecer a democratização da informação que elas proporcionam?

Tudo que é físico se transforma em digital

A internet é uma destruidora de modelos de negócio. É disruptiva por definição. Foi assim com a música, chegou na mídia e agora transforma todas áreas de negócios que toca: financeiro, comercial, serviços, transportes, turismo. Todo consumidor é um “opinador”;  um editor amador que tem várias ferramentas à mão para expressar seu ponto de vista. Pelas redes sociais um “opinador” muito compartilhado acaba virando um influenciador, às vezes até mais relevante que o profissional que vive disso. Não é difícil detectar a influência da opinião coletiva e para onde caminha a humanidade. Quando informalmente você cita um vinho para um colega que aprecia a bebida, qual a pergunta mais comum?

  1. Qual a cotação do vinho no Vivino (23 milhões de usuários)?
  2. Qual a nota do Robert Parker (ou outro crítico ou revista qualquer)?

Posso apostar, sem muita chance de erro, que a primeira hipótese é mais comum. Em seguida, o sujeito consulta o aplicativo no celular e após rápida pesquisa mostra o rótulo na tela pequena e todo os dados existentes: o ranking do vinho entre os consumidores do mundo,  a lista de avaliações, o tipo de uva, região etc..

Tem seu contraponto também. A opinião do coletivo pode carecer de legitimidade e curadoria. Tem o risco de disparar o efeito manada, tão comum às redes sociais. O vinho mais votado, o que tem mais estrelas nos aplicativos, ou é mais compartilhamento na rede, é necessariamente o melhor? Assim como existe o fenômeno do Fake News, é possível produzir o efeito  Fake Score, com robôs ou humanos votando em massa nas comunidades e elevando para cima a pontuação de um rótulo? Sim, tudo isso é possível. Mas com certeza a massa de dados criada pelos usuários tem o potencial de orientar o mercado com mais assertividade que a opinião tradicional e juramentada dos especialistas tradicionais individualizados. E guiar a massa dos consumidores perdidos diante de tantas opções. A questão que se coloca é: as duas forças se complementam ou se excluem? O que nos leva ao próximo parágrafo.

Brinde

Comunidades e redes sociais: a opinião do coletivo tem curadoria?

A opinião do especialista e do amador: mais próximas do que se imagina

Esta dualidade entre o social (amador) e o especializado (profissional) enfrenta outra questão: quem influencia quem? Sempre questionei se, no final do dia, existe alguma diferença no gosto de um e de outro na hora de indicar ou pontuar um vinho. Uma reportagem  publicada em dezembro de 2016 pelo site de notícias VOX demonstra, através de análise de dados e gráficos comparativos, que as notas  dos críticos amadores no site Cellar Tracker e dos críticos especializados eram bem próximas. Cerca de 25.000 notas de rótulos dadas pelos sites profissionais Wine Advocate (Robert Parker), International Wine Cellar e Jancis Robinson (crítica inglesa) foram comparados a 52.000 notas dadas pela comunidade de críticos amadores da Cellar Tracker, que reúne  5.8 milhões de registros no seu banco de dados. A correlação de notas era de cerca de 0.5, já entre os próprios críticos, era menor que 0.2.

A reportagem, com o título original “Why amateur wine scores are every bit as good as professionals” (leia aqui) não é conclusiva, não crava nem a hipótese de os críticos influenciarem o gosto dos amadores nem o da marca famosa influenciar as notas de ambos. Acho as duas hipóteses válidas. A massa gera o volume, a crítica curadoria. Mas a matéria registra outro fenômeno:  quanto melhor o vinho, maior o índice de correlação entre as notas dos especialistas e dos amadores. Quem afinal vai dar cartão vermelho para um monstro sagrado de Bordeaux, não é mesmo? Nem os especialistas, nem os amadores.

Steven Spurrier. Homem do Ano de 2017, de vários anos

Tergiversei. Voltemos ao nosso personagem. Steven Spurrier, pessoalmente, é tudo aquilo que você imagina de um cavalheiro inglês: no porte, nos ternos de corte impecável, nos gestos, na finesse e até nas bochechas rosadas. Mas Spurrier não é apenas um jornalista especializado de vinho que levou um prêmio, tem uma biografia consistente e fez história.

Qual personagem do mundo do vinho virou tema de livro, O Julgamento de Paris, e personagem principal de um filme, Bottle Shock, que no Brasil levou o mesmo título do livro, O Julgamento de Paris? Qual especialista colocou no mapa uma região ou país com tanto alarde? Quem, quem, quem? Steven Spurrier!

Na década de 1970 Steven Spurrier foi proprietário da loja de vinho Les Caves de la Madelaine, em Paris, e do primeiro curso de vinho para consumidores na França, L’Academie du Vin, modelo que foi copiado em todo o mundo. Lançou livros de vinho na década de 1980 e há 20 anos é colaborador da revista Decanter. Ali vem influenciando na formação dos consumidores ao apontar as qualidades e características deste ou daquele rótulo através dos artigos comentados em sua coluna “Spurrier’s Word”. Não é raro citar rótulos brasileiros, fato impensável anos atrás. Também é figura constante em eventos. Em um encontro de espumantes do hemisfério Sul, realizado no Brasil em abril de 2014, recomendou: “Vocês não precisam de Champagne. O Brasil tem seus próprios espumantes para beber”. Thank you, Mr Spurrier, so polite!

Aos 75 anos continua na ativa. Está cometendo sua autobiografia (Wine A Way of Life) e depois de provar vinhos de todo o planeta tem um vinhedo para chamar de seu: Bride Valley, em Dorset, sudoeste da Inglaterra. onde produz espumantes (pra quem se espanta, os espumantes ingleses começam a fazer bonito, não sei como se comportariam numa degustação às cegas com os brasileiros, que tal a ideia, Mr Spurrier?).

São Paulo Tasting 2013: 11 garrafas e nenhum segredo

São Paulo Tasting 2013, a franquia de Spurrier para os vinhos chilenos: 11 garrafas e nenhum segredo

 

Julgamento de Paris

Mas por mais que tenha realizado em sua vida profissional, sua marca registrada será sempre a histórica degustação realizada em 1976 conhecida como Julgamento de Paris. A história é conhecida mas não custa relembrar. Foram degustados às cegas, por um seleto grupo de especialistas franceses, os melhores Bordeaux e Borgonhas da Franca ao lado de tintos e brancos californianos. E os americanos levaram os primeiros lugares.  Foi um choque. A história é contada em um livro delicioso: O Julgamento de Paris: Califórnia x França 1976 – A Histórica Degustação que Revolucionou o Mundo, de George M. Taber, único jornalista que cobriu o evento, que fez uma reportagem  para a revista TIME (leia texto original).  Sobre este evento, Spurrier declarou nesta edição da Decanter que traçou seu perfil: “O objetivo era ajudar os produtores da Califórnia” e não fazer propaganda de sua loja e muito menos destratar os franceses. Passados 40 anos, muita gente ainda torce o nariz para este resultado.

O formato virou uma espécie de franquia que Steven Spurrier repetiu diversas vezes pelo mundo, especialmente com o produtor chileno Eduardo Chadwick, que reproduziu o painel confrontando seus rótulos chilenos de alta gama como Seña, Don Maximiano e Chadwick com rótulos estrelados de Bordeaux e do velho mundo. Ficou conhecida como Cata de Berlim. O objetivo era repercutir. Mostrar ao mundo a qualidade dos rótulos ainda desconhecidos do Chile. Chadwick apostava que podia competir de igual para igual com estrelas como Château Lafite-Rothschild, Château Margaux, Château Latour e o supertoscano Solaia. Funcionou. Grande jogada de marketing, só acompanhar a evolução dos preços dos rótulos do portfólio de Chadiwck. Desde então, foram mais de 20 provas semelhantes ao redor do mundo.

Roupão branco e discreta gagueira

Tive contato algumas vezes com Spurrier, mas sempre numa posição de espectador privilegiado. Quando ainda era a toda poderosa importadora de vinhos no Brasil, a Expand do empresário Otavio Piva reprisou a degustação de Paris com safras mais recentes dos mesmos rótulos do prova histórica em um evento na Expovinis, a feira de vinhos que acontece anualmente em São Paulo. Aqui os franceses ganharam, para júbilo dos convidados francófonos. Anos mais tarde, o jornalista inglês conduziu, também em São Paulo, uma das duas provas que Chadwick realizou no Brasil.

A última vez que tive a oportunidade de assistir Spurrier foi num evento patrocinado pela Argentina Wine Awards (AWA) de 2014. Estávamos hospedados no mesmo hotel em Mendoza. Aqui deu-se o improvável. Aproveitando o final de tarde ensolarado,  fui tomar um banho de piscina após uma visita a uma vinícola. Deparo com Mr Spurrier de roupão branco (aqueles do banheiro de hotel), sandálias, e aquela semblante de um inglês que não tem contato com um raio de sol há alguns anos caminhando para o deck. Desisti. Achei um pouco demais presenciar a retirada do roupão e o tchibum do honorável homem do Julgamento de Paris. Preferi guardar na mente o registro de um fidalgo inglês empunhando uma taça de vinho.

Há uma característica pouco comentada de Spurrier que é uma espécie de gagueira que surge em determinados momentos de uma frase e faz com que ele repita umas duas ou três vezes a mesma sílaba até conseguir engatar uma segunda marcha e continuar a frase. Quem nunca acompanhou uma palestra do jornalista se surpreende na primeira ocorrência, estranha na segunda e compreende a limitação daí por diante. Um conhecido blogueiro de excepcional senso de humor e sempre de bem com a vida me acompanhava em Mendoza, quando Spurrier começou seu discurso e começou a travar em algumas palavras. Ele olhou em minha direção, imitou o inglês e abafou uma gargalhada, sem muito sucesso, o que foi prontamente repreendido pelos convidados mais formais ao redor. Bobagem, não era falta de respeito, mas sim o resultado do riso frouxo que às vezes o vinho também proporciona. O respeito ao personagem não estava em questão.

Uma opinião final

E apenas para concluir, para não dizer que fiquei em cima do muro. Independente da reflexão acima, é merecido o título de Homem do Ano da Decanter 2017 para o jornalista Steven Spurrier. Mas é bom a Decanter, os críticos, especialistas e mesmo os blogueiros profissionais ficarem atentos à voz das redes, das comunidades e dos amadores. Eles estão gerando dados, informações e, mais do que tudo, influência. Melhor ou pior? Complementares, eu diria. Mas não podem ser ignorados.

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quinta-feira, 30 de abril de 2015 Tintos, Velho Mundo | 11:31

Um vinho francês de bom preço e um sapo arrogante

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Vinhos do Languedos, sul da França: um príncipe entre os sapos!

Vinhos do Languedoc, sul da França: um carignan de vinhas velhas entre os sapos!

Então você quer beber um vinho francês e na hora de escolher um rótulo fica dividido entre deixar de pagar a mensalidade escolar do seu filho e gastar a grana comprando um premiado Bordeaux, um elegante Borgonha, um clássico Champagne ou acaba se arriscando num rótulo genérico de supermercado mais barato e fica com aquela impressão que vinho da terra do Asterix é só para poucos mesmo. Decepção.

Assim como a França vitivinícola não se resume a estas três regiões clássicas, os valores não precisam ser tanto ao céu nem tanto à terra. Há vinhos de boa qualidade e preços médio de várias regiões da França que chegam aqui no Brasil também. E são agradáveis, com alguma tipicidade, mais despretensiosos, nem por isso mal cuidados.

O próprio governo francês trabalha neste sentido. O escritório da embaixada francesa, através da agência Business France, montou um estande na última ExpoVinis cuja estratégia era mostrar ao mercado que grande parte da produção do país é feita para um consumo do dia a dia, sem protocolo, mas mantendo qualidade. E apresentou rótulos de diversas regiões. O lema era: “Vinhos franceses: não precisa complicar. Basta amar!”

Foi nesta pegada que segui para uma degustação de tintos e brancos da Domaines Paul Mas, da região do Languedoc, Sul da França, dia desses. Se você nunca ouviu falar do Paul Mas provavelmente um de seus vinhos já deve ter  chamado sua atenção: Arrogant Frog. Se não pelo vinho, pelo menos pelas simpáticas figuras aí de baixo.

Desprentensioso, divertido, mas arrogante

Despretensioso, divertido e um marketing moderno

E foi mirando o sapo gabola que imaginei que iria conduzir este texto. Mas este negócio de pensar o texto antes dos fatos costuma dar errado. Outro vinho, de preço nada arrogante, no entanto, me chamou mais a atenção.

Paul Mas

Mas antes do vinho, um pedágio: a apresentação da vinícola e seu projeto. A Domaine Paul Mas não é um empreendimento qualquer, não: são nove diferentes vinhedos cobrindo toda a extensa região de Languedoc, 478 hectares de vinhedos próprios (92 biodinâmicos), 1285 hectares de vinhedos de parceiros sob contrato, mais de 30 variedades de uvas plantas, 8 enólogos, 130 empregados, mais de 2 milhões de caixas de vinho produzidas e exportadas para 58 países nos 5 continentes. O conceito: produzir vinhos do Velho Mundo com a Filosofia do Novo Mundo, ou como está descrito no site da empresa “ O segredo da qualidade de nossas uvas e nossos vinhos está no fato de que trabalhamos com o espírito de uma pequena vinícola mas com a operação em escala de uma vinícola do Novo Mundo”.

Ah, uma historinha sobre o rótulo do Arrogant Frog. Como se sabe os franceses não têm a fama de serem as pessoas mais modestas e simpáticas deste planeta. Por conta desta característica que os identifica, seus vizinhos e eternos rivais ingleses costumam tratá-los como batráquios. Juntando o fato de que na época de seu lançamento os Estados Unidos estavam boicotando os produtos franceses já que o país se recusou a aderir à Guerra do Iraque, a ideia de responder com humor a situação revelou-se uma baita ferramenta de marketing. Daí surgiu a linha Arrogant Frog e seu rótulo chamativo, e lá se vão 10 anos.

Paul Mas Carignan Vieilles Vignes 2013.

Então estou eu na tal degustação na esperança de juntar minha ideia de explorar o sapo num texto e recomendá-lo aos leitores. E topei com um vinho muito mais bacana para recomendar: o Paul Mas Carignan Vielles Vignes 2013. É dele que falo abaixo.

Paul Mas Vielle Vignes Carignan: um vinho do seu lugar

Paul Mas Vielile Vignes Carignan: um vinho que representa sua origem

Paul Mas, Carignan Vieilles Vignes 2013

Produtor: Chateau Paul Mas

Região: Languedoc – Vale do Hérault

Uva: 100% carignan

Preço: R$ 79,00(no site da importadora Decanter está em promoção por R$ 67,00)

E voilá! Pelo mesmo preço de um Arrogant Frog acho que tem mais vinho nesta garrafa de 100% carignan de vinhas de mais de 50 anos. O bichão tem boa concentração, um corpo médio, taninos suavizados pelos seis meses de barricas americanas (20% novas). Tem um aroma mais doce, com traços da passagem pela barrica, fruta negra madura e um toque terroso delicioso. Foi bem com o confit de pato, retratado abaixo.

Vai um pato aí?

Vai um pato aí? Um carignan, s’il vous plait!

Ficou curioso pelos sapos topetudos, né? Muita gente já conhece, mas vamos a eles: dos dois Arrogant Frog que provei, o Syrah-Viognier 2013 (91% syrah de vinhas de 20 a 30 anos e 9% viognier – R$ 71,50) e Reserve IGP 2013 (um típico GSM: grenache, 30%, syrah, 45%, e mourvèdre, 25% – R$ 79,00), acho o segundo mais típico de uma região mediterrânea, mais gostoso de tomar e gastronômico, com um toque nítido de especiarias e notas defumadas, cai muito bem com uma comida de bistrô, por exemplo. Há uma linha relativamente grande do Arrogant Frog no mercado brasileiro. Entre eles os  divertidos tutti-frutti, rouge, rosé e branco destinado ao público mais jovem.   Descompromissados, resolvem uma festa, uma refeição sem grandes pretensões, mas pelo mesmo o preço (ou até menor, como a atual oferta), o Paul Mas Carignan Vieilles Vignes dá mais prazer.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 Blog do vinho, Brancos, Degustação, Tintos | 15:39

Listas dos melhores vinhos de 2014

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São Paulo Tasting 2013: 11 garrafas e nenhum segredo

Listas, rankings, concursos: as escolhas dos melhores vinhos de 2014

Quais os melhores vinhos de 2014? Difícil responder. Melhor vinho de onde, para quê, para quem e a qual preço? Mesmo assim ao longo do ano vários concursos e rankings são realizados e, principalmente no final do ano, as principais publicações e guia de vinhos lançam as suas listas de top 100, elegendo os melhores do ano.

Todo mundo adora listas de melhores do ano. Todo mundo critica. Mas todos – os que gostam e os que odeiam – consultam estas listas. Para se guiar, falar mal delas ou mesmo para comparar com o seu próprio critério de escolha.

Um personagem emblemático desta mania é o de Rob Gordon, do romance Alta Fidelidade, do inglês Nick Horben. Proprietário de uma falida loja de vinil e com problemas de relacionamentos crônicos, ele vive criando listas dos 5 melhores ou piores coisas de sua vida, em especial de músicas para cada ocasião. É assim que ele dá sentido à sua vida. O romance virou um filme de mesmo nome interpretado por John Cusack.

Para alegria de muitos e desagravo de outros tantos, este blog reuniu numa mesma página algumas das listas de melhores vinhos publicadas em 2014 pelas mais famosas e badaladas revistas especializadas e o resultado de  concursos internacionais. Em seu momento Rob Gordon, este cronista dos fermentados, também enumera 10 vinhos inesquecíveis provados em 2014, sem qualquer rigor científico: aplausos e apupos e na caixa de comentários, please.

  • BLOG DO VINHO – 10 vinhos inesquecíveis do Chile e Argentina de 2014

Este ano, por conta de algumas viagens, degustações e mesmo vinhos provados em restaurantes o volume de vinhos do Chile e Argentina provados por este colunista superou – e muito – de outros países. Por isso a lista do Blog do Vinho precisava ser coerente com a experiência pessoal do autor e lista 5 vinhos de capa país. A lista aqui não está em ordem preferência. São apenas vinhos que me encantaram por variados motivos, todos aqueles que estão em torno da bebida: prazer, gosto, companhia, ambiente. Afinal, vinho não é planilha.

 toknar

CHILE

Toknar– Petit Verdot  2010 – Viña Von Siebenthal – Aconcagua

Don Melchor 2010 –  Concha y Toro – Maipo

Manso de Velasco 2011 – Viña Torres – Valle do Curicó

Limávida Old Wines Field Blends 2011 – De Martino – Maule

Tralca Bisquertt Family Vineyards 2010 – Bisquertt – Colchagua

 

republica

ARGENTINA

Casas de Weinert – Gran Vino– Bodegas y Cavas de Weinert

– Mendoza

La Espera Reserva Syrah 2007 – Funckenhausen Vineyards –  San Rafael, Mendoza

Chacra Cinquenta y Cinco 2012 – Bodegas Chacra – Patagônia

Republica del Malbec Blend de Terroir 2012 – Riccitelli Wines – Mendoza

Pequenas Producciones Cabernet Franc  2010-  Escorihuela Gascón, Mendoza

 REVISTAS ESPECIALIZADAS

valemeao

  • WINE SPECTATOR – 10 primeiros vinhos do TOP 100

Destaque para os rótulos região do Douro, de Portugal, classificados  em 1º, 3º e 4º lugares.

1     Dow Vintage Port

2     Mollydooker Shiraz McLaren Vale Carnival of Love

3     Prats & Symington Douro Chryseia

4     Quinta do Vale Meão Douro

5     Leeuwin Chardonnay Margaret River Art Series

6     Castello di Ama Chianti Classico San Lorenzo Gran Selezione

7     Clos des Papes Châteauneuf-du-Pape

8     Brewer-Clifton Pinot Noir Sta. Rita Hills

9     Concha y Toro Cabernet Sauvignon Puente Alto Don Melchor

10 Château Léoville Las Cases St.-Julien

Lista completa: http://2014.top100.winespectator.com/lists/

Deiss

  • WINE ENTHUSIAST – 10 primeiros vinhos da Top 100

A revista americana, claro, privilegia alguns rótulos da terra, pouco conhecidos por aqui.

1     Ken Wright 2012 Abbott Claim Vineyard Pinot Noir (Yamhill-Carlton District)

2     Pieropan 2011 La Rocca Garganega (Soave Classico)

3     José Maria da Fonseca 2011 José de Sousa Red (Alentejano)

4     SonVida 2012 Malbec (Mendoza)

5     Domaine Marcel Deiss 2011 White (Alsace)

6     Guido Porro 2010 V. S. Caterina Nebbiolo (Barolo)

7     Sparkman 2013 Birdie Riesling (Columbia Valley (WA))

8     Gruber Röschitz 2012 Hundspoint Grüner Veltliner (Weinviertel)

9     Luis Duarte 2011 Rubrica Red (Alentejano)

10 Iron Horse 2010 Wedding Cuvée Sparkling (Green Valley)

Lista completa: http://buyingguide.winemag.com/toplists/2014/wines/10-1

Assobio2011

  • WINE ENTHUSIAST – 10 primeiros vinhos Best Buy (melhor compra)

 Nos Estados Unidos os vinhos listados abaixo custam entre 7 a 14 dólares. Novamente Portugal se dá bem em 2014.

1     Aveleda 2013 Quinta da Aveleda Estate Bottled Loureiro-Alvarinho White (Minho)

2     Barnard Griffin 2012 Fumé Blanc Sauvignon Blanc (Columbia Valley (WA))

3     Bogle 2012 Essential Red (California)

4     Herdade do Esporão 2011 Quinta dos Murças Assobio Red (Douro)

5     Mano A Mano 2011 Tempranillo (Vino de la Tierra de Castilla)

6     Chateau Ste. Michelle 2013 Dry Riesling (Columbia Valley (WA))

7     Château Vincens 2011 Prestige Malbec-Merlot (Cahors)

8     DFJ Vinhos 2011 Portada Winemaker’s Selection Tinto Red (Lisboa)

9     Hugl-Wimmer 2013 Wimmer Grüner Veltliner (Niederösterreich)

10 Blue Fish 2012 Sweet Riesling (Pfalz)

Lista completa: http://www.winemag.com/November-2014/Top-100-Best-Buys-2014/

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  • DECANTER top 50 Wines of The Year

Esta é uma seleção anual que a mais respeitada revista de vinhos do planeta, a inglesa Decanter, publica toda edição de dezembro. Dos 4.800 vinhos provados durante o ano os especialistas selecionam os 50 melhores. Não há um primeiro lugar, mas vinhos bem pontuados e de boa relação qualidade e preço.  Bem, tem até um espumante da Grã-Bretanha…  e nenhum dos EUA. A classificação é por país, portanto vai a lista completa.

Argentina

Atamisque, Serbal Assemblage, Gualtary & Tupungato, Mendoza 2012

Chacra, barda Pinot Noir, Patagonia 2011

Zorzal, Pintao Pintao, Gualtary & Tupungato, Mendoza 2011

 

Austrália

Heemskerk, Chardonnay, Tasmania 2012

Tolpuddle, Chardonnay, Coal River Valley, Tasmania 2012

Adelina, Grenache, Clare Valley, South Australia 2012

Ben Glaetzer, Bishop Shiraz, Barossa Valley 2012

John Duval, Entity Shiraz, Barossa Valley, South Australia 2012

Leeuwin Estate, Art Series, Cabernet Sauvignon, Margaret River 2010

Shaw & Smith, Shiraz, Adelaide Hills, South Australia 2012

 

Áustria

Schiefer, Eisenberg Blaufränkish, Burgenland 2009

 

Chile

Casa Marin, Syrah, Miramar Vineyard, Lo Abarca, San Antonio 2010

Casas del Bosque Gran Reserva Syrah, Casablanca 2011

 

França – Bordeaux

Château Gruaud-Larose, St-Julien 2CC 2010

Château Haut-Batailley, Pauillac 5CC 2010

Château Prieuré-Lichine, Margaux 4CC 2010

Château de Rayne-Vigneu, Sauternes 2009

 

França – Loire

Domaine Jean Teiller, Menetou-Salon 2012

 

França – Provence

Le Grand Cros, L’Esprit de Provence, Côtes de Provence 2013

 

França – Rhône

Bosquet des Papes, Chante le Merle Vielles Vignes, Châteauneuf-du-Pape 2012

Domaine Les Grands Bois, Cuvée Maximilien, Cairanne 2012

 

Alemanha

Kloster Eberbach, Hessesche Staatsweingüter, Rüdesheimer Berg Schlossberg, Grosses Gewächs, Rheingau 2012

 

Itália – Regional

Paltrinieri, Solco, Lambrusco dell’Emilia-Romagna 2012

Villa Medoro, Rosso del Duca, Montepulciano d’Abruzzo 2010

 

Itália – Sul

Pietracupa, Greco di Tufo 2012

 

Itália – Toscana

Il Molino di Grace, Il Margone, Chianti Classico Gran Selezione 2010

Melini, Vigneti La Selvanella, Chianti Classico Riserva 2010

Pian dell’Orino, Brunello di Montalcino 2008

 

Itália – Vêneto

Cà dei Frati, Brolettino, Lugana 2011

Cà Lojera, Lugana 2012

Selva Capuzza, Selva, Lugana 2012

Viviani, Amarone dela Valpolicella Classico 2008

 

Nova Zelândia

Greywacke, Pinot Noir, Marlborough 2012

Kusuda, Riseling, MartinBorough 2013

Ata Rangi, Pinot Noir, MartinBorough 2011

Felton Road, Calvert, Pinot Noir, Bannockburn, Central Otago 2012

Fromm, Clayvin Vineyard. Pinot Noir, Marlborough 2011

NOSSA_CALCARIO

Portugal

Felipa Pato, Nossa Calcário Branco, Bairrada 2011

 

África do Sul

Boekenhoutskloof, Semillon, Franschhoek 2010

Chamonix, Chardonnay Reserve, Franschhoek 2012

 

Espanha

Gramona, Brut Nature Gran Reserva, Cava 2008

Contino Blanco Rioja 2010

Bastión de la Luna, Tintos de Mar, Rias Baixas 2011

Bodegas Artazu, Santa Cruz de Artazu, Navarra 2009

Domaines Lupier, LA Dama Garnacha, Navara 2009

Dominio do Bibei, Lalama, Ribeira Sacra 2010

La Calandria, Pura Garnacha, Cientruenos, Navarra 2011

La Rioja Alta, 890, Rioja Gran Reserva 1998

Bodegas Hidalgo Napoleon, Manzanilla Amontillada

 

Grã-Bretanha

Sugrue Pierre, South Downs, England 2010

  • CHAMPA  DECANTER – World Wine Awards (DWWA) 2014

15.000 vinhos passam pela degustação às cegas de 225 jurados internacionais que distribuíram, após quatro meses, 454 medalhas de ouro,  158 troféus regionais e 33 troféus internacional. São provas exclusivas para este concurso, diferente da escolha dos 50 vinhos analisados pela Decanter ao longo do ano. Abaixo a lista dos 33 troféus internacionais

 

International Trophy

 Seco aromático abaixo de 15 libras

Lawson’s Dry Hills, Gewürztraminer, Marlborough, New Zealnd 2012

 

 Espumante abaixo de 15 libras

Cruzat, Cuvée Réserve Rosé Extra Brut, Argentina (sem safra)

 Espumante acima de 15 libras

Charles Heidsieck, Blanc des Millénaires Brut, Champagne, France

 

 Riesling seco abaixo de 15 libras

Marks  Spencer, Eclipse Riesling, Bío-Bío Valley, Chile 2012

 

 Riesling seco acima de 15 libras

Pewsey Vale, The Contours Museum Reserve Riseling, Eden Valley, South Australia 2008

 

 Sauvignon Blanc abaixo de 15 libras

Paul Cluver, Estate Sauvignon Blanc, Elgin, South Africa 2013

 

 Sauvignon Blanc acima de 15 libras

Jean-Paul Balland, Grand Cuvée, Sancerre, Loire, France 2012

 

 Chardonnay abaixo de 15 libras

Albert Bichot, Secret de Famille Chardonnay, Bourgogne, France, 2012

 

 Chardonnay acima de 15 libras

Jordan, Chardonnay, Stellenbosh, South AFrica 2013

 

 Branco varietal abaixo de 15 libras

McGuigan, The Shortlist Semillon, Hunter Valley, New South Wales, Australia 2007

 

 Branco varietal acima de 15 libras

St-Jodern Kellerei, Heida Barrique, Valais, Switzerland 2012

 

Branco blend abaixo de 15 libras

Domaine de la Voiugeraie, Monopole le Clos Blanc de Vougeot 1er Cru, Burgundy, France 2011

 

 Branco blend acima de 15 libras

Domaine Zinck, Portrait Pinot Gris, Alsace, France 2012

 

 Pinot Noir abaixo de 15 libras

Falernia, Pinot Noir Reserva, Elqui Valley, Chile 2013

 

 Pinot Noir acima de 15 libras

Greystone, The Brother’s Reserve Pinot Noir, Waipara, Canterbury, New Zeland 2012

 

 Tinto varietais bordalesas  abaixo de 15 libras

Hartenberg, Cabernet Sauvignon, Stellenbosch, South Africa 2010

 

 Tinto varietais bordalesas  acima de 15 libras

L’Ecole Nº41, Ferguson, Walla Walla Valley, Washington State, USA 2011

 

Tinto varietais do Rhône abaixo de 15 libras

Spier, Creative Block 3, Coastal Region, South Africa 2011

 

 Tinto varietais do Rhône acima de 15 libras

Château Cesseras, Minervois La Livinière, Languedoc-Roussillon, France 2011

 

 Tinto varietais espanhóis abaixo de 15 libras

Olarra, Erudito, Rioja Reserva, Spain 2009

 

Tinto varietais espanhóis acima de 15 libras

Mustiguillo, Pago el Rerrerazo, Spain 2011

 

 Tinto varietais italianas abaixo de 15 libras

Costarossa, Surani, Primitivo di Manduria, Puglia, Italy 2012

 

Tinto varietais italianas acima de 15 libras

Pianpolvere Soprano, Bussia 7 Anni, Barolo Riserva, Piedmont, Italy 2007

 

 Tinto varietal abaixo de 15 libras

Fabre Montmyou, HJ Fabre Barrel Selection Malbec, Patagonia, Argentina 2013

 

Tinto varietal acima de 15 libras

El Esteco, Don David Reserve Tannat, Salta, Argentina 2012

 

Tinto blend abaixo de 15 libras

Morrison’s, Signature, Valpolicella Ripasso, Veneto, Italy 2012

 

 Tinto blend abaixo de 15 libras

Zenato, Ripassa, Valpolicella Rispasso Superiore, Veneto, Italy 2010

 

 Rosé acima de 15 libras

Domaine de Rimauresq, R, Côtes de Provence, France 2013

 

 Doce Fortificado acima de 15 libras

Blandy’s, Malmsey, Madeira, Portugal 1988

 

 Doce abaixo de 15 libras

KWV, The Mentors Noble Late Harvest, Walker Bay, South Africa 2012

 

 Doce abaixo de 15 libras

Innislillin, Vidal Icewine, Niagra Peninsula, Ontario, Canadá 2012

 

 Fortificado seco abaixo de 15 libras

La Ina, Fino, Sherry, Spain, NV

 

Fortificado seco acima de 15 libras

Lustau, 30 years Old VORS, Amontillado, Sherry, Spain, NV

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  • DECANTER – 6 melhores vinhos nacionais

Seleção do renomado crítico inglês Steven Spurrier (publicada na revista Decanter em setembro de 2013, mas acho que vale incluir aqui como referência do gosto internacional dos rótulos nacionais)

1     Cave Geisse 1998 Brut (magnum) – Pinto Bandeira (18,5 / 95 pts)

2     Lídio Carraro Grande Vindima Merlot 2005 – Encruzilhada do Sul (18 / 93 pts)

3     Pizzato DNA99 2008 – Vale dos Vinhedos (18 / 93 pts)

4     Lídio Carraro Dádivas Pinot Noir 2012 – Encruzilhada do Sul (17,5 / 91 pts)

5     Miolo Sesmarias 2008 – Campanha Gaúcha (17,5 / 91 pts)

6     Casa Valduga Raízes Cabernet Franc 2010 – Campanha Gaúcha (16,5 / 88 pts)

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  • TRE BICCHERI – prêmio especial os melhores vinhos da Itália

O tradicional Guia Tre Biccheri é a referência dos vinhos da Itália. A classificação é feita por região e são muitas. Há entretanto um crème de la crème que elege os melhores de toda a Itália. São eles:

 

Rosso dell’Anno (tinto do ano)

Barolo Villero Ris. ’07 – Vietti

 

Bianco dell’Anno (branco do ano)

Trebbiano d’Abruzzo Vigne di Capestrano ’12  – Valle Reale

 

Bollicine dell’Anno (espumante do ano)

Brut Classico Nature – Monsupello

 

Dolce dell’Anno (doce do ano)

Vin Santo di Carmignano Ris. ’07 – Tenuta di Capezzana

 

Rapporto Qualità/Prezzo (qualidade /preço)

Custoza Sup. Ca’ del Magro ’12 – Monte del Frà

 

Cantina dell’Anno (Cantina do ano)

Tenuta Sette Ponti

Lista completa do Tre Biccheri: http://www.gamberorosso.it/component/k2/item/1020615-vini-d-italia-2015-del-gambero-rosso-ecco-i-risultati

GRANLEGADO

 CONCURSOS E AVALIAÇÕES

  • TOP 10 Expovinis 2014

Este colunista faz parte do júri que escolhe anualmente os melhores vinhos em 10 categorias da maior Feira de Vinhos da América Latina. Este foi o resultado de 2014

 Espumante Nacional

 Grand Legado Brut Champenoise, da vinícola Gran Legado, região de Garibaldi/RS

 

Espumante Importado:

Champagne Lanson Brut, do produtor Lanson, França

 

Branco Nacional

Pericó Vigneto Sauvignon Blanc, da Vinícola Pericó, Santa Catarina

 

Branco Importado

Boschendal Elgin Chardonnay, do produtor Boschendal, da África do Sul

 

Rosado:

Remy Pannier Rose D’Anjou, do produtor Ackerman, Vale do Loire, França

 

Tinto Nacional:

Guatambu Rastros do Pampa Tannat, do produtor Guatambu Estância do Vinho, região da Campanha Gaúcha

 

Tinto Novo Mundo

Casillero del Diablo Devil’s Collection, da Viña Concha y Toro, Vale do Rapel, Chile

 

Tinto Velho Mundo/Itália/França, entre outros

Le Vigne Di Sammarco Solemnis Primitivo Salento IGP, do produtor Le Vigne di Sammarco, região da Puglia, Itália

 

Tinto Velho Mundo/Península Ibérica:

Scala Coeli, da Adega Alentejana, região do Alentejo, Portugal

 

Fortificados e Doces

Andresen Porto White 10 Years, do produtor Andresen, região do Douro, Portugal

 

  • 22º AVALIAÇÃO dos vinhos nacionais safra de 2014

A Associação Brasileira de Enologia promove uma avaliação dos vinhos brasileiros da safra do ano que ainda vai entrar no mercado, uma seleção de 16 vinhos das 290 amostras degustadas de 58 vinícolas

 

Categoria vinho base para espumante

Domno do Brasil – vinho base espumante (Chardonnay
Chandon do Brasil – vinho base espumante (Chardonnay/Pinot Noir/Riesling Itálico)
Vinícola Geisse – vinho base espumante (Chardonnay/Pinot Noir


C
ategoria branco fino seco não aromático
Vinícola Salton – Riesling itálico
Vinícola Fazenda Santa Rita – Chardonnay
Vinícola Góes & Venturini Ltda – Chardonnay.
Cooperativa Vinícola Nova Aliança Ltda – Chardonnay

 

Categoria branco fino seco aromático
Vinícola Giacomin – Moscato giallo

Categoria tinto fino seco jovem
Giacomin Ind. De Bebidas – Vinhos Hortência – Cabernet sauvignon

Categoria tinto fino seco
Vinícola Góes – Cabernet franc

Leia também: O merlot brasileiro é o melhor do mundo?

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  • WINES OF CHILE – Melhores vinhos de 2014 eleitos pelo júri da 12º Wines of Chile Awards (AWoCA)

A décima segunda edição deste concurso foi realizado pela primeira vez no Brasil, e pesou o paladar brasileiro na distribuição dos prêmios. Aqui não se trata de uma lista por ordem de classificação, mas do melhor vinho por categoria. Um syrah, da Casas del Bosque, foi eleito o melhor entre todos os vinhos degustados e premiados.

Best in the Show

Syrah Gran Reserva 2012/Viña Casas del Bosque

 

Premium Red

Armida 2009/De Martino

 

Premium White

Amelia 2013/Concha y Toro

 

Other Reds

Tama Vineyard Selection Carignan 2013/Viña Anakena

 

Other Withes

Single Vineyard Neblina Riesling 2011/Leyda

 

Blends

5 Cepas 2013/Casa Silva

 

Rosé

Gallardía del Itata Cinsault 2014/De Martino

 

Sparkling Wine

Brut Nature/Viña Morandé

 

Late Harvest

Erasmo Late Harvest Torontel 2009/Erasmo

 

Cabernet Sauvignon

Gran Terroir de los Andes – Los Lingues Cabernet Sauvignon 2012/Casa Silva

 

Carmenere

Carmenere Reserva 2013 Pedriscal Vineyard/Falernia

 

Pinot Noir

Pinot Noir Reserva 2013/Falernia

 

Syrah

Syrah Gran Reserva 2012/Viña Casas del Bosque

 

Chardonnay

Tarapacá Gran Reserva Chardonnay/Viña Tarapacá

 

Sauvignon Blanc

Specialties Sauvignon Blanc O

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  • CHILE – GUIA DESCORCHADOS 2015

O Guia Descorchados tornou-se uma referência dos vinhos Chilenos. Abaixo a lista dos destaques da degustação em suas respectivas categorias:

 

Melhor tinto

Cousiño Macul Lota Cabernet 2009 – 97 Pontos

 

Melhor branco

De Martino Viejas Tinajas Muscat 2013 – 96 pontos

 

Branco revelação

Sierras de Bellavista Riesling 2013 – 92 pontos

 

Tintos revelação

Tabalí Roca Madre Malbec 2014 – 93 pontos

Santa Carolina Specialties tinto de Montaña Malbec 2013 – 94 pontos

Concha y Toro Marques de Casa Concha País Cinsault 2014 – 93 pontos

J.A Jofré Vinos Fríos del Año Carignan Tempranillo Carmenére 2014 – 93 pontos

 

Marca revelação

Sol de Sol, Aquitania

 

Bodega revelação

House Casa del Vino e El Viejo Almacén de Souzal

 

Melhor Cabernet Franc

Maquis Franco 2011 – 96 pontos

 

Melhor Cabernet Sauvignon

Cono Sur Silencio 2010 – 96 pontos

Santa Rita Casa Real Reserva Especial 2011

 

Melhor Carignan

Bodegas RE Re Nace Cariñena 2013 – 95 pontos

 

Melhor Carmenére

Concha y Toro Terrunyo Lote 1 2013 – 95

 

Melhor Chardonnay

Aquitania Sol de Sol 2011 – 96 pontos

 

Melhor Cinsault

De Martino Viejas Tinajas 2014 – 94 pontos

 

Melhor espumante

Bodegas RE Re Noir Nature Virgen Pinot Noir – 94 pontos

Morandé Nature Chardonnay/Pinot Noir – 94 pontos

 

Melhor Malbec

House Casa del Vino 2013 – 93 pontos

Viu Manet Viu 1 2011 – 93 pontos

 

Melhor Merlot

Tres Palacios cholqui 2011 – 93 pontos

 

Melhor mescla branca

Apaltagua Coleccíon Blanc 2014 – 93 pontos

Ramirana Gran Reserva 2014 – 93 pontos

William Févre 2012 – 93 pontos

 

Melhor mescla tinta

Cousino Macul Lota Cabernet 2009 – 97 pontos

 

Melhor moscatel

De Martino Viejas Tinajas Muscat 2013 – 96 pontos

 

Melhor outras cepas brancas

Casa Marin Casona Vineyard Gewurztraminer 2014 – 94 pontos

 

Melhor outras cepas tintas

Lapostolle Collection Monastrel 2013 – 93 pontos

Pérez Cruz Chaski Petit Verdot 2012 – 93 pontos

 

Melhor País

Concha y Toro Marques de Casa Concha Limited Edicion 2014 – 93 pontos

 

Melhor Pinor Noir

Maycas de Limarí San Julián 2013 – 93 pontos

Montsecano 2013 – 93 pontos

Tabalí Talinay 2013 – 93 pontos

 

Melhor Riesling

Sierras Bellavistya 2014 – 94 pontos

 

Melhor Rosado

Bodegas RE Pinotel Pinot Noir Moscatel 2014 – 92 pontos

 

Melhor Sauvignon Blanc

Labirinto 2014 – 96 pontos

Leyda Lot 4 2014 – 96 pontos

 

Melhor Syrah

Errázuriz Costa 2013 – 95 pontos

Leyda Lot 8 2012 – 95 pontos

Undurraga TH 2012 – 95 pontos

 

Super preço extremo branco

Cono Sur Bicicleta Gewurztraminer 2014 – 89 pontos

 

Super preço extremo tinto

Santa Rita 120 Reserva Especial Cabernet Sauvignon 2013 – 89 pontos

 

Super preço branco

Leyda Garuma Vineyard Sauvignon Blanc 2014 – 94 pontos

 

Super preço tinto

Cacique Maravilla 2014 – 92 pontos

Maycas de Limarí Sumaq Pinor Noir 2013 – 92 pontos

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  • WINES OF ARGENTINA – Melhores vinhos Concurso Wines of Argentina Awards (WAA) 2014

O prestigiado concurso do WAA é uma referência entre os produtores da Argentina. Este colunista acompanhou a premiação deste ano. Abaixo os resultados.

Espumantes – método tradicional

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Zuccardi Blanc de Blancs 2007- Familia Zuccardi

Importado pela Ravin

 

Torrontés

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Colomé Torrontés 2013- Bodega Colomé

Importado pela Decanter

 

 Cabernet franc

faixa de preço  entre 20.00 e 29.99 dólares

Numina Cabernet Franc 2011- Bodegas Salentein SA

Importado pela Zahil

 

acima de 50.00 dólares

Andeluna Pasionado Cabernet Franc 2010- Andeluna Cellars Srl

Importado pela World Wine

 

Cabernet sauvignon

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Bramare Lujan de Cuyo Cabernet Sauvignon 2011-Viña Cobos SA

Importado pela Grand Cru

 

Malbec

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Es Vino Reserve Malbec 2012- Es Vino Wines

Ainda sem importadora no Brasil

 

faixa de preço entre 20.00  e 29.99 dólares

Alta Vista Terroir Selection Malbec 2011- La Casa del Rey SA- Alta Vista

Importado pela Épice

 

faixa de preço entre 30.00  e 49.99 dólares

Vineyard Selection Malbec 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

faixa de preço acima de 50.00 dólares

Republica del Malbec – Blend de Terroirs 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

Blends de tintos

faixa de preço entre 13.00  e 19.99 dólares

Paz Blend 2012- Finca Las Moras

Importado pela Decanter

 

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Field Blend 2011- Zorzal Wines

Importado pela Grand Cru

 

acima de 50.00 dólares

Decero Amano, Remolinos Vineyard 2011- Finca Decero

 

Medalhas por região

Mendoza

Lindaflor Malbec 2009, Monteviejo

 

Norte

Serie Fincas Notables Malbec 2011, Bodega El Esteco

Importado pela Bruck

 

San Juan

Paz Blend 2012, Finca Las Moras

Importado pela Decanter

 

Patagônia

 Fin Single Vineyard Cabernet Franc 2010, Bodega del Fin Del Mundo

Importado pela Mr Man

  • PORTUGAL –  50 melhores vinhos de Portugal

O único master of wines do Brasil, Dirceu Vianna Júnior, que mora e trabalha em Londres. teve a árdua missão de selecionar entre 500 rótulos portugueses os 50 mais representativos do país. Esta é a sua lista, apresentada em um evento em São Paulo:

 BRANCOS

1. Covela Escolha Branco, 2012

Produtor: Lima Smith

Região: Vinho Verde

Uvas: avesso e chardonnay

Importador: Magnum Importadora

2. Quinta da Levada, 2012

Produtor: Quinta da Levada Sociedade Agrícola

Região: Vinho Verde

Uva: azal

Sem importador

3. Soalheiro, 2012

Produtor: Quinta do Soalheiro

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Mistral

4. Quinta de Gomariz Grande Escolha, 2012

Produtor: Quinta de Gomariz

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho, loureiro e trajadura

Importador: Decanter

5. Casa da Senra, 2012

Produtor: Abrigueiros – Produções Agrícolas e Turismo

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Sem importador

6. Tapada dos Monges, 2012

Produtor: Manoel da Costa Carvalho Lima & Filhos

Região: Vinho Verde

Uvas: loureiro, arinto e trajadura

Importadores: Garrafeira Real e Fadaleal Supermercados

7. Muros Antigos, 2012

Produtor: Alselmo Mendes Vinhos

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Importador: Decanter

8. Portal do Fidalgo, 2011

Produtor: Provam

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Casa Flora Ltda

9. Muros de Melgaço, 2011

Produtor: Anselmo Mendes Vinhos

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Decanter

10. Royal Palmeira, 2009

Produtor: Ideal Drinks

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Importador: Idealdrinks & Gourmet

11. Quinta da Fonte do Ouro Encruzado, 2011

Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas

Região: Dão

Uva: encruzado

Importador: Adega dos 3

12. Morgado de Santa Catherina, 2010

Produtor: Companhia das Quintas Vinhos

Região: Lisboa

Uva: arinto

Importador: Wine .com

13. Redoma Reserva, 2011

Produtor: Niepoort (vinhos)

Região: Douro

Uva: rabigatto, codega, donzelinho e arinto

Importador: Mistral

14. Conceito Branco, 2010

Produtor: Conceito Vinhos

Região: Douro

Uva: (mistura de vinhas velhas)

Importador: Épice

vallado

TINTOS

15. Cortes de Cima Trincadeira, 2011

Produtor: Cortes de Cima

Região: Alentejo

Uva: trincadeira

Importador: Adega Alentejana

16. Terra D’Alter Touriga Nacional, 2010

Produtor: Terra D’Alter Companhia de Vinhos

Região: Alentejo

Uva: touriga nacional

Importador: Obra Prima Importadora

17. Herdade da Pimenta Grande Escolha, 2010

Produtor: Logowines

Região: Alentejo

Uvas: syrah, touriga nacional e touriga franca

Importador: RJU Comércio e Beneficiamento de Frutas e Verduras

18. Tinto da Talha Grande Escolha, 2009

Produtor: Roquevale

Região: Alentejo

Uva: syrah, alicante bouschet e touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

19. Canto X, 2009

Produtor: Herdade da Madeira Velha

Região: Alentejo

Uvas: alicante bouschet e touriga nacional

Sem importador

20. Cartuxa, 2009

Produtor: Cartuxa – Fundacão Eugénio de Almeida

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, trincadeira e alicante bouschet

Importador: Adega Alentejana

21. Cortes de Cima Reserva, 2009

Produtor: Cortes de Cima

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, syrah, petit verdot e touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

22. Dona Maria Reserva, 2008

Produtor: Julio Bastos – Dona Maria

Região: Alentejo

Uvas:, alicante bouschet, petit verdot e syrah

Importador: Decanter Vinhos

23. Conde D’Ervideira Private Selection Tinto, 2008

Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, trincadeira e Alicante bouschet

Importador: Intercom Comércio Internacional

24. Aliança Bairrada Reserva, 2011

Produtor: Aliança Vinhos de Portugal

Região: Bairrada

Uvas: touriga nacional, baga e tinta roriz

Sem importador

25. Vinha Pan, 2009

Produtor: Luís Pato

Região: Bairrada

Uva: baga

Importador: Mistral

26. Marquesa de Alorna Reserva, 2009

Produtor: Quinta da Alorna Vinhos

Região: Tejo

Uvas (não divulgado)

Importador: Adega Alentejana

27. Julia Kemper, 2009

Produtor: Cesce Agrícola

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, tinta roriz, alfrocheiro e jaen

Importador: Gracciano Com. Imp. Exp. Bebidas

28. Quinta Fonte do Ouro Touriga Nacional, 2009

Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas

Região: Dão

Uva: toruiga nacional

Importador: Adega dos 3

29. Casa da Passarela Vinhas Velhas, 2009

Produtor: O Abrigo da Passarela

Região: Dão

Uvas: castas autóctones

Importador: Vinica

30. Quinta do Serrado Reserva, 2009

Produtor: Sociedade Agrícola Castro Pena Alba – FTP Vinhos

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, alfrocheiro e jaen

Sem importador

31. Quinta do Perdigão Touriga-Nacional, 2008

Produtor: Quinta do Perdigão

Região: Dão

Uva: touriga nacional

Importador: Mistral

32. Quinta da Bica Reserva, 2005

Produtor: Quinta da Bica Sociedade Agrícola

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, alfrocheiro, tinta roriz e jaen

Importador: Gianno Import

33. Quinta do Vallado Reserva Field Blend Douro Tinto, 2011

Produtor; Quinta do Vallado Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas de 100 anos e touriga nacional

Importador: Cantu

34. Quinta da Casa Amarela Grande Reserva, 2011

Produtor: Laura Valente Regueiro

Região: Douro

Uvas: touriga franca, tinta roriz e touriga nacional

Importador: Winemundi

35. Casa Ferreirinha Callabriga, 2010

Produtor: Sogrape Vinhos

Região: Douro

Uvas: toruiga franca, touriga nacional e tinta roriz

Importador: Zahil

36. Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas, 2010

Produtor: Quinta do Crasto

Região: Douro

Uvas: 25 a 30 uvas diferentes de vinhas velhas

Importador: Qualimpor

37. Pintas, 2010

Produtor: Wine & Soul

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas

Importador: Adega Alentejana

38. Poeira, 2010

Produtor: Jorge Moreira Produção e Comercialização de Vinhos

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas

Importador: Mistral

39. Batuta, 2010

Produtor: Nieepoort (Vinhos)

Região: Douro

Uvas: touriga franca, tinta roriz, rufete, malvazia entre outras

Importador: Mistral

40. Passadouro Touriga Nacional, 2010

Produtor: Quinta do Passadouro Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uva: touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

41. Quinta do Pessegueiro, 2010

Produtor: Quinta do Pessegueiro Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca, vinhas velhas e roriz

Importador: World Wine

42. CV-Curriculum Vitae, 2010

Produtor: Lemos & Van Zeller

Região: Douro

Uvas: variadas

Importador: World Wine

43. Quinta de la Rosa Reserva, 2009

Produtor: Quinta da Rosa Vinhos

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca e tinta roriz

Importador: Ravin

44. Chryseia, 2009

Produtor: Symington Family Estates Vinhos

Região: Douro

Uvas: touriga nacional e touriga franca

Importador: Mistral

45. Quinta do Noval Touriga Nacional, 2009

Produtor: Quinta do Noval

Região: Douro

Uvas: touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

46. Quinta do Portal Auru, 2009

Produtor: Quinta do Portal

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca e tinta roriz

Importador: Wine & Roses / Chaves & Oliveira

 

FORTIFICADOS

47. Bacalhôa Moscatel Roxo, 2001

Produtor: Bacalhôa Vinhos de Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: muscatel roxo

Importador: Portus Cale Exp. Imp.

48. Justino’s Madeira Colheita, 1995

Produtor: Justino’s Madeira Wines

Região: Madeira

Uva: tinta negra

Importador: Porto a Porto / Casa Flora

49. Graham’s Tawny 30 anos

Produtor: Symigton Family Estates

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca, tinta barroca, tinta roriz e tinta cão

Importador: Mistral

50. Burmester Porto Colheita, 1963

Produtor: Sogevinus Fine Wines

Região: Douro

Uvas: tradicionais do Douro

Importador: Adega Alentejana

Outras listas

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quinta-feira, 23 de outubro de 2014 Brancos, Novo Mundo, Tintos | 12:53

O novo vinho chileno da De Martino: mais gastronômico, mais leve, mais natural

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Vinhedos orgânicos da De Martino no Maule. "Os vinhedos são lindos, mas o que importa é o solo", diz o enólogo Marcelo Retamar

Vinhedos orgânicos da De Martino no Maule. “Os vinhedos são lindos, mas o que importa é o solo”, diz o enólogo Marcelo Retamal

Um espectro ronda o Chile, o espectro da reinvenção do vinho chileno. Aquele tinto amadeirado, carnudo, alcoólico e com uma geleia doce que eleva qualquer curva glicêmica tem seus dias contados. Pelo menos na visão da De Martino, uma bodega familiar que completa 80 anos com disposição de mudança de um adolescente. “Definimos a partir de 2010 produzir vinhos mais gastronômicos, com maior acidez, que deem prazer de beber”, pontifica o enólogo Marcelo Retamal. “E que expressem os nossos vinhedos”.

Saem de cena as barricas de primeiro uso, o tostado excessivo, as leveduras de prateleiras, os aditivos químicos, ou seja, todos os componentes artificiais que deixam todos os vinhos parecidos.

Entram no jogo os princípios da agricultura orgânica, uso de leveduras indígenas (naturais do lugar), as barricas usadas e maiores. “A madeira não é ruim , mas não pode ser norma. Tem de saber manejá-la”, explica. “Tonéis de 5 mil e 2,5 mil litros são 22 vezes maior que um barril pequeno e impacta 22 vezes menos o vinho.” Resultado: vinhos frescos, nervosos, mais fáceis de beber, com maior expressão da fruta e “diferentes”. “Este é o estilo que queremos”, aponta Retamal. Antes, explica ele, o vinho era construído do nariz para a boca, ou seja dava-se muito importância aos aromas. “Hoje, quero saber como fazer a boca, afinal o vinho é feito para beber, o nariz é uma consequência.”

Os vinhedos da De Martino são orgânicos desde 1988 e o trabalho é feito de forma sustentável, a vinícola exibe todos os certificados de agricultura orgânica e redução de emissão de carbono. Sorte ou não, a partir da decisão de um estilo com menor intervenção, mais pureza e uma busca às origens, veio a safra de 2011, considerada excepcional no Chile. Os oito rótulos que são uma espécie porta-bandeiras desta proposta são de vinhedos únicos (single vineyard) espalhados em seis diferentes vales chilenos e com características próprias. “Os vinhedos são todos lindos, mas tem de olhar para baixo, é o solo, e sua composição que determina qual a uva mais apropriada e as características que vai aportar qualidades ao vinho”

Os vinhos que representam os single vineyards são: Quebrada Seca, Chardonnay (Limari), Parcela 5 Sauvignon Blanc (Casablanca) – vinhos da Costa, com influência marítima; Carmenère Alto de Piedras e Las Águilas Cabernet Sauvigon (Maipo); Las Cruces (Cachapoal), Limávida (Maule); Vigno Carignan (Maule) – vinhedos antigos; e Alto Los Toros (Elqui) – vinhos de altura

Três vinhos que valem a pena conhecer

quebradaseca

Quebrada Seca Chardonnay 2011
Limarí
100% chardonnay
R$ 131,00
Importador: Decanter

Cansado daqueles chardonnays superuntuosos, com tanta manteiga que dá para passar no pão? Seus problemas se acabaram-se! Este exemplar do novo estilo da De Martino de solos vulcânicos e distante 25 quilômetros do oceano Pacífico, com muitos componentes calcários, prima pela frescura, pela mineralidade, uma doçura leve e um longo final de boca, que também revela um toque salgado.

limavida

Limávida 2011
Maule
85% malbec, 15% carmenère e cabernet sauvignon
R$ 131,00
Importador: Decanter

O meu vinho preferido entre os oito apresentados. Os vinhedos, plantados em 1945, mantêm a característica de uma época em que as uvas eram cultivadas juntas e misturadas. Boa entrada, fruta fresca, boca bastante delicada e limpa, boa acidez, taninos macios. Tem madeira sim, fica dois anos em barricas francesas, mas usadas, que faz seu trabalho sem atravessar o vinho.

vigno

Vigno Carignan 2011
Maule
85% carignan, 15% malbec e cinsault
R$ 131,00
Importador: Decanter

Também de vinhas velhas, estas de 1955, este é um vinho que busca recuperar o prestígio da carignan, ligado à Associação dos Produtores de Carignan do Maule, que mostra ótimos resultados no Chile. É o estilo de vinho que os especialistas costumam rotular de mediterrâneo, com uma acidez cortante, fresco e com notas bacanas de especiarias. Acho que é um ótimo exemplo da pegada gastronômica do novo estilo da De Martino. Foi o vinho chileno com maior pontuação do Guia Parker, 95 pontos.

Falando nisso, se a minha opinião não tem lá muito peso, vamos aos peso-pesados. A crítica especializada tirou o chapéu para os vinhos. Todos os seis rótulos receberam pontuação acima de 94 pontos do mais importante Guia de Vinhos do Chile e Argentina, o Descorchados, merecendo o título de “Marca Revelação do Ano”. Também mereceram notas acima de 90 pontos do Guia de Robert Parker. “Uma revolução está acontecendo na De Martino, desde a safra 2011”, alerta o colaborador de Parker, Luis Gutierrez. É, companheiros. Tudo que é sólido se desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado.

E o consumidor? “O consumidor também está mudando e se voltando a este estilo de vinho e não apenas aquele alcoólico, com madeira excessiva”, aposta Retamar, afinal há que se vender as garrafas. Para finalizar, contextualiza seu papel nesta mudança: “O estilo é o que é importante, é o que fica. Os enólogos são passageiros, assim como na Fórmula 1.  Os pilotos mudam, uma hora é o Schumacher, outra o Alonso. O que importa é a Ferrari”.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014 Blog do vinho | 13:11

Lojas e sites promovem liquidação de vinhos. Quer pagar quanto?

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É sempre bom pagar mais barato, mas preste atenção na hora de comprar seu vinho na liquidação: há boas ofertas e algumas armadilhas

É sempre bom pagar mais barato, mas preste atenção na hora de comprar seu vinho na liquidação: há boas ofertas e algumas armadilhas

O que você considera um bom desconto em uma liquidação de vinho? 20%, 30% ou só vale a partir de 50%: tudo pela metade do preço! Bom, é tempo de avaliar seus princípios, pois está aberta a temporada de caça ao rótulo com algum desconto.

Se o ano na economia só começa pra valer depois do Carnaval, esta realidade não vale para quem deseja renovar e ampliar sua adega. Tradicionalmente neste período, que vai da primeira quinzena de janeiro até algum momento de fevereiro, as lojas – virtuais e de prateleira – e importadoras baixam os preços de parte de seu catálogo para renovar o estoque, ou até mesmo para se livrar de algum rótulo que será descontinuado. Há de tudo, rótulos especiais, safras menos badaladas, produtores que não encontraram seu público, bons vinhos e até algumas raridades. Quem gosta de vinho fica de olho, pesquisa e acaba encontrando barbadas, oportunidades de adquirir um rótulo diferenciado, ou mesmo comprar em quantidade um vinho do dia-a-dia. Mas fique atento, promoção de um rótulo ou outro toda loja faz o ano inteiro, liquidação, bota-fora ou qualquer coisa semelhante é um conjunto de ofertas mais amplo.

As liquidações:

Abaixo, alguns dos endereços que promovem corte nos preços de seu catálogo. As lojas são na sua maioria em São Paulo, mas boa parte delas oferece vendas online ou por televendas

World Wine – são mais de 250 rótulos com ofertas de até 70% nesta nona edição de seu WorldWineOff. Boa seleção de italianos, portugueses e rótulos de vinhos naturais e biodinâmicos. A França é contemplada este ano com uma seleção especial de 120 rótulos, com destaque para as regiões de Borgonha, Bordeaux, Champagne e Rhône. Nos últimos anos tem se mostrado, de longe, uma das melhores liquidações de vinho em qualidade, variedade e preço. Na loja da Padre João Manoel a promoção fica meio espalhada o que dificulta a escolha. E não se enxergam tantos rótulos em promoção como anunciados. Em cinco lojas (São Paulo Ribeirão Preto e Rio de Janeiro). Até 22 de fevereiro.

Grand Cru – os descontos  vão de 25% a 60% organizados por preço nas páginas do site – é bom salientar que a maioria dos descontos é de 25% e 30%. Há uma seleção variada de vinhos franceses muito caros que ficam apenas caros (mas de tremenda qualidade, o que é sempre um opção de vinho de guarda),  junto a chilenos e argentinos mais acessíveis de boa qualidade. Uma boa dica são os vinhos das produtoras Santa Rita (Chile) e Doña Paula (Argentina) que não serão mais importados pela Grand Cru e estão todos com descontos de 30%. A Grand Cru tem uma rede de afiliadas espalhada por quase todo o país, são mais de 30 endereços de lojas físícas. Todas as lojas fazem parte da promoção. Até 8 de fevereiro.

Vinos & Vinos – no Bota-Fora da importadora, que também tem uma loja física em São Paulo, são mais de 50 rótulos do Chile, França e Itália em oferta. Até dia 7 de fevereiro.

 Expand –ofertas de 20% a 50%. A variedade não é mais tão grande como no passado glorioso, por conta da redução do catálogo da importadora. Talvez a grande vedete aqui sejam os vinhos do mestre chileno Morandé.

MercoVino – São 40 rótulos com descontos. Maior ofertas de italianos, espanhóis e portugueses. Alguns bem pontuados nos guias mais consagrados. Até dia 1 de fevereiro

Vinea – a loja, que tem filiais em São Paulo e Alphaville, promete descontos em mais de 150 rótulos de até 65%. Até dia 15 de fevereiro.

Decanter – Parte da boa seleção da Decanter estará em liquidação na próxima semana na loja de São Paulo. Serão em torno de 200 rótulos, com descontos de 20% a 50%. No site também há descontos de algumas marcas de 40%, 50% e 60%, mas sem relação com o bota-fora. De 28 de janeiro a 1 de fevereiro

Bacco’s – são 100 rótulos de diversos países com descontos que vão de 20% a 40%. Importante: os vinhos em promoção da loja física, em Higienópolis, São Paulo,  não são os mesmos exibidos na página de promoção do site.

Kylix – a pequena e simpática loja que ocupa um casarão na Avenida Angélica, em São Paulo, também promove nos meses de janeiro e fevereiro vinhos com até 40% de desconto, como o bom argentino Crios, da Susana Balbo. Até o final do estoque.

QualVinho? – a importadora dedicada aos vinhos de qualidade da África do Sul também aproveita a onda de liquidações e coloca alguns de seus premiados rótulos com bons descontos, como a linha Oak Valley (o Pinot Noir e o Chardonnay, ambos 2011) e a linha Mullineux Family Wine (Syrah)

Liquidações relâmpago online

Este modelo de liquidação de início de ano ainda faz parte de um, digamos, modelo antigo de negócios. Hoje os sites de ecommerce propiciam uma outra relação com os consumidores onde os descontos podem surgir de várias maneiras: de acordo com o volume adquirido, vinculado ao perfil do cliente, adequado à estação do ano, por meio de compras coletivas, baseado em sua geolocalização e principalmente por um modelo que vem ganhando força que é da oferta relâmpago, onde o produto é exposto com um desconto com um prazo de validade decrescente. Nos Estados Unidos este é um mercado anual de 100 milhões de dólares, que abocanhou mais de 25% da venda online segundo a consultoria da indústria do vinho Vin Tank. O site de ecommerce nacional Epicerie tem este modelo de descontos com prazo de validade decrescente, mas exige o cadastro para conhecer os preços. Alguns sites de importadoras também adotam esta estratégia. O site Sonoma, que procura criar um catálogo mais diferenciado, sempre oferece descontos, mas também é restrito aos associados. O gigante virtual Wine  ainda mantém no ar um saldão de fim de ano e é outro ecommerce de vinhos que trabalha muito bem volume e também busca um modelo de relacionamento com os clientes que barateia o custo dos vinhos para os associados: o clube de vinho. São sites de ecommerce no modelo clube de vinhos também a FastVinhos, Sociedade da Mesa  e Dionísio  entre outros.

Liquidações relâmpago nas lojas físicas

O comprador de vinhos habitual sempre recorre a outro método muito eficaz: a olhadinha. Sempre que estou em um supermercado, loja de vinho ou site de vendas online percorro os olhos atrás de ofertas tentadoras. Alguns supermercados como o Pão de Açúcar fazem ofertas relâmpago de um ou dois dias em unidades diferentes com descontos que às vezes chegam a até 30% do valor da etiqueta. A dica aqui é ficar amigo do responsável pela seção de vinhos do supermercado e ser avisado com alguma antecedência do dia da promoção. O St. Marché também promove corte nos preços dos vinhos de sua importação com alguma frequência. Outras importadoras e lojas sempre oferecem algum produtor ou marca com alguma redução de custos. É sempre bom nunca perder de vista que, por mais rica que seja a história e o sabor de um vinho, trata-se de uma mercadoria, e mercadoria tem de girar e o consumidor tem de buscar sempre a melhor preço.

Sete dicas para se dar bem nas compras

Se você é um desses compradores de liquidação, eu repito aqui (como faço todo ano) seis regras de ouro que podem ajudar a se prevenir de alguma roubada – e ainda acrescento uma sétima dica.

Claro que  parte das dicas exige o contato visual com a garrafa, o que inviabiliza a compra 100% segura online, mas aqui, como em qualquer relação comercial, vale a confiança na loja, no produtor ou no ecommerce de vinho escolhido.

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento. Consequência: o vinho provavelmente estará em processo de oxidação.

2. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada, outro indicativo de problemas na qualidade da bebida.

3. Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos das safras mais antigas – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema. Se a safra do tinto for mais antiga – e principalmente se for um vinho de guarda – é sinal de evolução. Aí depende de seu apreço por vinhos envelhecidos.

4. Fique atento às safras. Tintos mais básicos, e principalmente os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos (há sempre muita desova de rosés nestas promoções…)

5. Não compre por impulso (este conselho devo repetir a mim mesmo). Como a maior parte das ofertas são de safras mais antigas, pergunte ao lojista se trata de um vinho com potencial de guarda (geralmente mais caros), se não for, planeje a compra para consumo rápido, principalmente os brancos.

6. Encontrou um preço de um vinho que é uma barbada, e que pode resolver sua vida no dia-a-dia e vale investir numa caixa? Experimente antes. Se a loja não tiver uma amostra, compre uma garrafa, prove em casa e decida sobre a compra de um maior volume de rótulos com segurança, ou você pode ter 12 garrafas de vinagre muito caro para temperar a salada por todo o ano. Eu fiz isso este ano e me preveni de um desastre.

7. Importante checar com a loja a política de troca dos vinhos em liquidação. Algumas lojas deixam por conta e risco do cliente, outras realizam trocas quando a bebida está pra lá de Marrakesh. Aqui vale a regra de ouro: o que é combinado não é caro.

Bora lá comprar umas garrafas?

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quinta-feira, 4 de março de 2010 Entrevista | 09:53

Aubert de Villaine, o monsieur Romanée-Conti, é escolhido o homem do ano pela revista Decanter

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Capa da ediçnao da Decanter de Abril destaca De Villaine como Homem do ANo do vinho

Capa da Decanter de abril destaca De Villaine como Homem do Ano

A revista de vinhos inglesa Decanter, colecionada pelos enófilos, respeitada pelo mercado e invejada pelos concorrentes, estampa em sua edição de abril, lançada dia 3 de março, a escolha do produtor Aubert de Villaine como homem do ano de 2010. A eleição é feita pela revista desde 1984 e pela primeira vez um representante da Borgonha, na França, é agraciado com o título. Veja lista completa no final do post.

Para quem não sabe, Aubert de Villaine é ninguém menos do que o proprietário da Domaine de La Romanée-Conti (DRC), um pedaço abençoado de terra de apenas 250.000 metros quadrados, onde se concentram seis grand crus — a mais alta categoria que um vinhedo pode alcançar na região da Borgonha. Ali são elaborados os rótulos Grands Échézeaux, Romanée-Saint-Vivant, La Tâche, além da estrela da casa, o Romanée-Conti. Para quem fica especulando o valor de um vinhedo desta qualidade, De Villaine é curto e elegante, como sempre: “A DRC não tem preço”. Mais comentado do que bebido, o Romanée-Conti é um desses vinhos que ultrapassa sua natureza de produto e ganha status de obra de arte.

Sexta geração à frente dos vinhedos, Aubert de Villaine é adepto da prática orgânica desde 1986 e mais recentemente da biodinâmica, aquela prática que rejeita o uso de defensivos químicos e acredita na influência dos astros sobre as vinhas. “É uma importante ferramenta para fazer vinhos”, justifica De Villaine, que mantém uma equipe permanente de 25 funcionários no campo que fazem uso da tração animal no tratamento do solo. Para ele, a melhor maneira de lidar com um terroir perfeito como a Domaine de la Romanée-Conti é a menor interferência possível: “Este pedaço de terra tem sido dedicado à excelência em fazer vinho há séculos. Meu trabalho é de guardião deste terreno”, diz.

Tive a oportunidade de entrevistá-lo no final de 2007, quando De Villaine veio ao Brasil apresentar a safra 2004 de seus vinhos. Abaixo reproduzo alguns trechos:

Blog do Vinho – Como se sente sendo o responsável pelo vinhedo onde são produzidos os melhores vinhos do planeta?
De Villaine – Sou um privilegiado, mas também muito consciente de minha responsabilidade. Este pedaço de terra onde eu faço vinho tem se dedicado à excelência há séculos. Minha missão não é colocar uma marca pessoal, mas manter uma tradição.

Blog do Vinho – O que faz o Romanée-Conti ser um vinho cultuado pelos especialistas e desejado pelos milionários do mundo?
De Villaine – A principal razão é que ele é um vinho de terroir. O Romanée-Conti é uma espécie de símbolo desta ideia. Seu vinhedo está localizado num local privilegiado, um grand cru de apenas 1,8 hectare (18.000 metros quadrados), no centro nervoso de nossa Domaine, em Vosne-Romanée. O resultado é um vinho elegante, suave, feminino e com grande personalidade e finesse, qualidades que já eram observadas pelo príncipe Conti, no século XVIII, quando ele adquiriu o vinhedo. Outra explicação é a escassez. A produção é muito pequena e a demanda alta. São cerca de 5.500 garrafas por ano, que são disputadas em todo o mundo. E esta produção não vai se alterar nunca, ela é determinada pelo tamanho do vinhedo.

Blog do Vinho – Seus vinhos alcançam preços estratosféricos nos mercados de investimento e na internet. O que acha disso?
De Villaine – Isso é algo completamente fora de nosso controle e que lamento profundamente. São valores tão altos que transformam os vinhos em item de colecionador, em troféus. Quando um produto atinge esta faixa de preço, eu acredito que as pessoas temem abri-los. Isso é um erro. Vinho não é para colecionar, nem para especular, mas para beber e dividir entre os amigos.

Blog do Vinho – Como explicar, para um leigo, o significado de terroir e sua influência?
De Villaine – Terroir é um pedaço de solo delimitado pelo homem, com certas condições climáticas, ideal para um certo tipo de vinho. É uma alquimia entre o homem e a natureza estabelecida pela história. Os monges começaram este trabalho, no século XI ou XII, ao delimitar os vinhedos da Borgonha e as uvas que seriam plantadas: a pinot noir, para os tintos, e a chardonnay para os brancos. Este conceito alcançou o nível mais elevado na Borgonha. Um bom exemplo da influência do terroir vem de dois vinhedos nossos: o Grands-Échézeaux e o Échézeaux. Mesmo sendo vizinhos, há diferenças de solo entre eles. Em Échézeaux, há muitas pedras; no Grands-Échézeaux, o solo é mais profundo, nunca serão encontradas grandes pedras saltando para fora da superfície — ou seja, em Échézeaux é possível caminhar usando sapatos finos, já no Grands-Échézeaux é necessário calçar botas. O vinho que resulta de cada um desses solos tem a sua personalidade. O aroma e o paladar não são as coisas mais importantes — isso se altera a cada safra —, mas sim esta personalidade, que vem da terra. Uma energia que percebemos quando provamos, a cada ano, um Échézeaux e um Grands-Échézeaux.

Rótulo do Romanée Saint Vivant autografado por Aubert de Villaine

Rótulo do Romanée-Saint-Vivant autografado por De Villaine em sua visita ao Brasil em 2007

Blog do VinhoA propósito, os especialistas costumam descrever uma infinidade de aromas, alguns meio esquisitos, nas taças de vinho. Isso não intimida um pouco os consumidores que não conseguem distinguir estas coisas?
De Villaine – Não fico surpreso que as pessoas não identifiquem estes aromas todos nos vinhos que compram. Eu mesmo não sou capaz de reconhecê-los. Aliás, acho muito aborrecido. Não estou interessado nisso, e sim na personalidade do vinho. Até admiro quem tem esta capacidade. Mas para mim, não há interesse algum.

Blog do Vinho – Como o senhor avalia a influência do megacrítico americano Robert Parker e de seu critério de avaliação de 100 pontos?
De Villaine – Eu acho que ele é um dos maiores responsáveis pelo crescimento do consumo de vinhos no mundo — é claro que o fato de as pessoas estarem mais ricas também ajudou. Quanto às notas, me parece bizzaro. Nós achamos impossível justificar uma avaliação com números. O que Parker diz sobre a bebida é mais interessante que suas notas. Mas é o jeito que funciona, e não podemos fazer nada contra isso. Eu espero que os consumidores aprendam que isso não é importante.

Blog do Vinho – O presidente Lula, quando eleito para seu primeiro mandato, em 2002, comemorou sua vitória com uma garrafa de Romanée-Conti 1997. Era uma boa safra?
De Villaine – Não é uma grande safra, mas eu me sinto muito orgulhoso que seu presidente tenha escolhido este vinho para celebrar sua vitória. Eu espero que tenha sido porque ele ama vinho e não por conta do rótulo.

Blog do Vinho – Nem uma coisa nem outra, a garrafa foi um presente de seu marqueteiro de então, Duda Mendonça, e a notícia gerou muita polêmica na opinião pública.
De Villaine – O curioso, me contaram depois, é que foi criado uma página na internet com o nome “romannecontiparatodos”, que defendia que o objetivo dos socialistas era tornar todos ricos, para que também pudessem beber o vinho. É divertido, mas impossível. Nunca haverá Romanée-Conti para todos. Como eu disse, são só 5.500 garrafas por ano.

Todos os homens do ano da Decanter

2010 Aubert de Villaine – Borgonha, França
2009 Nicolas Catena – Mendoza, Argentina
2008 Christian Moueix – Pomerol, França
2007 Anthony Barton – Bordeaux, França
2006 Marcel Guigal – Rhône, França
2005 Ernst Loosen – Mosel, Libano
2004 Brian Croser – Adelaide Hills, Austrália
2003 Jean-Michel Cazes – Bordeaux, França
2002 Miguel Torres – Penedès, Espanha
2001 Jean-Claude Rouzaud – Champagne, França
2000 Paul Draper – Califórnia, EUA
1999 Jancis Robinson MW – Londres
1998 Angelo Gaja – Piemonte, Itália
1997 Len Evans, OBE AO -Austrália
1996 Georg Riedel – Áustria
1995 Hugh Johnson – Londres
1994 May-Eliane de Lencquesaing – Bordeaux, França
1993 Michael Broadbent – Londres
1992 André Tchelistcheff – Califórnia, EUA
1991 José Ignacio Domecq – Jerez, Espanha
1990 Prof Emile Peynaud – Bordeaux, França
1989 Robert Mondavi – Califórnia, EUA
1988 Max Schubert – Austrália
1987 Alexis Lichine – Bordeaux, França
1986 Marchese Piero Antinori – Florença, Itália
1985 Laura and Corinne Mentzelopoulos – Bordeaux , França
1984 Serge Hochar – Líbano

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quinta-feira, 4 de junho de 2009 Cursos, Degustação | 21:17

Para que serve um decanter?

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Um belo dia você, influenciado pelo papo do vendedor, compra um decanter. Ou ganha um. Sabe do que se trata, né? Aquele jarro de cristal (os mais sofisticados) ou de vidro que fica lindo nas prateleiras das lojas e às vezes chega em casa na forma de presente. Diante do objeto vem a pergunta. O que eu faço com isso? Há dois padrões de resposta:

O clássico
O decanter serve para arejar o vinho, amaciar os taninos e dar uma mãozinha no despertar dos aromas. A forma, bojuda na base e com um pescoço em forma de ampulheta na superfície, permite que o oxigênio faça a sua mágica. Como quase ninguém deixa a bebida descansar na taça, e já parte direto para o ataque, o decanter faz este trabalho, para a benção dos ansiosos e sedentos.

Os tintos mais concentrados, e antigos, ganham em profundidade e persistência. Até mesmo aqueles de safras recentes, elaborados para serem bebidos jovens, podem modificar um pouco nos aromas. Para os rótulos mais longevos é um utensílio que ajuda a separar as borras e sedimentos naturais da bebida. Ao despejar o precioso líquido no interior do jarro, estes elementos sobram depositados no fundo da garrafa.
A etiqueta e as enciclopédias do vinho recomendam um ritual para a separação das borras que exige um candelabro, uma vela acesa e certa destreza (ver foto abaixo). Muito bacana. Mas no mundo real, você já viu alguém conduzindo este processo fora das fotos dos livros?

O popular
É um objeto em busca de uma utilidade. Pouca gente usa um decanter em casa. Exige um planejamento, um ritual, que dificulta seu uso. E o ritual de desarrolhar o vinho na frente dos convidados, exibir o rótulo e derramar o néctar direto do gargalo para a taça é irresistível!

Mas é um presente bárbaro, não? Existem modelos dos mais variados formatos e preços. Certa vez, numa degustação com o senhor Riedel – o homem que reinventou as taças de vinho -, os caldos eram servidos em um decanter de pescoço alongado – parecia um ganso – que o somellier manuseava como uma destreza de malabarista. Todos ficaram admirados e, como se tratava de uma degustação séria, suspeitou-se que o formato transferia algum aroma especial ao vinho. Perguntado o que a forma trazia de vantagens, Riedel respondeu: “É só design, é mais bonito”.

Mil e uma utilidades
Para quem não sabe o que fazer com o decanter que está mofando no armário, aqui vão algumas sugestões que os enófilos sem senso de humor podem considerar uma heresia:

1 use como um belo vaso para flores (ver sugestão na foto de abertura, bacana, não?);
2 enfeite a cristaleira, principalmente se tiver um jogo variado. Vários modelos lado a lado fazem uma boa presença;
3 use a imaginação e transforme o decanter em um suporte para aqueles desenhos de areia colorida: a arte em garrafas;
4 desafie o amigo “entendido” de vinho. Funciona assim. Despeje um tinto argentino meia-boca na jarra e coloque ao lado uma garrafa de um rótulo mais caro e badalado. Sirva-o e observe a reação do sujeito. Aposto que será divertido

E você, usa o seu decanter? Tem outra sugestão para o equipamento? Escreva para cá!

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