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sexta-feira, 12 de agosto de 2016 Blog do vinho, Brancos, Tintos | 00:01

Como escolher o vinho certo para o seu pai

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Família feliz de pais que curtem vinho…

Presentear os pais em seu dia é uma tarefa um pouco mais complicada do que, por exemplo, escolher um agrado para as mães. Quando o segundo domingo de agosto se aproxima sempre surge a dúvida: o que dar para o meu pai? Camisa, gravata, pijama? Socorro! Que tal um vinho? Uma garrafa de vinho é o presente curinga. É um produto com algum toque de sofisticação, um objeto de desejo em alguns casos, um desejo de consumo em outros e no geral causa uma boa impressão tanto em quem sabe a diferença entre um cabernet sauvignon e um merlot como naqueles que se aproximam de uma garrafa do fermentado apenas em ocasiões especiais.

Decidido o presente, vem o segundo passo. Qual vinho comprar para o progenitor em seu dia? Aí a rolha torce o gargalo. São centenas de rótulos, variedades e preços. Como acertar no vinho? Gosto é um sentido muito particular, é resultado do meio que se vive, de experiências gastronômicas, de conhecimento, e de um elemento mais subjetivo ainda, aquela associação entre o paladar e a memória. A escolha de um presente vem acompanhada também de um problema que afeta todos nós neste momento de crise financeira: a grana disponível para gastar no mimo.

Se você conhece o gosto do seu pai, a escolha é fácil, basta escolher a garrafa  na sua loja de confiança ou site preferido. Se não conhece seu gosto, você pode optar por uma solução diferente: escolher o vinho pelo tipo de experiência que seu pai tem com a bebida, ou mesmo baseado no momento atual de sua vida. O Blog do Vinho selecionou alguns perfis de pais possíveis e vai tentar te ajudar nesta tarefa: agradar seu velho.

Para o pai que raramente bebe vinho

Aqui o elemento surpresa e de introdução ao vinho é o diferencial. Ele pode até estranhar a escolha (“Não tinha uísque onde você comprou esta garrafa?”, ele pode pensar). Mas o objetivo é este mesmo, introduzi-lo ao universo dos tintos e brancos. Portanto, não vale a pena gastar muito dinheiro em um rótulo bacana, pois o seu pai não vai perceber a diferença entre um vinho premiado e outro do dia-a-dia. Talvez até prefira o segundo ao primeiro. A dica é escolher mais de um rótulo de até 40 reais de vinícolas nacionais, chilenas, argentinas, portuguesas  fáceis de encontrar em supermercados e em sites de compras. A propósito, com esta crise muitos rótulos entram em oferta próxima a estas datas e vale a pena ficar de olho. Vá de cabernet sauvignon chileno, malbec argentino, merlot nacional. Nestas condições você entrega no mínimo duas, três garrafas de presente. Se ele gostar da brincadeira e o vinho se tornar um hábito, no ano que vem você terá de consultar a sugestão seguinte…

Para o pai que é um bebedor eventual

Seu pai já curte uma garrafa aos domingos, ou com os amigos, mas sempre com aquele argumento de que gosta, mas não entende de vinhos. Aqui vale subir um pouco a régua de valor e qualidade, os mesmos brasileiros, chilenos, argentinos e portugueses (os rótulos mais consumidos no país). É fácil reconhecer, no geral eles têm um selo de reserva, informam no contra-rótulo um estágio em barricas. E o preço médio fica entre 60 e 80 reais. Se possível, tente descobrir algum rótulo que ele já provou e tem boas lembranças, para firmar um hábito.

Para o  pai que está começando a se interessar por vinhos

Seu pai já não é mais um principiante, lê revistas e livros sobre vinho e quem sabe é até leitor deste blog. Pode estar no limite entre o esnobismo (do tipo eu sei tudo) e o amadorismo (gira até copo de água), mas está evoluindo na percepção do gosto e descobrindo novidades Este é o presente que ele espera do seu filho, até como reconhecimento desta sua nova habilidade. Se o seu pai já tem uma adega, consulte os rótulos armazenados, eles podem dar uma dica de suas preferências. Outra saída é procurar algo diversificado, que aumente sua qualificação de  degustador de vinhos, como por exemplo um rótulo do Líbano, uma região menos conhecida da Espanha, como o Priorato, um branco na Eslovênia, ou um vinho laranja, que virou uma certa “modinha” entre os conhecedores nos últimos tempos. Outra opção é escolher um vinho de uma região menos óbvia de um país mais conhecido, como Salta e Patagônia, na Argentina.  Não é difícil achar estes rótulos nos sites e lojas de boas importadoras como Mistral, Decanter, WordWine, Inovini, Grand Cru, Vinci

Para o pai que é especialista

Aqui temos um problema. Todo mundo tem sempre a mesma ideia, afinal papai é um enófilo juramentado, capaz de distinguir um vinho pelo aroma, que reconhece a região pelo rótulo e é capaz de recitar de cor as principais cepas de cada país. Ou seja, para o resto da família papai é um enochato e presentear com uma garrafa pode significar se arriscar em terreno minado. Se você tem dinheiro disponível, a solução é fácil, vá até uma boa loja multimarcas ou sites de importadoras e procure aqueles rótulos com boa pontuação de Robert Parker, Wine Spectator, Gambero Rosso, Decanter etc e aí não tem muito erro (a não ser que ele seja daquele tipo off Broadway, que detesta os críticos de vinho famosões). Se a grana está curta, um conselho, esqueça o vinho e parta para um produto relacionado, por exemplo um bom livro sobre o tema. A chance de você receber um sorriso amarelo diante de um rótulo mais ou menos é muito grande para arriscar seu rico dinheirinho. Outra opção são as acessórios de vinho, uma espécie de brinquedo do enófilo de carteirinha

Para o pai que defende causas verdes

Há vinho para todo estilo de gente. Pais verdes, militantes do planeta e que nem por isso abdicam de uma boa taça de vinho têm uma forte relação com produtos orgânicos e biodinâmicos. Estes tipos de vinho são certificados e seguem algumas regras mínimas: como buscam um vinho mais natural, não usam defensivos agrícolas – apelam para recursos naturais para controle de pestes -, evitam aquelas garrafas muito pesadas, são contra uso de leveduras de laboratório e outros artifícios químicos para correção das safras. Como conceito, o vinho é um produto da natureza e qualquer interferência é condenada. Já os biodinâmicos têm uma relação mais etérea com o cosmo, as estrelas, as fases da Lua e o ciclo da terra. Pode até parecer papo alternativo mas é uma tendência que vem crescendo na indústria do vinho e o resultado de fato surpreende no sabor e aromas menos fabricados e mais instigantes. Para pai verde, um vinho odara! É fácil reconhecê-los, no geral eles alardeiam seu diferencial orgânico ou bio no próprio rótulo.

Para o pai que é estrangeiro ou morou no exterior

Se existe a escolha do vinho por tipo de consumidor, também existe a decisão por afinidades. Pais nascidos em outro país ou que viveram um período fora do Brasil provavelmente vão ter uma afinidade afetiva com caldos de sua origem – ou que remetam a um passado estrangeiro. Pais italianos, portugueses, espanhóis, franceses, chilenos e argentinos estão bem servidos de rótulos no país, e mesmo aqueles libaneses, austríacos, alemães também podem ser contemplados. O Brasil importa vinhos de mais de 25 países. É fácil encontrar um que combine com as origens de seu pai. Em geral eles estão organizados por país nas prateleiras das lojas e nos sites de vinho. É uma maneira bacana de reforçar os laços que envolvem suas raízes. E uma boa desculpa para abrir um vinho com o velho, em memória dos bons tempos… Já se seu pai é japonês, chinês ou russo melhor desistir desta alternativa.

 

Se o seu pai é separado de sua mãe

Se a separação é recente, aposte num tinto encorpado, meio alcoólico, um vinho meio cowboy, quase mastigável, com forte presença de aromas tostados de barrica, daqueles que sua mãe certamente iria odiar. Serão dois prazeres em uma só garrafa. Geralmente são aquelas garrafas pesadonas, malbecs argentinos, tempranilos da Rioja, tannat uruguaios. Tanto melhor se forrem desarolhados junto a um suculento naco de picanha sangrando… Um momento ogro das vinhas.

Para o pai que resolveu assumir que é gay – ou que é gay

Se eventualmente seu pai resolveu sair da adega, então por que não brindar esta opção corajosa do velho com uma garrafa de vinho? Ou mesmo se o seu(s) pai(s) são gays. A ordem do dia é a diversidade de gêneros. Um pai gay merece um espumante rosé nacional – são ótimos -, ou mesmo um champagne, que é a bebida da celebração. Claro que não se trata de uma bebida exclusiva para gays, mas é uma maneira bem-humorada de presenteá-lo e curtir sua opção sexual com um brinde animado.

Para aproximar a relação com seu pai que está estremecida

Pais e filhos são humanos, demasiadamente humanos, e nem sempre a relação é boa. Se o vinho aproxima as pessoas, ele pode também resgatar uma relação familiar que o tempo, por alguma razão, arranhou. Um porto envelhecido, do tipo Tawny, ou de safras exclusivas, do tipo Vintage, são a dica. São fortificados intensos, chamados vinho de meditação, que acompanham bem um charuto e são o elixir da boa conversa. Pode ser um bom empurrão para uma aproximação entre vocês, um momento em que as fraquezas e fortalezas desta relação podem ser aplainadas. Afinal é um consenso entre os bebedores que vinho é para ser compartilhado. E você e seu pai merecem este tempo mais esticado para passar a vida  a limpo, entre um gole ou outro de um Porto.

O melhor vinho que tomei com meu pai

Meu pai (91), eu (52) e um brinde de um Marques de Casa Concha (40)

Meu pai (91), eu (52) e um brinde de um Marques de Casa Concha (40)

O prazer do vinho também está associado à companhia, ao momento, ao entorno. Neste dia dos pais, e em todos que puder, tome um vinho com o seu. E aqui vai minha experiência. O rótulo chileno Marques de Casa Concha, da vinícola Concha y Toro,  comemora 40 anos este ano – foi lançado em 1976. Em vez de simplesmente reunir críticos em uma degustação tradicional convidou alguns clientes, especialistas e amigos para compartilhar algumas garrafas da marca em um jantar no Terraço Itália, tradicional restaurante paulistano,  na companhia de seus pais. Foram servidas três variedades: chardonnay, carmenère e cabernet sauvignon (meu favorito e mais tradicional). Depoimento sincero. Olha, eu já tomei o Marques de Casa Concha em diversas ocasiões: na companhia do seu enólogo principal, Marcelo Papa, que há dez anos elabora os tintos e brancos desta clássica linha; na própria vinícola, próxima de Santiago, no Chile; em almoços em casa e jantares de lançamentos de safras em restaurantes. Mas não tem igual, brindar com meu pai foi outra experiência. Foi o melhor Marques da minha vida, aquele que brindei com meu velho e outros filhos e filhas, acompanhados dos seus. Você não vai perder a chance de brindar com o seu, vai?

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terça-feira, 14 de outubro de 2014 Degustação, Espumantes, Velho Mundo | 12:51

Tem beija-flor brasileiro no champagne do monsieur e da madame

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Garrafas da Perrier-Jouët perfiladas em dia de gala: as flores desenhadas por Emile Gallé são a marca registrada

Garrafas da Perrier-Jouët perfiladas em dia de gala: as flores desenhadas por Emile Gallé são a marca registrada

Champagne é para poucos, fato. Mas se em algum momento da vida uma tacinha passar pela frente, não deixe escapar. Tanto melhor se for um champagne que alia beleza e sofisticação na garrafa e dentro dela, não é? Um dos expoentes desta linha que esbanja elegância e paladar é a Maison Perrier-Jouët, aquela da etiqueta florida, de estilo art nouveau, que dá dó de jogar a garrafa fora, mas um prazer danado de jogar as borbulhas para dentro.

Provar vários rótulos de Perrier-Jouët é uma viagem sensorial que revela a marca desta casa que existe desde 1811, desde que o sobrenome do monsieur (Pierre Nicolas Perrier) e da madame (Adéle Jouët) se juntaram em matrimônio. A Maison teve apenas sete Chefs de Cave – o sujeito que é responsável pelo assemblage final, pelo estilo do champagne, pela mágica da borbulhas. O último deles, Hervé Deschamps, esteve em São Paulo no último dia 9 de outubro para apresentar seu portfólio. Em especial a edição limitada – 10.000 garrafas para o mundo; 200 para o Brasil – da Pierre Jouët Belle Epoque Rosé 2005.

Vai uma tacinha de champagne?

Vai uma tacinha de champagne?

O que tem de especial neste champagne, além do champagne? O marketing. Um beija-flor do artista plástico Vik Muniz pousou na garrafa comemorativa e se misturou às tradicionais anêmonas – as flores verde ou rosa e branca – que definem e distinguem o visual da Pierre-Jouët desde 1902, quando o então maior representante da art nouveau, Emile Gallé, desenhou esta representação típica da Escola de Nancy, que usava e abusava de flores na sua arte decorativa em vasos e peças.

O beija-flor do artística plástico Vik Muniz entre as flores de Emile Gillé.

O beija-flor do artista plástico Vik Muniz entre as flores de Emile Gillé.

As flores, a propósito, não são uma mera representação artística de Emile Gallé, elas traduzem a elegância e as notas florais características do estilo do champagne da Pierre-Jouët. A Belle Epoque Rosé é um assemblage de 50% de pinot noir, 45% de chardonnay e 5% da pinot meunier – a mistura clássica de Champagne. O toque floral tá lá, o cítrico e, claro, frutas vermelhas que se esperam de um rosé, envolvidas em um tostado marcante, finalizadas com uma acidez necessária. Outro “detalhe” distingue esta peça artística. O preço. Por R$ 1.600,00 ela pode ser adquirida nas melhores lojas e delicatessens.

Pierre-Jouët: vale o refrão dos Titãs "Eu vejo flores em você"

Pierre-Jouët: vale o refrão dos Titãs “Eu vejo flores em você”

Este colunista teve chance de provar mais do que uma tacinha, diga-se de passagem. E não deixou a chance escapar. Passaram por estas papilas gustativas que a terra há de fermentar a Perrier-Jouët Brut, a Belle Epoque Blanc de Blancs 2002, A Belle Epoque Brut 2004 e 2002 (2002 com maior potência, pois 2004 teve mais sol e calor), a Blason Rosé, e a estrela do dia, a Belle Epoque Rosé 2005.

Belle Epoque Blanc de Blancs 2002: passaria o dia bebendo

Belle Epoque Blanc de Blancs 2002: passaria o dia bebendo

Meu preferido: o Belle Epoque Blanc de Blancs 2002. O nome já entrega que é um blend apenas da branca chardonnay (lembrando que pinot noir e meunier são uvas tintas e na elaboração dos espumantes as cascas não são fermentadas junto com o mosto). São uvas dos melhores vinhedos da Pierre-Jouët: Bourons Leroy e Bourons du Midi, em Cramant, no miolo de Côte des Blancs. O crème de la créme da chardonnay da região demarcada de Champagne. Para quem se interessa pelo universo da minhoca, trata-se de um terroir de solo calcário que retém a umidade e aprofunda as raízes das vinhas. Mas a gente não prova o solo calcário nem as raízes, mas seu fruto fermentado: flores brancas, torrefação, cremoso, um bom volume de boca, um ótimo frescor e uma inacreditável lembrança de gengibre e laranja. Passaria a tarde descobrindo (e inventando) novas camadas de aromas e sabores deste Blanc de Blancs, isso sim é Belle Epoque, aqui e agora.

Belle Epoque Brut: grandes garrafas para grandes vinhos

Belle Epoque Brut 2002: grandes garrafas para grandes vinhos

A visita de Hervé Deschamps proporcionou um aumento per capita de rolhas de champagne Perrier-Jouët abertas nunca antes visto neste país, incluindo algumas garrafas Magnum (3 litros) de Belle Epoque Brut que segundo Hervé permitem um maior contato da bebida com as leveduras e consequentemente uma capacidade de envelhecimento maior. O Chef de Cave ensinou que as uvas da Belle Epoque Brut são provenientes de vários vinhedos, e que a porcentagem é resultado de inúmeras provas às cegas realizadas por ele e sua equipe, mas um número mágico sempre se impõe: 50% de chardonnay, 45% de pinot noir e 5% de pinot meunier. Para Hervé, esta porcentagem nada mais é do que o reflexo dos terrenos da Perrier-Jouët. O Chef de Cave descreve o Belle Epoque 2002 com algumas palavras: equilibrado, estruturado, leveza, flores, frutas (pêssego, pera), tostado no final, mineral e complexo. Uma frase do release de Hervé distribuído pela assessoria se encaixa aqui: “Cada cuvée é uma obra única e inesquecível e toda degustação é uma arte, como a do assemblage”

Hervé Deschamps (7)

Hervé Dechamps: o sétimo Chef de Cave em 200 anos de Perrier-Jouët. Só alegria!

Hervé Dechamps? Não lembra o personagem de UP?

Hervé Dechamps? Não lembra o personagem de UP?

Perguntei a Hervé Deschamps – que lembra um pouco o velhinho do desenho UP, mas sem aquele mau humor – o que faria um consumidor escolher um Perrier-Jouët entre tantas outras Maisons de Champagne disponíveis. Sua resposta fecha esta coluna e define um estilo: “Nós procuramos reproduzir na assemblage o mesmo conceito artístico, e com os mesmos valores, representados pelo rótulo criado por Emile Gallé: elegância, delicadeza e prazer.”

As flores, as frutas, a cremosidade: um representação do Belle Epoque Rosé

As flores, as frutas, a cremosidade: uma representação do Belle Epoque Rosé

 

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terça-feira, 27 de dezembro de 2011 Espumantes, ViG | 16:32

É dia de champanhe, bebê!

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3, 2, 1 Pow! O espumante é a bebida do fim do ano. E do início. E do meio...

Não se bebe espumante, champanhe, prosecco ou cava em dia triste. O estampido seco libera as borbulhas adormecidas na garrafa e, transferidas para tulipas, convidam ao primeiro gole. Antes de descer pela garganta, o primeiro brinde! O frescor limpa a boca e as borbulhas normalmente desenham um sorriso e estimulam novos goles. Trata-se de um vinho de comemoração e celebração. Talvez aí esteja um dos segredos da crescente demanda. É uma bebida com um marketing imbatível: o da alegria.

Por isso mesmo é a bebida oficial das festas de fim de ano. Em um país que até pouco tempo atrás até o guaraná era champanhe, tudo que borbulha tá valendo. E efervescentes genéricos de sidra, proseccos vagabundos e chuvas de prata da vida ganham status de bebida de celebração pelo simples fato de cuspir a rolha como um foguete e de espalhar sua espuma para fora da garrafa. No momento do brinde, muitas vezes segue direto goela abaixo pelo gargalo mesmo, numa espécie de cachimbo da paz das borbulhas.

Qual o problema? O importante é celebrar! Mas se sua intenção vai um passo além e seu objetivo é aliar a comemoração a uma bebida de qualidade, está na hora de escolher a garrafa da virada, daqueles que podem ser os melhores anos de suas vidas. 31 de dezembro é dia de champanhe, bebê!

Os vários estilos de espumantes

Para facilitar a sua vida, o Blog do Vinho traz uma lista de produtores que garantem uma qualidade sem erro. Tanto para os felizardos que têm “muito dinheiro no bolso” (a turma do champanhe) como para os que pelo menos esbanjam “saúde pra dar e vender” (a turma do espumante “orgulho da viticultura” nacional). E ainda explica, para quem ainda não sabe, a diferença dos vários estilos de espumantes – não, não é tudo a mesma coisa

CHAMPANHE

É o rei-leão dos espumantes, está no topo da pirâmide destes vinhos, até no preço. São mais intensos, ricos e de paladar apurado, com aromas que lembram panificação, às vezes de cor mais dourada. O espumante nasceu na região de Champagne, localizada no nordeste da França, e segue regras rígidas. As únicas uvas permitidas são: a branca chardonnay (dá finesse, notas florais e minerais), e as tintas pinot noir (frutas vermelhas e estrutura ao vinho) e pinot meunier (frutado). Estranhou o uso de tintas em champanhes? Mas é assim mesmo, são usadas tanto uvas brancas como tintas, o que dá a cor ou não a um vinho é o contato da bebida com as cascas.

Todo vinho sofre uma fermentação para transformar o açúcar da uva em álcool. Nos efervescentes, são duas. No champanhe, a segunda fermentação é feita na própria garrafa – a este método se dá o nome de champenoise, ou classico. Este método, com vinho-base bom e terroir exclusivo, confere mais elegância e intensidade à bebida. Dos diferentes estilos de champanhes, os mais caros e refinafos podem ficar até dez anos repousando nas caves antes de estar disponível ao consumidor.

Nem tudo que borbulha é champanhe

Champagne só em Champagne

Se topar com um espumante fora da França com o nome “champagne” gravado na etiqueta, desconfie. Champagne é a única região do planeta autorizada a usar esta designação nos rótulos. Na verdade, existem exceções que conseguiram burlar esta restrição, mas vale como regra.

Produtores importantes: Ayala, Billecart-Salmon, Bollinger, Charles Heidsieck, Delamotte, Deutz, Drappier, Jacques Selosse, Krug, Laurent-Perrier, Louis Roederer, Moët & Chandon, Pol Roger, Ruinart, Salon, Tattinger, Veuve Clicquot Ponsardin.

Preços médios: champanhe é cara. A partir de R$ 160,00 é possível encontrar bons produtos, como a Delamotte Brut. A sempre boa Tattinger sai por R$ 200,00, a Drapier Carte d`Or vale R$ 205,00 e a Gosset Brut Excellence R$ 192,00. Nas mais caras, e exclusivas, o céu é o limite, uma Dom Pérignon safrada não sai por menos de R$ 750,00, a prestigiadíssima Jacques Selosse Substance sai por R$ 1.500,00! – precisa ter muito o que comemorar…

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Veuve Clicquot Ponsardim (entre R$ 200,00 e 230,00) – aquela do rótulo amarelo. É quase um blockbuster da champanhe no Brasil e no mundo (mais de 10 milhões de garrafas ao ano) e merece seu sucesso. Fácil de encontrar em lojas e supermecados. Bom aroma, frutas e torrefação. Um ótimo começo para se conhecer um champanhe típico, com seu toque oxidado, frutas secas, torrefação e cítricos.

CRÉMANT

Espumante genérico francês, também elaborado pelo método clássico, produzido fora da região delimitada de Champagne, sendo que o maior volume vem da região do Loire, mas com boas casas na Borgonha também. Costumam ter menos pressão e são mais ligeiros. Não há muita oferta de rótulos no Brasil.

Produtores importantes: Louis Bouillot, Domaine Amiot Guy et Fils, Dopff au Moulin, Grandin, Vigneau-Chevreau.

Preços médios: O crémant não é tão caro quanto o champanhe. Na média de 80 a 90 reais há rótulos disponíveis. Exemplos Amiot Guy Cremant (R$ 98,00).

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): O Crémant de Bourgogne Perle de Vigne Brut Grand Reserve (R$ 85,00) é um belo exemplar para comparar entre os espumantes de Reims/Champagne e fora desta região demarcada. Aromas de leveduras presentes, mas com muito frescor. Legal para conhecer o estilo.

CAVA

Outro espumante feito pelo método clássico – esqueceu o que é? Segunda fermentação na garrafa –, mas de origem espanhola, na região de Penedés, na Catalunha. As uvas são nativas: macabeo, viura (dão um toque frutado), parellada (acidez) e xarel-lo (acidez e potência). A Espanha é o segundo maior produtor de espumantes do mundo. A gigante Cordoniu coloca no mercado 130 milhões de garrafas ao ano. São facilmente encontradas nas prateleiras de supermercados e são deliciosos e potentes, vale experimentar.

Produtores importantes: Freixenet, Cordoniu, Raventos I Blanc.

Preço médio: as cavas têm preços mais acessíveis, encontram-se rótulos das gigantes Freixenet e Cordoniu por 55 reais, em média – valores similares aos bons espumantes nacionais – e são mais fáceis de encontrar em redes de supermercados. As versões rosés são bem interessantes.

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Raventos I Blanc Gran Reserva Brut (R$ 140,00). Uma cava de maior qualidade, com tostados e notas de frutas secas. Fica 6 meses em contato com leveduras e mais 36 envelhecendo na garrafa. E daí? Mais complexidade, sabor e expressão em boca.

PROSECCO

Quem já passeou por este Blog do Vinho já sabe: prosecco nada mais é que uma uva nativa da Itália, mais precisamente da região de Valdobbiadene e Canegliano, no Vêneto. Com ela, se faz este espumante que, ao contrário dos vinhos efervescentes anteriores, é elaborado pelo método charmat. O que é isso? Aqui, a segunda fermentação se dá em grandes tanques fechados de aço inoxidável que suportam altas pressões (a pressão do gás chega até a 7 atmosferas). Há os proseccos mais refinados, eles chegam da região de Cartize, mas a grande maioria é uma bebida mais fácil, de cor mais clara e de sabor próprio. A propósito, há proseccos no mercado de grande volume bem ruins, se puder, evite. Tem prosecco no Brasil? Tem. A Salton (R$ 25,00) e a Aurora (R$ 22,00) produzem seus rótulos. E ao contrário do champanhe, pode ter seu nome estampado no rótulo. São frescos e honestos, uma boa opção aos italianos mais comuns.

Produtores importantes: Adami, Bisol, Ca Bolani, Dominio de La Vega, Jeio, Mionetto, Nino Franco, Ruggeri.

Preço médio: entre 40 e 80 reais encontram-se proseccos de qualidade de produtores importantes como Mionetto e Bisol.

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Nino Franco Rústico (R$ 80,00). Trata-se de uma escolha afetiva. Foi o primeiro Prosecco de qualidade que experimentei e nunca decepciona, mostrando a capacidade desta uva quando bem vinificada e tratada.

ESPUMANTES (sparkling wines)

Nome genérico para todo vinho com duas fermentações. Há rótulos da Itália, da Argentina, do Chile, da Alemanha (conhecidos como Sekt), de Portugal – em toda parte  –, até a Inglaterra começou a se aventurar neste mercado. O Brasil produz espumantes premiados em vários concursos sérios e reconhecidos pela crítica internacional e nacional. A grande maioria é elaborado pelo método charmat com bons resultados; algumas vinícolas arriscam o método clássico, nem sempre superiores ao charmat. No Brasil, além das uvas francesas chardonnay e pinot noir, é comum o uso da riesling itálico que teve boa adaptação no sul do país. Nossos espumantes se caracterizam pela boa acidez, frescor, juventude (é comprar e beber, sem dormir na adega) e média intensidade, um aroma levemente cítrico, um vinho de celebração com qualidade, acima de tudo.

Produtores importantes

Brasil: Adolfo Lorna, Aurora, Bueno State, Caves Geisse, Chandon, Dal Pizzol, Dom Cândido, Don Giovanni, Domno, Marson, Miolo, Pericó, Peterlongo, Piagentini, Pizzato, Salton, Valduga, Vallontano.

Itália: Costaripa, Bellavista, Ferrari.

Portugal: Luis Pato, Quinta da Bacalhoa, Vértice.

Preços médios: a partir de 20 reais já é possível achar um espumante correto para chamar de seu. Subindo um pouco a régua, com você será bastante feliz com alguns exemplos Ponto Nero Brut (R$ 30,00), Aurora Brut 100% Chardonnay (R$ 30,00).

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Se você aprecia uma bebida mais elaborada, mais densa e com mais requintes de paladar – todos elaborados pelo método champenoise – fique com o Don Giovanni Brut (R$ 42,00), o Pizzato Brut (R$ 44,00) ou Casa Valduga 130 Brut (R$ 60,00); para os espumantes com característica mais verde-amarela, descrita acima, e de qualidade sempre constante, as dicas são o saboroso Chandon Reserva Brut (R$ 48,00) e o sempre bom Salton Reserva Ouro (R$ 30,00). Entre os estrangeiros, uma boa alternativa é o espumante Costaripa Brut (R$ 68,00 na oferta de Natal), produzido na região da Lombardia pelo método champenoise. E Luis Pato Maria Gomes 2010 (R$ 74,00), um pioneiro das borbulhas na Bairrada, mais simples e fresco. Nunca decepciona.

Brut, sec, demi-sec. Qual o significado?

Se os estilos mudam em cada região e pelo método de vinificação, o teor de açúcar – e o sabor – também se alteram de acordo com a sua classificação. Fique atento ao que diz o rótulo, é fácil se enganar. Os espumantes são classificados conforme a concentração de açúcar por litro.

Nature (zero dosage): até 3 gramas por litro

Extrabrut: até 6 gramas por litro

Brut: menos de 15 gramas por litro

Sec: entre 17 e 35 gramas por litro

Demi-sec: entre 33 e 50 gramas por litro

Doux: acima de 50 gramas por litro

Ou seja, essas expressões nos rótulos indicam o grau de açúcar por litro em cada garrafa. Atualmente, 80% do mercado são dominados pelo tipo brut, que é mais seco e com baixa concentração de açúcar. Sec, ao contrário do que parece, não é seco, mas levemente adocicado. Mais comum encontrar a expressão demi-sec. Doux dispensa explicações.

Escolheu o seu? É hora de jorrar a bebida na taça!

Fala sério, não é tudo igual, não é mesmo? Agora é só escolher qual bebida combina melhor com seu bolso e paladar para celebrar 2012, 2013, 2014…

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010 Nacionais | 18:03

#enche a taça Galvão!

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Galvão Bueno ao lado da mulher e do humorista e apresentador Jô Soares: de taça cheia e rindo à toa

Bueno Paralelo 31 é o vinho do Galvão, o locutor mais assistido e comentado da TV brasileira e agora do twitter. Ok, isso não é notícia. Este Blog mesmo relatou o lançamento da vinícola na Expovinis em nota de 29 de abril deste ano. A novidade é que as garrafas já estão à venda no site da Miolo, parceira de Galvão, e disponíveis em  restaurantes e lojas de vinho. Ou seja, agora os apreciadores podem discutir o vinho, e não o personagem. São 14.000 garrafas comercializadas nesta temporada.

A Bueno Bellavista Estate (bacana, hein?) ainda é um projeto. O terreno, localizado na Campanha Gaúcha, vizinha das parreiras de outro projeto da família Miolo, a Seival Estate (opa!), ainda está em sua primeira infância. As parreiras têm seu tempo de maturação. Demoram cerca de cinco anos para começar a dar frutos em condições de fermentar e virar vinho. Mas Galvão Bueno é acelerado. E os primeiros vinhos da sua empreitada são dos terrenos vizinhos do Seival, no caso do tinto, e do Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, para o espumante Bueno Cuvée Prestige. Nestas primeiras safras a assinatura no rótulo é do Galvão, mas as uvas ainda são de terceiros.

#enche a taça Galvão

Galvão Bueno não se incomoda com o sucesso. Se alimenta dele e é feliz com isso, o que é raro em um país em que o sucesso é motivo de desgosto em público e júbilo no particular. Discorre sobre seu vinho com paixão. Não comemora como um gol, mas narra como uma boa partida, e deixa claro que entrou com o coração. Os enólogos (Adriano Miolo e Michel Rolland) com a técnica e o conhecimento. Ergue a taça, fala de um produto com alma e lança o conceito do paralelo 31 do vinho nacional – aquela mesma faixa do globo em que brilham algumas regiões vitivinícolas da Austrália, da Nova Zelândia, da África do Sul, da Argentina e do Chile. Uma estratégia mirando o mercado exterior. Galvão vive parte de seu tempo em Mônaco, e pretende levar seus rótulos embaixo do braço para mostrar para seus amigos em restaurantes estrelados que frequenta na Europa.

E, para aqueles que julgam o vinho baseado em opiniões preconcebidas, este blog pode decepcionar. Degustado agora com mais vagar, em um restaurante, sem a pressa das feiras e alguns meses a mais na garrafa, o Paralelo 31 surpreendeu mais do que da primeira vez. O padrão da dupla Adriano/Rolland se confirma (ver nota anterior), e a escolha por um assemblage não muito habitual por aqui – mistura das uvas cabernet sauvignon (60%), merlot (30%) e petit verdot (30%) –  mostrou seu valor na taça.

Classudo como um bom assemblage tem de ser, com um tostado bacana, frutas maduras e macio na boca, é um bom representante da região. Não sobrou na taça, critério número um de aceitação. Confesso que os tintos da Miolo da região do Seival são os que mais me atraem, em especial o rótulo Castas Portuguesas. O espumante é correto, passa 18 meses em contato com as leveduras, conferindo mais consistência de boca e alguma elegância, mas não se distingue – é muito parecido com outra linha da Miolo. Na mesma faixa de preço, atende uma visão mercadológica da Bueno Estate, o tal mercado externo.

Um sauvignon blanc no ano que vem

Galvão enche a taça, todos à sua volta fazem o mesmo, e já anuncia que no próximo ano o sonho é produzir um sauvignon blanc com a mesma qualidade dos países do paralelo 31, mirando em especial os rótulos dos brancos da Nova Zelândia e da África do Sul. Sugere o uso da barrica. Faz uma consulta aos jornalistas e críticos à sua volta. Todos votam em um branco sem uso da madeira (incluindo o enólogo e sócio Adriano Miolo). Adriano adianta que a safra do ano que vem do Paralelo tinto terá maior participação da petit verdot, que mostrou qualidade excepcional. Galvão concorda e sugere diminuir um pouco mais o cabernet para aumentar a proporção da petit verdot. O negócio do vinho entrou de vez na vida do locutor.

Celebridades não são novidade no mundo do vinho, os exemplos são muitos ao redor do planeta dos ricos e famosos. Alguns realizam um sonho, caso do Galvão – que confessou que não tinha muita intimidade com os caldos nacionais, mas agora defende até a questão dos tributos protecionistas -, do cineasta Francis Ford Coppola  e do ator Gérard Depardieu -, outros emprestam o nome como mais uma oportunidade de ganhar dinheiro. Para o negócio do vinho, é mídia espontânea – olha eu aqui falando do Bueno Estate – e expansão de marca e de mercado. Para o consumidor, uma isca para se aproximar dos tintos e brancos. Aos conhecedores e bebedores com maior litragem, a oportunidade de enfim fazer a prova da taça. E aí sim, julgar o vinho pela degustação, pelo gosto.

Depois de fazer furor no twitter, Galvão corre o risco de frequentar a rede social mais ligada ao vinho com novas rashtags: #enche a taça a galvao para aqueles que gostaram do vinho ou manter o #cala a boca galvao no topo se o julgamento continuar negativo. O veredito, como sempre, é do cliente.

# baixa o preço Galvão

Bom, mas aí chega a hora de pagar a conta. O Parelelo 31 deve chegar entre 80 a 100 reais para o consumidor final nas lojas e um pouco mais barato se encomendado direto na vinícola em caixas de seis garrafas. É aí que começam as comparacões por similares importados do mesmo preço. Talvez seja o caso de criar uma terceira rashtag no twitter: # baixa o preço Galvao

Bueno Paralelo 31 Safra, 2008, Campanha, Rio Grande do Sul
60% cabernet sauvignon, 30% merlot, 10% petit verdot
1 ano de barril de carvalho
R$ 75,00 no site da miolo (seis garrafas)

Bueno Cuvée Prestige, Vale dos Vinhedos Rio Grande do Sul
50% chardonnay, 50% pinot noir
18 meses sobre ação leveduras
R$ 59,00 no site da miolo (seis garrafas)

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quarta-feira, 6 de agosto de 2008 Degustação, Entrevista, Espumantes, Nacionais | 17:59

Com a palavra, o campeão

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Um rápido bate-papo com Cândido Valduga, 77 anos, o patriarca da Vinícola Dom Cândido, que produz o espumante campeão do ranking Playboy.

Como o senhor soube que o Dom Cândido Brut havia sido eleito o melhor espumante pelo ranking da revista Playboy?
Foi uma surpresa. Um amigo do meu filho, de Porto Alegre, enviou pela internet o texto do blog. A notícia se espalhou rápido, muita gente ligou para cá querendo comprar o espumante. Também apareceram turistas interessados em conhecer o Dom Cândido Brut.

O que significa este resultado para vocês?
É uma recompensa de toda uma vida dedicada aos vinhedos e aos vinhos.

Hoje a produção está limitada a 12.000 garrafas. Vocês pretendem  aumentar a produção?
Estamos plantando novas videiras. Creio que agora vamos acelerar este processo, mas só depois de 3 anos as uvas podem ser usadas na produção do vinho.

Como é a elaboração do Dom Cândido Brut?
Para começar, a nossa uva é de boa qualidade, com baixo rendimento por hectare, e são colhidas no tempo certo. Nós fazemos um charmat longo, um processo que dá justamente estas características de um espumante elaborado pelo método champenoise (aquele que a segunda fermentação se dá na garrafa). Muita gente, na hora de provar, confunde o Dom Cândido com champanhe.Você não estava enganado quando percebeu estes aromas mais evoluídos, típico dos espumantes feitos pelo método champenoise.

Muitos leitores perguntaram onde podem encontrar seu espumante e qual o preço…
Nós não vendemos para supermercados. Nossa maior venda é direta, para pessoa física (entregamos para todo o Brasil), e para alguns restaurantes e lojas. Aqui na vinícola ele sai por 25 reais, nas lojas deve custar entre 30 e 35 reais. Em São Paulo, eu sei que o Empório Chiapetta (do Mercado Municipal) vende nossos vinhos.

Com a premiação e a repercussão o senhor pretende aumentar o preço do Dom Cândido Brut?
Não. Aqui na vinícola vamos manter o mesmo preço.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008 Degustação, Espumantes, Nacionais | 11:04

Deu zebra no ranking de espumantes da Playboy

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O I Ranking de Espumantes Nacionais promovido pela revista Playboy vai dar o que falar…  Este Blog do Vinho antecipa o resultado, que estará na edição de aniversário que circula dia 12 de agosto. Das 22 garrafas avaliadas, o grande vencedor foi o Dom Cândido Brut. Conhece? Provavelmente, não. O Dom Cândido é um espumante pouco conhecido do Rio Grande do Sul, elaborado 100% com a uva chardonnay e vinificado pelo método charmat – aquele em que a segunda fermentação é realizada em grandes tanques de aço. A coisa foi séria. A degustação, coordenada pelo presidente da ABS (Associação Brasileira dos Sommeliers), Gustavo Andrade de Paulo, foi às cegas, sem que ninguém soubesse qual rótulo estava na taça, e as garrafas foram compradas em lojas e supermercados.

O segundo lugar, ao contrário, não teve surpresa, coube a um espumante campeão na lista dos nacionais mais admirados e que sempre agrada, o Excellence Par Chandon. A propósito, a maioria dos jurados acertou o rótulo, mesmo às cegas. Como eu sei? Eu fui um dos oito jurados. O restante da classificação, aliás, vai dar muito pano para a manga, ou para a uva. De qualquer forma, os admiradores do vinho têm este mês uma boa desculpa para comprar a próxima edição de Playboy, veja a lista.

Resultado final

1º lugar
Dom Cândido Brut
Método: charmat

2º lugar
Excellence Par Chandon
Método: charmat longo

3º lugar
Aurora Brut
Método: charmat longo

4º lugar
Dal Pizzol Brut
Método: champenoise

5º lugar
Château Lacave Brut
Método: champenoise

6º lugar
Georges Aubert Reserva Extra Brut
Método: charmat

7º lugar
Almadén Brut
Método: charmat

8º lugar
Peterlongo Brut
Método: champenoise

9º lugar
De Greville Brut
Método: charmat

10º lugar
Miolo Millèsime Brut
Método: champenoise

O que significa este resultado? Que o desconhecido Dom Cândido é o melhor espumante nacional do mercado? Menos. Significa, de fato, que naquele dia aquela garrafa foi a que mais agradou a todos os oito jurados (veja lista abaixo). Em minhas anotações rabisquei que a amostra número 3, a campeã Dom Cândido, tinha um perlage persistente (perlage é como são chamadas as bolhinhas de gás carbônico que brotam do fundo da taça em direção à borda e formam aquela espuma), aromas mais evoluídos, mais comuns em champanhes feitas pelo método tradicional (errei feio, como se vê), além de um leve toque de panificação. Confesso que nunca havia experimentado este espumante antes. E achei muito bem feito, destoando no estilo dos demais.

Outro ponto que chama a atenção na lista dos 10 mais: de três produtores mais badalados de espumantes nacionais – Salton, Miolo e Chandon -, somente esta último está entre os três primeiros da avaliação, sobrando para a Miolo o 10º lugar, atrás de marcas como Peterlongo, Aurora, Dal Pizzol e Georges Aubert.

Moral da história?

Prova às cegas é a prova dos noves, aqui não tem truque, o que vale é a percepção gustativa, a experiência – ou falta de – e avaliação do momento, daquela garrafa. Uma boa maneira, também, de rever uma série de preconceitos. Vou provar novamente o Don Cândido Brut e volto a comentar minhas impressões neste espaço. A propósito, não é fácil encontrá-lo, a produção é limitada a 12.000 garrafas.

Os outros sete jurados do ranking.

Alexandra Corvo: sommelière, proprietária da escola de vinho Ciclo das Vinhas e colunista de vinhos do Portal Veja SP.

André Santos: sommelier do restaurante Fasano Al Maré, no Rio de Janeiro.

Débora Breginsky: sommelière do restaurante Dressing e consultora privada de diversos enófilos.

José Maria Santana: jornalista, colunista da revista Gula, escreve sobre vinhos há 18 anos.

Josimar Melo: crítico de gastronomia do jornal  Folha de S.Paulo e diretor do site Basílico.

Manoel Beato: sommelier do restaurante paulistano Fasano e autor do livro Guia de Vinhos Larousse.

Richy Anson: sommelier e docente de gastronomia na Universidade Anhembi Morumbi.

Dom Cândido: site oficial

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