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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016 Espumantes, Nacionais | 00:33

Com este calor, só um espumante salva!

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Verão, calor, sol, praia. O que falta nesta foto? Uma garrafa de espumante!

Verão, calor, sol, praia. O que falta nesta foto? Uma garrafa de espumante!

A despeito dos conselhos dos manuais de estilo das redações – quando ainda existiam manual, estilo e redações, não necessariamente nesta ordem –, eu repito o título neste início de texto: com este calor, só um espumante salva!

O verão resolveu castigar aqueles que estão trabalhando (alguém?) e presentear o povo das areias, rios e piscinas com uma bola de fogo que deixa rastros de suor até a madrugada. Resumindo: está um calor dos diabos. E se a bebida é um vinho, o espumante é a melhor opção.

O espumante é um vinho com explosão, de alegria, de comemoração. Se existe método na elaboração, há pouco rigor no consumo. Não é à toa que hoje existe uma certa moda de um tipo de espumante mais doce que pede, melhor implora, dois ou três cubos de gelo na taça. Ninguém bebe espumante e suas variações (champagne, prosecco, lambrusco) analisando muito a qualidade do fermentado.  Não que seja desimportante. Há borbulhas horrorosas, simples, boas e espetaculares. Mas no geral o momento de celebração é mais relevante que a degustação. Tanto melhor então se qualidade e momento caminham juntos. E quantidade também, por que não? Uma taça sem um refil é triste e solitária como um número primo, dividido apenas por ele.

Per brindare un incontro

Espumante é fácil e delicioso de beber. Me ocorre uma associação meio maluca com a ginástica para explicar isso. Beber um espumante é como fazer polichinelo, aquele exercício leve, que inicia os treinos do colégio e que não humilha ninguém. Os movimentos são fáceis e não exigem maiores esforços na sua execução. Todos cumprem a tarefa. Seu oposto na academia dos vinhedos é um Bordeaux mais austero, um tinto encorpado do Chile, que exibem muque e potência, e degustá-los equivale a uma sequência de flexão de braços. Trata-se daquele exercício que que os saradões exibem seus tônus muscular com precisão e os garotos mais franzinos falham vergonhosamente: mal conseguem manter o corpo ereto quando se aproximam do chão, no geral protagonizando um balé destrambelhado de ancas baixas e ombros inclinados sustentados por músculos frágeis e trôpegos.

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Bebe-se espumante “per brindare un incontro” (Não é mesmo, Pepino di Capri?), para comemorar uma data, um negócio fechado ou apenas para curtir a vida mesmo. É o vinho do réveillon, por supuesto! Acompanha desde um petisco até uma refeição completa, ou ajuda a suportar aquela vernissage inadiável. Pode ser servido com pompa em um salão nobre, mas há um prazer incomparável de tomar um espumante na praia, com aquele marzão à frente. A garrafa suando no balde de gelo, a taça se enchendo de espuma e aquele primeiro gole rasgando o palato, com as bolinhas provocando pequenas explosões na boca.

Borá lá então romper a gaiola e provocar aquele estampido seco que libera as borbulhas e seu frescor quando expulsamos a rolha da garrafa! Abaixo alguns rótulos que não faltam na minha adega ou provei recentemente. Ah, não há nenhum exemplo dos tais espumantes para tomar com gelo. Pelo simples fato que não experimentei. Nem tenho muita vontade.

espumante-chandon reserve

Chandon Réserve Brut – é o espumante de qualidade e segurança do Brasil. Nunca falta na minha lista. Sempre bom revisitar. Mantém um padrão constante de excelência.  Borbulhas na medida, frescor, equilibrado e sem excessos. Lembra um pouco frutas brancas. Às vezes parece onipresente. Está em inúmeros supermercados, lojas, restaurantes em todo o país. Chandon na praia? Tem, sim senhor! Tem uma baita distribuição e um marketing esperto e boas ações (no geral compro aquele pack de fim de ano com seis garrafas e uma garrafona de 1.5 litro de bônus). É elaborado pelo método charmat. Traduzindo: a segunda fermentação, ou seja, a incorporação do gás carbônico na bebida (as bolinhas), é realizada em grandes cubas de aço inox fechadas, projetadas para aguentar a pressão do gás carbônico liberado na fermentação, que pode chegar a 5 atmosferas. Na teoria é um método usado para produtos de larga escala, mais barato, e não para bebidas mais refinadas. Para o enólogo francês Philippe Mével, diretor da Chandon Brasil, trata-se de uma avaliação equivocada. “Não é o método que determina a qualidade do espumante e sim a qualidade da uva, a vinificação adequada e o trabalho do blend que conferem seu sabor”, diz.

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Lírica Crua – a vinícola Hermann, em Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul é propriedade dos donos da importadora Decanter. O que poderia ser um passo arriscado para um conhecedor de vinhos e vendedor de rótulos consagrados mundo afora se revelou uma grata surpresa que só se fortalece com o tempo. Adolar Hermann trouxe como consultor o enólogo Anselmo Mendes, conhecido entre no meio como o “rei do Alvarinho”, uva branca típica da região do Minho. Decisão acertada. Da linha de espumantes como Bossa Nova e Lírica se destaca esta garrafa da versão Crua. Lançada no final de 2015, começa surpreendendo pela tampa metálica, igual de uma garrafa de cerveja, e intriga pelo visual turvo e conquista pelo sabor marcante. Mais uma vez entender o método ajuda decifrar a bebida. A Lírica Crua é elaborada pelo processo champenoise ou tradicional, ou seja, a segunda fermentação é feita na garrafa e deixa o vinho-base que irá se transformar no espumante mais tempo em contato com as leveduras. Aqui começa a diferença, no esquema normal estas leveduras são retiradas da garrafa no final do processo (por isso as garrafas giram em torno do seu eixo para empurrar as leveduras para o gargalo). O Lírica Crua dispensa esta etapa, conhecida como “degougerment”. So what? Os sedimentos (leveduras) ficam lá, dando esta cor turva (não se assuste), uma textura cremosa e aumentando a percepção dos aromas de panificação e das frutas cítricas. Palmas para a inovação, sempre bem-vinda ao mundo do vinho.

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Cave Geisse Nature
– às vezes, muitas vezes, eu me repito. Mas eu tenho uma atração por este rótulo da Cave Geisse – e felizmente tenho a companhia da minha mulher nesta opção. O enólogo é um craque com história para contar. Nascido no Chile foi responsável por anos pelos negócios da Chandon do Brasil. Em carreira-solo investiu na região de Pinto Bandeira, um belo polo de espumantes no Rio Grande do Sul. Elaborado pelo método tradicional, o Nature fica 180 dias fermentando e dois anos amadurecendo, em contato com as leveduras. Bastante seco, com zero grau de açúcar, privilegia a acidez, a sensação de frescor e tem uma pegada tostada. A uva Chardonnay predomina (70%), deixando o restante da composição para a Pinot Noir.

Espumante-Aurora-Pinto-Bandeira-Extra-BrutAurora Pinto Bandeira Método Tradicional Extra Brut – a cooperativa Aurora já tem espumantes clássicos consagrados e premiados (não dou muita bola para estas medalhas de concursos que pululam por aí, mas é uma evidência de qualificação). O Chardonnay da Aurora é um dos meus favoritos. Este aqui é uma tentativa de explorar o terreno de Pinto Bandeira, a mesma região do Cave Geisse, e elaborar pelo método tradicional um espumante mais classudo, extra brut, que dorme longos 24 meses em contato com as leveduras para dar maior complexidade de aromas e sabores. Eu acho que conseguiu. Tem personalidade e pegada, sem exageros nos tostados e delicadeza na boca. É uma boa aposta da Aurora que tem uma extensa linha para todos os bolsos e paladares.

 Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos e acessíveis

reserva_ouro_novo_rotuloSalton Reserva Ouro – tem sempre aquela pergunta. Me indica um espumante bom e barato? Bom e barato são definições imprecisas, mas no geral entendo que o consumidor quer tomar uma bebida prazerosa, com o perfil que identifica o produto e com um preço com um bom custo benefício. Aí eu indico o Salton Reserva Ouro (em torno de 45 reais, isso é barato para você? Well…), que sofisticou na apresentação e no formato da garrafa – é mais bonita, mas um transtorno para aqueles que têm adega climatizada em casa para armazenar nas prateleiras. Cítrico na entrada, tem um leve toque de pão torrado (resultado dos seis meses de contato com as leveduras). Frescor correto. O Reserva Ouro, além de tudo, me traz na lembrança a marcante figura de Angelo Salton, servindo seus vinhos nas feiras e eventos. E vinho também é feito de momentos assim.

mateus

Mateus Spakling, rosé português

Sparkling Mateus Rosé – tem tudo para gerar um nariz empinado dos esnobes de plantão. Eu também olhei com desconfiança, confesso. Um espumante com o legado do Mateus Rosé, da gigante Sogrape, e de um preço não muito competitivo (em torno de 90 reais)? E para completar vem com esta  presepada de “Sparkling” no rótulo? Mas agradou de verdade. Tem aquela cor dos espumantes rosés que é uma delícia por natureza. Borbulhas no ponto, boa acidez. É um blend das uvas Shiraz e Baga, um tanto curioso, não pela Baga, responsável pelos bons espumantes da Bairrada, mas pela parceria com o Shiraz. No nariz, confirmando na boca, as frutas vermelhas silvestres esperadas de um rosé (morango fresco por exemplo), com um final mais doce. Um descritivo que me ocorreu apenas na terceira taça (jamais uma taça apenas de espumante, lembra?) foi a sensação da mordida de uma maçã, a acidez que provoca e o sabor e salivação que irradia.

Leia também: É um vinho português, com certeza

Piper

Champa francesa e meu cachorro

Piper Heidsieck – clássico, né? Aqui é o Champanhe com “gn”, da região do mesmo nome, que detém a exclusividade do uso do termo Champagne. Exclusivo, mas nem tanto, vai. Assim como os gauleses da revista em quadrinhos Asterix protegiam sua aldeia dos Romanos no norte da França, aqui no Brasil a situação se inverte. A Peterlongo se defende dos franceses e mantém o direito de exibir o nome champagne em seus rótulos, garantido pelo Supremo Tribunal Federal e não se fala mais nisso. Justo. É a produtora do espumante mais antigo registrado no Brasil, de 1913, e nos últimos anos vem se renovando com rótulos de alta qualidade. Voltando aos franceses… A casa, fundada em 1785, apresenta suas armas: boa espuma, cor palha, frutas secas antes e depois do gole e acidez correta. A Pinot Noir é maior destaque do blend (50%) que ainda tem 25% de Pinot Meunier e 20% de Chardonnay.

 

Jansz

“Comprei uma caixa”, disse meu amigo

Jansz Tasmania – um amigo recente, mas não menos importante, me apresentou esta belezinha no apagar das luzes de 2017. “Você conhece este espumante?, ele me perguntou enviando a foto pelo celular. Não conhecia, apesar de ser importado pela KMM, conhecida casa especializada em vinhos da Austrália e que recentemente expandiu seu catálogo para outros países. Gentilmente, ele comprou um caixa e me convidou para provar. Da Tasmânia, para ser sincero, minha única referência era do demônio da Tasmânia e o Taz, o desenho animado que representa o bicho. A proposta, desde 1975, foi de elaborar um espumante de alta qualidade. Serviço feito! O método – olha ele outra vez – foi batizado de “tasmenoise”, uma corruptela de champenoise. A empresa chegou a se associar com o consagrado produtor de Reims, em Champagne, Louis Roederer. O Chardonnay e o Pinot Noir dominam a mescla. Às cegas parece um champagne mesmo. Perlage (as bolinhas), finas e elegantes. Boa cremosidade, as frutas secas e panificação como colchão gustativo, e um final persistente e elegante. Abrimos uma garrafa, abrimos duas… Adorei este espumante do Taz!

 

E um bar de espumantes?

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Um wine bar de espumantes brasileiros no “miolo” dos Jardins

Não é má ideia, não? Foi outra experiência ligada ao mundo das borbulhas que experimentei recentemente. Foi inaugurada em São Paulo, no pedaço com o maior consumo per capita de vinho da cidade, na região dos Jardins. Trata-se  da Champanharia Natalício by Miolo. Fica na Haddock Lobo, 1327. Proposta testada em Porto Alegre, os vinhos são nacionais. O nome já entrega. Os espumantes – e outros rótulos — são exclusivos da Miolo. O wine bar abre às 11h da manhã e fecha só à meia-noite. Tá ali de bobeira às 11h30, antes da reunião? Uma taça de Miolo Cuvée Tradition Brut é uma possibilidade (20 reais). Saiu mais cedo? Happy hour com um Miolo Millésime Brut é uma escolha refrescante e mais refinada. O lugar ainda oferece tapas, tábuas de salames especiais e queijos, sandubas em um cardápio que promove harmonização com as borbulhas. Descontraído, o wine bar valoriza o vinho brasileiro sem discurso, nem nacionalismo barato. Oferece qualidade, variedade e quem sabe abre caminho para outras experiências parecidas na cidade.

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quarta-feira, 22 de abril de 2015 Blog do vinho, Brancos, Degustação, Espumantes, Nacionais, Novo Mundo, Porto, Rosé, Tintos, Velho Mundo | 14:00

Conheça os melhores vinhos do concurso Top Ten 2015 da ExpoVinis

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Como acontece todos anos  os homens que cospem vinho se juntaram mais uma vez para realizar o concurso Top Ten, versão 2015 (que bem poderia chamar Os 10 Mais), da 19º edição da Expovinis, a maior feira de vinhos da América Latina. O concurso reuniu profissionais, especialistas, jornalistas e um palpiteiro (este que vos escreve que participa pelo oitavo ano consecutivo) para provar vinhos às cegas de vários países e estilos e eleger os 10 melhores. Quem acompanha este blog sabe da lisura deste concurso e de como ele funciona. Para quem chega aqui pela primeira um rápida explicação (ou clique nos links distribuídos pelo texto). A tabela está logo abaixo, seguida das fichas dos vinhos

Top Ten como funciona

Os vinhos que concorrem na degustação do Top Ten da ExpoVinis são aqueles enviados pelos expositores/produtores. Não são exatamente os melhores vinhos da feira, nem é esta a pretensão. Concorre quem quer. Eles são divididos em uma dezena de tópicos. Em 2015 foram 125 amostras distribuídas entre as seguintes categorias: espumantes nacionais (16), espumantes importados (8), brancos importados (15), brancos nacionais (12), rosados (10), tintos nacionais (18), tintos novo mundo (13), tintos velho mundo I – Portugal e Espanha (11), tintos velho mundo II – França e Itália(15), fortificados e doces (7). As garrafas são cobertas, numeradas e avaliadas. As notas são registradas no sistema (é distribuído um iPad para cada jurado com usuário e senha), somadas e os melhores em cada categoria levam a medalha no peito e saem anunciando por aí. Justo ou não, trata-se de um julgamento coletivo, que é mais preciso que a nota de um só critico. Os jurados só conhecem os rótulos provados no momento da divulgação do resultado. Confesso que é até meio frustrante, a gente passa dois dias provando vinhos e sai de lá sem saber os rótulos que bebeu e quais foram os eleitos. Mas é a forma correta de fazer isso.

TOP TEN 2015 – Resultado  Final

1. ESPUMANTES NACIONAIS – Vencedor: Aracuri Brut Chardonnay 2014

2. ESPUMANTES IMPORTADOS  – Vencedor: Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie N/V

3.  BRANCOS NACIONAIS – Vencedor: Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2014

4. BRANCOS IMPORTADOS  – Vencedor: Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

5. ROSADOS – Vencedor:  Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

6. TINTOS NACIONAIS  – Vencedor:  Valmarino Ano Xviii Cabernet Franc 2012

7. TINTOS NOVO MUNDO – Vencedor:  Renacer Malbec 2011

8. TINTOS VELHO MUNDO I (Espanha e Portugal) – Vencedor:  Pêra Grave Reserva Tinto 2011

9. TINTOS VELHO MUNDO II (Itália e França) – Vencedor:  Sangervasio A Sirio 2007

10. FORTIFICADOS E DOCES  – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

PRÊMIO JOSÉ IVAN DOS SANTOS (vinho com a maior média, 93.5) – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

ESPUMANTES NACIONAIS

Aracuri Brut Chardonnay 2014

País: Brasil

Região: Campos de Cima da Serra – Rio Grande do Sul

Uva: chardonnay

Produtor: Aracuri Vinhos Finos

Site: www.aracuri.com.br

Elaborado pelo método charmat (segunda fermentação em tanques de inox), usa apenas uva chardonnay. Na minha avaliação era aquele que apresentava maior toque de evolução entre os representantes das borbulhas nacionais.  Não é assim que o site da empresa define o vinho: “espumante elegante e refrescante de perlage fina e abundante. No aroma destacam-se as notas de damasco, raspas de limão e pão fresco. O paladar é envolvente e cremoso com acidez cativante.”. Mas é um bom sinal a  eleição de um blanc de blanc (espumante feito apenas com chardonnay) verde-amarelo.

espumantes

ESPUMANTES IMPORTADOS

Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie

País: França

Região: Champagne

Uvas: chardonnay (70%), pinot noir (15%), pinot meunier (15%)

Empresa: Sas Prat Champagne Georges De La Chapelle

Site: www.georgesdelachapelle.com

Existe uma clara tendência dos jurados eleger um espumante importado que mais chegue perto das características de um champagne tradicional, e não deu outra. Para começar pelo tradicional corte, com as uvas tradicionais da região. Bateu nas anotações dos jurados: cor dourada, aromas de frutas secas, um toque oxidativo e boa perlage. Este exemplar vem de vinhedos com mais de 40 anos e de uma mistura (cuvee) das safras de 2004, 2006 e 2008. Um belo champagne, sem dúvida. Afinal, não há espumante como um champagne…

BRANCOS NACIONAIS

Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2012

País: Brasil

Região: Altitude Catarinense – Santa Catarina

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Vinícola Pericó Ltda

Site: www.vinicolaperico.com.br

E um vinho de altitude, de Santa Catarina, elevou o sauvignon blanc nacional para o topo da categoria dos brancos nacionais. Elegante, sem exagero de aromas, lembra frutas tropicais no nariz e na boca, no site oficial são descritos “melão, mamão papaia, casca de grapefruit e uma nota discreta de maracujá e de folha de tomate”  Eu não percebi tudo isso, mas um frescor marcante, com bela acidez e boa estrutura.

 BRANCO

BRANCOS IMPORTADOS

Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

País: Chile

Região: Vale Leyda

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Casas del Toqui

Site: www.casasdeltoqui.cl/cdt.html

Importador: Bodegas De Los Andes Comercio De Vinhos Ltda

Site: WWW.BODEGAS.COM.BR

O sommelier Hector Riquelme, sem saber quem era o vencedor, declarou que um “perfumista” havia vencido a categoria dos brancos importados. De fato, este sauvignon blanc é muito típico, e se destacam aromas de aspargos, arruda, herbáceo, na boca uma certa salinidade, boa estrutura e um final mais longo, acentuado pela mineralidade e ótima acidez. O  perfumista me conquistou.

ROSADOS

Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

País: França

Região: Provence

Uvas: grenache, cinsault, syrah, carignan, mourvedre, tibouren

Produtor: Cellier Saint Sidoine

Site: www.coste-brulade.fr

A cor em um rosé é elemento importante, ela seduz – ou não – de cara. Aqui um rosa pálido com reflexos de salmão davam pinta da região de Provence, confirmada no nariz mais cítrico, no frescor em boca provocado pela bela acidez que prolongava o prazer em boca. Ao contrário ao ano anterior, onde o painel dos rosados era bem fraco, este ano vários vinhos competiram em pé de igualdade pelo primeiro lugar. Prova de qualidade dos rosés, nem sempre reconhecida.

tintos

TINTOS NACIONAIS

Valmarino Ano XVIII Cabernet Franc 2014

País: Brasil

Região: Pinto Bandeira, Rio Grande do Sul

Uva: cabernet franc

Produtor: Vinícola Valmarino

Site: www.valmarino.com.br

Oba! Um cabernet franc 100% levou o melhor nacional tinto, recuperando o prestígio desta uva que já foi mais importante no Brasil (outro cabernet franc estava na disputa final). Tem a presença forte de madeira no nariz, e em seguida aparecem frutas negras, couro e chocolate. Na boca um tanino macio, uma boa fruta presente, com a madeira integrada, um final de qualidade. Este foi um vinho que foi melhorando na taça e que foi surpreendendo ao longo da prova e crescendo na pontuação (na minha, pelo menos).

TINTO NOVO MUNDO I – ARGENTINA E CHILE

Renacer Malbec 2011

País: Argentina

Região: Lujan de Cuyo, Mendoza

Uva: malbec

Produtor: Bodega Y Viñedos Renacer

Site: www.bodegarenacer.com.ar

A Argentina papou o prêmio do Novo Mundo com sua uva símbolo, a malbec. Os 24 meses em barricas francesas de primeiro uso e os seis meses de garrafa trouxeram aromas mais evoluídos de bala toffee e frutas negras. Não tem aquele floral exuberante, de violeta, que em excesso incomoda. De vinhedos de mais de 90 anos de idade, este malbec conquistou pela fruta em boca, tanino doce e suave e final mais longo. Infelizmente a categoria se  limitou a garrafas do Chile e da Argentina, o que limita um pouco o painel. Seriam bem-vindos tintos da Austrália, África do Sul, Estados Unidos…

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TINTO VELHO MUNDO II – ITÁLIA E FRANÇA

Sangervasio A Sirio 2007 IGT

País: Itália

Região: Toscana

Uvas: 95% sangiovese, 5% cabernet sauvignon

Produtor: Sangervasio

Site: www.sangervasio.com

Importador: Zahil

Site: www.zahil.com.br

O melhor tinto velho mundo é um velho conhecido dos apreciadores de tintos italianos. Há anos importado pela Zahil, já tem seu público cativo e me causou certa surpresa sua presença no Top Ten. A Sangervasio se define como um vinhedo biológico da Toscana. Este A Sirio IGT tem pinta de supertoscano e passa 14 meses em barricas (50% novas) e 2 anos em garrafas antes de encher sua taça. Isso provoca uma textura macia na predominante sangiovese, com um bom impacto de frutas, especiarias e corpo médio. Não se notam seus 8 anos de vida. Vai longe. Avanti Itália!

 

TINTO VELHO MUNDO – PORTUGAL E ESPANHA

Pêra Grave Reserva Tinto 2011

País: Portugal

Região: Alentejo, Évora

Uvas: syrah, touriga nacional e alicante bouchet

Produtora: Pêra Grave, Quinta de São José de Peramanca

Site: www.peragrave.pt

Representante: Luxury Drinks Portugal

Site: www.luxury-drinks.pt

Aprendo no site oficial da vinícola que ele é produzido na antiga quinta de Pêra Manca do séc. XIII até ao séc. XIX. Trata-se de um caldo potente, típico desta região mais quente de Portugal. Muita fruta negra no nariz e um toque floral da touriga nacional. Na boca a potência se confirma com as frutas mais maduras e com a passagem pelas barricas. Boa persistência final. Vinhão para quem curte caldos mais concentrados.

doces

DOCES E FORTIFICADOS

José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

País: Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: 100% moscatel de Setúbal

Produtor: José Maria da Fonseca

Site: www.jmf.pt

Importador: Decanter Vinhos Finos

Site: www.decanter.com.br

Uauau!  Não é muito profissional começar uma descrição assim, mas eu repito: uauau!!! A cor âmbar com alguns reflexos esverdeados já dá a dica de coisa boa, os aromas em camadas longas e persistentes de nozes, caramelo, avelã, frutas cristalizadas aumentam a tensão, na boca a confirmação destes aromas acompanhada de uma belíssima acidez que quebra seu doce e mantém o prazer da bebida por minutos. José Maria da Fonseca (aquele do Periquita) é o mais antigo produto de Moscatel de Setúbal, um Denominação de Origem Controlada (D.O.C.), reconhecida desde 1907.Este Moscatel de Setúbal 20 anos é resultado de um lote de 19 colheitas em que a colheita mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga perto de 80 anos, O resultado é complexidade, elegância, longo final e um paladar de tirar o rolha.

O nomes dos culpados pela eleição dos onze vinhos acima

 O time dos homens que cospem vinho do Top Ten tem uma certa consistência. Os doze homens são divididos em dois grupos, cada qual com um presidente a quem compete resolver qualquer impasse. Fica a crítica da ausência de juradas mulheres, que hoje são parte importante da crítica de vinhos no Brasil e no mundo.

 Presidentes de mesa

Hector Riquelme – sommelier chileno

Mario Telles Jr –  ABS-SP

Jurados (em ordem alfabética)

Beto Gerosa – Blog do Vinho

Celito  Guerra – Embrapa

Jorge Carrara – Prazeres da Mesa

José Luis Borges – ABS São Paulo

José Maria Santana – jornalista e crítico de vinhos revista Gosto

José Luiz Paligliari – Senac

Manoel Beato – sommelier grupo Fasano

Marcio Pinto – consultor e ABS-MG

Ricardo Farias – Sbav Rio de Janeiro

Tiago Locatelli – sommellier Varanda

José Ivan dos Santos, o gentleman do vinho

José Ivan dos Santos: homenagem

José Ivan dos Santos: homenagem

Este ano o concurso Top Ten teve um trago amargo. A ausência de José Ivan dos Santos na coordenação do evento, sempre em dueto com o crítico e consultor Jorge Lucki. José Ivan, ou Zé Ivan, era um gentleman do vinho, um conhecedor que não botava banca, um aglutinador de pessoas e de uma simpatia contagiante.  Zé faleceu, repentinamente, há pouco mais de dois meses, com um livro pronto para ser lançado. Em homenagem ao Zé, este ano foi instituído um 11º prêmio no Top Ten, o Prêmio José Ivan dos Santos para o vinho com a melhor pontuação em todas as categorias. O prêmio especial será entregue ao inebriante José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos. Uma justa homenagem que o concurso presta ao amigo Zé – que tenho certeza ficaria feliz de se ver representado com este elegante caldo.

 

SERVIÇO

  • ExpoVinis Brasil 2015 | 19º Salão Internacional do Vinho
  • 22 a 24 de abril de 2015
  • Expo Center Norte – Pavilhão Azul – Vila Guilherme – São Paulo
  • Informações, credenciamento visitantes e novidades: www.expovinis.com.br
  • Facebook: ExpoVinis Brasil | Twitter: @expovinis | Instagram: @expovinisbrasil
  • E-mail: visitante.fev@informa.com | Telefone: (11) 3598-780

O primeiro dia do evento será reservado exclusivamente para profissionais do setor.

  • Horário: das 13 às 21 horas para profissionais do setor nos dias 22 e 23 de abril, e das 13 às 20 horas no dia 24 de abril. Aberto ao consumidor final das 17 às 21 horas no dia 23 e das 17 às 20 horas no dia 24 de abril.
  • Shuttle Service/Transfer gratuito no trajeto Expo Center Norte-Estação Portuguesa/Tietê e estação Portuguesa/Tietê-Expo Center Norte estará disponível todos os dias do evento.
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014 Brancos, Espumantes, Rosé | 12:19

Beber vinho com este calor? Sim: espumantes, brancos, rosés e tintos leves

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Este é o cenário ideal: vai um vinho para acompanhar?

Este é o cenário ideal: vai um vinho para acompanhar?

 Vamos combinar, com esta canícula que estava fazendo lá fora, um calor de rachar mamona, o vinho não é a primeira idéia de bebida alcoólica que vem à cabeça. É a cerveja estupidamente gelada, a caipirinha de frutas. Não é comum se ouvir por aí: “Estou louco para sair do escritório e bebericar um sauvignon blanc”, ou “meu sonho agora é estar na praia secando uma garrafa de espumante” e nem o delírio mais gay pressupõe uma vontade louca de “me acabar com várias taças de um rosé gelado”.

Mas que saber? Todas as opções acima são pra lá de válidas. E cabe até um tinto nesta lista. São bebidas que cumprem a função de refrescar o dia, provocar acidez na boca, dar uma sensação de fruta ampla e leve, e principalmente acompanhar uma refeição com leveza e elegância ou um bate-papo descontraído com uma bebida idem.

Espumantes, brancos, rosés, tintos: opções é o que não faltam

Espumantes, brancos, rosés, tintos: opções é o que não faltam

Todo verão que estou na praia um hábito que sempre provoca pescoços torcidos e um toque de curiosidade é quando carrego para a areia um baldinho de gelo com uma bela garrafa de espumante nacional. Taças de plástico coloridas no formato correto dão um ar alegre e preservam a espuma. Está preparada a festa! O estampido seco da rolha sendo liberada e aquela espuma que sobe ao ser despejada da garrafa causam uma certa inveja. Alguns olham com muxoxo para sua lata de cerveja de sempre, outros cutucam o parceiro(a) para novidade. Não passa despercebido.

Uma deliciosa lembrança de um período de férias passado em Arraial da Ajuda, no sul da Bahia. Caminhada pela praia, o calor que se imagina. Resolvemos estacionar o esqueleto escaldado em um bar de hotel que oferecia um quiosque coberto e avançando sobre a praia. Pedimos um Chandon que veio triscando, na temperatura certa e conservado em um balde de gelo. Uma porção de iscas de peixe acompanhava a bebida. A felicidade estava repleta de borbulhas e nenhum outra bebida traria maior prazer. O espumante, com certeza, é a opção número 1, 2 e 3 para o verão.

Um belo sauvignon blanc lentamente apreciado, acompanhando o passar do dia, ou como parceiro de um peixe grelhado já é uma boa pedida no mundo dos brancos. Delicado e elegante se for um exemplar do Loire, cítrico e com toque de maracujá, se o rótulo for do Mercosul, ou com um toque de grama, da longínqua Nova Zelândia. Um alvarinho ou albarinho, com sua acidez cortante enfrentando os calores dos trópicos também vai bem. A vignoier, cultivada na frança e no novo mundo, faz uma presença mais floral. Há quem se restabeleça com a torrontés argentina,  indicada para paladares mais doces. No cair da tarde um chardonnay mais mineral da região de chablis, na França, ou orgânicos da região de Casablanca, no Chile, ou mesmo os bons exemplares de Santa Catarina. Para aqueles que preferem um chardonnay mais potente, com notas de frutas tropicais doces, mel, baunilha e toque de madeira, alguns rótulos de Mendoza, na Argentina, dos Estados Unidos, Austrália, de outras regiões do Chile ou da Sicília, na Itália. Os portugueses contribuem com outro branco com mais textura, ideal para peixes mais gordurosos, como o antao vaz.

Os rosés ocupam um lugar de destaque no verão. É refrescante até de olhar. Como já foi escrito aqui, o rosé é o vinho com a cor do por-do-sol. Não precisa dizer mais nada. Gastronômico por definição e charmoso pela coloração é o vinho ideal para aperitivos, almoço na praia, para descontrair o cardápio executivo da cidade que derrete no aslfalto. As opções óbvias da Provence, elegantes e de cor mais discreta, lembrando uma casca de cebola, da região do Rhone, ainda na França, do Chile, um pouco ais frutados e potentes, da Argentina com a mesma pegada. Algumas boas opções nacionais e outras do Alentejo, Portugal, são rosés de climas quentes.

Para finalizar, tintos mais leves, por que não? Conservados em uma temperatura mais elevada – mantenha resfriado num balde com água fresca – cumprem o seu papel. Menos alcoólicos, mais ligeiros, frutados, podem ajudar e enfrentar os dias de sol. O Beaujolais, elaborado coma uva gamay, é a indicação com menor possibilidade de erro. No Brasil o Beaujolais Noveau chega com um preço meio proibitivo, uma pena. Mas alguns Beaujolais Village, da região do Rhone, são possíveis. Duas das grandes produtoras nacionais, a Miolo e a Salton têm em sua linha gamays bem-feitos e honestos. Da Itália, os barberas, com boa acidez, pouca poténcia e muita fruta são indicados também. E por que não abrir um espaço para um excitante pinot noir, que deve ser servido mais fresco, mas não gelado! De cor mais clara e maior elegância é uma uva de diferentes matizes de acordo com sua região. Para o verão, os pinot genéricos da Borgonha, que não assaltam seu bolso, os corretos pinot do Chile, de Casablanca e San Antonio, que estão ficando cada vez mais elegantes, bons exemplares da Patagônia, na Argentina, excelentes exemplares da Nova Zelândia e da África do Sul que também chegam com um preço mais competitivo.

Pensando bem, opção é o que não falta. Não acho que os personagens fictícios do primeiro parágrafo vão trocar a cerveja e a caipirinha pelas alternativas de vinho sugeridas, mas aqueles que sabem experimentar e variar não enfrentarão dificuldades.

E aí, vai um vinho para refrescar neste calor?

 

 

 

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, ViG | 12:39

Espumantes nacionais para comemorar o fim de ano – parte II (método champenoise)

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Na segunda série sobre os espumantes nacionais para festejar o fim do ano, o Blog do Vinho destaca aqueles espumantes elaborados como os champanhes franceses. No primeiro post desta série, os destaques foram os espumantes nacionais elaborados pelo método charmat. Nesta coluna,  são os espumantes brasileiros elaborados pelo método tradicional, clássico ou champenoise – a segunda fermentação, aquela responsável pela mágica de produzir o gás carbônico, é realizada dentro da garrafa. A propósito, quer irritar um francês é só usar o termo champenoise para denominar o método em que a segunda fermentação dos espumantes é realizada na garrafa. Irritamos os franceses com o primeiro parágrafo, portanto. Como se sabe, o termo champagne é de uso exclusivo dos espumantes de excelente qualidade produzidos na região demarcada da França de mesmo nome.

Qual a diferença, afinal? Não é tudo vinho com borbulha? O bebedor ocasional de espumantes não está muito interessado em saber o processo de produção de um espumante, e sim em beber um bom vinho. Mas a diferença do método determina o estilo do espumante – muitas vezes seu preço e a qualidade. Se no charmat a segunda fermentação é feita em grandes cubas de aço inox, no método champenoise/tradicional a segunda fermentação é feita na própria garrafa, o que determina um maior e mais longo contato do vinho-base (a mistura original das uvas maceradas antes de ganhar o gás carbônico) com as leveduras e que confere, em geral, um vinho com borbulhas mais finas, uma espuma mais consistente e aromas de panificação, frutas secas e maior persistência em boca. Quanto maior o tempo de contato com as leveduras, mais complexidade e cremoso o espumante.

É um processo mais caro e manual que no final exige uma ginástica para a retirada das leveduras mortas. As garrafas são colocadas em cavaletes e giradas manualmente alguns graus por semana até chegar uma posição de 90 graus. O objetivo é concentrar o sedimento deixado pelas leveduras no gargalo para serem eliminadas antes de a garrafa ganhar a rolha definitiva e aprisionar os gás carbônico em seu interior. Este processo, conhecido pelo pomposo nome de remuage, pode soar algo bastante rudimentar, mas foi uma solução encontrada pela viúva Clicquot Ponsardin para aumentar a produtividade de seu champanhe em 1818 e que se mantém até hoje (em algumas vinícolas uma geringonça chamada gyropalletes faz esta movimentação automaticamente e num espaço de tempo menor).

O crítico inglês Hugh Johnson, em seu livro autobiográfico “A Life Uncorked”, algo como “Uma vida Desarrolhada” define o paladar de um bom champanhe  “como uma torta de maçã”. (O que em alguma medida também por ser aplicado ao espumante elaborado pelo método champenoise/tradicional). Johnson explica: “O doce aroma e o sabor das maçãs podem ser encontrados nos espumantes mais jovens, a parte da torta remete à segunda fermentação na garrafa, quando as leveduras acrescentam notas de panificação, ou pâtisseries, nas bebidas mais evoluídas – quanto mais evoluído o champanhe mais pâtisserie é encontrado”

(Nem tudo que borbulha é espumante. Entenda a diferença entre os vários tipos de vinho com bolinhas. Clique no link abaixo, está tudo explicadinho.)

Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

Muitas vinícolas verde-amarelas reservam suas melhores uvas, e consequentemente o melhor vinho-base, para os rótulos elaborados pelo método tradicional. São garrafas de linha ou até produzidas apenas em edições especiais. Também custam mais caro que os espumantes elaborados pelo método charmat. Em alguns casos alcançam resultados muito bons, em outros tentam ser mais do que são e perdem em autenticidade e tipicidade para seus “primos-pobres”, que trazem maior frescor e vivacidade. Como já foi comentado na coluna sobre espumantes charmat, também é uma questão de estilo do produtor.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes champenoise/tradicional

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  • Cave Geisse Nature

Uvas: 70% chardonnay, 30% pinot noir

Produtor: Vinícola Geisse

Região: Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 78,00

Site vinícola: www.cavegeisse.com.br

Você gosta de espumante seco, quase a ponto de trincar os dentes? Então você vai amar este Cave Geisse Nature, que é um espumante sem adição de açúcar (leia definição de classificação de açúcar em Curiosidade). Não é uma bebida fácil de ser produzida, mas aqui encontra o nível de excelência. Perlage intenso com bolhas pequenas e persistentes. Aromas tostados e frutas secas. Acidez equilibrada, para não deixar dúvida, bastante seco, o que amplia a harmonização com a comida. A Cave Geisse elabora grandes espumantes, no geral não tem erro. Basta escolher pelo estilo preferido e encher a taça.

 

Curiosidade: os espumantes podem ser classificados pelo teor de açúcar em

Nature (zero dosage): até 3 gramas por litro

Extrabrut: até 6 gramas por litro

Brut: menos de 15 gramas por litro

Sec: entre 17 e 35 gramas por litro

Demi-sec: entre 33 e 50 gramas por litro

Doux: acima de 50 gramas por litro

Sec, ao contrário do que parece, não é seco, mas levemente adocicado. Mais comum encontrar a expressão demi-sec. Doux dispensa explicações.

espumante-lona

  • Brut Adolfo Lona

Uvas: chardonnay e pinot noir

Produtor: Adolfo Lona

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.adolfolona.com.br

Este espumante da pequena adega artesanal comandada pelo argentino Adolfo Lona ficou mais de um ano em contato com as leveduras. O que lhe confere aqueles aromas e sabores mais intensos. Mais que isso, tem uma boca ampla. Um espumante tratado com respeito.

Dal Pizzol Quarenta Anos Nature

  • Dal Pizzol 40 anos

Uvas: chardonnay 25% e pinot noir 75%

Produtor: Dal Pizzol

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

Preço médio: R$ 130,00

Site vinícola: http://www.dalpizzol.com.br/

Para celebrar os 40 anos da vinícola familiar o enólogo Dirceu Scottá elaborou este Nature (sem dosagem de açúcar) de apenas 3.541 garrafas numeradas. Tem uma boa estrutura, e um tostado evidente, além de uma cremosidade resultado do seu tempo em contato com as leveduras (36 meses), que possibilitou também a dispensa do licor que acrescenta as várias dosagens de teor de açucar em um espumante (nature, brut, demi-sec, sec etc). Borbulhas finas e um frutado interessante e um rótulo bem estiloso completam a festa.

Espumante-Pizzato-Brut-Branco-Tradicional–DOVV

  •  Pizzato Brut Branco

Uvas: 85% chardonnay e 15% pinot noir

Produtor: Pizzato

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.pizzato.net

Os espumantes da Pizzato estão de rótulo novo. Amplo na boca, boa acidez, bom corpo, uma certa cremosidade, permanece em contato com as leveduras por 12 meses. Tem um final refrescante. Se você gosta do estilo Nature, também pode provar o zero dosagem de açúcar da Pizzato. Uma opção mais barata mas também com bastante frescor é o Fasuto Brut Branco.

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  • Elegance Champenoise Brut

Uvas: chardonnay e pinot noir

Produtor: Peterlongo

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.peterlongo.com.br/pt/

A Vinícola Peterlongo não é a maior nem a mais conhecida produtora de espumantes hoje em dia no Brasil, mas tem alguns marcos importantes em sua história: produziu o primeiro espumante  no Brasil (1915) e tem judicialmente o direito a usar o termo champagne em seus rótulos (taí outro que gosta de irritar os franceses). Acumula vários prêmios e esteve bem colocada em concursos como ExpoVinis 2011 e Concurso Playboy. Este espumante, ou champanhe brasileiro, se destaca pela coloração mais dourada e borbulhas finas e persistentes. Gostoso na boca.

Curiosidade: no século 19 o champagne era uma bebida com um teor de açúcar muito mais alto do que atualmente estamos acostumados. Era mais próximo de um licor com espuma, 250 a 300 gramas por litro! (um espumante demi-sec tem no máximo 50 gramas por litro). A responsável pela criação do espumante brut, mais seco, com menos açúcar, que estamos acostumados a beber, também é uma mulher: Madame Pommery, em 1874.

 

espumante-Miolo Millesime 2004 06 08

  • Miolo Millésime

Uvas: 50% pinot noir e 50% chardonnay

Produtor: Miolo

Região: Garibaldi, Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 81,00

Site vinícola: www.miolo.com.br

Está um espetáculo este Miolo Millésime. Há muito não provava este top espumante e me surpreendeu. Longo, cremoso, persistente, grande qualidade em boca, um tostado instigante. Desde a safra de 2009 é um espumante com a certificação de origem, com o selo de  produto da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos.

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  • Casa Valduga Reserva Espumante Brut

Uvas: 70% chardonnay, 30% pinot noir

Produtor: Casa Valduga

Região: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul

R$ 63,00

Site vinícola: www.espumantesvalduga.com.br

A Casa Valguda só elabora espumantes pelo método champenoise/tradicional. Atualmente são dez rótulos. Desde o ícone da Casa, Maria Valduga, com 48 meses de contato com as leveduras, passando pelo excelente – e já recomendado neste blog -130 Brut, até a linha Arte. Este Casa Valduga Reserva só é elaborado em safras excelentes. Apresenta um agradável frescor em boca, uma boa persistência e aromas interessantes, com um toque picante. Apesar da excelência de linhas superiores, provei recentemente este Reserva e acho que é muito adequado para brindes de fim de ano e traz uma boa relação custo/qualidade.

 Curiosidade: os espumantes mais apreciados em festas, casamentos e confraternizações é o demi-sec. Agrada tanto os iniciantes no vinho, que sempre preferem uma bebida mais fácil e doce como aquele que já têm alguma experiência com espumantes. Mas no geral espantam os apreciadores de espumantes mais refinados e secos. Como o leitor pode reparar, não há qualquer indicação de espumante demi-sec nesta lista de dicas, o que revela o gosto do autor.

 

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  • Dunamis Brut

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Dunamis

Região: Catiporã, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 56,00

Site vinícola: www.dunamisvinhos.com.br

Novidade do mundo dos espumantes. A garrafa é linda, o rótulo um show. Mas você não bebe a garrafa, não é? Mas uma boa apresentação é parte da diversão. Um dos objetivos do enólogo, Thiago Salvadori Peterle, era de produzir um espumante champenoise mais delicado e jovial. Está no caminho. Tem uma cor amarelo palha. Bela persistência de bolhinhas finas, aromas de maçã verde, e um bom final de boca, com bastante frescor e paladar cítrico que provoca um sorriso no gole final.

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  •  Don Giovanni Espumante Série ouro

Uvas: 60% chardonnay e 40% pinot noir

Produtor: Don Giovanni

Região: Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul.

R$ 90,00

Site vinícola: www.dongiovanni.com.br/inicial

A pequena produtora Don Giovani pode ser desconhecida para aqueles que vivem fora do eixo vitivinícola do Rio Grande Sul, mas tem uma tradição de mais de 40 anos – originalmente a empresa pertenceu à Dreher. Em visita à adega alguns anos atrás pude provar toda sua linha de espumantes. E todos têm uma expressão de grande volume em boca, uma preocupação com a cremosidade e a acidez e uma complexidade no paladar que tornam o vinho bastante gastronômico. Uma bela surpresa para quem tiver acesso a uma garrafa.

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  • Lírica

Uvas: 75% chardonnay e 25% gouveio

Produtor: Vinícola Hermann

Região: Pinheiro Machado, Rio Grande do Sul

R$ 66,00

Site vinícola: www.vinicolahermann.com.br

Adolar Hermann é mais conhecido por sua importadora de vinhos, a Decanter. Mas mesmo tendo à disposição rótulos do mundo inteiro decidiu ter um vinho para chamar de seu. Tem uma linha de espumantes mais focado no mercado externo a Bossa (charmat), que tem um paladar mais ligeiro. O Lírica é uma boa estreia de Adolar no mundo das borbulhas. É um espumante que privilegia a fruta, a acidez e o equilíbrio.

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, ViG | 11:53

Espumantes nacionais para comemorar o fim de ano, e o ano inteiro – parte I

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E vai rolar a festa, vai rolar!

E vai rolar a festa, vai rolar!

O espumante é uma bebida com um marketing imbatível: o da alegria. Sempre que uma boa notícia chega – profissional, particular, amorosa – alguém sugere: vamos abrir um champanhe para comemorar? O que vale é o ritual. O estampido seco da rolha sendo lançada, seguido da visão – e do som – da espuma sendo liberada na taça. E por fim aquele gole que produz um sorriso no final. Nenhuma bebida é assim. Um conjunto de símbolos que podem ser resumidos em uma palavra: celebração.

Mas para nós, que gostamos de vinho, além do ritual, está o prazer do espumante, do frescor, das sensações que ele nos provoca no paladar. O espumante é talvez o único vinho brasileiro que tem na excelência uma unanimidade. Até o mais ranzinza dos enófilos reconhece que esta é uma das vocações da vitivinicultura nacional.

O Blog do Vinho traz uma lista de dicas espumantes nacionais para você curtir as festas do fim de ano e, por que não, o ano inteiro. E por que apenas espumantes nacionais? Simples. Eles são bons, têm qualidade reconhecida no Brasil e no exterior, são fáceis de encontrar em lojas, supermercados e encomendados nas próprias lojas virtuais das vinícolas. E são mais acessíveis no preço do que bons espumantes do resto do mundo.

As dicas estão divididas em três partes. Para começar, neste post, aqueles produzidos pelo método charmat (segunda fermentação feita em cubas de inox), na segunda parte as dicas são dos espumantes brasileiros feitos pelo método tradicional, ou champenoise (a segunda fermentação é realizada na própria garrafa), na última etapa verde-amarela, espumantes rosés, que além de refrescantes encantam pela cor e por seu sabor único.

(Nem tudo que borbulha é espumante. Entenda a diferença entre os vários tipos de vinho com bolinhas. Clique no link abaixo, está tudo explicadinho.)

Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

Primeira parte – Espumantes Nacionais – método charmat

O Brasil produz espumantes frescos, leves, aromáticos com uma bela acidez. As uvas normalmente utilizadas são a chardonnay, a pinot noir e a riesling itálico – em raros casos é introduzida a terceira uva clássica de Champagne, a pinot meunier. Estas variedades encontram condições apropriadas de terreno e clima – úmido e chuvoso – na região da Serra Gaúcha, mais especificamente no Vale dos Vinhedos, em Garibaldi, em Pinto Bandeira. Mas há boas experiências em outras regiões, como Santa Catarina e no sul do Rio Grande do Sul.

Nos espumantes elaborados pelo método charmat, a segunda fermentação, ou seja, a incorporação do gás carbônico na bebida (as bolinhas, as bolinhas!), é realizada em grandes cubas de aço inox fechadas projetadas para aguentar a pressão do gás carbônico liberado na fermentação, que pode chegar a 5 atmosferas. Estas cubas são mantidas em temperaturas baixas nesta segunda fermentação para gerar bolhas mais finas e persistentes – um dos símbolos mais evidentes da qualidades de um bom espumante.

O processo é mais rápido e de menor custo que o tradicional, o que se reflete no preço do vinho. Isso não significa, no entanto, que se trata de um espumante de menor qualidade, e sim traduz um estilo de bebida mais fresca e leve, com aromas de frutas como maçã, cítricos, abacaxi e uma abundante salivação devido a boa acidez. É uma opção do enólogo.

A Chandon do Brasil, por exemplo, mesmo na sua linha mais sofisticada, como a festejada Couvée Prestige, só elabora espumantes pelo método charmat. Para o diretor de produção da Chandon do Brasil, enólogo francês Philippe Mével, não é o método que determina a qualidade do espumante e sim a qualidade da uva, a vinificação adequada e o trabalho do blend que conferem seu sabor.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes charmat

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  • Chandon Réserve Brut

Uvas: chardonnay, pinot noir e riesling itálico

Produtor: Chandon do Brasil

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 65,00

Site da Vinícola: http://loja.chandon.com.br/

O rótulo dourado identifica à distância uma garrafa de Chandon. Um dos melhores espumantes produzidos no país na sua faixa de preço, com uma consistência que é sua marca registrada. Ele traz todas aquelas qualidades de um bom espumante nacional: acidez, frescor, aromas sutis de maçã verde, cítricos e um equilíbrio final de boca. Fácil de encontrar em lojas, supermercados, restaurantes, costuma fazer promoções de final de ano. A linha superior, Excellence Cuvée Prestige, não desmente o nome, é elaborado apenas com as uvas chardonnay e pinot noir e tem um refinamento e complexidade maior de aromas de frutas secas, panificação e uma espuma e perlage (as bolhinhas, as bolinhas) mais finas e abundantes, mas pesa mais no bolso (R$ 120,00 )

Curiosidade: na França os espumantes elaborados pelo método charmat são chamados de Vin Mousseaux, na Alemanha o charmat é o método usado na elaboração do Sekts, de grande produção no país (você pode beber uma tacinha enquanto faz a feira, pois é comum as barracas de frutas e verduras dividirem espaço com quiosques de pequenos produtores). Ele também é usado na elaboração de Proseccos, na Itália.

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  •  Salton Reserva Ouro 

Uvas: 60% Chardonnay, 20% Riesling e 20% Pinot Noir

Produtor: Salton

Região: Tuiuty/Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 40,00

Site da Vinícola: www.salton.com.br

A Salton é, desde 2004, a líder de produção de espumantes do país. Este colunista chegou a denominar o grande impulsionador da empresa, Angelo Salton (1952- 2009), como “O senhor das borbulhas” em uma reportagem na Veja S, Paulo. Há uma linha bastante extensa de rótulos com borbulhas na Salton, dos mais caros aos mais simples e baratos. Na minha opinião, na relação preço qualidade o Reserva Ouro é imbatível. Tem um leve toque de pão torrado gostoso (são seis meses de contato com as leveduras), e uma boa base de acidez com uma espuma que como diria uma admiradora da coluna, de um uma maneira menos ortodoxa, “faz flufli-flufli na boca”.

Espumante Brut chardonnay

  • Aurora Chardonnay

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Aurora

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 42,00

Site da vinícola: http://www.vinicolaaurora.com.br/linha-produtos/aurora

Este espumante usa como matéria-prima apenas a uva branca chardonnay – na França este estilo de espumante é chamado de blanc-de-blanc. Se você acompanha este blog viu uma recomendação sobre este espumante dois posts atrás. Para manter a coerência, aparece aqui nesta lista. Longo na boca, tem um toque tostado (o vinho-base passa 3 meses em cavalho francês antes da segunda fermentação) tem boa acidez e é gastronômico. Tem um bom preço também

 Curiosidade: você sabia que a pressão interna dentro de uma garrafa de espumante é maior do que a de um pneu de carro? Portanto é prudente abrir a rolha sem mirar em ninguém e logo após romper a gaiola de arame que protege a rolha. Ela não está lá à toa. Depois de rompida a gaiola, a rolha pode se soltar sozinha e o desastre está feito.

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  • Dom Candido Brut

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Don Cândido

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 42,00* (preço não atualizado em 2014)

Em 2008 um rótulo surpreendeu os jurados (entre eles este signatário) no concurso de espumantes promovido pela revista Playboy e levou o primeiro lugar. Era este Dom Cândido Brut charmat. Desconhecido, talvez, para a maioria dos jurados presentes, a vinícola tem tradição desde 1875 e produz vinhos de qualidade. Trata-se de um espumante de cor mais amarelo-palha, com aromas mais evoluídos além de um leve toque de amêndoa torrada, panificação, mais comuns em espumantes elaborados pelo método tradicional, mas também obtido pela adocão do charmat longo Leia entrevista de 2008 com Cândido Valduga, patriarca da vinícola explicando o estilo de seu vinho ). Estilo este que chamou atenção – e o conquistou o paladar dos jurados.

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  • Espumante Brut Dal Pizzol (charmat longo)

Uvas: pinot noir, riesling Iitálico e chardonnay

Produtor: Dal Pizzol

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 45,00

Site da vinícola: http://www.dalpizzol.com.br/

Correto, refrescante na boca e bem equilibrado. Na minha opinião mais expressivo no seu estilo que o Espumante Brut elaborado pelo método tradicional. O processo é chamado de charmat longo pois o vinho permanece mais tempo sobre as leveduras (neste espumante foram 90 dias) em uma temperatura entre 12º e 15º. E daí? Daí que este contato mais longo também fornece mais qualidade e refinamento de aromas à bebida.

Curiosidade: o método charmat leva o nome do engenheiro francês Eugène Charmat, que patenteou e aprimorou a ideia em 1907. Antes disso, em 1895, o piemontês Federico Martinotti teria encontrado a solução de realizar a segunda fermentação em tanques fechados. Para os mais puristas o método é chamado de Charmat-Martinotti.

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  • Villaggio Grando Espumante Brut

Uvas: pinot noir, pinot meunier e chardonnay

Produtor: Villagio Grando

Região: Campos de Herciliópolis, Água Doce, Santa Catarina

R$ 45,00

Site da Vinícola: http://www.villaggiogrando.com.br/

Esta pequena vinícola de Santa Catarina já exibe alguns importantes prêmios em seu portfólio. Em 2010 lançou sua linha brut, elaborado pelo método charmat, que tem como maior qualidade a leveza de aromas e o frescor (os vinhedos ficam a 1300 metros de altura). O rótulo também chama atenção pela simplicidade e pela solução gráfica de manter e evidência o tipo do vinho: brut. Uma bela garrafa para um belo vinho .

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  • Dádivas Brut

Uvas:  90% chardonnay e 10% pinot noir

Produtor: Lidio Carraro

Região: Encruzilhada do Sul, Rio Grande do Sul

R$: 56,00

Site da Vinícola: http://www.lidiocarraro.com/

Para fechar esta pequena seleção de espumantes de qualidade pelo método charmat, um rótulo da Lídio Carraro em  que a chardonnay predomina (90%) e que traz uma proposta de leveza, aromas frescos e toques de frutas cítricas com a perlage firme e gostosa. É o perfil de um bom espumante nacional: fresco, leve, aromático com uma bela acidez

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014
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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013 Blog do vinho | 14:16

Os supermercados vendem 86% do vinho no Brasil. E apostam em rótulos próprios e exclusivos

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Vinho de supermercado: vai encarar?

Vinho de supermercado: vai encarar?

Lojas e adegas especializadas de encher os olhos, delicatessens que misturam gastronomia e rótulos selecionados, espaços virtuais lotados de informação e grande apelo de preço. Este é o mundo que a maioria dos consumidores de vinho frequenta, certo? Errado. Pode ser que este seja o espaço que conhecedores de vinho estejam habituados. Mas são os supermercados os maiores vendedores de vinho do Brasil, e para ampliar esta dominação e a receita com o consumo de tintos, brancos e espumantes apostam em marcas próprias e importação exclusiva.

Duvida? Então vamos aos números. Segundo dados fornecidos por André Svartman, do setor de Desenvolvimento de Marcas e Produtos do Grupo Pão de Açúcar, 86% das vendas de vinho no Brasil se concentram em supermercados (68%) e hipermercados (18%), ocupando o primeiro e terceiro lugares deste ranking. O segundo lugar é ocupado pelas adegas, lojas e delicatessens.

Este mesmo estudo revela dados interessantes do mercado de vinho no Brasil. A despeito de toda choradeira, dificuldades, proibições e avalanches de impostos e taxas sobre o produto o mercado de vinho cresceu, entre 2006 e 2012, 14% para os vinhos espumantes e frisantes e 11% para os tintos, brancos e rosés. Do mercado consumidor brasileiro, apenas 20% consomem vinho – ou seja há um universo de 80% a ser explorado. Destes 20% consumidores, 69% compram vinho apenas uma vez por mês, sendo que 52% compram vinho apenas em ocasiões especiais – mais um espaço de crescimento do consumo para o vinho do dia-a-dia. Não é à toa que produtores do mundo inteiro enxergam um enorme potencial num país de dimensões continentais como o Brasil. Há números que colocam o negócio como uma oportunidade no futuro, um mercado que ao contrário de estar saturado ainda pode ser muito explorado por todo tipo de vinho: desde aquele de entrada (é preciso cada vez mais vinhos de qualidade desta linha), passando pelos vinhos de qualidade média até rótulos premiados ou nichados, como os orgânicos e biodinâmicos.

Leia mais Quinze sugestões para aproveitar melhor o vinho

Segundo análise realizada pela consultoria Nielsen, e publicada na revista Exame, os consumidores estão propensos a pagar mais por produtos mais sofisticados. De 85 categorias analisadas em supermercados, a proporção de consumidores dispostos a gastar mais por produtos mais elaborados aumentou em 51%. Na mesma publicação, dados da Boston Consulting Group mostram que o consumo deu um salto de 1 trilhão de reais em 2003 para 2,6 trilhões em 2013, e que a sofisticação do consumo, claro, apresenta comportamento diferente de acordo com o nível de renda. Por exemplo, na faixa dos brasileiros que ganham de 30.000 a 45.000 dólares por ano, há uma tendência a gastar mais o salário em itens mais caros como café, lazer e… vinho! Não é à toa que os supermercados estão de olho neste consumidor que está refinando seu gosto.

Leia mais: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Comprar vinho em supermercados

Talvez nem precise tanto de números. Basta olhar o espaço dedicado aos vinhos em lojas como St. Marché, Carrefour, WalMart, Záfari e o próprio Pão de Açúcar. Quem percorre com mais atenção as prateleiras e corredores vai notar a existência de rótulos exclusivos, geralmente com preços convidativos, e/ou rótulos próprios.

O St Marché, por exemplo, que tem um público de poder aquisitivo um pouco mais elevado, tem em seu portfólio 100 rótulos de importação própria – são vinhos de todo estilo e faixa de preço – e pretende alcançar 300 rótulos até 2016.

A Walmart chegou a importar diretamente o argentino Argento Malbec, Cabernet Sauvignon e Chardonnay para uma ação do seu clube de relacionamento, o Sam’s Club, e inaugurou uma área exclusiva para vendas de vinho no seu site em parceria com a loja virtual FastVinhos .

O Carrefour também aposta numa linha de marcas próprias, como a linha Sellecion, e importação exclusiva de vários países.

O Pão de Açúcar explora há muitos anos este nicho tendo à frente o consultor de vinhos Carlos Cabral que formou um exército de atendentes de vinho para orientar seus clientes em 600 pontos de venda. Cabral, um dos maiores conhecedores de Vinho do Porto do mundo, autor de livros sobre o tema, foi um dos responsáveis pelo negócio de vinho tomar o atual dimensão no Pão de Açúcar. A rede tem 90 rótulos próprios do Club des Sommeliers – e o objetivo é chegar a 200 em 5 anos – e mais 50 etiquetas exclusivas.

Leia Mais: Porto e Comida, por Carlos Cabral 

Rótulos exclusivos

Se você tem preconceito em comprar vinho em supermercado imagine escolher um rótulo exclusivo, com marca própria, e levar para a boca do caixa! Ok.  O preconceito não é à toa, é preciso ficar atento nas condições de armazenamento e no preço. Muitas vezes o preço praticado em  rótulos de outras importadoras está inflacionado e só vale a pena  quando os vinhos entram em oferta.

Mas quanto aos vinhos exclusivos é um preconceito bobo, como todos os preconceitos, aliás. Primeiro é preciso escolher o vinho certo para cada ocasião e ficar atento na relação preço/qualidade. E depois provar. A alegria, como dizia o escritor Oswald de Andrade, é a prova dos noves.

  • St Marché

Do St Marché o espanhol 100% da uva tempranillo, Pinuaga Salazar, é um achado por R$ 32,90, já em um nível mais elevado, para levar um Bordeaux para casa e não ficar arrependido (o que tem de Bordeaux ruim por aí não é brinquedo, não) o Château Poujeaux (R$ 109,09) entrega um tinto de corte bordalês (53% cabernet sauvignon, 43% merlot, 4% petit verdot) muito digno, com 12 meses de barrica com uma fruta agradável e boa intensidade.

  • Pão de Açúcar e Extra

A linha Club des Sommeliers tem um portfólio de 90 rótulos de onze países: Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Portugal, Itália, Espanha e França. Eles são encomendados a grandes vinícolas destes países e ganham a etiqueta do Club des Sommeliers e distribuição exclusiva do Grupo Pão de Açúcar, o que inclui o Extra Hipermercado. Carlos Cabral é o responsável pela seleção dos rótulos da linha. Ele trabalha com foco na qualidade do produto e no interesse de seu cliente: o que ele quer, o que pode pagar e o que deve experimentar. As linhas são divididas em vinhos de entrada (R$ 10,00 a R$ 15,00), standard (a partir de R$ 16,00), reserva (que passam por envelhecimento em barrica, a partir de R$ 28,00) e agora, consequência da evolução de seu consumidor, um gran reserva (com preço médio de R$ 70,00). O lançamento da linha Club des Sommeliers Gran Reserva reflete um pouco a tentativa de alcançar este consumidor disposto a gastar mais com vinhos, identificado no estudo de consumo do Boston Consulting Group.

Há de tudo, de espumantes brasileiros (produzido sob encomenda pela Vinícola Miolo), passando por brancos (um ótimo exemplo de boa relação qualidade e preço é o riesling, produzido pela Yealands, da Nova Zelândia), tintos (os carmenère e cabernet sauvignon são chilenos e vêm da Vinícola Carta Vieja; os malbec e o cabernet franc são argentinos da Penaflor) até chegar no Porto, produzido pela Poças Junior, que já elabora um rótulo exclusivo para o grupo, o Comenda.

club1 club2Da nova linha Gran Reserva, há boas surpresas. O destaque fica por conta de um saborosíssimo e perfumado cabernet franc de Mendoza, na Argentina, que bebido na temperatura certa revela-se um vinho de primeira: intenso, aromas de frutas e madeira equilibrada. Também agradou bastante o carmenère, este um chileno na região do Maule, com uma fruta mais madura, mais encorpado e evoluído com seus 14 meses de contato com a barrica. E vale ainda apostar no Porto Tawny (há também um Ruby, ambos a R$ 49,31), afinal é a especialidade do Cabral, e o Porto que ele me indicar eu tomo de olhos fechados. Cabral fala deste Porto Tawny no final do vídeo, melhor deixar ele comentar com a simplicidade e conhecimento que são sua marca.

Leia Mais: Os vários estilos de Porto

Outros rótulos encontrados nas prateleiras do Pão de Açúcar são de importação exclusiva e merecem uma atenção. Por exemplo a sempre honesta linha Felipe Edwards, do Chile – eu prefiro o mais simples deles, quando começam a colocar madeira exageram um pouco. O Montado, um português criado exclusivamente para a rede pela importante José Maria da Fonseca, do não menos famoso Periquita, e já comentado aqui Porto Comenda.

 

Vídeo – Carlos Cabral fala ao Blog do Vinho

Nesta entrevista, gravada durante o lançamento do Club des Sommeliers Gran Reserva, Carlos Cabral revela

  • O tipo de vinho que o brasileiro gosta de beber: “vinho leve, para conhecer”
  • Qual o objetivo da linha Club des Sommeliers: “conquistar o iniciante com vinhos fáceis de beber e que cabem no bolso do consumidor”
  • Como são escolhidos os vinhos:ele próprio, Carlos Cabral, seleciona os vinhos em viagens a vinícolas e tem como critério relacionar o perfil da linha que está procurando com o melhor custo-benefício”
  • A importância da linha do Club des Sommeliers:“foi responsável por 22% das vendas de vinho em 2012 no Grupo Pão de Açúcar e o objetivo é chegar a 50% em 5 anos com um crescimento de oferta dos atuais 90 rótulos para 200 etiquetas próprias.”

Atenção: aumente o volume do áudio do seu computador pois a gravação foi prejudicada pelo som ambiente e inabilidade deste que vos escreve, que para completar gravou na horizontal prejudicando também a imagem… Mas vale pelas palavras do mestre Carlos Cabral.

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quarta-feira, 8 de maio de 2013 Blog do vinho | 09:30

Como escolher o vinho certo para a sua mãe

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Presente para o dia das mães. Perfume? Sapato? Bijuteria? Roupa? Outra vez? Liquidificador, batedeira,  microondas? Nem pensar, é o dia das mães e não da casa da mãe. Ô pensamento machista! Por que não um vinho? Parece presente do dias dos pais? Machista de novo. Só é válido se você ainda vive no século passado, em que um Muro de Berlim separava os homens das mulheres nas festas de casa (as mães na sala e os pais em volta da mesa), nos cargos nas empresas e até na escolha dos presentes (bebidas para eles, perfumes e enfeites para elas).

As mulheres bebem – e muito – vinho. São a maioria em cursos de vinho, selecionam cartas de vinhos de restaurantes, são enólogas famosas, jornalistas especializadas e brindam com suas amigas e amigos com tintos, brancos, espumantes e fortificados tanto quanto os homens: para fechar negócios, para comemorar uma data, para engatar um relacionamento ou apenas por prazer. E mais do que tudo isso, também decidem na boca do caixa qual vinho comprar.

Partindo do princípio que sua mãe é uma mulher, e uma mulher de seu tempo, resta agora descobrir qual o vinho que se encaixa com seu gosto ou sua personalidade. Assim como o Blog do Vinho sugeriu o vinho ideal para seu pai, aqui  vão as dicas para escolher o vinho certo para cada tipo de mãe.

Para todas as mães

Vamos começar por um tipo de vinho que agrada toda mulher: o espumante. As borbulhas são um acerto para todo tipo de mãe. Espumante, champanhe, cava, o que for, é o espírito da bebida, de celebração, que combina com a sua, com a minha, com todas as mães. Se a grana está mais curta, há ótimos espumantes nacionais (Cave Geisse, Salton, Miolo, Casa Valduga, Aurora, Chandon), se sobrou mais grana este mês e você quer agradar a progenitora, o mercado está repleto de champanhes com certificação de qualidade ou cavas com origem de procedência, como a Raventòs, Codorníu e Freixenet.

Para a mãe alternativa

Sua mãe é daqueles que ainda usam uns colares meio estranhos, umas batas coloridas, calças largas de algodão cru e recentemente tatuou uma mandala no punho? Talvez defenda a volta à simplicidade dos campos e apoia qualquer compromisso ambiental e… não fale agora que está na hora da meditação. Vinho não é só bebida, também é alimento natural e pode ser produzido e elaborado sem aditivos químicos, livre da contaminação de pesticidas e sem passar por processos de filtragens ou de qualquer maquiagem. Trata-se de uma agricultura orgânica que respeita o ecossistema. Os vinhos biodinâmicos radicalizam ainda mais a proposta e acreditam na influência das forças cósmicas no processo. Sua mãe terá em um vinho biodinâmico a expressão de sua  filosofia de vida em forma líquida. Os bios são mais puros, uma fruta mais franca, às vezes mais rústicos, mas sempre originais. Você encontra vinhos biodinâmicos de vários países, mas os exemplares mais representativos estão na Europa, em especial na região da Alsácia, na França.

Para a mãe que está começando a se interessar por vinhos

Mamãe começou a se interessar por vinhos. Dizem até que é leitora assídua deste Blog, consulta as cartas de vinho dos restaurantes, fez um curso na ABS de sua cidade, na loja de vinhos e já sabe diferenciar um cabernet sauvignon de um pinot noir. Está esperando o quê? Ele quer mais é ganhar um vinho neste dia das mães para poder exercitar seus novos conhecimentos. A dica aqui é partir para vinhos de preço médio (até 60 reais), que já trazem a tipicidade da uva, a origem de sua região e aromas e sabores mais reconhecíveis. Vinhos da Argentina, Chile, Brasil, Uruguai e até Portugal podem resolver a parada. Procure aquelas vinícolas mais conhecidas, que se não vão surpreender pelo menos vão decepcionar.

Para a mãe conhecedora de vinho

O que parece óbvio – mamãe curte e entende de vinho, vamos dar uma garrafa de presente – nem sempre é fácil. Mãe é mãe e qualquer vinho argentino barato de supermercado – seleção reserva especial do sommelier, por exemplo – será recebido com um amplo sorriso. O mesmo, aliás, que ela usa ao cumprimentar o seu companheiro ou companheira no primeiro encontro. Mas provavelmente não vai usar nem para molho. Vamos ser realistas. Você dispõe de algum dinheiro a mais? Quer gastar menos de 150 reais no vinho? Provavelmente não vai agradar. Dá uma espiada na adega materna, ali há dicas preciosas do tipo de vinho que ela aprecia. Se o padrão for muito alto, esqueça o vinho e parta para um produto relacionado. Um bom livro sobre o tema ou um decanter bacana não vão fazer feio. Mas não vá escolher um daqueles livros com 100 dicas nerds para começar a beber vinho, certo?

Para a mãe superprotetora

É quase um pleonasmo, não? Todas elas são de alguma forma superprotetoras, principalmente as dos tipo anedotários, como as mães judias, as italianas, as do interior e até as armênias de novela. Elas são superlativas em tudo, na preocupação, no carinho, no sofrimento e principalmente na comida. E para harmonizar alimentação em quantidade com vinho em profusão uma boa indicação é uma embalagem de maior volume e preço reduzido. Um bag-in-box – aquelas embalagens de 3 e 6 litros, com um revestimento que preserva o vinho e uma torneira que libera a bebida – é a melhor pedida. Ainda não é muito comum no Brasil – na Austrália seu uso é corriqueiro para o vinho do dia-a-dia – mas há exemplares nacionais (Alto Vale, Dal Pizzol, Casa Valduga, Dom Candido, Miolo), portugueses (Paulo Laureano) e claro australianos (Banrock Station) à venda.

Para a mãe empreendedora

Sua mãe é um símbolo da mulher moderna, o tipo que chegou ao topo das empresas, que se arriscou em carreiras estressantes e que fica dividida entre a família e os negócios. Enfim, é uma negociadora por excelência e uma tomadora de decisões. Ela decide, inclusive, o vinho em um almoço de negócios. Acho que não erra muito quem escolher dois tipos distintos de tintos para este tipo de måe: um clássico da elegância e da finesse, um pinot noir 1er Cru da Borgonha; ou seu concorrente direto mais famoso, um representante dos grandes châteaux de Bordeaux, um  Grand Cru  de estilo potente e intenso.

Para a mãe que será mãe

Atenção maridos, vão se acostumando. Até uma certa idade quem compra o presente do dias das mães da sua mulher é você mesmo. Então, que tal começar agora, que o descendente está na barriga? Escolha um vinho do ano que agrade o casal e principalmente que tenha potencial de guarda. As lojas e os sites especializado saberão indicar. Guarde este vinho em local adequado e quando ela ou ele completar 18 anos, vocês poderão curtir juntos o vinho do ano do nascimento. E se você acha que dezoito anos é muito tempo, vai perceber daqui um tempo que passa voando…

Para a mãe dedicada aos filhos

Ela tinha uma carreira, um emprego e outros objetivos na vida mas resolveu se dedicar aos filhos. Amiga de todas as horas e confidente. Uma mãe 100% mãe. Se o conceito de mãe coragem era aquele da peça de Bertold Brecht, da mãe sofrida que perdia os filhos para a guerra, hoje em dia mãe coragem é aquela que assume o papel de mãe integral pelos filhos sem abandonar seu papel de mulher. Merece uma adega recheada, no mínimo um jogo completo (espumante-branco-tinto-sobremesa). Para começar um bom champanhe rosé, nos brancos um sauvignon blanc aromático da região de Casablanca, no Chile, e um chardonnay mais  com passagem em barrica de Mendoza, na Argentina. Para os tintos, um perfumado e potente touriga nacional do Douro, em Portugal e um merlot da Serra Gaúcha. Para finalizar com um late harvest (colheita tardia) que lembre mel e flores.

Para a mãe heavy metal

Já se sua mãe não abandonou a jaqueta de couro, tem um dragão vermelho tatuado no braço, usa um anel de caveira, curte toda banda alternativa e barulhenta que aparece no Youtube e tem um acesso de fúria quando ouve um sertanejo universitário, tem vinho para ela também. Sua mãe é heavy, merece um tinto idem. Nos Estados Unidos é mais fácil, há rótulos de bandas metal AC/DC, e varietais como o MotorHead Shiraz. Por aqui, mesmo com a carência de rótulos à caráter, sua mãe vai delirar com vinhos mais tânicos,  intensos, quase mastigáveis como um robusto cabernet sauvignon chileno, um shiraz/cabernet australiano, um  malbec bem alcoólico argentino e principalmente um tannat pedreira uruguaio, daqueles que seca a boca. Yeah!

Para a mãe que resolveu sair do armário

Sua mãe começou a dar sinais que aquela amizade com a colega do curso de vinhos era mais intensa que os aromas de um Borgonha e tinha uma pegada mais forte que um Porto Vintage. Vive esgoelando no chuveiro “O canto desta cidade sou euuuu” e finalmente resolveu assumir sua sexualidade plena. Pode ser difícil para você, ou não, depende até da educação que sua própria mãe lhe deu. Mas ela merece um brinde por sua coragem, não? Eu entraria no clima e escolheria um vinho menos usual, de regiões pouco  conhecidas, elaborados com uvas nativas, para celebrar a diversidade também na escolha das uvas. Vinhos da Córsega de uvas autóctones como sciaccarella, niellucciu, ou da Eslovênia, como o branco ribolla gialla ou o tinto da Croácia da uva plavac mali. E viva a diversidade!

Para a mãe que já é avó, para a minha mãe

Vinho do Porto? Que bom, benzinho!

Sua mãe já é avó, já viu de tudo, a idade lhe trouxe a bagagem de uma vida e também algumas limitações que ela enfrenta com sabedoria – e paciência. Se sua mãe é igual à minha, ela sempre tem uma visão otimista da vida, um sorriso nos lábios e uma fé inabalável nas pessoas. Minha mãe. Maria do Rosário, tem 85 anos e, claro, adora um vinhozinho. Tem uma queda pelos fortificados, os portos em especial. Traz lembrança de seu pai – o vinho do Porto já foi muito consumido no Brasil República -, adoça o paladar e esquenta um pouco a alma. É quase um “confortwine”, que acolhe e alegra. Sua visão altruísta é tão forte que se a taça de Porto for derrubada ela prontamente terá duas respostas prontas, precididas de um expressão Poliana “Que bom, benzinho”: a) se era a última dose, era um sinal que estava na hora de parar de beber; b) se há mais Porto na garrafa, era por que estava na hora de reforçar a dose. Para sua mãe que já está na terceira idade e para minha mãe que é quase velhinha (como ela diz), o vinho perfeito é o Porto, nas suas versões Ruby, Tawny e Vintage. Pois qualquer que seja sua mãe, igual à minha – ou totalmente diferente –  ela sempre será uma influência que definirá sua existência e merece um brinde no dia das mães, e em todos os outros dias.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 Blog do vinho | 10:31

Vinho na praia: vende pouco porque é muito caro ou é muito caro porque vende pouco?

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As férias estão acabando mas um fenômeno se repete todo ano: o preço abusivo e a qualidade duvidosa dos vinhos oferecidos em hotéis, resorts ou restaurantes de praia O serviço até que melhorou, as taças são adequadas, as garrafas na temperatura certa – graças a uma espécie de popularização das adegas climatizadas –, mas a lógica dos preços em vez de incentivar o consumo afasta quem poderia se arriscar nos brancos, espumantes e até tintos no seu momento de lazer, praia e mar.

A questão é: estes locais oferecem vinho, montam alguma infraestrutura para isso e aí escorregam na seleção dos rótulos e enlouquecem no valor cobrado. E aí quase ninguém opta pelo vinho – nem um refrescante branco na piscina, muito menos borbulhas na praia ou mesmo tintos nas refeições noturnas. Qual é o objetivo? Faturar muito vendendo pouco? É a inversão do famoso slogan dos biscoitos “vende pouco porque é muito caro ou é muito caro porque vende pouco?”.

Exemplos de arrepiar não faltam. Recentemente estive em praias do sul da Bahia e nos agradáveis restaurantes da Rua Mucugê, em Arraial d’Ajuda. Boa parte das casas oferece carta de vinho. Partindo deste pressuposto: se oferecem é por que há gente interessada, ou então é uma maneira de dar uma camada de sofisticação ao lugar. Ok, a variedade não chega a empolgar, mas os preços…

Vinhos nacionais a 700 e 500 reais

Em um restaurante italiano bem recomendado, por exemplo, o vinho parecia ter um tratamento diferenciado. Os garçons até vestiam aventais com o logotipo da vinícola Miolo. De fato a carta tinha um cuidado maior. Mas topei com preços de fazer corar o Michel Rolland (consultor internacional e contratado da Miolo) e de fazer o novo sócio do grupo, Galvão Bueno, berrar “Epa! pênalti!” O Miolo Reserva saía por 60 reais (29 reais em qualquer supermercado e sites de compra). Mas o grande destaque foi o vinho ícone Sesmarias: ele seria meu se desembolsasse 700 (se-te-cen-tos) reais!  (A safra 2011 é vendida por cerca de 200 reais a garrafa no site da vinícola em venda antecipada em caixa de seis garrafas). O Storia Merlot, outro tinto ícone, este da Casa Valduga, saía por 500 (qui-nhen-tos!) reais (custa em torno de 160 reais nas lojas virtuais). Em compensação, justiça seja feita, havia uma seleção de italianos, talvez importação própria, com uma razoável relação custo-benefício diante deste descalabro. Mas era a exceção ao restante da carta.

Numa churrascaria na mesma rua, tintos argentinos mais comuns alcançavam a fronteira dos 100 reais. Um Terraza Alto del Plata (39 reais nos supermercados) cravava 115 reais na carta sem qualquer cerimônia. Muy amigo… No hotel em que estava hospedado um Concha y Toro Reservado (algo como 25 reais nas gôndolas), o mais baixo escalão da cadeia alimentar da gigante vinícola chilena, era oferecido a 56 reais; ao optar por uma qualidade maior, um Marques de Casa  Concha (80 reais em média), também da Concha y Toro, o cliente desembolsava a bagatela de 180 reais. Espumantes nacionais variavam de 90 a 120 reais.

Nas mesas em quase todos estes restaurantes rara taças cheias de vinho. Volto a perguntar. Qual é a lógica? Vende pouco porque é muito caro ou é muito caro porque vende pouco?

Leia também: Vinhos tintos que combinam com o verão

All inclusive, all garbage

Mas a armadilha pode ser pior. Ao escolher estes resorts all inclusive, você inclui também o risco de contrair uma dor de cabeça danada se for beber o vinho que oferecem nas refeições e os espumantes na piscina. No caso do hotel que fui em outra ocasião, próximo à praia do Forte, os vilões eram rótulos espanhóis – o grupo dono do hotel é espanhol –, provavelmente produzidos exclusivamente para a rede de lazer. Era o que estava incluído no pacote. Se todos os tintos e brancos do mundo se resumissem aquilo lá, eu abdicava desta bebida e ia tentar outra coisa mais prazerosa: milk-shake, por exemplo. Um dia avistei um rótulo diferente nas mãos de um garçom que encheu minha taça no enorme salão que servia de restaurante. Parecia que voltava a provar um caldo fermentado de uvas de verdade e não um extrato de quinta extração. Fui checar e era um syrah mais comum do Terra Nova, um empreendimento da Miolo no Nordeste. Não é nada demais, mas perto do que me ofereciam até então, era tudo de bom. Tudo é relativo nesta vida, não é?

Se você aprecia um vinho é sempre bom questionar ao agente de viagens que tipo de rótulo está incluído no serviço. E lembre-se: não se contente com a informação de que são vinhos importados. A vítima, pode ser você!

No próximo verão… Bem, no proximo verão talvez a solução seja levar o vinho de casa.

Leia também: Férias, praia e espumante fresco

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terça-feira, 13 de setembro de 2011 Degustação, ViG | 18:27

9 dicas de vinhos brasileiros

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Nós viemos aqui para beber ou para conversar? Há leitores que reclamam que se fala muito de vinho neste espaço, mas há poucas dicas de rótulos. Para atender esta demanda de menos papo e mais garrafa aberta o Blog do Vinho estreia a seção ViG (Vinho indicado pelo Gerosa, este que vos escreve). O critério de escolha é uma mistura de curadoria e rede social: uma seleção dos vinhos que provo socialmente, ou avalio em degustações, e que indicaria para os meus amigos numa conversa informal, no facebook, no twitter.

Para a primeira lista dos ViG, selecionei 9 rótulos nacionais que provei recentemente e que merecem visitar a sua taça.

Por que começar os ViG pelos rótulos nacionais?

Por que não? Eu bebo sempre vinho nacional. E assim como acontece com vinhos de outros países, há os excelentes (mais raros), os bons, os médios e os fracos. Eu bebo rótulos nacionais, enfim, por que vivo no Brasil, gosto de vinho e mais ainda de variar – mas não por ideologia.

Tem aquele tipo esnobe, que surpreso com um bom vinho brasileiro sai logo se justificando: “Para um vinho nacional até que é bom”; há outros que defendem o fermentado brasileiro só pela sua certidão de nascimento e não pelas qualidades da bebida. Bobagem, preconceito é uma forma torta de avaliar o mundo. Nacionalismo é a forma tacanha de limitar o mundo ao seu quintal.

Aqui no Blog do Vinho o produto nacional é tratado como um fermentado de uva entre tantos outros. Sem desfraldar a bandeira e muitos menos com preconceito.

A qualificação do vinho brasileiro, aliás, foi impulsionada pela decisão do próprios produtores de melhorar o vinho fino e brigar de frente com a concorrência dos importados. Todo mundo ganha com isso.

9 ViG brasileiros  que valem a pena conhecer

ESPUMANTES

Sim, os espumantes nacionais, em especial, do Vale dos Vinhedos, já ganharam muitas medalhas nos concursos mundiais. Sim, nossa produção tem uma qualidade constante e um preço  acessível se comparado a espumantes e champanhes importados. Não, os espumantes indicados aqui não são os mais conhecidos. Mas se você gosta de borbulhas, merece experimentar os rótulos abaixo:


130 Valduga Brut
Casa Valduga
Preço médio: R$ 60,00

Este espumante da Casa Valduga é elaborado com as uvas chardonnay e pinot noir pelo método champenoise (ou tradicional), aquele que a segunda fermentação acontece na garrafa. E daí? Daí que este jeito de fazer espumante, que é o original, aporta mais sabor, elegância, cremosidade, borbulhas mais finas e consistentes e aquele aroma meio de pão torrado, de frutas secas e uma acidez que enche a boca. Um espumante verde-amarelo de classe. Um dos melhores que temos no país. Ah, e a garrafa é muito charmosa.

Don Giovanni Brut
Don Giovanni
Preço médio: R$ 42,00

A Dom Giovanni não é uma vinícola muito conhecida, fica na região de Pinto Bandeira, vizinha ao Vale dos Vinhedos, região de montanhas que está recebendo a Indicação de Procedência para seus rótulos. Este espumante, de série especial, também é elaborado com as cepas francesas tradicionais do champanhe, a chardonnay e a pinot noir. Antes de ser comercializado é envelhecido por 12 meses na garrafa o que o torna mais complexo, a espuma é espessa (o que é bacana para um espumante), a cor é mais dourada, aromas de maçã perceptíveis  e tem aquele tostadinho envolvente e uma boa  cremosidade na taça. O estilo está menos para o frescor da maioria dos espumantes nacionais e mais para a complexidade. Vale a pena conhecer.

Excellence Rosé Chandon
Chandon do Brasil
Preço médio: R$ 105,00

A subsidiária brasileira da Maison Moêt  & Chandon fincou raízes em Garibaldi, no Rio Grande do Sul,  em 1973. De lá para cá tornou-se sinônimo de espumante fino e de volume. Todos seus rótulos são elaborados pelo método charmat – segunda fermentação em toneis de alumínio -, pois a filosofia do grupo está mais baseada na qualidade do vinho-base. O Excellence Brut exibia até 2010 o troféu solitário de  top de linha da empresa. No ano passado o rosé da linha Excellence foi finalmente lançado (a primeira leva teve apenas 5.000 garrafas produzidas) e hoje em dia é, de longe, o espumante rosé mais apurado, elegante, complexo e saboroso no mercado. A pinot noir predomina (74%), mas a chardonnay (26%) também participa da festa. Tem volume, persistência longa, aromas frutados de morangos e toques de torrefação que amarrados a uma excelente acidez convidam a um novo gole. Como nem tudo é perfeito, também é um dos espumantes  mais caros do país. Se quiser uma opção mais barata de borbulhas rosé para festas, o caminho é o sempre correto Poética, da Salton (R$ 25,00).

TINTOS

Tinto é o vinho de preferência do consumidor brasileiro e mundial. E aqui a produção nacional também vem evoluindo ano a ano. Se na Argentina brilha a malbec, no Chile a carmenère e no Uruguai a tannat, qual a uva tinta que representa o Brasil? Há quem aposte na merlot, outros na revalorização da cabernet franc, que já dominou nossos vinhedos no passado. O curioso é que a cabernet sauvignon, menos citada, é uva presente nos vinhos topo de linha das principais vinícolas. Abaixo há indicações para todos os gostos – e uvas.


Quinta do Seival Cabernet Sauvignon 2006
Seival Estate (Miolo)
Preço médio: R$ 50,00

Este tinto do projeto Seival Estate, da Miolo Wine Group (apesar do nome, é nacional, ok?), é proveniente de vinhedos da Fortaleza do Seival, no município de Candiota, ali nas franjas do Uruguai. Da linha Quinta do Seival eu sempre preferi o Castas Portuguesas (touriga nacional, alfrocheiro e tinta roriz). Mas nesta safra de 2006 o cabernet sauvignon surpreendeu. Um tinto potente sem ser bronco, gostoso no nariz, aquelas frutas vermelhas com um pouco de madeira, e bem amplo na boca, saboroso e bem macio. Nasceu no ponto para ser bebido.

Salton Desejo Merlot 2007
Salton
Preço médio: R$ 60,00

“O merlot brasileiro está entre os melhores do mundo, o potencial é até maior do que do merlot da argentina e do Chile “ A frase acima é de Michel Rolland, o homem por trás de mais de cem vinícolas ao redor do mundo e que presta seus serviços de consultoria no Brasil para a Miolo. Se Monsieur Rolland defende esta tese, quem sou eu para discordar? Há rótulos bacanas, com Storia, da Casa Valduga, de vinhedos de mais de 10 anos, o Miolo Terroir (que paga o salário de Rolland no Brasil), o DNA da Pizzato, o Grand Reserva Merlot, da Boscato entre outros. Mas o merlot ViG é o Desejo, da gigante Salton. Já cometi uma prova às cegas com todos os grandes rótulos de merlot brasileiros citados e meu veredicto se manteve o mesmo da degustação às claras. O merlot do enólogo Lucindo Copat é um conforto para o paladar. Fruta madura presente no nariz, madeira integrada com o vinho, uma ponta achocolatada e macio que dá gosto. Não é cerveja, mas desce redondo.

Angheben  Pinot Noir 2008
Angheben
Preço médio: R$ 33,00

Pinot noir brasileiro! Tá brincando, né? Não, é uma indicação sincera. Aceitei a recomendação de um vendedor de uma loja em Bento Gonçalves e arrisquei. Conhecia – e aprecio – o Barbera da Angheben, Abri desconfiado em casa e fui feliz. Primeira boa surpresa, teor alcoólico de 12,7. Tem aquela cor mais translúcida da pinot. Vinho leve, aromas frescos, delicado, sem passagem por madeira e com uma fruta gostosa. Despretensiosa tipicidade da pinot noir. Abrir, tomar e curtir. E cabe bem no bolso.

Pequenas Partilhas 2009 Cabernet Franc
Vinícola Aurora
Preço médio: R$ 35,00

A Cooperativa Aurora trata com igual respeito desde o vinho de garrafão até o vinho fino. Mais de 1000 famílias produzem e vendem as uvas para a cooperativa que seleciona as frutas para as mais variadas linhas de produto. Paula Guerra Schenato, uma das quinze enólogas da vinícola, é didática: “Fazemos os vinhos para o nosso consumidor”. Entre os rótulos da Aurora uma agradável surpresa é o Pequenas Partilhas Cabernet Franc. A série só é elaborada quando a variedade atinge níveis desejados de qualidade. A cabernet franc já foi predominante no Brasil e é a terceira uva tinta mais importante de Bordeaux (Pommerol e Saint Emilion). É mais leve e com menos taninos que a cabernet sauvignon e amadurece mais cedo – o que é uma vantagem numa região de chuvas constantes na época da colheita. O resultado é um vinho macio, de corpo médio e com uma  baunilha herdada dos 5 meses de barrica. Um tinto gostoso e diferente que não fica brigando com a comida.

Elos Touriga Nacional e Tannat 2008
Lídio Carraro
Preço médio: 82,00

A Lidio Carraro, vinícola pequena e familiar (também atende por vinícola-boutique), veio ao mundo com algumas características: a) não usar madeira na evolução de seus caldos. “A madeira não piora o vinho, mas não seria a identidade do meu vinho”, explica Patrícia Carraro, representante de sangue da empresa; b) pelo marketing do terroir, quando ainda não era comum no Brasil a defesa da importância da terra e do clima e C) pelo posicionamento premium dos seus vinhos com preços mais altos que a concorrência. Seus rótulos recebem críticas ácidas de alguns e aplausos de outros. Na minha opinião são muito diferentes da média nacional, há um cuidado e uma proposta diferenciada, uma tipicidade que merece ser provada. Provocada com a questão: “Por que 0 consumidor deveria provar seus caldos?”, Patrícia Carraro responde de forma conceitual: “Por que há uma verdade em nossos vinhos”, pontifica.

O Elos touriga nacional/tannat tem origem nas uvas cultivadas em Encruzilhada do Sul, no Rio Grande do Sul, uma região que está mudando o perfil de alguns vinhos brasileiros. Trata-se de um corte de 77% touriga nacional e 22% tannat. A mistura de duas uvas com perfis bem diferentes dá certo. É o “vinho estilo rosa”, o casamento  do perfume da touriga com a rusticidade espinhosa da tannat, resultando num caldo maduro, intenso, floral no primeiro impacto, de final prolongado na boca e com um tostado curioso – já que não passa por madeira.

BRANCO

Só um branco ViG? Desta vez, sim. A escolha aqui foi pelo inusitado. Para fugir da mesmice dos chardonnays (em geral com muita madeira),  selecionei uma uva branca pouco divulgada no Brasil.


RAR Collezione Viognier 2010
Miolo
Preço médio: R$ 58,00

A viognier não é uma uva branca comum de se encontrar engarrafada no Brasil. Este empreendimento do empresário Anselmo Randon (mais conhecido pelas carrocerias de caminhão), supervisionado pela Miolo, tem vinhedos plantados na região de Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul. Uma das características da região é sua altitude (1.000 metros) o que favorece o cultivo de uvas brancas e da tinta pinot noir. O intenso floral dribla a armadilha do toque meio enjoativo e doce de alguns brancos da uva viognier e mostra um aroma mais equilibrado. Na degustação tem uma boa acidez e intensidade, uma certa cremosidade, pois passa um ano sobre borras em barrica de carvalho (acontece o seguinte, as borras vão aportando aromas, sabores e a tal cremosidade neste vinho branco). Um aperitivo e tanto, um branco de classe e elegância para ser bebido jovem. Surpresa total.

Sua indicação

O objetivo dos ViG, vinho indicado pelo Gerosa, não é encerrar um tema, pelo contrário, trata-se de iniciar uma discussão. Indique os seu rótulos preferidos na seção de comentários, assim a lista fica mais rica e variada.

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011 Blog do vinho | 11:33

Quinze sugestões para aproveitar melhor o vinho em 2011

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Este blog se propôs a listar quinze sugestões para turbinar sua experiência com o vinho – um projeto de puro prazer para 2011. Missão cumprida agora com a publicação dos cinco últimos tópicos. Se você acompanhou os dois últimos posts da série, vá direto para a a dica número 11 (Experimente um rótulo mais antigo). Se chegou aqui pela primeira vez, basta ler na sequência as 15 sugestões e colocar em prática aquilo que fizer sentido para você aproveitar melhor o seu vinho – neste e os próximos anos.

1/15 – Faça um curso de vinho

Nove entre dez consumidores costumam argumentar que adoram vinho, mas não entendem muito do assunto. Um curso básico é sempre uma maneira fácil de organizar o conhecimento e obter informações que vão ajudá-lo a escolher melhor sua próxima garrafa e a compreender as características de cada região, as diferenças entre as uvas e a história de cada país. Há cursos variados em associações, importadoras, lojas de vinho e até restaurantes  Confira na lista abaixo alguns destes lugares.

ENTIDADES Associação Brasileira dos Sommeliers A ABS São Paulo mantém um cronograma de cursos básicos e avançados e oferece boa infra-estrutura para  degustações. São oito aulas para quem pretende se iniciar no mundo do vinho (R$ 840,00).
Informações: ABS

A ABS também mantém afiliadas com agenda de cursos e degustações  em BrasíliaCampinas e Rio de Janeiro.

Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho Na Sbav, a mais antiga das associações de vinho do país, o curso básico é de 4 aulas (R$ 390,00).
Informações: Sbav

A Sbav possui grupos com agenda de cursos e degustações em São José dos Campos, PernambucoMinas GeraisRio Grande do Sul.

Senac O Senac tem cursos básicos de vinho com carga horária de quinze horas e também cursos profissionalizantes para sommeliers. Faz parte do material didático o livro Vinhos: O Essencial, de José Ivan dos Santos. O Senac ainda tem unidades espalhadas pelo Brasil com cursos de  especialização, harmonização e básico de vinho.

Informações: SenacSP e Senac Brasil

PARTICULARES

Belo Horizonte

Belo Vinho Curso de Iniciação à Degustação de Vinhos em dois dias com degustação de onze vinhos. O livro Vinho Sem Segredos de Patricio Tapia está incluído como material de referência.

Informações: Belo Vinho

São Paulo

Ciclo das vinhas A sommelière Alexandra Corvo mantém um simpático e acolhedor espaço para cursos e degustações temáticas. Alexandra é craque em passar a informação de forma simples e descontraída.
Informações: Ciclo das Vinhas

Degustadores Sem Fronteiras O consultor, autor de livros e diretor da Sbav-SP Aguinaldo Záckia Albert organiza viagens, degustações e palestras para quem deseja expandir seu conhecimento.
Informações: Degustadores Sem Fronteiras

Rio de Janeiro

Escola Mar de Vinho O premidado crítico Marcello Copello dá cursos em sua escola no Rio de Janeiro, e palestras temáticas, como “Degustando com Sinatra”, e outros temas.
Informações: Escola Mar de Vinho

Rio Grande do Sul

Escola do Vinho Miolo A vinícola Miolo, com sede em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, tem uma agenda variada de cursos que também são realizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Porto Alegre.
Informações: Miolo Curso de Degustação Salton Outra grande vinícola nacional que oferece cursos em seu auditório, no distrito de Tuiuty, em Bento Gonçalves.
Informações: Salton

Aulas em vídeo pela internet

Outra opção para quem, como você, é um ser digital é acompanhar as lições em vídeos on-line, mestres interncionais como Jancis Robinson Canal dos vídeos de Jancis no Youtube, Oz Clark Site oficial do programa, Gary Vaynerchuk Canal do programa Wine Library têm páginas disponíveis na rede.

Leia mais sobre cursos no Blog do Vinho

2/15 Compre um rótulo mais caro

Ok, o melhor de conhecer um pouco mais de vinho – e os cursos acima são apenas uma das maneiras de fazer isso – é não precisar gastar uma fortuna para degustar um bom rótulo. Mas, sendo muito sincero, os grandes vinhos são um pouco mais caros mesmo. E depois que o consumidor sobe um pouco a régua da qualidade é difícil voltar atrás. Os caldos mais bacanas são resultado de uvas selecionadas, e mais caras; de terrenos mais nobres, com um cuidado quase artesanal na vinificação e envelhecimento em barris de carvalho (no caso dos grandes tintos). Claro, muitos rótulos aproveitam-se do sucesso para cobrar exorbitâncias, mas não é deste tipo de vinho que estamos tratando aqui.

Então, você pode se presentear, de quando em vez, com um bom rótulo, gastando um pouco alem do que está acostumado. Às vezes 30, 50 reais de diferença fazem a diferença. 100 reais fazem toda a diferença. Outra opção é trocar duas ou três garrafas de preço médio por outra mais especial. Se for um daqueles rótulos na casa das centenas, uma boa alternativa é dividir o preço da etiqueta com os amigos, tanto na hora de meter a mão no bolso quanto no doce momento de prová-lo. Mais barato e divertido. Aumenta seu cardápio de possibilidades e não ofende o orçamento de ninguém.

3/15 Visite uma vinícola

O chamado enoturismo é um segmento da indústria do vinho que vem crescendo no Brasil e no mundo. Viagens podem ser organizadas em grupos ou fazer parte de um pacote turístico. Pela proximidade, e profissionalismo, as vinícolas do Chile e Argentina oferecem muitas ofertas. No Brasil, o movimento também cresce na região de Bento Gonçalves. Mas não exagere no número de produtores. Depois da terceira visita a uma vinícola, os barris de madeira empilhados na adega que tanto impressionam na primeira vez começam a perder a graça e mesmo o discurso dos enólogos e guias sobre a importância da qualidade da uva e o detalhamento do processo de vinificação começam a ficar repetitivos. O melhor da festa são as degustações. Aproveite para provar rótulos novos, lançamentos e quem sabe participar de uma degustação mais longa acompanhada da culinária local e do enólogo que pode explicar sua criação.

4/15 Harmonize vinho e comida

Toda vez que um especialista ou um apaixonado tenta falar em harmonização entre um vinho e uma comida a maioria leiga em volta torce o nariz, suspira com desdém, e decreta que o sujeito é um exibido gastronômico. Uma boa maneira de tentar provar se a harmonização é  um conceito válido ou apenas uma afetação de experts é fazer a experiência com um grupo de amigos. Diante de um prato de massas com molho vermelho, por exemplo, prove pelo menos três tipos diferentes de tintos; um Chianti italiano (feito com a uva sangiovese), um merlot brasileiro e um cabernet sauvignon chileno. E aí tire suas conclusões. Fica claro como cada estilo de vinho tem um efeito diferente com a comida. O processo pode se repetir com um churrasco (aconselho dividir os nacos de carne com um malbec argentino, um tannat uruguaio e um tempranillo espanhol para sentir as diferenças), um peixe grelhado (vai melhor com um sauvingon blanc da Nova Zelândia, um chardonnay francês ou um alvarinho português?). Sem pose e sem mistificação você e sua turma estarão fazendo escolhas que poderão definir qual a combinação mais adequada para vocês. Com o perdão da palavra, estarão harmonizando vinho e comida.

Leia mais sobre harmonização no Blog do Vinho

5/15 Experimente rótulos de países diferentes

O consumo de vinhos no Brasil, por uma questão de preço e proximidade, é dominado pelas garrafas do Chile, Argentina, Portugal e Itália, mas com predominância de rótulos dos dois primeiros. Estima-se que existam no Brasil mais de 20.000 rótulos de 20 países nas prateleiras e catálogos. Se o vinho te fisgou a ponto de você acompanhar um blog deste tema, você não pode se limitar a vinhos de poucos países. Permita-se aventurar-se por rótulos de países diferentes que está acostumado. A graça está aí.

Este blog propõe então uma aventura mais radical, prove vinhos de países vinícolas tradicionais mas pouco conhecidos. Você sabia, por exemplo, que há bons rótulos, de conceituados produtores, de Israel, do Líbano, da Grécia e da Suíça à venda no Brasil? O Blog do Vinho selecionou quatro opções certeiras:

Israel

Chillag Primo Merlot 2004. Uvas:  merlot (90%) e cabernet sauvignon (10%). R$ 163,00

Importadora: Vinhos de Israel

Líbano

Château Kefraya, Uvas: cabernet sauvignon, mourvèdre, carignan e grenache. R$ 129,00

Importadora: Zahil

Grécia

Agiorgitiko by Gaia. Uva: agiorgitiko. R$, 90,00

Importadora: Mistral

Suíça

Petite Arvine du Valais Maître de Chais 2008. Uva: petite arvine (100%). R$ 109,00

Importadora: VitisVinifera

Leia mais sobre tintos do novo mundo e do velho mundo no Blog do Vinho

6/15 Participe de uma degustação às cegas

Uma degustação às cegas, como o nome sugere, guarda um segredo. No caso é o próprio vinho que você vai beber: o rótulo não é mostrado. As garrafas são ensacadas, numeradas e servidas. Provar diferentes vinhos sem saber quais são os rótulos, o tipo de uva ou mesmo país pode ser um estímulo divertido que vai demonstrar como às vezes somos influenciados por fatores externos ao nosso gosto. É uma das provas mais didáticas que existe. E exige muita humildade do provador. O que vale aqui é a avaliação sensorial da bebida que está na taça, e um pouco de experiência, sem qualquer interferência, como a nota do Robert Parker, a fama do produtor, o preço do vinho ou seu hábito de consumo. Uma pesquisa realizada no Instituto de Tecnologia de Stanford, na Califórnia, juntou vinte voluntários que provaram  às cegas cinco vinhos de diferentes níveis de preço – 5, 10, 35, 45 e 90 dólares. O objetivo da avaliação era identificar qual vinho era mais prazeroso. O teste tinha uma pegadinha. Dois dos cinco vinhos eram idênticos, mas os preços exibidos em cada garrafa eram diferentes: um marcava 10 dólares e outro 90 dólares. Quando estimulados a apontar o melhor vinho, escolheram o mais caro, de 90 dólares, o mesmo da garrafa de 10 dólares. Ou seja, as aparências no vinho também enganam. E uma degustação às cegas, além de divertida, pode revelar que um rótulo mais barato pode agradar tanto ou mais que um mais caro.

Leia mais sobre degustações

7/15 Compre taças adequadas e compare

Você gosta de extrair o máximo de seu vinho? Então está na hora de investir em taças apropriadas para a bebida. Assim como a moda desenvolve tecidos, cortes e modelos para realçar cada tipo de corpo e estilo de vida, a tecnologia e o design também concebem taças para diversos tipos e estilos de vinho. Um cabernet sauvignon ou um pinot noir, só para ficar em dois exemplos clássicos, revelam todo o seu potencial quando servidos em tacas desenvolvidas especialmente para o perfil destas uvas. Frescura demais?

O austríaco Georg Riedel, proprietário da Riedel, e décima geração da família que produz taças em cristal desde 1756  —   e dono de outra marca importante, a Spiegelau  —, é capaz de comprovar esta tese em um jogo lúdico. Ele começa seu show servindo um sauvignon blanc em uma taça produzida para esta uva e pede para a plateia sentir os aromas e o sabor da bebida. Aí, com ares de prestidigitador, solicita ao público presente que verta o sauvignon blanc em uma taça de chardonnay (um pouco mais bojuda embaixo e mais aberta no topo). Troca de olhares entre os presentes. Ohhhh! O sauvignon blanc, antes de aromas cítricos expansivos e acidez correta, se transforma numa bebida desprovida de aromas e de boca chata. Basta voltar o líquido à taça original, e, voilà, está tudo de volta. O processo é repetido com um chardonnay chileno, um pinot noir da Borgonha (este então fica irreconhecível numa taça de bordeaux, perde os aromas, o gosto das frutas e se torna ralinho) e por fim com a célebre cabernet sauvignon. “Não melhoramos o vinho”, insiste Mr. Riedel. “Nós evidenciamos seus aromas.”

Mas como ele consegue isso? Aqui a mágica desaparece. Os engenheiros e designers da Riedel encaram as características olfativas e gustativas do vinho como elas são: processos químicos. E trabalham fortemente na valorização dos aromas – a primeira impressão é a que fica, não é? – e na engenharia do formato da taça, planejada para atingir determinadas áreas da língua que identificam o doce, o salgado, a acidez e o amargo. O desenho da taça de um Bordeaux, por exemplo, faz o líquido escorrer para o centro da língua, o ponto que se percebe a sensação encorpada do vinho. Há modelos para cada uva e região, e antes de serem lançados no mercado são testados junto aos produtores, sommeliers e especialistas, até se chegar no ponto de excelência.

O que isso quer dizer, afinal? Que um amante de vinhos tem de ter toda uma linha de taças possíveis para usufruir a adega cuidadosamente formada em casa? Nem tanto, há taças que acabam cumprindo a função de agradar tintos gregos e brancos troianos, na média. Se o que você mais bebe é um cabernet, adquira uma taça do tipo “bordeaux” e a vida está resolvida também para a maioria dos outros tintos. E assim voltamos à proposta inicial desta sugestão. Faça um teste e descubra o que a taça pode fazer pelo seu vinho e seu prazer. Encare a coisa com uma aplicação que vai mudar o perfil do seu investimento maior, que são as garrafas de vinho. Frescura? Preciosismo? Quem tem suas taças não acha.

Leia mais sobre taças

8/15 Beba mais vinho branco

Você conhece aquela da mulher que morreu de vinho branco?
- Ela estava atravessando a rua, veio um carro vermelho,
ela desviou, mas aí vinho branco…

“Vinho, pra mim, tem de ser tinto”, é uma das frases que mais ouço. Trata-se de uma injustiça. Os brancos são insubstituíveis com determinadas comidas, são refrescantes no verão e podem ser tão intensos, aromáticos e oníricos quanto os festejados tintos de alta qualidade.

Este blog não tem a pretensão de mudar o gosto de ninguém, muito menos educar quem quer que seja – militância até em vinho, que é um prazer, não dá! A idéia aqui é despertar a curiosidade. Se você realmente é um apreciador de vinho, os brancos merecem fazer parte do seu registro sensorial e gustativo. Portanto uma das sugestões para 2011 é: beba mais vinho branco! Uma importante importadora nacional, a Decanter, aposta nesta tendência e teve um crescimento de 37,5% no comercialização de seus brancos em 2010, informa o proprietário Adolar Herman. Deve querer dizer alguma coisa.

Vinho branco, aliás,  já começa errado no nome – a única bebida branca que eu conheço é leite, e não é o nosso business aqui. A cor, na realidade, vai do palha clarinho aos tons dourados, quase ouro. Branco se contrapõe a tinto, só isso.

O serviço deve ser em temperatura entre 8 a 10 graus. Mas se você gelar demais a bebida corre o risco de perder o leque aromático e as características de suas uvas. O gelado excessivo aplaina as papilas gustativas. O resultado é insípido. Preste atenção, então, para não esquecer a garrafa no baldinho de gelo, muito menos dentro do freezer! O inverso, quente demais, também é um desastre, a acidez ferve na boca e ninguém merece vinho branco quente!

Eles podem ser refrescantes, fáceis e leves, quase uma bebida de verão, aquela para começar os trabalhos (exemplo clássico: a sauvignon blanc) ou cremosos, amanteigados, untuosos e de maior corpo (aqui reina a chardonnay que passa pela barrica), quem vão melhor junto às refeições. Sem esquecer os intensos, longos, minerais e aromáticos rieslings da Alemanha e da Alsácia, os vinhos brancos preferidos dos especialistas. Mas só para chatear e evitar a monotonia, a regra não é engessada: há chardonnays refrescantes, ligeiros e minerais, sauvignon blancs profundos e de meditação, e rieslings doces, ok?

Por fim… ou quem sabe o começo.
Fica combinado que da próxima vez que estiver em uma festa, numa reunião ou no restaurante e um garçom vier com o branco, não decline. Aceite. Experimente. Ao contrário da piada infame do começo deste texto, ninguém morre de vinho branco.

Bons, Brancos, nem sempre baratos  (post com preços de 2008)

Vinho branco, você ainda vai beber um

9/15 Arrisque um rosé

Considere em sua próxima compra, ou em um almoço em dia de calor, um rosé. Topas?  Ou você é do tipo que acha que vinho rosé é uma coisa meio gay? Pois fique sabendo que esta bebida de aromas ligeiros, frutas frescas e cor exuberante  bateu o consumo de vinho brancos na Espanha em 2010. É outra tendência de consumo que vem crescendo, até no Brasil, apesar da aposta exagerada do mercado e importadoras no final em 2009.  Há rosés que lembram morangos frescos, aqueles de caixinha mesmo que é o que a gente conhece, outros têm um toque mais floral, bem de leve, o suficiente para perfumar a bebida. É uma bebida mais com o perfil de aperitivo, dos goles descompromissados. Mas vai bem também com a comida. Na boca, tem força para interagir bem com frutos do mar, pescados e até um grelhado sem molhos.

E ainda tem a cor, um dos maiores charmes deste vinho. As tonalidades variam daquela casca de  cebola, bem clarinha – clássico dos exemplares de Provence, na França -, passando pelo salmão até um rosa bem vivo. Além do mais, é o vinho com a cara do verão: tem cor de pôr-do-sol. É refrescante até de olhar. Ta bom, é um pouco gay, mas quem não precisa provar – ou esconder – sua opção sexual não tem que temer um fermentado rosinha, certo?

Sinônimo de vinho na região da Provence, há bons rosés espalhados por todo o mundo. Aqui vão alguns goles por onde começar (preço médio)

França

Château de Pourcieux 2009 (França) – Château de Pourcieux (um rosé das uvas, syrah, grenache e cinsault), importado pela Cantu. R$ 65,00

Château des Chaberts – Cuvée Prestige, 2006, da Appellation Coteaux Varois En Provence. (um rosé das uvas grenache e cinsault), importado pela Casa Flora. R$ 77,00

Mas de Cadenet Rosé, Côtes de Provence (um rosé das uvas grenache , cinsaut, syrah), importado pela Le Tire-Bouchon. R$ 75,00

Chateau Reynon Rosé 2006, Bordeaux (um rosé das uvas cabernet sauvignon e merlot), importado pela Casa Flora. R$ 80,00

Brasil

Villa Francioni Rosé, Villa Francioni (um rosé meio salada de fruta: cabernet sauvignon, cabernet franc, sangiovese, syrah, petit verdot, pinot noir, merlot e malbec), R$ 52,00

Chile

Santa Digna, Miguel Torres, Curicó, (rosé de cabernet sauvignon), importado pela Miguel Torres. R$ 38,00

Argentina

Crios Susana Balbo Rosé, Mendoza, Argentina (rosé de malbec), importado pela Cantu. R$ 38,00

Alamos Malbec Rosé, Mendoza, (rose de malbec), importado pela Mistral. R$, 29,00

Portugal

Esporão Vinha da Defesa Rosé, Herdade do Esporão, Alentejo, (rosé de aragonês e syrah) R$ 62,00

Leia mais sobre vinho rosé

10/15 Experimente um vinho doce

O vinho doce, ou de sobremesa, está sempre no fim da lista dos consumidores de vinho. Talvez este seja o seu caso. Mas tente servir um vinho de sobremesa no final de uma refeição ou pedir uma taça para acompanhar a sobremesa (peça ajuda ao sommelier). Aposto que um novo mundo vai se descortinar.

Há vinhos de sobremesa brancos e tintos fortificados (os vinhos do Porto, Madeira, Moscatel de Setúbal). Nos brancos se destacam os de colheita tardia (ou late harvest) e os botritizados. Os vinhos doces de  colheita tardia têm preços mais acessíveis e próximos do bolso. Como o nome indica, as uvas são colhidas com várias semanas de atraso, provocando a desidratação e concentração de açúcar na fruta. Já o processo de botritis (ou podridão nobre)  as  uvas são atacadas por um fungo benéfico – o tal Botrytis cinerea -, que somente ocorre em certas condições climáticas e em regiões mais úmidas. Os frutos perdem água e concentram açúcar e ácidos. Uvas botritizadas produzem vinhos licorosos de grande estirpe, como o Sauternes, da França, ou o Tokay, da Hungria. O representante maior desta turma é o Châteu d’Yquem (elaborado com as uvas semillon e sauvignon blanc), uma jóia rara produzida na França (sempre lá…). Aliás, este é o tipo de vinho de enciclopédia, uma referência que aparece mais nos livros e artigos do que na sua taça por conta do alto preço.

Também se destacam nesta turma os vinhos doces brancos aqueles que literalmente vêm do gelo, os icewines, produzidos em países de clima realmente frios, como Alemanha, onde recebem o nome de Eiswein, Áustria e no Canadá. Antes de serem colhidas congeladas, no mês de dezembro, as uvas derretem e congelam novamente umas oito vezes. Cada vez que se congelam, mais sabores se concentram na fruta. O resultado é um branco doce, de baixo teor alcoólico, com aqueles aromas etéreos que os bons vinhos de sobremesa exalam e que qualquer nariz mais cético é capaz de perceber. Na boca costuma vir uma sensação de compotas de frutas brancas ou cítricas, muito mel e certa untuosidade.

No campo dos fortificados, o destaque são os Portos e os Madeira, ambos de Portugal, aquelas garrafas que nossos avós tinham em casa e que possuem uma infinidade de matizes. O acréscimo de aguardente vínica corta o processo de fermentação preservando parte do açúcar residual e garantindo muitos anos na garrafa.

Há sete tipos principais de vinhos do Porto (conheça aqui os estilos). O fortificado não é doce à toa. Portos mais novos, como os ruby e  tawny são bebidas mais frutadas e encorpadas, mais fáceis de beber. Já os Portos vintage e com indicação de idade são coisa mais séria. Os descritivos de um Porto envelhecido são todos superlativos: aromas infinitos de frutas secas e mel que chegam em ondas e volatizam na taça mesmo depois de esvaziadas – um Porto virtual fica suspenso no ar. A intensidade de boca e de fim de boca são longuíssimas. Para quem é adepto de um charuto, são bons parceiros também.

O vinho de sobremesa cumpre um outro papel social, que é o de esticar o tempo da convivência, um vinho que sai da mesa e acompanha a conversa no sofá. Vale incluir na sua receita de vida.

Leia mais sobre vinho do Porto

Leia mais sobre icewine

11/15 Experimente um rótulo mais antigo

Quando instigado a aconselhar os mais jovens sobre a vida, o dramaturgo carioca Nelson Rodrigues (1921-1980) tinha a resposta na ponta da língua: “Envelheçam”. O mesmo vale para o vinho? Nem sempre. Você já deve ter visto isso, a recomendação para abrir um determinado rótulo em 5, 10 ou até 20 anos! O que significa isso? O que você ganha bebendo um vinho mais velho, e o que pode perder? A sugestão aqui é você experimentar rótulos mais antigos e checar na prática se a evolução de alguns caldos te agrada ou não.

A longevidade do vinho depende de alguns fatores, como o índice de teor alcoólico, nível de açúcar e quantidade de acidez da bebida e, para os tintos, da qualidade dos taninos. Muito importante também nesta equação é a qualidade da adega, da rolha, de onde afinal as garrafas acompanharão o passar dos anos.  Nem todos os vinhos envelhecem igual. O envelhecimento, na realidade, é uma troca, um pacto entre o consumidor e o vinho. Ganha-se algumas coisas e perdem-se outras.

Os tintos mais jovens, com muita fruta e potência, por exemplo, não ganham muito com esta troca. Ao contrário, perdem suas principais características e qualidades, pois não têm estrutura para envelhecer.  Já os vinhos com capacidade de guarda, mesmo os do novo mundo, podem até perder a exuberância de frutas mais frescas com o tempo na garrafa, mas os taninos se amaciam e o conjunto fica mais equilibrado e harmonioso, a madeira se integra mais à bebida. Surgem neste estágio aromas e sabores deliciosos e oníricos, tornando o vinho mais complexo e fascinante. Quem já provou um tinto que evoluiu bem com os anos sabe do que eu estou falando. Estes vinhos, ao contrário dos mais simples, perdem se forem abertos muito novos.

Trata-se, portanto, de uma aposta no futuro. Existe um auge teórico – o Everest da curva de evolução -, em que boa parte da fruta permanece viva e praticamente toda a complexidade do envelhecimento se mostra. Quem tem  paciência de esperar anos até que uma garrafa atinja seu ponto máximo, definitivamente tem fé na vida. Eventualmente, pode deparar com um vinho decrépito ou mesmo oxidado. Mas esta é parte da magia que seduz milhares de bebedores pelo planeta, e que afasta outros tantos desta esperança no apogeu. Como se diz entre os entendidos, “não há grandes vinhos, mas grandes garrafas”. O tempo só vem comprovar este ditado. E a prova de um vinho mais antigo, e evoluído, é obrigatória para quem deseja se aprimorar no tema.

Leis mais em O mito da idade

12/15 Tome mais vinho nacional

“Para um vinho nacional, até que é bom”. Quantas vezes você já ouviu – ou quem sabe até proferiu – esta frase? Se você está no time dos que julgam os tintos, brancos e espumantes nacionais desta maneira, está na hora de mudar os seus conceitos. Tratar o vinho brasileiro só pela régua do vinho de mesa é um jeito torto e preconceituoso de medir a qualidade dos rótulos nacionais. A produção de vinhos finos no Brasil, apesar da predominância dos fermentados mais simples, surfou na onda da qualificação desde a década de 90, acompanhando uma tendência do mercado mundial de substituição de uvas comuns por cepas viníferas, além de mudanças promovidas nas técnicas de plantio e de vinificação que impactam drasticamente na qualidade do que é engarrafado.

O mercado interno de vinho finos – aquele feito de uvas viníferas – vem ganhando musculatura e reagindo ao fraco desempenho dos dois últimos anos. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) apontam para uma retomada da indústria vitivinícola, com um crescimento de 10% no consumo em 2010. Só no Rio Grande do Sul –  região que concentra cerca de 90% da produção nacional – foram comercializados 2,32 milhões de litros, o maior volume desde 2007.

Engana-se quem limita o consumo do vinho nacional  à excelência e dos espumantes. Segundo declaração de Carlos Raimundo Paviani, diretor executivo do Ibravin, ao Guia do Vinho do iG, a produção local é de 80% de tintos e 20% de brancos e espumantes: “o que significa que nosso público gosta muito dos tintos que fazemos”. Mas são os espumantes que vêm crescendo ano a ano sua fatia no mercado do vinho fino nacional. Então, vai encarar?

Leia mais sobre vinho nacional

13/15 Monte sua confraria

Uma confraria se forma para que amigos compartilhem suas melhores garrafas, experimentem as novidades, comparem o rótulo A com o rótulo B, cotizem uma garrafa que é objeto de desejo, isso tudo em clima de camaradagem e descontração. É também aquele momento em que o vinho é protagonista. Em que  ninguém vai ficar olhando torto para a sequência de rótulos, reclamando do balé de taças girando sem parar e ironizando o festival de aromas que cada degustador encontra nos caldos. Afinal, como conclama um dos  primeiros posts deste blog: Salvem os enochatos! E se o objetivo é só beber comentando o jogo de domingo, qual o problema? A regra é não ter regra. O importante é o encontro.

Então, que tal criar a sua confraria? Reúna os amigos, e monte um grupo.

Algumas dicas para aproveitar melhor suas reuniões.

1. É importante manter uma agenda. Procure estabelecer uma data fixa para os encontros. Todas as primeiras quartas-feiras do mês, algo assim, que facilite o agendamento e continuidade do grupo. Se for esperar o melhor dia para cada participante, é capaz de a confraria nunca passar do primeiro brinde;

2. Aproveite as facilidades da tecnologia e organize as reuniões por e-mail ou então crie contas nas redes de relacionamento como Facebook ou Orkut, onde os encontros podem ser registrados com imagens e textos, ou até mesmo em tempo real, pelo Twitter, com apreciações de no máximo 140 toques de cada gole;

3. Escolha um tema para o encontro. Pode ser um país (vinhos argentinos), uma região mais específica (Borgonhas), um tipo de vinho (brancos), uma uva (riesling) ou mesmo uma determinada safra (Barolos de 2001);

4. A experiência pode ficar mais rica também se alguém se dispuser a pesquisar sobre os vinhos que vão ser degustados, as principais características, um pouco de sua história e algumas curiosidades sobre as uvas, as principais vinícolas, estes detalhes que fazem a alegria dos enófilos de carteirinha, mas que também atiçam a curiosidade de quem está chegando neste mundo;

5. Se for harmonizar com comida, combine com seus colegas as garrafas que serão abertas, a fim de ter pelo menos um representante de cada estilo de vinho na mesa: um espumante, um branco, tintos e um de sobremesa;

6. Anote o nome, safra e produtor do vinho e registre os rótulos com fotos. Assim, você vai criando seu acervo pessoal das provas e pode repetir a garrafa que mais lhe agradar em outra oportunidade;

7. Se o encontro for na casa de um dos confrades, verifique se é preciso levar taças adicionais;

8. Se a reunião for marcada em um restaurante, é importante perguntar, no ato da reserva, se a casa cobra serviço de rolha, se tem taças de vinho adequadas, etc. Se não tiver, não se acanhe em levar suas taças, saca-rolhas, balde de gelo, o que for preciso para aproveitar ao máximo a oportunidade;

9. Se existir serviço de vinho no restaurante, reserve uma taça de um vinho ao sommelier ou proprietário e ouça a avaliação do profissional. É no mínimo uma atenção com a casa;

10. A dica mais importante, no entanto, é tornar este hábito um prazer, uma diversão daquele tipo que você espera ansiosamente pelo próximo encontro.

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14/15 Deixe o preconceito de lado e prove vinhos com tampa de rosca

Muita gente torce o nariz, mas a tampa de rosca (ou screw cap) é comprovadamente eficiente, prática e resolve a vida, imagino, de 90% dos vinhos produzidos pelo mundo. A tampa de rosca é aquela cápsula que se abre girando em rotação invertida até quebrar o lacre.  Muitos desavisados tratam de enfiar o saca-rolhas neste estilo de tampa antes de perceber o tipo de material. Problema! Você estraga a tampa. Mas confesso que já cometi tal atrocidade… Outra  grande vantagem deste tipo de tampa é que ela não passa para o vinho problemas típicos da rolha de cortiça que estragam e deixam o vinho bouchonée.

Ok, a substituição da cortiça ainda é terreno minado. Muito produtor ainda tem receio de perder mercado com o preconceito do consumidor. E com razão. Muito bebedor fica de nariz empinado quando um garçom ou vendedor oferece um vinho com tampa de rosca ou sintética. Ok, tem o charme da cortiça, o ritual da abertura, mas… bobagem. Tome tenência, rapaz! O vinho pode ser tão bom – ou melhor – que aquele selado com uma rolha de cortiça! Experimente, você não vai se arrepender.

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15/15 Monte uma adega com um kit básico de vinhos

Bom, se você enfrentou estas quinze sugestões e chegou até aqui está na hora de montar a sua adega. A regra estabelece que uma adega clássica deve ser composta por uma grande quantidade de brancos, rosés, tintos, fortificados, doces e espumantes que reflitam um amplo painel do que de melhor cada uva e região do mundo pode oferecer. Para atender esta premissa seria necessário iniciar seu estoque com no mínimo 200 garrafas. Menos, né? Vamos combinar que não é a situação mais realista para quem está começando a descobrir o vinho ou mesmo para os que já tem o hábito da sua taça eventual. O mais correto é montar a sua adega essencial. Ela deve conter aqueles vinhos que lhe dão maior prazer de beber. Ponto. Uma adega, assim como uma biblioteca, ou mesmo uma coleção de aplicativos para celular, revela muito do gosto e dos hábitos de seu proprietário, por isso seguir um manual é maquiar o inventário do seu paladar só para ficar bem na fita.

Uma adega, qualquer que seja seu critério, também deve estar preparada para atender o paladar de eventuais convidados e estar aberta para novidades que enriqueçam sua experiência com a bebida e que combinem com diversos tipos de comida. Um bom ponto de partida é misturar regiões, safras e tipos de vinho, sem querer com isso esgotar todas as possibilidades existentes, se não você fica maluco. A lista genérica abaixo, organizada por tipo de vinho, serve apenas de orientação.

Espumantes – no mundo das borbulhas uma adega essencial se traduz em garrafas com ótimos espumantes nacionais, cavas espanholas, prosesccos e por fim um exemplar ou outro de um champagne francês para momentos exclusivos.

Brancos – é sempre saudável uma divisão entre brancos frescos, para tomar como aperitivo ou em refeições leves (a sauvignon blanc é sua representante máxima, mas a viognier, o vinho verde, o frascati e a pinot grigio também são protagonistas neste campo), e brancos mais intensos, para acompanhar as refeições (aqui reinam os chardonnays e alguns rieslings). Para quem curte brancos aromáticos algumas garrafas de gerwurztraminer e torrontés são obrigatórias.

Rosés – se você seguiu a dica número 9 e passou a incluir os rosés no seu repertório, é muito bom chegar em casa e ter uma garrafa aguardando na temperatura certa em sua adega. Não esqueça, pois,  dos rosados da Provence, sul-americanos, nacionais, portugueses e italianos.

Tintos – geralmente os tintos ocupam a maior parte de uma adega. Aqui, mais do que tudo, vale uma seleção de vinhos por estilo. Uma boa quantidade de garrafas para beber jovem – o famoso vinho do dia-a-dia – é essencial. Nesta linha cabem também alguns rubros de corpo médio, um pouco mais encorpados, alcoólicos  e complexos (a grande maioria das garrafas à venda). Por fim, os tintos de guarda, com grande capacidade de envelhecimento. Nestes três tipos de vinho a oferta é imensa. Os chilenos e argentinos, junto aos nacionais e alguns portugueses, cumprem a tarefa do vinho do dia-a-dia e um pouco mais encorpados. Franceses, portugueses, espanhóis e tops de linha do Chile e Argentina fazem bonito na categoria dos vinhos de guarda. Quanto às uvas, as francesas de origem mas internacionais no uso são uma aposta certa: cabernet sauvignon, merlot, malbec e syrah. Tempranillo na Espanha, sangiovese na Itália e touriga nacional em Portugal dão um toque regional na sua adega.

Doces e fortificados –  não vá esquecer daquele vinho de sobremesa e doce . Fecham qualquer refeição com chave de ouro, mas raramente são abertos.  Uma garrafa de um late harvest (colheita tardia) ou um Porto resolvem a vida.

Na hora da compra, todo cuidado é pouco.  Aqui vão algumas regras para se dar bem:

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento.

2. Se puder, escolha as garrafas que estejam deitadas, nelas o líquido está em contato com a rolha.

3. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada.

4. Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema.

5. Fique atento às safras. Tintos mais básicos, assim como os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos.

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