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quinta-feira, 30 de março de 2017 Blog do vinho, Brancos, Espumantes, Rosé, Tintos | 11:31

Os brasileiros preferem Malbec, cerveja a vinho branco e o Chile lidera as importações

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Uma consumidora brasileira vai escolher um vinho: a probabilidade de ser um Malbec é grande

Consumidora brasileira vai escolher um vinho: a probabilidade de ser um Malbec é grande

O que bebem, como vivem, quantos são e quem são os brasileiros que têm por hábito ter a companhia um copo de vinho pelo menos uma vez por semana? Eles existem? Sim. E estão entre nós. Para tentar responder estas questões, uma pesquisa foi realizada com mais de 700 consumidores pela empresa de consultoria inglesa Wine Intelligence.

O resultado desta investigação resultou no estudo Brazil Landscapes Report 2017, lançado esta semana e comercializado pela Winext. A pesquisa, realizada entre outubro de 2014 e de 2016, se restringiu às principais capitais do país: São Paulo (capital e interior), Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília e Salvador. São 70 páginas em inglês com acesso restrito, a não ser que você desembolse 2.500 libras. Salgado, né? Mas alguém tem de pagar a conta. Não existe almoço nem vinho grátis. O estudo é destinado ao mercado, que precisa cada vez mais conhecer o perfil do seu consumidor para fazer o negócio rodar. Mas vamos aqui dar um aperitivo de alguns destaques revelados pelo estudo. Por exemplo, você sabia que:

1. O número de consumidores de vinho cresceu no Brasil, apesar de toda a crise econômica. Comparado com o ano de 2010, 8 milhões de consumidores foram incluídos no mercado. Saltou de 22 milhões para 30 milhões o número de brasileiros que consumem vinho no país tropical (boa notícia, mas pé no chão. O Brasil ainda fica em 113º lugar entre os maiores consumidores do vinho do mundo, segundo dados oficiais);

2. Os espumantes vão muito bem, obrigado, os rótulos das vinícolas Salton e Aurora tiveram excelente performance nos últimos dois anos (e que anos, senhores… Palmas para aqueles produtores que surfaram a crise e se estabeleceram)

3. A uva tinta preferida dos brasileiros que responderam a pesquisa é a Malbec. A uva símbolo da Argentina parece que caiu no gosto do bebedor de vinho e é seguida pela Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Carmenère, nesta ordem (curioso é que o Chile, com seus cabernets, carmenères e pinots, é quem domina o mercado de importados no Brasil. Veja o ranking abaixo das importações em 2016)

4. Entre os consumidores habituais de vinho, a cerveja é a segunda bebida alcoólica mais consumida. Pela ordem é esta a lista de preferência dos bons de copo:
1. Vinho Tinto;
2 Cerveja;
3 Vinho Branco;
4 Vodca;
5 Espumante;
6 Porto;
7 Whisky;
8 Vinho Rosé;
9 Vinho de sobremesa. (não me surpreende, não existe um Fla X Flu entre os consumidores de vinho e cerveja, eles apreciam as duas bebidas, cada uma tem sua ocasião, preço e ritual. E os produtores que chegam ao país vão continuar não entendendo por que um país de clima tropical bebe tão pouco vinho branco…)

5. Apenas 25% dos vinhos consumidos no Brasil são importados (aqui entra na conta o vinho não vinífero, de mesa, o vinho de garrafão, que é o grande volume consumido no país)

6. Os brasileiros que compram vinho com frequência continuam adeptos das prateleiras. As lojas especializadas e de conveniência perderam espaço, no entanto. O estudo não conclui, mas análises da Winext indicam que houve uma migração para os supermercados. O aumento da importação direta das grandes redes e o hábito dos brasileiros consumirem o vinho em casa são os responsáveis por esta tendência. Apesar da crescente importância dos meios digitais; de 201 4 para 2016 não houve crescimento do meio online (mas pode crer que a influência dos meios digitais na decisão da escolha do vinho é crescente e determina sim a compra de uma garrafa)

Mercado dos vinhos importados 2016

Aqui temos uma contradição aparente. Se a Malbec é a uva preferida dos brasileiros entre os tintos, a Argentina não é a líder das importações de vinho no Brasil, tanto em volume como valor. Segundo o ranking elaborado pela International Consulting, de Adão Morellatto, o Chile é responsável por quase metade das garrafas de vinhos importadas no Brasil. Divulgado semestralmente, o ranking de 2016 reflete as variações cambiais malucas do ano passado (algo como 31%) e poucas mudanças em relação a um cenário que consolida os dois países vizinhos como principais fornecedores de vinho importado na mesa dos brasileiros. Somados eles representam mais de 60% das garrafas importadas, o que é visualmente percebido nas prateleiras dos supermercados, lojas especializadas e cartas de vinho dos restaurantes – e provavelmente na sua casa. Abaixo um resumo da sua análise:

1º CHILE: Em 2016, representou 43,97% em valor e 47,77% em volume, se considerar somente os vinhos finos quase beira os 50% em valor. Seu crescimento foi 14,17% em valor e 17,90% em volume;

  2º ARGENTINA: Já vem em queda de 30% desde 2011, seu melhor ano e em volume retrocedeu aos patamares de 2008. Em 2016 caiu -6,81% em valor e cresceu 11,41% em volume. Contribui com aproximadamente 16% de todo o mercado. Já teve quase 30% do mercado;

3º PORTUGAL: Seguindo sua trajetória de posicionamento, recuperou a terceira colocação, devido à queda França. Sua performance de 10,45% em valor e de 11,55% em volume, apresenta um crescimento de apenas 2,14% em volume e uma queda -9,37% em valor;

4º FRANÇA: Tem forte dependência do Champagne na sua pauta e com a queda vertiginosa deste item no ano passado mostrou uma queda de – 32,17% em valor (quase 10.000 milhões de USD) e um leve crescimento de 1,37% em volume…e uma baixa de -27,53% no custo médio……recuou aos números de 2008.

5º ITÁLIA: O pior desempenho entre os grandes players. Desde 2011 já vem mostrando queda. Em valor enviou valores idênticos ao de 2007 e em volume ao ano de 2006. Posicionou-se com 9,11% em valor e 9,86% em volume. Seu produto mais representativo é o Espumante tipo Prosecco com 33,52% de share.

 6º ESPANHA: Único europeu a apresentar crescimento nas duas categorias: 0,75% de valor e 19,77% em volume. Há 15 anos vem crescendo sistematicamente: 313,04% em volume desde 2006; nem mesmo o Chile conseguiu esta proeza em volume. Sua participação é de 5,56% em valor e de 5,26% em volume.

DEMAIS PAÍSES: Participam com menos de 5% em Valor e Volume, destaque para o crescimento de 67,46% da Alemanha e 26,54% do Uruguai. Queda de -24,01 dos EUA, -43,73 da África do Sul e -21,88% da Austrália.

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 Blog do vinho | 12:48

Importação de vinho: em 2015 Chile continuou na liderança, mercado retraiu e o imposto aumentou

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O vinho está caro, não? A vida está cara. Basta percorrer as prateleiras dos supermercados, lojas especializadas e  sites de e-commerce para perceber que mesmo com descontos – é tempo de liquidações de estoque – os preços subiram. E 2016 promete. A contribuição para este cenário tem sempre a mão amiga do governo, que além de toda carga tributária já embutida no produto alterou, a partir de dezembro de 2015, a cobrança do IPI que passou de um valor fixo de  R$ 1,08 por garrafa para um tributo variável de 10% sobre o valor do vinho. A disparada do dólar também contribui – e muito – para esta valoração dos preços.

E como o reflexo econômico de 2015 afetou o mercado de importação de vinhos no Brasil?

Mais uma vez eu pego carona no trabalho do consultor Adão Morellatto (autorizado pelo autor, claro) e publico a situação da importação de vinho no Brasil. O ano é de 2015. Não precisa dizer mais nada, né? Mas a fotografia não é tão feia assim: teve uma retração de 11,28% em valor (a inflação no período foi de 10,673% IPCA), mas  uma leve alta de 1,56% em volume, ou seja há vinhos mais baratos sendo escoados no mercado brasileiro, com enorme participação do Chile nesta pegada (faixa de até 35 reais para o consumidor).

Comparada com a mesma análise de 2014, a posição dos países no ranking continua inalterada. Os vizinhos Chile e Argentina juntos dominam mais de 60% do mercado de vinhos no Brasil. A França vem em seguida empurrada pela inclusão dos Champagnes na conta. Em seguida Portugal e Itália, com Espanha na rabeira entre os principais. Alguns países caíram mais do que outros.

 

O Chile continua líder, a Argentina perde mercado mas mantém segunda posição

Abaixo um resumo das principais informações e dados consolidados pela análise de Adão Morellato

1º. CHILE:   Com um novo recorde de produção com 12,8 milhões de hectolitros (alta de 23%) em 2015, os chilenos batem pesado no mercado brasileiro e é necessário escoar toda esta produção, seja onde for, esteja onde estiver o consumidor, sua participação chegou a 37,34% em Valor e 45,29% em Volume, porém com uma ligeira queda de -5,21% de valor sobre 2014. Seus produtos adentram nosso mercado com uma forte penetração no segmento mais promissor (faixa de até R$ 35,00 consumidor), com uma desvalorização de 8,84% em USD. Também apresenta um crescimento de 3,62% em volume.

2º. ARGENTINA:  Segue a mesma estratégica do Chile em baixar seus vinhos, porém de maneira ainda muito tímida, apenas 3,89% de desvalorização e queda de -14,39% ref. a 2014. Os anos em que a Casa Rosada foi reinada pelos Kirchner, não foram nada satisfatórios aos vinicultores, reduziu em 12% a produção vitivinícola na última safra. Seus vinhos ainda são 31,29% mais caros do que os similares vizinhos. Em 2015 manteve um desempenho idêntico a de 2014, 17,19% em Valor e 15,87% em Volume. Em valor retrocedeu ao período de 6 anos atrás (2009).

3º. FRANÇA:  Como já informado acima, dado ao fato de que o Champagne tem um peso enorme na pauta deste segmento, participando com quase a metade do valor 47,48%, demonstra um marketing Share de 14,19% e Value de 5,91%, com queda cambial de -20,18% e participação negativa de -17,36%, praticamente voltou ao patamar de 2011 em valor.

4º. PORTUGAL:  Também apresenta um retrocesso de 5 anos de seu desempenho de valor, 11,18% em Valor e 12,64% em Volume e queda similar a da França -14,29% e com deflação cambial de -23,17% em seus produtos. Visto que sua produção aumentou em 8% em 2015, há uma grande procura de produtores buscando fincar suas próprias bandeiras em solo brasileiro, por certo não encontram em outros grandes mercados (USA / China) uma classe consumidora mais apropriada sejam pelo hábito e costumes, sejam pela praticidade linguística.

5º. ITÁLIA: Entre os principais player´s o que apresentou o pior desempenho com -22,14% de queda, como comparativo, retorno aos patamares de 2008. Tendo os vinhos tipo Prosecco contribuído com 12,38%. Seu custo médio apresentou queda de -9,76% e sua participação permaneceu em 10,14% em Valor e 11,22% em Volume. Devido a sua grande safra que em 2015 atingiu exponencialmente 48,9 milhões de hectolitros, há que buscar alternativas e seu mercado mais promissor são os EUA, com forte presença, disputando em pé de igualdade com os produtores americanos.

6º. ESPANHA: Depois de alguns anos conquistando mercado com muita velocidade, em 2015 teve queda de -11,27% e atingiu 5,35% de participação em Valor e 1,38% em volume com desvalorização cambial de -23,14%. Os vinhos Cavas contribuem com 26,62% de seu total. Apesar da queda, mantém uma boa estrutura de produtos atrativos. Hoje sem nenhuma dúvida, junto a Itália, são os que melhor oferecem a relação de custo/qualidade.

7º. DEMAIS PAÍSES: Contribuem com menos de 4,70% em Valor e 4,20% em Volume, destaque para crescimento de 25,07% da Austrália e 6,81% do Uruguai.

Leia também: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Dados extraídos do Análise de Mercado de 2015 da análise de

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

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