Publicidade

Posts com a Tag Itália

quinta-feira, 7 de abril de 2016 Espumantes, Tintos, Velho Mundo | 17:52

Lambrusco de qualidade, presunto e mortadela

Compartilhe: Twitter
Alberto Medici: "Lambrusco cru". Topa provar?

Alberto Medici e seu Concerto: “Lambrusco cru”.

Recebi um convite para um jantar no restaurante Friccò, em São Paulo, onde todos os pratos e entradas seriam acompanhados de vinhos do produtor italiano Alberto Medici, da vinícola Medici Ermete. Poderia ser mais um desses eventos que juntam gastronomia bacana com tintos e espumantes de alto coturno se não fosse um detalhe: o produtor em questão elabora apenas Lambruscos, tinto levemente frisante que a maioria dos especialistas e bebedores de vinho torce o nariz – e se tiver em casa reserva para a visita eventual do cunhado.

Preconceito? Não é por acaso. 60% dos vinhos italianos importados no Brasil são do tipo Lambrusco de produção massificada (em geral grandes cooperativas) e qualidade duvidosa. Duvidosa para quem, cara-pálida? Exatamente para aqueles que apreciam um fermentado com aquela combinação de acidez, corpo, taninos, fruta e intensidade que resultam em bons vinhos. Os Lambruscos do tipo, digamos, popular fazem sucesso por uma conjunção de fatores entre eles o baixo preço, o toque frisante, o baixo teor alcóolico e principalmente pelo açúcar residual que torna a bebida doce e faz a alegria dos brindes dos casamentos, servidos gelados em taças de champanhe.

A diferença não está apenas nos detalhes, em muitos casos é o essencial que define um vinho. Medici Ermete elabora Lambruscos de grande qualidade na região da Emilia-Romana, e o chef do Friccò, Sauro Scarabotta, nascido na região da Úmbria, produz finos embutidos artesanais curtidos em seu restaurante. O que me atraiu a este encontro foi a oportunidade de rever preconceitos – eu também desgosto, para ser educado, de Lambruscos no geral – e provar um rótulo de Lambrusco com tradição e certificado de origem DOC (Denominazione di Origine Controllata).

Mas Lambrusco é um tipo vinho ou de uva?

Momento Wikipedia! Lambrusco é um vinho frisante (ligeiramente borbulhante, resultado da fermentação na garrafa, os bons), com boa acidez, baixo teor alcóolico e um toque doce que varia de acordo com sua qualidade. Ele é produzido na região norte da Itália, na Emilia-Romana, que se encontra no centro de um triângulo onde nas pontas se destacam as regiões vinícolas mais famosas da Toscana, Veneto e Piemonte.

O Lambrusco é essencialmente um vinho tinto, mas pode ser encontrado nas versões branco (no geral não são bons) e rosé. Além de produzir espumantes interessantes. Não é um vinho de guarda, mas para ser bebido ainda jovem. A região da Emilia-Romana é reconhecida também por seus embutidos, como o caso do presunto di Parma.  A combinação de um com o outro é espetacular. Parma é um dos cartões-postais do roteiro da boa mesa da Itália. Se um dia tiver a oportunidade, não deixe de ir – e ficar mais de um dia.

Lambrusco também é o nome da variedade de uva cultivada nas planícies da Emilia-Romana, entre Modena e Parma. Na verdade, é uma família de uvas. As subvariedades mais conceituadas são: Lambrusco di Sorbara, Lambrusco di Grasparossa. Lambrusco Marani e Lambrusco Salamino.

O dia em que provei um Lambrusco. E gostei

Foram dois os destaques, um espumante brut rosé e um tinto seco. Se confesso que nunca havia bebido um bom Lambrusco – o que mostra que este colunista compartilha sua ignorância em público sem ficar vermelho -, muitos menos havia provado um espumante desta uva. Foram duas boas surpresas.

Unique-300x600

Unique Spumante Rosé Brut 2012
Medici Ermete/Tenuta Rampata
Uva: Lambrusco Marani
Importador: Decanter
Preço: R$ 153,00

É um espumante elaborado pelo método clássico (segunda fermentação na garrafa, 30 meses de contato com as leveduras). O que significa que as bolhinhas são mais presentes e longas e não apenas aquele toque meio de agulha que caracteriza o frisante. Um frisante tem de 2 a 3 atmosferas por pressão, o que significa que a pressão no interior da garrafa é duas ou três vezes maior do que fora; um espumante tem 6. Por isso faz ‘Pow”, quando aberto! Tem boa estrutura, cor rosada bem delicada, frutas frescas e final refrescante. Às cegas diria que é um Lambrusco? Não. Apenas imaginaria um espumante de boa qualidade. O preço não é lá convidativo comparado a um espumante de gabarito similar. Mas vale a experiência; o grande barato do vinho é  provar diferentes rótulos de diferentes lugares.

Concerto-300x600

Arte e Concerto
Reggiano Lambrusco DOC
Medici Ermete/Tenuta Rampata
Uva: Lambrusco Salamino
Importador: Decanter
Preço: R$ 95,00

Este foi o Lambrusco que fez rever meus (pre)conceitos. Trata-se do primeiro Lambrusco de vinhedos únicos do mercado (manja quando colocam no rótulo a inscrição single vineyard? É isso, sinônimo de origem e qualidade, significa um vinhedo selecionado). O produtor Alberto Medici, representante da quarta geração da família Medici à frente da vinícola, mostra com orgulho uma foto de uma garrafa de Concerto ao lado de um Don Pérignon nas prateleiras da prestigiada loja Harrods, em Londres. “É um Lambrusco cru!”, argumenta, usando um termo francês que traduz qualidade a um vinho. “Há sete anos o Concerto conquista os tre bicchieri, cotação máxima do Guia Italiano Gambero Rosso”, conta satisfeito. São produzidas 150.000 garrafas desta belezinha. As uvas são de plantas de baixa produção, outro sinônimo de cuidado e seleção, e o suco fica de 5 a 6 dias em contato com as cascas para maior extração de cor e sabor. As bolinhas são muito finas, pouco perceptíveis. No aroma aparecem frutas vermelhas frescas, um pouco de flor. Na boca é um vinho seco, corpo médio, muito frutado, tem uma doçura na entrada que é cortada pela acidez gostosa e embalada pelo toque de agulha que provoca um final persistente/refrescante. O teor alcóolico de 11,5% é perfeito para este tipo de bebida e convida um refil na taça.

Lambrusco & presunto e mortadela

Os embutidos do chef Sauro – mortadelas, presuntos – e também uma lasanha servida como prato principal foram parceiros ideais do Lambrusco Concerto, seguindo a lógica da região de origem do vinho. O Lambrusco deve ser servido numa temperatura de 14º a 15º, bem fresco, mas não gelado. A gordura dos embutidos baila entre um gole e outro deste caldo de muita personalidade. Portanto, se quiser uma combinação gostosa e sem erro de mortadela e vinho, vá de Lambrusco mais seco de boa cepa. Há quem recomende Lambrusco para acompanhar a brasileiríssima feijoada pelos mesmos motivos: acidez corta a gordura. Eu prefiro uma caipirinha, na boa.

presuntoJPG

Embutidos do Friccò, curtidos na adega do restaurante

Segundo Alberto Medici, toda produção é comercializada dois meses antes do lançamento da safra seguinte. Provoco Alberto. “E como vencer a má fama dos Lambruscos em todo o mundo?”. Ele abre um sorriso e exibe a taça de um Concerto cheia: “Assim, promovendo encontros com jornalistas, formadores de opinião e apreciadores e mostrando nossa qualidade e como o vinho combina bem com um determinado tipo de comida”. Mas Alberto não  tem do que reclamar. A Ermete Medici exporta 70% da produção para 70 países. Estados Unidos e Japão são os principais mercados. E você, topas provar?

Autor: Tags: , , , , ,

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 Blog do vinho | 12:48

Importação de vinho: em 2015 Chile continuou na liderança, mercado retraiu e o imposto aumentou

Compartilhe: Twitter

O vinho está caro, não? A vida está cara. Basta percorrer as prateleiras dos supermercados, lojas especializadas e  sites de e-commerce para perceber que mesmo com descontos – é tempo de liquidações de estoque – os preços subiram. E 2016 promete. A contribuição para este cenário tem sempre a mão amiga do governo, que além de toda carga tributária já embutida no produto alterou, a partir de dezembro de 2015, a cobrança do IPI que passou de um valor fixo de  R$ 1,08 por garrafa para um tributo variável de 10% sobre o valor do vinho. A disparada do dólar também contribui – e muito – para esta valoração dos preços.

E como o reflexo econômico de 2015 afetou o mercado de importação de vinhos no Brasil?

Mais uma vez eu pego carona no trabalho do consultor Adão Morellatto (autorizado pelo autor, claro) e publico a situação da importação de vinho no Brasil. O ano é de 2015. Não precisa dizer mais nada, né? Mas a fotografia não é tão feia assim: teve uma retração de 11,28% em valor (a inflação no período foi de 10,673% IPCA), mas  uma leve alta de 1,56% em volume, ou seja há vinhos mais baratos sendo escoados no mercado brasileiro, com enorme participação do Chile nesta pegada (faixa de até 35 reais para o consumidor).

Comparada com a mesma análise de 2014, a posição dos países no ranking continua inalterada. Os vizinhos Chile e Argentina juntos dominam mais de 60% do mercado de vinhos no Brasil. A França vem em seguida empurrada pela inclusão dos Champagnes na conta. Em seguida Portugal e Itália, com Espanha na rabeira entre os principais. Alguns países caíram mais do que outros.

 

O Chile continua líder, a Argentina perde mercado mas mantém segunda posição

Abaixo um resumo das principais informações e dados consolidados pela análise de Adão Morellato

1º. CHILE:   Com um novo recorde de produção com 12,8 milhões de hectolitros (alta de 23%) em 2015, os chilenos batem pesado no mercado brasileiro e é necessário escoar toda esta produção, seja onde for, esteja onde estiver o consumidor, sua participação chegou a 37,34% em Valor e 45,29% em Volume, porém com uma ligeira queda de -5,21% de valor sobre 2014. Seus produtos adentram nosso mercado com uma forte penetração no segmento mais promissor (faixa de até R$ 35,00 consumidor), com uma desvalorização de 8,84% em USD. Também apresenta um crescimento de 3,62% em volume.

2º. ARGENTINA:  Segue a mesma estratégica do Chile em baixar seus vinhos, porém de maneira ainda muito tímida, apenas 3,89% de desvalorização e queda de -14,39% ref. a 2014. Os anos em que a Casa Rosada foi reinada pelos Kirchner, não foram nada satisfatórios aos vinicultores, reduziu em 12% a produção vitivinícola na última safra. Seus vinhos ainda são 31,29% mais caros do que os similares vizinhos. Em 2015 manteve um desempenho idêntico a de 2014, 17,19% em Valor e 15,87% em Volume. Em valor retrocedeu ao período de 6 anos atrás (2009).

3º. FRANÇA:  Como já informado acima, dado ao fato de que o Champagne tem um peso enorme na pauta deste segmento, participando com quase a metade do valor 47,48%, demonstra um marketing Share de 14,19% e Value de 5,91%, com queda cambial de -20,18% e participação negativa de -17,36%, praticamente voltou ao patamar de 2011 em valor.

4º. PORTUGAL:  Também apresenta um retrocesso de 5 anos de seu desempenho de valor, 11,18% em Valor e 12,64% em Volume e queda similar a da França -14,29% e com deflação cambial de -23,17% em seus produtos. Visto que sua produção aumentou em 8% em 2015, há uma grande procura de produtores buscando fincar suas próprias bandeiras em solo brasileiro, por certo não encontram em outros grandes mercados (USA / China) uma classe consumidora mais apropriada sejam pelo hábito e costumes, sejam pela praticidade linguística.

5º. ITÁLIA: Entre os principais player´s o que apresentou o pior desempenho com -22,14% de queda, como comparativo, retorno aos patamares de 2008. Tendo os vinhos tipo Prosecco contribuído com 12,38%. Seu custo médio apresentou queda de -9,76% e sua participação permaneceu em 10,14% em Valor e 11,22% em Volume. Devido a sua grande safra que em 2015 atingiu exponencialmente 48,9 milhões de hectolitros, há que buscar alternativas e seu mercado mais promissor são os EUA, com forte presença, disputando em pé de igualdade com os produtores americanos.

6º. ESPANHA: Depois de alguns anos conquistando mercado com muita velocidade, em 2015 teve queda de -11,27% e atingiu 5,35% de participação em Valor e 1,38% em volume com desvalorização cambial de -23,14%. Os vinhos Cavas contribuem com 26,62% de seu total. Apesar da queda, mantém uma boa estrutura de produtos atrativos. Hoje sem nenhuma dúvida, junto a Itália, são os que melhor oferecem a relação de custo/qualidade.

7º. DEMAIS PAÍSES: Contribuem com menos de 4,70% em Valor e 4,20% em Volume, destaque para crescimento de 25,07% da Austrália e 6,81% do Uruguai.

Leia também: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Dados extraídos do Análise de Mercado de 2015 da análise de

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

Autor: Tags: , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 5 de março de 2015 Brancos, Doce, Tintos, Velho Mundo | 10:40

Planeta: vinhos italianos da Sicília aos pés do vulcão Etna

Compartilhe: Twitter
Vinhedos da Planeta: aos pés do vulcão Etna, na Sicília

Vinhedos da Planeta: ao fundo o vulcão Etna

Em 1994 a vinícola Planeta, um empreendimento familiar da ilha de Sicília, na Itália,  lançou um vinho branco da uva chardonnay que é sucesso até hoje. De um perfil moderno,  de coloração dourada, cremoso, com boa presença em boca e um toque de barrica e de baunilha bem perceptível ganhou o mercado e tornou conhecida a marca, que também se notabilizou pelo syrah e pela merlot. Uvas internacionais, rótulos modernos e fáceis de lembrar, mas legítimos representantes do solo italiano, apesar de perder um pouco aquele sentido de vinhos originais da Bota.

O projeto – Planeta é o nome de família – começou com uma vinícola e 50 hectares fruto de pesquisas de Diego Planeta, e hoje ampliou sua presença na ilha e possui seis cantinas em diferentes pontos da Sicília que juntos somam 390 hectares. São elas: Ulmo/Sambuca di Sicilia (de onde vem o chardonnay famosão); Dispensa/Menfi; Dorilli/Vittoria; Etna/Feudo di Mezzo; Buonivini/Noto e La Baronia/Capo Milazzo. Os campeões de venda no Brasil são os rótulos La Segreta. No mapa as cantinas  permitem um tour em volta da ilha, o que não é má ideia.

A cantina onde os vinhos são produzidos

A cantina de Vittoria/Etna onde os caldos são vinificados

Esta diversidade de solos e territórios entrega uma variedade de estilos de vinho (espumantes, brancos, tintos, doces) com diferentes tipos de uva (as internacionais chardonnay, syrah, merlot e as nativas, carricante, moscato bianco, nero d’avola, frappato, nerello mascalese) que enriquecem a experiência do vinho da Sicília e quebra este carimbo global que marcou o início da Planeta. Um bom exemplo é linha Etna, recém-lançada no Brasil, produzida em um vinícola que fica aos pés do vulcão de mesmo nome, o maior símbolo da ilha. São rótulos onde a  tipicidade da Itália se torna mais presente e os vinhos mais gastronômicos e instigantes, secondo me (termo roubado do meu amigo Didu Russo).

Blog do Vinho provou e palpita:

Etna-Bianco1

Planeta Etna Bianco 2013

Região: Castiglione di Sicilia (Etna)
Uva: carricante
R$ 126,00

Um branco menos exibido que seu primo mais famoso, o citado chardonnay Planeta. A carricante é uma uva nativa da região. Mais fresco, com boa acidez, mineral e nota lá no fundo de madeira. Um branco que tem como principal virtude a vivacidade em boca.

Etna-Rosso1-86x300

Planeta Etna Rosso 2013

Região: Castiglione di Sicilia (Etna)
Uva: nerello mascalese
R$ 126,00

Agora um tinto representante legítimo do solo vulcânico do Etna. Algumas fotos impressionantes mostram as lavas fazendo fronteira com os vinhedos. A coloração é mais leve,  corpo médio, tem um aroma gostoso de frutas vermelhas, macio, e boa acidez. Um tinto que pede um prato de comida.

dorillinuovaf1-122x300

Dorilli Cerasuolo Di Vittoria Classico DOCG

Região: Dorilli (Vittoria)
Uvas: 70% nero d’avola e 30% frappato
R$: 163,00

Um clássico da Planeta, com aquele rótulo em formato de redemoinho mais famoso. Único vinho DOCG (denominazione di origine controllata e garantita) da Sicília. O nome do vinho já dá a dica: Cerasuolo significa solo de cereja. E não é que o bichão exala aromas marcantes de cereja madura, framboesa, frutas vermelhas em geral? A percepção em boca é mais doce (passa 10 meses em barricas de 500 litros de segundo uso, que não marca tanto o vinho), desce macio, gostoso. Bom final de boca, com mais corpo também. Gastronômico, mas pede um prato mais forte de carne, um molho mais potente.

 Passito-88x300

Passito di Noto – DOC Noto

Região: Noto (Buonovini)
Uva: moscato bianco
R$ 213,00

Vinho de sobremesa branco italiano. Só por isso é um risco que se deve correr. O processo de vinificação lembra o do amarone, de apassimento (as uvas são deixadas em esteiras por quatro ou cinco meses em vez de serem esmagadas, com isso os frutos perdem peso e ganham açúcar, álcool e aromas). A cor é bem amarela, e a primeira e segunda impressão no nariz é de mexerica (tangerina) doce, um toque de mel. Doce e untuoso como tem de ser, corta o melaço com uma acidez presente. Deve ser o bicho com pastiera di grano

Os rótulos Planeta são importados no Brasil pela Interfood

Autor: Tags: , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 Blog do vinho, Novo Mundo, Sem categoria, Velho Mundo | 13:34

Chile domina de vez o mercado de vinhos importados no Brasil. Conheça o ranking.

Compartilhe: Twitter

Sabe aquela história de crise no mercado de vinhos que a gente escuta todos os anos? Pois é, no mundo do espumantes nacionais todas as maiores empresas revelaram crescimento em 2014 (ver post Espumantes brasileiros: preferência nacional e consumo no final do ano). O mundo dos importados, “mesmo com todo o emblema, todo o problema, todo o sistema”, vai levando os números para cima. O crescimento em relação a 2013 foi de 12,5%. É isso que mostram os números consolidados de importação de vinhos de 2014 preparado semestralmente pelo consultor Adão Morellatto.

Em um país com déficit de dados, este levantamento realizado por Morellatto é um trabalho importante que mostra como está o mercado de vinhos importados no Brasil.  Morellato explica: “Em valor estamos próximo de um montante de USD 325.000.000,00 e algo como 9.000 conteiners de 1.000 CX/12; somente por estes números dá-se para imaginar o tamanho, complexidade, versatilidade, dinâmica e valores que envolve este setor. Levantando os dados de 2007 x 2014, a performance foi 93,45% ou uma média ponderada de 13,35% anual. Poucos e segmentados produtos cresceram nesta proporção. E ainda há o fator cambial, que em 2014 aumentou em quase 15%.”  Resultado nada mal em um país que teve um crescimento perto de zero em 2014. 

Para o consumidor, estes números apenas planilham uma constatação que pode ser verificada nas prateleiras dos supermercados, nos sites de e-commerce e cartas de vinho dos restaurantes. A maioria de rótulos é de vinhos chilenos, argentinos, portugueses, franceses e italianos. Além dos brasileiros que não entram, evidentemente, nesta análise de importados.

O Chile está perto de abranger 50% do mercado de vinho fino.

Abaixo um resumo das principais informações e dados consolidados pela análise de Adão Morellato

1º. CHILE:  Existe uma grande possibilidade de o Chile em breve dominar 50% do mercado brasileiro de vinhos finos. Se considerar somente o tipo vinho fino, ele representa quase 46,40% em valor, porém no consolidado, retrai-se um pouco para 35,30% em valor e 44,39% em volume. Seu preço médio está 25% mais econômico que os vinhos argentinos.  O crescimento em 2014 foi de 25,59% alavancado principalmente pela estratégica das grandes empresas chilenas em priorizar os 5 mercados chaves: USA, Reino Unido, China, Japão e Brasil

2º. ARGENTINA: Contrariando os prognósticos locais, apresentou um crescimento de 9,52% e sua participação caiu um pouco, hoje estabelece-se nos patamares de 17% de volume e valor. (para se ter uma ideia em julho de 2013 os vinhos argentinos detinham 21,09% em valor e de 20,21% em volume). As razões? As políticas econômicas do atual governo. Enquanto Chile manteve seu preço médio em USD 3,20 p/ litro, na Argentina houve um aumento de 3,08%, chegando a USD 4,01 p/ litro

3º. FRANÇA: A França apresenta-se em terceiro lugar neste ranking devido ao valor de seus produtos atingirem quase 15% de participação, mesmo com um índice em volume de apenas 5,85%. Isso se explica pelo preço médio de USD 10,30 p/ litro, influenciado pelo alto valor agregado do champagne, que sozinho representa 37,82% de toda exportação francesa.

4º. PORTUGAL: Por uma pequena diferença com a França, Portugal passa para a quarta posição. Participa com quase 12% de Share, com crescimento de 4,50% e preços médio de USD 3,88 p/ litro

5º. ITÁLIA: Em 2014 cresceu 3,97%, com participação bem próxima de Portugal, exatos 11,13% em valor e de 11,68% em volume. Já não há tanta influência do vinho tipo Lambrusco que chegou a representar quase 50% de todo o volume de vinhos deste país há alguns anos. O Vinho Prosecco representa 12,34% de market share no seu montante total.

 

6º. ESPANHA: De 2007 há 2014 a Espanha vinha apresentando um crescimento a uma média de 31% ao ano. Em 2014, contrariando os anos anteriores, apresentou uma ligeira queda de quase -1%, só não caiu mais devido ao vinho (CAVA) ter crescido sua participação em 16,06%, representando 26,17% na totalidade.

7º. DEMAIS PAÍSES: Apresentam menos de 5% de participação, com destaque evolutivo para os países: Alemanha = 16,72%  / Africa do Sul =54,95% / USA = 47,90%, queda abrupta da Austrália em 69% e Uruguay que patina nos números idênticos ao ano de 2007.

Leia também: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Dados extraídos do Análise de Mercado de 2014 da análise de

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

Autor: Tags: , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 20 de março de 2014 Tintos, Velho Mundo | 12:01

Angelo Gaja, o porta-voz do vinho italiano de qualidade

Compartilhe: Twitter

 

Angelo Gaia: "É preciso ter paixão pelas coisas"

Angelo Gaia, o homem do Barbaresco: “Secondo me, sem paixão não se faz nada”

Diz-se que o vinho sempre reflete um pouco a personalidade de seu criador. Não sei se o conceito vale para todo mundo, mas certamente se encaixa perfeitamente na cativante figura do italiano Angelo Gaja. Este piemontês de 74 anos, queixo largo e olhos azuis profundos transmite a mesma elegância e eloquência dos vinhos que produz. São eles, pela vinícola Gaja, no Piemonte (Barbaresco, Sorí San Lorenzo, Sorí Tildin, Costa Russi), os Barolos, em Gromis, na região de La Morra (Sperss e Conteisa); na vinícola Pieve Santa Restituta, em Brunello di Montalcino (Sugarille e Rennina) e em Bolgheri (Ca’Marcanda Promis e Magari), ambos na Toscana.

Leia também: Galvão Bueno também torce para a Itália. Pode isso, Arnaldo?

Angelo Gaja é um dos grandes porta-vozes do vinho de alta qualidade da Itália, daquilo que ele chama de vinhos de artesãos, em que o produtor consegue controlar e definir os níveis de excelência de seu caldo. Nos vinhos de Gaja os principais pilares que definem seu estilo são: a origem do lugar e a elegância. Os vinhos de Gaja falam por si, e Gaja fala pelos cotovelos. Mas ele tem o que falar, e os vinhos têm o que mostrar. Ambos são tagarelas. Uma conversa boa de escutar.

Angelo Gaja, parece feliz ou não?

Angelo Gaja, parece feliz ou não?

E o que fala Angelo Gaja? Ele fala, basicamente, de paixão. Da sua paixão pela viticultura, pela uva nativa nebbiolo, pela história de sua família, por sua própria trajetória, e por fim sua paixão pelo Barbaresco, o rótulo que lhe trouxe fama e reconhecimento de público e crítica.

Sua paixão pela viticultura se exprime no cuidado que um artesão deve ter com o vinhedo, de conhecê-lo, andar por ele, e saber escolher a melhor uva para aquele pedaço de terra e de sempre privilegiar a qualidade em detrimento da quantidade.

Sua paixão pela nebbiolo se traduz na capacidade de esta uva produzir dois clássicos da sofisticação: o Barolo (chamado de rei dos vinhos, com mais estrutura) e o Barbaresco (em oposição, a rainha, com mais elegância).

Sua paixão pela família se volta para o passado e para o futuro. Aos ensinamentos de sua avó, Clotilde Rey, fundamental em sua formação: “Você deve se manter um artesão, como seu pai e seu avô” e de seu pai Giovanni: “Aqueles que sabem beber, sabem viver “ e do exemplos que procura deixar para seus filhos, que são a quinta geração a tomar conta da empresa fundada em 1859.

Sua paixão por sua trajetória é legítima, e ele a relata sempre que surge uma oportunidade, com o mesmo entusiasmo de sempre, em maior ou menor detalhe, dependendo da audiência. Pois seus vinhos têm história e ele viveu grande parte dela, quando revolucionou o vinho de Barbaresco aplicando técnicas que hoje são comuns a outras vinícolas, mas foram transformadoras na década de 1970. São elas: a redução de produção de uvas para obter maior qualidade da fruta e maior teor de açúcar, a higiene na cantina e principalmente o uso de barricas pequenas francesas, junto com as tradicionais barricas grandes da região para amaciar e refinar a uva nebiollo.

Leia também: Sob o sol da Toscana. Uma visitia à nova vinícola Antinori

Sua paixão pelo Barbaresco, é dada pela capacidade que um vinho tem de exprimir toda sua riqueza de sabores, origem, de vencer o tempo e envelhecer com classe. De oferecer um casamento perfeito com a comida, a maior contribuição do vinho italiano à humanidade. O Barbaresco é o vinho ícone de Gaja, sempre presente naquelas listas dos vinhos que você deve provar antes de morrer, ou melhor, dos vinhos que você precisa provar para celebrar a vida! Não é um vinho fácil, muito menos barato. Mas pode proporcionar uma experiência gustativa maravilhosa.

Para Angelo Gaja é simples assim. “Secondo me (secondo me é o fôlego que Gaja toma entre uma ideia e outra), a paixão é fundamental, sem paixão não se faz nada.” Nem tão simples assim, mas verdadeiro.

IMG_2641

Barbaresco

IMG_2637

Ca’marcanda

todos

Sugarille

  • SERVIÇO: Os vinhos de Angelo Gaja são importados no Brasil pela Mistral
Autor: Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 Velho Mundo | 19:28

Galvão Bueno também torce para a Itália! Pode isso, Arnaldo?

Compartilhe: Twitter
Roberto Cipresso e Galvão Bueno no lançamento do Brunello di Montalcino: bem amigos.

Roberto Cipresso e Galvão Bueno no lançamento do Brunello di Montalcino da dupla: bem amigos.

É isso mesmo o que você leu no título. O jornalista e locutor esportivo da TV Globo Galvão Bueno também torce para a Itália! Pelo menos quando o assunto é o vinho… Sua faceta de produtor de vinho nacional já era conhecida. É sócio do Grupo Miolo e proprietário (também com a Miolo) da Bueno Wines, com vinhedos na região do Seival, na Campanha Gaúcha, onde produz os rótulos Bueno Paralelo 31, o Bueno Couvée Prestige, e os Bueno Bellavista Pinot Noir e Sauvigon Blanc.

Nesta terça, dia 25 de fevereiro, uma nova parceria foi apresentada ao mercado, agora com o italiano Roberto Cipresso, que elabora Brunellos di Montalcino na região de mesmo nome na Toscana com o rótulo Bueno-Cipresso. “Eu sempre fui um vendedor. Já vendi de tudo, até enciclopédias. Há 40 anos vendo a emoção no esporte. Agora eu também vendo a paixão pelo vinho”. É o estilo Galvão de ser. E pode apostar que está realizado com o empreendimento.

Leia também: Bem, amigos, agora Galvão Bueno também é vinho

Leia também #enche a taça Galvão 

Roberto Cipresso é proprietário da empresa WineMaking, um estudioso e consultor em vinícolas na Itália e no exterior. Ele é palpiteiro da prestigiada bodega argentina Achaval Ferrer, por exemplo, e em mais sete países. Agora Cipresso incorpora na sua lista de clientes também o cargo de diretor técnico da Bueno Bellavista Estate, no Brasil. “É um projeto de um grande vinho que reúne grandes pessoas”, anunciou Adriano Miolo, diretor da Miolo Wine Group e sócio de Galvão.

Adriano Miolo: sócio de Galvão Bueno no mundo do vinho

Adriano Miolo, sócio de Galvão Bueno, prova o Brunello di Montalcino 2005

Premiadíssimo e reconhecido como um craque de Brunello, Cipresso também produz seus caldos na vinícola Poggio al Sole e La Fiorita, e agora estes rótulos da Bueno-Cipresso. “Sou uma pessoa de sorte. Faço aquilo que eu gosto”, enfatizou com uma taça do seu Riserva nas mãos. “A sangiovese é um ator extraordinário. Espero poder contribuir para sua expressão no vinho”

Um Brunello di Montalcino não é um vinho fácil. É um tinto longevo, de guarda. Obedece regras estritas da sua DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) de envelhecimento e tempo de garrafa antes de ser lançado ao mercado. São dois anos de barrica e dois de garrafa antes de o produtor começar a ver a cor do dinheiro. A uva é a sangiovese grosso e tem no DNA a alma do vinho italiano que é sua acidez natural (que junto do tanino é a fórmula para a longa vida na garrafa). A linha Riserva exige 3 anos de barrica e 3 de garrafa antes de ser lançada no mercado.

Além disso, é um vinho de terroir, o que na concepção de Cipresso obriga que as safras sejam diferentes a cada ano e que o homem, no caso o enólogo (ele próprio), respeite a fruta que a natureza gestou na elaboração do caldo.

É um vinho que não segue muito a tendência internacional de consumo imediato: exige mais tempo ainda de garrafa na adega. Aí sim ele desenvolve e entrega sua melhores notas terrosas, de frutas maduras e aromas balsâmicos e os taninos vão se afinando e amaciando. “São vinhos que estou fazendo para deixar para o meu filho mais novo, o Luca, e para os meus netos”, explicou  Galvão Bueno.

Os vinhos

IMG_2592Neste momento estão sendo lançados três rótulos no mercado. São produzidas 15.000 garrafas ao ano. Destas 5.000 chegaram ao Brasil. Quatro mil dos brunellos das safras 2007 e 2005 e 1.000 da linha riserva. Mais que qualquer avaliação que se possa fazer destes vinhos – são expressivos, bem-feitos e com aquele preço de altíssima gama – existe uma bandeira que é a de uma personalidade como Galvão Bueno atuando como embaixador de um mercado difícil no Brasil que é do vinho. Tanto no vinho nacional como do importado.

  • Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2007

2 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 3 anos de garrafa)

Preço: R$ 350,00

Ainda é bem novo, mais duro, melhor se ficar boiando um pouco na taça. A acidez é mais pronunciada, toque leve balsâmico. Melhor segurar  na adega.

  •  Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2005

2 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 6 anos de garrafa)

Preço: R$ 350,00

Já está mais crescidinho, já é quase um hominho, os taninos mais macios, tem umas ervas pronunciadas, a fruta madura vai evoluindo na taça, tem um toque terroso que sempre me agrada nestes vinhos.

  • Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino Riserva 2004

3 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 6 anos de garrafa)

Preço: não está definido ainda, mas deve girar em torno de R$ 500,00

O Riserva não é produzido em toda safra. Vinho de um ano quente, mostra muitas ervas no nariz, uma fruta madura fina, a acidez está lá bem ampla mas com uma estrutura bem equilibrada. Vai crescendo na taça. Vinho para poucos e para ocasiões raras.

 

 

 

Autor: Tags: , , , , , ,

sexta-feira, 19 de julho de 2013 Blog do vinho | 12:47

Chile e Argentina dominam o mercado de importação de vinhos no Brasil

Compartilhe: Twitter

Quais os vinhos mais importados no Brasil? Esta é meio fácil. Se você cravou Chile acertou em cheio. Se apostou na Argentina, não ficou longe. Nem é preciso ser especialista no assunto para chegar a esta conclusão. Basta percorrer os corredores dos supermercados e medir o tamanho das prateleiras de vinhos destes dois países para encontrar a resposta. Ou ler o título desta coluna… Mas o que talvez você não conheça são os números. Vamos a eles então.

Chile e Argentina juntos são responsáveis por 63,29% em volume de vinhos que entram no país. Só o Chile contribuiu com 43,08% nesta conta, restando 20,21% em volume para a Argentina. A conta em valor é um pouco diferente, os dois países juntos são responsáveis por 57,65% do bolo, mas o Chile continua na liderança (36,56%), seguido de Argentina (21,09%). Quatro países do chamado velho mundo – Portugal, Itália, França e Espanha – completam a lista.

Claro que há todo um contexto em torno destes números. Mas o maior deles é o mais óbvio: preço. As isenções de impostos do Mercosul, a alta do dólar e do euro (que deixam o vinho do velho mundo mais caro ainda), a proximidade destes dois países com o Brasil tornam o valor das garrafas sul-americanas mais palatáveis.

Quem mostra – e analisa – estes dados é o empresário e consultor internacional Adão Morellatto. Há doze anos, Morellato reúne dados oficiais da Receita Federal, do Banco Central e do Ministério do Desenvolvimento (MDIC) e comparando os números do semestre monta um relatório que distribui para a imprensa especializada e serve como uma radiografia do mercado importador de vinho. Na sua conta é analisado apenas o segmento de vinhos chamados tranquilos, não computando os vinhos tipos Fortificados, Champagne e Espumantes. A partir de janeiro de 2014, porém, serão incorporados à conta, tornando-a mais objetiva e acurada ainda.

Um trabalho que começou por necessidade – Morellatto tem uma empresa de representação comercial -, acabou virando uma referência no mercado. Para Morellatto o levantamento “tem um contexto mais analítico, identificando as causas, consequências, características e perspectivas, sobre meu prisma de visibilidade”. E acrescenta: “Os números em si, não têm a finalidade conclusiva de atribuir bonança ou incredibilidade e sim, uma descrição do momento vivenciado.” .

Os seis maiores países importadores de vinho no Brasil. E o resto.

O relatório e avaliação do semestre de Adão Morellato segue abaixo na íntegra

1º. CHILE: Como já comentei há algumas semanas atrás com alguns jornalistas deste meio, segue forte e firme na dianteira, mantendo sua estratégia de oferecer neste momento vinhos mais econômicos que os da Argentina, em média 23% mais baixos, atraentemente necessário e eficaz neste tempos de volatilidade cambial. Neste semestre analisado, representa 36,56% em valor e 43,08% em volume. Porém apresenta uma ligeira queda de -1,60% em comparação com o primeiro semestre de 2012.

Leia mais: Chadwick, o chileno que desafia (e ganha) dos franceses

Leia Mais: Vinhateiros independentes do Chile: pequenas vinícolas, grandes vinhos

2º. ARGENTINA: Como não poderia ser diferente, idêntico ao Chile, que goza de benefícios aduaneiros de isenção de impostos, por acordos bilaterais (MERCOSUL), estabelece-se neste ranking com 21,09% em valor e de 20,21% em volume.

Leia mais: A Argentina não é só malbec, mas é malbec também

3º. PORTUGAL: Como aqui não são computados os vinhos listados acima [fortificados], aparece nesta posição, 13,21% em valor e de 12,56% em volume, preocupantemente mostra uma queda de -8,13% em valor e de -16,45% em volume, apresentou um índice de valoração cambial dos vinhos em de 4,48%.

Leia também: Bacalhau e vinho: tinto ou branco

4º. ITÁLIA: A Itália, na linha de combate direto com Portugal, apresenta um leve crescimento de 1,77%, contudo uma queda de -16,45% em volume, evidenciado pelo aumento médio de 18,50% dos produtos. Aqui uma pequena pausa, atente-se para este ano, verificarem uma tendência de queda participativa de vinhos tipo Lambrusco, iniciando seu declínio, não por consumo aqui propriamente dito, que ainda tem uma gama considerável de consumidores, mas sim pelos custos de produção na origem e regras mais severas e punitivas dos Consorzios, não serem mais tão competitivos como no passado recente. Participa com 11,02% em valor e de 12,06% em volume.

5º. FRANÇA: O gigante vinícola resolveu por aqui mostrar toda sua capacidade enológica. Contrariando os demais, apresenta um crescimento de 11,41% em valor e de 4,50% em volume. Ainda engatinha para chegar aos 10% de share, mas observando que obteve um aumento de 6,60% no custo médio, podemos imaginar perfeitamente que há aqui consumidores dispostos a pagar algo mais por um produto de melhor qualidade. Sua contribuição é de 8,26% em valor e de 3,85% em volume.

6º. ESPANHA: A fúria não levou o taça, ainda somos os melhores, ao menos até a COPA de 2014, salvo alguns percalços, ainda temos a magia, o encanto e a alegria de jogar futebol. Mas como aqui o assunto é vinhos, vamos ao que interessa. Como em anos anteriores, impulsionado por sua vastidão produtiva e variadas denominações que atuam de maneira independente e sistematicamente apostando no mercado brasileiro, colhe os frutos aqui plantados há quase 6 anos. Em um período que os índices apresentados mostraram baixa performance, neste semestre, aqui chegaram apresentando crescimento de 4,60% em valor e de uma pequena queda de -0,50% em volume. Tem 5,00% de share value e de 3,71% de share marketing. Como já informado em artigos anteriores, vieram para ficar.

7º. DEMAIS PAÍSES: Nenhuma consideração mais aprofundada, na média apresentaram queda de -16,64% em valor e de -13,43% em volume, contribuem com 4,87% em valor e 4,54% em volume.

Leia mais: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Os números em si, não apresentaram queda abrupta, em média uma queda de apenas -1,40% em Share Value e de -4,15% de Share Marketing, que se o câmbio manter-se neste patamar e a cadeia distributiva conseguir no 2º semestre escoar, é possível ainda encerrarmos 2013 com uma leve positividade, mais adiante verificaremos como se manterá esta tendência.

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

Autor: Tags: , , , , , , ,