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terça-feira, 4 de novembro de 2014 Brancos, Novo Mundo, Tintos | 08:30

Bons goles argentinos: o conhecido Luigi Bosca e o menos conhecido Familia Cassone

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Os vinhos argentinos são um sucesso no Brasil. Só ficam atrás dos chilenos em volume – o que não impede que grupos chilenos tentem morder uma fatia a mais do mercado ao investir também na Argentina, como a Trivento e a Kaiken. Alguns rótulos argentinos já são bastante conhecidos entre os consumidores, como o Luigi Bosca, outros tantos ainda precisam ser desbravados, como os rótulos da Família Cassone. As duas vinícolas são tema deste post.

Por isso mesmo é comum a visita de enólogos e produtores ao Brasil para exibir seus vinhos em degustações, almoços, feiras e eventos. Os predicados são sempre poéticos (fruta, flores, tostados, macio, envolvente, etc), mas eles estão atrás mesmo é de mercado.

Para isso os produtores esmeram-se em mostrar seus vinhos mais elaborados, aqueles que exibem como um troféu, símbolo da qualificação de seus cachos de uvas maceradas e fermentadas. Se a isca funciona para chamar atenção, nem sempre revelam o melhor custo-benefício, ou o mais inusitado e surpreendente. Por dois motivos simples:

1. Estes vinhos top são muito mais caros, e por isso mesmo pouco acessíveis à maioria dos consumidores e incautos leitores deste blog

2. E por serem o topo da cadeia alimentar têm quase a obrigatoriedade de serem, no mínimo, bons. E geralmente são ótimos. Beberia todos os dias da minha vida se fosse possível. Mas não é disso que se trata.

Ocorre que junto à exibição dos seus rótulos pesos-pesados (geralmente tintos), outros vinhos são mostrados, como uma espécie de “esquenta” para a grande atração. Pois é neste prefácio que, muitas vezes, os caldos mais surpreendem. É preciso, pois, provar com atenção todos os vinhos.

Recentemente dois produtores vieram mostrar de seus vinhos. O conhecida Luigi Bosca e o menos conhecida Familia Cassone. Após provar seus vinhos verifiquei mais uma vez o raciocínio descrito acima (isso vale para o Chile também, mas fica para outra coluna)

Luigi Bosca

O motivo da visita de Alberto Arizu, comandante em chefe da vinícola da família, a Luigi Bosca, foi uma vertical (a prova de várias safras de um mesmo vinho) do tinto Ícono. Foram cinco safras, da primeira de 2005 até aquela que nem está ainda no mercado, de 2009. Trata-se de um vinho excepcional, de vinhedos com mais de 90 anos das regiões de Luján de Cuyo, Vistalba, Las Compuertas e Finca Los Nobles e da mistura das variedades malbec (60%) e cabernet sauvignon (40%), sempre nesta proporção. As fermentação é feita em separado, de cada vinhedo e a degustação às cegas de cada terroir decide o corte final. É bárbaro! “Um equilíbrio entre a elegância e a potência”, segundo Arizu, que bebeu todas as taças até o fim, o que é raro entre os produtores que vêm mostrar suas crias. A boa nova para os bebedores de vinhos desta categoria é que a safra que está no mercado, a de 2008, está prontíssima para beber. Mas… para ter na adega uma das 6.000 garrafas produzidas deste caldo por ano é preciso desembolsar 500 reais, o que nos remete aos pontos número 1 e 2 acima.

malbec-miradores-luigi-bosca

Por um quinto deste preço (R$ 114,00), a mesma Luigi Bosca elabora um malbec de vinhas também antigas que é o bicho!  Malbec Terroir los Miradores 2011. Já tinha provado este vinho em primeira mão em viagem a Mendoza este ano. Este segundo gole confirmou minhas primeiras impressões. Encorpado, mas com alguma frescura a acidez, ótima fruta, final longo. Macio. Coisa fina mesmo, e o rótulo, que mostra a raiz se aprofundando no solo representa bem a importância do solo (aluvial).  “É importante a Argentina mostrar a importância e relevância do terroir”, indica Arizu.

riesling-luigi-bosca

E se a ideia for algo que abra o paladar para novas sensações, a dica é um riesling surpreendente de vinhas de 60 anos. Riesling Las Compuertas 2014. Floral no primeiro impacto, com muita fruta cítrica no nariz um toque de maça verde (zero da clássica descrição de “notas de petróleo”), na boca confirmam o cítrico e o pêssego envolvidos numa acidez que alarga o vinho no paladar e traz aquela salivação gostosa. R$ 86,00

Os vinhos de Luigi Bosca são vendidos pela Importadora Decanter

Familia Cassone

Meu primeiro contato com os vinhos da Familia Cassone foi em abril de 2014 no Encontro de Vinhos Off, organizado pelos competentes Beto Duarte e Daniel Perches. É aquele esquema de sempre, de um lado o produtor oferecendo seus tintos e brancos e do outro os consumidores curiosos estendendo a taça para conhecer os vinhos. No geral o paladar costuma dar “tilt” depois de vários goles meio sem critério, tamanha oferta de rótulos. Fui lá com minha taça, atraído pela mescla de cabernet franc – uma uva que sou fã – junto com a malbec e syrah de seu rótulo principal. O nome é meio presunçoso: Obra Prima Maximus Gran Reserva Familiar. Mas mostrou a que veio este gladiador de Mendoza. A safra 2011 levou 95 pontos do conceituado Guia Descorchados e a de 2008 90 pontos do Parker. Provei outros vinhos, seus malbecs, e cabernet sauvignon e no meio de tantos produtores foi uma marca que ficou na lembrança. O responsável pela operação brasileira, Marcelo Cassone, é daquele tipo que vende areia para camelo e fala e gesticula até convencer o consumidor. Acabei levando umas garrafas para casa.

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Recentemente a Familia Cassone veio a São Paulo apresentar toda sua linha e o braço brasileiro da operação: 80% da produção é exportada e o mercado brasileiro é sempre importante. Os destaques eram o já comentado Obra Prima Maximus Gran Reserva Familiar 2011, que realmente é um belo trabalho do enólogo Federico Cassone, que na contramão da presunção do nome do vinho é de uma simplicidade cativante. O que vale é o vinho, não tem muita mistificação. E o vinho tem aquela boa potência, estrutura, 18 meses de barricas de primeiro uso, frutas, especiarias, mas tudo na medida que se encaixa num fim de boca muito atraente e macio. É o topo de linha da Família Cassone, e nem chega a ser tão caro assim (R$ 230,00). Mas…

Blend

…mas mais uma vez o que me encantou foi um outro rótulo que Federico trouxe na mala, que chegará em breve ao Brasil. O Obra Prima Blend Reserva 2012. Um blend de malbec (65%), cabernet sauvignon (20%) e cabernet franc (15%). Também uma expressão dos vinhedos de Luján de Cuyo, em Mendoza, mas mostra um caminho de leveza e fruta mais fresca que o enólogo vai impondo aos vinhos da casa. Aquele frescor que começa a ser privilegiado em alguns tintos sul-americanos (leia O Novo Vinho Chileno, mas gastronômico, mais natural) aliado a uma fruta gostosa, mais pura, menos pesada. O assemblage faz um balanço das frutas e a violeta do malbec se combina com uma amora do cabernet sauvignon (ou seria do cabernet franc?), um toque defumado e um tantinho herbáceo do cabernet franc. Um vinhaço que custará R$ 107,00 nas gôndolas de delicatessens e grandes lojas (não serão vendidos em supermercado)

 Os vinhos da Familia Cassone são vendidos pela BFC/Brasil 

 

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segunda-feira, 7 de abril de 2014 Novo Mundo, ViG | 08:31

50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer. Parte 4. Vinhos de Mendoza sem malbec

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Você gosta de malbecs argentinos, de Mendoza? Ok, temos uma coluna só sobre isso. Malbecs de outras regiões, como Salta e Patagônia também podem ser encontados neste post aqui, é só clicar. Há recomedações também para quem aprecia  a malbec misturada a outras uvas. Mas nesta quarta e última parte da série de 50 vinhos saborosos da Argentina que vale a pena conhecer, as dicas são de vinhos de Mendoza em que a  uva malbec é deixada de lado. São vinhos produzidos com outras uvas. Para mim, as melhores surpresas de uma viagem à Argentina para explorar um pouco mais o universo dos tintos (mais esses) e brancos do país.

Atenção, não é uma lista dos melhores vinhos da Argentina, mas uma seleção da rica amostra de tintos e brancos que provei em uma semana em viagem por lá. Trata-se, como só pode ser, de uma seleção pessoal.

Região de Mendoza – varietais de outras uvas

80% da produção de vinhos da Argentina está concentrada nos vales de Mendoza, limítrofes à Cordilheira dos Andes. Apesar da fama – justa – da malbec, muitas outras variedades são plantadas aqui com excelente resultado. Esta lista mostra algumas delas que resultam em vinhos varietais de respeito, deliciosos e que expressam o potencial de cada uva. O meu destaque fica por conta da cabernet franc (a variedade que mais cresce) e da cabernet sauvignon. Mas há surpresas, como uma boa branca verdelho, outra viognier, dois syrah explêndidos e outras experiências. Diversidade é a palavra do vinho.

 

Numina-Cabernet-Franc-2011

40 Numina Cabernet Franc

Bodegas Salentein

Região: Vale do Uco

Site oficial: http://www.bodegassalentein.com/

Uva: abernet franc

Importador: Zahil

R$ (entre 20 e 30 dólares na Argentina)

 Voz do vinho: grande vencedor da AWA (Argentina Wine Awards) 2014 na categoria cabernet franc de 20 a 30 dólares, lá na Argentina. Tem uma característica da fruta de Mendoza, que é um toque defumado, um boa doçura de taninos, além de especiarias e frutinhas vermelhas.

Por que escolhi: bom representante da qualidade do cabernet franc argentino

 

largardecabfranc41 Lagarde Cabernet Franc 2011

Bodega Lagarde

Região: Luján de Cuyo, Mendoza

Site oficial: www.lagarde.com.ar

Uva: cabernet franc

Importador: DeVinum

R$ 80,00

Voz do vinho: aroma intenso de geleia de frutas vermelhas, notas de eucalipto, herbáceas e o mesmo toque defumado que caracteriza o Numina. doce, suavidade cativante. Tem um final longo e persistente.

Por que escolhi: bela presença em boca

 

CAsarenaCabernetFranc42 Casarena Single Vineyard Cabernet Franc 2011

Casarena Bodega y Viñedos

Região: Agrelo, Luján de Cuyo

Site oficial: www.casarena.com

Uva: cabernet franc

Importador: Magnum

R$ 130,00

A voz do vinho: quem acompanhou esta série de indicações da Argentina percebeu uma certa queda pelos rótulos da Casarena, da Pascual Toso e da Lagarde. Mais uma vez o cuidado do jovem enólogo Bernardo Bossi Bonilla se traduz neste cabernet franc de grande estrutura, potência, com a fruta (amoras) e o toque herbáceo em perfeita comunhão e que se beneficiam do tempo em barrica francesa (18 meses).

Por que escolhi: por que eu quero insistir na tecla da cabernet franc argentina de boa qualidade

 

Tomero-petit-verdot43 Tomero Petit Verdot 2011

Vistalba

Região; Luján de Cuyo

Site oficial: http://www.carlospulentawines.com/

Uva:  petit verdot

Importador: Domno Brasil

R$ 90,00

A voz do vinho: linha varietal da Bodega Vistalba, que também tem ótimos vinhos de corte, denominados de Corte A, B e C. Aqui a petit verdot se destaca por frutas vermelhas marcantes acrescidas de um eucalipto aparecidinho. Bem macio e doce na entrada, um bom corpo e um belo final.

Por que escolhi: por ser um varietal agradável de petit verdot

 

La_Espera_Syrah44 La Espera Reserva Syrah 2007

Funckenhausen Vineyards

Região: San Rafael, Mendoza

Site oficial: www.funckenhausen.com

Uva: syrah

Sem importador no Brasil

A voz do vinho:  envolvido em negócios marítimos, o alemão Kurt Hienlein aos 74 anos resolveu investir em seu sonho e adquire um vinhedo em Mendoza. Seu objetivo é montar uma vinícola butique, com vinhos de alta qualidade e expressão. Este trabalho do tempo que o vinhedo exige, combinado ao tempo que aguardou para investir em vinhos se traduz no poético rótulo que mostra um banco vazio e representa graficamente o nome do vinho: La Espera. O clima mais frio da região de San Raphael permitiu uma ótima maturação da syrah e a variedade revela suas características de potência, corpo e especiarias com grande elegância e persistência. Passa 12 meses na barrica. Safra de 2007, com mais alguns anos de maturação na garrafa. Mais uma espera, antes de ir para a taça. Um vinho para se decantar e conhecer aos poucos.

Por que escolhi: um vinho que encanta o paladar e um rótulo que encanta os olhos

 

Argento45  Argento 2013 

Bodega Argento

Região: Maipú

Site oficial: http://www.argentowine.com/pt/

Uva: bonarda

Importador: Domno

R$ 25,00

A voz do vinho: um bonarda fresco, jovem e fácil de beber, doce na entrada e com uma boa  fruta

Por que escolhi: tinha de selecionar um bonarda, não? Preferi este de caráter mais jovem e fácil de gostar, de encontrar e com ótimo preço

 

 

PAscualTosoALtaSyrah

46. Pascual Toso Alta Reserva  Syrah 2012

Pascual Toso

Região: Maipu, Mendoza

Site oficial: www.bodegastoso.com.ar

Uva: syrah

Importador: Vinoteca Dibeal Brasil CIEBA

R$ 100,00

A voz do vinho: Pascual Toso Alto Reserva é o vinho argentino mais vendido, em valor, no exigente mercado japonês. A grife do enólogo americano Paul Hobs ajuda um pouco, mas vamos combinar que o homem entrega. Este syrah de solo pedregoso interage por 24 meses em barricas de carvalho o que lhe aporta uma fruta madura, uma potência importante e envolventes notas de especiarias, revelando um tinto de classe e vigoroso. Trata-se da primeira safra da linha Alta Reserva. Começou arrasando. Quem disse que o papel dos consultores é sempre nocivo para o vinho e sua identidade, hein, Jonathan Nossiter?

Por que escolhi: apesar de seu colega cabernet sauvigon da linha Alto Reserva também impressionar este syrah arrasou no vigor da uva

 

SeptimaCS47. Septima Obra Cabernet Sauvignon 2012

Bodega Septima

Região: Luján de Cuyo e Tunuyán

Site official: http://www.bodegaseptima.com/

Uva: cabernet sauvignon

Importador: Interfood

R$ 115,00

Voz do vinho: cria do grupo Cordoniu, a Bodega Septima é comandada por enólogas mulheres. O cabernet sauvignon passa  10 meses por barricas de segundo uso francesas e americanas, que aporta um café com leite, baunilha e notas tostadas (quase um café da manhã, não?). Tem uma boca ampla, gostosa onde se destacam aquelas frutas vermelhas como cerejas e o defumado percebido no nariz.

Por que eu escolhi: cabernet sauvignon saboroso e bem feito argentino

 

IMG_253948 Lagarde Viognier 2013

Bodega Lagarde

Região: Luján de Cuyo, Mendoza

Site oficial: www.lagarde.com.ar

Uva: viognier

Importador: DeVinum

R$ 46,00

A voz do vinho: um vinho é um vinho e seu contexto. Este expressivo, refrescante e untuoso viognier eu provei numa sacada à beira de um vinhedo nas franjas da cordilheira dos Andes. Seus aromas de flores eram delicados e não carregados como costuma apresentar a viognier do novo mundo. E a acidez dava uma bela sensação de frescor.

Por que escolhi: delicioso para bebericar sem compromisso, ou com compromisso pelo prazer.

 

Verdelho

49 Cristóbal 1492 Verdelho 2013

Don Cristóbal

Região: Rivadavia, Mendoza

Site oficial: www.doncristobal.com.ar

Uva: verdelho

R$ 30,00 a R$ 35,00

A voz do vinho: ora pois, o que a uva nativa da Ilha da Madeira, em Portugal, vem fazer aqui nos vinhedos argentinos? O resultado é bem interesse é merece ser provado. Aromático, fresco, com ampla acidez, e com uma untuosidade gostosa.

Por que escolhi: por que até um argentino pode arriscar um fado de vez em quando

 

Chardonnaypenedo50 Chardonnay Reserva 2012

Otaviano Bodega & Viñedos

Região: Luján de Cuyo, Mendoza

Site official: www.bodegaotaviano.com

Uva: chardonnay

R$ 45,00

A voz do vinho: para quem aprecia um estilo de chardonnay mais potente, exibido, este é uma boa pedida e por um bom preço. Tem notas doces de abacaxi em compota, as contribuições da barrica são a presence de caramelo e baunilha, além do tostado. Um vinho bem untuoso e de um chardonnay novo mundo

Por que escolhi: bom exemplo de um certo estilo de chardonnay

 

Preços coletados em abril de 2014

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzido neste post sobre os vinhos argentinos.

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sexta-feira, 4 de abril de 2014 Novo Mundo, ViG | 01:49

50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer. Parte 3 – vinhos de corte de Mendoza

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Nesta terceira parte da lista de 50 vinhos saborosos da Argentina que vale a pena conhecer, o destaque são os vinhos de corte (blend, ou mistura de várias uvas na elaboração do vinho) de Mendoza.

Atenção, não se trata de uma lista dos melhores vinhos da Argentina, mas uma seleção da rica amostra de tintos e brancos que provei em uma semana em viagem por lá. Trata-se, como só pode ser, de uma seleção pessoal.

Na próxima e última nota desta série, os destaques são os  vinhos varietais (feitos de uma única uva)  de outras variedades  diferentes da malbec da região de Mendoza.

Região de Mendoza – vinhos de corte (blends)

A região de Mendoza também é pródiga em blends ou vinhos de corte do tipo bordalês ou tendo a malbec como protagonista, mas sendo escoltada por outra variedade, aportando mais estrutura, acidez, potência e diversos sabores. No geral, os tintos  top de linha das principais vinícolas são blends de malbec,. Esta escolha pela mistura no principal rótulo já diz  muita coisa sobre este estilo de vinho.

unanimemascota 26 Unânime 2009

Mascota Vineyards/Santa Ana

Região: Vale de Uco

Site official: http://www.bodegas-santa-ana.com.ar/sitio-Por/index.php

Uvas: cabernet sauvignon, malbec, cabernet franc

R$ 78,00

A voz do vinho: para começar uma lista de vinhos de corte, nada melhor que uma unanimidade, pelo menos no rótulo. O vinho ícone da Mascota é um blend espetacular que tem este nome pois na hora de decidir o corte ideal para o rótulo existiu um consenso entre todos os envolvidos. Complexo na boca, entrega as frutas da malbec e a estrutura da cabernet sauvignon. Gostoso na entrada e com bom fim de boca.

Por que escolhi: bom exemplo de blend por um bom preço

 

casarena50527 505 essência Blend 2013

Casarena Bodega y Viñedos

Região: Agrelo, Luján de Cuyo

Site oficial  www.casarena.com

Uvas: malbec 50%, cabernet  sauvignon 30% e merlot  20%

Importador: Magnum

R$ 35,00

A voz do vinho: quem disse que os vinhos de corte precisam ser caros? Boa mescla, belo exemplo de blend macio, fruta franca, vinho correto, redondo, fácil de beber e de gostar.

Por que escolhi: bom blend de entrada

 

amanodecero28. Decero Amano Remolinos Vineyard 2011

Finca Decero

Região: Agrelo

Site oficial: http://www.decero.com/about/remolinos-vineyard/

Uvas: malbec 60%, cabernet sauvignon 30%, tannat 1%, petit verdot 4%

Importador: era da Ana Import

R$ 264,00

A voz do vinho: outro que levou o Trophie de melhor blend acima de 50dólares do AWA  (Argentine Wine Awards) 2104. Muito perfumado, bem malbec no nariz, muita fruta do cabernet sauvignon e taninos e estrutura do tannat e petit verdot, que também dá acidez. Passa 22 meses na barrica amaciando, apurando seus sabores e desenvolvendo seus aromas. Vinho de gente grande

Por que escolhi: paixão ao primeiro gole

 

expressiones29. Expresiones Reserve 2012

Finca Flichman

Região: Mendoza

http://www.flichman.com.ar/home.html

Uvas: malbec 60% e cabernet sauvignon 40%

Importador La Pastina

R$ 60,00

A voz do vinho: esta medida de 60% malbec e 40% cabernet sauvignon com um tempo de passagem pela barrica  parece que dá certo. Aparece em muitos rótulos de Mendoza. As frutas vermelhas e as notas de especiarias aparecem, criam volume em boca e um tanino delicado traz maciez e um final prolongado.

Por que escolhi:  boa “impressão” ao primeiro gole que se confirma com o tempo em taça

 

lagarde-henry-gran-guarda,jpg30 Henry Grand Guarda nº 1 2009

Lagarde

Região: Luján de Cuyo, Mendonza

Site oficial: www.lagarde.com.ar

Uvas: cabernet sauvignon 39%, malbec 35%, petit verdot 13% e cabernet franc 13%

Importador: DeVinum

R$ 210,00

A voz do vinho: o vinho número 1 da Lagarde só é elaborado em safras especiais e passa dois anos em barricas de carvalho de primeiro uso. A palheta de aromas é ampla, com destaques para café, couro, tostado, tabaco do tempo em madeira, pimenta, fruto maduro. O paladar confirma esta impressão, tanto na intensidade como na qualidade dos sabores. Potente, sério, final longo. O corte muda bastante a cada ano, o que sugere a visão do enólogo como resultado do  que a natureza lhe oferece. Já havia provado o 2007, onde a cabernet franc predominava. Este aqui é um senhor mais sério.

Por que escolhi: um corte bordalês de respeito, vinho de decanter, de reflexão

Trivento-AMADA-SUR31 Trivento Amado Sur Malbec 2012

Bodega Trivento

Região: variadas em Mendoza

Site oficial: http://www.trivento.com/triv/site2.php

Uvas: malbec 70%, bonarda 18% e syrah 12%

Importador: VCT

R$ 58,00

A voz do vinho: da série dormindo com o inimigo, a Trivento é um investimento da gigante chilena Concha y Toro na Argentina. O vinho de corte busca um equilíbrio e puxa o que melhor tem cada variedade. Aqui a malbec aportou elegância, a syrah a estrutura e a bonarda ampliou a acidez e completou com frutas vermelhas. Um tinto macio, suave, com uma boa fruta fresca. Sempre na lista dos vinhos smart buys (boas compras) da Argentina.

Por que escolhi: pela suavidade da mescla e preço

 

 

premios_phi-eng32 Phi– Finca el Origen 2009

Finca el Origen

Região: Vale do Uco

Site oficial: http://www.fincaelorigen.com/

Uvas: malbec 79%, cabernet franc 11%, cabernet sauvignon 7% e petit verdot 3%

Importador: Casa Rio Verde BH

R$ 150,00

A voz do vinho: a Finca El Origen também tem suas raízes no Chile, são os mesmos proprietários da Santa Carolina. Vinhaço. Elegante, complexo, com todas as qualidades que um blend aporta a uma garrafa. Tem um estilo bordalês de ser. Passa 18 meses em barricas de carvalho. A malbec torna o vinho macio e floral, a cabernet franc traz especiarias e complexidade ao caldo, a cabernet sauvignon dá envergadura e mais aromas, frutas e aquele tiquinho de petit verdot ajuda na acidez, dando mais longevidade ao vinho. Um vinho de corte por excelência. O nome Phi é letra grega que representa a proporção, o número encontrado na natureza. Muito bom também o Finca el Origen Cabernet Sauvignon, um cabernet de zona fria com 12 meses de barrica, bons taninos, fruta negra.

Por que escolhi: pela complexidade e bom uso da madeira, que não encobre a fruta

 

enamore33 Enamore 2011

Renacer e Allegrini

Região: Luján de Cuyo

Site oficial: http://www.bodegarenacer.com.ar/

Uvas: malbec 45%, cabernet sauvignon 40% e bonarda 10%

Importador Vinhos do Mundo

R$ 165,00

Voz do vinho: o que acontece quando se junta um enólogo da região do Veneto (Paolo Mascanzoni, da Allegrini) com outro da Mendoza  (Alberto Antonini, Renacer)? Um tinto vinificado como um amarone do hemisfério norte mas com uvas do hemisfério sul, ambos representados pelas linhas em forma de novelo desenhadas no topo e na base do rótulo. As uvas ficam expostas ao sol e ao vento para perder cerca de um terço de sua água. Este método tradicional do Amarone se chama apassimento, que acaba concentrando mais o açúcar da fruta. Na boca a fruta vermelha é mais doce, o vinho macio, redondo. Interessante esta transferência de método para as uvas locais.

Por que escolhi: fácil de beber e agradar e, vamos combinar, um belo nome para um vinho

 

Durigutti34 Durigutti Familia 2008

Familia Durigutti

Região: Maipú e La Consulta

Site oficial: www.durigutti.com

Uvas: malbec 85%,  cabernet franc 3%, cabernet sauvignon 3%, syrah, 5% e bonarda 4%

Importador (sem importador no Brasil)

Voz do vinho: destaque para o belo aroma de ameixas,  floral e de especiarias. Na boca mostra um sabor delicioso, equilibrado e com boa persistência de seus frutos. Passou dois anos em barricas francês e foi engarrafado em outubro de 2010. Mostrou boa evolução e vai em frente.

Por que escolhi: tem um paladar encantador

 

diamandes35 DiamAndes de Uco Gran Reserva 2008

DiamAndes

Região: Vale de Uco

Site oficial: www.diamandes.com

Uvas: malbec 70% e cabernet sauvignon 25%

Importador: Magnum

R$ 180,00

A voz do vinho: para não dizer que esqueci de Michel Rolland, aqui uma ótima contribuição de seu expertise no estilo bordalês transportado para as características do hemisfério sul. A vinícola é um empreendimento do casal Alfred-Alexandre e  Michèle Bonnie, proprietário do Château Malartic-Lagravière e do Château Gazin Rocquencourt, em Bordeaux. 15 milhões de dólares de investimento depois eles inauguraram a estonteante Bodega DiamAndes onde elaboram parte das 1 milhão de garradas do vinho-consórcio Clos de los 7. Além desses rótulos também produzem a linha DiamAndes. Um bom viognier de entrada, um malbec e este gran reserva. O vinho passa 24 meses em barricas francesas de primeiro uso, é bem escurão, muito macio na boca, potente. As frutas negras e tostados são expressivas e elegantes. O conceito de viticultura de precisão alcança pontos de maturação mais precisos para as uvas selecionadas.

Por que escolhi: um novo clássico argentino

 

piatelli36  Trinitá Piatelli

Piatelli Vineyards

Regiões: Agrelo, Luján  de Cuyo e Vale do Uco

Site oficial: http://www.piattellivineyards.com/

Uvas: malbec, cabernet sauvignon, merlot

Importador: Vinhos do Mundo

R$ 205,00

A voz do vinho: vinhedos de 30 a 70 anos de cabernet sauvignon, malbec e merlot  fornecem a matéria-prima para esta belezinha. As varietais são afinadas em separado por 12 meses em pequenas barricas de primeiro e segundo uso preservando a fruta na composição do corte. A boca mostra cerejas negras maduras que aparecem antes nos aromas. Potente, de grande volume, vale decantar ou pelo menos deixar um tempo na taça para revelar seus frutos, toques de especiarias e os efeitos da barrica que ampliam o vinho mas não o esconde.

Por que escolhi: por que é delicioso de beber

 

Gonzalezodonnel37 Gongález O’ Donnell

Hacienda del Plata

Região: Luján de Cuyo

Site official http://haciendadelplata.com/

Uvas: malbec 50% e cabernet sauvigon 50%

Importador: Wine to Go

R$ 232,00

A voz do vinho: a hacienda del Plata é um vinícola boutique de uma família de origem irlandesa, daí o nome no rótulo. São apenas 750 garrafas deste rótulo. O caldo passa 36 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso seguidos de mais 18 meses de envelhecimento em garrafa antes de ser comercializado. Elegante no nariz e na boca, combina em parcelas iguais a cabernet sauvignon e a malbec e desta disputa por espaço nasce um tinto de corte que é longo e de bastante impacto. Merece decantar antes de servir.

Por que eu escolhi: pelo privilégio de ter provado uma das 750 garrafas

 

bcrux38 Bcrux 2010 tempranillo

O Fournier

Região: La Consulta

Site oficial: http://www.ofournier.com/web/ar_00_es.html

Uvas: tempranillo, malbec e touriga nacional

Importador: Vinci Vinhos

R$ 114,00

A voz do vinho: o espanhol José Manuel Ortega Gil-Fournier tem uma história curiosa, largou a vice-presidência do Santander para se dedicar aos vinhos. Hoje possui vinícolas no Chile, Argentina e na Espanha natal. Mas montou morada na Mendoza, onde a mulher tem um premiado restaurante na vinícola e deve abrir outro na cidade. Os vinhos de O Fournier se distinguem por uma busca de qualidade sem exagero no preço. A linha BCrux é intermediária, é muito amplo na boca e apetitiso no paladar. O BCrux sempre foi uma mescla em que a tempranillo, não por acaso a uva de expressão da Espanha, foi protagonista, mas as outras uvas  que compõem a mescla  variam. Desde 2009 Gil-Fournier começou a acrescentar a portuguesa touriga nacional, que tem dado bons resultados e acrescentado mais  aroma ao tinto.

 Por que escolhi: os vinhos de Fournier merecem ser conhecidos, a linha Urban, na média de 50 reais, é um bom início

 

PascualTosoMagdalena39 Magdalena Toso 2011

Pascual Toso

Região: Maipu, Mendoza

Site oficial: www.bodegastoso.com.ar

Uva: malbec 60%, cabernet sauvignon 40%

Importador: Vinoteca Dibeal Brasil CIEBA

R$ 370,00

 A voz do vinho: expressão sublime da malbec, mostrando todo o potencial da região de Barrancas, em Maipú, Mendoza, combinado ao cabernet sauvignon. As uvas rigorosamente selecionadas em colheita manual, e depois fermentadas e enriquecidas em barricas de carvalho francês se transformam num vinho estupendo.  Muito intenso nos aromas, vai se abrindo aos poucos e revelando camadas de frutas, compotas, chocolate, a boca é o que mais me impressionou, um veludo, e um final longo e telúrico. A madeira integrada acrescenta e não doma o vinho. Potente e expressivo.

Por que escolhi: em degustações grandes costumo dar estrelas aos vinhos que provo como referência para o futuro. A memória gustativa era boa, a memória escrita marcou  cinco estrelas neste aqui.

Preços coletados em abril de 2014

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzido neste post sobre os vinhos argentinos.

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terça-feira, 1 de abril de 2014 Novo Mundo, ViG | 09:47

50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer. Parte 2 – malbec de Mendoza

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Nesta segunda parte da lista de 50 vinhos saborosos da Argentina que vale a pena conhecer, o destaque são os vinhos elaborados  100% com a uva malbec produzidos na região de Mendoza.

Nas próximas notas exploramos mais dois segmentos da  região de Mendoza – responsável por 80% da produção de vinho no país.

  •  melhores vinhos de corte (blends).
  •  varietais de outras uvas

Atenção, não se trata de uma lista dos melhores vinhos da Argentina, mas uma seleção da rica amostra de tintos e brancos que provei em uma semana em viagem por lá. Trata-se, como só pode ser, de uma seleção pessoal.

 Vinhos de Mendoza – Malbec 100%

Os vinhedos em Mendoza estão plantados em altitudes a 1.000 metros acima do nível do mar. Toda a região que produz vinho é donominada de Cuyo – engloba Mendoza, San Juan e La Rioja. Cuyo significa, no idioma Huarpe Mikayac, “o país dos desertos”. O que é uma realidade, e a água que vem das geleiras controlada pelo governo. Mendoza ainda se divide em cinco zonas: Norte, Leste, Centro, Sul e Vale de Uco. Luján de Cuyo, localizada no Centro, é conhecida como a “La Tierra del Malbec” e junto com Maipú é a região vitivinícola mais tradicional de Mendoza. São tintos mais estruturados, com frutas bem maduras, floral, com bom volume em boca e taninos macios. A região de Mendoza é um paraíso para quem aprecia vinhos. 80% dos vinhos da Argentina são produzidos ali. Nesta primeira etapa dos rótulos de Mendoza, começamos com os tintos de puro malbec. Deliciosos, tradicionais, inovadores. Tem de tudo, abaixo minha modesta seleção.

Riccitelli16 Republica del Malbec Blend de Terroir 2012

Matias Riccitelli

Região: Luján de Cuyo

Site oficial: http://www.matiasriccitelli.com/eng/index.html

Uva: malbec

Importador: (chegará ao Brasil pela Wine Brands)

R$: (na Argentina está classificado entre vinhos por mais de 50 dólares)

 A voz do vinho: uma nova geração, de calças coloridas e ideias idem, busca nada menos que a excelência no vinho argentino e ainda atrair um consumidor mais jovem. Matias Riccitelli faz parte desta geração. Provavelmente sua mamadeira era batizada com vinho.  Matias é  filho do lendário enólogo da gigante Bodega Norton Jorge Riccitelli. Todos os rótulos que já provei deste sujeito são espetaculares, sempre extraindo o melhor da malbec. São vinhos sedosos, intensos e complexos. Aromas de frutas negras, especiarias e muito equilibrado na boca, com vontade de quero mais. Levou o Trophie da AWA (Argentina Wine Awards) 2014. Vale conhecer também o Vineyard Selection Malbec, outro vencedor de medalhas. Este segundo puxa  mais para a elegância, e tem maior capacidade de envelhecimento, mas para tomar agora o Republica del Malbec me agradou mais.

Por que escolhi: talvez o melhor dos malbecs provados e pelo reconhecimento da nova geração

 

esvino 17 Es Vino Reserve Malbec 2009

Es.Vino/Finca Sophenia

Região: Tupungato

Site oficial http://www.sophenia.com/

Uva: malbec

Importador: não achei no Brasil, mas a World Wine importa a linha Finca Sophenia

R$:  (estava na categoria entre 13 e 20 dólares na premiação da AWA)

A voz do vinho: pois é, este tinto também foi premiado com um Trophie no concurso AWA 2014. Fiquei encantado com os aromas florais, sua fruta, a explosão em boca, a maciez e persistência do vinho. Não conhecia. A história da Es.Vino é curiosa. As herdeiras da Finca Sophenia, as gêmeas Eugenia e Sofia (daí o nome), receberam uma vinícola para chamar de sua quando tinham dez anos de idade. Depois de adultas deram vida ao sonho de um vinho moderno, para um público jovem, mas elegante. Eu diria que criaram um malbec sedutor, longo no sabor.

Por que escolhi: me encantei com a fruta deste malbec

 

LuigiBoscaMalbec18. Luigi Bosca Malbec Terroir Los Miradores 2011

Luigi Bosca

Região: Valle de Uco

Site oficial: http://www.luigibosca.com.ar/

Uva: malbec

Importador: Decanter

R$ 114,00

A voz do vinho: um grande malbec elaborado com clones provenientes de três terrenos diferentes da Luigi Bosca e plantada na Finca Los Miradores, no Vale do Uco, a uma altitude de 1.150 metros. Muito intenso, fruta expressiva, bastante longo no final de boca, aquela sensação do vinho que permanece depois de engolido. Boa acidez e ótimo corpo.

Por que escolhi: a mão do homem na seleção das uvas resulta em um belo malbec

 

PascualTosoMalbecreserve

19. Pascual Toso Reserve Malbec 2012

Pascual Toso

Região: Maipú

Site oficial: http://www.pascualtoso.com/

Uva: malbec

Importador: Vinoteca Brasil

R$ 59,00

A voz do vinho: esta é uma bela linha intermediária da Pascual Toso, a vinícola de Pauls Hobbs na Argentina. Tem boa persistência, é gostoso de beber, macio, mostra frutas negras e boa relação de custo-qualidade. Da mesma linha, o Cabernet Sauvignon tem boa estrutura, taninos firmes e boa fruta.

Por que escolhi: bom preço e bom vinho

 

expressiones20.  Trapiche Malbec Single Vineyard  2011

Trapiche

Região: Mendoza

Site oficial: http://trapiche.com.ar/pt

Uva: malbec

Importador: Interfood

R$ 202,00 (safra 2008)

A voz do vinho: delicioso estilo de malbec, a fruta bem integrada, equilibrado, frutas vermelhas e negras, muito macio. Um trabalho do enólogo-chefe da Trapche, Daniel Pi, que separa o melhor malbec de várias regiões e produz este caldo delicioso.

Por que escolhi: exibido, foi destaque entre 16 malbecs de diferentes terroirs que provei em uma degustação de top malbecs.

 

Casarena_Malbec21 Casarena Lauren’s Vineyard 2011

Casarena Bodega y Viñedos

Região: Agrelo

Site oficial: www.casarena.com

Uva: malbec

Importador: Magnum

R$ 130,00

A voz do vinho: o rótulo é uma vista aérea geométrica e estilizada do vinhedo em Agrelo. Uma parcela única  abastece este vinho de floral intenso, a tal da violeta, quase um vidro de perfume em forma de vinho, e de boca ampla e sedutora. Um malbec feminino e sedutor, com ótima fruta e bastante macio. Para aqueles que apreciam a exuberância do primeiro impacto, mas exigem estrutura no paladar. Provei este vinho da safra 2010 e agora veio a confirmação de sua qualidade na safra de 2011. Quase um irmão gêmeo, o Casarena Malbec de Pedriel também merece uma visita. Boa qualidade por um preço compatível. Mais um enólogo da nova geração mostrando serviço: Bernardo Bossi Bonilla.

Por que escolhi: pela consistência, preço e qualidade

 

argento resreva22 Malbec Reserva Argento 2012

Argento

Região: Maipú

Site oficial: http://www.argentowine.com/pt/

Uva: malbec

Importador: Domno

R$ 45 reais

A voz do vinho: A enóloga Silvia Cort, responsável pelos vinhos desde 2004, é uma apaixonada pela malbec. Resultado: um caldo bem extraído, mais encorpado, que passa 9 meses em barricas de carvalho americano e francês e confere notas de chocolate, taninos macios e gosto de frutas negras.

Por que escolhi: tem personalidade e bom preço

 

LAMascota23 La Mascota Malbec 2012

Mascota Vineyards/Santa Ana

Região: Maipú

Site oficial: http://www.bodegas-santa-ana.com.ar/sitio-Por/index.php

Uva: malbec

R$ 60,00

 A voz do vinho: este malbec, da linha de criação especial do enólogo Opi Sadler, é macio, gostoso, passa 15 meses na barrica, traz grande satisfação no paladar e tem uma ótima relação custo-benefício. A Mascota é um projeto de vinhos premium da gigante Santa Ana, a vinícola número 1 em volume da Argentina

Por que escolhi: bom na taça e bom de bolso

 

 

SerreraGranGuarda24 Serrera Gran Guarda 2008

Serra Wines

Região: Valle do Uco

Site official: http://www.serrera.com.ar/

Uva: malbec

Importador: Hannover Vinhos

R$ 160,00

A voz do vinho: um malbec de 2008 que mostra como  evolui bem esta uva quando tratada com respeito. Passa mais de 14 meses nas barricas de  carvalho de primeiro uso e fica quietinho na garrafa mais um ano antes da comercialização. A boca é macia, redonda, potente e lembra aromas de frutas negras, especiarias e chocolate; o final é longo e delicioso. Um carinho no paladar. No Brasil a safra à venda é de 2006, que talvez mostre outras delicias da evolução.

Por que escolhi: pelo potencial de envelhecimento da malbec

 

puntofinal25 Punto final – Reserva Malbec 2011

Renacer

Região: Perdriel, Luján de Cuyo

Site oficial: http://www.bodegarenacer.com.ar/

Uva: malbec

Importador Vinhos do Mundo

R$ 99,00

A voz do vinho: O rótulo deste belo malbec é repleto de termos que descrevem as sensações provocadas pelo vinho. Entre eles, aparecem aromas de frutas vermelhas, notas de especiarias, taninos suaves, final harmonioso. É um vinho com legenda, delicioso e de uma malbec agradável ao paladar.

Por que escolhi: agrada de início e prazeroso de beber.

 

Preços coletados em abril de 2014

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzido neste post sobre os vinhos argentinos.

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 Novo Mundo | 12:48

Você conhece vinho argentino? Um passeio pelas regiões vinícolas da Argentina

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Finca Cruz del Alto

Vinhedos da Finca Cruz del Alto, da Bodega Trivento: malbec legendada e cordilheira ao fundo

 Você toma vinho argentino, não? Deve tomar. 20,21% do vinho importado que entra no Brasil vem do nosso vizinho mais ao sul da América de mesma latitude. No copo, pelo menos, nos entendemos. Mas será que você conhece mesmo o vinho argentino? Você já ouviu falar das regiões de Cafayate, Salta, Patagônia, Vale de Uco, Luján de Cuyo, San Juan ou apenas ouviu falar de Mendoza. Ou nem isso?

A maioria das garrafas que chegam ao Brasil são provenientes da região de Mendoza e San Juan, responsáveis por 90% da produção do país (201,441 hectares de vinhedos, para ser mais preciso). Mas há duas outras regiões que produzem tintos e brancos que merecem ser conhecidas: a distante Patagônia, mais ao sul, e a quase boliviana Salta/Cafayate (pronúncia-se Cafajate), localizada mais ao norte. E você pode se perguntar. E qual a importância deste momento Wikipedia para eu continuar desfrutando meu vinhozinho argentino?

Leia também Qual o melhor vinho argentino? Concurso escolhe os melhores rótulos em diferentes faixas de preço

Bom, conhecimento não ocupa espaço, como dizia minha mãe, e o pai dela. E conhecimento alarga nossa visão das coisas e nos amplia a possibilidade de conhecer novos vinhos da Argentina e talvez entender os já conhecidos. Há uma geração de apreciadores de vinho que se iniciou com tintos argentinos e chilenos, e muitos consumidores que apenas bebem vinhos importados destes países. As razões são conhecidas. O  principal argumento é o preço, obtido graças ao acordo tarifário do Mercosul que dá uma livrada na cara da montanha de impostos que incidem sobre a bebida importada. O outro argumento é que o vinho argentino caiu no gosto do brasileiro.

Sebastian Zuccardi e quinze tipos diferentes de malbecs: "É preciso comunicar o lugar"

Sebastián Zuccardi entre quinze tipos diferentes de malbec: “É preciso comunicar o lugar”

Eu achei que conhecia bastante vinho argentino, afinal sou de uma geração que se iniciou com os mesmos tintos argentinos e chilenos que o resto dos brasileiros apreciam. Mas a visita que fiz recentemente à Argentina mostrou na prática o que parece óbvio. As diversas regiões têm características diferentes que agregam sabores específicos para os vinhos produzidos. Afinal, são quilômetros que separam os terrenos, as diferentes altitudes, os climas e as diversas composições do solo. E mesmo dentro das regiões há estilos diferentes. O jovem enólogo Sebastián Zuccardi é um defensor do terroir argentino e de como ele influencia o sabor de um vinho. Para ele, mais importante que a varietal (tipo de uva) é a zona em que ele é cultivado. “A Argentina precisa comunicar o lugar”, defende. Mas nós costumamos uniformizar: é um malbec argentino. Esta é uma lição da viagem na taça. São diferentes.

Leia também: A Argentina não é só malbec. Mas é malbec também

Isso não significa que todo vinho argentino é bom, que alguns vícios do passado estejam totalmente ultrapassados (como vinhos carregados de madeira, desiquilibrados ou mesmo maquiados para atender expectativas do mercado internacional) ou que não existam verdadeiras zurrapas de preço baixo que são empurradas para o mercado brasileiro. Por isso mesmo um pouco mais de conhecimento ajuda na escolha da garrafa. A visita mostrou um cenário de constante evolução e profissionalismo da indústria, a riqueza das diversas regiões e uma boa estrutura ao enoturismo. Contra as ideias preconcebidas – devido ao sucesso de vendas o tinto argentino merece com frequência um ar de desdém por parte dos especialistas e crítica –  nada melhor que o conhecimento.

Argentina, um raio-X

A Argentina tem um consumo per capita de 25 litros por ano, já foi de 90 litros, imagine só. Para efeito de comparação, no Brasil são 2,0 litros per capita. O país consome cerca de 70% de sua produção e exporta entre 25 a 30%. É o oitavo maior produtor do mundo e também o oitavo país em superfície cultivada (mais de 217.750 hectares). Algumas características comuns influenciam e diferenciam a qualidade dos vinhos:

– altitude elevada dos vinhedos

– baixa fertilidade do solo

– baixo índice pluviométrico

– clima continental (sem influência do mar, do contrário do Chile, por exemplo)

– pureza da água (abastecida pela Cordilheira dos Andes)

– e até uma cultuta interna do vinho, que mantém um mercado interno aquecido.

Leia também: O vinho do papa Francisco é ou deveria ser Bonarda

As variedades tintas representam 52,31% da produção e as brancas 20,89%. São 1301 bodegas fermentando uva e engarrafando vinhos.

Principais uvas por volume de cultivo:

Tintas

Malbec 31,71%

Bonarda 17,42%

CabernetSauvignon 15,15%

Syrah 12,12%

Merlot 5,82%

Tempranillo 5,85%

Sangiovese 1,83%

Pinot Noir 1,76%

Outras 6,53%

 

Brancas

Pedro Gimenez  28,04%

Torrontés Riojano 18, 36%

Chardonnay 15,16%

Chenin 5, 68%

Torrontés Sanjuanino 4,78%

Sauvigon Blanc 5,39%

Semillon 1,97%

Vioginer 0,9%

Outras 18,70%

Vinhedos da Lagarde em XX, Mendoza

Terraço dn casa da Bodega Lagarde, em Luján de Cuyo: vista para as cordilheiras e para os vinhedos

Regiões – Mendoza

Mendoza é uma região que vive da fama de seus vinhedos. Diga lá que cidade do mundo tem vinhedos plantados no estacionamento do aeroporto? O município é tomado por ruas largas e arborizadas e grandes praças. 80% da produção de vinhos da Argentina está concentrada em seus vales, limítrofes à Cordilheira dos Andes. Toda a região que produz vinho é donominada de Cuyo, – engloba Mendoza, San Juan e La Rioja. Cuyo significa, no idioma Huarpe Mikayac. país dos desertos (eu tenho uma tese, estas línguas indígenas tanto na Argentina como no Chile só servem para nomear regiões e rótulos de vinho, dando uma pegada de origem e mistério na coisa toda). E a terra é árida mesmo, o que é bom para o vinhedo, irrigado pela água que desce das geleiras, que é fortemente controlada pelo governo. A propósito, o ideal para a planta, segundo nos explicou Carlos Tizio, gerente geral do Clos de Los Siete, não é o estresse pela escassez de água, mas pelo déficit. Traduzindo, não dê 100% da água que a planta precisa, mas uns 50 a 60%, assim ela busca os demais nutrientes no solo, equilibra seu crescimento e mantém a qualidade das uvas produzidas. Os vinhedos estão em altitudes médias de 1.000 metros acima do nível do mar.

Quase todas as variedades de uva são plantadas aqui. Mendoza ainda se divide em cinco zonas: Norte, Leste, Centro, Sul e Vale de Uco. Luján de Cuyo, localizada no Centro,  é conhecida como a “La Tierra del Malbec” e junto com Maipú é a região vitivinícola mais tradicional de Mendoza. São tintos mais estruturados, com frutas bem maduras, floral, com bom volume em boca e taninos macios. Mas também há produção de bons bonardas e de cabernets sauvignon muito interessantes. O corte bordalês costuma ser usado nos rótulos top de gama. Curioso. Mesmo as vinícolas com grande expressão em malbec quando vão elaborar o seu vinho ícone costumam preferir vinhos de corte. Perguntei a razão para um enólogo que preferiu responder sem ser identificado: “O vinho de corte é um trabalho do enólogo, que pode escolher as melhores variedades produzidas naquele ano em seu vinhedo”. Até aí nenhuma novidade. Mas por que não a malbec 100%, insisti? “Talvez por que  por que a malbec não seja ‘a melhor uva’ argentina, mas sim a que melhor representa o país”. Claro que há rótulos de altíssima gama apenas da varietal malbec, e com exclentes resultados, mas é mais comum encontrar os ícones com a malbec acompanhada de cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc…

As vinícolas mais conhecidas, aquelas que você esbarra no supermercado e na carta dos restaurantes, estão espalhadas pela região. Nomes como Achaval Ferrer, Terrazas, Finca Flichman, Luigi Bosca, Pascual Toso, Lagarde, Salentein, Catena Zapata, Alta Vista, Alto Las Hormigas, Septima, Argento, Escoruhiela Gastón, Clos de los 7, Doña Paula, Dominio del Plata, La Celia, Kaiken, Chamiza, Rutinni, Nieto Senetiner, Navarro Correas, Norton, O Fornier, Pulenta, Ruca Malen, Trapiche, Trivento, Zuccardi. Além desses as menos conhecidas, mas de excelente qualidade,  como DiamAndes, Ricitteli, Casarena, Finca El Origen, Funckenhausen, Bodega Vistalba, Otaviano, Renacer, Serrera Wines, Durigutti e Hacienda del Plata, algumas sem importador no Brasil.

Cuyo é a maior região vitivinícola da América do Sul. Apenas para ilustrar o gigantismo da operação: a Santa Ana, pertencente ao grupo PeñaFlor, conta com mais de 50 enólogos em sua equipe, 1500 rótulos diferentes e produz mais de 150 milhões de litros de vinho por ano – 6 milhões de caixas apenas do rótulo Santa Ana. Um assombro. Aqui etambém stão concentrados grandes investimentos internacionais – é onde Michel Rolland tem seus vinhedos junto com outros seis proprietários franceses, no projeto Clos de los 7.

Quebrada das Conchas

Marte? Velho Oeste ? Não, Quebrada de las Conchas, na Ruta 68, que liga Salta a Cafayate: a força da natureza

Regiões – Salta/Cafayate

Para chegar até a região de Cafayate, onde está concentrada 70% da producão local de vinhos (pouco mais de 2.500 hectares), o viajante pega a sinuosa Ruta 68, passando pela deslumbrante Reserva Natural de Quebrada de las Conchas. É nada mais do que lindo! A natureza esculpiu lentamente, em milhões de anos, formas que lembram bichos, catedrais, castelos e barcos entre as montanhas de rochas que dominam o cenário. As diferentes formações geológicas tingem de verde, marrom, vermelho, branco e suas nuances multicoloridas as montanhas de pedras. É uma prova inquestionável de que o tempo da terra é diferente do tempo dos homens.

150 anos

Planta de 152 anos e ainda produzindo: raridade

Este cenário antecede a visita aos vinhedos de altitude da região de Cafayate. As parreiras estão localizadas entre 1.500 e 3.000 metros sobre o nível do mar (a região vitivinícola mais alta do mundo). A chuva é rara, 200 milímetros por ano. A colheita na região é realizada uma semana antes do que em Mendoza. Os vinhos têm uma ótima acidez e são mais amigáveis. A branca torrontés produz vinhos mais sutis e menos exibidos na região. Os tintos são mais intensos pois o sol, mais próximo pela altitude, faz com que as frutas engrossem as cascas para proteger as sementes, e como se sabe é nas cascas que se concentram aromas, cor e outros elementos dos tintos. Além do malbec vale conhecer seus cabernet sauvignon e cabernet franc. Uma curiosidade para enófilos de carterinha: na Finca de La Merced, na Bodega Etchart, parreiras de 150 anos ainda produzem uvas da variedade criolla e torrontés. Principais bodegas: Colomé, El Esteco, Amalaya, El Porvenir, Etchart, Michel Torino, Tukma, San Pedro de Yacochuya.

 

 

Regiões – Patagônia

É inacreditável imaginar que no meio daquele deserto cresçam plantas que resultem vinhos tão elegantes. Se Salta possui os vinhedos mais altos do mundo, a Patagônia exibe os vinhedos mais ao sul do planeta, no paralelo 39. Ao contrário das regiões de Salta e Mendoza, seus vinhedos estão entre 300 e 500 metros do nível do mar, proporcionando uma maturação mais prolongada das uvas. Em termos quantitativos, é quase um dedal de vinho comparado às outras regiões. A Patagônia é responsável apenas por 1,69% da area vitivinícola da Argentina.

 

Bodega del Desierto: não é apenas uma força de expressão

Bodega del Desierto: deserto não é apenas uma força de expressão

Por conta de suas condicões climáticas, dos ventos frequentes, baixa umidade e ampla diferença térmica entre dia e noite (algo como 20 graus) na época da maturação das uvas, o nível de acidez que se obtém é alto, com permite um bom potencial de guarda. O baixo rendimento dos cachos de uva impõe a produção de vinhos de qualidade. Inicialmente a região ficou marcada pelos pinot noir especiais, muito elegantes, de ótimo final de boca (o exemplo mais conhecido é o Chacra) e por um sauvignon blanc delicado. Mas há um enorme potencial também para um malbec mais fino, sem tanta extração, mais sutil nos aromas e paladar e com uma fruta que enche a boca.  As principais vinícolas são Bodega del Desierto, Familia Schroeder, Humberto Canale, Bodega del Fin del Mundo, NQN, Noemia, Bodegas Chacra

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzidos neste post sobre os vinhos argentinos.

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014 Degustação, Novo Mundo, ViG | 12:50

Qual o melhor vinho argentino? Concurso escolhe os melhores rótulos em diferentes faixas de preços

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18 jurados provaram 650 vinhos e usaram este ficha para escolher os melhores rótulos da Argentina

18 jurados provaram 650 vinhos e usaram este ficha para escolher os melhores rótulos da Argentina

Qual o melhor vinho argentino? Para tentar responder esta questão a Wines of Argentina, entidade que promove o vinho no país, realiza há 8 anos o concurso Argentina Wine Awards (AWA), que distribui medalhas de ouro, prata e bronze e trofeus dos melhores rótulos em várias categorias. É a premiação mais importante dos vinhos da Argentina, comemorada como um Oscar pelos produtores e uma baita ferramenta de marketing e qualificação do vinho – e claro uma oportunidade para vender mais garrafas e destacar os rótulos em outros concursos internacionais, publicações especializadas e incrementar a discussão nas redes sociais. Parafraseando a  vitoriosa campanha de Bill Clinton à presidência dos Estados Unidos: “É a divulgação, estúpido”!

Todos os anos são convidados jurados internacionais de alguma categoria ligada ao mundo do vinho. Isso dá musculatura, credibilidade e repercussão ao evento. Já fizeram parte desta comissão de notáveis, sommeliers, produtores e especialistas. Em 2014 foram os jornalistas especializados de 9 países que beberam e cuspiram mais de 650 amostras para definir as melhores do ano. O slogan explicitava o espírito da coisa, eram os “Heavyweight journalists in the ring”, algo como os jornalistas peso-pesados no ringue. Entre o time dos jurados destaques para o inglês Steven Spurrier (que a propósito não deve mais aguentar concursos, mas leva uma boa grana para abrilhantá-los com sua experiência), o chileno Patricio Tapia, o americano Bruce Schoenfeld, o especialista de Cingapura Tommy Lam, o sommelier sueco Andreas Larson e o chinês Demei Li. O Brasil, importante mercado para os vinhos argentinos, estava representado pelos jornalistas Jorge Lucki, do Valor Econômico, e Suzana Barelli, da revista Menu. Jornalistas e colunistas de vinho de vários países também são convidados para acompanhar a premiação e o seminário que antecede a entrega das medalhas (entre eles este colunista que vos escreve, ver declaração abaixo). Não são bobos estes argentinos…

Leia também: A Argentina não é só malbec. Mas é malbec também

Como funciona o concurso

São doze jurados internacionais e 6 nativos, divididos em seis grupos de três componentes, sempre composto de dois convidados internacionais e um representante argentino. Importante ressaltar que este elemento fã do Maradona e do Messi nunca degusta rótulos que tenha alguma ligação comercial ou tenha sido feito em sua bodega, pois seria fácil reconhecer seu vinho e dar uma forcinha na premiação. São 20 categorias por variedade de uva, e cinco diferentes faixas de preço (em dólar), e finalmente região. É uma divisão importante, pois compara laranja com laranja (no caso uva com uva), pois o maior problema de alguns concursos é colocar no mesmo cesto vinhos de 15 dólares e de mais de 50 dólares e julgar tudo junto. Mas atenção, este não é o preço no Brasil!

Para definir os prêmios mais importantes, chamados de Trophy, os doze jurados se reúnem para experimentar mais uma vez os vinhos condecorados previamente com o ouro e assim definem o campeão dos campeões em cada categoria.

Leia também: O vinho do papa Francisco é ou deveria ser Bonarda

A lista de premiados não é pequena (não são bobos estes argentinos…) Das mais de 650 amostras apenas 50 rótulos não mereceram medalhas. A distribuição de prêmios foi a seguinte: 58 ouros, 256 prata, 276 bronze e finalmente os 12 trophies e os destaques de quatro regiões produtoras (Norte, Mendoza, San Juan e Patagônia). A Argentina trabalha fortemente na divulgação das diferentes regiões vinícolas, algo importante, pois assim como não existe vinho francês, mas de alguma região da França, não existe um vinho argentino, mas uma diversidade de regiões – um tema para desenvolver em um próximo post.

The winer is…

Entre os escolhidos há representantes de várias tendências, dos vinhos orgânicos às marcas tradicionais; dos tintos de muita extração e musculatura às experiências de jovens enólogos que privilegiam a fruta e a inovação. Abaixo, estão os vinhos que levaram um Trophy para chamar de seu e grudar o selo na garrafa. Este colunista teve o privilégio de provar vários destes rótulos no dia seguinte à divulgação dos vencedores e mesmo sem a menor competência para julgar o que já foi julgado por gente muito mais qualificada, escolho as minhas preferências com o ViG (Vinho indicado pelo Gerosa).

Trophies – os melhores vinhos da Argentina segundo a AWA 2014

Espumantes – método tradicional

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Zuccardi Blanc de Blancs 2007- Familia Zuccardi

Importado pela Ravin

Torrontés

faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Colomé Torrontés 2013- Bodega Colomé

Importado pela Decanter

 Cabernet franc

selo-vinnho-betofaixa de preço  entre 20.00 e 29.99 dólares

Numina Cabernet Franc 2011- Bodegas Salentein SA

Importado pela Zahil

acima de 50.00 dólares

Andeluna Pasionado Cabernet Franc 2010- Andeluna Cellars Srl

Importado pela World Wine

Cabernet sauvignon

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Bramare Lujan de Cuyo Cabernet Sauvignon 2011-Viña Cobos SA

Importado pela Grand Cru

Malbec

selo-vinnho-beto faixa de preço entre 13.00 e 19.99 dólares

Es Vino Reserve Malbec 2012- Es Vino Wines

Ainda sem importadora no Brasil

faixa de preço entre 20.00  e 29.99 dólares

Alta Vista Terroir Selection Malbec 2011- La Casa del Rey SA- Alta Vista

Importado pela Épice

selo-vinnho-betofaixa de preço entre 30.00  e 49.99 dólares

Vineyard Selection Malbec 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

selo-vinnho-betofaixa de preço acima de 50.00 dólares

Republica del Malbec – Blend de Terroirs 2012- Riccitelli Wines

futura importação pela Wine Brands

 

Blends de tintos

faixa de preço entre 13.00  e 19.99 dólares

Paz Blend 2012- Finca Las Moras

Importado pela Decanter

 

faixa de preço entre 30.00 e 49.99 dólares

Field Blend 2011- Zorzal Wines

Importado pela Grand Cru

selo-vinnho-beto acima de 50.00 dólares

Decero Amano, Remolinos Vineyard 2011- Finca Decero

 

 

Medalhas por região

Mendoza

Lindaflor Malbec 2009, Monteviejo

Norte

selo-vinnho-betoSerie Fincas Notables Malbec 2011, Bodega El Esteco

Importado pela Bruck

 

 

San Juan

Paz Blend 2012, Finca Las Moras

Importado pela Decanter

Patagônia

selo-vinnho-beto Fin Single Vineyard Cabernet Franc 2010, Bodega del Fin Del Mundo

Importado pela Mr Man

 

 

O que dizem os jurados sobre vinho argentino e seu mercado

A AWA convida jurados de vários países também por outros motivos: está ávida por informação dos mercados internacionais e por uma avaliação de seus vinhos de gente que bebe tintos, brancos e espumantes de todas as regiões do mundo. Na Argentina, como em todo país produtor, praticamente só se bebe vinho local (e por um preço de dar inveja a nós brasileiros). Um painel com este time trouxe informações valiosas.

• o chinês Demi Li, enólogo e professor, alertou para a complexidade do mercado de seu país de proporções continentais, com números que sempre iniciam na casa do bilhão de qualquer coisa. Com gente saindo pelo ladrão, e um potencial imenso, recomendou a simplificação da imagem para o consumidor chinês. Por exemplo, recomendou evitar muitos descritivos do vinho. Disse que o conceito de harmonização é algo que passa longe da realidade do consumidor chinês (e de praticamente todo habitante deste planeta, com execeção, talvez,  de você que me lê e dos homens que cospem vinho). Para exemplificar sua tese mostrou um slide com a imagem de uma refeição típica de uma das regiões do país com inúmeros pratos  diferentes e desafiou” “Vocês conseguem propor alguma hormonização com isso”? Outro dado curioso, que desmente a imagem do consumidor que mistura vinho com coca-cola: o chinês não gosta de vinho doce, e aprecia o branco.

• O americano Bruce Schoenfeld, editor de Travel+Leisure,  e colaborador de  publicações, como Wine Spectator, serviu à plateia um chardonnay de Washignton, EUA, e comentou: “Este vinho é ótimo, mas não copiem, nós já temos isso nos Estados Unidos. O melhor vinho não vem do marketing, mas de sua identidade”.

• O brasileiro Jorge Lucki deu um banho de realidade sobre a  atual situação do mercado brasileiro de consumo de vinho apresentando duas visões, o copo meio cheio, que é o potencial de consumo a ser explorado – o consumo per capita de vinho no Brasil ainda é baixo, de 2 litros per capita por ano, contra 25 da Argentina, por exemplo-, o conhecimento de uma pequena elite sobre os vinhos do topo da pirâmide (cada vez mais adiquiridos em viagens ao exterior); e o copo meio vazio, mostrando uma tabela com a carga tributária imensa que eleva o preço do vinho naquele patamar que todos conhecemos bem, ou seja sete vezes mais caro que o valor que ele sai do país de origem, a queda de consumo em restaurantes, e a enorme concorrência com rótulos de todo o mundo. E fez um alerta aos produtores presentes: “Não fechem negócio com importadoras novas e sem experiência”. É, o Brasil não é para amadores!

leia também: Chile e Argentina dominam o mercado de importação de vinhos no Brasil

• O sommelier Andreas Larsson, que além de ostentar o título de melhor sommelier da Europa também colabora para publicações especializadas, pôs o dedo na ferida e condenou a estratégia de apostar somente na varietal malbec como a identidade argentina. “Sem querer tirar o mérito da malbec, provei blends muito mais ricos e importantes”.

• Steven Spurrier nadou contra a corrente dos críticos que reclamam muito dos vinhos alcoólicos. Para ele assim como na Califórnia, o álcool elevado é uma característica do vinho argentino: “Não me preocupo com o álcool. O equilíbrio do vinho é que é o fundamental”

• Na explanação mais midiiatica e animadinha do dia, o representante de Cingapura Tommy Lam, que combina um coque beatnik no cabelo com um terno e gravata formal, levantou a bola da branca nativa torrontés como o vinho ideal para a comida asiática e com um identidade que deveria ser melhor trabalhada  pelos produtores assim como faz a riesling alemã.

Cabernet Franc

Uma unanimidade entre os paladares dos jurados ali reunidos: a uva cabernet franc surpreendeu por sua qualidade. Patricio Tapia, editor do importante guia Descorchados de vinhos do Chile e Argentina foi mais explícito: “Prestem atenção. Algo se passa com a cabernet franc da Argentina!” Esta variedade recebeu a medalha virtual “aposta do futuro”, se existisse esta categoria, Opinião que este vos escreve assina  embaixo (escreverei um post sobre o assunto em breve, comentando os cabernet franc degustados. Não morram de catapora de ansiedade!).

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzidos neste post sobre os vinhos argentinos.

 

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segunda-feira, 1 de julho de 2013 Degustação, Novo Mundo, ViG | 13:41

A Argentina não é só malbec, mas é malbec também

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É, o mundo do vinho (world wine) e o Cone Sul se renderam ao idioma do Tio Sam (Uncle Sam) mesmo. O evento chama-se Grand Tasting Argentina 2013, quem promove é o Wines of Argentina, a degustação principal atende pelo nome de Master Class, as visitas guiadas entre os participantes ganharam o título de Wine Walks e um dos malbecs mais surpreendentes da feira tem estampado no rótulo o nome The Apple Doesn’t Fall Far From The Tree. Tudo isso em São Paulo, é claro. O  objetivo é “mostrar ao mercado brasileiro a grande diversidade dos vinhos argentinos.” Mas nem tudo está perdido na defesa do purismo latino-americano, no mapa do belíssimo folder preparado pela Wines of Argentina com as principais regiões vitivinícolas do país, as Falklands continuam identificadas no mapa geral como Islas Malvinas…

Tertúlias idiomáticas e ideológicas à parte, havia um cheiro de frutas vermelhas e violetas no ar: um mar de malbecs invadiu os salões do hotel onde os argentinos expunham seus rótulos. Mas não só de malbec. Mais de 40 produtores desarrolharam suas garrafas e mostraram a qualidade e variedade de estilos de vinhos numa exposição significativa das três principais regiões vitivinícolas da Argentina. São elas:

Norte – Salta, Catamarca e Tucumán; aqui estão os vinhedos de maior altitude da Argentina.

Cuyo – Mendoza, San Juan e La Rioja; você provavelmente bebeu um malbec desta região, por aqui são produzidos 80% dos vinhos do país, sendo Mendoza a principal estrela.

Patagonia – Neuquém, Río Negro e La Pampa; os vinhedos mais ao sul do planeta são próprios para caldos mais delicados, tanto de brancas como sauvignon blanc como as tintas pinot noir e refinados malbec.

Vinhos argentinos, consumidor brasileiro

A Argentina ocupa o segundo lugar no ranking de importação de vinhos para o Brasil, com 20,38% em volume, só perdendo para o Chile (39,72%), com folgada dianteira de Portugal e França que estão respectivamente em terceiro ou quarto lugares, dependendo do critério que se use (volume ou valor). Nossos vizinhos colocaram no mercado brasileiro mais de 1,6 milhões de caixas de vinho em 2012.

Ou seja, inimigos no campo de futebol, a rivalidade é superada na taça. É o vinho do dia-a-dia de muito brasileiro, de iniciação para muita gente, incluindo alguns especialistas que deram seus primeiros goles em malbecs e cabernets dos pampas e hoje olham com desdém para os fermentados vizinhos.

Côt, mas pode chamar de malbec

Não tem como escapar do chavão: a malbec é sinônimo de vinho argentino. E com justiça.  É o maior produtor mundial da uva. Só para contextualizar, do total de hectares plantados um terço é de malbec.  De origem francesa, de Cahors, em Bordeaux, onde atende o nome de Côt, a malbec encontrou abrigo em terras argentinas e com melhorias no plantio e cuidados na adega mostrou um enorme potencial; há caldos belíssimos, de variados estilos, e uma grande massa muito padronizada para o consumo de massa. Vinho do dia a dia é importante. Afinal de contas, às vezes a gente só quer um vinho palatável para acompanhar um prato ou matar a sede do fermentado de uva – e não pagar muito por isso.

Abaixo um vídeo da Wines Of Argentina com um pouco da história do Malbec e suas principais regiões

Os descritivos da malbec são unânimes na questão da cor: é um vinho profundamente escuro, nos aromas aparecem frutos negros, frutas vermelhas e algum floral em algumas regiões. Na boca se caracteriza pela maciez e doçura (quando doce demais é enjoativo), ganha grande expressão ao passar por madeira, adquirindo aí lembranças de cafém chocolate, tabaco e baunilha.

Uma frase do enólogo Angel Mendoza, citada no livro Vino Argentino, de Laura Catena, filha de Nicolás Catena, o grande responsável pela evolução na qualidade dos malbecs argentinos, resume bem as sensações que um malbec deve transmitir ao consumidor:

“Eu tenho uma agradável lembrança de Robert Mondavi, na ocasião em que ele visitou a vinícola Trapiche, em 1994, e me disse: ‘Um grande malbec deve impressionar por sua profunda e atraente cor escura, seu intenso aroma de frutas negras combinado com um toque de carvalho e seu paladar doce, macio como o bumbum de um bebê recém-nascido…’ “

VIG (Vinho Indicado pelo Gerosa) – Argentinos do Grand Tasting 2013

Como o evento quis demonstrar, existe uma Argentina além do malbec e ela merece ser conhecida. O Grand Tasting 2013 mostrou ainda que a uva tem potencial tanto para vinhos de primeira qualidade, em vôo solo, os chamados varietais, como acompanhada  de outras variedades (os blends).

O Blog do Vinho preparou um seleção de 15 vinhos exibidos na feira, que na opinião deste colunista representam uma amostra da qualidade e do potencial da Argentina de hoje (portanto estão de fora clássicos argentinos que você está acostumado ver por aí, como os do pai da Laura, ok?).

A seção especial VIG (Vinho Indicado pelo Gerosa) Argentinos do Grand Tasting 2013 está dividida em três blocos:

  1. 100% Malbec;
  2. Além do Malbec;
  3. Cortes: Malbec e Outras Uvas

VIG 100% Malbec

A pura expressão do malbec com seus aromas de frutas negras, frutado marcante, aveludado e até um pouco doce, onde flores e frutas se encontram, o álcool, às vezes alto, se integra com a madeira que entrega complexidade e um fôlego para um final mais prolongado.

Vallisto 2010
Vallisto – Valle de Cafayate – (http: www.vallisto.com)
Uva: 100% malbec
Importador: não tem

Este malbec é especial. É aquele tipo de vinho que tem identidade, personalidade e uma boa história. Três enólogos, Francisco Lavaque, Marcelo Pelleriti e Hugh Ryman se uniram para elaborar um blend (uma mistura) de malbecs. Cada um elegeu 5 parcelas dos vinhedos do Valle de Cafayate e juntos chegaram à concepção deste caldo surpreendente que ficou amaciando 12 meses em barrica e traz concentração de fruta e complexidade na boca e um nariz sutil de fruta queimada. De vida longa na garrafa. De se beber exclamando: ohhh!
Sem importador no Brasil. Ahhhh!

The Apple Doesn’t Fall Far from the tree
Matias Riccitelli  – www.matiasriccitelli.com
Uva: 100% malbec
Importador: não tem

Um vinho com este nome chama a atenção de imediato. A explicação dada pelo jovem enólogo Matias Riccitelli é a que segue: “Assim como uma maçã não cai longe da árvore, um vinho não pode ser elaborado sem uma história. Minha história reflete os ensinamentos de minha família e a paixão que caracteriza a todos e cada um de nós.” Matias, vale destacar, é filho  do prestigiado enólogo da Norton, Jorge Ricitelli.  Este malbec de vinhedos de mais de 15 anos, que estagia em barricas francesas por 12 meses, tem no seu DNA a tradição do aprendizado e a fagulha da inovação. É moderno, concentrado, com boa fruta e final longo. A suavidade e doçura dos taninos interagem com a boa acidez. Matias tem mais dois outros malbecs: Vineyard Selection e Republica del Malbec, este último ele considera a máxima expressão da malbec, elaborado a partir de vinhedos de 80 a 100 anos. São vinhos mais complexos – passam 16 e 18 meses em barrica -, mais sérios, mas eu aposto mais na proposta quase irreverente do The Apple Doesn’t Fall Far The Tree. Algum importador disposto a apostar no rapaz?

Casarena Lauren’s 2010
Casarena Bodega y Viñedos (www.casarena.com) – Mendoza/Agrelo
Uva: 100% malbec
Importador: Magnum
R$ 130,00

O rótulo é uma vista área geométrica e estilizada do vinhedo em Agrelo. Uma parcela única  abastece este vinho de floral intenso, a tal da violeta, quase um vidro de perfume em forma de vinho, e de boca ampla e sedutora. Um malbec feminino e sedutor, para aqueles que apreciam a exuberância do primeiro impacto, mas exigem estrutura no paladar.

Sottano Judas Malbec 2009
Bodega Sottano (www.bodegasottano.com) Mendoza
Uva: 100% malbec
Importador: Max Brands
R$ 300,00

Um tinto superlativo em tudo, inclusive no preço. Começa pela garrafa pesada – para muitos um quesito de qualidade, para mim apenas um esforço maior em manusear o vasilhame e um custo maior ao meio ambiente -, passa pela tinta escura, por uma explosão de aromas, pela madeira presente (18 meses de primeiro uso, francês e americano) e por uma estrutura marcante, um corpo e final intensos. Vinhão, mostrando todo o potencial da malbec. São produzidas apenas 5.000 garrafas desta belezinha que justifica seu nome por meio de sua história. Este caldo era produzido para consumo interno. Um dos filhos que comanda a bodega começou comercializá-lo, sem contar para a família. Desvendada a experiência, o tinto entrou em linha e foi  batizado como Judas, por conta da traição familiar. Tipo da história que ajuda a compor um mito, não faria muito sucesso em alguns bairros de São Paulo…

Terrazas Single Vineyard las Compuertas Malbec
Terrazas de Los Andes (www.terrazasdelosandes.com) – Mendoza –
Importador: Moët Hennessy do Brasil
R$: 205,00

Terrazas é um velho conhecido do consumidor brasileiro. Sua bem feita linha reserva é presença constante nas prateleiras dos supermercados. Sua etiquetas ensinaram ao consumidor a importância dos vinhos varietais de altitude. O malbec macerado e fermentado nesta garrafa vem de vinhedos antigos e únicos plantados a  1067 metros do nível do mar. O caldo é rico, concentrado, fino, de uma riqueza aromática e uma boca ampla. Aquelas frutas vermelhas doces, os florais típicos da malbec, mas sem excesso.

VIG Além do Malbec

As três grandes regiões da Argentina produzem também outros tipos de uvas, como cabernet sauvignon, cabernet franc, petit verdot. Destaque para a bonarda, outra variedade que merece representar o país como melhor expressão de sua terra. Entre as indicações um surpreendente semillon de 1942 de tomar de joelhos.

Pascual Toso Alta Reserva 2009
Pascual Toso – Mendoza (www.bodegastoso.com.ar)
Uva: 100% cabernet sauvignon
Importador: Vinoteca Dibeal Brasil CIEBA
R$ 100,00

A Pascual Toso é o vinho argentino mais vendido, em valor, no exigente mercado japonês. A consultoria do enólogo americano Paul Hobs ajuda um pouco, mas vamos combinar que o homem entrega. Este cabernet sauvignon de solo pedregoso interage por 24 meses em barricas de carvalho o que lhe aporta uma fruta madura, uma potência importante e revela tinto de classe e vigoroso. Trata-se da primeira safra da linha Alta Reserva. Começou arrasando. Quem disse que o papel dos consultores é sempre nocivo para o vinho e sua identidade, hein, Jonathan Nossiter?

Bonarda 2007 – Reserva Edição Limitada
Nieto Senetier (www.nietosenetiner.com.ar) – Mendoza
Uva: 100% bonarda
Importador: Casa Flora
R$: 100,00

Há anos este bonarda Reserva Edição Limitada é uma unanimidade. O tradicional rótulo dourado, meio brega, parece uma fivela, nunca decepciona. Vinhedos de 35 anos, 12 anos de madeira francesa. Um top bonarda. Tem um bom volume,  muita  expressão de fruta em boca, e uma boca redonda, ampla, que convida novos goles. Quer conhecer o potencial e a grandeza da bonarda? Prove este vinho.

Decero Petit Verdot 2010
Finca Decero (ww.decero.com) – Mendoza
Uva: petit verdot
Importador: Anna Import
R$: 145,00

Um varietal 100% petit verdot é quase uma ousadia. Não é uma unanimidade. Mas a mim me agrada muito. Comum em cortes, este petit verdot é parte do vinho ícone da Finca Decero, o Amano Remolinos Vineyard (R$ 240,00), que leva doses de malbec, cabernet sauvignon, petit verdot e tannat e exibe todo pimpão um final longo e harmonioso.  Para esta “Mini Edição” são selecionadas pequenas parcelas de petit verdot colhidas à mão, com baixo rendimento – o que dá frutos mais vigorosos. Na cantina passa 16 meses em barris de carvalho francês. Um ataque floral no nariz é seguido por um bom volume em boca  macio e boa acidez. O vinho redondo, sem arestas, agradável de beber. De petit, ele não tem nada.

Don Baltazar Cabernet Franc
Bodegas y Viñedos Casa Montes S.A. (www.casamontes.com.ar) – San Juan.
Uva: cabernet franc
Importador: Itanav Food & Beverages
R$: 60,00

A Argentina tem bons cabernets francs. Este Don Baltazar ainda tem o mérito de ser um vinho acessível. Uma fruta gostosa é seu principal mérito, que persiste no final da boca. Tem um nariz agradável algo de ervas e baunilha. Um vinho que convence, mas não é convencido. E demonstra a qualidade desta uva pouco conhecida em carreira-solo.

Lagarde Semillon 1942
Lagarde – Mendoza (www.lagarde.com.ar)
Uva: semillon
Importador: DeVinum
R$: 500,00 (quando decidem vender)

Você não vai conseguir comprar este vinho. Nem eu. Este é aquele tipo de vinho de exibição que algumas vinícolas têm a sorte – e o privilégio – de exibir em eventos como este. Vale pela história, vale pelo vinho. Quando adquiriu a bodega em 1975 a família Pescarmona deparou com um tonel com capacidade de 1.800 litros de um semillon (uma uva branca) de 1942! É quase como ganhar na loteria sozinho. Conta-se que era comum em Mendoza, em meados do século passado, usar 5% de vinho branco para dar uma amenizada no caldo tinto. No caso da Lagarde a fórmula era 95% de malbec com 5% de semillon. Em raros anos era elaborado em semillon de colheita tardia. Este foi o tonel encontrado. O vinho terminou de ser engarrafado em 1990 e restam apenas 250 garrafas que somente em ocasiões especiais são abertas e raramente comercializadas. A última garrafa foi vendida por cerca de 500 dólares. O vinho tem uma cor amarelo ouro, um aroma intenso de frutas secas, seco na boca, tem um toque oxidativo típico que lhe confere uma nobreza e um final longo. Às cegas você jura que está bebendo um Jerez, do estilo amontillado. Uma raridade premiada em todo o mundo e exibida como joia da coroa da Lagarde. Foi um privilégio, eu sei. É um vinho de exibição e eu fui um pouco exibido. Espero não ser alvo de passeatas…

VIG Cortes: Malbec e Outras Uvas

Vinhos de corte são basicamente vinhos de autor, onde o enólogo mais exerce sua influência no resultado final da bebida, pois sua decisão de quais uvas e usar e em qual quantidade desenham o estilo do vinho. A malbec é quase sempre protagonista, mas enriquece muito escoltada por outras uvas.

Norton Privado 2009
Norton (www.norton.com.ar) – Mendoza
Uvas: Malbec 40%, merlot 30%, cabernet sauvignon 30%
Importador: Wine Brands
R$ 93,00

Jorge Riccitelli, o chef de cozinha dos vinhos da Norton, foi escolhido o enólogo do ano pela Revista Wine Enthusiast em 2012. Ele comandou uma degustação no evento Wines of Chile e apresentou, com alguma modéstia, sua criação. Trata-se do top de linha da Norton, Privado da safra 2009. Um bom vinho, agradável nos aromas de frutas maduras e uma lembrança de café da manhã na boca, com traços de café no final de boca (olha a barrica aí, gente!). Os 14,8 graus de álcool não são perceptíveis. Descansa (ou trabalha depende de como se vê as coisas) 16 meses em barricas de carvalho francês e ainda aguardar mais uma ano na garrafa antes de sair para a mesa do consumidor. E o preço não assusta.

Trapiche Iscay 2008  Malbec Cabernet Franc
Trapiche (www.trapiche.com.ar) – Mendoza
Uvas: malbec 70%, cabernet franc 30%
Importador: Interfood
R$ 200,00

Este negócio de juntar dois enólogos (ou mais), duas uvas de parcelas diversas e fazer um vinho parece que dá mais certo do que errado.  Daniel Pi, o enólogo-chefe da Trapiche, e Marcelo Belmonte, diretor de viticultura, elaboram este belo blend que varia na seleção das uvas de acordo com a safra. Iscay, na linguagem quéchua, dos incas, significa dois. A mistura da emblemática malbec com a cabernet franc traz a junção da sensação da fruta madura e notas de especiarias com um delicioso toque balsâmico. A safra de 2010 traz a combinação syrah (97%) e viognier (3%) e é simplesmente soberbo, às cegas, dir-se-ia, nobre colega, tratar-se de um legítimo Rhone, com suas características de especiarias, toques terrosos e bela acidez. Já que Iskay é sempre duplo, fica a indicação dos dois blends, ambos a 200 contos.

Tukma Gran Corte 2010
Tukma (www.bodegatukma.com.ar) – Salta
Uvas: malbec 65%, tannat 26%, cabernet sauvigon 15%
Sem importador no Brasil

Um vinho de altura, ou seja com vinhedos plantados a 1700 metros do nível do mar. O malbec se mostra na entrada, com o floral gostoso, na boca uma mistura de chocolate com tabaco, como aqueles aromas de cigarrilhas aromatizadas, no final um toque de especiarias. Boa estrutura, belo exemplar da capacidade da malbec ganhar quando misturada com outras uvas. Deve envelhecer bem na garrafa.

Henry Grand Guarda nº 1 2007
Lagarde – Mendoza (www.lagarde.com.ar)
Uva: cabernet franc 40%, malbec 31%, syrah 29%
Importador: DeVinum
R$ 210,00

O vinho número 1 da Lagarde,  como sugere o nome, só é elaborado em safras especiais e passa dois anos em barricas de carvalho de primeiro uso. A palheta de aromas é ampla, com destaques para café, couro, tostado, tabaco, pimenta, fruto do tempo em madeir. O paladar confirma esta impressão, quase um ambiente de uma charutaria em taça. Potente, sério, final longo e, curiosamente, a malbec não é protagonista, com a cabernet franc dando o tom nas frutas pretas e no toque floral.

Cheval des Andes 2007
Terrazas de Los Andes (www.terrazasdelosandes.com) – Mendoza
Uvas: malbec, cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc e petit
verdot
Importador: Moët Hennessy do Brasil
R$ 320,00

Você chegou até aqui? Respeito a persistência. O mundo é dos perseverantes. E o prêmio é este clássico argentino, que poderia muito bem ser um clássico bordalês ou internacional. Trata-se de um Grand Cru dos Andes. A comparação não lhe cai mal. Até por suas origens: o Cheval des Andes é fruto da fusão do Chateau Cheval Blanc, de Saint Emillion e o Terrazas de los Andes. Refinado desde o rótulo simples, é uma combinação de complexidade e elegância de sabores, que vai crescendo com o tempo na taça, que deve evoluir lindamente na garrafa. Ficar enumerando aqui as frutas e aromas não transmitiria o principal do vinho: sua persistência, elegância e o prazer que se tem bebendo.

Torrontés

Um incauto pode indagar, e a Torrontés? A uva branca clássica e nativa argentina? Ela estava lá, eu tomei alguns goles destes frascos de perfume em ampolas de vinho. Mas como bem pontuou o enólogo da Norton, o premiadíssimo Jorge Ricitelli: “A torrontés não tem meio termo, ou se gosta ou se odeia”. Eu estou no segundo grupo e não me sinto isento para julgar ou indicar. Que a entenda que o ƒaça. Fui.

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