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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016 Espumantes, Nacionais | 00:33

Com este calor, só um espumante salva!

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Verão, calor, sol, praia. O que falta nesta foto? Uma garrafa de espumante!

Verão, calor, sol, praia. O que falta nesta foto? Uma garrafa de espumante!

A despeito dos conselhos dos manuais de estilo das redações – quando ainda existiam manual, estilo e redações, não necessariamente nesta ordem –, eu repito o título neste início de texto: com este calor, só um espumante salva!

O verão resolveu castigar aqueles que estão trabalhando (alguém?) e presentear o povo das areias, rios e piscinas com uma bola de fogo que deixa rastros de suor até a madrugada. Resumindo: está um calor dos diabos. E se a bebida é um vinho, o espumante é a melhor opção.

O espumante é um vinho com explosão, de alegria, de comemoração. Se existe método na elaboração, há pouco rigor no consumo. Não é à toa que hoje existe uma certa moda de um tipo de espumante mais doce que pede, melhor implora, dois ou três cubos de gelo na taça. Ninguém bebe espumante e suas variações (champagne, prosecco, lambrusco) analisando muito a qualidade do fermentado.  Não que seja desimportante. Há borbulhas horrorosas, simples, boas e espetaculares. Mas no geral o momento de celebração é mais relevante que a degustação. Tanto melhor então se qualidade e momento caminham juntos. E quantidade também, por que não? Uma taça sem um refil é triste e solitária como um número primo, dividido apenas por ele.

Per brindare un incontro

Espumante é fácil e delicioso de beber. Me ocorre uma associação meio maluca com a ginástica para explicar isso. Beber um espumante é como fazer polichinelo, aquele exercício leve, que inicia os treinos do colégio e que não humilha ninguém. Os movimentos são fáceis e não exigem maiores esforços na sua execução. Todos cumprem a tarefa. Seu oposto na academia dos vinhedos é um Bordeaux mais austero, um tinto encorpado do Chile, que exibem muque e potência, e degustá-los equivale a uma sequência de flexão de braços. Trata-se daquele exercício que que os saradões exibem seus tônus muscular com precisão e os garotos mais franzinos falham vergonhosamente: mal conseguem manter o corpo ereto quando se aproximam do chão, no geral protagonizando um balé destrambelhado de ancas baixas e ombros inclinados sustentados por músculos frágeis e trôpegos.

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Bebe-se espumante “per brindare un incontro” (Não é mesmo, Pepino di Capri?), para comemorar uma data, um negócio fechado ou apenas para curtir a vida mesmo. É o vinho do réveillon, por supuesto! Acompanha desde um petisco até uma refeição completa, ou ajuda a suportar aquela vernissage inadiável. Pode ser servido com pompa em um salão nobre, mas há um prazer incomparável de tomar um espumante na praia, com aquele marzão à frente. A garrafa suando no balde de gelo, a taça se enchendo de espuma e aquele primeiro gole rasgando o palato, com as bolinhas provocando pequenas explosões na boca.

Borá lá então romper a gaiola e provocar aquele estampido seco que libera as borbulhas e seu frescor quando expulsamos a rolha da garrafa! Abaixo alguns rótulos que não faltam na minha adega ou provei recentemente. Ah, não há nenhum exemplo dos tais espumantes para tomar com gelo. Pelo simples fato que não experimentei. Nem tenho muita vontade.

espumante-chandon reserve

Chandon Réserve Brut – é o espumante de qualidade e segurança do Brasil. Nunca falta na minha lista. Sempre bom revisitar. Mantém um padrão constante de excelência.  Borbulhas na medida, frescor, equilibrado e sem excessos. Lembra um pouco frutas brancas. Às vezes parece onipresente. Está em inúmeros supermercados, lojas, restaurantes em todo o país. Chandon na praia? Tem, sim senhor! Tem uma baita distribuição e um marketing esperto e boas ações (no geral compro aquele pack de fim de ano com seis garrafas e uma garrafona de 1.5 litro de bônus). É elaborado pelo método charmat. Traduzindo: a segunda fermentação, ou seja, a incorporação do gás carbônico na bebida (as bolinhas), é realizada em grandes cubas de aço inox fechadas, projetadas para aguentar a pressão do gás carbônico liberado na fermentação, que pode chegar a 5 atmosferas. Na teoria é um método usado para produtos de larga escala, mais barato, e não para bebidas mais refinadas. Para o enólogo francês Philippe Mével, diretor da Chandon Brasil, trata-se de uma avaliação equivocada. “Não é o método que determina a qualidade do espumante e sim a qualidade da uva, a vinificação adequada e o trabalho do blend que conferem seu sabor”, diz.

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Lírica Crua – a vinícola Hermann, em Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul é propriedade dos donos da importadora Decanter. O que poderia ser um passo arriscado para um conhecedor de vinhos e vendedor de rótulos consagrados mundo afora se revelou uma grata surpresa que só se fortalece com o tempo. Adolar Hermann trouxe como consultor o enólogo Anselmo Mendes, conhecido entre no meio como o “rei do Alvarinho”, uva branca típica da região do Minho. Decisão acertada. Da linha de espumantes como Bossa Nova e Lírica se destaca esta garrafa da versão Crua. Lançada no final de 2015, começa surpreendendo pela tampa metálica, igual de uma garrafa de cerveja, e intriga pelo visual turvo e conquista pelo sabor marcante. Mais uma vez entender o método ajuda decifrar a bebida. A Lírica Crua é elaborada pelo processo champenoise ou tradicional, ou seja, a segunda fermentação é feita na garrafa e deixa o vinho-base que irá se transformar no espumante mais tempo em contato com as leveduras. Aqui começa a diferença, no esquema normal estas leveduras são retiradas da garrafa no final do processo (por isso as garrafas giram em torno do seu eixo para empurrar as leveduras para o gargalo). O Lírica Crua dispensa esta etapa, conhecida como “degougerment”. So what? Os sedimentos (leveduras) ficam lá, dando esta cor turva (não se assuste), uma textura cremosa e aumentando a percepção dos aromas de panificação e das frutas cítricas. Palmas para a inovação, sempre bem-vinda ao mundo do vinho.

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Cave Geisse Nature
– às vezes, muitas vezes, eu me repito. Mas eu tenho uma atração por este rótulo da Cave Geisse – e felizmente tenho a companhia da minha mulher nesta opção. O enólogo é um craque com história para contar. Nascido no Chile foi responsável por anos pelos negócios da Chandon do Brasil. Em carreira-solo investiu na região de Pinto Bandeira, um belo polo de espumantes no Rio Grande do Sul. Elaborado pelo método tradicional, o Nature fica 180 dias fermentando e dois anos amadurecendo, em contato com as leveduras. Bastante seco, com zero grau de açúcar, privilegia a acidez, a sensação de frescor e tem uma pegada tostada. A uva Chardonnay predomina (70%), deixando o restante da composição para a Pinot Noir.

Espumante-Aurora-Pinto-Bandeira-Extra-BrutAurora Pinto Bandeira Método Tradicional Extra Brut – a cooperativa Aurora já tem espumantes clássicos consagrados e premiados (não dou muita bola para estas medalhas de concursos que pululam por aí, mas é uma evidência de qualificação). O Chardonnay da Aurora é um dos meus favoritos. Este aqui é uma tentativa de explorar o terreno de Pinto Bandeira, a mesma região do Cave Geisse, e elaborar pelo método tradicional um espumante mais classudo, extra brut, que dorme longos 24 meses em contato com as leveduras para dar maior complexidade de aromas e sabores. Eu acho que conseguiu. Tem personalidade e pegada, sem exageros nos tostados e delicadeza na boca. É uma boa aposta da Aurora que tem uma extensa linha para todos os bolsos e paladares.

 Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos e acessíveis

reserva_ouro_novo_rotuloSalton Reserva Ouro – tem sempre aquela pergunta. Me indica um espumante bom e barato? Bom e barato são definições imprecisas, mas no geral entendo que o consumidor quer tomar uma bebida prazerosa, com o perfil que identifica o produto e com um preço com um bom custo benefício. Aí eu indico o Salton Reserva Ouro (em torno de 45 reais, isso é barato para você? Well…), que sofisticou na apresentação e no formato da garrafa – é mais bonita, mas um transtorno para aqueles que têm adega climatizada em casa para armazenar nas prateleiras. Cítrico na entrada, tem um leve toque de pão torrado (resultado dos seis meses de contato com as leveduras). Frescor correto. O Reserva Ouro, além de tudo, me traz na lembrança a marcante figura de Angelo Salton, servindo seus vinhos nas feiras e eventos. E vinho também é feito de momentos assim.

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Mateus Spakling, rosé português

Sparkling Mateus Rosé – tem tudo para gerar um nariz empinado dos esnobes de plantão. Eu também olhei com desconfiança, confesso. Um espumante com o legado do Mateus Rosé, da gigante Sogrape, e de um preço não muito competitivo (em torno de 90 reais)? E para completar vem com esta  presepada de “Sparkling” no rótulo? Mas agradou de verdade. Tem aquela cor dos espumantes rosés que é uma delícia por natureza. Borbulhas no ponto, boa acidez. É um blend das uvas Shiraz e Baga, um tanto curioso, não pela Baga, responsável pelos bons espumantes da Bairrada, mas pela parceria com o Shiraz. No nariz, confirmando na boca, as frutas vermelhas silvestres esperadas de um rosé (morango fresco por exemplo), com um final mais doce. Um descritivo que me ocorreu apenas na terceira taça (jamais uma taça apenas de espumante, lembra?) foi a sensação da mordida de uma maçã, a acidez que provoca e o sabor e salivação que irradia.

Leia também: É um vinho português, com certeza

Piper

Champa francesa e meu cachorro

Piper Heidsieck – clássico, né? Aqui é o Champanhe com “gn”, da região do mesmo nome, que detém a exclusividade do uso do termo Champagne. Exclusivo, mas nem tanto, vai. Assim como os gauleses da revista em quadrinhos Asterix protegiam sua aldeia dos Romanos no norte da França, aqui no Brasil a situação se inverte. A Peterlongo se defende dos franceses e mantém o direito de exibir o nome champagne em seus rótulos, garantido pelo Supremo Tribunal Federal e não se fala mais nisso. Justo. É a produtora do espumante mais antigo registrado no Brasil, de 1913, e nos últimos anos vem se renovando com rótulos de alta qualidade. Voltando aos franceses… A casa, fundada em 1785, apresenta suas armas: boa espuma, cor palha, frutas secas antes e depois do gole e acidez correta. A Pinot Noir é maior destaque do blend (50%) que ainda tem 25% de Pinot Meunier e 20% de Chardonnay.

 

Jansz

“Comprei uma caixa”, disse meu amigo

Jansz Tasmania – um amigo recente, mas não menos importante, me apresentou esta belezinha no apagar das luzes de 2017. “Você conhece este espumante?, ele me perguntou enviando a foto pelo celular. Não conhecia, apesar de ser importado pela KMM, conhecida casa especializada em vinhos da Austrália e que recentemente expandiu seu catálogo para outros países. Gentilmente, ele comprou um caixa e me convidou para provar. Da Tasmânia, para ser sincero, minha única referência era do demônio da Tasmânia e o Taz, o desenho animado que representa o bicho. A proposta, desde 1975, foi de elaborar um espumante de alta qualidade. Serviço feito! O método – olha ele outra vez – foi batizado de “tasmenoise”, uma corruptela de champenoise. A empresa chegou a se associar com o consagrado produtor de Reims, em Champagne, Louis Roederer. O Chardonnay e o Pinot Noir dominam a mescla. Às cegas parece um champagne mesmo. Perlage (as bolinhas), finas e elegantes. Boa cremosidade, as frutas secas e panificação como colchão gustativo, e um final persistente e elegante. Abrimos uma garrafa, abrimos duas… Adorei este espumante do Taz!

 

E um bar de espumantes?

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Um wine bar de espumantes brasileiros no “miolo” dos Jardins

Não é má ideia, não? Foi outra experiência ligada ao mundo das borbulhas que experimentei recentemente. Foi inaugurada em São Paulo, no pedaço com o maior consumo per capita de vinho da cidade, na região dos Jardins. Trata-se  da Champanharia Natalício by Miolo. Fica na Haddock Lobo, 1327. Proposta testada em Porto Alegre, os vinhos são nacionais. O nome já entrega. Os espumantes – e outros rótulos — são exclusivos da Miolo. O wine bar abre às 11h da manhã e fecha só à meia-noite. Tá ali de bobeira às 11h30, antes da reunião? Uma taça de Miolo Cuvée Tradition Brut é uma possibilidade (20 reais). Saiu mais cedo? Happy hour com um Miolo Millésime Brut é uma escolha refrescante e mais refinada. O lugar ainda oferece tapas, tábuas de salames especiais e queijos, sandubas em um cardápio que promove harmonização com as borbulhas. Descontraído, o wine bar valoriza o vinho brasileiro sem discurso, nem nacionalismo barato. Oferece qualidade, variedade e quem sabe abre caminho para outras experiências parecidas na cidade.

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 Velho Mundo | 19:28

Galvão Bueno também torce para a Itália! Pode isso, Arnaldo?

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Roberto Cipresso e Galvão Bueno no lançamento do Brunello di Montalcino: bem amigos.

Roberto Cipresso e Galvão Bueno no lançamento do Brunello di Montalcino da dupla: bem amigos.

É isso mesmo o que você leu no título. O jornalista e locutor esportivo da TV Globo Galvão Bueno também torce para a Itália! Pelo menos quando o assunto é o vinho… Sua faceta de produtor de vinho nacional já era conhecida. É sócio do Grupo Miolo e proprietário (também com a Miolo) da Bueno Wines, com vinhedos na região do Seival, na Campanha Gaúcha, onde produz os rótulos Bueno Paralelo 31, o Bueno Couvée Prestige, e os Bueno Bellavista Pinot Noir e Sauvigon Blanc.

Nesta terça, dia 25 de fevereiro, uma nova parceria foi apresentada ao mercado, agora com o italiano Roberto Cipresso, que elabora Brunellos di Montalcino na região de mesmo nome na Toscana com o rótulo Bueno-Cipresso. “Eu sempre fui um vendedor. Já vendi de tudo, até enciclopédias. Há 40 anos vendo a emoção no esporte. Agora eu também vendo a paixão pelo vinho”. É o estilo Galvão de ser. E pode apostar que está realizado com o empreendimento.

Leia também: Bem, amigos, agora Galvão Bueno também é vinho

Leia também #enche a taça Galvão 

Roberto Cipresso é proprietário da empresa WineMaking, um estudioso e consultor em vinícolas na Itália e no exterior. Ele é palpiteiro da prestigiada bodega argentina Achaval Ferrer, por exemplo, e em mais sete países. Agora Cipresso incorpora na sua lista de clientes também o cargo de diretor técnico da Bueno Bellavista Estate, no Brasil. “É um projeto de um grande vinho que reúne grandes pessoas”, anunciou Adriano Miolo, diretor da Miolo Wine Group e sócio de Galvão.

Adriano Miolo: sócio de Galvão Bueno no mundo do vinho

Adriano Miolo, sócio de Galvão Bueno, prova o Brunello di Montalcino 2005

Premiadíssimo e reconhecido como um craque de Brunello, Cipresso também produz seus caldos na vinícola Poggio al Sole e La Fiorita, e agora estes rótulos da Bueno-Cipresso. “Sou uma pessoa de sorte. Faço aquilo que eu gosto”, enfatizou com uma taça do seu Riserva nas mãos. “A sangiovese é um ator extraordinário. Espero poder contribuir para sua expressão no vinho”

Um Brunello di Montalcino não é um vinho fácil. É um tinto longevo, de guarda. Obedece regras estritas da sua DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) de envelhecimento e tempo de garrafa antes de ser lançado ao mercado. São dois anos de barrica e dois de garrafa antes de o produtor começar a ver a cor do dinheiro. A uva é a sangiovese grosso e tem no DNA a alma do vinho italiano que é sua acidez natural (que junto do tanino é a fórmula para a longa vida na garrafa). A linha Riserva exige 3 anos de barrica e 3 de garrafa antes de ser lançada no mercado.

Além disso, é um vinho de terroir, o que na concepção de Cipresso obriga que as safras sejam diferentes a cada ano e que o homem, no caso o enólogo (ele próprio), respeite a fruta que a natureza gestou na elaboração do caldo.

É um vinho que não segue muito a tendência internacional de consumo imediato: exige mais tempo ainda de garrafa na adega. Aí sim ele desenvolve e entrega sua melhores notas terrosas, de frutas maduras e aromas balsâmicos e os taninos vão se afinando e amaciando. “São vinhos que estou fazendo para deixar para o meu filho mais novo, o Luca, e para os meus netos”, explicou  Galvão Bueno.

Os vinhos

IMG_2592Neste momento estão sendo lançados três rótulos no mercado. São produzidas 15.000 garrafas ao ano. Destas 5.000 chegaram ao Brasil. Quatro mil dos brunellos das safras 2007 e 2005 e 1.000 da linha riserva. Mais que qualquer avaliação que se possa fazer destes vinhos – são expressivos, bem-feitos e com aquele preço de altíssima gama – existe uma bandeira que é a de uma personalidade como Galvão Bueno atuando como embaixador de um mercado difícil no Brasil que é do vinho. Tanto no vinho nacional como do importado.

  • Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2007

2 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 3 anos de garrafa)

Preço: R$ 350,00

Ainda é bem novo, mais duro, melhor se ficar boiando um pouco na taça. A acidez é mais pronunciada, toque leve balsâmico. Melhor segurar  na adega.

  •  Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2005

2 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 6 anos de garrafa)

Preço: R$ 350,00

Já está mais crescidinho, já é quase um hominho, os taninos mais macios, tem umas ervas pronunciadas, a fruta madura vai evoluindo na taça, tem um toque terroso que sempre me agrada nestes vinhos.

  • Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino Riserva 2004

3 anos de barrica de carvalho francês e esloveno

3 anos de garrafa antes da venda (atualmente já tem 6 anos de garrafa)

Preço: não está definido ainda, mas deve girar em torno de R$ 500,00

O Riserva não é produzido em toda safra. Vinho de um ano quente, mostra muitas ervas no nariz, uma fruta madura fina, a acidez está lá bem ampla mas com uma estrutura bem equilibrada. Vai crescendo na taça. Vinho para poucos e para ocasiões raras.

 

 

 

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terça-feira, 7 de janeiro de 2014 Nacionais | 21:46

Conheça os vinhedos onde foi gravada a minissérie Amores Roubados

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Isis Valverde (Antonia) e Murilo Benício (Jaime) passeiam pelas vinhas da ficítica Vieira Braga. Ela existe, e fica do Vale do Rio São Francisco

Isis Valverde (Antonia) e Murilo Benício (Jaime) passeiam pelas vinhas da ficítica Vieira Braga. Ela existe, chama-se ViniBrasil e fica do Vale do Rio São Francisco

Uma minissérie nacional da Globo gravada no Nordeste não chega a ser uma novidade. Aquele sotaque mezzo carioca mezzo bainês, sempre motivo de hashtags nas redes sociais, também não é surpresa. Novo é o núcleo da trama girar em torno de uma vinícola encravada no Vale do São Francisco.

Logo no primeiro capítulo parreiras, adegas e vinhos em profusão serviram de cenário para a história que tem como protagonistas Cauã Reymond (Leandro) e Isis Valverde (Antônia). Cauã faz o papel de um sommelier pegador e de raiz; Isis Valverde protagoniza a herdeira da vinícola que foi estudar o tema na Itália. O resto dos personagens gravita em torno do ambiente do vinho e do casal principal e as primeiras cenas e anúncios da TV dão a entender que a maioria do elenco feminino vai degustar o galã principal em algum momento da história.

Pode ser surpresa para muita gente uma vinícola em pleno Nordeste, às margens do Rio São Francisco. Mas este “terroir” especialíssimo do vinho brasileiro, localizado no paralelo 8,5 – completamente fora da zona onde o resto do mundo cultiva vinhedos, também chamado de nova latitude – já tem história. Em 1984 a Vinícola do Vale do São Francisco, que produz os rótulos Botticelli, iniciou a plantação de seus vinhedos no local e apostou no vinho regional. Juntaram-se a ela, anos mais tarde, o grupo Miolo (no ano 2000), que produz espumante Terra Nova, na Fazenda Ouro Verde e a ViniBrasil, que tem no Rio Sol seu maior porta-estandarte do Vale do São Francisco.

Os vinhedos da ViniBrasil: semi-árido, muito sol e irrigacão com as águas do Rio São Francisco. Duas safras por ano.

Os vinhedos da ViniBrasil: semi-árido, muito sol e irrigacão com as águas do Rio São Francisco.

A Globo escolheu como cenário para a fictícia vinícola Vieira Braga a Fazenda Santa Maria, onde o grupo português Global Wines/Dão Sul trabalha a marca ViniBrasil desde 2002 (assim o logo VB que por vezes aparece no fundo da cena não cria um problema de edição). O Rio Sol começou como uma parceria do proprietário da importadora Expand, Otávio Piva de Albuquerque, e este grupo português que é responsável por rótulos consagrados do lado de lá do Atlântico como Quinta do Cabriz, Casa do Santar, Herdade Monte de Cal. Em 2008, Piva saiu do negócio e os portugueses se tornaram os únicos donos da marca.

Localizada às margens do rio São Francisco e com mais de 200 hectares de vinhas onde são plantadas as uvas das castas internacionais como cabernet sauvignon e syrah, e as tipicamente portuguesas como touriga nacional, tinta roriz, tinto cão e vinhão, a ViniBrasil é uma vinícola com características que fazem enólogos e entendidos de todo o mundo reverem seus conceitos. Ali são elaboradas até duas safras e meia por ano, graças à maneira de irrigar os vinhedos (por gotejamento) e ao clima quente e seco e com muitas horas de exposição ao sol.

Seus espumantes são mais leves e fáceis que os concorrentes do sul do país, muitas vezes mais doces também, o mesmo pode-se dizer dos tintos, feitos para consumo rápido e com orientação para o mercado exportador. Mas a região também produz vinhos de mais alta gama, desafiando ainda mais o gosto dos entendidos que têm preconceito pelos vinhos da região.

O Rio Sol Cabernet Sauvignon e Syrah (ViniBrasil) e o Testardi Syrah (Miolo) já foram premiados pelo concurso Top Ten da Expovinis – a megafeira de vinhos anual de São Paulo – como melhores tintos nacionais, respectivamente nos anos de 2008 e 2012. Ou seja, submetidos a júri de especialistas atropelaram concorrentes de maior prestígio e preço.

Degustaçãoi às cegas literal da minissérie Amores Roubados. Agora toda mulherada quer participar de uma... com o Cauã Raymond, é claro

Degustação às cegas (literal) da minissérie Amores Roubados. Agora toda mulherada quer participar de uma… com o Cauã Reymond de sommelier, é claro

Se as cenas dos vinhedos causou alvoroço no mundo do vinho que viu na oportunidade uma maneira de valorização da bebida no país da cerveja os telespectadores talvez estejam mais tentados a experimentar uma degustação às cegas à la Amores Roubados, que deu o que falar.

No primeiro capítulo a degustação às cegas promovida pelo sommelier-pegador foi um tanto literal. Além de esconder o rótulo das garrafas (é só isso a degustação às cegas, ok?) os próprios participantes estavam vendados enquanto eram estimulados a descrever as sensações que o vinho proporcionava. O que abriu espaço para o personagem vivido por Cauã Reymond exercitar seus conhecimentos de textura com a fogosa personagem vivida pela atriz Dira Paes.

Enquanto os especialistas de vinho comemoravam o destaque dado ao tema na minissérie da Globo nas redes sociais, o público feminino preferia salientar em seus comentários as qualidades gustativas de Cauã e começavam a imaginar na rede degustações às cegas com a mesma pegada.

Eu, que participo há anos de degustações às cegas, agora tenho de explicar em casa que não é assim que acontece. Por mais que a minissérie ajude a imagem dos nossos tintos, brancos e espumantes, o vinho na ficção tem sempre um retrogosto diferente, né não?

 

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, Rosé, ViG | 12:50

Espumantes nacionais para comemorar o fim do ano – rosé

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Quem resiste a um brinde colorido no final do ano?

Quem resiste a um brinde colorido no final do ano?

Se espumante é sinônimo de festa, o espumante rosé é uma festa bem mais colorida. É uma festa para os olhos, uma provocação para os sentidos. Experimente abrir uma garrafa numa reunião de amigos pouco habituados a um espumante rosé. Depois das piadinhas preconceituosas habituais “espumante gay, o vinho do Félix!”, o paladar frutado do rosé, sua persistência em boca e a impactante cor costumam agradar em cheio e o que era prevenção se transforma em opção de espumante.

Obviamente, nos espumantes rosés predomina a uva tinta, no geral a pinot-noir. Há duas maneiras de se obter o rosé com borbulhas: com a mistura de vinhos brancos e tintos ou pela maceração de uvas tintas (com ou sem a chardonnay) até se obter a cor desejada.

 Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

As principais características são os aromas frutados de morango, cereja, ameixa que se confirmam na boca e podem apresentar os toques de frutas secas e panificação dependendo do método como é elaborado, o tempo de garrafa e de contato com as leveduras.

Nesta lista de espumantes rosés nacionais há tanto vinhos que alcançaram sua cota de gás carbônico pelo método charmat como pelo método tradicional ou champenoise.

O espumante rosé, na opinião deste colunista, alia o frescor, a vivacidade, o efeito inebriante das bolhinhas ao potencial gastronômico. Tem potencial de acompanhar vários tipos de pratos e um paladar muito característico. É um vinho curinga que pode surpreender os incréus.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes rosés

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  • Excellence Rose Couvée Prestige (método charmat)

Uvas: 74% pinot noir e 26% chardonnay

Produtor: Chandon do Brasil

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 130,00

Site da vinícola: loja.chandon.com.br

Uma joia da Chandon. Um espumante fino, elegante e gastronômico de alta gama revelando a qualidade das uvas e o potencial que a vinificação em charmat pode obter. Tem uma cor rosada de boa intensidade, boa perlage e o melhor vem na boca, que confirma os aromas de frutas vermelhas, panificação e frutas secas aliado a uma acidez ampla. É um espumante para estalar a língua no final e esticar a taça pedindo mais uma dose. Tudo tem seu preço nesta vida, e o valor não é um passeio, mas se o objetivo é qualidade e não quantidade, vale a aposta.

Curiosidade: o champanhe deve muito a Barbe-Nicole Ponsardin, conhecida como Madame Clicquot ou pelo nome do rótulo que deixou de legado, Veuve Clicquot. Além de impulsionar um negócio que quase desapareceu no século 19, ela foi a responsável pela criação do champanhe rosé.

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  • Adolfo Lona Brut Rosé (método charmat)

Uvas: 60% pinot noir e 40% chardonnay

Produtor: Adolfo Lona

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 41,00

Site vinícola: www.adolfolona.com.br

O brut rosé do Adolfo Lona é, na minha modesta opinião, o melhor rótulo da casa. E também elaborado pelo método charmat. Na cor lembra um pouco casca de cebola. Tem uma elegância e uma leveza que encantam. No nariz, aromas marcantes de frutas vermelhas, com uma acidez vibrante e uma persistência gostosa na boca. Dividiu com o Salton Gerações (brut branco, completamente diferente) o primeiro lugar na degustação de espumantes promovida no final de 2013 pela Sbav (Sociedade Brasileira de Amigos do Vinho).

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  • Miolo Espumante Cuveé Tradition Brut Rosé

Uva: pinot noir e chardonnay

Produtor: Miolo

Região: Garibaldi, Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 46,00

Site vinícola: www.miolo.com.br

A descrição dos espumantes rosés costuma girar em torno de espuma, borbulhas, frescor, acidez e frutas vermelhas. Mas não tem muito invencionice mesmo. Se um belo rosé traz tudo isso, além de uma cor encantadora e algum bônus de torrefação e permanência é o que basta para torná-lo desejável. Este Miolo de alta gama é muito bem equilibrado e gastronômico e reúne todos os predicados acima.

 Curiosidade: a pinot noir, ao contrário da chardonnay, é uma uva mais difícil e menos consistente – há muita variação ano a ano. Mas é fundamental para elaborações dos espumantes rosés. O enólogo Violane Cafarelli, em entrevista à revista inglesa Decanter, diz que quanto ao estilo do rosé “é preciso escolher a mesma cor ou o mesmo sabor como perfil do espumante”. Há anos que a uva pinot noir está mais madura e com uma extração de cor maior, outras é mais rala. Aí é necessário escolher um maior ou menor volume de uva tinta na mistura ou na maceração do espumante. Uma alternativa vai privilegiar a cor, a outra os aromas.

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  • Pizzato Brut Rosé – (método champenoise/tradicional)

Uvas: pinot noir e chardonnay

Produtor: Pizzato

Região: Bento Gonçalves, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 48,00

Site vinícola: www.pizzato.net

Um rosé bastante persistente e saboroso. Uma cor rosada de boa intensidade. Bom ataque de acidez e de aromas de frutas vermelhas mais frescas. Encantou seu sabor e refrescância. Tem um preço competitivo que o torna uma boa alternativa de espumante rosé para as festas de fim de ano.

Curiosidade: a uva pinot noir produz refinados e saborosos tintos, como os vinhos da Borgonha, na França. Mas a uva, junto com a branca chardonnay, é muito utilizada na mistura de todos os tipos de espumantes. Há inclusive um tipo de espumante, que apesar de ser produzido apenas com a uva pinot noir, é vinificado em branco, o chamado blanc de noir. O resultado é curioso, pois os aromas e sabores de frutas vermelhas são perceptíveis em um espumante branco.

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  • Rosé Cave Geisse Brut (método champenoise/tradicional)

Uvas: 100% pinot noir

Produtor: Vinícola Geisse

Região: Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 78,00

Site vinícola: www.cavegeisse.com.br

A Cave Geisse é a queridinha dos críticos, recebeu elogios até da dama do vinho inglês, Jancis Robinson. Seu enólogo e mentor, o chileno Mario Geisse, tem um currículo de serviços prestados ao vinho na América do Sul. De cor salmão, este espumante é feito apenas com a uva pinot noir e passou dois anos sendo elaborado e envelhecido na garrafa. Muita fruta vermelha, um toque floral e uma espuma espessa e um sabor que enche a boca e permanece no palato. Elegante e estruturado. Uma delicia. Em um nível maior de complexidade e preço (R$ 130,00) a Cave Geisse oferece o Terroir Rosé Cave Geisse Brut.

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  • Villaggio Grando Brut Rosé (charmat)

Uvas: pinot noir e merlot

Produtor: Villaggio Grando

Região: Campos de Herciliópolis – Água Doce – SC

R$ 45,00

Alguns diferenciais chamam a atenção deste rosé. Primeiro, é um vinho de altitude (1.300 metros), depois, o corte acrescenta a uva merlot ao tradicional pinot noir. . E está aí uma mistura interessante que agrega um toque diferente nos aromas frutados. Tem uma boa cremosidade em boca. Os homens que cospem vinho do júri da ExpoVinis 2013 (incluindo este que vos escreve) elegeram como o melhor espumante nacional da feira. Tanta gente não pode estar errada ao mesmo tempo. E tem um preço interessante para a qualidade que apresenta.

RESERVA BLUSH 2011

  • Reserva Blush 2012

Uvas: 50% pinot noir, 50% chardonnay

Produtor; Casa Valduga

Região: Vale dos Vinhedos – Rio Grande do Sul

R$ 45,00

A linha reserva da Casa Valduga é elaborada em safras consideradas excelentes. Este rosé de 2012 está bem franco, de uma cor mais para casca de cebola, e bastante fresco e com alguma cremosidade, fruto dos 24 meses em contato com as leveduras. É um rosé mais elegante e menos exibido, e bastante gastronômico.

 

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014

 

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, ViG | 12:39

Espumantes nacionais para comemorar o fim de ano – parte II (método champenoise)

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abrechampenoise

Na segunda série sobre os espumantes nacionais para festejar o fim do ano, o Blog do Vinho destaca aqueles espumantes elaborados como os champanhes franceses. No primeiro post desta série, os destaques foram os espumantes nacionais elaborados pelo método charmat. Nesta coluna,  são os espumantes brasileiros elaborados pelo método tradicional, clássico ou champenoise – a segunda fermentação, aquela responsável pela mágica de produzir o gás carbônico, é realizada dentro da garrafa. A propósito, quer irritar um francês é só usar o termo champenoise para denominar o método em que a segunda fermentação dos espumantes é realizada na garrafa. Irritamos os franceses com o primeiro parágrafo, portanto. Como se sabe, o termo champagne é de uso exclusivo dos espumantes de excelente qualidade produzidos na região demarcada da França de mesmo nome.

Qual a diferença, afinal? Não é tudo vinho com borbulha? O bebedor ocasional de espumantes não está muito interessado em saber o processo de produção de um espumante, e sim em beber um bom vinho. Mas a diferença do método determina o estilo do espumante – muitas vezes seu preço e a qualidade. Se no charmat a segunda fermentação é feita em grandes cubas de aço inox, no método champenoise/tradicional a segunda fermentação é feita na própria garrafa, o que determina um maior e mais longo contato do vinho-base (a mistura original das uvas maceradas antes de ganhar o gás carbônico) com as leveduras e que confere, em geral, um vinho com borbulhas mais finas, uma espuma mais consistente e aromas de panificação, frutas secas e maior persistência em boca. Quanto maior o tempo de contato com as leveduras, mais complexidade e cremoso o espumante.

É um processo mais caro e manual que no final exige uma ginástica para a retirada das leveduras mortas. As garrafas são colocadas em cavaletes e giradas manualmente alguns graus por semana até chegar uma posição de 90 graus. O objetivo é concentrar o sedimento deixado pelas leveduras no gargalo para serem eliminadas antes de a garrafa ganhar a rolha definitiva e aprisionar os gás carbônico em seu interior. Este processo, conhecido pelo pomposo nome de remuage, pode soar algo bastante rudimentar, mas foi uma solução encontrada pela viúva Clicquot Ponsardin para aumentar a produtividade de seu champanhe em 1818 e que se mantém até hoje (em algumas vinícolas uma geringonça chamada gyropalletes faz esta movimentação automaticamente e num espaço de tempo menor).

O crítico inglês Hugh Johnson, em seu livro autobiográfico “A Life Uncorked”, algo como “Uma vida Desarrolhada” define o paladar de um bom champanhe  “como uma torta de maçã”. (O que em alguma medida também por ser aplicado ao espumante elaborado pelo método champenoise/tradicional). Johnson explica: “O doce aroma e o sabor das maçãs podem ser encontrados nos espumantes mais jovens, a parte da torta remete à segunda fermentação na garrafa, quando as leveduras acrescentam notas de panificação, ou pâtisseries, nas bebidas mais evoluídas – quanto mais evoluído o champanhe mais pâtisserie é encontrado”

(Nem tudo que borbulha é espumante. Entenda a diferença entre os vários tipos de vinho com bolinhas. Clique no link abaixo, está tudo explicadinho.)

Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

Muitas vinícolas verde-amarelas reservam suas melhores uvas, e consequentemente o melhor vinho-base, para os rótulos elaborados pelo método tradicional. São garrafas de linha ou até produzidas apenas em edições especiais. Também custam mais caro que os espumantes elaborados pelo método charmat. Em alguns casos alcançam resultados muito bons, em outros tentam ser mais do que são e perdem em autenticidade e tipicidade para seus “primos-pobres”, que trazem maior frescor e vivacidade. Como já foi comentado na coluna sobre espumantes charmat, também é uma questão de estilo do produtor.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes champenoise/tradicional

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  • Cave Geisse Nature

Uvas: 70% chardonnay, 30% pinot noir

Produtor: Vinícola Geisse

Região: Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 78,00

Site vinícola: www.cavegeisse.com.br

Você gosta de espumante seco, quase a ponto de trincar os dentes? Então você vai amar este Cave Geisse Nature, que é um espumante sem adição de açúcar (leia definição de classificação de açúcar em Curiosidade). Não é uma bebida fácil de ser produzida, mas aqui encontra o nível de excelência. Perlage intenso com bolhas pequenas e persistentes. Aromas tostados e frutas secas. Acidez equilibrada, para não deixar dúvida, bastante seco, o que amplia a harmonização com a comida. A Cave Geisse elabora grandes espumantes, no geral não tem erro. Basta escolher pelo estilo preferido e encher a taça.

 

Curiosidade: os espumantes podem ser classificados pelo teor de açúcar em

Nature (zero dosage): até 3 gramas por litro

Extrabrut: até 6 gramas por litro

Brut: menos de 15 gramas por litro

Sec: entre 17 e 35 gramas por litro

Demi-sec: entre 33 e 50 gramas por litro

Doux: acima de 50 gramas por litro

Sec, ao contrário do que parece, não é seco, mas levemente adocicado. Mais comum encontrar a expressão demi-sec. Doux dispensa explicações.

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  • Brut Adolfo Lona

Uvas: chardonnay e pinot noir

Produtor: Adolfo Lona

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.adolfolona.com.br

Este espumante da pequena adega artesanal comandada pelo argentino Adolfo Lona ficou mais de um ano em contato com as leveduras. O que lhe confere aqueles aromas e sabores mais intensos. Mais que isso, tem uma boca ampla. Um espumante tratado com respeito.

Dal Pizzol Quarenta Anos Nature

  • Dal Pizzol 40 anos

Uvas: chardonnay 25% e pinot noir 75%

Produtor: Dal Pizzol

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

Preço médio: R$ 130,00

Site vinícola: http://www.dalpizzol.com.br/

Para celebrar os 40 anos da vinícola familiar o enólogo Dirceu Scottá elaborou este Nature (sem dosagem de açúcar) de apenas 3.541 garrafas numeradas. Tem uma boa estrutura, e um tostado evidente, além de uma cremosidade resultado do seu tempo em contato com as leveduras (36 meses), que possibilitou também a dispensa do licor que acrescenta as várias dosagens de teor de açucar em um espumante (nature, brut, demi-sec, sec etc). Borbulhas finas e um frutado interessante e um rótulo bem estiloso completam a festa.

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  •  Pizzato Brut Branco

Uvas: 85% chardonnay e 15% pinot noir

Produtor: Pizzato

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.pizzato.net

Os espumantes da Pizzato estão de rótulo novo. Amplo na boca, boa acidez, bom corpo, uma certa cremosidade, permanece em contato com as leveduras por 12 meses. Tem um final refrescante. Se você gosta do estilo Nature, também pode provar o zero dosagem de açúcar da Pizzato. Uma opção mais barata mas também com bastante frescor é o Fasuto Brut Branco.

elegance-champenoise-brut

 

  • Elegance Champenoise Brut

Uvas: chardonnay e pinot noir

Produtor: Peterlongo

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.peterlongo.com.br/pt/

A Vinícola Peterlongo não é a maior nem a mais conhecida produtora de espumantes hoje em dia no Brasil, mas tem alguns marcos importantes em sua história: produziu o primeiro espumante  no Brasil (1915) e tem judicialmente o direito a usar o termo champagne em seus rótulos (taí outro que gosta de irritar os franceses). Acumula vários prêmios e esteve bem colocada em concursos como ExpoVinis 2011 e Concurso Playboy. Este espumante, ou champanhe brasileiro, se destaca pela coloração mais dourada e borbulhas finas e persistentes. Gostoso na boca.

Curiosidade: no século 19 o champagne era uma bebida com um teor de açúcar muito mais alto do que atualmente estamos acostumados. Era mais próximo de um licor com espuma, 250 a 300 gramas por litro! (um espumante demi-sec tem no máximo 50 gramas por litro). A responsável pela criação do espumante brut, mais seco, com menos açúcar, que estamos acostumados a beber, também é uma mulher: Madame Pommery, em 1874.

 

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  • Miolo Millésime

Uvas: 50% pinot noir e 50% chardonnay

Produtor: Miolo

Região: Garibaldi, Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 81,00

Site vinícola: www.miolo.com.br

Está um espetáculo este Miolo Millésime. Há muito não provava este top espumante e me surpreendeu. Longo, cremoso, persistente, grande qualidade em boca, um tostado instigante. Desde a safra de 2009 é um espumante com a certificação de origem, com o selo de  produto da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos.

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  • Casa Valduga Reserva Espumante Brut

Uvas: 70% chardonnay, 30% pinot noir

Produtor: Casa Valduga

Região: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul

R$ 63,00

Site vinícola: www.espumantesvalduga.com.br

A Casa Valguda só elabora espumantes pelo método champenoise/tradicional. Atualmente são dez rótulos. Desde o ícone da Casa, Maria Valduga, com 48 meses de contato com as leveduras, passando pelo excelente – e já recomendado neste blog -130 Brut, até a linha Arte. Este Casa Valduga Reserva só é elaborado em safras excelentes. Apresenta um agradável frescor em boca, uma boa persistência e aromas interessantes, com um toque picante. Apesar da excelência de linhas superiores, provei recentemente este Reserva e acho que é muito adequado para brindes de fim de ano e traz uma boa relação custo/qualidade.

 Curiosidade: os espumantes mais apreciados em festas, casamentos e confraternizações é o demi-sec. Agrada tanto os iniciantes no vinho, que sempre preferem uma bebida mais fácil e doce como aquele que já têm alguma experiência com espumantes. Mas no geral espantam os apreciadores de espumantes mais refinados e secos. Como o leitor pode reparar, não há qualquer indicação de espumante demi-sec nesta lista de dicas, o que revela o gosto do autor.

 

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  • Dunamis Brut

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Dunamis

Região: Catiporã, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 56,00

Site vinícola: www.dunamisvinhos.com.br

Novidade do mundo dos espumantes. A garrafa é linda, o rótulo um show. Mas você não bebe a garrafa, não é? Mas uma boa apresentação é parte da diversão. Um dos objetivos do enólogo, Thiago Salvadori Peterle, era de produzir um espumante champenoise mais delicado e jovial. Está no caminho. Tem uma cor amarelo palha. Bela persistência de bolhinhas finas, aromas de maçã verde, e um bom final de boca, com bastante frescor e paladar cítrico que provoca um sorriso no gole final.

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  •  Don Giovanni Espumante Série ouro

Uvas: 60% chardonnay e 40% pinot noir

Produtor: Don Giovanni

Região: Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul.

R$ 90,00

Site vinícola: www.dongiovanni.com.br/inicial

A pequena produtora Don Giovani pode ser desconhecida para aqueles que vivem fora do eixo vitivinícola do Rio Grande Sul, mas tem uma tradição de mais de 40 anos – originalmente a empresa pertenceu à Dreher. Em visita à adega alguns anos atrás pude provar toda sua linha de espumantes. E todos têm uma expressão de grande volume em boca, uma preocupação com a cremosidade e a acidez e uma complexidade no paladar que tornam o vinho bastante gastronômico. Uma bela surpresa para quem tiver acesso a uma garrafa.

espumante-lirica

  • Lírica

Uvas: 75% chardonnay e 25% gouveio

Produtor: Vinícola Hermann

Região: Pinheiro Machado, Rio Grande do Sul

R$ 66,00

Site vinícola: www.vinicolahermann.com.br

Adolar Hermann é mais conhecido por sua importadora de vinhos, a Decanter. Mas mesmo tendo à disposição rótulos do mundo inteiro decidiu ter um vinho para chamar de seu. Tem uma linha de espumantes mais focado no mercado externo a Bossa (charmat), que tem um paladar mais ligeiro. O Lírica é uma boa estreia de Adolar no mundo das borbulhas. É um espumante que privilegia a fruta, a acidez e o equilíbrio.

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014
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quinta-feira, 29 de abril de 2010 Nacionais | 12:51

Bem, amigos, agora Galvão Bueno também é vinho

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Galvão Bueno e Adriano Miolo no lançamento do Paralelo 31, na ExpoVinis: sucesso na feira

Galvão Bueno, o locutor mais assistido e comentado da TV brasileira, agora tem um vinho para chamar de seu. Para ser mais preciso, uma vinícola inteira. Trata-se da Bellavista Estate Bueno, localizada na região de Campanha, no extremo Sul do Rio Grande do Sul. A base do projeto está plantada, os vinhedos crescendo, o perfil do vinho definido, mas, como ele mesmo comentou, não dava para esperar cinco anos até que os primeiros frutos estivessem maduros e só então começar a colar seu nome em uma garrafa.”  O apresentador acalentava este sonho há muito tempo mas há cinco anos resolveu tocar a sério o projeto, e com auxílio de Adriano Miolo, enólogo e proprietário da vinícola de mesmo nome, encontrou o terreno, próximo dos vinhedos da Fortaleza do Seival, em Campanha.

Os primeiros rótulos lançados, o tinto Bueno Paralelo 31 e o espumante Bueno Couvée Prestige, são resultado de uma associação de sua incipiente vinícola com a consolidada Miolo Wine Group. O espumante usa as tradicionais chardonnay e pinot noir. O tinto é um corte de cabernet sauvignon (60%), merlot (30%) e petit verdot (10%). Galvão define esta parceria com uma frase de efeito: “O Adriano Miolo diz que se trata de um vinho elaborado a seis mãos: as minhas, as dele e a do consultor Michel Rolland. Mas eu digo que na verdade são quatro mãos, a dos dois enólogos profissionais, e um coração, o meu”.

Olá, amigos! Vai um vinho aÍ?

E como é o vinho afinal?

Quem tem acompanhado a assinatura Michel Rolland na Miolo já sabe o que vai encontrar. Cor bem escura, fruta madura, macio, toque de madeira. Um estilo novo mundo fácil de gostar, bem cuidado, um padrão atual dos vinhos de mais alta gama da Miolo.  Este é um caminho que o tinto nacional vem trilhando: uma bebida pronta e com um toque mais doce –  às vezes falta aquela acidez que era uma característica local, mas que também em excesso era um problema que deixava a bebida menos amigável.

Galvão Bueno apresentou seu vinho no estande da Miolo na terça-feira, 27 de abril, na feira internacional da ExpoVinis. Desnecessário dizer que ele roubou a festa. Era um gole do vinho e uma foto com os amigos, e inimigos, da Rede Globo. Galvão é um profissional da comunicação. Degusta um vinho como quem descreve uma musa. No lugar de frutas e flores traça paralelos com perfis femininos.

“Um merlot eu defino assim”, demonstra após tomar um pequeno gole do vinho: “Espetacular, uma beleza clássica, sensual, encantadora, mas no final da noite rende um mero suspiro.”

Já um cabernet sauvignon em sua visão teria a seguinte narrativa: “Esfuziante, agressiva, marcante, e, depois de 10 minutos, já está arranhando suas costas e falando no seu ouvido…”

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quinta-feira, 26 de março de 2009 Nacionais, Tintos | 23:42

O Beaujolais brasileiro tá na área?

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Todo dia 15 de novembro o tinto francês Beaujolais Noveau chega, ao mesmo tempo, em vários pontos de venda do planeta com um jargão já conhecido pelos enófilos: Le Beaujolais Noveau est arrivé! É uma festa! O Beaujolais é um vinho descomplicado, leve, frutado, de pouca extração de cor, feito para ser consumido assim que é lançado, de preferência quase gelado. O rótulo costuma ser bem colorido, com uma aparência moderna e divertida, bem no espírito do vinho. A uva é sempre a mesma: a gamay, a única variedade tinta permitida na Borgonha além da pinot noir.

No Brasil, a Miolo é uma das raras vinícolas a ter um gamay em seu catálogo. “É um tinto jovem e leve que se identifica muito com o nosso clima tropical”, avalia o diretor-superintendente da empresa, Adriano Miolo. É por que acredita no potencial de um vinho mais descompromissado, mas com qualidade, que a Miolo resolveu repaginar seu gamay.

Marionnet quem?
Para isso trouxe da França um dos mais conceituados conhecedores da uva gamay, o  produtor francês Henry Marionnet. Curiosamente o novo parceiro para este projeto é um vinicultor de Touraine, no Vale do Loire, e não da Borgonha. Seu nome estará colado à  campanha de lançamento da safra 2009 como sinônimo de aposta na qualidade. Até aí, tudo bem, o problema é que será necessária uma outra campanha, para explicar quem raios é Marionnet. No intuito de colaborar com a cultura do vinho no país, este Blog do Vinho, vai contar aqui quem é ele.

Henry Marionnet é proprietário da  Domaine de La Charmoise, e é considerado pelo crítico americano Robert Parker, no seu Guia Parker des Vins de France, como um dos melhores viticultores da França. A vinificação da gamay é uma de suas maiores especialidades. Em entrevista à revista francesa Le Revue du Vin ele declarou que desde a primeira colheita da variedade, em 1973 “o resultado ultrapassou todas as minhas expectativas”. Ali é produzido o vinho top de linha Domaine de La Charmoise, o Le Cépages Oubliet, que será comercializado no Brasil pela Miolo. Faz parte do acordo. Em contrapartida, nós vamos invadir o bistrô deles, e o gamay 2009 da Miolo será distribuído por Marionnet na Europa.

O dedo de Marionnet
Adriano e Marionnet se conheceram em outubro de 2008 em Paris, durante a Sial, Salon International de l’Agroalimentaire International. Foi lá que eles iniciaram o acerto da atual parceria. Seus palpites se limitaram ao processo de produção. Mas a mudança começou nas parreiras. A uva gamay deixou de ser produzida no Vale dos Vinhedos e passou a ser cultivada no Projeto Fortaleza do Seival Vineyards, na região da Campanha do Rio Grande do Sul: “As uvas ali apresentam melhor maturação”, comenta Adriano. A Miolo deixou de desengaçar as frutas para colocá-las junto com os cachos no tanque. Elas são prensadas após sete dias e a fermentação só ocorre neste momento. Pra que saber tudo isso? Por que este processo torna o vinho mais fresco e frutado. “É algo como um vinho branco com fruta”, compara Adriano. O vinho deve ser servido gelado, entre 10 a 12 graus.

O gamay nas prateleiras
O lançamento será na semana que vem, no Rio de Janeiro, com a presença de Marionnet, que agora você já sabe quem é. Serão 200 mil garrafas distribuídas nas prateleiras, além de uma prática embalagem de bag in box, de 5 litros. É um vinho acessível, entre 20 (no site da Miolo) e 24 reais. Adriano promete fazer uma campanha nos moldes do Beaujolais francês. Este blog traz sua contribuição sugerindo uma carnavalização no jargão: “O Beaujolais brasileiro tá na área!”

Resta conferir se o consumidor vai comprar a ideia e se ideia na taça vai cumprir a promessa de qualidade para um vinho de verão. A conferir.

Domaine de La Charmoise
Miolo

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