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quinta-feira, 17 de setembro de 2015 Sem categoria | 18:03

Vinho nacional de qualidade e acessível é um paradoxo? A aposta da Salton

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Luciana e Stella Salton com garrafas de Paradoxo nas mãos: "Queremos que as pessoas falem mais da Salton"

Luciana e Stella Salton com garrafas de Paradoxo nas mãos: “Queremos  as pessoas falando mais da Salton”

Se você é bebedor de vinho, é provável que já tenha tomado um rótulo da Salton. Se espumante é sua praia, as chances são maiores, afinal a vinícola com sede em Tuiuty, Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, é a maior produtora de vinhos com borbulhas do Brasil. Agora, se você é daqueles que não tem preconceito e curte vinho nacional – como eu –, certamente já desarrolhou uma garrafa desta empresa que completou incríveis 105 anos em agosto deste ano. Se você se enquadra em uma das três alternativas anteriores, e assim como todos os brasileiros e brasileiras está com o orçamento mais apertado, acho que este post pode interessar. Vamos falar sobre um vinho nacional bom e barato, e  se trata de um “Paradoxo”.

Paradoxo, segundo o Dicionário Aurélio, é uma contradição, pelo menos na aparência. Um conceito que é ou parece contrário ao comum; um contra-senso, absurdo, disparate. Vinho nacional de qualidade, para muita gente de nariz empinado, entra nesta categoria. Bom e por um preço acessível então, pertence ao campo do improvável. A Salton, no entanto, acredita em paradoxos. E lançou para o mercado de restaurantes a linha de tintos, brancos e um espumante da região da Campanha Gaúcha que, não por acaso, nomeou de Paradoxo. A ideia é fornecer alternativas que podem entrar na carta dos restaurantes a preços mais atraentes. “Nosso objetivo é fazer o brasileiro consumir mais vinho brasileiro”, defende Luciana Salton, diretora-executiva da vinícola. tanto melhor que seja o que ela produz, claro. O consumidor final também pode comprar as garrafas no site da empresa – a caixa com seis volumes sai por R$ 26,50 a garrafa mais valor de frete,  dependendo da região de envio.  Paradoxo, vale reforçar, também é definido no dicionário como “uma afirmação aparentemente contraditória que, no entanto, é verdadeira”.

Pinot Noir e Gewürztraminer

E já que a pegada é tratar de paradoxos, em vez dos varietais (vinhos elaborados apenas de uma uva) mais comuns como merlot, cabernet sauvignon e chardonnay, que fazem parte da linha Paradoxo, meus destaques são a pinot noir e a gewürztraminer.

Paradoxo Pinot Noir

O Paradoxo Pinot Noir 2014 é novidade no mercado, recém-lançado em agosto deste ano, foi fermentado em barricas e ficou por lá mais um ano. De cor mais escura que um pinot noir do velho mundo tem um toque tostado da madeira e as sempre presentes frutas vermelhas, aqui mais frescas. Um pinot muito saboroso, menos pesadão, fácil e prazeroso de tomar. Um bom vinho de primavera/verão que deve ser consumido um pouco mais resfriado (mas não gelado, não é para ele pegar uma gripe!).

Paradoxo Gerwuztraminer

O Paradoxo Gewürztraminer, com este nome que mais parece um trava-língua e que o Google sempre costuma corrigir a grafia na busca com aquela opção “você quis dizer…”, é uma uva branca mais comum na região da Alsácia, na França, e na Alemanha e que no geral me incomoda quando excessivamente floral. Não é o caso deste exemplar da Campanha Gaúcha, que tem um floral na medida e cumpre seu papel de refrescar o paladar com boa acidez, que amplia sua percepção na boca, um cítrico e um abacaxi no aroma e no paladar e que combinou muito bem com um risoto de limão. Um vinho parceiro de pratos mais leves.

 A Salton volta a falar

A Salton sempre mandou bem no marketing; soube como ninguém comunicar seus feitos, alardear seus vinhos e aproveitar ondas como do prosecco, nos anos 2000, dos espumantes nos anos seguintes, conquistando a liderança no mercado (mais de 40%),  e ainda se qualificando com vinhos de alta gama contando com a consultoria de um enólogo internacional (o argentino Angel Mendoza, da Trapiche em parceria com o enólogo-chefe Lucindo Copat) quando não se falava nisso, na elaboração das primeiras safras do tinto Talento. À frente desta estratégia “Velho Guerreiro” do “quem não se comunica se trumbica” estava Angelo Salton, presidente da empresa até fevereiro de 2009 quando um enfarte fulminante o retirou precocemente do cenário do mundo do vinho.

Angelo era um comunicador nato, com enorme magnetismo pessoal. Ele fez bem ao vinho de sua empresa, e por tabela ao vinho nacional. Para ele todo bebedor de vinho era um cliente em potencial. No estande da empresa nas feiras de vinho recebia qualquer pessoa que passasse por perto com um enorme sorriso e, oferecia uma taça de vinho: “Este é um espumante da mais alta qualidade, brasileiro, é da Salton. Você vai provar, gostar e comprar mais no supermercado”, dizia, confiante, com seu vozeirão.

“Quando meu pai morreu ficamos no limbo”, comenta Luciana Salton. Quase sete anos se passaram. Neste meio tempo Luciana e Stella – responsável pela área de comunicação -, filhas de Angelo, se casaram e ficaram grávidas praticamente no mesmo período e se afastaram um pouco do dia-a-dia da empresa. Agora elas voltam com força total. Com novos produtos e uma certeza “Precisamos comunicar melhor. Queremos voltar a fazer a Salton ser o que era, que as pessoas falem mais dos nossos vinhos”, reforça  Luciana. Entre os objetivos das meninas da Salton, como carinhosamente são conhecidas, um dos mais importantes é crescer no mercado com opções de vinhos brasileiros bons e acessíveis. “A Salton é uma marca de credibilidade. E, se necessário, temos estoque para o crescimento e atender as grandes redes”, diz Luciana. Um paradoxo? Não, um desafio.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014 Degustação, Tintos, Velho Mundo | 12:34

Vinhos da Borgonha, no céu e na terra

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Gevrey-Chambertin da Domaine Armand Rousseau: joias raras

Gevrey-Chambertin da Domaine Armand Rousseau 2009 e 2008: o paraíso é aqui

Proibido na terra o vinho é uma das promessas do paraíso muçulmano. É descrito no Alcorão como “Branco, delicioso para quem o bebe, livre de intoxicantes e, com ele, não se embriagarão” (Alcorão 37:46-47). Não sei qual a graça deste vinho sem álcool, mas no meu paraíso particular, o vinho também seria contemplado, e se precisasse escolher apenas uma região – o que na teoria seria uma contradição, já que estaria no paraíso, né? – seria a Borgonha. Então, cada vez que tenho a oportunidade de provar rótulos realmente representativos desta região da França, um pedacinho do paraíso se realiza em vida. Foi o que aconteceu esta semana, quando fui convidado para uma degustação exclusiva de tintos e brancos de alta patente da Borgonha (ou Bourgogne, para os puristas).

A Borgonha é grande e é pequena. Grande por que produz os pinot noirs e chardonnays mais encantadores do planeta. Pequena por que ocupa apenas 3% de todos vinhedos plantados na França. Está localizada há duas horas de Paris e é fragmentada por natureza e por uma decisão de Napoleão Bonaparte, que dividiu grandes propriedades da Igreja em pequenas parcelas que foram subdivididas por heranças ao longo do tempo. Uma imagem possível para descrever o mapa da Borgonha é um vitral, ou uma colcha de retalhos. A parte mais importante, de onde vêm os melhores vinhos, é a Côte d’Or, que é dividida entre a parte sul (Côte de Beaune) e a parte norte (Côte de Nuits). A partir daí surgem as apelações, as comunas e os vinhedos com suas distintas personalidades e proprietários. E para piorar a algaravia de nomes, diversos produtores têm pequenos lotes espalhados por toda a Côte. Para se ter uma ideia, a apelação Clos Vougeot tem 50 hectares divididos entres mais de 90 produtores. Se fosse um “bread crumb”, aquelas sinalizações no alto de uma página de internet que indicam o caminho percorrido pelas navegação do usuário, seria algo assim: França->Borgonha->Côte d’Or->Côte de Nuits->Clos Vougeot->Produtor->classificação de vinhedo (grand cru, premier cru etc). Difícil – e inútil – decorar todas apelações e descrevê-las aqui. Eu confesso que tenho sempre de recorrer aos livros e à internet. Quem realmente domina a região não precisa disso, quem não conhece vai achar enfadonho e esquecer tudo no parágrafo seguinte. Para aqueles que quiserem se aprofundar em todos os detalhes da Borgonha o site Bourgognes é bastante útil.

Por conta destas características que unem qualidade, pequena produção e muita procura, a comercialização destes vinhos é outra particularidade da Borgonha que tem entre tantos ícones, talvez a vinícola mais cultuada do planeta, a Domaine de La Romanée-Conti. A distribuição, ou realocação, é uma batalha travada pelos importadores de todo país que é agraciado, após muita negociação e espera, com algumas poucas garrafas de determinado rótulo. É uma distribuição pontual e global. Quando se fala em poucas garrafas, não é exagero, às vezes 12 garrafas de um grand cru (o topo da cadeia alimentar da classificação da Borgonha) são exportadas para um país. Resultado: são vinhos caros, caríssimos, o que aumenta a mística em torno destes caldos que passam a ser objeto de desejo de quem gosta muito de vinho ou de quem gosta muita de ostentação, ou de ambos.

 Para um importador se não chega a ser um grande negócio é sempre sinônimo de qualificação ter rótulo bacanas de produtores de renome da Borgonha no catálogo. E talvez uma satisfação pessoal. Para os produtores, que têm a venda mundial praticamente garantida, trata-se de uma estratégia. “Para eles é mais importante ter o produto espalhado e cultuado em diversos países por todo o mundo do que concentrado em um único lugar”, esclarece Raphael Zanette, proprietário da Magum Importadora, que tem entre seus produtores pequenas joias como Arnoux Lachaux, Domaine Dujac e Armand Rousseau. Foram rótulos destes senhores que me inspiraram este post. Os preços, que provocam em geral um olhar de espanto seguido de um sorriso amarelo, são consequência do que foi relatado no parágrafo anterior somado ao custo Brasil.

Só existe Borgonha inacessível? Não, há as classificações mais básicas, como os Regionais e Village, vinhos realmente de entrada, de cor mais rala, pouca persistência e que podem até decepcionar quem espera encontrar na taça um líquido em forma de poesia. Por isso, é importante o nome do produtor que garante uma qualidade mínima ao vinho desde a linha básica e também o entendimento que há vários estilos de vinhos na região, como em todas do mundo, aliás.

De modo geral a pinot noir apresenta uma coloração de clara para média, são típicos aromas de cereja, framboesa, flores e algo de caça e terroso (húmus). Os mais evoluídos são uma viagem sensorial com várias camadas e variações de aromas e sabores. A pinot noir é tão típica e diferenciada que na minha opinião o melhor descritivo seria: tem gosto e aroma de pinot noir. Afinal, as coisas não têm um gosto que as represente?

Dos dez rótulos bebidos – ninguém ousou cuspir desta vez -, destaco cinco tintos que de alguma forma me encantaram mais e mostraram mais uma vez o que é que a Borgonha tem, tem pinot noir como ninguém.

Aloxe-Corton Domaine Tollot-Beaut 2009

R$ 375,00

Diante de um painel estrelado, o tinto de melhor custo-benefício, se é que cabe o termo aqui. Localizado em Chorey, é comandado pela quinta geração de uma família que está há mais de 100 anos fazendo vinhos. Correto, frutado, com boa expressão de aromas e boa estrutura. Tem um bom ataque e bela persistência. Isolado dos outros faz o maior sucesso.

Morey-Saint-Denis Domaine Dujac 2011

R$ 475,00

Entre os entendidos de Borgonha no Brasil, a Domaine Dujac é uma vinícola conhecida e que teve um trabalho importante de divulgacão anteriormente em outra importadora. Diante dos vizinhos ancestrais é uma produtora relativamente recente, fundada em 1967 por Jacques Dujac. Ironia ou não a atual enóloga responsável é uma americana, Diana Snowden Seysses, casada com Jeremy Dujac, filho de Jacques. Desde 1986 promove-se a conversão dos vinhedos para cultivo orgânico. Foi tinto mais terroso de todos – toque que apareceu também no Morey-Saint-Dennis Domaine Dujac 1er Cru 2011 (R$ 860,00) -, que deu maior pinta de orgânico e com um intensidade bem bacana.

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 Gevrey-Chambertain Domaine Armand Rousseau 2008

R$ 620,00

Gevrey-Chambertain 1cru Clos Saint Jacques Armand Rousseau 2009

R$ 1.900,00

Meu vinho preferido entre todos foi Gevrey-Chambertain Domaine Armand Rousseau 2008, vejam que modesto que sou (comparado a outros preços). Na família desde o início do século XX a propriedade comandada pela terceira geração iniciou em 1982 um processo de direcionamento dos vinhedos para a viticultura orgânica, com a menor intervenção possível. O safra 2008 era o mais exibido e intenso. Elegante nos aromas frutas e flores, fino na boca, licor de cereja, defumados, champigon. O Gevrey-Chambertain, em um painel de borgonhas, costuma ser um vinho mais potente, juntando estrutura e elegância. Este aqui mostrou tudo isso. Seu parente mais caro é igualmente bom, mas além da diferença de preço, havia uma diferença de paladar que conquistou a todos presentes (único vinho que teve a garrafa toda esvaziada). Papai Noel, se estiver precisando de uma dica para este escrevinhador…

Romanée-Saint-Vivant Grand Cru Domaine Arnoux-Lachaux 2007

R$ 3.300,00

Olha a colcha de retalhos aqui: com 13 hectares localizados em 14 apelações da Côte de Nuits, esta vinícola é obra de Pascal Lachaux e Robert Arnoux, que são respectivamente genro e sogro. Eles juntaram seus conhecimentos e afinidades para produzir tintos de excelente padrão e alta gama. Os vinhedos deste exemplar aqui são vizinhos do Romanée-Conti. Quem compra um vinho de R$ 3.300,00? Não sei, mas o que se avalia aqui é a qualidade, a tipicidade e o encanto que um caldo desses é capaz de proporcionar. E não o preço, se não nem começava a escrever. E este mostra tudo isso. Todos os “ades” possíveis: complexidade, intensidade, longevidade e tipicidade da pinot noir. São produzidos de 5 a 6 barricas por ano deste vinho. Um grand cru deste naipe é um tinto de guarda, como recomenda o produtor – deve ser fenomenal com mais de 20 anos. Mas não sei se estarei vivo até lá. É o chamado vinho para otimistas, que apostam em uma vida longeva.

 Curioso este fascínio que a Borgonha exerce no mundo do vinho. É muito comum perguntar a enólogos e produtores de todo o mundo quais seus vinhos preferidos – além daqueles que eles produzem, claro – e a resposta é quase sempre o pinot noir da Borgonha. Talvez por serem realmente a melhor definição para expressão do lugar. “Não existe mágica, tudo se deve à qualidade das uvas, o restante é secundário”, diz o produtor Pascal Lachaux. Ou talvez pela enorme variação que uma única uva – os tintos e brancos são sempre varietais (feitos apenas das uvas pinot noir para tintos e chardonnay para brancos) – pode proporcionar em vinhedos tão próximos; ou pela finesse do seu paladar, pela evolução das grandes safras e até mesmo pela dificuldade que é cultivar e fermentar esta uva em outros solos e regiões. Junte-se a isso o respeito ao vinhedo, à agricultura orgânica e biodinâmica executada por muito dos produtores – antes mesmo de virar moda. É a singularidade da pinot noir da Borgonha, em especial dos grandes vinhos, que atrai aos apaixonados pelo vinho. O fascínio enfim talvez ocorra por que a difícil tradução de um vinho elegante e com tipicidade encontre aqui um exemplo quase palpável. O vinho da Borgonha não é explosivo e potente como um gol, está mais próximo  da beleza e da elegância do drible de um craque.

 

 

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terça-feira, 14 de outubro de 2014 Degustação, Espumantes, Velho Mundo | 12:51

Tem beija-flor brasileiro no champagne do monsieur e da madame

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Garrafas da Perrier-Jouët perfiladas em dia de gala: as flores desenhadas por Emile Gallé são a marca registrada

Garrafas da Perrier-Jouët perfiladas em dia de gala: as flores desenhadas por Emile Gallé são a marca registrada

Champagne é para poucos, fato. Mas se em algum momento da vida uma tacinha passar pela frente, não deixe escapar. Tanto melhor se for um champagne que alia beleza e sofisticação na garrafa e dentro dela, não é? Um dos expoentes desta linha que esbanja elegância e paladar é a Maison Perrier-Jouët, aquela da etiqueta florida, de estilo art nouveau, que dá dó de jogar a garrafa fora, mas um prazer danado de jogar as borbulhas para dentro.

Provar vários rótulos de Perrier-Jouët é uma viagem sensorial que revela a marca desta casa que existe desde 1811, desde que o sobrenome do monsieur (Pierre Nicolas Perrier) e da madame (Adéle Jouët) se juntaram em matrimônio. A Maison teve apenas sete Chefs de Cave – o sujeito que é responsável pelo assemblage final, pelo estilo do champagne, pela mágica da borbulhas. O último deles, Hervé Deschamps, esteve em São Paulo no último dia 9 de outubro para apresentar seu portfólio. Em especial a edição limitada – 10.000 garrafas para o mundo; 200 para o Brasil – da Pierre Jouët Belle Epoque Rosé 2005.

Vai uma tacinha de champagne?

Vai uma tacinha de champagne?

O que tem de especial neste champagne, além do champagne? O marketing. Um beija-flor do artista plástico Vik Muniz pousou na garrafa comemorativa e se misturou às tradicionais anêmonas – as flores verde ou rosa e branca – que definem e distinguem o visual da Pierre-Jouët desde 1902, quando o então maior representante da art nouveau, Emile Gallé, desenhou esta representação típica da Escola de Nancy, que usava e abusava de flores na sua arte decorativa em vasos e peças.

O beija-flor do artística plástico Vik Muniz entre as flores de Emile Gillé.

O beija-flor do artista plástico Vik Muniz entre as flores de Emile Gillé.

As flores, a propósito, não são uma mera representação artística de Emile Gallé, elas traduzem a elegância e as notas florais características do estilo do champagne da Pierre-Jouët. A Belle Epoque Rosé é um assemblage de 50% de pinot noir, 45% de chardonnay e 5% da pinot meunier – a mistura clássica de Champagne. O toque floral tá lá, o cítrico e, claro, frutas vermelhas que se esperam de um rosé, envolvidas em um tostado marcante, finalizadas com uma acidez necessária. Outro “detalhe” distingue esta peça artística. O preço. Por R$ 1.600,00 ela pode ser adquirida nas melhores lojas e delicatessens.

Pierre-Jouët: vale o refrão dos Titãs "Eu vejo flores em você"

Pierre-Jouët: vale o refrão dos Titãs “Eu vejo flores em você”

Este colunista teve chance de provar mais do que uma tacinha, diga-se de passagem. E não deixou a chance escapar. Passaram por estas papilas gustativas que a terra há de fermentar a Perrier-Jouët Brut, a Belle Epoque Blanc de Blancs 2002, A Belle Epoque Brut 2004 e 2002 (2002 com maior potência, pois 2004 teve mais sol e calor), a Blason Rosé, e a estrela do dia, a Belle Epoque Rosé 2005.

Belle Epoque Blanc de Blancs 2002: passaria o dia bebendo

Belle Epoque Blanc de Blancs 2002: passaria o dia bebendo

Meu preferido: o Belle Epoque Blanc de Blancs 2002. O nome já entrega que é um blend apenas da branca chardonnay (lembrando que pinot noir e meunier são uvas tintas e na elaboração dos espumantes as cascas não são fermentadas junto com o mosto). São uvas dos melhores vinhedos da Pierre-Jouët: Bourons Leroy e Bourons du Midi, em Cramant, no miolo de Côte des Blancs. O crème de la créme da chardonnay da região demarcada de Champagne. Para quem se interessa pelo universo da minhoca, trata-se de um terroir de solo calcário que retém a umidade e aprofunda as raízes das vinhas. Mas a gente não prova o solo calcário nem as raízes, mas seu fruto fermentado: flores brancas, torrefação, cremoso, um bom volume de boca, um ótimo frescor e uma inacreditável lembrança de gengibre e laranja. Passaria a tarde descobrindo (e inventando) novas camadas de aromas e sabores deste Blanc de Blancs, isso sim é Belle Epoque, aqui e agora.

Belle Epoque Brut: grandes garrafas para grandes vinhos

Belle Epoque Brut 2002: grandes garrafas para grandes vinhos

A visita de Hervé Deschamps proporcionou um aumento per capita de rolhas de champagne Perrier-Jouët abertas nunca antes visto neste país, incluindo algumas garrafas Magnum (3 litros) de Belle Epoque Brut que segundo Hervé permitem um maior contato da bebida com as leveduras e consequentemente uma capacidade de envelhecimento maior. O Chef de Cave ensinou que as uvas da Belle Epoque Brut são provenientes de vários vinhedos, e que a porcentagem é resultado de inúmeras provas às cegas realizadas por ele e sua equipe, mas um número mágico sempre se impõe: 50% de chardonnay, 45% de pinot noir e 5% de pinot meunier. Para Hervé, esta porcentagem nada mais é do que o reflexo dos terrenos da Perrier-Jouët. O Chef de Cave descreve o Belle Epoque 2002 com algumas palavras: equilibrado, estruturado, leveza, flores, frutas (pêssego, pera), tostado no final, mineral e complexo. Uma frase do release de Hervé distribuído pela assessoria se encaixa aqui: “Cada cuvée é uma obra única e inesquecível e toda degustação é uma arte, como a do assemblage”

Hervé Deschamps (7)

Hervé Dechamps: o sétimo Chef de Cave em 200 anos de Perrier-Jouët. Só alegria!

Hervé Dechamps? Não lembra o personagem de UP?

Hervé Dechamps? Não lembra o personagem de UP?

Perguntei a Hervé Deschamps – que lembra um pouco o velhinho do desenho UP, mas sem aquele mau humor – o que faria um consumidor escolher um Perrier-Jouët entre tantas outras Maisons de Champagne disponíveis. Sua resposta fecha esta coluna e define um estilo: “Nós procuramos reproduzir na assemblage o mesmo conceito artístico, e com os mesmos valores, representados pelo rótulo criado por Emile Gallé: elegância, delicadeza e prazer.”

As flores, as frutas, a cremosidade: um representação do Belle Epoque Rosé

As flores, as frutas, a cremosidade: uma representação do Belle Epoque Rosé

 

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segunda-feira, 31 de março de 2014 Novo Mundo, ViG | 16:00

50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer. Parte 1 – Salta e Patagônia

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A felicidade, dizia o modernista Oswald de Andrade, é a prova dos noves. A escolha de um (ou mais) vinho, tentando plagiar, é a prova dos 228. Explico, recentemente tive o privilégio de experimentar exatos 228 rótulos argentinos “in loco”. Foram almoços, degustações, minifeiras e visitas a vinícolas em território Argentino a convite da Wines of Argentina*. Deste mar de vinhos provados selecionei 50 rótulos que traduzem de alguma maneira a atual produção de tintos (mais estes) e brancos de qualidade que se faz hoje no país.

Fui checar minhas anotações, as fotos dos rótulos e buscar na memória gustativa os vinhos que de alguma forma me impressionaram para esta seleção ViG (Vinho indicado pelo Gerosa) Argentina. Atenção, não se trata de uma lista dos melhores vinhos da Argentina, mas uma seleção da rica amostra de tintos e brancos que provei em uma semana em viagem por lá. Trata-se, como só pode ser, de uma seleção pessoal.

Por ser uma lista um pouco extensa, dividi a nota em várias partes, que serão publicadas ao longo da  semana.

Para começar os vinhos de Salta/Cafayate e da Patagônia

Nas próximas notas, os vinhos indicados são da região de Mendoza – responsável por 80% da produção de tintos, brancos e espumantes no país

  •  grandes malbecs
  •  melhores vinhos de corte (blends).
  •  varietais de outras uvas

Vinhos de Salta e Cafayate

As parreiras estão localizadas entre 1.500 e 3.000 metros sobre o nível do mar (a região vitivinícola mais alta do mundo). A chuva é rara, 200 milímetros por ano. A colheita na região é realizada uma semana antes do que em Mendoza. Os vinhos têm uma ótima acidez e são mais amigáveis. A branca torrontés produz caldos mais sutis e menos exibidos na região. Os tintos são mais intensos pois o sol, mais próximo pela altitude, faz com que as frutas engrossem as cascas para proteger as sementes, e como se sabe é nas cascas que se concentram aromas, cor e outros elementos dos tintos. Além do malbec, vale conhecer os cabernet sauvignon e cabernet franc da região.

colomé-torrontes1 Colomé Torrontés 2013

Bodega Colomé

Site oficial: http://www.bodegacolome.com/

Uva: torrontés

Importador: Decanter

R$ 56,00

A voz do vinho: a uva branca porta-estandarte da Argentina encontra aqui um representante à altura de seu marketing. A Bodega Colomé, do suíço Donald Hess, tem vinhedos plantados muito perto do céu. Localizados entre 2.300 e 3.100 metros de altura são considerados os vinhedos mais altos do mundo. Esta torrontés tem uma pegada mais seca, elegante e mostra uma ótima acidez, com bom frescor e frutas tropicais na boca. Levou o prêmio Trophie da AWA (Argentina Wine Awards) 2014.

Por que escolhi: torrontés menos floral e mais seca, mostra o potencial da variedade.

 

cafayatecabsauvignon2. Cafayate Reserve Cabernet Sauvignon – 2012 

Bodegas Etchart

Site oficial: http://www.bodegasetchart.com/

Uva: cabernet sauvignon

Importador: Pernod Ricard

R$: 31,00

A voz do vinho: a Etchart faz parte do grupo de bebidas Pernod Ricard. O vinho não chega a ser uma prioridade numa empresa que produz vodcas, uísques e licores. Mas o vinho é bem tratado aqui. Na região de Cafayate, de maior altitude, os tintos são mais intensos. Este cabernet sauvignon é da linha de entrada e agrada bastante no paladar. Sem complicações mas com uma boa fruta, passa seis meses em barrica, o suficiente para uma amaciada nos taninos e dar uns toques de baunilha. A cabernet sauvignon surpreendeu bastante nos vinhos argentinos. Em uma linha superior, o também Cabernet Sauvignon Gran Linaje é mais complexo e maduro e agradou bastante também.

Por que escolhi: bom vinho para o dia a dia.

 

CiclosMalbec3. Ciclos Malbec 2012

Bodega El Esteco

Site Oficial: http://www.elesteco.com/bodega/

Uva: malbec 100%

Importador: Bruck

R$ 85,00

A voz do vinho: talvez o nome Bodega El Esteco não seja familiar, mas certamente Michel Torino é. Trata-se da mesma vinícola em fase de transição de nome. Dentro da vinícola o Hotel & Spa Patios de Cafayate oferece 32 suítes para quem quer se esbaldar de vinho e sossego. Este malbec de Cafayate passa 12 meses em barricas francesas e americanas. No nariz ele entra um pouco alcoólico, mas revela-se na boca com uma fruta vermelha gostosa, bem macio e com boa intensidade. Provei novamente este vinho em um restaurante em São Paulo e estava fantástico. Medalha de ouro no AWA 2014.

Por que escolhi: malbec de boa extração e fruta saborosa.

 

CiclosIcone4. Ciclos Ícono

Bodega El Esteco

Site Oficial: http://www.elesteco.com/bodega/

Uvas: malbec e merlot

Importador: Bruck

R$ 85,00

A voz do vinho: apesar do nome, não é o tinto ícone da El Esteco. O top de linha leva o nome de Altimus, e é um blend das melhores uvas do ano selecionadas pelo enólogo Alejandro Pepa. O ícono é uma mescla bem realizada de malbec e merlot, macio, longo, com uma fruta ampla. Muito gostoso. Eu sempre sou da opinião que a malbec é sempre beneficiada quando misturada a outras uvas. Aqui está um exemplo. O rótulo, um sol desenhado pelo artista plástico uruguaio Carlos Paez Vilaró, recentemente falecido, se transformou em uma bela homenagem e traduz o clima da região.

Por que escolhi: um vinho ensolarado e feliz na homenagem.

 

LAborum-Tannat5. Laborum Tannat 2012

Bodega El Porvenir de Cafayate

Site oficial: http://www.elporvenirdecafayate.com/

Uva: tannat

Importador: Vinhos do Mundo

R$ 79,00

A voz do vinho: primeiro da série de vinhos com assessoria do consultor Paul Hobbs que vai aparecer nesta lista. Alguns acusam Hobbs de pesar a mão. Discordo, ele tem vinhos de perfis diferentes em cada região. E boas surpresas. Mas aqui a estrela é o jovem e inovador enólogo Mariano Quiroga, que comanda a alquimia sob supervisão do americano. Este tannat é muito persistente no nariz, tem boa acidez natural. Prima mais pela elegância e longevidade. Um tannat oposto daquele estilo agressivo e ao mesmo tempo potente que estamos acostumados a tomar.

Por que escolhi: pela elegância. Este tannat não é agressivo, não luta UFC, pratica ioga.

 

elporvneirtannat-amauta6. Amauta Corte IV Cabernet Franc e Malbec  2013

Bodega El Porvenir de Cafayate

Site oficial: http://www.elporvenirdecafayate.com/

Uvas: cabernet franc e malbec

Importador: Vinhos do Mundo

R$ 79,00

A voz do vinho: o trabalho de Mariano Quiroga merece uma segunda indicação. Este rótulo está ainda para sair no mercado e é aquilo que Mariano define como vinho de autor. A cada ano a composição muda, com a decisão dos enólogos de usar as melhores uvas das melhores parcelas no corte do vinho. Aqui ele combinou o floral do malbec com a potência e o final de boca da cabernet franc e o resultado é espetacular. Belo trabalho de fusão da uva símbolo da argentina (a malbec) com aquele que os especialistas estão apontando como a grande vedete os próximos anos (a cabernet franc)

Por que escolhi: pelo trabalho do enólogo e a escolha das duas variedades de grande expressão na Aregrntina – malbec e cabernet franc

IMG_22397. Cafayate Gran Linaje 2013

Bodegas Etchart

Site oficial: http://www.bodegasetchart.com/

Uva: torrontés

Importador: Pernod Ricard

R$: 55,00

 A voz do vinho: olha o Paul Hobbs aí geeente! a safra 2009 deste vinho levou 92 pontos de Robert Parker, o que é espantoso para um branco sul-americano, ainda mais da uva torrontés. Tem uma pegada mais floral, característica da uva, mas com um belo rastro cítrico e boa acidez

Por que escolhi: um outro exemplo do potencial da torrontés, com bela expressão da uvas

 

Vinhos da Patagônia

Se Salta possui os vinhedos mais altos do mundo, a Patagônia exibe os vinhedos mais ao sul do planeta, no paralelo 39. Ao contrário das regiões de Salta e Mendoza, seus vinhedos estão entre 300 e 500 metros do nível do mar, proporcionando uma maturação mais prolongada das uvas. Por conta de suas condições climáticas, dos ventos frequentes, baixa umidade e ampla diferença térmica entre dia e noite (algo como 20 graus) na época da maturação das uvas, o nível de acidez que se obtém é alto, o que resulta em um bom potencial de guarda. O baixo rendimento dos cachos de uva impõe a produção de vinhos de qualidade. Inicialmente a região ficou marcada pelos pinot noir especiais, muito elegantes, de ótimo final de boca (temos alguns exemplos abaixo). Mas há um enorme potencial também para um malbec mais fino, sem tanta extração, mais sutil nos aromas e paladar e com uma fruta que enche a boca

humbertocanale-riesling8. Humberto Canale Old Vineyard Riesling 2013

Humberto Canale

Site oficial: http://www.bodegahcanale.com/

Uva: riesling

Importador: Grand Cru

R$ 78,00

A voz do vinho: uma uva incomum na Argentina, a riesling, assume na região dominada pelos ventos da Patagônia um caráter untuoso e ao mesmo tempo fresco. Um riesling que não pretende imitar os alemães ou da Alsácia, e por isso mesmo agrada por sua personalidade

Por que escolhi: pela inusitada variedade branca na Argentina

 

Saurus-Familia-Schroeder9. Saurus Barrel Fermented 2012 Pinot Noir/Malbec

Familia Schroeder

Site oficial: http://www.familiaschroeder.com/

Uvas: malbec 50% e pinot noir 50%

Importador: Decanter

R$ 206,00 (safra 2005)

A voz do vinho: interessante mescla com as duas melhores uvas da Patagônia, a malbec e a pinot noir, em porcentagens semelhantes. Difícil identificar nos aromas a uva predominante. Vem um perfume que lembra a malbec, depois outra cafungada e surge um toque terroso e de cereja  da pinot noir. Bem legal. Tem a estrutura da malbec, a cor e a fineza da pinot noir.

Por que escolhi: pela ousadia do blend

 

desierto_pampa10. Desierto Pampa 2009

Bodegas del Desierto

Site oficial: http://www.bodegadeldesierto.com.ar/

Uva: malbec

Importador: sem importador no Brasil

Preço médio: 30 dólares

 A voz do vinho:  outra vinícola com assessoria do consultor Paul Hobbs. São 18 meses de barricas francesas, o que aporta um toque de café e tabaco. Boa fruta fresca, macio, tem um bom frescor e uma fineza do malbec da região. Termina bem na boca. Algum importador se habilita?

Por que escolhi: pelo frescor e novidade

 

IMG_Fin-del-mundo220011. Fin Single Vineyard Cabernet Franc 2009

Bodega del Fin del Mundo

Site oficial: http://www.bodegadelfindelmundo.com/

Uva: cabernet franc

Importador: Mr Mann

R$ 175,00 (safra 2008)

A voz do vinho: a cabernet franc da argentina é uma variedade que merece atenção, vou insistir neste tema e trazer outras alternativas de cabernet franc de Mendoza na próxima lista. Os 18 meses de barrica dão toques de baunilha e coco, uma fruta mais madura no nariz e na boca, bem típica, um perfil de cabernet franc mais internacional, com toques de ervas. Equilibrado e delicioso. Medalha de ouro no AWA 2014.

Por que escolhi: belo exemplo de cabernet franc da Argentina

 

Malma NQN-pinot noir12. Malma – Pinot Noir 2012

Bodega NQN

Site oficial http://www.bodeganqn.com.ar/home.php

Uva: pinot noir

Importador: Vinhos do Mundo

R$ 59,00

A voz do vinho: no terroir da Patagônia a pinot noir se beneficia do clima da região desértica e da altitude menos elevada. A região ficou marcada pelo marketing da pinot noir, mas nem sempre o resultado é assim uma bandeira a ser balançada.  Aqui a pinot noir se revela delicada, fina, com aquela cereja típica da variedade e mostra especiarias no final de boca.

Por que escolhi: é um pinot noir mais acessível da Patagônia e com estilo.

 

vinho-chacra-55-pinot-noir-2011-8261-MLB20002706627_112013-F13. Chacra Cinquenta y Cinco 2012

Bodega Chacra

Site oficial http://www.bodegachacra.com/

Uva: pinot noir

Importador: Ravin

R$ 398,00 (a safra 2010)

A voz do vinho: Vinho fino é outra coisa! Trata-se de um investimento do italiano Piero Incisa dela Roccheta, nada menos que o homem por trás do supertoscano Sassicaia. Tem preço de supertoscanos também. O nome vem do vinhedo antigo, plantado em 1955. Os vinhedos são orgânicos e certificados. O resultado é espetacular e de enorme tipicidade. Apresenta um nariz extraordinário e envolvente, profusão de cerejas na boca, terra molhada, delicadas especiarias. Para ocasiões especiais. Levou medalha de ouro no AWA 2014.

Por que escolhi: para compreender o potencial do pinot noir da Patagônia

 

Noemia

14 Noemía 2011

Bodega Noemía

Site oficial: http://www.bodeganoemia.com/

Uva: malbec

Importador: Vinci

R$ 388,00 (safra 2008)

A voz do vinho: Estes italianos não são bobos. Outro empreendimento europeu na Patagônia, este da Condesa Noemi Marone Cinzano, em parceria com o enólogo Hans Vinding-Diers, o mesmo do Chacra acima, a propósito. Os caldos engarrafados na bodegas Noemía são a prova de que a malbec varia muito de região para região, e aqui a uva se pauta pela finesse, delicadeza, um perfume sedutor, uma intensidade marcante, passeia pelo copo e pelo paladar por um bom tempo. Alia potência e elegância, sempre fino, na busca da excelência do terroir orgânico e biodinâmico.

Por que escolhi: não é barato, mas é um dos melhores malbecs da Argentina, consistente em todas as safras que provei.

 

quimay15. Quimay Manos Negras 2011

Quimay

Site oficial: http://manosnegras.com.ar/

Uva: malbec 100%

Importador: (sem importador)

R$ (em torno de 30 dólares na Argentina)

A voz do vinho: o nome da vinícola– localizada na região de Neuquen -, é uma homenagem aos trabalhadores que botam a mão na terra para dela extrair as uvas que fermentadas se transformam em  uva. Potente, tem aquele licor de cacau exibido no paladar e uma sensação agradável na boca, textura sedosa. Mais um exemplo das possibilidades da malbec da Patagônia. Um belo site apresenta a bodega e a visão dos quatro sócios sobre a missão de seu trabalho.

Por que escolhi: me encantei com o vinho, adorei o site

Preços coletados em abril de 2014

Declaração: Este colunista esteve na Argentina a convite da Wines of Argentina, onde provou 228 vinhos, visitou várias vinícolas e teve contato com dezenas de produtores. Desta boca-livre resultou o texto produzidos neste post sobre os vinhos argentinos.

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terça-feira, 28 de janeiro de 2014 Brancos, Espumantes, Rosé | 12:19

Beber vinho com este calor? Sim: espumantes, brancos, rosés e tintos leves

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Este é o cenário ideal: vai um vinho para acompanhar?

Este é o cenário ideal: vai um vinho para acompanhar?

 Vamos combinar, com esta canícula que estava fazendo lá fora, um calor de rachar mamona, o vinho não é a primeira idéia de bebida alcoólica que vem à cabeça. É a cerveja estupidamente gelada, a caipirinha de frutas. Não é comum se ouvir por aí: “Estou louco para sair do escritório e bebericar um sauvignon blanc”, ou “meu sonho agora é estar na praia secando uma garrafa de espumante” e nem o delírio mais gay pressupõe uma vontade louca de “me acabar com várias taças de um rosé gelado”.

Mas que saber? Todas as opções acima são pra lá de válidas. E cabe até um tinto nesta lista. São bebidas que cumprem a função de refrescar o dia, provocar acidez na boca, dar uma sensação de fruta ampla e leve, e principalmente acompanhar uma refeição com leveza e elegância ou um bate-papo descontraído com uma bebida idem.

Espumantes, brancos, rosés, tintos: opções é o que não faltam

Espumantes, brancos, rosés, tintos: opções é o que não faltam

Todo verão que estou na praia um hábito que sempre provoca pescoços torcidos e um toque de curiosidade é quando carrego para a areia um baldinho de gelo com uma bela garrafa de espumante nacional. Taças de plástico coloridas no formato correto dão um ar alegre e preservam a espuma. Está preparada a festa! O estampido seco da rolha sendo liberada e aquela espuma que sobe ao ser despejada da garrafa causam uma certa inveja. Alguns olham com muxoxo para sua lata de cerveja de sempre, outros cutucam o parceiro(a) para novidade. Não passa despercebido.

Uma deliciosa lembrança de um período de férias passado em Arraial da Ajuda, no sul da Bahia. Caminhada pela praia, o calor que se imagina. Resolvemos estacionar o esqueleto escaldado em um bar de hotel que oferecia um quiosque coberto e avançando sobre a praia. Pedimos um Chandon que veio triscando, na temperatura certa e conservado em um balde de gelo. Uma porção de iscas de peixe acompanhava a bebida. A felicidade estava repleta de borbulhas e nenhum outra bebida traria maior prazer. O espumante, com certeza, é a opção número 1, 2 e 3 para o verão.

Um belo sauvignon blanc lentamente apreciado, acompanhando o passar do dia, ou como parceiro de um peixe grelhado já é uma boa pedida no mundo dos brancos. Delicado e elegante se for um exemplar do Loire, cítrico e com toque de maracujá, se o rótulo for do Mercosul, ou com um toque de grama, da longínqua Nova Zelândia. Um alvarinho ou albarinho, com sua acidez cortante enfrentando os calores dos trópicos também vai bem. A vignoier, cultivada na frança e no novo mundo, faz uma presença mais floral. Há quem se restabeleça com a torrontés argentina,  indicada para paladares mais doces. No cair da tarde um chardonnay mais mineral da região de chablis, na França, ou orgânicos da região de Casablanca, no Chile, ou mesmo os bons exemplares de Santa Catarina. Para aqueles que preferem um chardonnay mais potente, com notas de frutas tropicais doces, mel, baunilha e toque de madeira, alguns rótulos de Mendoza, na Argentina, dos Estados Unidos, Austrália, de outras regiões do Chile ou da Sicília, na Itália. Os portugueses contribuem com outro branco com mais textura, ideal para peixes mais gordurosos, como o antao vaz.

Os rosés ocupam um lugar de destaque no verão. É refrescante até de olhar. Como já foi escrito aqui, o rosé é o vinho com a cor do por-do-sol. Não precisa dizer mais nada. Gastronômico por definição e charmoso pela coloração é o vinho ideal para aperitivos, almoço na praia, para descontrair o cardápio executivo da cidade que derrete no aslfalto. As opções óbvias da Provence, elegantes e de cor mais discreta, lembrando uma casca de cebola, da região do Rhone, ainda na França, do Chile, um pouco ais frutados e potentes, da Argentina com a mesma pegada. Algumas boas opções nacionais e outras do Alentejo, Portugal, são rosés de climas quentes.

Para finalizar, tintos mais leves, por que não? Conservados em uma temperatura mais elevada – mantenha resfriado num balde com água fresca – cumprem o seu papel. Menos alcoólicos, mais ligeiros, frutados, podem ajudar e enfrentar os dias de sol. O Beaujolais, elaborado coma uva gamay, é a indicação com menor possibilidade de erro. No Brasil o Beaujolais Noveau chega com um preço meio proibitivo, uma pena. Mas alguns Beaujolais Village, da região do Rhone, são possíveis. Duas das grandes produtoras nacionais, a Miolo e a Salton têm em sua linha gamays bem-feitos e honestos. Da Itália, os barberas, com boa acidez, pouca poténcia e muita fruta são indicados também. E por que não abrir um espaço para um excitante pinot noir, que deve ser servido mais fresco, mas não gelado! De cor mais clara e maior elegância é uma uva de diferentes matizes de acordo com sua região. Para o verão, os pinot genéricos da Borgonha, que não assaltam seu bolso, os corretos pinot do Chile, de Casablanca e San Antonio, que estão ficando cada vez mais elegantes, bons exemplares da Patagônia, na Argentina, excelentes exemplares da Nova Zelândia e da África do Sul que também chegam com um preço mais competitivo.

Pensando bem, opção é o que não falta. Não acho que os personagens fictícios do primeiro parágrafo vão trocar a cerveja e a caipirinha pelas alternativas de vinho sugeridas, mas aqueles que sabem experimentar e variar não enfrentarão dificuldades.

E aí, vai um vinho para refrescar neste calor?

 

 

 

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, Rosé, ViG | 12:50

Espumantes nacionais para comemorar o fim do ano – rosé

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Quem resiste a um brinde colorido no final do ano?

Quem resiste a um brinde colorido no final do ano?

Se espumante é sinônimo de festa, o espumante rosé é uma festa bem mais colorida. É uma festa para os olhos, uma provocação para os sentidos. Experimente abrir uma garrafa numa reunião de amigos pouco habituados a um espumante rosé. Depois das piadinhas preconceituosas habituais “espumante gay, o vinho do Félix!”, o paladar frutado do rosé, sua persistência em boca e a impactante cor costumam agradar em cheio e o que era prevenção se transforma em opção de espumante.

Obviamente, nos espumantes rosés predomina a uva tinta, no geral a pinot-noir. Há duas maneiras de se obter o rosé com borbulhas: com a mistura de vinhos brancos e tintos ou pela maceração de uvas tintas (com ou sem a chardonnay) até se obter a cor desejada.

 Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

As principais características são os aromas frutados de morango, cereja, ameixa que se confirmam na boca e podem apresentar os toques de frutas secas e panificação dependendo do método como é elaborado, o tempo de garrafa e de contato com as leveduras.

Nesta lista de espumantes rosés nacionais há tanto vinhos que alcançaram sua cota de gás carbônico pelo método charmat como pelo método tradicional ou champenoise.

O espumante rosé, na opinião deste colunista, alia o frescor, a vivacidade, o efeito inebriante das bolhinhas ao potencial gastronômico. Tem potencial de acompanhar vários tipos de pratos e um paladar muito característico. É um vinho curinga que pode surpreender os incréus.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes rosés

rose-chandon

  • Excellence Rose Couvée Prestige (método charmat)

Uvas: 74% pinot noir e 26% chardonnay

Produtor: Chandon do Brasil

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 130,00

Site da vinícola: loja.chandon.com.br

Uma joia da Chandon. Um espumante fino, elegante e gastronômico de alta gama revelando a qualidade das uvas e o potencial que a vinificação em charmat pode obter. Tem uma cor rosada de boa intensidade, boa perlage e o melhor vem na boca, que confirma os aromas de frutas vermelhas, panificação e frutas secas aliado a uma acidez ampla. É um espumante para estalar a língua no final e esticar a taça pedindo mais uma dose. Tudo tem seu preço nesta vida, e o valor não é um passeio, mas se o objetivo é qualidade e não quantidade, vale a aposta.

Curiosidade: o champanhe deve muito a Barbe-Nicole Ponsardin, conhecida como Madame Clicquot ou pelo nome do rótulo que deixou de legado, Veuve Clicquot. Além de impulsionar um negócio que quase desapareceu no século 19, ela foi a responsável pela criação do champanhe rosé.

rose-lona

  • Adolfo Lona Brut Rosé (método charmat)

Uvas: 60% pinot noir e 40% chardonnay

Produtor: Adolfo Lona

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 41,00

Site vinícola: www.adolfolona.com.br

O brut rosé do Adolfo Lona é, na minha modesta opinião, o melhor rótulo da casa. E também elaborado pelo método charmat. Na cor lembra um pouco casca de cebola. Tem uma elegância e uma leveza que encantam. No nariz, aromas marcantes de frutas vermelhas, com uma acidez vibrante e uma persistência gostosa na boca. Dividiu com o Salton Gerações (brut branco, completamente diferente) o primeiro lugar na degustação de espumantes promovida no final de 2013 pela Sbav (Sociedade Brasileira de Amigos do Vinho).

rose-miolo

  • Miolo Espumante Cuveé Tradition Brut Rosé

Uva: pinot noir e chardonnay

Produtor: Miolo

Região: Garibaldi, Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 46,00

Site vinícola: www.miolo.com.br

A descrição dos espumantes rosés costuma girar em torno de espuma, borbulhas, frescor, acidez e frutas vermelhas. Mas não tem muito invencionice mesmo. Se um belo rosé traz tudo isso, além de uma cor encantadora e algum bônus de torrefação e permanência é o que basta para torná-lo desejável. Este Miolo de alta gama é muito bem equilibrado e gastronômico e reúne todos os predicados acima.

 Curiosidade: a pinot noir, ao contrário da chardonnay, é uma uva mais difícil e menos consistente – há muita variação ano a ano. Mas é fundamental para elaborações dos espumantes rosés. O enólogo Violane Cafarelli, em entrevista à revista inglesa Decanter, diz que quanto ao estilo do rosé “é preciso escolher a mesma cor ou o mesmo sabor como perfil do espumante”. Há anos que a uva pinot noir está mais madura e com uma extração de cor maior, outras é mais rala. Aí é necessário escolher um maior ou menor volume de uva tinta na mistura ou na maceração do espumante. Uma alternativa vai privilegiar a cor, a outra os aromas.

rose-Pizzato-Brut-Rose-Tradicional

  • Pizzato Brut Rosé – (método champenoise/tradicional)

Uvas: pinot noir e chardonnay

Produtor: Pizzato

Região: Bento Gonçalves, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 48,00

Site vinícola: www.pizzato.net

Um rosé bastante persistente e saboroso. Uma cor rosada de boa intensidade. Bom ataque de acidez e de aromas de frutas vermelhas mais frescas. Encantou seu sabor e refrescância. Tem um preço competitivo que o torna uma boa alternativa de espumante rosé para as festas de fim de ano.

Curiosidade: a uva pinot noir produz refinados e saborosos tintos, como os vinhos da Borgonha, na França. Mas a uva, junto com a branca chardonnay, é muito utilizada na mistura de todos os tipos de espumantes. Há inclusive um tipo de espumante, que apesar de ser produzido apenas com a uva pinot noir, é vinificado em branco, o chamado blanc de noir. O resultado é curioso, pois os aromas e sabores de frutas vermelhas são perceptíveis em um espumante branco.

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  • Rosé Cave Geisse Brut (método champenoise/tradicional)

Uvas: 100% pinot noir

Produtor: Vinícola Geisse

Região: Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 78,00

Site vinícola: www.cavegeisse.com.br

A Cave Geisse é a queridinha dos críticos, recebeu elogios até da dama do vinho inglês, Jancis Robinson. Seu enólogo e mentor, o chileno Mario Geisse, tem um currículo de serviços prestados ao vinho na América do Sul. De cor salmão, este espumante é feito apenas com a uva pinot noir e passou dois anos sendo elaborado e envelhecido na garrafa. Muita fruta vermelha, um toque floral e uma espuma espessa e um sabor que enche a boca e permanece no palato. Elegante e estruturado. Uma delicia. Em um nível maior de complexidade e preço (R$ 130,00) a Cave Geisse oferece o Terroir Rosé Cave Geisse Brut.

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  • Villaggio Grando Brut Rosé (charmat)

Uvas: pinot noir e merlot

Produtor: Villaggio Grando

Região: Campos de Herciliópolis – Água Doce – SC

R$ 45,00

Alguns diferenciais chamam a atenção deste rosé. Primeiro, é um vinho de altitude (1.300 metros), depois, o corte acrescenta a uva merlot ao tradicional pinot noir. . E está aí uma mistura interessante que agrega um toque diferente nos aromas frutados. Tem uma boa cremosidade em boca. Os homens que cospem vinho do júri da ExpoVinis 2013 (incluindo este que vos escreve) elegeram como o melhor espumante nacional da feira. Tanta gente não pode estar errada ao mesmo tempo. E tem um preço interessante para a qualidade que apresenta.

RESERVA BLUSH 2011

  • Reserva Blush 2012

Uvas: 50% pinot noir, 50% chardonnay

Produtor; Casa Valduga

Região: Vale dos Vinhedos – Rio Grande do Sul

R$ 45,00

A linha reserva da Casa Valduga é elaborada em safras consideradas excelentes. Este rosé de 2012 está bem franco, de uma cor mais para casca de cebola, e bastante fresco e com alguma cremosidade, fruto dos 24 meses em contato com as leveduras. É um rosé mais elegante e menos exibido, e bastante gastronômico.

 

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014

 

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 Sem categoria, Tintos | 15:49

Vinhos tintos que combinam com o verão

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O terceiro círculo do Inferno de Dante Alighieri, do poema épico A Divina Comédia, é destinado aos gulosos. Apesar de não fazer parte da narração imagino que uma boa representação do inferno é uma garrafa de vinho tinto potente argentino, ou americano, bem alcoólico e de preferência quente, em meio a labaredas crepitantes e abundantes. Ou transpondo o cenário para os trópicos: o mesmo rubro bem concentrado, quase mastigável, numa taça de vidro servido embaixo de um guarda-sol na praia sob um calor escaldante do meio-dia. O inferno, aqui, não são os outros, são as escolhas erradas. No popular: tudo tem seu lugar e hora. E a última coisa que passa na cabeça e pela garganta de alguém que curte um vinho é escolher um tinto austero,  e bebê-lo quente num ambiente tórrido. Sauna e vinho tinto não combinam. Mas isso não significa também que vinho tinto e verão são como Joaquim Barbosa e José Dirceu, ou seja, incompatíveis.

O senso comum dos enófilos aponta para as garrafas de vinhos brancos, rosés e espumantes para os dias quentes. Sem dúvida. É a indicação mais óbvia. Mas a proposta aqui é pensar “fora da garrafa”. Uma enquete do iG provocou os leitores do portal a escolher “a bebida do verão”, em múltipla escolha, em tempo real. O vinho branco foi o lanterninha – a água de coco e a cerveja tomaram a dianteira, bem à frente da caipirinha.  A propósito, todo produtor e enólogo estrangeiro que vem ao Brasil – e eles são doidos para entornar todas as caipirinhas possíveis… – me pergunta por que um país tropical bebe tão pouco vinho branco? E eu sempre respondo: por que países quentes preferem bebidas, e comidas, quentes.

O tema aqui, é bom ficar claro, é bem específico: trata-se do desafio de beber vinho tinto na praia, sob o sol, no almoço na casa de campo, no fim de semana com a família rodeado de todos os modelos de ventilador resgatados do armário ou adquiridos às pressas nos grandes magazines ligados no máximo para amenizar o calor. Em ambientes controlados – com ar refrigerado no máximo –  tanto faz estar no Alaska em companhia da Sarah Palin sorvendo um opulento californiano ou em Trancoso com o Bell Marques, do Chiclete com Banana,  compartilhando um alentejano de 15 graus de álcool que o calor lá fora pouco importa (para quem não sabe, Bell é um bom conhecedor de vinhos e casado com a proprietária da importadora de vinhos, Anna Import, da Bahia).

Beaujolais, a grande pedida

Mas existem alternativas de vinhos tintos para o verão? Sim, há clássicos do gênero.  Os tintos elaborados com a uva gamay, os beaujolais da vida (tanto os Nouveau quanto os Villages), são imbatíveis  nesta categoria. São a tradução do frescor na boca e delicadeza de aromas nos tintos. O beaujolais se distingue dos demais caldos pelo processo de elaboração. Ao contrário da maioria dos vinhos, sua vinificação (e fermentação) não se dá pelo esmagamento das uvas, mas sim no interior da fruta. Este processo é conhecido como maceração carbônica. Funciona assim: os cachos das uvas são colocadas inteiros em um tanque sem oxigênio mas saturado de gás carbônico. As uvas da parte inferior do tanque são esmagadas pelas de cima e liberam seu mosto. Este suco inicia a fermentação e gera mais gás carbônico.  A ausência de oxigênio no tanque produz a chamada fermentação intracelular, no interior dos grãos. A fermentação – transformação do açúcar em álcool – é feito portanto pelas enzimas no próprio interior da fruta e não pelas leveduras presentes no ambiente. E daí? Daí que este tipo de maceração carbônica – onde a uva não é prensada – se traduz em vinhos jovens, de cor mais clara e estrutura mais delicada e bastante aromáticos. A gamay desenvolve, principalmente no Beaujolais Noveau, aromas de rosas, frutas frescas e – podem acreditar, sem bufar um “Essa não!” – traços nítidos de banana. É cheirar para crer!

Também produzem caldos refrescantes e indicados para o verão pinot noirs mais simples sem passagem pela madeira, blends de carignan, cinsault, syrah e até cabernets francs de determinadas zonas mais frias. As italianas barbera, dolcetto e alguns vinhos Chianti de boa acidez também são boa solução. Há quem aposte em tempranillo espanhóis do tipo jovem, sem envelhecimento em barricas.

Saem de cena os tintos fechados, potentes, com frutas muito maduras, amadeirados e alcóolicos (14, 14,5, 15 graus!) e entram na ribalta os tintos menos alcoólicos, jovens, leves, frutados e sem estágio em barricas de madeira. Não são caldos que ostentam medalhas, pontuações acima dos 95 pontos e no geral tem preços mais modestos. São vinhos para desfrutar sem compromisso, ou melhor, apenas com o compromisso com o desfrute. Talvez não seja o vinho da sua vida, mas podem ser com certeza os vinhos tintos certos para embalar o seu  o verão.

Sugestões ViG (Vinhos indicados pelo Gerosa) de tintos para o verão

O Blog do Vinho propõe a lista de rótulos abaixo, que no geral entregam frescor, corpo médio, frutas frescas e boa acidez e como tradição aqui neste espaço já passaram pela taça deste escriba.

Beaujolais

País: França/Borgonha

Uva: gammay

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 54,00

Importador: WineBrands

Produtor: Joseph Drouhin 

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 75,00

Importador: Mistral

Produtor: Louis Latour

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 65,00

Importador: Aurora/Inovini

  • Pierre Ponnelle Beaujolais-Villages 2008

Produtor: Pierre Ponnelle

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 35,00

Importador: Santar

Produtor: Louis Jadot

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico:

R$: 76,00

Importador: Mistral

Produtor: Miolo

País: Brasil/ Campanha Gaúcha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 12 graus

R$ 25,00

Vendas: Miolo

Outras uvas

Produtor: Domaines Perrin

País: França/Rhône

Uvas: carignan. cinsault. grenache noir e syrah

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 44,00

Importador: World Wine

Produtor: Domaines François Lurtton

País: França

Uva: pinot noir

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 69,00

Importador: Zahil

Produtor: Domaine du Salvard

País: França/Vale do Loire

Uvas: cabernet franc, gamay e pinot noir

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 70,00

Importador: Decanter

Produtor: Quinta da Neve

País: Brasil/São Joaquim

Uva: pinot noir

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 70,00
Vendas: Decanter

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terça-feira, 26 de junho de 2012 Velho Mundo | 12:01

E o Romanée-Conti foi parar na novela das 9

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Não há rótulo mais cultuado, desejado e comentado – mas raramente provado – como o Romanée-Conti. Apontado pelos críticos e especialistas como a joia da coroa entre os tintos da Borgonha, ou mesmo entre todos os vinhos do mundo, o pinot noir plantado e vinificado na região de Vosné-Romanée, numa pequena parcela de 1,8 hectares e com preços que batem facilmente a casa dos dois dígitos, virou pop e tomou parte do enredo da novela das 9 Avenida Brasil, da TV Globo.

Avenida Brasil é uma novela que tem os melhores elementos de um folhetim. Carrega nas tintas nos conflitos entre seus personagens principais e sempre deixa margem para dúvida de suas reais intenções. O núcleo central é formado por moradores do subúrbio, no fictício bairro do Divino, que batalham pelo sustento ou até venceram na vida – seja pelo talento, seja pelo esforço ou mesmo  pela esperteza de se associar a quem chegou lá. O pequeno núcleo rico,  contraponto ao anterior, serve apenas de moldura para uma caricatura de um Don Juan casamenteiro e suas mulheres dondocas.

Max e um exemplar de Romanée-Conti: "Eu também tenho direito a um bom vinho"

O foco porém,  é a população do bairro do Divino, afastado da Zona Sul, e sua caricata descontração, de uma alegria histriônica e permanente que só se rivaliza com o barraco rápido que se forma entre os personagens em quase todo capítulo. No Divino, a dança é o Kuduro, o esporte, o futebol e a pelada – que fez a fortuna de Tufão, que sustenta a família que é o eixo principal da novela. A bebida, claro, é a cerveja, a breja, destampada em quase todo capítulo, sorvida no gargalo em casa ou nos bares da região.

No capítulo desta segunda-feira, dia 25, porém, o vinho virou protagonista de diversas cenas, mas como sempre irrompeu o enredo na sua forma caricata, como símbolo de soberba  e status de um personagem de poucos predicados: Max, o cunhado traíra de Tufão, e amante da mulher do ex-craque do Flamengo, um autêntico representante do gênero sanguessuga. É mau caráter, e está diminuído diante da amante e da falta de verba para se divertir. Resolve abrir um vinho e fumar um charuto.

Mas evidente que não se trata de um rótulo qualquer. “E um Romanée-Conti!”, exclama a cozinheira da casa, que morou na França e é mais refinada que todos os habitantes do palácio cafona que a turma habita  – trata-se de uma novela, é sempre bom ressaltar. “Este vinho é caríssimo”, aponta ela.

E como um exemplar de um Romanée-Conti vai parar na adega de um jogador de origem humilde do subúrbio? Presente de um xeque árabe. Pronto, está completa a caracterização. O vinho, sempre que entra na nossa ficção, serve como suporte do mau caratismo de um personagem, assim como caiu como uma luva para tipificar o enriquecimento ilícito e a soberba do senador Demóstenes.

Para evitar que personagem tão asqueroso como Max cometa este sacrilégio, sua mulher, também traída, intercepta a ação e resolve levá-lo para um restaurante bacana. Max, ainda imbuído no seu objetivo de se dar bem, e com um conhecimento invejável dos rótulos estrelados, escolhe um Mouton Rothschild 1996, rapidamente vetado por sua esposa-mala.

Max, no entanto, parece que tem uma ideia fixa. Larga a mulher no restaurante e se manda para um hotel de luxo e no conforto de sua suíte ordena um vinho. E não é que volta à cena a garrafa cenográfica do Romanée-Conti? E não apenas uma, mas duas ampolas deste borgonha mítico, com seu rótulo identificável a milhas de distância por qualquer enófilo digno do título. A conta fica cara, 20 mil reais, talvez até um bom preço para um rótulo deste nível num hotel de luxo, mas vá lá, está dado o recado. Claro que não soubemos a opinião de Max sobre o vinho, não há espaço ali para a fruição de um vinho de exceção. Ele é desarrolhado aos pares, e entornado aos borbotões, mas esta rebordosa é apenas sugerida pelas garrafas vazias. O Romanée-Conti chegou enfim à classe C pelas mãos da ficção. E o vinho, mais uma vez, entrou pela porta da frente e de nariz empinado, compondo um personagem vil.

Lula e o Romanée

Quando Lula comemorou sua primeira eleição com goles de Romanée-Conti, ofertados por seu guru de marketing de então, Duda Mendonça, a classe operária foi finalmente ao paraíso. Surgiu até um movimento  “romannecontiparatodos”, que defendia que o objetivo dos socialistas era tornar todos ricos, para que também pudessem beber o vinho. É divertido, mas impossível. Nunca haverá Romanée-Conti para todos. São produzidas somente só 5.500 garrafas por ano. E o preço, evidente, é a maior barreira.

Recentemente, no já histórico aperto de mãos com o antigo rival político Paulo Maluf, proprietário de uma das mais desejadas adegas do país, repletas de rótulos da Domaine de La Romanée-Conti, Lula cobrou: “Ô Maluf, quando é que você vai me convidar para beber um Romanée Conti?.”

Esta garrafa é de verdade

Conhece o Romanée? Um pouco da história, então

No século XVIII, o historiador da Borgonha Claude Courtépée escreveu: “Em Vosné-Romanée não existem vinhos comuns”. Em pleno século XXI, especialistas e enófilos de todas os cantos do mundo ainda compartilham da mesma opinião deste cronista sobre os tintos da Borgonha. Os vinhedos da Domaine de la Romanée-Conti – conhecida pela sigla DRC – representam, no entanto, um milagre deste abençoado trecho de terra. Para o escritor de vinhos inglês Hugh Johnson, por exemplo “faltam sinônimos para definir a intensidade e o poder” dos tintos engarrafados na propriedade. O poderoso, e controverso, crítico americano Robert Parker define a Domaine de la Romanée-Conti como a mais importante vinícola do planeta em seu livro “The World’s Greatest Wine Estates”, em que lista as 50 principais propriedades do mundo do vinho: “Não há pinot noir que chegue perto dos que são produzidas ali”, conclui

A opinião é compartilhada pelos críticos nacionais. Para o especialista da revista Gosto, Guilherme Rodrigues, nas melhores safras “não há vinho que se aproxime em termos de qualidade, intensidade de aromas, elegância, longevidade e paladar como os rótulos produzidos nos vinhedos da Domaine de la Romanée-Conti.”

Todos os vinhos grand crus da DRC são tratados com o mesmo cuidado. A produção é natural. Aubert de Villaine, sexta geração à frente dos vinhedos,  é adepto da prática orgânica desde 1986 e mais recentemente da biodinâmica, aquele método que rejeita o uso de defensivos químicos e acredita na influência dos astros sobre as vinhas e de outros preceitos que seguem uma orientação mais holística no vinhedo. A colheita é tardia, com o objetivo de obter a maturação perfeita das uvas, e extrair taninos de alta qualidade. Os cachos nem sempre são desengaçados, ou seja, os cabos não são retirados em toda colheita. A fermentação, com maceração, dura um mês, com temperatura controlada que jamais ultrapassa 33ºC. A bebida envelhece por no mínimo 18 meses em barris de carvalho francês novo. Os vinhos nunca são filtrados no engarrafamento. O resultado final é disputado por milionários de todo o mundo. Max, em Avenida Brasil, contribuiu com a cota nacional derrubando duas de suas garrafas de cenário.

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sexta-feira, 3 de abril de 2009 Nacionais, Novo Mundo, Tintos | 19:01

Marco Danielle: da tormenta ao prelúdio

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Você conhece Marco Danielle? Quem frequenta a esquina virtual onde os aficionados dos tintos e brancos se encontram, os blogs, fóruns e redes sociais sobre o tema, certamente já ouviu falar dos vinhos Tormentas e Minimus Anima, e de seu autor, Marco Danielle. Desde 2005 ele batalha pela divulgação de seus tintos naturais, de produção reduzida e preço elevado. Danielle defende a baixa intervenção no vinhedo e é refratário a qualquer adição química na vinificação, principalmente de sulfitos.

A novidade é que agora ele está trabalhando um novo rótulo, Prelúdio, um vinho que  mantém o mesmo estilo mas dá uma trégua no preço. Odiado ou amado, o fato é que seu discurso sempre provoca faísca. E Danielle não é muito aderente a críticas, seja lá quais forem, e defende com unhas, dentes, ancinhos e, muita teoria, seus vinhos naturais. Daí a faísca invariavelmente provoca fogo.

Para o músico e ex-colaborador de Veja.com, Ed Motta, o Minimus Anima de 2005, por exemplo, é “o tinto brasileiro de maior personalidade” que já degustou. “No nariz, rara elegância, com uma nota salgada e apimentada que lembra os vinhos do Rhône e Languedoc, na França. Brilhante”, complementa. O enocineasta John Nossiter e os críticos do site Notas de Degustação também se somam aos entusiastas das experiências naturais de Danielle. Já boa parte da crítica tradicional olha desconfiada para o projeto, para seus proclamas e seus caldos. O crítico Marcelo Copello,  atualmente editor da revista Adega, comentando uma degustação às cegas de seus rótulos, disparou o seguinte petardo há alguns anos: “Algumas pessoas realmente não gostaram do vinho, achando-o desagradável”, sentenciou. “Os defeitos principais comentados foram aromas cozidos e concentrados de mais, de uvas excessivamente maduras ou concentradas posteriormente de alguma forma.”

Tudo isso é bossa-nova, tudo é muito natural
Seus vinhos, no entanto, a despeito de qualquer crítica, a favor ou contra, são extratos naturais, como os rios. Há quem goste das águas correntes, há quem prefira a platitude das represas ou o conforto das piscinas, quimicamente tratadas. Gosto é um valor subjetivo.

Provar um dos rubros criados no ateliê de Danielle – é assim que ele chama seu espaço de elaboração de vinhos artesanais – é de fato uma experiência diferente. O perfil dos tintos está mais próximo ao estilo do velho mundo, onde Danielle ganhou o pão como fotógrafo. No lugar da fruta em compota na taça, e do envelhecimento em madeira, a pureza da fruta. Apesar do termo desgastado, diria que é um vinho bossa-nova, que no princípio causa estranheza mas que esconde uma harmonia rica por atrás de sua aparente simplicidade.

Seus tintos não usam conservantes, leveduras industriais ou sofrem qualquer intervenção química na vinificação. O desengace dos cachos é manual e muitos de seus rótulos não contém, ou contém porções reduzidíssimas, de SO2, um conservante muito utilizado na elaboração de vinhos. Os caldos também não são filtrados ou estabilizados artificialmente. Muito  técnico, meio chato, né? Mas e daí, você deve estar se perguntando?

Daí que esta escolha resulta em um vinho diferente no paladar, que explora mais a verdade do vinhedo e a potencialidade da fruta; daí que o sabor, a cor e a palheta de aromas fogem do modelo tradicional – o que nem sempre pode agradar e nem %C

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008 Degustação, Espumantes, Nacionais | 11:04

Deu zebra no ranking de espumantes da Playboy

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O I Ranking de Espumantes Nacionais promovido pela revista Playboy vai dar o que falar…  Este Blog do Vinho antecipa o resultado, que estará na edição de aniversário que circula dia 12 de agosto. Das 22 garrafas avaliadas, o grande vencedor foi o Dom Cândido Brut. Conhece? Provavelmente, não. O Dom Cândido é um espumante pouco conhecido do Rio Grande do Sul, elaborado 100% com a uva chardonnay e vinificado pelo método charmat – aquele em que a segunda fermentação é realizada em grandes tanques de aço. A coisa foi séria. A degustação, coordenada pelo presidente da ABS (Associação Brasileira dos Sommeliers), Gustavo Andrade de Paulo, foi às cegas, sem que ninguém soubesse qual rótulo estava na taça, e as garrafas foram compradas em lojas e supermercados.

O segundo lugar, ao contrário, não teve surpresa, coube a um espumante campeão na lista dos nacionais mais admirados e que sempre agrada, o Excellence Par Chandon. A propósito, a maioria dos jurados acertou o rótulo, mesmo às cegas. Como eu sei? Eu fui um dos oito jurados. O restante da classificação, aliás, vai dar muito pano para a manga, ou para a uva. De qualquer forma, os admiradores do vinho têm este mês uma boa desculpa para comprar a próxima edição de Playboy, veja a lista.

Resultado final

1º lugar
Dom Cândido Brut
Método: charmat

2º lugar
Excellence Par Chandon
Método: charmat longo

3º lugar
Aurora Brut
Método: charmat longo

4º lugar
Dal Pizzol Brut
Método: champenoise

5º lugar
Château Lacave Brut
Método: champenoise

6º lugar
Georges Aubert Reserva Extra Brut
Método: charmat

7º lugar
Almadén Brut
Método: charmat

8º lugar
Peterlongo Brut
Método: champenoise

9º lugar
De Greville Brut
Método: charmat

10º lugar
Miolo Millèsime Brut
Método: champenoise

O que significa este resultado? Que o desconhecido Dom Cândido é o melhor espumante nacional do mercado? Menos. Significa, de fato, que naquele dia aquela garrafa foi a que mais agradou a todos os oito jurados (veja lista abaixo). Em minhas anotações rabisquei que a amostra número 3, a campeã Dom Cândido, tinha um perlage persistente (perlage é como são chamadas as bolhinhas de gás carbônico que brotam do fundo da taça em direção à borda e formam aquela espuma), aromas mais evoluídos, mais comuns em champanhes feitas pelo método tradicional (errei feio, como se vê), além de um leve toque de panificação. Confesso que nunca havia experimentado este espumante antes. E achei muito bem feito, destoando no estilo dos demais.

Outro ponto que chama a atenção na lista dos 10 mais: de três produtores mais badalados de espumantes nacionais – Salton, Miolo e Chandon -, somente esta último está entre os três primeiros da avaliação, sobrando para a Miolo o 10º lugar, atrás de marcas como Peterlongo, Aurora, Dal Pizzol e Georges Aubert.

Moral da história?

Prova às cegas é a prova dos noves, aqui não tem truque, o que vale é a percepção gustativa, a experiência – ou falta de – e avaliação do momento, daquela garrafa. Uma boa maneira, também, de rever uma série de preconceitos. Vou provar novamente o Don Cândido Brut e volto a comentar minhas impressões neste espaço. A propósito, não é fácil encontrá-lo, a produção é limitada a 12.000 garrafas.

Os outros sete jurados do ranking.

Alexandra Corvo: sommelière, proprietária da escola de vinho Ciclo das Vinhas e colunista de vinhos do Portal Veja SP.

André Santos: sommelier do restaurante Fasano Al Maré, no Rio de Janeiro.

Débora Breginsky: sommelière do restaurante Dressing e consultora privada de diversos enófilos.

José Maria Santana: jornalista, colunista da revista Gula, escreve sobre vinhos há 18 anos.

Josimar Melo: crítico de gastronomia do jornal  Folha de S.Paulo e diretor do site Basílico.

Manoel Beato: sommelier do restaurante paulistano Fasano e autor do livro Guia de Vinhos Larousse.

Richy Anson: sommelier e docente de gastronomia na Universidade Anhembi Morumbi.

Dom Cândido: site oficial

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