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quinta-feira, 4 de novembro de 2010 Degustação | 19:50

Vinho do Porto Colheita 1937: bebendo história

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Douro: patrimônio da humanidade em cenário de sonhos

Beber vinho do Porto é saborear um pouco de sua história. A região montanhosa do Douro, em Portugal, onde parreiras são cultivadas em jardins suspensos esculpidos pela mão do homem, foi a primeira região vinícola demarcada no planeta, em 1756, pelo futuro Marquês de Pombal. A região foi declarada pela Unesco patrimônio da humanidade em 2001. A casa mais antiga do Porto, que sempre sofreu influência direta dos ingleses, a Warre & CO, foi fundada em  1670. A tradição está presente em toda garrafa de vinho fortificado aberta.

Colheita 1937

Provar uma safra recente de um Tawny (uma das classificações do Porto), portanto, já é uma experiência que carrega esta rica herança em cada gole. Ter a oportunidade de degustar um Porto Colheita da safra de 1937 (da Casa Burmester), então, é mais que uma oportunidade rara. É um momento sublime para os amantes dos caldos do Douro: é o encontro do trabalho de uma geração do início do século com a elegância revelada na taça décadas depois. Trata-se de uma epifania vinífera. Um Porto desta idade revela cores de matizes acobreadas, aromas oníricos e evoluídos. O doce, e o álcool, na boca é dionísico e a acidez presente confere a vivacidade que mantém o conjunto harmônico e a complexidade exuberante. O vinho não é doce à toa. O acréscimo de aguardente vínica corta o processo de fermentação preservando parte do açúcar residual e garantindo longevidade ao fortificado.

Os descritivos de um Porto desta idade são todos superlativos: aromas infinitos de frutas secas, creme brulê e mel que chegam em ondas e volatizam na taça mesmo depois de esvaziadas – e fica aquela cena bizarra de narizes enfiados em copos sem vinho, mas com um Porto virtual suspenso no ar. A intensidade de boca e de fim de boca são longuíssimos – recomendam evitar a escovação dos dentes pelo menos até a próxima refeição.

Porto e filosofia

O Porto é um vinho contemplativo, como um romance de Machado de Assis, que envolve pelas camadas narrativas. Os Portos mais antigos têm a densidade da filosofia. Aliás, vinho do Porto, com sua doçura e viscosidade, na modesta opinião deste colunista, é um vinho que harmoniza com a leitura, com o pensar e o diálogo.

Há uma aposta audaciosa em produzir um vinho para o futuro, que vai envelhecer por muitos anos. O  potencial de evolução de um vinho é um projeto que pode até ser desenhado na prancheta de uma vinícola, estar na cabeça de um enólogo, e até ser prevista pelos críticos mais doutos, mas só pode ser colocado à prova pelas gerações que estão por vir  – geralmente sem o testemunho de seus criadores. É como planejar uma catedral: os projetistas desenham o edifício e lançam os alicerces, mas as derradeiras torres furam as nuvens sem a presença destes. No entanto, a beleza da obra está presente para ser admirada pelas gerações futuras.

Safras antigas e frascos pequenos

Garrafa de 50 ml

O Colheita 1937 foi desarrolhado na presença de um dos atuais enólogos da Casa Burmester, o engenheiro Pedro Sá,  que desafiou os presentes a identificar o tipo de vinho numa primeira prova às cegas (aquela que é feita sem ver o rótulo). A mim me pareceu um madeira envelhecido.  Pedro Sá não estranhou minha associação, pois é parte da proposta da Burmester privilegiar a acidez de seus caldos a fim de manter um estilo fresco e irreverente, o que aproxima de fato o Colheita provado de alguns Madeiras excepcionais. A joia da coroa tem preço de joia mesmo: 3.100,00 reais e serão embarcadas apenas doze garrafas no Brasil pela Importadora Adega Alentejana. Chegam acompanhadas das safras do Colheita de 1944 (R$ 2.133,00) e de 1955 (R$ 1.750,00). Se você tem uma dívida de eterna gratidão com alguém que seja um apreciador de vinho – e dinheiro para isso -, está aqui o presente dos sonhos de Natal. Ou então faça uma vaquinha na sua confraria e dê um presente a si mesmo.

Antes que me acusem de leviandade, por tratar neste espaço de um rótulo tão inacessível, vale o parêntese:  um vinho de exceção só vem comprovar a qualidade  de uma casa produtora de Porto, no caso a J. W. Burmester. A Burmester é uma dessas vinícolas com história. São 250 anos de tradição – foi fundada em 1750. A casa produz portos de vários estilos: Tawny, Ruby, LBV, Vintages de 10 a 40 anos e brancos – sim, para quem não sabe existem portos brancos (conheça aqui todos os estilos do Porto). Outra curiosidade da Casa são as garrafas de 50 ml, para momentos em que uma taça é a medida ideal de sua sede.  Há pequenos frascos de todos os estilos: Burmester Ruby (R$ 6,80), Burmester Tawny (R$ 6,80), Burmester LBV (R$ 8,20), Burmester 10 anos (R$ 11,10), Burmester 20 anos (R$ 20,40) e Burmester 40 anos (R$ 52,40).

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Os vários tipos e estilo de Vinho do Porto

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Apesar de 80% da produção de Vinho do Porto ser dos tipos Ruby e Tawny – os mais comuns e baratos -, há uma variedade de estilos que são engendrados pelo tempo. Você sabe reconhecê-los? O guia abaixo mostra a diferença entre cada tipo e estilo de fortificado.

PORTO BRANCO

Elaborado a partir de uvas brancas (malvasia fina, viosinho, donzelinho, gouveio, codega e rabigato), pode variar conforme o grau de açúcar. Os muito doces são conhecidos como Lágrima, em seguida, há os Doces, Meio Secos, Secos e os Extra Secos.

PORTO TINTO

Entre as castas usadas na sua produção destacam-se: tinta amarela, tinta barroca, tinta roriz, touriga francesa, touriga nacional, souzão e tinto cão. O Douro é uma região de assemblage, está implícito na fórmula de seus vinhos de mesa e Porto a mistura destas uvas.

Dependendo da safra e do tipo de envelhecimento, os Porto tintos são divididos em sete grupos

– RUBY: obtido por lotação – mistura de vinhos de diversas safras (até uma quinzena de vinhos de qualidades diferentes). Passa por estágio em grandes barris de madeira (chamado em Portugal de balseiros), adquirindo um bouquet especial. Depois de engarrafado, está pronto para ser apreciado, já que não evolui na garrafa. Este vinho mostra-se ruby na cor, como diz o nome, é jovem, encorpado e frutado.

Depois de aberto: Beber em até 10 dias

– VINTAGE CHARACTER: é um tipo de Ruby melhorado, mais complexo, encorpado e intenso, já que sua lotação inclui Vinhos do Porto de qualidade superior – com uma média de idade entre três e quatro anos.

Depois de aberto: Beber em até 10 dias

– TAWNY: o nome vem da cor alourada. Por causa do envelhecimento prolongado em cascos de carvalho de menor tamanho (525 litros), esse vinhofoi perdendo os tons avermelhados e adquirindo tonalidades alaranjadas. Como o Ruby, o Tawny é fruto de lotação de vinhos de diferentes safras. Quando é denominado apenas Tawny (sem indicação de idade) resulta de uvas com idade média de 3 anos. É um vinho elegante e delicado.

Depois de aberto: beber em até 4 semanas.

– TAWNY COM INDICAÇÃO DE IDADE: resulta da lotação de vinhos de diferentes safras no resultado final da garrafa, cuja idade média é a indicada no rótulo: 10, 20, 30 e mais de 40 anos. A data de engarrafamento costuma aparecer no rótulo ou no contra-rótulo. O longo envelhecimento em madeira permite o desenvolvimento de aromas complexos e persistentes, além da perda de pigmentos. Um bom exercício é comparar os Tawny de diferentes idades, tanto na cor, como no aroma. Todos, sem dúvida, muito especiais.

Depois de aberto: beber entre 1 a 4 meses (quanto mais antigo mais tempo mantém suas características).

– VINTAGE: quando um vinho é considerado de qualidade excepcional – o que é feito com a aprovação do Instituto do Vinho do Porto –, ele segue sozinho (sem lotação) para um estágio de dois anos em madeira. Depois, continua o seu envelhecimento em garrafa  desenvolvendo o seu bouquet, longe do ar e da luz. O Vintage pode ser degustado logo a seguir ao engarrafamento. Nesse momento, tem cor retinta intensa e aromas complexos, muito frutados e florais. Na boca, sentem-se os taninos e certa adstringência, tudo com muita estrutura e persistência. Quem preferir guardar o vinho por alguns anos – uns dez anos — não se arrependerá. Com o tempo, ele adquire complexidade. O rótulo, além de mostrar a data da safra, deve indicar também a do engarrafamento.

Depois de aberto: beber em 1 a 2 dias.

– LBV (Late Bottled Vintage): a data estampada na garrafa indica o verdadeiro ano da safra. Esse vinho passa de quatro a seis anos em madeira, antes de ser engarrafado. De grande qualidade, tem coloração intense, frutas vermelhas maduras e presença de taninos.

Depois de aberto: beber em até 10 dias.

– COLHEITA: é um vinho de uma safra só, indicada no rótulo. Envelhece em madeira (525 litros) por, no mínimo, sete anos, seguindo para o engarrafamento apenas quando se deseja colocá-lo no mercado. De cor alourada, remete a aroma de frutos secos e especiarias. Não evoluem na garrafa. Na boca é suave e complexo ao mesmo tempo.

Depois de aberto: beber entre 1 a 4 meses  (quanto mais antigo mais tempo mantém suas características)

Temperaturas de serviço
Ao contrário do que possa parecer, o Porto também deve ser degustado em temperaturas adequadas, que realçam sua fruta e aromas. Evite tomá-lo mais quente, pois a percepção do álcool, que já é elevado, vai subir ainda mais:

Porto Branco: 6-10ºC
Porto estilo Ruby: 12-16ºC
Porto estilo Tawny: 10-14ºC

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