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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016 Espumantes, Nacionais | 00:33

Com este calor, só um espumante salva!

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Verão, calor, sol, praia. O que falta nesta foto? Uma garrafa de espumante!

Verão, calor, sol, praia. O que falta nesta foto? Uma garrafa de espumante!

A despeito dos conselhos dos manuais de estilo das redações – quando ainda existiam manual, estilo e redações, não necessariamente nesta ordem –, eu repito o título neste início de texto: com este calor, só um espumante salva!

O verão resolveu castigar aqueles que estão trabalhando (alguém?) e presentear o povo das areias, rios e piscinas com uma bola de fogo que deixa rastros de suor até a madrugada. Resumindo: está um calor dos diabos. E se a bebida é um vinho, o espumante é a melhor opção.

O espumante é um vinho com explosão, de alegria, de comemoração. Se existe método na elaboração, há pouco rigor no consumo. Não é à toa que hoje existe uma certa moda de um tipo de espumante mais doce que pede, melhor implora, dois ou três cubos de gelo na taça. Ninguém bebe espumante e suas variações (champagne, prosecco, lambrusco) analisando muito a qualidade do fermentado.  Não que seja desimportante. Há borbulhas horrorosas, simples, boas e espetaculares. Mas no geral o momento de celebração é mais relevante que a degustação. Tanto melhor então se qualidade e momento caminham juntos. E quantidade também, por que não? Uma taça sem um refil é triste e solitária como um número primo, dividido apenas por ele.

Per brindare un incontro

Espumante é fácil e delicioso de beber. Me ocorre uma associação meio maluca com a ginástica para explicar isso. Beber um espumante é como fazer polichinelo, aquele exercício leve, que inicia os treinos do colégio e que não humilha ninguém. Os movimentos são fáceis e não exigem maiores esforços na sua execução. Todos cumprem a tarefa. Seu oposto na academia dos vinhedos é um Bordeaux mais austero, um tinto encorpado do Chile, que exibem muque e potência, e degustá-los equivale a uma sequência de flexão de braços. Trata-se daquele exercício que que os saradões exibem seus tônus muscular com precisão e os garotos mais franzinos falham vergonhosamente: mal conseguem manter o corpo ereto quando se aproximam do chão, no geral protagonizando um balé destrambelhado de ancas baixas e ombros inclinados sustentados por músculos frágeis e trôpegos.

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Bebe-se espumante “per brindare un incontro” (Não é mesmo, Pepino di Capri?), para comemorar uma data, um negócio fechado ou apenas para curtir a vida mesmo. É o vinho do réveillon, por supuesto! Acompanha desde um petisco até uma refeição completa, ou ajuda a suportar aquela vernissage inadiável. Pode ser servido com pompa em um salão nobre, mas há um prazer incomparável de tomar um espumante na praia, com aquele marzão à frente. A garrafa suando no balde de gelo, a taça se enchendo de espuma e aquele primeiro gole rasgando o palato, com as bolinhas provocando pequenas explosões na boca.

Borá lá então romper a gaiola e provocar aquele estampido seco que libera as borbulhas e seu frescor quando expulsamos a rolha da garrafa! Abaixo alguns rótulos que não faltam na minha adega ou provei recentemente. Ah, não há nenhum exemplo dos tais espumantes para tomar com gelo. Pelo simples fato que não experimentei. Nem tenho muita vontade.

espumante-chandon reserve

Chandon Réserve Brut – é o espumante de qualidade e segurança do Brasil. Nunca falta na minha lista. Sempre bom revisitar. Mantém um padrão constante de excelência.  Borbulhas na medida, frescor, equilibrado e sem excessos. Lembra um pouco frutas brancas. Às vezes parece onipresente. Está em inúmeros supermercados, lojas, restaurantes em todo o país. Chandon na praia? Tem, sim senhor! Tem uma baita distribuição e um marketing esperto e boas ações (no geral compro aquele pack de fim de ano com seis garrafas e uma garrafona de 1.5 litro de bônus). É elaborado pelo método charmat. Traduzindo: a segunda fermentação, ou seja, a incorporação do gás carbônico na bebida (as bolinhas), é realizada em grandes cubas de aço inox fechadas, projetadas para aguentar a pressão do gás carbônico liberado na fermentação, que pode chegar a 5 atmosferas. Na teoria é um método usado para produtos de larga escala, mais barato, e não para bebidas mais refinadas. Para o enólogo francês Philippe Mével, diretor da Chandon Brasil, trata-se de uma avaliação equivocada. “Não é o método que determina a qualidade do espumante e sim a qualidade da uva, a vinificação adequada e o trabalho do blend que conferem seu sabor”, diz.

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Lírica Crua – a vinícola Hermann, em Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul é propriedade dos donos da importadora Decanter. O que poderia ser um passo arriscado para um conhecedor de vinhos e vendedor de rótulos consagrados mundo afora se revelou uma grata surpresa que só se fortalece com o tempo. Adolar Hermann trouxe como consultor o enólogo Anselmo Mendes, conhecido entre no meio como o “rei do Alvarinho”, uva branca típica da região do Minho. Decisão acertada. Da linha de espumantes como Bossa Nova e Lírica se destaca esta garrafa da versão Crua. Lançada no final de 2015, começa surpreendendo pela tampa metálica, igual de uma garrafa de cerveja, e intriga pelo visual turvo e conquista pelo sabor marcante. Mais uma vez entender o método ajuda decifrar a bebida. A Lírica Crua é elaborada pelo processo champenoise ou tradicional, ou seja, a segunda fermentação é feita na garrafa e deixa o vinho-base que irá se transformar no espumante mais tempo em contato com as leveduras. Aqui começa a diferença, no esquema normal estas leveduras são retiradas da garrafa no final do processo (por isso as garrafas giram em torno do seu eixo para empurrar as leveduras para o gargalo). O Lírica Crua dispensa esta etapa, conhecida como “degougerment”. So what? Os sedimentos (leveduras) ficam lá, dando esta cor turva (não se assuste), uma textura cremosa e aumentando a percepção dos aromas de panificação e das frutas cítricas. Palmas para a inovação, sempre bem-vinda ao mundo do vinho.

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Cave Geisse Nature
– às vezes, muitas vezes, eu me repito. Mas eu tenho uma atração por este rótulo da Cave Geisse – e felizmente tenho a companhia da minha mulher nesta opção. O enólogo é um craque com história para contar. Nascido no Chile foi responsável por anos pelos negócios da Chandon do Brasil. Em carreira-solo investiu na região de Pinto Bandeira, um belo polo de espumantes no Rio Grande do Sul. Elaborado pelo método tradicional, o Nature fica 180 dias fermentando e dois anos amadurecendo, em contato com as leveduras. Bastante seco, com zero grau de açúcar, privilegia a acidez, a sensação de frescor e tem uma pegada tostada. A uva Chardonnay predomina (70%), deixando o restante da composição para a Pinot Noir.

Espumante-Aurora-Pinto-Bandeira-Extra-BrutAurora Pinto Bandeira Método Tradicional Extra Brut – a cooperativa Aurora já tem espumantes clássicos consagrados e premiados (não dou muita bola para estas medalhas de concursos que pululam por aí, mas é uma evidência de qualificação). O Chardonnay da Aurora é um dos meus favoritos. Este aqui é uma tentativa de explorar o terreno de Pinto Bandeira, a mesma região do Cave Geisse, e elaborar pelo método tradicional um espumante mais classudo, extra brut, que dorme longos 24 meses em contato com as leveduras para dar maior complexidade de aromas e sabores. Eu acho que conseguiu. Tem personalidade e pegada, sem exageros nos tostados e delicadeza na boca. É uma boa aposta da Aurora que tem uma extensa linha para todos os bolsos e paladares.

 Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos e acessíveis

reserva_ouro_novo_rotuloSalton Reserva Ouro – tem sempre aquela pergunta. Me indica um espumante bom e barato? Bom e barato são definições imprecisas, mas no geral entendo que o consumidor quer tomar uma bebida prazerosa, com o perfil que identifica o produto e com um preço com um bom custo benefício. Aí eu indico o Salton Reserva Ouro (em torno de 45 reais, isso é barato para você? Well…), que sofisticou na apresentação e no formato da garrafa – é mais bonita, mas um transtorno para aqueles que têm adega climatizada em casa para armazenar nas prateleiras. Cítrico na entrada, tem um leve toque de pão torrado (resultado dos seis meses de contato com as leveduras). Frescor correto. O Reserva Ouro, além de tudo, me traz na lembrança a marcante figura de Angelo Salton, servindo seus vinhos nas feiras e eventos. E vinho também é feito de momentos assim.

mateus

Mateus Spakling, rosé português

Sparkling Mateus Rosé – tem tudo para gerar um nariz empinado dos esnobes de plantão. Eu também olhei com desconfiança, confesso. Um espumante com o legado do Mateus Rosé, da gigante Sogrape, e de um preço não muito competitivo (em torno de 90 reais)? E para completar vem com esta  presepada de “Sparkling” no rótulo? Mas agradou de verdade. Tem aquela cor dos espumantes rosés que é uma delícia por natureza. Borbulhas no ponto, boa acidez. É um blend das uvas Shiraz e Baga, um tanto curioso, não pela Baga, responsável pelos bons espumantes da Bairrada, mas pela parceria com o Shiraz. No nariz, confirmando na boca, as frutas vermelhas silvestres esperadas de um rosé (morango fresco por exemplo), com um final mais doce. Um descritivo que me ocorreu apenas na terceira taça (jamais uma taça apenas de espumante, lembra?) foi a sensação da mordida de uma maçã, a acidez que provoca e o sabor e salivação que irradia.

Leia também: É um vinho português, com certeza

Piper

Champa francesa e meu cachorro

Piper Heidsieck – clássico, né? Aqui é o Champanhe com “gn”, da região do mesmo nome, que detém a exclusividade do uso do termo Champagne. Exclusivo, mas nem tanto, vai. Assim como os gauleses da revista em quadrinhos Asterix protegiam sua aldeia dos Romanos no norte da França, aqui no Brasil a situação se inverte. A Peterlongo se defende dos franceses e mantém o direito de exibir o nome champagne em seus rótulos, garantido pelo Supremo Tribunal Federal e não se fala mais nisso. Justo. É a produtora do espumante mais antigo registrado no Brasil, de 1913, e nos últimos anos vem se renovando com rótulos de alta qualidade. Voltando aos franceses… A casa, fundada em 1785, apresenta suas armas: boa espuma, cor palha, frutas secas antes e depois do gole e acidez correta. A Pinot Noir é maior destaque do blend (50%) que ainda tem 25% de Pinot Meunier e 20% de Chardonnay.

 

Jansz

“Comprei uma caixa”, disse meu amigo

Jansz Tasmania – um amigo recente, mas não menos importante, me apresentou esta belezinha no apagar das luzes de 2017. “Você conhece este espumante?, ele me perguntou enviando a foto pelo celular. Não conhecia, apesar de ser importado pela KMM, conhecida casa especializada em vinhos da Austrália e que recentemente expandiu seu catálogo para outros países. Gentilmente, ele comprou um caixa e me convidou para provar. Da Tasmânia, para ser sincero, minha única referência era do demônio da Tasmânia e o Taz, o desenho animado que representa o bicho. A proposta, desde 1975, foi de elaborar um espumante de alta qualidade. Serviço feito! O método – olha ele outra vez – foi batizado de “tasmenoise”, uma corruptela de champenoise. A empresa chegou a se associar com o consagrado produtor de Reims, em Champagne, Louis Roederer. O Chardonnay e o Pinot Noir dominam a mescla. Às cegas parece um champagne mesmo. Perlage (as bolinhas), finas e elegantes. Boa cremosidade, as frutas secas e panificação como colchão gustativo, e um final persistente e elegante. Abrimos uma garrafa, abrimos duas… Adorei este espumante do Taz!

 

E um bar de espumantes?

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Um wine bar de espumantes brasileiros no “miolo” dos Jardins

Não é má ideia, não? Foi outra experiência ligada ao mundo das borbulhas que experimentei recentemente. Foi inaugurada em São Paulo, no pedaço com o maior consumo per capita de vinho da cidade, na região dos Jardins. Trata-se  da Champanharia Natalício by Miolo. Fica na Haddock Lobo, 1327. Proposta testada em Porto Alegre, os vinhos são nacionais. O nome já entrega. Os espumantes – e outros rótulos — são exclusivos da Miolo. O wine bar abre às 11h da manhã e fecha só à meia-noite. Tá ali de bobeira às 11h30, antes da reunião? Uma taça de Miolo Cuvée Tradition Brut é uma possibilidade (20 reais). Saiu mais cedo? Happy hour com um Miolo Millésime Brut é uma escolha refrescante e mais refinada. O lugar ainda oferece tapas, tábuas de salames especiais e queijos, sandubas em um cardápio que promove harmonização com as borbulhas. Descontraído, o wine bar valoriza o vinho brasileiro sem discurso, nem nacionalismo barato. Oferece qualidade, variedade e quem sabe abre caminho para outras experiências parecidas na cidade.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016 Brancos, Nacionais, Tintos | 19:17

O vinho brasileiro ganha espaço em restaurantes, em loja exclusiva e na sua casa

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Vinhedos da Guaspari: nova fronteira do vinho, em Espírito Santo do Pinhal, no estado de São Paulo

Vinhedos da Guaspari: nova fronteira do vinho, em Espírito Santo do Pinhal, no estado de São Paulo

Algumas pessoas, as mal informadas, se espantam quando eu digo que tomo vinho nacional – e com alguma frequência. Esboçam aquele sorriso incrédulo seguido de um “ah, vá” e, diante da minha insistência, recorrem ao segundo argumento mais utilizado diante da possibilidade de desarrolhar um rótulo verde-amarelo: “Ok, até tem alguns bons, mas o preço…”.

Sabe nada, inocente!

Vamos lá. Sim, há vinhos nacionais bons e muito bons – e os ruins ou bem meia-boca, alguns têm um preço maluco, outros compatíveis com o mercado e há também os achados.

O mesmo fenômeno ocorre no universo dos vinhos importados – tanto em preço como na qualidade. A combinação de preço e volume faz parte da construção de marca que rege a indústria desta bebida – de toda indústria, a propósito. Vale sempre lembrar que o vinho nacional paga também uma alta carga de impostos: 54,73% do preço da garrafa vai para o governo na forma dos mais variados tributos, o que contribui na formação do preço. No importado a mordida é de 74,73%

Mas se ainda existe este comportamento preconceituoso entre alguns consumidores de vinho, sinais opostos e positivos mostram que o  vinho brasileiro, das mais diversas regiões e estilos, vem conquistando um espaço maior na taça. E se é verdade que o melhor do vinho  é a diversidade, o Brasil hoje faz parte desta equação.

E quais são estes sinais?

Muitos restaurantes, pelo menos em São Paulo, estão aumentando a oferta de rótulos nacionais em suas cartas, além dos obrigatórios espumantes.

Os vinhos antes restritos ao sul do país agora exploram novas fronteiras. Tanto no Nordeste, um projeto mais antigo, quanto nos improváveis estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo (benza deus, São Paulo, quem diria?) e Goiás, e consolidando a vocação da Campanha Gaúcha, nas franjas do Uruguai.

Pequenos produtores de vinhos orgânicos ou biodinâmicos brasileiros também estão encontrando seu público e espaço para comercializar seus rótulos.

As lojas também abrem mais espaço para o vinho nacional. No exemplo mais radical, uma loja e bar em um bairro boêmio em São Paulo vende exclusivamente rótulos brasileiros.

E como temos mesmo este complexo de vira-latas, nada como o endosso de uma publicação internacional de prestígio para consolidar esta tendência. A prestigiosa revista inglesa Decanter publicou em sua edição de outubro uma reportagem de 4 páginas com o título “Golden era for Brazil“, enfatizando que 2016 é um ano histórico para os produtores de vinho brasileiros. No texto, o autor elogia a qualidade e a diversidade (olha só) do vinho nacional, além de destacar as três primeira medalhas de ouro conquistados pelo Brasil no concurso que a revista promove (Decanter World Wine Award) entre rótulos de todo mund. Foram agraciados dois rótulos da Casa Valduga (Casa Valduga Terroir Leopoldina Merlot e o Gran Leopoldina Chardonnay D.O) e outro da jovem Vinícola Guaspari. (Vista do Chá Syrah 2012) (leia mais sobre a Guaspari mais abaixo).

Blog do Vinho bebeu

Nas últimas semanas tenho bebido rótulos brasileiros em restaurantes, bares e em casa. E não foram apenas espumantes. É apenas mais um reflexo do que escrevi acima. Aos vinhos, pois:

Pinot Noir: simples, descontraído, saboroso

paradoxo1Nos restaurantes Modi e no Lambe-Lambe, uma rede que une qualidade e preço e entrega uma culinária saborosa com ingredientes mais simples, o vinho em taça é o fresco e gostoso Paradoxo Pinot Noir da Salton. Uma ótima sugestão do consultor Luis Felipe Campos, responsável pela carta dos restaurantes. Com uvas da região da Campanha Gaúcha, baixo teor alcoólico e fruta delicada,  acompanha bem entradas, pratos mais leves, frango. Agrada também em carreira solo.

Varietal-Pinot-Noir-2012Outro exemplo de Pinot Noir nacional bacana é o Varietal Pinot Noir da Aurora, de Bento Gonçalves, uma delícia de vinho jovem, frutado e que a gente mata uma garrafa num bate papo sem perceber. Fácil de encontrar em supermercados, é uma boa pedida para levar para casa e beber sempre jovem. Agrada também os Tio Patinhas do Baco, com um preço bem acessível (algo como 25 reais)

Menos álcool, mais frescor

vinheticaAinda no universo dos brasileiros conquistando espaço nas cartas dos restaurantes, este rótulo da foto ao lado, da Campanha Gaúcha, foi provado no simpático Allez, Allez!, um bistrô na Vila Madalena.  O Vinhetica – Terroir de Rouge é um achado. Em primeiro lugar, trata-se de um tinto com 12,5 de álcool, que só por isso merece todas nossas mesuras. Supergastronômico, com frutas frescas e acidez bem marcante, mostra um aroma balsâmico. A maceração é do tipo carbônica, como fazem os Beaujolais Nouveau da vida, ou seja, a fermentação acontece dentro da fruta, o que preserva o frescor que se destaca na bebida. O Vinhetica Terroir de Rouge é o resultado da leveza da uva arinarnoa (que desconhecia) com a robusta cabernet sauvignon, um experimento do viticultor francês Gaspar Desurmont que se apaixonou pelo solo brasileiro e por aqui montou seu empreendimento. Já havia provado em um evento, mas na companhia da comida, deu uma valorizada.

Vinho paulista

Os chamados vinhos de inverno, nos quais se incluem os vinhos produzidos em solo dos Bandeirantes, são fruto de uma técnica de cultivo adaptado ao clima da região sudeste/centro-oeste conhecido como poda invertida. Técnica esperta, ela engana o ciclo vegetativo da parreira e gera frutos em julho, agosto, época de menos chuva e clima mais temperado. Minha primeira experiência foi o tinto Primeira Estrada, lá em 2013. Esta técnica, desenvolvida por Murilo Albuquerque, da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), possibilitou a aventura de outros empreendedores que tinham “um vinho na cabeça e uma uva na mão”. Entre este grupo se encontram malucos/empreendedores de Minas Gerais, Goiás e São Paulo, em geral com origem na zona cafeeira destes estados. A Guaspari e a Casa Verrone são dois exemplos.

 Guaspari, agora numa versão mais econômica

Desde que colocou no mercado seus três primeiros rótulos, um aprazível sauvignon blanc e dois syrah (Vista da Serra e Vista do Chá), a Guaspari surpreendeu os céticos, mereceu boas críticas da imprensa especializada e elogios entre os consumidores. Arrasou conquistando o prêmio máximo da Decanter – como contamos acima. Um baita efeito “uau!” para um iniciativa pioneira e iniciante. Mas de bobos eles não têm nada e os louros não vieram por acaso. A Guaspari criou uma estrutura profissional para chegar nisso. Com vinhedos plantados em uma fazenda cafeeira na região de Espírito Santo do Pinhal, no Estado de São Paulo, a Guaspari chegou chegando com um trabalho ousado que contou com a consultoria do enólogo americano Gustavo González – que tem no currículo a vinícola americana Robert Mondavi – e com um marketing imbatível: um vinho de qualidade produzido em São Paulo. Pronto, ganhou as manchetes! E se posicionou com preço de gente grande (cerca de 150 reais a garrafa).

O que leva a uma reflexão sobre preço e vinho nacional: se o vinho é de qualidade, que diferença faz a nacionalidade na hora de colocar a mão no bolso? valedapedra

Este ano a Guaspari lançou uma segunda linha de vinho, um pouco mais acessível, nem por isso na bacia das almas (78 reais): o Vale da Pedra tinto 2015 (também da tinta syrah, que parece ser a uva que mais se adaptou a estes novos territórios do vinho) e o Vale da Pedra branco 2015 (sauvignon blanc, a branca que também se deu melhor). Curiosamente, ao contrário do padrão dos vinhos nacionais, se você procurar a uva na parte principal do rótulo não encontrará. Este novo vinho vem atender esta tendência de vinhos mais jovens, leves e com maior potencial de consumo. A madeira – quando existe – é apenas coadjuvante. É o caso deste syrah com um estilo “chocolate com pimenta”, que tem esta pegada bem marcante no final de boca. As especiarias típicas da uva estão lá, a acidez dá prazer e a parceria com a comida é mais fácil.  Os vinhos são encontrados em sua loja virtual e na rede de supermercados Saint Marche, em São Paulo.

 Casa Verrone, de Itobi para o mundo

caa-verroneVocê sabe onde fica Itobi e Divinolândia? Eu até sei, pois já fui a Itobi, mas garanto que não foi por conta de vinho, que nem sabia que existia. Mas um produtor – a Casa Verrone – arranca do solo destes municípios no interior do Estado de São Paulo, na região da Serra da Mantiqueira, as uvas que maceradas dão os caldos de seus vinhos. E, para surpresa geral da nação, o seu Chardonnay Speciale Casa Verrone 2015 levou o prêmio na sua categoria na Grande Prova de Vinhos do Brasil 2016. Este eu provei em casa, mas comprei na RedButeco, descrito logo abaixo. É um chardonnay de estilo mais amadeirado, amanteigado, que lembra um pouco os brancos dos anos 2000 produzidos no Chile e Argentina, mais gordo que fresco. Um estilo com vários defensores.

 

Vinho de Food Truck

losmendozitos
Quem já passou por eventos e feiras ou deu um rolê pelos FoodTrucks que explodiram em 2015, e estão se adaptando à realidade de  2016, já deparou com a marca Los Mendozitos, que segundo definição dos fundadores trata-se de uma “rede de Wine Bars itinerantes do Brasil especializados em vinhos de produções familiares”. Por itinerante entenda-se trailers e até bicicletas que comercializam vinhos. Uma ideia que apostou na simplicidade, no preço e no vinho em taça.  E deu certo. Agora os Mendozitos resolveram ocupar um espaço fixo no FoodTruck do Vila Butantã – que é formado por trailers tradicionais de comida e algumas lojas fixas ocupadas em cointainers que formam um mini shopping ao livre em frente à sede da Odebrecht, em São Paulo. Ao contrário do modelo de negócio dos trailers, que é de venda de vinho em taça, na loja fixa o consumo maior é de garrafas. A nota curiosa é que, apesar do nome, os vinhos nacionais também têm vez nas prateleiras como os espumantes do Don Giovani e tintos e brancos nacionais. O rótulo que leva o nome da loja, Los Mendozitos, a propósito, é um cabernet sauvignon produzido pela Guatambu, de Don Predito, no Rio Grande do Sul. Eu imaginava que seria um Malbec de Mendoza… Sem grandes pretensões, correto, com bons taninos, é outro exemplo de vinho nacional ocupando os espaços que ampliam o consumo dos nossos rótulos e atingem um público diversificado.

Um tinto de outro mundo

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O mundo do produtor independente Eduardo Zenker é o vinho de garagem. Não é uma força de expressão. Literalmente ele faz suas alquimias em uma garagem em Garibaldi – da mãe. Foi ali que um casal de amigos provou e trouxe esta garrafa de um Ancellota de 2013 que foi batizado como o sugestivo nome de Alma Penada, já que é um caldo  condenado à extinção. Explicando: as parreiras de onde vieram as uvas foram cortadas pelo fornecedor e este vinho não se repetirá. Este eu provei na casa desses amigos.  Vinhos como os de Zenker fazem parte do movimento de vinhos natureba, que aqui em São Paulo tem como maior divulgadora a Enoteca Saint Vin Saint da Lis Cereja. E só o fato de este tipo de vinho diferentão, que defende a interferência mínima do homem no vinhedo e na vinificação, ter um espaço conquistado, já mostra que há vinhos brasileiros em todos os estilos disponíveis. E público para isso – e até uma feira anual pra lá de concorrida que reúne vários produtores. O Alma Penada é bem escurão, estava muito floral, tinha uma espécie de gosto de terra. Na proposta orgânica, o sabor da uva parece mais natural, mas surgem algumas arestas, algo parece meio desequilibrado, o que os defensores classificam como qualidade intrínseca do processo. Definitivamente é um caldo controverso, mas que vale ser conhecido. Ainda citando a tal reportagem da Decanter, um dos rótulos indicados pelo autor é o Era dos Ventos, Peverella, 2013, do casal Luis Henrique e Talise Zanini em parceria com o proprietário do restaurantes Aprazível, Pedro Hermeto uma espécie de vinho laranja tupiniquim e o Atelier Tormentas, Vermelho Cabernet Franc 2015, do polêmico vinhateiro Marco Danielle, do qual escrevi em 2009 e nunca mais cruzei. Este eu preciso provar.

Red: um buteco de vinhos verde-amarelos

red

Por fim, fui conhecer um projeto que parecia pra lá de original e ousado: o Red Buteco. Trata-se de um bar e loja exclusivos de rótulos brasileiros. Voltado para o público jovem e encravado também na Vila Madalena, onde a cerveja, o chopp e a caipirinha reinam incontestes, parecia um suicídio comercial. E aparentemente está dando certo. O público escolhe o vinho nas prateleiras, os atendentes são jovens sommeliers que conhecem os rótulos e tudo é servido em um ambiente moderno e descontraído. Não há muito ritual, bebe-se pelo prazer, pela companhia, no buteco. Para acompanhar a bebida, há um cardápio restrito de aperitivos (gostei da coxinha. Pode coxinha e vinho? Pode!) e pratos rápidos (menos bons). Os rótulos disponíveis variam desde alguns produtores conhecidos do Sul, como Lidio Carraro, Pizzato, Dal Pizzol, Cave Geisse até rótulos de regiões experimentais e pouco conhecidas, do Paraná (espumante Poty), Minas Gerais (Luis Porto) e evidentemente São Paulo (Guaspari e Casa Verrone, foi lá que comprei o meu).

Os proprietários são três jovens com carreira em outra atividade – economista/sommelier, arquiteto/urbanista e advogado/Dj, respectivamente. O público é alegre, predominantemente feminino. Um consumidor novo, com menos vontade de encontrar frutas do bosque no vinho e mais vontade de ter prazer com a bebida e sua companhia.  Acho que não podia ter notícia melhor para o vinho brasileiro.

Serviço:
Red Buteco de Vinhos Brasileiros
Rua Mourato Coelho, 1.160, Vila Madalena, São Paulo, SP

 

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quinta-feira, 17 de setembro de 2015 Sem categoria | 18:03

Vinho nacional de qualidade e acessível é um paradoxo? A aposta da Salton

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Luciana e Stella Salton com garrafas de Paradoxo nas mãos: "Queremos que as pessoas falem mais da Salton"

Luciana e Stella Salton com garrafas de Paradoxo nas mãos: “Queremos  as pessoas falando mais da Salton”

Se você é bebedor de vinho, é provável que já tenha tomado um rótulo da Salton. Se espumante é sua praia, as chances são maiores, afinal a vinícola com sede em Tuiuty, Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, é a maior produtora de vinhos com borbulhas do Brasil. Agora, se você é daqueles que não tem preconceito e curte vinho nacional – como eu –, certamente já desarrolhou uma garrafa desta empresa que completou incríveis 105 anos em agosto deste ano. Se você se enquadra em uma das três alternativas anteriores, e assim como todos os brasileiros e brasileiras está com o orçamento mais apertado, acho que este post pode interessar. Vamos falar sobre um vinho nacional bom e barato, e  se trata de um “Paradoxo”.

Paradoxo, segundo o Dicionário Aurélio, é uma contradição, pelo menos na aparência. Um conceito que é ou parece contrário ao comum; um contra-senso, absurdo, disparate. Vinho nacional de qualidade, para muita gente de nariz empinado, entra nesta categoria. Bom e por um preço acessível então, pertence ao campo do improvável. A Salton, no entanto, acredita em paradoxos. E lançou para o mercado de restaurantes a linha de tintos, brancos e um espumante da região da Campanha Gaúcha que, não por acaso, nomeou de Paradoxo. A ideia é fornecer alternativas que podem entrar na carta dos restaurantes a preços mais atraentes. “Nosso objetivo é fazer o brasileiro consumir mais vinho brasileiro”, defende Luciana Salton, diretora-executiva da vinícola. tanto melhor que seja o que ela produz, claro. O consumidor final também pode comprar as garrafas no site da empresa – a caixa com seis volumes sai por R$ 26,50 a garrafa mais valor de frete,  dependendo da região de envio.  Paradoxo, vale reforçar, também é definido no dicionário como “uma afirmação aparentemente contraditória que, no entanto, é verdadeira”.

Pinot Noir e Gewürztraminer

E já que a pegada é tratar de paradoxos, em vez dos varietais (vinhos elaborados apenas de uma uva) mais comuns como merlot, cabernet sauvignon e chardonnay, que fazem parte da linha Paradoxo, meus destaques são a pinot noir e a gewürztraminer.

Paradoxo Pinot Noir

O Paradoxo Pinot Noir 2014 é novidade no mercado, recém-lançado em agosto deste ano, foi fermentado em barricas e ficou por lá mais um ano. De cor mais escura que um pinot noir do velho mundo tem um toque tostado da madeira e as sempre presentes frutas vermelhas, aqui mais frescas. Um pinot muito saboroso, menos pesadão, fácil e prazeroso de tomar. Um bom vinho de primavera/verão que deve ser consumido um pouco mais resfriado (mas não gelado, não é para ele pegar uma gripe!).

Paradoxo Gerwuztraminer

O Paradoxo Gewürztraminer, com este nome que mais parece um trava-língua e que o Google sempre costuma corrigir a grafia na busca com aquela opção “você quis dizer…”, é uma uva branca mais comum na região da Alsácia, na França, e na Alemanha e que no geral me incomoda quando excessivamente floral. Não é o caso deste exemplar da Campanha Gaúcha, que tem um floral na medida e cumpre seu papel de refrescar o paladar com boa acidez, que amplia sua percepção na boca, um cítrico e um abacaxi no aroma e no paladar e que combinou muito bem com um risoto de limão. Um vinho parceiro de pratos mais leves.

 A Salton volta a falar

A Salton sempre mandou bem no marketing; soube como ninguém comunicar seus feitos, alardear seus vinhos e aproveitar ondas como do prosecco, nos anos 2000, dos espumantes nos anos seguintes, conquistando a liderança no mercado (mais de 40%),  e ainda se qualificando com vinhos de alta gama contando com a consultoria de um enólogo internacional (o argentino Angel Mendoza, da Trapiche em parceria com o enólogo-chefe Lucindo Copat) quando não se falava nisso, na elaboração das primeiras safras do tinto Talento. À frente desta estratégia “Velho Guerreiro” do “quem não se comunica se trumbica” estava Angelo Salton, presidente da empresa até fevereiro de 2009 quando um enfarte fulminante o retirou precocemente do cenário do mundo do vinho.

Angelo era um comunicador nato, com enorme magnetismo pessoal. Ele fez bem ao vinho de sua empresa, e por tabela ao vinho nacional. Para ele todo bebedor de vinho era um cliente em potencial. No estande da empresa nas feiras de vinho recebia qualquer pessoa que passasse por perto com um enorme sorriso e, oferecia uma taça de vinho: “Este é um espumante da mais alta qualidade, brasileiro, é da Salton. Você vai provar, gostar e comprar mais no supermercado”, dizia, confiante, com seu vozeirão.

“Quando meu pai morreu ficamos no limbo”, comenta Luciana Salton. Quase sete anos se passaram. Neste meio tempo Luciana e Stella – responsável pela área de comunicação -, filhas de Angelo, se casaram e ficaram grávidas praticamente no mesmo período e se afastaram um pouco do dia-a-dia da empresa. Agora elas voltam com força total. Com novos produtos e uma certeza “Precisamos comunicar melhor. Queremos voltar a fazer a Salton ser o que era, que as pessoas falem mais dos nossos vinhos”, reforça  Luciana. Entre os objetivos das meninas da Salton, como carinhosamente são conhecidas, um dos mais importantes é crescer no mercado com opções de vinhos brasileiros bons e acessíveis. “A Salton é uma marca de credibilidade. E, se necessário, temos estoque para o crescimento e atender as grandes redes”, diz Luciana. Um paradoxo? Não, um desafio.

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014 Espumantes, Nacionais, Rosé, ViG | 10:56

Espumantes brasileiros: preferência nacional e consumo no final do ano

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 “Vocês não precisam de Champagne. O Brasil tem seus próprios espumantes para beber”,
Steven Spurrier, crítico de vinhos, durante evento sobre espumantes do hemisfério Sul em abril de 2014

espumante

Todo final de ano tem peru no Natal, show de Roberto Carlos na TV Globo, retrospectiva das principais notícias do ano nos sites, jornais e revistas e… dicas de espumantes no Blog do Vinho. Eu sempre aposto nos espumantes nacionais. São bons, têm qualidade reconhecida, são fáceis de encontrar em lojas, supermercados e lojas virtuais das vinícolas. Para aqueles que precisam de um argumento de fora para se convencer – o nosso eterno complexo de vira-latas – a opinião do escritor de vinhos e crítico da revista inglesa Decanter, Steven Spurrier reproduzida acima, talvez reforce o conceito.

O consumidor brasileiro, a propósito, nem precisa de um inglês para convencê-lo disso. Em 2002, o consumo de espumante nacional era de 4,2 milhões de litros, em 2012 esse número saltou para 14,7 milhões de litros. Segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) 76,7% do espumante consumido no país é brasileiro. Se no universo dos tintos e brancos a concorrência esmaga o produto nacional, no mundo das borbulhas a liderança é inequívoca.

Ok, tem tudo são flores, ou borbulhas. O sucesso do espumante nacional e o crescimento da produção também causou algum estrago, e  já faz uns dois anos que se nota uma certa queda de qualidade em alguns produtos, uma diluição que foi mais facilmente percebida nas degustações que participo há alguns anos como jurado do TOP Ten da Expovinis, onde os espumantes nacionais participantes alcançaram  uma média menor que dos anos anteriores.

 Dicas de espumantes (preços atualizados em dezembro de 2014)

Para entender um pouco a importância deste mercado, o seu tamanho e os rótulos mais vendidos, o Blog do Vinho consultou alguns dos principais produtores, aqueles que todo consumidor encontra com facilidade nos corredores dos supermercados e está mais familiarizado com os rótulos. São elas Aurora, Casa Valduga, Chandon e Salton.

As conclusões deste modesto levantamento entre as vinícolas é o seguinte:

1. Muitas empresas cresceram os olhos para este mercado e aumentaram sua produção na linha das borbulhas.

2. O crescimento anual deve ficar entre 7 e 20% de 2013 para 2014

3. Apesar de todos os esforços de consumo durante o ano os espumantes têm sua venda concentrada no último trimestre do ano, na média 40% da produção é escoada neste período.

4. As vendas são concentradas no Sul e Sudeste, mas o mercado do Nordeste vem crescendo fortemente e é onde existe um potencial a ser explorado.

5. Apesar das nuvens negras que pairam sobre a economia de 2015, todas as empresas estão otimistas e apostam em um crescimento do mercado de vinho no Brasil.

De quebra abrimos espaço para estas empresas convencerem o leitor a escolher a sua marca para brindar o ano-novo, afinal, entre tantos rótulos, por que escolher esta ou aquela? Este colunista faz a sua parte e indica também um vinho de sua escolha de cada empresa consultada para o brinde de fim de ano (além das dicas de 2013 que continuam válidas e tiveram seus preços atualizados para 2014). Confira abaixo

AURORA

Produção de espumantes
Estima fechar 2014 com a comercialização de 4 milhões de garrafas de espumantes das linhas Aurora, Conde de Foucauld, Marcus James e Saint Germain.

Crescimento
Aumento de 14% (em espumantes) em relação a 2013.

Participação das vendas no final do ano
No último quadrimestre do ano, as vendas da empresa representam 40% do total do ano.

Regiões
A região Sul, seguida da Sudeste, são as que apresentam melhor desempenho. Mas distribuição é por todo o Brasil.

 Rótulos mais vendidos
As linhas de espumantes Aurora e Conde de Foucauld são as mais vendidas da empresa.

 Principais produtos e média de preços no Brasil
Espumantes Aurora
Prosecco, Moscatel Branco, Moscatel Rosé, Brut Branco (novo) e Demi-sec (novo): 
R$ 25,00
Linha TOP – Brut Pinot Noir 100%, Brut Chardonnay e Brut Rosé: 
R$ 42,00

Espumantes Marcus James
Brut Branco e Demi-sec Branco: R$ 24,00

Espumantes Conde Foucauld
Brut Branco, Demi-sec Branco, Brut Rosé e Demi-sec Rosé:
R$ 18,00

Espumantes Saint Germain
Brut Branco e Demi-sec Branco: R$ 14,00

 Por que beber um espumante da Aurora
“Convidamos os consumidores brasileiros a brindar 2015 com o Espumante Aurora Moscatel, que é top 100 do mundo. O Aurora Moscatel é o espumante que tem a melhor colocação do ranking TOP 100 do mundo, levantamento feito pela associação internacional de jornalistas e escritores de vinho, wawwj.com. Além disso, o Aurora Moscatel é o espumante que mais exportamos, é apreciado em países de 4 continentes, nos principais mercados do vinho brasileiro, como Reino Unido.”

 Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos e acessíveis

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

Espumante Brut chardonnay

Aurora Chardonnay
Uva: 100% chardonnay
Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço Médio: R$ 42,00

Entra ano e sai ano eu sempre elego este o mais inteerssante espumante elaborado pela Aurora. Este espumante usa como matéria-prima apenas a uva branca chardonnay – na França este estilo de espumante é chamado de blanc-de-blanc. Longo na boca, tem um toque tostado (o vinho-base passa 3 meses em cavalho francês antes da segunda fermentação) tem boa acidez, cremosidade em boca, tornando-lhe agradável e gastronômico. Tem um bom preço também.

Cenário para 2015
‘Embora o cenário previsto para 2015 seja de “aperto”, por termos produtos que atendem diferentes gostos e bolsos, com uma ampla gama de vinhos, espumantes, sucos e cooler – nossos Keep Cooler linhas Classic e Black e nosso Keep Ice com vodca de uvas-, para todas as camadas de consumo, acreditamos que 2015 será um bom ano, de muito trabalho, sim, mas também de conquistas.”

CASA VALDUGA

Produção de espumantes
Em 1990 os espumantes representavam de 10% a 20% das vendas. Atualmente, representam mais de 60%. O grupo venderá 1,8 milhão de garrafas de espumantes em 2014.

Crescimento
A produção cresceu 20% em 2014 e a perspectiva é de crescer o mesmo em 2015.

Participação das vendas no final do ano
O último trimestre do ano, período de compras para as festas, representa 40% das vendas.

Regiões
Maiores mercados estão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porém as regiões Norte e Nordeste têm demonstrado um potencial de consumo crescente, devido ao clima e à difusão da cultura de consumo de espumantes.

Rótulos mais vendidos
Na Casa Valduga destaca-se o ‘130 Brut’, um espumante que transmite nosso conceito de marca. A vinícola tem apostado em rótulos para o mercado de luxo, como o espumante ícone ‘Maria Valduga’ e a linha ‘Reserva’, que são produtos com mais complexidade.

Na Domno (outra marca da Valduga), o ‘.Nero Rose’ apresenta um desempenho expressivo. Seguindo a tendência de atender o mercado de luxo, temos o ‘.Nero Blanc de Blancs’.

Principais produtos e média preços no Brasil
.Nero e a linha Arte: R$ 38,00.
130: R$ 80,00
.Nero Blanc de Blancs: R$130,00
Maria Valduga R$ 150,00.

 Por que beber um espumante da Casa Valduga
“As festas tradicionais de Reveillon pedem o glamour e elegância do 130. Se você estiver em um ambiente mais descontraído, mais leve, a indicação são os produtos da linha .Nero. Para as sobremesas aposte no Moscatel.”

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

130 Valduga2

130 Valduga Brut
Uvas: chardonnay e pinot noir
Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 80,00

Aqui há uma coincidência entre a recomendação da empresa e deste palpiteiro. O 130 Valduga é elaborado com as uvas chardonnay e pinot noir pelo método champenoise (ou tradicional), aquele que a segunda fermentação acontece na garrafa. E daí? Daí que o vinho entrega maior elegância, cremosidade, borbulhas mais finas e consistentes e aquele aroma meio de pão torrado, de frutas secas e uma acidez que enche a boca. Um espumante verde-amarelo de classe. Um dos melhores que temos no país na sua faixa de preço. Foi eleito pela revista Decanter  (olha eles aí de novo) este ano como o único espumante brasileiro na categoria Best Buys (melhores compras) da América do Sul. Ah, e a garrafa é muito charmosa.

Cenário para 2015
“Estamos apostando no crescimento de consumo. Para isso estamos investindo na formação do consumidor por meio de eventos regionais, além oferecer uma imersão no mundo do vinho para os visitantes do complexo enoturístico da Casa Valduga.”

CHANDON

Produção
Mais de 3 milhões de garrafas.

Crescimento
Crescimento de mais de 10% em relação a 2013.

Participação das vendas no final do ano
As festas de final de ano concentram a maior parte das vendas, 60%. Isso porque existe uma cultura muito forte no Brasil de consumir bebidas nessas ocasiões.

Regiões
A maior parte das vendas está concentrada estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e na cidade de Brasília, porém, atualmente a região nordeste é a que registra maior crescimento.

 Rótulos mais vendidos
Chandon Réserve Brut e Chandon Rosé.

 Principais produtos e preço médio no Brasil
Chandon Réserve Brut: R$ 65,00
Chandon Brut Rosé: R$ 69,00
Chandon Riche Demi-Sec: R$ 65,00
Chandon Passion: R$ 65,00
Excellence par Chandon: R$ 120,00
Excellence Rosé par Chandon: R$ 130,00

 Por que beber um espumante da Chandon
“O consumidor deve escolher o Chandon Passion Edição Passion com dois cubos de gelo para comemorar o fim de ano para ou por que ele tem a cara do verão. A bebida é ideal para países que registram altas temperaturas como o Brasil pois mantém o espumante mais refrescante ainda. “

 Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

rose-chandon
Excellence Rosé Chandon
Uvas: pinot noir e chardonnay
Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 105,00

A subsidiária brasileira da Maison Moêt & Chandon fincou raízes em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, em 1973. De lá para cá tornou-se sinônimo de espumante fino e de volume. Todos seus rótulos são elaborados pelo método charmat – segunda fermentação em toneis de alumínio -, pois a filosofia do grupo está mais baseada na qualidade do vinho-base. O Excellence Brut exibia até 2010 o troféu solitário de top de linha da empresa. O rosé da linha Excellence quebrou esta hegemonia (a primeira leva teve apenas 5.000 garrafas produzidas) e hoje em dia está entre os espumantes rosés mais apurados, elegantes, complexos e saborosos no mercado (coloco no mesmo nível o Terroir Rosé Cave Geisse Brut e o Adolfo Lorna Rosé).  A pinot noir predomina (74%), mas a chardonnay (26%) também participa da festa. Fino e gastronômico. Tem uma cor rosada de boa intensidade, boa perlage e na boca a confirmacão dos aromas de frutas vermelhas, panificação e frutas secas aliado a uma acidez ampla. Um expressão de excelência da Chandon, com o charme do rosé.

Cenário 2015
“Estamos esperando um ano muito bom, já que a safra de 2015 promete ser uma das melhores que já tivemos.”

 Leia também: O merlot brasileiro é o melhor do mundo?

 SALTON

Produção
A Salton lidera o mercado nacional de espumantes desde 2004, atualmente é responsável por 40% das vendas com uma produção de 8,5 milhões de garrafas!

Crescimento
Em relação ao ano anterior, a comercialização da Salton teve um aumento de 7%.

Participação das vendas no final do ano
Os últimos três meses do ano representam 40% das vendas.

Regiões
O Sudeste continua liderando em volume de vendas e o Sul em consumo per capita. A Salton pesquisa sobre o mercado de vinhos e espumantes no Brasil e sabe do potencial de crescimento do norte e Nordeste, por isso está presente em festas, eventos e supermercados das regiões.

 Rótulos mais vendidos
Para as festas de fim de ano, os rótulos mais vendidos são: Salton Prosecco, Reserva Ouro, Salton Moscatel, Salton Brut, Salton Demi-Sec e Salton Poética.

Principais produtos e preço médio no Brasil
Salton Prosecco: R$ 30,00
Salton Poética: R$ 35,00
Reserva Ouro: R$ 40,00
Salton Moscatel: R$ 25,00
Salton Brut: R$ 25,00
Salton Demi-Sec: R$ 25,00
Salton Évidence: R$ 65,00

Por que beber um espumante da Salton
“O consumidor deve escolher um dos rótulos da Salton para comemorar o fim de ano pois terá o melhor espumante com melhor custo benefício. Nosso negócio é garantir a satisfação do cliente.”

Recomendado pelo Blog do Vinho – Vinho Indicado pelo Gerosa (ViG)

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Salton Reserva Ouro
Uvas: Chardonnay, Riesling e 20% Pinot Noir
Região: Tuiuty/Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul
Preço médio: R$ 40,00

Este colunista chamava Angelo Salton (1952- 2009) de “O senhor das borbulhas”. Não é à toa. Em 2004 a Salton dominou o mercado neste segmento e permanece no topo. Na minha opinião, na relação preço qualidade o Reserva Ouro é imbatível. Cítrico na entrada, tem um leve toque de pão torrado gostoso (são seis meses de contato com as leveduras), e uma boa base de acidez, que dá uma sensação de frescor. É a cara do espumante de boa qualidade nacional. Em 2014 trocou de roupa: ganhou nova garrafa, mais elegante, e um rótulo mais moderno.

Leia também: Os 100 primeiros anos da Vinícola Salton

 Cenário 2015
“A Salton busca sempre apresentar novidades ao consumidor mantendo a qualidade dos seus produtos e a liderança em espumantes. A vinícola está investindo continuamente em tecnologia e novas áreas de produção, como na região de Santana do Livramento (RS), voltada ao cultivo de uvas para vinhos e espumantes finos em um projeto baseado nos princípios da agricultura de precisão; também na ampliação de caves para produção de espumantes no método champenoise na unidade de Tuiuty (Bento Gonçalves/RS). Além disso, a Salton está com uma nova unidade em Jarinu (SP) e nesta unidade, a empresa pretende desenvolver novas categorias, visando no futuro ampliar o portfólio de destilados com malt whisky e vodka e também implementar a categoria de soft drinks; além de seguir produzindo o conhaque Presidente.”

➢  Este Blog deseja um Feliz Natal e um 2015 estupendo para todos.

SEKT

 

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, ViG | 12:39

Espumantes nacionais para comemorar o fim de ano – parte II (método champenoise)

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abrechampenoise

Na segunda série sobre os espumantes nacionais para festejar o fim do ano, o Blog do Vinho destaca aqueles espumantes elaborados como os champanhes franceses. No primeiro post desta série, os destaques foram os espumantes nacionais elaborados pelo método charmat. Nesta coluna,  são os espumantes brasileiros elaborados pelo método tradicional, clássico ou champenoise – a segunda fermentação, aquela responsável pela mágica de produzir o gás carbônico, é realizada dentro da garrafa. A propósito, quer irritar um francês é só usar o termo champenoise para denominar o método em que a segunda fermentação dos espumantes é realizada na garrafa. Irritamos os franceses com o primeiro parágrafo, portanto. Como se sabe, o termo champagne é de uso exclusivo dos espumantes de excelente qualidade produzidos na região demarcada da França de mesmo nome.

Qual a diferença, afinal? Não é tudo vinho com borbulha? O bebedor ocasional de espumantes não está muito interessado em saber o processo de produção de um espumante, e sim em beber um bom vinho. Mas a diferença do método determina o estilo do espumante – muitas vezes seu preço e a qualidade. Se no charmat a segunda fermentação é feita em grandes cubas de aço inox, no método champenoise/tradicional a segunda fermentação é feita na própria garrafa, o que determina um maior e mais longo contato do vinho-base (a mistura original das uvas maceradas antes de ganhar o gás carbônico) com as leveduras e que confere, em geral, um vinho com borbulhas mais finas, uma espuma mais consistente e aromas de panificação, frutas secas e maior persistência em boca. Quanto maior o tempo de contato com as leveduras, mais complexidade e cremoso o espumante.

É um processo mais caro e manual que no final exige uma ginástica para a retirada das leveduras mortas. As garrafas são colocadas em cavaletes e giradas manualmente alguns graus por semana até chegar uma posição de 90 graus. O objetivo é concentrar o sedimento deixado pelas leveduras no gargalo para serem eliminadas antes de a garrafa ganhar a rolha definitiva e aprisionar os gás carbônico em seu interior. Este processo, conhecido pelo pomposo nome de remuage, pode soar algo bastante rudimentar, mas foi uma solução encontrada pela viúva Clicquot Ponsardin para aumentar a produtividade de seu champanhe em 1818 e que se mantém até hoje (em algumas vinícolas uma geringonça chamada gyropalletes faz esta movimentação automaticamente e num espaço de tempo menor).

O crítico inglês Hugh Johnson, em seu livro autobiográfico “A Life Uncorked”, algo como “Uma vida Desarrolhada” define o paladar de um bom champanhe  “como uma torta de maçã”. (O que em alguma medida também por ser aplicado ao espumante elaborado pelo método champenoise/tradicional). Johnson explica: “O doce aroma e o sabor das maçãs podem ser encontrados nos espumantes mais jovens, a parte da torta remete à segunda fermentação na garrafa, quando as leveduras acrescentam notas de panificação, ou pâtisseries, nas bebidas mais evoluídas – quanto mais evoluído o champanhe mais pâtisserie é encontrado”

(Nem tudo que borbulha é espumante. Entenda a diferença entre os vários tipos de vinho com bolinhas. Clique no link abaixo, está tudo explicadinho.)

Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

Muitas vinícolas verde-amarelas reservam suas melhores uvas, e consequentemente o melhor vinho-base, para os rótulos elaborados pelo método tradicional. São garrafas de linha ou até produzidas apenas em edições especiais. Também custam mais caro que os espumantes elaborados pelo método charmat. Em alguns casos alcançam resultados muito bons, em outros tentam ser mais do que são e perdem em autenticidade e tipicidade para seus “primos-pobres”, que trazem maior frescor e vivacidade. Como já foi comentado na coluna sobre espumantes charmat, também é uma questão de estilo do produtor.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes champenoise/tradicional

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  • Cave Geisse Nature

Uvas: 70% chardonnay, 30% pinot noir

Produtor: Vinícola Geisse

Região: Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 78,00

Site vinícola: www.cavegeisse.com.br

Você gosta de espumante seco, quase a ponto de trincar os dentes? Então você vai amar este Cave Geisse Nature, que é um espumante sem adição de açúcar (leia definição de classificação de açúcar em Curiosidade). Não é uma bebida fácil de ser produzida, mas aqui encontra o nível de excelência. Perlage intenso com bolhas pequenas e persistentes. Aromas tostados e frutas secas. Acidez equilibrada, para não deixar dúvida, bastante seco, o que amplia a harmonização com a comida. A Cave Geisse elabora grandes espumantes, no geral não tem erro. Basta escolher pelo estilo preferido e encher a taça.

 

Curiosidade: os espumantes podem ser classificados pelo teor de açúcar em

Nature (zero dosage): até 3 gramas por litro

Extrabrut: até 6 gramas por litro

Brut: menos de 15 gramas por litro

Sec: entre 17 e 35 gramas por litro

Demi-sec: entre 33 e 50 gramas por litro

Doux: acima de 50 gramas por litro

Sec, ao contrário do que parece, não é seco, mas levemente adocicado. Mais comum encontrar a expressão demi-sec. Doux dispensa explicações.

espumante-lona

  • Brut Adolfo Lona

Uvas: chardonnay e pinot noir

Produtor: Adolfo Lona

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.adolfolona.com.br

Este espumante da pequena adega artesanal comandada pelo argentino Adolfo Lona ficou mais de um ano em contato com as leveduras. O que lhe confere aqueles aromas e sabores mais intensos. Mais que isso, tem uma boca ampla. Um espumante tratado com respeito.

Dal Pizzol Quarenta Anos Nature

  • Dal Pizzol 40 anos

Uvas: chardonnay 25% e pinot noir 75%

Produtor: Dal Pizzol

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

Preço médio: R$ 130,00

Site vinícola: http://www.dalpizzol.com.br/

Para celebrar os 40 anos da vinícola familiar o enólogo Dirceu Scottá elaborou este Nature (sem dosagem de açúcar) de apenas 3.541 garrafas numeradas. Tem uma boa estrutura, e um tostado evidente, além de uma cremosidade resultado do seu tempo em contato com as leveduras (36 meses), que possibilitou também a dispensa do licor que acrescenta as várias dosagens de teor de açucar em um espumante (nature, brut, demi-sec, sec etc). Borbulhas finas e um frutado interessante e um rótulo bem estiloso completam a festa.

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  •  Pizzato Brut Branco

Uvas: 85% chardonnay e 15% pinot noir

Produtor: Pizzato

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.pizzato.net

Os espumantes da Pizzato estão de rótulo novo. Amplo na boca, boa acidez, bom corpo, uma certa cremosidade, permanece em contato com as leveduras por 12 meses. Tem um final refrescante. Se você gosta do estilo Nature, também pode provar o zero dosagem de açúcar da Pizzato. Uma opção mais barata mas também com bastante frescor é o Fasuto Brut Branco.

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  • Elegance Champenoise Brut

Uvas: chardonnay e pinot noir

Produtor: Peterlongo

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.peterlongo.com.br/pt/

A Vinícola Peterlongo não é a maior nem a mais conhecida produtora de espumantes hoje em dia no Brasil, mas tem alguns marcos importantes em sua história: produziu o primeiro espumante  no Brasil (1915) e tem judicialmente o direito a usar o termo champagne em seus rótulos (taí outro que gosta de irritar os franceses). Acumula vários prêmios e esteve bem colocada em concursos como ExpoVinis 2011 e Concurso Playboy. Este espumante, ou champanhe brasileiro, se destaca pela coloração mais dourada e borbulhas finas e persistentes. Gostoso na boca.

Curiosidade: no século 19 o champagne era uma bebida com um teor de açúcar muito mais alto do que atualmente estamos acostumados. Era mais próximo de um licor com espuma, 250 a 300 gramas por litro! (um espumante demi-sec tem no máximo 50 gramas por litro). A responsável pela criação do espumante brut, mais seco, com menos açúcar, que estamos acostumados a beber, também é uma mulher: Madame Pommery, em 1874.

 

espumante-Miolo Millesime 2004 06 08

  • Miolo Millésime

Uvas: 50% pinot noir e 50% chardonnay

Produtor: Miolo

Região: Garibaldi, Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 81,00

Site vinícola: www.miolo.com.br

Está um espetáculo este Miolo Millésime. Há muito não provava este top espumante e me surpreendeu. Longo, cremoso, persistente, grande qualidade em boca, um tostado instigante. Desde a safra de 2009 é um espumante com a certificação de origem, com o selo de  produto da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos.

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  • Casa Valduga Reserva Espumante Brut

Uvas: 70% chardonnay, 30% pinot noir

Produtor: Casa Valduga

Região: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul

R$ 63,00

Site vinícola: www.espumantesvalduga.com.br

A Casa Valguda só elabora espumantes pelo método champenoise/tradicional. Atualmente são dez rótulos. Desde o ícone da Casa, Maria Valduga, com 48 meses de contato com as leveduras, passando pelo excelente – e já recomendado neste blog -130 Brut, até a linha Arte. Este Casa Valduga Reserva só é elaborado em safras excelentes. Apresenta um agradável frescor em boca, uma boa persistência e aromas interessantes, com um toque picante. Apesar da excelência de linhas superiores, provei recentemente este Reserva e acho que é muito adequado para brindes de fim de ano e traz uma boa relação custo/qualidade.

 Curiosidade: os espumantes mais apreciados em festas, casamentos e confraternizações é o demi-sec. Agrada tanto os iniciantes no vinho, que sempre preferem uma bebida mais fácil e doce como aquele que já têm alguma experiência com espumantes. Mas no geral espantam os apreciadores de espumantes mais refinados e secos. Como o leitor pode reparar, não há qualquer indicação de espumante demi-sec nesta lista de dicas, o que revela o gosto do autor.

 

espumante-dunamis-brutnovo

  • Dunamis Brut

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Dunamis

Região: Catiporã, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 56,00

Site vinícola: www.dunamisvinhos.com.br

Novidade do mundo dos espumantes. A garrafa é linda, o rótulo um show. Mas você não bebe a garrafa, não é? Mas uma boa apresentação é parte da diversão. Um dos objetivos do enólogo, Thiago Salvadori Peterle, era de produzir um espumante champenoise mais delicado e jovial. Está no caminho. Tem uma cor amarelo palha. Bela persistência de bolhinhas finas, aromas de maçã verde, e um bom final de boca, com bastante frescor e paladar cítrico que provoca um sorriso no gole final.

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  •  Don Giovanni Espumante Série ouro

Uvas: 60% chardonnay e 40% pinot noir

Produtor: Don Giovanni

Região: Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul.

R$ 90,00

Site vinícola: www.dongiovanni.com.br/inicial

A pequena produtora Don Giovani pode ser desconhecida para aqueles que vivem fora do eixo vitivinícola do Rio Grande Sul, mas tem uma tradição de mais de 40 anos – originalmente a empresa pertenceu à Dreher. Em visita à adega alguns anos atrás pude provar toda sua linha de espumantes. E todos têm uma expressão de grande volume em boca, uma preocupação com a cremosidade e a acidez e uma complexidade no paladar que tornam o vinho bastante gastronômico. Uma bela surpresa para quem tiver acesso a uma garrafa.

espumante-lirica

  • Lírica

Uvas: 75% chardonnay e 25% gouveio

Produtor: Vinícola Hermann

Região: Pinheiro Machado, Rio Grande do Sul

R$ 66,00

Site vinícola: www.vinicolahermann.com.br

Adolar Hermann é mais conhecido por sua importadora de vinhos, a Decanter. Mas mesmo tendo à disposição rótulos do mundo inteiro decidiu ter um vinho para chamar de seu. Tem uma linha de espumantes mais focado no mercado externo a Bossa (charmat), que tem um paladar mais ligeiro. O Lírica é uma boa estreia de Adolar no mundo das borbulhas. É um espumante que privilegia a fruta, a acidez e o equilíbrio.

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, ViG | 11:53

Espumantes nacionais para comemorar o fim de ano, e o ano inteiro – parte I

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E vai rolar a festa, vai rolar!

E vai rolar a festa, vai rolar!

O espumante é uma bebida com um marketing imbatível: o da alegria. Sempre que uma boa notícia chega – profissional, particular, amorosa – alguém sugere: vamos abrir um champanhe para comemorar? O que vale é o ritual. O estampido seco da rolha sendo lançada, seguido da visão – e do som – da espuma sendo liberada na taça. E por fim aquele gole que produz um sorriso no final. Nenhuma bebida é assim. Um conjunto de símbolos que podem ser resumidos em uma palavra: celebração.

Mas para nós, que gostamos de vinho, além do ritual, está o prazer do espumante, do frescor, das sensações que ele nos provoca no paladar. O espumante é talvez o único vinho brasileiro que tem na excelência uma unanimidade. Até o mais ranzinza dos enófilos reconhece que esta é uma das vocações da vitivinicultura nacional.

O Blog do Vinho traz uma lista de dicas espumantes nacionais para você curtir as festas do fim de ano e, por que não, o ano inteiro. E por que apenas espumantes nacionais? Simples. Eles são bons, têm qualidade reconhecida no Brasil e no exterior, são fáceis de encontrar em lojas, supermercados e encomendados nas próprias lojas virtuais das vinícolas. E são mais acessíveis no preço do que bons espumantes do resto do mundo.

As dicas estão divididas em três partes. Para começar, neste post, aqueles produzidos pelo método charmat (segunda fermentação feita em cubas de inox), na segunda parte as dicas são dos espumantes brasileiros feitos pelo método tradicional, ou champenoise (a segunda fermentação é realizada na própria garrafa), na última etapa verde-amarela, espumantes rosés, que além de refrescantes encantam pela cor e por seu sabor único.

(Nem tudo que borbulha é espumante. Entenda a diferença entre os vários tipos de vinho com bolinhas. Clique no link abaixo, está tudo explicadinho.)

Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

Primeira parte – Espumantes Nacionais – método charmat

O Brasil produz espumantes frescos, leves, aromáticos com uma bela acidez. As uvas normalmente utilizadas são a chardonnay, a pinot noir e a riesling itálico – em raros casos é introduzida a terceira uva clássica de Champagne, a pinot meunier. Estas variedades encontram condições apropriadas de terreno e clima – úmido e chuvoso – na região da Serra Gaúcha, mais especificamente no Vale dos Vinhedos, em Garibaldi, em Pinto Bandeira. Mas há boas experiências em outras regiões, como Santa Catarina e no sul do Rio Grande do Sul.

Nos espumantes elaborados pelo método charmat, a segunda fermentação, ou seja, a incorporação do gás carbônico na bebida (as bolinhas, as bolinhas!), é realizada em grandes cubas de aço inox fechadas projetadas para aguentar a pressão do gás carbônico liberado na fermentação, que pode chegar a 5 atmosferas. Estas cubas são mantidas em temperaturas baixas nesta segunda fermentação para gerar bolhas mais finas e persistentes – um dos símbolos mais evidentes da qualidades de um bom espumante.

O processo é mais rápido e de menor custo que o tradicional, o que se reflete no preço do vinho. Isso não significa, no entanto, que se trata de um espumante de menor qualidade, e sim traduz um estilo de bebida mais fresca e leve, com aromas de frutas como maçã, cítricos, abacaxi e uma abundante salivação devido a boa acidez. É uma opção do enólogo.

A Chandon do Brasil, por exemplo, mesmo na sua linha mais sofisticada, como a festejada Couvée Prestige, só elabora espumantes pelo método charmat. Para o diretor de produção da Chandon do Brasil, enólogo francês Philippe Mével, não é o método que determina a qualidade do espumante e sim a qualidade da uva, a vinificação adequada e o trabalho do blend que conferem seu sabor.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes charmat

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  • Chandon Réserve Brut

Uvas: chardonnay, pinot noir e riesling itálico

Produtor: Chandon do Brasil

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 65,00

Site da Vinícola: http://loja.chandon.com.br/

O rótulo dourado identifica à distância uma garrafa de Chandon. Um dos melhores espumantes produzidos no país na sua faixa de preço, com uma consistência que é sua marca registrada. Ele traz todas aquelas qualidades de um bom espumante nacional: acidez, frescor, aromas sutis de maçã verde, cítricos e um equilíbrio final de boca. Fácil de encontrar em lojas, supermercados, restaurantes, costuma fazer promoções de final de ano. A linha superior, Excellence Cuvée Prestige, não desmente o nome, é elaborado apenas com as uvas chardonnay e pinot noir e tem um refinamento e complexidade maior de aromas de frutas secas, panificação e uma espuma e perlage (as bolhinhas, as bolinhas) mais finas e abundantes, mas pesa mais no bolso (R$ 120,00 )

Curiosidade: na França os espumantes elaborados pelo método charmat são chamados de Vin Mousseaux, na Alemanha o charmat é o método usado na elaboração do Sekts, de grande produção no país (você pode beber uma tacinha enquanto faz a feira, pois é comum as barracas de frutas e verduras dividirem espaço com quiosques de pequenos produtores). Ele também é usado na elaboração de Proseccos, na Itália.

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  •  Salton Reserva Ouro 

Uvas: 60% Chardonnay, 20% Riesling e 20% Pinot Noir

Produtor: Salton

Região: Tuiuty/Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 40,00

Site da Vinícola: www.salton.com.br

A Salton é, desde 2004, a líder de produção de espumantes do país. Este colunista chegou a denominar o grande impulsionador da empresa, Angelo Salton (1952- 2009), como “O senhor das borbulhas” em uma reportagem na Veja S, Paulo. Há uma linha bastante extensa de rótulos com borbulhas na Salton, dos mais caros aos mais simples e baratos. Na minha opinião, na relação preço qualidade o Reserva Ouro é imbatível. Tem um leve toque de pão torrado gostoso (são seis meses de contato com as leveduras), e uma boa base de acidez com uma espuma que como diria uma admiradora da coluna, de um uma maneira menos ortodoxa, “faz flufli-flufli na boca”.

Espumante Brut chardonnay

  • Aurora Chardonnay

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Aurora

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 42,00

Site da vinícola: http://www.vinicolaaurora.com.br/linha-produtos/aurora

Este espumante usa como matéria-prima apenas a uva branca chardonnay – na França este estilo de espumante é chamado de blanc-de-blanc. Se você acompanha este blog viu uma recomendação sobre este espumante dois posts atrás. Para manter a coerência, aparece aqui nesta lista. Longo na boca, tem um toque tostado (o vinho-base passa 3 meses em cavalho francês antes da segunda fermentação) tem boa acidez e é gastronômico. Tem um bom preço também

 Curiosidade: você sabia que a pressão interna dentro de uma garrafa de espumante é maior do que a de um pneu de carro? Portanto é prudente abrir a rolha sem mirar em ninguém e logo após romper a gaiola de arame que protege a rolha. Ela não está lá à toa. Depois de rompida a gaiola, a rolha pode se soltar sozinha e o desastre está feito.

espumante-doncandido

  • Dom Candido Brut

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Don Cândido

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 42,00* (preço não atualizado em 2014)

Em 2008 um rótulo surpreendeu os jurados (entre eles este signatário) no concurso de espumantes promovido pela revista Playboy e levou o primeiro lugar. Era este Dom Cândido Brut charmat. Desconhecido, talvez, para a maioria dos jurados presentes, a vinícola tem tradição desde 1875 e produz vinhos de qualidade. Trata-se de um espumante de cor mais amarelo-palha, com aromas mais evoluídos além de um leve toque de amêndoa torrada, panificação, mais comuns em espumantes elaborados pelo método tradicional, mas também obtido pela adocão do charmat longo Leia entrevista de 2008 com Cândido Valduga, patriarca da vinícola explicando o estilo de seu vinho ). Estilo este que chamou atenção – e o conquistou o paladar dos jurados.

Espumante-DalPizzol

  • Espumante Brut Dal Pizzol (charmat longo)

Uvas: pinot noir, riesling Iitálico e chardonnay

Produtor: Dal Pizzol

Região: Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 45,00

Site da vinícola: http://www.dalpizzol.com.br/

Correto, refrescante na boca e bem equilibrado. Na minha opinião mais expressivo no seu estilo que o Espumante Brut elaborado pelo método tradicional. O processo é chamado de charmat longo pois o vinho permanece mais tempo sobre as leveduras (neste espumante foram 90 dias) em uma temperatura entre 12º e 15º. E daí? Daí que este contato mais longo também fornece mais qualidade e refinamento de aromas à bebida.

Curiosidade: o método charmat leva o nome do engenheiro francês Eugène Charmat, que patenteou e aprimorou a ideia em 1907. Antes disso, em 1895, o piemontês Federico Martinotti teria encontrado a solução de realizar a segunda fermentação em tanques fechados. Para os mais puristas o método é chamado de Charmat-Martinotti.

espumante-Villagio

  • Villaggio Grando Espumante Brut

Uvas: pinot noir, pinot meunier e chardonnay

Produtor: Villagio Grando

Região: Campos de Herciliópolis, Água Doce, Santa Catarina

R$ 45,00

Site da Vinícola: http://www.villaggiogrando.com.br/

Esta pequena vinícola de Santa Catarina já exibe alguns importantes prêmios em seu portfólio. Em 2010 lançou sua linha brut, elaborado pelo método charmat, que tem como maior qualidade a leveza de aromas e o frescor (os vinhedos ficam a 1300 metros de altura). O rótulo também chama atenção pela simplicidade e pela solução gráfica de manter e evidência o tipo do vinho: brut. Uma bela garrafa para um belo vinho .

DADIVAS-ESPUMANTES-BRUT

  • Dádivas Brut

Uvas:  90% chardonnay e 10% pinot noir

Produtor: Lidio Carraro

Região: Encruzilhada do Sul, Rio Grande do Sul

R$: 56,00

Site da Vinícola: http://www.lidiocarraro.com/

Para fechar esta pequena seleção de espumantes de qualidade pelo método charmat, um rótulo da Lídio Carraro em  que a chardonnay predomina (90%) e que traz uma proposta de leveza, aromas frescos e toques de frutas cítricas com a perlage firme e gostosa. É o perfil de um bom espumante nacional: fresco, leve, aromático com uma bela acidez

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013 Blog do vinho | 12:10

O vinho que o papa Francisco bebeu no Brasil foi italiano

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Religião, papa argentino, Jornada Mundial da Juventude e vinho: eis uma mistura que para a turma dos enófilos suscitou uma curiosidade profana. Qual foi o vinho do papa no Brasil?

Os vinhos nacionais, claro, aproveitaram a oportunidade para colocar seus rótulos à disposição do papa Franciso e sua comitiva durante a visita. O Salton Talento 2007, uma mistrura de cabernet sauvignon (60%), merlot (30%) e tannat (10%), da Serra Gaúcha, foi declarado o vinho oficial do papa no Brasil. Um vinho que eu gosto desde sempre, aliás. A Miolo também colocou seus rótulos Lote 43 e RAR Viognier (um belíssimo branco floral e cremoso) para a passagem do sumo pontífice por Aparecida. Até uma vinícola de Jundiaí, Pedro Maziero, teve seus 5 minutos de fama ao ser selecionada como vinho de missa no interior de São Paulo e para uma refeição papal. Como Francisco é argentino comentou-se também que o Angelica Zapata Cabernet Franc estaria entre suas preferências e seria servido. Com tanto vinho assim parece que o papa Francisco não fez outra coisa. Talvez seja até o segredo de sua disposição para enfrentar a maratona da Jornada. Mas o vinho que o atual morador mais famoso do Vaticano bebeu, com certeza, durante sua estada no Rio de Janeiro, foi italiano.

O chef do papa

Toda a estrutura de alimentação, bebidas e serviço ficou sob a responsabilidade da equipe do tradicional restaurante paulistano Terraço Itália. O chef do restaurante, Pasquale Mancini, foi escolhido para preparar as refeições do Papa Francisco e de sua comitiva durante a Jornada Mundial da Juventude. Pasquale teve como orientação a elaboração de cardápios mais tradiconais e sem muita sofisticação, e seguindo a tradição italiana de sequências à mesa: primo piatto, secondo piatto e dolce.

E os vinhos? Segundo os organizadores, os tintos que acompanharam as refeições do papa Francisco foram fornecidos pelo próprio restaurante. Eram os italianíssimos Santa Cristina e o Villa Antinori, ambos produzidos pela tradicional vinícola Antinori, da região da Toscana.

Leia também: O vinho do papa é (ou deveria ser) um bonarda

Conheça os vinhos

São dois clássicos da Toscana e da Antinori, vinhos de preço médio (não é preciso pegar empréstimo no Banco do Vaticano), boa qualidade e sem ostentação. Encontram-se à venda em lojas especilizadas, supermercados e no site da importadora. Enfim, são vinhos acessíveis e prazerosos, com o jeitão da mensagem do papa Francisco, ideal para compartilhar durante uma refeição junto aos amigos

Santa Cristina Rosso 2011

País: Itália, região da Toscana

Produtor: Santa Cristina/Antinori

Uvas: 90% sangiovese, 10% merlot

Importador: Winebrands – R$ 56,00

Como sabem os conhecedores de vinho italiano, seus caldos clamam pela companhia de uma comida, principalmente este clássico Santa Cristina. A acidez da predominante sangiovese  combina muito bem com pratos com molhos, risotos e algumas carnes. É um tinto simples, básico, com aquela fruta leve e presente e um toque sutil da madeira, corpo médio e uma doçura que torna o vinho fácil de beber.

Villa Antinori 2009

País: Itália, região da Toscana Central

Produtor: Antinori

Uvas: 55% sangiovese, 25% cabernet sauvignon, 15% merlot e 5% syrah.

Importador: WineBrands – R$ 111,00

Trata-se de um outro estilo de vinho, um degrau acima, mais moderno e adaptado ao gosto do consumidor. A italianíssima sangiovese divide o palco com uvas internacionais, o que dá um perfil mais global ao vinho, os aromas são mais frutados e a boca mais macia. Os 12 meses que passa em barricas de carvalho francês, americano e húngaro e mais os 8 meses em garrafa  dão a este toscano campeão de vendas um perfil mais amadeirado, um toque de baunilha nos aromas e uma fruta mais madura na boca. Os taninos, aquele palavrão que indica a sensação de adstringência do tinto, são mais suaves e o caldo é mais encorpado.

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013 Novo Mundo, Tintos, Velho Mundo | 10:56

7 sugestões de vinhos tintos de 7 países diferentes para enfrentar uma falta de assunto

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Quando falta inspiração aos cronistas, o tema de suas colunas acaba sendo a própria falta de assunto. “A felicidade é uma suave falta de assunto”, exaltou Rubem Braga, um dos nossos maiores cronistas, no texto A boa manhã, em que narra o fragmento de uma manhã plena. “Chupo uma laranja, e isto me dá prazer. Estou contente. Estou contente da maneira mais simples – porque tomei banho e me sinto limpo, porque meus braços e pernas e pulmões funcionam bem; porque estou começando a ficar com fome e tenho comida quente para comer, água fresca para beber.” (leia a crônica na íntegra aqui).

Um colunista de vinhos quando está sem um tema preciso recorre às garrafas que tomou, afinal é parte de seu dia-a-dia, como o cotidiano descrito por Rubem Braga. Foi esta a ideia que me passou pela cabeça enquanto divagava sobre o que escrever e corria aleatoriamente com os dedos as fotos digitais do celular, e vi passando os rótulos que havia consumido recentemente. Fiquei surpreso com a quantidade de países que iam aparecendo na telinha. Esta é uma vantagem que temos no Brasil. É, o vinho é caro, tem os impostos e tudo mais. Mas ao contrário de grandes produtores de vinho, como Chile, França e Itália, onde a oferta é geralmente limitada ao vinho da região, no Brasil a globalização se manifesta na variedade de garrafas de todo o mundo disponíveis.

Um passeio por um corredor de bebidas de supermercado é uma espécie de ONU do vinho. Os catálogos das grandes importadoras é organizado por países para comportar a enorme variedade de regiões e rótulos de língua estrangeira. Os bancos de dados virtuais, as páginas web de vinho e as redes sociais sobre o tema são uma Babel dos fermentados. É a variedade de terrenos, climas, uvas e produtores que fazem a beleza do vinho e a multiplicidade de estilos. Tem gente que acha complicado – e é. Tem gente que se apaixona pela bebida exatamente pelo leque de opções disponível. As duas constatações são verdadeiras, mas não são excludentes.

Por isso mesmo, voltando ao parágrafo inicial, impulsionado pelos instantâneos dos rótulos arquivados no meu celular revolvi fazer uma seleção globalizada de sete vinhos de sete países diferentes como tema da coluna. E para comprovar a tese da variedade, cada qual tem sua pegada, estilo e preço. Afinal, o mundo do vinho é vinho de todo o mundo. Talvez algum te agrade – ou desperte a curiosidade em prová-lo. Talvez te desagrade, e o campo de comentários é o espaço para criticar a escolha, e propor a sua própria lista. Como diria Rubem Braga “Nenhuma tristeza do mundo nem de meu passado me pega neste momento”.

7 vinhos de 7 países

Brasil – Tuiity

Salton Intenso Merlot

Produtor: Salton

R$ 31,00

A recém-lançada linha Salton Intenso (Malbec/Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Merlot/Tannat, Sauvignon Blanc/Viognier) veio substituir nas gôndolas, para o consumidor final, a Linha Volpi – aquela das bandeirinhas. Na minha opinião, a troca foi para melhor. O Volpi, correto na sua faixa de preço, tinha uma certa atração excessiva pela madeira, que encobria a fruta. A mudança deve ter suas razões mercadológicas e industriais, mas o importante para nós é que trouxe um frescor adicional à linha da Salton. O merlot da linha Intenso é o meu destaque entre seus pares. Macio, uma boa fruta, agradável, fácil de beber. E acessível. Como dizem os brasileiros um “best buy”.

Leia mais: Como escolher o vinho certo para o seu pai

Argentina – Mendoza

Terrazas Reserva Malbec 2011

Produtor: Terrazas de los Andes

R$ 65,00 – Importador: Moët Hennessy do Brasil

É sempre bom retornar a um mesmo vinho várias vezes e confirmar sua constância. O Terrazas está presente nos supermercados, cartas de restaurantes e lojas de vinho. Um blockbuster, mas nem por isso sem qualidades. Quem costuma beber vinho já provou. Este malbec de altitude (1100 metros sobre o nível do mar) é elaborado há 22 anos em terrenos selecionados para extrair o melhor desta uva que virou símbolo de vinho argentino. 2011 foi um ano quente e gerou este malbec de cor escura, aromas iniciais de flores e depois um pouco de coco e um cafezinho se esquecido na taça bastante tempo. Concentrado, bem estruturado, maduro, carnudo com um fruto negro. É um clássico argentino, daqueles que “não tem erro”. Provei outro dia com um steak tartar e mandou bem.

Chile

Antiguas Reservas Cabernet Sauvignon 2010

Produtor: Cousiño Macul

R$ 50,00 – Importador: Santar

Uma vinícola que pertence à mesma família desde 1856 é um espanto. É tão próxima de Santiago que é possível chegar lá de metrô. A Cousiño Macul está na sua sexta geração no comando dos tintos e brancos e mantém uma certa tradição no estilo. O Brasil é seu mercado número 1 de exportação. Tenho de confessar que tenho uma ligação emocional com a vinícola. Foi servido um vinho da Cousiño Macul no meu casamento, que assim como os bons fermentados só melhora com o tempo (leu essa, meu amor?). O Antiguas Reservas existe há mais de 80 anos, sempre de uma seleção dos melhores vinhedos da Cousiño. O que me agrada neste vinho de preço muito razoável é seu estilo clássico, uma mistura de europeu com novo mundo, sem exibicionismos ou madeira excessiva, na medida para revelar sua fruta, os aromas de cerejas e aquele sutil toque de especiarias. Carlos Cousiño, um dos irmãos que toca o negócio, tem formação de filósofo, atua na área da educação, e defende a manutenção do estilo de seus vinhos. Bom papo, além dos bons vinhos me apresentou um clássico poeta chileno: Vicente Huidobro.

Leia mais: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

EUA – Napa Valley

Robert Mondavi Private Selection Cabernet Sauvignon 2001

Produtor: Robert Mondavi/Constellation Brands

R$ 69,00 – Importador: Interfood

A influência de Robert Parker, dos pontos da Wine Spectator e outras czares do vinho criou em certo ambiente refratário ao paladar americano, que estaria mais próximo de um vinho muito alcóolico, doce e potente, com muita madeira. É uma generalização tola. Os Estados Unidos são um mercado enorme, e produzem vinhos finos, elegantes, da mesma maneira que cometem aqueles caldos para quem aprecia mastigar uma madeira e mascar um chiclete em forma de vinho. Robert Mondavi tem uma importância seminal para a vinicultura americana, com ramificações em outras partes do mundo. Hoje em dia a empresa não é mais da família, mas mantém vivo o espírito do autor. Este Private Selection Cabernet Sauvignon é uma linha intermediária, muito correta. O caldo é fermentado tanto em toneis de inox como barricas de carvalho e matura mais 17 meses em carvalho francês (curioso, não?), apenas 15% novos. Além do cabernet sauvignon, entram na mistura 12% de merlot, 4% de cabernet franc e 1% de syrah (não me perguntem a diferença que faz este 1% de syrah…). É um vinho macio, com boa fruta, amplo, gostoso de beber, um toque herbáceo e o tostado da barrica aparece como virtude e não como defeito. Para quem tem curiosidade de provar um Zinfandel, na mesma linha e preço há um Private Selection bastante agradável, frutado e fácil de beber.

Portugal – Alentejo

Chaminé Tinto 2011

Produtor: Cortes de Cima

R$ 70,00 – Importador: Adega Alentejana

O que acontece quando se juntam um dinamarquês, uma americana e um vinhedo no Alentejo? Um bom vinho com uma boa história, ora pois. A adega Cortes de Cima, do casal Hans Kristian Jorgensen (enólogo e viticultor) e Carrie Jorgensen (relações públicas e marketing), produz vinhos de primeira linha no Alentejo, sendo que o topo de linha entrega a origem do enólogo, chama-se Hans Christian Andersen, um 100% syrah. Mas o vinho em foco aqui é outro, é de sua linha mais básica, mas nem por isso menos suculento e perfumado. Trata-se do Chaminé, uma mistura de 50% aragonez, 23% de syrah, 19% de touriga nacional, 4% de alicante bouschet, 2% de cabernet sauvignon e 2% de petit verdot, uma assemblage mezo uvas nativas/mezo internacionais da sempre quente região do Alentejo. O aroma de frutas vermelhas é muito perceptível e agradável, a boca é macia e também frutada. É um vinho jovem, com espírito idem e para ser bebido logo. Agrada fácil e costuma aparecer por aí em ofertas de supermercados.

Leia mais Quinze sugestões para aproveitar melhor o vinho

África do Sul – Stellenbosch & Elgin

Pinot Noir 2011 Reserve

Produtor: The Winery of Good Hope

R$ 78,00 – Importador: Qual Vinho?

O crítico de vinhos John Platter, autor de um guia de vinhos da África do Sul com seu nome (Platter’s South Africn Wines), já me disse em uma entrevista há muitos anos que a pinotage –a uva nativa de lá – não é o melhor daquele país, se bem que me garantem que houve uma bela evolução. Ele indicava outras tintas, como syrah, merlot e a pinot noir. Aqui temos um bom exemplo de um vinho de preço interessante e bastante tipicidade. The Winery of Good Hope atua há 15 anos na região montanhosa de Stellenbosch, e foca sua produção na branca chenin blanc e na tinta pinot noir. São adeptos de uma viticultura mais natural e de mínima interferência na vinificação. Foi a primeira vez que provei o vinho e me conquistou pela pureza, leveza e frutado gostoso, um toque terroso sutil. Li no site da empresa que é elaborado com uvas da variedade pinot noir de dois terrenos diversos: uma região mais quente de montanha e outra próxima de influências de brisas marítimas. Daí deve vir o frescor e a mineralidade que fazem deste vinho novo (é de 2011) uma agradável descoberta.

França – Borgonha

Gevrey-Chambertin 1er Cru Les Cazetiers 2009

Produtor: Louis Jadot

R$ 754,00 (U$ 238,50) – Importador: Mistral

Se você engasgou no preço e pensou “tá de brincadeira, né?” deixa-me explicar. Trata-se de uma joia rara da vinicultura. São apenas 5 barris produzidos por ano. A Borgonha não é para iniciantes, muito menos para quem procura custo benefício. A Borgonha é para quem procura pérolas nos vinhedos, e busca mais que um vinho, uma espécie de elixir da elegância. Este exemplar de Loius Jadot – que tem uma ampla linha de borgonhas, dos mais básicos aos mais inebriantes – vem de vinhedos da própria Domaine (outros rótulos da casa são de uvas compradas). A filosofia de Louis Jadot é deixar o vinho se revelar naturalmente; o estilo é sempre o resultado do lugar. Trata-se de um Pinot Noir em caixa alta e baixa. Um vinho para se conectar com a terra. Rico em aromas de frutas maduras, fino no aroma de rosas, elegante na boca, profundo no final. Os goles provocam uma ampla salivação, que revela a acidez presente. É uma experiência espetacular. Mais uns anos na garrafa deve trazer outros prazeres.

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010 Nacionais | 10:54

Salton completa 100 anos e lança um tinto e um espumante para comemorar

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A Vinícola Salton completa 100 anos no dia 25 de agosto de 2010. Uma empresa brasileira cravar 100 anos de existência já é um ponto fora da curva, uma indústria do vinho em um país sem a tradição na bebida alcançar este feito, então, é um assombro.

Um estudo realizado por uma empresa japonesa, Tokyo Shoko Research, fundada em 1892, pesquisou 1.975,260 cadastros em seu banco de dados e encontrou 21.660 empresas com mais de 100 anos no mundo. Entre elas, há inúmeras vinícolas ainda atuantes, 76 para ser mais exato. Fundada no ano 1000, o Château de Goulaine, localizado no Vale do Loire, é a vinícola mais antiga ainda em funcionamento e a oitava empresa mais antiga da lista. A italiana Ricasoli, de 1141, uma verdadeira dinastia do Chianti na Toscana, é a vigésima da lista. As únicas representantes nacionais são o Banco do Brasil, fundado em 1808, e a distilaria Ypioca, criada em 1846.

A lista pode ser até imprecisa, mas 100 anos, como se vê, merecem festa e pompa. Para comemorar o centenário, dois vinhos foram cuidadosamente elaborados pelo principal enólogo da vinícola, Lucindo Copat. Um tinto e um espumante. O primeiro, o Salton 100 anos, é uma espécie de evolução do Talento, o top de linha da empresa lançado em 2004, um assemblage com 50% de cabernet sauvignon, 40% de merlot e 10% de cabernet franc que permaneceu 16 meses em carvalho novo francês antes de ir para a garrafa. Um tinto intenso, a madeira batendo continência, camadas de frutas, pedindo um decanter ou algum tempo a mais de garrafa. Já o Salton Espumante Nature 100 anos, elaborado pelo método tradicional (champenoise), é composto por 70% de pinot noir e 30% de chardonnay e permaneceu três anos em contato com as leveduras. Resultado: nariz de champanhe, espuma abundante e sabor rico. Top espumante nacional, digno de um selo 100 anos. Se precisasse escolher uma das duas bebidas para brindar, eu ficaria com esta. A 13 mil garrafas dos vinhos, em edição limitada para os padrões da vinícola, estarão à venda a partir de 26 de agosto, um dia após o centenário. O Brandy 100 anos que aparece na foto acima será exclusivo para comemorações da empresa.

Angelo

O vinho Salton consumido hoje guarda poucos laços com 100 anos de tradição. Os produtos atualmente engarrafados na moderna vinícola de Tuiuty, em Bento Gonçalves – as linhas Classic, Volpi, os espumantes Évidence, Reserva Ouro, e os tops Talento, Desejo (tintos) e Virtude (branco) – são fruto de uma revolução dos últimos 10 anos da empresa. Um dos principais engenheiros desta guinada, no entanto, não vai estar presente na festa. Em fevereiro de 2009 o então presidente da empresa, Angelo Salton, em uma dessas trapaças do destino, faleceu, vítima de um infarte fulminante.

Pessoalmente, Angelo lembrava o ator e diretor Orson Welles dos últimos anos. De grande estatura e jeito bonachão, abria um sorriso enorme cada vez que oferecia, com seu vozeirão, uma taça de vinho a quem quer que passasse à sua frente em feiras e degustações: “Este é um espumante da mais alta qualidade, brasileiro, é da Salton. Você vai provar, gostar e comprar mais no supermercado”. Bingo, mais um cliente conquistado. Claro, Angelo não comandava uma ONG, mas uma empresa, e estava comprometido com o crescimento da Salton e a divulgação de seus produtos. Mas fazia isso com um entusiasmo raro.  Em 2006, ele deu uma entrevista a este colunista que revista anos depois traduz o homem e seu projeto. E demonstram uma visão que extrapolou o regionalismo e deu o rumo desses últimos 10 anos da vinícola, que completa 100 anos com boa musculatura. Alguns trechos, abaixo:

Mudança
O foco, a filosofia e a cultura da Salton mudaram nos últimos três anos. O que ajudou muito é que eu mudei muito como presidente da empresa. Eu passei a vivenciar os vinhos junto com enólogos, até hoje faço isso.

A empresa
A Salton tem 94 anos (em 2006). Nós temos uma estrutura de indústria muito forte. O Conhaque Presidente e outros vinhos populares geram um lucro que nos permite investir. É este lucro que bancou a construção da nova adega, em Tuiuty. Você não pode falar em vinhos e espumantes finos devendo no banco.

ABS, Sbav e confrarias
Essas associações estão totalmente ligadas ao mundo do vinho brasileiro. São formadas por especialistas que tomam de 20 a 30 rótulos importados por dia. Eles têm uma boca superior à do enólogo que só toma vinho brasileiro. Por isso eu dizia para o pessoal do Sul: “Respeitem esta turma, vamos aproveitar esta capacidade, esta crítica para nos ajudar.” E foi o que aconteceu nesses anos, com esse tipo de contato.

O choque dos importados
Nós não tínhamos a cobrança de fazer vinhos finos, como o Talento, o mercado não exigia isso. A concorrência do importado fez a indústria se mexer, esta é a verdade. Por que até não ter estes 30 milhões de litros importados, 40 milhões de garrafas, a vinícola brasileira estava meio tranquila.

Vinho popular
A Salton não vai viver só do vinho fino. Ela vai viver também do vinho popular. Mas vamos fazer o melhor popular que tem. Vamos deixar de fazer o Chalise? Vamos cortar as parreiras de uva isabel? Acho que não. Temos um mercado que é o Brasil real. A uva isabel custa 30 centavos e a cabernet sauvignon, 2 reais. O dia que tiver cabernet sauvignon a 30 centavos, a gente corta o resto! Mas vai demorar.

As bandeirinhas
O Volpi nasceu em 2000. Uma idéia que tivemos de trazer um rótulo mais sofisticado. Fizemos um grande lançamento do Salton Volpi Chardonnay, no restaurante D.O.M. A Salton começou ali a engatinhar rumo às coisas mais refinadas.

O caminho para chegar aos restaurantes
Atualmente eu não admito um restaurante em São Paulo que não tenha vinho Salton. O Talento, por exemplo, está na carta de vinhos dos melhores restaurantes da cidade. Mas no começo, há quatro anos, foi um processo lento. Fui visitar o Fasano umas oito vezes até convencer o sommelier da casa, Manoel Beato, que o nosso vinho tinha qualidade para entrar na carta de vinhos do restaurante.

Enochatos
Se o cara começa a descrever cheiro de borracha queimada e aroma de frutas exóticas que ninguém conhece fora do meio dele, pode passar por ridículo. É o risco. De vez em quando eu escuto umas pessoas comentar as características de um vinho, e falo: “Olha, eu não estou sentido nada disso.” Aí tem um pouquinho de marketing de quem faz o show.

Degustação
Eu sei que eu não sou um grande degustador. Mas hoje o meu padrão está com o Salton Talento. Se eu provo um vinho inferior, do dia-a-dia, já noto que falta tipicidade, aroma, intensidade. Estou também virando um chato…

Os 100 anos sem Angelo, mas com seu legado

A ausência de Angelo ao brinde dos 100 anos da Salton provoca um travo amargo. Afinal, a finitude inesperada é uma dessas armadilhas que interrompem uma vida cheia de expectativas. Mas também pode ser encarada com um último recado do empresário que dedicou 28 anos de sua carreira profissional à Salton e que nos últimos anos defendia o crescimento do mercado do vinho nacional pela qualificação do produto – sem perder o olho no mercado de grande volume. Ele não vai estar na festa, uma pena, mas seus vinhos sobreviveram a sua marcante personalidade. Missão cumprida.

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Angelo Salton 1952-2009

Vinho canônico

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