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segunda-feira, 10 de outubro de 2016 Brancos, Nacionais, Tintos | 19:17

O vinho brasileiro ganha espaço em restaurantes, em loja exclusiva e na sua casa

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Vinhedos da Guaspari: nova fronteira do vinho, em Espírito Santo do Pinhal, no estado de São Paulo

Vinhedos da Guaspari: nova fronteira do vinho, em Espírito Santo do Pinhal, no estado de São Paulo

Algumas pessoas, as mal informadas, se espantam quando eu digo que tomo vinho nacional – e com alguma frequência. Esboçam aquele sorriso incrédulo seguido de um “ah, vá” e, diante da minha insistência, recorrem ao segundo argumento mais utilizado diante da possibilidade de desarrolhar um rótulo verde-amarelo: “Ok, até tem alguns bons, mas o preço…”.

Sabe nada, inocente!

Vamos lá. Sim, há vinhos nacionais bons e muito bons – e os ruins ou bem meia-boca, alguns têm um preço maluco, outros compatíveis com o mercado e há também os achados.

O mesmo fenômeno ocorre no universo dos vinhos importados – tanto em preço como na qualidade. A combinação de preço e volume faz parte da construção de marca que rege a indústria desta bebida – de toda indústria, a propósito. Vale sempre lembrar que o vinho nacional paga também uma alta carga de impostos: 54,73% do preço da garrafa vai para o governo na forma dos mais variados tributos, o que contribui na formação do preço. No importado a mordida é de 74,73%

Mas se ainda existe este comportamento preconceituoso entre alguns consumidores de vinho, sinais opostos e positivos mostram que o  vinho brasileiro, das mais diversas regiões e estilos, vem conquistando um espaço maior na taça. E se é verdade que o melhor do vinho  é a diversidade, o Brasil hoje faz parte desta equação.

E quais são estes sinais?

Muitos restaurantes, pelo menos em São Paulo, estão aumentando a oferta de rótulos nacionais em suas cartas, além dos obrigatórios espumantes.

Os vinhos antes restritos ao sul do país agora exploram novas fronteiras. Tanto no Nordeste, um projeto mais antigo, quanto nos improváveis estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo (benza deus, São Paulo, quem diria?) e Goiás, e consolidando a vocação da Campanha Gaúcha, nas franjas do Uruguai.

Pequenos produtores de vinhos orgânicos ou biodinâmicos brasileiros também estão encontrando seu público e espaço para comercializar seus rótulos.

As lojas também abrem mais espaço para o vinho nacional. No exemplo mais radical, uma loja e bar em um bairro boêmio em São Paulo vende exclusivamente rótulos brasileiros.

E como temos mesmo este complexo de vira-latas, nada como o endosso de uma publicação internacional de prestígio para consolidar esta tendência. A prestigiosa revista inglesa Decanter publicou em sua edição de outubro uma reportagem de 4 páginas com o título “Golden era for Brazil“, enfatizando que 2016 é um ano histórico para os produtores de vinho brasileiros. No texto, o autor elogia a qualidade e a diversidade (olha só) do vinho nacional, além de destacar as três primeira medalhas de ouro conquistados pelo Brasil no concurso que a revista promove (Decanter World Wine Award) entre rótulos de todo mund. Foram agraciados dois rótulos da Casa Valduga (Casa Valduga Terroir Leopoldina Merlot e o Gran Leopoldina Chardonnay D.O) e outro da jovem Vinícola Guaspari. (Vista do Chá Syrah 2012) (leia mais sobre a Guaspari mais abaixo).

Blog do Vinho bebeu

Nas últimas semanas tenho bebido rótulos brasileiros em restaurantes, bares e em casa. E não foram apenas espumantes. É apenas mais um reflexo do que escrevi acima. Aos vinhos, pois:

Pinot Noir: simples, descontraído, saboroso

paradoxo1Nos restaurantes Modi e no Lambe-Lambe, uma rede que une qualidade e preço e entrega uma culinária saborosa com ingredientes mais simples, o vinho em taça é o fresco e gostoso Paradoxo Pinot Noir da Salton. Uma ótima sugestão do consultor Luis Felipe Campos, responsável pela carta dos restaurantes. Com uvas da região da Campanha Gaúcha, baixo teor alcoólico e fruta delicada,  acompanha bem entradas, pratos mais leves, frango. Agrada também em carreira solo.

Varietal-Pinot-Noir-2012Outro exemplo de Pinot Noir nacional bacana é o Varietal Pinot Noir da Aurora, de Bento Gonçalves, uma delícia de vinho jovem, frutado e que a gente mata uma garrafa num bate papo sem perceber. Fácil de encontrar em supermercados, é uma boa pedida para levar para casa e beber sempre jovem. Agrada também os Tio Patinhas do Baco, com um preço bem acessível (algo como 25 reais)

Menos álcool, mais frescor

vinheticaAinda no universo dos brasileiros conquistando espaço nas cartas dos restaurantes, este rótulo da foto ao lado, da Campanha Gaúcha, foi provado no simpático Allez, Allez!, um bistrô na Vila Madalena.  O Vinhetica – Terroir de Rouge é um achado. Em primeiro lugar, trata-se de um tinto com 12,5 de álcool, que só por isso merece todas nossas mesuras. Supergastronômico, com frutas frescas e acidez bem marcante, mostra um aroma balsâmico. A maceração é do tipo carbônica, como fazem os Beaujolais Nouveau da vida, ou seja, a fermentação acontece dentro da fruta, o que preserva o frescor que se destaca na bebida. O Vinhetica Terroir de Rouge é o resultado da leveza da uva arinarnoa (que desconhecia) com a robusta cabernet sauvignon, um experimento do viticultor francês Gaspar Desurmont que se apaixonou pelo solo brasileiro e por aqui montou seu empreendimento. Já havia provado em um evento, mas na companhia da comida, deu uma valorizada.

Vinho paulista

Os chamados vinhos de inverno, nos quais se incluem os vinhos produzidos em solo dos Bandeirantes, são fruto de uma técnica de cultivo adaptado ao clima da região sudeste/centro-oeste conhecido como poda invertida. Técnica esperta, ela engana o ciclo vegetativo da parreira e gera frutos em julho, agosto, época de menos chuva e clima mais temperado. Minha primeira experiência foi o tinto Primeira Estrada, lá em 2013. Esta técnica, desenvolvida por Murilo Albuquerque, da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), possibilitou a aventura de outros empreendedores que tinham “um vinho na cabeça e uma uva na mão”. Entre este grupo se encontram malucos/empreendedores de Minas Gerais, Goiás e São Paulo, em geral com origem na zona cafeeira destes estados. A Guaspari e a Casa Verrone são dois exemplos.

 Guaspari, agora numa versão mais econômica

Desde que colocou no mercado seus três primeiros rótulos, um aprazível sauvignon blanc e dois syrah (Vista da Serra e Vista do Chá), a Guaspari surpreendeu os céticos, mereceu boas críticas da imprensa especializada e elogios entre os consumidores. Arrasou conquistando o prêmio máximo da Decanter – como contamos acima. Um baita efeito “uau!” para um iniciativa pioneira e iniciante. Mas de bobos eles não têm nada e os louros não vieram por acaso. A Guaspari criou uma estrutura profissional para chegar nisso. Com vinhedos plantados em uma fazenda cafeeira na região de Espírito Santo do Pinhal, no Estado de São Paulo, a Guaspari chegou chegando com um trabalho ousado que contou com a consultoria do enólogo americano Gustavo González – que tem no currículo a vinícola americana Robert Mondavi – e com um marketing imbatível: um vinho de qualidade produzido em São Paulo. Pronto, ganhou as manchetes! E se posicionou com preço de gente grande (cerca de 150 reais a garrafa).

O que leva a uma reflexão sobre preço e vinho nacional: se o vinho é de qualidade, que diferença faz a nacionalidade na hora de colocar a mão no bolso? valedapedra

Este ano a Guaspari lançou uma segunda linha de vinho, um pouco mais acessível, nem por isso na bacia das almas (78 reais): o Vale da Pedra tinto 2015 (também da tinta syrah, que parece ser a uva que mais se adaptou a estes novos territórios do vinho) e o Vale da Pedra branco 2015 (sauvignon blanc, a branca que também se deu melhor). Curiosamente, ao contrário do padrão dos vinhos nacionais, se você procurar a uva na parte principal do rótulo não encontrará. Este novo vinho vem atender esta tendência de vinhos mais jovens, leves e com maior potencial de consumo. A madeira – quando existe – é apenas coadjuvante. É o caso deste syrah com um estilo “chocolate com pimenta”, que tem esta pegada bem marcante no final de boca. As especiarias típicas da uva estão lá, a acidez dá prazer e a parceria com a comida é mais fácil.  Os vinhos são encontrados em sua loja virtual e na rede de supermercados Saint Marche, em São Paulo.

 Casa Verrone, de Itobi para o mundo

caa-verroneVocê sabe onde fica Itobi e Divinolândia? Eu até sei, pois já fui a Itobi, mas garanto que não foi por conta de vinho, que nem sabia que existia. Mas um produtor – a Casa Verrone – arranca do solo destes municípios no interior do Estado de São Paulo, na região da Serra da Mantiqueira, as uvas que maceradas dão os caldos de seus vinhos. E, para surpresa geral da nação, o seu Chardonnay Speciale Casa Verrone 2015 levou o prêmio na sua categoria na Grande Prova de Vinhos do Brasil 2016. Este eu provei em casa, mas comprei na RedButeco, descrito logo abaixo. É um chardonnay de estilo mais amadeirado, amanteigado, que lembra um pouco os brancos dos anos 2000 produzidos no Chile e Argentina, mais gordo que fresco. Um estilo com vários defensores.

 

Vinho de Food Truck

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Quem já passou por eventos e feiras ou deu um rolê pelos FoodTrucks que explodiram em 2015, e estão se adaptando à realidade de  2016, já deparou com a marca Los Mendozitos, que segundo definição dos fundadores trata-se de uma “rede de Wine Bars itinerantes do Brasil especializados em vinhos de produções familiares”. Por itinerante entenda-se trailers e até bicicletas que comercializam vinhos. Uma ideia que apostou na simplicidade, no preço e no vinho em taça.  E deu certo. Agora os Mendozitos resolveram ocupar um espaço fixo no FoodTruck do Vila Butantã – que é formado por trailers tradicionais de comida e algumas lojas fixas ocupadas em cointainers que formam um mini shopping ao livre em frente à sede da Odebrecht, em São Paulo. Ao contrário do modelo de negócio dos trailers, que é de venda de vinho em taça, na loja fixa o consumo maior é de garrafas. A nota curiosa é que, apesar do nome, os vinhos nacionais também têm vez nas prateleiras como os espumantes do Don Giovani e tintos e brancos nacionais. O rótulo que leva o nome da loja, Los Mendozitos, a propósito, é um cabernet sauvignon produzido pela Guatambu, de Don Predito, no Rio Grande do Sul. Eu imaginava que seria um Malbec de Mendoza… Sem grandes pretensões, correto, com bons taninos, é outro exemplo de vinho nacional ocupando os espaços que ampliam o consumo dos nossos rótulos e atingem um público diversificado.

Um tinto de outro mundo

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O mundo do produtor independente Eduardo Zenker é o vinho de garagem. Não é uma força de expressão. Literalmente ele faz suas alquimias em uma garagem em Garibaldi – da mãe. Foi ali que um casal de amigos provou e trouxe esta garrafa de um Ancellota de 2013 que foi batizado como o sugestivo nome de Alma Penada, já que é um caldo  condenado à extinção. Explicando: as parreiras de onde vieram as uvas foram cortadas pelo fornecedor e este vinho não se repetirá. Este eu provei na casa desses amigos.  Vinhos como os de Zenker fazem parte do movimento de vinhos natureba, que aqui em São Paulo tem como maior divulgadora a Enoteca Saint Vin Saint da Lis Cereja. E só o fato de este tipo de vinho diferentão, que defende a interferência mínima do homem no vinhedo e na vinificação, ter um espaço conquistado, já mostra que há vinhos brasileiros em todos os estilos disponíveis. E público para isso – e até uma feira anual pra lá de concorrida que reúne vários produtores. O Alma Penada é bem escurão, estava muito floral, tinha uma espécie de gosto de terra. Na proposta orgânica, o sabor da uva parece mais natural, mas surgem algumas arestas, algo parece meio desequilibrado, o que os defensores classificam como qualidade intrínseca do processo. Definitivamente é um caldo controverso, mas que vale ser conhecido. Ainda citando a tal reportagem da Decanter, um dos rótulos indicados pelo autor é o Era dos Ventos, Peverella, 2013, do casal Luis Henrique e Talise Zanini em parceria com o proprietário do restaurantes Aprazível, Pedro Hermeto uma espécie de vinho laranja tupiniquim e o Atelier Tormentas, Vermelho Cabernet Franc 2015, do polêmico vinhateiro Marco Danielle, do qual escrevi em 2009 e nunca mais cruzei. Este eu preciso provar.

Red: um buteco de vinhos verde-amarelos

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Por fim, fui conhecer um projeto que parecia pra lá de original e ousado: o Red Buteco. Trata-se de um bar e loja exclusivos de rótulos brasileiros. Voltado para o público jovem e encravado também na Vila Madalena, onde a cerveja, o chopp e a caipirinha reinam incontestes, parecia um suicídio comercial. E aparentemente está dando certo. O público escolhe o vinho nas prateleiras, os atendentes são jovens sommeliers que conhecem os rótulos e tudo é servido em um ambiente moderno e descontraído. Não há muito ritual, bebe-se pelo prazer, pela companhia, no buteco. Para acompanhar a bebida, há um cardápio restrito de aperitivos (gostei da coxinha. Pode coxinha e vinho? Pode!) e pratos rápidos (menos bons). Os rótulos disponíveis variam desde alguns produtores conhecidos do Sul, como Lidio Carraro, Pizzato, Dal Pizzol, Cave Geisse até rótulos de regiões experimentais e pouco conhecidas, do Paraná (espumante Poty), Minas Gerais (Luis Porto) e evidentemente São Paulo (Guaspari e Casa Verrone, foi lá que comprei o meu).

Os proprietários são três jovens com carreira em outra atividade – economista/sommelier, arquiteto/urbanista e advogado/Dj, respectivamente. O público é alegre, predominantemente feminino. Um consumidor novo, com menos vontade de encontrar frutas do bosque no vinho e mais vontade de ter prazer com a bebida e sua companhia.  Acho que não podia ter notícia melhor para o vinho brasileiro.

Serviço:
Red Buteco de Vinhos Brasileiros
Rua Mourato Coelho, 1.160, Vila Madalena, São Paulo, SP

 

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quinta-feira, 30 de abril de 2015 Tintos, Velho Mundo | 11:31

Um vinho francês de bom preço e um sapo arrogante

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Vinhos do Languedos, sul da França: um príncipe entre os sapos!

Vinhos do Languedoc, sul da França: um carignan de vinhas velhas entre os sapos!

Então você quer beber um vinho francês e na hora de escolher um rótulo fica dividido entre deixar de pagar a mensalidade escolar do seu filho e gastar a grana comprando um premiado Bordeaux, um elegante Borgonha, um clássico Champagne ou acaba se arriscando num rótulo genérico de supermercado mais barato e fica com aquela impressão que vinho da terra do Asterix é só para poucos mesmo. Decepção.

Assim como a França vitivinícola não se resume a estas três regiões clássicas, os valores não precisam ser tanto ao céu nem tanto à terra. Há vinhos de boa qualidade e preços médio de várias regiões da França que chegam aqui no Brasil também. E são agradáveis, com alguma tipicidade, mais despretensiosos, nem por isso mal cuidados.

O próprio governo francês trabalha neste sentido. O escritório da embaixada francesa, através da agência Business France, montou um estande na última ExpoVinis cuja estratégia era mostrar ao mercado que grande parte da produção do país é feita para um consumo do dia a dia, sem protocolo, mas mantendo qualidade. E apresentou rótulos de diversas regiões. O lema era: “Vinhos franceses: não precisa complicar. Basta amar!”

Foi nesta pegada que segui para uma degustação de tintos e brancos da Domaines Paul Mas, da região do Languedoc, Sul da França, dia desses. Se você nunca ouviu falar do Paul Mas provavelmente um de seus vinhos já deve ter  chamado sua atenção: Arrogant Frog. Se não pelo vinho, pelo menos pelas simpáticas figuras aí de baixo.

Desprentensioso, divertido, mas arrogante

Despretensioso, divertido e um marketing moderno

E foi mirando o sapo gabola que imaginei que iria conduzir este texto. Mas este negócio de pensar o texto antes dos fatos costuma dar errado. Outro vinho, de preço nada arrogante, no entanto, me chamou mais a atenção.

Paul Mas

Mas antes do vinho, um pedágio: a apresentação da vinícola e seu projeto. A Domaine Paul Mas não é um empreendimento qualquer, não: são nove diferentes vinhedos cobrindo toda a extensa região de Languedoc, 478 hectares de vinhedos próprios (92 biodinâmicos), 1285 hectares de vinhedos de parceiros sob contrato, mais de 30 variedades de uvas plantas, 8 enólogos, 130 empregados, mais de 2 milhões de caixas de vinho produzidas e exportadas para 58 países nos 5 continentes. O conceito: produzir vinhos do Velho Mundo com a Filosofia do Novo Mundo, ou como está descrito no site da empresa “ O segredo da qualidade de nossas uvas e nossos vinhos está no fato de que trabalhamos com o espírito de uma pequena vinícola mas com a operação em escala de uma vinícola do Novo Mundo”.

Ah, uma historinha sobre o rótulo do Arrogant Frog. Como se sabe os franceses não têm a fama de serem as pessoas mais modestas e simpáticas deste planeta. Por conta desta característica que os identifica, seus vizinhos e eternos rivais ingleses costumam tratá-los como batráquios. Juntando o fato de que na época de seu lançamento os Estados Unidos estavam boicotando os produtos franceses já que o país se recusou a aderir à Guerra do Iraque, a ideia de responder com humor a situação revelou-se uma baita ferramenta de marketing. Daí surgiu a linha Arrogant Frog e seu rótulo chamativo, e lá se vão 10 anos.

Paul Mas Carignan Vieilles Vignes 2013.

Então estou eu na tal degustação na esperança de juntar minha ideia de explorar o sapo num texto e recomendá-lo aos leitores. E topei com um vinho muito mais bacana para recomendar: o Paul Mas Carignan Vielles Vignes 2013. É dele que falo abaixo.

Paul Mas Vielle Vignes Carignan: um vinho do seu lugar

Paul Mas Vielile Vignes Carignan: um vinho que representa sua origem

Paul Mas, Carignan Vieilles Vignes 2013

Produtor: Chateau Paul Mas

Região: Languedoc – Vale do Hérault

Uva: 100% carignan

Preço: R$ 79,00(no site da importadora Decanter está em promoção por R$ 67,00)

E voilá! Pelo mesmo preço de um Arrogant Frog acho que tem mais vinho nesta garrafa de 100% carignan de vinhas de mais de 50 anos. O bichão tem boa concentração, um corpo médio, taninos suavizados pelos seis meses de barricas americanas (20% novas). Tem um aroma mais doce, com traços da passagem pela barrica, fruta negra madura e um toque terroso delicioso. Foi bem com o confit de pato, retratado abaixo.

Vai um pato aí?

Vai um pato aí? Um carignan, s’il vous plait!

Ficou curioso pelos sapos topetudos, né? Muita gente já conhece, mas vamos a eles: dos dois Arrogant Frog que provei, o Syrah-Viognier 2013 (91% syrah de vinhas de 20 a 30 anos e 9% viognier – R$ 71,50) e Reserve IGP 2013 (um típico GSM: grenache, 30%, syrah, 45%, e mourvèdre, 25% – R$ 79,00), acho o segundo mais típico de uma região mediterrânea, mais gostoso de tomar e gastronômico, com um toque nítido de especiarias e notas defumadas, cai muito bem com uma comida de bistrô, por exemplo. Há uma linha relativamente grande do Arrogant Frog no mercado brasileiro. Entre eles os  divertidos tutti-frutti, rouge, rosé e branco destinado ao público mais jovem.   Descompromissados, resolvem uma festa, uma refeição sem grandes pretensões, mas pelo mesmo o preço (ou até menor, como a atual oferta), o Paul Mas Carignan Vieilles Vignes dá mais prazer.

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quinta-feira, 5 de março de 2015 Brancos, Doce, Tintos, Velho Mundo | 10:40

Planeta: vinhos italianos da Sicília aos pés do vulcão Etna

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Vinhedos da Planeta: aos pés do vulcão Etna, na Sicília

Vinhedos da Planeta: ao fundo o vulcão Etna

Em 1994 a vinícola Planeta, um empreendimento familiar da ilha de Sicília, na Itália,  lançou um vinho branco da uva chardonnay que é sucesso até hoje. De um perfil moderno,  de coloração dourada, cremoso, com boa presença em boca e um toque de barrica e de baunilha bem perceptível ganhou o mercado e tornou conhecida a marca, que também se notabilizou pelo syrah e pela merlot. Uvas internacionais, rótulos modernos e fáceis de lembrar, mas legítimos representantes do solo italiano, apesar de perder um pouco aquele sentido de vinhos originais da Bota.

O projeto – Planeta é o nome de família – começou com uma vinícola e 50 hectares fruto de pesquisas de Diego Planeta, e hoje ampliou sua presença na ilha e possui seis cantinas em diferentes pontos da Sicília que juntos somam 390 hectares. São elas: Ulmo/Sambuca di Sicilia (de onde vem o chardonnay famosão); Dispensa/Menfi; Dorilli/Vittoria; Etna/Feudo di Mezzo; Buonivini/Noto e La Baronia/Capo Milazzo. Os campeões de venda no Brasil são os rótulos La Segreta. No mapa as cantinas  permitem um tour em volta da ilha, o que não é má ideia.

A cantina onde os vinhos são produzidos

A cantina de Vittoria/Etna onde os caldos são vinificados

Esta diversidade de solos e territórios entrega uma variedade de estilos de vinho (espumantes, brancos, tintos, doces) com diferentes tipos de uva (as internacionais chardonnay, syrah, merlot e as nativas, carricante, moscato bianco, nero d’avola, frappato, nerello mascalese) que enriquecem a experiência do vinho da Sicília e quebra este carimbo global que marcou o início da Planeta. Um bom exemplo é linha Etna, recém-lançada no Brasil, produzida em um vinícola que fica aos pés do vulcão de mesmo nome, o maior símbolo da ilha. São rótulos onde a  tipicidade da Itália se torna mais presente e os vinhos mais gastronômicos e instigantes, secondo me (termo roubado do meu amigo Didu Russo).

Blog do Vinho provou e palpita:

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Planeta Etna Bianco 2013

Região: Castiglione di Sicilia (Etna)
Uva: carricante
R$ 126,00

Um branco menos exibido que seu primo mais famoso, o citado chardonnay Planeta. A carricante é uma uva nativa da região. Mais fresco, com boa acidez, mineral e nota lá no fundo de madeira. Um branco que tem como principal virtude a vivacidade em boca.

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Planeta Etna Rosso 2013

Região: Castiglione di Sicilia (Etna)
Uva: nerello mascalese
R$ 126,00

Agora um tinto representante legítimo do solo vulcânico do Etna. Algumas fotos impressionantes mostram as lavas fazendo fronteira com os vinhedos. A coloração é mais leve,  corpo médio, tem um aroma gostoso de frutas vermelhas, macio, e boa acidez. Um tinto que pede um prato de comida.

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Dorilli Cerasuolo Di Vittoria Classico DOCG

Região: Dorilli (Vittoria)
Uvas: 70% nero d’avola e 30% frappato
R$: 163,00

Um clássico da Planeta, com aquele rótulo em formato de redemoinho mais famoso. Único vinho DOCG (denominazione di origine controllata e garantita) da Sicília. O nome do vinho já dá a dica: Cerasuolo significa solo de cereja. E não é que o bichão exala aromas marcantes de cereja madura, framboesa, frutas vermelhas em geral? A percepção em boca é mais doce (passa 10 meses em barricas de 500 litros de segundo uso, que não marca tanto o vinho), desce macio, gostoso. Bom final de boca, com mais corpo também. Gastronômico, mas pede um prato mais forte de carne, um molho mais potente.

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Passito di Noto – DOC Noto

Região: Noto (Buonovini)
Uva: moscato bianco
R$ 213,00

Vinho de sobremesa branco italiano. Só por isso é um risco que se deve correr. O processo de vinificação lembra o do amarone, de apassimento (as uvas são deixadas em esteiras por quatro ou cinco meses em vez de serem esmagadas, com isso os frutos perdem peso e ganham açúcar, álcool e aromas). A cor é bem amarela, e a primeira e segunda impressão no nariz é de mexerica (tangerina) doce, um toque de mel. Doce e untuoso como tem de ser, corta o melaço com uma acidez presente. Deve ser o bicho com pastiera di grano

Os rótulos Planeta são importados no Brasil pela Interfood

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quinta-feira, 30 de outubro de 2014 Tintos, Velho Mundo | 10:03

Atibaia, um vinho do Líbano em homenagem ao Brasil

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Jean Massoud explica seu tinto do líbano com pegada francesa e nome brasileiro

Jean Massoud explica o Atibaia: um tinto do Líbano com pegada francesa e nome brasileiro

A primeira surpresa costuma acontecer quando é declarada a procedência do vinho. Existe vinho libanês? Sim, existe, e com uma história milenar. A segunda está relacionada ao nome no rótulo: Atibaia. Teria alguma relação com a cidade no interior do Estado de São Paulo? Sim, tem. A terceira surpresa, a melhor de todas, trata-se da qualidade. Será um bom vinho? Sim, é um ótimo vinho e provando sem conhecer sua origem muito provável você irá confundi-lo com um vinho francês. A quarta surpresa é o preço. É barato? Não, trata-se um vinho cheio de cuidados e mumunhas, pequena produção. Vai daí que… Vamos por partes e falamos do preço.

 Vinho do Líbano, breve relato

O Líbano é um país pequeno, tem 225 quilômetros de extensão e 70 de largura. Sua história com o vinho é tão conflituosa e rica quanto a região – o país tem fronteiras com a Síria e Israel. Relíquias e monumentos indicam que no ano 3.000 a.C. já se produzia ali algum tipo de vinho. Em 1517 o Império Otomano domina a região e proíbe a produção de vinho. A retomada está relacionada às missões jesuíticas (sempre eles) que trazem videiras francesas para serem plantadas no país. Em 1918 os franceses assumem o governo administrativo. Em 1975 explode a Guerra Civil, que praticamente inviabiliza a produção de vinho no Líbano – com exceção de alguns abnegados, como Serge Houchar, do Château Musar  que mantém a produção durante os 20 anos do conflito, em meio a bombas e morteiros. Em 1992 com a estabilidade de volta ao país a situação finalmente começa a melhorar.

Para se ter uma ideia da evolução que a estabilidade política trouxe ao vinho. Em 1999 eram apenas seis produtores, atualmente são 45, com uma produção anual de 8 milhões de garrafas. Três deles dominam o mercado: Chateau Ksara, Kefraya e o valoroso Musar. A maior parte dos vinhedos estão localizados numa região chamada Vale do Bekaa. Predominam as uvas francesas, como cabernet sauvignon, cinsault, carignan, syrah e petit verdot. Ou seja, os vinhos são visões das regiões de Bordeaux e do Rhône, na França, em solo libanês. Não por acaso, os rótulos disponíveis são sempre de mesclas de uvas.

E o país começa a apostar no mercado exterior. Bom lembrar que parte da população do Líbano é islâmica, e não consome vinho. O Consulado do Líbano de São Paulo vai sediar, no final de novembro, uma inédita degustação de vinhos libaneses no Brasil, com a presença de nove produtores.

 Nasce um vinhedo

A história do tinto Atibaia começa com o desejo do libanês Jean Massoud de produzir um vinho para chamar de seu. Apaixonado pela bebida – e com capital suficiente para bancar um sonho -, adquiriu terras na costa norte do Líbano conhecida como Batroun (condenada pela etimologia a fazer vinho, já que vem do grego botrys, que significa uva). Ela fica a 50 quilômetros de Beitute e apenas 4 quilômetros do mar. Um belo dia, recebeu a visita do proprietário do Chateau Angélus, Hubert de Boüard, de Bordeuax, que desafiou a fazer um vinho ali naquele terroir. Nascia ali o projeto de uma vinícola butique, que incluiu a compra de terrenos em volta, o estudo do solo e das uvas que melhor iriam se adaptar ao local. Importaram e plantaram em 2004 as variedades syrah, cabernet sauvignon e petit verdot nos 5 hectares da propriedade. “Queria fazer um bom vinho que desse prazer a mim e aos meus amigos”, comenta Jean. “Se fosse bom eu comercializava, se não fosse, não venderia.”

Sonho caro este. A adega conta com os melhores fornecedores de tanques, barricas, linha de engarrafamento da mais alta tecnologia. A colheita (apenas dois a três cachos por planta) é manual, realizada de madrugada, e a seleção das uvas é feita grão a grão. Trabalho de chinês preso. As três variedades são vinificadas e envelhecidas separadamente entre 12 e 16 meses. Só então é feita a mistura das uvas (assemblage) que vai para o tanque por mais dois meses e ainda um período na garrafa. A produção também é pequena. 12.000 garrafas, e não deve aumentar.

 Conexão Atibaia-Batroun

As cidades de Atibaia e Batroun ficam mais ou menos a 11.000 quilômetros de distância uma da outra, com um oceano no meio. Mas existe uma ligação afetiva que as aproxima. Jean Massoud vem ao Brasil desde 1978 e sempre passa 15 dias na casa de amigos em Atibaia, uma estância no interior do Estado de São Paulo. Quando foi lançar seu vinho de Batroun, ele resolveu homenagear a cidade no rótulo que tem  o mapa do Líbano representado em pinceladas leves. E este nome não atrapalha um pouco no mercado? Fiz esta pergunta a Jean Massoud que rebateu: “Não, tem até um sonoridade oriental que ajuda, pois “tayeb” em árabe quer dizer de paladar bom, agradável”

 Atibaia, três safras

Atibaia 2010

Este escrevinhador de vinhos teve a oportunidade de provar as três safras produzidas do Atibaia: 2009, 2010 e 2011. “Quando fiz a primeira safra eu não sabia ao certo o que ia dar. Quando recebi o comentário de Jorge Lucki (critico de vinhos e consultor da Zahil), que declarou ser o melhor tinto do Líbano que havia provado Líbano, eu chorei de alegria”, confessa Jean Massoud.

“Não há muito diferença de clima nas safras, quase não chove, lembra um pouco o que acontece em Mendoza”, conta. Os vinhos, de fato, mantêm um perfil gustativo semelhante entre os anos. E vamos combinar não são muitas safras e nem muito antigas para dar tanta diferença. Parece uma mistura entre o Rhône e Bordeaux, um corte bordalês com especiarias, se é que existe isso. “Não temos uma identidade como na França, isso não acontece com os vinhos libaneses”, pondera Massoud, apesar de usarem as cepas do país do Axterix.

2009 tem um belo aroma e já mostra sinais de alguma evolução, a madeira interagiu bem com o caldo, boa acidez, bastante longo. Adorei o 2009. Já 2010 tem uma fruta negra mais presente, as especiarias mais explícitas, mais fácil de gostar de imediato e um bom final de boca também. Finalmente 2011 (que ainda não está à venda). Ainda está um pouco verde e merece ficar na garrafa por mais um tempo, mas pela boa estrutura e o frutão promete fazer bonito.

A Zahil – que traz o Atibia – não é a importadora do vinho por acaso: seus proprietários são libaneses, atuam há muitos anos no Brasil  e Tony Zahil foi amigo de infância de Jean Massaud. São importados apenas 600 garrafas do Atibaia por ano. A primeira safra, de 2009, foi totalmente vendida (a colônia é fiel). A segunda safra, de 2010, se você ficou curioso, pode ser sua, se desembolsar 285 reais.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013 Nacionais | 10:44

Primeira Estrada: vinho fino de Minas Gerais abre caminho para rótulos do Sudeste do Brasil

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“Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães”

Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa

Igreja Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes

O senhor já ouviu falar de vinho de Minas Gerais, “de assim não-ouvir ou ouvir?” Já provou um vinho de Minas Gerais? “O senhor ri certas risadas…”.

Uma das principais notícias do mundo do vinho verde-amarelo não vem do Sul do país, muito menos do Nordeste, que já quebrou há tempos o paradigma ao  plantar e colher uvas viníferas e produzir tintos, brancos e espumantes fora da região entre os paralelos 30 a 50.

A novidade vem de Minas Gerais, mais precisamente da região de Três Corações, no Sul do estado, conhecida por estar encravada no polo turístico da Estrada Real – que percorre as cidades históricas de Tiradentes e Ouro Preto.

Mas um vinho de Minas? É. “Sofro pena de contar não…” Pois é, o vinho regional está abrindo suas fronteiras, com apoio da pesquisa e da tecnologia. Trata-se do Primeira Estrada Syrah 2010, produzido nas montanhas, em altitude que varia de 900 a 1000 metros,  pela Vinícola Estrada Real. O rótulo, para não deixar dúvida da origem da garrafa, exibe a imagem da Igreja Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes.

E me inventei neste gosto, de especular ideia”

Murillo de Albuquerque Regina, um mineiro especialista em viticultura com PhD em Bordeaux, sempre ouvia em sua formação acadêmica, na França, que nas melhores regiões vitícolas mundiais o clima no período que antecede a colheita é caracterizado por dias ensolarados e noites frias, acompanhados de solo seco. Uma pensamento não saía de sua cabeça: “É exatamente o que acontece na minha terra em maio, junho e julho, se eu quiser obter uma boa uva para vinho eu tenho de inverter o ciclo das plantas”.

No final do século passado, numa confraria em que degustava alguns exemplares de Bordeaux, Murillo conversava com seu grupo sobre  a influência do clima nestes vinhos de alto padrão e a característica do período de colheita coincidir com o período de tempo mais seco.  O médico Marcos Arruda Vieira, que também é proprietário da Fazenda da Fé, perguntou;

“Dá para fazer um vinho desses em Três Corações?”

“Sim”, afirmou Murillo, “desde que a colheita da uva seja a partir de julho. Precisamos inverter o ciclo de maturação da uvas, enganando a parreira.”

“Mas isso é possível?”, insistiu Marcos Arruda

“O que precisa é de um maluco para apostar neste projeto”, desafiou Murillo.

E assim surgiu a ideia do primeiro vinho fino mineiro, com a união de dois malucos e um desejo: produzir um vinho fino de qualidade na região. A proposta foi materializada, anos depois, com a criação da Vinícola Estrada Real, que tem como sócios, além de Marcos Arruda e Murillo de Albuquerque Regina os franceses Patrick Arsicaud e Thibaud de Salettes, que participam junto com Murillo da empresa de clones de mudas viníferas Vitacea Brasil.

“De dia, é um horror de quente, mas para a noitinha refresca, e de madrugada se  escorropicha o frio, o senhor isto sabe”

O conceito da inversão do ciclo da planta baseia-se na seguinte constatação de Murillo: o grande déficit dos vinhedos tradicionais do Brasil é que chove no momento da colheita, com isso o vinho não tem corpo, a acidez é elevada e a colheita tem de ser antecipada. “É isso que ocorre com  as videiras no Sul e no Sudeste”, argumenta.

Em 2001 a Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), tendo Murillo Regina à frente,  deu início aos estudos sobre a técnica da poda invertida em Três Corações com o objetivo de corrigir este processo e tapear a planta. Foi desenvolvida então a técnica de dupla poda para as videiras viníferas mineiras. Uma poda é feita em agosto e outra em janeiro. Com a segunda  poda, em janeiro, o ciclo recomeça e a planta floresce em abril e maio e as uvas são colhidas no final de julho, início de agosto.

Ou seja, na época da colheita os dias são ensolarados (até 27º), as noites mais frias (cerca de 10º) e a amplitude térmica, que é a diferença do dia e da noite, chega a 15 e 17º. “É como se as uvas no inverno dormissem num quarto com ar condicionado, e permanecessem fresquinhas, enquanto as uvas que maturam no verão repousam num quarto quente, transpirando e perdendo elementos da fruta importantes na extração do vinho”, compara Murillo.

Todo ano é necessário fazer as duas podas, os ciclos das parreiras são sempre de 180 dias. Nos lugares frios da Europa ou mesmo do Brasil não existe a necessidade da dupla poda pois o frio impede o florescimento das plantas no inverno, ainda segundo o pesquisador.

Outra característica importante para o sucesso da empreitada: o regime de penúria hídrica, a popular escassez água, que faz com que a planta envie sinais para as raízes e folhas de que vai faltar água e afetar o seu filho (as sementes encapsuladas nos bagos das uvas). Assim a planta protege as uvas, produzindo frutos melhores.

A syrah foi a uva que melhor se adaptou ao esquema de dupla poda e às pesquisas realizadas. Foram plantadas 10 hectares desta variedade na Fazenda da Fé. Estão em testes de adaptação ao processo de poda invertida outras uvas tintas na região, como a cabernet sauvignon, a malbec, a petit verdot e a tempranillo.

“Passarinho que se debruça – o vôo já está pronto”

“O sudeste é a nova fronteira do vinho fino do Brasil”, aposta Murillo, citando outros empreendimentos que estão aguardando aprovação para lançar suas garrafas no mercado ou em fase de experimentação. Ele cita projetos em Espírito Santo do Pinhal, Três Pontas, Varginha e Itubi e empreendimentos no estado de São Paulo.

Os planos da Vinícola Estrada Real é chegar  2016 com uma produção de 35.000 a 40.000 garrafas por ano. As 10.000 garrafas atuais de syrah devem dobrar de produção até lá.

Três hectares de chardonnay fornecerão matéria-prima para a elaboração de um blanc de blanc extra brut que passará 24 meses em contato com as leveduras – e aqui não existe a necessidade de alterar o ciclo das vinhas. Além disso devem ser lançados 6.000 garrafas de sauvignon blanc e mais 4.000 de rosé de Syrah.

Esta nova fronteira tem um público-alvo. Os turistas das cidades históricas mineiras, que poderão combinar a gastronomia local com o vinho da região e o próprio Sudeste. O maior mercado atual do Primeira Estrada é o Rio de Janeiro

“Sentei em mesa com o Neco, bebi vinho, almocei…’’ “Sua alta opinião compõe minha valia”

Provar um vinho de uma região nova e sem tradição vinícola pode despertar tanto curiosidade como preconceito. Por isso levei uma garrafa de Primeira Estrada coberta por papel alumínio e dividi entre um grupo de uma confraria.

Taça cheia, pedi a opinião de todos. Era também meu primeiro contato com o vinho.

Meio desconfiados todos trataram de girar a taça, enfiar o nariz e jogar o vinho para a boca. “O que é?”, perguntavam. “Mostro no final”, mantinha o suspense. E então aquele grupo que está acostumado a beber do bom e do melhor, e tem um vasto repertório, foi unânime em afirmar no primeiro contato que era um vinho agradável, sem defeitos. Prometia mais nos aromas do que entregava na boca, mas tinha como bom destaque a acidez. Ninguém conseguiu identificar a uva, vários países foram sugeridos, incluindo o Brasil.

Aí eu mostrei o rótulo, que foi comemorado pelo ineditismo – enófilos adoram novidades –  e continuamos provando o Primeira Estrada junto a outros rótulos de vários países, sem preconceitos.

Na opinião do Blog do Vinho, Primeira Estrada Syrah 2010 é uma boa surpresa, guardei em casa um tanto que sobrou na garrafa e provei mais tarde. Concordo com meus colegas que o nariz mostra uma superioridade em relação à boca que tem um primeiro impacto mais diluído. O final de boca, no entanto, revela uma fruta mais persistente e um toque de especiarias típica da syrah, mas não tão evidente assim que identifique a uva. A boa acidez é um destaque positivo que equilibra bem o álcool. O caldo repousou 1 ano em barricas novas francesas (70%) e americanas (30%). Outro um ano o vinho passou depurando na garrafa. O que revela todo um cuidado na elaboração desta primeira safra. Vinho mineiro, comida idem. Acompanhou com respeito uma linguicinha na grelha.

Segundo Murillo a safra de 2011 terá um salto do teor alcoólico de 13,5 para 15º. E antes que os apóstolos do teor alcóolico mais baixo se manifestem, ele garante que a elevada acidez da uva equilibra estes extremos.

“Tudo é e não é”

Mas aí tem de comentar o preço. O calcanhar-de-aquiles de toda experiência inovadora ou de qualidade do vinho nacional. Um discussão que por si só renderia uma centena de posts.

O Primeira Estrada Syrah 2010 é vendido ao consumidor final a 78 reais a garrafa – em um restaurante deve passar da casa dos 100 reais.

Mas por este valor não se encontram vários rótulos nacionais,  argentinos, chilenos e mesmo portugueses de qualidade comprovada e maior tradição?

Sim.

Mas nenhum deles é produzido em Minas Gerais, uai.

Primeira Estrada Syrah 2010

Produtor: Vinícola Estrada Real

Região: Fazenda da Fé, Três Corações, Minas Gerais

Produção: 10.000 garrafas

Álcool: 13,5º

Preço: R$ 78,00

“Viver é perigoso”

Obs: todas as aspas citadas neste texto foram extraídas do romance Grande Sertão: Veredas, do escritor mineiro Guimarães Rosa.

Obs2: antes que algum literato aponte a contradição, este colunista tem noção que a história de Riobaldo e Diadorim não transcorre na região de Três Corações, e sim no Norte de Minas Gerais.


Uma homenagem

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012 Degustação, Sem categoria | 12:13

Vinhateiros Independentes do Chile: pequenas vinícolas, grandes vinhos

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Pequenas quantidades, vinhos produzidos artesanalmente no Chile

Mauro Von Siebenthal é suíco,  proprietário da Viña von Siebenthal e idealizador do tinto Cabrantes. Angela Mochi é brasileira, e produz os vinhos Tunquen. Fernando Atabales é enólogo da Starry Nights Wines. Sergio Avendaño une sua paixão pela bateria e pelo vinho com os tintos da Trabun. Todos são produtores de rótulos chilenos, e provavelmente você nunca ouviu falar deles, nem jamais bebeu um de seus vinhos, mesmo sendo um fã dos tintos e brancos dos Andes.  Eles fazem parte do Movi, o Movimento dos Vinhateiros Independentes do Chile.

Não, não se trata de mais um grupo revolucionário da América Latina que resolveu pegar em armas e combater as gigantes da indústria vinícola chilena propondo um boicote aos seus rótulos com piquetes nas lojas ou adulterando suas barricas na calada da noite. A proposta do grupo é mostrar que existe vinho além dos gigantes Concha y Toro, Santa Rita, Santa Helena e San Pedro, que preenchem as prateleiras dos supermercados e catálogos online da importadores. E vinhos de qualidade, que tentam refletir a identidade do local em que foram produzidos e traduzem a interpretação do enólogo do seu vinhedo, seja lá o que isso signifique na prática para os consumidores.

Nada contra os blockbuster dos fermentados. Desde os rótulos de base até seus ícones são no geral vinhos bem feitos, de alta tecnologia, que buscam a excelência em cada linha de atuação. Minha geração, com certeza, se iniciou nos caldos bebendo vinhos destes produtores, sempre confiáveis. Eu, particularmente fico muito feliz com uma taça de Dom Melchor (Concha y Toro), Don (Santa Helena), Casa Real (Santa Rita) ou Cabo de Hornos (San Pedro), na mão, ou mesmo seus primos mais pobres, a linha do dia a dia.

Barrica alada: símbolo do Movi

O Movi só existe, diga-se de passagem, pois está inserido em uma indústria madura, de alta capacitação técnica, muita pesquisa e presente no mercado internacional. Parte dos membros do Movi fizeram carreira nas grandes empresas vinícolas do Chile, outros são diletantes que se aventuraram pelos vinhedos com uma ideia de vinho na cabeça e uma taça vazia na mão. O objetivo é esvaziar a cabeça e encher a taça. Criada em 2009 por 12 sócios fundadores, atuamente conta com 21 membros. São eles: Armidita, Bravado Wines, Bustamante, Clos Andino, Flaherty, Garage Wine Co., Gillmore, I-Wines, Lafken, Lagar de Bezana, Meli, Peumayen, Polkura, Reserva de Caliboro, Rukumilla, Starry Night, Trabun, Tremonte, Tunquen Wines, Villard e Von Siebenthal.

O símbolo do Movi já é uma bela sacada que define um pouco seu caráter iconoclasta e diferenciado: um barril alado. No catálogo que apresenta cada vinícola os enólogos-idealizadores mostram suas criações em fotos descontraídas, o vinho tratado como um objeto alegre e hedonista, feito para dar prazer, e não um ícone  embalado em uma caixa de veludo exibido em um gabinete inglês. Nas fichas técnicas, algumas harmonizações fazem fronteira com a poesia. O Trabun, por exemplo, combina bem com… uma “boa música”, segundo seu enólogo.

O movimento, por ter uma proposta artesanal, independente e de respeito à natureza também tem as suas idiossincrasias. E tome nomes de línguas nativas como mapuche (Rukumilla, significa “seios de ouro”; Polkura, “pedra amarela”; Peumayen “lugar sonhado”) e mapundungun (Lafken, significa “terraço”; Trabun, “lugar de encontro”). Sei não, a despeito de todo simbolismo, me parece que estas línguas nativas só servem para dar um toque de raiz nos rótulos dos vinhos chilenos. Além de exótico para o mercado externo fica bacana no material de apresentação, né não? Trata-se do movimento inverso ao das importadoras que insistem batizar suas empresas com  nome em inglês no Brasil.

Os 21 produtores do Movi juntos engarrafam 40.000 caixas por ano, na média são 2.000 por vinícola, mas há aquelas, mais artesanais, que não passam de 200 caixas. Independência, identidade, vincultura orgânica e conceito de origem, no entanto, tem seu preço: os  rótulos vendidos no Brasil (os que têm representantes) estão na casa dos 100 reais. Ou mais. Não são ampolas para iniciantes, talvez mais indicado para aquele tipo de consumidor que procura o novo, a diversidade, e está em constante busca de sabores diferenciados.

Vinhos Indicado pelo Gerosa (ViG)

O Movi, apesar de independente, está longe de rasgar dinheiro – e rótulos. O marketing da diferenciação é muito eficaz. E  funciona, olha eu aqui escrevendo sobre o grupo e seus vinhos. Como parte da proposta de divulgação é realizado um road-show para apresentar os vinhos aos críticos, especialistas, virtuais importadores, enfim para os homens que cospem vinho – e depois escrevem sobre eles. Na última rodada promovida pela Movi em novembro de 2012 em São Paulo, foram provados 21 rótulos, com uma forte predominância da uva syrah (eram 12 deles, sendo que 4 100% da varietal). Os vinhos indicados pelo Gerosa (ViG) deste painel foram os seguintes:

Vinos Bustamante, Bustamante Mantum 2007 – um assemblage (mistura de várias uvas) com predominância de cabernet sauvignon (65%), carmenère (22%) e com pitadas de syrah (8%) e merlot (5%). Me encantou o bom entrosamento das uvas, de vinhedos centenárias, com um final persistente e elegante, com taninos firmes, um belo estilo Bordeaux chileno, com o auxílio da carmenère, uma uva que na minha opinião é melhor aproveitada em cortes do que em vôo-solo.

Importador: La Charbonnade

Garage Wine Co, Carignan Lot #27 2010 – de vinhedos antigos de mais de 70 anos de idade, esta deliciosa carignan, com 11% de grenache, desce macia, se amplia na boca e tem um ótimo final. Duas curiosidades, o Lot # 27 é uma homenagem à resistência do lavrador do Maule, já que as uvas foram colhidas logo em seguida ao terremoto que devastou o solo chileno. E os cascos são de garrafas recicladas de champanhe.

Importador: Premium

Starry Night, Starry Night 2010 – um puro sangue, 100% syrah. Uma baita cor violeta, toques florais, frutas vermelhas, desce macio e tem na boca uma fruta excepcional com um fundinho herbácio elegante. Talvez o mais surpreendente vinho do painel.

Pena, não tem importador no Brasil. Alguém se habilita?

Patricio Bustamante, Derek Moosman, Villard, Fernando Atabales e Mauro Von Siebenthal e suas criações

Villard, Tanagra 2009 – outro 100% syrah do Valle do Maipo, uma fruta madura e elegantes notas de especiarias. São produzidas apenas 2820 garrafas desta belezura daquela que é considerada a primeira vinícola-boutique do Chile, fundada em 1989.

Importador: Decanter

Von Siebenthal, Cabrantes 2009 – 85% de syrah, escoltada por 10% de cabernet sauvignon e 5% de petit verdot. Tem uma pegada intensa mas com finesse, uma tipicidade chilena com um amentolado sutil. Seus vinhedos ficam colados ao mais conhecido e comercializado Errazuriz e o cultivo é orgânico.

Importador: Terramater

Três curiosidades

Angela Mochi e Marcos Attilio, brasileiros no Movi

O Movi, apesar de defender a autenticidade do solo chileno, não é uma república nacionalista, pelo contrário, é uma espécie de ONU dos vinhateiros no Chile. Há representantes dos Estados Unidos, Suíca, França, Italianos e até mesmo um casal de brasileiros, Angela Mochi e Marcos Attilio, da Tunquen Wines. Até onde eu saiba os únicos brasileiros que se aventuraram a produzir vinho nos Andes. Para completar o ineditismo, arriscaram na uva e apresentaram um malbec chileno do Vale de Casablanca, variedade pouco comum na região. Trata-se do Tuquen 2011 Malbec (sem importador no Brasil). Quem está acostumado aos densos, doces e maduros malbecs pode se surpreender. Aqui a pegada é outra. Por estar numa região mais fria a potência dá lugar a notas mais frescas. Sim, tem aquela violeta característica dos malbecs, mas é mais fresca e sutil. E um toque mineral que mesmo para quem não sabe do que se trata se traduz numa leveza na degustação do vinho. Vale provar, e comparar com um exemplar argentino.

Um dos tintos exibidos é mais conhecido no mercado. E faturou em 2012 o prêmio  do Guia Descorchados, uma das publicações mais conceituadas da América Latina. O Erasmo 2007 (importado pela Franco Suissaa) é um corte bordeaux por excelência e que sempre me agradou ao paladar. Continuou agradando, é classudo, com uma boa madeira integrada à fruta, mas… comparado aos seus colegas de Movi, deixou o encanto um pouco de lado na prova. O que demonstra que a degustação é um exercício que comprova a qualidade – ou não – daquela garrafa e não necessariamente de um determinado vinho.

Foram apresentados neste painel apenas dois exemplares brancos, o Armidita (sem importador no Brasil), um moscatel de caráter mais doce, uma espécie de vinho-arqueologia, pois recupera o branco conhecido como “pajarete”, cultivado pelos monges jesuítas como vinho de misssa. É produzido no Deserto do Atacama, 100% da uva moscatel colhidas e selecionadas a mão. O outro vinho branco, um chardonnay com toques de baunilha e dez meses de barrica francesa (alada?) da I-Wines traz no rótulo um nome que deve trazer alguma dificuldade na indicação nas lojas e restaurantes: Qu Chardonnay 2011 (Berenguer Imports). É inevitável imaginar a ginástica do sommelier na indicação do vinho…

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segunda-feira, 6 de outubro de 2008 Brancos, Tintos | 20:48

Bons, baratos e prazerosos

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Sugerir vinhos caros é fácil e, em certo sentido, inútil. Quem compra rótulos de primeira linha, afinal, não precisa de muito conselho ou tem quem o faça pessoalmente. Difícil é descobrir as boas garrafas, ou as ofertas, entre os rótulos mais acessíveis que inundam as prateleiras de lojas e supermercados. E, acredite, há muitas oportunidades à disposição.

Mas até mesmo uma seleção de boas garrafas que não pesam no bolso precisa ser fruto de uma experiência pessoal para não se tornar numa simples listagem de “best buys”. Aqui vai a  minha lista que, como qualquer lista, está sujeita a críticas e correções. O critério foi o de tintos e brancos (deixei de fora os espumantes) até 35 reais. É claro que não se tratam de vinhos hedonistas, que primam pela profusão de aromas, pela intensidade marcante ou final prolongado. Mas podem, sim, tornar o seu dia-a-dia mais feliz.

TINTOS

Salton Classic Tannat
Rio Grande do Sul, Brasil de R$ 11,00 a R$ 15,00
Da linha mais simples da Salton. Correto, bem vinificado. Seu preço é imbatível, seus taninos  melhoram se acompanhados de um churrasquinho informal no clube.

Pupilla Carmenère
Vale Colchagua, Chile – R$ 16,00
A uva-símbolo do Chile, seja lá o que isso queira dizer, num dos tintos de melhor custo-benefício da paróquia, produto da bodega Luis Felipe Edwards. Taninos bem resolvidos, frutas vermelhas e uma especiaria de leve. Resolve a vida e se encontra fácil em supermercados.

Rio Sol Cabernet Sauvignon/Syrah 2006
Vale do São Francisco, Pernambuco, Brasil R$ 18,90
Este tinto nacional foi escolhido pelo júri da última Expovinis (feira de vinho realizada anualmente em São Paulo), em uma degustação às cegas, como o melhor tinto nacional. Concorreu com outros 39 rótulos, a maioria de preço mais elevado. Sou co-responsável: participei do júri. Tem uma fruta muito madura, típica de uma região ensolarada como aquela, mas um bom equilíbrio e acidez presente. Um achado de Pernambuco, uma região pouco provável alguns anos atrás.

Cono Sur Bicicleta Pinot Noir 2006
Vale Central, Chile – de R$ 21,00 a R$ 24,00
Vinícola com preocupações ambientais e certificada pela agricultura orgânica. Difícil recomendar um pinot noir do dia-a-dia, mas a correta linha bicicleta tem varietais que primam pela qualidade. Agradável,  corpo médio (como se espera de um pinot) aromas leve de cereja. Outra dica da mesma linha é o branco da uva riesling.

Emiliana, Cabernet Sauvignon
Valle Rapel, Chile – de R$ 21,00 a R$ 24,00
Esta vinícola também alia vinhedos orgânicos com rótulos de grande produção. Tinto com um nariz mais presente que a boca, que é mais ralinha, mas agradável. Um cabernet sauvignon mais para o lado da juventude, da fruta fresca. Se ajeitou bem com uma massa com molho de carne.

Periquita 2004
Terras do Sado, Portugal – R$ 24,00
O tinto português mais vendido no país. Desde a safra de 2001 modernizou seu corte e ficou mais macio e fácil de beber. Resultado da adição de uma porcentagem maior das castas aragonês e trincadeira à tradicional uva castelão (a periquita), que dá a grande personalidade deste vinho.

Don Roman Tempranillo 2005
Rioja, Espanha – R$ 29,90
Este espanhol está sempre presente em listas de vinhos de bons preços. Mais que correto, tem um bom volume na boca, aromas presentes de especiarias e tostados gostosos. Nos restaurantes do chef e proprietário do La Vecchia Cucina e La Pasta Gialla, Sergio Arno, são servidos com o nome de Arno no rótulo. Foi escolhido por Veja São Paulo como boa opção de custo-qualidade entre os  rótulos personalizados dos restaurantes da cidade.

.com 2005
Alentejo, Portugal – R$ 29,90
Com este nome no rótulo, não podia faltar nesta lista do blog do vinho. Uma mistura das cepas portuguesas trincadeira e aragonez com a francesa cabernet sauvignon e a “francesa de alma lusitana”  alicante bouschet. O produtor Monte dos Cabaços (é isso mesmo, gente, não errei) faz um vinho moderno, quente, ao gosto do consumidor atual.

Los Vascos Cabernet Sauvignon
Vale Colchagua, Chile – R$ 30,00
Frutado e bem feito cabernet chileno com boa acidez, álcool controlado e aquele toque amentolado chileno. Um estilo que não muda. Sempre um boa pedida e, além do mais, sempre dá para dizer que está diante de um Barons de Rothschild.

Los Cardos Malbec 2006
Luján de Cuyo, Argentina – R$ 30,00
Tinto da vinícola Doña Paula que abriu a coleção de livros Vinhos do Mundo, Adega VEJA, da qual ajudei a selecionar: macio, bom de nariz, redondo na boca, nem um pouco enjoativo, como às vezes acontece com a malbec.

Le Bateaux Syrah 2006
Languedoc, França – R$ 35,00
Raro tinto francês na linha bom e barato. Best buy da revista americana Wine Spectator. Não é à toa, tem aquela perceptível especiaria da syrah com frutas bem maduras e a chancela da Domaines François Lurton.

Trio Merlot, Carmenère, Cabernet Sauvignon 2007
Valle Central, Chile – de R$ 37,00 R$ 39,90
Esta linha da gigante Concha y Toro é sempre resultado da mistura de três variedades (daí o nome), a primeira domina o corte, no caso aqui, a merlot. Apesar do preço fora da proposta inicial foi incluído só para chamar atenção de um pequeno detalhe. Muitas vezes, estes cortes  por preço (no caso até 35 reais) em uma lista de v
inhos deixam de fora rótulos bem bacanas. Por 2 ou 4 reais a mais, você tem na taça um tinto saboroso, macio, com notas de chocolate – resultado de um trabalho criterioso do enólogo. Pense nisso também na hora da compra, para menos e para mais

BRANCOS

Casillero del Diablo Sauvignon Blanc 2006
Vale Central, Chile – R$ 26,50
Tem larga distribuição em supermercados e lojas. Boa acidez e frescor. Um toque cítrico que agrada; um aroma de maracujá facilmente perceptível, muito encontrado em sauvignon blanc. Uma recomendação sem medo de errar. Faz um sucesso danado com uma pescadinha lá em casa.

Pizzato Chardonnay
Rio Grande do Sul, Brasil – R$ 27,00
Este não é um chardonnay para quem gosta daquele estilo mais intenso com as notas de barrica, meio amanteigado. Este exemplar nacional aposta na linha contrária, não passa pelo carvalho e tem uma acidez mais presente. Uma opção de chardonnay mais para o frescor.

Villa Montes Sauvignon Blanc 2006
Vale Central, Chile – R$ 31,00
A sempre confiável Viña Montes produz este ótimo e fresco sauvignon blanc, de pureza varietal e cítrico, como é comum nesta uva no Chile. Provei a primeira vez junto a produtores, num agradável almoço, e ficou sempre na lembrança como uma boa opção de branco, que repito sempre que posso.

Borba Antão Vaz & Arinto 2005
Alentejo, Portugal – R$ 31,00
A mistura dessas duas castas típicas portuguesas resultam num branco de aromas cítricos, boa estrutura e com toques de baunilha, resultado da fermentação realizada em barricas de carvalho. Há sempre uma boa discussão sobre qual a melhor harmonização com o bacalhau. Eu, por exemplo, prefiro brancos mais estruturados. Em Portugal os tintos têm a preferência. Provei este Borba com um bacalhau grelhado, em meio a tintos muito mais caros e famosos, e este se encaixou melhor no meu radar de harmonização. Quando soube do preço, então, a felicidade foi maior.

Alamos Chardonnay 2007
Mendoza, Argentina – R$ 32,15
Branco premiado mais básico da linha Catena. Passa seis meses no barril de carvalho o que aquele  sensação cremosa de um chardonnay mais encorpadão, mais recomendado para peixes mais fortes e aves. Bastante elogiado pelos bacanas do vinho de todas as estirpes: a lista começa em Robert Parker, passa pela rival britânica Jancis Robinson e ainda pela revista americana Wine Spectator.

Os leitores deste blog podem contribuir com suas recomendações e tornar esta lista mais rica, completa e diversificada, aí embaixo, nos comentários.

Preços coletados entre os dias 3 e 6 de outubro de 2008  nos sites daslojas Mistral, Expand, Zahil, Rei dos Whisky’s & Vinhos VIP, Imigrantes Bebidas, Pão de Açúcar e Bom Marché

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