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terça-feira, 26 de setembro de 2017 Porto, Velho Mundo | 13:24

Um vinho do Porto de 1888 celebra os 300 anos da Quinta do Vallado

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Porto ABF1888 garrafa 132 de 132 anos: um privilégio

Porto ABF 1888, a garrafa número 132 de 132 anos: Very, very old Port!

Qual o gosto do tempo? Depende, eu arriscaria. Há o tempo pessoal e o histórico. No clássico Em Busca de um Tempo Perdido, de Marcel Proust, as já manjadas madeleines remetem o narrador principal a uma lembrança de infância. É a medida do tempo pessoal que acessa o gatilho que remete ao título do livro e que, em nossas vidas mundanas, tem o potencial de reviver memórias vividas. Diante de um vinho do Porto de 1888, o tempo é histórico – não há uma ligação pessoal -, é preciso então afinar os sensores gustativos  para desfrutar com atenção a bebida no presente. Provar um líquido elaborado há 132 anos é, antes de mais nada, um privilégio. Mas, acima de tudo, é um ato de respeito ao passado. É o tema deste post.

300 anos de Vallado, 132 de vinho

A Quinta do Vallado, encravada no inebriante cenário do Douro, às margens do rio Corgo, comemorou 300 anos em 2016. Está associada à lendária Dona Antónia Adelaide Ferreira, celebrada no pórtico de entrada da propriedade. Para celebrar a data a Quinta produziu 300  garrafas de 750 ml do Quinta do Vallado ABF 1888, um vinho do Porto especialíssimo que vem acompanhado de um decanter de cristal produzido artesanalmente. O decanter é uma réplica daquele usado em 1830 por Antonio Bernardo Ferreira, que adquiriu o Vallado em 1818, em recepção ao príncipe alemão Frederico De Hesse. Todo este mimo é devidamente embalado numa caixa especial de madeira entalhada em Nogueira ao preço de 3.200 euros. Curtiu? Tem o numerário disponível? Pode ser seu, basta encomendar seu estojo pela importadora PPS, responsável pelos tintos, brancos e portos do Vallado no Brasil.

Qual o gosto do tempo?

João Ferreira, o Ferreira da vez que comanda o Vallado, esteve no Brasil com uma garrafa do ABF debaixo do braço. João Ferreira é parte do grupo  que ficou conhecido  como Douro Boys, que reúne 5 produtores da região com vinhos de qualidade e grande potencial. A garrafa, acomodada em seu estojo, era de número 132  – para os crédulos e chegados numa mensagem esotérica, tinha um recado do tempo aí para um vinho de 132 anos. Cercado de mesuras rompeu o lacre de cera vermelha que protege a rolha, destampou a cápsula do tempo e verteu lentamente o caldo untuoso no decanter descrito acima. Acompanhe o momento no video abaixo.

Nós vivemos no tempo da velocidade, do instantâneo. Um vinho de 132 anos é o oposto disso. Exige atenção para curtir os aromas, os sabores e estimular as sinapses que possa provocar.  Mas estamos em 2017, a era do imediatismo. Enquanto João Ferreira derramava o líquido viscoso no decanter a cena era compartilhada em tempo real nas redes sociais dos mais afoitos. É o paradoxo no nosso tempo: não existe intervalo entre um evento e sua recepção, entre o fato, a imagem e a difusão da imagem. Se a ação tem distribuição online, sua interpretação, no entanto, exige um pouco mais que o tempo real nas redes.

Os descritivos de um Porto mais antigo são sempre superlativos: a cor é acobreada, os aromas oníricos e evoluídos. O líquido,  untuoso. O doce e o álcool na boca são dionisíacos e a acidez presente confere a vivacidade que mantém o conjunto harmônico e a complexidade exuberante. É estupendo!

O gosto do tempo escorre como um licor e invade as narinas com o impacto de uma bomba que libera aromas aprisionados de frutas secas, em especial figos, mel, especiarias, licores, madeira. Na boca, confirma o doce esperado, combinado com uma acidez incrível para um vinho desta idade e transforma a experiência em uma sensação de riqueza, potência e frescor que culmina num fim de boca de vários segundos. A mágica se repete e acrescenta novas camadas a cada gole, pequenos goles, na verdade, que tentam adiar o inevitável fim, que ainda revela os prazeres do fundo da taça.

taçaporto

De 1888 para minha taça: longa jornada

Acabou, só que não

O fundo de copo é uma das mais agradáveis sensações que um vinho de excelência pode proporcionar. É aquele resto de vinho que sobra no fundo da taça e fica suspenso no ar, inunda o nariz com os mesmos registros de notas doces e amendoadas descritas anteriormente, potencializadas pela recente experiência, e que consegue por alguns segundos reproduzir o prazer da bebida provada. É um assombro, é um barato, é o tipo de droga que eu me vicio.

Soma-se ao deleitar-se a constatação de quão distante está a elaboração do caldo e o tempo que ele percorreu para alcançar o destino de todo vinho, que é ser bebido. Apenas para colocar no contexto histórico, 1888 é o ano da assinatura da Lei Áurea, que decretou oficialmente o fim da escravidão no Brasil. 1888 também é o ano de publicação de Memorial de Aires de Machado de Assis e Os Maias, de Eça de Queiroz, autor que incluía sempre um vinho do porto entre seus personagens. E este vinho, de 1888, sobreviveu até nós, como os marcos históricos e as obras literárias

História de um Porto

O que tem passado, tem história. E qual é a deste porto? O vinho foi produzido por um pequeno produtor vizinho da Quinta do Vallado, na região do Baixo Corgo, e guardado em três barricas de 650 litros ao longo de várias gerações, sem qualquer adição de vinhos de safras mais recentes, como é costume na região. Parte do caldo evaporou – o que é natural –  e das três barricas restaram 700 litros que foram encontrados após uma varredura entre os produtores locais para encontrar um vinho que pudesse representar os 300 anos do Vallado. As uvas, de plantas pre-filoxera (a tal praga que dizimou as parreiras europeias), são as tradicionais do Douro, onde se destacam a Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Nacional, Touriga Franca, e sabe-se lá mais o quê. É incrível como estas relíquias ainda se encontram disponíveis e com uma qualidade assombrosa. “Quando encontramos as barricas sabíamos que era o vinho que podia representar os 300 anos do Vallado”, comentou João Ferreira.

 

vallado

Naquela varanda ao fundo, com vista para o Rio Corgo, provei tintos e portos: o prazer do desfrute

Minha conexão com o passado

A Quinta do Vallado foi um dos primeiros vinhos de mesa de qualidade do Douro que provei, muitos anos atrás. Na época eram importados pela Expand, empresa que dominava o mercado de vinhos no Brasil. Atualmente são trazidos pela PPS. Novas safras e estilos foram caindo na minha taça ao longo do tempo e culminou em uma experiência que ficou registrada em meu paladar, em meus olhos, na minha memória e até em fotos. Foi quando, em 2011, acompanhado do amor da minha vida, preguiçosamente tomei os rótulos do Vallado na varanda da casa-sede da vinícola no Douro, cercado de parreiras, o Rio Corgo deslizando abaixo entre as pedras. As garrafas foram abertas sem pressa e sem o compromisso de uma avaliação técnica: o vinho como tem de ser, apenas o prazer do desfrute. A sequência de rótulos foi se perdendo no tempo, mas ficaram marcados os estilos: Portos Vintage, Tawny, Vallado Touriga Nacional e um vinho especial, escuro e de potência ímpar, o Sousão, que descrevi no post abaixo.

Tintos de mesa da Quinta do Vallado

Antes da epifania com o Quinta do Vallado ABF 1888, tivemos como introdução exemplares de vinhos de mesa. Especializados por anos a fio na produção de Portos, o Vallado começou a comercializar vinhos de mesa apenas em 1990.  Aqui vão três destaques deste dia:

vallado branco

 Quinta do Vallado Reserva Branco Branco 2015
Uvas: Gouveio (40%), Arinto (35%) e Viosinho (15%), Rabigato (10%)
Região: Douro, Portugal
Enólogos: Francisco Olazabal e Francisco Ferreira
R$ 190,00

Um vinho branco com caráter do Douro, fermentado em barricas de 500 litros, que integra a madeira ao caldo e cria uma camada untuosa com boa persistência e aquele toque da malolática (aquela sensação amanteigada que aqui é acompanhada de certa mineralidade). Aquele menino, o Robert Parker, deu 95 pontos a este vinho. Quem sou eu para dizer algo contra, né não?

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Quinta do Vallado Tinta Roriz 2014
Uva: 100% Tinta Roriz
Região: Douro, Portugal
Enólogos: Francisco Olazabal e Francisco Ferreira
R$ 480,00

Um Douro com uma expressão aromática bem definida: frutas maduras e notas balsâmicas. As uvas são provenientes de vinhas velhas de agricultura orgânica. É uma delícia na boca, muita fruta, concentração, carnudo e longo final. Adormece 16 meses em barrica. Olha, existe atualmente uma implicância com barrica, mas o Vallado sabe manuseá-la para trazer complexidade e sabor ao vinho. Aqui, um bom exemplo de como integrar o mosto fermentado à madeira .

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Quinta do Vallado Vinha da Coroa  2015
Uvas: bem, são 34 diferentes variedades, tá bom para você?
Região: Douro, Portugal
Enólogos: Francisco Olazabal e Francisco Ferreira
R$: 600,00

Uau! Pouco técnico, mas preciso começar a descrição deste vinho com uma interjeição mesmo. Os vinhedos têm mais de 100 anos. Tudo junto e misturado, as mais de 34 variedades plantadas — Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Francisca, Tinta Barroca, Moreto e por aí vai — são fermentadas em lagares de cimento e com uma maceração delicada de baixa extração – só chega na garrafa o suprassumo da fruta. Passa 14 meses em barricas de segundo uso. Toques tostados e de fruta madura no nariz. A boca é macia, aveludada, a fruta presente, o tostado na boca também, o toque de terra, as especiarias e um final longo. Um baita vinho, o melhor Quinta do Vallado de mesa que já provei. O preço… bom, quem sabe um crowdfounding juntando o Vinha da Coroa e o ABF 1888 ajude e encarar. O “uau!” do início cabe para o preço também.

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terça-feira, 22 de dezembro de 2015 Brancos, Tintos, Velho Mundo | 01:28

Vinhos de Portugal: o Dão, o Douro e a dor de dente (parte 1)

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Solar do Vinho do Dão: guardião dos vinhos da região

Solar do Vinho do Dão: guardião dos vinhos da região

O pior dos crimes é produzir vinho mau, engarrafá-lo e servi-lo aos amigos
Aquilino Ribeiro, in “Aldeia: terra, gente e bichos”
Inscrição pintada no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, Portugal

Portugal é uma experiência rica para os apreciadores dos vinhos brancos, tintos e os fabulosos fortificados do Porto. E prática. Trata-se de um país de distâncias municipais, tendo como referência o mapa brasileiro. É possível percorrer as regiões, os vinhedos e os produtores em poucos dias. O Dão e o Douro são vizinhos, assim como a região dos Vinhos Verdes e da Bairrada. O mapa vitivinícola ajuda, apesar de as estradas sinuosas do Douro complicarem um pouco a vida do motorista. E a experiência, e o cenário, se modificam em poucos quilômetros. Ah, e o preço dos vinhos, mesmo em tempos dilma desvalorização cambial, ainda são uma pechincha diante de nossas etiquetas.

É muito difícil escolher entre tantos tintos e brancos provados aqueles que mais agradam, ou entre várias vinícolas e produtores visitados os que mais impressionam e merecem um comentário e um espaço neste blog. Talvez mais fácil concentrar a seleção em algumas regiões. Se eu precisasse resumir minha viagem a Portugal em um post de Twitter, em poucos caracteres, seria mais ou menos assim: “Os vinhos do Dão são elegantes, os do Douro, importantes, e dor de dente… ah isso ninguém merece.” Como posso ultrapassar os 144 caracteres, e dividir este post em dois, explico a seguir o que quis dizer com esta frase. Comecemos pelo Dão.

O Dão é “bão”

Se você não é useiro e vezeiro de vinhos portugueses, talvez nunca tenha ouvido falar do Dão, ou melhor, prestado atenção à região no rótulos das garrafas que estão por aí. Em rápidas pinceladas podemos nos socorrer aos jargões (eles estão aí para isso mesmo) e definir os caldos desta região pelos seguintes destaques:

mapa.dao

O Dão está marcado em vermelho no mapa de Portugal

  • A região do Dão foi demarcada em 1908, em 1947 a Denominação de Origem é registrada
  • O Dão é considerado a Borgonha portuguesa por manter algumas semelhanças com esta região francesa, expressão máxima da pinot noir (para as tintas) e da chardonnay (para as brancas):; pequenas propriedades (algumas muradas), volumes menores, vinhos mais elegantes, maior equilíbrio entre corpo e acidez.
  • A região seria o berço da tinta Touriga Nacional (não há comprovação científica, a paternidade é dividida com o Douro); a uva dominava o Dão antes da Filoxera, isso lá é verdade.
  • A Touriga Nacional é predominante nos vinhos tintos do Dão, e produz caldos de maior elegância, aveludados, com  capacidade de desenvolver aromas e sabores delicados e persistentes após um tempo emcapsulado na garrafa.
  • Os melhores brancos da região são aqueles produzidos a partir da uva Encruzado, uma “quase” exclusividade do Dão. Seus aromas e corpo são potencializados pelo tempo em barrica e pela temporada em  garrafa (vale aguardar um pouco a evolução), proporcionando uma experiência sensorial onde acidez e persistência dão (ops) prazer.
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Osvaldo Amado: enólogo do ano

O Solar do Vinho do Dão, Antigo Paço Episcopal do Fontelo (de verão) e também usado por um tempo como prisão, fica localizado na cidade de Viseu. O edifício, reformado e inaugurado em 2004, é sede da Comissão Vitivinícola Regional do Dão. Chegamos ali após pernoitar no Hotel do Buçaco, um local que mistura história, tradição e uma certa aura dos vinhos exclusivos feitos para o Hotel. A ideia era concentrar vários produtores representativos do estilo do Dão e suas criações numa espécie de feira exclusiva para os dois jornalistas de vinho brasileiros que faziam a visita. Foram nove casas, cada qual com direito a expor três rótulos. Total de garrafas desarrolhadas: 32 (algumas roubaram na conta, é fato, mas não vou deletar).

Eram 11 horas da manhã e tínhamos uma hora e meia para provar os vinhos, conversar com os produtores, tirar fotos e fazer algumas anotações. É quase uma minimaratona de Baco, onde a tática para se chegar ao final exige uma rodada inicial de brancos, seguida de outra volta olímpica com os tintos e de preferência cuspindo a bebida na degustação (ok, eu sei; esta parte meio nojenta da coisa causa certo asco no público pouco acostumado, mas é superbem aceita no meio. Juro que não ofendi nenhum produtor devolvendo para o balde seu vinho. Trata-se de um método para manter a sobriedade da análise. E aroma se percebe pelo olfato, sabor pelas papilas gustativas, engolir não é determinante em provas. Mas confesso que vez ou outra um gole mais aprazível vai para dentro). Já disse em outro texto, o Dão me surpreendeu, sua elegância me conquistou – um conceito meio fluido mas perceptível – e tornei seu fã. Às escolhas, pois:

Os brancos e os tintos do Dão e um rosé de contrabando

BRANCOS

Titular_branco

Titular Colheita Branco 2014
Uvas: Encruzado, Malvasia Fina e Bical
Caminhos Cruzados
Site oficial

Trata-se de um vinícola recente (2012) e já com alguns prêmios de crítica para exibir. Muito aromático, fresco, um toque de abacaxi. Vinho para se beber jovem. Teor alcóolico namedida para um branco. Muito subjetivo isso, mas adorei a simplicidade do rótulo, apenas com texto, aparentemente da fonte “currier”. remetendo à tipologia da máquina de escrever. Bateu um banzo. Fácil de identificar na prateleira, de guardar na memória.

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Quinta do Perdigão Encruzado 2014
Uva: Encruzado
Quinta do Perdigão
Site Oficial

O vinho passa por um processo de bâtonnage (xiii lá vem o cara complicar…) de 4 a 6 meses. Explico, a batonagem (em português mesmo) é um processo comum no processo de alguns vinhos brancos que consiste em agitar as borras que ficam depositadas no fundo da barrica (no caso, carvalho francês) durante a fermentação para submergi-las à superfície. Isso potencializa os aromas e dá mais estrutura. É um branco potente (ui!), encorpado (afe!) e que revela o potencial da uva. Curiosidade: não adianta gravar o vinho pela imagem do rótulo, eles mudam todos os anos, obra da mulher do enólogo, Vanessa Chrystie.

 Quinta_Pedrinha_Branco

Quinta da Ponte da Pedrinha 2014
Uvas: Encruzado e Malvasia
Quinta do Ponte da Pedrinha

Há histórias que só mesmo o velho mundo conta. A propriedade está com a família desde o século 18. Um branco de perfil jovem e fresco, fruta gostosa, bastante cítrico e mineral. A malvasia dá uma quebrada na potencialidade do encruzado. Não passa por carvalho, fermentação em tanques de inox. Para beber ontem.

 falorca_encruzado

Quinta Falorca Encruzado 2012
Uvas: Encruzado (90%) e malvasia (10%)
Quinta da Faloca

A família está à frente da vinícola há 5 gerações. Há uma mistura de vinhas novas e velhas, um branco mais concentrado, com sabores de frutas brancas mais maduras. É untuoso, cremoso, estagia três meses em madeira e também passa por processo de batonagem. Tem uma persistência gostosa e uma acidez que completa o cenário. Um dos grandes brancos do Dão que provei.

 

ROSÉ

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Quinta Mendes Pereira Touriga Nacional Reserva 2011
Uva: Touriga Nacional
Quinta Mendes Pereira

Ok, eu sei. Um rosé do Dão não será sua primeira escolha. Para mim, no entanto, foi uma agradável surpresa. Uma cor linda de rosé, vibrante, luminosa: o prazer também se dá pelo visual. No nariz frutas vermelhas frescas como morango e framboesa. Um toque doce na boca, que dá um volume extra, e a fruta detectada nos aromas se repete de forma importante. Uma prova do potencial da Touriga Nacional como matriz de vinhos variados.

 

TINTOS

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Quinta das Camélias Touriga Nacional 2010
Uva: Touriga Nacional
Quinta das Camélias
Site Oficial:

Olha o Touriga Nacional aí gente! Este é o topo de linha da Quinta das Camélias. Passa 10 meses em carvalho francês antes de vir ao mundo. Um touriga muito floral com uma violeta exibida mas elegante. Aveludado na boca, delicado, boa extensão. Apenas 6.600 garrafas produzidas. Um fidalgo perfumado engarrafado!

 Carvalhao_Torto_2005

Quinta do  Carvalhão Torto 2005
Uvas: Jaen e Alfrocheiro
Quinta do Carvalhão Torto
Site oficial

Entre todos os vinhos do Solar, o Quinta do Carvalhão Torto 2005 mostrou uma pegada didática que aponta como o tempo de garrafa age (para melhor) no sabor de um vinho. Um vinho com contraprova: comprei uma garrafa para dividir a experiência com minha mulher aqui no Brasil e a impressão de qualidade e sabor permaneceu em ambientes diversos. As uvas têm excelência de maturação nos 7 hectares de vinha. As 30.000 garrafas deste vinho só são lançadas após envelhecimento por no mínimo cinco anos. Tem um aroma delicado e intenso de terra molhada, húmus. É classudo, com boa estrutura em boca e taninos suaves e macios. 12,5% de álcool completam a elegância e a frescura que combinada com acidez amplia a vivacidade do vinho. Um vinho que não teve pressa de chegar ao mercado; não precisa de rapidez em bebê-lo.

 Quinta dos Carvalhais_Encruzado

Quinta dos Carvalhais Colheita 2011
Uvas: Touriga Nacional (93%), Tinta Roriz (5%) e Alfrocheiro (2%)
Sogrape – Quinta dos Carvalhais

Uma mescla elegante onde a fruta mais escura predomina e o floral mais tímido marca presença nos aromas e no sabor. As uvas são fermentadas em tanques de inox separadamente e depois passam uma temporada em barricas francesas de primeiro e segundo uso. Um Dão de potência, que me pareceu ter menos acidez que seus colegas, mas boa estrutura e longa persistência. Um Dão de bigodes.

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Quinta das Estrémuas Reserva 2008
Uva: Touriga Nacional
Vinícola de Nelas

Uma Touriga Nacional à capela com muita exuberância de fruta madura, muito macio na boca e ótimo final. Mais fruta e menos flor. Passa por um estágio em madeira francesa por 11 meses antes de ir para a garrafa. Um belo exemplar do potencial do Dão com uma pegada mais estruturada e com suculência marcante.

 Cabriz_Reserva_tinto

Cabriz Reserva 2012
Uvas: Touriga Nacional (40%), Tinta Roriz (30%) e Alfrocheiro (30%)
Wine Soul/Dão Sul – Cabriz
Site oficial

A Dão Sul é um blockbuster do Dão, seus vinhos são facilmente encontrados nos supermercados brasileiros. Produz grande quantidade com qualidade e preço. O enólogo Osvaldo Amado foi eleito o enólogo do ano em 2015. Para conhecer um Dão mais básico experimente o Cabriz Colheita Selecionada. Esta garrafa aqui está posicionada um degrau acima. A linha Reserva passa 9 meses em barrica francesa de tosta fraca (não marca muito o vinho). Destaque para sua boca aveludada, de bons taninos combinados com algum floral. Osvado Amado apenas mostrou na feira a garrafa de um vinho impressionante, 25 Cabriz, uma edição comemorativa às bodas de prata da casa.  No almoço tivemos o prazer de dividir com todos os produtores. Impressionou.

 FAta

Quinta da Fata Touriga Nacional 2010
Uva: Touriga Nacional
Quinta da Fata

Pequena propriedade de apenas 6,5 hectares (oferece hospedagem também), produziu apenas 3.500 garrafas deste Touriga Nacional puro sangue. A propriedade é familiar há algumas gerações, mas as vinhas têm cerca de 15 anos. Segue a tradição de pisa a pé, fermentação em lagares de pedra. Passa seis meses em madeira nova e outros seis em madeira de segundo uso americanas e francesas. Tem um leve toque defumado, macio e com fruta madura intensa.

 Tnac-Tinto

Tnac 2010 by Falorca
Uva: Touriga Nacional
Quinta da Falorca

Outro rótulo moderno que chama a atenção para a descrição da variedade: Tnac = Touriga Nacional. Um tinto vibrante sem passagem por barricas de carvalho. Resultado: um caldo menos afetado aos humores da madeira. Foi um dos últimos vinhos provados e sua jovialidade e proposta foram um refresco para tintos mais compleixos que exibiam mais medalhas. Às vezes menos é mais.

 Perdigão_ALfrocheiro

Quinta do Perdigão Alfrocheiro 2009
Uva: Alfrocheiro
Quinta do Perdigão
Site oficial 

A Quinta da Falorca é um exemplo de produção familiar e cuidado de vinificação que são típicas do Dão. Produtor e enólogo, o próprio José Perdigão escreve os contrarrótulos com uma vocabulário que mistura informação e paixão. É ele também que me serve as garrafas,  comenta sobre a reforma do Solar, o desenho das etiquetas e principalmente do vinho que expõe – e aparentemente bebe com extremo prazer e satisfação. Tem muito disso em Portugal, a simpatia do produtor ajuda o vinho. Como Luis Pato, da Bairrada, tratado em outro post. Ah, o vinho! O Alfrocheiro é outra casta importante do Dão, aqui em carreira-solo. As uvas são colhidas em apenas 1 hectare de vinhedo “amigo do meio ambiente”, como descreve José Perdigão. Um vinho de estrutura firme, um toque defumado gostoso, uma goiabada em compota no nariz e auditada na boca. Frutas negras presentes. Também tem um toque de caixa de tabaco (parece estranho mas aparece), resultado do tempo de garrafa. Complexo, elegante; chega em várias camadas e demora a ir embora. Um Dão bão para fechar.

À mesa com o Dão

Finda prova nos reunimos todos para o almoço, desta vez com todas as garrafas da minifeira abertas e à disposição de todos para acompanhar a refeição. No cardápio a variada gastronomia portuguesa: bacalhau, leitão, embutidos, queijos. À mesa ninguém cuspiu o vinho, ele foi parceiro e ampliou os prazeres da comida. Como tem de ser.

No próximo post  –  Vinhos de Portugal: o Dão, o Douro e a dor de dente (parte 2) – eu conto um pouco sobre a parte da viagem ao Douro, seus vinhos importantes e também sobre a dor dente.

Nota: a viagem a Portugal foi patrocinada pela ViniPortugal, organização que representa o setor vitivinícola português e promove os vinhos de Portugal.

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