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quarta-feira, 22 de abril de 2015 Blog do vinho, Brancos, Degustação, Espumantes, Nacionais, Novo Mundo, Porto, Rosé, Tintos, Velho Mundo | 14:00

Conheça os melhores vinhos do concurso Top Ten 2015 da ExpoVinis

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Como acontece todos anos  os homens que cospem vinho se juntaram mais uma vez para realizar o concurso Top Ten, versão 2015 (que bem poderia chamar Os 10 Mais), da 19º edição da Expovinis, a maior feira de vinhos da América Latina. O concurso reuniu profissionais, especialistas, jornalistas e um palpiteiro (este que vos escreve que participa pelo oitavo ano consecutivo) para provar vinhos às cegas de vários países e estilos e eleger os 10 melhores. Quem acompanha este blog sabe da lisura deste concurso e de como ele funciona. Para quem chega aqui pela primeira um rápida explicação (ou clique nos links distribuídos pelo texto). A tabela está logo abaixo, seguida das fichas dos vinhos

Top Ten como funciona

Os vinhos que concorrem na degustação do Top Ten da ExpoVinis são aqueles enviados pelos expositores/produtores. Não são exatamente os melhores vinhos da feira, nem é esta a pretensão. Concorre quem quer. Eles são divididos em uma dezena de tópicos. Em 2015 foram 125 amostras distribuídas entre as seguintes categorias: espumantes nacionais (16), espumantes importados (8), brancos importados (15), brancos nacionais (12), rosados (10), tintos nacionais (18), tintos novo mundo (13), tintos velho mundo I – Portugal e Espanha (11), tintos velho mundo II – França e Itália(15), fortificados e doces (7). As garrafas são cobertas, numeradas e avaliadas. As notas são registradas no sistema (é distribuído um iPad para cada jurado com usuário e senha), somadas e os melhores em cada categoria levam a medalha no peito e saem anunciando por aí. Justo ou não, trata-se de um julgamento coletivo, que é mais preciso que a nota de um só critico. Os jurados só conhecem os rótulos provados no momento da divulgação do resultado. Confesso que é até meio frustrante, a gente passa dois dias provando vinhos e sai de lá sem saber os rótulos que bebeu e quais foram os eleitos. Mas é a forma correta de fazer isso.

TOP TEN 2015 – Resultado  Final

1. ESPUMANTES NACIONAIS – Vencedor: Aracuri Brut Chardonnay 2014

2. ESPUMANTES IMPORTADOS  – Vencedor: Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie N/V

3.  BRANCOS NACIONAIS – Vencedor: Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2014

4. BRANCOS IMPORTADOS  – Vencedor: Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

5. ROSADOS – Vencedor:  Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

6. TINTOS NACIONAIS  – Vencedor:  Valmarino Ano Xviii Cabernet Franc 2012

7. TINTOS NOVO MUNDO – Vencedor:  Renacer Malbec 2011

8. TINTOS VELHO MUNDO I (Espanha e Portugal) – Vencedor:  Pêra Grave Reserva Tinto 2011

9. TINTOS VELHO MUNDO II (Itália e França) – Vencedor:  Sangervasio A Sirio 2007

10. FORTIFICADOS E DOCES  – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

PRÊMIO JOSÉ IVAN DOS SANTOS (vinho com a maior média, 93.5) – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

ESPUMANTES NACIONAIS

Aracuri Brut Chardonnay 2014

País: Brasil

Região: Campos de Cima da Serra – Rio Grande do Sul

Uva: chardonnay

Produtor: Aracuri Vinhos Finos

Site: www.aracuri.com.br

Elaborado pelo método charmat (segunda fermentação em tanques de inox), usa apenas uva chardonnay. Na minha avaliação era aquele que apresentava maior toque de evolução entre os representantes das borbulhas nacionais.  Não é assim que o site da empresa define o vinho: “espumante elegante e refrescante de perlage fina e abundante. No aroma destacam-se as notas de damasco, raspas de limão e pão fresco. O paladar é envolvente e cremoso com acidez cativante.”. Mas é um bom sinal a  eleição de um blanc de blanc (espumante feito apenas com chardonnay) verde-amarelo.

espumantes

ESPUMANTES IMPORTADOS

Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie

País: França

Região: Champagne

Uvas: chardonnay (70%), pinot noir (15%), pinot meunier (15%)

Empresa: Sas Prat Champagne Georges De La Chapelle

Site: www.georgesdelachapelle.com

Existe uma clara tendência dos jurados eleger um espumante importado que mais chegue perto das características de um champagne tradicional, e não deu outra. Para começar pelo tradicional corte, com as uvas tradicionais da região. Bateu nas anotações dos jurados: cor dourada, aromas de frutas secas, um toque oxidativo e boa perlage. Este exemplar vem de vinhedos com mais de 40 anos e de uma mistura (cuvee) das safras de 2004, 2006 e 2008. Um belo champagne, sem dúvida. Afinal, não há espumante como um champagne…

BRANCOS NACIONAIS

Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2012

País: Brasil

Região: Altitude Catarinense – Santa Catarina

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Vinícola Pericó Ltda

Site: www.vinicolaperico.com.br

E um vinho de altitude, de Santa Catarina, elevou o sauvignon blanc nacional para o topo da categoria dos brancos nacionais. Elegante, sem exagero de aromas, lembra frutas tropicais no nariz e na boca, no site oficial são descritos “melão, mamão papaia, casca de grapefruit e uma nota discreta de maracujá e de folha de tomate”  Eu não percebi tudo isso, mas um frescor marcante, com bela acidez e boa estrutura.

 BRANCO

BRANCOS IMPORTADOS

Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

País: Chile

Região: Vale Leyda

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Casas del Toqui

Site: www.casasdeltoqui.cl/cdt.html

Importador: Bodegas De Los Andes Comercio De Vinhos Ltda

Site: WWW.BODEGAS.COM.BR

O sommelier Hector Riquelme, sem saber quem era o vencedor, declarou que um “perfumista” havia vencido a categoria dos brancos importados. De fato, este sauvignon blanc é muito típico, e se destacam aromas de aspargos, arruda, herbáceo, na boca uma certa salinidade, boa estrutura e um final mais longo, acentuado pela mineralidade e ótima acidez. O  perfumista me conquistou.

ROSADOS

Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

País: França

Região: Provence

Uvas: grenache, cinsault, syrah, carignan, mourvedre, tibouren

Produtor: Cellier Saint Sidoine

Site: www.coste-brulade.fr

A cor em um rosé é elemento importante, ela seduz – ou não – de cara. Aqui um rosa pálido com reflexos de salmão davam pinta da região de Provence, confirmada no nariz mais cítrico, no frescor em boca provocado pela bela acidez que prolongava o prazer em boca. Ao contrário ao ano anterior, onde o painel dos rosados era bem fraco, este ano vários vinhos competiram em pé de igualdade pelo primeiro lugar. Prova de qualidade dos rosés, nem sempre reconhecida.

tintos

TINTOS NACIONAIS

Valmarino Ano XVIII Cabernet Franc 2014

País: Brasil

Região: Pinto Bandeira, Rio Grande do Sul

Uva: cabernet franc

Produtor: Vinícola Valmarino

Site: www.valmarino.com.br

Oba! Um cabernet franc 100% levou o melhor nacional tinto, recuperando o prestígio desta uva que já foi mais importante no Brasil (outro cabernet franc estava na disputa final). Tem a presença forte de madeira no nariz, e em seguida aparecem frutas negras, couro e chocolate. Na boca um tanino macio, uma boa fruta presente, com a madeira integrada, um final de qualidade. Este foi um vinho que foi melhorando na taça e que foi surpreendendo ao longo da prova e crescendo na pontuação (na minha, pelo menos).

TINTO NOVO MUNDO I – ARGENTINA E CHILE

Renacer Malbec 2011

País: Argentina

Região: Lujan de Cuyo, Mendoza

Uva: malbec

Produtor: Bodega Y Viñedos Renacer

Site: www.bodegarenacer.com.ar

A Argentina papou o prêmio do Novo Mundo com sua uva símbolo, a malbec. Os 24 meses em barricas francesas de primeiro uso e os seis meses de garrafa trouxeram aromas mais evoluídos de bala toffee e frutas negras. Não tem aquele floral exuberante, de violeta, que em excesso incomoda. De vinhedos de mais de 90 anos de idade, este malbec conquistou pela fruta em boca, tanino doce e suave e final mais longo. Infelizmente a categoria se  limitou a garrafas do Chile e da Argentina, o que limita um pouco o painel. Seriam bem-vindos tintos da Austrália, África do Sul, Estados Unidos…

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TINTO VELHO MUNDO II – ITÁLIA E FRANÇA

Sangervasio A Sirio 2007 IGT

País: Itália

Região: Toscana

Uvas: 95% sangiovese, 5% cabernet sauvignon

Produtor: Sangervasio

Site: www.sangervasio.com

Importador: Zahil

Site: www.zahil.com.br

O melhor tinto velho mundo é um velho conhecido dos apreciadores de tintos italianos. Há anos importado pela Zahil, já tem seu público cativo e me causou certa surpresa sua presença no Top Ten. A Sangervasio se define como um vinhedo biológico da Toscana. Este A Sirio IGT tem pinta de supertoscano e passa 14 meses em barricas (50% novas) e 2 anos em garrafas antes de encher sua taça. Isso provoca uma textura macia na predominante sangiovese, com um bom impacto de frutas, especiarias e corpo médio. Não se notam seus 8 anos de vida. Vai longe. Avanti Itália!

 

TINTO VELHO MUNDO – PORTUGAL E ESPANHA

Pêra Grave Reserva Tinto 2011

País: Portugal

Região: Alentejo, Évora

Uvas: syrah, touriga nacional e alicante bouchet

Produtora: Pêra Grave, Quinta de São José de Peramanca

Site: www.peragrave.pt

Representante: Luxury Drinks Portugal

Site: www.luxury-drinks.pt

Aprendo no site oficial da vinícola que ele é produzido na antiga quinta de Pêra Manca do séc. XIII até ao séc. XIX. Trata-se de um caldo potente, típico desta região mais quente de Portugal. Muita fruta negra no nariz e um toque floral da touriga nacional. Na boca a potência se confirma com as frutas mais maduras e com a passagem pelas barricas. Boa persistência final. Vinhão para quem curte caldos mais concentrados.

doces

DOCES E FORTIFICADOS

José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

País: Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: 100% moscatel de Setúbal

Produtor: José Maria da Fonseca

Site: www.jmf.pt

Importador: Decanter Vinhos Finos

Site: www.decanter.com.br

Uauau!  Não é muito profissional começar uma descrição assim, mas eu repito: uauau!!! A cor âmbar com alguns reflexos esverdeados já dá a dica de coisa boa, os aromas em camadas longas e persistentes de nozes, caramelo, avelã, frutas cristalizadas aumentam a tensão, na boca a confirmação destes aromas acompanhada de uma belíssima acidez que quebra seu doce e mantém o prazer da bebida por minutos. José Maria da Fonseca (aquele do Periquita) é o mais antigo produto de Moscatel de Setúbal, um Denominação de Origem Controlada (D.O.C.), reconhecida desde 1907.Este Moscatel de Setúbal 20 anos é resultado de um lote de 19 colheitas em que a colheita mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga perto de 80 anos, O resultado é complexidade, elegância, longo final e um paladar de tirar o rolha.

O nomes dos culpados pela eleição dos onze vinhos acima

 O time dos homens que cospem vinho do Top Ten tem uma certa consistência. Os doze homens são divididos em dois grupos, cada qual com um presidente a quem compete resolver qualquer impasse. Fica a crítica da ausência de juradas mulheres, que hoje são parte importante da crítica de vinhos no Brasil e no mundo.

 Presidentes de mesa

Hector Riquelme – sommelier chileno

Mario Telles Jr –  ABS-SP

Jurados (em ordem alfabética)

Beto Gerosa – Blog do Vinho

Celito  Guerra – Embrapa

Jorge Carrara – Prazeres da Mesa

José Luis Borges – ABS São Paulo

José Maria Santana – jornalista e crítico de vinhos revista Gosto

José Luiz Paligliari – Senac

Manoel Beato – sommelier grupo Fasano

Marcio Pinto – consultor e ABS-MG

Ricardo Farias – Sbav Rio de Janeiro

Tiago Locatelli – sommellier Varanda

José Ivan dos Santos, o gentleman do vinho

José Ivan dos Santos: homenagem

José Ivan dos Santos: homenagem

Este ano o concurso Top Ten teve um trago amargo. A ausência de José Ivan dos Santos na coordenação do evento, sempre em dueto com o crítico e consultor Jorge Lucki. José Ivan, ou Zé Ivan, era um gentleman do vinho, um conhecedor que não botava banca, um aglutinador de pessoas e de uma simpatia contagiante.  Zé faleceu, repentinamente, há pouco mais de dois meses, com um livro pronto para ser lançado. Em homenagem ao Zé, este ano foi instituído um 11º prêmio no Top Ten, o Prêmio José Ivan dos Santos para o vinho com a melhor pontuação em todas as categorias. O prêmio especial será entregue ao inebriante José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos. Uma justa homenagem que o concurso presta ao amigo Zé – que tenho certeza ficaria feliz de se ver representado com este elegante caldo.

 

SERVIÇO

  • ExpoVinis Brasil 2015 | 19º Salão Internacional do Vinho
  • 22 a 24 de abril de 2015
  • Expo Center Norte – Pavilhão Azul – Vila Guilherme – São Paulo
  • Informações, credenciamento visitantes e novidades: www.expovinis.com.br
  • Facebook: ExpoVinis Brasil | Twitter: @expovinis | Instagram: @expovinisbrasil
  • E-mail: visitante.fev@informa.com | Telefone: (11) 3598-780

O primeiro dia do evento será reservado exclusivamente para profissionais do setor.

  • Horário: das 13 às 21 horas para profissionais do setor nos dias 22 e 23 de abril, e das 13 às 20 horas no dia 24 de abril. Aberto ao consumidor final das 17 às 21 horas no dia 23 e das 17 às 20 horas no dia 24 de abril.
  • Shuttle Service/Transfer gratuito no trajeto Expo Center Norte-Estação Portuguesa/Tietê e estação Portuguesa/Tietê-Expo Center Norte estará disponível todos os dias do evento.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014 Brancos, Doce, Tintos, Velho Mundo | 11:01

Tour de Mirambeau: um Bordeaux bom de beber e que dá para comprar

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Vídeo do Château Tour de Mirambeau: parece propaganda. E é. Mas é bonito.

Os amantes e aficionados do vinho que costumam frequentar feiras – aqueles eventos onde o produtor fica servindo goles de seus rótulos e o público vai enchendo a caneca meio sem critério – manjam a figura: Jean-Louis Despagne. Todo ano lá está ele com sua indefectível gravata borboleta, a barba cerrada e seus Bordeaux para oferecer. Ele e sua família são proprietários de vinícolas desta região mítica da França: como o Château Tour de Mirambeau (importado pela Mistral) e Bel Air (importado pela Decanter).

Bordeuax é aquela região confusa de entender da França de diversas classificações e regiões, dos premier cru classé do Médoc, Graves e Sauternes, dos premier grand cru classé A e B de St. Émilion e dos rótulos míticos que aprendemos a admirar nos livros e cursos mas raramente comprovamos na taça sua glória e fama já que o preço é proibitivo. Estes nomes devem querer dizer alguma coisa para você, não? Château Latour, Château Lafite Rothschild, Château Margaux, Mouton Rothschild e Château Haut-Brion (Médoc), Château Haut-Brion (Graves); Château d’Yquem (Sauternes); Château Angélus, Château Ausone, Château Cheval Blanc e Château Pavie (St. Émilion) e finalmente Château Petrus (Pomerol, que tem fama mas não classificação). Mas já provou algum? Então…

E o Bordeaux tirou a gravata borboleta

Mas há sim rótulos de Bordeaux para os mortais. Mas atenção, muitos deles são ruins, não valem o investimento ou a barganha. Ter a região de Bordeaux gravada em um rótulo não é indicativo de boa procedência, e pode decepcionar. Mas há uma produção de tintos e brancos de excelente nível e preços compatíveis. Tour de Mirambeau é uma de seus melhores representantes. E com isso voltamos ao nosso personagem Jean-Louis Despagne, desta vez sem a gravata borboleta e de barba feita, que veio apresentar os rótulos de sua Bordeaux, da região de Entre-deux-Mers. Não sei se foi o canícula que castiga São Paulo nos últimos tempos ou a proximidade com o Brasil (Despagne visita com frequência o Brasil, em especial Paraty e Trancoso, e fala um português fluente), mas a descontração talvez traduza melhor os seus caldos, que são descomplicados.

A família Despagne vem cultivando vinhedos por mais de 250 anos. O histórico Château Tour de Mirambeau, localizado em frente a St Emilion, tem cerca de 80 hectares. Começou produzindo mais vinhos brancos, hoje a proporção é 50% para tintos e 50% para brancos, refletindo um pouco o mercado consumidor mundial. Hoje os três filhos de Jean-Louis cuidam da enologia à venda, sendo que a filha, Basaline, é a executiva principal do negócio. Jean-Louis Despagne, como ou sem gravata borboleta, é uma simpatia e com apresentou seus vinhos:

Dois brancos

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Château Tour de Mirambeau La Réserve Blanc 2012
Uvas: sauvignon blanc 58%; sémillon 38% e muscadelle 10%
A sauvignon blanc é predominante nos brancos de Bordeaux, e o resultado deste blend que passa apenas pelos tanques de aço inox, é pura fruta, clássica, com aquelas notas cítricas agradáveis e final fresco. Não melhora com o tempo. Compre e beba! Um Bordeaux na borda da piscina. U$ 38,90 (a Mistral tem por política tabelar seu preços em dólar)

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Château Tour de Mirambeau Cuvée Pasion Blanc 2010
Uvas: sauvignon blanc 60%; sémillon 30%; sauvignon gris 10%
Aqui um branco mais imponente, com maior volume em boca, cítricos e algo amanteigado e um toque tostado delicado. Ao contrário de seu colega de adega aguenta uns cinco anos na garrafa. U$ 49,90

 Dois tintos

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Château Tour de Mirambeau La Resérve rouge 2011
Uvas: merlot 85%; cabernet sauvignon 10%; cabernet franc 5%
O tinto de entrada do catálogo, com predominância na merlot no corte bordalês e muita fruta e pouca complicação, sem grandes vôos ou pretensões, mas bem equilibrado. A revista Decanter qualificou como melhor Bordeaux para o dia-a-dia. Jean-Louis, no entanto, enxerga que para o futuro é um vinho que tende a desaparecer do portfólio pois os consumidores esperam um tinto com maior capacidade de envelhecimento. U$ 45,50

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Château Tour de Mirambeau Gran Vin rouge 2008
Uvas: merlot 70%; cabernet sauvignon 30%
Um tinto com corte típico bordalês, mas como convém à região com um peso maior na merlot. Fermentaçãoo malolática nas barricas , o que ajuda no casamento, sem DR, entre a madeira e os aromas do vinho, ou seja, um não discute om o outro de quem é  a palavra final: há uma boa integração. Tem uma fruta vermelha nítida (no nariz e na boca), gostosa, um tanino presente, um belo representante da região de Bordeux. Este sim, com potencial de guarda e futuro no mercado consumidor. U$ 65,90

E um doce

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Château Tour de Mirambeau Sénillon Noble 2003
Uva: Sémillon 100%
De produção limitadíssima (3 barricas, e produzido a cada 2 ou 3 anos) e venda idem – “Nem sei por que o Ciro Lilla (proprietário da Mistral) importa este vinho”, comentou Despagne – este vinho de sobremesa mostra a beleza do fenômeno da botrytis, o fungo que quando ataca as frutas aumenta a doçura, a densidade dos aromas de mel, pêssego em calda e é espetacular para acompanhar um creme ou uma torta na  sobremesa. Funciona até como uma sobremesa em carreira-solo. “Não é para ganhar dinheiro”, sinaliza Despagne, “mas para deixar os trabalhadores orgulhosos”. U$ 96,50.

É dele também o surpreendente Girolate, fruto de um sistema de fermentação em barrica que vai girando, uma criação sua e do consultor Michel Rolland. Premiadíssimo e concorrendo e ganhando de grandes de Pomerol e St. Émilion (lembra deles, ali em cima?), é um outro bicho. Mas o Girolate sobe muito a régua, custa 350 dólares, e pode ser tema de outra nota, em outro contexto.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2014 Blog do vinho | 00:20

10 motivos para tomar vinho no inverno – e 10 vinhos para tornar o inverno mais quente

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 E o frio chegou com tudo! Quem resiste a um vinhozinho com um tempo desses? Se você é do tipo  que precisa de alguma desculpa para isso, este blog  dá um empurrãozinho e lista 10 motivos para tomar vinho no inverno – acompanhado de dez dicas de rótulos:

1. O inverno é uma ótima ocasião para beber sem culpa aqueles vinhos potentes, escuros, complexos, com boa passagem na madeira, quase mastigáveis,  com aquela fruta em compota, intenso e longo. E sem ter de se justificar para aquele amigo esnobe que só aprecia tintos leves e orgânicos do velho mundo e torce o nariz para o topo de linha do novo mundo.

 

  • Cousino Macul – Lota Reserva Especial 2007 – para iniciar as dicas de inverno um peso-pesado (até o peso de sua garrafa é excessivo) da vinicultura chilena. Da tradicional família Cousino (150 anos de vinhos), um tintão que reúne potência e complexidade, frutas negras, e aquele não sei o quê de baunilha -16 meses descansando em barricas de carvalho e 18 meses na garrafa. Vinhão de respeito. Para arrebentar neste inverno. E namorar o fundo da taça. Importador: Santar

Leia também: Seis safras de três décadasa de um supervinho chileno: Don Melchor

2. Apreciar seu tinto na temperatura mais adequada. Você nem precisa ter uma adega climatizada em casa. Basta se livrar da cápsula, retirar a rolha e despejar o néctar na taça. Se precisar de um choque rápido de temperatura, deixe a garrafa do lado de fora da janela.

 

  • Finca las Moras – Gran Shiraz 3 Valleys 2009 – este encantador shiraz de três diferentes vales de uma região menos conhecida da Argentina, San Juan, é poderoso, longo, com uma fruta envolvente e especiarias. Para quem acha que Argentina só produz bons malbecs, este shiraz pode ser uma bela experiência invernal. Importador: Decanter

Leia também: 50 vinhos argentinos que vale a pena conhecer

 3. Chamar os amigos em casa para tomar uma garrafa de vinho e brindar a amizade – cada um traz a sua e todos compartilham a bebida.

 

  • Vallontano – Masi – Oriundi 2011 –  uma amizade também uniu a Itália e o Brasil nesta experiência de um vinho elaborado na Serra Gaúcha com a técnica do Vêneto, na Itália, de apassimento das uvas, a mesma usada nos amarones. As uvas são secas em caixas abertas e só depois passam para a fermentação. Este exemplar de terroir brasileiro e alma italiana é feito com as uvas tannat (70%), teroldego (15%), e vinhas velhas de corvina, recantina e turqueta (10%) e ancelotta (5%) – algumas delas bem desconhecidas e redescobertas nos vinhedos gaúchos. Se o vinho brilha na sua execução correta e num sabor que encanta, peca na pretensão do marketing, ao disputar o título de melhor vinho brasileiro. Pra quê, né? Basta ser bom e agradar. E agrada. Importador: Mistral

Leia também: Angelo Gaja, o porta-voz do vinho italiano de qualidade

4. Apreciar comidas pesadas, molhos densos e pratos elaborados, parceiros ideais para vinhos mais potentes. Clássico da harmonização, a compatibilidade por peso pode ser colocada à prova: pratos pesados pedem vinhos idem.

 

  •  Casa Ferreirinha- Vinha Grande 2010 – um clássico do Douro (Portugal), de uma vinícola clássica, elaborado só em safras excepcionais. Tradicional na seleção das uvas nos brinda com porções de touriga nacional, touriga francesa, tinta barroca e tinta Roriz. No nariz tem aquelas frutas maduras, a madeira está bem integrada ao caldo, e um final bem legal completam suas qualidades. Um vinho que cresce muito com o passar dos anos. Numa prova horizontal, de várias safras, de 1996 a 2010, os melhores rótulos foram os dos anos 2000 e 2007; de características diferentes, mostraram como o tempo beneficia os mais antigos e na entrada reforça a exuberância da fruta dos mais novos. Importador: Zahil

Leia também: 50 grandes vinhos de Portugal e algumas escolhas pessoais

5. Carne & vinho & lenha & brasa. Quer combinação mais adequada para uma noite ideal de inverno? Cenário de revista de decoração, foto que ilustra este poat. Não é à toa. Existe harmonização de ambiente também e o vinho é o toque de classe.

 

  • Dal Pizzol – Dal Pizzol 40 Anos –para celebrar seus quarenta anos a vinícola brasileira Dal Pizzol produziu 3.520 garrafas de um lote único de um assemblage de quatro variedades da safra de 2012: merlot (40%), cabernet sauvignon (30%), tannat (15%) e nebbiolo (15%). A Dal Pizzol tem uma identidade no sabor e nos aromas de seus vinhos, uma espécie de impressão digital de seus caldos que revelam a autoria. Neste exemplar premium e comemorativo, a mescla das uvas rende um vinho potente, com boas frutas, um toque de couro, terroso e uma carga boa de concentração tânica. Vinícola: Dal Pizzol

Leia também: Os rótulos da Aurora: vinhos nacionais corretos, saborosos  e acessíveis 

 6. Viver – ou reviver – uma noite romântica. Ninguém nega: o vinho é uma bebida sedutora. Abra uma bela garrafa em casa e a vida se transforma. Já as chances de um convite para um vinho no inverno ser aceita é proporcionalmente maior do que no verão. E melhor, não soa falso, afinal… inverno, um vinhozinho, quem resiste?

 

  • Bueno-Cipresso – Brunello de Montalcino 2007 – um tinto maduro e com taninos bem acentuados. Um clássico com 100% da uva sangiovese grosso, sob a batuta do enólogo Roberto Cipresso, em parceria com ele mesmo, Galvão Bueno, que é sócio desta produção da região de Montalcino, na Toscana. E se é para seduzir, nada com um vinho italiano. E se no Oriundi (acima)  temos um italiano em terras gaúchas aqui temos a assinatura de um brasileiro em terras da Toscana. Importadora: Bueno Wines

Leia também: Galvão Bueno também torce para a Itália, pode isso Arnaldo?

7. Vinhos fortificados e doces são ótimas companhias de entrada e de saída nas refeições no inverno. E companhia da noite inteira do bom papo. E para quem aprecia, do charuto.

 

  •  Nederburg Winemaster’s Reserve Noble Late Harvest 2011. Um porto,  um  Twany, com aqueles aromas evoluídos, e untuosidade, classudo, talvez seja a sugestão mais óbvia. Mas um colheita tardia (que é a traducão de Late Harvest) da África do Sul tem lá o seu charme. É um vinho de sobremesa bastante doce (220 gramas por litro), mas com uma acidez que segura este melaço todo. As uvas brancas chenin blanc (60%), weisser riesling (27%) e muscat (13%) são colhidas tardiamente, próximo do estado de uva passa, ou seja com maior concentração de açúcar natural. Linda cor dourada, muito aromático, flores, abacaxi em compota, mel. Importador: Casa Flora.

Leia também: Conheça os vários tipos de vinhos do Porto

 8. É tempo de aproveitar as ofertas da estação. O inverno é o Natal do comércio de vinhos. As vendas aumentam, as ofertas pipocam para todo lado e os supermercados atraem seus clientes com ofertas de vinhos do dia a dia e de preço médio. Afinal, vinho todo dia requer planejamento financeiro, para completar o mês.

 

  • Luis Felipe Edwards – Family Selection Gran Reserva Carmenère 2012 –  alguns dos tintos indicados aqui são para ocasiões especiais e carteiras mais forradas. Tradução, não são muito baratos. Mas há aquelas que são chamados de boa relação custo-qualidade. Este Luis Felipe Edwards Gran Reserve – encontrado exclusivamente na rede Pão de Açúcar – é um tinto correto, com passagem de 12 meses em barricas (dá para notar), com corpo médio, muita fruta na boca e no nariz e especiarias. Fácil de gostar e bem feito como toda linha Luis Felipe.

Leia também: O dia em que a carmenère avinagrou a tempranillo

 9. Aproveitar a hora do almoço para tomar uma tacinha. Taí sua chance, e não é algo que cause espanto!  Principalmente nestes tediosos tempos politicamente corretos – onde os sucos naturais ganham as mesas nos almoços executivos (argh!). Nem o seu chefe vai fazer cara de reprovação.

 

  •  Bodega Septima – Septima Gran Reserva 2009 – ok, vamos nos render também à malbec argentina, mas tanto melhor se vier misturada a pitadas de outras variedades. Este tinto perfumado, encorpado, com frutas em compota deliciosas, vai melhorando na taça e chega até um chocolate e café no fundo da taça. A malbec (55%) vem das regiões de Altamira e Luján de Cuyo, e a cabernet sauvignon (35%) e tannat (10%) de Luján de Cuyo. Ótima companhia para um grelhado. Importador: Interfood

Leia também: Você conhece vinho argentino? Um passeio pelas regiões vinícolas da Argentina 

 10. Mandar a dieta paras as favas. Por que vamos combinar que fazer dieta no inverno é a treva, e o vinho vira um parceiro infalível e sem culpa de ser feliz.

 

  •  Solera 1847 Jerez Oloroso – como o inverno dá mais oportunidades ter um vinho como companhia, por que não sair do lugar comum e provar rótulos diferenciados e pouco comuns, como um Jerez? Há várias estilos de Jerez, do seco e salgado ao doce. Este se encaixa neste último estilo, um Jerez fortificado (tem adição de aguardente vínica) elaborado com as uvas palomino fino (70%) e pedro ximénez (25%). Ideal para acompanhar doces e chocolates, é um vinho doce, denso, caudaloso e com bom final. E que se dane o regine. Importador: Inovinni

Leia também: Bacalhau e vinho: tinto ou branco?

Fala a verdade, você precisa mesmo de dez motivos para desarolhar um vinho neste – e em outros – invernos? Se sim, e nenhum das razões listadas acima te convence, invente a sua desculpa.

 

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013 Blog do vinho | 14:16

Os supermercados vendem 86% do vinho no Brasil. E apostam em rótulos próprios e exclusivos

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Vinho de supermercado: vai encarar?

Vinho de supermercado: vai encarar?

Lojas e adegas especializadas de encher os olhos, delicatessens que misturam gastronomia e rótulos selecionados, espaços virtuais lotados de informação e grande apelo de preço. Este é o mundo que a maioria dos consumidores de vinho frequenta, certo? Errado. Pode ser que este seja o espaço que conhecedores de vinho estejam habituados. Mas são os supermercados os maiores vendedores de vinho do Brasil, e para ampliar esta dominação e a receita com o consumo de tintos, brancos e espumantes apostam em marcas próprias e importação exclusiva.

Duvida? Então vamos aos números. Segundo dados fornecidos por André Svartman, do setor de Desenvolvimento de Marcas e Produtos do Grupo Pão de Açúcar, 86% das vendas de vinho no Brasil se concentram em supermercados (68%) e hipermercados (18%), ocupando o primeiro e terceiro lugares deste ranking. O segundo lugar é ocupado pelas adegas, lojas e delicatessens.

Este mesmo estudo revela dados interessantes do mercado de vinho no Brasil. A despeito de toda choradeira, dificuldades, proibições e avalanches de impostos e taxas sobre o produto o mercado de vinho cresceu, entre 2006 e 2012, 14% para os vinhos espumantes e frisantes e 11% para os tintos, brancos e rosés. Do mercado consumidor brasileiro, apenas 20% consomem vinho – ou seja há um universo de 80% a ser explorado. Destes 20% consumidores, 69% compram vinho apenas uma vez por mês, sendo que 52% compram vinho apenas em ocasiões especiais – mais um espaço de crescimento do consumo para o vinho do dia-a-dia. Não é à toa que produtores do mundo inteiro enxergam um enorme potencial num país de dimensões continentais como o Brasil. Há números que colocam o negócio como uma oportunidade no futuro, um mercado que ao contrário de estar saturado ainda pode ser muito explorado por todo tipo de vinho: desde aquele de entrada (é preciso cada vez mais vinhos de qualidade desta linha), passando pelos vinhos de qualidade média até rótulos premiados ou nichados, como os orgânicos e biodinâmicos.

Leia mais Quinze sugestões para aproveitar melhor o vinho

Segundo análise realizada pela consultoria Nielsen, e publicada na revista Exame, os consumidores estão propensos a pagar mais por produtos mais sofisticados. De 85 categorias analisadas em supermercados, a proporção de consumidores dispostos a gastar mais por produtos mais elaborados aumentou em 51%. Na mesma publicação, dados da Boston Consulting Group mostram que o consumo deu um salto de 1 trilhão de reais em 2003 para 2,6 trilhões em 2013, e que a sofisticação do consumo, claro, apresenta comportamento diferente de acordo com o nível de renda. Por exemplo, na faixa dos brasileiros que ganham de 30.000 a 45.000 dólares por ano, há uma tendência a gastar mais o salário em itens mais caros como café, lazer e… vinho! Não é à toa que os supermercados estão de olho neste consumidor que está refinando seu gosto.

Leia mais: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Comprar vinho em supermercados

Talvez nem precise tanto de números. Basta olhar o espaço dedicado aos vinhos em lojas como St. Marché, Carrefour, WalMart, Záfari e o próprio Pão de Açúcar. Quem percorre com mais atenção as prateleiras e corredores vai notar a existência de rótulos exclusivos, geralmente com preços convidativos, e/ou rótulos próprios.

O St Marché, por exemplo, que tem um público de poder aquisitivo um pouco mais elevado, tem em seu portfólio 100 rótulos de importação própria – são vinhos de todo estilo e faixa de preço – e pretende alcançar 300 rótulos até 2016.

A Walmart chegou a importar diretamente o argentino Argento Malbec, Cabernet Sauvignon e Chardonnay para uma ação do seu clube de relacionamento, o Sam’s Club, e inaugurou uma área exclusiva para vendas de vinho no seu site em parceria com a loja virtual FastVinhos .

O Carrefour também aposta numa linha de marcas próprias, como a linha Sellecion, e importação exclusiva de vários países.

O Pão de Açúcar explora há muitos anos este nicho tendo à frente o consultor de vinhos Carlos Cabral que formou um exército de atendentes de vinho para orientar seus clientes em 600 pontos de venda. Cabral, um dos maiores conhecedores de Vinho do Porto do mundo, autor de livros sobre o tema, foi um dos responsáveis pelo negócio de vinho tomar o atual dimensão no Pão de Açúcar. A rede tem 90 rótulos próprios do Club des Sommeliers – e o objetivo é chegar a 200 em 5 anos – e mais 50 etiquetas exclusivas.

Leia Mais: Porto e Comida, por Carlos Cabral 

Rótulos exclusivos

Se você tem preconceito em comprar vinho em supermercado imagine escolher um rótulo exclusivo, com marca própria, e levar para a boca do caixa! Ok.  O preconceito não é à toa, é preciso ficar atento nas condições de armazenamento e no preço. Muitas vezes o preço praticado em  rótulos de outras importadoras está inflacionado e só vale a pena  quando os vinhos entram em oferta.

Mas quanto aos vinhos exclusivos é um preconceito bobo, como todos os preconceitos, aliás. Primeiro é preciso escolher o vinho certo para cada ocasião e ficar atento na relação preço/qualidade. E depois provar. A alegria, como dizia o escritor Oswald de Andrade, é a prova dos noves.

  • St Marché

Do St Marché o espanhol 100% da uva tempranillo, Pinuaga Salazar, é um achado por R$ 32,90, já em um nível mais elevado, para levar um Bordeaux para casa e não ficar arrependido (o que tem de Bordeaux ruim por aí não é brinquedo, não) o Château Poujeaux (R$ 109,09) entrega um tinto de corte bordalês (53% cabernet sauvignon, 43% merlot, 4% petit verdot) muito digno, com 12 meses de barrica com uma fruta agradável e boa intensidade.

  • Pão de Açúcar e Extra

A linha Club des Sommeliers tem um portfólio de 90 rótulos de onze países: Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Portugal, Itália, Espanha e França. Eles são encomendados a grandes vinícolas destes países e ganham a etiqueta do Club des Sommeliers e distribuição exclusiva do Grupo Pão de Açúcar, o que inclui o Extra Hipermercado. Carlos Cabral é o responsável pela seleção dos rótulos da linha. Ele trabalha com foco na qualidade do produto e no interesse de seu cliente: o que ele quer, o que pode pagar e o que deve experimentar. As linhas são divididas em vinhos de entrada (R$ 10,00 a R$ 15,00), standard (a partir de R$ 16,00), reserva (que passam por envelhecimento em barrica, a partir de R$ 28,00) e agora, consequência da evolução de seu consumidor, um gran reserva (com preço médio de R$ 70,00). O lançamento da linha Club des Sommeliers Gran Reserva reflete um pouco a tentativa de alcançar este consumidor disposto a gastar mais com vinhos, identificado no estudo de consumo do Boston Consulting Group.

Há de tudo, de espumantes brasileiros (produzido sob encomenda pela Vinícola Miolo), passando por brancos (um ótimo exemplo de boa relação qualidade e preço é o riesling, produzido pela Yealands, da Nova Zelândia), tintos (os carmenère e cabernet sauvignon são chilenos e vêm da Vinícola Carta Vieja; os malbec e o cabernet franc são argentinos da Penaflor) até chegar no Porto, produzido pela Poças Junior, que já elabora um rótulo exclusivo para o grupo, o Comenda.

club1 club2Da nova linha Gran Reserva, há boas surpresas. O destaque fica por conta de um saborosíssimo e perfumado cabernet franc de Mendoza, na Argentina, que bebido na temperatura certa revela-se um vinho de primeira: intenso, aromas de frutas e madeira equilibrada. Também agradou bastante o carmenère, este um chileno na região do Maule, com uma fruta mais madura, mais encorpado e evoluído com seus 14 meses de contato com a barrica. E vale ainda apostar no Porto Tawny (há também um Ruby, ambos a R$ 49,31), afinal é a especialidade do Cabral, e o Porto que ele me indicar eu tomo de olhos fechados. Cabral fala deste Porto Tawny no final do vídeo, melhor deixar ele comentar com a simplicidade e conhecimento que são sua marca.

Leia Mais: Os vários estilos de Porto

Outros rótulos encontrados nas prateleiras do Pão de Açúcar são de importação exclusiva e merecem uma atenção. Por exemplo a sempre honesta linha Felipe Edwards, do Chile – eu prefiro o mais simples deles, quando começam a colocar madeira exageram um pouco. O Montado, um português criado exclusivamente para a rede pela importante José Maria da Fonseca, do não menos famoso Periquita, e já comentado aqui Porto Comenda.

 

Vídeo – Carlos Cabral fala ao Blog do Vinho

Nesta entrevista, gravada durante o lançamento do Club des Sommeliers Gran Reserva, Carlos Cabral revela

  • O tipo de vinho que o brasileiro gosta de beber: “vinho leve, para conhecer”
  • Qual o objetivo da linha Club des Sommeliers: “conquistar o iniciante com vinhos fáceis de beber e que cabem no bolso do consumidor”
  • Como são escolhidos os vinhos:ele próprio, Carlos Cabral, seleciona os vinhos em viagens a vinícolas e tem como critério relacionar o perfil da linha que está procurando com o melhor custo-benefício”
  • A importância da linha do Club des Sommeliers:“foi responsável por 22% das vendas de vinho em 2012 no Grupo Pão de Açúcar e o objetivo é chegar a 50% em 5 anos com um crescimento de oferta dos atuais 90 rótulos para 200 etiquetas próprias.”

Atenção: aumente o volume do áudio do seu computador pois a gravação foi prejudicada pelo som ambiente e inabilidade deste que vos escreve, que para completar gravou na horizontal prejudicando também a imagem… Mas vale pelas palavras do mestre Carlos Cabral.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013 Nacionais | 10:44

Primeira Estrada: vinho fino de Minas Gerais abre caminho para rótulos do Sudeste do Brasil

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“Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães”

Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa

Igreja Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes

O senhor já ouviu falar de vinho de Minas Gerais, “de assim não-ouvir ou ouvir?” Já provou um vinho de Minas Gerais? “O senhor ri certas risadas…”.

Uma das principais notícias do mundo do vinho verde-amarelo não vem do Sul do país, muito menos do Nordeste, que já quebrou há tempos o paradigma ao  plantar e colher uvas viníferas e produzir tintos, brancos e espumantes fora da região entre os paralelos 30 a 50.

A novidade vem de Minas Gerais, mais precisamente da região de Três Corações, no Sul do estado, conhecida por estar encravada no polo turístico da Estrada Real – que percorre as cidades históricas de Tiradentes e Ouro Preto.

Mas um vinho de Minas? É. “Sofro pena de contar não…” Pois é, o vinho regional está abrindo suas fronteiras, com apoio da pesquisa e da tecnologia. Trata-se do Primeira Estrada Syrah 2010, produzido nas montanhas, em altitude que varia de 900 a 1000 metros,  pela Vinícola Estrada Real. O rótulo, para não deixar dúvida da origem da garrafa, exibe a imagem da Igreja Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes.

E me inventei neste gosto, de especular ideia”

Murillo de Albuquerque Regina, um mineiro especialista em viticultura com PhD em Bordeaux, sempre ouvia em sua formação acadêmica, na França, que nas melhores regiões vitícolas mundiais o clima no período que antecede a colheita é caracterizado por dias ensolarados e noites frias, acompanhados de solo seco. Uma pensamento não saía de sua cabeça: “É exatamente o que acontece na minha terra em maio, junho e julho, se eu quiser obter uma boa uva para vinho eu tenho de inverter o ciclo das plantas”.

No final do século passado, numa confraria em que degustava alguns exemplares de Bordeaux, Murillo conversava com seu grupo sobre  a influência do clima nestes vinhos de alto padrão e a característica do período de colheita coincidir com o período de tempo mais seco.  O médico Marcos Arruda Vieira, que também é proprietário da Fazenda da Fé, perguntou;

“Dá para fazer um vinho desses em Três Corações?”

“Sim”, afirmou Murillo, “desde que a colheita da uva seja a partir de julho. Precisamos inverter o ciclo de maturação da uvas, enganando a parreira.”

“Mas isso é possível?”, insistiu Marcos Arruda

“O que precisa é de um maluco para apostar neste projeto”, desafiou Murillo.

E assim surgiu a ideia do primeiro vinho fino mineiro, com a união de dois malucos e um desejo: produzir um vinho fino de qualidade na região. A proposta foi materializada, anos depois, com a criação da Vinícola Estrada Real, que tem como sócios, além de Marcos Arruda e Murillo de Albuquerque Regina os franceses Patrick Arsicaud e Thibaud de Salettes, que participam junto com Murillo da empresa de clones de mudas viníferas Vitacea Brasil.

“De dia, é um horror de quente, mas para a noitinha refresca, e de madrugada se  escorropicha o frio, o senhor isto sabe”

O conceito da inversão do ciclo da planta baseia-se na seguinte constatação de Murillo: o grande déficit dos vinhedos tradicionais do Brasil é que chove no momento da colheita, com isso o vinho não tem corpo, a acidez é elevada e a colheita tem de ser antecipada. “É isso que ocorre com  as videiras no Sul e no Sudeste”, argumenta.

Em 2001 a Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), tendo Murillo Regina à frente,  deu início aos estudos sobre a técnica da poda invertida em Três Corações com o objetivo de corrigir este processo e tapear a planta. Foi desenvolvida então a técnica de dupla poda para as videiras viníferas mineiras. Uma poda é feita em agosto e outra em janeiro. Com a segunda  poda, em janeiro, o ciclo recomeça e a planta floresce em abril e maio e as uvas são colhidas no final de julho, início de agosto.

Ou seja, na época da colheita os dias são ensolarados (até 27º), as noites mais frias (cerca de 10º) e a amplitude térmica, que é a diferença do dia e da noite, chega a 15 e 17º. “É como se as uvas no inverno dormissem num quarto com ar condicionado, e permanecessem fresquinhas, enquanto as uvas que maturam no verão repousam num quarto quente, transpirando e perdendo elementos da fruta importantes na extração do vinho”, compara Murillo.

Todo ano é necessário fazer as duas podas, os ciclos das parreiras são sempre de 180 dias. Nos lugares frios da Europa ou mesmo do Brasil não existe a necessidade da dupla poda pois o frio impede o florescimento das plantas no inverno, ainda segundo o pesquisador.

Outra característica importante para o sucesso da empreitada: o regime de penúria hídrica, a popular escassez água, que faz com que a planta envie sinais para as raízes e folhas de que vai faltar água e afetar o seu filho (as sementes encapsuladas nos bagos das uvas). Assim a planta protege as uvas, produzindo frutos melhores.

A syrah foi a uva que melhor se adaptou ao esquema de dupla poda e às pesquisas realizadas. Foram plantadas 10 hectares desta variedade na Fazenda da Fé. Estão em testes de adaptação ao processo de poda invertida outras uvas tintas na região, como a cabernet sauvignon, a malbec, a petit verdot e a tempranillo.

“Passarinho que se debruça – o vôo já está pronto”

“O sudeste é a nova fronteira do vinho fino do Brasil”, aposta Murillo, citando outros empreendimentos que estão aguardando aprovação para lançar suas garrafas no mercado ou em fase de experimentação. Ele cita projetos em Espírito Santo do Pinhal, Três Pontas, Varginha e Itubi e empreendimentos no estado de São Paulo.

Os planos da Vinícola Estrada Real é chegar  2016 com uma produção de 35.000 a 40.000 garrafas por ano. As 10.000 garrafas atuais de syrah devem dobrar de produção até lá.

Três hectares de chardonnay fornecerão matéria-prima para a elaboração de um blanc de blanc extra brut que passará 24 meses em contato com as leveduras – e aqui não existe a necessidade de alterar o ciclo das vinhas. Além disso devem ser lançados 6.000 garrafas de sauvignon blanc e mais 4.000 de rosé de Syrah.

Esta nova fronteira tem um público-alvo. Os turistas das cidades históricas mineiras, que poderão combinar a gastronomia local com o vinho da região e o próprio Sudeste. O maior mercado atual do Primeira Estrada é o Rio de Janeiro

“Sentei em mesa com o Neco, bebi vinho, almocei…’’ “Sua alta opinião compõe minha valia”

Provar um vinho de uma região nova e sem tradição vinícola pode despertar tanto curiosidade como preconceito. Por isso levei uma garrafa de Primeira Estrada coberta por papel alumínio e dividi entre um grupo de uma confraria.

Taça cheia, pedi a opinião de todos. Era também meu primeiro contato com o vinho.

Meio desconfiados todos trataram de girar a taça, enfiar o nariz e jogar o vinho para a boca. “O que é?”, perguntavam. “Mostro no final”, mantinha o suspense. E então aquele grupo que está acostumado a beber do bom e do melhor, e tem um vasto repertório, foi unânime em afirmar no primeiro contato que era um vinho agradável, sem defeitos. Prometia mais nos aromas do que entregava na boca, mas tinha como bom destaque a acidez. Ninguém conseguiu identificar a uva, vários países foram sugeridos, incluindo o Brasil.

Aí eu mostrei o rótulo, que foi comemorado pelo ineditismo – enófilos adoram novidades –  e continuamos provando o Primeira Estrada junto a outros rótulos de vários países, sem preconceitos.

Na opinião do Blog do Vinho, Primeira Estrada Syrah 2010 é uma boa surpresa, guardei em casa um tanto que sobrou na garrafa e provei mais tarde. Concordo com meus colegas que o nariz mostra uma superioridade em relação à boca que tem um primeiro impacto mais diluído. O final de boca, no entanto, revela uma fruta mais persistente e um toque de especiarias típica da syrah, mas não tão evidente assim que identifique a uva. A boa acidez é um destaque positivo que equilibra bem o álcool. O caldo repousou 1 ano em barricas novas francesas (70%) e americanas (30%). Outro um ano o vinho passou depurando na garrafa. O que revela todo um cuidado na elaboração desta primeira safra. Vinho mineiro, comida idem. Acompanhou com respeito uma linguicinha na grelha.

Segundo Murillo a safra de 2011 terá um salto do teor alcoólico de 13,5 para 15º. E antes que os apóstolos do teor alcóolico mais baixo se manifestem, ele garante que a elevada acidez da uva equilibra estes extremos.

“Tudo é e não é”

Mas aí tem de comentar o preço. O calcanhar-de-aquiles de toda experiência inovadora ou de qualidade do vinho nacional. Um discussão que por si só renderia uma centena de posts.

O Primeira Estrada Syrah 2010 é vendido ao consumidor final a 78 reais a garrafa – em um restaurante deve passar da casa dos 100 reais.

Mas por este valor não se encontram vários rótulos nacionais,  argentinos, chilenos e mesmo portugueses de qualidade comprovada e maior tradição?

Sim.

Mas nenhum deles é produzido em Minas Gerais, uai.

Primeira Estrada Syrah 2010

Produtor: Vinícola Estrada Real

Região: Fazenda da Fé, Três Corações, Minas Gerais

Produção: 10.000 garrafas

Álcool: 13,5º

Preço: R$ 78,00

“Viver é perigoso”

Obs: todas as aspas citadas neste texto foram extraídas do romance Grande Sertão: Veredas, do escritor mineiro Guimarães Rosa.

Obs2: antes que algum literato aponte a contradição, este colunista tem noção que a história de Riobaldo e Diadorim não transcorre na região de Três Corações, e sim no Norte de Minas Gerais.


Uma homenagem

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quarta-feira, 8 de maio de 2013 Blog do vinho | 09:30

Como escolher o vinho certo para a sua mãe

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Presente para o dia das mães. Perfume? Sapato? Bijuteria? Roupa? Outra vez? Liquidificador, batedeira,  microondas? Nem pensar, é o dia das mães e não da casa da mãe. Ô pensamento machista! Por que não um vinho? Parece presente do dias dos pais? Machista de novo. Só é válido se você ainda vive no século passado, em que um Muro de Berlim separava os homens das mulheres nas festas de casa (as mães na sala e os pais em volta da mesa), nos cargos nas empresas e até na escolha dos presentes (bebidas para eles, perfumes e enfeites para elas).

As mulheres bebem – e muito – vinho. São a maioria em cursos de vinho, selecionam cartas de vinhos de restaurantes, são enólogas famosas, jornalistas especializadas e brindam com suas amigas e amigos com tintos, brancos, espumantes e fortificados tanto quanto os homens: para fechar negócios, para comemorar uma data, para engatar um relacionamento ou apenas por prazer. E mais do que tudo isso, também decidem na boca do caixa qual vinho comprar.

Partindo do princípio que sua mãe é uma mulher, e uma mulher de seu tempo, resta agora descobrir qual o vinho que se encaixa com seu gosto ou sua personalidade. Assim como o Blog do Vinho sugeriu o vinho ideal para seu pai, aqui  vão as dicas para escolher o vinho certo para cada tipo de mãe.

Para todas as mães

Vamos começar por um tipo de vinho que agrada toda mulher: o espumante. As borbulhas são um acerto para todo tipo de mãe. Espumante, champanhe, cava, o que for, é o espírito da bebida, de celebração, que combina com a sua, com a minha, com todas as mães. Se a grana está mais curta, há ótimos espumantes nacionais (Cave Geisse, Salton, Miolo, Casa Valduga, Aurora, Chandon), se sobrou mais grana este mês e você quer agradar a progenitora, o mercado está repleto de champanhes com certificação de qualidade ou cavas com origem de procedência, como a Raventòs, Codorníu e Freixenet.

Para a mãe alternativa

Sua mãe é daqueles que ainda usam uns colares meio estranhos, umas batas coloridas, calças largas de algodão cru e recentemente tatuou uma mandala no punho? Talvez defenda a volta à simplicidade dos campos e apoia qualquer compromisso ambiental e… não fale agora que está na hora da meditação. Vinho não é só bebida, também é alimento natural e pode ser produzido e elaborado sem aditivos químicos, livre da contaminação de pesticidas e sem passar por processos de filtragens ou de qualquer maquiagem. Trata-se de uma agricultura orgânica que respeita o ecossistema. Os vinhos biodinâmicos radicalizam ainda mais a proposta e acreditam na influência das forças cósmicas no processo. Sua mãe terá em um vinho biodinâmico a expressão de sua  filosofia de vida em forma líquida. Os bios são mais puros, uma fruta mais franca, às vezes mais rústicos, mas sempre originais. Você encontra vinhos biodinâmicos de vários países, mas os exemplares mais representativos estão na Europa, em especial na região da Alsácia, na França.

Para a mãe que está começando a se interessar por vinhos

Mamãe começou a se interessar por vinhos. Dizem até que é leitora assídua deste Blog, consulta as cartas de vinho dos restaurantes, fez um curso na ABS de sua cidade, na loja de vinhos e já sabe diferenciar um cabernet sauvignon de um pinot noir. Está esperando o quê? Ele quer mais é ganhar um vinho neste dia das mães para poder exercitar seus novos conhecimentos. A dica aqui é partir para vinhos de preço médio (até 60 reais), que já trazem a tipicidade da uva, a origem de sua região e aromas e sabores mais reconhecíveis. Vinhos da Argentina, Chile, Brasil, Uruguai e até Portugal podem resolver a parada. Procure aquelas vinícolas mais conhecidas, que se não vão surpreender pelo menos vão decepcionar.

Para a mãe conhecedora de vinho

O que parece óbvio – mamãe curte e entende de vinho, vamos dar uma garrafa de presente – nem sempre é fácil. Mãe é mãe e qualquer vinho argentino barato de supermercado – seleção reserva especial do sommelier, por exemplo – será recebido com um amplo sorriso. O mesmo, aliás, que ela usa ao cumprimentar o seu companheiro ou companheira no primeiro encontro. Mas provavelmente não vai usar nem para molho. Vamos ser realistas. Você dispõe de algum dinheiro a mais? Quer gastar menos de 150 reais no vinho? Provavelmente não vai agradar. Dá uma espiada na adega materna, ali há dicas preciosas do tipo de vinho que ela aprecia. Se o padrão for muito alto, esqueça o vinho e parta para um produto relacionado. Um bom livro sobre o tema ou um decanter bacana não vão fazer feio. Mas não vá escolher um daqueles livros com 100 dicas nerds para começar a beber vinho, certo?

Para a mãe superprotetora

É quase um pleonasmo, não? Todas elas são de alguma forma superprotetoras, principalmente as dos tipo anedotários, como as mães judias, as italianas, as do interior e até as armênias de novela. Elas são superlativas em tudo, na preocupação, no carinho, no sofrimento e principalmente na comida. E para harmonizar alimentação em quantidade com vinho em profusão uma boa indicação é uma embalagem de maior volume e preço reduzido. Um bag-in-box – aquelas embalagens de 3 e 6 litros, com um revestimento que preserva o vinho e uma torneira que libera a bebida – é a melhor pedida. Ainda não é muito comum no Brasil – na Austrália seu uso é corriqueiro para o vinho do dia-a-dia – mas há exemplares nacionais (Alto Vale, Dal Pizzol, Casa Valduga, Dom Candido, Miolo), portugueses (Paulo Laureano) e claro australianos (Banrock Station) à venda.

Para a mãe empreendedora

Sua mãe é um símbolo da mulher moderna, o tipo que chegou ao topo das empresas, que se arriscou em carreiras estressantes e que fica dividida entre a família e os negócios. Enfim, é uma negociadora por excelência e uma tomadora de decisões. Ela decide, inclusive, o vinho em um almoço de negócios. Acho que não erra muito quem escolher dois tipos distintos de tintos para este tipo de måe: um clássico da elegância e da finesse, um pinot noir 1er Cru da Borgonha; ou seu concorrente direto mais famoso, um representante dos grandes châteaux de Bordeaux, um  Grand Cru  de estilo potente e intenso.

Para a mãe que será mãe

Atenção maridos, vão se acostumando. Até uma certa idade quem compra o presente do dias das mães da sua mulher é você mesmo. Então, que tal começar agora, que o descendente está na barriga? Escolha um vinho do ano que agrade o casal e principalmente que tenha potencial de guarda. As lojas e os sites especializado saberão indicar. Guarde este vinho em local adequado e quando ela ou ele completar 18 anos, vocês poderão curtir juntos o vinho do ano do nascimento. E se você acha que dezoito anos é muito tempo, vai perceber daqui um tempo que passa voando…

Para a mãe dedicada aos filhos

Ela tinha uma carreira, um emprego e outros objetivos na vida mas resolveu se dedicar aos filhos. Amiga de todas as horas e confidente. Uma mãe 100% mãe. Se o conceito de mãe coragem era aquele da peça de Bertold Brecht, da mãe sofrida que perdia os filhos para a guerra, hoje em dia mãe coragem é aquela que assume o papel de mãe integral pelos filhos sem abandonar seu papel de mulher. Merece uma adega recheada, no mínimo um jogo completo (espumante-branco-tinto-sobremesa). Para começar um bom champanhe rosé, nos brancos um sauvignon blanc aromático da região de Casablanca, no Chile, e um chardonnay mais  com passagem em barrica de Mendoza, na Argentina. Para os tintos, um perfumado e potente touriga nacional do Douro, em Portugal e um merlot da Serra Gaúcha. Para finalizar com um late harvest (colheita tardia) que lembre mel e flores.

Para a mãe heavy metal

Já se sua mãe não abandonou a jaqueta de couro, tem um dragão vermelho tatuado no braço, usa um anel de caveira, curte toda banda alternativa e barulhenta que aparece no Youtube e tem um acesso de fúria quando ouve um sertanejo universitário, tem vinho para ela também. Sua mãe é heavy, merece um tinto idem. Nos Estados Unidos é mais fácil, há rótulos de bandas metal AC/DC, e varietais como o MotorHead Shiraz. Por aqui, mesmo com a carência de rótulos à caráter, sua mãe vai delirar com vinhos mais tânicos,  intensos, quase mastigáveis como um robusto cabernet sauvignon chileno, um shiraz/cabernet australiano, um  malbec bem alcoólico argentino e principalmente um tannat pedreira uruguaio, daqueles que seca a boca. Yeah!

Para a mãe que resolveu sair do armário

Sua mãe começou a dar sinais que aquela amizade com a colega do curso de vinhos era mais intensa que os aromas de um Borgonha e tinha uma pegada mais forte que um Porto Vintage. Vive esgoelando no chuveiro “O canto desta cidade sou euuuu” e finalmente resolveu assumir sua sexualidade plena. Pode ser difícil para você, ou não, depende até da educação que sua própria mãe lhe deu. Mas ela merece um brinde por sua coragem, não? Eu entraria no clima e escolheria um vinho menos usual, de regiões pouco  conhecidas, elaborados com uvas nativas, para celebrar a diversidade também na escolha das uvas. Vinhos da Córsega de uvas autóctones como sciaccarella, niellucciu, ou da Eslovênia, como o branco ribolla gialla ou o tinto da Croácia da uva plavac mali. E viva a diversidade!

Para a mãe que já é avó, para a minha mãe

Vinho do Porto? Que bom, benzinho!

Sua mãe já é avó, já viu de tudo, a idade lhe trouxe a bagagem de uma vida e também algumas limitações que ela enfrenta com sabedoria – e paciência. Se sua mãe é igual à minha, ela sempre tem uma visão otimista da vida, um sorriso nos lábios e uma fé inabalável nas pessoas. Minha mãe. Maria do Rosário, tem 85 anos e, claro, adora um vinhozinho. Tem uma queda pelos fortificados, os portos em especial. Traz lembrança de seu pai – o vinho do Porto já foi muito consumido no Brasil República -, adoça o paladar e esquenta um pouco a alma. É quase um “confortwine”, que acolhe e alegra. Sua visão altruísta é tão forte que se a taça de Porto for derrubada ela prontamente terá duas respostas prontas, precididas de um expressão Poliana “Que bom, benzinho”: a) se era a última dose, era um sinal que estava na hora de parar de beber; b) se há mais Porto na garrafa, era por que estava na hora de reforçar a dose. Para sua mãe que já está na terceira idade e para minha mãe que é quase velhinha (como ela diz), o vinho perfeito é o Porto, nas suas versões Ruby, Tawny e Vintage. Pois qualquer que seja sua mãe, igual à minha – ou totalmente diferente –  ela sempre será uma influência que definirá sua existência e merece um brinde no dia das mães, e em todos os outros dias.

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quarta-feira, 24 de abril de 2013 Degustação, Espumantes, Nacionais, Novo Mundo, Porto, Rosé, Tintos, Velho Mundo | 09:00

Os homens que cospem vinho elegem os onze melhores vinhos da ExpoVinis 2013

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Onde foi parar todo mundo?

Um incauto que invadir uma sala de degustações de um concurso de vinho após uma prova vai deparar com uma visão parecida com a da foto ao lado. Inúmeras taças com bons mililitros de vinho e baldes cheios da bebida. Se tiver a oportunidade de observar, momentos antes, os jurados provando os tintos, brancos, espumantes e fortificados acompanhará um festival de giradas de taça, fungadas, bochechos, caretas de desagrado alternadas com suspiros de aprovação, e finalmente cusparadas leves e elegantes (se é que isso é possível) do vinho em copos de plástico que em seguida serão entornados em baldes maiores. Qual o pensamento que passará por sua cabeça? “Este povo não gosta de vinho!” Na verdade, estão em pleno trabalho Os Homens que Cospem Vinho e sua função nesta sala é escolher os dez melhores vinhos da ExpoVinis 2013– 16º edição da feira mais importante de vinho da América Latina -, no tradicional concurso Top Ten, que tenho a honra de ser convidado pelo sexto ano como jurado (perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem…).

E eles (nós) não bebem todo aquele vinho disponível por um motivo muito simples: são 224 amostras em dois dias, ninguém sobreviveria para contar o final da história. Os doze jurados se reúnem para escolher um vinho de consenso que vai para o trono de cada uma das dez categorias do concurso. Este consenso é resultado das anotações e notas de todos os jurados que somadas chegam a uma média ponderada e ao fermentado campeão.

Este ano os organizadores decidiram dar mais espaço ao vinho nacional e dividiram a categoria “Tintos Nacionais” em duas: os representantes da “Serra Gaúcha”, que produzem cerca de 80% dos tintos do país, e “Outras Regiões”, fruto do potencial de novas áreas vinícolas do Brasil. O Top Ten de 2013, por uma questão de empate na categoria Velho Mundo, acabou elegendo onze vinhos. Abaixo a lista dos vencedores em cada categoria.

Os campeões: 11 vinhos, 12 jurados e nenhum segredo

Vencedores do TOP Ten 2013

ESPUMANTE NACIONAL – total de 13 amostras

Villaggio Grando Espumante Brut Rosé 2012

Região: Água Doce, Santa Catarina

Uvas: pinot noir e merlot

ESPUMANTE IMPORTADO – total de 11 amostras

Aida Maria Rosé Brut Reserva 2007

Região: Douro, Portugal

Uva: touriga nacional

BRANCO NACIONAL – total de 19 amostras

Da’divas Chardonnay 2012, Lidio Carraro

Região: Terras da Encruzilhada do Sul, Rio Grande do Sul

Uva: chardonnay

BRANCO IMPORTADO – total de 30 amostras

Casas Del Bosque Sauvignon Blanc Reserva 2001

Região: Casablanca, Chile

Uva: sauvignon blanc

TINTO NACIONAL  SERRA GAÚCHA – total de 15 amostras

Perini Quatro 2009

Região: Vale do Trentino, Rio Grande do Sul

Uvas: cabernet sauvignon, merlot, tannat, ancellotta

TINTO NACIONAL OUTRAS REGIÕES – total de 14 amostras

Pericó Basaltino Pinot Noir 2012

Região: São Joaquim, Santa Catarina

Uva: pinot noir

ROSÉ – total de 6 amostras

Maquis Rosé 2012

Vale Aconchágua, Chile

Uva: malbec

TINTOS NOVO MUNDO – total de 32 amostras

Vistalba Corte A 2009

Região: Mendoza, Argentina

Uvas: cabernet sauvignon, malbec

TINTO VELHO MUNDO – total de 70 amostras

Santa Vitoria Grande Reserva 2008

Região: Alentejo, Portugal

Uvas: touriga nacional, cabernet sauvignon,  syrah

Sacagliola Sansì Selezione Barbera d’Asti 2009

Região: Piemonte, Itália

Uva: Barbera

DOCES E FORTIFICADOS – total de 14 amostras

Quinta Do Noval Porto Tawny 40 Anos

Região: Porto, Portugal

Uvas: tinta barroca, tinta roriz, touriga francesa, touriga nacional

Todos os vinhos estão expostos na ExpoVinis 2013, que vai abrigar mais de 400 expositores nos dias 24, 25 e 26 de abril no pavilhão azul da Expo Center Norte em São Paulo (veja ficha abaixo)

O nomes dos culpados pela eleição dos onze vinhos acima

Presidentes de mesa

Hector Riquelme – sommelier chileno

Mario Telles Jr –  ABS-SP

Jurados

Jorge Carrara – Prazeres da Mesa

Marcio Pinto – consultor e ABS-MG

Celito  Guerra – Embrapa

Beto Gerosa – Blog do Vinho

Gustavo Andrade de Paulo – ABS-SP

José Luiz Paligliari – Senac

Ricardo Farias – Sbav Rio de Janeiro

José Luis Borges – ABS-SP

Diego Arrebolla  – sommelier grupo Pobre Juan

Manoel Beato – sommelier grupo Fasano

Leia também: Como funcionam as degustações nos concursos

Todas as cores

E os vinhos eram bons?

Quando o painel é tão diverso e com tantas categorias a qualidade varia na mesma proporção do volume oferecido. Vale lembrar que o concurso é sempre às cegas, não sabemos o que estamos bebendo, apenas a categoria. Há grandes disputas entre bons vinhos que se afunilam numa espécie de tira-teima entre os melhores, há categorias que um rótulo se sobressai sobre os demais dada a sua superioridade – um Tawny 40 anos por exemplo é uma covardia – e outras que a média é muito parecida. Em Tintos do Novo Mundo, por exemplo, haviam exemplares com taninos (aquela sensação de adstringência que seca a boca mas é importante na estrutura e envelhecimento dos vinhos) tão agressivos que quase saí da sala e fui abrir um Boletim de Ocorrência. Claro, eram mais de 30 amostras, aparece de tudo. Os tintos nacionais apresentaram uma boa média e sempre surgem novos rótulos que acabam surpreendendo. Estas descobertas são uma das belezas de participar de um concurso desses. Curiosa superioridade dos espumantes rosés no resultado final. Eu gostei da escolha! Os brancos são menos prestigiados pelos produtores e poucos rótulos são enviados, o que prejudica a avaliação. Ah, importante, cada expositor tem direito a enviar dois vinhos na categoria que escolher. São estes os vinhos avaliados e não todos os vinhos da Expovinis, obviamente.

A prova acabou, mas sobrou vinho na taça

Mas dá para avaliar um vinho sem engolir?

Sobre a quantidade de vinho servida para o teste:

Aconselha-se a colocar na boca um volume pequeno de vinho, de cerca de 6 a 10 mililitros. (…) O volume utilizado deve ser sempre o mesmo para cada vinho, caso contrário torna-se impossível qualquer comparação rigorosa. (…) O copo de degustação deve ser simples, com capacidade de cerca de 200 mililitros, sem floreios, de paredes finas, sem cheiro de guardanapo nem de pano de prato. O copo normatizado pelo INAO-AFNOR e suas variantes é muito apropriado. O líquido a um terço de sua capacidade permite leve agitação necessária para liberar as moléculas odoríferas do vinho

Sobre cuspir o vinho nas degustações

Geralmente o degustador, ao longo dos exercícios profissionais, cospe o mais completamente possível o trago de vinho. Não é que a degustação seja melhor quando o vinho é expelido, ao contrário, aliás. Mas, evidentemente, seria impossível para o provador beber sem prejuízo alguns tragos dos dez ou trinta vinhos que frequentemente ele degusta numa mesma seção (…) Algumas pessoas estão convictas de que, se não engolirem, não terão nenhuma sensação; situam na “garganta” o centro da degustação por que, na verdade, elas engolem diretamente mas não degustam.

SERVIÇO

ExpoVinis 2013 – site oficial

DATA
24, 25 e 26 de Abril de 2013

LOCAL
Expo Center Norte – Pavilhão Azul
São Paulo – SP – Brasi

HORÁRIOS
24 de Abril
Profissional → 13h às 21h

25 de Abril
Profissional → 13h às 21h
Consumidor → 17h às 21h

26 de Abril
Profissional → 13h às 20h
Consumidor → 17h às 20h

PREÇOS

Entrada com direito a uma taça de cristal: R$ 70,00 (Valor de 3º lote)
Entrada estudante sem taça: R$ 35,00 (Valor de 3º lote)
Taça Avulso: R$ 30,00

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 Sem categoria, Tintos | 15:49

Vinhos tintos que combinam com o verão

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O terceiro círculo do Inferno de Dante Alighieri, do poema épico A Divina Comédia, é destinado aos gulosos. Apesar de não fazer parte da narração imagino que uma boa representação do inferno é uma garrafa de vinho tinto potente argentino, ou americano, bem alcoólico e de preferência quente, em meio a labaredas crepitantes e abundantes. Ou transpondo o cenário para os trópicos: o mesmo rubro bem concentrado, quase mastigável, numa taça de vidro servido embaixo de um guarda-sol na praia sob um calor escaldante do meio-dia. O inferno, aqui, não são os outros, são as escolhas erradas. No popular: tudo tem seu lugar e hora. E a última coisa que passa na cabeça e pela garganta de alguém que curte um vinho é escolher um tinto austero,  e bebê-lo quente num ambiente tórrido. Sauna e vinho tinto não combinam. Mas isso não significa também que vinho tinto e verão são como Joaquim Barbosa e José Dirceu, ou seja, incompatíveis.

O senso comum dos enófilos aponta para as garrafas de vinhos brancos, rosés e espumantes para os dias quentes. Sem dúvida. É a indicação mais óbvia. Mas a proposta aqui é pensar “fora da garrafa”. Uma enquete do iG provocou os leitores do portal a escolher “a bebida do verão”, em múltipla escolha, em tempo real. O vinho branco foi o lanterninha – a água de coco e a cerveja tomaram a dianteira, bem à frente da caipirinha.  A propósito, todo produtor e enólogo estrangeiro que vem ao Brasil – e eles são doidos para entornar todas as caipirinhas possíveis… – me pergunta por que um país tropical bebe tão pouco vinho branco? E eu sempre respondo: por que países quentes preferem bebidas, e comidas, quentes.

O tema aqui, é bom ficar claro, é bem específico: trata-se do desafio de beber vinho tinto na praia, sob o sol, no almoço na casa de campo, no fim de semana com a família rodeado de todos os modelos de ventilador resgatados do armário ou adquiridos às pressas nos grandes magazines ligados no máximo para amenizar o calor. Em ambientes controlados – com ar refrigerado no máximo –  tanto faz estar no Alaska em companhia da Sarah Palin sorvendo um opulento californiano ou em Trancoso com o Bell Marques, do Chiclete com Banana,  compartilhando um alentejano de 15 graus de álcool que o calor lá fora pouco importa (para quem não sabe, Bell é um bom conhecedor de vinhos e casado com a proprietária da importadora de vinhos, Anna Import, da Bahia).

Beaujolais, a grande pedida

Mas existem alternativas de vinhos tintos para o verão? Sim, há clássicos do gênero.  Os tintos elaborados com a uva gamay, os beaujolais da vida (tanto os Nouveau quanto os Villages), são imbatíveis  nesta categoria. São a tradução do frescor na boca e delicadeza de aromas nos tintos. O beaujolais se distingue dos demais caldos pelo processo de elaboração. Ao contrário da maioria dos vinhos, sua vinificação (e fermentação) não se dá pelo esmagamento das uvas, mas sim no interior da fruta. Este processo é conhecido como maceração carbônica. Funciona assim: os cachos das uvas são colocadas inteiros em um tanque sem oxigênio mas saturado de gás carbônico. As uvas da parte inferior do tanque são esmagadas pelas de cima e liberam seu mosto. Este suco inicia a fermentação e gera mais gás carbônico.  A ausência de oxigênio no tanque produz a chamada fermentação intracelular, no interior dos grãos. A fermentação – transformação do açúcar em álcool – é feito portanto pelas enzimas no próprio interior da fruta e não pelas leveduras presentes no ambiente. E daí? Daí que este tipo de maceração carbônica – onde a uva não é prensada – se traduz em vinhos jovens, de cor mais clara e estrutura mais delicada e bastante aromáticos. A gamay desenvolve, principalmente no Beaujolais Noveau, aromas de rosas, frutas frescas e – podem acreditar, sem bufar um “Essa não!” – traços nítidos de banana. É cheirar para crer!

Também produzem caldos refrescantes e indicados para o verão pinot noirs mais simples sem passagem pela madeira, blends de carignan, cinsault, syrah e até cabernets francs de determinadas zonas mais frias. As italianas barbera, dolcetto e alguns vinhos Chianti de boa acidez também são boa solução. Há quem aposte em tempranillo espanhóis do tipo jovem, sem envelhecimento em barricas.

Saem de cena os tintos fechados, potentes, com frutas muito maduras, amadeirados e alcóolicos (14, 14,5, 15 graus!) e entram na ribalta os tintos menos alcoólicos, jovens, leves, frutados e sem estágio em barricas de madeira. Não são caldos que ostentam medalhas, pontuações acima dos 95 pontos e no geral tem preços mais modestos. São vinhos para desfrutar sem compromisso, ou melhor, apenas com o compromisso com o desfrute. Talvez não seja o vinho da sua vida, mas podem ser com certeza os vinhos tintos certos para embalar o seu  o verão.

Sugestões ViG (Vinhos indicados pelo Gerosa) de tintos para o verão

O Blog do Vinho propõe a lista de rótulos abaixo, que no geral entregam frescor, corpo médio, frutas frescas e boa acidez e como tradição aqui neste espaço já passaram pela taça deste escriba.

Beaujolais

País: França/Borgonha

Uva: gammay

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 54,00

Importador: WineBrands

Produtor: Joseph Drouhin 

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 75,00

Importador: Mistral

Produtor: Louis Latour

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 65,00

Importador: Aurora/Inovini

  • Pierre Ponnelle Beaujolais-Villages 2008

Produtor: Pierre Ponnelle

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 35,00

Importador: Santar

Produtor: Louis Jadot

País: França/Borgonha

Uva: gamay

Teor alcoólico:

R$: 76,00

Importador: Mistral

Produtor: Miolo

País: Brasil/ Campanha Gaúcha

Uva: gamay

Teor alcoólico: 12 graus

R$ 25,00

Vendas: Miolo

Outras uvas

Produtor: Domaines Perrin

País: França/Rhône

Uvas: carignan. cinsault. grenache noir e syrah

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 44,00

Importador: World Wine

Produtor: Domaines François Lurtton

País: França

Uva: pinot noir

Teor alcoólico: 13 graus

R$ 69,00

Importador: Zahil

Produtor: Domaine du Salvard

País: França/Vale do Loire

Uvas: cabernet franc, gamay e pinot noir

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 70,00

Importador: Decanter

Produtor: Quinta da Neve

País: Brasil/São Joaquim

Uva: pinot noir

Teor alcoólico: 12,5 graus

R$ 70,00
Vendas: Decanter

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011 Harmonização | 14:17

Peixe com vinho tinto: um casamento diferente que pode dar certo

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Em uma cena do filme Moscou contra 007 (From Russia with Love), James Bond (Sean Connery) é atacado por Red Grant  (Robert Shaw) com uma coronhada, após um jantar regado a vinho e peixe no vagão-restaurante de um trem. Durante a refeição 007 pede um blanc de blancs; seu oponente opta por um tinto (um chianti). Após recobrar a consciência, Bond mira seu adversário e recorda: “Vinho tinto e peixe.” E conclui seu raciocínio: “Isso diz muita coisa” (assista o trecho no vídeo acima).

Pois é, combinar vinho tinto com peixe não é um sintoma de mau-caratismo, mas para muita gente trata-se de um pecado mortal. Até James Bond desconfia de quem propõe tal harmonização… Para os ursos do cartum abaixo, para os homens que cospem vinho e para os xiitas de Baco não dúvida de que se trata de um crime de lesa-pátria, mas nem tudo é preto no branco quando se trata do gosto pessoal e das possibilidades do casamento entre vinho e comida.

Nem só no vinho branco nada o peixe

Não é novidade pra ninguém. Um dos mandamentos da harmonização estabelece que peixes e frutos do mar são servidos com variedades brancas (sauvignon blanc, chardonnay, sémillon, riesling, alvarinho, etc). Isso é fato, eu também prefiro – até com bacalhau, que dizem por aí que nem peixe é. A razão é simples: a combinação por peso. Vinhos leves combinam com pratos mais leves. As explicações mais científicas sobre o tema são enumeradas mais abaixo.

Mas se o cidadão gosta de peixe, aprecia a companhia de um vinho nas refeições mas não tolera as uvas brancas não merece a fama de vilão da harmonização. James Bond que me perdoe, mas há opções que  combinam um prato de peixe e talagadas de vinho tinto. O Blog do Vinho destaca algumas destas alternativas

Para peixes leves e grelhados

Já foi dito. Vinhos leves combinam com pratos mais leves. A mesma regra vale para tintos. Portanto, escolha tintos de baixo teor alcoólico (de preferência até 12,5o), taninos suaves (a sensação de adstringência que deixa a boca seca) e boa acidez.

Sugestões: os vinhos da uva pinot noir do Chile (principalmente da região de Leyda, do Limarí), da Nova Zelândia, da Argentina (destaque para os provenientes da fria Patagônia), dos Estados Unidos (aqueles produzidos na região de Oregon) e os clássicos tintos da região da Borgonha, na França (geralmente não vem destacado no rótulo a uva, mas sendo da Borgonha obrigatoriamente são feitos da uva pinot noir); gammay (tanto Beaujolais Nouveau francês, um vinho-evento, distribuído todo dia 18 de novembro em todo o mundo, bem leve e refrescante), além de suas versões nacionais de gammay da Miolo e Salton. Ainda na França, tintos mais leves, baixo teor alcoólico, frutados e pouco conhecidos no Brasil (e por isso mesmo não muito caros) da região de Chinon e do Loire.

Para pratos do mar mais pesados

Para os peixes mais gordurosos, como atum, salmão, e aqueles seres aquáticos de consistência mais forte, como lulas e lagostas, ou mesmo pratos regados a molhos mais potentes, os tintos podem ser um pouco mais estruturados, mas nunca aqueles blockbusters com muita madeira, explosão de frutas no nariz e quase doce na boca (bom, nunca é sempre um conselho muito forte quando o tema é gosto pessoal, mas a ideia é sempre tentar fundir melhor os dois sabores: do prato e da bebida, sem um sobrepor o outro).

Sugestões: os vinhos das uvas cabernet franc e merlot, o mesmo pinot noir acima, de preferência de regiões mais quentes, os italianos dolcetto d’alba, espanhois como  mencia e portugueses como baga são combinações possíveis.

E tem o bacalhau, né? Os portugueses, que têm Phd no tema, preferem com tintos do Douro, do Dão e do Alentejo. Veja a lista no link abaixo.

Bacalhau e vinho: tinto ou branco?

As razões para combinar peixe com vinho branco

Ok, os ursos, os homens que cospem vinho e os xiitas de baco às vezes são meio fundamentalistas do gosto. Mas também há razões cintíficas que corroboram suas verdades.

O fator tanino – é comum o alerta de que o vinho tinto produz um sabor metalizado quando combinado com peixes em geral. Este gosto metalizado, amargo,  é resultado, seguno o senso comum, da reação dos taninos com o iodo dos peixes (principalmente os de água salgada). Faça o teste do encontro de uma porção de peixe e um tinto robusto – no geral proporciona este travo amargo na boca.

O fator ferro – já um pesquisa realizada no Japão 2009 constatou outro responsável por esta sensação metalizada, o ferro. Entre várias amostras de tintos e brancos consumidos juntos a um prato de vieiras, aqueles que causavam maior alteração no paladar tinham uma alta concentração de ferro. Aqueles que harmonizavam melhor com o molusco apresentavam  um teor de ferro mais baixo. A quantidade de ferro presente no vinho depende de uma série de fatores, como o solo e a fermentação da bebida. Mas infelizmente esta graduação não é explicitada nos rótulos. Outra conclusão do estudo que reforça a ligação dos brancos com os peixes é o papel da elevada acidez destas uvas, que provoca uma reação química que reduz a quantidade de ferro  na combinação.

Resumo da ópera: os brancos são parceiros ideiais do peixes e frutos do mar, mas tintos leves também trazem alegria e possibilidades à mesa. Portanto, não se intimide ao propor um tinto com seu peixe preferido. A não ser que esteja na companhia de James Bond…

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terça-feira, 13 de setembro de 2011 Degustação, ViG | 18:27

9 dicas de vinhos brasileiros

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Nós viemos aqui para beber ou para conversar? Há leitores que reclamam que se fala muito de vinho neste espaço, mas há poucas dicas de rótulos. Para atender esta demanda de menos papo e mais garrafa aberta o Blog do Vinho estreia a seção ViG (Vinho indicado pelo Gerosa, este que vos escreve). O critério de escolha é uma mistura de curadoria e rede social: uma seleção dos vinhos que provo socialmente, ou avalio em degustações, e que indicaria para os meus amigos numa conversa informal, no facebook, no twitter.

Para a primeira lista dos ViG, selecionei 9 rótulos nacionais que provei recentemente e que merecem visitar a sua taça.

Por que começar os ViG pelos rótulos nacionais?

Por que não? Eu bebo sempre vinho nacional. E assim como acontece com vinhos de outros países, há os excelentes (mais raros), os bons, os médios e os fracos. Eu bebo rótulos nacionais, enfim, por que vivo no Brasil, gosto de vinho e mais ainda de variar – mas não por ideologia.

Tem aquele tipo esnobe, que surpreso com um bom vinho brasileiro sai logo se justificando: “Para um vinho nacional até que é bom”; há outros que defendem o fermentado brasileiro só pela sua certidão de nascimento e não pelas qualidades da bebida. Bobagem, preconceito é uma forma torta de avaliar o mundo. Nacionalismo é a forma tacanha de limitar o mundo ao seu quintal.

Aqui no Blog do Vinho o produto nacional é tratado como um fermentado de uva entre tantos outros. Sem desfraldar a bandeira e muitos menos com preconceito.

A qualificação do vinho brasileiro, aliás, foi impulsionada pela decisão do próprios produtores de melhorar o vinho fino e brigar de frente com a concorrência dos importados. Todo mundo ganha com isso.

9 ViG brasileiros  que valem a pena conhecer

ESPUMANTES

Sim, os espumantes nacionais, em especial, do Vale dos Vinhedos, já ganharam muitas medalhas nos concursos mundiais. Sim, nossa produção tem uma qualidade constante e um preço  acessível se comparado a espumantes e champanhes importados. Não, os espumantes indicados aqui não são os mais conhecidos. Mas se você gosta de borbulhas, merece experimentar os rótulos abaixo:


130 Valduga Brut
Casa Valduga
Preço médio: R$ 60,00

Este espumante da Casa Valduga é elaborado com as uvas chardonnay e pinot noir pelo método champenoise (ou tradicional), aquele que a segunda fermentação acontece na garrafa. E daí? Daí que este jeito de fazer espumante, que é o original, aporta mais sabor, elegância, cremosidade, borbulhas mais finas e consistentes e aquele aroma meio de pão torrado, de frutas secas e uma acidez que enche a boca. Um espumante verde-amarelo de classe. Um dos melhores que temos no país. Ah, e a garrafa é muito charmosa.

Don Giovanni Brut
Don Giovanni
Preço médio: R$ 42,00

A Dom Giovanni não é uma vinícola muito conhecida, fica na região de Pinto Bandeira, vizinha ao Vale dos Vinhedos, região de montanhas que está recebendo a Indicação de Procedência para seus rótulos. Este espumante, de série especial, também é elaborado com as cepas francesas tradicionais do champanhe, a chardonnay e a pinot noir. Antes de ser comercializado é envelhecido por 12 meses na garrafa o que o torna mais complexo, a espuma é espessa (o que é bacana para um espumante), a cor é mais dourada, aromas de maçã perceptíveis  e tem aquele tostadinho envolvente e uma boa  cremosidade na taça. O estilo está menos para o frescor da maioria dos espumantes nacionais e mais para a complexidade. Vale a pena conhecer.

Excellence Rosé Chandon
Chandon do Brasil
Preço médio: R$ 105,00

A subsidiária brasileira da Maison Moêt  & Chandon fincou raízes em Garibaldi, no Rio Grande do Sul,  em 1973. De lá para cá tornou-se sinônimo de espumante fino e de volume. Todos seus rótulos são elaborados pelo método charmat – segunda fermentação em toneis de alumínio -, pois a filosofia do grupo está mais baseada na qualidade do vinho-base. O Excellence Brut exibia até 2010 o troféu solitário de  top de linha da empresa. No ano passado o rosé da linha Excellence foi finalmente lançado (a primeira leva teve apenas 5.000 garrafas produzidas) e hoje em dia é, de longe, o espumante rosé mais apurado, elegante, complexo e saboroso no mercado. A pinot noir predomina (74%), mas a chardonnay (26%) também participa da festa. Tem volume, persistência longa, aromas frutados de morangos e toques de torrefação que amarrados a uma excelente acidez convidam a um novo gole. Como nem tudo é perfeito, também é um dos espumantes  mais caros do país. Se quiser uma opção mais barata de borbulhas rosé para festas, o caminho é o sempre correto Poética, da Salton (R$ 25,00).

TINTOS

Tinto é o vinho de preferência do consumidor brasileiro e mundial. E aqui a produção nacional também vem evoluindo ano a ano. Se na Argentina brilha a malbec, no Chile a carmenère e no Uruguai a tannat, qual a uva tinta que representa o Brasil? Há quem aposte na merlot, outros na revalorização da cabernet franc, que já dominou nossos vinhedos no passado. O curioso é que a cabernet sauvignon, menos citada, é uva presente nos vinhos topo de linha das principais vinícolas. Abaixo há indicações para todos os gostos – e uvas.


Quinta do Seival Cabernet Sauvignon 2006
Seival Estate (Miolo)
Preço médio: R$ 50,00

Este tinto do projeto Seival Estate, da Miolo Wine Group (apesar do nome, é nacional, ok?), é proveniente de vinhedos da Fortaleza do Seival, no município de Candiota, ali nas franjas do Uruguai. Da linha Quinta do Seival eu sempre preferi o Castas Portuguesas (touriga nacional, alfrocheiro e tinta roriz). Mas nesta safra de 2006 o cabernet sauvignon surpreendeu. Um tinto potente sem ser bronco, gostoso no nariz, aquelas frutas vermelhas com um pouco de madeira, e bem amplo na boca, saboroso e bem macio. Nasceu no ponto para ser bebido.

Salton Desejo Merlot 2007
Salton
Preço médio: R$ 60,00

“O merlot brasileiro está entre os melhores do mundo, o potencial é até maior do que do merlot da argentina e do Chile “ A frase acima é de Michel Rolland, o homem por trás de mais de cem vinícolas ao redor do mundo e que presta seus serviços de consultoria no Brasil para a Miolo. Se Monsieur Rolland defende esta tese, quem sou eu para discordar? Há rótulos bacanas, com Storia, da Casa Valduga, de vinhedos de mais de 10 anos, o Miolo Terroir (que paga o salário de Rolland no Brasil), o DNA da Pizzato, o Grand Reserva Merlot, da Boscato entre outros. Mas o merlot ViG é o Desejo, da gigante Salton. Já cometi uma prova às cegas com todos os grandes rótulos de merlot brasileiros citados e meu veredicto se manteve o mesmo da degustação às claras. O merlot do enólogo Lucindo Copat é um conforto para o paladar. Fruta madura presente no nariz, madeira integrada com o vinho, uma ponta achocolatada e macio que dá gosto. Não é cerveja, mas desce redondo.

Angheben  Pinot Noir 2008
Angheben
Preço médio: R$ 33,00

Pinot noir brasileiro! Tá brincando, né? Não, é uma indicação sincera. Aceitei a recomendação de um vendedor de uma loja em Bento Gonçalves e arrisquei. Conhecia – e aprecio – o Barbera da Angheben, Abri desconfiado em casa e fui feliz. Primeira boa surpresa, teor alcoólico de 12,7. Tem aquela cor mais translúcida da pinot. Vinho leve, aromas frescos, delicado, sem passagem por madeira e com uma fruta gostosa. Despretensiosa tipicidade da pinot noir. Abrir, tomar e curtir. E cabe bem no bolso.

Pequenas Partilhas 2009 Cabernet Franc
Vinícola Aurora
Preço médio: R$ 35,00

A Cooperativa Aurora trata com igual respeito desde o vinho de garrafão até o vinho fino. Mais de 1000 famílias produzem e vendem as uvas para a cooperativa que seleciona as frutas para as mais variadas linhas de produto. Paula Guerra Schenato, uma das quinze enólogas da vinícola, é didática: “Fazemos os vinhos para o nosso consumidor”. Entre os rótulos da Aurora uma agradável surpresa é o Pequenas Partilhas Cabernet Franc. A série só é elaborada quando a variedade atinge níveis desejados de qualidade. A cabernet franc já foi predominante no Brasil e é a terceira uva tinta mais importante de Bordeaux (Pommerol e Saint Emilion). É mais leve e com menos taninos que a cabernet sauvignon e amadurece mais cedo – o que é uma vantagem numa região de chuvas constantes na época da colheita. O resultado é um vinho macio, de corpo médio e com uma  baunilha herdada dos 5 meses de barrica. Um tinto gostoso e diferente que não fica brigando com a comida.

Elos Touriga Nacional e Tannat 2008
Lídio Carraro
Preço médio: 82,00

A Lidio Carraro, vinícola pequena e familiar (também atende por vinícola-boutique), veio ao mundo com algumas características: a) não usar madeira na evolução de seus caldos. “A madeira não piora o vinho, mas não seria a identidade do meu vinho”, explica Patrícia Carraro, representante de sangue da empresa; b) pelo marketing do terroir, quando ainda não era comum no Brasil a defesa da importância da terra e do clima e C) pelo posicionamento premium dos seus vinhos com preços mais altos que a concorrência. Seus rótulos recebem críticas ácidas de alguns e aplausos de outros. Na minha opinião são muito diferentes da média nacional, há um cuidado e uma proposta diferenciada, uma tipicidade que merece ser provada. Provocada com a questão: “Por que 0 consumidor deveria provar seus caldos?”, Patrícia Carraro responde de forma conceitual: “Por que há uma verdade em nossos vinhos”, pontifica.

O Elos touriga nacional/tannat tem origem nas uvas cultivadas em Encruzilhada do Sul, no Rio Grande do Sul, uma região que está mudando o perfil de alguns vinhos brasileiros. Trata-se de um corte de 77% touriga nacional e 22% tannat. A mistura de duas uvas com perfis bem diferentes dá certo. É o “vinho estilo rosa”, o casamento  do perfume da touriga com a rusticidade espinhosa da tannat, resultando num caldo maduro, intenso, floral no primeiro impacto, de final prolongado na boca e com um tostado curioso – já que não passa por madeira.

BRANCO

Só um branco ViG? Desta vez, sim. A escolha aqui foi pelo inusitado. Para fugir da mesmice dos chardonnays (em geral com muita madeira),  selecionei uma uva branca pouco divulgada no Brasil.


RAR Collezione Viognier 2010
Miolo
Preço médio: R$ 58,00

A viognier não é uma uva branca comum de se encontrar engarrafada no Brasil. Este empreendimento do empresário Anselmo Randon (mais conhecido pelas carrocerias de caminhão), supervisionado pela Miolo, tem vinhedos plantados na região de Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul. Uma das características da região é sua altitude (1.000 metros) o que favorece o cultivo de uvas brancas e da tinta pinot noir. O intenso floral dribla a armadilha do toque meio enjoativo e doce de alguns brancos da uva viognier e mostra um aroma mais equilibrado. Na degustação tem uma boa acidez e intensidade, uma certa cremosidade, pois passa um ano sobre borras em barrica de carvalho (acontece o seguinte, as borras vão aportando aromas, sabores e a tal cremosidade neste vinho branco). Um aperitivo e tanto, um branco de classe e elegância para ser bebido jovem. Surpresa total.

Sua indicação

O objetivo dos ViG, vinho indicado pelo Gerosa, não é encerrar um tema, pelo contrário, trata-se de iniciar uma discussão. Indique os seu rótulos preferidos na seção de comentários, assim a lista fica mais rica e variada.

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