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terça-feira, 26 de setembro de 2017 Porto, Velho Mundo | 13:24

Um vinho do Porto de 1888 celebra os 300 anos da Quinta do Vallado

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Porto ABF1888 garrafa 132 de 132 anos: um privilégio

Porto ABF 1888, a garrafa número 132 de 132 anos: Very, very old Port!

Qual o gosto do tempo? Depende, eu arriscaria. Há o tempo pessoal e o histórico. No clássico Em Busca de um Tempo Perdido, de Marcel Proust, as já manjadas madeleines remetem o narrador principal a uma lembrança de infância. É a medida do tempo pessoal que acessa o gatilho que remete ao título do livro e que, em nossas vidas mundanas, tem o potencial de reviver memórias vividas. Diante de um vinho do Porto de 1888, o tempo é histórico – não há uma ligação pessoal -, é preciso então afinar os sensores gustativos  para desfrutar com atenção a bebida no presente. Provar um líquido elaborado há 132 anos é, antes de mais nada, um privilégio. Mas, acima de tudo, é um ato de respeito ao passado. É o tema deste post.

300 anos de Vallado, 132 de vinho

A Quinta do Vallado, encravada no inebriante cenário do Douro, às margens do rio Corgo, comemorou 300 anos em 2016. Está associada à lendária Dona Antónia Adelaide Ferreira, celebrada no pórtico de entrada da propriedade. Para celebrar a data a Quinta produziu 300  garrafas de 750 ml do Quinta do Vallado ABF 1888, um vinho do Porto especialíssimo que vem acompanhado de um decanter de cristal produzido artesanalmente. O decanter é uma réplica daquele usado em 1830 por Antonio Bernardo Ferreira, que adquiriu o Vallado em 1818, em recepção ao príncipe alemão Frederico De Hesse. Todo este mimo é devidamente embalado numa caixa especial de madeira entalhada em Nogueira ao preço de 3.200 euros. Curtiu? Tem o numerário disponível? Pode ser seu, basta encomendar seu estojo pela importadora PPS, responsável pelos tintos, brancos e portos do Vallado no Brasil.

Qual o gosto do tempo?

João Ferreira, o Ferreira da vez que comanda o Vallado, esteve no Brasil com uma garrafa do ABF debaixo do braço. João Ferreira é parte do grupo  que ficou conhecido  como Douro Boys, que reúne 5 produtores da região com vinhos de qualidade e grande potencial. A garrafa, acomodada em seu estojo, era de número 132  – para os crédulos e chegados numa mensagem esotérica, tinha um recado do tempo aí para um vinho de 132 anos. Cercado de mesuras rompeu o lacre de cera vermelha que protege a rolha, destampou a cápsula do tempo e verteu lentamente o caldo untuoso no decanter descrito acima. Acompanhe o momento no video abaixo.

Nós vivemos no tempo da velocidade, do instantâneo. Um vinho de 132 anos é o oposto disso. Exige atenção para curtir os aromas, os sabores e estimular as sinapses que possa provocar.  Mas estamos em 2017, a era do imediatismo. Enquanto João Ferreira derramava o líquido viscoso no decanter a cena era compartilhada em tempo real nas redes sociais dos mais afoitos. É o paradoxo no nosso tempo: não existe intervalo entre um evento e sua recepção, entre o fato, a imagem e a difusão da imagem. Se a ação tem distribuição online, sua interpretação, no entanto, exige um pouco mais que o tempo real nas redes.

Os descritivos de um Porto mais antigo são sempre superlativos: a cor é acobreada, os aromas oníricos e evoluídos. O líquido,  untuoso. O doce e o álcool na boca são dionisíacos e a acidez presente confere a vivacidade que mantém o conjunto harmônico e a complexidade exuberante. É estupendo!

O gosto do tempo escorre como um licor e invade as narinas com o impacto de uma bomba que libera aromas aprisionados de frutas secas, em especial figos, mel, especiarias, licores, madeira. Na boca, confirma o doce esperado, combinado com uma acidez incrível para um vinho desta idade e transforma a experiência em uma sensação de riqueza, potência e frescor que culmina num fim de boca de vários segundos. A mágica se repete e acrescenta novas camadas a cada gole, pequenos goles, na verdade, que tentam adiar o inevitável fim, que ainda revela os prazeres do fundo da taça.

taçaporto

De 1888 para minha taça: longa jornada

Acabou, só que não

O fundo de copo é uma das mais agradáveis sensações que um vinho de excelência pode proporcionar. É aquele resto de vinho que sobra no fundo da taça e fica suspenso no ar, inunda o nariz com os mesmos registros de notas doces e amendoadas descritas anteriormente, potencializadas pela recente experiência, e que consegue por alguns segundos reproduzir o prazer da bebida provada. É um assombro, é um barato, é o tipo de droga que eu me vicio.

Soma-se ao deleitar-se a constatação de quão distante está a elaboração do caldo e o tempo que ele percorreu para alcançar o destino de todo vinho, que é ser bebido. Apenas para colocar no contexto histórico, 1888 é o ano da assinatura da Lei Áurea, que decretou oficialmente o fim da escravidão no Brasil. 1888 também é o ano de publicação de Memorial de Aires de Machado de Assis e Os Maias, de Eça de Queiroz, autor que incluía sempre um vinho do porto entre seus personagens. E este vinho, de 1888, sobreviveu até nós, como os marcos históricos e as obras literárias

História de um Porto

O que tem passado, tem história. E qual é a deste porto? O vinho foi produzido por um pequeno produtor vizinho da Quinta do Vallado, na região do Baixo Corgo, e guardado em três barricas de 650 litros ao longo de várias gerações, sem qualquer adição de vinhos de safras mais recentes, como é costume na região. Parte do caldo evaporou – o que é natural –  e das três barricas restaram 700 litros que foram encontrados após uma varredura entre os produtores locais para encontrar um vinho que pudesse representar os 300 anos do Vallado. As uvas, de plantas pre-filoxera (a tal praga que dizimou as parreiras europeias), são as tradicionais do Douro, onde se destacam a Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Nacional, Touriga Franca, e sabe-se lá mais o quê. É incrível como estas relíquias ainda se encontram disponíveis e com uma qualidade assombrosa. “Quando encontramos as barricas sabíamos que era o vinho que podia representar os 300 anos do Vallado”, comentou João Ferreira.

 

vallado

Naquela varanda ao fundo, com vista para o Rio Corgo, provei tintos e portos: o prazer do desfrute

Minha conexão com o passado

A Quinta do Vallado foi um dos primeiros vinhos de mesa de qualidade do Douro que provei, muitos anos atrás. Na época eram importados pela Expand, empresa que dominava o mercado de vinhos no Brasil. Atualmente são trazidos pela PPS. Novas safras e estilos foram caindo na minha taça ao longo do tempo e culminou em uma experiência que ficou registrada em meu paladar, em meus olhos, na minha memória e até em fotos. Foi quando, em 2011, acompanhado do amor da minha vida, preguiçosamente tomei os rótulos do Vallado na varanda da casa-sede da vinícola no Douro, cercado de parreiras, o Rio Corgo deslizando abaixo entre as pedras. As garrafas foram abertas sem pressa e sem o compromisso de uma avaliação técnica: o vinho como tem de ser, apenas o prazer do desfrute. A sequência de rótulos foi se perdendo no tempo, mas ficaram marcados os estilos: Portos Vintage, Tawny, Vallado Touriga Nacional e um vinho especial, escuro e de potência ímpar, o Sousão, que descrevi no post abaixo.

Tintos de mesa da Quinta do Vallado

Antes da epifania com o Quinta do Vallado ABF 1888, tivemos como introdução exemplares de vinhos de mesa. Especializados por anos a fio na produção de Portos, o Vallado começou a comercializar vinhos de mesa apenas em 1990.  Aqui vão três destaques deste dia:

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 Quinta do Vallado Reserva Branco Branco 2015
Uvas: Gouveio (40%), Arinto (35%) e Viosinho (15%), Rabigato (10%)
Região: Douro, Portugal
Enólogos: Francisco Olazabal e Francisco Ferreira
R$ 190,00

Um vinho branco com caráter do Douro, fermentado em barricas de 500 litros, que integra a madeira ao caldo e cria uma camada untuosa com boa persistência e aquele toque da malolática (aquela sensação amanteigada que aqui é acompanhada de certa mineralidade). Aquele menino, o Robert Parker, deu 95 pontos a este vinho. Quem sou eu para dizer algo contra, né não?

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Quinta do Vallado Tinta Roriz 2014
Uva: 100% Tinta Roriz
Região: Douro, Portugal
Enólogos: Francisco Olazabal e Francisco Ferreira
R$ 480,00

Um Douro com uma expressão aromática bem definida: frutas maduras e notas balsâmicas. As uvas são provenientes de vinhas velhas de agricultura orgânica. É uma delícia na boca, muita fruta, concentração, carnudo e longo final. Adormece 16 meses em barrica. Olha, existe atualmente uma implicância com barrica, mas o Vallado sabe manuseá-la para trazer complexidade e sabor ao vinho. Aqui, um bom exemplo de como integrar o mosto fermentado à madeira .

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Quinta do Vallado Vinha da Coroa  2015
Uvas: bem, são 34 diferentes variedades, tá bom para você?
Região: Douro, Portugal
Enólogos: Francisco Olazabal e Francisco Ferreira
R$: 600,00

Uau! Pouco técnico, mas preciso começar a descrição deste vinho com uma interjeição mesmo. Os vinhedos têm mais de 100 anos. Tudo junto e misturado, as mais de 34 variedades plantadas — Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Francisca, Tinta Barroca, Moreto e por aí vai — são fermentadas em lagares de cimento e com uma maceração delicada de baixa extração – só chega na garrafa o suprassumo da fruta. Passa 14 meses em barricas de segundo uso. Toques tostados e de fruta madura no nariz. A boca é macia, aveludada, a fruta presente, o tostado na boca também, o toque de terra, as especiarias e um final longo. Um baita vinho, o melhor Quinta do Vallado de mesa que já provei. O preço… bom, quem sabe um crowdfounding juntando o Vinha da Coroa e o ABF 1888 ajude e encarar. O “uau!” do início cabe para o preço também.

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016 Brancos, Tintos, Velho Mundo | 00:59

Vinhos portugueses: o Dão, o Douro e a dor de dente (parte 2)

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Os 50 tons do Douro e seus vinhos importantes

Na primeira parte deste post “Vinhos portugueses: o Dão, o Douro e a dor de dente (parte 1)”, o relato chegou até a região do Dão e contou a prova de tintos, brancos e um rosé realizada no Solar do Vinho do Dão. Não leu? Clica ali em cima e dá uma olhada. Na abertura da primeira parte, tentei resumir a viagem a Portugal numa frase que cabe em  um Twitter: “Os vinhos do Dão são elegantes, os do Douro, importantes, e dor de dente… ah isso ninguém merece.” Nesta segunda parte, voltamos ao giro pelos vinhedos e vinhateiros portugueses, mas agora a bússola está apontada para a região do Douro – um lugar que reúne história, diversidade, beleza e vinhos deliciosos. E a dor de dente? Eu esclareço no final.

 Os 50 tons do Douro

Numa escala de 0 a 100, como medem os críticos em suas pontuações de vinhos, a paisagem do Douro alcança fácil a nota máxima. Se o conceito de terroir é junção da geologia, da geografia, do clima e da ação do homem no vinhedo, o Douro é uma confirmação de sua existência. As colinas se sobrepõem em camadas, numa cadeia de elevações e declives que  lambem as margens do Rio Douro. As videiras são plantadas em terraços esculpidos no solo xistoso e talhados pela mão do homem durante séculos a fim de domar as características do terreno e evitar a erosão do solo. O sol atinge de maneira diversa as uvas de acordo com a posição em que são plantadas as videiras neste terreno sinuoso e ao mesmo tempo deslumbrante. Para os visitantes motorizados, o conselho “se dirigir não beba” é quase um redundante apelo à sobrevivência, pois mesmo sóbrio, as curvas, descidas e subidas são um desafio até para o motorista mais atento. Arrume, pois, um motorista, contrate um táxi, pois é impossível não beber no Douro. O Douro é importante, é imponente e produz vinhos espetaculares.

O Douro em 10 destaques

marco-pombalino1. O Douro é a primeira região demarcada de vinho do Mundo. Foi criada em 1756, por iniciativa do Marques de Pombal, que visava equilibrar o déficit do Estado com a venda do vinho do Porto, que já conquistara um mercado global importante no período. Entre 1757 e 1761 marcos de granito – conhecidos como marcos pombalinos (veja foto) – foram colocados nos terrenos do Douro para delimitar geograficamente a região.

2. É no Douro que estão os vinhedos dos vinhos do Porto, mas é em Vila Nova de Gaia, cidade vizinha ao Porto, onde se encontram os grandes armazéns que envelhecem os Portos de marcas mais conhecidas como Taylor’s, Graham’s, Down’s, Warre’s, Symington, Adriano Ramos Pinto, Croft, Kopke, Niepoort, Sanderman, Offley, etc. A razão é histórica e cartorial: até 1982 só era permitido comercializar o vinho do Porto através do entreposto de Gaia, o que obrigava os pequenos produtores a vender sua produção às grandes empresas. A partir de 1986 foi autorizada a exportação do vinho do Porto diretamente da Região Demarcada do Douro (RDD), permitindo que novos players entrassem neste mercado. Mesmo assim Gaia concentra a grande produção, leva a fama e está preparada para receber os turistas. Estando no Porto, é obrigatório visitar uma das grandes casas produtoras e fazer uma degustação dos vinhos.

3. A principal ligação da cidade de Gaia à do Porto é uma ponte de ferro – confesso que tenho uma certa vertigem de atravessá-la a pé – construída por ninguém menos que Gustave Eiffel, aquele que espetou a torre que levou seu nome em Paris e que virou símbolo da cidade.

4. A produção de vinhos no Douro guarda muitas tradições. Ainda é comum a pisa das uvas ser realizada com pés descalços em grandes tanques de pedra (conhecidos como lagares). Parece pouco higiênico, mas na verdade é um instrumento perfeito para esmagar as uvas e extrair das cascas todo seu valor fenólico, já que a pisa pé não tritura as sementes, o que resultaria em amargor para o vinho. Trata-se de um trabalho hercúleo que já é substituído em alguns casos por pisadores hidráulicos que simulam a pisada humana.

5. São vários os tipos de vinhos do Porto. Desde o Branco até os tintos que variam de potência e idade: Tawny (declaro desde já que são os meu prediletos), Ruby, Vintage (engarrafado apenas nos melhores anos), Colheita (produzidos em um único ano).

6. Desde 2001 o Alto Douro é reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade. Demorou, eu diria.

7. A região é dividida em três áreas: Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.

8. Se Portugal se caracteriza pela variedade e pela mistura de suas uvas nativas, é no Douro que a expressão “tudo junto e misturado” é a mais verdadeira. Muitos dos vinhedos são tão mesclados que os proprietários não se dão ao trabalho de identificar cada espécie plantada. Outros fazem um amplo trabalho de pesquisa e classificação de cada videira e as substituem por seus pares para manter a mesma mescla todos os anos.

9. Se o vinho fortificado do Porto é uma exclusividade do Douro, os tintos de mesa ganham cada vez mais adeptos. A história começa com o Barca Velha, criado em 1952, na Casa Ferreirinha. Mas a projeção dos vinhos de mesa – mais tintos do que brancos – ganha dimensão e pompa com o advento dos Douro Boys. Ali pela década de 90 um talentoso grupo de enólogos e proprietários se uniu e usou o marketing para mostrar os caldos de excelência que produziam na região. Deu muito certo. E hoje alguns de seus rótulos são premiadíssimos – e caríssimos.

10. Falar de Douro é falar de xisto, o tipo de granito que predomina no solo dos melhores vinhedos e que absorve e posteriormente irradia o calor e dá um caráter único aos vinhos da região.

 As vinhas, a chuva e os vinhos

Os vinhos do Douro fizeram parte da viagem desde o início até seu final, tanto em restaurantes de Lisboa como em outras provas, mas bebê-lo em seu berço é aquela experiência que explica o produto sem necessidade de bula. A chuva que nos castigou no Dão não nos abandonou no Douro. A dor de dente (ahá!) que estava tímida até então, e que não mereceu entrar na narrativa até agora, começou a mostrar (literalmente) suas garras – mas esta história eu detalho mais abaixo para não avinagrar o vinho que vem a seguir.

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Este colunista e o companheiro de viagem Water Tommasi, do Blog Tomassi no Vinho,  na piscina de fundo infinito da Quinta do Crasto: a foto inevitável

Crasto e a Quinta dos Avidagos

A Quinta do Crasto – que muito gente insiste de chamar do Castro, o que não é de todo errado pois está na origem do nome latino “castrum”, que significa “forte romano” -, tem um visual deslumbrante. Mesmo que seu interesse por vinho seja baixo (duvido, se não não estaria aqui), a visita à vinícola é um colírio para os olhos. É um chavão, mas é um cenário de cinema. A propósito, uma novela portuguesa estava sendo gravada ali. A adega e casa principal ficam no cocuruto do Cima Corgo com vista para as colinas recortadas pelos terraços de vinhedos e divididas ao meio pelo majestoso Rio Douro. No ponto mais alto da propriedade, uma piscina com fundo pra lá de infinito foi projetada criando a ilusão de que suas águas escorrem pelas montanhas de encontro ao rio. Uma foto ali é quase uma obrigação. A Quinta do Crasto mistura tradição e tecnologia. Faz uma espécie de BigData de suas videiras, com uma rastreabilidade total dos vinhedos (70 hectares), com registros de quem colheu, quando, quanto, em que período etc. A Vinha Maria Tereza, onde são cultivadas as uvas para o vinho de mesmo nome, por exemplo, reúne cerca de 49 variedades de uvas no seu terreno que são classificadas e identificadas. Conhecidíssimos no Brasil (a família Roquete, proprietário do Crasto, já morou no Rio de Janeiro e tem uma importadora exclusiva, a Qualimpor, que cuida de seus rótulos e dos alentejanos da Herdade do Esporão), têm uma legião de seguidores e consegue emplacar tanto tintos do dia-a-dia como joias da coroa com preços idem. De uma degustação dos seus rótulos mais vendidos, realizada junto ao enólogo Manuel Lobo de Vasconcellos, destaco duas ampolas abaixo

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Crasto Superior Branco 2014
Uvas: Verdelho e Viosinho

O Crasto Superior tinto é belo vinho que acompanha bem as refeições. Há pouco tempo ganhou sua versão de uvas brancas. Manuel Lobo Vasconcellos queria um branco que mesmo passando pelo processo de “Battonage”, que mantém o caldo em contato com as borras, se caracterizasse pelos aromas florais e cítricos. E na boca se revelasse um frescor gastronômico. Boa alternativa de um Douro branco mais acessível.

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Quinta do Castro Reserva Vinhas Velhas 2013
Uvas: São de 25 a 30 uvas nativas do Douro de vinhas de mais de 70 anos de idade

Concentração e complexidade aromática definem este que para mim é uma das melhores expressões do Douro, e em especial da Quinta do Castro. Tem nariz, boca e profundidade. Macio e longo. Boa integração com a barrica. Se tiver oportunidade de provar safras mais antigas vai constatar o potencial de envelhecimento. Um Douro que define a região. Em 2012 recebeu 92 pontos do site de  Robert Parker.

Tio-Avidagos

Rui Nunes Matos na sala de grandes toneis da Quinta dos Avidagos

 Já a Quinta dos Avidagos, fica mais abaixo, próxima ao Rio Corgo, vizinha à belíssima Quinta do Vallado, onde tive a oportunidade de me hospedar em uma viagem anterior com minha mulher. É uma vinícola também familiar mas com uma estrutura menos tecnológica. São quatro quintas distribuídas num raio de 5 quilômetros. Rui Nunes de Matos está à frente da gestão do negócio. Ele e sua esposa não mediram esforços para nos receber e abriram sua sala de jantar e casa para nossa prova e estadia. Se fosse jurado numa escola de samba dava 10 para o requisito simpatia e generosidade para o casal. Foram fornecedores de uvas para outros produtores até 1996, quando lançaram seu primeiro rótulo. A linha mais básica tem um viés claro para agradar o mercado internacional – o sobrinho Pedro estava na China comercializando um grande lote de vinhos durante nossa visita. Será que os chineses vão consumir todo o vinho do mundo? Da gama dos rótulos provados há uma aposta em vinhos um pouco mais carregados nas tintas e na potência, ao gosto do novo freguês. Mas um rótulo especial se diferenciou e a mim, pelo menos, mostrou melhor o potencial do Douro, e da quinta. É deste que falo abaixo:

 Avidagos

Quinta dos Avidagos – Quinta do Além Tanha Grande Reserva 2008
Uvas: Touriga Nacional, Tinta Amarela, Tinta Roriz, Tinta Cão e Sousão

Provenientes de vinhas com mais de 60 anos de idade, é um típico representante do Douro: bem estruturado, integrado com madeira (14 meses), taninos bem macios e uma boa fruta madura em boca. Um vinho mais quente. A fruta se sobressai. A  mescla contribui para uma maior variedade de aromas e sabores.

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Todas as cores do Douro nos vinhedos de Alves Souza

Domingos Alves de Souza – Quinta da Gaivosa

Perfilar Domingos Alves de Souza é criar correlações entre o homem, sua terra e sua obra. Este engenheiro que virou vinho – e sua bela família – é de uma cordialidade, simplicidade e dedicação aos vinhos do Douro que cativa. A beleza de seus vinhedos, sua visão empresarial e a qualidade de seus brancos, tintos e fortificados fascina. Domingos Alves de Souza é um personagem. Eleito produtor do ano em 1999 e 2006, nos recebe pessoalmente. Domingos exibe cabelos e bigodes brancos, e veste um casaco pesado que protege da chuva e do vento frio – esta que nos acompanha todos os dias. Com muita energia e disposição nos guia em sua SUV percorrendo – com alguma ousadia – parte dos 134 hectares de vinhedos que foram herdados do avô e do pai e posteriormente aumentadas com novas aquisições. Uma montanha-russa de subidas e descidas íngremes que ele enfrenta sem parar de falar um minuto, um olho nos convidados e outro na estrada. O cenário é um espetáculo de cores – as folhagens das parreiras exibem aquela transição das estações, criando uma aquarela de tons amarelos claros e escuros, avermelhados e verdes, como da foto acima. De volta ao ponto inicial fazemos uma visita às modernas instalações da adega. Tudo ali é projetado em benefício da vinificação: condução por gravidade, espaços com iluminação natural e uma espécie de torre de controle onde os enólogos e técnicos podem observar toda a cadeia de produção, da chegada e seleção das uvas à fermentação e guarda em barricas. O próprio Domingos Alves Souza nos serve os goles dos vinhos, uma seleção de primeira que destaco os seguintes rótulos.

 VALEDARAPOUSA

Vale da Raposa Reserva 2011
Uvas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca

Esta quinta foi adquirida de um vizinho após muita negociação e trouxe o benefício de um caldo mais acessível. Tem aromas bem marcantes, frescor das uvas do Douro e muita tipicidade. O belo tinto para começar a amar o Douro.

 Personal

Alves de Sousa – Pessoal 2006
Uvas: são 10 castas autóctones (nativas) brancas.

Um dos grandes brancos provados nesta viagem. O vinho foi lançado apenas em 2015, 9 anos após ser produzido. Quem já bebeu o chamado “vinho laranja” vai identificar seu DNA nesta garrafa. As tais castas nativas estão sendo classificadas, mas são provenientes de vinhas velhas e por um processo oxidativo em que a vinificação é feita com as cascas das uvas. O resultado, óbvio, é de aromas mais puxados para um oxidativo que dá profundidade e longevidade ao caldo. Toques de mel e doce de frutas brancas.  Maravilhoso, onírico.

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Quinta da Gaivosa 2009
Uvas: Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca e Touriga Nacional

É uma das estrelas da casa. Resultado de provas cegas feitas na adega de mais de 20 vinhas que definem a mescla. Segundo Domingos, expressa a identidade de seus vinhos e do Douro “Nossa cara está aqui”. Mantém ainda juventude e frescor, muito macio em boca, com um belo potencial de fruta, especiarias e longo final.

 Loredo

Quinta da Gaivosa – Vinha do Lordelo 2011
Uvas: Tinta Amarela, Sousão e outras uvas

Lordelo é um vinhedo exclusivo de Alves de Sousa recuperado em 2003. Este caldo potente, concentrado, tem muita fruta madura, persistência longa, um aroma profundo das frutas negras e boa presença da madeira. Vinho de macho, que prima pela potência mas com estrutura, acidez, e fruta negra madura bem saborosa, e não excessiva, o que é muito importante. Complexidade dada pelo solo de xisto, e muita persistência no final. Um vinho de contemplação, até por que não é nem um pouco barato (mais de 600 reais no Brasil).

Importador no Brasil: Decanter

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Domingos Alves de Sousa e sua mulher Lucinda: recepção calorosa e ambiente familiar

Após a prova dos vinhos, uma refeição, preparada por sua amável esposa, Lucinda, foi servida na sala de jantar da casa onde mora a família Alves de Sousa.  Ali continuamos a beber seus vinhos, acompanhado de uma comida caseira e deliciosa. Acolhidos, juntos à família, jogamos conversa fora. E vinho para dentro. Uma foto de todos reunidos na varanda da casa finalizou a visita. A viagem tinha de continuar.

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Essas uvas um dia estarão engarrafadas em um Porto

Quinta Santa Eufêmia

A história é uma narrativa que nem sempre se vivencia. Deparar com um marco pombalino, o de número 27 de 1756, delimitando a região do Douro, é testemunhar a história de alguma forma. Perscrutar a capela que funcionava como um farol para o Rio Douro na época que suas correntes eram mais selvagens, deparar com a primeira nota de venda de vinho do Porto de 1864 e fotografar um lagar de granito com mais de 100 anos e ainda em uso é respeitar e compreender o conceito de tradição. A Santa Eufêmia é um negócio que está na família há quatro gerações. São 45 hectares de vinha, às margens Sul do Rio Douro, onde também são cultivados legumes e frutas. As oliveiras plantadas, além do seu uso mais óbvio, delimitam o terreno com os vizinhos. Apesar de ter vinhos de mesa em seu catálogo o forte são os Portos. Quem nos guia por esta volta ao passado é uma senhora da família, mas que há pouco tempo se dedica inteiramente ao negócio. Falha deste repórter, não anotei seu nome.

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Lagar de granito de mais de 100 anos

Primeira impressão é que seríamos prejudicados pela ausência do responsável pelo marketing tratado para nos receber. Mas simplicidade não significa desconhecimento. Recebemos uma aula sobre o lugar, sua história, sobre as características dos vinhedos e do processo de produção dos vinhos. “Na adega só trabalham mulheres, elas são mais detalhistas”, comenta para depois entregar um motivo mais prático “e também são mais cuidadosas no manuseio das máquinas. Isso é importante. Estamos no fim do mundo, uma avaria numa máquina leva muito tempo para ser reparada”, conclui. Aliás a presença das mulheres é uma constante aqui. A enóloga-chefe, Alzira Viseu de Carvalho, começou a produzir vinhos aos 7 anos de idade, num tempo em que o politicamente correto não exercia função de polícia dos costumes. É servida uma sequência de tintos de mesa, seguidos de fortificados, mas ela não prova nenhum deles. O motivo é comovente. Ela não consegue provar e cuspir o vinho tamanha adoração que tem pelos caldos, em especial os fortificados; não vê sentido, apesar de compreender que uma prova de vários rótulos por especialistas seja seguida pela devolução do líquido e não a absorção de todo álcool. Tendo a concordar um pouco com ela. Os Tawnys e o Colheita 2004 eu acabei tomando tudo, não devolvendo nada para o baldinho em cima da mesa.

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Quinta Sta Eufêmia – Tawny Branco 30 Years Old White
Uvas: Vinhas velhas com Malvasia Fina, Rabigato, Gouveio e uma parcela de vinha com mais de 50 anos de moscatel Galego.

Numa degustação às cegas os Portos brancos de 20, 30 anos lembram muito os Porto Tawny tinto, tanto na cor dourada característica desta bebida com o passar dos anos como até nos sabores e aromas de frutas secas, amêndoas, mel. Eles vão ganhando uma mesma pegada de complexidade. Talvez para conhecedores mais apurados, o Tawny branco tenha uma delicadeza maior no palato e um nariz mais persistente. Confesso que sempre me confundi. E aprendi a apreciar sua magistral evolução. Espetacular

 

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 Quinta Sta Eufêmia 20 Years Old Twany
Uvas: Tinta da Barca, Mourisco Tinto, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Francesa.

O Tawny com idade declarada é uma seleção de portos diferentes com uma média de idade igual ou superior a 20 anos que confere seus estilo. O Tawny me fascina tanto pela cor castanho, como pelos aromas delicados de frutas secas, tâmara e mel. E principalmente pelo fim de taça. Aquelas aromas que ficam flutuando no fim do copo que mostram o potencial do bichão. O envelhecimento é feito lentamente em barricas com mais de 50 anos, que confere maior complexidade ao caldo. Uma joia.

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Sta Eufêmia – Colheita 2004
Uvas: tradicionais do Douro, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Amarela, Mourisco Tinto, Touriga Franca, Bastardo. Vinhas Velhas com mais de 50 anos

É um vinho uma só colheita cuja comercialização é permitida apenas a partir do 7º ano. O que me atrai no estilo colheita é que ele é mais próximo do Tawny, na complexidade dos sabores, aromas e no persistência. Dourado escuro, para mim apareceram mais aromas de casca de laranja, damascos, as inevitáveis frutas secas.

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Dor de dente

Conforme prometido, aqui vai a o relato da dor. Só nos lembramos de nossos dentes quando vamos escová-los. Ou quando eles começam a incomodar. Eu me lembrarei dos meus para sempre quando recordar esta viagem para Portugal. Alguém com maior talento já deve ter descrito melhor uma dor de dente, mas defini-la como a antessala do inferno não é de todo impreciso.

Aconteceu de sentir um pequeno incômodo logo no segundo dia de viagem, à noite. Tomei uma aspirina. Tolinho. Daí em diante a dor vinha e voltava com graus variados de tensão. O vilão foi o incisivo lateral superior da direita, aquele dente que fica entre o incisivo central e o canino, que começou a latejar sem dó ou piedade. Sônia Vieira, nosso anjo da guarda da ViniPortugal, sugeriu um antiinflamatório. Resolvia. Por algumas horas. Mas claro que de madrugada a dor voltava, avisando que o lado negro da força estava sempre ameaçando meu sossego. Tomava outro comprimido e depois de um tempo parecia que alguém tirava a dor com a mão.

“E por que você não foi a um dentista?”, você pode se perguntar. Por que estava numa viagem recheada de compromissos, que passava por cidades pequenas e eu tentava pesar os prós e contras de me arriscar em um consultório desconhecido. Me iludi com os períodos de calmaria camuflados pelo medicamento. Algumas provas de vinho foram prejudicadas pela dor que ia invadindo meu raciocínio e minha noção de tempo; outras provas tinham efeito anestésico: amenizavam a dor. Mas aos poucos aquele arpão invisível voltava a espetar o interior do meu dente e alcançar a gengiva com seu ferrão.

Ao sair do Porto, após me deliciar com vintages e tawnies, o destino era a região dos vinhos verdes (tema do próximo post). O caminho até a Quinta da Lixa era um misto de pequenas estradas vicinais e finalmente uma autoestrada. Foi naquele momento que a dor atingiu o limite máximo do suportável, expalhou para todos os dentes de trás. Toda bancada da arcada dentária se revoltou e entrou com um pedido de impeachment do dente causador da tragédia bucal. Sofri calado, com galhardia, suando frio. O sertanejo é antes de tudo um forte! Quando notei que íamos passar por um cidade maior, Amarante, vislumbrei que a necessária e urgente ida ao dentista tinha mais chances de dar certo. A bem da verdade nesta altura do campeonato me consultaria até com um veterinário (sem piadas, por favor) na vila mais tristonha de Portugal.

Ao chegar ao hotel Monverde, no início da noite, o enólogo chefe da Quinta da Lixa, Carlos Teixeira, nos aguardava e eu baixei a guarda e clamei pela indicação de um profissional. Acho que meu rosto estava transtornado, meio bouchonée, e ele conseguiu agendar uma consulta para a manhã seguinte na própria vila que nos encontrávamos.

Doutor Luis Filipe, da Clínica Médica Jardim da Lixa, diagnosticou o problema: um canal mal resolvido tinha inflamado, bactérias invadiram os espaços ocos e tomaram conta da região num ataque terrorista que tirou a paz daquele território. Uma dor que iniciou tímida na Bairrada, ficou mais atrevida no Dão e rasgou a fantasia no Douro encontrou finalmente o exército da salvação na região do Minho, do Vinho Verde. Acho que agora está explicado o título deste post e a frase inicial: Os vinhos do Dão são elegantes, os do Douro, importantes, mas dor de dente… ah isso ninguém merece. Não podia deixar de registrar!

No próximo post: Vinhos de Portugal: Verde que te quero Ver-te.

Nota: a viagem a Portugal foi patrocinada pela ViniPortugal, organização que representa o setor vitivinícola português e promove os vinhos de Portugal.

 

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015 Degustação, Porto, Velho Mundo | 01:48

É um vinho português, com certeza!

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douro

Douro: não existe lugar nem vinho igual no mundo

Há uma assinatura que distingue o vinho português. Um traço que identifica a bebida. Fácil de perceber, mais difícil de explicar. Uma viagem percorrendo os vinhedos de Portugal, conversando com seus produtores e experimentando os seus  vinhos –  acompanhado da gastronomia local – deixa tudo mais claro: “É a diversidade, estúpido”. A diversidade está expressa nas mais de 250 castas nativas (algumas de nomes curiosos, que fazem a festa dos cronistas), nas 14 Indicações Geográficas e nas 28 DOCs (Denominação de Origem Controlada) que cobrem este país de apenas 92.090 quilômetros quadrados, menor que o estado de Santa Catarina, que tem 95.346.

Cerca de 8% do território é coberto por vinhedos em regiões como Lisboa, Alentejo, Bairrada, Dão, Vinho Verde, Porto e Douro e até as ilhas distantes de Açores e  Madeira, para ficar apenas naquelas mais conhecidas dos brasileiros. O vinho representa hoje para Portugal 1,5% do valor total de exportações do país. E o Brasil é um mercado importante – e tradicional – para escoar esta produção toda. No Brasil, Portugal participa de uma fatia consolidada deste bolo, revezando com a França o terceiro e quarto lugares no ranking dos países que mais exportam para cá.

 Amor-não-me-deixes ou Esgana Cão?

Portugal tem um patrimônio genético na variedade de castas (uvas) que não encontra paralelo em lugar algum do mundo – nem mesmo na Itália que também é pródiga de uvas nativas. São mais de 250 castas identificadas (algumas como pequenas variações, claro). Ao contrário da uvas francesas, e em certa medida as espanholas e italianas, as variedades portuguesas ficaram meio isoladas e não se espalharam pelos vinhedos do novo mundo na velocidade e protagonismo de uma cabernet sauvignon, merlot, syrah, chardonnay, sauvignon blanc, sangiovese ou tempranillo. Mas aquilo que beneficia, também dificulta. Não é fácil para um consumidor americano, por exemplo,  pronunciar nem mesmo as uvas mais conhecidas como Touriga Nacional, Castelão e Fernão Pires, imagina então nomes como Carrega Burros, Pé Comprido, Sousão, Amor-não-me-deixes ou Esgana Cão?

 As 10 mais

vinhas250 é um número enorme, a maioria das uvas é de produção tão reduzida que nem mesmo os maiores especialistas da terrinha as reconhecem. Conhecer as 10 mais importantes já permite um belo panorama desta diversidade. São elas que você irá encontrar com maior frequência descrita nos rótulos e contrarrótulos portugueses (a propósito, os descritivos dos contrarrótulos portugueses são em geral bastante detalhados nos descritivos do vinho, vale sempre uma passada de olhos)

  •  BRANCAS

Alvarinho – Apesar de não ser sinônimo de Vinho Verde, é  responsável pelos rótulos de mais alta qualidade desta região. São minerais, aromáticos (cítricos, como limão,  frutos tropicais) e com ótima acidez. Trata-se de uma uva branca com um bom potencial de envelhecimento, tem boa estrutura e maior persistência. Com mais tempo de garrafa ganha alguns aromas associados ao petróleo (parece esquisito mas não é), semelhantes à alemã riesling. Na vizinha Espanha é conhecida como Albarinho

Arinto (Padernã) – Não bastassem as tais mais de 250 castas, algumas delas ganham nomes diferentes em cada região. Espalhada por Portugal, a Arinto é conhecida como Pedernã na região dos Vinhos Verdes. Produz vinhos  com aromas de maçã e pera, quando novos. Tem boa acidez. Proporciona frescor quando misturada a outras uvas. E funciona bem para espumantes.

Encruzado – A casta produz brancos mais intensos e tem uma boa sinergia com o estágio em madeira, própria para caldos com mais corpo e estrutura, beneficiando-se com o tempo na garrafa. Cítrico e floral quando mais jovens, ficam mais cremosos com toques de baunilha quando fermentados em barricas de carvalho. É mais representativa na região do Dão.

Fernão Pires (Maria Gomes) – A Fernão Pires, uma das castas mais antigas de Portugal, tem uma pegada mais leve, frutada e bastante perfumada (se achar que está diante de um moscatel, a impressão é essa mesma). Também usado para espumantes. Encontrada em vinhos de Setúbal, Tejo, Lisboa e Bairrada.

TINTAS

Baga – A Baga tem uma maturação tardia e é difícil de domar. Legal, mas o que isso significa? Que os taninos podem chegar rasgando se não forem bem tratados. São caldos que se beneficiam, portanto, do envelhecimento e agradecem quando cuidadas por um enólogo competente.  Aromas de cereja, ameixa quando mais jovens e ervas e tabaco quando mais vetustos. Sua origem é a Bairrada (Leitão da Bairrada com um Baga é uma combinação clássica entre a culinária local e o vinho da terra), mas pode ser encontrado no Dão. Nas terras e mãos apropriadas podem produzir vinhos bastante complexos.

Castelão – É a uva mais cultivada de Portugal. Também é conhecida como Periquita, mas este nome está registrado pela casa José Maria da Fonseca, produtora do famosão Periquita. Produz tanto vinhos fáceis de beber como aqueles mais intensos e potentes, que se beneficiam do envelhecimento em barris de carvalho. Cultivada mais ao sul de Portugal, em especial  na região da Península de Setúbal.

Touriga Franca (Touriga Francesa) – Umas das cinco castas oficiais do vinho do Porto, muito comum nos cortes dos tintos do Douro, é a casta mais plantada na região. É uva corante, ou seja, dá muita cor ao vinho. Comparada à parceira Touriga Nacional (abaixo), é mais leve e  aromática. É uma casta que mostra mais ao que veio nos vinhos de corte e nos Portos Vintage. Apesar do título de francesa não tem qualquer origem relacionada à França.

Touriga Nacional – Hoje em dia é uma espécie de porta-bandeira da vinicultura portuguesa. Originária da região do Dão (onde proporciona caldos mais elegantes), é importantíssima para a elaboração do vinho do Porto e aqui no Brasil se notabilizou em conhecidos vinhos de mesa do Douro em carreira-solo ou mesclada. Apesar da fama, ocupa pouco espaço nos vinhedos do Douro. Aporta vinhos de muita cor, extração, aromas nítidos de violeta (às vezes exagerado), frutas negras e um baita potencial de envelhecimento. Apelando um pouco, pode-se dizer que a Touriga Nacional é o Cabernet Sauvignon de Portugal, pelo espaço ocupado, pela adaptação às várias regiões e pelo estilo dos vinhos mais encorpados e que ganham com o envelhecimento em carvalho.

Trincadeira (Tinta Amarela) – Conhecida na região do Douro como Tinta Amarela, a Trincadeira é importante nos cortes da região e é ótima parceira da Aragonez (no Alentejo) e da Touriga Nacional (no Douro).  Apresenta aromas de especiarias, ervas, alto teor alcoólico e boa acidez. No Alentejo a Trincadeira vem mostrando bons resultados em vinhos monovarietais (feitos de apenas uma uva).

Tinta Roriz (Aragonez) –  Já ouviu falar da Tempranillo da Espanha? Pois bem,  Tinta Roriz e Tempranillo tratam-se da mesma pessoa, com nomes regionalizados. A Tinta Roriz é importante casta para o vinho do Porto, para os vinhos do Douro (é a segunda uva mais plantada na região) e para os caldos do Dão. Delicado, elegante, frutos vermelhos, bons taninos e potencial de envelhecimento. Também é bem chegada numa madeira e se beneficia desta amizade. Mais comum em cortes. No Alentejo assume o nome de Aragonez e é boa parceira da uva acima, a Trincadeira.

Tudo junto e misturado

E se a variedade é uma benção que distingue os caldos portugueses do restante do mundo, a combinação destas diversas castas é uma marca registrada de uma boa parcela dos vinhos de boa cepa produzidos em Portugal. São inúmeros rótulos do Douro, do Dão e os Vinhos do Porto que são resultado da mistura destas uvas excepcionais e únicas. Eu diria que o DNA dos vinhos portugueses está na mescla das castas nativas. “Os cortes fazem vinhos muito bons”, diz o experiente Mario Neves, diretor comercial da Aliança – Vinhos de Portugal. Mas arrisco a dizer que o DNA de um vinho português se expressa – e aqui entra a influência do solo e do clima de cada região – mesmo nas garrafas elaboradas de uvas de castas internacionais, como por exemplo o suculento Syrah, do Alentejano Cortes de Cima, criação do enólogo dinamarquês Hans Kristian Jorgensen, ou o Quinta do Bacalhoa, um Cabernet Sauvignon da região de Setúbal, conhecido rótulo dos brasileiros. Acho que existe uma certa adaptação da uvas internacionais ao sotaque do solo português, só pode ser isso.

Navegar é preciso!

De carro é possível, no mesmo dia, almoçar com os delicados vinhos na região do Dão e jantar junto aos mais belos vinhedos do mundo, na  região do Douro. Ou então iniciar o dia com os refrescantes e leves vinhos verdes brancos e finalizar com o Porto provado no final da tarde às margens do Rio Douro, em uma das diversas casas tradicionais do ramo. As distâncias curtas às vezes são dificultadas por caminhos mais sinuosos, que por exemplo serpenteiam os terraços do Douro, patrimônio da humanidade. Não é uma estrada para amadores e não é incomum se perder, mas o cenário é tão esplendoroso que é um se perder para se achar. Afinal, como ensina um poeta da terra, Fernando Pessoa: “Se achar que precisa voltar, volte!/ Se perceber que precisa seguir, siga!/ Se estiver tudo errado, comece novamente! / Se estiver tudo certo, continue.”

lisboa

Degustar vinhos tendo Lisboa a seus pés. A vida tem seu momentos…

Mas a viagem por Portugal pode ser feita também de dentro de um restaurante, aí na sua cidade, ou mesmo num restaurante em Lisboa, às margens do Tejo ou próximo do tradicional e boêmio bairro do Chiado. A minha jornada começou assim, e em duas refeições, antes mesmo de sair em périplo pelos vinhedos, um panorama de Portugal já se descortinava. Alguns destaques:

  • Vinhos provados no Restaurante Vítor Claro – no Hotel Solar das Palmeiras

VINHO VERDE

Alvarinho- JRamos

João Portugal Ramos Alvarinho 2014

Uva: 100% Alvarinho

Um bom começo para conhecer o branco Alvarinho com 20% do mosto  fermentado em madeira, que dá mais intensidade. Ataque floral e cítrico. Acidez na medida certa.

 

DOURO

Duorum

Duorum Reserva Vinhas Velhas 2012

João Portugal Ramos

Uvas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão

Um douro tinto por excelência, de solo de xistoso. Passa até 18 meses em barrica novas e antigas. Uma combinação das uvas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão, consegue equilibrar corpo com acidez e aporta uma fruta madura e suculenta. Como o nome indica, as uvas são proveniente de vinhas velhas, de mais de 100 anos, de uma parte mais quente do Douro. Em tempo, os primeiros exemplares do Duorum tinham uma carga mais potente e uma madeira um pouco excessiva que parece foi sendo equilibrada com o passar das safras.

ALENTEJO

Marques de Borba

Marques de Borba Reserva 2012

João Portugal Ramos

Uvas: Aragonez, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet

Um vinho que representa os tintos do Alentejo, mais potentes, mais quentes (alcoólicos), com muita concentração de fruta e aveludado na boca.  Um chocolate  aparece no final da taça. Vinho mais masculino, se é que existe isso, deve ganhar mais complexidade com o tempo. 14,5% de álcool! Como eu escrevi é Alentejo na veia!

  • Vinhos provados na feira Encontro de Vinhos, em Lisboa

ALENTEJO

Verdelho

Paulo Laureano Genus Generationes Maria Teresa Laureano Verdelho 2014

Uva: 100% Verdelho

Paulo Laureano

Os tintos e brancos de Paulo Laureano são conhecidos por aqui. São quase um sinônimo de vinho alentejano no Brasil. Esta leitura da uva branca verdelho para o solo do Alentejo resulta num vinho afiado, uma acidez marcante,  no fio da navalha, mineral, refrescante, diferente. Um vinho para quem aprecia riscos.

LISBOA -BUCELAS

Moragdo

Morgado de Santa Catherina – reserva 2013

Uva: 100% Arinto

Aqui a casta branca Arinto mostra seu valor quando fermentado em barricas de carvalho. De cor dourada, longo, uma fruta mais doce e madura, muito intenso e volumoso e uma acidez que equilibra o jogo.

AÇORES

frei

Frei Gigante – Garrafeira 2011

Denominação de Origem Pico

Uvas: Arinto dos Açores, Verdelho e Terrantez do Pico

Já bebeu um vinho da pequena região de Açores? Eu nunca tinha provado. Deste rótulo aqui provavelmente não provarei mais. Foram produzidas apenas 600 garrafas deste topo de linha, chamado de Garrafeira, que trago aqui mais como exemplo de diversidade em solo português. Também não sabia que seus vinhedos são declarados Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Vivendo, provando e aprendendo. Este belo vinho branco é longo, volumoso, bastante aromático e tem um toque salgado (é, existem vinhos com este finalzinho salgado). Uma surpresa de solo vulcânico que passa um pouco da  natureza para o copo

DÃO

kemper

Curiosity 2012

Julia Kemper Wines

Uvas: Alfrocheiro e Touriga Nacional

Os vinhos orgânicos de Julia Kemper são bem-feitos e têm aquele traço terroso comum desta turma “odara”. Tem um perfil franco, de fruta expressiva e gostosa e algo floral nos aromas. A combinação Alfrocheiro e Touriga Nacional pode mudar de acordo com a safra. O detalhe curioso é o marciano que dá um alô no rótulo, explicando o nome Curiosity, do robô que explorou marte no ano de lançamento deste rótulo.

  • Vinhos provados no restaurante Tágide, em Lisboa

BAIRRADA

abibes

Quinta dos Abibes 2012 – Sublime

Uva: Arinto

As 2050 garrafas deste elegante branco foram vinificadas em barricas de carvalho francês e marcam bastante o vinho. Um bom exemplar para quem aprecia brancos de um Arinto influenciados por madeira. Vai bem com um peixe mais gorduroso.

DÃO

uinta do Lemos

Quinta de Lemos – Touriga Nacional 2009

Uva: Touriga Nacional

O Dão foi uma região que conquistou com a qualidade dos vinhos, o que será relatado em próximos posts desta viagem. Aqui a Touriga Nacional em carreira solo proporciona um tinto de boa textura, intensos frutos negros, sedoso na boca. Tem um toque terroso também que agrada.

PORTO

IMG_0366Barros Porto Colheita 1980

Barros, Almeida & Cª – vinhos, S.A.

Uma das mais antigas marcas do Porto, fundada em 1913. Um Porto pode iniciar ou terminar uma refeição. Neste caso ele fechou com chave de ouro. Não é comum em viagem enológicas as garrafas serem esvaziadas.  Há exceções. A excelência deste Porto Colheita (isto é, de uma única safra, no caso 1980, 25 anos passados), com um cor aloirada semelhante aos tawnys de mais idade e aromas de frutas secas, caramelo, creme brûllée, profundidade e elegância em boca nos obrigou esticar a noite e pedir uma tábua de queijos para continuar saboreando este néctar sob uma Lisboa que dormia a nossos pés.

Nota: a viagem a Portugal foi patrocinada pela ViniPortugal, organização que representa o setor vitivinícola português e promove os vinhos de Portugal.

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quarta-feira, 8 de maio de 2013 Blog do vinho | 09:30

Como escolher o vinho certo para a sua mãe

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Presente para o dia das mães. Perfume? Sapato? Bijuteria? Roupa? Outra vez? Liquidificador, batedeira,  microondas? Nem pensar, é o dia das mães e não da casa da mãe. Ô pensamento machista! Por que não um vinho? Parece presente do dias dos pais? Machista de novo. Só é válido se você ainda vive no século passado, em que um Muro de Berlim separava os homens das mulheres nas festas de casa (as mães na sala e os pais em volta da mesa), nos cargos nas empresas e até na escolha dos presentes (bebidas para eles, perfumes e enfeites para elas).

As mulheres bebem – e muito – vinho. São a maioria em cursos de vinho, selecionam cartas de vinhos de restaurantes, são enólogas famosas, jornalistas especializadas e brindam com suas amigas e amigos com tintos, brancos, espumantes e fortificados tanto quanto os homens: para fechar negócios, para comemorar uma data, para engatar um relacionamento ou apenas por prazer. E mais do que tudo isso, também decidem na boca do caixa qual vinho comprar.

Partindo do princípio que sua mãe é uma mulher, e uma mulher de seu tempo, resta agora descobrir qual o vinho que se encaixa com seu gosto ou sua personalidade. Assim como o Blog do Vinho sugeriu o vinho ideal para seu pai, aqui  vão as dicas para escolher o vinho certo para cada tipo de mãe.

Para todas as mães

Vamos começar por um tipo de vinho que agrada toda mulher: o espumante. As borbulhas são um acerto para todo tipo de mãe. Espumante, champanhe, cava, o que for, é o espírito da bebida, de celebração, que combina com a sua, com a minha, com todas as mães. Se a grana está mais curta, há ótimos espumantes nacionais (Cave Geisse, Salton, Miolo, Casa Valduga, Aurora, Chandon), se sobrou mais grana este mês e você quer agradar a progenitora, o mercado está repleto de champanhes com certificação de qualidade ou cavas com origem de procedência, como a Raventòs, Codorníu e Freixenet.

Para a mãe alternativa

Sua mãe é daqueles que ainda usam uns colares meio estranhos, umas batas coloridas, calças largas de algodão cru e recentemente tatuou uma mandala no punho? Talvez defenda a volta à simplicidade dos campos e apoia qualquer compromisso ambiental e… não fale agora que está na hora da meditação. Vinho não é só bebida, também é alimento natural e pode ser produzido e elaborado sem aditivos químicos, livre da contaminação de pesticidas e sem passar por processos de filtragens ou de qualquer maquiagem. Trata-se de uma agricultura orgânica que respeita o ecossistema. Os vinhos biodinâmicos radicalizam ainda mais a proposta e acreditam na influência das forças cósmicas no processo. Sua mãe terá em um vinho biodinâmico a expressão de sua  filosofia de vida em forma líquida. Os bios são mais puros, uma fruta mais franca, às vezes mais rústicos, mas sempre originais. Você encontra vinhos biodinâmicos de vários países, mas os exemplares mais representativos estão na Europa, em especial na região da Alsácia, na França.

Para a mãe que está começando a se interessar por vinhos

Mamãe começou a se interessar por vinhos. Dizem até que é leitora assídua deste Blog, consulta as cartas de vinho dos restaurantes, fez um curso na ABS de sua cidade, na loja de vinhos e já sabe diferenciar um cabernet sauvignon de um pinot noir. Está esperando o quê? Ele quer mais é ganhar um vinho neste dia das mães para poder exercitar seus novos conhecimentos. A dica aqui é partir para vinhos de preço médio (até 60 reais), que já trazem a tipicidade da uva, a origem de sua região e aromas e sabores mais reconhecíveis. Vinhos da Argentina, Chile, Brasil, Uruguai e até Portugal podem resolver a parada. Procure aquelas vinícolas mais conhecidas, que se não vão surpreender pelo menos vão decepcionar.

Para a mãe conhecedora de vinho

O que parece óbvio – mamãe curte e entende de vinho, vamos dar uma garrafa de presente – nem sempre é fácil. Mãe é mãe e qualquer vinho argentino barato de supermercado – seleção reserva especial do sommelier, por exemplo – será recebido com um amplo sorriso. O mesmo, aliás, que ela usa ao cumprimentar o seu companheiro ou companheira no primeiro encontro. Mas provavelmente não vai usar nem para molho. Vamos ser realistas. Você dispõe de algum dinheiro a mais? Quer gastar menos de 150 reais no vinho? Provavelmente não vai agradar. Dá uma espiada na adega materna, ali há dicas preciosas do tipo de vinho que ela aprecia. Se o padrão for muito alto, esqueça o vinho e parta para um produto relacionado. Um bom livro sobre o tema ou um decanter bacana não vão fazer feio. Mas não vá escolher um daqueles livros com 100 dicas nerds para começar a beber vinho, certo?

Para a mãe superprotetora

É quase um pleonasmo, não? Todas elas são de alguma forma superprotetoras, principalmente as dos tipo anedotários, como as mães judias, as italianas, as do interior e até as armênias de novela. Elas são superlativas em tudo, na preocupação, no carinho, no sofrimento e principalmente na comida. E para harmonizar alimentação em quantidade com vinho em profusão uma boa indicação é uma embalagem de maior volume e preço reduzido. Um bag-in-box – aquelas embalagens de 3 e 6 litros, com um revestimento que preserva o vinho e uma torneira que libera a bebida – é a melhor pedida. Ainda não é muito comum no Brasil – na Austrália seu uso é corriqueiro para o vinho do dia-a-dia – mas há exemplares nacionais (Alto Vale, Dal Pizzol, Casa Valduga, Dom Candido, Miolo), portugueses (Paulo Laureano) e claro australianos (Banrock Station) à venda.

Para a mãe empreendedora

Sua mãe é um símbolo da mulher moderna, o tipo que chegou ao topo das empresas, que se arriscou em carreiras estressantes e que fica dividida entre a família e os negócios. Enfim, é uma negociadora por excelência e uma tomadora de decisões. Ela decide, inclusive, o vinho em um almoço de negócios. Acho que não erra muito quem escolher dois tipos distintos de tintos para este tipo de måe: um clássico da elegância e da finesse, um pinot noir 1er Cru da Borgonha; ou seu concorrente direto mais famoso, um representante dos grandes châteaux de Bordeaux, um  Grand Cru  de estilo potente e intenso.

Para a mãe que será mãe

Atenção maridos, vão se acostumando. Até uma certa idade quem compra o presente do dias das mães da sua mulher é você mesmo. Então, que tal começar agora, que o descendente está na barriga? Escolha um vinho do ano que agrade o casal e principalmente que tenha potencial de guarda. As lojas e os sites especializado saberão indicar. Guarde este vinho em local adequado e quando ela ou ele completar 18 anos, vocês poderão curtir juntos o vinho do ano do nascimento. E se você acha que dezoito anos é muito tempo, vai perceber daqui um tempo que passa voando…

Para a mãe dedicada aos filhos

Ela tinha uma carreira, um emprego e outros objetivos na vida mas resolveu se dedicar aos filhos. Amiga de todas as horas e confidente. Uma mãe 100% mãe. Se o conceito de mãe coragem era aquele da peça de Bertold Brecht, da mãe sofrida que perdia os filhos para a guerra, hoje em dia mãe coragem é aquela que assume o papel de mãe integral pelos filhos sem abandonar seu papel de mulher. Merece uma adega recheada, no mínimo um jogo completo (espumante-branco-tinto-sobremesa). Para começar um bom champanhe rosé, nos brancos um sauvignon blanc aromático da região de Casablanca, no Chile, e um chardonnay mais  com passagem em barrica de Mendoza, na Argentina. Para os tintos, um perfumado e potente touriga nacional do Douro, em Portugal e um merlot da Serra Gaúcha. Para finalizar com um late harvest (colheita tardia) que lembre mel e flores.

Para a mãe heavy metal

Já se sua mãe não abandonou a jaqueta de couro, tem um dragão vermelho tatuado no braço, usa um anel de caveira, curte toda banda alternativa e barulhenta que aparece no Youtube e tem um acesso de fúria quando ouve um sertanejo universitário, tem vinho para ela também. Sua mãe é heavy, merece um tinto idem. Nos Estados Unidos é mais fácil, há rótulos de bandas metal AC/DC, e varietais como o MotorHead Shiraz. Por aqui, mesmo com a carência de rótulos à caráter, sua mãe vai delirar com vinhos mais tânicos,  intensos, quase mastigáveis como um robusto cabernet sauvignon chileno, um shiraz/cabernet australiano, um  malbec bem alcoólico argentino e principalmente um tannat pedreira uruguaio, daqueles que seca a boca. Yeah!

Para a mãe que resolveu sair do armário

Sua mãe começou a dar sinais que aquela amizade com a colega do curso de vinhos era mais intensa que os aromas de um Borgonha e tinha uma pegada mais forte que um Porto Vintage. Vive esgoelando no chuveiro “O canto desta cidade sou euuuu” e finalmente resolveu assumir sua sexualidade plena. Pode ser difícil para você, ou não, depende até da educação que sua própria mãe lhe deu. Mas ela merece um brinde por sua coragem, não? Eu entraria no clima e escolheria um vinho menos usual, de regiões pouco  conhecidas, elaborados com uvas nativas, para celebrar a diversidade também na escolha das uvas. Vinhos da Córsega de uvas autóctones como sciaccarella, niellucciu, ou da Eslovênia, como o branco ribolla gialla ou o tinto da Croácia da uva plavac mali. E viva a diversidade!

Para a mãe que já é avó, para a minha mãe

Vinho do Porto? Que bom, benzinho!

Sua mãe já é avó, já viu de tudo, a idade lhe trouxe a bagagem de uma vida e também algumas limitações que ela enfrenta com sabedoria – e paciência. Se sua mãe é igual à minha, ela sempre tem uma visão otimista da vida, um sorriso nos lábios e uma fé inabalável nas pessoas. Minha mãe. Maria do Rosário, tem 85 anos e, claro, adora um vinhozinho. Tem uma queda pelos fortificados, os portos em especial. Traz lembrança de seu pai – o vinho do Porto já foi muito consumido no Brasil República -, adoça o paladar e esquenta um pouco a alma. É quase um “confortwine”, que acolhe e alegra. Sua visão altruísta é tão forte que se a taça de Porto for derrubada ela prontamente terá duas respostas prontas, precididas de um expressão Poliana “Que bom, benzinho”: a) se era a última dose, era um sinal que estava na hora de parar de beber; b) se há mais Porto na garrafa, era por que estava na hora de reforçar a dose. Para sua mãe que já está na terceira idade e para minha mãe que é quase velhinha (como ela diz), o vinho perfeito é o Porto, nas suas versões Ruby, Tawny e Vintage. Pois qualquer que seja sua mãe, igual à minha – ou totalmente diferente –  ela sempre será uma influência que definirá sua existência e merece um brinde no dia das mães, e em todos os outros dias.

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010 Degustação | 19:50

Vinho do Porto Colheita 1937: bebendo história

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Douro: patrimônio da humanidade em cenário de sonhos

Beber vinho do Porto é saborear um pouco de sua história. A região montanhosa do Douro, em Portugal, onde parreiras são cultivadas em jardins suspensos esculpidos pela mão do homem, foi a primeira região vinícola demarcada no planeta, em 1756, pelo futuro Marquês de Pombal. A região foi declarada pela Unesco patrimônio da humanidade em 2001. A casa mais antiga do Porto, que sempre sofreu influência direta dos ingleses, a Warre & CO, foi fundada em  1670. A tradição está presente em toda garrafa de vinho fortificado aberta.

Colheita 1937

Provar uma safra recente de um Tawny (uma das classificações do Porto), portanto, já é uma experiência que carrega esta rica herança em cada gole. Ter a oportunidade de degustar um Porto Colheita da safra de 1937 (da Casa Burmester), então, é mais que uma oportunidade rara. É um momento sublime para os amantes dos caldos do Douro: é o encontro do trabalho de uma geração do início do século com a elegância revelada na taça décadas depois. Trata-se de uma epifania vinífera. Um Porto desta idade revela cores de matizes acobreadas, aromas oníricos e evoluídos. O doce, e o álcool, na boca é dionísico e a acidez presente confere a vivacidade que mantém o conjunto harmônico e a complexidade exuberante. O vinho não é doce à toa. O acréscimo de aguardente vínica corta o processo de fermentação preservando parte do açúcar residual e garantindo longevidade ao fortificado.

Os descritivos de um Porto desta idade são todos superlativos: aromas infinitos de frutas secas, creme brulê e mel que chegam em ondas e volatizam na taça mesmo depois de esvaziadas – e fica aquela cena bizarra de narizes enfiados em copos sem vinho, mas com um Porto virtual suspenso no ar. A intensidade de boca e de fim de boca são longuíssimos – recomendam evitar a escovação dos dentes pelo menos até a próxima refeição.

Porto e filosofia

O Porto é um vinho contemplativo, como um romance de Machado de Assis, que envolve pelas camadas narrativas. Os Portos mais antigos têm a densidade da filosofia. Aliás, vinho do Porto, com sua doçura e viscosidade, na modesta opinião deste colunista, é um vinho que harmoniza com a leitura, com o pensar e o diálogo.

Há uma aposta audaciosa em produzir um vinho para o futuro, que vai envelhecer por muitos anos. O  potencial de evolução de um vinho é um projeto que pode até ser desenhado na prancheta de uma vinícola, estar na cabeça de um enólogo, e até ser prevista pelos críticos mais doutos, mas só pode ser colocado à prova pelas gerações que estão por vir  – geralmente sem o testemunho de seus criadores. É como planejar uma catedral: os projetistas desenham o edifício e lançam os alicerces, mas as derradeiras torres furam as nuvens sem a presença destes. No entanto, a beleza da obra está presente para ser admirada pelas gerações futuras.

Safras antigas e frascos pequenos

Garrafa de 50 ml

O Colheita 1937 foi desarrolhado na presença de um dos atuais enólogos da Casa Burmester, o engenheiro Pedro Sá,  que desafiou os presentes a identificar o tipo de vinho numa primeira prova às cegas (aquela que é feita sem ver o rótulo). A mim me pareceu um madeira envelhecido.  Pedro Sá não estranhou minha associação, pois é parte da proposta da Burmester privilegiar a acidez de seus caldos a fim de manter um estilo fresco e irreverente, o que aproxima de fato o Colheita provado de alguns Madeiras excepcionais. A joia da coroa tem preço de joia mesmo: 3.100,00 reais e serão embarcadas apenas doze garrafas no Brasil pela Importadora Adega Alentejana. Chegam acompanhadas das safras do Colheita de 1944 (R$ 2.133,00) e de 1955 (R$ 1.750,00). Se você tem uma dívida de eterna gratidão com alguém que seja um apreciador de vinho – e dinheiro para isso -, está aqui o presente dos sonhos de Natal. Ou então faça uma vaquinha na sua confraria e dê um presente a si mesmo.

Antes que me acusem de leviandade, por tratar neste espaço de um rótulo tão inacessível, vale o parêntese:  um vinho de exceção só vem comprovar a qualidade  de uma casa produtora de Porto, no caso a J. W. Burmester. A Burmester é uma dessas vinícolas com história. São 250 anos de tradição – foi fundada em 1750. A casa produz portos de vários estilos: Tawny, Ruby, LBV, Vintages de 10 a 40 anos e brancos – sim, para quem não sabe existem portos brancos (conheça aqui todos os estilos do Porto). Outra curiosidade da Casa são as garrafas de 50 ml, para momentos em que uma taça é a medida ideal de sua sede.  Há pequenos frascos de todos os estilos: Burmester Ruby (R$ 6,80), Burmester Tawny (R$ 6,80), Burmester LBV (R$ 8,20), Burmester 10 anos (R$ 11,10), Burmester 20 anos (R$ 20,40) e Burmester 40 anos (R$ 52,40).

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Os vários tipos e estilo de Vinho do Porto

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Apesar de 80% da produção de Vinho do Porto ser dos tipos Ruby e Tawny – os mais comuns e baratos -, há uma variedade de estilos que são engendrados pelo tempo. Você sabe reconhecê-los? O guia abaixo mostra a diferença entre cada tipo e estilo de fortificado.

PORTO BRANCO

Elaborado a partir de uvas brancas (malvasia fina, viosinho, donzelinho, gouveio, codega e rabigato), pode variar conforme o grau de açúcar. Os muito doces são conhecidos como Lágrima, em seguida, há os Doces, Meio Secos, Secos e os Extra Secos.

PORTO TINTO

Entre as castas usadas na sua produção destacam-se: tinta amarela, tinta barroca, tinta roriz, touriga francesa, touriga nacional, souzão e tinto cão. O Douro é uma região de assemblage, está implícito na fórmula de seus vinhos de mesa e Porto a mistura destas uvas.

Dependendo da safra e do tipo de envelhecimento, os Porto tintos são divididos em sete grupos

– RUBY: obtido por lotação – mistura de vinhos de diversas safras (até uma quinzena de vinhos de qualidades diferentes). Passa por estágio em grandes barris de madeira (chamado em Portugal de balseiros), adquirindo um bouquet especial. Depois de engarrafado, está pronto para ser apreciado, já que não evolui na garrafa. Este vinho mostra-se ruby na cor, como diz o nome, é jovem, encorpado e frutado.

Depois de aberto: Beber em até 10 dias

– VINTAGE CHARACTER: é um tipo de Ruby melhorado, mais complexo, encorpado e intenso, já que sua lotação inclui Vinhos do Porto de qualidade superior – com uma média de idade entre três e quatro anos.

Depois de aberto: Beber em até 10 dias

– TAWNY: o nome vem da cor alourada. Por causa do envelhecimento prolongado em cascos de carvalho de menor tamanho (525 litros), esse vinhofoi perdendo os tons avermelhados e adquirindo tonalidades alaranjadas. Como o Ruby, o Tawny é fruto de lotação de vinhos de diferentes safras. Quando é denominado apenas Tawny (sem indicação de idade) resulta de uvas com idade média de 3 anos. É um vinho elegante e delicado.

Depois de aberto: beber em até 4 semanas.

– TAWNY COM INDICAÇÃO DE IDADE: resulta da lotação de vinhos de diferentes safras no resultado final da garrafa, cuja idade média é a indicada no rótulo: 10, 20, 30 e mais de 40 anos. A data de engarrafamento costuma aparecer no rótulo ou no contra-rótulo. O longo envelhecimento em madeira permite o desenvolvimento de aromas complexos e persistentes, além da perda de pigmentos. Um bom exercício é comparar os Tawny de diferentes idades, tanto na cor, como no aroma. Todos, sem dúvida, muito especiais.

Depois de aberto: beber entre 1 a 4 meses (quanto mais antigo mais tempo mantém suas características).

– VINTAGE: quando um vinho é considerado de qualidade excepcional – o que é feito com a aprovação do Instituto do Vinho do Porto –, ele segue sozinho (sem lotação) para um estágio de dois anos em madeira. Depois, continua o seu envelhecimento em garrafa  desenvolvendo o seu bouquet, longe do ar e da luz. O Vintage pode ser degustado logo a seguir ao engarrafamento. Nesse momento, tem cor retinta intensa e aromas complexos, muito frutados e florais. Na boca, sentem-se os taninos e certa adstringência, tudo com muita estrutura e persistência. Quem preferir guardar o vinho por alguns anos – uns dez anos — não se arrependerá. Com o tempo, ele adquire complexidade. O rótulo, além de mostrar a data da safra, deve indicar também a do engarrafamento.

Depois de aberto: beber em 1 a 2 dias.

– LBV (Late Bottled Vintage): a data estampada na garrafa indica o verdadeiro ano da safra. Esse vinho passa de quatro a seis anos em madeira, antes de ser engarrafado. De grande qualidade, tem coloração intense, frutas vermelhas maduras e presença de taninos.

Depois de aberto: beber em até 10 dias.

– COLHEITA: é um vinho de uma safra só, indicada no rótulo. Envelhece em madeira (525 litros) por, no mínimo, sete anos, seguindo para o engarrafamento apenas quando se deseja colocá-lo no mercado. De cor alourada, remete a aroma de frutos secos e especiarias. Não evoluem na garrafa. Na boca é suave e complexo ao mesmo tempo.

Depois de aberto: beber entre 1 a 4 meses  (quanto mais antigo mais tempo mantém suas características)

Temperaturas de serviço
Ao contrário do que possa parecer, o Porto também deve ser degustado em temperaturas adequadas, que realçam sua fruta e aromas. Evite tomá-lo mais quente, pois a percepção do álcool, que já é elevado, vai subir ainda mais:

Porto Branco: 6-10ºC
Porto estilo Ruby: 12-16ºC
Porto estilo Tawny: 10-14ºC

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Porto e comida, por Carlos Cabral

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Como comentei no post Vinho do Porto Colheita 1937: bebendo história, na minha opinião o Porto é um vinho à capela. Harmoniza mais com a leitura, com o pensar e o diálogo do que necessariamente com comida. Para quem aprecia, um charuto também é um bom companheiro. Mas na verdade o Porto é uma bebida versátil que permite várias combinações. Assim como existe uma carne para cada tipo de churrasco, existe um Porto para cada ocasião. Há alguns anos, o maior especialista em Vinho do Porto no Brasil, Carlos Cabral, autor de uma obra fundamental sobre o tema, Porto Um Vinho e Sua imagem e consultor de vinhos, propôs harmonizações com vários estilos de Porto. Republico aqui para os leitores do Blog do Vinho, estas dicas de um mestre no tema.

– VINHO DO PORTO BRANCO SECO (ou mais conhecido como Porto White)

Há 20 anos foi criado um drinque à base de Porto White, trata-se do Porto de Verão ou Portonic: uma dose de Porto Branco em um copo de Long Drink, 3 pedras de gelo, uma rodela de limão e completa-se com água tônica.

Harmonização: refrescante, combina bem com os acepipes, ou aperitivos de entradas, salgadinhos, canapés e presunto cru.

Vinho recomendado: Porto Comenda White.

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VINHO DO PORTO RUBY (jovem) ou Ruby mais robusto ( PORTO LBV)

Estes Portos têm aromas e sabores pronunciados de frutas vermelhas maduras, como framboesas, amoras e ameixas.

Harmonização: aqui os chocolates reinam. Desde os trufados, até os meio amargos, todos ganham destaque quando saboreados com estes Portos, pois a untuosidade destes tipos de Porto casam-se bem com as gorduras do chocolate.

Vinho recomendado: Vinho do Porto Ferreira Ruby

– PORTO COM DENOMINAÇÃO DE IDADE, 10, 20, 30 ou 40 anos.

Estes vinhos passam uma vida em tonéis de carvalho, oxidando e absorvendo os aromas de baunilha das pipas de carvalho. Seus aromas lembram caramelo e madeira defumada.

Harmonização: a companhia destes vinhos são as frutas secas como nozes, ameixas, damascos, avelãs, noz pecã, castanhas de caju, e principalmente amêndoas. Os marzipans e as tortas de frutas secas, regadas com estes vinhos, são de um sabor sublime.

Vinho recomendado: Vinho do Porto J.W. Burmester 10 anos

– PORTO COLHEITA

Vinhos que passam de 7 anos em diante envelhecendo em tonéis de carvalho. São de uma só colheita e não são resultado de blends entre outros vinhos. Têm todas as características de seus anos de colheita preservados. Geralmente existem no mercado vinhos dos últimos 7 anos e alguns até mais velhos, com décadas de idade.

Harmonização: estes vinhos acompanham bem as tradicionais sobremesas portuguesas à base de ovos e amêndoas. O Pudim do Abade de Priscos, os Pastéis de Belém, os Pastéis de Santa Clara, os Fios de Ovos são a pedida.

Vinho recomendado: Porto Weise Krohn Colheita 1991

– VINHO DO PORTO LBV

Com uma concentração de aromas de frutas vermelhas maduras, este tipo de Porto é um dos mais apreciados nos dias de hoje. De cor tinta escura, bem concentrada, o LBV tem particularidades de um caldo de framboesa.

Harmonização: os queijos azuis, como o gorgonzola, o roquefort ou o stilton ( inglês) harmonizam-se soberbamente com este vinho.

Vinho recomendado: Graham’s LBV 1995

– VINHO DO PORTO VINTAGE

O Porto Vintage “é uma seleção apertada de uma colheita excepcional”. É o que a natureza pode dar de melhor ao homem em termos de vinho. A quem os prefira jovem, para obter o melhor proveito de suas frutas maduras e sua pujança nervosa, e os que o preferem mais velhos, onde o tempo afina seus aromas e sabores.

Harmonização: em ambos os casos aqui impõe-se o queijo da serra da estrela, a grande jóia da gastronomia lusitana, um queijo de ovelha, rico em aromas e paladar único em todo o mundo.

Vinho recomendado: Vinho do Porto Vintage Quinta do Crasto 1997.

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quinta-feira, 16 de abril de 2009 Porto, Teste, Tintos, Velho Mundo | 22:04

Você conhece vinho do Porto?

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O vinho do Porto é uma instituição. Sinônimo de vinho português pelo mundo teve uma presença marcante no Brasil durante o Império e a República. Até meados do século passado, era comum finalizar ou iniciar as refeições com um cálice desta bebida.

Elaborado com uvas típicas da região do Douro, e armazenado nas adegas de Vila Nova de Gaia (foto), ficou conhecido como Vinho do Porto a partir da segunda metade do século XVII por ser exportado a partir da cidade portuária de mesmo nome.

Certamente, o leitor deste blog já bebeu algum Porto na vida, se é que não dá suas talagadas eventuais. A propósito, o Brasil é, hoje, o 11º maior mercado do Porto em todo o planeta. Mas o quanto você sabe sobre este fortificado único? O Blog do Vinho elaborou mais um teste para tentar, de uma forma divertida e despretensiosa, avaliar seu conhecimento.

[QUIZZIN 4]

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Livros, Porto, Velho Mundo | 21:59

O Douro, o Porto e as letras

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Você fez o teste do Vinho do Porto? De qualquer forma, se você curtiu o aperitivo e quer entender um pouco mais sobre este fermentado fortificado, uma obra essencial é o já citado Porto e Um Vinho e sua Imagem (2006), do especialista e entusiasmado Carlos Cabral. O livro recupera a história da bebida desde o século XVII com base em mais de vinte viagens que o autor realizou a região e apresenta imagens de cerca de 300 rótulos, incluindo raridades.

Junta-se agora à bibliografia do Porto um livro mais abrangente na temática mas nem por isso menos didático em seu intuito: Os Sabores do Douro e do Minho (Editora Senac), do jornalista Marcelo Copello, que esquadrinha duas importantes regiões vinícolas lusitanas, que produzem dois caldos típicos e únicos: o Porto e o vinho verde. Copello leva pela mão o leitor apresentando a história das regiões, de seus mais importantes produtores e finalmente conta tudo que você precisa saber sobre seus vinhos, elaborados com as curiosas castas típicas das quintas portuguesas. Complementam esta “ementa” editorial receitas que nasceram e cresceram junto a estes vinhos, uma harmonização onde a gastronomia e os tintos, brancos e fortificados, mais do que complementos, são parceiros de vida.

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