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segunda-feira, 19 de outubro de 2015 Brancos, Novo Mundo, Tintos | 23:13

Viña Carmen, uma vinícola chilena “especialista em carmenère”

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Sebatian Sabbe e a linha Premiere e Gran Resevra: de roupa nova

O enólogo Sebastian Labbe e a linha Premier e Gran Reserva: de roupa nova

A uva carmenère é responsável por um vinho assim meio Paulo Coelho. Os consumidores adoram, incluindo os brasileiros, e os especialistas torcem o nariz. É justo. E é injusto – com a carmenère, não com o Paulo Coelho. E esta implicância tem lá sua razão de ser. “Redescoberta” em 1994 no Chile (era confundida com a merlot), precisou passar por um aprendizado para encontrar seu lugar no mundo do vinho. Os primeiros exemplares – e curiosamente os que fizeram seu sucesso e marketing – tinham um sabor exageradamente vegetal, verde, pois ainda não se conhecia o tempo correto de maturação, mas já tinha como característica um toque mais macio que o da cabernet sauvignon. Mesmo assim ganhou o carimbo de uva porta-estandarte do Chile. Com o tempo, foi encontrando o solo mais adequado, tempo correto de colheita e um perfil mais refinado – além de ser usada com sucesso para cortes (misturas com outras uvas).

A Viña Carmen é parte importante desta historia. Foi em suas terras que se deu o reconhecimento da varietal carmenère em 1994 após a desconfiança do ampelógrafo francês Jean-Michel Boursiquot de que algumas uvas consideradas como merlot não maturavam no tempo correto. Comprovada sua teste em exames laboratoriais, a certidão de “renascimento” da carmenère foi lavrada e a notícia ganhou o mundo. Originária da França, da região de Bordeaux, como a maioria das uvas blockbusters internacionais, é raridade em sua terra natal. Esta história, repetida “ad nauseam” por todo produtor e enólogo chileno que vem ao Brasil, confere uma certa paternidade da carmenère à Viña Carmen. “Como fomos os pioneiros, temos a obrigação de ser especialistas em carmenère”, diz o enólogo-chefe da Carmen, Sebastian Labbe, que começou na empresa em 2005 limpando cubas.

De cara nova

A Viña Carmen não é uma novidade nas taças dos brasileiros, um volume razoável é consumido por aqui, o bastante para colocar o Brasil como o terceiro mercado mais importante para a vinícola, atrás da Irlanda e do Canadá, A Viña Carmen, tão pouco, é uma estreante no ramo. Terceiro maior grupo vinícola do Chile, também ostenta o título de a mais antiga vinícola do país  ainda em atuação (foi fundada em 1850), além de ser a primeira considerada orgânica.

Estes eram os rótulos que você encontrava nas prateleiiras das lojas e na importadora

Estes eram os rótulos que você encontrava nas prateleiras das lojas

Atenta ao tamanho que as vendas no Brasil representam em seu balanço financeiro, a empresa trouxe em primeira mão o novo figurino de suas garrafas. Os rótulos de fundo branco, “meio apagados e sem destaque nas prateleiras de lojas e supermercados”, segundo o diretor de exportações Luis Carlos Andrade, ganharam texturas mais escuras (azul escuro, vinho) e molduras que transmitem mais nobreza e os distinguem entre outros rótulos. A repaginada também reclassificou o antigo Reserva que agora atende pelo nome de  Premier.

É assim que você vai encontrá-los nas lojas agora

É assim que você vai encontrá-los agora nas lojas


Carmenère

Mas e aquela desconfiança dos especialistas com a carmenère? Preciso confessar que estou naquele time que se tiver de escolher um rótulo chileno não será da uva carmenère. Mas é preciso dar a mão à palmatória: os vinhos vêm evoluindo e, às vezes, surpreendendo. Como ensina Sebastian Labbe, houve um aprendizado. O tipo do solo, por exemplo, é importante. “Pedra não é bom para carmenère”, ensina. “Regra número 1: solo bom para cabernet sauvignon não é bom para carmenère.” E por aí vai.

Um bom exemplar desta prova nos noves é o Carmen Gran Reserva Carmenère 2012 (R$ 128,00), com uvas da região de Apalta, no Vale de Colchagua. Em uma frase: é um caramenère com acidez, frescor e boa fruta madura no nariz e no final da boca. Totalmente varietal? Quase, uma pitada de 5% de carignan na receita “dá uma levantada no final de boca evidenciando o frescor”, revela Sebastian Labbe, que costuma decidir o ponto ideal da colheita das frutas pela velha e boa prova da boca (prática que o enólogo Felipe Toso,  da linha Grey da Ventisquero, também adota. (Leia em Felipe Toso, o “cozinheiro” dos vinhos chilenos Grey, comemora dez safras, explora novos terrenos e lança rótulos).

Um ou dois degraus abaixo o Carmen Premier Carmenère 2014 (R$ 90,00), também de Colchagua, suaviza o vegetal da carmenère mas mantém seus traços um pouco mais exibidos. A nova linha Premier inova no rótulo, mas não abandonou o estilo típico do carmenère que atendia  pelo nome de Reserva  e que você provou por aí. Corpo médio, é correto, mas não empolga. Os 40 reais que os separam fazem diferença.

Cabernet Sauvignon e Chardonnay

Mas nem só de carmenère vive a Viña Carmen. Seu Cabernet Sauvignon Gold Reserve 2009 já ganhou destaque no Guia Descorchados – a referencia dos vinhos chilenos e argentinos – e a chardonnay levou 90 pontos do Robert Parker (que na realidade não quer dizer nada, mas também quer dizer alguma coisa, depende da sua visão do mundo do vinho).

Carmen Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2012 (R$ 128,00). Com uvas de vinhedos próprios da região do Alto Maipo, berço nobre da cabernet sauvignon no Chile, este tinto tem um perfil de boa tipicidade da varietal, carnudo e uma acidez que é resultado da diferença da temperatura entre o dia e a noite. “Nem sempre uma grande amplitude térmica é algo bom. Como à noite a temperatura baixa muito, a cabernet sauvignon precisa ter um maior teor alcóolico”, observa Labbe, que acredita que “a cabernet sauvignon precisa se reposicionar no Chile”. Aqui a concentração e a estrutura dão as mãos para acidez e resultam num caldo que aponta um direcionamento  mais marcado para a expressão da fruta

Pra finalizar um vinho que costuma iniciar os trabalhos, um branco. O Carmen Gran Reserva Chardonnay 2013 (R$128,00), da região certa para as uvas brancas, Casablanca, vem de vinhedos de mais de 22 anos. Passa por uma fermentação em barricas francesas de 25% do seu caldo e 9 meses em contato com as leveduras. Resultado: notas amanteigadas e tostadas na medida (tem que não goste, me agrada na medida certa), toques frutados de pêssegos maduros e fechando o conjunto uma acidez equilibrada.

Os vinhos da Viña Carmen são importados pela Mistral.

 

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 Brancos, Novo Mundo, Sem categoria, Tintos | 09:36

Vinhos e vinícolas do Chile: anotações de uma viagem. Vale de Colchagua

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Vale de Colchagua, Chile: uma viagem pelos rótulos conhecidos

Vale de Colchagua, Chile: uma viagem pelos rótulos conhecidos

Viajar pelo Chile, mais especificamente em suas “rutas del viño”, é quase como passear pelos corredores dos supermercados e prateleiras de lojas de vinho: o nome das vinícolas, iguais aos rótulos mais conhecidos dos consumidores, vão se sucedendo em forma de placas, edifícios e vinícolas. Há rotas nas diversas regiões vinícolas do país, algumas praticamente dentro de Santiago, como Vale do Maipo. Outras mais afastadas, mas a poucas horas da capital. Todas oferecem restaurantes, visitas guiadas e às vezes até hospedagem dentro dos vinhedos.

Não é à toa que o viajante reconheça as vinícolas pelo nome. O Chile foi responsável por mais de 40% de volume de vinho exportado no Brasil no primeiro semestre de 2014 segundo estudo realizado semestralmente pelo consultor Adão Morellato. Em segundo lugar vem a Argentina com uma diferença de 25,22%. O Chile é também o 8º maior produtor de vinhos do mundo – são 600 vinícolas, 300 empresas -,  e o 5º país que mais exporta tintos e brancos, são 60 as principais exportadoras.

A divisão das regiões por vale estabelece os limites das zonas vinícolas no Chile, mas alguns nomes têm o poder de confundir os menos atentos: Colchagua, Aconcagua, Cachapoal viram uma salada de fruta na cabeça do incauto viajante que depois de um tempo já não se lembra mais onde está ou por onde passou. Por sua vez, Concha y Toro, Cusiño Macul, Viña Montes, Casa Silva, Santa Rita, Viu Manent, Santa Helena, Ventisquero, Miguel Torres, Morandé entre outros tantos soa familiar aos olhos e ouvidos dos brasileiros. É o efeito prateleira de supermercado que dá conforto e bússola ao viajante-enófilo verde-amarelo.

Conhecer de perto onde é produzido o seu vinho preferido, aquele que está à mão, ou aproveitar e provar rótulos de outras variedades é uma experiência bacana. Acompanhado de uma boa refeição nos restaurantes preparados para receber turistas, às vezes aos pés da Cordilheira dos Andes, às vezes em torno de vinhedos, também é parte do roteiro. Assim como é parte da experiência arriscar uma garrafa de um rótulo de qualidade superior. Afinal o preço dos vinhos é de matar de inveja qualquer consumidor que paga o que paga pelas garrafas no Brasil, fruto de uma carga tributária extorsiva, margens de lucro nem sempre razoáveis – e agora um dólar em disparada.

O Chile é abençoado pela localização geográfica e pela natureza para produzir vinhos. Tem o Oceano Pacífico de um lado e a Cordilheira dos Andes do outro, formando um corredor de proteção sanitária para os vinhedos e criando todas as condições climáticas para produzir qualidade e variedade: seco e quente de dia – cheguei a pegar mais de 34 graus no meio do dia -, frio ou fresco à noite, motivado pelos ventos que descem as cordilheiras e lambem as plantas.

Um pequeno giro recente pelo Chile mostrou esta capacidade de produzir rótulos de todas as linhas. A conversa com enólogos e produtores apontou a profissionalização cada vez maior desta indústria, sua inserção tecnológica, e atenção com as mudanças no gosto do consumidor, que aparentemente está pedindo vinhos mais leves, frescos, bebíveis, com menos potência e menos influência da madeira.

Também está presente, pelo menos no discurso de todas as empresas visitadas, uma preocupação com o meio ambiente, com o processo de produção e com uma agricultura mais sustentável, quando não orgânica e mais voltada para princípios naturais

Para mim não ficou claro todavia se esta mudança de perfil dos vinhos se dá desde a linha mais básica e ficou uma dúvida sobre o que aconteceu de repente com aquele consumidor da base da pirâmide que amava o vinho amadeirado, aquela doçura em boca e com alguns aromas, mesmo artificiais, que davam reconhecimento aos vinhos consumidos. Foram abduzidos? Aliás o mesmo discurso e dúvida valem para os vinhos argentinos.

 

Visita ao Vale de Colchagua

Trecho do Vale do Cachapoal, no Chile

Vinhedos do Vale de Colchagua: daqui para sua adega

Colchagua – este vale chileno reúne a grande maioria das vinícolas, entre as grandes estão: Bisquertt, Casa Silva, Cono Sur, Lapostolle, Los Vascos, Luis Felipe Edwards, Montes, Montgras, Santa Cruz, Santa Helena, Siegel, Ventisquero e Viu Manent. O vale de Colchagua corta o país no meio, começando nas Cordilheiras dos Andes, passando pela Cordilheira da Costa e terminando no Oceano Pacífico. Como ensina o enólogo chileno da Casa Silva Mario Geisse: “Esta característica lhe confere uma diversidade de condições microclimáticas para variedades diferentes com características marcantes”. O rio principal que vai influenciar a região é o Tinguiririca. A uva cabernet sauvignon domina a área plantada: são 12 mil hectares contra 3,4 da carmenère, 3,2 da merlot e 2,2 da syrah. Entre as brancas predominam chardonnay e a sauvignon blanc. Por aqui a visita se limitou a duas representativas vinícolas da região, Viña Montes e Viu Manent. Os enólogos, como de costume, nos apresentaram seus rótulos mais significativos, nem sempre os mais baratos, mas que demonstram o potencial e o estilo de cada empresa.

A ponte, a água, os vinhedos ao fundo: feng chui e vinhos especiais

Viña Montes: a ponte leva à adega, os vinhedos ao fundo: feng chui e vinhos especiais

Viña Montes – A Viña Montes é velha conhecida dos amantes dos tintos e brancos chilenos no Brasil. Tem bons vinhos na sua base e cultuados tintos no topo da pirâmide, como o Montes Alpha M, o Purple Angel e o Folly. A arquitetura da Bodega é uma viagem dentro da viagem, com linhas arrojadas e integração com a natureza adota o conceito feng shui assim explicado no site da empresa: “Na entrada da vinícola há uma ponte de acesso de madeira sobre uma pequena lagoa, cuja água flui em direção ao prédio, seguindo o princípio fundamental do feng shui, que diz que a prosperidade apenas chegará se a água, representando energia, fluir em direção ao centro do prédio, não o contrário, para longe dele. No centro da vinícola há uma fonte, logo abaixo de uma claraboia em formato de lírio, representando o sol e a lua: o ponto a partir do qual a energia é distribuída, conectando o prédio ao universo externo.” Na sala de degustações, o visitante fica diante de barricas de carvalho que repousam sob uma iluminação controlada e som de música clássica e cantos gregorianos. Se isso influencia ou não o vinho eu não sei, mas é sempre uma boa história para contar e torna toda visita mais agradável.

Da série a vida vale a pena num lugar assim: área externa do restaurante da Viña Montes

Da série a vida vale a pena num lugar assim: área externa do restaurante da Viña Montes

O restaurante, próximo à ponte e à lagoa, completam a visita juntando a comida ao vinho, ambos de excelente qualidade.

Quatro vinhos da Viña Montes

Outer Limits – esta é uma linha mais recente da Montes que explora vinhedos “além das fronteiras”, como indica o nome. São vinhedos em três regiões diferentes (Aconcagua, Colchagua e Itata), cada um com características próprias: próximo do mar, grande declive do terreno e vinhedos centenários e históricos.

Technical Data Sauvignon Blanc 2014
Outer Limits Sauvignon Blanc 2014
– o Guia Descorchados, de Patricio Tapias, uma referência para vinhos do Chile e da Argentina, deu 94 pontos e elegeu o melhor sauvignon do Chile. É um sauvignon blanc mais macho, intensa acidez, provoca uma boa salivação, cítrico, muito mineral e com um toque salgado. Este vem da Costa de Zappalar, no Vale de Aconcagua, a uma distância bem próxima do oceano pacífico: 7 quilômetros. R$ 120,00

Bottle Cinsault 2014

Outer Limits, Old Roots, Cinsault 2014 – este é um vinho para aqueles que querem provar algo diferente e com mais pegada. Um Cinsault que passa por maceração carbônica (a fermentação e feita dentro da uva e não há esmagamento da fruta), não passa por barrica, tem um corpo leve, um sabor que lembra morangos frescos, o finalzinho terroso. Pra comprar e beber logo, de preferência mais resfriado, como um beaujolais. A primeira safra é de 2013, uma novidade que não consta do catálogo do importador no Brasil, mas se chegar vale provar.

 

mon tesalpha

Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2012 – quem é consumidor de vinho e nunca tomou um Montes Alpha numa churrascaria em São Paulo levanta a mão! São três tintos: malbec, cabernet sauvignon, carmenère. O cabernet sauvignon foi, já em sua primeira safra, de 1987, reconhecido internacionalmente como um vinho premium. O que mais chama atenção é a consistência ano a ano, a boa fruta, o uso integrado da madeira (passa 12 meses na barrica), o final intenso e taninos prontos para beber. As uvas, cabernet sauvignon (90%) e merlot (10%) são representantes do Vale de Colchagua, em Apalta e Marchigüe. R$ 112,00

MontesAlphaM11Montes Alpha M 2011 – talvez a grande estrela da Viña Montes, apesar de não ser o mais caro, este corte tem como protagonista a cabernet sauvignon (80%) e a colaboração das também uvas bordalesas cabernet franc (10%), merlot (5%) e petit verdot (5%). A belezinha passa 18 meses em barricas 100% francesas e tem todos aqueles descritores clássicos de um bom vinho deste nível: muita fruta vermelha mais madura, cassis, os aromas chegam num primeiro ataque de frutas e evoluem para cheiros de terra, trufas, bosque, tabaco. Taninos doces e belo final. Tá tudo lá. Uma decantada abre mais as percepções, vale a pena pela grana que você vai investir no bichão (em torno de 450 reais). E se alguém te oferecer uma safra 2002, recuse, é falsificado. Não teve Montes Alpha M 2002, ok? A safra de 2006, provada em uma degustação promovida pela associação “Viños de Colchagua” em São Paulo, mostrou o potencial de evolução do caldo, com integração das frutas e uma estupenda concentração e cor. Entre 12 tintos provados foi um dos meus preferidos. Detalhe, seguindo a filosofia natural e holística da vinícola o Montes Alpha M é etiquetado a mão para manter a energia da bebida. Ah, tá!

Os vinhos da Viña Montes são importador pela: Mistral

Fachada da Viu Manent: não deixe de conhecer o restaurante

Viu Manent: não deixe de conhecer o restaurante  Rayuela Wine & Grill

Viu Manent – propriedade familiar, é tocada pela família Viu Bottini desde 1935. A Viu Manent é uma vinícola de tamanho médio e se tem uma marca resgistrada é da excelência dos malbecs chilenos, que junto a outras variedades são plantados nos três vinhedos em Colchagua: San Carlos (o mais antigo), El Capilla e El Olivar. O enólogo-chefe, Patricio Celedon, explica que desde 2010 uma série de estudos foram realizados nos vinhedos para conhecer melhor o terreno e o solo. O conceito anterior de blocos foi substituído por setores, limitados não apenas pelas características do solo (mais pedra, menos pedra, areia, argila etc), mas também pela condutividade eletromagnética do solo que determina uma maturação ótima para as frutas de cada trecho do vinhedo. Ou seja, a colheita das uvas é feita de forma pontual, por parreira. Para o visitante além do tradicional tour e degustação é imperdível uma parada no restaurante Rayuela Wine & Grill, claro que acompanhado de um dos rótulos da casa.

Quatro vinhos de Viu Manent

VIU- SuavigonBOT SESB14

Secreto Sauvignon Blanc 2014 – a linha Secreto tem três características que a definem: o frescor do estilo, pois são vinhos mais joviais e fáceis de beber; o rótulo, que é uma criação da artista chilena Catalina Aboot que desenhou seis interpretações marcantes para cada varietal (sauvignon blanc, viognier, pinot noir, malbec, carmenère e syrah) e o marketing, pois cada varietal é mesclado com uma pequena porcentagem de outra uva que não é revelada, é o “segredo” que batiza o vinho. Este sauvignon blanc de vinhedos de Casablanca, a 11 quilômetros do mar, de solo granítico e com quartzo, traz a seguinte sensação ao vinho: salinidade e mineralidade. Com ótima acidez tem um curioso cítrico salgado, limão com sal, manja? R$ 75,00

Viu-SyrahBOT SVSYOA13

El Olivar Syrah 2013 – um Viu Manent Single Vineyard, também conhecido como um vinho de um único vinhedo. A safra 2013 ainda não chegou às prateleiras, mas quando se materializar, vale provar. Um vinho que dá muito prazer e mostra o potencial da syrah do Chile (em dezembro de 2014 um vinho da uva syrah, o Syrah Gran Reserva 2012, da Viña Casas del Bosque, foi eleito o melhor vinho chileno pela concurso Wines of Chile realizado no Brasil pela primeira vez). Bom aromas de pimenta, especiarias, mas com uma fruta fresca. Fino e elegante na boca, profundo com ótima acidez natural. R$ 150,00

Viu-BOT EICA10

 El Incidente Carménère 2010 – carmenère, não? Afinal estamos no Chile!!! Mas não é voo-solo. Agregam-se à mescla um tanto de petit verdot e outro de malbec. Trata-se de um carmenère com belo potencial de guarda com taninos redondos e doces, macio, uma nota de pimenta negra, bastante concentrado, redondo, amplo na boca com fruta vermelha e evolução de tabaco e café depois de um tempo na taça. Taí, uma carmenère para rever algum eventual preconceito contra a uva. R$ 280,00.

Viu1_BOT VIU11

Viu 1 2011 – o chamado vinho ícone da casa, não podia deixar de ser, é um malbec 100% das tais parreiras centenárias, de edição limitada e garrafas numeradas. Também agraciado como o melhor malbec pelo Guia Descorchados. Homenageia o fundador da empresa, Don Miguel Viu Manent. As uvas sempre vieram de um mesmo setor, o de número 4. E sempre que a decisão é contestada pelos enólogos a degustação às cegas prova que algo ali naquele pedaço de terra, de excelente drenagem, gera uma qualidade inigualável para o malbec da Viu Manent. E o vinho? Floral intenso no nariz, fruta negra, boa estrutura, espalha a bebida tirando-a do centro boca, um vinho largo que proporciona um final bastante longo. Este mesmo caldo, da safra de 2007, provado em São Paulo, mostrou sua evolução com a mesma estrutura parruda, potência, fruta madura e uma alta acidez, que vem do petit verdot e do vento fresco da cordilheira. R$ 600,00.

Os vinhos da Viu Manent são importados por: Hannover

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Enólogo e equilibrista: Patricio Celedon tira uma amostra de um vinho de barrica

Outras três grandes vinhos de Colchagua

Como já foi dito, a associação “Viñas de Colchagua”, que junta 13 importantes vinícolas da região, promoveu em São Paulo no mês de outubro uma grande degustação, coordenada pelo craque Mario Geisse. O evento contou com a participação de 12 enólogos-chefes que apresentaram seus rótulos mais representativos das melhores safras. Além dos dois tintos comentados acima, destaco outros três grandes que impressionaram na comparação com seus pares.

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Ventisquero Pangea 2009 – a Ventisquero produz vinhos em todas as linhas, sendo o Grey, um tinto de preço mais acessível, um dos meus favoritos (leia mais aqui). O Pangea faz parte do escalão de cima dos títulos da empresa, denominados ultrapremium. Mais uma vez a syrah brilha no Vale de Colchagua. O vinho permanece 20 meses em barricas de carvalho francês (50% novas) e ainda descansa mais 18 meses na garrafa. Estiloso na boca, muita fruta vermelha e negra e mineral (os enólogos costumam citar o grafite para vinhos “minerais” de Colchagua, já que o solo é de granito e com minerais como ferro e quartzo). Taninos macios e doces, baita estrutura. Melhor decantar, até por que não é filtrado e podem sobrar um resíduos na garrafa. R$ 260,00

Importado por: Cantu

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Bisquertt Family Vineyards Tralca 2010 – um vinho do ano do grande último terremoto no Chile. Trata-se de um blend de cabernet sauvignon (65%), carmenère (31%) e syrah (4%). Outro ícone que  faz um tributo aos fundadores da vinícola familiar que existe desde 1978. Eu não conhecia e foi uma grata surpresa. Bom volume em boca, arredondado e aveludado. Também tem seus quase dois anos de barricas novas francesas. (lembra aquela história de usar menos barrica? Bom, nestas safras mais antigas não me parece que gerou algum problema.) O que define este vinho é a fruta elegante, madura, de excelente paladar em boca. Ou como define o enólogo da casa: “Como enólogos precisamos de uma palheta de cores variadas (as frutas) para produzir um bom vinho”. Acho que ele tem razão. R$ 280,00

Importado por World Wine 

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Casa Silva Microterroir de los Lingues Carmenère 2007 – a carmenère do Chile tem um história conhecida entre os entendidos. Era confundida com a merlot e colhida e vinificada junto. Depois de descoberta – e transformada como uva símbolo pelo Chile, apesar de não ser a melhor – houve um período de aprendizado que resultou em bons caldos como este excepcional carmenère elaborado pela Casa Silva. Diz Mario Geisse: “Existia um preconceito de que a carmenère seria um vinho de vida curta. O Microterroir mostra o contrário”. São produzidas 20.000 garrafas por ano deste tinto elegante com aromas de ameixa preta, especiarias, frutas vermelhas e uma bala toffe depois de um tempo. Tem taninos sedosos (desce maneiro, entende?), boa estrutura, final longo e na boca confirmam as frutas (eu percebi uma goiaba em compota) e a especiarias (pimenta preta). R$ 250,00

Importado por: Vinhos do Mundo 

 

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