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terça-feira, 14 de março de 2017 Blog do vinho | 13:06

O que a escolha do crítico Steven Spurrier como Homem do Ano tem a ver com o papel das comunidades e redes sociais de vinho

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O aclamado crítico e jornalista Steven Spurrier: Homem do Ano da Decanter

O jornalista e critico de vinhos Steven Spurrier levou o título de homem do ano de 2017 da revista inglesa Decanter (leia aqui reportagem – em inglês), a mais prestigiada publicação do setor. Esta honraria joga luzes, desde 1984, sobre uma personalidade importante do mundo do vinho e já elegeu produtores, críticos e enólogos. A divulgação é garantida: o cidadão eleito – e aquilo que ele representa – ganha repercussão mundial neste mercado.

E o que Spurrier representa? Uma trajetória vencedora e uma história de vida dedicada ao vinho, fato. Mas também é um porta-voz de uma mídia em busca de um bote salva-vida: a revista impressa especializada (leia mais sobre o crítico nos parágrafos abaixo). Sua escolha suscitou uma questão na rede: trata-se de uma justa homenagem ou autopromoção da publicação e o que ela representa? Afinal o jornalista é editor da Decanter há 20 anos. Não cabe aqui questionar a lisura ou legitimidade do prêmio. A escolha é ratificada por personalidades do meio consultadas pela revista. E, convenhamos, é uma decisão editorial da Decanter. Ela só vale aqui para provocar alguns pontos de discussão, o que vem logo abaixo.

O velho e o novo

Esta premiação ocorre no momento em que as publicações especializadas e a opinião dos velhos influenciadores estão sendo colocadas em cheque pelas redes sociais e comunidades de avaliação de vinhos. A dicotomia nem é a da mídia impressa X mídia digital, pois a curadoria e a relevância dos palpiteiros digitais (no qual me incluo) também está em discussão. Todo o velho modelo, ou nem tão velho assim, enfrenta a concorrência da comunidade digital e seus aplicativos sempre à mão – leia-se Vivino, Cellar Tracker, e os onipresentes Facebook, Twitter e Instagram da vida. Hoje eles também são protagonistas.

Será que um dia a Decanter terá coragem de outorgar o prêmio de “homem do ano” ao consumidor que dá sua opinião nas redes sociais, ou em uma comunidade/ferramenta agregadora de dados e reconhecer a democratização da informação que elas proporcionam?

Tudo que é físico se transforma em digital

A internet é uma destruidora de modelos de negócio. É disruptiva por definição. Foi assim com a música, chegou na mídia e agora transforma todas áreas de negócios que toca: financeiro, comercial, serviços, transportes, turismo. Todo consumidor é um “opinador”;  um editor amador que tem várias ferramentas à mão para expressar seu ponto de vista. Pelas redes sociais um “opinador” muito compartilhado acaba virando um influenciador, às vezes até mais relevante que o profissional que vive disso. Não é difícil detectar a influência da opinião coletiva e para onde caminha a humanidade. Quando informalmente você cita um vinho para um colega que aprecia a bebida, qual a pergunta mais comum?

  1. Qual a cotação do vinho no Vivino (23 milhões de usuários)?
  2. Qual a nota do Robert Parker (ou outro crítico ou revista qualquer)?

Posso apostar, sem muita chance de erro, que a primeira hipótese é mais comum. Em seguida, o sujeito consulta o aplicativo no celular e após rápida pesquisa mostra o rótulo na tela pequena e todo os dados existentes: o ranking do vinho entre os consumidores do mundo,  a lista de avaliações, o tipo de uva, região etc..

Tem seu contraponto também. A opinião do coletivo pode carecer de legitimidade e curadoria. Tem o risco de disparar o efeito manada, tão comum às redes sociais. O vinho mais votado, o que tem mais estrelas nos aplicativos, ou é mais compartilhamento na rede, é necessariamente o melhor? Assim como existe o fenômeno do Fake News, é possível produzir o efeito  Fake Score, com robôs ou humanos votando em massa nas comunidades e elevando para cima a pontuação de um rótulo? Sim, tudo isso é possível. Mas com certeza a massa de dados criada pelos usuários tem o potencial de orientar o mercado com mais assertividade que a opinião tradicional e juramentada dos especialistas tradicionais individualizados. E guiar a massa dos consumidores perdidos diante de tantas opções. A questão que se coloca é: as duas forças se complementam ou se excluem? O que nos leva ao próximo parágrafo.

Brinde

Comunidades e redes sociais: a opinião do coletivo tem curadoria?

A opinião do especialista e do amador: mais próximas do que se imagina

Esta dualidade entre o social (amador) e o especializado (profissional) enfrenta outra questão: quem influencia quem? Sempre questionei se, no final do dia, existe alguma diferença no gosto de um e de outro na hora de indicar ou pontuar um vinho. Uma reportagem  publicada em dezembro de 2016 pelo site de notícias VOX demonstra, através de análise de dados e gráficos comparativos, que as notas  dos críticos amadores no site Cellar Tracker e dos críticos especializados eram bem próximas. Cerca de 25.000 notas de rótulos dadas pelos sites profissionais Wine Advocate (Robert Parker), International Wine Cellar e Jancis Robinson (crítica inglesa) foram comparados a 52.000 notas dadas pela comunidade de críticos amadores da Cellar Tracker, que reúne  5.8 milhões de registros no seu banco de dados. A correlação de notas era de cerca de 0.5, já entre os próprios críticos, era menor que 0.2.

A reportagem, com o título original “Why amateur wine scores are every bit as good as professionals” (leia aqui) não é conclusiva, não crava nem a hipótese de os críticos influenciarem o gosto dos amadores nem o da marca famosa influenciar as notas de ambos. Acho as duas hipóteses válidas. A massa gera o volume, a crítica curadoria. Mas a matéria registra outro fenômeno:  quanto melhor o vinho, maior o índice de correlação entre as notas dos especialistas e dos amadores. Quem afinal vai dar cartão vermelho para um monstro sagrado de Bordeaux, não é mesmo? Nem os especialistas, nem os amadores.

Steven Spurrier. Homem do Ano de 2017, de vários anos

Tergiversei. Voltemos ao nosso personagem. Steven Spurrier, pessoalmente, é tudo aquilo que você imagina de um cavalheiro inglês: no porte, nos ternos de corte impecável, nos gestos, na finesse e até nas bochechas rosadas. Mas Spurrier não é apenas um jornalista especializado de vinho que levou um prêmio, tem uma biografia consistente e fez história.

Qual personagem do mundo do vinho virou tema de livro, O Julgamento de Paris, e personagem principal de um filme, Bottle Shock, que no Brasil levou o mesmo título do livro, O Julgamento de Paris? Qual especialista colocou no mapa uma região ou país com tanto alarde? Quem, quem, quem? Steven Spurrier!

Na década de 1970 Steven Spurrier foi proprietário da loja de vinho Les Caves de la Madelaine, em Paris, e do primeiro curso de vinho para consumidores na França, L’Academie du Vin, modelo que foi copiado em todo o mundo. Lançou livros de vinho na década de 1980 e há 20 anos é colaborador da revista Decanter. Ali vem influenciando na formação dos consumidores ao apontar as qualidades e características deste ou daquele rótulo através dos artigos comentados em sua coluna “Spurrier’s Word”. Não é raro citar rótulos brasileiros, fato impensável anos atrás. Também é figura constante em eventos. Em um encontro de espumantes do hemisfério Sul, realizado no Brasil em abril de 2014, recomendou: “Vocês não precisam de Champagne. O Brasil tem seus próprios espumantes para beber”. Thank you, Mr Spurrier, so polite!

Aos 75 anos continua na ativa. Está cometendo sua autobiografia (Wine A Way of Life) e depois de provar vinhos de todo o planeta tem um vinhedo para chamar de seu: Bride Valley, em Dorset, sudoeste da Inglaterra. onde produz espumantes (pra quem se espanta, os espumantes ingleses começam a fazer bonito, não sei como se comportariam numa degustação às cegas com os brasileiros, que tal a ideia, Mr Spurrier?).

São Paulo Tasting 2013: 11 garrafas e nenhum segredo

São Paulo Tasting 2013, a franquia de Spurrier para os vinhos chilenos: 11 garrafas e nenhum segredo

 

Julgamento de Paris

Mas por mais que tenha realizado em sua vida profissional, sua marca registrada será sempre a histórica degustação realizada em 1976 conhecida como Julgamento de Paris. A história é conhecida mas não custa relembrar. Foram degustados às cegas, por um seleto grupo de especialistas franceses, os melhores Bordeaux e Borgonhas da Franca ao lado de tintos e brancos californianos. E os americanos levaram os primeiros lugares.  Foi um choque. A história é contada em um livro delicioso: O Julgamento de Paris: Califórnia x França 1976 – A Histórica Degustação que Revolucionou o Mundo, de George M. Taber, único jornalista que cobriu o evento, que fez uma reportagem  para a revista TIME (leia texto original).  Sobre este evento, Spurrier declarou nesta edição da Decanter que traçou seu perfil: “O objetivo era ajudar os produtores da Califórnia” e não fazer propaganda de sua loja e muito menos destratar os franceses. Passados 40 anos, muita gente ainda torce o nariz para este resultado.

O formato virou uma espécie de franquia que Steven Spurrier repetiu diversas vezes pelo mundo, especialmente com o produtor chileno Eduardo Chadwick, que reproduziu o painel confrontando seus rótulos chilenos de alta gama como Seña, Don Maximiano e Chadwick com rótulos estrelados de Bordeaux e do velho mundo. Ficou conhecida como Cata de Berlim. O objetivo era repercutir. Mostrar ao mundo a qualidade dos rótulos ainda desconhecidos do Chile. Chadwick apostava que podia competir de igual para igual com estrelas como Château Lafite-Rothschild, Château Margaux, Château Latour e o supertoscano Solaia. Funcionou. Grande jogada de marketing, só acompanhar a evolução dos preços dos rótulos do portfólio de Chadiwck. Desde então, foram mais de 20 provas semelhantes ao redor do mundo.

Roupão branco e discreta gagueira

Tive contato algumas vezes com Spurrier, mas sempre numa posição de espectador privilegiado. Quando ainda era a toda poderosa importadora de vinhos no Brasil, a Expand do empresário Otavio Piva reprisou a degustação de Paris com safras mais recentes dos mesmos rótulos do prova histórica em um evento na Expovinis, a feira de vinhos que acontece anualmente em São Paulo. Aqui os franceses ganharam, para júbilo dos convidados francófonos. Anos mais tarde, o jornalista inglês conduziu, também em São Paulo, uma das duas provas que Chadwick realizou no Brasil.

A última vez que tive a oportunidade de assistir Spurrier foi num evento patrocinado pela Argentina Wine Awards (AWA) de 2014. Estávamos hospedados no mesmo hotel em Mendoza. Aqui deu-se o improvável. Aproveitando o final de tarde ensolarado,  fui tomar um banho de piscina após uma visita a uma vinícola. Deparo com Mr Spurrier de roupão branco (aqueles do banheiro de hotel), sandálias, e aquela semblante de um inglês que não tem contato com um raio de sol há alguns anos caminhando para o deck. Desisti. Achei um pouco demais presenciar a retirada do roupão e o tchibum do honorável homem do Julgamento de Paris. Preferi guardar na mente o registro de um fidalgo inglês empunhando uma taça de vinho.

Há uma característica pouco comentada de Spurrier que é uma espécie de gagueira que surge em determinados momentos de uma frase e faz com que ele repita umas duas ou três vezes a mesma sílaba até conseguir engatar uma segunda marcha e continuar a frase. Quem nunca acompanhou uma palestra do jornalista se surpreende na primeira ocorrência, estranha na segunda e compreende a limitação daí por diante. Um conhecido blogueiro de excepcional senso de humor e sempre de bem com a vida me acompanhava em Mendoza, quando Spurrier começou seu discurso e começou a travar em algumas palavras. Ele olhou em minha direção, imitou o inglês e abafou uma gargalhada, sem muito sucesso, o que foi prontamente repreendido pelos convidados mais formais ao redor. Bobagem, não era falta de respeito, mas sim o resultado do riso frouxo que às vezes o vinho também proporciona. O respeito ao personagem não estava em questão.

Uma opinião final

E apenas para concluir, para não dizer que fiquei em cima do muro. Independente da reflexão acima, é merecido o título de Homem do Ano da Decanter 2017 para o jornalista Steven Spurrier. Mas é bom a Decanter, os críticos, especialistas e mesmo os blogueiros profissionais ficarem atentos à voz das redes, das comunidades e dos amadores. Eles estão gerando dados, informações e, mais do que tudo, influência. Melhor ou pior? Complementares, eu diria. Mas não podem ser ignorados.

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sexta-feira, 5 de julho de 2013 Degustação, Novo Mundo, Velho Mundo | 14:00

Chadwick: o chileno que desafia (e ganha) dos franceses

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Saiba como foi o confronto de sete tintos chilenos do produtor Eduardo Chadwick (no centro) e cinco famosos (e caros) rótulos da França e da Itália em mais uma degustação histórica

Responda rápido. Qual o melhor vinho: um Premier Grand Cru Classé de Bordeaux, na França, ou um top Chileno dos Vales do Maipo e Aconcágua? Qual o vinho mais sofisticado e que mais agrada o paladar: Velho Mundo ou Novo Mundo?

Difícil é até ter a oportunidade de provar estes vinhos. Para responder esta questão, imagine a seguinte cena:

No palco: doze vinhos extraordinários – sete tintos chilenos da Errazuriz  e cinco famosos (e caros) rótulos da França e da Itália.

Na plateia: 64 especialistas entre importadores, sommeliers, jornalistas, enófilos e blogueiros, além da mesa principal composta pelo produtor chileno Eduardo Chadwick e os jornalistas e críticos Jorge Lucki e Marcelo Copello.

Tarefa: escolher os três melhores vinhos do painel em uma degustação às cegas.

Local/data: Hotel Unique, 4 de julho de 2013, em São Paulo

Resultado: revelamos alguns parágrafos adiante

Onde tudo começou: Berlin Tasting 2004

O produtor de vinhos chileno Eduardo Chadwick é alpinista. Seus vinhos  também são. 2004 foi o ano que eles atingiram o topo da montanha. Chadwick arriscou todas as suas fichas na já famosa Cata de Berlim ou Berlin tastting, a degustação que colocou, lado a lado, seus rótulos e ícones franceses de 100 pontos no Robert Parker, como  Château Lafite-Rothschild 2000 (R$ 17.400,00!!!), Château Margaux 2000 (R$ 4.760,00) e 2001(R$ 3.588,00) e outros laureados como Château Latour 2000 (R$ 6.120,00) e 2001 (R$ 4.788,00) e o supertoscano italiano Solaia. O resultado da prova: deu Chadwick 2000 (R$ 880,00 a safra 2009) na cabeça e Seña 2001 (R$ 498,00 as safras 2007 e 2009) em segundo. Veja a tabela abaixo.

Para Chadwick, o desafio de escalar o Aconcágua e a primeira disputa contra pesos-pesados em Berlim guarda semelhanças: “Nos dois casos, é preciso perder o medo”, define. “A primeira tentativa de subir o Aconcágua enfrentei uma tempestade de neve e tive de voltar, foi frustrante”, relembra. “Na prova de Berlim, eu não arrisquei nada, nossos vinhos não eram conhecidos, não tinha nada a perder.”
A partir daí, Eduardo Chadwick se firmou como uma estrela ascendente do mundo do vinho. Foi eleito pela revista inglesa Decanter como uma das 50 personalidades mais influentes do mercado várias vezes, incluindo nesta edição de 2013, e viu sua produção, e os preços de seus vinhos, crescer como cotação de barril de petróleo, com a vantagem adicional de não sofrer oscilações para baixo.

Berlin Tasting – São Paulo 2005

No dia 7 de novembro de 2005 foi a vez de São Paulo ser palco de uma segunda versão deste desafio. Foi montada uma réplica da degustação de 2004. Um grupo de quarenta jornalistas (meninos e meninas, eu estava lá) e enófilos se reuniu no Empório Santa Maria para apontar, entre os dez vinhos servidos, quais eram os três melhores. A experiência aqui, no entanto, teve resultados diversos. Em primeiro lugar ficou um francês: o Château Margaux 2001(R$ 3.588,00*), em segundo, o Viñedo Chadwick 2000 (R$ 880,00 a safra 2009), o vencedor em Berlim e, em terceiro, o Seña 2001 (R$ 498,00 as safras 2007 e 2009). Nada mal também. Cabe observar que os dois vinhos chilenos ficaram acima de verdadeiras jóias da viticultura, como o Château Lafite 2000 (R$ 17.400,00!!!, 100 pontos no Robert Parker e 9º lugar no ranking) e o Château Latour 2001 (R$ 4.788,00) . “Sabíamos que o Chile tinha condições de produzir vinhos de classe internacional. Nossa intenção era mostrar ao mundo que nossos produtos estavam entre os melhores”, disse Eduardo Chadwick em palestra em São Paulo na época.

“O objetivo desta prova é mostrar que nossos vinhos são de classe mundial”, pontifica Chadwick. “Fiquei surpreso, não achava que íamos ganhar”, contou em 2005 com um sorriso de quem venceu. Chadwick gostou da brincadeira. Depois destas duas experiências realizou mais 15 eventos em mercados distintos, como, Tokyo (2006), Toronto (2006), Copenhagen e Pequim (2008), Londres (2009), Nova York (2010), Moscou (2012), Dubai (2013) sempre com resultados surpreendentes na comparação dos superchilenos com tintos de Bordeuax, Toscana e até da Califórnia, na prova dos Estados Unidos. Veja todas as provas aqui

Berlin Tasting – São Paulo 2013

São Paulo, 4 de julho de 2013. Ó nóis aqui traveis! Comparada à degustação histórica de 2005, duas grandes diferenças chamaram a atenção nesta segunda edição, também histórica. O número muito maior de participantes (64 contra 40), mostrando como o mundo do vinho cresceu – e se sofisticou – no Brasil e uma maior variedade de vinhos chilenos, o que de alguma forma desiquilibrou o painel a favor do Chile. O critério foi idêntico, escolher, entre todos os vinhos provados às cegas, quais eram os três melhores. Pessoalmente cada avaliador pode dar suas notas, anotar suas considerações e comparar com o resultado final. São Paulo, por algum motivo, manteve a coerência e repetiu o vencedor de 2005: Châteaux Margaux 2001 (R$ 3.588,00). Uma explicação razoável para esta diferença é que os brasileiros reconhecem com maior facilidade os chilenos. No entanto, o segundo e terceiro lugares foram conquistados pelo Seña 2007 (R$ 498,00, delicioso e já biodinâmico) e Don Maximiano 2009 (R$ 450,00). O nível, no entanto, é altíssimo. É difícil escolher três amostras sem achar que está penalizando a quarta e quintas seguintes. As anotações são todas superlativas em relação à finesse,  aos tostados, aos aromas de frutas em camadas, e evolução do paladar em boca, o final longo o prazer que permanece minutos após ser bebido. É o vinho em estado de arte. Os meus preferidos foram os seguintes

1 – Seña 2010
2 – Chateau Latour 2009
3 – Seña 2007
4 – Château Margaux 2000

Já o resultado oficial está na lista abaixo.

1 – Château Margaux 2001 – Premier Grand Cru Classé, Margaux

2 – Seña 2007 – Viña Errazuriz, Aconcágua

3 – Don Maximinano 2009 – Viña Errazuriz, Aconcágua

4 – Château Mouton 1995 – Premier Grand Cru Classé

5 – Château Latour 2007 – Premier Grand Cru Classé Paulliac

6 – Seña 2010 – Viña Errazuriz, Aconcágua

7 – Viñedo Chadwick 2000 – Viña Errazuriz, Maipo

8 – Don Maximiano 1995 – Viña Errazuriz, Aconcágua

9- Don Maximiano 2005 – Viña Errazuriz, Aconcágua

10 – Sassicaia 2000

11 – Seña 2000 – Viña Errazuriz, Aconcágua

12 – Tiagnanello 2009

Jorge Lucki, Eduardo Chadwick, Marcelo Copello e e alguns mil reais de vinhos à sua frente

Jorge Lucki, Eduardo Chadwick, Marcelo Copello e as garrafas degustadas

I did it my way

O modelo do Berlin Tasting – como ficou batizada a prova, onde quer que se realize -, é baseado na histórica degustação realizada em 1976 pelo crítico inglês Steven Spurrier, conhecida como Julgamento de Paris. Foram degustados às cegas, por um seleto grupo de especialistas franceses, os melhores Bordeaux e Borgonhas da Franca ao lado de tintos e brancos californianos. E os americanos levaram os primeiros lugares.  Foi um choque. A história é contada em um livro delicioso: O Julgamento de Paris: Califórnia x França 1976 – A Histórica Degustação que Revolucionou o Mundo, de George M. Taber, único jornalista que cobriu o evento, que fez uma reportagem  para a revista TIME (leia texto original).

O formato virou uma espécie de franquia que Steven Spurrier repetiu várias vezes com o produtor chileno, e se tornou o My Way do repertório de Chadwick. Assim como Sinatra sempre tinha de incluir esta canção em suas apresentações, Chadwick retorna ao modelo sempre que quer ampliar seu mercado. É um maneira fácil de criar notícia (funciona: olha eu aqui escrevendo sobre o tema), e mostrar ao mundo a qualidade de seus rótulos. Chadwick contou na apresentação que aprendeu com Robert Mondavi, falecido produtor americano e sócio de Chadwick no início do projeto Seña, que o marketing é tão importante quanto a produção. O produtor chileno aprendeu direitinho e virou um craque nas duas frentes.

Não dá para estabelecer aqui a batalha do tostão contra o milhão, pois se tratam de garrafas que custam respectivamente R$ 498,00 (Seña 2007) e R$  R$ 3.588,00 (Margaux 2001)!!!. “Meu objetivo não é ganhar sempre, mas mostrar que podemos estar entre os primeiros”, fundamenta. “Isso demonstra uma consistência de nosso vinhos.”

Para Chadwick, todas estas experiências deixam claro que o Novo Mundo pode alcançar níveis altíssimos e de qualidade internacional. “Já chegamos a grandes alturas, provamos nossa qualidade, já escalamos o Aconcágua”, conta Chadwick, mostrando a foto de um Dom Maximiniano que levou consigo na escalada da maior montanha das Américas, localizada no Vale do Aconcágua, região onde são produzidos seus vinhos Seña e Don Maximiano. Para ele o objetivo não é provar que seus vinhos são iguais ou melhores que os de Bordeaux ou da Toscana, mas são na realidade resultado de sua terra, de seu clima, de sua história, enfim, de seu terroir. Como um vinho tem de ser.

Site oficial: www.errazuriz.com

Veja todas as provas Berlim Tasting

Um papo com Chadwick (entrevista de 2008)

Os vinhos Chadwick e Don Maximiano são vendidos na importadora Vinci

O vinho Seña é vendido na Expand

* os preços dos vinhos franceses Premier Grand Cru Classé foram coletados no site Vinhos Millesime; os preços dos vinhos chilenos foram consultados nos sites e catálogos das importadoras. Valores de julho de 2013

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