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sexta-feira, 2 de junho de 2017 Novo Mundo, Sem categoria, Velho Mundo | 10:13

Exclusivo: Portugal passa a Argentina e é o segundo colocado no ranking de vinhos importados

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Portugal redescobriu o Brasil. Ou melhor, os consumidores brasileiros redescobriram o vinho português. Talvez seja mais correto dizer, os importadores passaram a lotar seus contêineres com vinhos portugueses. O fato é que o relatório preparado pela Consultoria Ideal, obtido com exclusividade pelo Blog do Vinho, registra uma mudança e uma tendência nos números da importação de vinhos no Brasil: Portugal passou – e bem – a Argentina em volume e valor no ranking das importações no primeiro trimestre de 2017, comparado ao mesmo período de 2016.

A virada

Portugal passou de 12% em volume e 10,8% em valor (janeiro-março 2016) para 17,3% em volume e 15,4% em valor no primeiro trimestre de 2017. Já nossos vizinhos argentinos, que tinham ligeira vantagem de 12,7% em volume e 14,8% em valor, estacionaram em 13,3% em volume e 14,1% em valor (veja tabela abaixo). Muito número, né? Vamos ficar apenas com o mais impactante: Portugal 17,3% X Argentina 13,3%. Para os fanáticos por futebol, uma analogia e uma simplificação: Cristiano Ronaldo 17 x Lionel Messi 13!

Para quem acompanha o mercado, ou mesmo as ofertas nas prateleiras de supermercados, os números são espantosos. Há alguns anos Argentina disputava com o Chile a pole position no ranking das importações (chegou a ter 30% da fatia do bolo). Hoje começa a competir com Itália pelo terceiro e quarto lugares. Ok, trata-se de uma auditoria do primeiro trimestre, mas é uma curva consistente e a gangorra está pendendo para nossos colonizadores portugueses, com certeza.

Brasil na mira de Portugal

A razão desta mudança? Algumas hipóteses. O vinho, apesar de toda poesia, é um negócio. E é regido pelas leis do mercado, de câmbio, influenciado por ações de marketing e até pela diversificação e inovação do produto.  Um aspecto da economia atual no Brasil é um euro mais atrativo que o dólar. Isso influenciou certamente o resultado. Quanto à estratégia global, Portugal tem enfrentado uma perda de clientes entres as ex-colônias na África, que baixaram a bola no consumo dos vinhos de seus antigos algozes (Angola ainda é importante). Portugal então apontou sua artilharia para Brasil para recuperar parte do mercado de exportação. Com isso, estamos assistindo a um acréscimo visível dos investimentos de produtores, associações e institutos lusitanos ligados ao vinho no Brasil (veja lista de eventos de junho no final deste post). Viramos um alvo.

Segundo relatório do Euromunitor International Research Reports, o Brasil ocupa o 9º entre os principais mercados para o vinho português. O principal mercado é o interno, e pela ordem seguem Grã-Bretanha, Angola, Estados Unidos, Alemanha, Países Nórdicos, Canadá, China e finalmente o Brasil. O crescimento diagnosticado pelo Euromunitor indica, no entanto, um potencial avanço de duas posições neste ranking, com o Brasil ultrapassando China e Canadá no grid de exportação. O objetivo, nada modesto dos exportadores portugueses, é crescer 25% em valor no Brasil nos próximos três anos. A se checar a confirmação da tendência, nos resultados dos próximos trimestres.

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Chile ainda lidera

E o Chile? Bom, o Chile continua dando um banho, com 42,6% das importações em volume e 42,9% em valor, sempre segundo o relatório da Consultoria Ideal. A soma dos três países que estão em 2º, 3º e 4º lugares (Portugal, Argentina e Itália) não ultrapassa o total dos chilenos. Mas… mesmo assim, o Chile perdeu um naco da sua presença neste primeiro trimestre no rateio total, caiu de 53% em volume para 42,6%. Isso não quer dizer que a invasão chilena de tintos e brancos arrefeceu. Em ordem de grandeza, o volume importado é maior até: 810.914,3 para 914.844,2. E aqui vem outra informação importante do relatório. Mesmo com toda crise, com toda lama, toda façanha, o vinho importado vai levando. Um crescimento de incríveis 40% em volume importado entre o primeiro trimestre de 2016 e o de 2017. De 1.525.368,1 para para 2.145.695,2. Estranhou estes números de volume? Cabe uma legenda: o volume é medido em caixas de 9 litros (no geral correspondente e 12 garrafas de 750 ml).

Mas atenção: não fique animado com o crescimento do volume  para abrir amanhã sua importadora ou e-commerce de vinho. Há um efeito da crise aí. Apesar dos índices de crescimento, o valor FOB diminuiu de 28,7 para 25,9 (em dólar). Não é à toa que os rótulos mais baratos dos grandes produtores inundam as prateleiras. Outra explicação chata e necessária: FOB (free on board) é  o preço que o importador negocia para o vinho ser embarcado para o Brasil pelo produtor contratado, o resto é por conta dele (taxas, impostos, frete, etc).

Para Manuel Luz, consultor de vinhos da importadora Cantu, diretor de produtos da Sonoma e grande conhecedor do mercado, esta dança das cadeiras tem uma explicação: “Portugal comeu o mercado da Itália, do Chile e a Argentina estagnou no Malbec”. Luz, reconhecido sommelier — aquela gente que identifica groselha e trufas no tinto quando você só encontra vinho –, se especializou em traduzir números em tendências, e com isso ganha a vida gerando negócios para as empresas do ramo. E continua encontrando uma groselha aqui e uma trufa ali, por que esta brincadeira também é legal.

Mudança também dos importadores

Outro dado bastante interessante que este levantamento da Ideal identifica é a mudança do perfil do share das empresas que trazem o vinho: os caçadores de cabernet sauvignon do mundo. Em 2013 as importadoras tradicionais eram responsáveis por 78,7% do total de garrafas de vinho. Os supermercados enchiam as prateleiras com 13,3% do total. Os .com (as vendas online), ainda uma novidade, engatinhavam com 2,6% do mercado. O cenário 2017 é outro: as importadoras encolheram para 51,7%, os supermercados mordem 25,8% e as iniciativas .com deram um salto para 13,5%.

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Importante. O resto que faltou nesta conta (se é que você teve a curiosidade de somar o total) fica com a VCT, indicada na tabela, também conhecida como a importadora da Concha y Toro, a gigante chilena, que sozinha detém 9% deste mercado.

A tabela é clara: o e-commerce cresceu. Mas redobro o conselho, não saia correndo abrindo seu site de vendas online de vinhos na galega. A Wine.com e a Evino dominam este jogo, que não é para amadores.

Portugal se vende

Portugal foi para a guerra e não acovardou-se: tem feito várias ações de marketing por aqui, através de representantes das regiões vinícolas, importadoras, feiras, etc. O motivo é transparente como um alvarinho jovem: para vender um produto como o vinho é necessário antes de mais nada vender experiência, principalmente em um país sem a tradição de consumo de fermentados  como o Brasil. Por isso assistimos a um aumento de feiras, degustações e eventos de vinhos portugueses no Brasil.

Veja abaixo algumas destes eventos programados para o mês de maio/junho:

Dias 31 de maio (RJ), 06 e 08 de junho, Brasília e São Paulo, a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS) apresenta seus vinhos e produtores, entre eles o mais famoso, José Maria da Fonseca, o homem do Periquita;
De 23 a 27 de maio a importadora Qualimpor promoveu um tour com seus rótulos portugueses do Douro (Quinta do Crasto), Minho (Quinta do Ameal) e Alentejo (Esporão) e Porto (Taylor’s) no Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Jundiaí e Campinas;
2, 3 e 4 de junho, evento Vinhos de Portugal, no CasaShopping, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com 70 produtores e 500 rótulos. O pessoal do Alentejo vem com uma tropa grande, apoiado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA)  com degustações comentadas por Pedro Mello e Souza, Alexandra Prado Coelho, Dirceu Viana Júnior e Rui Falcão; Mais informações em  www.vinhosdeportugalnorio.com.br. Os restaurantes do Shopping vão franquear a rolha do primeiro vinho para os visitantes que estiverem com pulseira do evento

Leia também: Vinhos de Portugal, um Pato aqui, um Pato acolá

6 junho, Prova Anual dos Vinhos do Porto e do Douro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.  Evento com mais de 30 vinícolas e 200 vinhos para provas no Hilton Garden In
6 a 8 de junho, Portugal marca presença na 20a edição da ExpoVinis, a maior feira de vinhos da América Latina. A Importadora Adega Alentejana marca presença com stand próprio; Mais informações em https://www.expovinis.com.br/pt/home.html
8 de junho, Importadora Zahil lança a linha Sossego, com a presença de Luís Cabral de Almeira, enólogo da Herdade do Peso, da região do Alentejo;
9 e 11 de junho no Shopping JK Iguatemi acontece a versão de Vinhos de Portugal em São Paulo, com a presença do conceituado pelo jornalista e crítico de vinhos Luís Lopes; Mais informações em  www.vinhosdeportugalnorio.com.br
10 de junho, em Minas Gerais, o projeto Aproxima – Vinhos do Alentejo, festa de rua que acontece Casa Fiat da Cultura. A partir das 10 h com palestras e degustações com produtores;
No dia 10 de junho, AEP (Associação Empresarial de Portugal), em organização com o Grupo Opal, organiza em Vitória (Espírito Santo) a Vinhos e Sabores de Portugal, uma prova de vinhos e produtos gastronómicos portugueses com a presença de importadores / distribuidores / imprensa e o público brasileiro.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015 Degustação, Porto, Velho Mundo | 01:48

É um vinho português, com certeza!

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Douro: não existe lugar nem vinho igual no mundo

Há uma assinatura que distingue o vinho português. Um traço que identifica a bebida. Fácil de perceber, mais difícil de explicar. Uma viagem percorrendo os vinhedos de Portugal, conversando com seus produtores e experimentando os seus  vinhos –  acompanhado da gastronomia local – deixa tudo mais claro: “É a diversidade, estúpido”. A diversidade está expressa nas mais de 250 castas nativas (algumas de nomes curiosos, que fazem a festa dos cronistas), nas 14 Indicações Geográficas e nas 28 DOCs (Denominação de Origem Controlada) que cobrem este país de apenas 92.090 quilômetros quadrados, menor que o estado de Santa Catarina, que tem 95.346.

Cerca de 8% do território é coberto por vinhedos em regiões como Lisboa, Alentejo, Bairrada, Dão, Vinho Verde, Porto e Douro e até as ilhas distantes de Açores e  Madeira, para ficar apenas naquelas mais conhecidas dos brasileiros. O vinho representa hoje para Portugal 1,5% do valor total de exportações do país. E o Brasil é um mercado importante – e tradicional – para escoar esta produção toda. No Brasil, Portugal participa de uma fatia consolidada deste bolo, revezando com a França o terceiro e quarto lugares no ranking dos países que mais exportam para cá.

 Amor-não-me-deixes ou Esgana Cão?

Portugal tem um patrimônio genético na variedade de castas (uvas) que não encontra paralelo em lugar algum do mundo – nem mesmo na Itália que também é pródiga de uvas nativas. São mais de 250 castas identificadas (algumas como pequenas variações, claro). Ao contrário da uvas francesas, e em certa medida as espanholas e italianas, as variedades portuguesas ficaram meio isoladas e não se espalharam pelos vinhedos do novo mundo na velocidade e protagonismo de uma cabernet sauvignon, merlot, syrah, chardonnay, sauvignon blanc, sangiovese ou tempranillo. Mas aquilo que beneficia, também dificulta. Não é fácil para um consumidor americano, por exemplo,  pronunciar nem mesmo as uvas mais conhecidas como Touriga Nacional, Castelão e Fernão Pires, imagina então nomes como Carrega Burros, Pé Comprido, Sousão, Amor-não-me-deixes ou Esgana Cão?

 As 10 mais

vinhas250 é um número enorme, a maioria das uvas é de produção tão reduzida que nem mesmo os maiores especialistas da terrinha as reconhecem. Conhecer as 10 mais importantes já permite um belo panorama desta diversidade. São elas que você irá encontrar com maior frequência descrita nos rótulos e contrarrótulos portugueses (a propósito, os descritivos dos contrarrótulos portugueses são em geral bastante detalhados nos descritivos do vinho, vale sempre uma passada de olhos)

  •  BRANCAS

Alvarinho – Apesar de não ser sinônimo de Vinho Verde, é  responsável pelos rótulos de mais alta qualidade desta região. São minerais, aromáticos (cítricos, como limão,  frutos tropicais) e com ótima acidez. Trata-se de uma uva branca com um bom potencial de envelhecimento, tem boa estrutura e maior persistência. Com mais tempo de garrafa ganha alguns aromas associados ao petróleo (parece esquisito mas não é), semelhantes à alemã riesling. Na vizinha Espanha é conhecida como Albarinho

Arinto (Padernã) – Não bastassem as tais mais de 250 castas, algumas delas ganham nomes diferentes em cada região. Espalhada por Portugal, a Arinto é conhecida como Pedernã na região dos Vinhos Verdes. Produz vinhos  com aromas de maçã e pera, quando novos. Tem boa acidez. Proporciona frescor quando misturada a outras uvas. E funciona bem para espumantes.

Encruzado – A casta produz brancos mais intensos e tem uma boa sinergia com o estágio em madeira, própria para caldos com mais corpo e estrutura, beneficiando-se com o tempo na garrafa. Cítrico e floral quando mais jovens, ficam mais cremosos com toques de baunilha quando fermentados em barricas de carvalho. É mais representativa na região do Dão.

Fernão Pires (Maria Gomes) – A Fernão Pires, uma das castas mais antigas de Portugal, tem uma pegada mais leve, frutada e bastante perfumada (se achar que está diante de um moscatel, a impressão é essa mesma). Também usado para espumantes. Encontrada em vinhos de Setúbal, Tejo, Lisboa e Bairrada.

TINTAS

Baga – A Baga tem uma maturação tardia e é difícil de domar. Legal, mas o que isso significa? Que os taninos podem chegar rasgando se não forem bem tratados. São caldos que se beneficiam, portanto, do envelhecimento e agradecem quando cuidadas por um enólogo competente.  Aromas de cereja, ameixa quando mais jovens e ervas e tabaco quando mais vetustos. Sua origem é a Bairrada (Leitão da Bairrada com um Baga é uma combinação clássica entre a culinária local e o vinho da terra), mas pode ser encontrado no Dão. Nas terras e mãos apropriadas podem produzir vinhos bastante complexos.

Castelão – É a uva mais cultivada de Portugal. Também é conhecida como Periquita, mas este nome está registrado pela casa José Maria da Fonseca, produtora do famosão Periquita. Produz tanto vinhos fáceis de beber como aqueles mais intensos e potentes, que se beneficiam do envelhecimento em barris de carvalho. Cultivada mais ao sul de Portugal, em especial  na região da Península de Setúbal.

Touriga Franca (Touriga Francesa) – Umas das cinco castas oficiais do vinho do Porto, muito comum nos cortes dos tintos do Douro, é a casta mais plantada na região. É uva corante, ou seja, dá muita cor ao vinho. Comparada à parceira Touriga Nacional (abaixo), é mais leve e  aromática. É uma casta que mostra mais ao que veio nos vinhos de corte e nos Portos Vintage. Apesar do título de francesa não tem qualquer origem relacionada à França.

Touriga Nacional – Hoje em dia é uma espécie de porta-bandeira da vinicultura portuguesa. Originária da região do Dão (onde proporciona caldos mais elegantes), é importantíssima para a elaboração do vinho do Porto e aqui no Brasil se notabilizou em conhecidos vinhos de mesa do Douro em carreira-solo ou mesclada. Apesar da fama, ocupa pouco espaço nos vinhedos do Douro. Aporta vinhos de muita cor, extração, aromas nítidos de violeta (às vezes exagerado), frutas negras e um baita potencial de envelhecimento. Apelando um pouco, pode-se dizer que a Touriga Nacional é o Cabernet Sauvignon de Portugal, pelo espaço ocupado, pela adaptação às várias regiões e pelo estilo dos vinhos mais encorpados e que ganham com o envelhecimento em carvalho.

Trincadeira (Tinta Amarela) – Conhecida na região do Douro como Tinta Amarela, a Trincadeira é importante nos cortes da região e é ótima parceira da Aragonez (no Alentejo) e da Touriga Nacional (no Douro).  Apresenta aromas de especiarias, ervas, alto teor alcoólico e boa acidez. No Alentejo a Trincadeira vem mostrando bons resultados em vinhos monovarietais (feitos de apenas uma uva).

Tinta Roriz (Aragonez) –  Já ouviu falar da Tempranillo da Espanha? Pois bem,  Tinta Roriz e Tempranillo tratam-se da mesma pessoa, com nomes regionalizados. A Tinta Roriz é importante casta para o vinho do Porto, para os vinhos do Douro (é a segunda uva mais plantada na região) e para os caldos do Dão. Delicado, elegante, frutos vermelhos, bons taninos e potencial de envelhecimento. Também é bem chegada numa madeira e se beneficia desta amizade. Mais comum em cortes. No Alentejo assume o nome de Aragonez e é boa parceira da uva acima, a Trincadeira.

Tudo junto e misturado

E se a variedade é uma benção que distingue os caldos portugueses do restante do mundo, a combinação destas diversas castas é uma marca registrada de uma boa parcela dos vinhos de boa cepa produzidos em Portugal. São inúmeros rótulos do Douro, do Dão e os Vinhos do Porto que são resultado da mistura destas uvas excepcionais e únicas. Eu diria que o DNA dos vinhos portugueses está na mescla das castas nativas. “Os cortes fazem vinhos muito bons”, diz o experiente Mario Neves, diretor comercial da Aliança – Vinhos de Portugal. Mas arrisco a dizer que o DNA de um vinho português se expressa – e aqui entra a influência do solo e do clima de cada região – mesmo nas garrafas elaboradas de uvas de castas internacionais, como por exemplo o suculento Syrah, do Alentejano Cortes de Cima, criação do enólogo dinamarquês Hans Kristian Jorgensen, ou o Quinta do Bacalhoa, um Cabernet Sauvignon da região de Setúbal, conhecido rótulo dos brasileiros. Acho que existe uma certa adaptação da uvas internacionais ao sotaque do solo português, só pode ser isso.

Navegar é preciso!

De carro é possível, no mesmo dia, almoçar com os delicados vinhos na região do Dão e jantar junto aos mais belos vinhedos do mundo, na  região do Douro. Ou então iniciar o dia com os refrescantes e leves vinhos verdes brancos e finalizar com o Porto provado no final da tarde às margens do Rio Douro, em uma das diversas casas tradicionais do ramo. As distâncias curtas às vezes são dificultadas por caminhos mais sinuosos, que por exemplo serpenteiam os terraços do Douro, patrimônio da humanidade. Não é uma estrada para amadores e não é incomum se perder, mas o cenário é tão esplendoroso que é um se perder para se achar. Afinal, como ensina um poeta da terra, Fernando Pessoa: “Se achar que precisa voltar, volte!/ Se perceber que precisa seguir, siga!/ Se estiver tudo errado, comece novamente! / Se estiver tudo certo, continue.”

lisboa

Degustar vinhos tendo Lisboa a seus pés. A vida tem seu momentos…

Mas a viagem por Portugal pode ser feita também de dentro de um restaurante, aí na sua cidade, ou mesmo num restaurante em Lisboa, às margens do Tejo ou próximo do tradicional e boêmio bairro do Chiado. A minha jornada começou assim, e em duas refeições, antes mesmo de sair em périplo pelos vinhedos, um panorama de Portugal já se descortinava. Alguns destaques:

  • Vinhos provados no Restaurante Vítor Claro – no Hotel Solar das Palmeiras

VINHO VERDE

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João Portugal Ramos Alvarinho 2014

Uva: 100% Alvarinho

Um bom começo para conhecer o branco Alvarinho com 20% do mosto  fermentado em madeira, que dá mais intensidade. Ataque floral e cítrico. Acidez na medida certa.

 

DOURO

Duorum

Duorum Reserva Vinhas Velhas 2012

João Portugal Ramos

Uvas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão

Um douro tinto por excelência, de solo de xistoso. Passa até 18 meses em barrica novas e antigas. Uma combinação das uvas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão, consegue equilibrar corpo com acidez e aporta uma fruta madura e suculenta. Como o nome indica, as uvas são proveniente de vinhas velhas, de mais de 100 anos, de uma parte mais quente do Douro. Em tempo, os primeiros exemplares do Duorum tinham uma carga mais potente e uma madeira um pouco excessiva que parece foi sendo equilibrada com o passar das safras.

ALENTEJO

Marques de Borba

Marques de Borba Reserva 2012

João Portugal Ramos

Uvas: Aragonez, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet

Um vinho que representa os tintos do Alentejo, mais potentes, mais quentes (alcoólicos), com muita concentração de fruta e aveludado na boca.  Um chocolate  aparece no final da taça. Vinho mais masculino, se é que existe isso, deve ganhar mais complexidade com o tempo. 14,5% de álcool! Como eu escrevi é Alentejo na veia!

  • Vinhos provados na feira Encontro de Vinhos, em Lisboa

ALENTEJO

Verdelho

Paulo Laureano Genus Generationes Maria Teresa Laureano Verdelho 2014

Uva: 100% Verdelho

Paulo Laureano

Os tintos e brancos de Paulo Laureano são conhecidos por aqui. São quase um sinônimo de vinho alentejano no Brasil. Esta leitura da uva branca verdelho para o solo do Alentejo resulta num vinho afiado, uma acidez marcante,  no fio da navalha, mineral, refrescante, diferente. Um vinho para quem aprecia riscos.

LISBOA -BUCELAS

Moragdo

Morgado de Santa Catherina – reserva 2013

Uva: 100% Arinto

Aqui a casta branca Arinto mostra seu valor quando fermentado em barricas de carvalho. De cor dourada, longo, uma fruta mais doce e madura, muito intenso e volumoso e uma acidez que equilibra o jogo.

AÇORES

frei

Frei Gigante – Garrafeira 2011

Denominação de Origem Pico

Uvas: Arinto dos Açores, Verdelho e Terrantez do Pico

Já bebeu um vinho da pequena região de Açores? Eu nunca tinha provado. Deste rótulo aqui provavelmente não provarei mais. Foram produzidas apenas 600 garrafas deste topo de linha, chamado de Garrafeira, que trago aqui mais como exemplo de diversidade em solo português. Também não sabia que seus vinhedos são declarados Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Vivendo, provando e aprendendo. Este belo vinho branco é longo, volumoso, bastante aromático e tem um toque salgado (é, existem vinhos com este finalzinho salgado). Uma surpresa de solo vulcânico que passa um pouco da  natureza para o copo

DÃO

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Curiosity 2012

Julia Kemper Wines

Uvas: Alfrocheiro e Touriga Nacional

Os vinhos orgânicos de Julia Kemper são bem-feitos e têm aquele traço terroso comum desta turma “odara”. Tem um perfil franco, de fruta expressiva e gostosa e algo floral nos aromas. A combinação Alfrocheiro e Touriga Nacional pode mudar de acordo com a safra. O detalhe curioso é o marciano que dá um alô no rótulo, explicando o nome Curiosity, do robô que explorou marte no ano de lançamento deste rótulo.

  • Vinhos provados no restaurante Tágide, em Lisboa

BAIRRADA

abibes

Quinta dos Abibes 2012 – Sublime

Uva: Arinto

As 2050 garrafas deste elegante branco foram vinificadas em barricas de carvalho francês e marcam bastante o vinho. Um bom exemplar para quem aprecia brancos de um Arinto influenciados por madeira. Vai bem com um peixe mais gorduroso.

DÃO

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Quinta de Lemos – Touriga Nacional 2009

Uva: Touriga Nacional

O Dão foi uma região que conquistou com a qualidade dos vinhos, o que será relatado em próximos posts desta viagem. Aqui a Touriga Nacional em carreira solo proporciona um tinto de boa textura, intensos frutos negros, sedoso na boca. Tem um toque terroso também que agrada.

PORTO

IMG_0366Barros Porto Colheita 1980

Barros, Almeida & Cª – vinhos, S.A.

Uma das mais antigas marcas do Porto, fundada em 1913. Um Porto pode iniciar ou terminar uma refeição. Neste caso ele fechou com chave de ouro. Não é comum em viagem enológicas as garrafas serem esvaziadas.  Há exceções. A excelência deste Porto Colheita (isto é, de uma única safra, no caso 1980, 25 anos passados), com um cor aloirada semelhante aos tawnys de mais idade e aromas de frutas secas, caramelo, creme brûllée, profundidade e elegância em boca nos obrigou esticar a noite e pedir uma tábua de queijos para continuar saboreando este néctar sob uma Lisboa que dormia a nossos pés.

Nota: a viagem a Portugal foi patrocinada pela ViniPortugal, organização que representa o setor vitivinícola português e promove os vinhos de Portugal.

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domingo, 1 de novembro de 2015 Degustação, Velho Mundo | 07:04

50 grandes vinhos de Portugal e algumas escolhas pessoais

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Douro: além de produzir vinhos fantásticos, é lindo de doer

No segundo semestre de 2013, a Vinhos de Portugal – associação que cuida da imagem do vinho português – promoveu no Brasil a segunda versão do evento “50 Grandes Vinhos de Portugal”.  Para esta tarefa convocou o único master of wines do Brasil, Dirceu Vianna Júnior, que mora e trabalha em Londres. Dirceu teve a árdua missão de selecionar entre 500 rótulos portugueses os 50 mais representativos do país. Não é fácil, mas ele traçou um critério que estabeleceu uma linha de corte. “Eu fiz a seleção baseada no gosto do brasileiro e pensando no consumidor”, explica Dirceu. “Mas o ponto principal foi a abrangência e diversidade – há vinhos para todos os bolsos e todos os gostos”. De fato, entre 50 vinhos selecionados há desde rótulos de 26 reais, Aliança Bairrada Reserva, 2001, até um Porto Colheita Burmester, 1963, por 919 reais. “Escolher só vinhos caros seria fácil, mas eu não acho que é preciso pagar uma fortuna sempre que se quer provar um bom vinho”, defende Dirceu.

Você pode achar que é uma jogada de marketing. E é. O objetivo final sempre é vender mais vinho, aumentar o tamanho do mercado. A Vinhos de Portugal  afinal promove os vinhos, ó pá! Mas uma lista destas, preparada com profissionalismo e lisura por um especialista da envergadura de Dirceu Vianna, é no mínimo um bom começo para enfrentar a variedade de rótulos à disposição. Para os conhecedores trata-se de um bom comparativo com suas preferências pessoais, para os iniciantes é uma oportunidade de orientação para aquele momento em que você se vê diante da prateleira real ou virtual de rótulos e precisa escolher uma garrafa para chamar de sua. Talvez falte o vinho do seu coração, aquele do dia-a-dia, mas uma lista deste tipo nunca é uma seleção definitiva.

Na seleção predominam os vinhos do Douro (19 amostras), seguidos dos brancos da região de Vinho Verde (10 rótulos), Alentejo (9 amostras) e Dão (5 garrafas). As demais regiões são representadas com 1 vinho do Dão, 1 de Lisboa, 1 Tejo, 1 Madeira e 2 da Bairrada. Atenção: a ordem numérica é  apenas uma sequência que inicia nos brancos, passa pelos tintos e finaliza com os fortificados. Este colunista não teve nem o tempo nem tem a mesma capacidade do Dirceu Vianna, mas dos vinhos provados resolvi selecionar os meus prediletos (17), que levam o selo  ViG (Vinho Indicado pelo Gerosa). O que não diminui a qualidade de todos os demais, é claro. Como esta semana (novembro de 2015) recebi um convite da ViniPortugal para conhecer de perto a casa desses vinhos, resolvi repassar os olhos nesta lista.

Importante: os preços são de 2013. Em novembro de 2015 as garrafas estão alguns “Dilmas” mais caros.

BRANCOS

1. Covela Escolha Branco, 2012

Produtor: Lima Smith

Região: Vinho Verde

Uvas: avesso e chardonnay

Importador: Magnum Importadora

R$ 145,00

2. Quinta da Levada, 2012

Produtor: Quinta da Levada Sociedade Agrícola

Região: Vinho Verde

Uva: azal

Sem importador

3. Soalheiro, 2012

Produtor: Quinta do Soalheiro

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Mistral

R$ 95,00

4. Quinta de Gomariz Grande Escolha, 2012

Produtor: Quinta de Gomariz

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho, loureiro e trajadura

Importador: Decanter

R$ 80,00

5. Casa da Senra, 2012

Produtor: Abrigueiros – Produções Agrícolas e Turismo

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Sem importador

6. Tapada dos Monges, 2012

Produtor: Manoel da Costa Carvalho Lima & Filhos

Região: Vinho Verde

Uvas: loureiro, arinto e trajadura

Importadores: Garrafeira Real e Fadaleal Supermercados

7. Muros Antigos, 2012

Produtor: Alselmo Mendes Vinhos

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Importador: Decanter

R$ 50,00

8. Portal do Fidalgo, 2011

Produtor: Provam

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Casa Flora Ltda

R$ 54,00

9. Muros de Melgaço, 2011

Produtor: Anselmo Mendes Vinhos

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Decanter

R$ 140,00

10. Royal Palmeira, 2009

Produtor: Ideal Drinks

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Importador: Idealdrinks & Gourmet

R$ 140,00

11. Quinta da Fonte do Ouro Encruzado, 2011

Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas

Região: Dão

Uva: encruzado

Importador: Adega dos 3

R$ 80,00

12. Morgado de Santa Catherina, 2010

Produtor: Companhia das Quintas Vinhos

Região: Lisboa

Uva: arinto

Importador: Wine .com

R$ 90,00

13. Redoma Reserva, 2011

Produtor: Niepoort (vinhos)

Região: Douro

Uva: rabigatto, codega, donzelinho e arinto

Importador: Mistral

R$ 218,00

14. Conceito Branco, 2010

Produtor: Conceito Vinhos

Região: Douro

Uva: (mistura de vinhas velhas)

Importador: Épice

R$ 180,00

TINTOS

15. Cortes de Cima Trincadeira, 2011

Produtor: Cortes de Cima

Região: Alentejo

Uva: trincadeira

Importador: Adega Alentejana

R$ 152,00

16. Terra D’Alter Touriga Nacional, 2010

Produtor: Terra D’Alter Companhia de Vinhos

Região: Alentejo

Uva: touriga nacional

Importador: Obra Prima Importadora

R$ 50,00

17. Herdade da Pimenta Grande Escolha, 2010

Produtor: Logowines

Região: Alentejo

Uvas: syrah, touriga nacional e touriga franca

Importador: RJU Comércio e Beneficiamento de Frutas e Verduras

R$ 180,00

18. Tinto da Talha Grande Escolha, 2009

Produtor: Roquevale

Região: Alentejo

Uva: syrah, alicante bouschet e touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

R$ 56,00

19. Canto X, 2009

Produtor: Herdade da Madeira Velha

Região: Alentejo

Uvas: alicante bouschet e touriga nacional

Sem importador

20. Cartuxa, 2009

Produtor: Cartuxa – Fundacão Eugénio de Almeida

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, trincadeira e alicante bouschet

Importador: Adega Alentejana

R$ 135,00

21. Cortes de Cima Reserva, 2009

Produtor: Cortes de Cima

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, syrah, petit verdot e touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

R$ 477,00

22. Dona Maria Reserva, 2008

Produtor: Julio Bastos – Dona Maria

Região: Alentejo

Uvas:, alicante bouschet, petit verdot e syrah

Importador: Decanter Vinhos

R$ 179,00

23. Conde D’Ervideira Private Selection Tinto, 2008

Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, trincadeira e Alicante bouschet

Importador: Intercom Comércio Internacional

R$ 150,00

24. Aliança Bairrada Reserva, 2011

Produtor: Aliança Vinhos de Portugal

Região: Bairrada

Uvas: touriga nacional, baga e tinta roriz

Sem importador

R$ 26,00

25. Vinha Pan, 2009

Produtor: Luís Pato

Região: Bairrada

Uva: baga

Importador: Mistral

R$ 218,00

26. Marquesa de Alorna Reserva, 2009

Produtor: Quinta da Alorna Vinhos

Região: Tejo

Uvas (não divulgado)

Importador: Adega Alentejana

R$ 165,00

27. Julia Kemper, 2009

Produtor: Cesce Agrícola

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, tinta roriz, alfrocheiro e jaen

Importador: Gracciano Com. Imp. Exp. Bebidas

R$ 85,00

28. Quinta Fonte do Ouro Touriga Nacional, 2009

Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas

Região: Dão

Uva: toruiga nacional

Importador: Adega dos 3

R$ 160,00

29. Casa da Passarela Vinhas Velhas, 2009

Produtor: O Abrigo da Passarela

Região: Dão

Uvas: castas autóctones

Importador: Vinica

R$ 139,00

30. Quinta do Serrado Reserva, 2009

Produtor: Sociedade Agrícola Castro Pena Alba – FTP Vinhos

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, alfrocheiro e jaen

Sem importador

31. Quinta do Perdigão Touriga-Nacional, 2008

Produtor: Quinta do Perdigão

Região: Dão

Uva: touriga nacional

Importador: Mistral

R$ 229,00

32. Quinta da Bica Reserva, 2005

Produtor: Quinta da Bica Sociedade Agrícola

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, alfrocheiro, tinta roriz e jaen

Importador: Gianno Import

R$ 87,00

33. Quinta do Vallado Reserva Field Blend Douro Tinto, 2011

Produtor; Quinta do Vallado Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas de 100 anos e touriga nacional

Importador: Cantu

R$ 185,00

34. Quinta da Casa Amarela Grande Reserva, 2011

Produtor: Laura Valente Regueiro

Região: Douro

Uvas: touriga franca, tinta roriz e touriga nacional

Importador: Winemundi

R$ 440,00

35. Casa Ferreirinha Callabriga, 2010

Produtor: Sogrape Vinhos

Região: Douro

Uvas: toruiga franca, touriga nacional e tinta roriz

Importador: Zahil

36. Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas, 2010

Produtor: Quinta do Crasto

Região: Douro

Uvas: 25 a 30 uvas diferentes de vinhas velhas

Importador: Qualimpor

R$ 160,00

37. Pintas, 2010

Produtor: Wine & Soul

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas

Importador: Adega Alentejana

R$ 439,00

38. Poeira, 2010

Produtor: Jorge Moreira Produção e Comercialização de Vinhos

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas

Importador: Mistral

R$ 258,00

39. Batuta, 2010

Produtor: Nieepoort (Vinhos)

Região: Douro

Uvas: touriga franca, tinta roriz, rufete, malvazia entre outras

Importador: Mistral

R$ 428,00

40. Passadouro Touriga Nacional, 2010

Produtor: Quinta do Passadouro Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uva: touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

R$ 214,00

41. Quinta do Pessegueiro, 2010

Produtor: Quinta do Pessegueiro Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca, vinhas velhas e roriz

Importador: World Wine

R$ 155,00

42. CV-Curriculum Vitae, 2010

Produtor: Lemos & Van Zeller

Região: Douro

Uvas: variadas

Importador: World Wine

R$ 282,00

43. Quinta de la Rosa Reserva, 2009

Produtor: Quinta da Rosa Vinhos

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca e tinta roriz

Importador: Ravin

R$ 288,00

44. Chryseia, 2009

Produtor: Symington Family Estates Vinhos

Região: Douro

Uvas: touriga nacional e touriga franca

Importador: Mistral

R$ 412,00

45. Quinta do Noval Touriga Nacional, 2009

Produtor: Quinta do Noval

Região: Douro

Uvas: touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

R$ 367,00

46. Quinta do Portal Auru, 2009

Produtor: Quinta do Portal

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca e tinta roriz

Importador: Wine & Roses / Chaves & Oliveira

R$ 649,00

FORTIFICADOS

47. Bacalhôa Moscatel Roxo, 2001

Produtor: Bacalhôa Vinhos de Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: muscatel roxo

Importador: Portus Cale Exp. Imp.

R$ 173,00

48. Justino’s Madeira Colheita, 1995

Produtor: Justino’s Madeira Wines

Região: Madeira

Uva: tinta negra

Importador: Porto a Porto / Casa Flora

R$ 170,00

49. Graham’s Tawny 30 anos

Produtor: Symigton Family Estates

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca, tinta barroca, tinta roriz e tinta cão

Importador: Mistral

R$ 639,00

50. Burmester Porto Colheita, 1963

Produtor: Sogevinus Fine Wines

Região: Douro

Uvas: tradicionais do Douro

Importador: Adega Alentejana

R$ 919,00

O vinho português em dois parágrafos

Portugal tem uma área de 92.090 quilômetros quadrados, menor que o estado de Santa Catarina, que tem 95 346. Neste pequeno pedaço de terra do outro lado do Atlântico há vinhedos em praticamente todas as regiões: são 14 indicações geográficos e 29 DOCs (denominação de origem controlada). Para completar a bênção divina o país exibe 250 castas autóctones, ou seja, uvas nativas de Portugal, o que faz toda a diferança no estilo e sabor único de seus vinhos. As mais representativas, para não cansar muito, são: alvarinho, encruzado, arinto, fernão pires (no time das brancas); baga, castelão, touriga franca, touriga nacional, tinta roriz e trincadeira (no grupo dos tintos).

Resumindo: Portugal é um imenso vinhedo: algo como 8% do território é coberto por vinhedos em regiões como Lisboa, Bairrada, Dão, Vinho Verde, Porto e Douro, Alentejo e Madeira, para ficar naquelas mais próximas aos ouvidos e paladares dos consumidores brasileiros. Estima-se que serão produzidos cerca de 6,7 milhões de hectolitros de vinho em Portugal em 2013. E o Brasil é um mercado importante para escoar esta produção toda. Na lista dos maiores exportadores para o Brasil, Portugal só fica atrás dos onipresentes Chile e Argentina, com 13,21% em valor e de 12,56% em volume. Num país menor que a maioria dos estados brasileiros o vinho é superlativo.

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quarta-feira, 11 de março de 2009 Tintos, Velho Mundo | 23:06

Pêra-Manca: o vinho que descobriu o Brasil

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Trouxeram-lhes vinho por uma taça, mal lhe puseram assim a boca
e não gostaram dele nada, nem o quiseram mais.

sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500
Pero Vaz de Caminha

Quem conhece um pouco de vinho talvez já tenha ouvido falar do tinto português Pêra-Manca. A fama se deve um pouco ao nome insólito – que significa pedra manca, ou oscilante, e é uma característica de uma formação granítica de blocos arredondados soltos sobre uma rocha firme (muita gente boa achava que era um defeito na pata do cavalo do rótulo…) -, outro tanto pela tradição, já que seria este o vinho trazido pela nau de Pedro Álvares Cabral. A verdade é que a fama do vinho se deve à soma das curiosidades anteriores aliada a alta qualidade da bebida.

No primeiro teste em terras brasileiras, o vinho não foi lá um sucesso. No relato de sete folhas enviado por Pero Vaz de Caminha com suas primeiras impressões desta terra, os primeiros críticos – aquele povo que “andava nu, sem nenhuma cobertura” – detestaram o Pêra-Manca de antanho, como se lê na reprodução do trecho da carta que abre este post.

O Pêra-Manca é herdeiro de uma marca reconhecida desde a idade média, que teve seu apogeu no século XIX, a extinção no começo do século XX pela praga da filoxera e por fim o renascimento em grande estilo, em 1990, quando a Fundação Eugénio de Almeida passou a adotar o nome no rótulo de seus vinho mais importante.

Para ficar mais claro, o rubro e o branco que é o tema da coluna de hoje tem apenas 19 anos, somente nove safras lançadas, a primeira em 1990, mas não se exime de exibir sua rica história para justificar ainda mais sua posição de vinho ícone do Alentejo, com uma forte presença em terras brasileiras.

Rótulo mais “moderno”

Outra característica marcante do vinho, que eu achava sensacional, era o rótulo colorido, meio kitsh, que foi modernizado e simplificado, buscando, segundo a empresa “uma imagem intemporal que garantisse uma constante leitura contemporânea”, seja lá o que isso signifique. Para mim ficou mais sem graça e menos característico, só isso. Na imagem acima as etiquetas de 2001 e 2003 e as mudanças.

Lançamento exclusivo

Bom, se muitos ouviram falar do Pêra-Manca, poucos provaram – aí entra o valor de sua garrafa (R$ 648,00, a safra 2005). Raros felizardos então tiveram a oportunidade de degustar cinco safras do vinho: 1997, 1998, 2001, 2003 e 2005. A Fundação Eugènio Almeida, que administra a Adega Cartuxa, produtora do vinho, fez este agrado a alguns clientes da importadora do vinho e formadores de opinião.

A razão é simples, o Brasil é hoje o principal mercado de exportação dos rótulos do Pêra-Manca branco e tinto e o país foi escolhido para o lançamento da safra 2005 e 2007 (do branco), antes mesmo que em Portugal, que só vai desarrolhar as garrafas das novas safras em abril deste ano.

O Pêra-Manca tinto é sempre elaborado com duas castas, as portuguesas trincadeira e aragonês (lembrando, aragonês é o mesmo que tinta roriz no Douro e tempranillo, na Espanha). As vinhas, localizadas na região do Alentejo, mais precisamente em Évora, têm mais de 25 anos (a idade das vinhas é sempre mencionada pois é um sinal de qualidade; as plantas mais velhas possuem raízes mais profundas que trazem mais nutrientes para as uvas) e só viram mosto para o Pêra-Manca em safras consideradas excepcionais pela Adega Cartuxa. A bebida estagia por 18 meses em barricas de 3.000 litros e mais um ano na garrafa antes de chegar ao mercado. O perfil comum dos vinhos é sua força, intensidade de sabores e aromas, o toque da madeira bem integrada as frutas mais para compota e a longevidade. Como bom representante do Alentejo, são vinhos quentes.

Todo este cuidado, mais a fama de ícone do Alentejo = preço elevado. Lembrando, R$ 648,00 a garrafa. O que não afugenta os apreciadores, diga-se de passagem, já que safras anteriores estão todas vendidas. A explicação dos preços altos é aborrecidamente igual para todos os grandes vinhos. O Pêra-Manca não é exceção. Segue então a pergunta de sempre: vale o investimento? Vale comprar? A resposta, para ficar no universo lusitano, poderia ser: “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”, e o bolso é cheio, eu acrescentaria.

1997 a 2005

Uma prova vertical como esta – o mesmo vinho de diferentes safras – , é uma experiência didática. Quem ainda duvida da variação que um mesmo rótulo – afinal de contas elaborado com as mesmas uvas, de um mesmo vinhedo – pode atingir, deveria participar de uma experiência dessas e checar com seu próprio nariz e paladar.

Em rápidas pinceladas, minhas anotações da sequência.
1997 – parecia já estar atravessando o cabo da boa esperança, um chá preto, uma lembrança de porto vintage me deixou a impressão de uma evolução meio exagerada;
1998 – para mim o melhor das cinco provas, tinha evolução das frutas passas com grande intensidade, um vinho rico, com bom corpo e fino, que ficou exibindo novas camadas a cada gole;
2001 – pareceu mais magro e delicado no nariz e no paladar, um ano mais fresco na região, um outro estilo que eu não esperava de um Pêra-Manca;
2003 – o ano que os velhinhos morreram de calor na Europa tinha um perfil semelhante ao 98, mas mais novo, com menos complexidade, mas muito macio e envolvente na boca;
por fim 2005 – que é o que interessa pois é o Pêra-Manca que está no mercado: também agradou, tem o DNA de potência, riqueza, perfil aromático do Pêra-Manca, um toque mentolado. Começou bem, nem precisa esperar tantos anos na garrafa para agradar, efeito talvez da consultoria de Michel Rolland. Mas comparado aos outros ainda tem muito chão para revelar sua riqueza de sabores e aromas e justificar o preço. Algo na linha, é um Pêra-Manca até já te deixa contente, mas felicidade mesmo só daqui uns 5 anos, quando completar seu ciclo na garrafa.

Grana curta? Prova uma taça…

Para quem ficou salivando, não rasga dinheiro e mora em São Paulo, há uma alternativa. No Empório Santa Maria, na fabulosa máquina italiana de vinhos em taça, a Enomatic, com capacidade para 48 rótulos, uma tulipa de 30 mililitros de Pêra-Manca tinto sai por cerca de 29 reais. “São consumidas duas garrafas por semana”, informa um dos sócios do espaço, Bernardo José de Ouro Preto Santos.

Serviço

Adega Alentejana – importadora do Pera Manca no Brasil

Empório Santa Maria – Avenida Cidade Jardim, 790. Itaim, São Paulo

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