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sexta-feira, 4 de junho de 2010 Nacionais | 14:56

Bons, básicos, baratos e brasileiros

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Os vinhos de grande volume das principais vinícolas são a base da pirâmide do consumo. Uma espécie de “Caminho Suave” dos tintos e brancos, uma cartilha por onde o iniciante começa a experimentar e gostar de vinho, o reincidente tem a opção do dia-a-dia e aqueles felizardos que são recomendados pelos médicos a tomar uma dose diária de um tinto têm uma alternativa segura.

Vinhos de linhas mas simples de empresas como Almadén, Aurora e Salton fazem parte de um segmento que poderia muito bem ser chamado de BBB do vinho nacional: bons, básicos e baratos. Sim, eles existem, são simples e descomplicados. E o crescimento do mercado de vinho fino nacional (veja abaixo) está produzindo boas novidades no setor: investimentos, qualificação da bebida e até modernização visual dos rótulos.

Agora, em nova embalagem

E se além de bons e baratos estes vinhos mais básicos fossem também bonitos? Almadén e Aurora apostaram em mudanças visuais em seus rótulos. Eles ficaram mais limpos e fáceis de identificar nas prateleiras de supermercado, em ambos os casos cada uva tem uma cor. A Salton mantém seu rótulo mais escuro para a linha Classic, mas também adota a diferenciação de uvas pela cor.

Almadén

Não é à toa que a Miolo Wine Group adquiriu a Almadén em outubro de 2009, e  mexeu com a fórmula dos vinhos produzidos na região de Livramento em um investimento de 2 milhões de reais em melhorias nos processos de vinificação. O resultado foi apresentado oficialmente na última ExpoVinis – feira internacional de vinhos de São Paulo. Primeira boa novidade: diminuiu-se o teor de açúcar. Todos os varietais (vinho de uma única uva) da Almadén estão mais leves, frutados e refrescantes e sem aquele docinho enjoativo que caracterizava a linha. Confesso que fui provar a bebida com um pé atrás, pois a memória gustativa eram daquela bebida demi-sec, acrescida de açúcar. Não era discurso, mudou-se a fórmula. Provei toda a linha: os brancos chardonnay, sauvignon blanc e riesling (safra 2010), o rosé cabernet sauvignon (2010) e os tintos cabernet sauvignon, merlot e tannat (safra 2009). A bela surpresa, para este blog, foram o branco chardonnay, sem madeira, bastante refrescante, boa fruta e características da varietal evidentes e o tinto merlot, macio na entrada, também com fruta fresca e fácil de beber. Preço médio: R$ 15,00.

Aurora

A linha varietal da Aurora é composta de sete rótulos. Os tintos cabernet sauvignon, merlot, pinot noir e carmenère; os brancos chardonnay e gewurztraminer e ainda um rosé de merlot. O cabernet sauvignon, envelhecido em barris de carvalho e um pouco mais encorpado, é o meu preferido: tem um bom corpo e creta presença na boca. Preço médio: R$ 17,00.

Salton

Na lista de bons e baratos já elaborada por este blog em outubro de 2008 o Salton Classic Tannat já merecia destaque. Correto, bem vinificado. Seu preço é imbatível (volta e meia está em ofertas em grandes lojas e supermercados), seus taninos  melhoram se acompanhados de um churrasquinho informal no clube. Em recente viagem à vinícola, a prova dos varietais merlot, cabernet sauvigon e tannat (ainda são comercializadas as brancas riesling e chardonnay) ratificou a preferência por esta uva emblemática do uruguai – de longe o mais prazeroso rótulo da linha. Preço médio: R$ 13,00

O que é bom para o Chile é bom para o Brasil

A aposta na qualificação destes vinhos básicos é importante e necessária para a indústria e para o incremento do consumo do vinho nacional. As gigantes chilenas Concha y Toro, Santa Rita e Santa Helena, por exemplo, têm no seu portfólio desde vinhos para grande massa até premiadíssimos rótulos badalados pela critica e disputados entre os especialistas. Da base para o topo, a qualificação é a melhor propaganda. Até por que, vamos combinar, elaborar vinho caro e bom é até uma obrigação. Prova dos noves é manter qualidade em larga escala e ainda tascar o nome no rótulo…

Crescimento em vendas

No Brasil, o mercado interno de vinho finos – aquele feito de uvas viníferas – vem ganhando musculatura e reagindo ao fraco desempenho dos dois últimos anos. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) apontam para uma retomada da indústria vitivinícola, com um crescimento de 26% no primeiro trimestre de 2010, ou seja não precisava da obrigação do selo fiscal, né? Só no Rio Grande do Sul –  cerca de 90% da produção nacional – foram comercializados 2,32 milhões de litros, o maior volume desde 2007.  Fica claro que é da base da pirâmide que virá esta alavancagem no consumo. Tanto melhor se a qualidade do que se bebe for melhor. Até por que, quem foi fisgado pelo mundo do vinho sabe muito bem, qualidade é um caminho sem volta, tanto para o consumidor como para a indústria.

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sexta-feira, 3 de abril de 2009 Nacionais, Novo Mundo, Tintos | 19:01

Marco Danielle: da tormenta ao prelúdio

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Você conhece Marco Danielle? Quem frequenta a esquina virtual onde os aficionados dos tintos e brancos se encontram, os blogs, fóruns e redes sociais sobre o tema, certamente já ouviu falar dos vinhos Tormentas e Minimus Anima, e de seu autor, Marco Danielle. Desde 2005 ele batalha pela divulgação de seus tintos naturais, de produção reduzida e preço elevado. Danielle defende a baixa intervenção no vinhedo e é refratário a qualquer adição química na vinificação, principalmente de sulfitos.

A novidade é que agora ele está trabalhando um novo rótulo, Prelúdio, um vinho que  mantém o mesmo estilo mas dá uma trégua no preço. Odiado ou amado, o fato é que seu discurso sempre provoca faísca. E Danielle não é muito aderente a críticas, seja lá quais forem, e defende com unhas, dentes, ancinhos e, muita teoria, seus vinhos naturais. Daí a faísca invariavelmente provoca fogo.

Para o músico e ex-colaborador de Veja.com, Ed Motta, o Minimus Anima de 2005, por exemplo, é “o tinto brasileiro de maior personalidade” que já degustou. “No nariz, rara elegância, com uma nota salgada e apimentada que lembra os vinhos do Rhône e Languedoc, na França. Brilhante”, complementa. O enocineasta John Nossiter e os críticos do site Notas de Degustação também se somam aos entusiastas das experiências naturais de Danielle. Já boa parte da crítica tradicional olha desconfiada para o projeto, para seus proclamas e seus caldos. O crítico Marcelo Copello,  atualmente editor da revista Adega, comentando uma degustação às cegas de seus rótulos, disparou o seguinte petardo há alguns anos: “Algumas pessoas realmente não gostaram do vinho, achando-o desagradável”, sentenciou. “Os defeitos principais comentados foram aromas cozidos e concentrados de mais, de uvas excessivamente maduras ou concentradas posteriormente de alguma forma.”

Tudo isso é bossa-nova, tudo é muito natural
Seus vinhos, no entanto, a despeito de qualquer crítica, a favor ou contra, são extratos naturais, como os rios. Há quem goste das águas correntes, há quem prefira a platitude das represas ou o conforto das piscinas, quimicamente tratadas. Gosto é um valor subjetivo.

Provar um dos rubros criados no ateliê de Danielle – é assim que ele chama seu espaço de elaboração de vinhos artesanais – é de fato uma experiência diferente. O perfil dos tintos está mais próximo ao estilo do velho mundo, onde Danielle ganhou o pão como fotógrafo. No lugar da fruta em compota na taça, e do envelhecimento em madeira, a pureza da fruta. Apesar do termo desgastado, diria que é um vinho bossa-nova, que no princípio causa estranheza mas que esconde uma harmonia rica por atrás de sua aparente simplicidade.

Seus tintos não usam conservantes, leveduras industriais ou sofrem qualquer intervenção química na vinificação. O desengace dos cachos é manual e muitos de seus rótulos não contém, ou contém porções reduzidíssimas, de SO2, um conservante muito utilizado na elaboração de vinhos. Os caldos também não são filtrados ou estabilizados artificialmente. Muito  técnico, meio chato, né? Mas e daí, você deve estar se perguntando?

Daí que esta escolha resulta em um vinho diferente no paladar, que explora mais a verdade do vinhedo e a potencialidade da fruta; daí que o sabor, a cor e a palheta de aromas fogem do modelo tradicional – o que nem sempre pode agradar e nem %C

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quarta-feira, 25 de março de 2009 Saúde, Tintos | 10:34

Vinho tinto aumenta o desejo sexual feminino

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O consumo moderado de vinho tinto, já foi comprovado, é eficaz para as coronárias, faz bem para a saúde em geral e até para a  libido do homens (leia coluna). Agora, os cientistas capricharam: segundo estudo realizado pelo hospital Santa Maria Annunziata, em Florença, na Itália, o consumo de uma ou duas taças diárias de vinho tinto aumenta a libido feminina. Foram pesquisadas 789 mulheres entre 18 e 50 anos, moradoras na região de Chianti, próxima ao hospital. Bom, aí também não vale, além de tinto é Chianti, não precisa muito esforço  para o vinho fazer parte do dia-a-dia. Mas vamos em frente.

Apresentado em março na IX Semana da Prevenção Andrológica, promovida pela Società Italiana di Andrologia (SIA), o estudo foi baseado no questionário Fsfi – Female sexual function índex -, que avalia a sexualidade feminina por dezenove questões distribuídas nos seguintes critérios: do desejo ao interesse, da lubrificação ao orgasmo e da satisfação à dor.

O resultado quem conta é Nicola Mondaini, dirigente do hospital Santa Maria Annunziata e responsável pela  pesquisa: “Este estudo mostrou que as mulheres que consomem um a dois copos de vinho tinto por dia (11%) têm uma sexualidade melhor do que o grupo de mulheres abstêmias (35%) ou até mesmo aquelas que bebem ocasionalmente”. Não sou eu quem diz, mas o cientista italiano. Bravo! Bravíssimo!

Os louros de uma vida sexual mais plena se devem aos nossos amigos polifenóis, são mais de 300 tipos encontrados no vinho tinto, que a pesquisa mostra agora ter uma ação sobre alguns componentes hormonais femininos, em particular o estrogênio. O chocolate, que é rico em antioxidantes, é sabido também que estimula a sexualidade feminina. O que sugere que a dupla vinho & chocolate tem o efeito de uma bomba afrodisíaca…

O estudo é sério, minha gente, resultará até na publicação de um livro: “Bacco e Venere, ovvero vino ed eros nella vita dell’uomo”, que tem lançamento, na Itália, previsto para outubro pela editora Giunti. Como de costume, é sempre bom alertar, estes estudos recomendam um consumo contínuo, mas moderado. Alcoolismo é coisa séria, não é disso que trata este blog, muito menos os estudos científicos e pesquisas.

Em compensação…
O mesmo estudo, conduzido pelo mesmo hospital de S. Maria Annunziata di Firenze, alerta que a dieta vegetariana tem efeito negativo sobre a libido. Segundo Nicola Mondaini, a dieta vegetariana pode afetar negativamente o desejo sexual devido a uma “deficiência de zinco, associada à redução de testosterona”.

O que nos remete à coluna abaixo deste blog, que combina o grelhado com o um tinto repleto de polifenóis, o tannat uruguaio.

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terça-feira, 24 de março de 2009 Harmonização, Novo Mundo | 18:07

Tannat: o tinto uruguaio que combina com churrasco

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Quando se fala em vinho sul-americano a imagem que vem à cabeça é um chileno ou um argentino, respectivamente o primeiro e segundo maiores exportadores da bebida para o Brasil, com 34,38% e 26,54% do mercado, em volume. Cabe ao Uruguai, a posição de primo pobre, com a sétima posição, com apenas 1,70% das prateleiras.

Apesar da pequena presença no imaginário do consumidor, o Brasil é um parceiro importante da indústria vinícola uruguaia: boa parte da exportação – foram 13,4 milhões de litros em 2008 – tem como destino a taça dos brasileiros. Mesmo assim, talvez você nunca tenha provado um tinto uruguaio, ou, no mínimo, não é esta sua primeira opção. Pois saiba que pode estar perdendo um ótimo parceiro para o churrasco, o tinto feito com tannat.

A tannat é uruguaia, mas não é do Uruguai
Se a malbec dança tango na Argentina e a carmenère sobe as cordilheiras do Chile, a tannat é a representante legítima deste pequeno país de apenas 176 quilômetros quadrados. 32,2% da produção das uvas viníferas são desta variedade francesa, que assim como suas primas latino-americanas encontrou em solo uruguaio sua melhor expressão. A origem é da região de Madiran, no sudeste da França. Curioso isso, algumas variedades esquálidas no velho mundo acabam mostrando sua musculatura na América do Sul. O responsável pela introdução da variedade no Uruguai foi Don Pascual Harriague, em 1870, e com seu sobrenome a uva foi chamada até a década de 80, quando foi reconhecida como a tannat francesa.

O que esperar do vinho
Um tinto da uva tannat tem como características a concentração: de cores, sabores, corpo e do tanino (daí nome), aquele elemento importantíssimo da uva  que dá cor e uma sensação de adstringência na boca (pois tem a capacidade de coagular a saliva) que pode ser muito intensa ou bem trabalhada. Aí entram  a qualidade do produtor e das uvas. Esta é a virtude, e o pecado, da tannat. Muita gente torce, literalmente, o nariz para a uva pois tem na memória um vinho muito adstringente. Tem muito rótulo  assim por aí. Dá até para sugerir ao dentista substituir aquele sugador irritante por umas borrifadas de um tannat ordinário no tratamento. Mas quando domado, amaciado e bem elaborado, esta característica marcante da uva ressalta suas qualidades e torna este estilo de vinho uma boa alternativa para as carnes, como as parrillas, o corte uruguaio por excelência.

Tão perto e tão longe
Selecionei uma lista dos rótulos bacanas do Uruguai – aqui ordenados pelo nome dos produtores em ordem alfabética – comercializados no Brasil. Há desde vinhos de preço médio até exemplos mais salgados, ideais para quem quiser tirar o atraso e se iniciar pelos vinhos do vizinho, ou então ampliar seus horizontes. As safras no Uruguai são mais homogêneas, mas a tannat, segundo o responsável pela exportação da América do Sul e México da Bodegas Carrau, Nicolas Neme, tem se adaptado melhor aos anos pares. A conferir.

Aos vinhos, então
CARRAU- site
Juan Carrau Tannat de Reserva 2005, R$ 52,00
Uma ótima opção de preço médio, com boa intensidade, acidez e taninos macios que vai bem com o churrasco

Amat Tannat 2004, R$ 122,00
Um bom exemplo do que pode alcançar um tannat superpremium
Quem traz: Zahil

CASTILLO VIEJO – site
Catamayor Tannat Reserva de La Família 2005, R$ 62,00
Castillo Viejo tem uma enorme área de vinhedos e elabora rótulos confiáveis, como este.
Quem traz: World Wine

JUANICÓ – site
Don Pascual Tannat Roble 2006, R$ 45,00
Caprichado e típico
Quem traz: Todovino

PISANO – site
RPF (Reserva Especial da Família) Tannat 2005,  R$ 61,87
Outro exemplo de como um tannat bem elaborado pode agradar e combinar com carne

Axis Mundi Tannat 2002, R$ 312,00
Um tannat  na linha superpremium, surpreendente, mas um pouco pesado no bolso
Quem traz: Mistral

PIZZORNO – site
Pizzorno Don Próspero Tannat 2004, R$ 34,00
Mesmo mais simples, agradável e típico
Quem traz: Grand Cru

Não é só tannat
Eu gosto muito de vinhos de corte, que é um trabalho mais de arquitetura do enólogo que vai dosando o melhor de cada uva de determinada safra para finalizar sua alquimia. No Uruguai, os blends de tannat com cortes típicos de Bordeaux (merlot, cabernet sauvignon e cabernet franc) também são boas alternativas, geralmente mais caras, que merecem ser provadas. Dois exemplos:

CASTILLO VIEJO
El Preciado Gran Reserva 2002, R$ 150,00
(cabernet franc, merlot, tannat e cabernet sauvignon)

JUANICÓ
Prelúdio Barrel Select Lote nº 60 2004, R$ 156,00
(cabernet sauvignon, merlot e tannat)

Dois brancos
Por fim, prosseguindo na eterna catequese pela valorização do branco levada a cabo por este blog, um sauvignon blanc e um viognier, que se dão  bem no clima do país. Os dois bastante frescos e aromáticos, na linha que eu mais gosto: bom e barato

CARRAU
Juan Carrau Sauvignon Blanc 2007, R$ 33,00

JUANICÓ
Don  Pascual Viognier Reserve 2005, R$ 39,90

Inavi – Instituto Nacional de Vinicultura do Uruguai

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