Publicidade

Posts com a Tag vinho italiano

sexta-feira, 2 de junho de 2017 Novo Mundo, Sem categoria, Velho Mundo | 10:13

Exclusivo: Portugal passa a Argentina e é o segundo colocado no ranking de vinhos importados

Compartilhe: Twitter

bandeiras.001

Portugal redescobriu o Brasil. Ou melhor, os consumidores brasileiros redescobriram o vinho português. Talvez seja mais correto dizer, os importadores passaram a lotar seus contêineres com vinhos portugueses. O fato é que o relatório preparado pela Consultoria Ideal, obtido com exclusividade pelo Blog do Vinho, registra uma mudança e uma tendência nos números da importação de vinhos no Brasil: Portugal passou – e bem – a Argentina em volume e valor no ranking das importações no primeiro trimestre de 2017, comparado ao mesmo período de 2016.

A virada

Portugal passou de 12% em volume e 10,8% em valor (janeiro-março 2016) para 17,3% em volume e 15,4% em valor no primeiro trimestre de 2017. Já nossos vizinhos argentinos, que tinham ligeira vantagem de 12,7% em volume e 14,8% em valor, estacionaram em 13,3% em volume e 14,1% em valor (veja tabela abaixo). Muito número, né? Vamos ficar apenas com o mais impactante: Portugal 17,3% X Argentina 13,3%. Para os fanáticos por futebol, uma analogia e uma simplificação: Cristiano Ronaldo 17 x Lionel Messi 13!

Para quem acompanha o mercado, ou mesmo as ofertas nas prateleiras de supermercados, os números são espantosos. Há alguns anos Argentina disputava com o Chile a pole position no ranking das importações (chegou a ter 30% da fatia do bolo). Hoje começa a competir com Itália pelo terceiro e quarto lugares. Ok, trata-se de uma auditoria do primeiro trimestre, mas é uma curva consistente e a gangorra está pendendo para nossos colonizadores portugueses, com certeza.

Brasil na mira de Portugal

A razão desta mudança? Algumas hipóteses. O vinho, apesar de toda poesia, é um negócio. E é regido pelas leis do mercado, de câmbio, influenciado por ações de marketing e até pela diversificação e inovação do produto.  Um aspecto da economia atual no Brasil é um euro mais atrativo que o dólar. Isso influenciou certamente o resultado. Quanto à estratégia global, Portugal tem enfrentado uma perda de clientes entres as ex-colônias na África, que baixaram a bola no consumo dos vinhos de seus antigos algozes (Angola ainda é importante). Portugal então apontou sua artilharia para Brasil para recuperar parte do mercado de exportação. Com isso, estamos assistindo a um acréscimo visível dos investimentos de produtores, associações e institutos lusitanos ligados ao vinho no Brasil (veja lista de eventos de junho no final deste post). Viramos um alvo.

Segundo relatório do Euromunitor International Research Reports, o Brasil ocupa o 9º entre os principais mercados para o vinho português. O principal mercado é o interno, e pela ordem seguem Grã-Bretanha, Angola, Estados Unidos, Alemanha, Países Nórdicos, Canadá, China e finalmente o Brasil. O crescimento diagnosticado pelo Euromunitor indica, no entanto, um potencial avanço de duas posições neste ranking, com o Brasil ultrapassando China e Canadá no grid de exportação. O objetivo, nada modesto dos exportadores portugueses, é crescer 25% em valor no Brasil nos próximos três anos. A se checar a confirmação da tendência, nos resultados dos próximos trimestres.

países.001

 

Chile ainda lidera

E o Chile? Bom, o Chile continua dando um banho, com 42,6% das importações em volume e 42,9% em valor, sempre segundo o relatório da Consultoria Ideal. A soma dos três países que estão em 2º, 3º e 4º lugares (Portugal, Argentina e Itália) não ultrapassa o total dos chilenos. Mas… mesmo assim, o Chile perdeu um naco da sua presença neste primeiro trimestre no rateio total, caiu de 53% em volume para 42,6%. Isso não quer dizer que a invasão chilena de tintos e brancos arrefeceu. Em ordem de grandeza, o volume importado é maior até: 810.914,3 para 914.844,2. E aqui vem outra informação importante do relatório. Mesmo com toda crise, com toda lama, toda façanha, o vinho importado vai levando. Um crescimento de incríveis 40% em volume importado entre o primeiro trimestre de 2016 e o de 2017. De 1.525.368,1 para para 2.145.695,2. Estranhou estes números de volume? Cabe uma legenda: o volume é medido em caixas de 9 litros (no geral correspondente e 12 garrafas de 750 ml).

Mas atenção: não fique animado com o crescimento do volume  para abrir amanhã sua importadora ou e-commerce de vinho. Há um efeito da crise aí. Apesar dos índices de crescimento, o valor FOB diminuiu de 28,7 para 25,9 (em dólar). Não é à toa que os rótulos mais baratos dos grandes produtores inundam as prateleiras. Outra explicação chata e necessária: FOB (free on board) é  o preço que o importador negocia para o vinho ser embarcado para o Brasil pelo produtor contratado, o resto é por conta dele (taxas, impostos, frete, etc).

Para Manuel Luz, consultor de vinhos da importadora Cantu, diretor de produtos da Sonoma e grande conhecedor do mercado, esta dança das cadeiras tem uma explicação: “Portugal comeu o mercado da Itália, do Chile e a Argentina estagnou no Malbec”. Luz, reconhecido sommelier — aquela gente que identifica groselha e trufas no tinto quando você só encontra vinho –, se especializou em traduzir números em tendências, e com isso ganha a vida gerando negócios para as empresas do ramo. E continua encontrando uma groselha aqui e uma trufa ali, por que esta brincadeira também é legal.

Mudança também dos importadores

Outro dado bastante interessante que este levantamento da Ideal identifica é a mudança do perfil do share das empresas que trazem o vinho: os caçadores de cabernet sauvignon do mundo. Em 2013 as importadoras tradicionais eram responsáveis por 78,7% do total de garrafas de vinho. Os supermercados enchiam as prateleiras com 13,3% do total. Os .com (as vendas online), ainda uma novidade, engatinhavam com 2,6% do mercado. O cenário 2017 é outro: as importadoras encolheram para 51,7%, os supermercados mordem 25,8% e as iniciativas .com deram um salto para 13,5%.

tabela1.001

 

Importante. O resto que faltou nesta conta (se é que você teve a curiosidade de somar o total) fica com a VCT, indicada na tabela, também conhecida como a importadora da Concha y Toro, a gigante chilena, que sozinha detém 9% deste mercado.

A tabela é clara: o e-commerce cresceu. Mas redobro o conselho, não saia correndo abrindo seu site de vendas online de vinhos na galega. A Wine.com e a Evino dominam este jogo, que não é para amadores.

Portugal se vende

Portugal foi para a guerra e não acovardou-se: tem feito várias ações de marketing por aqui, através de representantes das regiões vinícolas, importadoras, feiras, etc. O motivo é transparente como um alvarinho jovem: para vender um produto como o vinho é necessário antes de mais nada vender experiência, principalmente em um país sem a tradição de consumo de fermentados  como o Brasil. Por isso assistimos a um aumento de feiras, degustações e eventos de vinhos portugueses no Brasil.

Veja abaixo algumas destes eventos programados para o mês de maio/junho:

Dias 31 de maio (RJ), 06 e 08 de junho, Brasília e São Paulo, a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS) apresenta seus vinhos e produtores, entre eles o mais famoso, José Maria da Fonseca, o homem do Periquita;
De 23 a 27 de maio a importadora Qualimpor promoveu um tour com seus rótulos portugueses do Douro (Quinta do Crasto), Minho (Quinta do Ameal) e Alentejo (Esporão) e Porto (Taylor’s) no Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Jundiaí e Campinas;
2, 3 e 4 de junho, evento Vinhos de Portugal, no CasaShopping, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com 70 produtores e 500 rótulos. O pessoal do Alentejo vem com uma tropa grande, apoiado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA)  com degustações comentadas por Pedro Mello e Souza, Alexandra Prado Coelho, Dirceu Viana Júnior e Rui Falcão; Mais informações em  www.vinhosdeportugalnorio.com.br. Os restaurantes do Shopping vão franquear a rolha do primeiro vinho para os visitantes que estiverem com pulseira do evento

Leia também: Vinhos de Portugal, um Pato aqui, um Pato acolá

6 junho, Prova Anual dos Vinhos do Porto e do Douro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.  Evento com mais de 30 vinícolas e 200 vinhos para provas no Hilton Garden In
6 a 8 de junho, Portugal marca presença na 20a edição da ExpoVinis, a maior feira de vinhos da América Latina. A Importadora Adega Alentejana marca presença com stand próprio; Mais informações em https://www.expovinis.com.br/pt/home.html
8 de junho, Importadora Zahil lança a linha Sossego, com a presença de Luís Cabral de Almeira, enólogo da Herdade do Peso, da região do Alentejo;
9 e 11 de junho no Shopping JK Iguatemi acontece a versão de Vinhos de Portugal em São Paulo, com a presença do conceituado pelo jornalista e crítico de vinhos Luís Lopes; Mais informações em  www.vinhosdeportugalnorio.com.br
10 de junho, em Minas Gerais, o projeto Aproxima – Vinhos do Alentejo, festa de rua que acontece Casa Fiat da Cultura. A partir das 10 h com palestras e degustações com produtores;
No dia 10 de junho, AEP (Associação Empresarial de Portugal), em organização com o Grupo Opal, organiza em Vitória (Espírito Santo) a Vinhos e Sabores de Portugal, uma prova de vinhos e produtos gastronómicos portugueses com a presença de importadores / distribuidores / imprensa e o público brasileiro.

Autor: Tags: , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 Blog do vinho | 12:48

Importação de vinho: em 2015 Chile continuou na liderança, mercado retraiu e o imposto aumentou

Compartilhe: Twitter

O vinho está caro, não? A vida está cara. Basta percorrer as prateleiras dos supermercados, lojas especializadas e  sites de e-commerce para perceber que mesmo com descontos – é tempo de liquidações de estoque – os preços subiram. E 2016 promete. A contribuição para este cenário tem sempre a mão amiga do governo, que além de toda carga tributária já embutida no produto alterou, a partir de dezembro de 2015, a cobrança do IPI que passou de um valor fixo de  R$ 1,08 por garrafa para um tributo variável de 10% sobre o valor do vinho. A disparada do dólar também contribui – e muito – para esta valoração dos preços.

E como o reflexo econômico de 2015 afetou o mercado de importação de vinhos no Brasil?

Mais uma vez eu pego carona no trabalho do consultor Adão Morellatto (autorizado pelo autor, claro) e publico a situação da importação de vinho no Brasil. O ano é de 2015. Não precisa dizer mais nada, né? Mas a fotografia não é tão feia assim: teve uma retração de 11,28% em valor (a inflação no período foi de 10,673% IPCA), mas  uma leve alta de 1,56% em volume, ou seja há vinhos mais baratos sendo escoados no mercado brasileiro, com enorme participação do Chile nesta pegada (faixa de até 35 reais para o consumidor).

Comparada com a mesma análise de 2014, a posição dos países no ranking continua inalterada. Os vizinhos Chile e Argentina juntos dominam mais de 60% do mercado de vinhos no Brasil. A França vem em seguida empurrada pela inclusão dos Champagnes na conta. Em seguida Portugal e Itália, com Espanha na rabeira entre os principais. Alguns países caíram mais do que outros.

 

O Chile continua líder, a Argentina perde mercado mas mantém segunda posição

Abaixo um resumo das principais informações e dados consolidados pela análise de Adão Morellato

1º. CHILE:   Com um novo recorde de produção com 12,8 milhões de hectolitros (alta de 23%) em 2015, os chilenos batem pesado no mercado brasileiro e é necessário escoar toda esta produção, seja onde for, esteja onde estiver o consumidor, sua participação chegou a 37,34% em Valor e 45,29% em Volume, porém com uma ligeira queda de -5,21% de valor sobre 2014. Seus produtos adentram nosso mercado com uma forte penetração no segmento mais promissor (faixa de até R$ 35,00 consumidor), com uma desvalorização de 8,84% em USD. Também apresenta um crescimento de 3,62% em volume.

2º. ARGENTINA:  Segue a mesma estratégica do Chile em baixar seus vinhos, porém de maneira ainda muito tímida, apenas 3,89% de desvalorização e queda de -14,39% ref. a 2014. Os anos em que a Casa Rosada foi reinada pelos Kirchner, não foram nada satisfatórios aos vinicultores, reduziu em 12% a produção vitivinícola na última safra. Seus vinhos ainda são 31,29% mais caros do que os similares vizinhos. Em 2015 manteve um desempenho idêntico a de 2014, 17,19% em Valor e 15,87% em Volume. Em valor retrocedeu ao período de 6 anos atrás (2009).

3º. FRANÇA:  Como já informado acima, dado ao fato de que o Champagne tem um peso enorme na pauta deste segmento, participando com quase a metade do valor 47,48%, demonstra um marketing Share de 14,19% e Value de 5,91%, com queda cambial de -20,18% e participação negativa de -17,36%, praticamente voltou ao patamar de 2011 em valor.

4º. PORTUGAL:  Também apresenta um retrocesso de 5 anos de seu desempenho de valor, 11,18% em Valor e 12,64% em Volume e queda similar a da França -14,29% e com deflação cambial de -23,17% em seus produtos. Visto que sua produção aumentou em 8% em 2015, há uma grande procura de produtores buscando fincar suas próprias bandeiras em solo brasileiro, por certo não encontram em outros grandes mercados (USA / China) uma classe consumidora mais apropriada sejam pelo hábito e costumes, sejam pela praticidade linguística.

5º. ITÁLIA: Entre os principais player´s o que apresentou o pior desempenho com -22,14% de queda, como comparativo, retorno aos patamares de 2008. Tendo os vinhos tipo Prosecco contribuído com 12,38%. Seu custo médio apresentou queda de -9,76% e sua participação permaneceu em 10,14% em Valor e 11,22% em Volume. Devido a sua grande safra que em 2015 atingiu exponencialmente 48,9 milhões de hectolitros, há que buscar alternativas e seu mercado mais promissor são os EUA, com forte presença, disputando em pé de igualdade com os produtores americanos.

6º. ESPANHA: Depois de alguns anos conquistando mercado com muita velocidade, em 2015 teve queda de -11,27% e atingiu 5,35% de participação em Valor e 1,38% em volume com desvalorização cambial de -23,14%. Os vinhos Cavas contribuem com 26,62% de seu total. Apesar da queda, mantém uma boa estrutura de produtos atrativos. Hoje sem nenhuma dúvida, junto a Itália, são os que melhor oferecem a relação de custo/qualidade.

7º. DEMAIS PAÍSES: Contribuem com menos de 4,70% em Valor e 4,20% em Volume, destaque para crescimento de 25,07% da Austrália e 6,81% do Uruguai.

Leia também: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Dados extraídos do Análise de Mercado de 2015 da análise de

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

Autor: Tags: , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 22 de abril de 2015 Blog do vinho, Brancos, Degustação, Espumantes, Nacionais, Novo Mundo, Porto, Rosé, Tintos, Velho Mundo | 14:00

Conheça os melhores vinhos do concurso Top Ten 2015 da ExpoVinis

Compartilhe: Twitter

tablet

Como acontece todos anos  os homens que cospem vinho se juntaram mais uma vez para realizar o concurso Top Ten, versão 2015 (que bem poderia chamar Os 10 Mais), da 19º edição da Expovinis, a maior feira de vinhos da América Latina. O concurso reuniu profissionais, especialistas, jornalistas e um palpiteiro (este que vos escreve que participa pelo oitavo ano consecutivo) para provar vinhos às cegas de vários países e estilos e eleger os 10 melhores. Quem acompanha este blog sabe da lisura deste concurso e de como ele funciona. Para quem chega aqui pela primeira um rápida explicação (ou clique nos links distribuídos pelo texto). A tabela está logo abaixo, seguida das fichas dos vinhos

Top Ten como funciona

Os vinhos que concorrem na degustação do Top Ten da ExpoVinis são aqueles enviados pelos expositores/produtores. Não são exatamente os melhores vinhos da feira, nem é esta a pretensão. Concorre quem quer. Eles são divididos em uma dezena de tópicos. Em 2015 foram 125 amostras distribuídas entre as seguintes categorias: espumantes nacionais (16), espumantes importados (8), brancos importados (15), brancos nacionais (12), rosados (10), tintos nacionais (18), tintos novo mundo (13), tintos velho mundo I – Portugal e Espanha (11), tintos velho mundo II – França e Itália(15), fortificados e doces (7). As garrafas são cobertas, numeradas e avaliadas. As notas são registradas no sistema (é distribuído um iPad para cada jurado com usuário e senha), somadas e os melhores em cada categoria levam a medalha no peito e saem anunciando por aí. Justo ou não, trata-se de um julgamento coletivo, que é mais preciso que a nota de um só critico. Os jurados só conhecem os rótulos provados no momento da divulgação do resultado. Confesso que é até meio frustrante, a gente passa dois dias provando vinhos e sai de lá sem saber os rótulos que bebeu e quais foram os eleitos. Mas é a forma correta de fazer isso.

TOP TEN 2015 – Resultado  Final

1. ESPUMANTES NACIONAIS – Vencedor: Aracuri Brut Chardonnay 2014

2. ESPUMANTES IMPORTADOS  – Vencedor: Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie N/V

3.  BRANCOS NACIONAIS – Vencedor: Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2014

4. BRANCOS IMPORTADOS  – Vencedor: Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

5. ROSADOS – Vencedor:  Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

6. TINTOS NACIONAIS  – Vencedor:  Valmarino Ano Xviii Cabernet Franc 2012

7. TINTOS NOVO MUNDO – Vencedor:  Renacer Malbec 2011

8. TINTOS VELHO MUNDO I (Espanha e Portugal) – Vencedor:  Pêra Grave Reserva Tinto 2011

9. TINTOS VELHO MUNDO II (Itália e França) – Vencedor:  Sangervasio A Sirio 2007

10. FORTIFICADOS E DOCES  – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

PRÊMIO JOSÉ IVAN DOS SANTOS (vinho com a maior média, 93.5) – Vencedor:  José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

ESPUMANTES NACIONAIS

Aracuri Brut Chardonnay 2014

País: Brasil

Região: Campos de Cima da Serra – Rio Grande do Sul

Uva: chardonnay

Produtor: Aracuri Vinhos Finos

Site: www.aracuri.com.br

Elaborado pelo método charmat (segunda fermentação em tanques de inox), usa apenas uva chardonnay. Na minha avaliação era aquele que apresentava maior toque de evolução entre os representantes das borbulhas nacionais.  Não é assim que o site da empresa define o vinho: “espumante elegante e refrescante de perlage fina e abundante. No aroma destacam-se as notas de damasco, raspas de limão e pão fresco. O paladar é envolvente e cremoso com acidez cativante.”. Mas é um bom sinal a  eleição de um blanc de blanc (espumante feito apenas com chardonnay) verde-amarelo.

espumantes

ESPUMANTES IMPORTADOS

Georges De La Chapelle Cuvee Nostalgie

País: França

Região: Champagne

Uvas: chardonnay (70%), pinot noir (15%), pinot meunier (15%)

Empresa: Sas Prat Champagne Georges De La Chapelle

Site: www.georgesdelachapelle.com

Existe uma clara tendência dos jurados eleger um espumante importado que mais chegue perto das características de um champagne tradicional, e não deu outra. Para começar pelo tradicional corte, com as uvas tradicionais da região. Bateu nas anotações dos jurados: cor dourada, aromas de frutas secas, um toque oxidativo e boa perlage. Este exemplar vem de vinhedos com mais de 40 anos e de uma mistura (cuvee) das safras de 2004, 2006 e 2008. Um belo champagne, sem dúvida. Afinal, não há espumante como um champagne…

BRANCOS NACIONAIS

Pericó Vigneto Sauvignon Blanc 2012

País: Brasil

Região: Altitude Catarinense – Santa Catarina

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Vinícola Pericó Ltda

Site: www.vinicolaperico.com.br

E um vinho de altitude, de Santa Catarina, elevou o sauvignon blanc nacional para o topo da categoria dos brancos nacionais. Elegante, sem exagero de aromas, lembra frutas tropicais no nariz e na boca, no site oficial são descritos “melão, mamão papaia, casca de grapefruit e uma nota discreta de maracujá e de folha de tomate”  Eu não percebi tudo isso, mas um frescor marcante, com bela acidez e boa estrutura.

 BRANCO

BRANCOS IMPORTADOS

Casas Del Toqui Terroir Selection Sauvignon Blanc 2014

País: Chile

Região: Vale Leyda

Uva: sauvignon blanc

Produtor: Casas del Toqui

Site: www.casasdeltoqui.cl/cdt.html

Importador: Bodegas De Los Andes Comercio De Vinhos Ltda

Site: WWW.BODEGAS.COM.BR

O sommelier Hector Riquelme, sem saber quem era o vencedor, declarou que um “perfumista” havia vencido a categoria dos brancos importados. De fato, este sauvignon blanc é muito típico, e se destacam aromas de aspargos, arruda, herbáceo, na boca uma certa salinidade, boa estrutura e um final mais longo, acentuado pela mineralidade e ótima acidez. O  perfumista me conquistou.

ROSADOS

Saint Sidoine Côtes Du Provence Rosé 2014

País: França

Região: Provence

Uvas: grenache, cinsault, syrah, carignan, mourvedre, tibouren

Produtor: Cellier Saint Sidoine

Site: www.coste-brulade.fr

A cor em um rosé é elemento importante, ela seduz – ou não – de cara. Aqui um rosa pálido com reflexos de salmão davam pinta da região de Provence, confirmada no nariz mais cítrico, no frescor em boca provocado pela bela acidez que prolongava o prazer em boca. Ao contrário ao ano anterior, onde o painel dos rosados era bem fraco, este ano vários vinhos competiram em pé de igualdade pelo primeiro lugar. Prova de qualidade dos rosés, nem sempre reconhecida.

tintos

TINTOS NACIONAIS

Valmarino Ano XVIII Cabernet Franc 2014

País: Brasil

Região: Pinto Bandeira, Rio Grande do Sul

Uva: cabernet franc

Produtor: Vinícola Valmarino

Site: www.valmarino.com.br

Oba! Um cabernet franc 100% levou o melhor nacional tinto, recuperando o prestígio desta uva que já foi mais importante no Brasil (outro cabernet franc estava na disputa final). Tem a presença forte de madeira no nariz, e em seguida aparecem frutas negras, couro e chocolate. Na boca um tanino macio, uma boa fruta presente, com a madeira integrada, um final de qualidade. Este foi um vinho que foi melhorando na taça e que foi surpreendendo ao longo da prova e crescendo na pontuação (na minha, pelo menos).

TINTO NOVO MUNDO I – ARGENTINA E CHILE

Renacer Malbec 2011

País: Argentina

Região: Lujan de Cuyo, Mendoza

Uva: malbec

Produtor: Bodega Y Viñedos Renacer

Site: www.bodegarenacer.com.ar

A Argentina papou o prêmio do Novo Mundo com sua uva símbolo, a malbec. Os 24 meses em barricas francesas de primeiro uso e os seis meses de garrafa trouxeram aromas mais evoluídos de bala toffee e frutas negras. Não tem aquele floral exuberante, de violeta, que em excesso incomoda. De vinhedos de mais de 90 anos de idade, este malbec conquistou pela fruta em boca, tanino doce e suave e final mais longo. Infelizmente a categoria se  limitou a garrafas do Chile e da Argentina, o que limita um pouco o painel. Seriam bem-vindos tintos da Austrália, África do Sul, Estados Unidos…

tintosdecima

TINTO VELHO MUNDO II – ITÁLIA E FRANÇA

Sangervasio A Sirio 2007 IGT

País: Itália

Região: Toscana

Uvas: 95% sangiovese, 5% cabernet sauvignon

Produtor: Sangervasio

Site: www.sangervasio.com

Importador: Zahil

Site: www.zahil.com.br

O melhor tinto velho mundo é um velho conhecido dos apreciadores de tintos italianos. Há anos importado pela Zahil, já tem seu público cativo e me causou certa surpresa sua presença no Top Ten. A Sangervasio se define como um vinhedo biológico da Toscana. Este A Sirio IGT tem pinta de supertoscano e passa 14 meses em barricas (50% novas) e 2 anos em garrafas antes de encher sua taça. Isso provoca uma textura macia na predominante sangiovese, com um bom impacto de frutas, especiarias e corpo médio. Não se notam seus 8 anos de vida. Vai longe. Avanti Itália!

 

TINTO VELHO MUNDO – PORTUGAL E ESPANHA

Pêra Grave Reserva Tinto 2011

País: Portugal

Região: Alentejo, Évora

Uvas: syrah, touriga nacional e alicante bouchet

Produtora: Pêra Grave, Quinta de São José de Peramanca

Site: www.peragrave.pt

Representante: Luxury Drinks Portugal

Site: www.luxury-drinks.pt

Aprendo no site oficial da vinícola que ele é produzido na antiga quinta de Pêra Manca do séc. XIII até ao séc. XIX. Trata-se de um caldo potente, típico desta região mais quente de Portugal. Muita fruta negra no nariz e um toque floral da touriga nacional. Na boca a potência se confirma com as frutas mais maduras e com a passagem pelas barricas. Boa persistência final. Vinhão para quem curte caldos mais concentrados.

doces

DOCES E FORTIFICADOS

José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos

País: Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: 100% moscatel de Setúbal

Produtor: José Maria da Fonseca

Site: www.jmf.pt

Importador: Decanter Vinhos Finos

Site: www.decanter.com.br

Uauau!  Não é muito profissional começar uma descrição assim, mas eu repito: uauau!!! A cor âmbar com alguns reflexos esverdeados já dá a dica de coisa boa, os aromas em camadas longas e persistentes de nozes, caramelo, avelã, frutas cristalizadas aumentam a tensão, na boca a confirmação destes aromas acompanhada de uma belíssima acidez que quebra seu doce e mantém o prazer da bebida por minutos. José Maria da Fonseca (aquele do Periquita) é o mais antigo produto de Moscatel de Setúbal, um Denominação de Origem Controlada (D.O.C.), reconhecida desde 1907.Este Moscatel de Setúbal 20 anos é resultado de um lote de 19 colheitas em que a colheita mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga perto de 80 anos, O resultado é complexidade, elegância, longo final e um paladar de tirar o rolha.

O nomes dos culpados pela eleição dos onze vinhos acima

 O time dos homens que cospem vinho do Top Ten tem uma certa consistência. Os doze homens são divididos em dois grupos, cada qual com um presidente a quem compete resolver qualquer impasse. Fica a crítica da ausência de juradas mulheres, que hoje são parte importante da crítica de vinhos no Brasil e no mundo.

 Presidentes de mesa

Hector Riquelme – sommelier chileno

Mario Telles Jr –  ABS-SP

Jurados (em ordem alfabética)

Beto Gerosa – Blog do Vinho

Celito  Guerra – Embrapa

Jorge Carrara – Prazeres da Mesa

José Luis Borges – ABS São Paulo

José Maria Santana – jornalista e crítico de vinhos revista Gosto

José Luiz Paligliari – Senac

Manoel Beato – sommelier grupo Fasano

Marcio Pinto – consultor e ABS-MG

Ricardo Farias – Sbav Rio de Janeiro

Tiago Locatelli – sommellier Varanda

José Ivan dos Santos, o gentleman do vinho

José Ivan dos Santos: homenagem

José Ivan dos Santos: homenagem

Este ano o concurso Top Ten teve um trago amargo. A ausência de José Ivan dos Santos na coordenação do evento, sempre em dueto com o crítico e consultor Jorge Lucki. José Ivan, ou Zé Ivan, era um gentleman do vinho, um conhecedor que não botava banca, um aglutinador de pessoas e de uma simpatia contagiante.  Zé faleceu, repentinamente, há pouco mais de dois meses, com um livro pronto para ser lançado. Em homenagem ao Zé, este ano foi instituído um 11º prêmio no Top Ten, o Prêmio José Ivan dos Santos para o vinho com a melhor pontuação em todas as categorias. O prêmio especial será entregue ao inebriante José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos. Uma justa homenagem que o concurso presta ao amigo Zé – que tenho certeza ficaria feliz de se ver representado com este elegante caldo.

 

SERVIÇO

  • ExpoVinis Brasil 2015 | 19º Salão Internacional do Vinho
  • 22 a 24 de abril de 2015
  • Expo Center Norte – Pavilhão Azul – Vila Guilherme – São Paulo
  • Informações, credenciamento visitantes e novidades: www.expovinis.com.br
  • Facebook: ExpoVinis Brasil | Twitter: @expovinis | Instagram: @expovinisbrasil
  • E-mail: visitante.fev@informa.com | Telefone: (11) 3598-780

O primeiro dia do evento será reservado exclusivamente para profissionais do setor.

  • Horário: das 13 às 21 horas para profissionais do setor nos dias 22 e 23 de abril, e das 13 às 20 horas no dia 24 de abril. Aberto ao consumidor final das 17 às 21 horas no dia 23 e das 17 às 20 horas no dia 24 de abril.
  • Shuttle Service/Transfer gratuito no trajeto Expo Center Norte-Estação Portuguesa/Tietê e estação Portuguesa/Tietê-Expo Center Norte estará disponível todos os dias do evento.
Autor: Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 5 de março de 2015 Brancos, Doce, Tintos, Velho Mundo | 10:40

Planeta: vinhos italianos da Sicília aos pés do vulcão Etna

Compartilhe: Twitter
Vinhedos da Planeta: aos pés do vulcão Etna, na Sicília

Vinhedos da Planeta: ao fundo o vulcão Etna

Em 1994 a vinícola Planeta, um empreendimento familiar da ilha de Sicília, na Itália,  lançou um vinho branco da uva chardonnay que é sucesso até hoje. De um perfil moderno,  de coloração dourada, cremoso, com boa presença em boca e um toque de barrica e de baunilha bem perceptível ganhou o mercado e tornou conhecida a marca, que também se notabilizou pelo syrah e pela merlot. Uvas internacionais, rótulos modernos e fáceis de lembrar, mas legítimos representantes do solo italiano, apesar de perder um pouco aquele sentido de vinhos originais da Bota.

O projeto – Planeta é o nome de família – começou com uma vinícola e 50 hectares fruto de pesquisas de Diego Planeta, e hoje ampliou sua presença na ilha e possui seis cantinas em diferentes pontos da Sicília que juntos somam 390 hectares. São elas: Ulmo/Sambuca di Sicilia (de onde vem o chardonnay famosão); Dispensa/Menfi; Dorilli/Vittoria; Etna/Feudo di Mezzo; Buonivini/Noto e La Baronia/Capo Milazzo. Os campeões de venda no Brasil são os rótulos La Segreta. No mapa as cantinas  permitem um tour em volta da ilha, o que não é má ideia.

A cantina onde os vinhos são produzidos

A cantina de Vittoria/Etna onde os caldos são vinificados

Esta diversidade de solos e territórios entrega uma variedade de estilos de vinho (espumantes, brancos, tintos, doces) com diferentes tipos de uva (as internacionais chardonnay, syrah, merlot e as nativas, carricante, moscato bianco, nero d’avola, frappato, nerello mascalese) que enriquecem a experiência do vinho da Sicília e quebra este carimbo global que marcou o início da Planeta. Um bom exemplo é linha Etna, recém-lançada no Brasil, produzida em um vinícola que fica aos pés do vulcão de mesmo nome, o maior símbolo da ilha. São rótulos onde a  tipicidade da Itália se torna mais presente e os vinhos mais gastronômicos e instigantes, secondo me (termo roubado do meu amigo Didu Russo).

Blog do Vinho provou e palpita:

Etna-Bianco1

Planeta Etna Bianco 2013

Região: Castiglione di Sicilia (Etna)
Uva: carricante
R$ 126,00

Um branco menos exibido que seu primo mais famoso, o citado chardonnay Planeta. A carricante é uma uva nativa da região. Mais fresco, com boa acidez, mineral e nota lá no fundo de madeira. Um branco que tem como principal virtude a vivacidade em boca.

Etna-Rosso1-86x300

Planeta Etna Rosso 2013

Região: Castiglione di Sicilia (Etna)
Uva: nerello mascalese
R$ 126,00

Agora um tinto representante legítimo do solo vulcânico do Etna. Algumas fotos impressionantes mostram as lavas fazendo fronteira com os vinhedos. A coloração é mais leve,  corpo médio, tem um aroma gostoso de frutas vermelhas, macio, e boa acidez. Um tinto que pede um prato de comida.

dorillinuovaf1-122x300

Dorilli Cerasuolo Di Vittoria Classico DOCG

Região: Dorilli (Vittoria)
Uvas: 70% nero d’avola e 30% frappato
R$: 163,00

Um clássico da Planeta, com aquele rótulo em formato de redemoinho mais famoso. Único vinho DOCG (denominazione di origine controllata e garantita) da Sicília. O nome do vinho já dá a dica: Cerasuolo significa solo de cereja. E não é que o bichão exala aromas marcantes de cereja madura, framboesa, frutas vermelhas em geral? A percepção em boca é mais doce (passa 10 meses em barricas de 500 litros de segundo uso, que não marca tanto o vinho), desce macio, gostoso. Bom final de boca, com mais corpo também. Gastronômico, mas pede um prato mais forte de carne, um molho mais potente.

 Passito-88x300

Passito di Noto – DOC Noto

Região: Noto (Buonovini)
Uva: moscato bianco
R$ 213,00

Vinho de sobremesa branco italiano. Só por isso é um risco que se deve correr. O processo de vinificação lembra o do amarone, de apassimento (as uvas são deixadas em esteiras por quatro ou cinco meses em vez de serem esmagadas, com isso os frutos perdem peso e ganham açúcar, álcool e aromas). A cor é bem amarela, e a primeira e segunda impressão no nariz é de mexerica (tangerina) doce, um toque de mel. Doce e untuoso como tem de ser, corta o melaço com uma acidez presente. Deve ser o bicho com pastiera di grano

Os rótulos Planeta são importados no Brasil pela Interfood

Autor: Tags: , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 Blog do vinho, Novo Mundo, Sem categoria, Velho Mundo | 13:34

Chile domina de vez o mercado de vinhos importados no Brasil. Conheça o ranking.

Compartilhe: Twitter

Sabe aquela história de crise no mercado de vinhos que a gente escuta todos os anos? Pois é, no mundo do espumantes nacionais todas as maiores empresas revelaram crescimento em 2014 (ver post Espumantes brasileiros: preferência nacional e consumo no final do ano). O mundo dos importados, “mesmo com todo o emblema, todo o problema, todo o sistema”, vai levando os números para cima. O crescimento em relação a 2013 foi de 12,5%. É isso que mostram os números consolidados de importação de vinhos de 2014 preparado semestralmente pelo consultor Adão Morellatto.

Em um país com déficit de dados, este levantamento realizado por Morellatto é um trabalho importante que mostra como está o mercado de vinhos importados no Brasil.  Morellato explica: “Em valor estamos próximo de um montante de USD 325.000.000,00 e algo como 9.000 conteiners de 1.000 CX/12; somente por estes números dá-se para imaginar o tamanho, complexidade, versatilidade, dinâmica e valores que envolve este setor. Levantando os dados de 2007 x 2014, a performance foi 93,45% ou uma média ponderada de 13,35% anual. Poucos e segmentados produtos cresceram nesta proporção. E ainda há o fator cambial, que em 2014 aumentou em quase 15%.”  Resultado nada mal em um país que teve um crescimento perto de zero em 2014. 

Para o consumidor, estes números apenas planilham uma constatação que pode ser verificada nas prateleiras dos supermercados, nos sites de e-commerce e cartas de vinho dos restaurantes. A maioria de rótulos é de vinhos chilenos, argentinos, portugueses, franceses e italianos. Além dos brasileiros que não entram, evidentemente, nesta análise de importados.

O Chile está perto de abranger 50% do mercado de vinho fino.

Abaixo um resumo das principais informações e dados consolidados pela análise de Adão Morellato

1º. CHILE:  Existe uma grande possibilidade de o Chile em breve dominar 50% do mercado brasileiro de vinhos finos. Se considerar somente o tipo vinho fino, ele representa quase 46,40% em valor, porém no consolidado, retrai-se um pouco para 35,30% em valor e 44,39% em volume. Seu preço médio está 25% mais econômico que os vinhos argentinos.  O crescimento em 2014 foi de 25,59% alavancado principalmente pela estratégica das grandes empresas chilenas em priorizar os 5 mercados chaves: USA, Reino Unido, China, Japão e Brasil

2º. ARGENTINA: Contrariando os prognósticos locais, apresentou um crescimento de 9,52% e sua participação caiu um pouco, hoje estabelece-se nos patamares de 17% de volume e valor. (para se ter uma ideia em julho de 2013 os vinhos argentinos detinham 21,09% em valor e de 20,21% em volume). As razões? As políticas econômicas do atual governo. Enquanto Chile manteve seu preço médio em USD 3,20 p/ litro, na Argentina houve um aumento de 3,08%, chegando a USD 4,01 p/ litro

3º. FRANÇA: A França apresenta-se em terceiro lugar neste ranking devido ao valor de seus produtos atingirem quase 15% de participação, mesmo com um índice em volume de apenas 5,85%. Isso se explica pelo preço médio de USD 10,30 p/ litro, influenciado pelo alto valor agregado do champagne, que sozinho representa 37,82% de toda exportação francesa.

4º. PORTUGAL: Por uma pequena diferença com a França, Portugal passa para a quarta posição. Participa com quase 12% de Share, com crescimento de 4,50% e preços médio de USD 3,88 p/ litro

5º. ITÁLIA: Em 2014 cresceu 3,97%, com participação bem próxima de Portugal, exatos 11,13% em valor e de 11,68% em volume. Já não há tanta influência do vinho tipo Lambrusco que chegou a representar quase 50% de todo o volume de vinhos deste país há alguns anos. O Vinho Prosecco representa 12,34% de market share no seu montante total.

 

6º. ESPANHA: De 2007 há 2014 a Espanha vinha apresentando um crescimento a uma média de 31% ao ano. Em 2014, contrariando os anos anteriores, apresentou uma ligeira queda de quase -1%, só não caiu mais devido ao vinho (CAVA) ter crescido sua participação em 16,06%, representando 26,17% na totalidade.

7º. DEMAIS PAÍSES: Apresentam menos de 5% de participação, com destaque evolutivo para os países: Alemanha = 16,72%  / Africa do Sul =54,95% / USA = 47,90%, queda abrupta da Austrália em 69% e Uruguay que patina nos números idênticos ao ano de 2007.

Leia também: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Dados extraídos do Análise de Mercado de 2014 da análise de

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

Autor: Tags: , , , , , , , , , , , ,

domingo, 1 de junho de 2014 Nacionais, Tintos, Velho Mundo | 21:28

Vinho nacional pode ser caro?

Compartilhe: Twitter

Dez entre dez especialistas de vinho reconhecem que a qualidade dos vinhos brasileiros vem aumentando e – principalmente – se diversificando. Hoje temos experiências em diferentes regiões do país, e o mapa de produção inclui latitudes inimagináveis tempos atrás como Minas Gerais, Goiás e Pernambuco.  Santa Catarina, com seus vinhos de altitude, mostram caldos de valor, além é claro do Rio Grande do Sul, avançando cada vez mais para os terrenos mais próximos da fronteira com o Uruguai. Também há experiências com diferentes variedades de uvas, métodos, cultivos orgânicos, biodinâmicos, pequenas parcelas, produtores experimentais e diferentes concepções de espumantes.

Leia também:  Primeira Estrada: vinho fino de Minas Gerais abre caminho para rótulos do Sudeste do Brasil

Leia também: Conheça os vinhos do sertão de Amores Roubados

Dez entre dez especialistas também são unânimes em bater na mesma tecla. O preço. O vinho nacional é muito caro, dizem, e muitas vezes também digo. Seguido do preconceituoso axioma “Para um vinho nacional até que é bom”, junta-se o “Por este preço eu tomava um bom vinho italiano ou argentino”, por exemplo. Será que esta máxima é sempre válida? Então vou contar uma historinha recente.

Leia também: O Merlot brasileiro é o melhor do mundo?

Prova às cegas: nove homens e nove sangioveses

Prova às cegas: nove homens e nove sangioveses

Um grupo de degustação do mais alto gabarito do qual tenho a honra de participar promoveu recentemente uma prova às cegas – para quem é novo aqui eu explico, trata-se de uma degustação na qual os rótulos são revelados apenas no final, para não influenciar a avaliação – cujo tema era a uva italiana sangiovese. A sangiovese é a uva-símbolo da Toscana, responsável pelo vinho Chianti, Chianti Riserva, Chianti Classico, o Brunello di Montalcino e também parte da receita de alguns supertoscanos, onde a sangioveses é misturada às internacionais cabernet sauvignon ou merlot. A sangiovese é, enfim, uma  uva que fala italiano, e tem sotaque dos habitantes da Toscana!

Leia também: Galvão Bueno também torce pela Itália, pode isso Arnaldo?

Nove participantes marcaram presença e a mesa do restaurante escolhido exibia nove taças dos tintos na frente de cada degustador, para espanto dos demais clientes do estabelecimento que contornavam a mesa de olhos arregalados. O nível dos goles estava excepcional. Alguns caldos se destacavam dos demais,  eclipsando seus concorrentes, pois apresentavam maior talento para desenvolver aromas e sabores deliciosos, sempre escoltados por uma acidez característica. Alguns incautos arriscavam um palpite, este aqui trata-se de um Chianti, aquele tem uma pegada mais concentrada, pode ser um Brunello. E por aí vai. É um grupo que reveza comentários mundanos com pitacos sobre a bebida. Rodada de goles completa, anotações feitas, pontuação finalizada, os rótulos começam a ser revelados, dos menos apreciados aos mais votados.

Vale destacar que entre os bebedores sempre há um provocador que resolve levar um curinga, que geralmente é um vinho que obedece o critério do tema e/ou país e região mas é uma surpresa pelo preço, pelo produtor, pela região ou mesmo pela uva. Nosso grupo não foge à regra e um doutor renomado cumpre este papel. Dito isso, voltemos ao rótulos. O grande vencedor (as notas não foram todas compiladas) foi um Ceparello, Isole e Olena do ano 2000, um toscano mais evoluído, com grande expressão em boca e aromas muito elegantes.  A lista completa está abaixo.

  • Col D’Orcia, Brunello di Montalcino, 1991
  • Fontalloro, 2008, Toscana
  • Le Potazzine, Gorelli 2011, Rosso di Montalcino
  • Fonterutoli, Mazzei, 2009, Chianti Classico
  • Berandenga, 2008, Fèlsina, Chianti Classico
  • Badia a Passignano, 2008, Antinori, Chianti Classico
  • Cepparello 2009, Isole e Olena, IGT
  • Michelli, 2003, Villa Francioni, Brasil
  • Cepparello 2000, Isole e Olena, IGT
As garrafas devidamente esvaziadas. Oito italianos e um infiltrado brasileiro

As garrafas devidamente esvaziadas. Oito italianos e um infiltrado brasileiro

Leia também: Sob o sol da Toscana, uma visita à nova vinícola de Antinori

Se você leu a lista com atencão, já reparou uma intromissão. Pois é,  a grande surpresa, um dos vinhos que ficou entre o segundo e terceiro rótulos mais apreciados pelo coletivo, ombreado por outros sangiovese importados da Itália, foi o Michelli, da Villa Francioni, que apesar do nome é um tinto verde-amarelo de Santa Catarina. Surpresa na mesa (para ser honesto um dos integrantes da mesa não gostou do vinho). Confesso que foi meu segundo melhor vinho, entre as tais nove garrafas. Bom salientar que ele é 80% sangiovese, o restante cabernet sauvignon e merlot. Belo vinho, equilibrado, muito saboroso. Sangiovese brasileiro, mas com sotaque italiano. Bom pra caramba, belo!

Você pagaria mais de 250 reis por este vinho nacional?

Você pagaria  250 reis por este vinho nacional?

E 450 reais por este italiano?

E 450 reais por este vinho italiano da mesma uva sangiovese?

Diante da incredulidade de alguns veio a questão do preço: “mas quanto custa?” É um vinho de mais de 250 reais. O quêêêêê?!?! Um vinho nacional custando mais de 250 reais?!?!?! Pois é, mas às cegas foi elogiado por todos, bebido com rigor e prazer. O que nos  permite uma reflexão, que é mais uma provocação e nos remete ao título deste post: vinho nacional pode ser caro? Por que não? O que vale não é o teste da taça? Se é um vinho bom, de produção limitada, ótima qualidade, qual o problema de ser caro? Apenas por que é brasileiro? Se fosse italiano, de mesmo preço, portanto caro, não seria bom seguindo apenas um critério gustativo? Alguém iria reclamar do preço se o Michelli fosse um rótulo do Antinori? Basta comparar que o mesmo Cepparello Isole e Olena, este da safra de 2009, estava à mesa, custa 450 reais, e ficou atrás do Michelli…

Leia também: Angelo Gaja, o porta-voz do vinho de qualidade

Leia também: Espumantes e tintos – conheça os vinhos do sertão de Amores Roubados

Esta mesma discussão vale para vários bons exemplares nacionais de baixa produção, excepcional qualidade, que podem vir de pequenos e audaciosos  produtores como Marco Danielle, Era dos Ventos, Domínio Vicari ou mesmo grandes vinícolas, em safras excepcionais ou selos comemorativos. Não se trata de defender preços altos, nem de ter uma postura ingênua. Eu duvido que desembolsaria 250 reais pelo Michelli se não conhecesse, como raramente desembolso 250 reais por uma garrafa de vinho qualquer.  Há vinhos realmente muito caros pelo que oferecem: nacionais e importados. A questão é mais de poscionamento. Quando é bom e é importado então vale pagar caro? É bom, mas é nacional, então não vale? Qual a régua para medir a relação preço e qualidade: a bandeira ou o vinho? Fica aqui a provocação. Atire a primeira garrafa quem nunca parou para refletir sobre o assunto…

Leia também: Marco Danielle: da Tormenta ao Preludio

Autor: Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 Velho Mundo | 16:29

Um tinto e um branco com sotaque italiano

Compartilhe: Twitter

Friuli - Fantinel

A Itália ocupa hoje a quarta posição no ranking dos vinhos mais importados no Brasil, atrás do Chile, Argentina e França. São 12,82% do volume total de litros de fermentados que entram por aqui. Mas com exceção dos proseccos que ainda são arroz-de-festa nas prateleiras tupiniquins, outros rótulos italianos são mais raros de encontrar. O que é uma pena, pois em geral os tintos e brancos da Bota são insuperáveis companheiros da gastronomia, de massas com molhos variados, risotos e assados diversos, alem de escoltar com leveza a pizza sagrada do fim de semana. A acidez e taninos presentes neste vinhos, em geral, pedem comida. Arrisque mais na próxima vez que for escolher um rótulo e tente uma uva ou região novas. No geral a surpresa é positiva.

Pinot grigio e refosco

Se aventurar pelos rótulos italianos é descobrir o sabor e aromas diferenciados de suas uvas típicas, distribuídas nas diversas regiões que compõem o mosaico de DOCs do país. Os vinhos do Friuli, no norte italiano, começaram a se destacar no mercado internacional na década de 1970. As principais DOCs (denominação de origem controlada) são: Colli Oriental Del Friuli, na metade norte; Collio Goriziano, na província de Gorizia, na metade sul, também conhecida apenas por  Collio – corruptela de coli, palavra italiana que significa colinas -; Grave e Isonzo, estas mais próximas à vizinha Eslovênia.

Nos vinhedos de Collio, 85% da produção são de brancos secos. A uva branca pinot grigio é a protagonista e já ultrapassou a regional friulano. Nas DOCs de Grave e Isonzo os tintos também são importantes, ali a internacional merlot e a regional refosco dão as cartas.

Da região de Friuli chegam dois exemplares provados recentemente e que dão uma dimensão deste caleidoscópio gustativo. Um vinho branco da uva pinot grigio e um tinto da uva refosco. Os dois rótulos são do mesmo produtor, Fantinel, na ativa desde 1969 na região.

Borgo Tesis Pinot Grigio 2008 (Fantinel, Interfood Classics, R$ 66,00). Fresquíssimo, uma cor clarinha e levemente rosada; é aromático, mas com certa parcimônia, não fica se atirando no nariz com volúpia, aparecem ali umas frutas brancas mais ácidas, como pêra e maçã verdes. No primeiro gole, aquela acidez que enche a boca e a confirmação das frutas que apareceram no nariz. Uma brisa na taça para rebater esta canícula de fim de verão. Na mesma linha, há uma opção tinta, um merlot (Borgo Tesis Merlot 2008) de mesmo preço e totalmente dispensável, que não entrega o mesmo prazer do seu parceiro branco seco. Alem do mais, se é para provar um merlot, por que escolher  uma garrafa italiana se há tantas opções mais autênticas para testar?

refosco

Refosco dal Peduncolo Rosso 2008 (Fantinel, Interfood Classics, R$ 66,00). A uva branca pinot grigio é até capaz de você conhecer. Mas aposto que nunca provou, ou ouviu falar, da refosco. Eu nunca tinha ouvido falar. Muito menos a dal peduncolo rosso, uma subvariedade cultivada no Friuli. Provar vinhos de uvas nativas e pouco divulgadas é como garimpar um livro em edição original em um sebo. Tem aquele apelo da descoberta de algo que existia há muito tempo mas você desconhecia. De descobrir o novo, que na realidade é antigo, mas estava escondido. Melhor ainda quando o conteúdo surpreende. É o que acontece aqui. A começar pelo nariz: um delicado floral com uma pegada de terra, um toque tostado, de frutas vermelhas como cereja madura, ou a mistura disso tudo. Redondo na boca, mas com os taninos batendo continência, tem corpo médio, sem aquela potência desnecessária. A acidez está presente, mas não é cortante. Não é um vinho complexo, cheio de camadas, mas uma experiência agradável onde tipicidade se revela e surpreende pela autenticidade.

Pimenta no peduncolo dos outros é refresco!

As duas garrafas, acompanhadas de outras tantas que não vêm ao caso, foram provadas na presença do dono do vinho, Marco Fantinel, terceira geração no comando da vinícola. A degustação se deu em volta de uma mesa, como convém a um encontro com um italiano. Enfiando o nariz na taça e estalando a língua a cada gole estavam especialistas, doutos e palpiteiros oficiais. Eis que surge uma questão etimológica: que raios distingue um refosco de um refosco dal pedunculo, e ainda por cima rosso? Entre os vários palpites, os seguintes: trata-se da parte de baixo do cacho da uva, que é mais avermelhado; é a haste principal do cacho e, por fim, são os pequenos engaços que prendem o fruto à haste principal. Marco Fantinel tentou explicar a questão. Mas precisou desenhar para ser entendido. Com um cacho de uvas na mão ele destacou suavemente uma fruta e mostrou o pequeno cabinho que prendia a uva do seu coletivo. E apontou: questo è il peduncolo, que no caso do refosto do Friuli ainda por cima é  rosso (avermelhado). E daí, pode-se perguntar o leitor deste blog? O vinho tem gosto de peduncolo? Isso é importante? Claro que não, é só uma característica da variedade. Mas no mundo do vinho qualquer detalhe pode ser importante para definir o perfil da bebida. Um apreciador de vinho, afinal, não se forma só por aquilo que bebe, mas também pelo conhecimento que adquire.

Autor: Tags: , , ,