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Arquivo de outubro, 2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008 Degustação | 22:11

Irritando Fernanda Young

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“Não agüento o convívio com pessoas que acreditam em coisas prontas. Eu não suporto gente que entende de vinho. O sujeito fica entendendo de vinho, cheirando rolha… Não tenho paciência”
Fernanda Young, VEJA (29/10/2008)

“O Inferno são os outros”
Jean-Paul Sartre

Em deliciosa aparição nas páginas amarelas de VEJA (leia a íntegra aqui), a premiada roteirista e elétrica apresentadora de TV, Fernanda Maria Young de Carvalho Machado, destilou sua irritação contra gente como eu e – provavelmente – você, que me lê aqui. A frase está tatuada acima. Como a liturgia do vinho, pelo visto, é material de trabalho da talentosa Fernanda, já nem tão young assim, este blog presta sua colaboração à autora, detalhando etapas de uma degustação de vinho absolutamente irritantes (pelo menos para os outros).

Cheirando a rolha – o garçom rompe a cápsula e deixa aquele pedaço de cortiça sobre a mesa. O que você faz? Cheira a rolha. Tem alguma utilidade? Praticamente nenhuma – a não ser, é claro, de irritar pessoas como a Fernanda Young. Raramente se descobre algum defeito no vinho desta maneira, requer muita prática. Alguns vinhaços, no entanto, já deixam seu carimbo na rolha e passá-la pelo nariz já pode revelar o tesouro que vem pela frente.

Observando a cor – a coloração de um vinho diz muito sobre ele. Nos tintos, a variação do violeta, passando pelo rubi até o alaranjado mostram sua idade, acidez, corpo ou até mesmo se está meio avinagrado. Nos brancos, a mesma coisa: os mais frescos são muito límpidos e aqueles que passaram por barrica, ou apresentam alguns anos de garrafa, vão tomando matizes mais douradas. Quais dicas a cor do vinho podem dar? Por exemplo, você comprou um tinto jovem: se ao desarrolhar jorra um vinho de cor mais envelhecida, cor de tijolo, certamente ele está com problemas; se é um pinot noir mais clarinho, está correto, é uma característica da uva.

Enfiando o nariz pela primeira vez na taça – sem girar a taça, afunde a napa no seu interior. Estão ali os primeiros aromas. Guarde-os na memória. A comparação depois vai ser bacana e instrutiva.

Girando a taça – esta é a parte mais divertida e absurdamente irritável do processo. Depois de algum tempo se torna um vício – e você vai cansar de ver gente girando até copo de água sem qualquer serventia. Mas é preciso cuidado, na empolgação podem sobrar gotas de vinho na roupa do vizinho (aí sim o sujeito pode ficar possesso, principalmente aqueles executivos de camisa branca em almoço de negócios). Para que serve este ritual? Ele faz com que o ar se misture com a bebida, fazendo as substâncias aromáticas (que são químicas) se volatizarem e serem percebidas com maior intensidade. Muitos vinhos melhoram e se modificam depois de um tempo abertos e devidamente chacoalhados na taça, resultado deste processo.

Mergulhando o nariz pela segunda vez na taça – agora compare. Muito provavelmente os aromas mudaram. Se antes só aparecia uma flor, uma frutinha de leve, agora pode ser percebida outras camadas, como frutas mais maduras, café, tostados, chocolate, especiarias, uma sensação meio terrosa, algo mineral… sei lá o vinho que está na taça. Mas que muda, muda. E qual a graça? A graça está exatamente em sentir esta diversidade de aromas, que podem ser tão intensos e agradáveis – quase infinitos – que adiam o momento de levar o vinho à boca. O importante é o seguinte: associe os aromas com coisas que você conhece, que são do seu universo. Muita gente fala em aroma de cassis, por exemplo, sem nunca ter se aproximado da frutinha. Os aromas são parte do prazer e da viagem que o vinho propicia. Você está pagando, e geralmente caro, pela bebida, por que não usufruir todas as variações que ela pode oferecer?

Finalmente, bebendo – degustar é beber com atenção. Passadas as etapas descritas acima, que não podem ser repetidas pela refeição inteira, é claro, vem a prova dos noves. Muitas vezes a cor está adequada, os aromas agradáveis e quando o vinho vem para a boca alguma coisa não funciona. Você sente um amargor (explicação técnica irritante: esta sensação é percebida no final da língua, próximo à garganta); ou a boca fica seca – são os tais dos taninos que não estão bem resolvidos (parecido com aquela sensação de comer banana verde); ou ainda a boca esquenta muito (é o excesso de álcool); a acidez está desequilibrada (outra informação irritante: é percebida nos cantos da boca e pela salivação – quanto maior, mais ácido é o vinho). Até o corpo da bebida pode ser avaliado (se tem um volume de boca leve, médio ou pesado. Muito abstrato? Compare o volume de um leite integral e outro desnatado: é por aí). Mas se o vinho for bom você vai confirmar aqueles aromas na boca, e até descobrir novos perfumes. O vinho está redondo e macio, tem uma boa estrutura (está tudo equilibrado, as sensações de taninos, acidez, álcool), o paladar é agradável e permanece por mais tempo, mesmo depois de engolido (vou evitar termos como retrogosto, por que aí é passar dos limites da irritabilidade, não é não?). Enfim, deu tudo certo. Uma garrafa, talvez, vai ser pouco…

Conclusão? Então é o seguinte, contrariando Fernanda Young, o sujeito não cristaliza idéias prontas ao se tornar um entendido em vinho. Pelo contrário, ele põe à prova cada garrafa que experimenta, exatamente por desconfiar de idéias prontas. Você tem de comparar, formar um arquivo de sensações e de lembranças. E tirar proveito disso. Um mesmo vinho aprovado hoje pode não estar bom na próxima safra. Não é como a cerveja, que a Fernanda Young declarou preferência na entrevista (já foi ler? Vale a pena), que, sendo da mesma marca, é sempre a mesma bebida, lata após lata.

Gente irritante – É claro que está coalhado de gente chata e esnobe – enófilo já é uma palavrinha encrencada – que se diz entendida de vinho após ter feito aquele primeiro cursinho e bebe de nariz empinado. Iniciante geralmente não tem muita noção mesmo. Fica parecendo aquele calouro de psicologia, que analisa até o movimento que você faz para trancar a porta do carro, ou aquele sujeito que faz um curso de cinema e não consegue mais se divertir assistindo um filme.

Para finalizar, vamos combinar uma coisa: há momento para tudo nessa vida. Ninguém vai degustar vinho em uma festa, a não ser que queira parecer ridículo, ou então esteja ao lado da Fernanda Young. Há espaço para todos, sem preconceito. É como diz aquele clássico do cancioneiro popular: “Cada um no seu quadrado”. Assista ao vídeo. Mais irritante, impossível!

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008 Blog do vinho | 23:25

Enonotas: vinho "de merde", que mata e feito por presidiários

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Da França vem o caso mais bizarro de enomarketing já visto – se é que existe isso. Viticultores da região do Languedoc – que têm a (injusta) fama de produzir vinhos ruins – lançaram um rosé e um tinto com um nome no mínimo curioso: Le Vin de Merde. Para caprichar, uma vistosa mosca é exibida no canto do rótulo (foto acima). A repercussão na imprensa foi enorme e todo o estoque do rosé foi vendido. Vá lá, é baratinho: 7 euros. Mas você encarava?

Vinho não é mesmo coisa para amador, muito menos para quem se aventura a produzi-lo em casa. Uma fatalidade acometeu dois amigos da comuna francesa de Roiffieux, no Rhône. Eles pisavam uvas para produzir um vinho artesanal e acabaram envenenados pela inalação do dióxido de carbono produzido durante a fermentação das castas. Por conta do local pouco ventilado onde realizavam a pisa, eles  ficaram inconscientes e não sobreviveram à intoxicação do dióxido de carbono.

De Portugal, uma nota curiosa envolvendo outro lado do vinho: detentos do presídio Pinheiro da Cruz, em Portugal, produzem 30.000 litros de tinto e branco. O rendimento anual, estimado em 270.000 reais, permite o pagamento de um salário aos presos. Confira a história completa no vídeo a seguir.

Video

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008 Harmonização, Livros | 00:37

Vinho e comida: a arte de combinar lé com cré

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O sujeito se esforça, e depois de certo tempo acaba finalmente aprendendo um pouco sobre vinho: conhece as principais uvas, regiões, países, decora alguns rótulos e até adquire certa aptidão para identificar aromas e sabores. Jargões como terroir e tânico começam a fazer parte de seu vocabulário. Todos os mistérios dos tintos, brancos e espumantes estão desvendados, certo?

Infelizmente, não!

Agora é preciso harmonizar – ou seja, desenvolver aquela habilidade de combinar a comida do prato com o vinho na taça.

Frescura? Bom, se você coloca na balança o dinheiro investido na bebida, somado ao da refeição, e o resultado da mistura é ruim para ambos os lados, aí talvez a percepção mude um pouco.

Como tudo que envolve o vinho, este é mais um capítulo cercado de preconceitos. Ninguém condena quem torce o nariz para combinações esdrúxulas como camarão com bisteca de porco, feijoada com macarrão ou então goiabada com presunto, tudo isso regado a licor de menta no copo. Por que então o casamento entre vinho e comida também não pode ter seus princípios e recomendações?

Tudo bem, vamos combinar que não é das tarefas mais fáceis, dificultada pela quantidade enorme de rótulos e receitas. O que torna também a brincadeira mais divertida. Para isso que existem os sommeliers em restaurantes (não é só para te empurrar o vinho mais caro da carta). Mas a experiência mostra que é possível também desenvolver este talento pessoalmente. Há dois caminhos, o empírico e as indicações de especialistas e amigos. Ambos só funcionam, evidente, com sua certificação pessoal. Harmonização boa é aquela que combina, antes de tudo, com o seu gosto.

O livro dos dois “Zés” dá uma mãozinha
Na área da indicação de especialistas, há uma boa novidade nas livrarias. Dois craques do mundo vinho juntaram seus talentos e histórico degustativo para ajudar os incautos nesta tarefa. O resultado é o livro Comida e Vinho, Harmonização Essencial (José Ivan Santos e José Maria Santana, Editora Senac). Os dois “Zés” do vinho têm uma enorme folha de serviços prestados na área, o primeiro especializou-se pela Wine & Spirit Education, de Londres, e é autor de diversos livros sobre o tema, o segundo é jornalista de fino texto e contribui há muitos anos para publicações especializadas. Taí uma harmonização que deu certo!

A grande sacada do livro é facilitar a vida do leitor. Quem quiser se aprofundar um pouco mais, há detalhadas explanações de princípios e métodos de harmonização. Para quem quer ir direto ao ponto, quadros e tabelas resumem o que interessa. Qual vinho combina com que tipo de comida, organizados por tintos, brancos, rosés e espumantes e suas respectivas uvas.

Claro, não existe regra fixa. Dá tranqüilamente para desconectar as coisas. Se o vinho e a comida se estranharem – por exemplo, um linguado com espinafre orgânico e um tinto potente espanhol da Rioja -, basta intercalar um copo de água entre eles e a vida segue feliz. Mas se junto ao Rioja acompanhar um naco de picanha sangrando, ou o linguado for amparado por um fresco Chablis, que é um branco sem madeira da França, com certeza o seu índice de felicidade vai aumentar. E muito. Os vinhos e as receitas estão no mundo, só é preciso aprender.

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Harmonização, Livros | 00:26

O peso: se tiver de apostar em um critério, escolha este

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Para os interessados em tirar melhor proveito do casamento entre refeição e bebida, reproduzo um trecho do livro Comida e Vinho, de José Ivan Santos e José Maria Santana. Trata-se de uma regra de ouro simples e direta de harmonização, resumida no título acima. Há muito mais dicas nos outros capítulos:

Uma regrinha de ouro diz que a força de um prato não deve sobrepujar a do vinho e vice-versa. Alimentos e vinhos têm peso, e ele deve ser levado em conta na harmonização. Um vinho potente vai atropelar uma comida leve e o contrário também é verdadeiro. As proporções de um e outro devem ser parecidas. Sabores delicados pedem vinhos delicados. A gente sabe quase naturalmente o que é uma comida leve ou pesada. Peixe grelhado ou um espaguete fininho com molho de manteiga de sálvia são pratos sutis, um convite para um branco leve.
Uma refeição à base de pão e queijos de massa mole está mais para peso médio, acolhendo bem um branco de corpo médio, como um chardonnay sem muita madeira ou tinto jovem, um pinot noir ou malbec. Cordeiro, caça, carnes e massas com molhos copiosos e com queijos de pasta dura são comidas de sabor forte. De maior peso, que pedem um vinho à altura, com um musculoso cabernet sauvignon, um barolo, um tannat ou um shiraz australiano potente.

Além de prático, bem escrito. Aos talheres e taças, então.

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quarta-feira, 15 de outubro de 2008 Novo Mundo, Tintos | 23:57

Bom pra diabo!

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“Deus come escondido, e o Diabo sai por
toda a parte lambendo o prato”
Guimarães Rosa, em Grande Sertão, Veredas

Tenho uma notícia ótima, outra boa e uma terceira nem tanto para quem gosta de vinhos chilenos.

A ótima: a safra de 2007 dos tintos reserva e topo de linha que começam a chegar ao mercado está  excelente. Uma conjunção dos astros e uma mãozinha da natureza produziram esta que está sendo considerada com uma das melhores safras dos últimos anos! Há depoimentos nesse sentido de enólogos de diferentes casas como Pablo Morandé (Morandé), Aurélio Montes (Viña Montes) e Henrique Tirado (Dom Melchor, Concha y Toro).

A boa: a sempre acessível e constante linha Casillero del Diablo já colocou nas gôndolas o seu cabernet sauvignon 2007. São produzidas inacreditáveis 1,5 milhão de caixas deste vinho que é distribuído em todo o planeta. Na cápsula, a propaganda oficial: “SAFRA HISTÓRICA – a melhor safra de vinhos tintos reserva”.

A má: com certeza as linhas mais “topo de linha e premium”, à medida que as safras forem lançadas e bem pontuadas, vão ter seus preços remarcados. Pode apostar! Mas o nosso papo aqui é vinho acessível. E, por enquanto, o preço não mexeu!

Onde mora o diabo
A marca Casillero del Diablo é tão forte que nem todo mundo se dá conta que pertence à gigante Concha y Toro. Os caras são craques em construir tintos e brancos de sucesso. E são talentosos também no tal do marketing. O timaço de enólogos canta, dança e sapateia. É dura a vida do profissional das uvas hoje em dia. Não basta elaborar um bom vinho, é preciso saber vendê-lo. E dá-lhe vídeo destes senhores entre as parreiras, na adega, olhares esperançosos para frente, a sensação de domínio da natureza, as frases bem decoradas, a estratégia muito bem definida. E, claro, as viagens e encontros com a imprensa.

Marcio Ramírez, enólogo do Casillero del Diablo, cumpriu esta tarefa por aqui, mostrando cinco tintos da linha 2007. Além do cabernet, também apresentou os varietais merlot, malbec, carmenère e shiraz (que começam a ser vendidas entre novembro e dezembro). A malbec do demo é novidade por aqui. A produção é limitada e os vinhedos têm mais de 50 anos. Curioso como de repente brotaram plantas de malbec com mais de 50 anos no Chile…

Mas quer saber? Se na taça todos têm suas qualidades evidentes, o encanto fica com a malhada merlot do filme Sideways. A propósito, alguém lembra? O merlot do tinhoso 2007 é na minha percepção a melhor escolha dos tintos desta safra. Pronto para a taça e direto para a boca. Cor intensa, suave, macio, frutas frescas no nariz e no paladar, um vinho que combina com massas, aves e até na pizza do domingo. Vai bem num vôo solo também, o corpo médio e o frescor convidam a mais uma taça.

Outro tinto da casa do diabo tentador? O shiraz. Vai mais para o estilo da potência, com seu tostado mais marcante (todos os tintos do Casillero passam por 8 a 9 meses de barrica), uma fruta vermelha mais confitada, a especiaria de sempre da shiraz e um final mais longo. Fiquei imaginando com uma carne mal passada… O melhor de tudo? Você tem tudo isso por cerca de 30 reais. É ou não é coisa do demo?

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008 Blog do vinho | 20:40

Não tem milagre! Bebeu, assoprou, dançou

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Reportagem de VEJA desta semana, assinada pela jornalista Sandra Brasil, desmente a notícia que circula na internet de que medicamento milagroso enganaria qualquer bafômetro em questão de minutos. O comprimido que prometia devolver a hectolitragem perdida aos motoristas mais imprevidentes, e que acreditam em duendes, é o pidolato de piridoxina, vendido por 36 reais com o nome de Metadoxil.  Segundo o diretor médico do laboratório que produz a pílula “não existe experiência alguma que demonstre que o remédio vai zerar o bafômetro”.  Leia aqui a reportagem na íntegra.

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sexta-feira, 10 de outubro de 2008 Blog do vinho, Saúde | 21:26

Lei Seca: os números inéditos da queda de acidentes nas capitais. Está dando certo?

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A chamada Lei Seca, em vigor desde o dia 20 de junho de 2008, promoveu muito debate entre os enófilos. Alguns manifestos circularam pela web. Na linha: “Não coloque no mesmo engradado o bebedor de vinho com o de destilados e cervejas. Somos outro tipo de gente!” Hum… Ok, usar a mesma régua para julgar o efeito de duas taças de vinho em uma refeição e aquele cidadão que derruba o bar e sai cambaleando até o seu veículo é discutível. Mas uma verdade é inquestionável: não há valor mais precioso do que uma vida humana. E é disso que se trata, diminuir o número de acidentes e mortes, evitando a combinação álcool & direção. E vinho é uma bebida alcoólica, não se esqueçam, a despeito de toda sua rica história, cultura, charme e poesia. Aliás, é no álcool que está a graça do vinho, se não mudávamos para suco de uva, e estava resolvido, certo?

Os números da Lei Seca
Um estudo exclusivo e inédito do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito, do Ministério das Cidades) realizado em treze capitais brasileiras, contudo, mostra que a queda do número de acidentes com vítimas foi menor do que esperado, diante de todo barulho que as medidas produziram. Foram comparados o mesmo período de julho e agosto dos anos 2007 e 2008. Os números são de acidentes nas metrópoles, não são considerados os números nas estradas

Em números absolutos, em 2007 foram registrados 15.679 acidentes contra 15.467 no mesmo período em 2008 (veja tabela). Ou seja, mesmo após a promulgação da lei que pune o motorista embriagado com multa de 957 reais, cassação da habilitação por um ano e até a prisão, aconteceram apenas 212 acidentes a menos.

Já em vítimas fatais, o quadro comparativo aponta 3.062 mortes contra 2.989 no mesmo período nas treze capitais. Em algumas cidades a diminuição foi sensível, 112 mortes a menos no Rio de Janeiro. Em compensação, foram 97 a mais em Belém do Pará (veja tabela de acidentes fatais). Os Denatrans, que são órgãos estaduais, ainda não explicaram os resultados individuais de cada capital.

Em números absolutos, foram 73 mortes a menos. Muito? Pouco? Como dito acima, não há valor maior que o de uma vida. Mas, em termos absolutos, deixa a desejar. A mudança de comportamento do motorista, que foi sensível em um primeiro momento, parece que mostra sinais de arrefecimento. Culpa da fiscalização? Talvez, mas há um limite para isso. O número de autuações nessas mesmas capitais cresceu de 2.685 para 4.330 registros. Um aumento de 66%!!! Mesmo assim, espalham-se, sem qualquer prova, histórias de tabelas com o valor de propinas cobradas para livrar a cara das multas.

Atire a primeira rolha
O sinal amarelo está aceso. O Denatran ainda aguarda informações de outras capitais, mas deve divulgar oficialmente este estudo nesta semana. E todos os motoristas, enófilos ou não, devem estar atentos aos resultados divulgados. Existem leis que regulam o tema em diversos países, incluindo aqueles em que o consumo de vinho é muito maior que o brasileiro, como a França. Beber com responsabilidade é um argumento muito mais contundente que a gritaria histérica. A regulamentação é educativa. Obriga a refletir sobre o assunto. Parafraseando um post anterior: atire a primeira rolha quem não pensou duas vezes antes de assumir a direção do carro após umas taças a mais de vinho, depois de 20 de junho…

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segunda-feira, 6 de outubro de 2008 Brancos, Tintos | 20:48

Bons, baratos e prazerosos

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Sugerir vinhos caros é fácil e, em certo sentido, inútil. Quem compra rótulos de primeira linha, afinal, não precisa de muito conselho ou tem quem o faça pessoalmente. Difícil é descobrir as boas garrafas, ou as ofertas, entre os rótulos mais acessíveis que inundam as prateleiras de lojas e supermercados. E, acredite, há muitas oportunidades à disposição.

Mas até mesmo uma seleção de boas garrafas que não pesam no bolso precisa ser fruto de uma experiência pessoal para não se tornar numa simples listagem de “best buys”. Aqui vai a  minha lista que, como qualquer lista, está sujeita a críticas e correções. O critério foi o de tintos e brancos (deixei de fora os espumantes) até 35 reais. É claro que não se tratam de vinhos hedonistas, que primam pela profusão de aromas, pela intensidade marcante ou final prolongado. Mas podem, sim, tornar o seu dia-a-dia mais feliz.

TINTOS

Salton Classic Tannat
Rio Grande do Sul, Brasil de R$ 11,00 a R$ 15,00
Da linha mais simples da Salton. Correto, bem vinificado. Seu preço é imbatível, seus taninos  melhoram se acompanhados de um churrasquinho informal no clube.

Pupilla Carmenère
Vale Colchagua, Chile – R$ 16,00
A uva-símbolo do Chile, seja lá o que isso queira dizer, num dos tintos de melhor custo-benefício da paróquia, produto da bodega Luis Felipe Edwards. Taninos bem resolvidos, frutas vermelhas e uma especiaria de leve. Resolve a vida e se encontra fácil em supermercados.

Rio Sol Cabernet Sauvignon/Syrah 2006
Vale do São Francisco, Pernambuco, Brasil R$ 18,90
Este tinto nacional foi escolhido pelo júri da última Expovinis (feira de vinho realizada anualmente em São Paulo), em uma degustação às cegas, como o melhor tinto nacional. Concorreu com outros 39 rótulos, a maioria de preço mais elevado. Sou co-responsável: participei do júri. Tem uma fruta muito madura, típica de uma região ensolarada como aquela, mas um bom equilíbrio e acidez presente. Um achado de Pernambuco, uma região pouco provável alguns anos atrás.

Cono Sur Bicicleta Pinot Noir 2006
Vale Central, Chile – de R$ 21,00 a R$ 24,00
Vinícola com preocupações ambientais e certificada pela agricultura orgânica. Difícil recomendar um pinot noir do dia-a-dia, mas a correta linha bicicleta tem varietais que primam pela qualidade. Agradável,  corpo médio (como se espera de um pinot) aromas leve de cereja. Outra dica da mesma linha é o branco da uva riesling.

Emiliana, Cabernet Sauvignon
Valle Rapel, Chile – de R$ 21,00 a R$ 24,00
Esta vinícola também alia vinhedos orgânicos com rótulos de grande produção. Tinto com um nariz mais presente que a boca, que é mais ralinha, mas agradável. Um cabernet sauvignon mais para o lado da juventude, da fruta fresca. Se ajeitou bem com uma massa com molho de carne.

Periquita 2004
Terras do Sado, Portugal – R$ 24,00
O tinto português mais vendido no país. Desde a safra de 2001 modernizou seu corte e ficou mais macio e fácil de beber. Resultado da adição de uma porcentagem maior das castas aragonês e trincadeira à tradicional uva castelão (a periquita), que dá a grande personalidade deste vinho.

Don Roman Tempranillo 2005
Rioja, Espanha – R$ 29,90
Este espanhol está sempre presente em listas de vinhos de bons preços. Mais que correto, tem um bom volume na boca, aromas presentes de especiarias e tostados gostosos. Nos restaurantes do chef e proprietário do La Vecchia Cucina e La Pasta Gialla, Sergio Arno, são servidos com o nome de Arno no rótulo. Foi escolhido por Veja São Paulo como boa opção de custo-qualidade entre os  rótulos personalizados dos restaurantes da cidade.

.com 2005
Alentejo, Portugal – R$ 29,90
Com este nome no rótulo, não podia faltar nesta lista do blog do vinho. Uma mistura das cepas portuguesas trincadeira e aragonez com a francesa cabernet sauvignon e a “francesa de alma lusitana”  alicante bouschet. O produtor Monte dos Cabaços (é isso mesmo, gente, não errei) faz um vinho moderno, quente, ao gosto do consumidor atual.

Los Vascos Cabernet Sauvignon
Vale Colchagua, Chile – R$ 30,00
Frutado e bem feito cabernet chileno com boa acidez, álcool controlado e aquele toque amentolado chileno. Um estilo que não muda. Sempre um boa pedida e, além do mais, sempre dá para dizer que está diante de um Barons de Rothschild.

Los Cardos Malbec 2006
Luján de Cuyo, Argentina – R$ 30,00
Tinto da vinícola Doña Paula que abriu a coleção de livros Vinhos do Mundo, Adega VEJA, da qual ajudei a selecionar: macio, bom de nariz, redondo na boca, nem um pouco enjoativo, como às vezes acontece com a malbec.

Le Bateaux Syrah 2006
Languedoc, França – R$ 35,00
Raro tinto francês na linha bom e barato. Best buy da revista americana Wine Spectator. Não é à toa, tem aquela perceptível especiaria da syrah com frutas bem maduras e a chancela da Domaines François Lurton.

Trio Merlot, Carmenère, Cabernet Sauvignon 2007
Valle Central, Chile – de R$ 37,00 R$ 39,90
Esta linha da gigante Concha y Toro é sempre resultado da mistura de três variedades (daí o nome), a primeira domina o corte, no caso aqui, a merlot. Apesar do preço fora da proposta inicial foi incluído só para chamar atenção de um pequeno detalhe. Muitas vezes, estes cortes  por preço (no caso até 35 reais) em uma lista de v
inhos deixam de fora rótulos bem bacanas. Por 2 ou 4 reais a mais, você tem na taça um tinto saboroso, macio, com notas de chocolate – resultado de um trabalho criterioso do enólogo. Pense nisso também na hora da compra, para menos e para mais

BRANCOS

Casillero del Diablo Sauvignon Blanc 2006
Vale Central, Chile – R$ 26,50
Tem larga distribuição em supermercados e lojas. Boa acidez e frescor. Um toque cítrico que agrada; um aroma de maracujá facilmente perceptível, muito encontrado em sauvignon blanc. Uma recomendação sem medo de errar. Faz um sucesso danado com uma pescadinha lá em casa.

Pizzato Chardonnay
Rio Grande do Sul, Brasil – R$ 27,00
Este não é um chardonnay para quem gosta daquele estilo mais intenso com as notas de barrica, meio amanteigado. Este exemplar nacional aposta na linha contrária, não passa pelo carvalho e tem uma acidez mais presente. Uma opção de chardonnay mais para o frescor.

Villa Montes Sauvignon Blanc 2006
Vale Central, Chile – R$ 31,00
A sempre confiável Viña Montes produz este ótimo e fresco sauvignon blanc, de pureza varietal e cítrico, como é comum nesta uva no Chile. Provei a primeira vez junto a produtores, num agradável almoço, e ficou sempre na lembrança como uma boa opção de branco, que repito sempre que posso.

Borba Antão Vaz & Arinto 2005
Alentejo, Portugal – R$ 31,00
A mistura dessas duas castas típicas portuguesas resultam num branco de aromas cítricos, boa estrutura e com toques de baunilha, resultado da fermentação realizada em barricas de carvalho. Há sempre uma boa discussão sobre qual a melhor harmonização com o bacalhau. Eu, por exemplo, prefiro brancos mais estruturados. Em Portugal os tintos têm a preferência. Provei este Borba com um bacalhau grelhado, em meio a tintos muito mais caros e famosos, e este se encaixou melhor no meu radar de harmonização. Quando soube do preço, então, a felicidade foi maior.

Alamos Chardonnay 2007
Mendoza, Argentina – R$ 32,15
Branco premiado mais básico da linha Catena. Passa seis meses no barril de carvalho o que aquele  sensação cremosa de um chardonnay mais encorpadão, mais recomendado para peixes mais fortes e aves. Bastante elogiado pelos bacanas do vinho de todas as estirpes: a lista começa em Robert Parker, passa pela rival britânica Jancis Robinson e ainda pela revista americana Wine Spectator.

Os leitores deste blog podem contribuir com suas recomendações e tornar esta lista mais rica, completa e diversificada, aí embaixo, nos comentários.

Preços coletados entre os dias 3 e 6 de outubro de 2008  nos sites daslojas Mistral, Expand, Zahil, Rei dos Whisky’s & Vinhos VIP, Imigrantes Bebidas, Pão de Açúcar e Bom Marché

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