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Arquivo de maio, 2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009 Cursos, Vídeo | 19:49

Vídeos & vinhos: lições no seu computador

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Que tal aprender tudo sobre a uva cabernet sauvignon com a mais respeitada crítica de vinho, Jancis Robinson? Ou então fazer aquele tão desejado tour pelas principais regiões vinícolas da França em companhia do especialista Oz Clark? Quem procura orientação sobre rótulos pode contar com mais de 500 programas do geek do vinho, Gary Vaynerchuk, e seus longos e tresloucados programas de degustação virtual ou então seguir a inusitada Susan Sterling, que, minimalista, resolve em um minuto a descrição do vinho e despida de preconceitos, e de roupas, sugere, mais do que mostra, uma sensualidade da bebida. Os programas são para o mercado americano, mas com a distribuição globalizada, muito do que se comenta ali é encontrado aqui.

Você vai aproveitar melhor, se o seu inglês estiver afiado. Mas vai se divertir e aprender se perder alguma coisa no meio da transmissão. Até por que, há sempre o recurso de parar e voltar ao ponto que não compreendeu direito, ir atrás do dicionário e voltar a navegar.


Jancis Robinson home page Wine Course

A mais famosa dama do mundo do vinho ensina tudo sobre as uvas cabernet sauvignon, chardonnay, sauvignon blanc e syrah. Por enquanto, são quatro episódios extraídos de seu DVD original, com uma produção caprichada, didática e recheada de referências e entrevistas com craques das uvas que viram vinho. Como ensina Jancis, entender as principais uvas faz o vinho ganhar sentido. Talvez o que há de melhor em qualidade e conteúdo sobre a bebida na rede.

Cabernet Sauvignon, parte I, por Jancis Robinson

Canal dos vídeos de Jancis no Youtube

Oz and James’s Big Wine Adventure

Esta divertida série da BBC poderia ser definida como um confronto de um especialista e um bebedor ocasional. O especialista é o conceituado crítico Oz Clark que tenta neste roadmovie de Baco transformar um beberão meio xucro, James May, em um conneiseur de vinhos. Por três semanas eles passeiam pelos principais vinhedos da França e entre uma rusga e outra provam magníficos rótulos, conhecem vinhedos esplêndidos e conversam com produtores de várias regiões. Oz Clark degusta, James May entorna. Quem assiste se diverte e aprende sem perceber.

Em uma das cenas mais divertidas, no capítulo que percorrem a região de Champgne, um indignado James adverte a um atônito proprietário da Maison Krug que as garrafas empoeiradas de 1964 da adega deveriam ser abertas para “alegrar uma festa e ajudar as pessoas a fazer sexo”. E completa “Elas estão desesperadas para serem bebidas.” James May não sai da experiência um especialista, mas muda de patamar. Oz Clark aprende um pouco de carros, a especialidade de May, e sobre a convivência com os contrários.

Oz Clark e James May, primeira parte. O Vale do Rhone

Site oficial do programa

Wine Library, com Gary Vaynerchuk

O degustador pop e fenômeno da web, Gary Vaynerchuk, parece que está ligado o tempo inteiro em um acelerador de partículas nucleares. Não é fácil acompanhar seu raciocínio. Mas as garrafas ficam ali à mostra para facilitar o entendimento. São 15 minutos de informação concentradas – o sujeito é uma metralhadora giratória, dispara informações que um ser humano normal não conseguiria expor no período enquanto degusta um vinho. Apesar de seu público ser americano, Gary tem certa implicância com as escolhas do megacrítico Robert Parker, o saco de pancadas dos enófilos críticos de plantão, o que torna as indicações mais divertidas ainda e dão certo ar militante ao programa.

Sea Smoke Pinot Noir, por Gary Vaynerchuk

Canal do programa Wine Library

The Naked Wine Show, com Susan Sterling

Se 15 ou 20 minutos de descrição de um vinho é demais para a cabeça – e o palato -, uma opção mais direta ao ponto é o programa da canadense Susan Sterling. Em vídeos de cerca de 1 minuto, publicado em seu blog e distribuído também pelas redes sociais MySpace e FaceBook (quem mora nos Estados Unidos e Canadá pode ainda baixar pelo Ipod), Susan prova e descreve as principais características do vinho de maneira rápida e clara. Um toque malandro justifica o título do “show”. A apresentadora numa estratégia que mais esconde do que mostra, simula estar provando os vinhos de dorso nu. Abaixo das telas um texto destaca as principais falas da apresentadora

Naked Wine Show 1038 – Caliterra Tributo Carmenère

Alexandra Corvo

Para não me acusarem de americanizado, ou anglófilo, vai uma ótima opção para os monoglotas. A somellière Alexandra Corvo gravou estes dois programas para o Portal Veja S. Paulo quando eu editava a área de vinhos de lá. São dois vídeos básicos de como degustar e a diferença entre as taças. São temas que sempre despertam interesse e dúvidas nos leitores.

Como degustar, por Alexandra Corvo

Os vários tipos de taça, por Alexandra Corvo

Wine and Food Tube

Por fim, se você se interessou por estes vídeos, e quer organizar sua busca por novidades postadas no Youtube, uma boa dica é acessar esta comunidade de vídeos de amantes de comida e de vinho. Além de se atualizar com os mais recentes programas, a página indexa ou vídeos pessoais postados no Youtube para aqueles usuários que se cadastram no site.

Wine and Food Tube – página principal

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sexta-feira, 22 de maio de 2009 Cursos, Degustação | 19:28

Cortiça, sintética, vidro, alumínio. Várias maneiras de tampar um vinho

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Continuando sobre o tema rolhas. Incrível como um simples artefato usado para tampar uma garrafa pode gerar tanto interesse. Há muita literatura a respeito, registros históricos e um livro respeitável dedicado ao tema: To Cork or Not To Cork: Tradition, Romance, Science, and the Battle for the Wine Bottle (algo como Arrolhar ou Não Arrolhar: Tradição, Romance, Ciência e a Batalha pela Garrafa de Vinho), de George M. Talber, o mesmo autor do célebre O Julgamento de Paris. A preocupação se espalha nos fóruns e sites de vinho.

Mas a discussão faz sentido, pelo menos para quem é chegado em uma dose de rubros e brancos. Até se descobrir um método eficaz de selar, e conservar, o vinho dentro da garrafa, muito vinagre rolou goela abaixo dos nossos antepassados. Quando não existia a vedação da rolha, um dos métodos utilizados era preencher a garrafa com óleo, para evitar o contato do vinho com o ar. Diz a lenda que o primeiro gole servia para evitar que o óleo fosse despejado na taça dos convivas e não com o propósito atual, de provar a bebida. Há registros de que os romanos já conheciam a cortiça, mas ela de fato começou a ser usada lá pelo século XVIII e encontrou seu par perfeito na garrafa de vidro. A esta dupla devemos a conservação e distribuição da bebida pelo mundo e pelo tempo.

O problema é o oxigênio,  estúpido!

Um dos maiores inimigos do vinho, como se sabe, é o oxigênio. Se você não sabe, experimente deixar aberta e destampada uma garrafa por vários dias, ou então prove um vinho com a rolha mal acondicionada, para checar o resultado. É só aquele aroma de papelão molhado e de ácido acético fluindo  pela garrafa. Aí não tem jeito. Até mesmo o rótulo de100 pontos do Parker terá como destino, no máximo, o molho da salada. Ninguém merece. Por isso mesmo a humanidade vem tentando resolver a questão desde que começou a produzir mais vinho do que a sua capacidade de consumir.

A rolha é o leão-de-chácara do fermentado. Impede a entrada do oxigênio – ou libera de maneira tão espartana que ao invés de condená-lo, pode enriquecê-lo por um processo conhecido como micro oxigenação – e mantém o precioso líquido preservado até o momento de ser degustado. Na maioria das vezes esta decisão é ligeira: a garrafa sai da prateleira direto para a taça. Em casos raros, descansa na adega, e a bebida evolui com o tempo e se afina até ser desarrolhada.

Cortiça, sobreiro e Portugal

A cortiça, em seus mais variados extratos, é a solução mais conhecida, tradicional e charmosa para selar o vinho. A cortiça é um produto natural. É extraída da casca de uma árvore, o sobreiro, que atende nas universidades pelo nome científico de Quercus Súber. A casca do tronco só pode ser extraída a partir dos 30 anos de vida da planta e, depois disso, a cada 9 anos, o que não chega a ser um assombro para uma espécie que pode atravessar várias gerações em seus 200 possíveis anos de vida. Os portugueses, com sua enorme plantação de sobreiro, concentrada na região do Alentejo, podem ser considerados como os artesãos do enclausuramento da bebida. São lusitanas as cortiças mais resistentes, longas e festejadas. O país produz 51% das cortiças no mundo, seguido de Espanha (26%), Marrocos (6%) e Argélia (5%).

As rolhas de cortiça têm as mais variadas classificações, da mais simples, de compensado de cortiça, passando por aquelas que misturam o  compensado numa extremidade e um material melhor na outra, que fica em contato com vinho, até aquelas mais sofisticadas e maciças, reservadas para os grandes vinhos de guarda. Aos defensores das rolhas de cortiça, um argumento, que também fica na esfera da cultura inútil. O material tem uma enorme capacidade de elasticidade: comprime 40% e descomprime mais do que 85% em segundos! Se não fosse assim, como a rolha do champanhe se descolaria da garrafa e entraria em órbita tão rápido?

O tal do TCA

Com o tempo a indústria foi buscando alternativas à dispendiosa e finita cortiça. Até por que a cortiça é guardiã e, muitas vezes, a vilã da história. A  contaminação de TCA –  o fungo que ataca os tampos de cortiça -, é o calcanhar de Aquiles das rolhas tradicionais. O bichinho é o responsável pelo desagradável aroma de papelão molhado, o tão falado bouchonée que os narizes mais sensíveis detectam de longe. É uma situação curiosa que transforma toda abertura de uma garrafa em uma loteria. O enólogo Michel Rolland, assim como muita gente ligada ao vinho, defende o uso de tampas alternativas. Não sei de onde vem esta estatística, mas é repetido por aí que pelo menos de 5 a 6% das garrafas com rolha de cortiça  apresentam problemas de TCA. Para Rolland, isso não pode ser considerado normal. “Você aceitaria comprar um celular sabendo de antemão que talvez 5% dos aparelhos não funcionam?”, argumenta ele. A lógica é indefensável.

Não é só de cortiça que é feita a rolha

Conheça outras alternativas à cortiça que existem no mercado:

rolha sintética – maldita rolha sintética. É aquele material meio emborrachado, meio látex que costuma ficar engastalhado no saca-rolha depois de retirado da garrafa. Mas é eficiente no seu propósito básico. Preservar o vinho intacto no interior da garrafa. E não transmite a contaminação do TCA. Mas atenção verdes bebedores de vinho, o material não é biodegradável como a cortiça.

rosca (screw cap) – muita gente torce o nariz, mas a tampa de rosca é comprovadamente eficiente, prática e resolve a vida, imagino, de 90% dos vinhos produzidos pelo mundo. É aquela cápsula que se abre girando em rotação invertida a tampa do vinho. E melhor, também não passa para o vinho problemas típicos da rolha que causam (muitos desavisados tratam de enfiar o saca-rolhas neste tipo de tampa antes de perceber o tipo de material. Confesso que já cometi tal atrocidade).

vidro – fabricada pela Alcoa, é conhecida como Vino Seal nos Estados Unidos e Vino Lock na Europa. São mais caras, e mais raras. Eu nunca topei com uma delas. Mas estão por aí.

maestro – esta é a novidade tratada no post anterior. Uma rolha constituída de plástico reciclável e alumínio e com uma espécie de alavanca que permite abrir um espumante de forma segura. Foi desenvolvida pela multinacional Alcan. Algo na linha de um screw cap adaptado para os espumantes.

Pois bem, as opções existem. Outras devem surgir. Talvez a única coisa chata é para aquelas pessoas que enchem vasos de vidro com as cortiças, um costume que é mais um lance exibicionista (“olha só quanto eu já bebi!”) do que um item de colecionador. Ninguém vai querer juntar tampinhas de alumínio ou rolhas pretas sintéticas e exibir na sala em um vaso imenso, né não?

Ok, a substituição da cortiça ainda é terreno minado. Muito produtor ainda tem receio de perder mercado com o preconceito do consumidor. E com razão. Muito bebedor fica de nariz empinado quando um garçom ou vendedor oferece um vinho com tampa de rosca ou sintética. Bobagem. Tome tenência, rapaz! O vinho pode ser tão bom – ou melhor – que aquele selado com uma rolha de cortiça! Experimente, você não vai se arrepender.

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segunda-feira, 18 de maio de 2009 Degustação, Espumantes | 18:42

Um instante, maestro!

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Muita gente tem um certo receio de abrir uma garrafa de espumante. Há sempre o perigo iminente de a garrafa virar uma arma. Às vezes a pressão interna é tanta que, mesmo cercado de cuidados, a rolha se transforma em um projétil, causando estragos à sua volta.

A maneira correta de desarrolhar o champanhe faz até parte do currículo dos cursos de vinho por aí. Aquele ritual de abrir a gaiola de arame, segurar firme o corpo da garrafa e ir afrouxando com cuidado a cortiça até provocar o estampido seco que sinaliza o momento mágico em que a rolha se separa enfim do gargalo e libera a espuma de dentro da garrafa.

Esta batalha com a rolha é um desafio para você na hora de abrir seu champanhe? Seus problemas se acabaram! Uma nova cápsula anunciada na França promete revolucionar a vedação e a posterior abertura dos espumantes. A traquitana, desenvolvida pela multinacional Alcan, atende pelo nome de maestro e é produzida com plástico reciclável e alumínio. A Alcan investiu três anos de pesquisa e 1 milhão de euros até chegar ao formato atual. O mercado potencial, no entanto, é atraente: só em Champagne são 332 milhões de garrafas por ano.

Como funciona o maestro
É uma espécie de screw cap dotada de um mecanismo com uma alavanca, o mesmo princípio usado nas latas de cerveja, que permite a abertura rápida e segura da tampa. Simples assim, você puxa a alavanca e libera as borbulhas. É o fim da rolha subindo como um foguete. Mas o estampido seco – tóf! -, resultado da liberação da pressão do interior da garrafa, continua presente. “Ainda há a música, mas não há o perigo”, explica o diretor de exportação da Maison Duval-Leroy, Roger Begault, que ainda decretou: a “rolha será abandonada”.

A Duval-Leroy é considerada uma das 15 top Maison da região de Champagne. Localizada no coração da Cote des Blancs, com 200 hectares de vinhedos plantados em sua maioria com a uva chardonnay, a Duval-Leroy tem tampinha de criança, mas corpinho de 150 anos registrados na carteira de identidade.

A parceria da Duval-Leroy com a Alcan é uma aposta na inovação e mostra um caminho para o mundo das rolhas. Será que vai pegar?
Curioso? Assista o vídeo abaixo

Site da Alcan explica a nova cápsula

Duvay Leroy – site oficial

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quarta-feira, 13 de maio de 2009 Degustação | 22:15

Gosto: o meu e o dos outros

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Alguns leitores insistiram, na área de comentários, que divulgasse os vinhos que ficaram em segundo e terceiro lugares no pódio do Top Ten da Expovinis 2009. Bom, em um país que segundo lugar é maldição chega até surpreender este interesse. O colunista Augusto Nunes pinçou recentemente uma ótima definição do piloto Nelson Piquet sobre a praga do vice: “Brasileiro acha que o segundo lugar é o primeiro dos últimos”.

Mas os organizadores da feira não divulgam a lista completa com a classificação geral, nem dos rótulos que quase chegaram lá. É um critério da Expovinis e faz todo sentido, pois a eleição é claramente dos Top Ten e não dos vice Top Ten.

O resultado, como só podia ser, é a soma das notas de cada jurado. Então, como não tem segundos e terceiros lugares oficiais, achei que podia oferecer um serviço ao incauto leitor que persegue esta coluna ao revelar os vinhos que coloquei nas três primeiras posições do pódio.

Atenção então, a tabela abaixo não é uma radiografia oficial, mas sim uma escolha pessoal. No mínimo é curioso, pois expõe meus erros e acertos. E ainda é possível comparar o meu paladar ao dos outros. Trata-se, claro, de comparar o intangível, que é o meu gosto – minha experiência pessoal e referências – com o gosto dos outros jurados e mostrar onde o geral coincidiu com o particular.
(Os 10 vinhos eleitos pelo Top Ten estão destacados com uma faixa cinza na tabela.)


Aguardo seus comentários e críticas.

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sexta-feira, 8 de maio de 2009 Degustação | 22:36

Vale a pena ir às feiras de vinho?

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Acabou mais uma Expovinis, a feira internacional de vinhos. Ufa! Dia 18, 19 e 20 de maio, no Rio e São Paulo tem outro evento, agora de uma grande importadora, a Vinci. Oba!

O esquema destes eventos é sempre parecido e pode ser resumido em uma imagem. Uma enorme oferta de garrafas das mais variadas qualidades e uvas e um único fígado para processá-las. Você prova um espumante, pula para um barolo que tinha muita curiosidade em conhecer, logo em seguida dá um gole em um riesling intenso e fino, e na próxima mesa não resiste a um Porto Tawny 40 anos e está pronto para enfrentar a próxima parada: um sauvignon blanc leve e aromático…

É isso que o bebedor mais refinado de tintos e brancos procura? Um container de vinhos, uma sequência esquizofrênica e sem comida para harmonizar?

Acho que não, né minha gente? Vai contra toda convenção estabelecida pelos enófilos mais empertigados, aquela  que recomenda uma sequência apropriada de espumantes, brancos, tintos e fortificados, o consumo moderado e por fim a parceria ideal do nobre fermentado com um prato de comida. Por isso tanta gente, no intervalo entre uma e outra feira, se pergunta: vale a pena participar de um evento desses? Ficar disputando uma taça de vinho, beber de pé, só para participar de uma maratona de cabernets, chardonnays e seus agregados?

Mas as convenções estão aí para serem derrubadas. E muita gente coloca os pés, o nariz e a boca fora de uma feira agendando o próximo evento. Afinal, que outro local é possível experimentar tanta variedade por um preço fixo? Ou então provar lançamentos, conversar com enólogos e produtores e ficar sabendo que o terroir daquele Romanné Saint Vivant que você acaba de provar está a apenas 200 metros do mítico La Tache? Ou ainda, onde mais é possível comentar com o colega ao lado, que você nunca viu mais tinto, que o Bordeaux na taça lembra aromas de mirtillo sem provocar uma gargalhada no sujeito ou a pergunta: “O que raios é mirtillo?”

Eu, por exemplo, me divirto. Tento manter um roteiro. Por exemplo: ataco primeiro os brancos, ou me concentro nos brasileiros, ou mesmo só nos tintos do velho do mundo. Claro, sempre entra um contrabando no meio e, no final, o paladar fica meio confuso. Outro risco é uma derrapada a mais na dose, o que pode levar até o mais experiente degustador chamar um toscano de tokay.

Goles curtos, pensamentos longos
Nesta Expovinis 2009, por exemplo, concentrei meus goles em tintos, brancos e espumantes nacionais, algumas novidades da Austrália, do Chile e da Alemanha e arrematei o dia com um Borgonha sem importador e um instigante rosé ainda do tanque do Marco Danielle

Fiquei com boa impressão da linha Gran Reserva da Concha y Toro, em especial o cabernet sauvignon e o chardonnay (segundo os produtores ficam entre a linha Trio e Marquês da Casa Concha); do branco Virtude da Salton, fresco, madeira bem integrada, intenso; do Gamay da Miolo, que havia comentado aqui sem provar e entregou o que prometeu: descomprometido mas bem-feito (aliás recebeu elogios do produtor e negociante da Borgonha, Albéric Pichot, no dia seguinte); do espumante rosé de Santa Catarina da Cave Pericó, curiosamente elaborado com as uvas cabernet sauvignon e merlot, com bom ataque de aroma e belo frescor e finalmente do peso-pesado John Duvall, da Austrália, mais especificamente de Barossa Valley, que jogou toda sua experiência adquirida no comando da Penfolds em rótulos próprios que são de beber – e pagar – de joelhos. São eles Entity, Plexus e Eligo. Não cuspi.

O restante do tempo passei conversando, aprendendo, trocando informações. Principalmente trocando informações. O melhor das feiras é encontrar os amigos. Com uma taça na mão, claro.

Quando é a próxima feira mesmo? Nos vemos lá?

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quarta-feira, 6 de maio de 2009 Degustação | 18:00

Os 10 melhores vinhos da feira – e como foram julgados

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Foi divulgada a relação dos 10 melhores vinhos da Expovinis 2009, a megafeira dos tintos, brancos, espumantes e agregados que está na sua 13º edição em São Paulo. São os dez melhores vinhos do evento? Bem, não é bem assim. Como em toda degustação, tratam-se das10 melhores garrafas provadas em determinado dia, segundo o gosto e avaliação de um grupo de pessoas. É uma boa referência? É. São de fato os dez melhores vinhos da feira? Não. É do jogo. Participa quem quer, se exibe quem fatura. Mas que todo mundo gosta de saber o resultado, de conhecer o vinho e, no caso dos finalistas, de ganhar, não resta dúvida. Humano, demasiadamente humano.

Funciona assim. No fim de semana anterior à feira, que acontece nos dias 5, 6 e 7 de maio, treze respeitáveis senhores ficam confinados numa sala e degustam às cegas – sem saber o rótulo – os vinhos que são enviados pelas importadoras e produtoras (eles só podem enviar três garrafas no total). Os vinhos são divididos em uma dezena de categorias: espumante nacional, espumante importado, sauvignon blanc, chardonnay, outras uvas brancas, rosados, tintos nacionais, tintos novo mundo, tintos velho mundo, fortificados e doces. As garrafas são ensacadas, numeradas e avaliadas. As notas de cada jurado são somadas e os melhores em cada categoria levam a medalha no peito e saem anunciando por aí. Não é pouca coisa.

Uma boa alteração deste ano foi a separação dos espumantes nas categorias verde-amarelo e importados – a disputa era muito injusta quando se enfrentavam no mesmo painel um champagne grand cru e um espumante nacional, por melhor que fosse ele. A organização também superou a de outros anos. A coisa vai se profissionalizando.

O processo é todo feito com a maior lisura, não se sabe qual vinho está se bebendo nem antes, nem durante muito menos depois de terminada a prova. Os jurados recebem o resultado e a lista dos rótulo no primeiro dia da feira. Os erros e acertos da seleção final são de total responsabilidade destes abnegados senhores que passaram o sábado e domingo de feriado provando e cuspindo vinho. É aquele ritual esquisito de sempre, para quem não está habituado. O garçom vem, traz a taça com a bebida, a gente olha a cor, balança a taça, enfia o nariz, dá uma cafungada, coloca um gole na boca, aspira um pouco de ar, deixa o líquido percorrer as papilas gustativas e finalmente… cospe o vinho.

Imagine esta cena realizada exatas 179 vezes. É pedreira. Se ingeridas todas as amostras o resultado seria uma coma alcoólica. Justo? Do ponto de vista do produtor, imagino que seja um julgamento expresso, que pune ou premia em alguns segundos o trabalho que durou sei lá quanto tempo do lado de lá da garrafa. Como disse meu vizinho de júri, o master of wine Dirceu Vianna (leia entrevista logo abaixo neste blog). “Em uma prova como esta, o critério é avaliar o que você encontra de tipicidade na taça”. Do ponto de vista da premiação, não há outra solução. O método é tão falho como a democracia, por exemplo, mas tão insubstituível quanto.

Uma curiosidade. Durante a prova, entre uma rodada e outra, eu postei no twitter do Blog do Vinho pequenas impressões dos goles, do que estava acontecendo. No último comentário eu arrisco dizer que o melhor tinto do velho mundo era da amostra número 26. Não é que foi o vencedor da categoria segundo a avaliação geral de meus coleguinhas? Aliás, nunca tinha ouvido falar. Claro, era o Vinha Longa Reserva 2006, inscrito pela AEP, Associação Empresarial de Portugal.

O resultado é curioso e reflete a variedade do vinho, foram premiados três franceses (é o ano da França no Brasil); dois chilenos, dois portugueses, um argentino e, claro, dois brasileiros. A lista está abaixo

Os 10 vinhos escolhidos em cada categoria
Espumante Nacional (23 participantes)
Casa Valduga Gran Reserva Extra-But – Casa Valduga – Vale dos Vinhedos

Espumante Importado (8 participantes)
Champagne Pehu Simonet Brut Sélection Grand Cru NV – Pehu Simonet – Champagne/França

Sauvignon Blanc (8 participantes)
Ventisquero Queulat Gran Reserva 2008 – Ventisquero – Valle de Casablanca/Chile

Chardonnay (15 participantes)
Morandé Terrarum Reserva 2007 – Morandé – Valle de Casablanca/Chile

Branco: Outras Castas (18 participantes)
Josmeyer Les Pierrets Riesling 2001 – Josmeyer & Fils – Alsace/França

Rosado (14 participantes)
Cascaï 2008 – Château Ferry Lacombe Provence/França

Tinto Nacional (31 participantes)
Salton Talento 2005 – Salton – Tuiuty/Brasil

Tinto Novo Mundo (22 participantes)
Las Perdices Tinamú 2006 – Viña Las Perdices – Mendoza/Argentina

Tinto Velho Mundo (30 participantes)
Vinha Longa Reserva 2006 – Encostas de Estremoz – Alentejo/Portugal

Doce Fortificado (8 participantes)
Justino’s Madeira 10 anos – Justinos Henriques – Ilha da Madeira/Portugal


Os culpados, quer dizer, os jurados, na foto acima, no momento da degustação, provando e passando para o laptop a pontuação. Entre as ilustres figuras, este colunista.

Dirceu Vianna Junior (Master of Wine); Gerson Lopes (Blog Vinho e Sexualidade); Gustavo de Paula (ABS-SP); Jorge Carrara (Folha de São Paulo); José Maria Santana (Gula); José Luiz Pagliari (SBAV-SP); Manuel Beato (Sommelier do Fasano); Marcelo
Copello (Gazeta Mercantil e Mar de Vinho); Marcio Oliveira (SBAV-MG); Mauro Celso Zanus (Embrapa); Nuno Vaz Pires (Vine – Portugal); Ricardo Farias (ABS-RJ); Roberto Gerosa (Blog do Vinho – VEJA). Coordenação: Jorge Lucki (Valor Econômico) e José Ivan dos Santos (SENAC)

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