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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016 Blog do vinho | 12:48

Importação de vinho: em 2015 Chile continuou na liderança, mercado retraiu e o imposto aumentou

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O vinho está caro, não? A vida está cara. Basta percorrer as prateleiras dos supermercados, lojas especializadas e  sites de e-commerce para perceber que mesmo com descontos – é tempo de liquidações de estoque – os preços subiram. E 2016 promete. A contribuição para este cenário tem sempre a mão amiga do governo, que além de toda carga tributária já embutida no produto alterou, a partir de dezembro de 2015, a cobrança do IPI que passou de um valor fixo de  R$ 1,08 por garrafa para um tributo variável de 10% sobre o valor do vinho. A disparada do dólar também contribui – e muito – para esta valoração dos preços.

E como o reflexo econômico de 2015 afetou o mercado de importação de vinhos no Brasil?

Mais uma vez eu pego carona no trabalho do consultor Adão Morellatto (autorizado pelo autor, claro) e publico a situação da importação de vinho no Brasil. O ano é de 2015. Não precisa dizer mais nada, né? Mas a fotografia não é tão feia assim: teve uma retração de 11,28% em valor (a inflação no período foi de 10,673% IPCA), mas  uma leve alta de 1,56% em volume, ou seja há vinhos mais baratos sendo escoados no mercado brasileiro, com enorme participação do Chile nesta pegada (faixa de até 35 reais para o consumidor).

Comparada com a mesma análise de 2014, a posição dos países no ranking continua inalterada. Os vizinhos Chile e Argentina juntos dominam mais de 60% do mercado de vinhos no Brasil. A França vem em seguida empurrada pela inclusão dos Champagnes na conta. Em seguida Portugal e Itália, com Espanha na rabeira entre os principais. Alguns países caíram mais do que outros.

 

O Chile continua líder, a Argentina perde mercado mas mantém segunda posição

Abaixo um resumo das principais informações e dados consolidados pela análise de Adão Morellato

1º. CHILE:   Com um novo recorde de produção com 12,8 milhões de hectolitros (alta de 23%) em 2015, os chilenos batem pesado no mercado brasileiro e é necessário escoar toda esta produção, seja onde for, esteja onde estiver o consumidor, sua participação chegou a 37,34% em Valor e 45,29% em Volume, porém com uma ligeira queda de -5,21% de valor sobre 2014. Seus produtos adentram nosso mercado com uma forte penetração no segmento mais promissor (faixa de até R$ 35,00 consumidor), com uma desvalorização de 8,84% em USD. Também apresenta um crescimento de 3,62% em volume.

2º. ARGENTINA:  Segue a mesma estratégica do Chile em baixar seus vinhos, porém de maneira ainda muito tímida, apenas 3,89% de desvalorização e queda de -14,39% ref. a 2014. Os anos em que a Casa Rosada foi reinada pelos Kirchner, não foram nada satisfatórios aos vinicultores, reduziu em 12% a produção vitivinícola na última safra. Seus vinhos ainda são 31,29% mais caros do que os similares vizinhos. Em 2015 manteve um desempenho idêntico a de 2014, 17,19% em Valor e 15,87% em Volume. Em valor retrocedeu ao período de 6 anos atrás (2009).

3º. FRANÇA:  Como já informado acima, dado ao fato de que o Champagne tem um peso enorme na pauta deste segmento, participando com quase a metade do valor 47,48%, demonstra um marketing Share de 14,19% e Value de 5,91%, com queda cambial de -20,18% e participação negativa de -17,36%, praticamente voltou ao patamar de 2011 em valor.

4º. PORTUGAL:  Também apresenta um retrocesso de 5 anos de seu desempenho de valor, 11,18% em Valor e 12,64% em Volume e queda similar a da França -14,29% e com deflação cambial de -23,17% em seus produtos. Visto que sua produção aumentou em 8% em 2015, há uma grande procura de produtores buscando fincar suas próprias bandeiras em solo brasileiro, por certo não encontram em outros grandes mercados (USA / China) uma classe consumidora mais apropriada sejam pelo hábito e costumes, sejam pela praticidade linguística.

5º. ITÁLIA: Entre os principais player´s o que apresentou o pior desempenho com -22,14% de queda, como comparativo, retorno aos patamares de 2008. Tendo os vinhos tipo Prosecco contribuído com 12,38%. Seu custo médio apresentou queda de -9,76% e sua participação permaneceu em 10,14% em Valor e 11,22% em Volume. Devido a sua grande safra que em 2015 atingiu exponencialmente 48,9 milhões de hectolitros, há que buscar alternativas e seu mercado mais promissor são os EUA, com forte presença, disputando em pé de igualdade com os produtores americanos.

6º. ESPANHA: Depois de alguns anos conquistando mercado com muita velocidade, em 2015 teve queda de -11,27% e atingiu 5,35% de participação em Valor e 1,38% em volume com desvalorização cambial de -23,14%. Os vinhos Cavas contribuem com 26,62% de seu total. Apesar da queda, mantém uma boa estrutura de produtos atrativos. Hoje sem nenhuma dúvida, junto a Itália, são os que melhor oferecem a relação de custo/qualidade.

7º. DEMAIS PAÍSES: Contribuem com menos de 4,70% em Valor e 4,20% em Volume, destaque para crescimento de 25,07% da Austrália e 6,81% do Uruguai.

Leia também: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Dados extraídos do Análise de Mercado de 2015 da análise de

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015 Brancos, Tintos, Velho Mundo | 01:25

Vinhos de Portugal: um Pato aqui, um Pato acolá.

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Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há
(O Pato, música infantil de Vinícius de Moraes)

 

pato

Luis Pato em foto oficial do site: um pato aqui (o bicho), outro acolá (o vinho)

Um Pato aqui

O vinho português é o que é por conta da diversidade de suas uvas nativas e das características que elas adquirem em cada uma de suas regiões vinícolas. A Bairrada é uma das 28 DOCs (Denominação de Origem Controlada) de Portugal. E foi para lá que partimos de Lisboa para iniciar nossa viagem aos vinhedos e vinhateiros da terrinha.  A região tem nos espumantes seu principal produto – 65% das borbulhas portugueses são da Bairrada -, mas são os tintos elaborados a partir da casta baga que fazem a fama do lugar pra quem se interessa por vinho.

A baga não é para amadores. Pode gerar  vinhos muito adstringentes e herbáceos – aqueles taninos que travam a língua -, mas nas mãos de hábeis vinhateiros é capaz de produzir caldos expressivos, com grande capacidade de guarda e complexidade. Um dos mais conhecidos magos da baga é o  brilhante enólogo Luis Pato, o domador da uva. Um iconoclasta que colocou a baga em outro patamar.

Os vinhos que levam estampados no rótulo o seu nome são para todos os públicos e bolsos. O mais básico – que leva um contorno de um pato vazado no rótulo – é figura carimbada em cartas de restaurantes brasileiros. Na comissão de frente dos rótulos se destacam as joias da coroa: o Vinhas Velhas (branco e tinto), o Vinha Pan e a experiência única do Pé Franco. O Pé Franco, como indica o nome, não usa aqueles enxertos que evitam a praga das parreiras, a filoxera, o que se traduz num tinto de uma pureza inigualável. Com seu bigode de português de almanaque e bom humor inconfundíveis,  Luis Pato é  presença garantida em feiras e degustações patrocinadas por seu importador no Brasil, a Mistral. Após algumas oportunidades de encontrar o criador, apareceu a oportunidade de conhecer as origens da criatura: sua terra e seus  vinhedos.

Leia também: Os bons vinhos e o bom papo de Luis Pato

Um Pato Acolá

Chegamos à vinícola no meio de uma manhã de tempo nublado e chuvoso. Logo na entrada do prédio que abriga a adega uma simpática senhora  descia os degraus de uma pequena escada que leva ao edifício principal. Era a mãe de Luis Pato. Ela nos cumprimentou e indicou o caminho da entrada. O criador, Luis Pato, não se materializaria neste dia – fazia uma viagem de negócios -, mas sua presença em fotos, pôsteres e nos rótulos dos vinhos não deixavam dúvidas de que aquele era seu domínio. Quem nos recebeu, no entanto, foi outra representante da família Pato, Maria João, demonstração evidente de que estamos diante de uma empresa familiar, algo que no mundo do vinho às vezes faz a diferença.

Quinta do Ribeirinho

Maria João tem os olhos muito azuis, um sorriso fácil e uma maneira de falar recheada de graça e ironia. Enquanto dirige o jipe levando os visitantes por um passeio por parte dos 60 hectares de vinhedos da família, vai apontando onde estão plantadas as uvas responsáveis por pérolas do catálogo Luis Pato: “Aqui estão os vinhedos da casta Maria Gomes, que produz nossos espumantes”. Mais adiante paramos em frente às fileiras de plantas que geram os frutos responsáveis pela Vinha Barrosa, Vinha Pan ou as exclusivas (e caríssimas, R$ 1.500,00 a garrafa no Brasil) parreiras da Quinta do Ribeirinho Pé Franco, cercadas de eucaliptos. “O Pé franco cheira a Eucalipto”, informa. Conta histórias da família. “Os clones da uva cercealinho foram plantados por meu avô (João Pato)”, passa pela antiga casa que foi morada de seus antepassados, logo após a pequena torre que, à maneira de Bordeaux, delimita as franjas da propriedade da Quinta do Ribeirinho (foto ao lado). Apresenta versões para a origem do nome Bairrada “vem do solo de barro” ou então do latim, “significa conjunto de bairros”. A chuva às vezes dá uma trégua e descemos do carro e nos aproximamos dos vinhedos, checamos o solo arenoso, o barro que pode ser origem da região, observamos o ciclo das vinhas “as plantas com as folhas mais vermelhas costumam ser de uvas tintas e as mais claras de uvas brancas”, indica Maria João, identificando algumas espécies. Ali, no meio do vinhedo, com os pés no barro, ouvindo sobre o manejo das uvas, me ocorre um sentimento de inadequação entre a simplicidade e a verdade das pessoas que lidam com a produção do vinho e  a solenidade que a crítica e os especialistas impõem à bebida. É bom conhecer de perto a origem de um vinho para entender a mensagem que vem da garrafa.

Maria João é filha menos famosa de Luis Pato. Felipa Pato, a outra irmã, tem um empreendimento na região e já tem uma grife de vinhos com certo reconhecimento. Produz rótulos bastante interessantes e saborosos, em especial, para mim, os da linha Local e seus espumantes. Maria João, no entanto, discorre sobre os vinhos e as vinhas (“2014 foi um ano difícil na Bairrada”) com conhecimento e intimidade. As vinhas estão plantadas em terrenos de solo calcário e argiloso e o clima sofre forte influência do Oceano Atlântico. A proximidade do mar, “mais próximo que em Bordeaux”, explica, potencializa a precipitação de chuvas, dificultando em algumas safras a maturação das uvas. Aí entra o talento da família em dominar este processo.

Maria João na adega com um rótulo antigo

Maria João na adega com um rótulo antigo

Voltamos ao prédio onde começamos a visita. Luis Pato é uma vinícola de médio porte, as instalações são modernas e eficientes, mas não grandiosas; não vendem arquitetura, mas qualidade do que vai dentro da garrafa. Passeamos na sala onde estão armazenados garrafas novas e antigas. Maria João embala alguns rótulos mais antigos e conta sua história, uma aula visual proporcionada pelas alterações das etiquetas, desde a  assinatura de Luis Pato – sempre presente – até a evolução do design. Ao mostrar a linha de mais alta gama, Maria João expressa o desejo de aumentar as vendas dos rótulos de maior valor agregado, ou seja, os mais caros. “Acho que  não é uma tarefa fácil”, argumento, tentando contextualizar o momento econômico. Mesmo viajando, o Brasil nunca sai de dentro de nós… Os maiores mercados de Luis Pato são: Estados Unidos, China (Macau), Noruega e por fim o Brasil. Estamos bem, mesmo assim.

ov.josmolespgDali partimos para um almoço regado a vinhos. Carrego uma caixa pesada, onde estão os rótulos que iremos provar. “Começamos bem!”, penso antecipando o prazer da prova. O restaurante era o reconhecido O Reis dos Leitões, em Mealhada. O prato principal, como não poderia deixar de ser, foi o Leitão da Bairrada. Iniciamos a refeição com entradas típicas, como uma espécie de empada recheada de carne de porco, presuntos e cremosíssimo queijo do Azeitão e finalizamos com uma sobremesa típica: ovos moles de Aveiro – pequenas porções doces de gema de ovo cozidos em xarope e envoltos em hóstias (foto ao lado). A carta de vinhos, premiada como uma das três mais importantes de Portugal – uma bíblia cheio de rótulos portugueses de todas as regiões –, também contempla alguns rótulos importados, em especial uma bela seleção de champagnes.

O que é que há: os vinhos

Cinco vinhos bebidos no Rei dos Leitões, e um aqui em casa (enquanto escrevo este texto)

mariagomes

Maria Gomes sparkling – método antigo

100% Maria Gomes

O método antigo é chamado por Luis Pato de antichampagne, pois só tem uma fermentação, ao contrário das tradicionais duas fermentações do método clássico. Para isso a uva tem de ter alto teor de açúcar, já que não há adição de mais açúcar, comum no método champenoise. “Champagne é o açúcar mais caro do mundo”, costuma ironizar Luis Pato. Aromático (característico da Maria Gomes) e com bela acidez tem aromas de fermentação presentes, resultado do método. Um belo e diferente espumante que vale experimentar.

bairrada95

Vinhas Velhas Luis Pato Bairrada Vinho Branco 1995

Uvas: Bical, Maria Gomes e Cercial

Vá lá, é um vinho para impressionar visitante, para mostrar o potencial histórico. Bingo! No contrarrótulo, o texto sugere que o vinho pode ser guardado por tempo superior a 10 anos. Eu sempre duvido destas previsões. Mas em 2015, passados os 10 anos, se revelou um branco soberbo. Com uma linda cor dourada, mel em profusão, um doce de figo em compota no nariz e na boca, untuoso e longo. Pra quem acha que só vinho tinto ganha com o tempo, uma lição de paladar evoluído.

Vinhas.Velhas.pg

Vinhas velhas tinto 2011

Uva: Baga

Um vinho que sempre me agrada. Um clássico que representa Luis Pato e sua baga de resultados. Potência, um toque de fumê, que é dado pelo solo – segundo Maria João -, e com uma menta muito perceptível no final de boca. Quer se iniciar nos vinhos de Luis Pato? Comece pelo mais básico, vai dar uma ideia. Quer provar o potencial da um bom baga? Eis aqui uma experiência que retrata o trabalho do enólogo.

VinhaPAn

Vinha Pan 2011 – Bairrada DOC

Uva: Baga

Aqui o capricho se dá desde a seleção, são apenas três cachos por cepa nos Vinhedos de Panasqueira (daí o nome Pan), com solo de argila-calcário (você encontra vestígios de amonites – conchas de origem marítima). Bom de aroma e de boca, com um baita potencial de guarda, mas já se revela grande na safra 2011.

VinhaBarrosa

Vinha Barrosa 2012 – Monopólio – Bairrada DOC

Uva: Baga

A vinha Barrosa é a vinha mais velha (quase 90 anos) da propriedade, todo o trabalho é manual. Situada numa espécie de concha, está rodeada de pinheiros. 2012 foi um ano mais quente, é um vinho redondo, macio, de boa estrutura e complexidade. Isso tudo para dizer que é um vinhaço, com aromas mais presentes, que vai mudando na taça e mantém uma sensação gostosa ao passar dos goles. Vai envelhecer com galhardia e pompa. Então, se você foi contaminado pelo paladar da linhagem Pato aqui o namoro vira casamento.

FernãoPires

Fernão Pires 2012

Uvas: Fernão Pires 96% e Baga 4%

Você já provou um vinho tinto elaborado primordialmente por uma uva branca? Tá aqui uma oportunidade. Luis Pato juntou 6% da tinta baga e pintou a branca Fernão Pires. Uma homenagem ao neto Fernão.O rótulo mostra a mão de uma criança e de um adulto se tocando pelos dedos, numa referência ao afresco da Capela Sistina.  É um tinto delicado, 12º de álcool, perfumado, uma fruta vermelha silvestre, uma boa acidez, que se bebe com prazer e sem grandes pretensões. Um vinho de curtição e não de elucubração, que embalou a finalização este texto. Nada melhor para embalar um texto que o vinho sobre o tema, né não?

Lá vem o Pato..

selvagem

Enquanto passeávamos pelas estradas entre os vinhedos da propriedade, Maria João revelou, um pouco intimidada, que tem em barrica um primeiro vinho em gestação: por enquanto chamado de “Selvagem”, ainda uma experiência sem pretensões comerciais. Não está pronto, ainda está em processo de apuração. Mas já revela uma pegada mais natural, a formação de um estilo de vinho sem intervenções. A propósito, não é apenas o vinho que está em gestação. Maria João está grávida. Uma nova geração Pato vem aí, para ver o que que há neste mundo.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015 Degustação, Porto, Velho Mundo | 01:48

É um vinho português, com certeza!

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douro

Douro: não existe lugar nem vinho igual no mundo

Há uma assinatura que distingue o vinho português. Um traço que identifica a bebida. Fácil de perceber, mais difícil de explicar. Uma viagem percorrendo os vinhedos de Portugal, conversando com seus produtores e experimentando os seus  vinhos –  acompanhado da gastronomia local – deixa tudo mais claro: “É a diversidade, estúpido”. A diversidade está expressa nas mais de 250 castas nativas (algumas de nomes curiosos, que fazem a festa dos cronistas), nas 14 Indicações Geográficas e nas 28 DOCs (Denominação de Origem Controlada) que cobrem este país de apenas 92.090 quilômetros quadrados, menor que o estado de Santa Catarina, que tem 95.346.

Cerca de 8% do território é coberto por vinhedos em regiões como Lisboa, Alentejo, Bairrada, Dão, Vinho Verde, Porto e Douro e até as ilhas distantes de Açores e  Madeira, para ficar apenas naquelas mais conhecidas dos brasileiros. O vinho representa hoje para Portugal 1,5% do valor total de exportações do país. E o Brasil é um mercado importante – e tradicional – para escoar esta produção toda. No Brasil, Portugal participa de uma fatia consolidada deste bolo, revezando com a França o terceiro e quarto lugares no ranking dos países que mais exportam para cá.

 Amor-não-me-deixes ou Esgana Cão?

Portugal tem um patrimônio genético na variedade de castas (uvas) que não encontra paralelo em lugar algum do mundo – nem mesmo na Itália que também é pródiga de uvas nativas. São mais de 250 castas identificadas (algumas como pequenas variações, claro). Ao contrário da uvas francesas, e em certa medida as espanholas e italianas, as variedades portuguesas ficaram meio isoladas e não se espalharam pelos vinhedos do novo mundo na velocidade e protagonismo de uma cabernet sauvignon, merlot, syrah, chardonnay, sauvignon blanc, sangiovese ou tempranillo. Mas aquilo que beneficia, também dificulta. Não é fácil para um consumidor americano, por exemplo,  pronunciar nem mesmo as uvas mais conhecidas como Touriga Nacional, Castelão e Fernão Pires, imagina então nomes como Carrega Burros, Pé Comprido, Sousão, Amor-não-me-deixes ou Esgana Cão?

 As 10 mais

vinhas250 é um número enorme, a maioria das uvas é de produção tão reduzida que nem mesmo os maiores especialistas da terrinha as reconhecem. Conhecer as 10 mais importantes já permite um belo panorama desta diversidade. São elas que você irá encontrar com maior frequência descrita nos rótulos e contrarrótulos portugueses (a propósito, os descritivos dos contrarrótulos portugueses são em geral bastante detalhados nos descritivos do vinho, vale sempre uma passada de olhos)

  •  BRANCAS

Alvarinho – Apesar de não ser sinônimo de Vinho Verde, é  responsável pelos rótulos de mais alta qualidade desta região. São minerais, aromáticos (cítricos, como limão,  frutos tropicais) e com ótima acidez. Trata-se de uma uva branca com um bom potencial de envelhecimento, tem boa estrutura e maior persistência. Com mais tempo de garrafa ganha alguns aromas associados ao petróleo (parece esquisito mas não é), semelhantes à alemã riesling. Na vizinha Espanha é conhecida como Albarinho

Arinto (Padernã) – Não bastassem as tais mais de 250 castas, algumas delas ganham nomes diferentes em cada região. Espalhada por Portugal, a Arinto é conhecida como Pedernã na região dos Vinhos Verdes. Produz vinhos  com aromas de maçã e pera, quando novos. Tem boa acidez. Proporciona frescor quando misturada a outras uvas. E funciona bem para espumantes.

Encruzado – A casta produz brancos mais intensos e tem uma boa sinergia com o estágio em madeira, própria para caldos com mais corpo e estrutura, beneficiando-se com o tempo na garrafa. Cítrico e floral quando mais jovens, ficam mais cremosos com toques de baunilha quando fermentados em barricas de carvalho. É mais representativa na região do Dão.

Fernão Pires (Maria Gomes) – A Fernão Pires, uma das castas mais antigas de Portugal, tem uma pegada mais leve, frutada e bastante perfumada (se achar que está diante de um moscatel, a impressão é essa mesma). Também usado para espumantes. Encontrada em vinhos de Setúbal, Tejo, Lisboa e Bairrada.

TINTAS

Baga – A Baga tem uma maturação tardia e é difícil de domar. Legal, mas o que isso significa? Que os taninos podem chegar rasgando se não forem bem tratados. São caldos que se beneficiam, portanto, do envelhecimento e agradecem quando cuidadas por um enólogo competente.  Aromas de cereja, ameixa quando mais jovens e ervas e tabaco quando mais vetustos. Sua origem é a Bairrada (Leitão da Bairrada com um Baga é uma combinação clássica entre a culinária local e o vinho da terra), mas pode ser encontrado no Dão. Nas terras e mãos apropriadas podem produzir vinhos bastante complexos.

Castelão – É a uva mais cultivada de Portugal. Também é conhecida como Periquita, mas este nome está registrado pela casa José Maria da Fonseca, produtora do famosão Periquita. Produz tanto vinhos fáceis de beber como aqueles mais intensos e potentes, que se beneficiam do envelhecimento em barris de carvalho. Cultivada mais ao sul de Portugal, em especial  na região da Península de Setúbal.

Touriga Franca (Touriga Francesa) – Umas das cinco castas oficiais do vinho do Porto, muito comum nos cortes dos tintos do Douro, é a casta mais plantada na região. É uva corante, ou seja, dá muita cor ao vinho. Comparada à parceira Touriga Nacional (abaixo), é mais leve e  aromática. É uma casta que mostra mais ao que veio nos vinhos de corte e nos Portos Vintage. Apesar do título de francesa não tem qualquer origem relacionada à França.

Touriga Nacional – Hoje em dia é uma espécie de porta-bandeira da vinicultura portuguesa. Originária da região do Dão (onde proporciona caldos mais elegantes), é importantíssima para a elaboração do vinho do Porto e aqui no Brasil se notabilizou em conhecidos vinhos de mesa do Douro em carreira-solo ou mesclada. Apesar da fama, ocupa pouco espaço nos vinhedos do Douro. Aporta vinhos de muita cor, extração, aromas nítidos de violeta (às vezes exagerado), frutas negras e um baita potencial de envelhecimento. Apelando um pouco, pode-se dizer que a Touriga Nacional é o Cabernet Sauvignon de Portugal, pelo espaço ocupado, pela adaptação às várias regiões e pelo estilo dos vinhos mais encorpados e que ganham com o envelhecimento em carvalho.

Trincadeira (Tinta Amarela) – Conhecida na região do Douro como Tinta Amarela, a Trincadeira é importante nos cortes da região e é ótima parceira da Aragonez (no Alentejo) e da Touriga Nacional (no Douro).  Apresenta aromas de especiarias, ervas, alto teor alcoólico e boa acidez. No Alentejo a Trincadeira vem mostrando bons resultados em vinhos monovarietais (feitos de apenas uma uva).

Tinta Roriz (Aragonez) –  Já ouviu falar da Tempranillo da Espanha? Pois bem,  Tinta Roriz e Tempranillo tratam-se da mesma pessoa, com nomes regionalizados. A Tinta Roriz é importante casta para o vinho do Porto, para os vinhos do Douro (é a segunda uva mais plantada na região) e para os caldos do Dão. Delicado, elegante, frutos vermelhos, bons taninos e potencial de envelhecimento. Também é bem chegada numa madeira e se beneficia desta amizade. Mais comum em cortes. No Alentejo assume o nome de Aragonez e é boa parceira da uva acima, a Trincadeira.

Tudo junto e misturado

E se a variedade é uma benção que distingue os caldos portugueses do restante do mundo, a combinação destas diversas castas é uma marca registrada de uma boa parcela dos vinhos de boa cepa produzidos em Portugal. São inúmeros rótulos do Douro, do Dão e os Vinhos do Porto que são resultado da mistura destas uvas excepcionais e únicas. Eu diria que o DNA dos vinhos portugueses está na mescla das castas nativas. “Os cortes fazem vinhos muito bons”, diz o experiente Mario Neves, diretor comercial da Aliança – Vinhos de Portugal. Mas arrisco a dizer que o DNA de um vinho português se expressa – e aqui entra a influência do solo e do clima de cada região – mesmo nas garrafas elaboradas de uvas de castas internacionais, como por exemplo o suculento Syrah, do Alentejano Cortes de Cima, criação do enólogo dinamarquês Hans Kristian Jorgensen, ou o Quinta do Bacalhoa, um Cabernet Sauvignon da região de Setúbal, conhecido rótulo dos brasileiros. Acho que existe uma certa adaptação da uvas internacionais ao sotaque do solo português, só pode ser isso.

Navegar é preciso!

De carro é possível, no mesmo dia, almoçar com os delicados vinhos na região do Dão e jantar junto aos mais belos vinhedos do mundo, na  região do Douro. Ou então iniciar o dia com os refrescantes e leves vinhos verdes brancos e finalizar com o Porto provado no final da tarde às margens do Rio Douro, em uma das diversas casas tradicionais do ramo. As distâncias curtas às vezes são dificultadas por caminhos mais sinuosos, que por exemplo serpenteiam os terraços do Douro, patrimônio da humanidade. Não é uma estrada para amadores e não é incomum se perder, mas o cenário é tão esplendoroso que é um se perder para se achar. Afinal, como ensina um poeta da terra, Fernando Pessoa: “Se achar que precisa voltar, volte!/ Se perceber que precisa seguir, siga!/ Se estiver tudo errado, comece novamente! / Se estiver tudo certo, continue.”

lisboa

Degustar vinhos tendo Lisboa a seus pés. A vida tem seu momentos…

Mas a viagem por Portugal pode ser feita também de dentro de um restaurante, aí na sua cidade, ou mesmo num restaurante em Lisboa, às margens do Tejo ou próximo do tradicional e boêmio bairro do Chiado. A minha jornada começou assim, e em duas refeições, antes mesmo de sair em périplo pelos vinhedos, um panorama de Portugal já se descortinava. Alguns destaques:

  • Vinhos provados no Restaurante Vítor Claro – no Hotel Solar das Palmeiras

VINHO VERDE

Alvarinho- JRamos

João Portugal Ramos Alvarinho 2014

Uva: 100% Alvarinho

Um bom começo para conhecer o branco Alvarinho com 20% do mosto  fermentado em madeira, que dá mais intensidade. Ataque floral e cítrico. Acidez na medida certa.

 

DOURO

Duorum

Duorum Reserva Vinhas Velhas 2012

João Portugal Ramos

Uvas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão

Um douro tinto por excelência, de solo de xistoso. Passa até 18 meses em barrica novas e antigas. Uma combinação das uvas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão, consegue equilibrar corpo com acidez e aporta uma fruta madura e suculenta. Como o nome indica, as uvas são proveniente de vinhas velhas, de mais de 100 anos, de uma parte mais quente do Douro. Em tempo, os primeiros exemplares do Duorum tinham uma carga mais potente e uma madeira um pouco excessiva que parece foi sendo equilibrada com o passar das safras.

ALENTEJO

Marques de Borba

Marques de Borba Reserva 2012

João Portugal Ramos

Uvas: Aragonez, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet

Um vinho que representa os tintos do Alentejo, mais potentes, mais quentes (alcoólicos), com muita concentração de fruta e aveludado na boca.  Um chocolate  aparece no final da taça. Vinho mais masculino, se é que existe isso, deve ganhar mais complexidade com o tempo. 14,5% de álcool! Como eu escrevi é Alentejo na veia!

  • Vinhos provados na feira Encontro de Vinhos, em Lisboa

ALENTEJO

Verdelho

Paulo Laureano Genus Generationes Maria Teresa Laureano Verdelho 2014

Uva: 100% Verdelho

Paulo Laureano

Os tintos e brancos de Paulo Laureano são conhecidos por aqui. São quase um sinônimo de vinho alentejano no Brasil. Esta leitura da uva branca verdelho para o solo do Alentejo resulta num vinho afiado, uma acidez marcante,  no fio da navalha, mineral, refrescante, diferente. Um vinho para quem aprecia riscos.

LISBOA -BUCELAS

Moragdo

Morgado de Santa Catherina – reserva 2013

Uva: 100% Arinto

Aqui a casta branca Arinto mostra seu valor quando fermentado em barricas de carvalho. De cor dourada, longo, uma fruta mais doce e madura, muito intenso e volumoso e uma acidez que equilibra o jogo.

AÇORES

frei

Frei Gigante – Garrafeira 2011

Denominação de Origem Pico

Uvas: Arinto dos Açores, Verdelho e Terrantez do Pico

Já bebeu um vinho da pequena região de Açores? Eu nunca tinha provado. Deste rótulo aqui provavelmente não provarei mais. Foram produzidas apenas 600 garrafas deste topo de linha, chamado de Garrafeira, que trago aqui mais como exemplo de diversidade em solo português. Também não sabia que seus vinhedos são declarados Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Vivendo, provando e aprendendo. Este belo vinho branco é longo, volumoso, bastante aromático e tem um toque salgado (é, existem vinhos com este finalzinho salgado). Uma surpresa de solo vulcânico que passa um pouco da  natureza para o copo

DÃO

kemper

Curiosity 2012

Julia Kemper Wines

Uvas: Alfrocheiro e Touriga Nacional

Os vinhos orgânicos de Julia Kemper são bem-feitos e têm aquele traço terroso comum desta turma “odara”. Tem um perfil franco, de fruta expressiva e gostosa e algo floral nos aromas. A combinação Alfrocheiro e Touriga Nacional pode mudar de acordo com a safra. O detalhe curioso é o marciano que dá um alô no rótulo, explicando o nome Curiosity, do robô que explorou marte no ano de lançamento deste rótulo.

  • Vinhos provados no restaurante Tágide, em Lisboa

BAIRRADA

abibes

Quinta dos Abibes 2012 – Sublime

Uva: Arinto

As 2050 garrafas deste elegante branco foram vinificadas em barricas de carvalho francês e marcam bastante o vinho. Um bom exemplar para quem aprecia brancos de um Arinto influenciados por madeira. Vai bem com um peixe mais gorduroso.

DÃO

uinta do Lemos

Quinta de Lemos – Touriga Nacional 2009

Uva: Touriga Nacional

O Dão foi uma região que conquistou com a qualidade dos vinhos, o que será relatado em próximos posts desta viagem. Aqui a Touriga Nacional em carreira solo proporciona um tinto de boa textura, intensos frutos negros, sedoso na boca. Tem um toque terroso também que agrada.

PORTO

IMG_0366Barros Porto Colheita 1980

Barros, Almeida & Cª – vinhos, S.A.

Uma das mais antigas marcas do Porto, fundada em 1913. Um Porto pode iniciar ou terminar uma refeição. Neste caso ele fechou com chave de ouro. Não é comum em viagem enológicas as garrafas serem esvaziadas.  Há exceções. A excelência deste Porto Colheita (isto é, de uma única safra, no caso 1980, 25 anos passados), com um cor aloirada semelhante aos tawnys de mais idade e aromas de frutas secas, caramelo, creme brûllée, profundidade e elegância em boca nos obrigou esticar a noite e pedir uma tábua de queijos para continuar saboreando este néctar sob uma Lisboa que dormia a nossos pés.

Nota: a viagem a Portugal foi patrocinada pela ViniPortugal, organização que representa o setor vitivinícola português e promove os vinhos de Portugal.

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domingo, 1 de novembro de 2015 Degustação, Velho Mundo | 07:04

50 grandes vinhos de Portugal e algumas escolhas pessoais

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Douro: além de produzir vinhos fantásticos, é lindo de doer

No segundo semestre de 2013, a Vinhos de Portugal – associação que cuida da imagem do vinho português – promoveu no Brasil a segunda versão do evento “50 Grandes Vinhos de Portugal”.  Para esta tarefa convocou o único master of wines do Brasil, Dirceu Vianna Júnior, que mora e trabalha em Londres. Dirceu teve a árdua missão de selecionar entre 500 rótulos portugueses os 50 mais representativos do país. Não é fácil, mas ele traçou um critério que estabeleceu uma linha de corte. “Eu fiz a seleção baseada no gosto do brasileiro e pensando no consumidor”, explica Dirceu. “Mas o ponto principal foi a abrangência e diversidade – há vinhos para todos os bolsos e todos os gostos”. De fato, entre 50 vinhos selecionados há desde rótulos de 26 reais, Aliança Bairrada Reserva, 2001, até um Porto Colheita Burmester, 1963, por 919 reais. “Escolher só vinhos caros seria fácil, mas eu não acho que é preciso pagar uma fortuna sempre que se quer provar um bom vinho”, defende Dirceu.

Você pode achar que é uma jogada de marketing. E é. O objetivo final sempre é vender mais vinho, aumentar o tamanho do mercado. A Vinhos de Portugal  afinal promove os vinhos, ó pá! Mas uma lista destas, preparada com profissionalismo e lisura por um especialista da envergadura de Dirceu Vianna, é no mínimo um bom começo para enfrentar a variedade de rótulos à disposição. Para os conhecedores trata-se de um bom comparativo com suas preferências pessoais, para os iniciantes é uma oportunidade de orientação para aquele momento em que você se vê diante da prateleira real ou virtual de rótulos e precisa escolher uma garrafa para chamar de sua. Talvez falte o vinho do seu coração, aquele do dia-a-dia, mas uma lista deste tipo nunca é uma seleção definitiva.

Na seleção predominam os vinhos do Douro (19 amostras), seguidos dos brancos da região de Vinho Verde (10 rótulos), Alentejo (9 amostras) e Dão (5 garrafas). As demais regiões são representadas com 1 vinho do Dão, 1 de Lisboa, 1 Tejo, 1 Madeira e 2 da Bairrada. Atenção: a ordem numérica é  apenas uma sequência que inicia nos brancos, passa pelos tintos e finaliza com os fortificados. Este colunista não teve nem o tempo nem tem a mesma capacidade do Dirceu Vianna, mas dos vinhos provados resolvi selecionar os meus prediletos (17), que levam o selo  ViG (Vinho Indicado pelo Gerosa). O que não diminui a qualidade de todos os demais, é claro. Como esta semana (novembro de 2015) recebi um convite da ViniPortugal para conhecer de perto a casa desses vinhos, resolvi repassar os olhos nesta lista.

Importante: os preços são de 2013. Em novembro de 2015 as garrafas estão alguns “Dilmas” mais caros.

BRANCOS

1. Covela Escolha Branco, 2012

Produtor: Lima Smith

Região: Vinho Verde

Uvas: avesso e chardonnay

Importador: Magnum Importadora

R$ 145,00

2. Quinta da Levada, 2012

Produtor: Quinta da Levada Sociedade Agrícola

Região: Vinho Verde

Uva: azal

Sem importador

3. Soalheiro, 2012

Produtor: Quinta do Soalheiro

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Mistral

R$ 95,00

4. Quinta de Gomariz Grande Escolha, 2012

Produtor: Quinta de Gomariz

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho, loureiro e trajadura

Importador: Decanter

R$ 80,00

5. Casa da Senra, 2012

Produtor: Abrigueiros – Produções Agrícolas e Turismo

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Sem importador

6. Tapada dos Monges, 2012

Produtor: Manoel da Costa Carvalho Lima & Filhos

Região: Vinho Verde

Uvas: loureiro, arinto e trajadura

Importadores: Garrafeira Real e Fadaleal Supermercados

7. Muros Antigos, 2012

Produtor: Alselmo Mendes Vinhos

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Importador: Decanter

R$ 50,00

8. Portal do Fidalgo, 2011

Produtor: Provam

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Casa Flora Ltda

R$ 54,00

9. Muros de Melgaço, 2011

Produtor: Anselmo Mendes Vinhos

Região: Vinho Verde

Uva: alvarinho

Importador: Decanter

R$ 140,00

10. Royal Palmeira, 2009

Produtor: Ideal Drinks

Região: Vinho Verde

Uva: loureiro

Importador: Idealdrinks & Gourmet

R$ 140,00

11. Quinta da Fonte do Ouro Encruzado, 2011

Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas

Região: Dão

Uva: encruzado

Importador: Adega dos 3

R$ 80,00

12. Morgado de Santa Catherina, 2010

Produtor: Companhia das Quintas Vinhos

Região: Lisboa

Uva: arinto

Importador: Wine .com

R$ 90,00

13. Redoma Reserva, 2011

Produtor: Niepoort (vinhos)

Região: Douro

Uva: rabigatto, codega, donzelinho e arinto

Importador: Mistral

R$ 218,00

14. Conceito Branco, 2010

Produtor: Conceito Vinhos

Região: Douro

Uva: (mistura de vinhas velhas)

Importador: Épice

R$ 180,00

TINTOS

15. Cortes de Cima Trincadeira, 2011

Produtor: Cortes de Cima

Região: Alentejo

Uva: trincadeira

Importador: Adega Alentejana

R$ 152,00

16. Terra D’Alter Touriga Nacional, 2010

Produtor: Terra D’Alter Companhia de Vinhos

Região: Alentejo

Uva: touriga nacional

Importador: Obra Prima Importadora

R$ 50,00

17. Herdade da Pimenta Grande Escolha, 2010

Produtor: Logowines

Região: Alentejo

Uvas: syrah, touriga nacional e touriga franca

Importador: RJU Comércio e Beneficiamento de Frutas e Verduras

R$ 180,00

18. Tinto da Talha Grande Escolha, 2009

Produtor: Roquevale

Região: Alentejo

Uva: syrah, alicante bouschet e touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

R$ 56,00

19. Canto X, 2009

Produtor: Herdade da Madeira Velha

Região: Alentejo

Uvas: alicante bouschet e touriga nacional

Sem importador

20. Cartuxa, 2009

Produtor: Cartuxa – Fundacão Eugénio de Almeida

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, trincadeira e alicante bouschet

Importador: Adega Alentejana

R$ 135,00

21. Cortes de Cima Reserva, 2009

Produtor: Cortes de Cima

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, syrah, petit verdot e touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

R$ 477,00

22. Dona Maria Reserva, 2008

Produtor: Julio Bastos – Dona Maria

Região: Alentejo

Uvas:, alicante bouschet, petit verdot e syrah

Importador: Decanter Vinhos

R$ 179,00

23. Conde D’Ervideira Private Selection Tinto, 2008

Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola

Região: Alentejo

Uvas: aragonez, trincadeira e Alicante bouschet

Importador: Intercom Comércio Internacional

R$ 150,00

24. Aliança Bairrada Reserva, 2011

Produtor: Aliança Vinhos de Portugal

Região: Bairrada

Uvas: touriga nacional, baga e tinta roriz

Sem importador

R$ 26,00

25. Vinha Pan, 2009

Produtor: Luís Pato

Região: Bairrada

Uva: baga

Importador: Mistral

R$ 218,00

26. Marquesa de Alorna Reserva, 2009

Produtor: Quinta da Alorna Vinhos

Região: Tejo

Uvas (não divulgado)

Importador: Adega Alentejana

R$ 165,00

27. Julia Kemper, 2009

Produtor: Cesce Agrícola

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, tinta roriz, alfrocheiro e jaen

Importador: Gracciano Com. Imp. Exp. Bebidas

R$ 85,00

28. Quinta Fonte do Ouro Touriga Nacional, 2009

Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas

Região: Dão

Uva: toruiga nacional

Importador: Adega dos 3

R$ 160,00

29. Casa da Passarela Vinhas Velhas, 2009

Produtor: O Abrigo da Passarela

Região: Dão

Uvas: castas autóctones

Importador: Vinica

R$ 139,00

30. Quinta do Serrado Reserva, 2009

Produtor: Sociedade Agrícola Castro Pena Alba – FTP Vinhos

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, alfrocheiro e jaen

Sem importador

31. Quinta do Perdigão Touriga-Nacional, 2008

Produtor: Quinta do Perdigão

Região: Dão

Uva: touriga nacional

Importador: Mistral

R$ 229,00

32. Quinta da Bica Reserva, 2005

Produtor: Quinta da Bica Sociedade Agrícola

Região: Dão

Uvas: touriga nacional, alfrocheiro, tinta roriz e jaen

Importador: Gianno Import

R$ 87,00

33. Quinta do Vallado Reserva Field Blend Douro Tinto, 2011

Produtor; Quinta do Vallado Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas de 100 anos e touriga nacional

Importador: Cantu

R$ 185,00

34. Quinta da Casa Amarela Grande Reserva, 2011

Produtor: Laura Valente Regueiro

Região: Douro

Uvas: touriga franca, tinta roriz e touriga nacional

Importador: Winemundi

R$ 440,00

35. Casa Ferreirinha Callabriga, 2010

Produtor: Sogrape Vinhos

Região: Douro

Uvas: toruiga franca, touriga nacional e tinta roriz

Importador: Zahil

36. Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas, 2010

Produtor: Quinta do Crasto

Região: Douro

Uvas: 25 a 30 uvas diferentes de vinhas velhas

Importador: Qualimpor

R$ 160,00

37. Pintas, 2010

Produtor: Wine & Soul

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas

Importador: Adega Alentejana

R$ 439,00

38. Poeira, 2010

Produtor: Jorge Moreira Produção e Comercialização de Vinhos

Região: Douro

Uvas: vinhas velhas

Importador: Mistral

R$ 258,00

39. Batuta, 2010

Produtor: Nieepoort (Vinhos)

Região: Douro

Uvas: touriga franca, tinta roriz, rufete, malvazia entre outras

Importador: Mistral

R$ 428,00

40. Passadouro Touriga Nacional, 2010

Produtor: Quinta do Passadouro Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uva: touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

R$ 214,00

41. Quinta do Pessegueiro, 2010

Produtor: Quinta do Pessegueiro Sociedade Agrícola

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca, vinhas velhas e roriz

Importador: World Wine

R$ 155,00

42. CV-Curriculum Vitae, 2010

Produtor: Lemos & Van Zeller

Região: Douro

Uvas: variadas

Importador: World Wine

R$ 282,00

43. Quinta de la Rosa Reserva, 2009

Produtor: Quinta da Rosa Vinhos

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca e tinta roriz

Importador: Ravin

R$ 288,00

44. Chryseia, 2009

Produtor: Symington Family Estates Vinhos

Região: Douro

Uvas: touriga nacional e touriga franca

Importador: Mistral

R$ 412,00

45. Quinta do Noval Touriga Nacional, 2009

Produtor: Quinta do Noval

Região: Douro

Uvas: touriga nacional

Importador: Adega Alentejana

R$ 367,00

46. Quinta do Portal Auru, 2009

Produtor: Quinta do Portal

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca e tinta roriz

Importador: Wine & Roses / Chaves & Oliveira

R$ 649,00

FORTIFICADOS

47. Bacalhôa Moscatel Roxo, 2001

Produtor: Bacalhôa Vinhos de Portugal

Região: Península de Setúbal

Uva: muscatel roxo

Importador: Portus Cale Exp. Imp.

R$ 173,00

48. Justino’s Madeira Colheita, 1995

Produtor: Justino’s Madeira Wines

Região: Madeira

Uva: tinta negra

Importador: Porto a Porto / Casa Flora

R$ 170,00

49. Graham’s Tawny 30 anos

Produtor: Symigton Family Estates

Região: Douro

Uvas: touriga nacional, touriga franca, tinta barroca, tinta roriz e tinta cão

Importador: Mistral

R$ 639,00

50. Burmester Porto Colheita, 1963

Produtor: Sogevinus Fine Wines

Região: Douro

Uvas: tradicionais do Douro

Importador: Adega Alentejana

R$ 919,00

O vinho português em dois parágrafos

Portugal tem uma área de 92.090 quilômetros quadrados, menor que o estado de Santa Catarina, que tem 95 346. Neste pequeno pedaço de terra do outro lado do Atlântico há vinhedos em praticamente todas as regiões: são 14 indicações geográficos e 29 DOCs (denominação de origem controlada). Para completar a bênção divina o país exibe 250 castas autóctones, ou seja, uvas nativas de Portugal, o que faz toda a diferança no estilo e sabor único de seus vinhos. As mais representativas, para não cansar muito, são: alvarinho, encruzado, arinto, fernão pires (no time das brancas); baga, castelão, touriga franca, touriga nacional, tinta roriz e trincadeira (no grupo dos tintos).

Resumindo: Portugal é um imenso vinhedo: algo como 8% do território é coberto por vinhedos em regiões como Lisboa, Bairrada, Dão, Vinho Verde, Porto e Douro, Alentejo e Madeira, para ficar naquelas mais próximas aos ouvidos e paladares dos consumidores brasileiros. Estima-se que serão produzidos cerca de 6,7 milhões de hectolitros de vinho em Portugal em 2013. E o Brasil é um mercado importante para escoar esta produção toda. Na lista dos maiores exportadores para o Brasil, Portugal só fica atrás dos onipresentes Chile e Argentina, com 13,21% em valor e de 12,56% em volume. Num país menor que a maioria dos estados brasileiros o vinho é superlativo.

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 Blog do vinho, Novo Mundo, Sem categoria, Velho Mundo | 13:34

Chile domina de vez o mercado de vinhos importados no Brasil. Conheça o ranking.

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Sabe aquela história de crise no mercado de vinhos que a gente escuta todos os anos? Pois é, no mundo do espumantes nacionais todas as maiores empresas revelaram crescimento em 2014 (ver post Espumantes brasileiros: preferência nacional e consumo no final do ano). O mundo dos importados, “mesmo com todo o emblema, todo o problema, todo o sistema”, vai levando os números para cima. O crescimento em relação a 2013 foi de 12,5%. É isso que mostram os números consolidados de importação de vinhos de 2014 preparado semestralmente pelo consultor Adão Morellatto.

Em um país com déficit de dados, este levantamento realizado por Morellatto é um trabalho importante que mostra como está o mercado de vinhos importados no Brasil.  Morellato explica: “Em valor estamos próximo de um montante de USD 325.000.000,00 e algo como 9.000 conteiners de 1.000 CX/12; somente por estes números dá-se para imaginar o tamanho, complexidade, versatilidade, dinâmica e valores que envolve este setor. Levantando os dados de 2007 x 2014, a performance foi 93,45% ou uma média ponderada de 13,35% anual. Poucos e segmentados produtos cresceram nesta proporção. E ainda há o fator cambial, que em 2014 aumentou em quase 15%.”  Resultado nada mal em um país que teve um crescimento perto de zero em 2014. 

Para o consumidor, estes números apenas planilham uma constatação que pode ser verificada nas prateleiras dos supermercados, nos sites de e-commerce e cartas de vinho dos restaurantes. A maioria de rótulos é de vinhos chilenos, argentinos, portugueses, franceses e italianos. Além dos brasileiros que não entram, evidentemente, nesta análise de importados.

O Chile está perto de abranger 50% do mercado de vinho fino.

Abaixo um resumo das principais informações e dados consolidados pela análise de Adão Morellato

1º. CHILE:  Existe uma grande possibilidade de o Chile em breve dominar 50% do mercado brasileiro de vinhos finos. Se considerar somente o tipo vinho fino, ele representa quase 46,40% em valor, porém no consolidado, retrai-se um pouco para 35,30% em valor e 44,39% em volume. Seu preço médio está 25% mais econômico que os vinhos argentinos.  O crescimento em 2014 foi de 25,59% alavancado principalmente pela estratégica das grandes empresas chilenas em priorizar os 5 mercados chaves: USA, Reino Unido, China, Japão e Brasil

2º. ARGENTINA: Contrariando os prognósticos locais, apresentou um crescimento de 9,52% e sua participação caiu um pouco, hoje estabelece-se nos patamares de 17% de volume e valor. (para se ter uma ideia em julho de 2013 os vinhos argentinos detinham 21,09% em valor e de 20,21% em volume). As razões? As políticas econômicas do atual governo. Enquanto Chile manteve seu preço médio em USD 3,20 p/ litro, na Argentina houve um aumento de 3,08%, chegando a USD 4,01 p/ litro

3º. FRANÇA: A França apresenta-se em terceiro lugar neste ranking devido ao valor de seus produtos atingirem quase 15% de participação, mesmo com um índice em volume de apenas 5,85%. Isso se explica pelo preço médio de USD 10,30 p/ litro, influenciado pelo alto valor agregado do champagne, que sozinho representa 37,82% de toda exportação francesa.

4º. PORTUGAL: Por uma pequena diferença com a França, Portugal passa para a quarta posição. Participa com quase 12% de Share, com crescimento de 4,50% e preços médio de USD 3,88 p/ litro

5º. ITÁLIA: Em 2014 cresceu 3,97%, com participação bem próxima de Portugal, exatos 11,13% em valor e de 11,68% em volume. Já não há tanta influência do vinho tipo Lambrusco que chegou a representar quase 50% de todo o volume de vinhos deste país há alguns anos. O Vinho Prosecco representa 12,34% de market share no seu montante total.

 

6º. ESPANHA: De 2007 há 2014 a Espanha vinha apresentando um crescimento a uma média de 31% ao ano. Em 2014, contrariando os anos anteriores, apresentou uma ligeira queda de quase -1%, só não caiu mais devido ao vinho (CAVA) ter crescido sua participação em 16,06%, representando 26,17% na totalidade.

7º. DEMAIS PAÍSES: Apresentam menos de 5% de participação, com destaque evolutivo para os países: Alemanha = 16,72%  / Africa do Sul =54,95% / USA = 47,90%, queda abrupta da Austrália em 69% e Uruguay que patina nos números idênticos ao ano de 2007.

Leia também: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Dados extraídos do Análise de Mercado de 2014 da análise de

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013 Novo Mundo, Tintos, Velho Mundo | 10:56

7 sugestões de vinhos tintos de 7 países diferentes para enfrentar uma falta de assunto

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Quando falta inspiração aos cronistas, o tema de suas colunas acaba sendo a própria falta de assunto. “A felicidade é uma suave falta de assunto”, exaltou Rubem Braga, um dos nossos maiores cronistas, no texto A boa manhã, em que narra o fragmento de uma manhã plena. “Chupo uma laranja, e isto me dá prazer. Estou contente. Estou contente da maneira mais simples – porque tomei banho e me sinto limpo, porque meus braços e pernas e pulmões funcionam bem; porque estou começando a ficar com fome e tenho comida quente para comer, água fresca para beber.” (leia a crônica na íntegra aqui).

Um colunista de vinhos quando está sem um tema preciso recorre às garrafas que tomou, afinal é parte de seu dia-a-dia, como o cotidiano descrito por Rubem Braga. Foi esta a ideia que me passou pela cabeça enquanto divagava sobre o que escrever e corria aleatoriamente com os dedos as fotos digitais do celular, e vi passando os rótulos que havia consumido recentemente. Fiquei surpreso com a quantidade de países que iam aparecendo na telinha. Esta é uma vantagem que temos no Brasil. É, o vinho é caro, tem os impostos e tudo mais. Mas ao contrário de grandes produtores de vinho, como Chile, França e Itália, onde a oferta é geralmente limitada ao vinho da região, no Brasil a globalização se manifesta na variedade de garrafas de todo o mundo disponíveis.

Um passeio por um corredor de bebidas de supermercado é uma espécie de ONU do vinho. Os catálogos das grandes importadoras é organizado por países para comportar a enorme variedade de regiões e rótulos de língua estrangeira. Os bancos de dados virtuais, as páginas web de vinho e as redes sociais sobre o tema são uma Babel dos fermentados. É a variedade de terrenos, climas, uvas e produtores que fazem a beleza do vinho e a multiplicidade de estilos. Tem gente que acha complicado – e é. Tem gente que se apaixona pela bebida exatamente pelo leque de opções disponível. As duas constatações são verdadeiras, mas não são excludentes.

Por isso mesmo, voltando ao parágrafo inicial, impulsionado pelos instantâneos dos rótulos arquivados no meu celular revolvi fazer uma seleção globalizada de sete vinhos de sete países diferentes como tema da coluna. E para comprovar a tese da variedade, cada qual tem sua pegada, estilo e preço. Afinal, o mundo do vinho é vinho de todo o mundo. Talvez algum te agrade – ou desperte a curiosidade em prová-lo. Talvez te desagrade, e o campo de comentários é o espaço para criticar a escolha, e propor a sua própria lista. Como diria Rubem Braga “Nenhuma tristeza do mundo nem de meu passado me pega neste momento”.

7 vinhos de 7 países

Brasil – Tuiity

Salton Intenso Merlot

Produtor: Salton

R$ 31,00

A recém-lançada linha Salton Intenso (Malbec/Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Merlot/Tannat, Sauvignon Blanc/Viognier) veio substituir nas gôndolas, para o consumidor final, a Linha Volpi – aquela das bandeirinhas. Na minha opinião, a troca foi para melhor. O Volpi, correto na sua faixa de preço, tinha uma certa atração excessiva pela madeira, que encobria a fruta. A mudança deve ter suas razões mercadológicas e industriais, mas o importante para nós é que trouxe um frescor adicional à linha da Salton. O merlot da linha Intenso é o meu destaque entre seus pares. Macio, uma boa fruta, agradável, fácil de beber. E acessível. Como dizem os brasileiros um “best buy”.

Leia mais: Como escolher o vinho certo para o seu pai

Argentina – Mendoza

Terrazas Reserva Malbec 2011

Produtor: Terrazas de los Andes

R$ 65,00 – Importador: Moët Hennessy do Brasil

É sempre bom retornar a um mesmo vinho várias vezes e confirmar sua constância. O Terrazas está presente nos supermercados, cartas de restaurantes e lojas de vinho. Um blockbuster, mas nem por isso sem qualidades. Quem costuma beber vinho já provou. Este malbec de altitude (1100 metros sobre o nível do mar) é elaborado há 22 anos em terrenos selecionados para extrair o melhor desta uva que virou símbolo de vinho argentino. 2011 foi um ano quente e gerou este malbec de cor escura, aromas iniciais de flores e depois um pouco de coco e um cafezinho se esquecido na taça bastante tempo. Concentrado, bem estruturado, maduro, carnudo com um fruto negro. É um clássico argentino, daqueles que “não tem erro”. Provei outro dia com um steak tartar e mandou bem.

Chile

Antiguas Reservas Cabernet Sauvignon 2010

Produtor: Cousiño Macul

R$ 50,00 – Importador: Santar

Uma vinícola que pertence à mesma família desde 1856 é um espanto. É tão próxima de Santiago que é possível chegar lá de metrô. A Cousiño Macul está na sua sexta geração no comando dos tintos e brancos e mantém uma certa tradição no estilo. O Brasil é seu mercado número 1 de exportação. Tenho de confessar que tenho uma ligação emocional com a vinícola. Foi servido um vinho da Cousiño Macul no meu casamento, que assim como os bons fermentados só melhora com o tempo (leu essa, meu amor?). O Antiguas Reservas existe há mais de 80 anos, sempre de uma seleção dos melhores vinhedos da Cousiño. O que me agrada neste vinho de preço muito razoável é seu estilo clássico, uma mistura de europeu com novo mundo, sem exibicionismos ou madeira excessiva, na medida para revelar sua fruta, os aromas de cerejas e aquele sutil toque de especiarias. Carlos Cousiño, um dos irmãos que toca o negócio, tem formação de filósofo, atua na área da educação, e defende a manutenção do estilo de seus vinhos. Bom papo, além dos bons vinhos me apresentou um clássico poeta chileno: Vicente Huidobro.

Leia mais: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

EUA – Napa Valley

Robert Mondavi Private Selection Cabernet Sauvignon 2001

Produtor: Robert Mondavi/Constellation Brands

R$ 69,00 – Importador: Interfood

A influência de Robert Parker, dos pontos da Wine Spectator e outras czares do vinho criou em certo ambiente refratário ao paladar americano, que estaria mais próximo de um vinho muito alcóolico, doce e potente, com muita madeira. É uma generalização tola. Os Estados Unidos são um mercado enorme, e produzem vinhos finos, elegantes, da mesma maneira que cometem aqueles caldos para quem aprecia mastigar uma madeira e mascar um chiclete em forma de vinho. Robert Mondavi tem uma importância seminal para a vinicultura americana, com ramificações em outras partes do mundo. Hoje em dia a empresa não é mais da família, mas mantém vivo o espírito do autor. Este Private Selection Cabernet Sauvignon é uma linha intermediária, muito correta. O caldo é fermentado tanto em toneis de inox como barricas de carvalho e matura mais 17 meses em carvalho francês (curioso, não?), apenas 15% novos. Além do cabernet sauvignon, entram na mistura 12% de merlot, 4% de cabernet franc e 1% de syrah (não me perguntem a diferença que faz este 1% de syrah…). É um vinho macio, com boa fruta, amplo, gostoso de beber, um toque herbáceo e o tostado da barrica aparece como virtude e não como defeito. Para quem tem curiosidade de provar um Zinfandel, na mesma linha e preço há um Private Selection bastante agradável, frutado e fácil de beber.

Portugal – Alentejo

Chaminé Tinto 2011

Produtor: Cortes de Cima

R$ 70,00 – Importador: Adega Alentejana

O que acontece quando se juntam um dinamarquês, uma americana e um vinhedo no Alentejo? Um bom vinho com uma boa história, ora pois. A adega Cortes de Cima, do casal Hans Kristian Jorgensen (enólogo e viticultor) e Carrie Jorgensen (relações públicas e marketing), produz vinhos de primeira linha no Alentejo, sendo que o topo de linha entrega a origem do enólogo, chama-se Hans Christian Andersen, um 100% syrah. Mas o vinho em foco aqui é outro, é de sua linha mais básica, mas nem por isso menos suculento e perfumado. Trata-se do Chaminé, uma mistura de 50% aragonez, 23% de syrah, 19% de touriga nacional, 4% de alicante bouschet, 2% de cabernet sauvignon e 2% de petit verdot, uma assemblage mezo uvas nativas/mezo internacionais da sempre quente região do Alentejo. O aroma de frutas vermelhas é muito perceptível e agradável, a boca é macia e também frutada. É um vinho jovem, com espírito idem e para ser bebido logo. Agrada fácil e costuma aparecer por aí em ofertas de supermercados.

Leia mais Quinze sugestões para aproveitar melhor o vinho

África do Sul – Stellenbosch & Elgin

Pinot Noir 2011 Reserve

Produtor: The Winery of Good Hope

R$ 78,00 – Importador: Qual Vinho?

O crítico de vinhos John Platter, autor de um guia de vinhos da África do Sul com seu nome (Platter’s South Africn Wines), já me disse em uma entrevista há muitos anos que a pinotage –a uva nativa de lá – não é o melhor daquele país, se bem que me garantem que houve uma bela evolução. Ele indicava outras tintas, como syrah, merlot e a pinot noir. Aqui temos um bom exemplo de um vinho de preço interessante e bastante tipicidade. The Winery of Good Hope atua há 15 anos na região montanhosa de Stellenbosch, e foca sua produção na branca chenin blanc e na tinta pinot noir. São adeptos de uma viticultura mais natural e de mínima interferência na vinificação. Foi a primeira vez que provei o vinho e me conquistou pela pureza, leveza e frutado gostoso, um toque terroso sutil. Li no site da empresa que é elaborado com uvas da variedade pinot noir de dois terrenos diversos: uma região mais quente de montanha e outra próxima de influências de brisas marítimas. Daí deve vir o frescor e a mineralidade que fazem deste vinho novo (é de 2011) uma agradável descoberta.

França – Borgonha

Gevrey-Chambertin 1er Cru Les Cazetiers 2009

Produtor: Louis Jadot

R$ 754,00 (U$ 238,50) – Importador: Mistral

Se você engasgou no preço e pensou “tá de brincadeira, né?” deixa-me explicar. Trata-se de uma joia rara da vinicultura. São apenas 5 barris produzidos por ano. A Borgonha não é para iniciantes, muito menos para quem procura custo benefício. A Borgonha é para quem procura pérolas nos vinhedos, e busca mais que um vinho, uma espécie de elixir da elegância. Este exemplar de Loius Jadot – que tem uma ampla linha de borgonhas, dos mais básicos aos mais inebriantes – vem de vinhedos da própria Domaine (outros rótulos da casa são de uvas compradas). A filosofia de Louis Jadot é deixar o vinho se revelar naturalmente; o estilo é sempre o resultado do lugar. Trata-se de um Pinot Noir em caixa alta e baixa. Um vinho para se conectar com a terra. Rico em aromas de frutas maduras, fino no aroma de rosas, elegante na boca, profundo no final. Os goles provocam uma ampla salivação, que revela a acidez presente. É uma experiência espetacular. Mais uns anos na garrafa deve trazer outros prazeres.

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sexta-feira, 19 de julho de 2013 Blog do vinho | 12:47

Chile e Argentina dominam o mercado de importação de vinhos no Brasil

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Quais os vinhos mais importados no Brasil? Esta é meio fácil. Se você cravou Chile acertou em cheio. Se apostou na Argentina, não ficou longe. Nem é preciso ser especialista no assunto para chegar a esta conclusão. Basta percorrer os corredores dos supermercados e medir o tamanho das prateleiras de vinhos destes dois países para encontrar a resposta. Ou ler o título desta coluna… Mas o que talvez você não conheça são os números. Vamos a eles então.

Chile e Argentina juntos são responsáveis por 63,29% em volume de vinhos que entram no país. Só o Chile contribuiu com 43,08% nesta conta, restando 20,21% em volume para a Argentina. A conta em valor é um pouco diferente, os dois países juntos são responsáveis por 57,65% do bolo, mas o Chile continua na liderança (36,56%), seguido de Argentina (21,09%). Quatro países do chamado velho mundo – Portugal, Itália, França e Espanha – completam a lista.

Claro que há todo um contexto em torno destes números. Mas o maior deles é o mais óbvio: preço. As isenções de impostos do Mercosul, a alta do dólar e do euro (que deixam o vinho do velho mundo mais caro ainda), a proximidade destes dois países com o Brasil tornam o valor das garrafas sul-americanas mais palatáveis.

Quem mostra – e analisa – estes dados é o empresário e consultor internacional Adão Morellatto. Há doze anos, Morellato reúne dados oficiais da Receita Federal, do Banco Central e do Ministério do Desenvolvimento (MDIC) e comparando os números do semestre monta um relatório que distribui para a imprensa especializada e serve como uma radiografia do mercado importador de vinho. Na sua conta é analisado apenas o segmento de vinhos chamados tranquilos, não computando os vinhos tipos Fortificados, Champagne e Espumantes. A partir de janeiro de 2014, porém, serão incorporados à conta, tornando-a mais objetiva e acurada ainda.

Um trabalho que começou por necessidade – Morellatto tem uma empresa de representação comercial -, acabou virando uma referência no mercado. Para Morellatto o levantamento “tem um contexto mais analítico, identificando as causas, consequências, características e perspectivas, sobre meu prisma de visibilidade”. E acrescenta: “Os números em si, não têm a finalidade conclusiva de atribuir bonança ou incredibilidade e sim, uma descrição do momento vivenciado.” .

Os seis maiores países importadores de vinho no Brasil. E o resto.

O relatório e avaliação do semestre de Adão Morellato segue abaixo na íntegra

1º. CHILE: Como já comentei há algumas semanas atrás com alguns jornalistas deste meio, segue forte e firme na dianteira, mantendo sua estratégia de oferecer neste momento vinhos mais econômicos que os da Argentina, em média 23% mais baixos, atraentemente necessário e eficaz neste tempos de volatilidade cambial. Neste semestre analisado, representa 36,56% em valor e 43,08% em volume. Porém apresenta uma ligeira queda de -1,60% em comparação com o primeiro semestre de 2012.

Leia mais: Chadwick, o chileno que desafia (e ganha) dos franceses

Leia Mais: Vinhateiros independentes do Chile: pequenas vinícolas, grandes vinhos

2º. ARGENTINA: Como não poderia ser diferente, idêntico ao Chile, que goza de benefícios aduaneiros de isenção de impostos, por acordos bilaterais (MERCOSUL), estabelece-se neste ranking com 21,09% em valor e de 20,21% em volume.

Leia mais: A Argentina não é só malbec, mas é malbec também

3º. PORTUGAL: Como aqui não são computados os vinhos listados acima [fortificados], aparece nesta posição, 13,21% em valor e de 12,56% em volume, preocupantemente mostra uma queda de -8,13% em valor e de -16,45% em volume, apresentou um índice de valoração cambial dos vinhos em de 4,48%.

Leia também: Bacalhau e vinho: tinto ou branco

4º. ITÁLIA: A Itália, na linha de combate direto com Portugal, apresenta um leve crescimento de 1,77%, contudo uma queda de -16,45% em volume, evidenciado pelo aumento médio de 18,50% dos produtos. Aqui uma pequena pausa, atente-se para este ano, verificarem uma tendência de queda participativa de vinhos tipo Lambrusco, iniciando seu declínio, não por consumo aqui propriamente dito, que ainda tem uma gama considerável de consumidores, mas sim pelos custos de produção na origem e regras mais severas e punitivas dos Consorzios, não serem mais tão competitivos como no passado recente. Participa com 11,02% em valor e de 12,06% em volume.

5º. FRANÇA: O gigante vinícola resolveu por aqui mostrar toda sua capacidade enológica. Contrariando os demais, apresenta um crescimento de 11,41% em valor e de 4,50% em volume. Ainda engatinha para chegar aos 10% de share, mas observando que obteve um aumento de 6,60% no custo médio, podemos imaginar perfeitamente que há aqui consumidores dispostos a pagar algo mais por um produto de melhor qualidade. Sua contribuição é de 8,26% em valor e de 3,85% em volume.

6º. ESPANHA: A fúria não levou o taça, ainda somos os melhores, ao menos até a COPA de 2014, salvo alguns percalços, ainda temos a magia, o encanto e a alegria de jogar futebol. Mas como aqui o assunto é vinhos, vamos ao que interessa. Como em anos anteriores, impulsionado por sua vastidão produtiva e variadas denominações que atuam de maneira independente e sistematicamente apostando no mercado brasileiro, colhe os frutos aqui plantados há quase 6 anos. Em um período que os índices apresentados mostraram baixa performance, neste semestre, aqui chegaram apresentando crescimento de 4,60% em valor e de uma pequena queda de -0,50% em volume. Tem 5,00% de share value e de 3,71% de share marketing. Como já informado em artigos anteriores, vieram para ficar.

7º. DEMAIS PAÍSES: Nenhuma consideração mais aprofundada, na média apresentaram queda de -16,64% em valor e de -13,43% em volume, contribuem com 4,87% em valor e 4,54% em volume.

Leia mais: 10 dicas de como escolher e comprar o seu vinho

Os números em si, não apresentaram queda abrupta, em média uma queda de apenas -1,40% em Share Value e de -4,15% de Share Marketing, que se o câmbio manter-se neste patamar e a cadeia distributiva conseguir no 2º semestre escoar, é possível ainda encerrarmos 2013 com uma leve positividade, mais adiante verificaremos como se manterá esta tendência.

ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

INTERNATIONAL CONSULTING

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quarta-feira, 27 de março de 2013 Harmonização | 09:10

Bacalhau e vinho: tinto ou branco?

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“Vocês querem bacalhau?”
Bordão do apresentador Abelardo Barbosa, o Chacrinha

Provavelmente você vai encarar um bacalhau nesta sexta-feira santa. E o vinho? Já escolheu? Está em dúvida entre um branco e um tinto?

Saiba que você não está sozinho. Muito gente fica em dúvida sobre qual o vinho que combina com este peixe, que nem parece peixe, pois é um pescado com estrutura mais firme e sabor persistente.

Nem todo bacalhau é igual também. Eles variam de tipo e nível de qualidade: do Cod Gadus Morhua, o mais nobre, ao Gadus macrocephalus, o tipo mais simples. Saiba mais na reportagem “Quinze respostas sobre o bacalhau”

E assim como nunca se vê cabeça de bacalhau, também nunca se chegou a um consenso sobre a combinação ideal entre o pescado e o fruto da videira fermentado.

O escritor português Eça de Queiroz (1845-1900), que entendia da alma lusitana e também se interessava por sua culinária, não tinha dúvidas. “Em Portugal é tradicional acompanhar os pratos de bacalhau com vinho tinto. Este ‘casamento’ feliz explica-se pela ação do tipo de sabores frutados presentes nos vinhos tintos que, dando-nos uma sensação gustativa indireta da doçura, amenizam o gosto ‘oposto’ salgado do bacalhau”, escreve.

De fato, em Portugal é a harmonização mais comum. Os introdutores da bacalhoada na colônia apostam nos tintos com boa estrutura, que dá robustez ao caldo, mas de taninos mais leves e boa acidez para cortar a gordura do azeite, sempre presente nas receitas.

Outros (como eu) preferem brancos mais  encorpados, com passagem em barricas de carvalho, mais maduros, com aquela untuosidade que combina bem com o forte sabor do bacalhau: um não passa em cima do outro. O saudoso critico Saul Galvão era assertivo: “Com um boa posta de bacalhau, preparada com simplicidade para ressaltar o seu sabor, não tenho dúvidas de que um branco encorpado é ótima opção.”

Quem está com a razão? Ambos, eu arriscaria.

Aí está, pois, a boa notícia. Há brancos e tintos que escoltam bem as receitas da bacalhoada, um prato que entrou no cardápio do brasileiro: a semana santa é só uma desculpa a mais para saboreá-lo.

Bacalhau ao forno

Bacalhau ao forno: brancos com madeira e tintos equilibrados

As versões mais consumidas são a clássica ao forno (veja receita), com lascas ou postas grelhadas enriquecidas com tomates, batatas, pimentão, azeitonas, ovos e regado no azeite – aqui não tem erro as escolhas de  brancos encorpados, com estágio em madeira ou tintos de boa fruta e estrutura.

Bacalhau a Bráz

Bacalhau a Bráz, vinhos brancos verdes com madeira

As receitas com consistência mais cremosa, como o bacalhau com natas, bacalhau a Bráz (veja receita), ou brandade de bacalhau pedem um branco mais fresco, como os vinhos verdes da uva alvarinho, de preferência aqueles com passagem em madeira.

Bolinho de bacalhau

Bolinho de bacalhau: para a entrada um espumante vai bem

A versão do bacalhau com broa tostada e uma entrada de bolinho de bacalhau (veja receita) permite uma inovada com espumantes portugueses e espanhois.

Eu costumo iniciar os trabalhos com um belo branco lusitano, das castas arinto e antão vaz, ou ainda com toques de chardonnay –  os brancos amadeirados chilenos, argentinos e nacionais também seguram a onda. Em seguida, desarrolho um tinto também português, agora sem madeira excessiva, mas com muita fruta, equilíbrio e acidez. Evite os tintos muito fortes, que podem passar por cima do prato.

Abaixo, algumas possibilidades  portuguesas e nacionais

Espumantes

Espumante Filipa Pato Bical Arinto 3B 

Espumante Caves São João Bruto

Espumante Vertice

Freixenet Reserva Real

Murganheira Reserva Bruto Branco 1995

 

Brancos (vinhos verdes)

Quinta dos Loridos Alvarinho 2008 

Alvarinho Deu La Deu 2012 

Paço de Teixeiró 2010

Muros de Melgaço 2008  


Brancos

Paulo Laureano Premium Branco 2011

Filipa Pato FP Branco 2009 

Dourum Colheita 

Esporão Reserva Branco 2011

Luis Pato vinhas velhas 2009

Pêra Manca Branco 2010

 

Tintos

Paulo Laureano Clássico Tinto

Marquês de Borba Tinto

Saes tinto 2010 (Quinta da Pellada)

Cabriz Reserva, Dão, 2008 

Quinta do Vallado

Vertente Tinto Niepoort 2009

Quinta dos Murças Reserva 2008

Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2011

 

BRASIL

Brancos

Aurora Pinto Bandeira Chardonnay 2011 – Aurora

Salton Virtude Chardonnay 2011 Salton

Chardonnay Gran Reserva 2011 – Casa Valduga

Villa Francioni Chardonnay – Lote II – Villa Francioni

Da’divas Chardonnay 2012 – Lídio Carraro

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quarta-feira, 2 de março de 2011 Harmonização | 19:31

Como combinar vinho e comida – e quando quebrar as regras

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Harmonizar  vinho e comida é simples no atacado e complicado no varejo. A regrinha básica desta difícil – e prazerosa – arte impõe: carnes vermelhas com tintos e peixes com brancos.

Fácil? Engano. Aí entram outros ingredientes, texturas e uma infinidade de variedades e sabores que complicam a combinação perfeita, isto é, aquela que maximiza o sabor do alimento e propõe uma parceria com o vinho. Para tentar ajudar aqueles que estão atrás da harmonização ideal são produzidas inúmeras e extensas listas que só confundem e atrapalham. Este Blog do Vinho prefere passar uma receita mais simples, mesmo que redutora das possibilidades.

Harmonização por cor

Uma associação cromática por similaridade pode facilitar o entendimento da regra básica da combinação comida e vinho.

  • Vinhos brancos combinam com alimentos menos coloridos, como as carnes brancas de peixes, aves e frutos do mar, e pratos com molhos igualmente brancos
  • Vinhos tintos combinam com alimentos mais escuros, como carnes vermelhas, molhos de tomate, de tonalidades mais escuras e, claro, molhos feitos com o próprio vinho tinto.

Harmonização por peso

Outra boa linha de harmonização aconselha a harmonização pelo peso dos alimentos. Aqui vale a reprodução do trecho do livro Comida e Vinho, dos especialistas José Ivan Santos e José Maria Santana (a gente sempre deve recorrer aos mestres que já se debruçaram sobre o tema, em vez de reeditar o que já foi escrito, certo?)

“Alimentos e vinhos têm peso, e ele deve ser levado em conta na harmonização. Um vinho potente vai atropelar uma comida leve e o contrário também é verdadeiro. As proporções de um e outro devem ser parecidas. Sabores delicados pedem vinhos delicados. A gente sabe quase naturalmente o que é uma comida leve ou pesada.

  • Peixe grelhado ou um espaguete fininho com molho de manteiga de sálvia são pratos sutis, um convite para um branco leve.
  • Uma refeição à base de pão e queijos de massa mole está mais para peso médio, acolhendo bem um branco de corpo médio, como um chardonnay sem muita madeira ou tinto jovem, um pinot noir ou malbec.
  • Cordeiro, caça, carnes e massas com molhos copiosos e com queijos de pasta dura são comidas de sabor forte. De maior peso, que pedem um vinho à altura, com um musculoso cabernet sauvignon, um barolo, um tannat ou um shiraz australiano potente.”

Quebrando regras

Mas as regras só existem para serem quebradas, não é mesmo? Você tem de agir conforme as circunstâncias. Em uma festa não cabe buscar a combinação perfeita, em um restaurante, quando um casal se divide entre um peixe e um cordeiro ou alguém sai perdendo ou ambos cedem – e se escolhe um tinto ou branco de corpo médio. Mas perder também pode significar arriscar. E tirar proveito da situação.

E branco com carne vermelha, pode?

Cheguei em casa e tinha um delicioso alvarinho aberto, Reguengo de Melgaço 2007 – um branco saboroso da uva de mesmo nome, da região do vinho verde, no Minho, noroeste de Portugal. Há vinhos verdes mais rústicos e populares, daqueles com elevada acidez e um toque frisante, há outros com mais equilíbrio, fruta presente, uma boca mais ampla e bastante aromático e gastronômico, como este rótulo que tinha desarrolhado ou os soberbos vinhos de Anselmo Mendes, um craque do alvarinho (na Espanha conhecido como albarinho).

Na mesa uma delicioso prato preparado pela minha mulher: pinóia, uma receita passada por uma amiga querida. Trata-se de um rocambole de carne temperado e recheado de presunto, queijo e uma pitada secreta. Sem molhos para acompanhar.  Acompanhou arroz e maionese. Ou seja, comida daquelas que se tem em casa, e não no restaurante.

O que eu fiz? Aproveitei o alvarinho aberto, despejei na taça e fui sorvendo aos goles antes da refeição. Boca amaciada continuei com os goles do branco português entre uma bocada e outra do rocambole e seus acompanhamentos. Harmonizou? Desceu que foi uma beleza, não brigou com a comida, o rocambole era leve, a maionese refrescava o palato e o vinho verde limpava a boca e agüentava o tranco com uma boa estrutura. Um tinto era a melhor saída? Sem sombra de duvidas, mas o objetivo aqui era experimentar – e aproveitar o vinho aberto.

Lição da noite: nada é tão rígido que não deva ser desafiado no mundo do vinho. Quem faz as regras é o seu paladar. Quando o resultado é positivo, é puro prazer.  O preço do erro é quebrar a cara, e passar a considerar o copo de água a combinação mais interessante. Audácias eventuais na harmonização merecem o aplauso, mas convém não exagerar e cair no mau gosto que pode render algumas vaias. Dos especialistas e do seu amigo enófilo? Não, essas não importam.  Vaias do seu paladar mesmo, seu melhor crítico.

Participe: você já tentou alguma harmonização fora do padrão? Compartilhe com os leitores  na área de comentários sua experiência.

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010 Degustação | 11:15

Primum Familiae Vini: uma degustação para guardar na memória

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A caixa com onze joias liquidas da Primum Familae Vini. Sonho de uma tarde de primavera

Um vinho premium não é obra cartesiana, muito menos é um acaso da natureza: é o resultado da relação do homem com a agricultura e de sua capacidade de extrair das parreiras a melhor uva que ela pode produzir em um determinado terreno, sob um clima específico. A pinot noir na Borgonha, a riesling na Alsácia, a tempranillo na Ribera Del Duero, o trio cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc em Bordeaux são apenas alguns exemplos de uvas que encontraram o seu habitat após séculos de experimentação, observação e refinamento no processo de vinificação.

A tradição foi passada de pai para filho ao longo de séculos e grandes vinícolas ainda em atividade são consequência direta desta curadoria de famílias que dedicaram sua vida a esta atividade. O grupo Primum Familae Vini (PFV), formado oficialmente em 1993, é um resgate destes valores familiares em um mundo em que os negócios do vinho estão cada vez mais globalizados e concentrados nas mãos de grandes investidores. São onze famílias proprietárias de vinícolas consagradas internacionalmente, que ao mesmo tempo que promovem seus rótulos prestigiados pela crítica e adulados pelos conhecedores, levantam a bandeira da manutenção do controle familiar das empresas para as próximas gerações. Leia entrevista de Dominic Symington ao colunista de iG Luxo Mauro Marcelo, onde ele explica como funciona a PFV.

O time do momento teve os seguintes representantes: Hubert de Billy (Champagne Pol Roger); Laurent Drouphin (Maison Joseph Drouphin); Erienne Hugel  (Hugel & Fils, Perrin & Fils); François Perrin (Perrin & Fils,  Château Beaucastel); Albiera Antinori (Marchesi Antinori); Sebastiano Rosa (Tenuta San Guido);  Miguel Torres (Torres); Pablo Alvarez (Vega-Sicilia);  Philippe de Rothschild (Château Mouton Rotschild); Valeska Müller (Egon Muller-Scharzhof) e Dominic Symington (Symington Family States).  É o velho mundo em sua melhor composição – a família Robert Mondavi, responsável pela transformação do vinho americano, foi fundadora do grupo mas deixou a associação após ser vendida. “Nós somos os guardiões da tradição”, resume o italiano Sebastiano Rosa, presidente da PFV na gestão 2009/2010.

Este grupo de nobres representantes das vinhas se reúne anualmente para degustações ao redor do mundo onde juntam especialistas, jornalistas, enófilos e endinheirados em encontros que mesclam doses de hedonismo e benemerência. São Paulo foi escolhida para ser sede do encontro da PFV em 2010. O Blog do Vinho estava lá.

Meninos, eu vi! E bebi…

22 taças de puro hedonismo. Ao fundo Dominic Symington fala de seu Porto no evento da PFV

Um encontro desta magnitude – que reúne pilares como família e tradição – suscita tanto questões mais delicadas, como a discussão sobre a idade ideal em que as crianças devem começar a ter contato com o vinho (ver reportagem Do primeiro gole ao primeiro porre, de Luciano Suassuna), como também é capaz de demonstrar na prática a beleza da evolução dos vinhos de guarda, do leve peso dos anos na construção da complexidade de caldos brancos, tintos, doces e fortificados. Sim! Brancos também criam pérolas líquidas com a idade! Além das 11 amostras representativas de suas vinícolas – que estão distantes do nosso dia-a-dia – os produtores desfilaram sua tropa de elite aos pares, com safras mais recentes escoltadas por outras mais antigas. Era um dia para se acreditar na felicidade!

Se uma champagne Vintage (ou seja, safrada) Pol Roger 2000 já enchia a boca e preenchia a taça de aromas, a safra de 1990 abusava de finesse e toques de panificação. Um Beaune Clos dês Mouches Blanc 2002, de Joseph Drouphin, expunha ao vivo o poder dos grandes brancos de evoluir na garrafa e envolver o paladar em uma doçura branca untada de mel. Da Alsácia, a mineralidade e delicadeza do Riesling Jubilee 2007 contrastava com a leveza da safra 1998, muito fresca. O chateauneuf de Pape do Château de Beaucastel 2004 tinha um aroma animal e de terra característico de sua mescla de 13 diferentes tipos de uva.  O tinto da toscana Solaia 2001 era pura exuberância, já seu colega de Bolgheri, o Sassicaia  2000, era sedutor e tinha um curioso aroma tropical de caju e carambola.

Pausa para um gole de água

Os espanhóis mais antigos representados pela Torres Mas La Plana 2001 (talvez uns dos únicos vinhos mais viáveis de comprar e ter em casa) e Vega-Sicilia Único 1982 (este sem dúvida alguma fora de questão) eram profundos, densos e longos, principalmente o Vega com 18 anos de história na garrafa. Um Mouton Rothschild 2001 (me desculpem, mas neste post listar preços é um deserviço, vamos evitar…) ladeado por outro 1986 é um privilégio que permite comparar  aromas e sabores e comprovar a alquimia que ocorre dentro da garrafa nos grandes bordeaux com o passar dos anos. Fechando o ciclo, um doce e um fortificado. Um riesling de nome impronunciável, como de costume: Scharzhifberger Auselese Goldkpsel 1990, da Muller Scharzhof (Goldkpsel significa o melhor de cada ano…), uma estupenda cor dourada, uma concentração de açúcar apoiada por uma acidez persistente. E por fim um porto Graham’s 1980 Vintage com uma explosão de frutas maduras e concentradas, infinito – a tradução da excelência da ação do tempo no vinho!

Sobre o sublime e o que se tenta descrever

Um vinho premium não é obra cartesiana, muito menos é um acaso da natureza, como já se disse, mas em alguns casos guarda mais semelhanças com uma obra de arte do que com uma mercadoria produzida em série – o que de fato é. Assim como uma pintura ele pode suscitar diferentes interpretações, diversas sensações e atingir emocionalmente um indivíduo de muitas maneiras, Grandes vinhos são capazes ainda de atingir outras áreas sensoriais, olfativas e gustativas, que acionam o gatilho da memória e do prazer e podem marcar para sempre o simples ato de beber um tinto ou um branco. É como aquele ponto de um filme que te joga para dentro da história, aquele acorde que parece abduzir o espectador de um show de música para outra dimensão, o trecho do romance que te engole para dentro das páginas. Por isso o vinho é tão verborrágico entre aqueles que se emocionam com a bebida. Não basta senti-lo, é preciso traduzi-lo e compartilhar as impressões. E aí cada um tem seu repertório descritivo. Como definiu, em inglês, no encontro da PFV, o representante da Mouton Rothschild, Philippe de Rothschild, “Wine is about sharing emotions”.

Leia também

Unidos para fazer o melhor vinho
Como descrever um vinho?

Degustação Mas la Plana
Família Vega-Sicilia

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