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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013 Espumantes, Nacionais, ViG | 12:39

Espumantes nacionais para comemorar o fim de ano – parte II (método champenoise)

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abrechampenoise

Na segunda série sobre os espumantes nacionais para festejar o fim do ano, o Blog do Vinho destaca aqueles espumantes elaborados como os champanhes franceses. No primeiro post desta série, os destaques foram os espumantes nacionais elaborados pelo método charmat. Nesta coluna,  são os espumantes brasileiros elaborados pelo método tradicional, clássico ou champenoise – a segunda fermentação, aquela responsável pela mágica de produzir o gás carbônico, é realizada dentro da garrafa. A propósito, quer irritar um francês é só usar o termo champenoise para denominar o método em que a segunda fermentação dos espumantes é realizada na garrafa. Irritamos os franceses com o primeiro parágrafo, portanto. Como se sabe, o termo champagne é de uso exclusivo dos espumantes de excelente qualidade produzidos na região demarcada da França de mesmo nome.

Qual a diferença, afinal? Não é tudo vinho com borbulha? O bebedor ocasional de espumantes não está muito interessado em saber o processo de produção de um espumante, e sim em beber um bom vinho. Mas a diferença do método determina o estilo do espumante – muitas vezes seu preço e a qualidade. Se no charmat a segunda fermentação é feita em grandes cubas de aço inox, no método champenoise/tradicional a segunda fermentação é feita na própria garrafa, o que determina um maior e mais longo contato do vinho-base (a mistura original das uvas maceradas antes de ganhar o gás carbônico) com as leveduras e que confere, em geral, um vinho com borbulhas mais finas, uma espuma mais consistente e aromas de panificação, frutas secas e maior persistência em boca. Quanto maior o tempo de contato com as leveduras, mais complexidade e cremoso o espumante.

É um processo mais caro e manual que no final exige uma ginástica para a retirada das leveduras mortas. As garrafas são colocadas em cavaletes e giradas manualmente alguns graus por semana até chegar uma posição de 90 graus. O objetivo é concentrar o sedimento deixado pelas leveduras no gargalo para serem eliminadas antes de a garrafa ganhar a rolha definitiva e aprisionar os gás carbônico em seu interior. Este processo, conhecido pelo pomposo nome de remuage, pode soar algo bastante rudimentar, mas foi uma solução encontrada pela viúva Clicquot Ponsardin para aumentar a produtividade de seu champanhe em 1818 e que se mantém até hoje (em algumas vinícolas uma geringonça chamada gyropalletes faz esta movimentação automaticamente e num espaço de tempo menor).

O crítico inglês Hugh Johnson, em seu livro autobiográfico “A Life Uncorked”, algo como “Uma vida Desarrolhada” define o paladar de um bom champanhe  “como uma torta de maçã”. (O que em alguma medida também por ser aplicado ao espumante elaborado pelo método champenoise/tradicional). Johnson explica: “O doce aroma e o sabor das maçãs podem ser encontrados nos espumantes mais jovens, a parte da torta remete à segunda fermentação na garrafa, quando as leveduras acrescentam notas de panificação, ou pâtisseries, nas bebidas mais evoluídas – quanto mais evoluído o champanhe mais pâtisserie é encontrado”

(Nem tudo que borbulha é espumante. Entenda a diferença entre os vários tipos de vinho com bolinhas. Clique no link abaixo, está tudo explicadinho.)

Leia também: É dia de champanhe, bebê, tudo sobre espumantes, cavas e champanhes

Muitas vinícolas verde-amarelas reservam suas melhores uvas, e consequentemente o melhor vinho-base, para os rótulos elaborados pelo método tradicional. São garrafas de linha ou até produzidas apenas em edições especiais. Também custam mais caro que os espumantes elaborados pelo método charmat. Em alguns casos alcançam resultados muito bons, em outros tentam ser mais do que são e perdem em autenticidade e tipicidade para seus “primos-pobres”, que trazem maior frescor e vivacidade. Como já foi comentado na coluna sobre espumantes charmat, também é uma questão de estilo do produtor.

ViG (vinho indicado pelo Gerosa) para espumantes champenoise/tradicional

espumante-cavegeissenature

  • Cave Geisse Nature

Uvas: 70% chardonnay, 30% pinot noir

Produtor: Vinícola Geisse

Região: Pinto Bandeira, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 78,00

Site vinícola: www.cavegeisse.com.br

Você gosta de espumante seco, quase a ponto de trincar os dentes? Então você vai amar este Cave Geisse Nature, que é um espumante sem adição de açúcar (leia definição de classificação de açúcar em Curiosidade). Não é uma bebida fácil de ser produzida, mas aqui encontra o nível de excelência. Perlage intenso com bolhas pequenas e persistentes. Aromas tostados e frutas secas. Acidez equilibrada, para não deixar dúvida, bastante seco, o que amplia a harmonização com a comida. A Cave Geisse elabora grandes espumantes, no geral não tem erro. Basta escolher pelo estilo preferido e encher a taça.

 

Curiosidade: os espumantes podem ser classificados pelo teor de açúcar em

Nature (zero dosage): até 3 gramas por litro

Extrabrut: até 6 gramas por litro

Brut: menos de 15 gramas por litro

Sec: entre 17 e 35 gramas por litro

Demi-sec: entre 33 e 50 gramas por litro

Doux: acima de 50 gramas por litro

Sec, ao contrário do que parece, não é seco, mas levemente adocicado. Mais comum encontrar a expressão demi-sec. Doux dispensa explicações.

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  • Brut Adolfo Lona

Uvas: chardonnay e pinot noir

Produtor: Adolfo Lona

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.adolfolona.com.br

Este espumante da pequena adega artesanal comandada pelo argentino Adolfo Lona ficou mais de um ano em contato com as leveduras. O que lhe confere aqueles aromas e sabores mais intensos. Mais que isso, tem uma boca ampla. Um espumante tratado com respeito.

Dal Pizzol Quarenta Anos Nature

  • Dal Pizzol 40 anos

Uvas: chardonnay 25% e pinot noir 75%

Produtor: Dal Pizzol

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

Preço médio: R$ 130,00

Site vinícola: http://www.dalpizzol.com.br/

Para celebrar os 40 anos da vinícola familiar o enólogo Dirceu Scottá elaborou este Nature (sem dosagem de açúcar) de apenas 3.541 garrafas numeradas. Tem uma boa estrutura, e um tostado evidente, além de uma cremosidade resultado do seu tempo em contato com as leveduras (36 meses), que possibilitou também a dispensa do licor que acrescenta as várias dosagens de teor de açucar em um espumante (nature, brut, demi-sec, sec etc). Borbulhas finas e um frutado interessante e um rótulo bem estiloso completam a festa.

Espumante-Pizzato-Brut-Branco-Tradicional–DOVV

  •  Pizzato Brut Branco

Uvas: 85% chardonnay e 15% pinot noir

Produtor: Pizzato

Região: Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.pizzato.net

Os espumantes da Pizzato estão de rótulo novo. Amplo na boca, boa acidez, bom corpo, uma certa cremosidade, permanece em contato com as leveduras por 12 meses. Tem um final refrescante. Se você gosta do estilo Nature, também pode provar o zero dosagem de açúcar da Pizzato. Uma opção mais barata mas também com bastante frescor é o Fasuto Brut Branco.

elegance-champenoise-brut

 

  • Elegance Champenoise Brut

Uvas: chardonnay e pinot noir

Produtor: Peterlongo

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

R$ 60,00

Site vinícola: www.peterlongo.com.br/pt/

A Vinícola Peterlongo não é a maior nem a mais conhecida produtora de espumantes hoje em dia no Brasil, mas tem alguns marcos importantes em sua história: produziu o primeiro espumante  no Brasil (1915) e tem judicialmente o direito a usar o termo champagne em seus rótulos (taí outro que gosta de irritar os franceses). Acumula vários prêmios e esteve bem colocada em concursos como ExpoVinis 2011 e Concurso Playboy. Este espumante, ou champanhe brasileiro, se destaca pela coloração mais dourada e borbulhas finas e persistentes. Gostoso na boca.

Curiosidade: no século 19 o champagne era uma bebida com um teor de açúcar muito mais alto do que atualmente estamos acostumados. Era mais próximo de um licor com espuma, 250 a 300 gramas por litro! (um espumante demi-sec tem no máximo 50 gramas por litro). A responsável pela criação do espumante brut, mais seco, com menos açúcar, que estamos acostumados a beber, também é uma mulher: Madame Pommery, em 1874.

 

espumante-Miolo Millesime 2004 06 08

  • Miolo Millésime

Uvas: 50% pinot noir e 50% chardonnay

Produtor: Miolo

Região: Garibaldi, Vale dos Vinhedos, Rio Grande do Sul

R$ 81,00

Site vinícola: www.miolo.com.br

Está um espetáculo este Miolo Millésime. Há muito não provava este top espumante e me surpreendeu. Longo, cremoso, persistente, grande qualidade em boca, um tostado instigante. Desde a safra de 2009 é um espumante com a certificação de origem, com o selo de  produto da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos.

Espumante-Casa-de-Valduga-Reserva-Brut-750ml

  • Casa Valduga Reserva Espumante Brut

Uvas: 70% chardonnay, 30% pinot noir

Produtor: Casa Valduga

Região: Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul

R$ 63,00

Site vinícola: www.espumantesvalduga.com.br

A Casa Valguda só elabora espumantes pelo método champenoise/tradicional. Atualmente são dez rótulos. Desde o ícone da Casa, Maria Valduga, com 48 meses de contato com as leveduras, passando pelo excelente – e já recomendado neste blog -130 Brut, até a linha Arte. Este Casa Valduga Reserva só é elaborado em safras excelentes. Apresenta um agradável frescor em boca, uma boa persistência e aromas interessantes, com um toque picante. Apesar da excelência de linhas superiores, provei recentemente este Reserva e acho que é muito adequado para brindes de fim de ano e traz uma boa relação custo/qualidade.

 Curiosidade: os espumantes mais apreciados em festas, casamentos e confraternizações é o demi-sec. Agrada tanto os iniciantes no vinho, que sempre preferem uma bebida mais fácil e doce como aquele que já têm alguma experiência com espumantes. Mas no geral espantam os apreciadores de espumantes mais refinados e secos. Como o leitor pode reparar, não há qualquer indicação de espumante demi-sec nesta lista de dicas, o que revela o gosto do autor.

 

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  • Dunamis Brut

Uva: 100% chardonnay

Produtor: Dunamis

Região: Catiporã, Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul

R$ 56,00

Site vinícola: www.dunamisvinhos.com.br

Novidade do mundo dos espumantes. A garrafa é linda, o rótulo um show. Mas você não bebe a garrafa, não é? Mas uma boa apresentação é parte da diversão. Um dos objetivos do enólogo, Thiago Salvadori Peterle, era de produzir um espumante champenoise mais delicado e jovial. Está no caminho. Tem uma cor amarelo palha. Bela persistência de bolhinhas finas, aromas de maçã verde, e um bom final de boca, com bastante frescor e paladar cítrico que provoca um sorriso no gole final.

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  •  Don Giovanni Espumante Série ouro

Uvas: 60% chardonnay e 40% pinot noir

Produtor: Don Giovanni

Região: Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul.

R$ 90,00

Site vinícola: www.dongiovanni.com.br/inicial

A pequena produtora Don Giovani pode ser desconhecida para aqueles que vivem fora do eixo vitivinícola do Rio Grande Sul, mas tem uma tradição de mais de 40 anos – originalmente a empresa pertenceu à Dreher. Em visita à adega alguns anos atrás pude provar toda sua linha de espumantes. E todos têm uma expressão de grande volume em boca, uma preocupação com a cremosidade e a acidez e uma complexidade no paladar que tornam o vinho bastante gastronômico. Uma bela surpresa para quem tiver acesso a uma garrafa.

espumante-lirica

  • Lírica

Uvas: 75% chardonnay e 25% gouveio

Produtor: Vinícola Hermann

Região: Pinheiro Machado, Rio Grande do Sul

R$ 66,00

Site vinícola: www.vinicolahermann.com.br

Adolar Hermann é mais conhecido por sua importadora de vinhos, a Decanter. Mas mesmo tendo à disposição rótulos do mundo inteiro decidiu ter um vinho para chamar de seu. Tem uma linha de espumantes mais focado no mercado externo a Bossa (charmat), que tem um paladar mais ligeiro. O Lírica é uma boa estreia de Adolar no mundo das borbulhas. É um espumante que privilegia a fruta, a acidez e o equilíbrio.

  • Post atualizado em 22 de dezembro de 2014. Preços médios coletados em sites e lojas no mês de dezembro de 2014
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6 comentários | Comentar

  1. 16 Lele Sanzone 06/01/2016 20:17

    Olá Beto.

    Dentre os melhores bruts relação custo benefício nacionais, você sugere quais?

    Estou indo visitar o R.S. Marquei visitação na vinícola Geisse, mas pretendo visitar a loja Sommelier vinhos e comprar algumas marcas que nunca encontro em S.P., onde moro,
    Suas dicas de roses nacionais eu já anotei.

    Muito obrigada.

    Abraço e Parabens pela coluna.

    Lele Sanzone

    Responder
  2. 15 Renato 27/12/2014 18:04

    Vou deixar uma sugestão tb vinícola Jolimont em Canela -RS- fantástica gosto muito principalmente o moscatel deles muito bom nunca falta na minha casa , andando pelo vale dos vinhedos , conheci algumas vinícolas de familiar, que fazem seus vinhos de forma artesanal onde prefiro do essas Ex:Aurora,Casa Valduga etc, tem uma tb e a Maximun fica a dica.

    Responder
  3. 14 fernando 19/12/2013 18:44

    Esqueceu o” Sinfonia” da vinicola “Monte Agudo” de Sao Joaquim , SC. Se você não experimentou , não sabe oque está perdendo!
    Abraço , parabens pelo Blog , sempre dou uma pincelada nas suas dicas

    Responder
    • Beto Gerosa 27/12/2013 13:03

      Oi Fernando.
      Não conheço de fato. Vou atrás.
      Obrigado pela sua participação

      abs

  4. 13 José Maxwell de Albuquerque 16/12/2013 20:23

    Fiquei fã do espumante pela bem feita matéria, estou saindo agora indo na Vinhedos para comprar espumantes para o Natal e ano novo, obrigado pela aula….

    Responder
    • Beto Gerosa 17/12/2013 20:13

      Caro José Maxwell,
      Obrigado por sua participação. Volte sempre.
      abraços

  5. 12 Sidnei Ferreira 16/12/2013 18:59

    Nada melhor que um Cidra Cereser ou um Perlage…

    Responder
  6. 11 josé 16/12/2013 14:38

    PREFIRO CIDRA OU SEMELHANTE E DOCINHO

    Responder
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