Publicidade

terça-feira, 26 de junho de 2012 Velho Mundo | 12:01

E o Romanée-Conti foi parar na novela das 9

Compartilhe: Twitter

Não há rótulo mais cultuado, desejado e comentado – mas raramente provado – como o Romanée-Conti. Apontado pelos críticos e especialistas como a joia da coroa entre os tintos da Borgonha, ou mesmo entre todos os vinhos do mundo, o pinot noir plantado e vinificado na região de Vosné-Romanée, numa pequena parcela de 1,8 hectares e com preços que batem facilmente a casa dos dois dígitos, virou pop e tomou parte do enredo da novela das 9 Avenida Brasil, da TV Globo.

Avenida Brasil é uma novela que tem os melhores elementos de um folhetim. Carrega nas tintas nos conflitos entre seus personagens principais e sempre deixa margem para dúvida de suas reais intenções. O núcleo central é formado por moradores do subúrbio, no fictício bairro do Divino, que batalham pelo sustento ou até venceram na vida – seja pelo talento, seja pelo esforço ou mesmo  pela esperteza de se associar a quem chegou lá. O pequeno núcleo rico,  contraponto ao anterior, serve apenas de moldura para uma caricatura de um Don Juan casamenteiro e suas mulheres dondocas.

Max e um exemplar de Romanée-Conti: "Eu também tenho direito a um bom vinho"

O foco porém,  é a população do bairro do Divino, afastado da Zona Sul, e sua caricata descontração, de uma alegria histriônica e permanente que só se rivaliza com o barraco rápido que se forma entre os personagens em quase todo capítulo. No Divino, a dança é o Kuduro, o esporte, o futebol e a pelada – que fez a fortuna de Tufão, que sustenta a família que é o eixo principal da novela. A bebida, claro, é a cerveja, a breja, destampada em quase todo capítulo, sorvida no gargalo em casa ou nos bares da região.

No capítulo desta segunda-feira, dia 25, porém, o vinho virou protagonista de diversas cenas, mas como sempre irrompeu o enredo na sua forma caricata, como símbolo de soberba  e status de um personagem de poucos predicados: Max, o cunhado traíra de Tufão, e amante da mulher do ex-craque do Flamengo, um autêntico representante do gênero sanguessuga. É mau caráter, e está diminuído diante da amante e da falta de verba para se divertir. Resolve abrir um vinho e fumar um charuto.

Mas evidente que não se trata de um rótulo qualquer. “E um Romanée-Conti!”, exclama a cozinheira da casa, que morou na França e é mais refinada que todos os habitantes do palácio cafona que a turma habita  – trata-se de uma novela, é sempre bom ressaltar. “Este vinho é caríssimo”, aponta ela.

E como um exemplar de um Romanée-Conti vai parar na adega de um jogador de origem humilde do subúrbio? Presente de um xeque árabe. Pronto, está completa a caracterização. O vinho, sempre que entra na nossa ficção, serve como suporte do mau caratismo de um personagem, assim como caiu como uma luva para tipificar o enriquecimento ilícito e a soberba do senador Demóstenes.

Para evitar que personagem tão asqueroso como Max cometa este sacrilégio, sua mulher, também traída, intercepta a ação e resolve levá-lo para um restaurante bacana. Max, ainda imbuído no seu objetivo de se dar bem, e com um conhecimento invejável dos rótulos estrelados, escolhe um Mouton Rothschild 1996, rapidamente vetado por sua esposa-mala.

Max, no entanto, parece que tem uma ideia fixa. Larga a mulher no restaurante e se manda para um hotel de luxo e no conforto de sua suíte ordena um vinho. E não é que volta à cena a garrafa cenográfica do Romanée-Conti? E não apenas uma, mas duas ampolas deste borgonha mítico, com seu rótulo identificável a milhas de distância por qualquer enófilo digno do título. A conta fica cara, 20 mil reais, talvez até um bom preço para um rótulo deste nível num hotel de luxo, mas vá lá, está dado o recado. Claro que não soubemos a opinião de Max sobre o vinho, não há espaço ali para a fruição de um vinho de exceção. Ele é desarrolhado aos pares, e entornado aos borbotões, mas esta rebordosa é apenas sugerida pelas garrafas vazias. O Romanée-Conti chegou enfim à classe C pelas mãos da ficção. E o vinho, mais uma vez, entrou pela porta da frente e de nariz empinado, compondo um personagem vil.

Lula e o Romanée

Quando Lula comemorou sua primeira eleição com goles de Romanée-Conti, ofertados por seu guru de marketing de então, Duda Mendonça, a classe operária foi finalmente ao paraíso. Surgiu até um movimento  “romannecontiparatodos”, que defendia que o objetivo dos socialistas era tornar todos ricos, para que também pudessem beber o vinho. É divertido, mas impossível. Nunca haverá Romanée-Conti para todos. São produzidas somente só 5.500 garrafas por ano. E o preço, evidente, é a maior barreira.

Recentemente, no já histórico aperto de mãos com o antigo rival político Paulo Maluf, proprietário de uma das mais desejadas adegas do país, repletas de rótulos da Domaine de La Romanée-Conti, Lula cobrou: “Ô Maluf, quando é que você vai me convidar para beber um Romanée Conti?.”

Esta garrafa é de verdade

Conhece o Romanée? Um pouco da história, então

No século XVIII, o historiador da Borgonha Claude Courtépée escreveu: “Em Vosné-Romanée não existem vinhos comuns”. Em pleno século XXI, especialistas e enófilos de todas os cantos do mundo ainda compartilham da mesma opinião deste cronista sobre os tintos da Borgonha. Os vinhedos da Domaine de la Romanée-Conti – conhecida pela sigla DRC – representam, no entanto, um milagre deste abençoado trecho de terra. Para o escritor de vinhos inglês Hugh Johnson, por exemplo “faltam sinônimos para definir a intensidade e o poder” dos tintos engarrafados na propriedade. O poderoso, e controverso, crítico americano Robert Parker define a Domaine de la Romanée-Conti como a mais importante vinícola do planeta em seu livro “The World’s Greatest Wine Estates”, em que lista as 50 principais propriedades do mundo do vinho: “Não há pinot noir que chegue perto dos que são produzidas ali”, conclui

A opinião é compartilhada pelos críticos nacionais. Para o especialista da revista Gosto, Guilherme Rodrigues, nas melhores safras “não há vinho que se aproxime em termos de qualidade, intensidade de aromas, elegância, longevidade e paladar como os rótulos produzidos nos vinhedos da Domaine de la Romanée-Conti.”

Todos os vinhos grand crus da DRC são tratados com o mesmo cuidado. A produção é natural. Aubert de Villaine, sexta geração à frente dos vinhedos,  é adepto da prática orgânica desde 1986 e mais recentemente da biodinâmica, aquele método que rejeita o uso de defensivos químicos e acredita na influência dos astros sobre as vinhas e de outros preceitos que seguem uma orientação mais holística no vinhedo. A colheita é tardia, com o objetivo de obter a maturação perfeita das uvas, e extrair taninos de alta qualidade. Os cachos nem sempre são desengaçados, ou seja, os cabos não são retirados em toda colheita. A fermentação, com maceração, dura um mês, com temperatura controlada que jamais ultrapassa 33ºC. A bebida envelhece por no mínimo 18 meses em barris de carvalho francês novo. Os vinhos nunca são filtrados no engarrafamento. O resultado final é disputado por milionários de todo o mundo. Max, em Avenida Brasil, contribuiu com a cota nacional derrubando duas de suas garrafas de cenário.

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 3 de maio de 2012 Blog do vinho | 10:37

A CPI do Cheval Blanc de Demóstenes

Compartilhe: Twitter

Anton Ego: Cheval Blanc 1947 virtual

O que têm em comum o crítico gastronômico Anton Ego, personagem do desenho animado Ratatouille, e o senador sem partido por Goiás Demóstenes Torres? Ambos têm, além de gosto apurado por vinhos finos, uma certa queda pelo Château Cheval Blanc 1947, um dos melhores Bordeaux produzidos no planeta. O primeiro saboreou sua garrafa no restaurante Gusteau’s, cenário da animação da Pixar, e achou perfeita a combinação com a carne. O segundo não se sabe se chegou a desarrolhar suas garrafas do nobre tinto, mas quando o fizer com certeza deve fruir uma cachoeira de sensações. Isso se o caldo de St. Emilion não estiver bouchonné quando for aberto…

Os vinhos finos, raros e caros são um fetiche dos poderosos – mais ainda daqueles recém-alçados a esta posição. Por ser um símbolo de status de reconhecimento fácil, são também um fetiche da mídia quando acompanham personagens suspeitos do mundo dos negócios e das negociatas. É sopa no mel.

A estrela da vez é o Cheval Blanc 1947 encomendado pelo senador Demóstenes Torres ao contraventor e muy amigo Carlinhos Cachoeira.  Áudios da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, revelam que em agosto de 2011 o senador goiano encomendou ao assessor de Cachoeira,  Gleyb Ferreira da Cruz, cinco garrafas da preciosidade da região de St. Emilion: “Mete o pau aí. Para muitos é o melhor vinho do mundo, de todos os tempos. Passa o cartão do nosso amigo aí (Cachoeira), depois a gente vê”. Indignação, revolta,  o vinho entrou para o banco dos réus.

Demóstenes sabe das coisas. Para o critico Robert Parker a safra faz parte da “esplêndida trilogia de 1949, 1948, e 1947” dos rótulos produzidos pelo château de Bordeaux.  A barganha, realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos, saiu por 14.000 dólares. Uma rápida pesquisa no diretório de buscas Wine-Searcher aponta garrafas do Cheval Blanc 1947 desde 3.000 até 25.000 dólares!  Uma pechincha perto de uma garrafa de 6 litros, também chamada de imperial, de um Château Cheval Blanc 1947 encontrado em uma adega secreta de um grande colecionador, que foi leiloada por US$ 304.375 em 2010.

Políticos e vinhos

Vinho, política e poder caminham juntos desde sempre. Desde a Grécia antiga, passando pelo Império Romano até as recepções oficiais da ONU, da Casa Branca e do Itamaraty. Mas também frequentam os gabinetes de lobistas e dão uma mão de verniz nos brindes das negociatas de sempre. É famosíssima, por exemplo, a adega do deputado Paulo Maluf, com sua vasta coleção dos borgonhas da Domaine Romanée-Conti. Aubert De Villaine, seu produtor, declarou em entrevista a este blog sua surpresa após uma visita ao ex-prefeito de São Paulo, em 1995: “Maluf tinha algumas safras antigas que nem nós temos mais na nossa adega, na Domaine.” E perguntou: “O que aconteceu com o senhor Maluf? Ele foi preso, não?” Maluf foi preso e solto mas ainda permanece na lista dos mais procurados da Interpool por suposto desvio de US$ 11,6 milhões.  O vinho mais caro vendido na história, de alguma forma, também está ligado a um político. Uma garrafa de Lafitte (hoje conhecido como Château Lafite Rothschild), da safra de 1787 e pertencente à coleção do presidente americano Thomas Jefferson, foi arrematada por US$ 160 mil em 1985 pelo milionário Malcolm Forbes.

Demóstenes Torres: Cheval Blanc 47 de verdade

O senador Demóstenes e Carlinhos Cachoeira, revelam as escutas agora, eram bastante próximos e seus encontros eram regados a um bom tinto. O senador tem uma adega repleta de rótulos raros e exclusivos – é um apreciador da bebida, hábito que geralmente exige uma certa quilometragem de rótulos provados. A única vez que pude observar o senador de perto, em um restaurante de Brasília, ele saboreava um tinto italiano de bom pedigree que descansava em um decanter em sua mesa.

Demóstenes, o original grego, foi um politico de Atenas que se destacou pela oratória. Foi  condenado ao ser corrompido por um ministro de Alexandre e foi preso. Conseguiu escapar. Demóstenes, o homônimo goiano, também brilhou na tribuna do Congresso em Brasília e seu “discurso ético” encantou uma parcela da nação que se viu preplexa com as revelações dos áudios da Polícia Federal. O vinho caro, adquirido de maneira ilícita, foi a cereja no bolo. O problema, claro, não foi o vinho. É ético, e não etílico. E o Cheval Blanc entrou na dança.

CPI do Cheval Blanc

No intuito de colaborar com a CPI mista de Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o Blog do Vinho traz a ficha corrida do Cheval Blanc  1947 e algumas declarações de personalidades que mantiveram alguma intimidade com a garrafa.

Ficha

Nome: Château Cheval Blanc

Classificação: Premier Grand Cru Classé A

Proprietários: Bernard Arnault e Albert Fère

Endereço: Châteu Cheval Blanc, 33330, St.-Emilion, França

Telefone: 33 05 57 55 55 55

Email: contact@chateau-chevalblanc.com

Site oficial: www.chateau-chevalblanc-com

Vinhedos

Área: 91,4 acres

Uvas: 58% cabernet franc e 42% merlot

Média de idade das vinhas: 45 anos

Densidade da plantação: 8.000 vinhas por hectare

Vinificação

21 a 28 dias de fermentação e maceração em temperatura controlada em “barricas” de concreto e tanques de alumínio. Após a fermentação malolática, passa 18 meses de envelhecimento em barris novos. O afinamento é feito com claras de ovos e não passa por filtração

Produção

Produção anual: 100.000 garrafas

Preço médio, entre 125 e 500 dólares

Safras excepcionais recentes

2000 (100 pontos Parker), 1990 (100 pontos Parker)

REGIÃO – O Château Cheval Blanc está localizado na apelação de Saint-Émilion, em Bordeaux, França, na margem direita do rio Gironde. Saint-Émilion é conhecida como a pátria da uva merlot, mas na composição do Cheval Blanc é caracterizada por uma alta percentagem da  cabernet franc. A combinação de partes quase iguais das duas cepas tornam o vinho um experiência única.

CARACTERÍSTICAS – De cor rubi escuro, em suas melhores safras é opulento e frutado, corpo intenso, volumoso, e fácil de beber quando jovem. O bouquet é especial. Nas suas melhores safras o Cheval Blanc é ainda mais aromático que outros Médoc, como Chateau Margaux. Traços minerais, mentol, tabaco, especiarias exóticas, intenso, muita extração e frutas negras são características do vinho.

O que esperar da safra de 1947

(mesmo que você jamais chegue próxima de uma em sua vida)

O Château Cheval Blanc descreve a safra de 47 como um “feliz acidente da natureza. Seus extraordinários sabores são tão ricos e generosos que faltam palavras para descrever sua degustação. Frequentemente comparado a um Porto Vintage, é certamente um vinho poderoso. Sugestões da fruta cristalizada, geléia, café e as especiarias. Os taninos são incrivelmente suaves e o final é quase infinito.”

Para o britânico Michael Broadbent, Master of Wine e ex-responsável pelo departamento de vinho da casa de leilões Christie’s, o Cheval Blanc 1947 pode ser descrito pelo seu estilo que lembra um porto em sua concentração e doçura.

O critico Americano Robert Parker, que pontuou a safra de 1947 com a nota máxima de 100 pontos, descreve assim esta raridade: “O que eu posso dizer sobre este vinho que parece mais um Porto que um vinho seco de mesa? O Cheval Blanc 1947 mostra uma textura tão densa quanto um óleo de motor. O intenso nariz de bolo de frutas, chocolate, couro, café e especiarias asiáticas são inacreditáveis. A textura untuosa e a riqueza de frutas doces são incríveis… Perfeito, ou próximo da perfeição, toda vez que tive a oportunidade de prová-lo.

Autor: Tags: , ,

terça-feira, 17 de abril de 2012 Degustação | 07:56

Maratona de feiras de vinho de 2012 começa em abril

Compartilhe: Twitter

Para todos os gostos: vinhos de todos os países em quatro feiras

Nas últimas semanas o vinho saiu da garrafa e foi parar nos gabinetes de Brasília, nos corredores das associações e escorreu nas páginas dos portais, jornais e redes sociais por conta da eminente adoção da medida protecionista da Salvaguarda do Vinho Nacional. Esta semana o vinho volta para as taças dos consumidores, enófilos e negociantes do ramo com a abertura da temporada de feiras e encontros em São Paulo e no Brasil. O debate da salvaguarda provavelmente vai dominar as conversas entre os especialistas, mas pelo menos desta vez será acompanhado de um tinto, um branco ou um espumante – importado e nacional, a gosto do freguês, como deve ser.

Se você adora vinho, não perde uma oportunidade de provar novidades e quer checar safras recentes, guarde um espaço em sua agenda para visitar as feiras de vinho que invadem a cidade de São Paulo, Rio e Brasília  em abril e maio. São quatro eventos na sequência.

  • A World Wine Experience 2012, feira organizada pela importadora do mesmo nome que começa nesta terça (17) sua versão paulista e viaja para Rio e Brasília;
  • O Encontro De Vinhos Off, criado pelos especialistas e blogueiros Beto Duarte e Daniel Perches, exclusivo de São Paulo
  • A ExpoVinis Brasil 2012, o megaevento de vinhos que se encontra em sua 16a edição, que reúne o mundo do vinho brasileiro na capital paulista
  • O Interfood Todo Vino Wine Tour 2012, primeira feira organizada pela importadora Interfood, com versões paulistas e cariocas.

Em comum eles compartilham a proposta de que melhor do que conversar sobre vinho é conversar provando e conhecendo mais sobre a bebida.  E assim  tirar suas próprias conclusões.

Como são os eventos

No geral, eles seguem uma mesma fórmula. Funciona assim: sobre uma bancada ficam expostos os rótulos e os goles são servidos pelos produtores e representantes das vinícolas que ficam do outro lado com a garrafa em punho e um sorriso nos lábios. No geral mapas e folhetos ilustram a região, informam o visitante sobre a empresa e suas uvas. Os dublês de garçons transmitem com interesse qualquer informação sobre seu trabalho. Mas fica a dica: o sorriso nos lábios e atenção em tratar bem o visitante podem desaparecer quando você pula os vinhos mais básicos e vai direto no rótulo mais top – e caro – do produtor. Se as feiras têm uma etiqueta, esta é uma das regras básicas: prove um pouco de tudo. E ninguém vai ficar chateado se você cuspir um pouco do vinho nos baldes que estão lá para isso mesmo. O objetivo é experimentar, conhecer e saborear uma variedade maior de tintos, brancos, espumantes e fortificados de toda parte do mundo. E não ficar embriagado.

WORLD WINE EXPERIENCE 2012 – O nome é em inglês, mas a experiência é poliglota. Em sua oitava edição a importadora World Wine, que recentemente incorporou a loja e também importadora Enoteca Fasano ao seu portfólio, coloca cerca de 60 produtores de diversos países frente a frente aos consumidores. É uma oportunidade de provar diferentes sabores e conversar sobre os caldos com os próprios produtores, enólogos e representantes das vinícolas. A World Wine tem vinhos de todo o mundo, do novo e do velho, mas as garrafas da Itália e da França são um diferencial do catálogo da importadora comandada por Celso LaPastina.

A França apresenta suas armas com rótulos produzidos pela da Billecart-Salmon, Hugel & Fils, Família Perrin, Chateau Roubine, Domaine  Laroche, Domaines Devillard, Marcel Lapierre, e os Châteaux Le Puy, Bois Pertuis, Beychevelle, Penin, Carignan, d´Angludet, Barrail Du Blanc, de Sales, Canon, Rauzan-Ségia, La Louvière (Lurton), Marjosse, Doisy-Védrines e Castera. A Itália é representada pelas vinícolas de Feudi di San Gregorio, Zenato, Foradori, Castello Banfi, Tenuta Sette Ponti, Fattoria La Massa, Bava, Bruno Rocca, Travaglini, Donnafugata, Vini Farnese, Feudi de San Marzano, Poggiotondo, Icardi e Tua Rita.

SERVIÇO

World Wine Experience:

São Paulo – 17 de Abril
Casa Fasano (Rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr, 912 – Itaim Bibi)
Horário: das 15h30 às 21h00
Eventos especiais: Degustações temáticas paralelas
Ingresso: R$ 250,00 (com direito a buffet de massas e frios durante o evento)

Brasília – 18 de abril
Local: Hotel Naoum (SHS Qd. 05, Bloco H)
Horário: das 15h às 21h
Eventos especiais: Degustações temáticas paralelas
Ingresso: R$ 250,00

Rio de Janeiro 19 de abril
Local: Fogo de Chão (Av. Repórter Nestor Moreira, s/n – Botafogo)
Horário: das 15h às 21h
Eventos especiais: Degustações temáticas paralela
Ingresso: R$ 250,00

ENCONTRO DE VINHOS OFF– O nome já dá a dica de que se trata de um encontro um pouco mais informal, sem aquele exagero de expositores que muitas vezes deixam o participante perdido e as papilas gustativas exaustas. É o terceiro ano do encontro que se mantém fiel às origens de permitir uma troca maior entre os consumidores e os produtores e importadores que expõe seus rótulos. Segundo o publicitário e blogueiro Daniel Perches, um dos organizadores do evento,  ”O Encontro de Vinhos OFF preza pela qualidade dos expositores e pela experiência proporcionada aos visitantes de forma mais descontraída.” Quem for encher suas taças no Vinhos OFF vai deparar com importadores como Max Brands, Cantu, Brown-Forman e produtores nacionais como Vinícola Aurora, Miolo, Domno.

SERVIÇO

Encontro de Vinhos OFF
São Paulo – 23 de abril
Local: Bendita Hora Perdizes – Rua Wanderley, 795
Horário: das 12h as 22h
Ingressos: R$ 60,00

Estique o braço e garanta sua taça cheia

EXPOVINIS, 16a EDIÇÃO – Trata-se de uma megafeira de negócios do setor, mas que libera parte final de seu horário para o consumidor final. Nos dias e horários abertos aos consumidores, a disputa por um determinado rótulo é um tanto mais complicada. Exige do visitante o braço constantemente esticado com a taça em punho e uma certa dose de paciência. Mas vale a pena. O raciocínio é simples. Funciona como um rodízio de vinho. Por um preço único é possível conhecer e provar inúmeros rótulos, conversar pessoalmente com produtores e enólogos e ainda levar para casa algumas garrafas com algum desconto. Prepare o fígado. Além de incontáveis espaços dedicados  a importantes importadores (bom, não participam as maiores importadoras que têm eventos próprios como a Mistral, Vinci, World Wine e Decanter), as associações representantes de regiões produtores  como ViniPortugal, Wines of Chile e Wines of Argentina marcam presença neste labirinto de Baco. A produção nacional é representada tanto por grandes estandes das principais vinícolas verde-amarelas, como Miolo, Saltom e Valduga, como pelas principais associações do setor, como Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), Acavits (Associação Catarinense de Produtores de Vinhos Finos de Altitude). Salvaguardas à parte, é uma ótima oportunidade de provar inúmeros rótulo nacionais.

Além disso, durante os três dias da feira são promovidas diversas degustações premium (cobradas a parte e que necessitam reserva, veja abaixo). No dia 24, às 17 horas, os jurados do concurso Top Ten 2012 falam sobre os vencedores da degustação. Este que vos escreve faz parte do júri há mais de cinco edições. No mesmo dia, às 19h30, o enófilo e professor da ABS Mário Telles Junior discorre  sobre os “Novos Vinhos Premium de Portugal”. No dia 25, às 17 horas, o diretor da Revista de Vinhos, o português Luís Lopes volta ao tema e comanda a prova “Os 10 Vinhos Nacionais do Top Ten 2012”. Também no dia 25, às 19h30, o especialista Jorge Lucki conduz o a prova “A grande diversidade e qualidade do ‘novo Chile’.

Como o tamanho da ExpoVinis pode assustar o marinheiro de primeira viagem, recomenda-se utilizar do mapa do evento distribuído na entrada e fazer uma seleção prévia do que se pretende experimentar e conhecer. Deixe o carro em casa e vá de taxi.

SERVIÇO

ExpoVinis Brasil 201216ª Salão Internacional do Vinho
São Paulo – 24 a 26 de abril*
Local: Expo Center Norte – Pavilhão Azul – Vila Guilherme – São Paulo
Horário: das 13h às 21h para profissionais do setor nos dias 24 e 25 de abril, e das 13h às 20h no dia 26 de abril. Aberto ao consumidor final das 18h às 21h no dia 25 e das 17h às 20h no dia 26 de abril.
Ingressos (Consumidor Final): R$ 50,00 incluindo taça para degustação

*O primeiro dia de evento será reservado exclusivamente para profissionais do setor.
Informações e credenciamento visitantes: www.expovinis.com.br
e-mail: contato@expovinis.com.br ou na Exponor Brasil tel. (11) 3149.9444
Informações e reservas para as degustações pelo e-mail degustacoes@exponor.com.br ou no telefone (11) 3141-9444.

INTERFOOD TODO VINI WINE TOUR 2012 – Outra importadora, a Interfood Todo Vino,  entra no circuito das feiras de vinho e apresenta seu portfólio líquido reunindo mais de 40 produtores de todo o planeta, como França, Itália, Espanha, Portugal, Argentina, Chile, Uruguai, Austrália e África do Sul. Fazem parte da festa produtores conhecidos do público como o italiano Bolla, o português Aveleda, o chileno Santa Helena (que traz seu enólogo Matias Rivera) e os argentinos Trapiche e Navarro Correas. Marcas mais cultuadas como as italianas Elio Grasso (com a presença do enólogo Gianlucca Grasso), Rocche dei Manzoni (também com seu enólogo Giuseppe Albertino), a australiana Penfolds e o Porto Calém também carimbam seu passaporte.

SERVIÇO

Interfood Todo Vino Wine Tour 2012
São Paulo – 2 de Maio:
Local: Hotel Tivoli, Al. Santos, 1437 – Jardins
Horário: das 15:00 às 21:00
Ingressos: R$150,00*

Rio de Janeiro – 3 de Maio
Local: Clube Naval Piraquê, Av. Borges de Medeiros, 2364 – Lagoa
Horário: das 15:00 às 21:00
Ingressos: R$150,00*

ATENÇÃO: não serão vendidos ingressos nos locais do evento, somente através do telefone (11) 2602-7266.

Autor: Tags: ,

quinta-feira, 22 de março de 2012 Nacionais | 14:55

A salvaguarda azedou o mundo do vinho e deve aumentar o preço do importado. Saiba por quê

Compartilhe: Twitter

A diversidade de rótulos de todo o mundo está ameaçada pela salvaguarda do vinho nacional?

Antes mesmo de aprovada, a salvaguarda do vinho nacional já fez sua primeira vítima: o mundo do vinho brasileiro. Se antes os vinicultores nacionais, os importadores e os profissionais do ramo batalhavam  por um objetivo comum, a cultura do vinho e o crescimento do consumo da bebida, agora guerreiam em campos opostos nas redes sociais, na mídia e nos corredores do governo.

De um lado os produtores nacionais que lançam propostas protecionistas para poder “concorrer em igualdades de condições aos demais partícipes do mercado”; na outra trincheira importadores, profissionais do ramo e principalmente os críticos e especialistas, que estão se insurgindo contra medidas restritivas consideradas um tiro no pé do consumo da bebida – nacional e importada – no país.

Taninos agressivos

A polêmica já produziu casos lamentáveis e o surgimento de patrulhas ideológicas de Baco. Os nacionalistas defendendo o mercado para os rótulos nacionais e acusando críticos de favorecer as importadoras e os especialistas propondo um boicote ao vinho brasileiro. O jornalista e crítico Luiz Horta publicou em sua página no suplemento Paladar, no jornal O Estado de S. Paulo um texto sobre a qualidade do vinho produzido no Vale dos Vinhedos, coincidentemente na mesma semana que estourou a publicação da salvaguarda no Diário Oficial, e foi acusado de ter publicado matéria paga (a propósito, Horta  publicou um artigo contrário ao aumento de impostos). A sommelier Alexandra Corvo, contrária à salvaguarda, foi atacada em sua página do Facebook, com comentários agressivos aparentemente gerados por um perfil falso. Renomados especialistas, como o médico e vice-presidente da ABS (Associação Brasileira de Sommeliers), Mario Teles, que incentivou há vinte anos a qualificação do vinho fino no Brasil, decretou um possível boicote ao vinho nacional caso a medida seja aprovada. Outras seções da ABS espalhadas pelo país soltaram manifestos em desagravo às medidas. A chef Roberta Sudbrack, proprietária do restaurante homônimo, retirou de sua carta de vinho as vinícolas que apoiaram a salvaguarda, como Casa Valduga e Dal Pizzol. E publicou na sua página do Facebook. Também na rede social o colunista Didu Russo, que sempre se posiciona sobre assuntos relativos ao vinho, foi acusado de cobrar por notas. Por fim, blogs e páginas pessoais colocaram uma lente de aumento no tema, e um abaixo-assinado Não ao aumento do imposto de importação para vinhos circulou na rede.

Mas afinal do que se tratam estas medidas protecionistas? Qual o objetivo e as consequências da salvaguarda ao vinho nacional para o mercado e principalmente para o consumidor?

Três medidas protecionistas

Dilma Roussef: práticas comerciais “assimétricas e danosas”

Salvaguarda – A mais recente medida de proteção ao vinho fino nacional, publicada no Diário Oficial no último dia 15 de março estabelece a abertura de uma investigação para aplicação de salvaguarda às importações de vinhos do Brasil. A salvaguarda é um instrumento previsto pela legislação federal e reconhecido pela OMC que tem por objetivo proteger um setor que esteja sofrendo prejuízo ou ameaça grave de prejuízo decorrente do aumento das importações. O documento foi elaborado pela Secex, Secretaria do Comércio Exterior, ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (leia aqui na íntegra). Um detalhe curioso. Atualmente no Brasil apenas a salvaguarda do coco ralado (que encerra em 2012) está em atividade. O coco ralado, e o vinho nacional, “é coisa nossa…”

Se as medidas forem aplicadas – há um prazo de 40 dias de investigação estipulado pelo documento -, o vinho importado pode ser penalizado com um  aumento de taxas ou ter seu volume limitado nos próximos anos por uma política de cotas para cada país. A medida das cotas é mais ampla pois atinge em cheio os tintos e brancos do Chile, que devido ao benefício concedido por um acordo de complementação econômica teve suas taxas de importação reduzidas de 22,4% em 2006 a 0% em 2010. Vale observar que esta diminuição não foi refletida necessariamente na redução dos preços ao consumidor e alguém ficou com esse lucro adicional…

Tarifa Externa Comum  TEC – Mas esta não é a única barreira que os importados estão enfrentando este ano. As entidades que representam os produtores de vinho brasileiro também solicitaram a manutenção da Lista de Exceção à Tarifa Externa Comum  TEC/Mercosul, com um aumento nos porcentuais existentes. Champanhes, espumantes e vinhos fortificados que são taxados a 20%, passariam a pagar 35%. Vinhos finos que hoje já pagam um imposto de importação de parrudos 27% passariam para 55% (o máximo permitido pela OMC). Vale lembrar que o objeto da salvaguarda diz respeito apenas a vinhos finos, aqui o laço é mais amplo e se estende a espumantes e vinhos fortificados.

Alteração de rótulo – Para completar o quadro, também está em curso a exigência de adaptação dos rótulos das garrafas gringas a uma norma verde-amarela, com informações que não constam das etiquetas originais, como por exemplo a inscrição “vinho fino”. Levante a mão quem acreditar que vinhos mais qualificados e de baixa produção da Europa vão alterar seu rótulo apenas para satisfazer o mercado brasileiro…

A reação dos importadores e especialistas

Ciro Lilla, presidente das importadoras Mistral e Vinci

“O amante do vinho precisa reagir contra essa situação. Ou teremos todos que aceitar uma volta ao Brasil de 20 anos atrás, antes da abertura do mercado, com limitação da diversidade”, alerta Ciro Lilla, presidente das importadoras Mistral e Vinci.

Está previsto no processo de investigação “a oportunidade de apresentação de dados e argumentação não apenas aos representantes da indústria doméstica, mas também a outras partes interessadas (exportadores, importadores, etc.)”. Representando o lado dos importadores e comerciantes, três associações Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas), Abba (Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Bebidas e Alimento) e Abras (Associação Brasileira de Supermercados) se uniram para apresentar sua defesa e já constituíram advogados para defender a comercialização do vinho importado. “Mas temos apenas 40 dias corridos, a partir do dia 15 de março para apresentar nossos argumentos”, comenta Lilla, em nome destas três associações.

“Se a decisão for técnica, a salvaguarda não será implantada do jeito que está sendo pedida, mas receio que a decisão será política”, lamenta Jorge Lucki, um dos mais conhecidos e respeitados críticos de vinho do país e colunista do jornal Valor Econômico. Vale ressaltar que a salvaguarda contou com um discurso favorável da presidenta Dilma Roussef durante visita à Festa da Uva de Caxias do Sul, em fevereiro. Dilma prometeu tomar providências previstas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) contra práticas comerciais “assimétricas e danosas” à indústria nacional. Os produtores contam ainda com o apoio do  governador eleito pelo PT, Tarso Genro, do Rio Grande do Sul, que se empenha em convencer o governo a adotar as barreiras de olho no seu eleitorado, como adiantou nota do Poder Econômico de 7 de fevereiro.

Além das medidas legais, os importadores e comerciantes apostam na reação dos consumidores. Ciro Lilla puxa o cordão dos descontentes e além das conversas que mantém com os jornalistas, distribuiu uma carta aos seus clientes reclamando da “proteção sem limites ao vinho nacional” . Ao Blog do Vinho Lilla apontou problemas nos números apresentados na circular da salvaguarda. Cita como exemplo o aumento de 27% no total de importações de 2009 para 2010 uma das justificativas dos produtores e do governo para a adoção das medidas restritivas. “O que não se diz ali é que este crescimento se deu pela antecipação de importação no segundo semestre de 2010 por conta da adoção do selo fiscal em todas as garrafas de vinho fino comercializadas no Brasil.” Ou seja, foi uma reação a implementação da obrigatoriedade do selo (leia post sobre Selo do Vinho), outra briga encampada pelos produtores nacionais

Ciro Lilla também estranha que um setor, como o dos vinhos finos nacionais, que cresceu cerca de 7% em 2011, esteja pleiteando proteção. “Se forem adotadas salvaguardas para um setor que cresceu o triplo do PIB em 2011, que medidas de proteção se poderia esperar então para o restante da economia?”, provoca.

Quanto à modificação dos rótulos, outro profundo conhecedor de vinhos e do mercado, José Osvaldo Amarante, autor do livro Os Segredos do Vinho, garante que se trata de um “tiro no pé”. Os vinhos caros, que não são concorrentes do vinho nacional, vão sair do mercado dada a impossibilidade de alterar a impressão dos rótulos. Já os vinhos de grande volume – mais baratos, e portanto concorrentes dos vinhos nacionais – conseguem se adaptar as novas regras e não serão atingidos pela medida.

A redução da oferta onera não só o consumidor, que provavelmente vai buscar outros caminhos para conseguir sua garrafa, mas a própria cultura do vinho no país. Em recente entrevista à revista Gosto, Lucindo Copat,  diretor técnico e enólogo da vinícola gaúcha Salton, uma das empresas apoiadoras do instrumento da salvaguarda, demonstrou a influência dos importados para a melhoria do vinho nacional: “O vinho brasileiro atingiu o seu melhor nível de qualidade desde que se iniciou o desenvolvimento de produtos de classe. Isso se deve aos novos vinhedos e à tecnologia incorporada e também foi provocada pela concorrência com os bons vinhos importados”.

“Esta atitude vai impedir o desenvolvimento da nossa indústria do vinho a longo prazo”, alerta Dirceu Vianna Junior, o único brasileiro com o título de Master of Wine e que realizou uma ampla pesquisa de campo entre os produtores nacionais ” e foi responsável pela prova em Londres em que o merlot nacional foi destaque. “Apesar dos esforços de marketing para fazer o consumidor acreditar que os vinhos brasileiros são excelentes, eles não são. Melhorias estão sendo implementadas nos últimos anos, mas há muito trabalho ainda a ser realizado”, constata. “Tenho receio que estas barreiras desanimem os produtores de avançar nas melhorias necessárias.”

Para Dirceu estas barreiras vão diminuir o ritmo de evolução do mercado do vinho no Brasil e favorecer a indústria da cerveja, por exemplo, que tem uma legislação mais amigável. “O consumidor vai abandonar o vinho e partir para outro tipo de bebida”, adverte. “É uma ilusão achar que encarecendo o vinho importado o consumidor vai substituí-lo automaticamente pelo vinho nacional”, reforça Lilla.

A visão dos produtores

Carlos Raimundo Paviani, diretor-executivo do Ibravin,

Os produtores nacionais, representados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), pela União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), pela Federação das Cooperativas do Vinho (Fecovinho) e pelo Sindicato da Indústria do Vinho do Estado do Rio Grande do Sul (Sindivinho), justificam a medida protecionista como forma de garantir igualdade de condições de participação no crescimento do consumo de vinhos finos, tomadas por uma invasão dos importados e concorrência desleal”, e assim garantir o sustento de cerca de 15.000 famílias da cadeia produtiva ligada a esta agroindústria.

“Em 2005, a fatia era de 63,1% e desde lá até 2011 as vendas dos importados saltaram de 37,5 milhões para 72,7 milhões de litros, enquanto o produto nacional recuou de 21,9 milhões para 19,5 milhões de litros”, argumenta o diretor-executivo do Ibravin, Carlos Paviani.

Um dos principais argumentos contidos no documento que estabelece a investigação da salvaguarda é o comportamento das importações de 2010, resultado da crise internacional que propiciou uma queda de renda no bloco dos países consumidores de vinho e consequente aumento de estoques nos países produtores que se viram forçados a desová-los a qualquer preço em países menos afetados pela crise, como o Brasil.

“Dos 91,9 milhões de litros de vinhos finos comercializados em 2011, apenas 21,2% destes são nacionais”, compara Paviani. “O que se espera são medidas temporárias e transitórias que permitam o reequilíbrio do mercado, tais como as cotas – que a União Europeia aplica a inúmeros produtos brasileiros”, complementa. “Todos queremos que o mercado brasileiro de vinhos cresça, apenas estamos buscando garantir que o vinho nacional não desapareça desse mercado”, contrapõe Paviani aos argumentos dos importadores.

“Não temos por objetivo o aumento de impostos! Não pedimos isso”, declarou Paviani ao Blog do Vinho. De fato a salvaguarda só pode determinar uma ação. Ou o aumento de taxas, ou o estabelecimento de cotas. E não está definida. Mas a questão da extensão da TEC, entretanto, trata justamente de um crescimento de impostos, o que contradiz esta afirmação.

Quanto às alterações dos rótulos, Paviani reclama o mesmo tratamento exigido ao vinho nacional. “O vinho elaborado no Brasil tem a obrigação de colocar no rótulo principal um conjunto de informações. Queremos apenas as mesmas regras para todos os vinhos.”

Paviani lembra que a adoção da medida exige uma contrapartida de investimentos do governo. “A salvaguarda não é uma dádiva, pois o setor terá de implantar medidas de ajuste, principalmente estruturantes, ou seja com investimentos, que o auxilie a tornar-se mais competitivo.”

Não seria melhor uma redução tributária?

Ciro Lilla defende uma agenda positiva para o vinho no Brasil como um todo. “Precisamos lutar juntos para que o vinho obtenha o tratamento tributário de um complemento alimentar — como em diversos países da Europa — e não um tratamento punitivo com ocorre aqui, onde o ICMS pago pelo vinho é o mesmo pago por uma arma de fogo!”

Paviani reforça esta tese, mas sob o ponto de vista da produção nacional. “ Estamos trabalhando pela redução de tributos há pelo menos uma década. Graças a estes esforços pelo menos no Rio Grande do Sul temos um ICMS reduzido, mas outros estados não compreendem nossos pleitos”, lamenta.

O Ibravin reclama ainda da guerra fiscal entre os portos e cobra uma posição dos importadores. “Precisamos que se acabe essa guerra fiscal, essa guerra de portos e efetivamente as alíquotas sobre o vinho possam ser diminuídas. Por que os importadores de São Paulo não reclamam das isenções de Santa Catarina e do Espírito Santo? Precisamos de uma atuação conjunta.”

Vale registrar que alguns pequenos produtores do Rio Grande do Sul são contrários à salvaguarda e não assinam embaixo do documento.

Salton retira apoio à salvaguarda

Atualização 23h11: A assessoria de imprensa da Vinícola Salton soltou o seguinte comunicado se posicionando sobre a salvaguarda, que como foi demonstrada acima é parte do problema.

A Vinícola Salton esclarece que são as entidades representativas do setor, Ibravin, Uvibra, Fecovinho e Sindivinho que estão à frente do movimento para salvaguardas dos vinhos nacionais. A Salton, compreendendo que estas medidas podem restringir o livre arbítrio de seus consumidores, encaminhou ao Ibravin um documento informando que não apoiará a causa. Reforçamos ainda que a Salton, uma empresa centenária e brasileira, se preocupa muito com seus clientes e consumidores e que busca constantemente o melhoramento de seus processos e produtos, por meio de investimentos em novas tecnologias e programas de qualidade, para concorrer, de forma justa, com produtos nacionais e importados.

O tamanho do mercado de vinhos no Brasil

O que está em jogo é qual fatia do mercado cabe a cada player deste jogo. A jornalista especializada em vinhos, Suzana Barelli, editora da revista Menu, publicou uma reportagem na IstoÉ Dinheiro, que mostra a composição do mercado total de vinhos no Brasil, incluindo vinhos finos, vinhos de mesa e espumantes. Os dados são do Ibravin. E mostram que de cada 5 garrafas de vinho consumidas no Brasil, entre vinhos finos, espumantes e vinhos produzidos com uvas de mesa, quase 4 (77.4%) já são de vinhos brasileiros

VINHOS FINOS

Importados – 72,7 milhões de litros  = 78,80%

Nacionais – 19,5 milhões de litros = 21%

VINHOS FINOS + VINHOS DE MESA + ESPUMANTES

Nacionais – 265,3 milhões de litros = 77,40%

Importados – 77,6 milhões de litros = 22,60%

Quem paga o pato

O resultado óbvio de todas estas medidas é o aumento no preço das garrafas ao consumidor, seja por conta de uma mordida maior nas taxas de importação (calcula-se um impacto entre 20% e 23% no preço da garrafa) seja pela redução de oferta estabelecida pelo controle de cotas. Noves fora: se o vinho já era caro nas lojas e caríssimo nos restaurantes, vai pesar ainda mais no bolso. A outra consequência será a diminuição de opções de rótulos, principalmente das pequenas produções importadas que não conseguirão se adaptar às normas dos rótulos ou vão ficar inacessíveis ao consumidor. O pior de tudo é que estas medidas não vão necessariamente aumentar a fatia de consumo do vinho fino nacional. Aqueles rótulos de boa qualidade que conquistaram mercado pela meritocracia costumam ter sua comercialização garantida e não têm capacidade de crescer em volume de uma hora para a outra. Quem pago o pato, portanto, somos nós, os consumidores e amantes do vinho.

Houston, temos problemas. De fato os importados invadiram nossa praia, mas o consumo cresceu no todo e isso é bom para todo o ciclo do vinho. O Brasil domina o mercado de vinhos de mesa e dos espumantes, que têm qualificação reconhecida. Perde feio em relação aos vinhos finos, onde também avança na elaboração de melhores uvas, investimentos em tecnologia, etc. Se a questão é abrir espaço no mercado, negociações com distribuidores, reduções ficais e outros temas poderiam fazer parte da abordagem. O problema é em pleno ano 2012 apelar-se para a tutela do Estado tentando obrigar o consumidor a escolher o tinto e branco nacionais por asfixia na oferta de importados. O Brasil já passou desta fase, e melhorou muito com o fim das barreiras.

O vinho de amanhã pode ser um retrato da informática dos anos 80. Quem tem mais de 30 anos se lembra das restrições ao computadores importados e suas nefastas consequências. A lei de reserva de informática teve apoio dos setores nacionais e atrasou o país em alguns anos na sua evolução tecnológica e foi o paraíso dos contrabandistas. O vinho pode estar trilhando este mesmo e perigoso caminho. Vamos aguardar os próximos capítulos desta história.

O debate esta aberto com a sociedade. Dê sua opinião.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 13 de março de 2012 Blog do vinho, Harmonização | 17:49

A busca de Baco: vinhos, lojas e harmonizações

Compartilhe: Twitter

Quando este Blog do Vinho estreou, em 30 de julho de 2008, as informações sobre os mais de 20.000 rótulos e tipos de vinho disponíveis no Brasil de então estavam difusas em anotações pessoais, catálogos das importadoras, artigos, blogs, fóruns, e na incipiente rede social que se engendrava na web.

Encontrar uma fonte única confiável que reunisse o maior número de informações atualizadas sobre um vinho, vinícola ou região era um problema em busca de uma solução. A sistematização das informações e o compartilhamento dos usuários no entanto promoveu uma verdadeira revolução nesta aparente simples tarefa: buscar informações sobre um tinto, um branco, um espumante ou um vinho doce. Uma das experiências mais bem-sucedidas neste campo é a rede social de vinhos WineTag, novo parceiro do Portal iG.

A WineTag é uma rede social de vinhos que reúne várias experiências virtuais em um só espaço: avaliações pessoais (são mais de 10.000 opiniões de usuários), rótulos de vinhos (mais de 28.000 cadastros), fóruns de discussão, sugestões de combinações de pratos com vinhos (publicados  em parceria com canal Receitas do iG), artigos e opinião de especialistas, informações sobre regiões, lojas, eventos e restaurantes. Ou seja, o vinho cumpre seu ciclo completo: da compra até a degustação, passando pela harmonização. A parte social é exercida pela avaliação publicada e compartilhada na rede.

Busca WineTag

O leitor um pouco mais atento do Blog do Vinho deve ter observado no menu lateral direito um novo bloco. Trata-se da Busca WineTag (em destaque na imagem abaixo), um atalho para o leitor usufruir deste serviço. Este pequeno componente abre espaço para um mundo de informações que todo consumidor precisa saber sobre o mundo do vinho: rótulos, vinícolas, restaurantes, lojas e harmonizações.

Para buscar um vinho, por exemplo o blockbuster chileno Casillero del Diablo. Digite o nome do rótulo e deixe definido o filtro “vinhos” no combo abaixo. Uma página de resposta da WineTag apresentará uma lista de 41 itens, com várias uvas e safras deste rótulo, além de apresentar uma busca de preços, quando disponível.

Para uma busca mais generalista, a uva malbec, a página de resposta traz um elenco de 916 rótulos. Ao escolher uma das opções, por exemplo o Uxmal Malbec, 2008 (veja imagem abaixo), é apresentada a ficha do vinho com as avaliações disponíveis dos usuários da WineTag, harmonizações recomendadas, preço e eventualmente restaurantes que possuem a garrafa na carta. É possível ainda criar sua própria avaliação

Harmonização

Outros  filtros podem ser selecionados para buscas por: usuários, restaurantes, vinícolas, lojas e pratos. A busca por pratos é a mais bacana de todas. Trata-se de uma experiência inédita que reúne indicações de rótulos para mais de 1.300 pratos publicados no site de Receitas do iG.

Selecionada uma receita qualquer, como rosbife,  a ferramenta faz o cruzamento entre as características do prato e das uvas dos mais de 28.000 vinhos cadastrados e avaliados pelos usuários da WineTag e recomenda alguns rótulos (ver imagem abaixo). Todas os pratos publicados no canal de Receitas do iG trazem sugestões de harmonizações.

Aprovou as sugestões de harmonização, as avaliações dos vinhos? Não gostou? O usuário cadastrado gratuitamente  – são quase 20.000 perfis publicados no site  – pode interferir no resultado e avaliar a indicação ou mesmo criar sua própria harmonização ou incluir um novo vinho na lista, criando sua própria adega. A contribuição e participação dos usuários é fundamental para o sucesso desta ideia e para o contínuo enriquecimento deste banco de dados de Baco.

Móvel

E como ninguém carrega o computador numa loja ou no restaurante, no máximo um tablet, o usuário pode também consultar seus registros ou fazer sua busca de vinhos na hora da compra pelos aplicaticos móveis desenvolvidos pela WineTag para iPhone ou Android. Fica combinado que não cola mais aquela desculpa “não tenho nenhuma informação sobre este vinho”

Autor: Tags:

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 Brancos, Tintos | 11:00

Liquidações de vinho: é hora de comprar

Compartilhe: Twitter

Quem resiste a uma promoção? Janeiro é o mês em que as importadoras começam suas liquidações, que geralmente se estendem até fevereiro. Todo ano é assim. Algumas remarcações anunciadas atiçam o saca-rolha virtual que todo enófilo esconde em seu bolso. Afinal de contas, trata-se de uma troca comercial: a vontade de comprar – por um precinho melhor – versus a urgência de o lojista se desfazer dos estoques, por uma margem menor.

As queimas de catálogo das lojas de prateleira ou virtuais têm uma particularidade que diferencia daquelas liquidações de início do ano dos grandes magazines: aquela TV de 50 polegadas com a tecnologia mais avançada que está com o preço reduzido em janeiro é a mesma que era vendida antes do Natal,  já os vinhos em liquidação geralmente são de safras mais antigas ou são rótulos que a importação foi descontinuada.

Por isso mesmo, antes de ir às compras,  vale a pena observar algumas regras para evitar futuras, e literais, ressacas.

1. Observe se a garrafa está bem cheia. Um espaço livre muito grande entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento. Consequência: o vinho provavelmente estará em processo de oxidação.

2. Verifique o estado de conservação da cápsula e da rolha. A cortiça não pode estar saltada, outro indicativo de problemas na qualidade da bebida.

3.
Cheque a cor do vinho, principalmente os brancos das safras mais antigas – uma cor amarelo-escura pode indicar oxidação; se estiver na cor âmbar, evite. Um tinto de safra recente de cor alaranjada – uma característica dos tintos mais evoluídos – também é sinal de problema. Se a safra do tinto for mais antiga – e principalmente se for um vinho de guarda – é sinal de evolução. Aí depende de seu apreço por vinhos envelhecidos.

4.
Fique atento às safras. Tintos mais básicos, e principalmente os rosés e grande parte dos brancos devem ser servidos jovens, em no máximo três a quatro anos (há sempre muita desova de rosés nestas promoções…)

5. Não compre por impulso (este conselho devo repetir a mim mesmo). Como a maior parte das ofertas são de safras mais antigas, pergunte ao lojista se se trata de um vinho com potencial de guarda (geralmente mais caros), se não for, planeje a compra para consumo rápido, principalmente os brancos.

6. Encontrou um preço de um vinho que é uma barbada, e que pode resolver sua vida no dia-a-dia e vale investir numa caixa? Experimente antes. Se a loja não tiver uma amostra, compre uma garrafa, prove em casa e decida sobre a compra de um maior volume de rótulos com segurança, ou você pode ter 12 garrafas de vinagre muito caro para temperar a salada por todo o ano. Eu fiz isso este ano e me preveni de um desastre.

O melhor das ofertas, uma seleção pessoal

Os rótulos abaixo estão organizados por importadora, seguindo um critério pessoal de escolha e baseado nas premissas acima. No final de cada bloco, um link leva para a lista completa de vinhos, quando disponível na internet, com todas as informações e preços. A maior parte das lojas está concentrada em São Paulo, mas as lojas virtuais de seus sites permitem a compra em todo o Brasil.

A World Wine incorporou ao seu catálogo os rótulos da Enoteca Fasano no final de 2011. A importadora sempre capricha em suas ofertas, que batiza de “Bota-fora”, tanto em variedade como em quantidade (são mais de 400 rótulos com descontos). Há de tudo: espumantes, tintos, brancos e fortificados. Nas lojas, além das ofertas anunciadas, são oferecidas outras garrafas de ponta de estoque e preços reduzidos. O “bota-fora” vai até dia 4 de fevereiro. Estas aqui podem agradar:

Champagne Delamotte Blanc de Blancs Brut, Delamotte, Champagne, França (de R$ 250,00 por R$ 149,90; desconto de 41%) – blanc de blancs são os champanhes produzidos apenas com a uva branca chardonnay de grande presença na boca e com um estilo mais austero. Indicado para os amantes das borbulhas mais nobres e refinadas e que exigem qualidade.

Prosecco di Valdobbiadene Brut, Minoetto, Itália (de R$ 70,00 por R$ 39,90, desconto de 43%) – um prosecco típico da excelente região de Valdobbiadene. Bem elaborado, com boa acidez, frescor. Preço de espumante nacional.

Maycas del Limarí, Sauvignon Blanc 2007, Sauvignon Blanc, Maycas del Limarí, Chile (de R$ 59,90 por R$ 39,90, desconto de 33%) – a linha Maycas de Limarí busca a fineza nos aromas e sabores que puxam sempre para aquela sensação mineral mais delicada, de frescor, mas com forte personalidade. Na boca, apesar da idade, ainda tem aquelas notas de maracujá, cítricos, muito frescor, mas recomenda-se beber ainda neste verão.

Maycas del Limarí Reserva Syrah 2007, Syrah, Maycas del Limarí, Chile (de R$ 59,90 por R$ 39,90, desconto de 33%) – da mesma vinícola da sugestão acima, agora um tinto 100% syrah, uma uva que vem desempenhando bem no Chile. Envelhecido por doze meses em barricas francesas, é elegante, tem boa fruta e boa estrutura.

Bourgogne Pinot Noir 2007, Pinot Noir, Domaine Olivier Guyot, França (de R$ 140,00 por R$ 79,90, desconto de 42%) – a pinot noir tem seus seguidores xiitas que não consideram outra hipótese do que aquelas garrafas elaboradas na região da Borgonha. Sempre de cor mais clara, aromas frutados e sabor delicado, é um vinho elegante por definição. Este exemplar do Guyot tem todos os predicados de um Borgonha típico e pessoalmente me remete a um dos primeiros rótulos de classe que provei.

Sedara IGT 2007, Nero d’Avola, Donnafugata, Itália (de R$ 69,00 por R$ 39,90, desconto de 42%) – a nativa Nero d’Avola é típica da ilha de Sicília, na Itália. É uma das uvas que compõe do popular tinto Corvo, mas aqui ela expressa uma fruta mais intensa, uma boca mais gostosa e um corpo médio. Vale experimentar.

Dorna Velha DOC 2007, Tinta Barroca, Touriga Francesa, Touriga Nacional, Quinta do Sival, Portugal (de R$ 59,00 por R$ 34,80, desconto de 40%) – um exemplo de um vinho de entrada e fácil do Douro, com três das uvas mais típicas da região, com toques de frutas, florais e bem redondinho na boca. Provavelmente por descontinuação de importação, toda linha Dorna Velha está em oferta, desde este mais simples até o reserva, por R$ 179,00

1865 Malbec 2008, Malbec, Viña San Pedro, Chile (de R$69,00 por R$ 49,90, desconto de 27%) – a gigante vinícola San Pedro tem rótulos de todas as categorias, a linha 1865 prima pela qualidade com preço razoável, melhor quando reduzido. Uma boa oportunidade de provar um malbec fora da Argentina, envelhecido 12 meses em barrica francesa e com aquele toque meio doce e de fruta madura que tanto agrada nesta uva aos consumidores brasileiros.

Le “C” de Camplong 2004, Mouvedre, Carignan, Syrah e Grenache, Camplong, França (de R$ 240,00 por R$ 99,90, desconto de 58%) – uma das oportunidades que as liquidações oferece ao amante dos vinhos é arriscar exemplares de regiões menos conhecidas e de qualidade por um preço mais acessível. Esta foi uma recomendação do meu amigo Manoel Beato, o “sommelier jedi” do grupo Fasano, responsável por trazer o rótulo para o Brasil. Da região de Languedoc-Roussilon/Corbières tem potencial de envelhecimento, portanto a safra 2004 deve estar com boa evolução. O mesmo rótulo, safra 2005, sai por R$ 129,90.

Lista completa: conheça todos os vinhos em promoção na World Wine

Na importadora e loja Zahil a promoção vai até dia 29 de fevereiro. São 22 rótulos que não farão mais parte do catálogo da empresa e que por isso ganham descontos entre 25% até 50%. Só podem ser adquiridos na loja em São Paulo. Estes aqui me parecem uma boa alternativa:

Riesling Clos Mathis 2003, Riseling, Ostertag, Alsácia, França (de R$ 243,00 por R$ 145,00 desconto de 40%) –  A riesling é a uva-estandarte da Alsácia, aquele pedaço da França que fala alemão, e resulta em brancos com um perfume típico, minerais, com um toque que lembra petróleo que é uma delícia. Este Ostertag é um representante dos biodinâmicos – a turma odara dos vinhedos que não interfere no ciclo natural das vinhas e que produz vinhos de pureza sem igual.

Rutini Syrah 2006, Syrah, Rutini Wines, Argentina (de R$ 108,00 por R$ 70,20, desconto de 35%) – 100% syrah. A Rutini é uma vinícola importante argentina, com deliciosos caldos, sempre precisos. Este syrah é bem cotado no Guia Descorchados, uma referência dos vinhos chilenos e argentinos.

Winemaker’s Selection Branco 2008, Chardonnay e Sauvignon Blanc, Bodegas Salentein,  Argentina (de R$ 51,00 por R$ 39,90, desconto de 20%) – blend simpático das duas uvas brancas mais conhecidas dos consumidores onde o sauvignon equilibra com a acidez e o chardonnay dá um toque untuoso e corpo.

Expand, com lojas espalhadas em todo o país, também tem tradição em descontos em janeiro.  Este ano são 60 rótulos de vários países com descontos de 20 a 70%, grande parte de rótulos em estoque que não são mais importados pela empresa. Vale conferir os rótulos abaixo:

Zind Humbrecht 2006, Chardonnay, Auxerrois, Pinot Bianco, Zind Humbrecht, França (de R$ 148,80 por R$ 103,00, desconto de 30%) – outro representante tradicional dos elegantes brancos da Alsácia. Aqui um blend de brancas sm a presença da riesling. Um branco sério, de acidez cortante, que precisa ser consumido logo, e costuma ter grande persistência.

Quinta do Vallado Port Tawny 10 anos, Quinta do Vallado, Portugal (de R$ 188,00 por R$ 150,40, desconto de 20%) – a Quinta do Vallado atualmente é importado no Brasil pela Cantu, mas este tawny faz parte do estoque da Expand. Tawny – que tem este nome devido à cor aloirada – é um vinho fortificado de belo ataque de nariz e boca, frutas secas, um caramelo envolvente. Pra ficar namorando no buquê. Pode iniciar ou terminar uma refeição.

Palo Alto Reserva Cabernet Sauvignon 2009, Cabernet Sauvignon, Palo Alto, Chile (de R$ 34,80 por R$ 24,36, desconto de 28%) – vinho de entrada, na uva que melhor se adapta em solos chilenos. Aqui vale aquele conselho. Experimente uma garrafa, se resolver a pizza do domingo, faça um estoque para o semestre.

Lista completa: conheça os vinhos em promoção na Expand

A loja da importadora Grand Cru promove até o dia 31 de janeiro o que eles apelidaram de Grand Solde. As compras podem ser feitas pela web também.

Doña Paula Olives Road Syrah Viognier 2006, Syrah e Viognier, Doña Paula, Argentina (de R$ 110,00 por R$ 66,00, desconto de 40%) – a syrah, cheia de especiarias, é dominante neste corte comum na região do Rhone, na França e repetido em terreno argentino. A branca viognier comparece com apenas 3% e aromas florais. A Doña Paula é um vinícola confiável e de bons produtos, outro garantia de uma boa compra.

Enate Crianza 2005, Tempranillo e Cabernet Sauvignon, Enate, Espanha (de R$ 77,00 por R$ 57,75, desconto de 25%) – um blend de uvas potentes e com sabores de frutas mais maduras. Um espanhol fácil de beber e de gostar.

Glen Carlou 2008, Chardonnay, África do Sul (de R$ 82,00 por R$ 49,20, desconto de 40%) – uma competente vinícola para conhecer a produção da África do Sul. Passa 10 meses envelhecendo em carvalho, que confere amplitude na boca e exala aromas de abacaxi mais doce. Deve estar pronto para beber.

Lista completa: conheça os vinhos em promoção na Grand Cru

No site da importadora com maior presença nas cartas dos restaurantes de São Paulo e com um catálogo parrudo, a Mistral, os vinhos portugueses e espanhóis estão como dólar congelado a R$ 1,59 até dia 22 de janeiro (ou enquanto durarem os estoques). Explica-se: os preços praticados pela Mistral são em dólar, que é convertido pelo câmbio do dia. O Altano Biológico 2008, da região do Douro, em Portugal está saindo por R$ 57,24 e é um belo exemplo da tipicidade da região; o Artadi Tempranillo 2008, é o Rioja opulento, que enche a boca, um vinho de macho.

Saideira

Vale insistir que além de seguir os conselhos iniciais deste texto, o consumidor que opta por abastecer a adega neste período (eu me incluo nesta lista) deve ter consciência de que eventualmente, no meio de suas escolhas, um vinho não se encontra no seu apogeu, pode até estar em decadência, por questões de idade, armazenamento ou mesmo estilo. É o risco que se corre, mas é também uma das belezas de um produto que está em constante transformação. O vinho, afinal, é mutante. E nem todas as mutações são boas, não é mesmo? Boas compras!

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 Blog do vinho | 15:35

O selo fiscal do vinho é necessário? Conheça os argumentos contra e a favor e dê sua opinião

Compartilhe: Twitter

Você já reparou que há algum tempo algumas garrafas de vinho se assemelham em um detalhe aos vasilhames de cachaça, vodca e uísque? Não é pelo conteúdo, claro, mas pelo selo que fica grudado na parte superior da tampa e escorre pelo gargalo. Olha lá, a estampa impressa na Casa da Moeda é ornada com imagens de cachos de uva e as inscrições IPI, Vinho Brasil, um número enorme e por fim a chancela da Receita Federal do Brasil. As garrafas nacionais ganham o pigmento verde, as importadas levam a cor vermelha.

Trata-se do selo de controle fiscal do vinho. Não chega a ser uma novidade. Desde o dia 1º de janeiro de 2011 as empresas vinícolas, engarrafadoras e importadoras estão obrigadas a colar a estampa oficial em seus vasilhames. Mas agora a medida estende seus tentáculos e atinge em cheio o comércio dos fermentados. Desde de 1º de janeiro de 2012 os estabelecimentos atacadistas e varejistas não poderão comercializar vinhos nacionais ou importados sem o tal selo.

De todas as importadoras? Não, assim como os gauleses não se renderam aos romanos, no clássico dos quadrinhos francês Asterix, a Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (ABBA) obteve uma liminar no Tribunal Regional Federal de Brasília eximindo seus associados de grudar o selo fiscal em seus vinhos importados. Aos 44 minutos do segundo tempo, uma instrução normativa suavizou também a medida e autorizou os estabelecimentos comerciais e o atacado a venderem vinhos sem o selo, se comprovadamente adquiridos até 31 de dezembro de 2010, mantidos em estoque. Uma medida de bom senso.

É caro?

Não. Cada selo custa R$ 0,023 centavos. São 23 reais para cada mil selos. Este valor pode ser creditado do pagamento devido pelas empresas de PIS e Cofins. O que pode ser caro é a aplicação do selo. Este é um dos principais pontos de discórdia. Grandes vinícolas, como a Salton, investiram em seladoras que fazem o serviço de forma automática. Outras têm de grudar o selo de forma manual. Para os importadores que não conseguem que as garrafas venham com selo na origem, o trabalho é mais complicado. É preciso abrir o contêiner, tirar as garrafas da embalagem, selar e voltar para as caixas. Mas isso é um problema das importadoras, certo? Mas vai sobrar para alguém este custo a mais? Aí o problema é do consumidor.

Selo ou não sê-lo, eis a questão

Em um país com altas doses de impostos e taxações das mais variadas – e um consumo de vinho por habitante tísico (menos de 2 litros) -, uma medida destas é sempre polêmica. É combustível de intermináveis fóruns e apaixonadas discussões em blogs e revistas especializadas. De um lado os representantes da indústria nacional – representada por 14 entidades do setor (* veja a lista no final do post) -, que defendem a adoção do selo como forma de combater a sonegação e falsificação e proteger o produto nacional e os consumidores. Do outro, os importadores – e até alguns pequenos produtores – que enxergam na medida mais uma intromissão oficial que não contribui no combate à sonegação e atrapalha – e muito – a importação pois cria um problema operacional e de custos na selagem e com isso prejudica os consumidores.  No meio deste imbróglio ficam de fato os consumidores.

Para início de conversa convém ser pragmático e deixar de lado os aspectos mais românticos do tema. Produtores de vinho nacional e importadores, teoricamente, trabalham com um mesmo objetivo: aumentar o consumo de vinho dos brasileiros e ganhar dinheiro com isso – afinal, por mais história e poesia que uma garrafa de vinho contenha, trata-se de um negócio, com mais charme do que a venda de parafusos, por exemplo, mas um negócio que afeta toda uma cadeia de agricultores, vinícolas, importadores, distribuidores, varejistas até chegar na sua taça. Isso sem mencionar nos profissionais de restauração, especialistas, críticos e publicações especializadas.

Para entender melhor a questão o Blog do Vinho foi ouvir os dois lados para seus leitores  tirarem suas próprias conclusões. Representando a turma contrária à adoção do selo fiscal no vinho, Adilson Carvalhal Junior, presidente da ABBA (Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas) –  e proprietário da importadora Casa Flora. A favor do selo está o diretor-executivo do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), Carlos Raimundo Paviani. No final das duas entrevistas, o espaço para discussão do selo do vinho é do leitor. Conheça os argumentos contra e a favor e opine.

CONTRA O SELO

Adilson Carvalhal Junior, presidente da Abba

“Ao invés de criarmos custos extras como o selo, deveríamos nos unir numa campanha de promoção do vinho”.

Adilson Junior, presidente da Abba

Blog do Vinho – Qual a posição da ABBA em relação ao selo fiscal do vinho?

Adilson Junior – A ABBA é contra o selo por entender que não existe nenhum sentido para esta medida – ela só beneficia uma minoria dentro da indústria nacional.

Blog do Vinho – Quais os efeitos práticos do selo para a indústria do vinho, para os importadores e os consumidores?

Adilson Junior – Para os importadores além do custo da selagem, existe todo processo de violar a embalagem original, muitas vezes de madeira, todo o manuseio e risco de quebra e roubo de produto. Fora a falta de selos nos portos e a demora na liberação do porto, pois o processo fica mais lento. Para o consumidor o produto fica mais caro e muitas vezes com rótulo danificado, além de toda confusão que isso gera no mercado de vinho. Fora isso, as pequenas vinícolas nacionais não conseguem o registro especial para poder comprar o selo.

Blog do Vinho – As importadoras já sentiram alguma consequência prática da medida?

Adilson Junior – Já, pois a selagem é obrigatória desde janeiro de 2011 e quem não esta amparado por nossa liminar já tem que selar desde esta data.  Além da ameaça de fiscalização que nossos clientes tem sofrido que tem feito com que não aceitem os produtos sem selo.

Blog do Vinho – Você acha que Procuradoria Geral da Fazenda Nacional vai conseguir reverter liminar da ABBA que exime seus associados de estampar o selo fiscal?

Adilson Junior – Nossa ação começou em dezembro de 2010 com a obtenção do mandado de segurança. Após isso tivemos mais vitórias que derrotas. Além disso, nossa última vitória foi julgamento do mérito. Porém, é difícil afirmar que não perderemos, mas estamos confiantes que a justiça será a nosso favor.

Blog do Vinho  – Qual o tamanho do contrabando de vinhos no Brasil, um dos principais argumentos para a adoção do selo por parte seus defensores? A ABBA propõe outra solução para mitigar o problema?

Adilson Junior – Nunca houve nenhuma apreensão importante de contrabando de vinhos e nós que estamos no mercado nunca verificamos nada neste sentido. Se existir é algo inexpressivo dentro do mercado.

Blog do Vinho – Uísque e vodca têm selos e são importados por associados da ABBA. Por que o selo é aceito nos destilados pela associação e no vinho não? O selo diminui o contrabando destas bebidas no país?

Adilson Junior – Para o contrabando compensar a carga tributaria tem que ser gigante, como o caso destes produtos citados. No mercado de vinho 65% das importações são provenientes da América do Sul, onde o imposto de Importação é zero, o que não justifica o contrabando. Além disso as importadoras seriam as mais afetadas com isso e seriam as primeiras a pedirem o selo como foi no caso do uísque e da vodca.

Blog do Vinho – Se não tem imposto de importação para a maior parte dos vinhos estrangeiros no mercado, por que os importadores reclamam tanto de taxação e jogam a culpa dos preços nos impostos?

Adilson Junior – O imposto de importação para vinhos é de 27%, somente para vinhos da América do Sul que é 0. Fora isso existem mais quatro impostos que incidem diretamente no vinho. Os impostos são altos, mas não gigantes como do uísque e da vodca,

Mas o problema do alto imposto no vinho não é só para o importado e sim para o vinho, eu acho um absurdo o vinho pagar um imposto mais caro que a cerveja, por exemplo.

Blog do Vinho – A medida cria uma clara divisão entre importadores e produtores?

Adilson Junior – Os pequenos produtores, como é o caso da Uvifan (União da Vinícolas Familiares), também são contra o selo. Mas em um certo aspecto, sim, cria um divisão. Eu pessoalmente já propus na Câmara Setorial de Vinho que ao invés de criarmos custos extras como o selo, deveríamos nos unir numa campanha de promoção do vinho, mas não foi aceita.

Blog do Vinho – Qual a perspectiva do mercado de importados para 2012? Será afetada pelo selo?

Adilson Junior – Acho que o mercado vem crescendo pouco, e um dos fatores é o selo, além da falta de cultura e outros. Pelos números ainda não conseguimos passar os 2 litros per capta ano. Para se ter uma ideia a cerveja subiu de 54 para 64 litros per capta nos últimos dois anos. Mas estamos consumindo melhores vinhos o que já é um grande avanço, pois estamos deixando de consumir vinhos de uvas híbridas para consumir mais de vitis vinífera.

A FAVOR DO SELO

Carlos Raimundo Paviani, diretor-executivo do Ibravin

“O selo dá segurança ao consumidor por garantir que é um produto genuíno.“

Carlos Raimundo Pavian, diretor-executivo do Ibravin,

Blog do Vinho – Por que foi criado o selo fiscal do vinho?

Carlos Paviani – O selo fiscal tem o objetivo de combater a sonegação, a falsificação e a entrada de vinhos por descaminho (sem o pagamento dos impostos e tributos devidos). Ou seja, o selo é um instrumento a favor dos vinhos brasileiros e importados e das empresas que trabalham corretamente, dentro das obrigações legais e fiscais.

Blog do Vinho – Quais os efeitos práticos do selo para a indústria do vinho, para os importadores e para os consumidores?

Carlos Paviani – O maior beneficiado é o consumidor. O selo fiscal é um diferencial que o distingue o vinho legal dos vinhos comercializados ilegalmente. Ele torna tudo claro para os comerciantes e, sobretudo, para os consumidores. Antes ninguém sabia como identificar os vinhos contrabandeados e objeto de descaminho, que somam mais de 20 milhões de litros ao ano no Brasil. Também não havia como verificar se o produtor nacional atuava legalmente no mercado. Agora, com o selo fiscal, os produtos corretos serão facilmente reconhecidos pelos consumidores, que se tornarão fiscais voluntários. Qualquer individuo pode denunciar a fraude quando perceber um produto sem selo. Isso era impossível. A Receita Federal e a Policia Federal têm estrutura em todo o Brasil e estarão prontas para agir. Quem trabalha corretamente não tem como ser contra o selo ou ter medo dele. Vários argumentos já foram usados ou ainda são usados contra o selo fiscal nos vinhos, mas nenhum deles desmente o seu real significado: combater o grande descaminho (popularmente chamado de contrabando) de vinhos e a ilegalidade existente no Brasil. Primeiro, disseram que o selo era feio para ser colocado numa garrafa de vinho, que ficaria parecido com as cachaças e os uísques. Na prática, o selo não afeta a imagem do produto, pois é discreto e já utilizado por outras bebidas, sem prejuízos estéticos. O selo dá segurança ao consumidor por garantir que é um produto genuíno.

Blog do Vinho – Qual será a punição para as garrafas que estiverem sem selo? Quem é punido?

Carlos Paviani – Desde janeiro de 2011, os vinhos só podem sair das vinícolas e engarrafadoras com o selo de controle fiscal. O mesmo vale para a importação dos vinhos estrangeiros. Quem desrespeitar esta regra pode ter seu produto apreendido e, se não regularizado, destruído. Além disso, trata-se de enquadramento de crime de sonegação fiscal, que tem como punição uma pena de detenção de seis meses a dois anos, acrescido de uma multa de duas a cinco vezes o valor do tributo. Se a fiscalização da Receita Federal encontrar vinhos sem selo (e sem comprovação legal de entrada antes de 2011) nos estabelecimentos comerciais apreenderá a mercadoria e a empresa estará sujeita a outras penas da lei, como multas etc. É importante ressaltar sempre: o selo possibilita a autofiscalização. Obriga o comerciante a ter uma participação ativa, pois a responsabilidade recai (também) sobre ele. Muitos ainda alegam que esta medida apenas incentivará a indústria da falsificação de selos. Todavia, se para o crime de sonegação fiscal a pena muitas vezes não assusta (detenção de seis meses a dois anos, e multa de duas a cinco vezes o valor do tributo), para a falsificação de selos (que equivale a falsificar dinheiro), a pena é de reclusão, de 3 (três) a 12 (doze) anos, e multa.

Blog do Vinho – Qual o tamanho do contrabando de vinhos no Brasil em relação ao vinho consumido no país (produzido e importado)?

Carlos Paviani – A estimativa é de que, anualmente, 20 milhões de litros de vinho entrem no Brasil por descaminho. Isso é mais do que o Brasil vende de vinhos finos por ano – cerca de 18 milhões de litros em 2010 (dados fechados). E corresponde a cerca de 20% de todo o volume de vinho fino comercializado no Brasil – cerca de 100 milhões de litros. Ou seja, é muita coisa. Mas isso é menos da metade do que o Paraguai importa anualmente (sem exportar para lugar algum legalmente). Na verdade, este é um número bastante conservador. Segundo técnicos federais de fiscalização na fronteira, o Paraguai importou, em 2009, 42 milhões de litros de vinho engarrafado, sobretudo do Chile e da Argentina. E não exportou uma única  garrafa oficialmente. Ou seja, ou a população paraguaia, que é menor de 6 milhões de pessoas, consome muito vinho, ou a maioria dos vinhos importados pelo Paraguai da Argentina e do Chile estão sendo “encaminhados” para outros países. Como o Brasil é o grande país consumidor de produtos do Paraguai, sobretudo originados do descaminho, estima-se que a maior parte dos 42 milhões de litros de vinhos importados pelo Paraguai acabe no Brasil. Quer dizer, no mínimo, e só do Paraguai, devem entrar cerca 20 milhões de litros de vinhos ilegalmente . Na prática, este volume deve ser maior ainda. Calculando pelo preço médio de 30 dólares a caixa de 12 litros a uma taxa de 45% de tributos, significa uma perda de arrecadação de tributos para o Brasil  de aproximadamente R$ 30 milhões por ano. Isso também quer dizer que estes produtos entram com um valor 45% menor que aqueles importados legalmente. Qual vinho iria vender mais? Isso é a concretização da concorrência desleal.

Blog do Vinho – Uísque e vodca têm selos – e até mesmo os cigarros. O selo diminui o contrabando destas bebidas no país?

Carlos Paviani – Sem dúvida que o selo diminuiu o contrabando destas bebidas no país. O selo nas bebidas “quentes” ajudou a regular o mercado de destilados no Brasil. E é isso que fará com os vinhos. Atualmente, consideramos que o uso do selo fiscal é um remédio estritamente necessário para o atual estágio de doença que vive o mercado nacional de vinhos. E não é nada contra os importados legalmente. Ninguém diz, mas uma das vantagens do selo é que ele estabelece um controle maior no destino dos vinhos e derivados vendidos a granel pelos produtores do Rio Grande do Sul para o Centro do País.

Blog do Vinho – Existem casos bem-sucedidos de aplicação de selo em vinhos em outros países?

Carlos Paviani – Um modelo bem-sucedido é do Uruguai. A aplicação do selo no Uruguai, que se dá pelo INAVI permitiu a organização e regularização do setor vitivinícola uruguaio. Outros países têm critérios bem mais rigorosos, nos quais os vinhos apenas entram no país por meio de licitações, compras ou concessões governamentais, tais como a Noruega, certos estados do Canadá, e outros países do norte da Europa. Ou seja, o selo é um procedimento muito mais fácil e democrático, que garante o controle sem maior burocracia. Imaginem se a legislação dos Estados Unidos fosse aplicada no Brasil: para entrar no país é obrigatório ter um importador, este é obrigado a vender a um atacadista, o qual é obrigado a vender a um varejista, o único autorizado a vender ao consumidor final. No Brasil os próprios supermercados podem importar – onde está mesmo a burocracia?

Blog do Vinho – Qual a posição do Ibravin em relação à liminar obtida pela ABBA que exime seus associados de estampar o selo fiscal?

Carlos Paviani – Qualquer entidade ou empresa tem o direito de defender seus interesses e de seus associados. Mas seria melhor para todos que o selo estivesse em todas as garrafas, ajudando o consumidor a diferenciar, facilmente, os vinhos legais dos ilegais. Alguns associados da Abba estão inclusive selando seus vinhos. Esse é o melhor caminho. Até porque, hoje, o consumidor já começa a desconfiar dos vinhos sem selo (não se desconfia de um uísque sem selo?). E isso pode afetar seus associados. Ou seja, o tiro pode sair pela culatra. O consumidor hoje já olha se a garrafa tem selo ou não. Ele não vai perguntar a ninguém se aquela garrafa é desta ou daquela importadora. Se é associada a esta ou aquela associação. Pra não correr riscos, o consumidor vai escolher a garrafa com selo, e certamente o comerciante, o varejista, os donos de bares e restaurantes também. Se a Abba acha tão complicado selar os vinhos no Brasil, que exija isso dos produtores estrangeiros. A lei permite que o selo seja aplicado no país de origem dos vinhos. Os produtos brasileiros, quando são exportados, têm de se adaptar as diferentes legislações de cada país. As vinícolas produzem rótulos específicos para cada país para o qual exportam. É um problema, uma burocracia a mais, é. Mas é feito pelas vinícolas brasileiras sem nenhum problema. Por que o Brasil não pode garantir a sua soberania exigindo o mesmo dos vinhos importados?

Blog do Vinho – A fiscalização não será confusa, já que os selos não serão obrigatórios em todas as garrafas, incluindo aquelas adquiridas até dezembro de 2011?

Carlos Paviani – O que pode ocorrer é a possibilidade de se atrapalhar um pouco a fiscalização voluntária dos cidadãos, num primeiro momento, já que ainda temos alguns poucos rótulos sem selo. Mas, na dúvida, acreditamos que o consumidor vai sempre escolher as garrafas com selo, para evitar qualquer risco, assim como os varejistas, mercados, bares e restaurantes Entretanto, para a fiscalização da Receita Federal não haverá confusão alguma. Chegando em qualquer estabelecimento, o fiscal verá as garrafas sem selo. O proprietário do estabelecimento é que terá de comprovar que comprou os vinhos de forma legal, apresentando os documentos fiscais correspondentes. Nós acreditamos, ainda, que esta liminar da Abba será revogada, pela sua falta de consistência, e por ser uma decisão isolada. Assim, logo, logo todos os vinhos, nacionais e importados, serão obrigados a selar.

Blog do Vinho – A medida cria uma clara divisão entre importadores e produtores?

Carlos Paviani – Os importados deveriam ser os primeiros a aprovar o selo, porque o alto volume de vinhos ilegais que são vendidos no País são produto de descaminho. Portanto, o descaminho prejudica os bons importadores. Além do mais, a adoção do selo foi decidida democraticamente, dentro do órgão onde se discutem as políticas públicas para o desenvolvimento do setor de vinhos no Brasil. Todavia, cabe ressaltar que a grande maioria dos importadores está selando as suas garrafas, sem nenhum problema. É só andar por aí e ver, especialmente nos supermercados onde a maioria do vinho é vendido no Brasil, praticamente só há vinho com selo, nacional ou importado. A quase totalidade dos produtores e dos importadores está devidamente adaptada ao selo fiscal, até porque aplica a etiqueta há mais de um ano. Esse selo não caiu do céu, como fazem crer alguns e outros, desavisados, aceitam. Ele entrou em vigor há mais de um ano e meio! Desde abril de 2010 todos sabem da sua entrada em vigor e da sua obrigatoriedade. Só está correndo atrás do prejuízo quem não acreditou que o Brasil poderia adotar medidas para acabar com o comércio ilegal de vinhos. Quem apostou na legalidade já está com isso organizado há muito tempo – inclusive os vinhos importados.

Blog do Vinho – Os pequenos produtores não terão maior dificuldade que as grandes vinícolas na selagem das garrafas? Existe alguma estratégia para ajudá-los nesta tarefa?

Carlos Paviani – Antes de mais nada, é bom esclarecer uma coisa importante: a Abba tem dito que o selo fiscal é uma criação das grandes vinícolas brasileiras. Isso é uma grande bobagem. Na prática, temos três ou quatro grandes vinícolas no Brasil, que faturam acima de R$ 200 milhões e abaixo de R$ 250 milhões ao ano. Por isso mesmo são consideradas médias empresas quando comparadas a firmas de outros setores. Cerca de 95% do setor é formado por pequenas empresas. Outro dado relevante: um estudo feito pelo grupo de trabalho que tratou da implantação do selo na Câmara Setorial descobriu que dos 5% dos produtores que são contra a sua adoção, apenas 1,34% produzem menos de 500 mil litros de vinho por ano! Os demais estão acima deste patamar. Ou seja, a maioria de quem é contra o selo é considerado grande ou média empresa e não pequena! Temos certeza que o selo fiscal vai ajudar o pequeno, o médio e o grande. Apenas duas ou três vinícolas compraram seladoras automáticas. As pequenas já rotulam e colocam as cápsulas manualmente – o selo é apenas um procedimento a mais. Alguns importadores reclamam da burocracia e do trabalho manual de aplicação do selo. Isso é verdade e as pequenas vinícolas enfrentam isso da mesma forma. Mas é como colocar uma etiqueta de premiação em um concurso importante, uma medalha, um selo de indicação geográfica,  etc. É só uma tarefa a mais, manual, a  ser feita. Para os importadores, há, ainda, a possibilidade de adquirirem os selos e enviar para as vinícolas, no país de origem, para que o selo seja colocado antes do embarque, quando o vinho está sendo encaixotado, reduzindo assim custos e operações para os importadores. Isto está previsto na norma que instituiu o selo de controle fiscal.

Blog do Vinho – O consumidor pagará mais caro pelo produto?

Carlos Paviani – A implantação do selo não justifica aumento de preço dos vinhos. Quem faz isso está usando o selo como desculpa para lucrar mais. O selo fiscal é impresso pela Casa da Moeda. O valor de confecção do selo é de R$ 23 para cada 1.000 selos. (ou seja, R$ 0,023 por vinho). Ainda há um custo de corte dos selos, que varia de preço, mas fica na média de R$ 2,00 a cada mil selos. E estes valores podem ser creditados do pagamento devido pelas empresas de PIS e Cofins – ou seja, não serão pagos nem pelas importadoras ou empresas, nem pelo consumidor. Isso quer dizer que o custo para as empresas, portanto, é somente da colocação do selo nas garrafas, calculado em menos de R$ 0,01 (um centavo) por garrafa de vinho.

Blog do Vinho – Qual a perspectiva do mercado de vinhos finos nacionais para 2012? Será afetado positivamente pelo selo?

Carlos Paviani – Estamos aguardando o fechamento de 2011 para avaliar este ano. A nossa expectativa era fechar com um aumento de 10% na venda de vinhos e espumantes este ano. Mas as últimas projeções, até novembro, sugerem que o acréscimo nas vendas de vinhos brasileiros encerre o ano abaixo de 10%. Já será um ganho, porque em 2010 fechamos com perda de mercado. O setor vitivinícola brasileiro segue em dificuldade. A nossa projeção é que o estoque de vinhos no início de 2012 deve somar aproximadamente 295 milhões de litros (sendo 166 milhões de vinhos comuns; 63 milhões de litros de vinhos finos e 66 de outros vinhos). O incremento nos estoques de vinhos ocorre porque a produção da última safra foi recorde, superior à comercialização. Temos de ser realistas e trabalhar com as empresas e o governo federal para resolver este problema histórico. Esta safra, que até agora tem tido um clima favorável, deve novamente ser de grande volume. O que pode aumentar mais ainda os estoques de vinhos nas cantinas. O impacto do selo fiscal ainda não influenciou as importações de vinhos, que continuam em crescimento. Logo, a desculpa de que o selo atrapalharia as importações de vinhos não se confirma na prática. O Brasil deve fechar o ano com um aumento de 3% a 5% nas importações de vinhos. Só não teremos o crescimento assustador verificado em 2010, quando as importações aumentaram quase 30%, reflexo da entrada em vigor do Selo de Controle Fiscal, quando muitos importadores anteciparam a entrada de produtos para não precisar selar a partir de janeiro de 2011.

* Entidades que aprovaram o selo

IBRAVIN (Instituto Brasileiro do Vinho), UVIBRA (União Brasileiro de Vitivinicultura), OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), CNA (Confederação Nacional da Agricultura), FIEMG (Federação das Indústrias de Minas Gerais), ACAVITS (Associação Catarinense de Produtores de Vinhos Finos de Altitude), EMBRAPA, ABE (Associação Brasileira de Enologia), AGAVI (Associação Gaúcha de Vinicultores), MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), ANEV (Associação Nacional dos Engarrafadores de Vinho), FECOVINHO (Federação das Cooperativas de Vinicultores), Sindicato da Indústria do Vinho de São Roque (Sindusvinho), SINDIVINHO de Jundiaí e Comissão da Uva.

DÊ SUA OPINIÃO

E você, acha o selo fiscal do vinho necessário? Participe com seu comentário.

Autor: Tags: , , , ,

terça-feira, 27 de dezembro de 2011 Espumantes, ViG | 16:32

É dia de champanhe, bebê!

Compartilhe: Twitter

3, 2, 1 Pow! O espumante é a bebida do fim do ano. E do início. E do meio...

Não se bebe espumante, champanhe, prosecco ou cava em dia triste. O estampido seco libera as borbulhas adormecidas na garrafa e, transferidas para tulipas, convidam ao primeiro gole. Antes de descer pela garganta, o primeiro brinde! O frescor limpa a boca e as borbulhas normalmente desenham um sorriso e estimulam novos goles. Trata-se de um vinho de comemoração e celebração. Talvez aí esteja um dos segredos da crescente demanda. É uma bebida com um marketing imbatível: o da alegria.

Por isso mesmo é a bebida oficial das festas de fim de ano. Em um país que até pouco tempo atrás até o guaraná era champanhe, tudo que borbulha tá valendo. E efervescentes genéricos de sidra, proseccos vagabundos e chuvas de prata da vida ganham status de bebida de celebração pelo simples fato de cuspir a rolha como um foguete e de espalhar sua espuma para fora da garrafa. No momento do brinde, muitas vezes segue direto goela abaixo pelo gargalo mesmo, numa espécie de cachimbo da paz das borbulhas.

Qual o problema? O importante é celebrar! Mas se sua intenção vai um passo além e seu objetivo é aliar a comemoração a uma bebida de qualidade, está na hora de escolher a garrafa da virada, daqueles que podem ser os melhores anos de suas vidas. 31 de dezembro é dia de champanhe, bebê!

Os vários estilos de espumantes

Para facilitar a sua vida, o Blog do Vinho traz uma lista de produtores que garantem uma qualidade sem erro. Tanto para os felizardos que têm “muito dinheiro no bolso” (a turma do champanhe) como para os que pelo menos esbanjam “saúde pra dar e vender” (a turma do espumante “orgulho da viticultura” nacional). E ainda explica, para quem ainda não sabe, a diferença dos vários estilos de espumantes – não, não é tudo a mesma coisa

CHAMPANHE

É o rei-leão dos espumantes, está no topo da pirâmide destes vinhos, até no preço. São mais intensos, ricos e de paladar apurado, com aromas que lembram panificação, às vezes de cor mais dourada. O espumante nasceu na região de Champagne, localizada no nordeste da França, e segue regras rígidas. As únicas uvas permitidas são: a branca chardonnay (dá finesse, notas florais e minerais), e as tintas pinot noir (frutas vermelhas e estrutura ao vinho) e pinot meunier (frutado). Estranhou o uso de tintas em champanhes? Mas é assim mesmo, são usadas tanto uvas brancas como tintas, o que dá a cor ou não a um vinho é o contato da bebida com as cascas.

Todo vinho sofre uma fermentação para transformar o açúcar da uva em álcool. Nos efervescentes, são duas. No champanhe, a segunda fermentação é feita na própria garrafa – a este método se dá o nome de champenoise, ou classico. Este método, com vinho-base bom e terroir exclusivo, confere mais elegância e intensidade à bebida. Dos diferentes estilos de champanhes, os mais caros e refinafos podem ficar até dez anos repousando nas caves antes de estar disponível ao consumidor.

Nem tudo que borbulha é champanhe

Champagne só em Champagne

Se topar com um espumante fora da França com o nome “champagne” gravado na etiqueta, desconfie. Champagne é a única região do planeta autorizada a usar esta designação nos rótulos. Na verdade, existem exceções que conseguiram burlar esta restrição, mas vale como regra.

Produtores importantes: Ayala, Billecart-Salmon, Bollinger, Charles Heidsieck, Delamotte, Deutz, Drappier, Jacques Selosse, Krug, Laurent-Perrier, Louis Roederer, Moët & Chandon, Pol Roger, Ruinart, Salon, Tattinger, Veuve Clicquot Ponsardin.

Preços médios: champanhe é cara. A partir de R$ 160,00 é possível encontrar bons produtos, como a Delamotte Brut. A sempre boa Tattinger sai por R$ 200,00, a Drapier Carte d`Or vale R$ 205,00 e a Gosset Brut Excellence R$ 192,00. Nas mais caras, e exclusivas, o céu é o limite, uma Dom Pérignon safrada não sai por menos de R$ 750,00, a prestigiadíssima Jacques Selosse Substance sai por R$ 1.500,00! – precisa ter muito o que comemorar…

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Veuve Clicquot Ponsardim (entre R$ 200,00 e 230,00) – aquela do rótulo amarelo. É quase um blockbuster da champanhe no Brasil e no mundo (mais de 10 milhões de garrafas ao ano) e merece seu sucesso. Fácil de encontrar em lojas e supermecados. Bom aroma, frutas e torrefação. Um ótimo começo para se conhecer um champanhe típico, com seu toque oxidado, frutas secas, torrefação e cítricos.

CRÉMANT

Espumante genérico francês, também elaborado pelo método clássico, produzido fora da região delimitada de Champagne, sendo que o maior volume vem da região do Loire, mas com boas casas na Borgonha também. Costumam ter menos pressão e são mais ligeiros. Não há muita oferta de rótulos no Brasil.

Produtores importantes: Louis Bouillot, Domaine Amiot Guy et Fils, Dopff au Moulin, Grandin, Vigneau-Chevreau.

Preços médios: O crémant não é tão caro quanto o champanhe. Na média de 80 a 90 reais há rótulos disponíveis. Exemplos Amiot Guy Cremant (R$ 98,00).

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): O Crémant de Bourgogne Perle de Vigne Brut Grand Reserve (R$ 85,00) é um belo exemplar para comparar entre os espumantes de Reims/Champagne e fora desta região demarcada. Aromas de leveduras presentes, mas com muito frescor. Legal para conhecer o estilo.

CAVA

Outro espumante feito pelo método clássico – esqueceu o que é? Segunda fermentação na garrafa –, mas de origem espanhola, na região de Penedés, na Catalunha. As uvas são nativas: macabeo, viura (dão um toque frutado), parellada (acidez) e xarel-lo (acidez e potência). A Espanha é o segundo maior produtor de espumantes do mundo. A gigante Cordoniu coloca no mercado 130 milhões de garrafas ao ano. São facilmente encontradas nas prateleiras de supermercados e são deliciosos e potentes, vale experimentar.

Produtores importantes: Freixenet, Cordoniu, Raventos I Blanc.

Preço médio: as cavas têm preços mais acessíveis, encontram-se rótulos das gigantes Freixenet e Cordoniu por 55 reais, em média – valores similares aos bons espumantes nacionais – e são mais fáceis de encontrar em redes de supermercados. As versões rosés são bem interessantes.

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Raventos I Blanc Gran Reserva Brut (R$ 140,00). Uma cava de maior qualidade, com tostados e notas de frutas secas. Fica 6 meses em contato com leveduras e mais 36 envelhecendo na garrafa. E daí? Mais complexidade, sabor e expressão em boca.

PROSECCO

Quem já passeou por este Blog do Vinho já sabe: prosecco nada mais é que uma uva nativa da Itália, mais precisamente da região de Valdobbiadene e Canegliano, no Vêneto. Com ela, se faz este espumante que, ao contrário dos vinhos efervescentes anteriores, é elaborado pelo método charmat. O que é isso? Aqui, a segunda fermentação se dá em grandes tanques fechados de aço inoxidável que suportam altas pressões (a pressão do gás chega até a 7 atmosferas). Há os proseccos mais refinados, eles chegam da região de Cartize, mas a grande maioria é uma bebida mais fácil, de cor mais clara e de sabor próprio. A propósito, há proseccos no mercado de grande volume bem ruins, se puder, evite. Tem prosecco no Brasil? Tem. A Salton (R$ 25,00) e a Aurora (R$ 22,00) produzem seus rótulos. E ao contrário do champanhe, pode ter seu nome estampado no rótulo. São frescos e honestos, uma boa opção aos italianos mais comuns.

Produtores importantes: Adami, Bisol, Ca Bolani, Dominio de La Vega, Jeio, Mionetto, Nino Franco, Ruggeri.

Preço médio: entre 40 e 80 reais encontram-se proseccos de qualidade de produtores importantes como Mionetto e Bisol.

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Nino Franco Rústico (R$ 80,00). Trata-se de uma escolha afetiva. Foi o primeiro Prosecco de qualidade que experimentei e nunca decepciona, mostrando a capacidade desta uva quando bem vinificada e tratada.

ESPUMANTES (sparkling wines)

Nome genérico para todo vinho com duas fermentações. Há rótulos da Itália, da Argentina, do Chile, da Alemanha (conhecidos como Sekt), de Portugal – em toda parte  –, até a Inglaterra começou a se aventurar neste mercado. O Brasil produz espumantes premiados em vários concursos sérios e reconhecidos pela crítica internacional e nacional. A grande maioria é elaborado pelo método charmat com bons resultados; algumas vinícolas arriscam o método clássico, nem sempre superiores ao charmat. No Brasil, além das uvas francesas chardonnay e pinot noir, é comum o uso da riesling itálico que teve boa adaptação no sul do país. Nossos espumantes se caracterizam pela boa acidez, frescor, juventude (é comprar e beber, sem dormir na adega) e média intensidade, um aroma levemente cítrico, um vinho de celebração com qualidade, acima de tudo.

Produtores importantes

Brasil: Adolfo Lorna, Aurora, Bueno State, Caves Geisse, Chandon, Dal Pizzol, Dom Cândido, Don Giovanni, Domno, Marson, Miolo, Pericó, Peterlongo, Piagentini, Pizzato, Salton, Valduga, Vallontano.

Itália: Costaripa, Bellavista, Ferrari.

Portugal: Luis Pato, Quinta da Bacalhoa, Vértice.

Preços médios: a partir de 20 reais já é possível achar um espumante correto para chamar de seu. Subindo um pouco a régua, com você será bastante feliz com alguns exemplos Ponto Nero Brut (R$ 30,00), Aurora Brut 100% Chardonnay (R$ 30,00).

ViG (Vinho indicado pelo Gerosa): Se você aprecia uma bebida mais elaborada, mais densa e com mais requintes de paladar – todos elaborados pelo método champenoise – fique com o Don Giovanni Brut (R$ 42,00), o Pizzato Brut (R$ 44,00) ou Casa Valduga 130 Brut (R$ 60,00); para os espumantes com característica mais verde-amarela, descrita acima, e de qualidade sempre constante, as dicas são o saboroso Chandon Reserva Brut (R$ 48,00) e o sempre bom Salton Reserva Ouro (R$ 30,00). Entre os estrangeiros, uma boa alternativa é o espumante Costaripa Brut (R$ 68,00 na oferta de Natal), produzido na região da Lombardia pelo método champenoise. E Luis Pato Maria Gomes 2010 (R$ 74,00), um pioneiro das borbulhas na Bairrada, mais simples e fresco. Nunca decepciona.

Brut, sec, demi-sec. Qual o significado?

Se os estilos mudam em cada região e pelo método de vinificação, o teor de açúcar – e o sabor – também se alteram de acordo com a sua classificação. Fique atento ao que diz o rótulo, é fácil se enganar. Os espumantes são classificados conforme a concentração de açúcar por litro.

Nature (zero dosage): até 3 gramas por litro

Extrabrut: até 6 gramas por litro

Brut: menos de 15 gramas por litro

Sec: entre 17 e 35 gramas por litro

Demi-sec: entre 33 e 50 gramas por litro

Doux: acima de 50 gramas por litro

Ou seja, essas expressões nos rótulos indicam o grau de açúcar por litro em cada garrafa. Atualmente, 80% do mercado são dominados pelo tipo brut, que é mais seco e com baixa concentração de açúcar. Sec, ao contrário do que parece, não é seco, mas levemente adocicado. Mais comum encontrar a expressão demi-sec. Doux dispensa explicações.

Escolheu o seu? É hora de jorrar a bebida na taça!

Fala sério, não é tudo igual, não é mesmo? Agora é só escolher qual bebida combina melhor com seu bolso e paladar para celebrar 2012, 2013, 2014…

Autor: Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 28 de novembro de 2011 Harmonização | 14:17

Peixe com vinho tinto: um casamento diferente que pode dar certo

Compartilhe: Twitter


Em uma cena do filme Moscou contra 007 (From Russia with Love), James Bond (Sean Connery) é atacado por Red Grant  (Robert Shaw) com uma coronhada, após um jantar regado a vinho e peixe no vagão-restaurante de um trem. Durante a refeição 007 pede um blanc de blancs; seu oponente opta por um tinto (um chianti). Após recobrar a consciência, Bond mira seu adversário e recorda: “Vinho tinto e peixe.” E conclui seu raciocínio: “Isso diz muita coisa” (assista o trecho no vídeo acima).

Pois é, combinar vinho tinto com peixe não é um sintoma de mau-caratismo, mas para muita gente trata-se de um pecado mortal. Até James Bond desconfia de quem propõe tal harmonização… Para os ursos do cartum abaixo, para os homens que cospem vinho e para os xiitas de Baco não dúvida de que se trata de um crime de lesa-pátria, mas nem tudo é preto no branco quando se trata do gosto pessoal e das possibilidades do casamento entre vinho e comida.

Nem só no vinho branco nada o peixe

Não é novidade pra ninguém. Um dos mandamentos da harmonização estabelece que peixes e frutos do mar são servidos com variedades brancas (sauvignon blanc, chardonnay, sémillon, riesling, alvarinho, etc). Isso é fato, eu também prefiro – até com bacalhau, que dizem por aí que nem peixe é. A razão é simples: a combinação por peso. Vinhos leves combinam com pratos mais leves. As explicações mais científicas sobre o tema são enumeradas mais abaixo.

Mas se o cidadão gosta de peixe, aprecia a companhia de um vinho nas refeições mas não tolera as uvas brancas não merece a fama de vilão da harmonização. James Bond que me perdoe, mas há opções que  combinam um prato de peixe e talagadas de vinho tinto. O Blog do Vinho destaca algumas destas alternativas

Para peixes leves e grelhados

Já foi dito. Vinhos leves combinam com pratos mais leves. A mesma regra vale para tintos. Portanto, escolha tintos de baixo teor alcoólico (de preferência até 12,5o), taninos suaves (a sensação de adstringência que deixa a boca seca) e boa acidez.

Sugestões: os vinhos da uva pinot noir do Chile (principalmente da região de Leyda, do Limarí), da Nova Zelândia, da Argentina (destaque para os provenientes da fria Patagônia), dos Estados Unidos (aqueles produzidos na região de Oregon) e os clássicos tintos da região da Borgonha, na França (geralmente não vem destacado no rótulo a uva, mas sendo da Borgonha obrigatoriamente são feitos da uva pinot noir); gammay (tanto Beaujolais Nouveau francês, um vinho-evento, distribuído todo dia 18 de novembro em todo o mundo, bem leve e refrescante), além de suas versões nacionais de gammay da Miolo e Salton. Ainda na França, tintos mais leves, baixo teor alcoólico, frutados e pouco conhecidos no Brasil (e por isso mesmo não muito caros) da região de Chinon e do Loire.

Para pratos do mar mais pesados

Para os peixes mais gordurosos, como atum, salmão, e aqueles seres aquáticos de consistência mais forte, como lulas e lagostas, ou mesmo pratos regados a molhos mais potentes, os tintos podem ser um pouco mais estruturados, mas nunca aqueles blockbusters com muita madeira, explosão de frutas no nariz e quase doce na boca (bom, nunca é sempre um conselho muito forte quando o tema é gosto pessoal, mas a ideia é sempre tentar fundir melhor os dois sabores: do prato e da bebida, sem um sobrepor o outro).

Sugestões: os vinhos das uvas cabernet franc e merlot, o mesmo pinot noir acima, de preferência de regiões mais quentes, os italianos dolcetto d’alba, espanhois como  mencia e portugueses como baga são combinações possíveis.

E tem o bacalhau, né? Os portugueses, que têm Phd no tema, preferem com tintos do Douro, do Dão e do Alentejo. Veja a lista no link abaixo.

Bacalhau e vinho: tinto ou branco?

As razões para combinar peixe com vinho branco

Ok, os ursos, os homens que cospem vinho e os xiitas de baco às vezes são meio fundamentalistas do gosto. Mas também há razões cintíficas que corroboram suas verdades.

O fator tanino – é comum o alerta de que o vinho tinto produz um sabor metalizado quando combinado com peixes em geral. Este gosto metalizado, amargo,  é resultado, seguno o senso comum, da reação dos taninos com o iodo dos peixes (principalmente os de água salgada). Faça o teste do encontro de uma porção de peixe e um tinto robusto – no geral proporciona este travo amargo na boca.

O fator ferro – já um pesquisa realizada no Japão 2009 constatou outro responsável por esta sensação metalizada, o ferro. Entre várias amostras de tintos e brancos consumidos juntos a um prato de vieiras, aqueles que causavam maior alteração no paladar tinham uma alta concentração de ferro. Aqueles que harmonizavam melhor com o molusco apresentavam  um teor de ferro mais baixo. A quantidade de ferro presente no vinho depende de uma série de fatores, como o solo e a fermentação da bebida. Mas infelizmente esta graduação não é explicitada nos rótulos. Outra conclusão do estudo que reforça a ligação dos brancos com os peixes é o papel da elevada acidez destas uvas, que provoca uma reação química que reduz a quantidade de ferro  na combinação.

Resumo da ópera: os brancos são parceiros ideiais do peixes e frutos do mar, mas tintos leves também trazem alegria e possibilidades à mesa. Portanto, não se intimide ao propor um tinto com seu peixe preferido. A não ser que esteja na companhia de James Bond…

Autor: Tags: , , ,

terça-feira, 25 de outubro de 2011 Tintos, Velho Mundo | 23:31

Um bate-papo com o Sousão

Compartilhe: Twitter

Éramos três na mesa. Eu, minha mulher e o Sousão. Ao fundo, a noite caindo sobre as parreiras carregadas de frutos, espalhadas em terraços talhados à mão por gerações de vinicultores do Douro, região histórica de vinhedos de Portugal, declarada Patrimônio da Humanidade pela ONU.

Sousão foi apresentado em uma degustação de vários rótulos por um jovem administrador da Quinta do Vallado, uma vinícola encravada no coração da região de Peso da Régua, mais especificamente junto ao Rio Corgo, afluente do Douro, e conquistou com seu papo diferente e personalidade forte. Tanto é que permaneceu conosco no jantar.

Sousão entretanto não é uma pessoa, como pode sugerir seu nome, mas sim uma uva típica do Douro e do Minho e também o título do rótulo monovarietal (de uma só variedade) que a Quinta do Vallado produz desta especialidade. Aliás, os nomes das uvas portuguesas sempre merecem um comentário adicional. A sousão, por exemplo, também atende pelo nome de: sousão forte, sousão de Correr, negrão de pé de perdiz, tinto antigo, espadeiro preto entre outros.

Mas não é preciso estar embriagado para conversar com uma garrafa de vinho, não é mesmo? Quem aprecia o produto está em constante conversa com os caldos. O papo com o sousão foi uma troca de impressões sobre sabores, aromas e sensações do vinho.

A uva e seus sabores

Quinta do Vallado Sousão 2008

O sousão é uma variedade muito utilizada na região do Douro na produção do vinho do Porto, mas pouco comercializada em carreira-solo. Foi minha primeira experiência com a uva que começou surpreendendo pela cor – quase negra e impenetrável. Fez bonito no aroma (aquele perfume meio indecifrável que no jargão do vinho é traduzida como frutas negras, um toque de tabaco, a baunilha da madeira, tudo muito sedutor). A boca é ampla, potente, com final longo e confirmando a experiência do nariz nas frutas negras, estes jargões que os homens que cospem vinho usam para descrever um sabor. Pra mim, agora, existe o gosto e o aroma do sousão, que vou saber identificar sempre que deparar com um exemplar na taça, assim como existe o gosto e aroma da pinot noir e outras tantas variedades de uva. O nosso bate-papo atravessou a noite, e como toda boa conversa os temas foram variando, com novas camadas de aromas e sabores surgindo, sempre com uma pegada mais diferenciada. Taí uma definição que pouco define mas muito explica o Quinta do Vallado Sousão: diferente.

Garrafa cheia eu não quero ver sobrar...

O bichão foi envelhecido o equivalente a duas gestações (18 meses) em barris de carvalho francês e mantém a tradição de pisa manual em lagares (como são chamados em Portugal os tanques de cimento) por seis dias. A pisa manual, para quem não sabe, é aquela imagem tradicional de homens de braços entrelaçados que esmagam as uvas com seus pés em turnos de seis a oito horas, e que conferem uma extração mais delicada do suco para a fermentação. Para manter o ânimo da moçada são entornadas várias garrafas de vinho no processo (na foto as garrafas vazias ao lado da sousão no tanque), afinal tradição é bom mas a recompensa é melhor ainda.

Pode soar atrasado e pouco higiênico, mas o processo, que vem sendo  substituído por máquinas que simulam a pisada humana, é reservado apenas para vinhos de exceção. E para quem torce o nariz para a cena e suas consequências higiênicas vale lembrar que a fermentação – transformação do açúcar da uva em álcool – passa a régua em qualquer resquício humano.

O lagar onde as uvas sousão são pisadas

Se a  prova de um vinho está associada a um momento, o cenário do Douro, em meio às parreiras onde é cultivado, potencializou meu encontro com o sousão. Esta experiência em ambiente de folhinha e com a melhor companhia possível ajudou, é claro, na decisão de trazer para a coluna o Quinta do Vallado Sousão 2008 (R$ 150,00, importado pela Cantu) como o ViG (Vinho indicado pelo Gerosa) da vez. O preço do papo não é tão amigável, mas assim é a vida. Algumas experiências saem mais caras mesmo…

Autor: Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 8
  3. 9
  4. 10
  5. 11
  6. 12
  7. 20
  8. Última